Postagem em destaque

Blogueiro pede a sua ajuda!

Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada ...

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Filmes: "ALEXANDRIA"

O SER HUMANO É INVIÁVEL

A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria”

- por André Lux, crítico-spam

Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão impressionante como “Alexandria”, do diretor chileno radicado na Espanha Alejandro Amenabar (de “Os Outros” e “Mar Adentro”). Trata-se de uma obra arrebatadora, extremamente bem feita e que recria com perfeição o que seria a Alexandria do Século IV D.C., época em que o Império Romano já estava em decadência e o cristianismo acabara de deixar de ser proibido, apenas para então começar a perseguir e proibir os outros cultos.

No meio de toda essa agitação e caos estava a professora, filósofa e astrônoma Hypatia. Amada por um de seus alunos e por seu escravo, ela não se curvava a ninguém, pois sua única paixão na vida era o estudo dos corpos celestes. É essa personagem real que serve de esteio ao filme, enquanto o roteiro avança de forma trágica à medida que os conflitos entre cristãos, pagãos e judeus culmina em violência e guerras declaradas.

A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria” e Amenabar imprime suas convicções ideológicas com grande destreza, dosando com perfeição cenas grandiosas e cheias de efeitos visuais com outras mais intimistas e profundas. De vez em quando, a câmera viaja até o espaço e vemos a Terra em toda sua majestade, como que para nos lembrar da nossa insignificância perante o universo. Em momentos como esse, o filme chega perto do sublime.

Numa das cenas mais emocionantes de “Alexandria”, a protagonista, vivida esplendidamente por Rachel Weisz, confronta um de seus ex-alunos que se tornou bispo cristão e tenta convertê-la à sua fé que, como bem sabemos, não permite jamais o questionamento: “Mas se você não questiona a sua fé, então não acredita realmente nela”. Em outro momento, ao ser acusada de "não acreditar em nada" pelo seu ateísmo, Hypatia responde: "Eu acredito na Filosofia". Sinceramente, diálogos em filmes não podem ser mais perfeitos do que esse.

É interessante também como a obra mostra de forma clara o retrocesso que a seita cristã trouxe para o mundo. Se a civilização anterior obviamente não era isenta de falhas (como permitir a escravidão, servir sacrifícios aos deuses e se dividir em castas), é inegável que reservava ao ser humano um papel muito mais nobre e intelectual do que o obscurantismo cego pregado pelo cristianismo. Tanto é que, pouco tempo depois da ascensão daquele culto ao poder, o mundo entraria na escuridão da idade média e de todo o horror cometido durante aquele período.

O mais importante de “Alexandria”, todavia, é o paralelo que o cineasta trava entre o mundo retratado pelo filme e o fanatismo que existe até hoje, capaz de gerar suficiente ódio entre as pessoas para que cometam os atos mais escabrosos possíveis. E tudo em nome de algum deus inventado que, se realmente existisse, estaria morrendo de vergonha de toda a loucura que realizam em seu nome e certamente diria algo como: “o ser humano é inviável”.

Se vivêssemos em uma sociedade justa e inteligente, “Alexandria” receberia todos os tipos de prêmios e seria celebrado como um dos filmes mais importantes já feitos. Todavia, como essa sociedade não é justa muito menos inteligente, só resta aos que dominam o sistema ignorar esse tipo de obra e torcer para que ela seja lançada ao ostracismo rapidamente.

Não se depender de mim. E você, o que acha?

Cotação: * * * * *

terça-feira, 28 de junho de 2011

Evento sobre 52 anos da Revolução Cubana destaca luta midiática

Há muito desconhecimento no Brasil e no mundo sobre a realidade cubana. A avaliação é do professor e jornalista Hélio Doyle, que participou do seminário A Revolução Cubana. 52 anos depois: Transformações e desafios. Uma visão objetiva da realidade, promovido pela Frente Parlamentar Brasil-Cuba do Congresso Nacional. Os participantes do evento criticaram a mídia por fazer uma caricatura da realidade cubana.

Os palestrantes – brasileiros e cubanos, parlamentares e especialistas – destacaram a imagem distorcida da realidade cubana que é divulgada no mundo pela grande mídia. A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), presidente da Frente Parlamentar, diz que a grande mídia apresenta informações deturpadas e distorcidas da luta do povo cubano pela manutenção do modelo de vida que quer para si.

“Não temos os instrumentos da grande mídia, mas é importante manter o debate para dizer que o país que enfrenta o embargo econômico dos Estados Unidos há 52 anos não sobreviveria sem o apoio e a participação do povo”, avalia a senadora.

Para Doyle, “Cuba é uma experiência única, o mais importante laboratório social da América Latina”. Ele diz que a revolução cubana foi feita pelo povo e não apenas o grupo de guerrilheiro instalado em Sierra Maestra. Por isso, segundo ele, o sistema montado pela revolução, baseado em um sentimento patriótico e anti-imperialista do povo cubano, sobreviverá a qualquer pessoa individualmente, rechaçando a ideia de que a morte de Fidel Castro representaria o fim desse sistema.

Apoio e agradecimento

A fala dos palestrantes se revezou entre manifestações de apoio e solidariedade dos brasileiros e agradecimentos dos cubanos. As palavras da deputada Magaly Llort, de 72 anos, mãe de Fernando González, um dos cinco heróis cubanos presos nos Estados Unidos, foi de agradecimento ao receber da deputada Manuela d´Ávila (PCdoB-RS) cópia da moção em defesa do povo cubano, aprovada, por unanimidade, em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, que ela preside.

O documento pede que, em respeito à Declaração Universal dos Direitos Humanos, sejam libertados os cinco cubanos Antonio Guerrero, Fernando González, Gerardo Hernández, René González e Ramón Labañino, condenados e presos, há mais de 12 anos, em cárceres privados dos Estados Unidos.

A moção pede também o fim do bloqueio e das ações terroristas contra Cuba e que o Ministério das Relações Exteriores do Brasil discuta as investidas do governo dos EUA sobre a Ilha, junto à União de Nações Sul-americanas (Unasul).

“Não tenho palavras para agradecer todas as manifestações de solidariedade e apoio a essa luta feroz para enfrentar o bloqueio, que impede o nosso desenvolvimento”, disse a deputada cubana, contando, com detalhes, todo o sofrimento dos cinco cubanos presos e de seus familiares. “Onde estão os paladinos dos direitos humanos?” indagou, criticando o governo dos Estados Unidos, após falar sobre o tratamento “feroz e inumano aos cinco cubanos”, que estão impedidos de ver as mães – três delas já morreram – e os filhos pequenos, que crescem sem conhecer os pais.

Manuela d´Ávila também destacou a abordagem tendenciosa da grande mídia. “Existem duas grandes violações dos direitos humanos, que são esquecidas pela grande imprensa, que cria factóide de coisas pequenas e abstrai dois grandes casos, como o bloqueio econômico a Cuba e a prisão arbitrária dos cinco heróis cubanos”.

Referência para o mundo

Para o deputado Fernando Ferro (PT-PE), vice-presidente da Frente Parlamentar Brasil-Cuba, “as mudanças políticas na América Latina tiveram a semente na revolução cubana”, enfatizando que “estamos no lado certo da luta política e social que está transformando esse continente”.

O senador João Pedro (PT-AM) também destacou a luta do povo cubano como “uma referência para o mundo pela ousadia de sonhar e fazer, sem se intimidar com a potência militar que são os Estados Unidos”.

Já a senadora Lídice da Mata (PSB-BA) adiantou a avaliação da deputada cubana Kenia Serrano. A parlamentar brasileira disse que o bloqueio econômico imposto à Cuba pelo governo dos Estados Unidos é uma ação perversa para impedir que o povo cubano decida sobre seu próprio destino.

Ato de Genocídio

Kenia Serrano destacou que o bloqueio econômico se constitui um ato de genocídio, que é a adoção de medidas com a intenção de matar uma comunidade por falta de recursos para viver.

Ela fez um retrospecto da situação do país antes de 1959, os desafios da implantação dos princípios socialistas após a vitória da revolução, passando pelo período que os cubanos consideram especial, quando houve colapso da experiência soviética no Leste Europeu.

Sobre os desafios atuais, de mudança no sistema econômico, ela fez questão de destacar que a adoção de novas medidas econômicas visa a manutenção das conquistas. Ela lembrou que, além do bloqueio econômico, o país tem outros problemas, como os furacões, citando um exemplo, mas que a decisão do povo cubano é que o país siga optando pelo socialismo,com garantia de justiça social e mais eficiência em seu desempenho econômico e produtivo.

Também ela falou sobre “a dura luta midiática que faz caricatura da realidade cubana”. E Hélio Doyle acrescentou que não há verdade nas notícias veiculadas na mídia, no mundo interior, sobre as mudanças econômicas em Cuba. Uns dizem que as mudanças econômicas são para acabar com socialismo e voltar ao capitalismo ou adotar um modelo chinês ou vietnamita. “Como há muito preconceito e desconhecimento, procura-se rotular”, diz ele, apontando os erros de análise e interpretação da situação cubana.

Para ele, o modelo cubano é único e não depende de uma só pessoa. E acredita que com as mudanças implementadas, a tendência é que o regime socialista cubano durará muitos e muitos anos.

De Brasília
Márcia Xavier

domingo, 19 de junho de 2011

Assim caminha a humanidade...

Gramsci e seu “grito de guerra” ecoam na blogosfera progressista

Salvo engano, o nome de Antonio Gramsci (1891-1937) não foi citado nos debates do 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorre desde sexta-feira (17) em Brasília. Mas um texto escrito há 95 anos pelo revolucionário italiano sintetiza um dos consensos mais cristalizados do movimento pela democratização da mídia.

Antonio Gramsci
- Por André Cintra, no Vermelho

Em Os Jornais e os Operários, de 1916, Gramsci exortava os trabalhadores a romperem todos os laços com a imprensa burguesa. Numa época em que a TV nem sequer existia e o rádio ainda era uma mídia incipiente e experimental — um “telégrafo sem fio” —, o jornal despontava como a principal arma de dominação ideológica do operariado.

“Antes de mais nada, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recordar-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por ideias e interesses que estão em contraste com os seus”, denunciava Gramsci. “Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma ideia: servir à classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora.”

Daí a conclamação do pensador italiano a que não se iludissem com a “grande imprensa” da época. Mais ainda, que não comprassem nem assinassem os jornais inimigos, para não garantir a viabilidade financeira do empreendimento. “Não contribuam com dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária. Eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pela campanha de assinatura de todos os jornais burgueses: ‘Boicotem, boicotem, boicotem!’”, arrematava Gramsci.

Quase um século depois, os participantes do encontro da blogosfera parecem decididos a não dar tréguas à grande mídia. Já não se trata apenas de jornais. A imprensa burguesa deixou de ser somente impressa e se converteu num gigantesco aparato multimídia, que inclui também grandes emissoras de TV e rádio, revistas (sobretudo as semanais), portais na internet e provedores de conteúdo para dispositivos móveis. Como enfrentar esse centauro midiático — verdadeira aberração da civilização contemporânea?

O “medo de se indispor”

Um dos consensos que já é possível extrair do Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, antes mesmo da plenária final deste domingo (19) — e ainda que não haja uma resolução formal —, é que a luta contra a grande mídia tem de se fortalecer. É preciso, claro, que o governo tome medidas aparentemente mais simples, como alastrar a internet via banda larga. Mas urge, acima de tudo, ter ousadia e coragem para lutar contra o oligopólio que toma conta das comunicações.

Na abertura do encontro, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ironizou os “falsos formadores de opinião que já não formam opinião nem na casa deles”. Implicitamente, porém, admitiu que o governo federal, tanto com ele quanto com a presidente Dilma Rousseff, não conseguiu alterar a correlação de forças do setor. Ao salientar que as propostas de marco regulatório “mexem com grandes interesses”, Lula deixou claro que a batalha não está ganha — ao contrário, apenas emergiu.

Com conhecimento de causa, dois outros convidados do encontro — a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP) e o ex-ministro José Dirceu (PT-SP) — lembraram, em mesas diferentes, que a maioria dos políticos tem medo de se indispor com a grande mídia. Não é por acaso que a Câmara dos Deputados criou apenas neste ano a Frente Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com Participação Popular (Frentecom), com mais de mais de cem entidades e sob a coordenação de Erundina. “Já não me sinto tão só”, afirmou a deputada.

35 grupos

Já o jurista Fábio Konder Comparato sustentou que “todos os poderes do Estado, inclusive a mídia, estão nas mãos de oligarquias. Os órgãos e as instituições do Estado brasileiro não têm poder de fato. Eles agem sob pressão dos grupos que efetivamente detêm poder”.

Comparato acredita que o Executivo “cede fácil às cobranças” das grandes redes de comunicação. Para começar a reverter essa lógica, basta que o Congresso regulamente os artigos da Constituição de 1988 sobre o tema — especialmente o que proíbe a existência de oligopólios no setor. São da autoria de Comparato, aliás, as ações diretas de inconstitucionalidade que cobram a regulamentação dessas medidas.

O desafio até lá, é resistir a tais pressões dos 35 grupos que controlam 516 empresas de comunicação do Brasil. Ou, em outras palavras, fazer valer o “grito de guerra” proposto por Gramsci: “Boicote, boicote, boicote” ao oligopólio midiático. Já!

Saiu a 12ª edição da Folha do Japi!

Saiu a 12ª edição da Folha do Japi, o jornal que respeita a sua inteligência.
Nas bancas a partir de segunda-feira, peça ao seu jornaleiro!
Clique nas figuras abaixo para vê-las em tamanho real:








sábado, 18 de junho de 2011

Lula agradece à blogosfera: “Sei o bem que vocês fizeram ao povo”

Sete meses depois de ter concedido a primeira entrevista coletiva de um presidente da República a blogueiros e tuiteiros, Luiz Inácio Lula da Silva voltou, na noite desta sexta-feira (17), para os braços da blogosfera. Ovacionado por um público que não parava de aplaudi-lo e entoar palavras de ordem como “Lula / guerreiro / do povo brasileiro”, o ex-presidente roubou a cena na abertura do 2º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, em Brasília (DF).

Embora já tivesse escrito seu discurso, Lula, na hora H, improvisou – mas cumpriu a promessa de fazer uma exposição breve, de menos de 15 minutos. Foi tempo suficiente para ele disparar uma série de críticas à grande mídia e à direita brasileira. E tempo, sobretudo, para retribuir o apoio que recebeu nos oito anos de seu governo, particularmente em 2010, durante as acirradas eleições presidenciais.

“Como ex-presidente, sei o bem que vocês fizeram ao povo deste país e à democracia”, afirmou Lula, referindo-se à disputa eleitoral entre Dilma Rousseff e José Serra. “Não vou esquecer o papel que vocês tiveram na defesa da liberdade de imprensa. Vocês evitaram que a sociedade fosse manipulada pelos falsos formadores de opinião – que já não formam opinião nem na casa deles.”

Segundo Lula, os abusos da mídia hegemônica não ocorrem apenas no Brasil. “Já visitei 16 países desde que deixei a presidência e sei que, em todo lugar, a imprensa confunde críticas com mentiras. Não me incomodo de ser criticado por nenhum jornalista, mas não suporto as mentiras que eles dizem.”

O ex-presidente deu ainda mais ênfase às críticas ao tucano José Serra, a quem acusou de ter inventado um “meteorito de papel” em evento de campanha no Rio de Janeiro. Para Lula, “não é admissível que alguém que queira ser presidente faça uma farsa como aquela. O estrago não foi na cabeça – foi nas urnas”.

De acordo com o ex-presidente, Serra também estimulou o ódio contra a então candidata Dilma. “Nunca vi tanto preconceito – e olha que sofri demais com isso nas cinco eleições presidenciais que disputei. Foi o único momento da história em que um candidato a presidente saiu da disputa mais fraco do que entrou.”

Banda larga

Mesmo diante da presença do ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, Lula cobrou avanços no Plano Nacional de Banda Larga, ressalvando que Dilma honrará o compromisso de espalhar a internet popular Brasil afora. “Hoje, temos menos computador nas casas do que devemos ter, menos gente na internet do que devemos ter, menos blogueiros do que devemos ter. É preciso coragem para fazer da banda larga um direito de todos”, disse o ex-presidente.

Ele também ponderou que qualquer mudança nas comunicações “mexe com grandes interesses”. Como exemplo, evocou o ex-ministro da Secom (Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República), Franklin Martins, também presente ao evento. “Vocês sabem o quanto o Franklin apanhou só por dizer que era preciso um novo marco regulatório, já que o nosso é de 1962.”

Aos blogueiros, Lula pediu “seriedade” na luta. “A direita não brinca em serviço. Quanto mais te atacarem, mais você deve ter seriedade”, recomendou, para depois retomar os elogios. “Vocês são uma alternativa, uma possibilidade para que a sociedade possa formar a sua própria opinião. Valeu a pena vocês existirem. Tomara que ainda valha muito mais.”

Ao Vermelho, minutos depois de sua exposição, Lula garantiu que abrirá um blog, mas disse que não dará detalhes da iniciativa. O iminente blogueiro já terá, assim, mais uma motivação para participar dos próximos encontros da blogosfera progressista.

De Brasília, André Cintra

domingo, 12 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

DVD: "O PACTO DOS LOBOS"

DIVERSÃO DE PRIMEIRA

Não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente

- por André Lux, crítico-spam

É engraçado como críticas positivas acabam, muitas vezes, mais prejudicando do que ajudando a carreira de certos filmes. É exatamente o caso desse PACTO DOS LOBOS, fita francesa que fez grande sucesso em seu país de origem, mas acabou passando em branco no resto do mundo. Esse fracasso relativo é, em parte, explicado pelos elogios excessivos que andou recebendo, com frases desconexas do tipo "É a melhor aventura de ação dos últimos dez anos" ou "Um épico grandioso" que, infelizmente, acabam criando na platéia uma grande expectativa em relação ao filme, fazendo-a esperar por uma obra-prima revolucionária ou algo do tipo.

O que, no final das contas, é uma grande injustiça, pois esse filme dirigido por Christophe Gans (que já havia demonstrado talento no pouco visto O COMBATE - LÁGRIMAS DO GUERREIRO) é, antes de mais nada, extremamente bem feito e original. O erro mais uma vez é tentar vender um produto tipicamente europeu como se fosse uma fita de "ação e aventuras" feita nos moldes do cinemão comercial dos EUA. Ou seja, querem nos fazer acreditar que estamos diante de uma simples fita de consumo rápido e superficial quando, na verdade, o que encontramos é um filme rico em conteúdos psicológicos e nuances, no qual o mais importante é o relacionamento entre os personagens (e aqui são muitos e complexos) e o desenvolvimento da personalidade deles.

Soma-se a isso uma grande quantidade de cenas de luta brilhantemente realizadas (que deixam bobagens pretensiosas como O TIGRE E O DRAGÃO comendo poeira) e uma pitada das fitas assumidamente trash que tanto amamos e, pronto, temos aqui uma ótima diversão indicada para quem conhece o mundo dos quadrinhos para adultos e filmes como EVIL DEAD (não por acaso a trilha musical é do mesmo Joseph Lo Duca, cuja assinatura está também no seriado XENA, A PRINCESA GUERREIRA).

Mas vai quebrar a cara quem está esperando ver um filme mal feito ou tosco, pois tecnicamente é primoroso, onde a montagem e a direção de fotografia são os destaques, alternando cortes e fusões inspiradíssimos com tomadas de rara beleza (é essencial assistir ao filme na versão original em widescreen). Gans não tem o menor pudor em colocar sua câmera em locais pouco ortodoxos nem em movimentá-la livremente por um cenário natural de fazer cair o queixo, sem nunca interferir na trama chamando a atenção para sí a não ser quando era necessário - como nas seqüências de luta, por exemplo.

A trama gira em torno de um fato real que aconteceu numa província da França do final do século 18, quando mais de uma centena de camponeses foram trucidados por uma besta feroz. O caso nunca foi solucionado e é a partir dessa premissa que Stéphane Cabel e Christophe Gans constroem seu roteiro, que começa com a chegada ao local do naturalista e filósofo Grégoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) que vem para investigar os crimes a pedido do rei, acompanhado de seu fiel escudeiro Mani, um índio Iroquoi que também é mestre em artes marciais (interpretado por Mark Dacascos), que já na sua primeira cena dá uma surra exemplar em um bando de brutamontes.

É nessa excelente seqüência que o diretor deixa claro a que veio: fazer um filme de fantasia no melhor estilo das graphic novels e mangas adultos, cuja preocupação com a lógica é deixada um pouco de lado em favor de cenas esteticamente brilhantes e ricas em detalhes gráficos. Não é nada mais, portanto, que um ótimo quadrinho filmado. Ajuda muito o fato de contar com um elenco formado por atores de verdade, todos trabalhando a serviço da trama e do desenvolvimento de seus personagens, tão diferente dos enlatados do gênero feitos em série nos EUA com seus "astros" fazendo caras e bocas, soluções simplórias ou piadinhas irritantes.

Todavia, é preciso perdoar-se os detalhes sangrentos, os efeitos sonoros exagerados e a duração excessiva, resultando em 2h20 de projeção que, embora não chegue a incomodar como afirmam seus detratores, podia ter 20 minutos a menos sem trazer danos à trama. O maior problema do filme na verdade é mesmo sua conclusão, na qual tentam dar um sentido à história por trás das aparições da Besta que ficaria melhor se deixado em aberto com um tom mais sobrenatural. A própria revelação da criatura (cujo visual remete a RAZORBACK, outro trash talentoso feito por Russell Mulcahy) acaba sendo meio anticlimática, baseando-se muito em efeitos digitais exagerados e desnecessários.

Outro escorregão foi ter transformado metade do elenco em clones de "Conan, o Bárbaro" durante o confronto final, com direito inclusive a duelos com espada e outros instrumentos de luta que ficariam bem nas mãos de um Bruce Lee, mas não nas dos personagens do filme - exceto o índio Mani, cujo ar misterioso ajudava a engolir sua bizarra perícia em artes marciais.

Mas, entre mortos e feridos, O PACTO DOS LOBOS é diversão de primeira como há muito não se via nas telas, extremamente bem realizada e envolvente. E se não bastasse tudo isso, traz ainda de quebra a presença de Mônica Bellucci e suas curvas exuberantes (às quais são muito bem exploradas pelo diretor). Claro que não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente.

Cotação: ****

A moda agora é ser reaça

- por Marcelo Rubens Paiva

"Como comentou uma leitora, Natália, no post anterior: Cara, acho tão engraçada essa mania das pessoas de falarem com orgulho que são “politicamente incorretas” quando dizem absurdos… o sujeito vem, fala um monte de merda e diz que faz isso porque é inteligente (é um livre pensador, não segue o pensamento burro e dirigido das massas, etc) e porque não liga de ser “politicamente ncorreto” porque afinal esse é o certo, a sociedade de hoje que está deturpada. Eu tinha pensado na mesma coisa. O governador e o secretário municipal de segurança reconheceram que tanto a PM quanto a Guarda Municipa exageraram na repressão à MARCHA DA MACONHA, que virou MARCHA PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO

Alckmin chegou a dizer que não compactua com a ação da PM na Marcha.

Mas muitos leitores e alguns blogueiros continuam achando que o certo mesmo era enfiar o cacete nos manifestantes.

A onda agora é ser bem REAÇA.

Se é humorista, e uma piada ultrapassa o limite do bom gosto, diz ser adepto do ideal do politicamente incorreto.

Que babaca é fazer censura contra intolerância.

Pode zoar com judeu, gay, falar palavrão, é isso, que se foda, viva a liberdade!

Se alguém defende a Marcha da Maconha, faz apologia, é vagabundo.

Se defende a descriminalização do aborto, é contra a vida.

Se aplaude a iniciativa da aprovação da união homossexual quer enviadar o Brasil todo, país que se orgulha de ser bem macho, bem família!

Se defende a punição de torturadores, é porque pactua com terroristas que só queriam implodir o estado de direito e instituir a ditadura do proletariado. Deu, né?

Esta DiogoMainardização da imprensa e da pequena burguesia brasileira tem um nome na minha terra: má educação.

Esta recusa ao pensamento humanista que ressurgiu após a eva de ditaduras que caiu como um dominó a partir dos anos 80 tem outro nome: neofascismo.

É legal ser de direita? Tá bacana desprezar os movimentos sociais, aplaudir a repressão a eles?

Eu não acho.

Apesar de considerar o termo “ politicamente correto”, do começo dos anos 90, a coisa mais fora de moda que existe, diante do que vejo e leio, afirmo: eu, aleijado com tendências esquerdizantes, não era, mas agora sou TOTALMENTE politicamente correto.

+++

Foi uma semana marcada pelo protesto da gente diferenciada e gafes nas redes sociais, que têm 600 milhões de vigilantes no Facebook e 120 milhões no Twitter.

Postaram Rafinha Bastos, no dia das mães: “Ae órfãos! Dia triste hoje, hein?”.

Danilo Gentili, sobre os “velhos” de Higienópolis que temem uma estação de metrô: “A última vez que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz.”

Amanda Régis, torcedora do Flamengo, time eliminado da Copa do Brasil pelo Ceará: “Esses nordestinos pardos, bugres, índios acham que têm moral, cambada de feios. Não é à toa que não gosto desse tipo de raça.”

Ed Motta, ao chegar em Curitiba: “O Sul do Brasil como é bom, tem dignidade isso aqui. Sim porque ooo povo feio o brasileiro rs. Em avião dá vontade chorar rs. Mas chega no Sul ou SP gente bonita compondo o ambiance rs.”

Quando um leitor replicou que Motta não era “um arquétipo de beleza”, ele respondeu que estava “num plano superior”. “Eu tenho pena de ignorantes como vc… Brasileiros…”, escreveu. “A cultura que eu vivo é a CULTURA superior. Melhor que a maioria ya know?”

E na MTV, a Casa dos Autistas, quadro humorístico, chocou pelo mau gosto Todos pediram desculpas depois.

Danilo, um dos maiores humoristas de stand-up que já vi, recebeu telefonema do departamento comercial da Band, pedindo para tirar o comentário.

Ed Motta se revoltou contra a imprensa. Pergunta se temos o direito de reproduzir seus escritos particulares.

A internet trouxe a incrível rapidez na troca de informações e espaço para exposição de ideias. Alguns se lambuzam. Dizem que são contra as patrulhas do politicamente correto.

Mas como ficam as domésticas ofendidas, os órfãos recentes, aqueles que perderam parentes em Auschwitz, os nordestinos e os pais de autistas?

Tomara que, depois do pensamento grego, democracia Renascença, a revolução industrial e tecnológica nos luminem.

O preconceito não é apenas sintoma de ignorância, mas lapsos de um narcisista. Ele nunca va acabar?

***

Enquanto no Itaú Cultural, um símbolo de excelência em apoio às artes e alta tecnologia, em plena Avenida Paulista uma mãe foi expulsa por amamentar o filho em público na exposição do Leonilson, artista que sofreu inúmeros preconceitos, morto vítima da Aids.

Ou melhor, viadão que morreu da peste gay, porque era promíscuo, diriam os reaças.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Nassif fala sobre a demissão de Palocci

- por Luis Nassif, em seu blog

A demissão de Antônio Palocci, em si, não prejudica o país. De minha parte, considerei rematada imprudência sua nomeação para um cargo-chave, como Ministro-Chefe da Casa Civil.

Mesmo que formalmente não tenha cometido nenhum ilícito, como consultor, era evidente que o mero exercício da consultoria e o fato de ter enriquecido no último ano daria margem a toda sorte de exploração política.

***

É grande a lista de ministros que enriqueceram depois de terem deixado o governo. É enorme o capital acumulado no exercício da função, permitindo várias formas de usufruto, dos legítimos aos ilícitos.

Por exemplo, antes da crise mundial, havia uma operação praticada no Banco Central que permitiu ganhos expressivos a muitas empresas: o swap reverso. A empresa ganhava se houvesse uma apreciação do real. Muitas relutavam em apostar por não ter segurança sobre quando poderia haver uma inversão do câmbio.

Um ex-Ministro como consultor permite uma segurança extra na aposta. A mesma segurança de clientes de Maílson da Nóbrega, quando ele os aconselhava sobre apostas cambiais.

Nem digo que Palocci tenha praticado esse tipo de consultoria. Apenas exemplifico.

Os economistas do Real ganharam muito mais dinheiro e em operações muito mais duvidosas. A questão é que nenhum deles largou consultoria para retornar ao governo, em posição estratégica.

***

De qualquer modo, o episódio demonstra as vulnerabilidades do modelo político brasileiro e a maneira como se utiliza politicamente o escândalo – especialmente quando se misturam questões objetivas (como as dúvidas sobre os clientes de Palocci) com factoides (a "denúncia" da Veja sobre o proprietário do imóvel alugado por ele).

***

A verdade é que desde o impeachment de Fernando Collor a denúncia tem sido utilizada como ferramenta exclusiva de disputa política – não como instrumento de aprimoramento das instituições. E é um jogo bastante empregado pela chamada grande mídia do circuito Rio-São Paulo incluindo as revistas semanais.

***

Mantem-se os escândalos guardados, reais ou fictícios, como em gôndolas de supermercados. Depois, vão sendo tirados da prateleira dependendo do interesse político em jogo.

Na hora em que quiser, a mídia poderá fazer o mesmo contra Serra, Aécio, Alckmin, Eduardo Campos, Cabral, Ministros de Dilma, secretários de Alckmin. Porque são acusações que independem de comprovação. Não há a mediação do Poder Judiciário, a análise de provas e contraprovas. Basta criar o movimento, a onda, o fato político e aguardar o desfecho.

***

Esse mesmo modelo foi aplicado contra FHC logo após a mudança cambial – quem não se recorda da saraivada de capas de revistas semanais com as acusações mais estapafúrdias contra ele, disparadas por Antônio Carlos Magalhães? Tentou-se contra Lula, no episódio do mensalão. E, agora, inaugurou-se contra Dilma, em cima de seu assessor mais vulnerável.

***

Qual o resultado final dessa história? Tornar o Executivo mais vulnerável às demandas de partidos aliados fisiológicos.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Depois de três semanas de crise, Palocci cai

Antonio Palocci não é mais o ministro-chefe da Casa Civil da Presidência da República. De condestável do governo Dilma, passou a ser nas últimas três semanas fator de desestabilização, com as acusações de enriquecimento ilícito e tráfico de influência formuladas a partir de uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo, revelando o meteórico aumento do seu patrimônio.

Palocci entregou na tarde desta terça (7) carta à presidente Dilma Rousseff solicitando o seu afastamento do governo.

Leia também:
Senadora Gleisi Hoffman é a nova chefe da Casa Civil

Ele considera que a manifestação do Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, que arquivou o pedido de investigação sobre as acusações, confirma a legalidade e a retidão de suas atividades profissionais no período recente, bem como a inexistência de qualquer fundamento, ainda que mínimo, nas alegações apresentadas sobre sua conduta.

Entretanto, chegou à conclusão de que a continuidade do embate político com o crescimento do clamor pela sua demissão poderia prejudicar suas atribuições no governo. Diante disso, preferiu solicitar seu afastamento.

Palocci coordenou a campanha eleitoral de Dilma à presidência e em seguida assumiu a equipe de transição. É a primeira baixa do alto escalão do governo da presidente. É a segunda vez que Palocci é afastado do governo depois de se envolver em crises políticas. Em 2006, ele deixou o cargo de ministro da Fazenda do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após o escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo dos Santos Costa, que havia testemunhado sobre a frequência de Palocci a uma casa em que se faziam rumorosas festas às margens do Lago Paranoá, na capital federal.

Efetivamente, a permanência de Palocci à frente da Casa Civil tornou-se insustentável. Primeiro porque demorou a se pronunciar sobre o assunto. Segundo, quando o fez, nada esclareceu. Em duas longas entrevistas, uma ao Jornal Nacional, outra à Folha de S.Paulo, na sexta-feira passada (3), não deu explicações satisfatórias sobre o seu rápido enriquecimento. Recusou-se a revelar os nomes da clientela da sua próspera consultoria. Disse apenas que realizava atividade privada e prestava serviços de consultoria a empresas de diversos segmentos da indústria, de serviços, bancos e financeiras.

A oposição em crise, sem bandeiras e dividida, encontrou no caso Palocci a oportunidade de se relançar na cena política.

Mas o que tornou insustentável a sua permanência foi a falta de apoio entre as forças que compõem o governo Dilma.

Até mesmo o seu próprio partido, o PT, negou-lhe uma nota oficial de apoio. A reunião da semana passada da Comissão Executiva nacional petista foi palco de enorme celeuma, com alguns de seus membros pedindo a demissão do ministro. Figuras renomadas do petismo, como o ex-prefeito de Porto Alegre, Raul Pont, foram a público exigir a sua saída do importante posto que ocupava no centro do governo. O presidente do diretório estadual de Minas Gerais, Reginaldo Lopes, embora em termos mais amenos, foi na mesma direção.

Entre outros partidos de esquerda da base do governo, desde a semana passada era grande a preocupação com os prejuízos que a atitude de Palocci acarretava para o governo. Eduardo Campos (PSB) e Renato Rabelo (PCdoB) pediam explicações. Na 7ª reunião plenária do Comitê Central, realizada no último fim de semana (4 e 5), o PCdoB emitiu nota pública propondo uma solução rápida para a crise.

A Força Sindical, central de trabalhadores dirigida pelo PDT do deputado federal Paulinho e do ministro do Trabalho Carlos Lupi, fez pronunciamento enfático pedindo a demissão do ministro petista.

Nesta terça, apesar do arquivamento do pedido de investigação pela Procuradoria Geral da República, a situação de Palocci agravou-se com o crescimento de adesões à criação da CPI no Senado.

Da redação

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...