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quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Ibope: Marina desaba e Dilma abre 22 pontos


No cenário que tem Aécio Neves como candidato do PSDB, Dilma cresceu de 30% para 38% nos dois últimos meses; ao mesmo tempo, Marina caiu de 22% para 16%. Aécio oscilou de 13% para 11%, enquanto Eduardo Campos (PSB) foi de 5% para 4%; no cenário com Serra (12%), mudanças são pequenas; Dilma tem mais intenções de voto do que soma de adversários, o que pode lhe dar vitória em primeiro turno

247 – Pesquisa Ibope/Estadão divulgada na noite desta quinta-feira (26) mostra que a presidente Dilma Rousseff (PT) abriu 22 pontos sobre a segunda colocada, Marina Silva (sem partido), na corrida presidencial. 

Em julho, a diferença entre elas era de apenas oito pontos, após queda vertiginosa da petista, em decorrência dos protestos que aconteceram em todo o país no mês anterior.

A partir de então, a presidente cresceu em ambos os cenários de primeiro turno estimulados pelo Ibope, enquanto Marina perdeu seis pontos, se distanciando de Dilma e ficando mais ameaçada pelos outros candidatos.

No cenário que tem Aécio Neves (o mais provável) como candidato do PSDB, Dilma cresceu de 30% para 38% nos dois últimos meses. Ao mesmo tempo, Marina caiu de 22% para 16%. O tucano oscilou de 13% para 11%, enquanto Eduardo Campos (PSB) foi de 5% para 4%. A taxa de eleitores sem candidato continua alta: 31% (dos quais, 15% dizem que votarão em branco ou anularão, e 16% não sabem responder).

O cenário com José Serra como candidato do PSDB não tem diferenças relevantes: Dilma tem 37%, contra 16% de Marina, 12% de Serra e 4% de Campos. Nessa hipótese, 30% não têm candidato: 14% de branco e nulo, e 16% de não sabe. Não há cenário idêntico a esse em pesquisa anterior do Ibope para comparar.

VITÓRIA EM PRIMEIRO TURNO
Nos dois cenários, Dilma tem intenção de voto superior à soma de seus três adversários: 37% contra 32% (cenário Serra) e 38% contra 31% (cenário Aécio). Isso indica chance de vitória no primeiro turno. No entanto, destaca o Estadão, "convém lembrar que praticamente 1 em cada 3 eleitores não tem candidato e ainda falta um ano para a eleição".

SEGUNDO TURNO
Dilma se distanciou de Marina também na disputa pelo segundo turno. A petista venceria a rival por 43% a 26%, se a eleição fosse hoje. Em julho, logo depois dos protestos em massa que tomaram as ruas das metrópoles, Dilma e Marina estavam tecnicamente empatadas: 35% a 34%, respectivamente.

Segundo as simulações do Ibope, tanto faz se o candidato do PSDB for Aécio ou Serra. Se a eleição fosse hoje, a presidente venceria ambos por 45% a 21% num segundo turno. Contra Eduardo Campos, a vitória seria mais fácil: 46% a 14%.

O Ibope fez a pesquisa entre os dias 12 e 16 de setembro, em todas as regiões o Brasil. Foram entrevistados 2.002 eleitores, face a face. A margem de erro máxima é de 2 pontos porcentuais, para mais ou para menos, num intervalo de confiança de 95%.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Filmes: "Guerra Mundial Z"

ZUMBIS A SÉRIO
 
Filme consegue a proeza de não agradar ninguém. Quem não gosta do gênero, vai fugir. Já os fãs vão achá-lo muito leve.
 
- por André Lux, crítico-spam
 
É incrível como evoluíram os zumbis (ou mortos-vivos como eram chamados antigamente). Nos primeiros filmes em que apareceram, andavam bem devagar, com os braços esticados e gemendo. Com o passar do tempo, ficaram mais rápidos e agressivos (“Extermínio” e “The Walking Dead”), mas nada perto dos velocistas desse “Guerra Mundial Z”, certamente o mais caro filme de zumbi feito até hoje (dizem que chegou a US$ 200 milhões).
 
O filme é baseado num livro de sucesso, que dizem ser muito bom (eu não li), no qual um jornalista refaz a trajetória da guerra contra os zumbis com depoimentos de pessoas ao redor do mundo afetadas pelo conflito. Mas pelo jeito quase nada da obra original foi usada na produção, pois o protagonista, feito por Brad Pitt, é um ex-funcionário da ONU que sai pelo mundo atrás de uma possível cura para a praga que transforma todo mundo que foi mordido em zumbis.
 
E é justamente esse personagem o maior problema do filme. Nunca ficamos sabendo qual é a dele realmente (não é soldado, não é médico, não é cientista). Então, por que diabos um poderoso da ONU faria tanto esforço para resgatá-lo e, mais estranho, iria enviá-lo como líder do grupo que sai em busca de respostas? Esse grupo, por sinal, é ridículo. Quer dizer que a única esperança da humanidade recai sobre um sujeito misteriosos que trabalhava na ONU, um jovem cientista nerd e meia dúzia de soldados?  Fala sério!
 
O filme teve sérios problemas durante a produção, ao ponto de terem refilmado todo o terceiro ato que, originalmente, aconteceria na Rússia e seria recheado de perseguições. Optaram por uma solução mais simples e supostamente mais "claustrofóbica", mas sinceramente achei bem sem graça. Apenas o velho clichê de terem que andar quietinhos num lugar infestado de zumbis e que, obviamente, vão ouvir barulhos e sairão correndo atrás de todos.
 
A verdade é que, no final das contas, "Guerra Mundial Z" não vai agradar plenamente ninguém. Por mais que tentem disfarçar, não passa de um filme com zumbis, só que levado a sério, o que já vai afugentar quem não curte o gênero, principalmente as mulheres (até tentei enganar minha esposa, dizendo que era um filme sobre o "fim do mundo", mas bastou aparecerem os primeiros mortos-vivos correndo que ela falou "Ah não, filme de zumbis não!" e caiu fora).
 
Já os fãs desse gênero vão achar o filme muito leve, já que não tem efeitos sanguinolentos e repelentes que a turma adora. Até porque ele foi todo montado para conquistar uma "censura livre", portanto não tem nada de "gore" e mal se vê sangue. Além disso, tem umas coisas ridículas que poderiam ter sido evitadas, como os zumbis digitais subindo um em cima do outro, como se fossem formigas, até chegar ao topo de prédios e muros bem altos (formigas tem "cola" nas patas, então tudo bem fazerem isso, já humanos, mesmo em estado morto-vivos, não tem como). Para piorar, ainda despencam de cima dos muros e saem correndo na moral. Caramba, imagino que até um zumbi precisa estar com os ossos intactos para poder continuar correndo, não? 
 
Enfim, não chega a ser um desastre e até prende a atenção, mas nada mais que isso.
 
Cotação: * *


 

 

Filmes: "Depois da Terra"

DESASTROSO

Não dá para entender como é que alguém investe dinheiro num produto que obviamente vai ser um fracasso

- por André Lux, crítico-spam

Fazia tempo que eu não via um filme tão desastroso como esse "Depois da Terra", daqueles que falham em todas as suas pretensões e propostas. 

Como filme de aventura é tedioso, como ficção científica é risível e como filme-mensagem é patético. Não funciona nem como comédia involuntária, daqueles que a gente morre de rir nas  horas erradas, tipo "Hulk", do Ang Lee, ou "Yor - O Caçador do Futuro".

Certamente a motivação por trás desse desastre foi a vontade de Will Smith em transformar seu filho Jaden em astro e, de quebra, pregar um pouco das maluquices da Cientologia, espécie de religião-auto-ajuda que ele e várias outras celebridades seguem. Ou seja, não dá para perdoar Smith, que também aparece como o autor da estória, que não é apenas cheia de furos ridículos, como também sai do nada e chega a lugar algum, de tão ruim.

O filme é ainda dirigido pelo maior blefe de Hollywood, M. Nigh Shyamalan, que acertou em "Sexto Sentido" e "Corpo Fechado", mas depois só fez bombas, uma pior que a outra. Sua rejeição pelo público é hoje tão grande que seu nome nem aparece em destaque no cartaz de "Depois da Terra".

No início do filme, que é uma mistura de "Oblivion" com "Jogos Mortais", somos informados que a Terra se tornou inabitável para os humanos que fugiram para outro planeta. Só que lá são atacados por outra civilização que para matar as pessoas jogam de suas naves um monstro cego, chamado de Ursa, que se guia pelo cheiro dos feromônios liberados pelo medo! Como se vê, uma estratégia genial!

Se não bastasse isso, os humanos se defendem das criaturas usando.. bombas, granadas, naves, armas de raio laser, armaduras que escondem o cheiro do medo? Que nada! O lance é enfrentar os bichos de cara limpa com uma espécie de espada ou lança retrátil! Santo besteirol, Batman!


Depois desse prólogo, acompanhamos pai e filho tentando reatar laços indo juntos para uma missão em outro planeta, só que sofrem um acidente e acabam caindo na velha Terra, que segundo o protagonista agora é habitada por seres que evoluíram para uma única função: matar seres humanos! Hein, como assim? Por que fariam isso se nem existem mais humanos na Terra? 

Daí pra frente o filme se transforma numa tediosa jornada pela floresta para achar os destroços da cauda da nave, que está a 100 km de distância, para pegar um sinalizador que vai trazer o resgate até eles.

Will Smith tem uma atuação catastrófica, certamente a pior da sua vida, o que é uma pena, pois até que é um ator simpático. Mas, como todo comediante que não sabe fazer nada diferente de micagens, ele entra no velho módulo de "robô com cara de prisão de ventre" para interpretar alguém que deveria ser rígido e pouco emotivo. Chega a dar dó do coitado tentando fingir que é um ator sério.

Mas triste mesmo é a atuação do seu filho, que chega a ser canhestra especialmente nos momentos em que tem simular medo ou raiva. Sem dúvida um mico total que deve ter jogado suas chances de virar astro para o lixo.

Não dá para entender como é que alguém investe seu dinheiro num produto que obviamente vai ser um fracasso, em todos os níveis. Será que ninguém leu o roteiro antes? Fuja!

Cotação: *

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Retrato do Brasil desnuda "juízo medieval" da AP 470


Vídeo produzido pela revista Retrato do Brasil, do respeitado jornalista Raimundo Rodrigues Pereira, desmonta acusações feitas pelo relator Joaquim Barbosa a determinados dos réus da Ação Penal 470; segundo ele, algumas condenações, como a de João Paulo Cunha, teriam sido armadas pelo atual presidente do Supremo Tribunal Federal com "mentiras escandalosas"; vídeo é apresentado pelo escritor e jornalista Fernando Morais
 
Um vídeo didático, de 27 minutos e 26 segundos, acaba de ser postado no YouTube e traz revelações surpreendentes sobre a Ação Penal 470, que tratou do chamado "mensalão". Produzido pelos jornalistas Raimundo Rodrigues Pereira e Lia Imanishi, editores da revista Retrato do Brasil, e apresentado pelo escritor Fernando Morais, o vídeo acusa o presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, de ter armado as condenações de alguns réus com "mentiras escandalosas".
 
Uma delas, por exemplo, seria a que ancorou a condenação do deputado João Paulo Cunha (PT-SP). Numa das sessões do julgamento, Barbosa afirmou que a contratação da agência de publicidade DNA pela Câmara dos Deputados, à época presidida por João Paulo Cunha, teria sido reprovada por várias instâncias de controle. Raimundo Pereira e Lia Imanishi demonstram o contrário.
 
Em outro capítulo do vídeo, os jornalistas desmontam a tese do "desvio de recursos públicos" por meio da Visanet. Raimundo demonstra que os gastos autorizados pelo Banco do Brasil foram efetivamente pagos e que um dos maiores beneficiários da campanha foi justamente a Globo, que moveu dura campanha contra os réus no que chamou de "julgamento do século".
 
O vídeo foi publicado no YouTube com o título "Mensalão, AP 470, julgamento medieval". Curiosamente no mesmo dia em que o jurista Claudio Lembo, um dos mais notórios conservadores do País, também definiu o processo como um "juízo medieval".
 
Assista abaixo e forme seu próprio julgamento: 

Governo Bigardi começa a reurbanização do São Camilo

A grande novidade é que toda a comunidade do São Camilo está participando e ajudando no processo de reurbanização, algo que jamais aconteceria nos governos do PSDB.
Prefeito Bigardi e superintendente da Caixa assinam o contrato
O início da solução de um problema histórico na cidade começa a sair do papel. A Prefeitura de Jundiaí assinou nesta sexta-feira (20), com a Caixa Econômica Federal, o contrato para a construção de 400 moradias no Jardim São Camilo. O prazo para o início da construção é de até 90 dias e a obra deve ficar pronta em até 18 meses. “É o início da reurbanização do Jardim São Camilo, esperada pelos moradores há 30 anos”, comemorou o prefeito Pedro Bigardi.
A cerimônia de assinatura contou com a presença do superintendente da Caixa Econômica Federal (CEF), Henrique Parra Parra, além de grande parte do secretariado municipal e de vereadores. O prefeito destacou o empenho das equipes da Fundação Municipal de Ação Social (Fumas) e da Caixa, que possibilitou que o contrato fosse aprovado em tempo recorde. A Prefeitura fez o chamamento para as construtoras interessadas em julho deste ano e, em dois meses, o projeto foi aprovado e assinado.
“Percebemos uma sintonia, um excelente diálogo entre a Fumas e a Caixa. Tudo isso está proporcionando os resultados de hoje e de muitos outros que virão”, destacou Henrique Parra Parra.


O Jardim São Camilo hoje
Para o prefeito Pedro Bigardi, esse é um passo importante para o projeto de reurbanização do bairro. “É uma vitória e quem ganha é a população mais carente. Estamos estudando outras áreas no entorno para continuar a reurbanização”, afirmou o prefeito.
“Estamos vivendo o dia a dia da comunidade nestes últimos meses. Este projeto está sendo desenvolvido respeitando as moradias que já existem. A gente está separando o que precisa ser removido daquilo que tem condições de ser mantido, porque existem ali também moradias consolidadas”, disse.

Parceria
A diretora de Habitação da Fumas, Tatiana Reis Pimenta, explicou que as 400 moradias serão destinadas para assentar famílias do próprio bairro que hoje vivem em áreas de risco.
Segundo Tatiana, toda a comunidade do São Camilo está participando e ajudando no processo de reurbanização. “A gente consultou a população e os próprios moradores optaram por começar a reurbanização pela rua José Maria Whitacker, onde as famílias já estão sendo removidas e o córrego será canalizado. Foram eles também quem escolheram o local da construção, na avenida Giustiniano Borin.”
Infraestrutura 
Além dos recursos para a construção das moradias, o prefeito também anunciou que já foi feito um pedido no Ministério das Cidades para obras de infraestrutura no bairro. São R$ 15 milhões de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e mais R$ 2 milhões de contrapartida da Prefeitura, totalizando R$ 17 milhões.

domingo, 22 de setembro de 2013

Dirceu foi condenado sem provas, diz Ives Gandra


A entrevista do jurista Ives Gandra Martins à jornalista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, cairá como uma bomba no meio jurídico. Um dos mais respeitados e consistentes juristas do País, Gandra Martins afirma que, em todo o acórdão da Ação Penal 470, não se encontra uma única prova contra o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. Ele afirma ainda que a condenação imposta a ele pelo Supremo Tribunal Federal atira o País num terreno de grande "insegurança jurídica", em que empresários e executivos poderão ser condenados pela teoria do "domínio do fato" – que não é aplicada nem na Alemanha.

A entrevista será o assunto mais comentado nos meios políticos e jurídicos nos próximos dias, mas, curiosamente, a Folha não deu sequer chamada de capa a ela, em sua edição dominical. Confira, abaixo, os pontos mais importantes do que Ives Gandra Martins, que é também um dos mais notórios conservadores do País, disse a Mônica Bergamo (a entrevista completa pode ser lida aqui):

O domínio do fato
Você tem pessoas que trabalham com você. Uma delas comete um crime e o atribui a você. E você não sabe de nada. Não há nenhuma prova senão o depoimento dela – e basta um só depoimento. Como você é a chefe dela, pela teoria do domínio do fato, está condenada, você deveria saber. Todos os executivos brasileiros correm agora esse risco. É uma insegurança jurídica monumental. Como um velho advogado, com 56 anos de advocacia, isso me preocupa. A teoria que sempre prevaleceu no Supremo foi a do "in dubio pro reo" [a dúvida favorece o réu].

Dirceu, condenado sem provas
O domínio do fato é novidade absoluta no Supremo. Nunca houve essa teoria. Foi inventada, tiraram de um autor alemão, mas também na Alemanha ela não é aplicada. E foi com base nela que condenaram José Dirceu como chefe de quadrilha [do mensalão]. Aliás, pela teoria do domínio do fato, o maior beneficiário era o presidente Lula, o que vale dizer que se trouxe a teoria pela metade.

Embargos infringentes
Eu me dou bem com o Zé, apesar de termos divergido sempre e muito. Não há provas contra ele. Nos embargos infringentes, o Dirceu dificilmente vai ser condenado pelo crime de quadrilha.

A pressão da mídia
O ministro Marco Aurélio [Mello] deu a entender, no voto dele [contra os embargos infringentes], que houve essa pressão. Mas o próprio Marco Aurélio nunca deu atenção à mídia. O [ministro] Gilmar Mendes nunca deu atenção à mídia, sempre votou como quis. Eles estão preocupados, na verdade, com a reação da sociedade. Nesse caso se discute pela primeira vez no Brasil, em profundidade, se os políticos desonestos devem ou não ser punidos. O fato de ter juntado 40 réus e se transformado num caso político tornou o julgamento paradigmático: vamos ou não entrar em uma nova era? E o Supremo sentiu o peso da decisão. Tudo isso influenciou para a adoção da teoria do domínio do fato.

Julgamento político
Pode ter alguma conotação política. Aliás o Marco Aurélio deu bem essa conotação. E o Gilmar também. Disse que esse é um caso que abala a estrutura da política. Os tribunais do mundo inteiro são cortes políticas também, no sentido de manter a estabilidade das instituições. A função da Suprema Corte é menos fazer justiça e mais dar essa estabilidade. Todos os ministros têm suas posições, políticas inclusive.

A postura de Ricardo Lewandowski
Ele ficou exatamente no direito e foi sacrificado por isso na população. Mas foi mantendo a postura, com tranquilidade e integridade. Na comunidade jurídica, continua bem visto, como um homem com a coragem de ter enfrentado tudo sozinho.

A postura de Joaquim Barbosa
É extremamente culto. No tribunal, é duro e às vezes indelicado com os colegas. Até o governo Lula, os ministros tinham debates duros, mas extremamente respeitosos. Agora, não. Mudou um pouco o estilo. Houve uma mudança de perfil.

Os choques entre poderes
A tradição, por exemplo, de nunca invadir as competências [de outro poder] não existe mais. O STF virou um legislador ativo. Pelo artigo 49, inciso 11, da Constituição, Congresso pode anular decisões do Supremo. E, se houver um conflito entre os poderes, o Congresso pode chamar as Forças Armadas. É um risco que tem que ser evitado. Pela tradição, num julgamento como o do mensalão, eles julgariam em função do "in dubio pro reo". Pode ser que reflua e que o Supremo volte a ser como era antigamente. É possível que, para outros [julgamentos], voltem a adotar a teoria do "in dubio pro reo".

Insegurança jurídica 
A teoria do domínio do fato traz insegurança para todo mundo.

Não é?


sábado, 21 de setembro de 2013

Veja também se atira na cova que ela própria cavou


 Assim como seus colunistas, a revista se juntou ao cortejo fúnebre de parte da imprensa brasileira, após a decisão do ministro Celso de Mello, que garantiu a alguns réus a primeira oportunidade de apelação na Ação Penal 470; na visão da Abril, que está de luto, a Justiça morreu e se curvou aos poderosos; internamente, Eurípedes Alcântara, editor da revista, dá um chilique contra a decisão do decano e afirma que ele "poderia ter poupado a inteligência das pessoas" ao dizer que juiz não cede a chantagens da mídia; na verdade, quem não teve a mínima inteligência foi Veja, ao fazer uma capa, na semana passada, que emparedava o decano e ameaçava até crucificá-lo se ele não obedecesse a revista
 
Ricardo Setti, Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Rodrigo Constantino... um a um, os colunistas de Veja.com foram se juntando, na última quarta-feira, ao enterro simbólico promovido na Marginal Pinheiros, sede da Editora Abril, após a decisão do ministro Celso de Mello, que garantiu a alguns réus da Ação Penal 470 a primeira oportunidade de apelação. Na práticas, tais colunistas se atiraram nas covas que eles próprios cavaram.
 
Neste fim de semana, quem se juntou ao cortejo foi a própria Veja. A revista circula de luto, com a imagem da Justiça curvada e a data de seu obituário. Segundo Veja, o 18 de setembro de 2013 é a data da morte da Justiça no Brasil.
 
Internamente, o editorial "A Justiça falhou", do diretor Eurípedes Alcântara, pode ser definido como um chilique de uma criança mimada. O decano, afinal, mostrou independência e não sucumbiu à chantagem promovida por Veja uma semana antes, quando a revista ameaçava crucificá-lo, caso ele não votasse em linha com os interesses políticos da revista – que, repita-se, são políticos e nada têm a ver com o conceito de Justiça.
 
Nesta semana, Eurípedes passa recibo. "O ministro Celso de Mello poderia ter poupado a inteligência das pessoas ao insistir que o Supremo Tribunal Federal (STF) não pode ceder ao 'clamor popular' ou à 'pressão das multidões'. Claro que não pode. Tanto não pode que isso não precisa ser declarado". 

Na verdade, o diretor de Veja ficou incomodado com a aula magna do decano, proferida na STF, que teve como um dos capítulos principais a mensagem dirigida à mídia que tenta pautar e dirigir as decisões de uma suprema corte.
 
O 18 de setembro de 2013, na verdade, jamais será lembrado como a morte da Justiça no País. Não há um advogado, procurador, juiz ou estudante de direito que pensem de tal maneira.
 
A data poderá ser lembrada, talvez, como o obituário da própria Veja, que, tal qual seus colunistas, também se jogou na cova que ela própria cavou.

 

A coisa tá preta pro nosso lado!


sexta-feira, 20 de setembro de 2013

Programa "Mais Médicos" é aprovado por 70,38% dos brasileiros

quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Vem aí!


“Só educação e fiscalização podem diminuir os acidentes de trânsito”

O secretário de Transportes, Dinei Pasqualini
37% dos acidentes fatais no trânsito ocorrem por avanço de sinal vermelho. Esse é um dos principais motivos que levaram a Prefeitura de Jundiaí a instalar 34 equipamentos de controle de conversões irregulares e avanços de sinal vermelho em diversos pontos da cidade.
 
A medida tem provocado polêmica entre os jundiaienses. Muitos reclamam que se trata de uma “indústria da multa” e que o poder público deveria investir em campanhas educacionais.
 
O secretário de Transportes, Dinei Pasqualini, defende a instalação dos equipamentos de controle e lembra que eles são resultado de um processo de licitação executado no governo anterior, em 2012.
 
Todavia, explica Pasqualini, os equipamentos não foram instalados antes porque a secretaria de Transportes concluiu que haveria necessidade de reestudar a localização desses equipamentos. “Além disso, eles só serão ligados no início de novembro após o término da semana do Trânsito e da campanha educativa que vai esclarecer a população sobre os motivos da instalação dos equipamentos”, enfatiza.
 
Não se trata de “indústria da multa”, garante o secretário. “Todo o dinheiro arrecadado com as infrações vai para uma conta especial que só pode ser usada para investimentos em educação, fiscalização ou segurança e é auditada pelo Tribunal de Contas do Estado”, explica.
 
Para o secretário, só um processo conjunto de educação e de fiscalização rigorosa vai poder diminuir as estatísticas que mostram que 95% dos acidentes viários são uma combinação de irresponsabilidade e imperícia. “O trânsito mata mais que assaltos. De cada 10 leitos de UTI, 4 são de origem em acidentes de trânsito. No ano passado, mais de 30 pessoas perderam a vida no trânsito na área urbana de Jundiaí e queremos diminuir significativamente esse número”, alerta.
 
Segundo Pasqualini, os equipamentos de fiscalização funcionarão das 6 às 22 horas. Em locais de maior perigo de assalto, eles poderão ser desligados mais cedo, as 21 ou até 20 horas.
 
Para tornar as ruas menos perigosas é fundamental reduzir a velocidade. “Esta é uma das ações que têm dado mais resultados na luta contra os acidentes de trânsito”, afirmou o superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP), Luiz Carlos Néspoli (Branco), durante a abertura da Semana Nacional de Trânsito e do lançamento do Programa de Humanização do Trânsito (PHT), da Secretaria Municipal de Transportes, com a campanha “Não Brinque no Trânsito”. O objetivo do programa é a educação e conscientização dos motoristas, por meio de palestras e campanhas educativas.
 
Estatísticas preocupantes
Os dados apresentados por Branco preocupam. O Brasil, relatou ele, está no topo da lista dos países com maior número de mortes no trânsito, com 23,4 mortes por 100 mil habitantes. Para se ter ideia, o Reino Unido tem 3,1 mortes por 100 habitantes. “Vivemos uma epidemia. É uma situação que exige providências urgentes”, alertou. E Jundiaí segue a tendência do País, com 22,2 mortes por 100 habitantes.
 
Apesar dos problemas, Branco mostrou algumas ações que têm mostrado bons resultados, como a redução da velocidade máxima permitida nas vias e a lei seca. Estudos comprovam que diminuir 10 km/h no limite de velocidade reduz 38% a taxa de acidentes. Em São Paulo, exemplificou Branco, depois que a Prefeitura reduziu a velocidade na avenida 23 de Maio, o número de acidentes caiu 28%. 

“Cidades que criaram programas com apoio de organizações não governamentais também estão tendo sucesso.” A palavra-chave, segundo ele, é “gestão”. “Envolve vontade política, organização, método e continuidade, que deve ultrapassar as gestões de governos.”

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

FODA-SE A PSEUDO-ÉTICA PEQUENO BURGUESA!

Sinceramente, eu fico pasmo de ver gente inteligente e com acesso a tudo que há de bom e melhor no mundo ainda acreditando nessa farsa chamada "mensalão". 

Qualquer pessoa minimamente bem informada sabe que isso aí não passou de um caso de "caixa 2" e de compra de apoio dos partidos de aluguel, sem qualquer desvio de dinheiro público.

Sim, TODOS fazem isso no Brasil. TODOS. Sabem por quê? Porque se não fizer isso NÃO GANHA ELEIÇÃO. Simples assim. 

Aí vão dizer: "Ah, mas o PT sempre pregou a ética na política, então não poderia ter feito isso". Pois eu digo: "Foda-se a pseudo-ética pequeno-burguesa! 

Imoral pra mim é ver crianças morrendo de fome ou pedindo dinheiro em semáforos! É ver gente morando em favelas bebendo água de esgoto! 

O PT, graças ao Zé Dirceu (por isso o ódio mortal que a direita tem dele), entrou no jogo para ganhar e FEZ O QUE DEVIA SER FEITO para eleger Lula. O resto é história: os governos Lula e Dilma tiraram 35 MILHÕES DE BRASILEIROS DA MISÉRIA! Nem vou citar todas as outras coisas boas que vieram com o PT no poder, senão vou ter que encher essa página até o fim.

Enquanto o PT se deixava prender pela pseudo-ética pequeno burguesa, a mesma que pregam os patéticos do PSOL e PSTU (a esquerda que a direita adora), não ganhava a presidência e a direita deitava e rolava enquanto ria da "ingenuidade" dos petistas.

Por isso repito em alto e bom som para quem quiser ouvir: FODA-SE A PSEUDO-ÉTICA PEQUENO BURGUESA, dessa gente que faz bravatas contra a corrupção, mas vive sonegando impostos, subornando policiais, comprando DVDs piratas, explorando trabalho semi-escravo, baixando música de forma ilegal pela internet, tratando a esposa como a “santa do lar” enquanto realiza suas fantasias em puteiros e saunas gay ou dando golpe do baú em velhos ricos enquanto vai para o motel com seu personal trainner...  

Essa gente que acha que "pobre é tudo vagabundo", que "preto é tudo ladrão", que "bandido bom é bandido morto", que é "contra o aborto" mas acha que governo "não tem que dar bolsa esmola pra vagabundo" (mesmo sabendo que o Bolsa Família reduziu a mortalidade infantil no Brasil em 17%), que dizem "para os amigos tudo, para os inimigos a lei" e outras coisas impublicáveis, mas que todos nós já os ouvimos dizer em alto e bom som. 

E digo mais: FODAM-SE TODOS HIPÓCRITAS E FALSOS MORALISTAS DE PLANTÃO que vivem praticando atos corruptos no dia a dia enquanto posam de vestais da ética! E tenho dito. 

E mando mais um recado aos hipócritas de plantão: quem realmente quer acabar (ou pelo menos diminuir consideravelmente) com a corrupção na política tem que NECESSARIAMENTE apoiar uma reforma política que acabe com o financiamento privado de campanhas, que é a porta de entrada da corrupção em um sistema feito pela e para a corrupção. 

Caso contrário, é apenas bravata sem consequência, como foram os protestos dos coxinhas.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Ódio irracional

O ódio irracional ao PT e à esquerda transforma pessoas aparentemente normais em verdadeiros monstros.


Vestiu?


Orgulho de ser PT

Continuo do lado das pessoas que sonham e trabalham por uma sociedade mais justa e por um Brasil com Mais Médicos, Mais Professores, Mais Dentistas, Mais Segurança, Mais Renda para todos os brasileiros

- por Lula Miranda

Numa das primeiras visitas que fiz à casa da minha primeira mulher, quando ainda éramos namorados, lá pelo começo da década de 1990, vi, com agradável surpresa, estampada na porta do seu guarda-roupa uma frase que me impactou: “Orgulho de ser PT”.

Fiquei impressionado e até comovido com aquilo. Apesar de ter ajudado a fundar o PT em meu Estado e de já ter militado, com ardor quase fanático, nesse partido e no PCdoB, nunca tivera motivo para me orgulhar de muita coisa na minha vida, tampouco o de ser um “soldado” do PT, e via ali, diante de mim, o exemplo de uma mulher que tinha orgulho de militar no partido dos trabalhadores e, mais que isso, de fazer disso uma espécie de bandeira ou de filosofia de vida.

Depois, fiquei sabendo mais tarde, seu pai, professor e diretor de escola pública do Estado de SP, também era petista; sua mãe, funcionária do Banco do Brasil, idem. Portanto, aquela família, que me acolhia naquele instante, era uma família de petistas. Senti-me acolhido; senti-me confortável; “em casa”, pois.

Conheci muitos petistas ao longo da minha vida, ao longo da minha trajetória como militante das causas sociais e sindicalista; centenas deles. E todos que conheci pessoalmente eram pessoas dignas, de moral ilibada e que dedicavam as suas vidas à batalha pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária. Muitas vezes, inclusive, abriam mão de suas próprias carreiras profissionais e do convívio com a família.

Foi em meio a pessoas assim que vivi toda a minha juventude até os dias de hoje, já na idade madura. Curiosamente, já se passaram décadas e não mudei de lado; continuo do mesmo lado. Ou seja: DoLaDoDeCá [alusão ao blog do Mello].

Continuo do lado das pessoas que sonham e trabalham por uma sociedade mais justa e por um Brasil com Mais Médicos, Mais Professores, Mais Dentistas, Mais Segurança, Mais Renda para todos os brasileiros.

Ao meu lado, assim como provavelmente ao seu, caro leitor, estiveram nomes como Luiz Gushiken, José Olívio e Carlos Ramiro (o “Carlão” da CUT e da APEOESP) – só para citar alguns poucos nomes, dentre tantos, inúmeros, de valorosos companheiros, já falecidos, que dedicaram a sua vida a essa “semeadura utópica”, e com os quais tive a honra de conviver e militar.

Ao meu lado, assim como provavelmente ao seu lado, estimado leitor, estavam [e ainda estão] nomes como José Dirceu, José Genoíno, Delúbio Soares e João Paulo Cunha.

Ao meu lado, assim como provavelmente ao seu lado, prezado leitor, estão nomes como Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff.
  
Esses são nomes do PT.

Sim, pois são nomes de brasileiros como esses, associados a milhões de abnegados e anônimos militantes petistas e dos demais partidos de esquerda, que estão pouco a pouco transformando esse país numa grande Nação.

Sim, e se você, não exatamente por acaso, diga-se, está entre esses milhões de brasileiros, estufe o peito, bata do lado do coração e diga com galhardia: Eu tenho orgulho de ser PT! Eu tenho orgulho de ser de esquerda! Pois você está ajudando a mudar o seu país.


sexta-feira, 13 de setembro de 2013

Morre, aos 63, o grande Luiz Gushiken


Acaba de falecer, em São Paulo, o ex-ministro Luiz Gushiken. "Gushiken, você vive eternamente e permanentemente em nossos corações. Seu exemplo de vida, coragem e luta estará sempre presente, principalmente nesses momentos difíceis em que a gente vive. Quero abraçar seus familiares, seus amigos, seus companheiros e companheiras, e gritar: Gushiken vive!", postou José Genoino, em sua página no Facebook.
Leia ainda, abaixo, texto de Paulo Nogueira, diretor do Diário do Centro do Mundo, sobre uma das principais lideranças do PT, escrito poucos dias antes de sua morte:
O que os anos recentes de um dos grandes líderes sindicais das décadas de 1970 e 1980 contam sobre o Brasil de hoje.
Montaigne escreveu que o tamanho do homem se mede na atitude diante da morte, e citava como exemplos Sócrates e Sêneca.
Os dois morreram serenamente consolando os que os amavam. Sócrates foi obrigado a tomar cicuta por um tribunal de Atenas e Sêneca a cortar os pulsos por ordem de Nero.
Meu pai jamais se queixou em sua agonia, e penso sempre em Montaigne quando me lembro de sua coragem diante da morte, confortando-nos a todos.
Me veio isso ontem à mente ao ler no twitter a notícia de Luís Gushiken morrera aos 63 anos. Depois desmentiram, mas ficou claro que ele vive seus dias finais num quarto do Sírio Libanês, com um câncer inexpugnável.
Soube que ele mesmo se ministra a morfina para enfrentar a dor nos momentos em que ela é insuportável, e para evitar assim a sedação.
Li também que ele recebe, serenamente, amigos com os quais fala do passado e discute o presente.
A força na doença demonstrada por Gushiken é a maior demonstração de grandeza moral segundo a lógica de Montaigne, que compartilho.
Não o conheci pessoalmente, mas é um nome forte em minha memória jornalística. Nos anos 1980, bancário do Banespa, ele foi um dos sindicalistas que fizeram história no Brasil ao lado de personagens como Lula, no ABC.
Eu trabalhava na Veja, então, e como jovem repórter acompanhei a luta épica dos trabalhadores para recuperar parte do muito que lhes havia sido subtraído na ditadura militar.
Os militares haviam simplesmente proibido e reprimido brutalmente greves, a maior arma dos trabalhadores na defesa de seus salários e de sua dignidade. Dessa proibição resultou um Brasil abjetamente iníquo, o paraíso do 1%.
Fui, da Veja, para o jornalismo de negócios, na Exame, e me afastei do mundo político em que habitava Gushiken.
Ele acabaria fundando o PT, e teria papel proeminente no primeiro governo Lula, depois de coordenar sua campanha vitoriosa.
Acabaria se afastando do governo no fragor das denúncias do Mensalão. E é exatamente esta parte da vida de Gushiken que me parece particularmente instrutiva para entender o Brasil moderno.
Gushiken foi arrolado entre os 40 incriminados do Mensalão. O número, sabe-se hoje, foi cuidadosamente montado para que se pudesse fazer alusões a Ali Babá e os 40 ladrões.
Gushiken foi submetido a todas as acusações possíveis, e os que o conhecem dizem o quanto isso contribuiu para o câncer que o está matando.
Mas logo se comprovou que não havia nada que pudesse comprometê-lo, por mais que desejassem. Ainda assim, Gushiken só foi declarado inocente formalmente pelo STF depois de muito tempo, bem mais que o justo e o necessário, segundo especialistas.
Num site da comunidade japonesa, li um artigo de um jornalista que dizia, como um samurai, que Gushiken enfim tivera sua “dignidade devolvida”.
Acho bonito, e isso evoca a alma japonesa e sua relação peculiar com a decência, mas discordo em que alguém possa roubar a dignidade de um homem digno com qualquer tipo de patifaria, como ocorreu. A indignidade estava em quem o acusou falsamente e em quem prolongou o sofrimento jurídico e pessoal de Gushiken.
O episódio conta muito sobre a justiça brasileira, e sobre, especificamente, o processo do Mensalão. A história há de permitir um julgamento mais calmo, e tenho para mim que o papel do Supremo será visto como uma página de ignomínia.
Gushiken não foi atropelado apenas pela justiça. Veio, com ela, a mídia e, com a mídia, o massacre que conhecemos.
Um caso é exemplar.
Uma nota da seção Radar, da Veja, acusou Gushiken de ter pagado com dinheiro público um jantar com um interlocutor que saiu por mais de 3 000 reais. A nota descia a detalhes nos vinhos e nos charutos “cubanos”.
Gushiken processou a revista. Ele forneceu evidências – a começar pela nota e por testemunho de um garçom – de que a conta era na verdade um décimo da alegada, que o vinho fora levado de casa, e os charutos eram brasileiros.
Mais uma vez, uma demora enorme na justiça, graças a chicanas jurídicas da Abril.
Em junho passado, Gushiken enfim venceu a causa. A justiça condenou a Veja a pagar uma indenização de 20  mil reais.
O tamanho miserável da indenização se vê pelo seguinte: é uma fração de uma página de publicidade da Veja. Multas dessa dimensão não coíbem, antes estimulam, leviandades de empresas jornalísticas que faturam na casa dos bilhões.
Não vou entrar no mérito dos leitores enganado, que construíram um perfil imaginário de Gushiken com base em informações como aquela do Radar. Também eles deveriam ser indenizados, a rigor.
Gushiken enfrentou, na vida, a ditadura, as lutas sindicais por seus pares modestos, a justiça e a mídia predadora.
Combateu — ainda combate — o bom combate.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Rede Globo e o apoio à ditadura

Em editorial, publicado no dia 31 de agosto, o jornal da família Marinho, O Globo, reconheceu que foi um erro ter apoiado o golpe militar de 1964, como o fizeram também todos os grandes jornais do país.
Seriam sinais de novos tempos na Globo? Nem o mais ingênuo dos mortais acredita nessa possibilidade.
O apoio ao golpe militar não foi um ato isolado. Ela apoiou, incondicionalmente, os 20 anos de ditadura em nosso país. Em dezembro de 1968, renovou seu apoio ao governo ditatorial, tornando-se conivente com o Ato Institucional número 5 (AI-5). As prisões políticas, os exílios, casos de torturas e assassinatos de militantes políticos não mereceram uma linha de repúdio ao governo militar, nos noticiários da família Marinho.
Apoiou a ditadura militar e dela se beneficiou. Armando Falcão, um dos ministros da Justiça da ditadura militar, se referia ao dono da Globo, Roberto Marinho, como o “mais fiel e constante aliado”. Desse conluio com a ditadura, nasceu o império que monopoliza as comunicações no país e abarrotou os cofres da família Marinha com uma fortuna de R$52 bilhões de reais.
Fortuna que tem na sua origem na aquisição, fraudulenta, da antiga TV Paulista pela quantia Cr$ 60.396,00 (sessenta mil, trezentos e noventa e seis cruzeiros), equivalente à época a US$ 35,00 (trinta e cinco dólares).
Não faltam provas sobre falsificação de documentos e outras ilegalidades cometidas por Roberto Marinho para se apoderar da TV Paulista, fato exitoso por causa do conluio que mantinha com o governo da ditadura militar.
Os descendentes da família proprietária da Rádio Televisão Paulista S/A e dos 670 acionistas que foram lesados por Roberto Marinho movem um processo contra a Globo, que se encontra no STF e tem como relator o ministro Celso de Mello. Mas ao contrário da energia que demonstra para atacar o ex-ministro petista José Dirceu, o decano da corte não apresenta nenhuma pressa para julgar o recurso dos que foram lesados pela família Marinho.
A mesma postura, de silêncio conivente, foi adotada com as ditaduras militares que espalharam pelo continente latino-americano nas décadas de 1960 e 1970. E se repetiu, com indisfarçável simpatia, nos golpes de Estado que depuseram presidentes de repúblicas, democraticamente eleitos pelo voto popular, como o do Jean-Bertrand Aristide (Haiti), em 1991, Manuel Zelaya (Honduras), em 2009 e Fernando Lugo (Paraguai), no ano passado. Está no DNA da Globo apoiar governos reacionários, golpistas e antidemocráticos.
Seu reacionarismo continuou em evidência quando, em 1984, o povo brasileiro foi às ruas para exigir eleições diretas para o cargo de Presidente da República. Somente mudou de postura quando o grito das ruas — “o povo não é bobo, abaixo a rede globo” — tornou-se ensurdecedor. 
Dois anos antes, em 1982, envolveu-se com a empresa Proconsult, associada a antigos colaboradores do regime militar, na tentativa de impedir a vitoria eleitoral de Leonel Brizola ao governo do Rio de Janeiro. Na eleição de 1989, notabilizou-se pela edição manipulada dos seus noticiários, responsável pela vitória eleitoral de Fernando Collor de Melo. Em 2010, foi bizarra a encenação de uma bolinha de papel na testa do candidato José Serra, numa vã tentativa de provocar a derrota da candidata Dilma Roussef. Há de se admitir que a Rede Globo conseguiu cavar um lugar próprio e cativo nos processos eleitorais do país.
Da mesma forma, quando for contado a história da atuação do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento da Ação Penal 470, o chamado mensalão petista, a Rede Globo terá um lugar de destaque superior a muitos juízes integrantes da Corte.
Desde que o STF aceitou a denúncia, porque “julgou com uma faca no pescoço”, nas palavras de um dos seus integrantes, tornou-se evidente os seus esforços para que o resultado do julgamento fosse o que atendesse a seus interesses políticos. Concessão de prêmios para ex-juízes do STF, silêncio conivente sobre possíveis crimes cometidos por membros e pessoas próximas aos que vestem as togas, ofertas de empregos para parentes de atuais integrantes da Corte, espaços fartos em noticiários e reportagens favoráveis aos que votam e se posicionam como seus colunistas escrevem, são apenas os indícios mais visíveis da fina sintonia do que acontece na AP 470 com os desejos dos que monopolizam a comunicação no país.
Juízes teleguiados, escreveram alguns jornalistas independentes, juízes que assumiram papéis de justiceiros, escreveram outros. Não faltaram os que se notabilizaram por memoráveis afirmativas tais como: a verdade é uma quimera ou não há provas mas a literatura jurídica me permite condená-lo. Tudo para não contradizer o script de um resultado pré-determinado pela mão de quem segura a faca no pescoço.
Com este histórico de uma origem nascida com a ditadura militar e sobre negócios fraudulentos, de ataques aos processos de eleições democráticas, de criminalização dos movimentos sociais e sindicais e de tentativas de subordinar os Poderes do Estado aos seus interesses, só resta à Rede Globo promover, anualmente, a campanha “Criança Esperança” para tentar limpar sua própria imagem. Busca fazer caridade com o dinheiro que arrecada das outras empresas e de doações individuais. Enquanto ela mesma sonega uma quantia superior a R$1 bilhão de reais, em impostos devidos a Receita Federal. Tudo a ver com a Rede Globo.

Golpe no Chile: economia e política

A tomada do Palácio de la Moneda pelas armas e a aproximação das elites conservadoras locais com os EUA permitiram que a sociedade chilena se transformasse numa espécie de laboratório de experiências do neoliberalismo, antes mesmo do termo ser cunhado e ter seu uso generalizado. 


- Por Paulo Kliass*


A evolução histórica experimentada pelo Chile ao longo das décadas 60 e 70 do século passado guarda uma profunda ligação com o movimento mais geral que atravessou a América Latina naquele período. A experiência chilena se desenrola em meio às proposições mais gerais de projetos nacionais de desenvolvimento, tal como elaboradas sob a influência dos pensadores e dirigentes políticos próximos à Comissão Econômica para a América da Latina e Caribe (CEPAL), da ONU.


Em meio a tantos personagens envolvidos com esse processo, há que se destacar a importância da contribuição exercida pela ação e pela obra do brasileiro Celso Furtado e do argentino Raul Prebisch. Eles figuram dentre os principais formuladores e divulgadores das teses que fundamentavam as políticas de substituição de importações e de articulação de projetos nacionais de desenvolvimento, em razão das dificuldades estruturais que estariam na base da relação entre os chamados países do “centro” e os da “periferia”. A superação dos entraves estruturais ao desenvolvimento autônomo passaria, portanto, pela constituição e pelo fortalecimento dos mercados internos e pela montagem de redes de infraestrutura independentes do capital estrangeiro.

O Chile foi, com toda a certeza, o país da América do Sul que tentou levar esse projeto mais à frente. O processo foi lento, desde os tempos em que o democrata-cristão Eduardo Frei exerceu a Presidência da República. Em 1964 ele disputou com Salvador Allende e sua vitória contou com o apoio explícito da CIA e do governo dos Estados Unidos. Apesar da tendência direitista de seu partido, ele iniciou alguns projetos inovadores, como a tímida reforma agrária, os primeiros passos para a nacionalização da exploração do cobre. Mas as expectativas da população quanto ao aprofundamento do programa mudancista se concretizaram na vitória da coalização da Unidade Popular em setembro de 1970, com Salvador Allende na cabeça de chapa.

Do pós 2ª Guerra à vitória de Allende
No período que se seguiu ao final da Segunda Guerra, o Chile também buscou completar o ciclo da industrialização, a exemplo de Brasil, Argentina e outros países da região. Mas a força do setor primário exportador ainda era muito presente no interior da sociedade e fazia valer seus interesses, em especial a exploração de minérios – com destaque para o cobre. As tentativas de constituição de pólos industriais nacionais encontravam barreiras de natureza diversa, incluindo o baixo dinamismo do mercado interno. A concentração de renda elevada e o baixo nível dos salários impediam a alavancagem de um projeto autônomo. Além disso, a economia chilena apresentava uma taxa de inflação cronicamente elevada, com média superior aos 30% anuais entre as décadas de 1950 e 1970. Por outro lado, o crescimento da economia tampouco exibia índices interessantes, uma vez que o PIB crescia a uma média de 3% ao ano.

A vitória de Allende abre o espaço para implementação de uma política econômica mais autêntica e progressista. Ao identificar os problemas estruturais que impediam o verdadeiro desenvolvimento social e econômico do país, o governo da esquerda lança as bases para operar a transição para um regime mais justo e menos desigual. O programa previa o aprofundamento da reforma agrária, a nacionalização do setor de minérios (cobre, ferro e salitre), a estatização do setor financeiro, a nacionalização de ramos da infraestrutura (telecomunicações à frente), a imposição de tarifas mais elevadas sobre as importações e a recuperação da massa salarial. Esse conjunto seria complementado por uma política fiscal expansionista, de modo a assegurar as despesas necessárias em infraestrutura. Porém, houve a subestimação dos riscos potenciais que poderiam ser apresentados pela continuidade da inflação. O diagnóstico de que ela se tratava de um simples problema de oferta fez com que a preocupação dos formuladores de política econômica fosse apenas a de ampliar a capacidade produtiva.

As medidas foram sendo tomadas pelo novo governo e a tensão política conheceu graus bastante elevados. Como nenhum dos candidatos houvesse alcançado mais de 50% dos votos, a posse de Allende contou com o apoio dos parlamentares da democracia cristã no interior do Congresso Nacional. As pressões exercidas pelo “establishment” comandado por Washington somaram-se aos interesses das elites locais, que passaram a radicalizar a luta política com viés reacionário e buscavam o apoio dos setores de classe média para o projeto golpista. Cada vez mais a estratégia da chantagem e do boicote econômicos ganha espaço, na tentativa de isolar o governo e limitar o seu apoio no interior da sociedade. Os ganhos salariais obtidos ao longo do triênio foram em parte corroídos pela inflação, que por sua vez era alimentada pela política de elevação de preços praticada pelos empresários.

A estratégia catastrofista e a sabotagem norte-americana
A famosa greve dos caminhoneiros em 1972 simbolizou a estratégia golpista. Trata-se de um setor típico da pequena burguesia e que comandava um ramo essencial para a dinâmica da economia – a rede de distribuição de bens. O fantasma do desabastecimento era chamado todo o instante. A radicalização da política por falta de produtos básicos se generaliza, com a tentativa de criar um clima de pânico e responsabilizar o governo de esquerda pelo suposto “caos”. A estratégia precisava buscar o apoio político dos setores médios, com o objetivo de minimizar as eventuais resistências à tomada do poder pela força, como se propunha abertamente. Por outro lado, essa conjuntura termina por estimular a chamada “economia paralela”, com alto grau de informalidade, ausência de controle público sobre preços e o não recolhimento de tributos sobre a atividade produtiva e comercial. O Estado ficava com menos recursos para executar a política orçamentária.

O apoio e articulação do governo norte-americano ao golpe de 11 de setembro tinham como objetivos principais: i) impedir o sucesso da via chilena e democrática ao socialismo; e ii) apoiar os interesses comerciais dos EUA no Chile. Porém, a identidade construída entre os militares golpistas e setores hegemônicos da inteligência ianque propiciou a aproximação também no plano ideológico. E foi assim que se costurou a participação, no interior das equipes dos governos dos militares, dos indivíduos mais destacados de uma geração que ficou conhecida internacionalmente como os “Chicago boys”. Tudo se tornou possível graças a um convênio que havia entre a PUC chilena e a Universidade de Chicago nos EUA. Desde meados da década de 50, os alunos saíam de Santiago para fazer doutorado em economia, naquele que era considerado como um dos principais centros de formação do pensamento monetarista e conservador do planeta. Ali era professor de destaque o direitista e liberal Milton Friedman, que ficou com a marca de “pai do pensamento neoliberal”.

A tomada do Palácio de la Moneda pelas armas e a aproximação das elites conservadoras locais com os EUA permitiram que a sociedade chilena se transformasse numa espécie de laboratório de experiências do neoliberalismo, antes mesmo do termo ser cunhado e ter seu uso generalizado. A política econômica dos governos a partir de 1973 foi formulada tendo por base os pressupostos do liberalismo mais radical. E para isso contava com a colaboração direta e estreita dos meninos de Chicago. Tanto assim que vários deles passaram a ocupar posições de destaque no governo dos militares, a exemplo da presidência do Banco Central, das cadeiras de Ministro da Economia e Ministro da Fazenda, dentre tantos outros cargos estratégicos da alta administração pública.

A ditadura e o laboratório nas mãos dos “Chicago boys”
O programa era uma verdadeira “contra-revolução”, um desmonte dos avanços que haviam sido realizados pelo governo da Unidade Popular. A base para todas as medidas do retrocesso era a tentativa de recuperar a chamada “liberdade de mercado”, bem como a eliminação de toda e qualquer presença do Estado na economia. A liberalização mais evidente começou no plano das relações internacionais, com a política de redução gradual e contínua das tarifas de importação, além de outras restrições às compras de produtos do exterior. Os liberais acusavam os governos anteriores de transformarem o Chile em uma ilha autárquica e, por isso, resolveram abrir a economia para o resto do mundo. Por outro lado, a taxa de câmbio desvalorizada permitia ganhos expressivos para o setor exportador e aprofundava ainda mais a redução real dos salários.

A liberalização da economia chilena contemplou também a privatização de empresas estatais ou que haviam sido nacionalizadas. Assim, setores estratégicos e áreas importantes foram oferecidos ao setor privado, a exemplo da infraestrutura, mineração e outros. Além disso, os serviços públicos oferecidos pelo Estado passaram por processo de mercantilização, sendo que o caso mais expressivo foi a privatização da própria previdência social pública.

A marca neoliberal atingiu também a questão fundiária, com uma profunda alteração nas prioridades do governo ditatorial. A política de reforma agrária foi abandonada e a prioridade passou a se concentrar no atendimento das necessidades das grandes propriedades agrícolas. Outra reforma importante foi a do setor bancário e do sistema financeiro. A abertura da conta de capitais permitiu o afluxo de recursos externos e a dinamização de um novo mercado, com a entrada de bancos internacionais e a sofisticação das operações nos mercados de capitais e financeiro.

Arrocho salarial e esgotamento do modelo
As questões associadas ao chamado “mercado de mão de obra” foram resolvidas de forma bem menos livre e democrática. Nesse caso, o Estado foi chamado a intervir de forma mais incisiva, “manu militari” mesmo. As exigências do capital em relação à força de trabalho foram “resolvidas” à custa de prisão, exílio e assassinato de suas principais lideranças e da transformação da atividade sindical em caso de segurança nacional e de polícia. Com isso, todas as conquistas obtidas no período anterior foram praticamente anuladas e o processo de concentração da renda e de acirramento das desigualdades sócio-econômicas voltaram a se fazer presentes na sociedade chilena. Dessa forma, a variável “preço do trabalho” foi reduzida para atender aos interesses do empresariado.

As dificuldades derivadas da questão fiscal e do balanço de pagamentos foram solucionadas por meio da ajuda econômica e financeira do governo norte-americano. O déficit público elevado e os resultados negativos nas contas externas foram atenuados pela ação cooperativa vinda de Washington, que conferia à relação diplomática e comercial com Santiago um “status” diferenciado. As exportações foram asseguradas e as linhas de financiamento para as importações contavam com apoio dos EUA.

Esse quadro de controle político-social por meio da ditadura feroz e de apoio econômico do grande irmão do norte permitiu que o governo dirigido por Pinochet atravessasse uma década sem muita turbulência. A experiência neoliberal contava com a força das baionetas para evitar críticas ou a manifestação de descontentamentos. Porém, a crise internacional no começo dos anos 80 terminou por chegar também ao espaço chileno. E as dificuldades advindas do setor externo marcaram o fim da “tranqüilidade” para a condução da política econômica conservadora.

(*) Doutor em economia pela Universidade de Paris 10 (Nanterre) e integrante da carreira de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental, do governo federal.
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