domingo, 10 de maio de 2009

Filmes: "STAR TREK"

PRA NERD NENHUM BOTAR DEFEITO

Minha esposa chegou a chorar duas vezes durante a projeção! E olha que ela nem tinha ouvido falar de “Star Trek” antes de me conhecer... É ou não é uma glória?

- por André Lux, crítico-spam

Esse novo “Star Trek” é simplesmente espetacular! Palmas para o diretor J.J. Abrams, que estava na crista da onda depois do sucesso de “Lost” e se arriscou bastante ao aceitar fazer esse renascimento da série original com Kirk, Spock e o Dr. McCoy que desperta paixões em várias gerações de espectadores. Mas ele não poderia ter acertado mais.

Tudo está no lugar certo neste filme, a começar pelo elenco homogêneo e sem pontos baixos e pelo roteiro muito bem escrito, que consegue o milagre de resolver satisfatoriamente uma trama tortuosa e complexa a qual inclui até viagens no tempo (sempre uma armadilha perigosa em filmes desse tipo), chegando a ter participação especial de Leonar Nimoy, o Spock original!

O mais bacana de tudo é que Abrams revela-se um bom cineasta, com completo domínio da narração e da imagem. Reparem como ele e seu diretor de fotografia posicionam a câmera e usam lentes zoom em várias tomadas para criar o máximo efeito de profundidade de campo no frame, deixando “Star Trek” com cara de filme grande (comparem, por exemplo, com o fraquinho “X-Men Origens: Wolverine”, cuja fotografia utilizada deixa-o quase todo chapado, com cara de filme para televisão).

A música de Michael Giacchino, colaborador constante de Abrams (é dele as trilhas de “Missão Impossível 3” e da série “Lost"), também é muito boa e o compositor tem talento para alternar orquestrações pesadas com outras mais intimistas sem perder a lógica interna do desenvolvimento temático (coisa rara atualmente). Giacchino teve o luxo de compor músicas para cenas chave (como a do nascimento de Kirk) desprovidas de efeitos sonoros. Ou seja, Abrams deixou só as imagens e confiou acertadamente na trilha musical para elevar a dramaticidade da cena (outra opção rara e corajosa). Interessante notar também que o músico vai inserindo aos poucos o tema da antiga série (composto pelo falecido Alexander Courage) no filme, culminando com uma rendição enérgica e empolgante dele nos créditos de encerramento.

São muito legais e bem-vindas paras os fãs as citações a vários episódios da série original e até mesmo dos filmes do cinema, algumas delas bem sutis. Os efeitos visuais também são ótimos, a nova Enterprise é simplesmente linda e o filme tem muito humor. Mas, na minha modesta opinião, a melhor sacada dos realizadores foi eles terem inventado toda uma trama de viagens no tempo que culminou na criação de um universo paralelo, onde os heróis vão poder viver suas aventuras sem precisar se preocupar em serem fiéis à cronologia de eventos da série original (engraçado ver alguns profissionais da opinião criticando o roteiro de forma a dar claras evidências que não entenderam esse ponto crucial - pior que esse fato é tão óbvio e importante para a apreciação do filme que a Uhura chega a citá-lo literalmente!)

Enfim, é um renascimento para “Star Trek” para nerd nenhum botar defeito. Minha esposa chegou a chorar duas vezes durante a projeção! E olha que ela nem tinha ouvido falar de “Star Trek” antes de me conhecer... É ou não é uma glória?

Cotação: * * * * *

16 comentários:

zejustino disse...

Assisti ontem, muito bem acompanhado com meu filho e minha filha. Notável no filme é também a trilha musical original no encerramento que fez os velhinhos como eu recordarem comovidos a série dos finais de semana.

André Lux disse...

Zé, fiz questão de frisar isso na minha crítica. Repare: "[...]Interessante notar também que o músico vai inserindo aos poucos o tema da antiga série (composto pelo falecido Alexander Courage) no filme, culminando com uma rendição enérgica e empolgante dele nos créditos de encerramento."

Anselmo disse...

o abre do post é sensacional.

vou assistir

Anônimo disse...

Assistí e, prá variar, outra sacanagem c/ os originais.

Detestei e nao recomendo.

Inté,
Murilo

turquinho disse...

André, também achei fantástico, não desgrudei os olhos o tempo todo....muito legal mesmo...meu filho de 10 anos, sem nunca ter assistido nenhum filme da série também gostou....abraços...

Anônimo disse...

Aos Senhores Blogueiros,
Vamos ter de reeditar uma nova campanha o “Petróleo é Nosso” . Salvemos a Petrobras dos entreguistas.

zejustino disse...

Pô, Murilo. Consegui pelo menos alguma coisa para não concordar com você.

As primeiras temporadas da série original tinham um defeito que era comum em várias produções ianques: a contra-propaganda política. Naquele contexto de guerra fria apareceram alguns episódios com os Klingons que foi de irritar qualquer um. A historieta era prá lá de abestalhada e os "inimigos" da Federação eram retratados em vermelho e com cara de descendentes de Gengis Khan. Com perdão do trocadilho, tava na cara que era mais uma propaganda anti-soviética. A produção naquele episódio estava a pleno vapor na técnica anti-Midas. Isto é, estava transformando em estrume o que era ouro. Felizmente, deram um trato nas fachadas dos Klingons, que ficaram muito mais feios, mas pelo menos não tentaram empurrar prá cima da gente a politicagem da guerra fria.

O que acredito que acontecerá doravante é mais ou menos isso: vão fazer uma maquiagem mais elaborada e verossímel nas fachadas dos aliens e humanizar (êpa!) mais os personagens principais.

Só para esclarecer, não sou um trekkie fanático mas, machismos à parte, acompanhei aquela Borg lindona do USS Voyager até o último capítulo.

Anônimo disse...

Caro ZéJustino,

Tudo o q vc descreve sobre as cretinices anti-soviéticas, é verdadeiro.

E, como vc mesmo já disse, nao ficou só na série Star Trek, tava infestado em qlqr seriado dos anos 60.

Mas, o q me irritou profundamente foi o fato de empurrarem até 1 trepada no contexto.

Se qeriam "humanizar" a coisa, cairam na val ado pieguismo onanista, e dos mais babacas.

Há o q fazer prá tirar Roliúde dessa privada lotada de merda em q se meteu, onde tudo tem q ter "romance e sexo"?

Bem, Robert Redford matou a charada há mais de 15 anos qdo disse: morreu, nao existe mais cinema americano.

E eu afirmo Zé, fizeram outro pipocao, outra meleca computadorizada, como fizeram c/ tudo q puderam.

Roubar da tv, tá dando mais prejuízo q lucro, e os caras já sabem disso.

Inté,
Murilo

ps.: se vc qizer continuar o papo, fora daqí, em respeito ao André, é só escrever prá:

cafebleauyahoo.com.br

Esquerdopata disse...

PQP! Que filme genial! O melhor de todos, disparado. E olha que eu assisti uma porcaria de um "CAM" com legendas odiosas...

Audaciosamente foi onde nenhum tinha chegado antes.

Marcus Valerio XR disse...

Finalmente uma oportunidade de discordar do André numa coisa que ele gostou e eu não. (Geralmente é o contrário.)

Reconheço que isoladamente o filme não tem nenhum grande problema, aliás é ótimo para não Nerds e não Trekkers. Apenas não consigo simpatizar com um personagem que rouba e destrói um carro por puro vandalismo.

Mas minha decepção pessoal se deveu a principalmente 3 fatores:

1-Ótima idéia contar as 'origens' da série original, a infância e juventude de Kirk e Spock. Isso empolgou qualquer um. Mas... Peraí! Não foi isso que mostraram, mas sim uma versão distorcida!

Se não for para mantê-los como o conhecemos, qual o motivo de usar os personagens originais então? Quer dizer que pretendem iniciar um nova franquia com a tripulação original ALTERADA?! Pra quê?!

Se após o sucesso de Nova Geração, Deep Space 9, Voyager e Enterprise, os produtores ainda não se convenceram que Star Trek não depende de Kirk e Cia, melhor se teleportarem para um universo paralelo.

2-Me deixei iludir por uma promessa de o filme corrigiria algumas absurdidades típicas da série. Ledo engano.

Afinal de contas o teletransporte trás ou não a energia cinética? Quando Kirk e Sulu estão caindo, são transportados e aparecem caindo. Quando Spock é transportado de uma nave em movimento, aparece parado. Poha! Decidam-se!

3 - Mas por que diabos os americanos gostam tanto desses malditos bullies!? Já não basta ter que aguentar isso em ABSOLUTAMENTE todos os filmes que mostrem o colegial, e ainda por cima temos que aguentar bulling em Vulcano?!

Maldita mania de universalizarem suas idiossincrasias.

Além do mais, a trilha sonora também me decepcionou, pois realmente só melhorou no final, e somente nos créditos tive um deslumbre musical típico dos outros filmes. Depois da música espetacular do Nêmesis, essa foi a mais fraca.

Minha opinião.

Tio Drakul disse...

Concordo com o Marcus Valerio XR.... O filme me decepcionou, não é um Star Trek. É outra coisa completamente diferente. Interessante, mas NÃO um Star Trek. Esperei várias vezes durante o filme para ouvir a tão famosa música tema... para descobrir que eles a trocaram por outra coisa completamente nada à ver. Como o Marcus falou, se queriam um filme só com o mesmo nome não precisavam do Kirk e dos outros. Tanto tempo esperando para ter uma total decepção...

Lucas disse...

Desculpe o "mau" uso do espaço, mas é que depois de tantos anos das salas de Bate-Papo da UOL onde eu conhecia o Tio Drakul ver um comentário dele num blog realmente me surpreendeu!

E sobre o filme, eu gostei. Gostei muito e eu odiava a série original.

Gabriel Gianuzzi disse...

Hehe Até o seu sobrinho que não conhecia muito de star trek assistiu mais de 3 vezes o filme. O elenco está fantástico(genial fazerem um spock parecido com o sheldom do "big bang theory"), a trama consegue fazer uma história bastante dramática e tensa, mas sempre mantendo um clima leve e divertido.Chris Pine ficou perfeito no papel do cpt Kirk. O único personagem que, para mim não convenceu muito foi o Nero. Ele se confunde demais nas própias ideologias. Mas de resto o filme ganhou 5/5

Rogério Nicoleli disse...

O filme é legal, a música do Giachino é bacana, mas não é o JERRY GOLDSMITH. Este sim fez uma música muito marcante. Inclusive estou escrevendo ouvindo-a... Que falta deste mestre...

André Lux disse...

Igual ao Jerry não tem igual mesmo, Rogério, infelizmente... O mestre faz MUUUUITA falta!

Pierri disse...

Eu gostei bastante do filme - s ó não gostei mais do que "Primeiro Contato" por que aquela cena em que a Enterprise E aparece inteira pela primeira vez, defendendo a Intrepid, é de arrebentar, e ninguém é mais capitão da enterprise do que Patrick Stuart, que me perdoem os fãs do Shatner.

O que eu mais gostei é que agora eles podem fazer filmes sobre a tripulação original, sobre a Voyager e DS9, sem que saibamos, antecipadamente, que tudo deu certo. Conhecer a história de um século depois dos eventos não é o melhor ingrediente para o suspense e o drama.

E a nova enterprise original é simplesmente linda. Só perde pra "E" - mas aí é covardia, já que todas perdem pra "E" rs

A única coisa realmente ruim é que não vão fazer um seriado com a nova tripulação.

E a coisa mais positiva de todas: na nova cronologia, "Nêmesis" nunca aconteceu! Só isso já vale o filme rs

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