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sexta-feira, 19 de junho de 2020

"Mad Max 2" é o melhor filme de ação de todos os tempos!



Produzido em 1981, longa continua a impressionar pela qualidade das cenas de perseguição e trombadas, sem dúvida as mais bem feitas do cinema. Música de Brian May é um dos maiores destaques.

quarta-feira, 17 de junho de 2020

Filmes: A LIGA EXTRAORDINÁRIA



LIXO EXTRAORDINÁRIO

Mais um filme de fantasia pavoroso que tentam salvar enfiando um monte de efeitos visuais exagerados

- por André Lux


Houve um tempo em que filmes de aventura e fantasia tinham que ser fortemente baseados em bons roteiros, direções inventivas e interpretações vigorosas caso contrário virariam motivo de chacota, já que naquela época não havia tecnologia disponível para grandes tomadas com efeitos visuais. Isso antes do advento da computação gráfica, recurso que (como toda inovação) pode tanto ser usado para o ‘bem’, quanto para o ‘mal’. Infelizmente, diferente de obras como O SENHOR DOS ANÉIS de Peter Jackson, essa A LIGA EXTRAORDINÁRIA é só mais um exemplo de um filme mal feito que tentam salvar inserindo centenas de tomadas geradas em computador.

O que não deixa de ser uma pena, já que a premissa é até interessante: pretende reunir vários personagens famosos da era Vitoriana inglesa - o Homem Invisível, Allan Quartermain (de ‘As Minas do Rei Salomão’), Capitão Nemo (de ‘Vinte Mil Léguas Submarinas’ que aqui virou um tipo de sultão árabe embora o personagem seja indiano!), Dr. Jekyl (que vira Mr. Hyde), Mina (de ‘Drácula’), Dorian Gray (do livro de Oscar Wilde) e Tom Sawyer (criado por Mark Twain) - numa Liga que precisa combater um vilão terrível.

Apesar de ter sido baseado numa obra de Alan Moore (o gênio por trás de grandes quadrinhos como WATCHMEN e V DE VINGANÇA) o roteiro de James Robinson é muito ruim, truncado e não explica nada direito. Pior, tem um monte de furos, como um vampiro que anda à luz do dia e usa um espelho para retocar a maquiagem, além de uma cena ridícula perto do final quando o Homem-Invisível aparece depois de andar pelado numa nevasca para não ser visto!

Mas o que mais incomoda é realmente a ruindade da produção. A começar pela fotografia escura e sem colorido. O desenho de produção também é pavoroso, tendo como ponto mais baixo o submarino Nautilus, uma total aberração tanto em termos de design como concepção (é ridiculamente gigantesco sem necessidade e super avançado, chegando até a lançar mísseis – isso em 1890!).

O astro Sean Connery (aqui no papel de Allan Quartermain, que assina também como produtor executivo) brigou feio com o diretor Stephen Norrington (do também ruim BLADE – O CAÇA VAMPIROS) durante as filmagens. E, a julgar pelo que se vê na tela, o ator tinha razão. A direção de Norrington é péssima, sem rumo, deixa os atores perdidos ou descontrolados (a má vontade de Connery com o projeto fica evidente em sua atuação burocrática e infelizmente esta foi sua última aparição nas telas), cheia de enquadramentos ruins e falhas gritantes. Há, por exemplo, uma cena no mar enquanto o Nautilus deslancha a uma velocidade absurdamente alta, enquanto os atores aparecem na torre de comando conversando ao ar livre sem que haja qualquer vento ou mesmo movimento no oceano atrás deles!

São erros toscos como essa que deixam o filme quase insuportável, ainda mais quando tentam consertar isso (ou será disfarçar?) enfiando um monte de efeitos visuais exagerados e apelando para uma edição rápida cheia de cortes bruscos que deixa as lutas e cenas de ação ininteligíveis. Se não bastasse tudo isso, ainda existem tentativas de se fazer humor com aquelas infames piadinhas fora de hora e um monstro ridículo (o Mr. Hyde), que conseguiu ser ainda pior que o lamentável HULK, do Ang Lee. A única coisa boa do filme é a música composta por Trevor Jones, mas é praticamente inaudível durante a projeção já que foi a mixagem a enterrada em baixo dos efeitos sonoros.

Sinceramente, não dá pra ver esse LIGA EXTRAORDINÁRIA nem como comédia involuntária (daquelas que como o acima citado HULK fazem rir nas horas erradas), de tão aborrecido e irritante que é. Quando vemos um filme horroroso como esse é que percebemos o quão bons são X-MEN, de Bryan Singer, ou SUPERMAN, de Richard Donner. Melhor revê-los do que perder tempo como esse ‘Lixo Extraordinário’!

Cotação: *

sexta-feira, 12 de junho de 2020

“Meu Rei” traça um retrato do narcisista perverso e de como destroem suas presas


Ações do abusador são tão brutais que impedem que a vítima reaja e causam Estresse Pós-Traumático Complexo, Depressão, Ansiedade e até suicídio

- por André Lux, jornalista e psicanalista

“Meu Rei” é um filme perturbador, difícil de assistir, assim como todos que tem como tema central as criaturas acometidas pelo Transtorno de Personalidade Narcisista, sem dúvida o mais monstruoso dos descritos no DSM, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

São duas horas de suplício, durante as quais testemunhamos o inferno em que vive Tony (Emmanuelle Bercot), uma mulher frágil e com baixa auto-estima que tem sua vida literalmente destruída depois que se apaixona por Georgio (Vincent Cassel), um homem a princípio sedutor e carinhoso, mas que logo se revela uma narcisista perverso, capaz de abandoná-la quando está pretes a ter um filho. “Resolvi que quero morar sozinho agora, você está muito chata”, anuncia ele como quem diz que vai ao banheiro, demonstrando aí a incapacidade desse tipo de criatura de sentir empatia, compaixão ou remorso - fatores que levam os narcisistas a serem considerados também psicopatas.

O abuso físico e, principalmente, psicológico sofrido por Tony nas mãos do seu ex-marido, que incluem usar o amor dela pelo filho do casal para atormentá-la, levam ela inclusive a tentar se suicidar duas vezes. Por sinal, existe outra personagem no filme, uma ex-namorada dele, que passa o tempo todo orbitando à sua volta a qual ele usa para fazer as famigeradas “triangulações” e “gaslighting” usadas por quem tem transtorno narcisista para enlouquecer ainda mais suas vítimas.

O narcisista perverso usa os filhos para atormentar a vitima
 A cineasta francesa Maïwenn é muito hábil em construir a narrativa que se inicia com a protagonista sofrendo um acidente enquanto esquiava na neve, anos depois de ter sido descartada, porém ainda sofrendo abuso pelo ex-marido, mostrando a concretização da dor psíquica em dor física literal, que é o estágio máximo atingido por quem sofre nas mãos desse tipo de criatura. A partir daí começamos a entender o tormento em que ela vive e somos então apresentados à história de seu trágico “relacionamento” via flashbacks.

Os atores são excelentes, com destaque para o vigoroso Vincent Cassel que como sempre se entrega totalmente ao personagem, alternando charme e sedução com agressividade e crueldade, onde por meio da manipulação e da mentira patológica sempre vira o jogo ao seu favor convencendo a todos (inclusive a pobre Tony!) que ele é a vítima e não o abusador (de longe o maior “super poder” das criaturas narcisistas).

O que mais angustia é justamente a inação da protagonista que, como toda vítima do abuso narcísico, é incapaz de entender como alguém que tanto a “amava” da noite para o dia passa a trata-la como um trapo velho, tornando-se logo seu maior inimigo e capaz de perpetrar as maiores barbaridades contra ela, inclusive leva-la à falência e fazer de tudo para prejudicar a relação dela com seu filho.

As ações do narcisista perverso são tão brutais que impedem que a vítima reaja, tamanha a crueldade e o sadismo delas, algo que simplesmente “frita” o cérebro da pessoa e, além de gerar Estresse Pós-Traumático Complexo, pode levar a um quadro de Depressão, Ansiedade, Síndrome do Pânico e até suicídio.

Infelizmente, este é um assunto pouco estudado no Brasil e é raro encontrar um profissional da saúde mental capaz de ajudar efetivamente uma vítima desse tipo de abuso, sendo que muitos inclusive tratam os pacientes com desdém, fator que pode agravar ainda mais o frágil estado deles. Embora esse tipo de transtorno acometa mais aos homens estatisticamente falando, também podemos encontrar muitas mulheres que o possuem.

“Meu Rei” é um filme que, além de ser ótimo cinema dentro do gênero que se propõe, ainda ajuda a jogar luz sobre essa questão tão importante para a saúde pública. Neste sentido deveria ser obrigatório para quem trabalha com saúde mental, especialmente os estudantes de psicologia, psicanálise e psiquiatria.

Cotação: * * * *

quinta-feira, 11 de junho de 2020

EXPLICANDO PARA QUEM NÃO ENTENDE O ABUSO NARCISISTA

Uma das violências mais terríveis a que alguém pode ser submetido é o abuso realizado por narcisistas patológicos, algo que muitos profissionais da saúde mental desconhecem e tratam com desdém até, agravando ainda mais a situação das vítimas.






terça-feira, 9 de junho de 2020

Luto: Jundiaí perde Josette Feres


- Por ARIADNE GATTOLINI no jornal de jundiaí

A musicista Josette Silveira Mello Feres faleceu nestas segunda (8), em decorrência de problemas de saúde.

Ela ficou internada somente um dia após se sentir mal em sua residência.

Josette Feres fundou a Escola de Música Jundiaí (EMJ), em 1971. Formada em música, ela foi aluna de Villa-Lobos e criou o primeiro método de ensino de música a bebês. Sua pedagogia foi levada a diversos países e era uma das autoras brasileiras mais acessadas e consultadas no meio musical.

Graças à pedagogia própria, Josette Feres formou grandes expoentes musicais eruditos, que hoje atuam em orquestras em todo o mundo. Seu método é aplicado em diversas escolas, assim como suas músicas, de autoria própria, que seguem sendo executadas em todo o mundo. Josette era uma pessoa simples, dedicada a suas flores e à família. 

Aos 85 anos, ainda dava aulas de piano a alunos que pediam para se aperfeiçoar ou conhecer seu método. Comumente, abria sua casa como extensão da Escola de Música Jundiaí e não raro a casa era uma espécie de abrigo, proteção e de encontros musicais.

Sua simplicidade era levada a sua pedagogia diária. Tinha como premissa de vida facilitar o acesso às partituras, desmitificava os métodos difíceis e incansavelmente estudava formas de ensinar que facilitassem a vida dos alunos. Foi uma das precursoras da inclusão educacional, formando muitos alunos com deficiência. 

Era incansável ao defender a música como propulsora de mudança social e a queria nas escolas públicas, desde que com qualidade. Deixa o marido Samy e os filhos Roberto, Renato, Sônia, Cláudia e Luciana, centenas de alunos, amigos e fãs.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Aula sobre o Brasil real com Jessé Souza


O sociólogo Jessé Souza é o autor de livros como "A Elite do Atraso", "A Classe Média no Espelho", "A Tolice da Inteligência Brasileira" e mais recentemente "A Guerra Contra o Brasil". Em uma entrevista ao canal de CartaCapital, ele explica o apoio das elites brasileiras ao governo de Jair Bolsonaro. E, mais importante, esses apoiadores-chave irão abandonar o barco?

sexta-feira, 29 de maio de 2020

terça-feira, 26 de maio de 2020

“O Farol” é um terror psicológico forte passível de diversas interpretações


Roteiro aberto e cheio de referências a mitos gregos, obras de Lovecraft e filmes como “O Iluminado” vai atrair alguns e irritar outros

- por André Lux


Quem gosta de terror psicológico não pode perder “O Farol”, segundo longa do cineasta Robert Eggers que chamou a atenção em sua estreia com “A Bruxa”. Seu novo filme foi todo fotografado em preto e branco no aspecto 1.19:1, o qual deixa a tela praticamente quadrada, tudo isso para deixa-lo como se tivesse sido produzido nos primórdios do cinema.

O roteiro, que foi escrito pelo cineasta e seu irmão, mostra a vida de dois personagens que trabalham cuidando de um farol localizado numa ilha isolada. O mais velho e experiente é feito por Willem Dafoe, veterano conhecido pela capacidade de convencer em qualquer tipo de personagem, enquanto o mais jovem fica na pele de Robert Pattinson, o famoso vampiro da série “Crepúsculo” que demonstra aqui ser um excelente e destemido ator. À medida que o tempo avança e o isolamento domina, ambos começam a demonstrar sinais de loucura e partem para a bebedeira e a agressão crescente.

Mas este é um daqueles filmes chamados de “abertos”, ou seja, é do tipo que vai ficando cada vez mais alucinante ao mesmo tempo que joga diversas referências à mitologias, por exemplo, mas sem nunca dar explicações sobre o que realmente está acontecendo. Sobra então para o pobre espectador tentar entender o que diabos ele viu, uma aproximação que certamente atrai alguns enquanto irrita outros.

Dessa forma, tudo pode ser apenas o delírio de um dos personagens, atormentado por erros cometidos no passado, uma releitura moderna do mito grego de Prometeus e obras de H.P. Lovecraft ou o produto da ação de uma entidade maligna concentrada no farol e que aos poucos vai dominando a mente e o corpo dos protagonistas. Essa última leitura deixa “O Farol” parecido com “O Iluminado”, tanto é que o próprio diretor afirmou ter feito uma citação ao filme de Kubrick na cena em que um personagem persegue o outro com um machado.

Se você pesquisar sobre este filme na internet vai encontrar um monte de cinéfilos e críticos tentando dar explicações sobre o filme e, principalmente, seu final, porém são meras conjecturas, pois como afirmei acima o roteiro não dá qualquer explicação lógica para o que realmente está ocorrendo, ficando assim aberto para qualquer tipo de interpretação.

Na minha singela opinião, apesar de achar que as três aproximações se fundem, “O Farol” faz mais sentido sob a lógica de um filme de terror onde os personagens são influenciados por uma entidade, algo que fica meio latente pelo uso da trilha musical bastante assustadora composta por Mark Korven, pelo estilo de fotografia e enquadramentos e, principalmente, pela atuação de Dafoe e Pattinson, ambos num verdadeiro “tour de force” de total entrega aos papeis inclusive em cenas escatológicas e de forte cunho sexual.

Por tudo isso obviamente não é um filme para todos e certamente vai aborrecer e causar repulsa em muita gente. É um prato forte. Veja por sua conta e risco.

Cotaçâo: ****

sábado, 23 de maio de 2020

Catástrofe nacional só será superada quando pedirmos desculpas históricas ao PT


- por Gustavo Conde, em seu blog

"Enquanto a sociedade brasileira não fizer as "pazes" com o PT, o partido político mais humanizado da nossa história, prosseguiremos mergulhando no caos, na morte, no atraso, na covardia e na paralisia"

O que está impedindo a sociedade brasileira de dar um basta nesta situação catastrófica?
A recusa desta mesma sociedade em pedir desculpas a Lula, a Dilma e ao PT.

Enquanto o país (imprensa, empresários, classe média, setores sectários) não se desculpar pela violência que cometeu contra o PT, continuaremos sendo castigados.

É só pedir desculpas. Não dói.

E por que isso resolveria?

Porque o trauma é muito grande. Ele nos paralisa. A violência cometida contra a democracia não é uma coisa simples e boba, passageira, é algo que marca com a profundidade de uma geração a todos nós, tragicamente marcados por uma onda de ódio, de imposturas, de linchamento e de desprezo mútuo pela vida humana.

Bolsonaro é fruto direto do antipetismo. O que o estrutura enquanto agente da morte é o ódio ao PT, a Lula e a Dilma.

Traduzindo: precisamos combater o antipetismo para virar essa página e superar esse momento.
Na semântica ainda interditada por agentes do terror infiltrados no Ministério Público, no Poder Judiciário, na imprensa e nos aparelhos religiosos pulverizados pelos interiores do país - essa pústula de fanatismo e histeria -, antipetismo é sinônimo de anti-democracia, anti-Brasil e anti-povo.

Nossa ferida é essa. Não há plano B ou C.

Enquanto a sociedade brasileira não fizer as "pazes" com o PT, o partido político mais humanizado da nossa história, prosseguiremos mergulhando no caos, na morte, no atraso, na covardia e na paralisia.
Seria precisa uma liderança para isso, óbvio.

Esses setores heterogêneos jamais irão se articular sozinhos e desagregados. Não há possibilidade de combustão espontânea à saturação genocida do nazismo bolsonarista.

O nazismo esmaga, mata, cancela e se renova com a bestialidade e o oportunismo estruturais encravados na terra moral arrasada que é o caráter dos 20% apodrecidos da população brasileira.
Isso não terá fim, se não dermos um fim.

O processo portanto é construir esse pedido de desculpas gigantesco e necessário de "fora do PT" para que possamos receber democraticamente esse partido que nos legou a nossa maior porção de humanidade e de estrutura social politicamente organizada.

Não esqueçamos: o coronavírus ainda não dizimou mais a população brasileira, porque o SUS está segurando maiores explosões de mortes. E o SUS é herança direta da governança responsável, humanizada e democrática do PT - ainda que tenha sido obra da Constituição de 88.

Lula e Dilma construíram 68 mil leitos de hospital nos 13 anos em que governaram o país. São esses 68 mil leitos que operam o milagre de não transformar o Brasil - ainda - em uma carnificina chocante e generalizada.

Essa mesma herança virtuosa de governos democráticos do PT vale para a economia e para o combalido cinturão de proteção social.

Em suma, o Brasil é "governado" pela "gordura logística" deixada por Lula e Dilma. E só. O resto é destruição em massa.

Por isso, reitero: se não os organizarmos para pedir essa desculpa histórica ao PT, seguiremos em nosso protocolo suicida.

Esse momento vai chegando, ainda que hajam muitas resistências a ele. O PT já dá saudade em muita gente 'improvável'. Mas é preciso massificar esse movimento.

A sociedade brasileira deve isso a Lula, a Dilma e ao PT. É um gesto de gratidão, de humildade e de sobrevivência.

As desculpas que Lula pediu por sua 'frase infeliz' talvez tenham sido uma sinalização da história nesse sentido. Lula disse: 'desculpas foram feitas para serem pedidas'.

Tenhamos a decência e a grandeza de pedir desculpas a esse partido tão massacrado por nosso jornalismo de cativeiro durante tanto tempo.

O PT é um dos agentes mais importantes da consolidação da extinta democracia brasileira pós ditadura. Este partido nos deu uma aula de democracia, reconhecendo derrotas e não mergulhando em aventuras golpistas.

O PT foi um choque para a nossa elite e nossa cultura política da avacalhação e do golpe. Ele mostrou que era possível ter um país sem essa engrenagem da escravização e do seviciamento institucionalizado.

A recusa em não reconhecer isso é que nos prende ao passado e a Bolsonaro e suas práticas genocidas.

Sejamos humildes para reconhecer isso. Em breve, chegaremos a 30 mil mortes por coronavírus no bojo da política de extermínio premonitória de um certo agente da ditadura - herança podre do passado - disfarçado de deputado e, agora, travestido de presidente.

Superar Bolsonaro é superar o antipetismo estrutural que ainda nos esmaga (e desculpas foram feitas para serem pedidas).

A escalada no fascismo de Bolsonaro e os degenerados que o apoiam




O fascismo é um regime de morte e auto-destruição. Por isso ele atrai tanta gente rancorosa, amargurada e fracassada.

Quem apoia esse psicopata degenerado que está na presidência da República é igualmente degenerado. Não adianta nos iludirmos.

Nas palavras de Gregório Luiz Anaconi:

"O tipo de gente, o linguajar, as ideias propagadas na reunião do dia 22 de abril e liberada ontem representa bem e é apenas uma reflexo da maioria dos brasileiros. A maioria dos brasileiros é um povo chucro, sem educação, sem respeito para com o próximo, sem decoro.

Somos um povo que não consegue respeitar as leis de trânsito, um povo violento que mata por coisas banais, um povo que escuta música no extremo volume sem se preocupar com vizinhos, que fura fila, que dá seu jeitinho pra levar a melhor em qualquer situação, que despreza a ciência, despreza a educação, despreza o conhecimento em troca de messianismos de quinta categoria, que acredita e propaga fakenews aos montes, que desmata, que gosta de armas, enfim...


A maioria de nós, brasileiros, somos tudo o que poderia dar de mais errado como sociedade. Então, nada menos incoerente do que boa parte ter votado e apoiar aquilo que lá está. Aquela reunião é apenas o reflexo no espelho desse tipo de brasileiro."

quarta-feira, 20 de maio de 2020

“After Life” faz rir e chorar enquanto provoca reflexões sobre o sentido da vida


Série aborda temas considerados tabus como depressão, luto e suicídio de forma tocante, mas também irônica

- por André Lux


“After Life” é uma série criada e estrelada por Rick Gervais, famoso pela versão original de “The Office”, depois adaptada nos EUA, o que fez dele um comediante muito rico (como o próprio se define hoje, ironicamente).

Trata-se da história de Tony, um jornalista morador de uma pequena cidade do interior da Inglaterra que acaba de perder sua esposa para o câncer. Os episódios começam sempre com gravações feitas por ela para tentar prepara-lo para o pior e tentar incentiva-lo a seguir em frente, porém sem sucesso. O protagonista perde a vontade de viver e passa os dias considerando se deve ou não tirar sua própria vida para acabar com o sofrimento da perda e, por causa disso, torna-se extremamente ácido e indiferente, falando tudo que tem vontade sem medir as consequências – “é um espécie de super-poder”, considera a princípio.

O que poderia se tornar uma série de sequências enfadonhas e pesadas, vira uma comédia de humor sombrio graças ao estilo de Gervais, que dá ênfase a sacadas irônicas e sarcásticas com alto grau de humor auto-depreciativo e questionamentos ao sentido da vida (Gervais é ateu militante e obviamente alfineta as religiões sempre que pode).

A interação entre Tony e as pessoa que o cercam, sejam elas seu cunhado, colegas de trabalho, a enfermeira que cuida de seu pai com Alzheimer ou seu carteiro intrometido, são o ponto alto da série. São particularmente tocantes as cenas entre Gervais e a senhora que visita o ex-marido, cujo túmulo fica ao lado do da esposa dele. São impagáveis também as matérias bizarras que ele e seu fotógrafo fazem com as pessoas da comunidade, entre elas um rapaz que toca duas flautas com as narinas e um sujeito que acha que a mancha que apareceu em sua parede tem as feições do cineasta Kenneth Brannagh.

Chama a atenção a maneira eficaz com que Gervais consegue extrair drama e comédia ao mesmo tempo de situações inusitadas geradas pela convivência dele com esse grande número de personagens bisonhos, esquisitos ou desajustados. A série é muito interessante também por tocar de forma direta em vários temas considerados tabus em nossa sociedade, tais como depressão, luto e suicídio, sempre de forma tocante, mas também irônica.

“After Life” tem as raras qualidades de fazer rir e chorar ao mesmo tempo que provoca uma reflexão mais profunda sobre os temas abordados sem nunca cair para a pieguice ou resoluções simplistas.

A segunda temporada acaba de estrear na Netflix. Assista, pois vale a pena!

Cotação: ****

“O Homem Invisível” é um excelente retrato do abuso velado feito por narcisistas


Filme mostra a essência do “gaslighting”, cujo objetivo é enlouquecer a vítima

- por André Lux


É bem interessante esta nova leitura do clássico “O Homem Invisível”, baseada na obra de H.G. Wells, e que já teve inúmeras versões para o cinema. A novidade é transformar o invisível em um abusador violento e neste sentido o filme torna-se um excelente retrato das pessoas que sofrem de Transtorno de Personalidade Narcisista, uma espécie de psicopatia que pode levar os outros literalmente à loucura, especialmente no uso do “gaslighting” que é uma forma de abuso psicológico no qual informações são distorcidas, seletivamente omitidas para favorecer o abusador ou simplesmente inventadas com a intenção de fazer a vítima duvidar de sua própria memória, percepção e sanidade.

O longa começa de forma exemplar e muito bem construída, onde tudo que precisa ser estabelecido em relação ao tema principal é dito sem qualquer diálogo, apenas música e efeitos sonoros, em uma agoniante sequência onde a protagonista tenta escapar da casa de seu namorado. A partir daí o diretor Leigh Whannell escala no suspense construindo tomadas espaçosas onde apenas pequenos detalhes da presença do “Homem Invisível” aparecem (como a cena do fogão).

A protagonista feita pela competente Elisabeth Moss (de “O Conto da Aia”) começa a desconfiar que existe algo errado, mas seu algoz é muito hábil em perturbá-la sem deixar vestígios, o que vai gerando cada vez mais paranoia nela e perturbação nas pessoas à sua volta, que passam a achar que ela está com algum problema mental. Essa é a essência do “gaslighting”, enlouquecer a vítima ao mesmo tempo que faz com que pareça uma pessoa desequilibrada para os outros. Só quem passou por isso sabe o quanto esse tipo de abuso é cruel e destruidor.

O filme só cai um pouco perto do final, quando as revelações são feitas e a ação descamba para perseguições e tiroteios por demais forçados, com os personagens agido fora de suas características. Mesmo assim, “O Homem Invísivel” mantém sua qualidade e tem uma resolução forte e catártica, que certamente vai agradar muito quem já foi vítima de abuso como o mostrado no filme. Dentro do gênero suspense com pitadas de terror, está certamente acima da média.

Cotação: * * *1/2

sexta-feira, 15 de maio de 2020

HENRY BUGALHO: MINISTRO DA SAÚDE PEDE DEMISSÃO!



O ministro da Saúde Nelson Teich não aguentou ser humilhado e pressionado pelo Bolsonaro e pede demissão. Já a deputada Carla Zambelli parece ter mentido em seu depoimento na Polícia Federal ao dizer que não estava a mando do presidente para convencer Sergio Moro a aparelhar a PF. Entenda!

Galãs Feios: Conversa de Zambelli com Moro é falta de amor próprio



As conversas de Carla Zambelli e Sergio Moro no whatsapp visavamtentar salvar o emprego do ministro da justiça de desistir do cargo. Com Bolsonaro tentando mudar a todo momento a PF, a conversa vazada elucidou o que aconteceu nestes últimos dias. Helder e Bezzi comentam.

sexta-feira, 1 de maio de 2020

“Tales From the Loop” vai agradar quem busca ficção científica reflexiva


Os episódios são longos, mas deixam um gosto de “quero mais”, sempre um dos maiores elogios

- por André Lux


Para quem gosta de filmes ou séries de ficção científica reflexivas e originais, eu recomendo “Tales From The Loop” exibida pelo Amazon Prime Video. São oito episódios livremente inspirados em um livro de artes e contos do suíço Simon Stalenhag que acontecem numa pequena cidade do estado de Ohio, nos Estados Unidos, unidas por uma instituição misteriosa que funciona no subsolo e que aparentemente tem influência sobre a cidade toda.

Cada episódio conta uma história independente, porém quase sempre interligada de maneira sutil aos personagens principais e seus arredores. O clima da série é existencial, com ênfase no ritmo lento e minimalista, embalado por uma trilha musical composta por ninguém menos que Phillip Glass (músicas adicionais são creditadas a Paul Leonard-Morgan, mas seguem o estilo de Glass).

Essa aproximação certamente vai aborrecer muitas pessoas, acostumadas a series frenéticas como “Stranger Things” e “Black Mirror”, porém quem for capaz de emergir na proposta ficará fascinado, assim como fiquei.

O mais interessante é que nenhuma explicação é dada para os eventos bizarros que acontecem em cada episódio, apenas que tudo tem conexão a um objeto misterioso o qual os cientistas chamam de “Eclipse” que pode ser alienígena ou fruto de alguma experiência. Assim, personagens viajam ao futuro, vão parar em universos paralelos, congelam o tempo, trocam de corpos e assim por diante. Nada de novo no universo do gênero. A novidade aqui, porém, é ausência de explicações e a ênfase nas consequências que cada experiência traz para a vida de seus protagonistas e dos que os rodeiam.

Tecnicamente brilhante, com fotografia esplêndida e efeitos especiais fluídos e um elenco homogêneo e competente, “Tales From the Loop” impressiona pela capacidade de nos jogar dentro daquele mundo, sem nunca perder o interesse. Realidade essa que pode muito bem ser a de um universo paralelo, já que o comportamento letárgico das pessoas e a total ausência de referências à cultura pop dão a impressão que se trata realmente de um mundo espelho do nosso, porém diferente.

Os episódios são longos, cerca de 50 minutos cada, mas deixam sempre um gosto de “quero mais”, certamente um dos maiores elogios. A série foi criada por Nathaniel Halpern e tem Matt Reeves, diretor de “Cloverfield” e do novo “Batman”, como produtor executivo. Para quem procura algo diferente e imersivo, recomendo com louvor.

Cotação: ****

sexta-feira, 24 de abril de 2020

segunda-feira, 20 de abril de 2020

"Heal" faz marketing do charlatanismo


- por André Lux

"Heal" é  um "documentário" que faz  propaganda descarada da famigerada auto-ajuda e seus gurus.

Repleto de frases feitas e depoimentos duvidosos dos maiores charlatões do gênero, como o ridículo Deepak Chopra, e de inocentes úteis que acreditam que foram realmente "curados" pelas pseudociências que pregam quase como uma nova religião.

Pode ser que o "poder da mente" e do "pensamento positivo" ajude as pessoas a melhorarem (assim como fazem os placebos), porém sem cuidados médicos e/ou psicólogos  muita gente morre por causa dessa ladainha ou então permanece parada no tempo com suas neuroses e traumas sendo usadas para gerar riqueza para os gurus picaretas.

Se fosse um documentário sério procuraria também  depoimentos das vítimas desse tipo de vigarice que está se proliferando como praga.

Por quê? Simples: porque oferece pseudo-soluções fáceis e rápidas para problemas graves e profundos que só podem ser realmente tratados por bons profissionais das áreas da psicanálise e/ou da psiquiatria (porque tem muito vigarista e incompetente nessas áreas também). Fujam!

Cotação: Zero

sexta-feira, 17 de abril de 2020

Bolsonaro: a anatomia de um psicopata


Bolsonaro não é louco

- Por Ruth de Aquino

Vamos chamar a coisa pelo nome. O presidente eleito por milhões de brasileiros não é louco. Psicóticos e neuróticos podem ser classificados assim. Eles sofrem e enxergam o sofrimento do outro. Eles não têm método.

Bolsonaro é diferente. Pelos estudos da psiquiatria inglesa no século XIX, Bolsonaro se encaixaria em outra categoria: a dos psicopatas.

Conversei com o psicanalista Joel Birman para entender essas fronteiras entre transtornos mentais. “A psicopatia não é uma loucura no sentido clássico, mas uma insanidade moral, um desvio de caráter de quem não tem como se retificar porque não sente culpa ou remorso”. Os psicopatas são “autocentrados, agem com frieza e método”. “Não têm empatia em relação ao outro, o que lhes interessa é o que lhes convém”. A palavra psicopatia vem do grego psyché, alma, e pathos, enfermidade.

A pandemia só tornou esses traços de Bolsonaro mais gritantes. Desde os primeiros grandes gestos do presidente, ficou claro, disse Birman, que seus atos “são marcados por crueldade e violência”. Proposição de liberar fuzis para civis. Proposição de acabar com os radares nas estradas. Proposição de não multar a falta de cadeirinha para crianças. Proposição de acabar com os exames toxicológicos para motoristas de caminhão e ônibus. Proposição de legalizar o garimpo predatório nas florestas e terras indígenas. Tudo isso é um atentado à vida.

Eu poderia lembrar o que muitos teimam em esquecer. Que Bolsonaro já era assim antes de ser eleito. Quem defende torturador e condena as vítimas, publicamente, no Congresso, não é uma pessoa que preza a vida. Não surpreende, portanto, que o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, denuncie, sem meias palavras, a “política genocida” de Bolsonaro. O presidente trocou seu ministro da Saúde, era sua prerrogativa, mas será barrado pelo STF se insistir em condenar o isolamento social e ameaçar a saúde pública.

Ao criar uma realidade paralela, Bolsonaro desfruta sua liberdade de ir e vir sem se importar com as consequências de seu exemplo. Ele refuta a ciência, ignora as normas sanitárias nacionais e internacionais, receita remédios polêmicos sem autoridade para isso, ironiza quem se isola, chamando a mim e a você de “moleques”. Coloca em maior risco os pobres. O presidente é uma temeridade ambulante. Troca um ministro da Saúde competente e popular em plena batalha.

Ao se recusar a divulgar o resultado de seu exame, Bolsonaro despreza a população, se acovarda e age diferente dos homens públicos que honram seus cargos. Pode até ser que esteja imune após uma versão branda da Covid-19 e por isso se sinta apto a saracotear pelas ruas e padarias, mexendo em dinheiro e comida, enxugando o nariz e apertando as mãos do povo aglomerado. Bolsonaro não é burro nem louco. É perverso, ao estimular um comportamento de altíssimo risco.

A OMS classifica a psicopatia como um transtorno de personalidade caracterizado por um desprezo das obrigações sociais. A psiquiatra Ana Beatriz Barbosa, autora do livro Mentes perigosas, diz que a “psicopatia não é uma doença, é uma maneira de ser”. O psicopata, segundo ela, sempre vai buscar poder, status e diversão. Enxerga o outro apenas como um objeto útil para conseguir seus objetivos.

Mandetta tinha deixado de ser útil. Por brilhar demais, por ter trânsito com o Congresso e por não se curvar a suas teses temerárias. Um ministro como esse, generoso e articulado, enlouquece um presidente transtornado. A ciência é a luz. O resto é escuridão.

terça-feira, 14 de abril de 2020

Palavras que nos animam


Um leitor do meu blog que se identifica apenas como "Espírito" deixou a mensagem abaixo nos comentários:

André Lux, adoro as tuas críticas de cinema, já fazia algum tempo que vinha acompanhando teu canal do youtube, e foi através de um vídeo teu que eu descobri o negócio do narcisismo e a partir dali comecei a estudar o assunto para iniciar meu processo de libertação, então tenho que te agradecer por ter aberto os meus olhos. 

O último vídeo sobre o capitalismo e o vírus, também o melhor que eu vi sobre o assunto. 

Pena que tu desativa os comentários e aí a gente não pode elogiar nem apoiar verbalmente. Sugiro que faça que nem o Peninha, libera os comentários e nunca olha, deixa os fãs e os haters se engalfinharem. 

No mais, te acho um grande cara, como se fosse um amigo pessoal meu, gostaria de um dia poder conhecer pessoalmente. Um abraço e continue o grande trabalho!

São palavras como essas que fazem a gente ter ânimo de continuar... Obrigado!

segunda-feira, 13 de abril de 2020

“A Odisseia dos Tontos” mistura de forma hábil comédia e drama com filme de roubo


Filme foi dirigido por Sebastián Borensztein (de “Um Conto Chinês”) e conta com a presença do formidável ator Ricardo Dárin

- por André Lux

Falar bem da qualidade do cinema argentino é chover no molhado. Mas não tem como a gente não bater palmas para a capacidade dos nossos vizinhos em produzir filmes que conseguem com tanta maestria mesclar diversos tipos de gêneros num mesmo produto sem nunca deixar cair a peteca.

“A Odisseia dos Tontos” foi dirigido por Sebastián Borensztein (do ótimo “Um Conto Chinês”) e conta com a presença do formidável ator Ricardo Dárin, sem dúvida um dos atores mais versáteis e carismáticos já vistos em cena.

O filme começa em tom de comédia ao apresentar os seus vários personagens, todos unidos em torno da formação de uma cooperativa que visa reformar uma velha fábrica da cidadezinha em que moram. Cada um deles possui suas características marcantes que depois vão servir para mover a trama adiante.

Mas tudo muda quando eles são vítimas de um golpe armado por um banqueiro e um advogado um dia antes da economia ruir ante a implantação das típicas medidas neoliberais em 2002, quando nada menos do que cinco presidentes tentaram em menos de 12 dias governar a Argentina depois da renúncia de Fernando de La Rua, em dezembro de 2001.

O filme muda de tom completamente frente à falência e à revolta que se abate sobre os protagonistas, algumas com trágicas consequências. Impressiona a maneira natural como Dárin abraça essa mudança. É aqui que o “A Odisseia dos Tontos” faz sua denúncia da impotência do homem comum (o “tonto”) frente à opressão do sistema capitalista e das forças governamentais que atual contra os trabalhadores e em favor sempre dos banqueiros e da elite econômica.

Mas logo a veia cômica da produção volta à tona quando o grupo recebe informações valiosas sobre o possível paradeiro do dinheiro que deles foi roubado e aí, como Robin Hood e seu bando, resolvem partir para a ação e reaver o que lhes foi tirado. A elaboração e execução do plano é o ponto alto do filme e a direção segura mantém o interesse e o suspense até a resolução.

“A Odisseia dos Tontos” mistura de forma muito hábil comédia e drama com filme de roubo e suspense, deixando a gente sempre com um sorriso no rosto, exceto claro nos momentos mais tristes. Vale a pena assistir.

Cotação: * * * 1/2

sábado, 4 de abril de 2020

“Ameaça Profunda” mistura “Alien” e “O Segredo do Abismo” com resultado irregular


Apesar dos defeitos e dos clichês, é perfeitamente desfrutável dentro do gênero "terror sub-aquático"

- por André Lux

“Ameaça Profunda” foi massacrado pela crítica e passou em branco nos cinemas, porém não chega a ser ruim. É mais um filme de terror com monstros, mas que se passa no fundo do mar e, por isso, bebe de diversas fontes, principalmente “Alien”, “O Segredo do Abismo”, “Leviathan”, “Pandorum” e “Deep Rising”, entre outros.

Confesso que gosto bastante de filmes de monstro, embaixo da água então, melhor ainda. O grande problema deste filme é que ele começa muito mal, em plena ação, já de cara com o acidente que destrói a estação sub-aquática enquanto alguns personagens tentam escapar e sobreviver.

Se fosse um filme como “Pandorum”, onde o que importa é a revelação final de quem são e de onde vieram aquelas criaturas que infestavam a nave, tudo bem. Não haveria necessidade de apresentar os personagens, nem criar conexões entre eles, já que o foco narrativo estaria fora e eles serviriam apenas para reforçar o clima de mistério e irracionalidade da trama.

Mas “Ameaça Profunda” não vai por esse caminho. Embora contenha sim criaturas desconhecidas, não são elas nem suas origens que servem de esteio à obra, mas sim o drama dos personagens em sua luta para sobreviver ao desastre e aos ataques dos monstros. Só que como não fomos apresentados a eles de maneira apropriada, tudo soa muito superficial e aí fica difícil nos identificarmos com seus problemas e medos.

O elenco é encabeçado pela fraquíssima Kristen Stewart, de “Crepúsculo”, que deveria funcionar como uma Ripley, de “Alien”, mas acaba sendo um peso morto devido à sua total falta de expressão e empatia. O comediante T. J. Miller, de “Deadpool”, tenta em vão fazer graça, porém só consegue irritar com suas piadinhas fora de hora. O único que deixa alguma impressão é o experiente Vincent Cassel, como o Capitão, pena que não tem muito o que fazer, inclusive há uma sub-trama onde ele pode saber mais do que aparenta, mas que não chega a lugar algum.

O filme é prejudicado também pelo excesso de clichês do gênero e por uma fraca trilha musical composta por Marco Beltrami e Brandon Roberts, desprovida de melodia e que só serve para provocar desconforto. Compare, por exemplo, com as sensacionais partituras que Jerry Goldsmith compôs para “Alien” e até mesmo para o fraco “Leviathan”.

*CONTÉM SPOILERS a partir daqui*

A única coisa interessante do filme é a caracterização do “chefão” das criaturas que é uma representação do famoso monstro Cthulhu, da obra do mestre do horror H.P. Lovecraft, segundo o próprio diretor de “Ameaça Profunda” revelou em uma entrevista


Mas, sinceramente, podia ser qualquer coisa, pois nem mesmo conseguimos ver direito a criatura já que a fotografia é muito escura e borrada, o que prejudica demais o resultado final. Na maior parte do tempo mal conseguimos ver o que se passa na tela, principalmente nas cenas de ataque dos monstros na água. 

Pela minha análise o filme parece pior do que realmente é. Apesar de todos os defeitos, é perfeitamente desfrutável dentro do gênero, é bem feito e até prende a atenção se você conseguir perdoar os sustos manjados.

Cotação: * * *

sexta-feira, 27 de março de 2020

“Star Trek: Picard” consegue ser ainda mais abominável que “Discovery”


Série é violenta, mal feita e tem um impressionante número de furos no roteiro, sem falar da traição ao espírito das séries criada por Gene Rodenberry

- por André Lux

É simplesmente lamentável o rumo que a franquia “Star Trek” (“Jornada nas Estrelas”) tomou depois do “reboot” iniciado por J.J. Abrams no cinema em 2009. Eu até gostei desse filme, porém começou a desandar no segundo “Star Trek: Além da Escuridão” (o terceiro foi inofensivo) e desembocou na grotesca série “Star Trek: Discovery”, certamente uma das coisas mais ridículas e ofensivas já produzida por Hollywood (clique aqui para ver minha análise das duas temporadas da série).

O grande culpado por isso certamente é um tal de Alex Kurtzman, roteirista e cineasta sofrível que simplesmente destrói tudo que põe a mão. Surge então “Star Trek: Picard”, nova tentativa do Kurtzman e do estúdio CBS em continuar lucrando em cima da franquia, dessa vez sobre o grande Jean-Luc Picard, capitão da Enterprise D em “Star Trek: A Nova Geração”. Mas sinceramente não tem absolutamente nada a ver com a série que teve sete temporadas e é muito amada pelos fãs da franquia.

Confesso que não estou entre eles. Gosto da série, porém sempre achei meio tediosa e nunca me conectei satisfatoriamente com os personagens. “Star Trek” para mim continua sendo a série original com Kirk, Spock e o doutor McCoy. Todavia, “A Nova Geração” tem muitas qualidades, sendo a principal delas justamente o capitão Picard (feito pelo grande Patrick Stewart, um inglês interpretando um francês!) que era um formidável diplomata, quase sempre conseguindo resolver os problemas com uma boa conversa racional.

Infelizmente, quando “A Nova Geração” foi para o cinema, mudaram bastante a caracterização de Picard tornando-o mais brigão e heroico, dizem que por exigência do próprio ator, algo que irritou os apreciadores da série. Porém, não chega nem perto dessa aberração chamada “Star Trek: Picard” que da franquia tem apenas os nomes. Consegue ser ainda pior e mais irritante que “Discovery”, algo que ninguém imaginava possível. É impressionante o número de furos e inconsistências no roteiro e a total falta de sentido na trama como um todo. Sério, daria para escrever um livro sobre isso se analisarmos a fundo cada episódio de tão grotescos que são.

Todavia, o que mais incomoda é como pintam a Federação dos Planetas nessa realidade, especialmente os seres humanos. Nas séries originais criadas pelo grande Gene Rodenberry, a humanidade do futuro havia resolvido suas mesquinharias e aprendeu a viver pacificamente, sendo a Federação uma irmandade de seres das mais variadas espécies, voltada para a ciência e para a exploração espacial. Claro, de vez em quando as coisas esquentavam e aconteciam lutas e guerras, porém quase sempre tudo era resolvido com diplomacia, até mesmo por Kirk que adorava ter sua camisa rasgada durante uma troca de socos.

Em “Star Trek: Picard” a Federação é a grande vilã, pintada como uma organização decadente e cheia de preconceitos! Como assim? Na verdade, essa ideia vem da cabeça dos criadores da série Michael Chabon e Kurtzman que queriam levar uma mensagem contra o presidente Donald Trump e a favor das minorias e dos perseguidos aos espectadores. Até aí, nada contra, porém tudo é feito com a sutileza de um elefante com dor de dentes e acaba sendo um grande tiro no pé. A situação ficou tão ruim que vários produtores e roteiristas foram demitidos no meio das filmagens, muita coisa teve que ser alterada e várias sequências foram refilmadas de forma completamente diferente, o que resultou numa série sem pé nem cabeça, onde nem mesmo a trama principal faz o menor sentido ou tem qualquer resolução.

Por exemplo, alguém consegue explicar como e por que as duas androides gêmeas foram parar uma na Terra e outra dentro de um cubo Borg? Ou como os romulanos sabiam disso? E o que elas tem realmente a ver com o comandante Data (Brent Spiner, que aparece em pontas)? E como explicar então que os romulanos, que tiveram seu império dizimado por uma supernova (eventos que acontecem no “Star Trek” de 2009) obrigando muitos de seus membros a viverem em um planeta em condições precárias, no final aparecem com uma frota de mais de 200 poderosas naves? É tanto furo e coisas sem sentido que, como falei, daria para ficar dias falando só sobre isso.

“Picard” consegue também ser pior que “Discovery” nos aspectos técnicos, pois parece pobre, mal feita, tem uma edição péssima (alguns cortes parecem ter sido feitos por amadores), efeitos especiais fracos e um elenco formado por canastrões risíveis (a direção e o roteiro dos episódios também não os ajuda em nada), onde até Patrick Stewart está fora de forma (aos 80 anos de idade ele parece cansado e praticamente sussurra seus diálogos sem vigor). Acho que o pior personagem é o romulano ninja que parece irmão gêmeo do Elrond, o elfo de "O Senhor dos Anéis"!

Separados no nascimento: o Elfo e o Romulano Ninja

Mas, acima de tudo, a série é chata, desinteressante, repleta de cenas de violência extrema (chegam a arrancar o olho de um personagem e várias cabeças são decepadas!), palavrões e gírias típicas da nossa época. Se fosse uma série de ficção científica qualquer resultaria abaixo do medíocre, porém ao usar o nome “Star Trek” fica simplesmente abominável, principalmente quando incorpora o magnífico tema musical criado pelo mestre Jerry Goldsmith para “Star Trek: O Filme” e que depois foi escolhido como o tema principal de “A Nova Geração”.

“Picard” está sendo massacrada pela maioria dos fãs, que dizem que a franquia agora está sendo feita "por gente que não conhece Star Trek, para gente que não gosta de Star Trek". Com razão. Seria bom que os executivos da CBS os ouvissem e repensassem como vão tratar a franquia daqui para frente, porque se continuarem assim, somente os fanáticos que louvam qualquer coisa que tenha o nome de sua adoração vão continuar assistindo. O que é uma pena. Gene Rodenberry não merece isso, sinceramente...

Cotação: ZERO

terça-feira, 24 de março de 2020

HÁ MÉTODO NA LOUCURA DE BOLSONARO


Não vi o pronunciamento do abominável, porém estou lendo as repercussões.

Ninguém duvida que Bolsoasno tem transtorno mental grave, provavelmente psicopatia, porém ele não é burro. Ao menos no que diz respeito às politicagens que o mantém no poder há tanto tempo.

Esse pronunciamento dele, por mais bisonho que possa ser, pode indicar várias coisas. Entre elas, a preparação de um golpe com apoio de sabe-se lá quem. Quanto mais a sociedade, a mídia e os outros poderes se unirem para derrubá-lo, mais forte ele fica para dar um golpe junto a quem ainda o apoia e tem poder para tanto (militares, talvez?).

Ou então ele está no limite mesmo, não aguenta mais a pressão que o cargo exige dele e resolveu chutar o balde para ser apeado do poder enquanto posa de vítima para o gado que ainda o aprova.

Difícil prever. Mas não nos enganemos que a loucura dele vem acompanhada de burrice. Não vem.

"Freud" usa o nome do pai da Psicanálise em vão


ATO FALHO

Série é uma tremenda enganação, pois não tem nada a ver com o pai da Psicanálise e o coloca no meio de uma trama cheia de conteúdos sobrenaturais, algo que Freud abominava

- por André Lux


Essa série da Netflix chamada "Freud" é uma tremenda enganação. Primeiro porque é totalmente fictícia e quase nada tem a ver com o verdadeiro pai da Psicanálise.

Segundo porque Freud nem é o protagonista, mas sim uma moça com poderes mediúnicos e que vive atormentada por sua mãe adotiva que é uma espécie de bruxa húngara. Ou seja, ladainhas sobrenaturais que Freud repudiava, afinal era ateu e cético ao extremo.

As únicas relações da série com a realidade são o uso de nomenclaturas psicanalíticas nos nomes dos episódios e quando Freud hipnotiza as pessoas, algo que sabemos ele nem gostava e logo descartou. Mas na série ele usa e abusa da ferramenta, mais parecendo um Jedi de "Star Wars" (segundo os autores, basta encostar a mão numa pessoa e ela fica instantaneamente hipnotizada!).

Não que seja ruim, a trama tem seu interesse e há personagens ricos como o oficial da polícia traumatizado pela guerra. Porém, chamar a série de "Freud" parece mesmo um grande ato falho ou então má fé pura e simples...

Cotação: **

sábado, 21 de março de 2020

terça-feira, 3 de março de 2020

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL...

Livro confirma que Palpatine morreu e voltou como clone em "A Ascensão Skywalker"


A adaptação para livro de "Star Wars: A Ascensão Skywalker", que contém algumas cenas inéditas, confirmou que o Imperador Palpatine que aparece no filme é um clone.

O romance que será lançado no dia 17 de março conta, em trechos liberados antecipadamente, o momento que Kylo Ren chega ao planeta Exegol para confrontar Palpatine, e explica que o corpo físico do vilão era um clone.

“Todos os frascos estavam sem líquido, exceto um, que estava quase no fim. Kylo examinou de perto. Ele havia visto este aparelho antes, quando estudou as Guerras Clônicas, quando era garoto. O líquido que fluía ao pesadelo vivo em sua frente lutava uma batalha fracassada para nutrir o corpo pútrido do Imperador.”

“E o que você poderia me dar?', perguntou Kylo. O Imperador Palpatine estava vivo, após um molde, e Kylo sentia em sua alma que o corpo clonado guardava o espírito real do Imperador. Era um recipiente imperfeito, no entanto, incapaz de sustentar seu imenso poder. Não poderia durar muito.”

Então o Imperador morreu em "O Retorno de Jedi" (1983), quando Darth Vader salva Luke, mas apenas em corpo. O espírito dele foi transferido para o clone que aparece em "A Ascensão Skywalker".

Essa possibilidade já foi citada em alguns livros de Star Wars como a Transferência de Essência, uma técnica Sith que permite o espírito do usuário possuir outro corpo.

- fonte: Rolling Stone

segunda-feira, 2 de março de 2020

"Ford vs Ferrari" vai agradar até quem não tem fetiche por carros



O filme vale principalmente pelas atuações carismáticas de Matt Damon e Christian Bale

- por André Lux

Como não ligo para carros, não dei muita bola para “Ford vs Ferrari” quando foi lançado nos cinemas. Mas, depois que ganhou o Oscar de melhor Montagem, resolvi dar uma espiada. E fui surpreendido positivamente. O filme é realmente muito bom e vai interessar mesmo quem, como eu, não tem fetiche por automóveis.

O foco central do excelente roteiro baseado em fatos reais fica sobre a relação entre os personagens feitos por Matt Damon e Christian Bale. O primeiro é um ex-piloto de corridas que teve que abandonar a profissão por causa de problemas no coração e tornou-se designer de automóveis, enquanto o segundo é o seu melhor piloto de teste e corredor. A atuação de ambos é o ponto alto do filme, ambos esbanjando carisma, especialmente Bale que fica muito melhor em papeis cômicos e soltos como esse, onde pode ter arroubos de sarcasmo e explosões de raiva livremente.

A direção de James Mangold (de “Copland” e “Logan”) é muito segura e consegue um perfeito equilíbrio entre os momentos introspectivos dos personagens e a emoção das corridas. “Ford vs Ferrari” tem também ótimas direção de fotografia e montagem que nunca deixam o filme confuso ou picotado, algo realmente raro no cinema comercial estadunidense hoje em dia. A trilha musical de Marco Beltrami e Buck Sanders pontua com perfeição a ação ao mesclar batidas de rock com jazz, entrecortados por languidos solos de guitarra.


O único ponto que não gostei foi a maneira que escolheram para mostrar o destino de um dos personagens, feita de maneira distanciada e não convincente. Deveriam ter ido mais a fundo e não ter medo de buscar uma aproximação mais melodramática, afinal o arco dos protagonistas permitia isso. Mas é apenas um pequeno deslize num filme bastante divertido e dinâmico que tem 2h30 de projeção, porém parece bem menos – o que é sempre o melhor elogio.

Cotação: * * * *

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2020

O MUNDO PRECISA DE MAIS EMPATIA



Hoje em dia expressar tristeza, angústia, ansiedade e outros sentimentos considerados negativos parece ter quase virado um crime. Quem ousa fazê-lo é tratado com desdém ou então tem que escutar frases de efeito vazias que causam mais mal estar ainda.

Neste vídeo falo um pouco dessa triste realidade e também sobre o como parentes e amigos podem proceder caso queiram realmente auxiliar essas pessoas.

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Filmes: "Batman Begins"




BOM, NAS NEM TANTO

Dizer que “Batman Begins” é melhor que os filmes de Tim Burton e Joel Schumacher é verdade. Mas, convenhamos, não chega a ser um elogio tão impressionante.


- Por André Lux

Ainda não foi desta vez que o homem-morcego encontrou sua versão definitiva nos cinemas. Depois dos excessos cometidos contra o personagem nos histéricos filmes de Tim Burton e Joel Schumacher, a Warner resolveu apostar numa leitura mais realista e contida da saga do justiceiro de Gotham City. Para isso, chamou o diretor Christopher Nolan (dos bons “Amnésia” e “Insônia”) e investiu num roteiro supostamente menos rocambolesco e mais concentrado em humanizar os personagens e situações.

Mas, se nos filmes anteriores sobravam situações bizarras e atuações histéricas (principalmente dos vilões), em “Batman Begins” tudo é levado a sério demais, a ponto de tornar o filme quase tedioso e arrastado, especialmente na primeira parte que aborda a busca de Bruce Wayne por um “sentido na vida” – o qual ele eventualmente encontra ao juntar-se à organização Liga das Sombras, que se propõe a acabar com o crime a qualquer preço. Durante o treinamento árduo, há um excesso de frases de efeito e psicologia de almanaque proferidas pelo seu mentor, Henri Ducard (Liam Neeson, repetindo seu papel de “mestre Jedi”), que acabam sendo redundantes e poderiam ter sido cortadas sem prejuízos. Incomoda também a insistência do roteiro em pintar os milionários pais do herói como se fossem espécies de “santos imaculados”, dispostos a tudo para ajudar os pobres (a cena da morte deles, por sinal, é muito mal dirigida e apressada, não passa qualquer emoção).

Depois de uma fuga exagerada e não muito convincente do quartel general da Liga (quando o exército imbatível de ninjas é derrotado com facilidade incompatível com o que havia sido mostrado até então), Wayne volta para sua cidade natal disposto a combater o crime. Esse segundo ato, o qual mostra o protagonista dando forma ao seu alter-ego mascarado, é o que o filme tem de melhor. Graças à participação de coadjuvantes de peso, como Michael Caine (como o mordomo Alfred), Morgan Freeman (o guru em armamentos), Gary Oldman (o sargento Gordon) e Rutger Hauer, o filme fica menos pretensioso e cresce, reservando ao menos algumas tiradas mais amenas e divertidas.

Infelizmente tudo desanda no terceiro ato quando os planos dos vilões são revelados e o roteiro vira um mero festival de lutas, perseguições e explosões exageradas. O pior é que novamente não conseguiram solucionar satisfatoriamente o fato de que o Batman (diferente do “Homem-Aranha” ou do “Superman”) é apenas uma pessoa normal, que veste armadura, capacete, capa e anda cheio de badulaques e bugigangas penduradas.

Ou seja, fazê-lo correr, saltar, voar, desaparecer e lutar com incrível rapidez e agilidade simplesmente não convence e priva o filme de qualquer verossimilhança. Nos quadrinhos tudo bem, afinal é uma outra linguagem. Já no cinema fica fantástico e absurdo demais. Tanto isso é verdade que nas cenas de luta mal conseguimos ver o que está acontecendo ou quem está acertando quem, tão rápidos são os cortes na edição. Não seria melhor assumir essas características que dão "peso" ao personagem e então explorá-las de maneira mais eficiente e realista, como fizeram por exemplo no primeiro "Robocop" (que, por sinal, tinha muito de "Batman)?

O maior defeito do filme, contudo, reside no fato de que não foram capazes de criar um mundo coerente com a proposta “realista” original. O design visual é claudicante e alterna tomadas de Gotham como se fosse uma cidade normal contemporânea com outras em que prédios com visual futurista são inseridos (especialmente a sede das empresas Wayne). Os filmes de Tim Burton tinham um desenho de produção radicalmente gótico e surrealista, o que ao menos os deixavam coerentes em sua totalidade. Já “Batman Begins” não assume de vez sua veia realista, nem deixa-se dominar por uma aproximação mais radical, tornando-se por conseqüência meramente medíocre e bem menos marcante do que se esperava.

O mesmo pode-se dizer da trilha musical que, embora seja assinada pelo sempre pavoroso Hans Zimmer (desta vez dividindo a autoria com o mais competente James Newton Howard, de "O Sexto Sentido"), nunca ultrapassa o nível de mediocridade e indiferença (ao ponto de me obrigar a reconhecer que mesmo as fracas partituras de Danny Elfman para os filmes de Tim Burton eram melhores!).

Não ajuda muito também a atuação neutra do Christian Bale (de “Psicota Americano”) como o protagonista. O rapaz é bom ator, mas não tem carisma para segurar o filme e apela para truques manjados de interpretação (como falar com voz grossa e sussurrante quando vestido de Batman, praticamente repetindo o que Michael Keaton tentou fazer nos dois primeiros filmes da franquia), o que contribui ainda mais para a sensação de decepção que permeia o filme todo.

Por essas e outras, dizer que “Batman Begins” é melhor que os filmes de Tim Burton e, especialmente, os de Joel Schumacher é verdade. Mas, convenhamos, não chega a ser um elogio tão impressionante...

Cotação: * * *

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

"Tropa de Elite" ajudou a chocar ovo da serpente fascista no Brasil


RAMBO DOS POBRES

Filme endossa, ao que parece involuntariamente, a solução final que muitos representantes da “elite” anseiam ver aplicada no Brasil: um saco na cabeça e um tiro na cara para cada Rolex roubado.

- por André Lux, jornalista e crítico-spam


Nunca tinha visto um filme brasileiro capaz de gerar tantas opiniões e análises divergentes, inclusive entre quem se define “de esquerda”. 

Alguns acusam o filme de ser fascista, enquanto outros aplaudem as soluções bárbaras para o tráfico de drogas mostradas na tela.

A verdade é que as reações exacerbadas que “Tropa de Elite” vem provocando comprovam o quanto o Estado e as instituições democráticas do Brasil são frágeis e débeis. Basta alguém apontar uma câmera para lugares que ninguém quer ver e pronto: voam penas para todos os lados!

Isso ao menos é um ponto positivo, pois qualquer polêmica e debate sobre as questões abordadas no filme são sempre bem vindos, ainda mais num país onde a maioria gosta de tapar o sol com peneira ou propor soluções simplistas e violentas para tudo.

Sobre o filme em si só posso dizer uma coisa: trata-se, sim, de uma obra fascista no sentido que justifica a violência, a tortura e o desrespeito às leis por parte dos policiais do BOPE (a tal Tropa de Elite). 

Não posso afirmar que essa tenha sido a intenção do diretor José Padilha (do excelente documentário “Ônibus 174”), mas o fato é que ele cometeu erros primários na condução da narrativa e acabou transformando o famigerado capitão Nascimento numa espécie de Rambo dos pobres.




E não adianta tentar justificar que o personagem do policial é “profundo” por ser problemático ou sofrer de síndrome do pânico, pois, vale lembrar, o Rambo do Stallone também era um desajustado que tinha traumas psicológicos provocados pela guerra do Vietnã e dizia com orgulho que confiava apenas no seu facão.

Mas isso não o impedia de metralhar heroicamente os vilões malvados com frieza e requintes de crueldade em nome do imperialismo estadunidense para deleite da platéia, da mesma forma que faz o capitão Nascimento (o esforçado Wagner Moura) em nome de algo que nem chega a ficar claro no filme.

O erro básico do cineasta foi inserir uma narração em off feita pelo protagonista, que além de não acrescentar nada à trama e tratar de fatos que ele não teria como saber, tem um tom debochado e cínico que destoa completamente do suposto estado mental psicótico que o filme tenta imprimir no personagem. Por causa desse recurso infeliz o capitão Nascimento acaba por virar o “herói” incompreendido de um filme que, supostamente, queria ser ultra-realista e atirar para todos os lados da mesma forma como fez Fernando Meireles no irretocável “Cidade de Deus”.

Esse erro fica ainda mais gritante na terceira parte do roteiro, que mostra os policiais do BOPE agindo acima de qualquer lei ou comando ao partir para a vingança pessoal contra os traficantes que mataram um dos seus, lançando mão de recursos inadmissíveis com a tortura e o fuzilamento sumário. Ninguém discorda que isso ocorra no mundo real, o problema é que ações de “vale tudo” como essa provocam, na maioria das vezes, o espancamento e a morte de muitos inocentes. Mas no filme todos os personagens torturados ou mortos são bandidos confessos. Urra! Nem o Jack Bauer, torturador oficial da série "24 Horas", faria melhor!

E, convenhamos, apresentar o vilão maior do filme, lamentavelmente batizado de Baiano, usando camisa com a estampa do Che Guevara não conta pontos a favor de Padilha. Pergunto: para que serve matizar o policial torturador se não fizerem o mesmo com os traficantes, pintados sempre como sádicos conscientes da própria maldade, um dos clichês mais torpes do cinema?



Comparem, por exemplo, a diferença brutal de caracterização do Zé Pequeno de “Cidade de Deus”, que mesmo sendo ainda mais sádico que Baiano nunca é menos que humano no filme de Meireles. E, por isso mesmo, realmente assustador como retrato perfeito da realidade onde foi criado.

E, por favor, que conversa mole é aquela de que os policiais do BOPE são todos varões da moral e incorruptíveis, se fica claro no filme que eles sabem muito bem quais são os PMs corruptos? Já que sabem - e seguindo a lógica do capitão Nascimento que afirma não ver diferença entre os traficantes e aqueles que os ajudam - por que então não os prendem ou fuzilam como fazem com os favelados? Medo, omissão, corporativismo, ordens superiores? Qualquer que seja a resposta, estão sendo no mínimo coniventes com a corrupção e bandidagem dos colegas! E o filme não chega nem perto de tocar nesse nervo que, ao meu ver, é um dos mais importantes e trágicos da atualidade.

Outro ponto negativo é a maneira como Matias (André Ramiro), o policial negro, é desenvolvido. Começa bem ao ser apresentado como um homem íntegro e com consciência social, que busca obter um diploma de Direito e seguir carreira na polícia fazendo a coisa certa. Saem da boca dele as melhores linhas do filme, principalmente quando ataca a hipocrisia do discursinho moralista que representantes da classe média alta proferem em relação às drogas e à polícia. “Vocês só sabem repetir as besteiras que aprendem lendo jornalzinho, revistinha e vendo televisão”, provoca.

Abro um parêntese aqui para dizer que, infelizmente, os estudantes de classe média que interagem com Matias são extremamente caricatos e ajudam ainda mais a enfraquecer as poucas boas teses que “Tropa de Elite” defende. E o que são aquelas mocinhas lindas, arrumadinhas e bem intencionadas andando de um lado para o outro da favela, cercada por pessoas que elas sabiam serem traficantes da pesada, em nome de uma ONG dirigida por um político visivelmente picareta? Pior que isso só mesmo aquela jornalista maravilhosa e imparcialíssima perambulando pela África de shortinho no ridículo “Diamante de Sangue”!



Voltando ao Matias. O problema é que, de repente, o personagem sai do rumo e passa a agir como um clone do Darth Vader, sem qualquer resquício de humanidade, depois que seu amigo é assassinado pelos traficantes.

É sabido que, originalmente, seria ele o narrador da história, decisão que erroneamente o diretor Padilha alterou já na fase final da montagem. Dá para imaginar que, mantida a voz interior de Matias, ao menos a transformação da personalidade dele teria mais nuances e serviria também como contraponto racional à selvageria chauvinista do capitão.

Com todos esses erros e omissões cometidos pelos idealizadores, não é à toa que “Tropa de Elite” recebe aplausos de publicações ultra-fascistas como a revista Veja e o sádico capitão Nascimento vem sendo ovacionado como herói nacional, chegando ao cúmulo de ser conclamado para salvar de assaltos celebridades que ficaram ricas explorando a estupidez e a miséria humana na mídia.

Afinal, a obra do diretor Padilha endossa, ao que parece involuntariamente, a solução final que muitos representantes da “elite” tanto anseiam ver aplicada no Brasil: um saco na cabeça e um tiro na cara para cada Rolex roubado... Lamentável.

Cotação: *
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domingo, 9 de fevereiro de 2020

SOBRE O "OSCAR" E "DEMOCRACIA EM VERTIGEM"


Os prêmios da Academia de Cinema Estadunidense tem tanto valor quanto o prêmio "Carro do Ano". São apenas uma forma de marketing para a indústria cultural daquele país. Comparar filmes tão distintos entre si e escolher o "melhor" deles simplesmente não faz sentido.

Claro que existe sempre algo positivo dentro dessas premiações, por mais absurdas e injustas que sejam. Como jogar luz sobre algum filme que, sem os holofotes do Oscar, passariam em branco para a maioria das pessoas.

E é exatamente isso que a indicação vai trazer ao documentário "Democracia em Vertigem". Assim, só por isso, já estou satisfeito com o Oscar 2020.

“The Boys” apresenta super-heróis canalhas em abordagem realista, violenta e repleta de humor ácido


Série é uma boa pedida para quem está já enjoado da forma tradicional que o mundo dos super-heróis é abordado pelos quadrinhos e cinema

- por André Lux

“The Boys” é uma série baseada em história em quadrinhos do cultuado Garth Ennis que é uma espécie de antítese do que você está acostumado a ver nesse tipo de gênero. Embora não seja necessariamente original, pois não deixa de ser parecida com “Watchmen”, a obra é muito interessante e atual ao mostrar os chamados super-heróis com uma aproximação bastante realista e com um humor extremamente ácido.

Assim, o grupo de super-heróis é formado por psicopatas, estupradores, canalhas, basicamente pessoas desprezíveis que ganham superpoderes de forma misteriosa (a explicação disso será um dos grandes “plot twists” desta primeira temporada). Eles são dominados por uma grande corporação que os explora economicamente, numa perfeita parábola do sistema capitalista, onde o lucro vale mais que a vida – algo que descobrimos de forma chocante durante a ação dos heróis durante os episódios, especialmente as protagonizadas pelo “Capitão Pátria” (um assustador Antony Starr) que seria o “Superman” deste universo.

Em contrapartida, temos um rapaz que teve a namorada morta acidentalmente pelo que seria o “The Flash” deste universo o qual se junta a um caçador de recompensas feito por Karl Urban (que foi o Eomer em “O Senhor dos Anéis” e Dr. McCoy nos novos “Star Trek”) numa missão de vingança contra os super-heróis. A partir daí a série avança investindo satisfatoriamente no desenvolvimento dos personagens principais ao mesmo tempo que traz sequências de ação muito bem feitas, sendo algumas extremamente violentas.

 “The Boys” foi criada pelo trio Eric Kripke, Evan Goldberg e Seth Rogen, produzida e exibida pela Amazon, e é uma boa pedida para quem está já enjoado da forma tradicional que o mundo dos super-heróis é abordado pelos quadrinhos e cinema.

Cotação: * * * *

"Ed Wood", cinebiografia do pior cineasta do mundo, é o melhor filme do diretor Tim Burton


O REI DO TRASH

Pior diretor de todos os tempos ganha um filme excelente, feito com evidente carinho por Tim Burton (que obviamente identifica-se com o protagonista).

- por André Lux, crítico-spam

Com "Ed Wood" o diretor Tim Burton finalmente fez justiça ao seu duvidoso prestígio, alcançado muito mais pelo sucesso estrondoso do marketing investido em seus "Batman" e nos delirantes desenhos de produção de seus filmes do que por méritos dramáticos próprios.

Infelizmente, Burton tem a irritante mania de arruinar seus interessantes projetos injetando altas doses de bizarrice e histeria fora de hora, ao invés de simplesmente concentrar-se em contar uma boa história.

E é exatamente esse o mérito de "Ed Wood", biografia do que é considerado o pior diretor de cinema de todos os tempos. Sua vida por sí só já é tão bizarra e seus filmes tão histéricamente ridículos, que obrigaram Burton a voltar seus neurônios à construção de um bom roteiro e a uma direção de atores precisa - caso contrário acabaria com um filme tão ruim como os de Wood.

Ajuda também o fato de Burton ter contratado Howard Shore para escrever a trilha musical, ao invés do seu colaborador usual, o medíocre Danny Elfman (ex-Oingo Boingo). Shore compôs para "Ed Wood" uma trilha sonora discreta e sensível, mas sem esquecer de adicionar um tom cômico "fantástico", alusivo aos filmes de ficção de Wood, e outro melancólico e um pouco patético, associado à decadência de Bela Lugosi.

A recriação das cenas originais dos filmes de Wood são perfeitas e hilariantes, assim como a caracterização dos atores. Johnny Depp nunca esteve tão bem, mas quem rouba efetivamente a cena é Martin Landau (Oscar de Ator Coadjuvante), que literalmente "encarna" Lugosi.

Assim, "Ed Wood" é um filme excelente, feito com evidente carinho por Burton (que obviamente identifica-se com o protagonista), mas que vai agradar mais àqueles que conhecem os filmes hilariantes de Edward D. Wood Jr., como "Plan 9 From Outer Space" ou "Glen ou Glenda".

Sem dúvida o melhor filme de Tim Burton até hoje.

Cotação: * * * *

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Mesmo medíocre, “The Mandalorian” conseguiu a proeza de agradar até o mais empedernido fã de Star Wars


Com tanta gente talentosa envolvida no projeto, a gente fica sempre esperando algo mais elaborado, diálogos mais afiados, tramas menos simplórias, mas isso nunca acontece

- por André Lux

A Disney vem enfrentando uma série de problemas com a franquia Star Wars desde que a comprou a peso de ouro do seu criador George Lucas. Os novos filmes acabaram sendo mal recebidos por uma grande parcela dos fãs (a maioria composta por machistas e misóginos obcecados que não aceitam o fato da protagonista ser uma mulher, verdade seja dita) que passaram a vociferar seu ódio contra a corporação nas redes sociais fanaticamente.

Depois da má recepção do filme “Han Solo”, que apesar de divertido é realmente fraco, a Disney entrou numa sinuca de bico e cancelou vários projetos ligados à saga que deveriam ser exibidos em seu canal de streaming. Um deles, porém, sobreviveu: a série “The Mandalorian” (O Mandaloriano, em tradução livre), que obviamente originou-se de algo que deveria girar em torno do personagem Boba Fett, mas que devido aos problemas acabou se transformando nas aventuras de um outro mandaloriano (cujo nome só é revelado no último episódio).

Ao que parece a Disney acertou desta vez, já que a maioria dos fãs vem louvando a série e dizendo coisas como “isso sim é Star Wars!”. Um exagero, na minha opinião, pois embora tenha realmente boas qualidades, a série tem muitos problemas e besteiras que poderiam ter sido facilmente evitados. No final das contas, não passa de uma animação feita com atores de carne e osso.

A maior qualidade de “The Mandalorian” é retornar a conceitos básicos de outros filmes e gêneros inseridos nos Star Wars originais por Lucas, tais como os encontrados em faroestes e filmes japoneses de samurais. Assim, o protagonista é um caçador de recompensas, como nos Westerns, que depois cai em desgraça como um Ronin. Isso permite à série usar uma aproximação minimalista aos personagens que, embora transitem nos mundos futuristas de Star Wars, poderiam muito bem estar num saloon do velho oeste ou numa aventura no Japão feudal.

Infelizmente a série tem alguns problemas que a impedem de se tornar algo além de medíocre. O principal dele é a insistência em fazer o protagonista agir como um perfeito idiota, algo que destoa completamente da caracterização que tentam imprimir nele. Uma sequência que ilustra bem isso é quando Jawas rapinam sua nave (ela não tem proteção, alarme, escudo?) e a subsequente perseguição que ele faz ao Sandcrawler, escalando-o sem nenhuma proteção só para ser abatido e jogado pra fora quando chega ao topo. Por sinal, só essa queda já seria fatal, numa das muitas ocasiões que o Mandaloriano exibe qualidades de Highlander.

A trama principal gira em torno do resgate de um item valioso para ex-oficiais do Império (a série se passa depois dos eventos vistos em “O Retorno de Jedi”) que todos já sabem ser um "bebê Yoda". Não se sabe ainda se é um clone dele ou somente outro ser da mesma raça do antigo Jedi. E nas ações desse personagem percebemos claramente o caráter misógino e machista dos ataques de muitos fãs à nova trilogia feita pela Disney.

Ao mesmo tempo que chamam Rey de “Mary Sue” (adjetivo pejorativo usado contra mulheres que exibem poderes, conhecimento e força supostamente incompatíveis com o personagem) quando ela usa a força mesmo sem treinamento, não vemos ninguém dizendo o mesmo quando o “bebê Yoda” faz igual! Lamentável.

Misoginia dos fãs: "bebe Yoda" está liberado para usar a força sem treinamento, mas a Rey não!

Outro ponto baixo da série é a péssima música composta por Ludwig Goransson, um compositor talentoso que escreveu boas partituras para filmes como “Pantera Negra” e “Creed”, mas que aqui certamente foi obrigado a tentar imitar a paleta musical criada por Ennio Morricone para os faroestes italianos, algo que simplesmente não funciona no contexto de “The Mandalorian”. O tema principal associado ao lado mais aventureiro do personagem também é muito ruim e por demais parecido com o que Goransson criou para “Creed”, que já era algo derivado do que Bill Conti compôs para os “Rocky” originais.

“The Mandalorian” foi criada pelo ator, roteirista e diretor Jon Favreu (de “Homem de Ferro”) e  dividida em oito episódios de pouco mais de 40 minutos. A série se perde muito quando se distancia da trama principal, tendo alguns episódios muito fracos (o pior é o que treinam fazendeiros para enfrentar mercenários que usam um antigo andador AT-ST imperial, um dos clichês mais batidos do gênero). Irrita também o fato de o protagonista deixar o “bebê Yoda” toda hora sozinho na nave ou em outro lugar sem qualquer proteção, só para gerar suspense.

Os melhores episódios acabam sendo os dois últimos, quando finalmente começa a ser resolvida a trama central. Mas mesmo assim, muitas besteiras acontecem, especialmente quando dois stormtroopers conseguem capturar a preciosa recompensa, mas simplesmente param na entrada da cidade de maneira absurda só para serem atacados, e na cena em que o temido ex-oficial imperial tem os protagonistas totalmente cercados, mas resolve dar a eles várias horas para resolverem se entregar.

O protagonista é feito pelo ator Pedro Pascal, de “Game of Thrones”, embora poderia ser qualquer um, pois ele passa a série toda usando o capacete mandaloriano e só é visto por alguns instantes no último episódio (e sua cara de gaiato não combina com o personagem). O resto do elenco é bastante irregular e nenhum dos outros coadjuvantes chega a marcar.

Com tanta gente talentosa envolvida no projeto e o valor gasto em cada episódio a gente fica sempre esperando algo mais elaborado, diálogos mais afiados, tramas menos simplórias, mas isso nunca acontece de forma satisfatória. Agora resta aguardar a próxima temporada e torcer para que o nível melhore, já que a série tem feito bastante sucesso entre os fãs de Star Wars – um verdadeiro milagre!

Cotação: * * *