segunda-feira, 26 de maio de 2008

FILMES: "Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal"

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DESLIGUE O CÉREBRO E DIVIRTA-SE!

Não se deixe levar por profissionais da opinião pretensiosos ou mal-humorados. Essa quarta aventura do quase “vovô” Indiana Jones é programa para nerd nenhum botar (muito) defeito!

- por André Lux, crítico-spam e nerd assumido

Confesso que estava esperando o pior. Tanto Steven Spielberg quanto George Lucas não conseguem acertar uma faz tempo e Harrison Ford, aos 65 anos, dava a impressão que faria papel de ridículo saindo por aí dando socos e voando por pára-brisas.

Mas, que nada! Ford está muito bem conservado para a idade (sem plásticas ou botox, ao contrário do que maldosamente sugeriu um profissional da opinião que escreve para a Folha de S. Paulo, jornal que apoiou o golpe militar de 1964) e a troupe conseguiu pescar os melhores momentos dos três filmes anteriores e amarrar tudo com muita leveza e auto-gozação.

Em momento algum “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” se leva a sério, principalmente quando entra em cena o personagem de Shia LaBeouf, com visual a lá Marlon Brando, que nos diverte brincando com a idade avançada de Ford. Isso garante momentos de pura magia cinematográfica despretensiosa, bem no clima ingênuo dos filmes da década de 30 e 40 que a série homenageia.

Por isso, o conteúdo político da série “Indiana Jones” continua não ofendendo ninguém, até porque tanto Lucas quanto Spielberg são liberais à moda antiga e, portanto, preferem criticar o clima de paranóia e perseguição que imperava nos EUA durante a guerra fria (bem parecido com o que existe hoje em tempos de Bush Jr.) a proferir discursos vazios contra os soviéticos, que fazem a vez dos vilões caricatos na impossibilidade de colocarem os nazistas de novo. Reparem que Indiana fica muito mais chateado ao ser chamado de traidor por agentes do FBI e perder o emprego de professor do que ao ser socado pelos comandados da “preferida de Stalin” (Cate Blanchet, ótima como sempre).

Pena que na segunda metade, quando se concentram mais em desvendar os segredos da tal caveira, o filme apele para perseguições e exageros dispensáveis (as quedas nas cataratas) talvez para tentar fisgar os mais jovens, acostumados com o frenesi e o excesso de efeitos visuais de aventuras atuais como “Transformers” ou “Piratas do Caribe”.

A resolução do mistério (cujo segredo no estilo "Eram os Deuses Astronautas" é revelado cedo demais) também é fraca e deixa evidente que não sabiam como fechar a trama principal, que é o único ponto realmente fraco do filme: cheia de idas e vindas, personagens bobos (como Oxley, que serviu para tapar o buraco causado pela recusa de Sean Connery em retornar como o pai de Indy) e, no final das contas, não faz muito sentido.

Tanto é que sobra para Ford a ingrata missão de ficar o tempo todo tentando explicar o que está acontecendo ao jovem Mutt (que, no caso, encarna a platéia perdida). Essa confusão certamente se deve ao fato do roteiro ter sido escrito, rejeitado e reescrito um monte de vezes. A certa altura, o nonsense era tanto que eu simplesmente parei de tentar entender e deixei a pura diversão me levar.

Mas, a falta de talento dramático dos protagonistas é compensada pelo carisma deles e as besteiras do roteiro (do notoriamente inépto David Koepp) são salvas pela criatividade de algumas seqüências (como a explosão da bomba atômica e a perseguição de moto), pela ótima edição e, claro, pela trilha musical precisa do mestre John Williams, que continua em plena forma aos 76 anos!

Não se deixe levar por profissionais da opinião pretensiosos ou mal-humorados. Essa quarta aventura do quase “vovô” Indiana Jones é programa para nerd nenhum botar (muito) defeito. Desligue o cérebro e divirta-se! Sua criança interior vai gostar...

Cotação: * * * 1/2
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2 comentários:

Luiz.Monteiro4 disse...

Prezado André,
Também gostei muito do filme, devido as boas cenas de luta e aventura. Discordo apenas em relação ao personagem de John Hurt. Acho que a condição dele, de maluco beleza, deu mais seridade ao filme e proporcionou maior integração entre os mocinhos na trama. A cena em que ele vai buscar "ajuda" é uma das mais hilárias do filme.

Arthur disse...

Ainda não vi o filme mas confesso que depois que vi sua critica fiquei mais animado.Parece que membros do partido comunista na Russia querem que Indiane Jones seja banido do país:
http://www.omelete.com.br/cine/100012792/Russos_pedem_que_Indiana_Jones_seja_banido_do_pais.aspx

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