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quarta-feira, 31 de março de 2010

A estupidez humana não tem limites: ¾ da população vendo Big Brother?

- por Eduardo Guimarães

Custei a acreditar nestes olhos cansados que a terra há de comer ao ler no Twitter que simplesmente ¾ da população brasileira passaram a noite de ontem grudados aos seus televisores assistindo à final do Big Brother Brasil.

Não saberia descrever precisamente o que senti naquele momento. Poderia ser revolta, mas acho que foi tristeza.

Parcela tão significativa do povo jogando algumas horas de sua vida fora, unida em uma torcida inexplicável por uma cretinice completa, para que algum daqueles seres absolutamente inúteis como exemplos de qualquer coisa enriquecesse sem fazer força.

Um povo tão carente de cultura deveria estar recebendo informações e entretenimentos que estimulassem a evolução intelectual e elevassem o espírito, mas se vê tão assolado pela mediocridade midiática que até dentro daquele jogo patético acabou fracassando.

O único integrante daquele programa que conheci, tendo sido por força das cretinices homofóbicas que proferiu sobre formas de transmissão da Aids, venceu uma votação que congregou espantosos cento e cinqüenta milhões de brasileiros, segundo a Globo.

Aliás, pensando bem, faz sentido. Quem melhor representaria o espírito daquela atração deprimente? Faz bastante sentido. O que não faz sentido nenhum é quase uma nação inteira parar para ver aquilo. Isso é muito triste.

Brizola Neto: Lula, Galileu e a elite que não digeriu o sapo barbudo

O que assistimos hoje, em boa parte da mídia conservadora, assemelha-se ao discurso moralista – e falso – da UDN e ao fundamentalismo moralista e religioso da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Hoje ela teria outra sigla, onde só a propriedade ficaria, trocando a tradição e a familia pela “modernidade” e o “capital”.

- por Brizola Neto (http://www.tijolaco.com/?p=10885)

Eu cresci numa época em que era muito difícil perceber onde estava a direita brasileira. Tirando os personagens folclóricos, todo mundo se dizia centro-esquerda. Vejam vocês, até o PSDB tinha esta “Social-Democracia” no nome.
Tudo se diluía na “geléia” da modernidade.

Os tempos eram outros, “a história tinha terminado”, na frase célebre daquele tal Francis Fukuyama, a quem a história, felizmente, já esqueceu.
Vivíamos o mundo do neoliberalismo. Defender a importância do Estado era antiquado, “jurássico”.

Não havia mais diferença entre nacional ou estrangeiro, público ou privado, e a palavra “social” foi substituída por uma vaga idéia de “inclusão”, que viria, com o tempo, do “politicamente correto”, da “responsabilidade social” e da “eficiência” e dos “ganhos de produtividade”.

A resistência ao império destas idéias era, além de antiquada, tachada de obtusa, quase uma cegueira ideológica: chata, ranzinza, desinteressante.

Os políticos que as defendiam tinham dois caminhos: ceder à ideologia dominante ou verem, progressivamente, suas lideranças definharem.

Para sobreviver, era preciso mostrar-se “adaptado” e “respeitoso” com as “leis do mercado”, que substituíam o ser humano como valor supremo.

A Carta aos Brasileiros de Lula não foi um pouco isso?

Nos tempos da Inquisição, o matemático e astrônomo Galileu Galilei para evitar a morte na fogueira teve de proclamar a um tribunal que a Terra, e não o Sol, era o centro do Universo conhecido e era fixa no espaço, tal – como dizia a Igreja – Deus a teria criado . Mas diz a lenda que, ao sair do julgamento, teria sussurrado: contudo, ela se move.

E a Terra se moveu. Aceito pelas elites, Lula pôde chegar ao Governo, embora para chegar – e para ficar – tivesse de fazer muitas concessões e- por que não confessar? – decepcionado muitos de nós que esperávamos mudanças mais radicais e velozes.

Porém se, de um lado, Lula tinha certa razão ao pretender “comer o mingau pelas beiradas”, de outro isso lhe custou um certo desgaste político. Teve, para fugir do dilúvio, como Noé e Getúlio, de embarcar uma fauna heterogênea e até bizarra na arca de sua aliança.

Mas hove algo diferente do que costuma acontecer. Lula refinou-se, é verdade. Ele próprio o reconhece, brincando, numa fala muito engraçada:

“Gente, eu estou aqui falando da nova era que tem início hoje , falando de uma transcendência incomensurável”. “Vocês estão acreditando que estou dizendo isso? Nem eu estou crendo em mim mesmo. Agora pouco falei concomitantemente, daqui a pouco vou falar en passant e ainda nem usei o sine qua non. Para quem tomou posse falando menas laranja tá bom demais”

A própria brincadeira mostra que esse refinamento não lhe deformou as origens e a ligação atávica com o povo brasileiro.

Como naquela frase que Brizola disse antes de dar seu apoio a Lula em 1989, não foi “uma maravilha ver nossas elites tendo que engolir um sapo barbudo?”

Sim, engoliram-no. Mas não o digeriram no suco gástrico de seus salões como fizeram a Fernando Henrique, que se acreditou príncipe.

Ontem à noite eu fiquei escrevendo e pensando nisso.

Quando falei do tal “Comando Marrom”, estava pensando não especificamente nesta ou naquela pessoa. Mas no traço comum do discurso virulento que vem assumindo, totalmente desprovido de laços com a realidade.

A toda hora estou lendo nos jornais frases sobre “cubanização” do Brasil, “chavismo” de Lula, atentados à “liberdade de expressão”, às instituições e à democracia. Pelo simples de receber o presidente do Irã, quase que o associam a um “terrorismo islâmico”.

Faça a si mesmo uma pergunta: em que você está sendo coagido? Você conhece alguém que esteja sendo coagido em sua liberdade pelo Governo? Alguém foi demitido, perseguido, preso? Evidente que não.

Mas nossos jornais – e logo as televisões, escreva – assumem um discurso furibundo, falando em ameaças, em perigos à democracia. Porque democracia, para eles, é o seu governo, o governo dos seus grupos, não um governo que, se ainda não é do povo, está do lado do povo. Como na histórica frase de Getúlio, em 50: “hoje estais com o Governo, amanhã sereis governo”, o Governo Lula, por ser uma mudança de rumos, é o início de um novo caminho.

Nada os deixa mais apavorados do que a possibilidade de L ula ser sucedido por Dilma, que domina as ferramentas ideológicas e a compreensão histórica das lutas sociais do povo brasileiro, embora não tenha o carisma e a identidade carnal que Lula mantém com elas. Temem que, por isso, ela possa aprofundar as mudanças que Lula, no seu empirismo e sensibilidade política, soube encaminhar e iniciar.

É esta a ideia que deixa a direita em polvorosa. Na verdade, essa é a razão da histeria que origina estes espasmos que se assemelham ao discurso das forças que prepararam a derrubada de João Goulart no pré-64. Embora ele não fosse, pessoalmente, acusado de “comunista”, seu governo era “comunizante”. Ele, “populista”, “demagogo”.

Jango era, dizem-me todos, um homem avesso a conflitos, mas impregnado do espirito de justiça que marca o trabalhismo. O que assistimos hoje, em boa parte da mídia conservadora, assemelha-se ao discurso moralista – e falso – da UDN e ao fundamentalismo moralista e religioso da TFP (Tradição, Família e Propriedade). Hoje ela teria outra sigla, onde só a propriedade ficaria, trocando a tradição e a familia pela “modernidade” e o “capital”.

Substituindo Deus pelo Mercado, quem sabe não estarão logo organizando uma Marcha?

terça-feira, 30 de março de 2010

Charges: Porque é preciso manter o bom humor sempre











A Gestapo de Zé Serra em ação: "Policial embarcou em ônibus de professores em Osasco"

Aos poucos a verdade sobre a foto famosa da manifestação dos professores vai se revelando. Mas ainda há muitas perguntas sem respostas. Por exemplo, qual era a missão dele na assembleia dos professores? Levantar informações sobre o andamento do movimento? Fazer provocação? Ou o quê? A mando de quem? Qual a intenção? Criminalizar a Apeoesp?

- por Conceição Lemes, no Vio o Mundo

Isabel Azevedo Noronha, presidente do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) recebeu nesta segunda-feira, logo cedo, uma ligação de um colega da subsede de Osasco: “Aquele rapaz que socorreu a policial é um professor daqui da cidade. Nós vamos encontrá-lo, para esclarecer tudo isso”.

Diretores de subsede da Apeoesp de Osasco passaram a manhã e a tarde investigando. Lembravam-se de tê-lo visto em Osasco em meio aos professores. Conferiram listas dos que vieram para a assembleia da sexta-feira, 26 de março, no Palácio dos Bandeirantes. Conversaram com muitos colegas.

No começo desta noite descobriram que o suposto professor é um policial militar do serviço reservado (ou secreto) da Polícia Militar paulista. É um P2, como são chamados.

A caráter para não levantar suspeitas (garotão barbado, jeans, mochila nas costas), o jovem policial infiltrado embarcou no ônibus dos professores de Osasco, como se fosse um deles. Daí o pessoal da subsede de Osasco ter achado inicialmente ele que era um colega.

A descoberta da Apeoesp derruba três versões oficiais da PM paulista.

A primeira, no sábado, a Terra Magazine, de que o PM não-identificado “era um dos policiais da região, que estavam empenhados na operação” .

As outras duas são de hoje. Ao Viomundo, disse que o policial militar à paisana “estava no local”. A Terra Magazine, informou que ele estava “passando” pela manifestação.

Aos poucos a verdade sobre a foto famosa da manifestação dos professores vai se revelando. Mas ainda há muitas perguntas sem respostas. Por exemplo, qual era a missão dele na assembleia dos professores? Levantar informações sobre o andamento do movimento? Fazer provocação? Ou o quê? A mando de quem? Qual a intenção? Criminalizar a Apeoesp?

“A partir dessa noite uma das hipóteses que passamos a considerar é a de armação para sensibilizar a sociedade e jogá-la contra os professores”, lamenta a presidente da Apeoesp. “A figura da policial feminina, frágil, indefesa atacada por nós, professores, uns bárbaros. Curiosamente o capacete dela está direitinho. A roupa alinhada, como se tivesse saído da lavanderia. Para quem levou uma paulada, como disse a PM, é estranho. Os dois muito arrumadinhos, ajeitadinhos…Esquisito demais. ”

“O fato é que seremos mais rigorosos na fiscalização de quem entra nos nossos ônibus ”, cogita Isabel Noronha. “Talvez passemos a exigir o holerit, para ter certeza de que aquela pessoa é professora mesmo e essa história não se repita.”

segunda-feira, 29 de março de 2010

Rindo da nossa cara: PM de Serra diz que policial à paisana estava apenas "passando por lá"!

A matéria abaixo, recém colocada no ar pelo Terra Magazine revela que o comando da Polícia Militar de São Paulo, sob as ordens do governador José Serra, do PSDB, não nutre a mais pálida consideração pela inteligência alheia.

- por Leandro Fortes

A matéria abaixo, recém colocada no ar pelo Terra Magazine revela que o comando da Polícia Militar de São Paulo, sob as ordens do governador José Serra, do PSDB, não nutre a mais pálida consideração pela inteligência alheia. A nova versão de que o sujeito barbado flagrado pelo fotógrafo Clayton de Souza, da Agência Estado, seria um policial militar que estava “passando” pela maifestação é um acinte, para se dizer o mínimo. Esse tipo de coisa, aliás, é uma das mais nefastas heranças da ditadura militar dentro da PM. O desprezo total pelo bom senso e pela lógica em nome do cumprimento irrestrito de uma ordem, ainda que uma ordem espúria. Lembra, de muitas formas, o desastre do Riocentro.

Então, a PM de São Paulo quer combinar o seguinte:

Fulano, esse jovem da foto, policial militar de folga há muitos dias (daí a barba), mortificado pelo tédio, aproveitou o dia livre para tomar um pouco de ar e se viu, vejam só, bem no lugar onde colegas enviados pelo governador desciam pauladas e gás pimenta em professores em greve. Também por obra do destino, ele estava bem perto de uma colega de farda (mas esta, de fato, fardada) que levou uma paulada no rosto. Depois, foi o que todo mundo viu: um herói anônimo que chegou a ser tomado por um manifestante, inclusive por este blogueiro, por conta do primeiro despacho feito a respeito pela Agência Estado. A PM, contudo, apressou-se em dizer que a jovem policial havia sido resgatada por um outro PM, não identificado. Incrível, sabiam que era um PM, mas não eram capaz de identificá-lo. Devem ter deduzido pela barba.

Foi um tiro no pé. Agora, o comando da PM, para manter no anonimato um provável infiltrado, demora três dias para bolar essa sensacional versão de que o nosso herói barbado estava ali de passagem. É mais trágico do que cômico.

Abaixo, a ótima matéria do Terra Magazine, revista eletrônica sob a batuta de Bob Fernandes. A certa altura, a assessoria de imprensa se sai com essa: “ O comandante falou que era pra gente informar só isso, mesmo”.

Não é demais?

PM: Policial à paisana que socorreu colega estava “passando”

Carolina Oms, especial para Terra Magazine

A Polícia Militar de São Paulo mudou de versão nesta segunda e disse a Terra Magazine que o policial militar à paisana que socorreu sua colega ferida em manifestação dos professores da rede pública estadual, em São Paulo, “estava passando por lá”.

A informação, fornecida depois que Terra Magazine enviou à assessoria da PM um email solicitando esclarecimentos sobre a identidade e função do policial à paisana, contraria posicionamento anterior, de que o PM não-identificado “era um dos policiais da região, que estavam empenhados na operação”.

A assessoria da PM justificou a falta de informações de duas maneiras:
- Não vamos dar mais informações sobre o policial porque ele mesmo não quer ser identificado.

E, diante dos questionamentos sobre a barba do PM, incomum em policiais militares, exceto os do Serviço Reservado, limitou-se a declarar:

- O comandante falou que era pra gente informar só isso, mesmo.

Na última sexta, 26, professores da rede estadual paulista entraram em confronto com a polícia durante uma manifestação realizada nos arredores do Palácio Bandeirantes, sede do governo paulista. De acordo com a PM, os manifestantes teriam jogado pedras contra a PM, que revidou com a Tropa de Choque.

Uma PM foi ferida por uma paulada no rosto – segundo nota oficial da Polícia Militar publicada dia 29 -, durante manifestação dos professores em São Paulo e foi socorrida por um policial militar à paisana. A informação é da mesma nota oficial da PM.

Qual é o cúmulo do nojo? As capas das revistas do PiG

domingo, 28 de março de 2010

Herança da ditadura militar: Serra manda policiais à paisana para tumultuar protesto!

O blog Os Amigos do Presidente Lula traz uma denúncia gravíssima hoje: a de que o ditador... digo, governador de São Paulo José Serra, do PSDB, mandou a PM infiltrar policiais à paisana no protesto dos professores por melhores salários com o objetivo de provocar tumulto e, assim, gerar a desculpa para os ataques da PM! Pior é que o fato é confirmado involuntariamente pela própria PM que, em nota oficial, afirma que não é um estudante que carrega a policial ferida, mas sim "um policial à paisana" (veja reprodução da nota acima).

Como todo mundo sabe, essa é uma tática velha, usada muito durante a ditadura cívico-militar que durou 21 anos e praticamente acabou com o nosso país a partir de 1964.

Vejam esse trecho da denúncia: O Professor de Filosofia de Jundiaí, Fernando Ribeiro, presenciou quando um dos muitos policiais infiltrados pelo governo na manifestação “tentava atear fogo em um veículo, buscando incriminar os manifestantes”. Com o policial à paisana identificado, professores e estudantes saíram à caça do marginal que buscou refúgio entre os policiais militares. “Tentaram colocar fogo no carro para culpar o protesto. Como agiram com muita força, numa ação desproporcional, queriam uma justificativa”.

Leiam essa grave denúncia neste link.



José Serra, do PSDB: Um inimigo da democracia e da classe trabalhadora

Escrevo estas linhas em meio a telefonemas de denúncias sobre presos e torturados pela Polícia Militar de José Serra na manifestação desta sexta-feira (26) nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. Denúncias de grotescas armações realizadas por policiais que se passaram por manifestantes, abafadas para dar lugar ao assumimento da candidatura a presidente do governador do Estado mais rico e que paga o Pior Salário Do Brasil para o funcionalismo público.

- Texto: Leonardo Severo*

Também escrevo com dor, intensa, devido às queimaduras nos dois braços e mãos provocadas pelos sprays químicos, covardemente atirados pelos policiais militares sobre quem fotografava de perto, documentando próximo demais para quem tudo quer encobrir. Depois, a versão oficial ganha as tintas da verdade nos jornalões e informação mercadoria cobre as emissoras de rádio e televisão.

Gás pimenta contra jornalistas

Antes de dar continuidade, cito o saudoso conterrâneo Apparício Torelli, mais conhecido como o Barão de Itararé, que daria boas risadas do cenário montado por José Serra nos meios de comunicação. Uma mídia que até para ser venal podia ter algum limite. Vendo o quão tosca foi a cobertura, quão partidarizada e ideologizada em favor do escárnio dos educadores, não há como fazer chacota deste tipo de “jornalismo”.

Dizia o Barão: “Um bom jornalista é um sujeito que esvazia totalmente a cabeça para o dono do jornal encher nababescamente a barriga” e que “a televisão é a maior maravilha da ciência a serviço da imbecilidade humana”..

Vamos aos fatos:

Foi montada uma barreira impedindo o deslocamento de dezenas de milhares de professores em greve que, enfrentando a chuva e os inúmeros bloqueios da Polícia Militar, conseguiram chegar até a avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi.

O comando da paralisação, que Serra diz ser de 1%, até o dia de hoje não havia conseguido sequer ser recebido pelo governo. Nesta sexta uma comissão foi recepcionada finalmente no Palácio, mas o mesmo governo que alega não haver greve, diz que só iria negociar com a volta à aula dos grevistas.

Naquele mesmo instante, sob ordens do governador que já havia fugido da cidade, pessoas vestidas com a farda da Polícia Militar abriram fogo contra manifestantes que queriam respaldar a negociação, mas foram recebidos com golpes de cassetetes, balas de borracha e bombas de efeito “moral”. Tinham que ficar no seu lugar. Ali era local reservado a autoridades e bacanas. Os professores não eram nenhum dos dois.

Diante do impasse e da decisão do governo tucano de manter o arrocho salarial – os professores acumulam perdas de 34,3% -, da continuação do escárnio da política de bônus, provinhas e provões, sem qualquer Plano de Carreira, com as salas superlotadas, com os laboratórios e bibliotecas caindo aos pedaços, com o fechamento de turnos e escolas, a greve continua. E nova assembleia foi convocada para a próxima quarta-feira, dia 31 de março.

Só truculência

Com as costas perfuradas por duas balas de borracha, Thiago Leme, professor de biologia da Escola Estadual Metalúrgico, em São Bernardo do Campo, relatou: “Não espero absolutamente nada deste governo, somente que saia o mais rápido possível. Somos uma categoria profissional digna e deveríamos ser tratados como seres humanos. Infelizmente, a imprensa é parte deste sistema corrupto e vamos ter amanhã as versões dos fatos que eles inventarem sobre hoje”.

Com as duas pernas sangrando, atingidas por bombas de efeito moral, Sílvio Prado, professor de História de Taubaté, desabafou: “Deste governo a gente não pode mais esperar nada, só truculência”.

Sindicalista, Policial Civil, Jeferson Fernando foi confundido com um professor, mantido preso e espancado por cerca de três horas e levado ao 34ª DP de Francisco Morato. Com a roupa rasgada e acompanhado por dirigentes do Sindicato, Jeferson foi até a Corregedoria denunciar os inumeráveis abusos dos quais foi vítima.

Professor de Filosofia em Jundiaí, Fernando Ribeiro presenciou quando um dos muitos policiais infiltrados pelo governo na manifestação “tentava atear fogo em um veículo, buscando incriminar os manifestantes”. Com o policial à paisana identificado, professores e estudantes saíram à caça do marginal que buscou refúgio entre os policiais militares. “Tentaram colocar fogo no carro para culpar o protesto. Como agiram com muita força, numa ação desproporcional, queriam uma justificativa”.

Governo perdeu a cabeça

Coordenador da representação do funcionalismo público estadual e vice-presidente estadual da CUT, Carlos Ramiro de Castro (Carlão) foi atingido na testa por um estilhaço de uma das bombas lançadas a esmo pelos policiais. Tranquilo, Carlão foi categórico: “O governo perdeu a cabeça e está desesperado. A razão está do nosso lado, venceremos!”

A professora Maria Izabel (Bebel), presidente da Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Público Oficial do Estado de São Paulo), também denunciou os provocadores "infiltrados" pelo governo estadual para deslegitimar a manifestação pacífica e exortou a categoria a ampliar a mobilização e se fazer presente na próxima quarta-feira na Paulista. “Tentaram nos colocar de joelhos, mas estamos aqui, de cabeça erguida, exigindo o respeito que esta maravilhosa categoria merece”.

A presidenta da União Municipal dos Estudantes de São Paulo (UMES), Ana Letícia, sublinhou que “os professores nos enchem de orgulho pois estão enfrentando com garra e coragem a covardia e a mentira do desgoverno Serra. Contem conosco para seguir em frente na defesa da melhoria da qualidade do ensino público”.

De acordo com o deputado estadual Roberto Felício (PT), o simples fato das direções de escola terem sido instruídas pelo governo a não informarem sobre a paralisação é um forte indício do respaldo do movimento junto à categoria, “que está na linha de frente, pois não foge da luta”.

Sem freio

Conforme o deputado estadual Major Olímpio (PDT), liderança dos policiais militares, o que o governo estadual fez foi usar de toda a sua truculência e o seu aparato repressivo em vez de abrir negociação com os professores. “Os manifestantes vieram para dialogar, mas o governo tucano os recebeu como numa guerra”, frisou.

Para os incautos que ainda alimentavam alguma ilusão em relação ao caráter de José Serra, vale o comentário de um ex-amigo seu, Flávio Bierrenbach, ex-deputado e ministro do Superior Tribunal Militar: “Serra entrou pobre na Secretaria de Planejamento do Governo Montoro e saiu rico. Ele usa o poder de forma cruel, corrupta e prepotente. Poucos o conhecem. Engana muita gente. Prejudicou a muitos dos seus companheiros. Uma ambição sem limite. Uma sede de poder sem nenhum freio".

Agora, vamos freá-lo!

*Leonardo Severo, jornalista, é editor do Portal da CUT

sábado, 27 de março de 2010

Filmes: "A Ilha do Medo"

BESTEIRA DAS GRANDES

Se tivesse sido feito por qualquer outro diretor que não o ilustre Martin Scorsese, teria sido massacrado ou no mínimo ignorado, que é o que o filme merece

- por André Lux, crítico-spam

É incrível que um diretor do prestígio de Martin Scorsese tenha aceitado fazer um filme tão tolo e dispensável como esse “A Ilha do Medo”, que não se assume como terror e não se sustenta nem mesmo como filme de suspense policial. O mais estranho é que se tornou um sucesso de bilheteria, o maior na carreira do cineasta! Mas é muito barulho por nada.

A história começa com a chegada de dois agentes federais a um sanatório do governo localizado numa ilha isolada, onde são mantidos criminosos perigosos. Aparentemente, eles vem investigar a fuga de uma das internas, mas aos poucos a trama vai enveredando por caminhos tortuosos que vão ficando cada vez mais inconvincentes e delirantes. O filme também dá um monte de pistas falsas que desembocam num daqueles famigerados finais surpresas onde a revelação final, além de forçada, implode totalmente tudo que havíamos visto até então. É só você parar para pensar um minuto e vai perceber que não havia como tudo que foi mostrado antes ter acontecido da forma como aconteceu. É totalmente inviável, ridículo até.

Scorsese tenta compensar esse buraco negro com estilosos movimentos de câmera (sua marca registrada) e uma trilha sonora intrusiva e irritante composta apenas por músicas eruditas atonais de gente como Penderecki e Ligeti. Mas erra também ao deixar o elenco descontrolado, principalmente Leonardo DiCaprio e Ben Kingsley (como o psiquiatra chefe) que passam o filme todo à beira da caricatura. A edição também é ruim e deixa cenas se alongarem sem necessidade (como a do final, no lago).

Enfim, uma besteira das grandes que só recebe louvores dos profissionais da opinião por ter sido dirigido pelo ilustre Scorsese. Se tivesse sido feito por qualquer outro diretor, teria sido massacrado ou no mínimo ignorado, que é o que o filme merece.

Cotação: * 1/2

A truculência do PSDB em ação: O mundo bizarro de José Serra

- por Leandro Fortes

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor.

Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital.

É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível

sexta-feira, 26 de março de 2010

Outras verdades: O terrorismo midiático contra Cuba

- por Altamiro Borges, em seu blog

A “greve de fome” e a morte de Orlando Zapata desencadearam uma nova onda midiática contra Cuba. Jornalões decadentes e poderosas redes de televisão dos EUA e da Europa deflagraram a ofensiva e logo foram seguidos servilmente pelos barões da mídia colonizada do Brasil. Quase todos os dias, Estadão, Folha e Globo lotam páginas para satanizar o regime cubano, tentando fazer a cabeça dos tais “formadores de opinião”. Já as emissoras de televisão, em especial a TV Globo, massificam o terrorismo midiático para milhões de inocentes telespectadores.

A hipocrisia da mídia é repugnante. Ela tem o cinismo de transformar um deliquente comum em preso político. Zapata, o novo herói do imperialismo e da mídia, nunca sequer figurou na lista de “prisioneiros de consciência” do Conselho de Direitos Humanos da ONU, sempre tão rigoroso contra Cuba. Seus problemas com a justiça cubana eram antigos e sua folha corrida era imensa: “violação de domícilio” (1993), “lesões menos graves”, “furto”, “porte de arma branca”, “fratura do crânio de uma vítima com uso de machado” (2000) e “perturbação da ordem pública” (2002).

“Milagrosa metamorfose” de Zapata

Apesar dos crimes comuns, a justiça cubana ainda permitiu que Zapata fosse libertado sob fiança em março de 2003. Poucos meses depois, ele cometeria novos crimes, sendo detido e condenado a três anos de prisão. Mas a sentença foi dilatada devido à péssima conduta na cadeia. Foi neste período que o delinqüente comum foi abordado pela chamada “dissidência cubana”, financiada pelo Departamento de Estado dos EUA e pelas fundações de fachada da CIA.

Como relata o sociólogo Atílio Borón, “é neste marco que se produz sua milagrosa metamorfose: o meliante repetidamente encarcerado por cometer numerosos delitos comuns se converte em um ardente cidadão que decide consagrar sua vida à promoção da ‘liberdade’ e da ‘democracia’ em Cuba. Espertamente recrutado por setores da ‘dissidência política’ cubana, sempre desejosa de conta com um mártir em suas esquálidas fileiras, impulsionaram-o irresponsavelmente e com total desprezo pela sua pessoa a levar adiante uma greve de fome até o final”.

Mentiras sobre presos e torturados

A sua lamentável morte, ocorrida apesar dos esforços dos médicos cubanos para evitá-la, deu a senha para a nova ofensiva midiática contra a ilha rebelde. A desinformação é total. Fala-se em milhares de presos políticos e torturados em Cuba. Pura mentira. Até suspeitas ONGs de direitos humanos reconhecem que há “menos de 50 prisioneiros de consciência” no país – bem menos do que os 7.500 da Colômbia, que a mídia omite. Elas também nunca registraram casos de torturas em Cuba – a não ser na base militar dos EUA em Guantánamo, famosa por suas barbáries.

Além disso, a maioria dos “presos políticos cubanos” tem notórios vínculos com o imperialismo, recebe dólares da CIA e freqüenta assiduamente o Escritório de Interesses dos EUA em Havana. Em qualquer outro país, eles seriam condenados por alta traição. O Código Penal dos EUA, por exemplo, prevê pena de 20 anos para que proponha a derrubada do governo constitucional; de 10 anos de prisão para quem emita “falsas declarações com o objetivo de atentar contra os interesses da nação”; e de três anos para quem “mantenha relação com governos estrangeiros”.

O medo da revolução cubana

O veneno midiático contra Cuba, inclusive o destilado pela colonizada mídia nativa, tem vários motivos. Ela não tolera que esta ilha rebelde resista a 50 anos de criminiso bloqueio econômico, que já resultou em bilhões de prejuízos ao povo cubano. Ela não compreende porque mais de 640 tentativas de assassinato do líder da revolução, Fidel Castro, tenham falhado. Ela quer apagar os exemplos cubanos, que ainda animam as lutas de povos de vários países com as suas avançadas políticas sociais, sua heróica defesa da soberania nacional e sua solidariedade internacionalista.

Em síntese, como aponta Azaela Robles num didático artigo no sítio Rebelión, a mídia burguesa não aceita as conquistas da revolução cubana. “No autoproclamado ‘mundo livre’ (o mundo que sofre no sistema capitalista), a cada sete segundos uma criança de menos de dez anos morre de fome. Nenhuma delas é cubana. Segundo a FAO, 842 milhões de pessoas sofrem de desnutrição crônica. Nenhuma delas é cubana. No ‘mundo livre’, 200 milhões de crianças vivem e dormem nas ruas. Nehuma delas é cubana... Anualmente, quase dois milhões de jovens morrem no mundo somente por falta de água potável e saneameno básico. Nenhum morre em Cuba por esta causa”.

Manifesto “em defesa de Cuba”

Diante deste brutal terrorismo midiático, os movimentos sociais e as forças progressistas devem erguer a sua voz em defesa da soberania cubana e contra os novos intentos desastabilizadores do imperialismo. Como afirma o manifesto “Em defesa de Cuba”, assinado por intelectuais, artistas e lutadores sociais que integram a Rede Mundial em Defesa da Humanidade (RDH), é urgente se contrapor a esta nova ofensiva do imperialismo e de sua mídia venal.

“Pretender justificar a intromissão nos assuntos políticos internos do povo cubano manipulando midiaticamente o caso Orlando Zapata – deliquente comum e não um preso político – coincide com as políticas contra-insurgentes que se aplicam na América Latina para deter os processos de transformação emancipadora em curso na região... Ela se soma ao criminoso bloqueio imposto ao povo cubano pelo simples fato dele não aceitar imposições e defender o direito a decidir seu destino com dignidade e independência”, afirma o manifesto, que continua aberto às adesões.

Filmes: "A Estrada"

ASSUSTADOR

Filme mostra um futuro plausível que pode nem estar tão distante caso a humanidade continue em sua rota suicida

- por André Lux, crítico-spam

De todos os filmes sobre o fim do mundo que tem pipocado nos cinemas atualmente, esse “A Estrada” é o melhor, embora não seja um filme de ação no estilo “Mad Max 2”. Está mais para drama e suspense, questionando quais são os limites da humanidade quando se encontra numa situação desesperadora depois que a civilização como a conhecemos foi destruída (talvez por uma guerra nuclear, mas o filme faz questão de não deixar claro qual foi o cataclismo que acabou com o mundo).

Baseado na obra do escritor Cormac McCarthy (o mesmo de “Onde os Fracos Não Tem Vez”), “A Estrada” centra-se em dois personagens sem nome, um pai e seu filho, que a exemplo de outros filmes com temática parecida (“O Livro de Eli” e “Zombielândia”) rumam para o oeste passando por um sem número de perigos enquanto viajam pela terra devastada. Aqui, o maior terror é representado por humanos canibais, que patrulham as estradas e campos em busca de novas vítimas para saciar sua fome. Só que isso é mostrado com tintas extremamente realistas, sem exagero ou fantasia. Os canibais são pessoas normais e não zumbis mutantes, o que deixa tudo ainda mais assustador – principalmente na sequência em que os protagonistas entram inadvertidamente na casa onde reside um grupo deles. A cena no porão é de arrepiar!

Os pontos altos do filme são as interpretações da dupla principal. No papel do pai temos Viggo Mortensem que depois de brilhar em “O Senhor dos Anéis” está se tornando um ator cada vez melhor e mais sincero. E o jovem Kodi Smit-McPhee dá um show de verossimilhança como o filho, principalmente nas cenas mais dramáticas. A bela Charlize Theron aparece em alguns flashbacks como a esposa do protagonista cujo destino é bastante trágico.

Sem contar com grandes tomadas de efeitos especiais ou lições de moral idiotas (como acontece em “O Livro de Eli”), “A Estrada” aposta mais na exploração da intimidade dos personagens, que lutam para manter alguma humanidade e dignidade frente aos terríveis acontecimentos que enfrentam. O único ponto baixo do filme é mesmo o seu final, que não chega a convencer e destoa do resto da condução da trama. Mas fora isso, continua sendo um filme assustador que mostra um futuro bem plausível que pode nem estar assim tão distante caso a humanidade continue em sua atual rota suicida.

Cotação: * * * 1/2

quarta-feira, 24 de março de 2010

Recado do Lula: Não se acovardem diante da mídia

Filmes: "O Livro de Eli"

MAD MAX CRISTÃO

Os fanáticos fundamentalistas agora inventaram um novo gênero de tele-pregação: o filme de aventura com mensagem religiosa.

- por André Lux, crítico-spam

Se você achava que os fanáticos religiosos já tinham invadido todos os tipos de mídia para propagar sua ladainha infame, pense novamente. Agora eles inventaram o filme de aventura com fundo religioso. E esse “Livro de Eli” nada mais é do que isso. Pregação fundamentalista cristã do pior tipo, embalada num filme de ação que traz um protagonista que é uma espécie de “Mad Max Cristão” com habilidades de ninja (Denzel Washington, que também é produtor e, portanto, tem culpa no cartório).

Para levar a cabo sua mensagem fundamentalista, os realizadores inventaram uma história que é das mais idiotas que já vi. Num mundo pós-apocalíptico, um homem solitário anda pelo deserto em direção ao oeste porque ouviu uma “voz” mandando ele fazer isso. O misterioso andarilho, que decepa com um facão os vilões que de tempos em tempos tentam roubá-lo, leva em sua mochila o último exemplar da “bíblia sagrada”. Por azar, ele acaba passando por um vilarejo que reúne alguns sobreviventes da guerra que destruiu a civilização, cujo poderoso chefão local (um caricato Gary Oldman) quer porque quer arranjar uma... bíblia! O motivo: usar as palavras do poderoso livro cristão para manipular os corações e mentes das pessoas e, assim, conquistar mais poder!

É claro que o ninja incorruptível Denzel, representando aí a pureza dos fundamentalistas, não vai querer entregar sua bíblia ao vilão e, pronto, o resto você já pode imaginar. É tiro pra todo lado, com o protagonista desviando de balas, matando todo mundo e sendo perseguido pelas estradas do mundo detonado enquanto dispara frases edificantes da sua bíblia. O filme tem ainda um final “surpresa” que não acrescenta nada, mas serve para enganar os incautos que gostam desse tipo de reviravolta.

Pior que eu gosto muito de filmes ambientados em cenários pós-apocalípticos desde que assisti ao segundo “Mad Max” quando era adolescente. Por isso minha indignação é ainda maior quando pegam um gênero querido como esse e enfiam um monte de pregação religiosa no meio. Enfim, uma besteira total que só vai agradar quem já é convertido aos dogmas da seita religiosa que o filme defende. Obviamente não é meu caso.

Cotação: *

Akira Kurosawa: O gênio que levou o cinema japonês ao Ocidente

- Por André Cintra*

Há uma cena, logo no começo do filme Ran (1985), de Akira Kurosawa, em que um grupo de descendentes e súditos se encontra ao redor do poderoso daimiô Hidetora, chefe do clã dos Ichimonji, durante o período feudal no Japão. Não é uma reunião convencional. Aos 70 anos — sendo 50 deles dedicados à conquista de um vasto império de castelos e terras —, Hidetora resolve “sair de cena e dar as rédeas para mãos mais jovens”.

Mas, antes que o senhor feudal anunciasse sua decisão, alguém lhe pergunta se convém assar um javali recém-caçado. A resposta: “Ele era velho. Sua pele é dura, fedida, indigerível. Como eu, o velho Hidetora. Vocês me comeriam?".

Nascido há exatamente cem anos, Kurosawa, maior representante do chamado jidai-geki (filme histórico de samurai), "saiu de cena" em 1998, aos 88 anos. Vítima de um derrame cerebral, morreu sem saber se boa parte de seus compatriotas o engoliam. A muitos orientais, pouco importavam os 55 anos de carreira do diretor, os 32 filmes, inúmeros prêmios, a projeção que deu ao cinema japonês no exterior. Na visão de seus detratores, o diretor de Os Sete Samurais e Kagemusha era definido como um "cineasta de exportação" demasiadamente "ocidentalizado", que teria cometido o crime de renegar as tradições e os costumes japoneses.

A realidade é bem diferente. Nem na sua vida, tampouco na sua vasta obra, Kurosawa deu as costas para a cultura do seu país. Descendente de um clã de samurais, filho de um férreo administrador militar, ele nasceu em Tóquio no dia 23 de março de 1910. Recebeu forte influência do irmão Heigo — um benshi (narrador de filmes japoneses na época do cinema mudo) —, que o iniciou no cinema.

Em 1936, Kurosawa conseguiu emprego como terceiro assistente de direção na Photo Chemical Laboratories. Foi lá que começou a escrever roteiros para outros cineastas. Demonstrava aberta admiração pelo trabalho do americano John Ford em filmes como No Tempo das Diligências (1939) e As Vinhas da Ira (1940). As principais referências, literárias e cinematográficas, podiam até ser ocidentais. Mas Kurosawa, ao estrear na direção com o drama A Lenda do Grande Judô (1943), tratou de temas mais próximos a suas raízes — as artes marciais, a devoção à natureza, a descoberta paciente do amor.

Os militares, às voltas com a Segunda Guerra Mundial, abominaram o lirismo do longa-metragem e acusaram o diretor de renegar os sentimentos nacionais. As autoridades o obrigaram a aplicar uma espécie de autocensura. A derrota na guerra se avizinhava quando foi lançado o filme Os Homens que Pisaram na Cauda do Tigre (1945). É o primeiro jidai- geki de Kurosawa — que, se não foi o precursor, certamente o tornou o cineasta-chave para entender o gênero samurai.

O estigma de "o mais ocidental dos cineastas japoneses", atribuído pejorativamente a Kurosawa, tem início com esse ousado longa-metragem. Embora continuasse a tratar de temas contemporâneos, o diretor passou a ambientar suas histórias no Japão feudal. Os dilemas foram então avaliados através de valores tradicionais, especialmente a honra, a lealdade e o sacrifício, tão caros no universo samurai.

No ambiente do pós- guerra seus filmes ganharam acesso a festivais internacionais. Em 1950, o diretor surpreendeu ao sair do Festival de Veneza com o prêmio máximo — o Leão de Ouro — por Rashomon. O mundo do cinema passou a dar destaque para o cinema japonês, e Kurosawa foi convertido em celebridade.

"Foi ele [Kurosawa] quem melhor representou a aproximação entre seu país, o Japão, e o Ocidente, após a Segunda Guerra Mundial", escreveu o crítico Inácio Araújo, da Folha de S.Paulo. Nos anos 50, o Japão era conhecido apenas como uma nação exótica, que os filmes de guerra americanos representavam como pouco mais que um grupo de bárbaros fanáticos. Essa imagem preconceituosa do Japão foi completamente subvertida por Kurosawa a partir de Rashomon.

Remontando ao século 11, o longa conta a história de um controvertido julgamento. Numa floresta, a noiva de um samurai tem relações sexuais com o bandido Tajomaru. O samurai, logo em seguida, é encontrado morto, ali perto. O que ocorreu de fato? O bandido estuprou a mulher e depois assassinou o noivo dela? Ou o samurai se matou em nome da honra ao ver sua amada traí-lo? Na investigação, quatro pessoas são ouvidas — a noiva, o samurai (por mediunidade), o bandido e um lenhador. Os relatos se chocam. Em breves flashbacks, o filme mostra cada um dos pontos de vista e seus elementos contraditórios.

Rashomon foi o primeiro grande filme de Kurosawa — uma obra em que ele mostra que o limite das certezas é também o limite da justiça. Sua premissa narrativa e moral — uma história com múltiplas versões — irradia-se até os dias de hoje.

Em 1954, Kurosawa realizou sua obra-prima, Os Sete Samurais. O filme se baseia numa história verídica para contrapor honra e destino. Aldeões do século 16 estão ameaçados por bandidos que, sem piedade, ocupam o povoado e saqueiam as colheitas de arroz. O mestre Kambei é encarregado de contratar mais seis samurais para proteger o local.

O professor acadêmico e crítico americano Roger Ebert especula que em nenhum filme, antes de Os Sete Samurais, um grupo de personagens havia se reunido para executar certa missão. Não bastasse a originalidade, Kurosawa compôs um grupo heterogêneo, cujos membros têm personalidade e motivações diferentes — o samurai interpretado por Toshiro Mifune fez história.

O filme é um elogio a valores coletivos (solidariedade, disciplina), mas exalta a humanidade que cerca sentimentos pessoais como o medo e a covardia. Os Sete Samurais levou o Leão de Prata no Festival de Veneza e consagrou de vez Kurosawa — Hollywood fez uma versão em faroeste do filme, com o título Sete Homens e um Destino.

Se o faroeste era o gênero americano por excelência, Kurosawa transformou o jidai-geki no grande gênero japonês. Nada de caubóis, pradarias e longos duelos do Velho Oeste — elementos típicos do western. O diretor japonês iluminou o cinema de seu país com guerreiros samurais, aldeias medievais, xogunatos, lutas breves de lanças — a essência da arte do espadachim.

Está aí a principal razão para o reconhecimento e a fama de Kurosawa fora do Japão, acima de diretores como os também mestres Kenji Mizoguchi (1898-1956) e Yasujiro Ozu (1903-1963). De um lado, seus filmes apresentaram pontos de sintonia com a tradicional narrativa ocidental; de outro, o cineasta interpretou à sua maneira princípios universais — na arte e na sociedade —, atribuindo-lhes a riqueza dos valores tipicamente orientais.

Tais características estão claras em outros filmes de samurai de Kurosawa, como A Fortaleza Escondida (1958), Yojimbo, O Guarda-Costas (1961), e sua continuação, Sanjuro (1962). Desses três, Yojimbo é o mais bem-sucedido em termos de crítica e público. Seu enredo gira em torno de um samurai solitário e desempregado, que resolve lutar para dois grupos inimigos. No filme seguinte, Sanjuro é o nome do samurai que cede à corrupção. Dois personagens, dois estudos morais.

Para incômodo dos japoneses mais ortodoxos, a carreira de Kurosawa sempre dialogou com o Ocidente. Na década de 50, o diretor adaptou para a tela grande O Idiota, de Dostoievski, e Ralé, de Gorki. Em Trono Manchado de Sangue (1957), ambientou Macbeth, de Shakespeare, no Japão feudal, e tratou do samurai Taketori Washizu. Destinado a ser xogum e instigado pela ganância da esposa Asaji, esse anti- herói envereda por uma luta que leva à memorável cena final: Washizu, imperecível, não sucumbe nem quando seus antigos comandados o atingem com dezenas de flechas.

O universo shakespeariano e o desenlace trágico são retomados em Ran, uma adaptação livre de Rei Lear e da lenda japonesa de Móri. O filme mostra uma disputa de poder marcada por traições no seio de um clã. Kagemusha é outro ensaio de Kurosawa sobre o poder, ambientado nos tempos dos samurais. Próximo da morte, o xogum Shingen vê que seu clã está em processo de ruína e arma uma manobra: arranja um sósia para sucedê-lo em sigilo.

Com a morte do chefe militar, o sósia a subir ao trono é um ladrão que aceita o disfarce e depara com uma série de crises. O larápio, no entanto, aprende as artimanhas do clã e vira uma personificação fiel do líder morto. Por esse épico espetacular — estudo de como a manutenção do poder pode custar caro numa sociedade de hipocrisias e aparências —, o cineasta japonês amealhou vários prêmios internacionais, com destaque para a Palma de Ouro no Festival de Cannes.

Lembrar Kurosawa cem anos após seu nascimento — como faz a Cinemateca Brasileira, ao programar um ciclo gratuito de filmes do diretor — é prestar tributo a uma cinematografia única. Uma vez mais, espectadores poderão entender por que esse gigante das artes japonesas foi definido até pelo diretor americano Steven Spielberg como “o Shakespeare visual do nosso tempo”.

* Texto adaptado de um artigo do autor para a revista Japão, 500 Anos de História, 100 Anos de Imigração

sexta-feira, 19 de março de 2010

Caso Bancoop: Ministério Público desmente reportagem da Veja

A casa caiu! O jargão conhecido das rodas policiais deve estar sendo entoado neste momento no suntuoso prédio da editora Abril, em São Paulo, onde a revista Veja é produzida. Mas a expressão -- ao contrário do que costuma acontecer naquela redação -- não é dirigida a nenhum petista ou integrante do governo e sim à própria revista. Informações oficiais fornecidas hoje pelo Ministério Público Federal deixam claro que a revista mentiu aos seus leitores sobre o caso Bancoop.

Na edição do último final de semana, a revista foi categórica ao afirmar que o doleiro Lúcio Bolonha Funaro fez acusações incriminadoras contra o atual tesoureiro do PT, João Vaccari Neto, a quem a revista acusa de estar envolvido em casos de desvio de dinheiro da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop).

Veja abaixo um dos trechos da reportagem da Veja:

"A revelação do elo de João Vaccari com o escândalo que produziu um terremoto no governo federal está em uma série de depoimentos prestados pelo corretor Lúcio Bolonha Funaro, considerado um dos maiores especialistas em cometer fraudes financeiras do país. Em 2005, na iminência de ser denunciado como um dos réus do processo do mensalão, Funaro fez um acordo de delação premiada com a Procuradoria-Geral da República. Em troca de perdão judicial para seus crimes, o corretor entregou aos investigadores nomes, valores, datas e documentos bancários que incriminam, em especial, o deputado paulista Valdemar Costa Neto, do PR, réu no STF por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. Em um dos depoimentos, ao qual VEJA teve acesso, Lúcio Funaro também forneceu detalhes inéditos e devastadores da maneira como os petistas canalizavam dinheiro para o caixa clandestino do PT. Apresentou, inclusive, o nome do que pode vir a ser o 41º réu do processo que apura o mensalão - o tesoureiro João Vaccari Neto. "Ele (Vaccari) cobra 12% de comissão para o partido", disse o corretor em um relato gravado pelos procuradores. Em cinco depoimentos ao Ministério Público Federal que se seguiram, Funaro forneceu outras informações comprometedoras sobre o trabalho do tesoureiro encarregado de cuidar das finanças do PT."

Segundo o próprio Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP), é tudo mentira. O MPF informou nesta sexta-feira, em nota oficial, que o material que recebeu da Procuradoria-Geral da República (PGR) e que embasou a denúncia contra o doleiro Lúcio Bolonha Funaro por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro não faz nenhuma menção a João Vaccari Neto. O depoimento foi colhido em 2008 como parte do processo do mensalão.

Em nota, a procuradora Anamara Osório Silva, autora da denúncia oferecida em junho de 2008 e que levou à ação penal que tramita na Justiça contra Funaro e seu sócio, José Carlos Batista, esclareceu também que não pode confirmar se o depoimento concedido por Funaro em Brasília se deu por delação premiada.

"Tanto na documentação remetida pela PGR a São Paulo, que embasou a denúncia, quanto na própria acusação formal remetida à Justiça pelo MPF-SP, é necessário esclarecer, não há nenhuma menção ao ex-presidente da Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo (Bancoop) João Vaccari Neto", afirma o texto. "O MPF em São Paulo não pode confirmar se o depoimento de Funaro, concedido em Brasília, se deu sob o instituto da 'delação premiada'."

De acordo com a Procuradoria, os depoimentos de Funaro dão conta de que ele e Batista se utilizaram da empresa da Garanhuns Empreendimentos para dissimular a transferência de R$ 6,5 milhões da agência de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, ao antigo Partido Liberal (PL). "São sobre essas operações de lavagem de dinheiro que trata o processo, que tramita normalmente perante à 2ª Vara Federal. A última movimentação processual constante é de fevereiro de 2010", diz a nota.

De acordo com a PGR, o material referente aos depoimentos de Funaro foi encaminhado ao MPF-SP pelo então procurador geral da República Antonio Fernando de Souza.

"Essa é mais uma prova de que Veja mentiu novamente. O objetivo da revista é provocar uma guerra eleitoral visando desgatar o PT e assim prejudicar a campanha da companheira Dilma à Presidência da República", afirmou Francisco Campos, dirigente nacional do PT.

Dilma: mais um gope da oposição

Ainda nesta sexta-feira, a ministra-chefe Dilma Rousseff disse, em relação ao caso Bancoop , que a oposição está buscando ressuscitar a crise política vivida pelo governo federal em 2005 com o escândalo do mensalão a fim de influenciar o processo eleitoral deste ano, mas não será bem-sucedida.

"O pessoal está tentando, vamos dizer, trazer 2005 para a eleição de 2010, mas não acho que isso seja eficaz" disse Dilma a jornalistas antes de entrar para a reunião do Conselho de Administração da Petrobras.

Da redação,
Cláudio Gonzalez
com agências

Novo blog no ar: "Pitacos Genéricos"

Tem um novo blog no ar. É o "Pitacos Genéricos", do meu amigo Edgar Borges Júnior, também do PCdoB de Jundiaí.

Eu recomendo. Conheçam e adicionem aos seus favoritos.

Clique aqui para ir até o "Pitacos Genéricos".

quinta-feira, 18 de março de 2010

José Serra em campanha: Destruir, destruir, destruir. Eles só pensam em destruir

José Serra conta com a cobertura da grande mídia para evitar perguntas incômodas, recorrendo à truculência particular contra aqueles que identifica como “inimigos”: ações judiciais, calúnia, difamação, boatos e rumores. Isso vale contra qualquer um que se coloque no caminho de Serra.

- por Luiz Carlos Azenha (http://www.viomundo.com.br)

José Serra quer destruir o Viomundo. Pretende fazê-lo, como sempre, recorrendo ao esgoto. Não, não é o esgoto que a Sabesp, a empresa encarregada de promover Serra em todo o Brasil, joga nos rios de São Paulo. Sim, senhores e senhoras. A Sabesp, “empresa de saúde”, pega o esgoto das casas e atira nos rios. Mas o esgoto a que Serra recorre é o de sempre: um exército de difamadores e caluniadores anônimos.

Isso diz mais sobre o caráter do homem José Serra do que sobre o político. Mostra uma necessidade obsessiva de controle, falta de aceitação de questionamentos e de opiniões diferentes. Serra, lembrem-se, é aquele que constrange repórteres ao vivo, para dar exemplo.

Sim, sim, isso também revela os métodos de um político antigo, mas não dá para dizer que Serra seja o único a fazer isso na política brasileira. Falta de caráter não é exclusividade do PSDB, do DEM ou do PT.

Eu me lembro muito bem de um perfil de Fernando Collor de Mello que a Folha de S. Paulo traçou antes da eleição e posse do “caçador de marajás”. Gostaria muito de encontrar o artigo em algum arquivo. Não me lembro quem eram os autores, mas guardei o texto na memória porque foi profético: antecipou todos os desvios de personalidade que ficariam expostos mais tarde.

Quais são as grandes ideias de Serra? Quais foram os grandes projetos inovadores que ele tocou como governador de São Paulo? A quem ele serviu, além de à própria carreira política? Por que ele foi incapaz de limpar a calha do rio Tietê e evitar pelo menos parcialmente as enchentes que paralisaram São Paulo? Por que a Sabesp continua atirando esgoto nos rios de São Paulo? Por que os professores da educação paulista estão em greve? Por que as polícias paulistas se enfrentaram diante do Palácio dos Bandeirantes?

Em vez de responder com honestidade a essas perguntas, José Serra conta com a cobertura da grande mídia para evitá-las, recorrendo à truculência particular contra aqueles que identifica como “inimigos”: ações judiciais, calúnia, difamação, boatos e rumores. Isso vale contra qualquer um que se coloque no caminho de Serra. Trago de volta, aqui, o artigo de um assessor do governador paulista, publicado no Estadão, com o sugestivo título de “Pó pará, governador”, em que o articulista deixa implícita uma acusação gravíssima contra Aécio Neves. Se Serra é capaz de fazer isso com um colega governador, do mesmo partido, do que ele não é capaz?

Quando à pretensão de destruir o Viomundo, lamento informá-lo — e a seus asseclas — de que vai se dar mal. O Viomundo é uma comunidade virtual que tem cerca de 450 mil leitores por mês. Eu sou apenas um integrante dessa comunidade. Se as pessoas procuram este espaço é porque acreditam que aqui encontram informação e opinião de qualidade. Eu jamais cometeria o erro grosseiro de Serra de subestimar a inteligência, a capacidade crítica e a coragem de meus leitores diante de um político obcecado pelo controle, cujos métodos “modernos” de campanha se baseiam no assassinato de reputações, na propaganda e na desinformação.

Se Serra age assim como candidato, imaginem se for eleito presidente…

PS: Destruir parece ser uma obsessão dessa turma. Destruir o patrimônio público na privataria que beneficiou os amigos. Destruir em “acabar com o PAC”, do presidente do PSDB, Sergio Guerra. Destruir os blogueiros que eles não conseguem controlar. É caso para divã, como era o de Collor de Mello.

CNI/Ibope: 53% preferem candidato apoiado por Lula

Pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quarta-feira (17) indica que 53% dos entrevistados preferem votar em um candidato à Presidência da República que seja apoiado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, 10% querem um candidato de oposição e 33% afirmam que não levarão em conta a posição do presidente ao votar.
Por outro lado, 42% desconhecem quem Lula apoia para as eleições deste ano (39% não souberam responder e 3% afirmaram o nome de outros candidatos) e 58% disseram que o presidente apoia a ministra-chefe da Casa Civil e pré-candidata do PT, Dilma Rousseff.

A medição a influência do presidente Lula nas intenções de voto para a disputa de 2010 é uma novidade desta pesquisa Ibope. Outros institutos, como o Vox Populi, já haviam incluído esta questão em seus levantamentos, mas no Ibope é a primeira vez que este dado surge.

A pesquisa foi realizada de 6 a 10 março e foram entrevistados 2002 eleitores de 16 anos ou mais em 140 municípios. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Serra 35%, Dilma 30%

A CNI/Ibope estimulada com os quatro principais pré-candidato à Presidência da República aponta José Serra (PDSB) com 35% da intenções de voto dos eleitores, seguido por Dilma Rousseff (PT), que recebeu 30% das intenções. Ciro Gomes (PPS) obteve 11% e Marina Silva (PV), 6%.

A ministra Dilma cresceu 13 pontos percentuais. Em dezembro de 2009, ela tinha 17% das intenções de votos. O governador de São Paulo permanece na liderança, mas com 3 pontos percentuais abaixo do registrado na pesquisa anterior. O deputado Ciro tinha 13% das intenções em dezembro, oscilando 2 pontos percentuais dentro da margem de erro, e Marina Silva manteve os mesmos 6% registrados há três meses.

Ainda desconhecida, Dilma pode crescer

Um fator importante a ser considerado na pesquisa é que a pré-candidata do PT é conhecida "bem" ou "mais ou menos" por menos da metade dos eleitores (44% dos entrevistados). Já o governador de São Paulo, José Serra, é o pré-candidato à Presidência da República mais conhecido pela população - 65% dos entrevistados afirmam conhecê-lo "bem" ou "mais ou menos". Esse dado sugere que Dilma tem mais chances de crescer nas pesquisas na medida em que o eleitorado for tomando ciência de sua candidatura, enquanto Serra já é bem conhecido do eleitorado e não teria muito mais a conquistar entre os eleitores indecisos. Além disso, a rejeição de Dilma caiu para 27%, ante os 41% da pesquisa divulgada há 3 meses. Serra tem rejeição semelhante (25%).

Na pesquisa espontânea -- na qual o entrevistador não mostra ao eleitor nenhuma lista quando lhe pergunta em quem votaria se a eleição fosse hoje -- o presidente Lula, mesmo não sendo candidato, continua disparado na frente, com 20% das intenções espontâneas de voto. Dilma vem em seguida, com 14% e Serra aparece em terceiro, com 10%.

Avaliação do governo bate recorde

Outro dado preocupante para a oposição e animador para o governo é que a popularidade do presidente lula continua nas alturas. Segundo a pesquisa CNI/Ibope, a avaliação positiva do governo cresceu em março deste ano e bateu seu recorde.

O governo Lula foi avaliado de forma positiva por 75% dos brasileiros, contra 72% que manifestaram a mesma posição em novembro de 2009. Outros 19% avaliaram o governo Lula como regular, e 5% como ruim ou péssimo.

A aprovação pessoal do presidente Lula se manteve estável em 83%. Este mês, 13% disseram desaprovar o governo Lula, e 4% não sabem ou não quiserem responder.

Na comparação entre o primeiro e o segundo mandatos do presidente, 49% consideram que o segundo é melhor que o anterior. Outros 40% consideram igual, e 9% dizem que o segundo é pior que o primeiro.

Da redação,
com agências

quarta-feira, 17 de março de 2010

Agradecimentos ao "Jornal de Jundiaí": "Tudo em Cima" bate recorde de acessos!

Graças às agressões patéticas feitas pelo "Jornal de Jundiaí" em editorial contra mim, meu blog bateu o recorde de acessos ontem, terça-feira, dia 16 de março! Nada menos do que 1.432 page loads! Confiram abaixo o gráfico dos últimos 15 dias:



Meus sinceros agradecimentos ao "Jornal de Jundiaí" e ao "jornalista" Sindei Mazoni, autor do editorial grotesco em minha homenagem.

terça-feira, 16 de março de 2010

O tiro saiu pela culatra: Ataques do "Jornal de Jundiaí" já correm o país todo!

Não duvidem do poder da blogosfera independente. Os ataques que o "Jornal de Jundiaí" fez contra minha pessoa em editorial no último domingo, 14 de março, já estão correndo o Brasil todo.

O respeitado escritor carioca Miguel do Rosário comenta em seu famoso blog as agressões chulas e infantis perpetradas pelo editor-chefe do jornaleco jundiaiense, um tal de Sidnei Mazoni, contra a minha humilde pessoa. O altamente acessado blog do Esquerdopata também repercutiu os ataques e ridicularizou o "Jornal de Jundiaí".

No mínimo, o clone de Diogo Mainardi local conseguiu uma péssima publicidade para o jornal que lhe paga o salário. Não duvido muito se começarem a despencar mais ainda as vendas e assinaturas do panfleto tucano por causa das estripulias descontroladas de seu porta voz maior. Sabem como é: a fama dura apenas 15 minutos, já a infâmia dura muito, mas muito mais...

Já com meu blog ocorreu o oposto: depois dos ataques do raivoso porta voz da direita jundiaiense, muito querido nos círculos do submundo da política local, os acessos ao "Tudo em Cima" aumentaram! Claro, o mané citou meu nome no seu jornal e, como ninguém sabia do que ele estava falando, no mínimo correram para o google e digitaram meu nome... caindo direto aqui!

Vejam o gráfico abaixo e confiram como aumentou o número de visitas, nas colunas verdes, a partir de domingo, data da publicação do ataque covarde contra minha pessoa no "Jornal de Jundiaí" (detalhe, a coluna de hoje, terça-feira, foi tirada às 19 horas e já está acima da média da semana passada):



Ou seja, em sua fúria mal guiada, o editor-chefe do panfleto tucano atirou no próprio pé fazendo publicidade negativa para seu jornal e ainda por cima ajudou a aumentar as visitas ao meu blog.

É ou não é a glória?

Se quiser, mande uma mensagem à área comercial do "Jornal de Jundiaí" demonstrando o que acha dos ataques cometidos pelo panfleto contra a minha pessoa: comercial@jj.com.br

Ego inflado: Submundo da política jundiaiense não gosta de mim...

Esqueci de comentar uma coisa sobre o grotesco texto do editor-chefe do "Jornal de Jundiaí" que me encheu de orgulho. Segundo o tal de Mazoni, eu sou "conhecido no submundo da política jundiaiense como desequilibrado".

Para entender meu orgulho, primeiro a definição de submundo feita pelo dicionário: "O conjunto dos marginais vistos como grupo social organizado". Ou seja, para os delinquentes que atuam organizadamente na política de Jundiaí eu sou uma pessoa "desequilibrada". Ainda bem, não? Já pensou se eles me achassem um cara bacana, equilibrado, enfim, um verdadeiro colega de negociatas espúrias e tramas antidemocráticas?

Para vocês verem como a forma que eu escolhi de fazer política e jornalismo - honestamente e de cara limpa - incomoda essas pessoas que aparentemente tem livre acesso ao submundo da política local... Enfim, quanto mais tentam me atacar, mais expõe suas verdadeiras faces, não?

segunda-feira, 15 de março de 2010

É a glória: Editor-chefe do "Jornal de Jundiaí" ataca o crítico-spam!

Parece que meu texto "Jornal de Jundiaí defende o loteamento da Serra do Japi" atingiu o alvo em cheio!

Segundo informaram alguns amigos meus, ninguém menos do que o editor-chefe do representante do PiG (Partido da imprensa Golpista) local, um tal de Sidney Mazoni, atacou-me pessoalmente em sua coluna dominical (editorial)! É ou não é a glória ser atacado por uma pessoa assim tão poderosa, que figura nos mais altos círculos de poder e entre a fina flor da sociedade de Jundiaí?

Achei que era brincadeira, afinal alguém tão importante não perderia seu tempo atacando alguém tão insignificante como eu. Mas, que nada, é pura verdade! O enfant terrible da direita jundiaiense, uma espécie de clone de quinta categoria de Diogo Mainardi, Boris Casoy e Reinaldo Azevedo, realmente dedicou seu preciosíssimo tempo para me esculachar. Vejam só o que ele escreveu da minha pessoa, com a elegância e a verve que somente alguém nascido em berço de ouro poderia dispensar:

"Até onde apurei, embora tenha sobrenome de sabonete (André Lux) é um tipo gosmento, pegajoso. Não obedece hábitos sadios ao amanhecer - muito menos ao anoitecer. Deveria, pois bem, a bem da saúde pública, ser investigado pela Vigilância Sanitária. Ah, é conhecido no submundo da política jundiaiense como desequilibrado. Quero mais é distância. Credo".

Deixando de lado as asneiras hilariantes proferidas pelo editor-chefe do JJ, dignas de um pré-adolescente com complexo de inferioridade, salta aos olhos o quanto o sujeito ficou incomodado com meu texto original. Vestiu a carapuça pura e simplesmente e fez o que todo direitista sabe fazer melhor quando não tem argumentos racionais: parte para a baixaria e para a ignorância.

Outra constatação importante: a blogosfera, cada dia mais, aumenta seu poder de fogo e de contraposição ao lixo publicado pelo PiG, inclusive pautando os editoriais de jornais que até ontem mantinham o monopólio da informação e da opinião "pública".

Muita gente me diz para processar o sujeito e seu jornal, exigir direito de resposta. Que nada! De minha parte, não me senti intimidado com o ataque e fico muito feliz que pessoas como esse tal de Sidney Mazoni falem mal de mim pelas costas (porque pela frente, tenho certeza, não teriam coragem). Ficaria sim preocupado se falassem bem de mim. Afinal, tenho certeza de que, quando atacam e ofendem pessoas que não concordam com suas opiniões reacionárias e elitistas, estão no fundo expondo as suas próprias patologias e recalques, sem falar da excelente educação que receberam. Coisa de gente fina!

Esqueci de comentar uma coisa sobre o grotesco texto do editor-chefe do "Jornal de Jundiaí" que me encheu de orgulho. Segundo o tal de Mazoni, eu sou "conhecido no submundo da política jundiaiense como desequilibrado".

Para entender meu orgulho, primeiro a definição de submundo feita pelo dicionário: "O conjunto dos marginais vistos como grupo social organizado". Ou seja, para os delinquentes que atuam organizadamente na política de Jundiaí eu sou uma pessoa "desequilibrada". Ainda bem, não? Já pensou se eles me achassem um cara bacana, equilibrado, enfim, um verdadeiro colega de negociatas espúrias e tramas antidemocráticas?

Para vocês verem como a forma que eu escolhi de fazer política e jornalismo - honestamente e de cara limpa - incomoda essas pessoas que aparentemente tem livre acesso ao submundo da política local... Enfim, quanto mais tentam me atacar, mais expõe suas verdadeiras faces, não?

Clique aqui para ir à coluna onde o editor-chefe do Jornal de Jundiaí me ataca pelas costas.

Direito de resposta: Bancoop desmente (de novo) a Veja

BANCOOP ESCLARECE INFORMAÇÕES ERRADAS DA EDIÇÃO DA REVISTA “VEJA”DE 17.03.2010 (VEICULADA EM 13.03.2010)

A investigação conduzida pelo promotor José Carlos Blat foi iniciada em 2007 e até agora não houve qualquer oferecimento de denúncia. Além disso, nem a BANCOOP (Cooperativa Habitacional dos Bancários de São Paulo), nem seus dirigentes foram ouvidos em qualquer momento da investigação.

Na quinta-feira (11/3), o Juiz de Direito Carlos Eduardo Lora Franco, do Departamento de Inquéritos Policiais e Corregedoria da Polícia Judiciária da Capital (DIPO), negou os pedidos do promotor José Carlos Blat para que o Banco Central bloqueasse as contas correntes, poupança, fundos de investimentos e outras aplicações financeiras da BANCOOP. Também exigiu que o Ministério Público apontasse os indícios que o levaram a pedir a quebra de sigilo de diretores da cooperativa. (leia a íntegra da decisão)

Nesta semana, sem citar a referida decisão, a revista “Veja” volta ao assunto. No entanto, mais uma vez deixou de procurar a Diretoria da BANCOOP para redigir sua matéria, o que poderia ter afastado a revista do caminho da divulgação de informações erradas sobre a atuação da BANCOOP. Para evitar que tais informações sejam difundidas novamente, a Diretoria da BANCOOP esclarece que:

1. Os membros da Direção da cooperativa atuaram, sempre, estritamente dentro dos parâmetros de transparência e rigor no tratamento das contas da BANCOOP.

2. Todas as contas da BANCOOP são auditadas pela empresa independente Terco Grant Thornton, especializada no mercado imobiliário.

3. A “Veja” sugere que há saques em dinheiro, por meio de cheques, cujos destinos são desconhecidos. A BANCOOP informa que os cheques referem-se ao pagamento de obrigações e de serviços prestados à cooperativa. E reafirma: há uma intensa movimentação bancária entre contas da própria BANCOOP, já que cada empreendimento da cooperativa, por força inclusive do Acordo Judicial celebrado com o Ministério Público, tem conta bancária específica, sendo necessária a transferência de recursos utilizados para o custeio das respectivas obras.

4. Os pagamentos que a BANCOOP efetuou para a empresa Caso tratam-se de serviços de segurança patrimonial regularmente contratados, desde 2005, para todos os empreendimentos da cooperativa.

5. A BANCOOP jamais efetuou doações a partidos ou campanhas eleitorais.

A BANCOOP segue à disposição dos cooperados, das autoridades competentes e da imprensa para prestar informações sobre as atividades da cooperativa.

Diretoria da BANCOOP (13 de março de 2010)

domingo, 14 de março de 2010

Mídia golpista em ação: Começou a "Operação Tempestade no Cerrado"

O PT é um partido sem mídia...
O PSDB é uma mídia com partido...


- por Mauro Carrara, jornalista

“Tempestade no Cerrado”: é o apelido que ganhou nas redações a operação de bombardeio midiático sobre o governo Lula, deflagrada nesta primeira quinzena de Março, após o convescote promovido pelo Instituto Millenium.

A expressão é inspirada na operação “Tempestade no Deserto”, realizada em fevereiro de 1991, durante a Guerra do Golfo.

Liderada pelo general norte-americano Norman Schwarzkopf, a ação militar destruiu parcela significativa das forças iraquianas. Estima-se que 70 mil pessoas morreram em decorrência da ofensiva.

A ordem nas redações da Editora Abril, de O Globo, do Estadão e da Folha de S. Paulo é disparar sem piedade, dia e noite, sem pausas, contra o presidente, contra Dilma Roussef e contra o Partido dos Trabalhadores.

A meta é produzir uma onda de fogo tão intensa que seja impossível ao governo responder pontualmente às denúncias e provocações.

As conversas tensas nos "aquários" do editores terminam com o repasse verbal da cartilha de ataque.

1) Manter permanentemente uma denúncia (qualquer que seja) contra o governo Lula nos portais informativos na Internet.

2) Produzir manchetes impactantes nas versões impressas. Utilizar fotos que ridicularizem o presidente e sua candidata.

3) Ressuscitar o caso “Mensalão”, de 2005, e explorá-lo ao máximo. Associar Lula a supostas arbitrariedades cometidas em Cuba, na Venezuela e no Irã.

4) Elevar o tom de voz nos editoriais.

5) Provocar o governo, de forma que qualquer reação possa ser qualificada como tentativa de “censura”.

6) Selecionar dados supostamente negativos na Economia e isolá-los do contexto.

7) Trabalhar os ataques de maneira coordenada com a militância paga dos partidos de direita e com a banda alugada das promotorias.

8) Utilizar ao máximo o poder de fogo dos articulistas.

Quem está por trás

Parte da estratégia tucano-midiática foi traçada por Drew Westen, norte-americano que se diz neurocientista e costuma prestar serviços de cunho eleitoral.

É autor do livro The Political Brain, que andou pela escrivaninha de José Serra no primeiro semestre do ano passado.

A tropicalização do projeto golpista vem sendo desenvolvida pelo “cientista político” Alberto Carlos Almeida, contratado a peso de ouro para formular diariamente a tática de combate ao governo.

Almeida escreveu Por que Lula? e A cabeça do brasileiro, livros que o governador de São Paulo afirma ter lido em suas madrugadas insones.

O conteúdo


As manchetes dos últimos dias, revelam a carga dos explosivos lançados sobre o território da esquerda.

Acusam Lula, por exemplo, de inaugurar uma obra inacabada e “vetada” pelo TCU.

Produzem alarde sobre a retração do PIB brasileiro em 2009.

Criam deturpações numéricas.

A Folha de S. Paulo, por exemplo, num espetacular malabarismo de ideias, tenta passar a impressão de que o projeto “Minha Casa, Minha Vida” está fadado ao fracasso.

Durante horas, seu portal na Internet afirmou que somente 0,6% das moradias previstas na meta tinham sido concluídas.

O jornal embaralha as informações para forjar a ideia de que havia alguma data definida para a entrega dos imóveis.

Na verdade, estipulou-se um número de moradias a serem financiadas, mas não um prazo para conclusão das obras. Vale lembrar que o governo é apenas parceiro num sistema tocado pela iniciativa privada.

A mesma Folha utilizou seu portal para afirmar que o preço dos alimentos tinha dobrado em um ano, ou seja, calculou uma inflação de 100% em 12 meses.

A leitura da matéria, porém, mostra algo totalmente diferente. Dobrou foi a taxa de inflação nos dois períodos pinçados pelo repórter, de 1,02% para 2,10%.

Além dos deturpadores de números, a Folha recorre aos colunistas do apocalipse e aos ratos da pena.

É o caso do repórter Kennedy Alencar. Esse, por incrível que pareça, chegou a fazer parte da assessoria de imprensa de Lula, nos anos 90.

Hoje, se utiliza da relação com petistas ingênuos e ex-petistas para obter informações privilegiadas. Obviamente, o material é sempre moldado e amplificado de forma a constituir uma nova denúncia.

É o caso da “bomba” requentada neste março. Segundo Alencar, Lula vai “admitir” (em tom de confissão, logicamente) que foi avisado por Roberto Jefferson da existência do Mensalão.

Crimes anônimos na Internet


Todo o trabalho midiático diário é ecoado pelos hoaxes distribuídos no território virtual pelos exércitos contratados pelos dois partidos conservadores.

Três deles merecem destaque...

1) O “Bolsa Bandido”. Refere-se a uma lei aprovada na Constituição de 1988 e regulamentada pela última vez durante o governo de FHC. Esses fatos são, evidentemente, omitidos. O auxílio aos familiares de apenados é atribuído a Lula. Para completar, distorce-se a regra para a concessão do benefício.

2) Dilma “terrorista”. Segundo esse hoax, além de assaltar bancos, a candidata do PT teria prazer em torturar e matar pacatos pais de família. A versão mais recente do texto agrega a seguinte informação: “Dilma agia como garota de programa nos acampamentos dos terroristas”.

3) O filho encrenqueiro. De acordo com a narração, um dos filhos de Lula teria xingado e agredido indefesas famílias de classe média numa apresentação do Cirque du Soleil.

O que fazer

Sabe-se da incapacidade dos comunicadores oficiais. Como vivem cercados de outros governistas, jamais sentem a ameaça. Pensam com o umbigo.

Raramente respondem à injúria, à difamação e à calúnia. Quando o fazem, são lentos, pouco enfáticos e frequentemente confusos.

Por conta dessa realidade, faz-se necessário que cada mente honesta e articulada ofereça sua contribuição à defesa da democracia e da verdade.

São cinco as tarefas imediatas...

1) Cada cidadão deve estabelecer uma rede com um mínimo de 50 contatos e, por meio deles, distribuir as versões limpas dos fatos. Nesse grupo, não adianda incluir outros engajados. É preciso que essas mensagens sejam enviadas à Tia Gertrudes, ao dentista, ao dono da padaria, à cabeleireira, ao amigo peladeiro de fim de semana. Não o entupa de informação. Envie apenas o básico, de vez em quando, contextualizando os fatos.

2) Escreva diariamente nos espaços midiáticos públicos. É o caso das áreas de comentários da Folha, do Estadão, de O Globo e de Veja. Faça isso diariamente. Não precisa escrever muito. Seja claro, destaque o essencial da calúnia e da distorção. Proceda da mesma maneira nas comunidades virtuais, como Facebook e Orkut. Mas não adianta postar somente nas comunidades de política. Faça isso, sem alarde e fanatismo, nas comunidades de artes, comportamento, futebol, etc. Tome cuidado para não desagradar os outros participantes com seu proselitismo. Seja elegante e sutil.

3) Converse com as pessoas sobre a deturpação midiática. No ponto de ônibus, na padaria, na banca de jornal. Parta sempre de uma concordância com o interlocutor, validando suas queixas e motivos, para em seguida apresentar a outra versão dos fatos.

4) Em caso de matérias com graves deturpações, escreva diretamente para a redação do veículo, especialmente para o ombudsman e ouvidores. Repasse aos amigos sua bronca.

5) Se você escreve, um pouquinho que seja, crie um blog. É mais fácil do que você pensa. Cole lá as informações limpas colhidas em bons sites, como aqueles de Azenha, PHA,Grupo Beatrice, entre outros. Mesmo que pouca gente o leia, vai fazer volume nas indicações dos motores de busca, como o Google. Monte agora o seu.

A guerra começou. Não seja um desertor.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Sobre Cuba: Os fariseus e a dignidade

- por Emir Sader (www.cartamaior.com.br)

O que sabem os leitores dos diários brasileiros sobre Cuba? O que sabem os telespectadores brasileiros sobre Cuba? O que sabem os ouvintes de rádio brasileiros sobre Cuba? O que saberia o povo brasileiro sobre Cuba, se dependesse da mídia brasileira?

O que mais os jornalistas da imprensa mercantil adoram é concordar com seus patrões. Podem exorbitar na linguagem, para badalar os que pagam seu salários. Sabem que atacar ao PT é o que mais agrada a seus patrões, porque é quem mais os perturba e os afeta. Vale até dar espaco para qualquer mercenário publicar calúnias contra o Lula, para, depois jogá-lo de volta na lata do lixo.

No circo dessa imprensa recentemente realizado em São Paulo, os relatos dizem que os donos das empresas – Frias, Marinhos – tinham intervenções mais discretas, – ninguem duvida das suas posiçõoes de ultra-direita -, mas seus empregados se exibiam competindo sobre quem fazia a declaração mais extremista, mais retumbante, sabendo que seriam recolhidas pela mídia, mas sobretudo buscando sorrisinho no rosto dos patrões e, quem sabe, uns zerinhos a mais no contracheque no fim do mês.

Quem foi informado pela imprensa que há quase 50 anos Cuba já terminou com o analfabetismo, que mais recentemente, com a participação direta dos seus educadores, o analfabetismo foi erradicado na Venezuela, na Bolívia e no Equador? Que empresa jornalística noiticiou? Quais mandaram repórteres para saber como países pobres ou menos desenvolvidos conseguiram o que mais desenvolvidos como os EUA ou mesmo o Brasil, a Argentina, o México, náo conseguiram?

Mandaram repórteres saber como funciona naquela ilha do Caribe, pouco desenvolvida economicamente, o sistema educacional e de saúde universal e gratuito para todos? Se perguntaram sobre a comparação feita por Michael Moore no seu filme "Sicko" sobre os sistemas de saúde – em particular o brutalmente mercantilizado dos EUA e o público e gratuito de Cuba?

Essas empresas privadas da mídia fizeram reportagens sobre a Escola Latinoamericana de Medicina que, em Cuba, já formou mais de cinco gerações de médicos de todos os países da América Latina e inclusive dos EUA, gratuitamente, na melhor medicina social do mundo? Foi despertada a curiosidade de algum jornalista, econômico, educativo ou não, sobre o fato de que Cuba, passando por grandes dificuldades econômicas – como suas empresas não deixam de noticiar – não fechou nenhuma vaga nem nas suas escolas tradicionais, nem na Escola Latinoamericana de Medicina, nem fechou nenhum leito em hospitais?

Se dependesse dessas empresas, se trataria de um regime “decrépito”, governado por dois irmãos há mais de 50 anos, um verdadeiro “goulag tropical”, uma ilha transformada em prisão.

Alguém tentou explicar como é possivel conviver esse tipo de sociedade igualitária com a base naval de Guantánamo? Se noticiam regularmente as barbaridades que ocorrem lá, onde presos sob simples suspeita, são interrogados e torturados – conforme tantas testemunhas que a imprensa se nega em publicar – em condições fora de qualquer jurisdição internacional?

Noticiam que, como disse Raul Castro, sim, se tortura naquela ilha, se prende, se julga e se condena da forma mais arbitrária possível, detidos em masmorras, como animais, mas isso se passa sob responsabilidade norteamericana, desse mesmo governo que protesta por uma greve de fome de uma pessoa que – apesar da ignorância de cronistas da família Frias – não é um preso, mas está livre, na sua casa?

Perguntam-se por que a maior potência imperial do mundo, derrotada por essa pequena ilha, ainda hoje tem um pedaco do seu territorio? Escandalizam-se, dizendo que se “passou dos limites”, quando constatam que isso se dá há mais de um século, sob os olhos complacentes da “comunidade internacional”, modelo de “civilização”, agentes do colonialismo, da escravidão, da pirataria, do imperialismo, das duas grandes guerras mundiais, do fascismo?

Comparam a “indignação” atual dos jornais dos seus patrões com o que disseram ou calaram sobre Abu-Graieb? Sobre os “falsos positivos” (sabem do que se trata?) na Colômbia? Sobre a invasao e os massacres no Panamá, por tropas norteamericanas, que sequestraram e levaram para ser julgado em Miami seu ex-aliado e então presidente eleito do país, Noriega, cujos 30 anos foram completamente desconhecidos pela imprensa? Falam do muro que os EUA construíram na fronteira com o México, onde morre todos os anos mais gente do que em todo tempo de existência do muro de Berlim? A ocupação brutal da Palestina, o cerco que ainda segue a Gaza, é tema de seus espacos jornalisticos ou melhor calar para que os cada vez menos leitores, telespectadores e ouvintes possam se recordar do que realmente é barbarie, mas que cometida pela “civilizada” Israel – que ademais conta com empresas que anunciam regularmente nos orgãos dessas empresas – deve ser escondida? Que protestos fizeram os empregados da empresa que emprestou seus carros para que atuassem os servicos repressivos da ditadura, disfarçaados de jornalistas, para sequestrar, torturar, fuzilar e fazer opositores desaparecerem? Disseram que isso “passou de todos os limites” ou ficaram calados, para não perder seus empregos?

Mas morreu um preso em Cuba. Que horror! Que oportunidade para bajular os seus patrões, mostrando indignação contra um país de esquerda! Que bom poder reafirmar diante deles que se se foi algum dia de esquerda, foi um resfriado, pego por más convivências, em lugares que não frequentam mais; já estão curados, vacinados, nunca mais pegarão esse vírus. (Um empregado da família Frias, casado com uma tucana, orgulha-se de ter ido a todos os Foruns Econômicos de Davos e a nenhum Fórum Social Mundial.
Ali pôde conhecer ricaços e entrevistá-los, antes que estivessem envoldidos em escândalos, quebrassem ou fossem para a prisão. Cada um tem seu gosto, mas não dá para posar como “progressista”, escolhendo Davos a Porto Alegre.)

Não conhecem Cuba, promovem a mentira do silêncio, para poder difamar Cuba. Não dizem o que era na época da ditadura de Batista e em que se transformou hoje. Não dizem que os problemas que têm a ilha é porque não quer fazer o que fez o darling dessa midia, FHC, impondo duro ajuste fiscal para equilibrar as finanças públicas, privatizando, favorecendo o grande capital, financeirizando a economia e o Estado. Cuba busca manter os direitos universais a toda sua população, para o que trata de desenvolver um modelo econômico que não faça com que o povo pague as dificuldades da economia. Mentem silenciando sobre o fato de que, em Cuba, não há ninguem abandonado nas ruas, de que todos podem contar com o apoio do Estado cubano, um Estado que nunca se rendeu ao FMI.

Cuba é a sociedade mais igualitária do mundo, a mais solidária, um país soberano, assediado pelo mais longo bloqueio que a história conheceu, de quase 50 anos, pela maior potência econômica e militar da história. Cuba é vítima privilegiada da imprensa saudosa do Bush, porque se é possivel uma sociedade igualitária, solidária, mesmo que pobre, que maior acusação pode haver contra a sociedade do egoísmo, do consumismo, da mercantilizacao, em que tudo tem preço, tudo se vende, tudo se compra?

Como disse Celso Amorim, o Ministro de Relações Exteriores do Brasil: os que querem contribuir a resolver a situação de Cuba tem uma fórmula muito simples – terminem com o bloqueio contra a ilha. Terminem com Guantanamo como base de terrorismo internacional, terminem com o bloqueio informativo, dêem aos cubanos o mesmo direito que dão diariamente aos opositores ao regime – o do expor o que pensam. Relatem as verdades de Cuba no lugar das mentiras, do silêncio e da covardia.

Diante de situações como essa, a razão e a atualidade de José Martí:

“Há de haver no mundo certa quantidade de decoro,
como há de haver certa quantidade de luz.
Quando há muitos homens sem decoro, há sempre outros
que têm em si o decoro de muitos homens.
Estes são os que se rebelam com força terrível
contra os que roubam aos povos sua liberdade,
que é roubar-lhes seu decoro.
Nesses homens vão milhares de homens,
vai um povo inteiro,
vai a dignidade humana…
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