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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

Filmes: "O Despertar da Força" (sem spoilers)

A FORÇA VOLTOU, COM DENTES!

Apesar dos defeitos, novo “Star Wars” é sim um ótimo filme, digno dos melhores da franquia e fica anos luz à frente dos desastrosos episódios 1, 2 e 3

- por André Lux, crítico-spam

Chegou a hora que a maioria das pessoas ligadas em cinema estava esperando já há alguns anos: a estreia do sétimo capítulo da saga “Star Wars”! Antes de qualquer coisa preciso confessar que é praticamente impossível pra mim ser objetivo em relação a essa franquia, afinal eu estava lá, em 1977, sentado no cinema e assistindo ao primeiro filme quando tinha apenas 8 anos e fiz parte dessa história que abalou as estruturas da cultura popular da sociedade ocidental para sempre.

Dito isso, vamos às boas notícias: o “Despertar da Força” é sim um ótimo filme, digno dos melhores da franquia e fica anos luz à frente dos desastrosos episódios 1, 2 e 3 que George Lucas produziu para contar a queda de Anakin Skywalker e sua ascensão como Darth Vader. Mas isso não chega a ser um mérito muito expressivo, já que os três filmes das chamadas “prequels” são ruins em praticamente todos os aspectos, exceto na música de John Williams e, claro, nos efeitos especiais (que embora sejam bons, mais poluem os filmes do que qualquer outra coisa).

Apesar de estar longe de ser perfeito (falarei disso depois), o novo filme é uma aventura de space-opera palpitante, cheia de ação e emoção, algo que simplesmente não existiu nas “prequels”, por exemplo. O responsável por isso é sem dúvida o diretor J. J. Abrams, que sabe como dar ritmo a um roteiro e consegue extrair o melhor dos atores – que aqui são bons e cheios de carisma. O humor também está de volta em plena forma, o que deixa o filme leve e dinâmico, sem se levar a sério exceto nos momentos em que isso se faz necessário.

Gostei muito do novo vilão, Kylo Ren, que sinceramente parecia bem tolo nos trailers, ainda mais quando aparecia sem máscara, até porque o ator é um magrelo narigudo com cara de pernilongo. Mas, surpresa, é um excelente ator e realmente rouba as cenas em que aparece. O personagem é muito bem delineado e cheio de angústia e conflitos que realmente transbordam da tela para fora e dão outra dimensão a ele, mesmo nos momentos mais fracos, como quando fala com seu mestre, que é um boneco digital tosco e inconvincente (feito pelo mesmo Andy Serkis, que foi o Gollum e agora está em tudo quanto é filme), no que é certamente o ponto mais baixo do filme.

Já o ponto alto é sem dúvida a jovem Daisy Ridley, que faz a Rey, uma catadora de sucata que se vê no meio da confusão toda e tem momentos muitos fortes. A moça é boa atriz e também esbanja carisma. Sem dizer que é muito bom ver uma mulher ter um papel tão forte e vital nesse tipo de filme.

"Chewie, nós voltamos para casa!"
Sobre os pontos fracos de “O Despertar da Força”, falar deles é meio que chover no molhado, pois a saga Star Wars nunca primou por roteiros profundos e muito inventivos. E todo mundo sabe que George Lucas (que aqui não fez nada, pois vendeu a franquia para a Disney) pegou elementos de tudo quanto é mitologia e sagas do passado para criar o seu universo.

Embora o roteiro tenha sido escrito pelo próprio Abrams com a ajuda do consagrado Lawrence Kasdan, é um pouco episódico e confuso, deixando muito coisa no ar no que acaba sendo quase uma refilmagem de “Uma Nova Esperança”. Também não faz muito sentido ver gente que nunca lutou na vida virar mestre no uso do sabre de luz de uma hora pra outra! A única coisa que incomoda mesmo e impede o filme de atingir cinco estrelas na cotação é a parte final, onde repetem o que já vimos em “Uma Nova Esperança” e “O Retorno de Jedi” – outra Estrela da Morte, sério? Não tinham nada melhor para inventar?

Mas, tirando isso, o resto do filme é uma delícia, trazendo algumas cenas realmente fortes e até chocantes para os fãs, embaladas pela sempre excelente trilha musical de John Williams, que continua em plena forma aos 83 anos e mescla de forma magistral os temas antigos da saga com os novos, compostos para os personagens criados para “O Despertar da Força”. A partitura abunda de vigorosos scherzos, que são a marca registrada de Williams.

Não dá pra falar mais do que isso sem apelar para os famigerados spoilers, então vou parando por aqui. Mas uma coisa é certa: a Força está de volta! E com dentes!

Cotação: * * * *

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Filmes: "No Coração do Mar"

MOBY DICK DOS POBRES

Versão do que seria o encontro real com a baleia branca gigante é sem graça e, claro, perde de mil a zero para o romance


- por André Lux, crítico-spam

Esse 
“No Coração do Mar” é um daqueles filmes que estão na moda atualmente que pretendem contar a “história por trás da estória” ou coisa do tipo. Aqui tentam mostrar os acontecimentos supostamente reais que levaram o escritor Herman Melville a criar “Moby Dick”, considerada a obra-prima da literatura estadunidense e que já deu origem a várias adaptações para o cinema e televisão.

Mas, sinceramente, a tal versão do que seria o encontro real com a baleia branca gigante é bem sem graça e, claro, perde de mil a zero para o romance. E ainda tem muita coisa que foi obviamente inventada para tentar deixar o filme mais “dramático”, muitas delas sem sentido ou simplesmente irrelevantes.

Como por exemplo, o conflito entre o primeiro imediato e o capitão do navio, que foi claramente inspirado no também caso real do motim no Bounty, que também já foi adaptado para o cinema várias vezes (a melhor é a versão com Marlon Brando). O problema é que esse conflito é forçado e não leva a lugar nenhum. A cena em que o capitão do navio os obriga a entrarem de peito aberto numa tempestade em alto mar é tola, pois nem mesmo um idiota completo faria tal coisa, independente de ser novato na função.

O ator que faz o comandante, Benjamin Walker (que foi o protagonista no esquisito “Abraham Lincoln, Caçador de Vampiros”) também é fraco e não tem peso para o papel. Chris Hemsworth, o atual “Thor”, é bonitão, mas não tem carisma e acaba sendo neutro como o imediato.

O filme também sofre com falta de foco narrativo. O roteiro não sabe se está contando a história dentro da história (o narrador fala de coisas que não tinha como saber, por sinal), as desventuras do imediato ou os perigos do mar. Assim, quando a grande baleia branca chega, tudo acontece muito rápido e de forma abrupta, num anticlímax que chega a assustar de tão mal conduzido.

Depois do ataque e destruição do navio, o filme vira quase terror, com os náufragos tendo que praticar atos horrendos para garantir a sobrevivência (vira quase um “Sobreviventes dos Andes”, só que no mar). Também é ridículo insistirem na baleia perseguindo os pobres coitados, algo que certamente não aconteceu na realidade. E ainda tentam enfiar uma mensagem sobre como é feio matar os animais a fórceps, que deixa tudo ainda mais sem sentido.

Outro ponto baixo de “No Coração do Mar” é a trilha musical composta pelo espanhol Roque Baños, que apesar de ter mostrado talento em outros filmes, foi obviamente obrigado a compor no modo “Hans Zimmer” de fazer trilhas, que dá o tom atualmente com raras exceções. Apesar de ter algumas faixas interessantes, as músicas que acompanham as cenas mais tensas e de ação são totalmente genéricas, repletas dos irritantes ostinatos simplórios e até das insuportáveis “cornetas da perdição” que Zimmer inventou para “A Origem”.

Eu ia dizer que é triste ver um cineasta como Ron Howard, que trabalhou com gente como John Williams (em “Um Sonho Distante”) e James Horner (em “Coccon”, “Willow” e “Apollo 13”), pedindo música desse tipo, mas aí lembrei que ele é um dos culpados pela ascensão de Zimmer desde “Backdraft”, passando por “O Código Da Vinci” e “Rush”. Basta ouvir a trilha de “Tubarão” para perceber como uma música do mesmo nível da gloriosa composição de John Williams para o filme de Spielberg elevaria o filme a outros patamares.

Por sinal, quando a gente lembra-se de “Tubarão” é que percebe o quanto esse filme e quase todos os outros feitos atualmente pela indústria de cinema estadunidense são fracos e sem graça. Enfim, dá pra assistir, mas não chega aos pés de “Moby Dick”, seja o livro ou mesmo as suas adaptações para as telas...

Cotação: * *

terça-feira, 17 de novembro de 2015

False flag: atentados em Paris não aconteceram

Coincidências, timing e conveniência estratégica (quem ganha com os atentados?), muitos analistas levantam a hipótese dos atentados do Estado Islâmico serem False Flags: ações sustentadas financeiramente pelo próprio Ocidente para criar o caos e divisão como tática de propaganda para manter a hegemonia sobre o Oriente Médio.

- por Wilson Ferreira, no blog Cinema Secreto



Acumulação, consonância e onipresença. Esses três palavras definem a atual cobertura da grande mídia brasileira aos ataques em Paris. Ao contrário da autêntica Chernobyl brasileira em que se transformou a catástrofe ambiental e humana em Mariana/MG com o rompimento da barragem de detritos da Vale do Rio Doce/Samarco. 


Por que essa diferença de tratamento? Há muitos motivos políticos e econômicos em não expor uma empresa privada anunciante na grande mídia. Mas também porque a essência do terrorismo é midiática para ser midiatizável. Os atentados em Paris foram praticamente um kit imprensa dado de mão beijada para as redações com personagens, histórias e roteiros prontos. 

Será que esse é o motivo da recorrência de relatos sobre a sensação de irrealidade em depoimentos de vítimas e testemunhas? E também o motivo da espiral de especulações sobre uma suposta Operação False Flag? E se os mais de 100 mortos não forem prova de que testemunhamos um acontecimento real?

Terminado o jogo França X Alemanha no Stade de France na fatídica noite de sexta-feira 13 dos ataques em Paris, os torcedores se dirigiram ao gramado à espera da autorização para deixar o local. Depois a TV mostrou ao vivo a multidão dirigindo-se aos corredores de saída. Cantavam a Marselhesa, agitando a bandeira da França e erguendo os punhos.

Certamente não era pela comemoração da vitória da França por 2 a 0. Informados pelos celulares sobre o que transcorria fora do estádio, o clima era de ódio, revolta e evidente desejo de revide contra os terroristas. 

Essa talvez tenha sido a imagem mais emblemática daquela noite, porque mostrou ao vivo o resultado imediato dos ataques terroristas, de conveniência política e geopolítica – com a maior população muçulmana da Europa e uma das sociedades mais divididas do continente, reforça ainda mais a xenofobia contra a atual onda de imigrantes fugidos da guerra na Síria e Afeganistão.

Além de criar um conveniente Estado policial reforçado pelo medo e tensão popular, reforçar o papel da França na coalização militar liderada pelos EUA contra a Síria e atingir o país mais simbólico da Europa: a terra da Liberdade, Igualdade e Fraternidade.



Terrorismo é um fenômeno midiático: não visa tomada de poder, mas a dissuasão – voltado para as ondas concêntricas da mídia objetiva produzir a percepção de pânico, tensão, insegurança, divisão e todo um conjunto de sentimentos mais baixos da psique humana. Fenômeno tão midiático que, certa vez, fez o filósofo francês Jean Baudrillard afirmar que os atentados de 2001 jamais ocorreram. Não teriam sido fatos “reais” ou “históricos” mas fatos midiatizados.

Mesmo com imagens de vítimas sendo arrastadas deixando rastros de sangue e mortos cobertos pelos paramédicos nas ruas, é paradoxal a sensação de irrealidade relatado tanto pelas vítimas como por analistas na Internet.

A “irrealidade” dos atentados

Por exemplo, em poucas horas depois dos ataques já era possível ler publicações que já enumeravam inconsistências e estranhas coincidências no episódio (que abordaremos mais adiante). 

O que seriam evidências de que estaríamos diante de mais um evento False Flag (Falsa Bandeira) – espécie de auto-terrorismo onde atentados são criados pelo próprio Estado para justificar determinada agenda política ou econômica. Hipótese absurda para muitos (é impensável o Estado matar seus próprios cidadãos) mas já fartamente documentada como estratégia de propaganda para criar tensão, como também veremos adiante.

Uma testemunha da chegada da polícia na cada de shows Bataclan relatou: “eles agiam como se estivessem em um filme” (clique aqui). Enquanto isso, o jornalista do Le Monde que mora atrás do Bataclan filmou com o celular o desespero das vítimas fugindo da sala de espetáculos. 

“Estava trabalhando em casa e estava passando um filme em que Jean-Huges Anglada interpreta um policial... tinha gente correndo para todos os lados... pensei nas imagens do 11 de setembro”. Uma meta-memória, sabendo-se que no próprio 11 de setembro testemunhas relataram que acreditavam que o incêndio nas torres era um efeito cenográfico de alguma produção hollywoodiana.



O depoimento do brasileiro João Lira, professor de arquitetura, também é significativo: “vi faíscas do outro lado da calçada. Juro que pensei que eram bombinhas de São João, uma girândola talvez, que poderia fazer parte de alguma brincadeira cenográfica”. O que relembra o episódio do chamado “maníaco do Shopping” em 1999 que abriu fogo em uma sala de cinema em São Paulo. Muitos acreditavam que faziam parte de alguma “pegadinha” (na época as “Pegadinhas do Faustão” da Globo estavam em evidência) referente ao filme Clube da Luta e demoraram para tomar pé da situação e se proteger.

Em uma das ações terroristas, um policial gritou para o público em uma pizzaria atingida pelos atiradores: “corram para casa, isso não é um filme!”.

Paris X Mariana/MG

A conveniência dos atentados não é apenas política e geopolítica. É midiática. Esse talvez seja um dos motivos do porquê a Chernobyl brasileira em que se transformou a catástrofe ambiental da Vale do Rio Doce/Samarco em Mariana/MG não tenha merecido a mesma onipresença, consonância e acumulação da grande mídia brasileira – não tem o appeal midiático e icônico de uma Paris com pessoas bonitas, cultas, de bom gosto e com uma certa ideia de civilização para aqueles que acham que a história da arte acabou no impressionismo e na art noveau.

O chamado “Estado Islâmico” sabe disso. Como todos os atentados, visam locais icônicos que parecem seguir o velho roteiro hollywoodiano: era uma vez um lugar bonito e civilizado cuja ordem é quebrada pelo mal para depois a ordem ser reestabelecida pelos protagonistas – o Estado policial. Eles sabem que seus atentados preenchem os quesitos dos roteiros da coberturas “humanizadas” tão prezadas pelo marketing jornalístico.



Essas relatos recorrentes de irrealidade em meio a um acontecimento tão realista e violento seriam sintomas de que todos os personagens da cena de terror (vítimas, atiradores, policiais e paramédicos) estão imersos em uma ação essencialmente midiática e midiatizável?

Para tentar responder a essa pergunta vamos nos aprofundar na espécie de Deep Web das informações em torno dos atentados de Paris: estranhas coincidências, inconsistências e clichês que parecem formar um roteiro pronto e oferecido para a grande mídia como fosse um kit imprensa.

(a) O encontro oportuno do passaporte

Ou “passaporte mágico” na ironia dos teóricos de conspirações. Nos atentados de 11/09/2001 nos EUA um passaporte foi inacreditavelmente encontrado a poucas quadras de distância do que sobrou do WTC: era do suposto sequestrador do Boeing 747 que se chocou contra uma das torres. 

Pouco depois do atentado ao Charlie Hebdo, a policia encontrou o cartão de identidade de um dos terroristas no interior de um carro. E agora, encontra-se um passaporte intacto ao lado do corpo de um dos homens-bomba. Alguém realmente acredita que um homem-bomba traria um passaporte real para o seu último ato em vida?



Claro que dai puxa-se uma conexão com refugiados sírios que entraram pela Grécia – a associação de terroristas oportunistas com a falência de um país que ameaça a Zona do Euro é irresistível.

E para não perder a carona, uma repórter da Globo News encontra o que seria o fragmento de um passaporte supostamente sírio na calçada próxima ao Stade de France. E que não fora encontrado momentos antes pela perícia! 

Orgulhosamente, levou a suposta prova para a polícia para “ajudar nas investigações”. O que vimos depois é a repórter “tocando piano” na delegacia e tendo que recolher saliva para o fichamento do seu DNA, orgulhosa por colaborar com a “inteligência francesa”.

(b) Estranhos exercícios de simulação

Os chamados “teóricos da conspiração vem encontrando outra recorrência: exercícios de simulação de atentados terroristas envolvendo policiais e paramédicos no dias dos próprios atentados reais. Aconteceu em 2001 nos EUA e nos atentados a bombas no metrô de Londres em 2005.

Na manhã do dia 13 foi realizado em Paris um “exercício de ataques múltiplos”. Patrick Pellloux, médico e presidente do sindicato francês dos paramédicos do EMT (a SAMU francesa) disse numa entrevista à Radio France no dia seguinte aos ataques: “as vítimas tiveram muita sorte, pois na parte da manhã fizemos um exercício de ataques múltiplos coordenando policiais, bombeiros e paramédicos. Por isso todos já estavam envolvidos e preparados”.

Desde 2004 Pelloux publica artigos na revista satírica Charlie Hebdo sobre as situações de um médico de emergências. Coincidentemente Pelloux estava próximo ao prédio da revista no momento do atentado do início desse ano e foi uma das primeiras pessoas a chegar ao local após o tiroteio e imediatamente ligar para o presidente francês Hollande para descrever o que havia ocorrido.

Pelloux também é ator é trabalhou em filmes como Saint Laurent(2014), Incognito (2009) e minisséries na TV.

Coincidências ou evidência de treinamentos para False Flag?

(c) False Flag

Por essas e outras recorrências, coincidências, timing e conveniência estratégica (quem ganha com os atentados?), muitos analistas levantam a hipótese dos atentados do Estado Islâmico serem False Flags: ações sustentadas financeiramente pelo próprio Ocidente para criar o caos e divisão como tática de propaganda para manter a hegemonia sobre o Oriente Médio. Principalmente agora que a Rússia de Putin também entra no cenário de guerras na Síria.



Paul Craig Roberts do Institute for Political Economy (IPE) lembra do documento intitulado “A Clean Break: a New Estrategy for Securing the Realm” de 1996. Nesse documento elaborado pelos neocon insiders que arquitetaram as bases da futura doutrina Bush pós-2001 estão as principais diretrizes para “dividir, conquistar e reinar” no Oriente Médio – Primavera Árabe, invasão do Iraque, desestabilização da Síria, o projeto de “Choques de Civilização” e a criação do estado Islâmico estão lá por baixo de diversas camadas de eufemismos – sobre isso clique aqui.

Sabe-se que a primeira mensagem de autoria do atentado do Estado Islâmico foi “descoberta” pelo SITE Intelligence Group (Search for International Terrorist Entities) e que sua fundadora, Rita Katz, é uma insider do atual governo e colega dos Neocons autores do documento acima citado: Richard Perle, Douglas Feith (dirigiu a máquina de propaganda da guerra no Iraque) e David Wurmser.

Mas como um governo iria matar seus próprios cidadãos? Craig dá o exemplo da Operação Gladio na Itália nos anos 1970-80 onde uma série de atentados eram articulados pela inteligência italiana e executados em locais escolhidos a dedo para impactar a mídia Ocidental. Objetivo: desacreditar os comunistas e tirá-los da vida política italiana.

(d) Conexões oportunas

Repete-se o mesmo script de acordo com as conveniências geopolíticas ocidentais: no episódio do Charlie Hebdo a grande mídia informou que os terroristas encapuçados gritavam na rua “digam para a imprensa que somos da Al-Qaeda do Iêmen”. A região do Iêmen é um dos gargalos para o transporte de petróleo. EUA e OTAN procuram o controle desses gargalos críticos.

Agora, os homens-bomba encapuçados gritam “Isso é pela Síria!”. Uma feliz coincidência num momento em que a força aérea russa bombardeia alvos do ISIS na Síria, perturbando o plano “Clean Breake” traçado pelos Neocons em 1996.



(e) Mais vídeos com terroristas canastrões

E como a cereja no bolo no momento em que o presidente Françoise Hollande decreta que “a França está em guerra”, são divulgados pela enésima vez vídeos com terroristas sujos, feios e malvados do suposto Estado Islâmico ameaçando a tudo e a todos.

Os personagens parecem que saíram do filme do Woody Allen "Bananas", de 1971 (com hilários comunistas cubanos barbudos e cheios de ódio), ou alguma paródia dos filmes hollywoodianos feitos pela turma de humor “Hermes e Renato”.

Em postagem anterior discutíamos a canastrice (personagens estereotipados, não-espontâneos, over etc.) como estratégia de propaganda em ambientes altamente midiatizados como os atuais – nossa percepção já foi há muito tempo invertida: tomamos a realidade a partir das imagens estereotipadas das mídias – sobre isso clique aqui. Terroristas reais não seriam reconhecíveis – precisam ser midiáticos e midiatizáveis. Assim como é a própria natureza do terrorismo.

Atentados, refugiados e o Estado Islâmico

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

MAIS UM ATAQUE "FALSE FLAG"?

Esses ataques "terroristas" na França então com toda a cara de serem mais um "False Flag", igual aos que mataram os cartunistas do Charlie Hebdo no começo do ano ou os atentados de 11 de setembro nos EUA.

Para quem não conhece a expressão, ataques de falsa bandeira são ataques clandestinos onde um país comete ou apoia atos de terrorismo contra si próprio ou mesmo contra outra nação, e em seguida culpa outro país ou organização, de forma a justificar uma determinada agenda, como invasões de outros países ou a passagem de leis aumentando o poder do estado e diminuindo a liberdade e privacidade de sua população.

Pra variar, pistas "magicas" sobre a identidade dos terroristas começam a aparecer do nada, como o passaporte que estava junto a um deles. Porque, convenhamos, se você fosse um terrorista prestes a se explodir certamente levaria seu passaporte com você, não é mesmo?

Sempre a mesma estratégia de causar comoção na sociedade para justificar ações militares contra países ou etnias que incomodam os donos do poder mundial.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Filmes: "O Exterminador do Futuro: Gênesis"

RECOMEÇO DA CONTINUAÇÃO DA REFILMAGEM

Quinto filme da franquia do “Terminator” quer tirar leite de pedra e se perde em roteiro sem sentido

- por André Lux, crítico-spam

Os executivos de Róliudi estão sempre tentando desesperadamente tirar leite de pedra quando se trata de franquias de sucesso como “Jurassic Park” e tantas outras. E com “O Exterminador do Futuro” não poderia ser diferente.

O filme original de James Cameron, que de certa forma revolucionou o gênero ficção científica em 1984, ganha então mais uma continuação (a quinta!) que deveria funcionar também como um “recomeço” (ou reboot, como chamam os estadunidenses) para a série, como está na moda atualmente (vide “Jurassic World”  ou o novo "Robocop", por exemplo). Ou seja, esse “O Exterminador do Futuro: Gênesis” é um recomeço da continuação da refilmagem... ou coisa do tipo.

Inventam então uma nova história em que os protagonistas revisitam várias cenas do filme original de 1984, bem no estilo do que fizeram em “De Volta para o Futuro 2”. Mas o resultado é pífio, pois o roteiro não faz o menor sentido e tudo parece forçado, especialmente quando alguém tenta explicar o vai e vem de personagens e as diferentes linhas de tempo que o novo filme cria (“O Exterminador do Futuro: A Salvação” é solenemente ignorado).

A revelação do novo vilão do filme até poderia gerar alguma surpresa se já não tivessem mostrando isso no trailer do filme. Sem dizer que também não faz o menor sentido a existência dele e também não se explica porque simplesmente não mata Sarah Connor e Kyle Reese de cara.

Pra piorar tudo, temos uma trilha musical medonha composta por um tal de Lorne Balfe, que é mais um discípulo do abominável Hans Zimmer, que faz a trilha original eletrônica de Brad Fiedel parecer algo genial. Balfe usa até as insuportáveis “Cornetas da Perdição”, que Zimmer inventou para “A Origem” e agora todo mundo parece que é obrigado a usar em tudo quanto é filme!

O elenco é fraco, com a jovem Emilia Clarke de “Game of Thrones” tomando o papel que já foi de Linda Hamilton, mas sem deixar qualquer marca. O ator que colocaram para ser John Connor, o líder dos rebeldes no futuro (Jason Clarke, que esteve em "Planeta dos Macacos: O Confronto), também é muito sem graça e com aquela cara de bolacha que tem não convence nem um minuto como super-soldado.

O único que livra a cara é o Arnaldão que, embora esteja bem acabado, mantém seu carisma e ainda consegue dar alguma dignidade ao Exterminador, sem perder o bom humor com frases do tipo “Estou velho, mas não obsoleto” e as caretas de sempre. Se bem que ver a heroína do filme chamando o velho Terminator de "papi" não ajude muito...



Tecnicamente o filme não passa do medíocre e alterna efeitos especiais excelentes com outros que parecem de vídeo game. A direção de Alan Taylor, do fraco “Thor 2”, é impessoal e burocrática, o que fica evidente nas várias cenas de ação do filme, que até são bem feitas, mas nunca empolgam o suficiente para marcar. 


A melhor coisa acaba sendo ver o velho Arnold lutando com seu outro eu mais jovem e pelado - feito por um ator que se parece fisicamente com ele em 1984, mas com seu rosto colocado digitalmente em cima, o que não deixa de ser bizarro para dizer o mínimo!

Mas o pior mesmo é a conclusão, que obviamente não faz o menor sentido, recusa-se a responder várias questões nebulosas (como quem mandou o velho Terminator com sua nova missão) e ainda deixa a porta aberta para mais uma continuação, que certamente vão ser produzidas até quando o público simplesmente desistir de pagar para ver tanta besteira junta.

Cotação: **


segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Filmes: "Perdido em Marte"

CAFÉ REQUENTADO

O maior problema do filme é que acaba se parecendo muito com outros sobre missões a Marte

- por André Lux, crítico-spam

“Perdido em Marte” é o melhor filme do outrora grande cineasta Ridley Scott em anos, mas isso não quer dizer muito já que seus últimos filmes resultaram medíocres ou simplesmente ruins (“Prometheus” sendo o pior). O que não deixa de ser triste para alguém que já foi capaz de produzir maravilhas da sétima arte como “Os Duelistas”, “Alien” e “Blade Runner”.

O maior problema deste filme estrelado por Matt Damon é que acaba se parecendo muito com outros recentes sobre missões espaciais a Marte. Em “Missão Marte”, de Brian de Palma, um dos astronautas também é forçado a sobreviver por anos usando apenas suas habilidades e o material que tinha disponível depois que a missão fracassa e todos morrem (embora o foco do filme não seja nele, mas na missão de resgate). Enquanto em “Planeta Vermelho”, estrelado por Val Kilmer, a conclusão e várias outras passagens são praticamente idênticas ao que vemos em “Perdido em Marte”.

O filme é bem conduzido e Damon está em seus melhores dias, porém tudo fica com aquele gosto de café requentado e morno. Além disso, é visualmente medíocre e não tem grandes cenas, o que mostra o declínio de Scott como esteta. As piadas recorrentes do protagonista sobre a seleção musical de canções pop dos anos 80 deixada pela capitã da missão também não empolgam e “Perdido em Marte” tem uma trilha musical sem impacto algum, composta por um dos muitos discípulos do abominável Hans Zimmer.

Apesar do bom elenco, a maioria não tem muito o que fazer e apenas Damon tem chance de brilhar. A ajuda que os chineses dão à missão de resgate do astronauta tem impacto zero na trama e é apenas uma daquelas coisas que o cinema estadunidense tenta fazer atualmente para deixar seus novos filmes agradáveis ao mercado da China.

Enfim, é perfeitamente consumível, mas não chega a empolgar e está muito aquém do talento que Scott demonstrou no passado.

Cotação: * * 1/2

sábado, 26 de setembro de 2015

"The Strain": sobre como homens viram monstros

O nazista Thomas Eichhorst
Simplesmente sensacional a série "The Strain". 

Não apenas por trazer uma história muito bem escrita sobre uma invasão de vampiros malvados sobre Nova York atual, mas também pelos excelentes comentários sociais sobre como homens se tornam monstros.

No mais recente episódio da segunda temporada, "Dead End", ficamos sabendo como o braço direito do Mestre vampiro iniciou sua trajetória rumo à monstruosidade.

Vendedor fracassado de rádios na Alemanha nazista, Thomas Eichhorst é constantemente desprezado pelos colegas de trabalho, até o dia em que a bela Helga, secretária da empresa, o elogia e aceita seu convite para sair.

No restaurante, enquanto conversam e ele se apaixona pelo brilho da moça, que diz a ele que certamente um futuro grandioso o espera, um jovem nazista sobe na mesa e começa a conclamar a todos para se juntar a Hitler para salvar o país.

A moça fica incomodada e pede para irem embora, mas Eichhorst ouve o discurso animado. Depois, já na rua, os dois começam a conversar sobre o nazismo e Eichhorst defende Hitler e seu discurso de ódio contra os judeus, dizendo que foi por culpa deles que a Alemanha entrou em colapso. Não são confiáveis nem dignos de respeito.

A jovem Helga, então, lhe diz: "Eu sou judia, Thomas. Quer dizer que é isso que pensa de mim?". Ele, com a cara de idiota digna dos covardes e ignorantes, diz que esse discurso se refere só aos judeus estrangeiros. Ela, então, lhe diz: "Estava enganada sobre você. Está exatamente no lugar que merece". E vai embora.

Anos depois, já oficial da SS Nazista, Eichhorst é chamado a um interrogatório e, claro, se depara com a jovem Helga sendo torturada e prestes a ser deportada. Perguntado se conhecia a moça como ela afirmava, Eichhorst diz, depois de ficar gelado por alguns momentos: "Conheci sim. Ela trabalhava na mesma firma que eu. Foi acusada de roubo, mas nada foi comprovado. Todavia..."


O vampiro Thomas Eichhorst
Em seguida vai embora todo orgulhoso por ter se "vingado" dela, passeia fazendo pose pela rua e é reverenciado com temor pelos civis, inclusive por um antigo colega de trabalho que o humilhava.

Ao voltar para o quartel-general da SS, Eichhorst vê então Helga enforcada em uma árvore na entrada do prédio. 


Chocado, acaba mudando a feição para um esgar de cinismo quando percebe que seu superior o observa.

Entenderam por que não dá para ter amizade com gente assim? Alguma semelhança com o que ocorre hoje no Brasil? Ou não?

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

Ganhei o dia!

Hoje eu ganhei o dia.

Uma jovem moçoila referiu-se a mim, na terceira pessoa, como "esse rapaz" várias vezes.

Sabem como é, depois que a gente passa dos 35 só é chamado de "senhor", pelas pessoas melhor educadas, ou de "tio" mesmo, principalmente pelos mais novos.

Mas como ainda dou pinta para ser chamado de "esse rapaz", então posso dizer que não cheguei ainda no nível do "tio da Sukita"! Risos!!

"Tio, não! Eu ainda sou um rapaz!"



quinta-feira, 17 de setembro de 2015

O leão covarde nosso de cada dia



Fico impressionado com as pessoas que votaram na Dilma, mas não tem coragem de defender seu governo. Será que o Mágico de Oz resolveria o problema delas?

Não, não estou dizendo que o governo dela é uma maravilha, nem que está acima de críticas.

Estou dizendo apenas que no clima que vivemos hoje, onde nazi-fascistas, viúvas da ditadura e imbecis crônicos perderam a vergonha e saíram para as ruas instigados pela direita raivosa e sua mídia golpista, simplesmente não dá para entrar nesse tipo de debate sem dar munição de graça para o inimigo.

E outra. Se você não tem coragem de defender um governo que ajudou a eleger, que força vai ter se amanhã eles conseguirem derrubar esse governo e colocar algo mil vezes pior no lugar?

Por que será que tem gente que não entende isso e insiste em continuar dando tiro no próprio pé?
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