segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Filmes: "A Batalha de Riddick"

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"NA DÚVIDA, ENTORTEM A CÂMERA!"

Filme falha em passar qualquer tipo de emoção, mas é visualmente bonito e ao menos faz rir nas horas erradas
Por André Lux, crítico-spam

Se você achou "Eclipse Mortal" um bom filme de ficção científica, daqueles que conseguem disfarçar as limitações no orçamento com soluções criativas e personagens críveis, então nem perca seu tempo assistindo "A Batalha de Riddick", pois essa espécie de continuação é uma bobagem sem pé nem cabeça que não tem a menor relação com o conceito do original.

Parece que o diretor David Twohy (também autor do roteiro) e o quase-astro Vin Diesel realmente acreditaram que o relativo sucesso do filme anterior deveu-se à presença do personagem Riddick, que era interessante mas não passava de um assassino frio que acabava liderando a contra gosto um grupo de sobreviventes na luta contra uma horda de monstros alienígenas.

Aqui, Riddick vira uma espécie de "escolhido" (mais um...) já que é o único sobrevivente de uma raça antiga que pode fazer frente aos malvados Necromongers, espécie de nazistas-espaciais que querem dominar todas as raças do universo e entrar para um negócio esquisito chamado "subverso" (que ninguém se importa em explicar o que é). Confuso? Então espere, porque o filme fica ainda mais sem sentido e muda completamente de tom quando o protagonista vai parar num planeta-prisão para tentar resgatar um dos personagens que sobraram de "Eclipse Mortal".

Só para você ter uma idéia da besteira que os autores do roteiro criaram, neste tal planeta-prisão (chamado Crematória) a luz do dia produz temperaturas superiores a 400° C. Em uma certa altura todos saem correndo pela superfície enquanto um mar de fogo os persegue e conseguem se salvar escondendo-se... nas sombras de uma caverna!

Pior é que "A Batalha de Riddick" se leva realmente a sério e é daqueles filmes repletos de clichés do gênero, frases de efeito constrangedoras e cenas posadas. Na dúvida, o diretor entorta a câmera como se isso fosse suficiente para passar algum tipo de clima ou emoção. A montagem também é muito ruim, toda picotada e com cortes que não duram nem um segundo deixando tudo confuso e obscuro, especialmente nas cenas de luta.

O vilão e seu capacete. É pra rir?
Do elenco também não sobra nada. Diesel limita-se a falar guturalmente, grunhir e olhar de lado para a cãmera fazendo pose de "cool". O vilão mor (cujo nome é de provocar gargalhadas: Lorde Supremo) é feito por Colm Feore um daqueles atores neutros que a gente vê em centenas de filmes no papel de contador ou de ajudante do advogado. Suas tentativas de parecer mau são de dar pena (o que dizer então do ridículo capacete que usa no começo do filme?). Há também uma certa Thandie Newton, que é a amante do comandante feito por Karl Urban (o Eomér, de "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres"), cuja atuação é pavorosa.

É inacreditável que tenham gasto mais de 100 milhões de dólares neste filme visualmente bonito, mas que não tem o menor sentido e, portanto, falha em passar qualquer tipo de emoção - exceto tédio e provocar risos nas horas erradas. Não é a toa que está fracassando no mundo todo. E não era para ser diferente.

"A Batalha de Riddick" é mais uma prova de que certos realizadores deveriam ser proibidos de trabalhar com orçamentos muito generosos, já que se saem muito melhor em produções classe B onde são obrigados a usarem a criatividade ao invés de apelarem para um monte de feitos especiais e pirotecnia sem controle.

Cotaçâo: *

2 comentários:

Rodrigo Leme disse...

Eu assisti esse filme. Estabelece novos patamares de ruindade. O pior é q ele nem consegue ser aquele filme tecnicamente ruim, mas q te atrai de alguma maneira (o meu favorito desta espécie é o Flash Gordon). Não, ele é ruim e te repele. Convida seu cérebro a dar uma volta...

Outro filme pra sua seção poderia ser o Doom, baseado no jogo de computador. Esse é medonho ao extremo, e cheio de dinheiro na produção...

Na Periferia do Império disse...

Prezados...

Não asisti ainda, mas duvido que seja pior do que "A Reconquista", umas das maiores idiotices feitas no cinema de ficção cientifica. Fracasso de bilheteria, menosprezado pela crítica e público.

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