quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Filmes: Immortel (Ad Vitam)

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O QUADRINHO É BEM MELHOR

É uma pena que Enki Bilal tenha errado a mão ao adaptar sua obra para o cinema. Deveria ter seguido mais à risca os originais ao invés de tentar deixar tudo mais moderninho sem necessidade.

- por André Lux, crítico-spam

Sou grande apreciador dos quadrinhos do artista Enki Bilal, nascido na antiga Iugoslávia e hoje radicado na França, principalmente das graphic novels “Os Imortais” e sua continuação “A Mulher Enigma”. Por isso, tinha grande expectativa em poder assistir “Immortel (Ad Vitam)”, a adaptação que o próprio Bilal fez da sua obra para o cinema. Já havia assistido a outro filme dele, “Tykho Moon”, que deixou boa impressão.

Depois de muito esperar (em vão) a chegada do filme ao Brasil, finalmente consegui assisti-lo depois de baixar pela internet. E o resultado é uma grande decepção. A beleza estética da obra do artista está impressa em cada fotograma de “Immortel (Ad Vitam)”, mas ficaram de fora o humor corrosivo e a crítica político-social geniais que fazem parte intrínseca dos quadrinhos.

Além disso, a trama é confusa e a conclusão não chega a fazer sentido, sendo vagamente inspiradas nos originais. O fato de ter seus cenários quase totalmente criados por meio de computação gráfica não é algo que incomode, porém a artificialidade com que os personagens interagem neles é gritante e deixa o filme sem peso e dramaticamente nulo.

A fusão entre atores de carne e osso (entre eles uma Charllote Rampling perdida) e os personagens humanos criados inteiramente por CGI não convence e a impressão que fica é que faltou grana para o projeto e Bilal, que assina a direção e o roteiro, foi obrigado no final a tampar os buracos com bonecos digitais (alguns bem fraquinhos, como a oriental que é assistente do político corrupto).

Mas, pior mesmo foi ter mudado completamente a personalidade do protagonista Nikopol (Thomas Kretschmann) transformando-o num antigo ativista político sorumbático e intelectual, quando no original era justamente a burrice tosca dele que deixava tudo muito mais divertido e servia de contraponto perfeito para as complexas maquinações diabólicas do deus egípcio Hórus.

Alguns mal informados acusam “Immortel (Ad Vitam)” de ter copiado filmes como “O Quinto Elemento” tanto no visual quanto na trama, mas é justamente o contrário: são eles que “beberam” na fonte de Bilal. Por isso, é uma pena que o próprio tenha errado a mão ao adaptar sua obra para o cinema.

Deveria ter seguido mais à risca os originais (e nos raros momentos em que segue, o filme melhora consideravelmente) ao invés de tentar deixar tudo mais moderninho inserindo na trama inclusive alusões à nova onda de clonagem e manipulação genética sem que houvesse necessidade.

Vale como curiosidade e pela beleza dos cenários, mas prefira os quadrinhos originais que são bem melhores.

Cotação: * * 1/2
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