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quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Mídia Canalha: Repórter denuncia parcialidade da TV Globo nas eleições 2006

Rodrigo Vianna, após questionar a cobertura da emissora das eleições, foi afastado do noticiário político. Nesta terça-feira (19), foi informado de que a Globo, após 12 anos, pretendia não renovar seu contrato. Em carta enviada aos colegas, obtida pela agência Carta Maior, ele acusa a parcialidade da empresa.


Lealdade

- Rodrigo Vianna

Quando cheguei à TV Globo, em 1995, eu tinha mais cabelo, mais esperança, e também mais ilusões. Perdi boa parte do primeiro e das últimas. A esperança diminuiu, mas sobrevive. Esperança de fazer jornalismo que sirva pra transformar - ainda que de forma modesta e pontual. Infelizmente, está difícil continuar cumprindo esse compromisso aqui na Globo. Por isso, estou indo embora.

Quando entrei na TV Globo, os amigos, os antigos colegas de Faculdade, diziam: "você não vai agüentar nem um ano naquela TV que manipula eleições, fatos, cérebros". Agüentei doze anos. E vou dizer: costumava contar a meus amigos que na Globo fazíamos - sim - bom jornalismo. Havia, ao menos, um esforço nessa direção.

Na última década, em debates nas universidades, ou nas mesas de bar, a cada vez que me perguntavam sobre manipulação e controle político na Globo, eu costumava dizer: "olha, isso é coisa do passado; esse tempo ficou pra trás".

Isso não era só um discurso. Acompanhei de perto a chegada de Evandro Carlos de Andrade ao comando da TV, e a tentativa dele de profissionalizar nosso trabalho. Jornalismo comunitário, cobertura política - da qual participei de 98 a 2006. Matérias didáticas sobre o voto, sobre a democracia. Cobertura factual das eleições, debates. Pode parecer bobagem, mas tive orgulho de participar desse momento de virada no Jornalismo da Globo.

Parecia uma virada. Infelizmente, a cobertura das eleições de 2006 mostrou que eu havia me iludido. O que vivemos aqui entre setembro e outubro de 2006 não foi ficção. Aconteceu.
Pode ser que algum chefe queira fazer abaixo-assinado para provar que não aconteceu. Mas, é ruim, hem!

Intervenção minuciosa em nossos textos, trocas de palavras a mando de chefes, entrevistas de candidatos (gravadas na rua) escolhidas a dedo, à distância, por um personagem quase mítico que paira sobre a Redação: "o fulano (e vocês sabem de quem estou falando) quer esse trecho; o fulano quer que mude essa palavra no texto".

Tudo isso aconteceu. E nem foi o pior.

Na reta final do primeiro turno, os "aloprados do PT" aprontaram; e aloprados na chefia do jornalismo global botaram por terra anos de esforço para construir um novo tipo de trabalho aqui.

Ao lado de um grupo de colegas, entrei na sala de nosso chefe em São Paulo, no dia 18 de setembro, para reclamar da cobertura e pedir equilíbrio nas matérias: "por que não vamos repercutir a matéria da "Istoé", mostrando que a gênese dos sanguessugas ocorreu sob os tucanos? Por que não vamos a Piracicaba, contar quem é Abel Pereira? "

Por que isso, por que aquilo... Nenhuma resposta convincente. E uma cobertura desastrosa. Será que acharam que ninguém ia perceber?

Quando, no JN, chamavam Gedimar e Valdebran de "petistas" e, ao mesmo tempo, falavam de Abel Pereira como empresário ligado a um ex-ministro do "governo anterior", acharam que ninguém ia achar estranho?

Faltando seis dias para o primeiro turno, o "petista" Humberto Costa foi indiciado pela PF. No caso dos vampiros. O fato foi parar em manchete no JN, e isso era normal. O anormal é que, no mesmo dia, esconderam o nome de Platão, ex-assessor do ministério na época de Serra/Barjas Negri. Os chefes sabiam da existência de Platão, pediram a produtores pra checar tudo sobre ele, mas preferiram não dar. Que jornalismo é esse, que poupa e defende Platão, mas detesta Freud! Deve haver uma explicação psicanalítica para jornalismo tão seletivo!

Ah, sim, Freud. Elio Gaspari chegou a pedir desculpas em nome dos jornalistas ao tal Freud Godoy. O cara pode ter muitos pecados. Mas, o que fizemos na véspera da eleição foi incrível: matéria mostrando as "suspeitas", e apontando o dedo para a sala onde ele trabalhava, bem próximo à sala do presidente... A mensagem era clara. Mas, quando a PF concluiu que não havia nada contra ele, o principal telejornal da Globo silenciou antes da eleição.

Não vi matérias mostrando as conexões de Platão com Serra, com os tucanos.

Também não vi (antes do primeiro turno) reportagens mostrando quem era Abel Pereira, quem era Barjas Negri, e quais eram as conexões deles com PSDB. Mas vi várias matérias ressaltando os personagens petistas do escândalo. E, vejam: ninguém na Redação queria poupar os petistas (eu cobri durante meses o caso Santo André; eram matérias desfavoráveis a Lula e ao PT, nunca achei que não devêssemos fazer; seria o fim da picada...).

O que pedíamos era isonomia. Durante duas semanas, às vésperas do primeiro turno, a Globo de São Paulo designou dois repórteres para acompanhar o caso dossiê: um em São Paulo, outro em Cuiabá. Mas, nada de Piracicaba, nada de Barjas.!

Um colega nosso chegou a produzir, de forma precária, por telefone (vejam, bem, por telefone! Uma TV como a Globo fazer reportagem por telefone), reportagem com perfil do Abel. Foi editada, gerada para o Rio. Nunca foi ao ar!

Os telespectadores da Globo nunca viram Serra e os tucanos entregando ambulâncias cercados pelos deputados sanguessugas. Era o que estava na tal fita do "dossiê". Outras TVs mostraram o vídeo, a internet mostrou. A Globo, não. Provava alguma coisa contra Serra? Não. Ele não era obrigado a saber das falcatruas de deputados do baixo clero. Mas, por que demos o gabinete de Freud pertinho de Lula, e não demos Serra com sanguessugas?

E o caso gravíssimo das perguntas para o Serra? Ouvi, de pelo menos 3 pessoas diretamente envolvidas com o SP-TV Segunda Edição, que as perguntas para o Serra, na entrevista ao vivo no jornal, às vésperas do primeiro turno, foram rigorosamente selecionadas. Aquele diretor (aquele, vocês sabem quem) teria mandado cortar todas as perguntas "desagradáveis". A equipe do jornal ficou atônita. Entrevistas com os outros candidatos tinham sido duras, feitas com liberdade. Com o Serra, teria havido, deliberadamente, a intenção de amaciar.

E isso era um segredo de polichinelo. Muita gente ouviu essa história pelos corredores...

E as fotos da grana dos aloprados? Tínhamos que publicar? Claro. Mas, porque não demos a história completa? Os colegas que estavam na PF naquele dia (15 de setembro), tinham a gravação, mostrando as circunstâncias em que o delegado vazara as fotos. Justiça seja feita: sei que eles (repórter e produtor) queriam dar a matéria completa - as fotos, e as circunstâncias do vazamento. Podiam até proteger a fonte, mas escancarando o que são os bastidores de uma campanha no Brasil. Isso seria fazer jornalismo, expor as entranhas do poder.

Mais uma vez, fomos seletivos: as fotos mostradas com estardalhaço. A fita do delegado, essa sumiu!

Aquele diretor, aquele que controla cada palavra dos textos de política, disse que só tomou conhecimento do conteúdo da fita no dia seguinte. Quer que a gente acredite?
Por que nunca mostraram o conteúdo da fita do delegado no JN?

O JN levou um furo, foi isso?

Um colega nosso, aqui da Globo ouviu a fita e botou no site pessoal dele... Mas, a Globo não pôs no ar... O portal "G-1" botou na íntegra a fita do delegado, dias depois de a "CartaCapital" ter dado o caso. Era noticia? Para o portal das Organizações Globo, era.

Por que o JN não deu no dia 29 de setembro? Levou um furo?
Não. Furada foi a cobertura da eleição. Infelizmente.

E, pra terminar, aquele episódio lamentável do abaixo-assinado, depois das matérias da "CartaCapital". Respeito os colegas que assinaram. Alguns assinaram por medo, outros por convicção. Mas, o fato é que foi um abaixo-assinado em defesa da Globo, apresentado por chefes!

Pensem bem. Imaginem a seguinte hipótese: a revista "Quatro Rodas" dá matéria falando mal da suspensão de um carro da Volkswagen, acusando a empresa de deliberadamente não tomar conhecimento dos problemas. Aí, como resposta, os diretores da Volks têm a brilhante idéia de pedir aos metalúrgicos pra assinar um manifesto em defesa da empresa! O que vocês acham? Os metalúrgicos mandariam a direção da fábrica catar coquinho em Berlim!

Aqui, na Globo, muitos preferiram assinar. Por isso, talvez, tenhamos um metalúrgico na Presidência da República, enquanto os jornalistas ficaram falando sozinhos nessa eleição...

De resto, está difícil continuar fazendo jornalismo numa emissora que obriga repórteres a chamarem negros de "pretos e pardos". Vocês já viram isso no ar? Sinto vergonha...

A justificativa: IBGE (e, portanto, o Estado brasileiro) usa essa nomenclatura. Problema do IBGE. Eu me recuso a entrar nessa. Delegados de policia (representantes do Estado) costumavam (até bem pouco tempo) tratar companheiras (mesmo em relações estáveis) como "concubinas" ou "amásias". Nunca usamos esses termos!

Árabes que chegaram ao Brasil no início do século passado eram chamados de "turcos" pelas autoridades (o passaporte era do Império Turco Otomano, por isso a nomenclatura). Por causa disso, jornalistas deviam chamar libaneses de turcos?

Daqui a pouco, a Globo vai pedir para que chamemos a Parada Gay de "Parada dos Pederastas". Francamente, não tenho mais estômago.

Mas, também, o que esperar de uma Redação que é dirigida por alguém que defende a cobertura feita pela Globo na época das Diretas?

Respeito a imensa maioria dos colegas que ficam aqui. Tenho certeza que vão continuar se esforçando pra fazer bom Jornalismo. Não será fácil a tarefa de vocês.

Olhem no ar. Ouçam os comentaristas. As poucas vozes dissonantes sumiram. Franklin Martins foi afastado. Do Bom dia Brasil ao JG, temos um desfile de gente que está do mesmo lado.

Mas sabem o que me deixou preocupado mesmo? O texto do João Roberto Marinho depois das eleições.

Ele comemorou a reação (dando a entender que foi absolutamente espontânea; será que disseram isso pra ele? Será que não contaram a ele do mal-estar na Redação de São Paulo?) de jornalistas em defesa da cobertura da Globo:

"(...)diante de calúnias e infâmias, reagem, não com dúvidas ou incertezas, mas com repúdio e indignação. Chamo isso de lealdade e confiança".

Entendi. Ele comemora que não haja dúvidas e incertezas... Faz sentido. Incerteza atrapalha fechamento de jornal. Incerteza e dúvida são palavras terríveis. Devem ser banidas. Como qualquer um que diga que há racismo - sim - no Brasil.

E vejam o vocabulário: "lealdade e confiança". Organizações ainda hoje bem populares na Itália costumam usar esse jargão da "lealdade".

Caro João, você talvez nem saiba direito quem eu sou.
Mas, gostaria de dizer a você que lealdade devemos ter com princípios, e com a sociedade. A Globo, infelizmente, não foi "leal" com o público. Nem com os jornalistas.Vai pagar o preço por isso. É saudável que pague. Em nome da democracia!

João, da família Marinho, disse mais no brilhante comunicado interno:

"Pude ter certeza absoluta de que os colaboradores da Rede Globo sabem que podem e devem discordar das decisões editoriais no trabalho cotidiano que levam à feitura de nossos telejornais, porque o bom jornalismo é sempre resultado de muitas cabeças pensando".

Caro João, em que planeta você vive? Várias cabeças? Nunca, nem na ditadura (dizem-me os companheiros mais antigos) tivemos na Globo um jornalismo tão centralizado, a tal ponto que os repórteres trabalham mais como bonecos de ventríloquos, especialmente na cobertura política!

Cumpro agora um dever de lealdade: informo-lhe que, passadas as eleições, quem discordou da linha editorial da casa foi posto na "geladeira". Foi lamentável, caro João. Você devia saber como anda o ânimo da Redação - especialmente em São Paulo.

Boa parte dos seus "colaboradores" (você, João, aprendeu direitinho o vocabulário ideológico dos consultores e tecnocratas - "colaboradores", essa é boa... Eu não sou colaborador, coisa nenhuma! Sou jornalista!) está triste e ressabiada com o que se passou.

Mas, isso tudo tem pouca importância.

Grave mesmo é a tela da Globo - no Jornalismo, especialmente - não refletir a diversidade social e política brasileira. Nos anos 90, houve um ensaio, um movimento em direção à pluralidade. Já abortado. Será que a opção é consciente?

Isso me lembra a Igreja Católica, que sob Ratzinger preferiu expurgar o braço progressista. Fez uma opção deliberada: preferiram ficar menores, porém mais coesos ideologicamente. Foi essa a opção de Ratzinger. Será essa a opção dos Marinho?

Depois, não sabem porque os protestantes crescem...

Eu, que não sou católico nem protestante, fico apenas preocupado por ver uma concessão pública ser usada dessa maneira!

Mas, essa é também uma carta de despedida, sentimental.
Por isso, peço licença pra falar de lembranças pessoais.

Foram quase doze anos de Globo.

Quando entrei na TV, em 95, lá na antiga sede da praça Marechal, havia a Toninha - nossa mendiga de estimação, debaixo do viaduto. Os berros que ela dava em frente à entrada da TV traziam uma dimensão humana ao ambiente, lembravam-nos da fragilidade de todos nós, de como nossa razão pode ser frágil.

Havia o João Paulada - o faz-tudo da Redação.
Havia a moça do cafezinho (feito no coador, e entregue em garrafas térmicas), a tia dos doces...
Era um ambiente mais caseiro, menos pomposo. Hoje, na hora de dizer tchau, sinto saudade de tudo aquilo. Havia bares sujos, pessoas simples circulando em volta de todos nós - nas ruas, no Metrô, na padaria.

Todos, do apresentador ao contínuo, tinham que entrar a pé na Redação. Estacionamentos eram externos (não havia "vallet park", nem catraca eletrônica). A caminhada pelas calçadas do centro da cidade obrigava-nos a um salutar contato com a desigualdade brasileira.

Hoje, quando olho pra nossa Redação aqui na Berrini, tenho a impressão que estou numa agência de publicidade. Ambiente asséptico, higienizado. Confortável, é verdade. Mas triste, quase desumano.

Mas, há as pessoas. Essas valem a pena.

Pra quem conseguiu chegar até o fim dessa longa carta, preciso dizer duas coisas...

1) Sinto-me aliviado por ficar longe de determinados personagens, pretensiosos e arrogantes, que exigem "lealdade"; parecem "poderosos chefões" falando com seus seguidores... Se depender de mim, como aconteceu na eleição, vão ficar falando sozinhos.

2) Mas, de meus colegas, da imensa maioria, vou sentir saudades. Saudades das equipes na rua - UPJs que foram professores; cinegrafistas que foram companheiros; esses sim (todos) leais ao Jornalismo. Saudades dos editores - que tiveram paciência com esse repórter aflito e procuraram ser leais às minúcias factuais. Saudades dos produtores e dos chefes de reportagem - acho que fui leal com as pautas de vocês e (bem menos) com os horários! Saudades de cada companheiro do apoio e da técnica - sempre leais. Saudades especialmente, das grandes matérias no Globo Repórter - com aquela equipe de mestres (no Rio e em São Paulo) que aos poucos vai se desmontando, sem lealdade nem respeito com quem fez história (mas há bravos resistentes ainda).

Bem, pelo tom um tanto ácido dessa carta pode não parecer. Mas levo muita coisa boa daqui.

Perdi cabelos e ilusões. Mas, não a esperança.

Um beijo a todos.
Rodrigo Vianna.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

Publicidade: Sugestão de anúncio para CartaCapital

Abaixo, uma sugestão minha para um anúncio da CartaCapital.
Fiz só de brincadeira e enviei para a revista.
Para minha surpresa, eles gostaram e pediram minha autorização para publicar!

Vamos ver, quem sabe eles usam mesmo?? Seria uma honra, com certeza...

Clique na foto abaixo que ela abre em maior resolução:

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Filmes: "O LABIRINTO DO FAUNO"

AGORA, SEM DESCULPA

Qualidades da produção não conseguem esconder falta de profundidade dos personagens, excesso de violência, nojeiras e outros erros que o diretor Guillermo del Toro cometeu também em Hollywood

- por André Lux, ex-crítico-spam

É interessante como alguns cineastas ganham fama por um suposto talento atrás das câmeras que acaba nunca se materializando nos seus filmes. O mexicano Guillermo del Toro é um desses casos. Depois de uma curta carreira em seu país de origem, migrou para Hollywood cheio de moral e realizou alguns filmes que eram basicamente combinações de terror com história em quadrinhos (“Mutação”, “Blade 2” e “Hellboy”). Apesar de ficarem um pouco acima da média geral desse tipo de produção, possuíam falhas e exageros que prejudicavam o resultado final. Mas, a culpa disso era sempre colocada nos estúdios, que forçavam o diretor a apelar para excessos em detrimento do desenvolvimento e aprofundamento dos personagens.

Entra “O Labirinto do Fauno”, filme pessoal e independente do cineasta, realizado com o apoio de uma equipe formada totalmente por profissionais de sua confiança e sem interferência de executivos gananciosos. Teria tudo, portanto, para ser a sua obra redentora. Mas, que decepção, todos os erros e exageros cometidos nos filmes estadunidenses também estão presentes aqui: excesso de violência gráfica, insistência em filmar melecas e outras nojeiras e, maior dos pecados, falta de aprofundamento dos protagonistas.

É uma pena, pois a premissa inicial é muito interessante e poderia ter rendido um excelente conto de fadas gótico, realmente rico e repleto de nuances psicológicos. Sem dizer que o filme tem um desenho de produção primoroso, fotografia caprichada e uma trilha musical excepcional de Javier Navarrete (fiquem de olho, pois a exemplo de outros compositores estrangeiros, como Gustavo Santaolala, certamente vai fazer carreira em Hollywood, atualmente infestada por músicos horrendos). Infelizmente, tudo está a serviço de um roteiro capenga, que tenta misturar sem sucesso os delírios de uma menina carente com o drama de um pequeno grupo de guerrilheiros na Espanha fascista dos anos 1940, dominada pela ditadura sanguinária do general Franco. As duas aproximações nunca combinam, até porque as realidades tratadas não se cruzam.

Faltou ao diretor e roteirista tato para criar situações que humanizassem os personagens principais, que no final das contas ficam reduzidos a meras caricaturas sem profundidade e, por isso, se tornam desinteressantes à medida que a trama avança. O caso mais grave é o do capitão fascista, cuja loucura nunca é justificada, deixando o ator Sergi López livre para super-representar. Com isso, as cenas de torturas e de violência extrema proporcionadas por ele chocam só por serem explicitamente grotescas e repulsivas – o ponto mais baixo do filme dá-se quando ele costura a própria boca sem anestesia, coisa que nem o próprio Rambo fez sem sentir alguma dor! Sem dizer que uma guerrilheira jamais o deixaria escapar vivo de uma situação daquelas.

Outro erro foi não justificar direito os devaneios da menina, interpretada pela fraca Ivana Baquero. Ela já começa o filme vendo fadas, destruindo a vontade do cineasta de mostrar o mundo dos sonhos dela como sendo uma fuga da realidade brutal que a cerca. Se tivesse começado a inserir a parte irreal a partir, por exemplo, do momento que os problemas com sua mãe começam a acontecer, teria sido mais coerente com a proposta inicial. No final, o único personagem mais humano do filme é o médico do capitão que também ajuda os rebeldes. Seus conflitos e medos são o que existe de mais palpável, ao ponto de fazer a gente se lamentar quando sai de cena prematuramente.

Tenho visto alguns profissionais da opinião entoando loas ao filme, chamando-o de obra-prima e outros exageros. Novamente com medo de serem acusados de “não terem entendido a proposta do diretor”, estão julgando a obra pela sua pretensão e não pelo resultado final.

“O Labirinto do Fauno” é um filme interessante. Porém, não resiste a uma análise mais profunda e nunca chega a cumprir suas promessas. Nem mesmo a conclusão trágica consegue ter a força poética pretendida. O que é uma pena, levando-se em conta as qualidades da produção.

Enfim, depois de mais essa escorregada, quem sabe um dia Guillermo del Toro percebe que enfiar um monte de cenas nojentas em seus filmes vai apenas alienar justamente aquele espectador para o qual ele parece querer tanto mostrar seu valor? A esperança é a última que morre...

Cotação: * * 1/2

quinta-feira, 30 de novembro de 2006

Filmes: A FONTE DA VIDA

MASTURBAÇÃO MENTAL PORRETA

Diretor apaixonado pelo próprio umbigo tenta impressionar platéia com enigma indecifrável, cuja chave guardou só para ele e seus amigos mais chegados. Pseudo-intelectuais ficarão em êxtase.

- por André Lux

De tempos em tempos surge um filme sem pé nem cabeça feito por um sujeito pretensioso e auto-indulgente que deixa em êxtase os pseudo-intelectuais-metidos-a-besta de plantão. Como sabemos, existem pessoas que, ao não conseguir decifrar o significado de uma obra sem sentido que finge ser hiper-profunda, passam a endeusar seu realizador. David Lynch, por exemplo, adora enganar essa turma - tanto que chegaram a lhe dar prêmios por filmes ridículos como “Cidade dos Sonhos” (que não passava de um piloto rejeitado para série de TV no qual o diretor enfiou um monte de imagens delirantes que nada tinham a ver com a trama e um final enigmático para poder vender como longa-metragem).

O diretor Darren Aronofsky é outro desses charlatões. Mas, ao contrário de Lynch, Aronofsky se leva a sério e acha mesmo que tem algo seminal a dizer em cada filme que lança. Foi assim com o indecifrável “Pi” (sim, o título é aquele símbolo matemático, vejam só que chique!) e com o grotesco “Réquiem para Um Sonho” (que abordava de forma moralista o mundo das drogas e tinha como ponto alto uma dona de casa delirante sendo atacada por sua geladeira). Seu novo filme, “A Fonte da Vida” é mais um exemplo da obsessão do rapaz em impressionar seus admiradores os quais, novamente privados propositalmente de entender o significado de sua obra, vão achá-lo o máximo.

Se não acredita em mim, confira a trama do filme: alternando três realidades paralelas, “A Fonte da Vida” quer lançar luz sobre temas como “o sentido da vida”, “a força do amor” e a “imortalidade da alma”. Para isso, mistura imagens da inquisição espanhola, de uma busca pela cura do câncer e de um sujeito careca que viaja dentro de uma bolha de sabão intergaláctica à procura da vida eterna! Tudo isso embalado por cenografia e direção de fotografia soturnas, diálogos sussurrados pomposamente e uma trilha musical repetitiva e sufocante (mas gravada pelo conjunto Kronos Quartet, que luxo!).

Mas, pense de novo, pois nem tudo é o que parece. Aos poucos, somos ensinados que, na verdade, é a trama do presente que vale. Nela, vemos um casal formado por Hugh Jackman (o Wolverine de “X-Men”) e Rachel Weisz (de “A Múmia” e o “Jardineiro Fiel”.). Ela está morrendo de câncer e ele parece ser um cientista-cirurgião que procura desesperadamente a cura para a doença, na esperança de salvar a esposa. Entre as seções de quimioterapia e repentes de "iluminação espiritual", a moça escreve um romance passado na Espanha na época da Inquisição (detalhe: o livro é todo escrito à mão, com caneta tinteiro, letra perfeita e sem nenhum traço de Errorex!). A rainha Isabel (interpretada pela própria Weisz) passa uma missão ao seu mais fiel conquistador (o mesmo Jackman): achar a árvore da vida eterna (ou será a fonte da juventude?), localizada num templo Inca perdido na América central, pois só isso pode salvar seu reino da iminente invasão de um fanático religioso (sem dúvida um plano genial!).

Corte rápido para o mesmo Jackman, agora carequinha e de pijama, viajando pelo espaço sideral dentro de sua nave-bolha em busca de uma estrela moribunda, chamada pelos Incas de “Xibalba”, que em breve vai virar super-nova e, assim, devolverá a vida à sua ex-mulher. Enquanto não chega lá, ele flutua pelo ar, faz exercícios de tai-chi-chuan, come pedacinhos da árvore da vida (que está com ele na bolha) e tem alucinações com o passado. Ou será com o futuro? Vai ver tudo isso é só uma representação simbólica da jornada interior do personagem principal, que se recusa a aceitar a morte do ente amado. Pode ser também uma história-dentro-da-história que está sendo contada. Ou mesmo uma alucinação cognitiva do protagonista, que se proteja num futuro (ou passado?) longínquo para tolerar o presente. Como se vê, é masturbação mental das mais porretas!

Para muitos, toda essa baboseira pseudo-profunda sem sentido vai parecer algo magistral. Mas, para quem procura filmes realmente inteligentes (como “2001”, “Solaris” ou mesmo a trilogia “Matrix”), cujas alegorias enigmáticas se resolviam e se relacionavam intrinsecamente dentro do próprio roteiro, “A Fonte da Vida” é só mais uma obra aborrecida, pretensiosa e indecifrável - até porque o diretor guardou a chave do enigma que apresenta só para ele e, talvez, seus amigos mais íntimos. E, convenhamos, não é possível deixar de ridicularizar um filme que mostra personagens pronunciando, com total seriedade e afetação, a palavra “Xibalba” a cada 10 minutos de projeção!

Se você gosta de ser enganado por artistas apaixonados pelo próprio umbigo para se sentir inteligente, vá em frente. Esse filme é pra você. Caso contrário poupe seus preciosos neurônios para tentar decifrar obras ricas e que realmente têm algo a dizer sobre a condição humana.

Cotação: *

terça-feira, 28 de novembro de 2006

Charge: A nova onda do momento



Só um comentário: a charge é ótima e bem realista. O único porém é a linha que diz "Você perde as eleições...". Parece estranho, afinal Lula, do PT, ganhou as eleições da direita com 58 milhões de votos. Mas é preciso destacar que o autor da charge, Gilberto Maringone, foi um dos coordenadores da campanha do derrotado PSOL em São Paulo. Isso explica essa estranha afirmação, pois no caso ele e seu partido de extrema-esquerda (que foi tanto para a esquerda, mas tanto, que já virou direita) realmente perderam as eleições...

sexta-feira, 17 de novembro de 2006

Filmes: "OS INFILTRADOS"

OS RATOS TAMBÉM AMAM

Diretor Martin Scorsese finalmente consegue agradar tanto aqueles que buscam um produto de maior refinamento artístico, quanto os que preferem apenas passar algumas horas se entretendo no cinema.

- por André Lux

Sei que o que vou declarar a seguir soará como uma heresia a muitos profissionais da opinião que costumam idolatrar certos artistas, mas “Os Infiltrados” é o primeiro filme do diretor Martin Scorsese que eu realmente gostei, sem restrições. Tudo bem, reconheço que o sujeito é um bom diretor (especialmente de atores), que sabe tudo de cinema e inventa planos seqüências espetaculares. Mas só isso não basta para fazer um filme funcionar. Muitos de seus projetos anteriores, como “Gangues de Nova York”, “O Aviador” e “Os Bons Companheiros”, padeciam de narrações truncadas e excesso de duração, enquanto outros eram simplesmente chatos (“Época de Inocência” vem à mente, um filme onde absolutamente nada de interessante ocorre durante as mais de três horas de projeção!).

Nada disso acontece em “Os Infiltrados”. O filme é longo, mas a gente nem percebe, tamanho o nível de tensão e suspense que o diretor imprime em cada fotograma. Ficamos literalmente na ponta da cadeira durante quase toda a projeção, na expectativa do que vai acontecer em seguida na história. E o roteiro, inspirado no filme chinês “Internal Affairs”, reserva algumas surpresas chocantes, especialmente na conclusão.

Leonardo Di Caprio, que finalmente começa a ficar com cara de homem, está excelente no papel do policial que finge ser criminoso para se infiltrar na máfia irlandesa comandada por um verdadeiro psicopata (interpretado com seriedade e força por Jack Nicholson, que dá um show à parte). O ex-galã de “Titanic” consegue nos fazer sentir sua condição limítrofe por meio de vários nuances de interpretação, provando definitivamente que é um ator de verdade. No outro lado da moeda temos Matt Damon, que também funciona bem como o arrogante e inescrupuloso pau mandado do crime organizado infiltrado na polícia.

Apesar da direção de fotografia ser do consagrado Michael Bauhaus, Scorsese optou dessa vez por uma decupagem seca, isenta de malabarismos estéticos e mais focada nos atores, fator que deixa o filme ainda mais angustiante e realista, especialmente nas cenas de violência. Soma-se a isso uma montagem vibrante e uma trilha sonora que contrapõe canções pop intensas à partitura intimista de Howard Shore (o mesmo da trilogia “O Senhor dos Anéis”) e o resultado é um ótimo filme, capaz de agradar tanto aqueles que buscam um produto de maior refinamento artístico, quanto os que preferem apenas passar algumas horas se entretendo no cinema.

Em comum com outros filmes do cineasta, “Os Infiltrados” aborda o caos e a degradação urbana pelo ponto de vista da criminalidade sem ter uma moral definida, o que é algo sempre louvável particularmente nesses tempos moralistas em que vivemos atualmente. No mundo de Scorsese, ninguém presta, todos são mentirosos, manipuladores e falíveis. Não é à toa, portanto, que a figura que permeia o filme todo é a de um rato - tanto na forma de expressão verbal (que serve para rotular os infiltrados), quanto literal (na cena que encerra a projeção). Mas, atenção, até os ratos amam e são amados. Assim também como na vida real. Veja e comprove.

Cotação: * * * * *

quinta-feira, 16 de novembro de 2006

DVD: "ENRON – OS MAIS ESPERTOS DA SALA"

APAGÃO "MADE IN USA"

Filme denuncia a lógica capitalista que, cedo ou tarde, vai provocar danos irreversíveis ao planeta e colocar de joelhos a raça humana.

- por André Lux

Quando alguém vier pregar a você as maravilhas oriundas do enxugamento do Estado e das privatizações, pergunte se ele já assistiu ao excelente documentário “Enron – Os Mais Espertos da Sala”. Se a resposta for “não”, então nem perca seu tempo discutindo. Não vale a pena. 

Quem acredita nessa ladainha que demoniza a regulamentação e o controle do Estado e pinta as empresas privadas como a salvação da economia só pode ser ingênuo ou mal intencionado.

O mais emblemático (e estarrecedor) exemplo das conseqüências destruidoras dessa corrente de pensamento inaugurada pelo ex-presidente Ronald Reagan na década de 1980, chamada carinhosamente de “neoliberal”, está registrada neste filme assinado por Alex Gigbey. 

Exportada para o resto do mundo e implantada com maior voracidade nos países ditos de terceiro-mundo (Brasil, inclusive), essa ideologia que traveste o que existe de mais selvagem no capitalismo como sendo algo moderno, natural e irreversível, moldou e travou a mentalidade das pessoas na busca pelo consumismo sem limites (“consumo, logo existo”) e jogou a humanidade para a beira do abismo.

O caso da Enron ilustra de forma cabal o que acontece quando o cinismo, a arrogância, a ganância e a manipulação da informação se juntam sem qualquer limite e controle externo. 

Apostando no que existe de mais agressivo em termos de marketing e relações públicas, seus executivos conseguiram elevar os preços das ações da empresa a níveis estratosféricos, sem que houvesse lastro real na contabilidade. 

Isso se deu pela aplicação de uma técnica contábil absurda chamada de mark-to-market, por meio da qual projetavam lucros exorbitantes a partir do fechamento de transações que nem ainda haviam sido completadas, entre outras práticas simplesmente ilegais.

E, mesmo cientes da fragilidade e irracionalidade dos seus negócios, os manda-chuvas da Enron continuavam a propagar a solidez da empresa aos quatro ventos e estimulavam a compra das suas ações inclusive entre seus pobres funcionários que investiram nelas seus preciosos fundos de pensão. 

Um das coisas que mais chama a atenção nessa história absurda é a maneira como a mídia e os analistas financeiros aceitavam e festejavam o “sucesso” da empresa sem levantar uma questão sequer a respeito desse verdadeiro milagre econômico – nem o fato da Enron atuar em uma dos mercados mais complexos e arriscados do mundo, que é o da prospecção e consumo de energia elétrica e gás, levantou suspeitas entre os “formadores de opinião” estadunidenses! Como se vê, o pensamento único propagado como verdade absoluta e incontestável não é privilégio da imprensa corporativa brasileira...

Todavia, o fato mais chocante deu-se quando negociadores (traders) da Enron literalmente derrubaram as usinas de força da Califórnia para fazer subir o preço da energia elétrica e salvar as finanças da empresa, prejudicando a economia do Estado e arriscando a vida de milhares de pessoas. 

Essa operação está toda documentada e é apresentada didaticamente no filme, inclusive com gravações em áudio das conversar entre os negociadores, que não apenas falavam abertamente do golpe em andamento, como debochavam do povo que estava sofrendo as conseqüências. 

Está aí representado o ápice do que o pensamento neoliberal, que visa o lucro financeiro acima de tudo e de todos, significa. Uma das conseqüências mais nefastas desse “apagão” operado pela empresa foi a queda do então governador da Califórnia, que acabou sendo substituído via um recall eleitoral no meio do mandado pelo ator Arnold Schwarzenegger (não por acaso do mesmo partido dos Bush). Qualquer semelhança com o “apagão” ocorrido no (desculpem o trocadilho) apagar das luzes do governo Fernando Henrique Cardoso não pode, portanto, ser mera coincidência.

E todas essas barbaridades aconteceram graças às brechas encontradas nas novas leis anti-protecionistas e ao suporte do governo Bush, recém eleito na época, cuja família mantinha laços estreitos com o fundador da Enron, Ken Lay, que chegou a ser cogitado para assumir uma pasta no secretariado do governo federal antes de ser condenado em seis acusações de fraude corporativa e morrer de ataque cardíaco em 2006 enquanto esperava a sentença.

No final, as ilusões criadas pelo criativo CEO da Enron, Jeffrey Skilling (condenado em 19 acusações de fraude corporativa), acabou e a empresa faliu totalmente em questão de semanas, deixando na miséria todos seus funcionários, mas não seus altos executivos que antes da derrocada já haviam vendido todas suas ações obtendo lucros astronômicos.

Essa história sórdida sobre os bastidores do capitalismo selvagem teria ficado oculta não fosse o trabalho dos jornalistas Bethany McLean e Peter Elkind, que dedicaram anos na investigação do caso Enron até a publicação do livro que dá nome ao filme. 

Graças a isso, os principais ex-executivos da Enron foram presos e processados pela Justiça dos EUA. Prova de que o bom e velho jornalismo investigativo, praticamente extinto no Brasil, pode trazer contundentes resultados.

“Enron – Os Mais Espertos da Sala” é um filme obrigatório para qualquer pessoa interessada em conhecer os reais mecanismos que movimentam a lógica capitalista que, cedo ou tarde, vai provocar danos irreversíveis ao planeta e colocar de joelhos toda a raça humana - inclusive aqueles sujeitos que se julgam os mais espertos da sala.

Cotação: * * * * *

terça-feira, 14 de novembro de 2006

Tributo: Veja Basil Poledouris regendo temas de "Conan, o Bárbaro"



Abaixo, alguns links de videos no Youtube gravados durante concertos de "Conan, o Bárbaro" em Ubeda, na Espanha. Foi a última apresentação ao vivo do compositor Basil Poledouris, que morreu de câncer dia 08 de novembro.

1) Abertura do concerto e ANVIL OF CROM (Tema principal de "Conan, o Bárbaro).

2) Riddle of Steal (O Enigma do Aço).

3) Ovação e Bis de ANVIL OF CROM.

4) Um video-tributo ao compositor, apresentando antes do concerto em Úbeda.

5) Poledouris ensaiando a orquestra em Úbeda.

Boa notícia: Imprensa canalha perde mais uma!

Mino Carta ganha processo por injúria contra Mainardi e a Veja

A Justiça de São Paulo, Vara Cível de Pinheiros, condenou Diogo Mainardi e a Editora Abril por violação da honra e injúria contra o jornalista Mino Carta na revista Veja. Em seu Blog do Mino, o editor da Carta Capital deu a "boa notícia" aos 433 internautas que tinham se solidarizado com ele desde sexta-feira: "O tal caluniador acaba de ser condenado no processo que movo contra ele há algum tempo, e com ele foi condenada a publicação que o abriga".

No estilo provocador que destaca sua coluna na Veja, sob o título O Mensalão da Imprensa, Mainardi afirmou que Mino Carta (por ironia o primeiro editor da Veja, nos idos de 1968) estaria “subordinado a Carlos Jereissati”, tendo por “missão atacar Daniel Dantas e de defender a ala lulista representada por Luiz Gushiken”, e que isso o equipararia aos “mensaleiros”.

A sentença da juíza Camila de Jesus Gonçalvez Pacífico afirma que "as matérias não apresentam qualquer dado concreto que respalde os comentários ofensivos, ultrapassando os limites do direito de crítica ou opinião". Observa que a matéria O mensalão da imprensa "ofendeu a honra do jornalista Mino Carta e questionou a idoneidade da revista CartaCapital" (clique aqui para ver a íntegra da sentença).

A editora da Veja e Diogo Mainardi foram condenados a pagar "indenização por danos morais no valor de R$ 35.000,00, atualizados monetariamente desde a propositura da ação, até o efetivo pagamento, com juros de mora de 1% ao mês desde a citação".

Veja o texto de Mino Carta:

"No meu blog, desde a noite de sexta, 433 internautas solidarizaram-se comigo contra um dos meus persistentes caluniadores. Reprovados 106, prontos à agressão, cometida em termos inaceitáveis. Mais ou menos 20%, o que está muito bom. Todos os que me apóiam, tocam violino, e o som vibra na minha zona situada entre o coração e a alma. Para titulares de sangue peninsular (Mino nasceu na Itáli), é o momento de grande emoção. Diga-se que alguns internautas lidam com um Stradivarius ou com um Guarnieri del Gesú.

Tenho, para todos, uma boa notícia. O tal caluniador acaba de ser condenado no processo que movo contra ele há algum tempo, e com ele foi condenada a publicação que o abriga. Claro que o enredo não se encerra aqui, agora vem a demanda minha no penal. E o próprio me oferece munição farta.

A alguém ele teria dito que já fiz referências desairosas ao filho dele, pelo que sei menino muito doente. Se for esse um dos motivos dos seus ataques, à guisa de revide, existe aí mais uma invenção. Meninos doentes me causam angústia e tristeza, e sinceramente lamento quem quer que seja tenha um filho doente. Poderia ter dito, talvez, que um filho doente não justifica calúnias dirigidas a esmo, gênero metralhadora giratória. Não disse, e digo agora."


Clique aqui para conhecer o Blog do Mino.

Em seu blog Conversa Afiada, o jornalista Paulo Henrique Amorim complementa a informação sobre a condenação de Mainardi: "A Justiça não deu ganho de causa a Mino, quando Mainardi diz que, numa determinada edição da Carta Capital, havia mais anúncios do governo do que da iniciativa privada. O que configuraria uma dependência da revista ao Governo.

A juíza considerou o argumento de Mino, “subjetivo” e improcedente. Mino vai recorrer dessa parte da sentença. O advogado de Mino é Marco Antonio Rodrigues Barbosa."

Clique aqui para conhecer o blog de Paulo Henrique Amorim.

Clique aqui para ler também Mainardi, o pitbull da Veja, por Altamiro Borges.

Charge: Mídia nas cordas

quinta-feira, 9 de novembro de 2006

Tristeza: Morre o compositor Basil Poledouris



Morreu ontem, dia 08 de novembro, aos 61 anos depois de perder a luta contra o câncer o compositor de músicas para o cinema Basil Poledouris.

Em seu currículo, estão partituras memoráveis para filmes como "Conan, o Bábaro", "Adeus ao Rei", "Robocop", "Caçada ao Outubro Vermelho", "Wind - A Força dos Ventos", "Quigley - Contratado para Matar", "A Lagoa Azul", entre muitas outras.

Era um dos meus compositores favoritos, embora tenha feito poucos trabalhos ultimamente. Mas sua música vai ficar para sempre, ao lado das de outros que também já se foram (como Jerry Goldsmith, Henry Mancini, Elmer Bernstein, etc) . Hoje novamente derramei lágrimas para uma pessoa que nunca conheci pessoalmente, mas cuja música tocou fundo, me ajudou em momentos difíceis e trouxe alegria e emoção à minha vida...

Reproduzo abaixo a despedida final escrita por Douglas Fake, da Intrada Records, selo especializado em trihas de cinema:

"Intrada shares with you in mourning the passing of one of the greats of movie music: Basil Poledouris. His gifts touched just about every producer, film maker, musician, soundtrack company, aficionado, and casual fan in the film industry.

His music inspired us to start our label. His customary generosity made that first album happen. What musical treasures he left for us all to enjoy!

Basil loved the outdoors, the water, the rush of salty air as he went boating. My last contact with him was over those very waters he so treasured.

I'll not see, nor feel, nor hear the likes of him again.

Ever."

quarta-feira, 8 de novembro de 2006

José Arbex Jr.: De jornalista combativo a fantasma agourento

O José Arbex Jr. sempre foi uma referência do jornalismo combativo. Hoje não é mais. Enloqueceu. O sujeito parece mais um fantasma agourento carcomido por rancor e mágoas. Uma espécie de Heloíso Heleno do jornalismo auto-proclamado de esquerda.

Será que almejava um cargo no governo Lula e, ao não receber, enloqueceu de raiva? É o que parece pelo que a gente lê nos artigos que escreve na revista Caros Amigos ou em entrevistas como a publicada pelo Fazendo Media...

Suas "críticas" não são ácidas, , são apenas rancorosas e desprovidas de lucidez. Comparar o governo Lula à "antesala do fascismo" beira o ridículo! Poupe-nos dessa estupidez, por favor...

Se ele quer a revolução, por que então não faz como o Che Guevara e vai para as ruas fazê-la ao invés de ficar sentado engordando enquanto detona quem está tentando mudar as coisas, do jeito que é possível?

Esses ataques baixos, venais e destrutivos disfarçados com a velha ladainha utópica do bom-mocismo marxista não enganam mais ninguém. É graças a esse tipo de pensamento pobre, estático e mesquinho que a direita deita e rola há décadas. Uma coisa é criticar o governo Lula de forma construtiva, afinal muita coisa precisa ser melhorada e merece repreensão. Outra é simplesmente desqualificá-lo como um todo, só para fazer valer uma opinião desgastada e sem lógica realista.

Pior: com seu sonífero discursinho de "luta de classes" às avessas, o jornalista ainda desqualifica o povo que elegeu Lula de forma consciente! Será que ele está almejando um cargo na Folha de São Paulo ou na Veja, atuais redutos da escória jornalística tupiniquim? Desse jeito fica fácil. A mídia fascista adora esquerdistas-utópicos-delirantes que atiram contra o governo Lula. Quanta incoerência...

Sugestão ao Arbex: procure um bom psquiatra, você está precisando.

segunda-feira, 6 de novembro de 2006

Filmes: O GRANDE TRUQUE

SEM MAGIA

Enredo até poderia render um bom entretenimento, mas diretor filma com mão pesada esquecendo de injetar humor e magia, fatores que seriam essenciais para ajudar a tornar tudo verossímil e desfrutável.

- por André Lux

Chirstopher Nolan é mais um diretor que parece estar sendo amaldiçoado com a síndrome do sucesso, “doença” que em muitos casos acaba transformada em excesso de pretensão. Depois do inventivo “Amnésia” (filme narrado literalmente de trás para frente que causou frisson entre os profissionais da opinião), nunca mais conseguiu emplacar um bom projeto, tropeçando no claudicante “Insônia” e no irregular “Batman Begins”. Seu novo filme, “O Grande Truque” é mais uma bola fora.

Pretensioso, arrastado e sem brilho, conta a história de dois mágicos que passam da amizade ao ódio num piscar de olhos e buscam superar um ao outro a qualquer preço, chegando ao limite da obsessão e da falta de ética. O enredo até poderia render um bom entretenimento, afinal traz escondido na manga várias surpresas e reviravoltas (algumas óbvias, outras nem tanto), mas Nolan dirige com mão pesada esquecendo de injetar humor (nem que fosse negro) e magia, fatores que seriam essenciais para ajudar a tornar tudo verossímil e desfrutável.

Um filme sobre dois sujeitos que ganham a vida fazendo truques e enganando suas platéias já tem um apelo limitado para começo de conversa. E tudo piora quando percebemos que ambos são extremamente desagradáveis, sujos e misóginos. Hugh Jackman (o Wolverine de “X-Men”) e Cristian Bale (o novo Batman) até tentam dar credibilidade aos seus personagens, mas são derrubados pela pretensão e pela mão pesada do diretor e acabam atuando de maneira composta e forçada (Bale é o mais prejudicado, se perdendo num sotaque esdrúxulo, enquanto Jackman parece “engomado”). O resto do elenco faz mera figuração e desperdiça figuras de peso como Michael Kane e a atual queridinha da crítica, Scarlett Johanson, num papel que não é nada.

“O Grande Truque” tem méritos (como a reconstituição de época e a fotografia) e até consegue manter certo interesse enquanto não revela todos os seus segredos e se concentra na busca pela superação dos mágicos, mas qualquer tentativa de seriedade e credibilidade é sumariamente destruída quando entra em cena uma máquina construída pelo doutor Tesla (o cantor David Bowie, numa composição risível), cujos efeitos são de fazer inveja ao DeLorean que viaja no tempo inventado pelo cientista maluco de “De Volta para o Futuro”. A gente até quer acreditar naquilo tudo, mas como o diretor esqueceu de nos “avisar” que se tratava de um filme de fantasia, o ridículo toma conta e só resta rir do que é mostrado com seriedade e profundidade descabidas.

Adicione a tudo isso uma conclusão nada satisfatória e uma música sem brilho (que apesar de composta por David Julyan traz o nome do canhestro Hans Zimmer na produção, o que sempre é mau sinal) e temos aí mais um filme errado e fora de foco (ao ponto de tentarem esconder que se trata de um filme de época nos cartazes publicitários!). Mais um daqueles tantos que são rapidamente esquecidos e jogados no limbo eterno dos “projetos-interessantes-derrubados-pela-pretensão-do-seu-realizador”...

Cotação: * *

Repúdio ao racismo: EM DESEFA DE EMIR SADER

Manifesto em solidariedade a Emir Sader

Da Redação – Carta Maior

A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 22ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos agredidos em réu.O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de artigo publicado no site Carta Maior , no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos".

Na sua sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de execução". O juiz ainda determina: “(...) considerando que o querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao trânsito em julgado”.

Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à autonomia universitária que assegura que essa instituição é um espaço público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças. Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.

Os que desejarem assinar o manifesto podem fazê-lo através do endereço:

www.petitiononline.com/emir/petition.html

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Opinião: Dicas para ajudar na democratização dos meios de comunicação

Circulam pela internet centenas de cartas, manifestos e abaixo-assinados exigindo a democratização da mídia. Todavia, por mais válidos que sejam esses protestos, só existe uma maneira eficaz de fazer os donos dos meio de comunicações sentirem o peso da nossa indignação: secar suas fontes de renda! Afinal, a única coisa que eles realmente respeitam e veneram é o dinheiro...

- por André Lux, jornalista

Muito se fala na importância (e urgência) da democratização dos meios de comunicação no Brasil. Hoje, essa mídia é controlada por meia dúzia de famílias bem nascidas que vendem gato por lebre enquanto ajudam a propagar um pensamento único que, tendo em vista a esmagadora votação de Lula, só surtem efeito ainda entre os membros mais alienados e raivosos da classe média tupiniquim.

A gente conhece bem eles: pregam contra o preconceito e a discriminação ao mesmo tempo que colam aqueles adesivos anti-Lula que fazem alusão à falta do dedo mínimo do Presidente; dizem que não são racistas, mas respondem "só por cima do meu cadáver" se a gente pergunta se deixariam suas filhas namorarem um negro; vivem dizendo que o Brasil não vai para frente porque "pobre é tudo vagabundo"; fazem discursos inflamados contra as drogas e os drogados segurando um copo de whisky em uma mão e um Marlboro na outra; reclamam da falta de educação e cultura do povo enquanto bradam pela redução da idade penal e pela construção de mais e mais prisões (onde só pobres são trancados), etc, etc, etc. Você deve conhecer várias pessoas assim, não? São assustadores.

Enfim, de volta ao tema, circulam pela internet centenas de cartas, manifestos, abaixo-assinados exigindo a democratização da mídia. Todavia, por mais válidos que sejam esses protestos, penso que só existe uma maneira eficaz de fazer os donos dos meio de comunicações sentirem o peso da nossa indignação: secar suas fontes de renda!

Por isso, faço os seguintes apelos a todos:

1) Cancelem suas assinaturas dos órgãos de imprensa da mídia corporativa. Ou não comprem mais nenhum exemplar de suas edições e não assistam de maneira nenhuma os telejornais das grandes emissoras.

Conheço MUITA gente que participa de campanhas como essa, que tem a mesma visão indignada e crítica que temos, mas assina (ou compra) a Folha de São Paulo, O Globo ou o Estadão e assiste ao Jornal Nacional todos os dias! E ainda compra (ou assina) a VEJA! Essa conversa de que "preciso saber o que o inimigo pensa" não cola. Saber o que ele pensa tudo bem, mas não precisa sustentá-lo com o seu suado salário, não é mesmo?

2) Convençam o maior número de pessoas possível a cancelar suas assinaturas, deixar de comprar esse tipo de publicação e desligar seus televisores.

Argumentos para isso existem aos montes: grupo racista controlando as ações de VEJA, apoio dos jornalões ao golpe militar de 64, manipulações comprovadas da rede Globo, etc, etc...

3) Boicotem empresas que publicam anúncios nessas publicações e emissoras.

E faça com que eles saibam disso, enviando e-mails, telefonando para SACs e afins.

4) Comprem, assinem e divulguem revistas como CartaCapital, Caros Amigos, Fórum, Revista do Brasil, etc.



Mas não só isso: divulguem o conteúdo delas e convençam o maior número de pessoas sobre a qualidade do jornalismo que apresentam e a seriedade de suas intenções. Conheço um monte de gente que detesta a mídia corporativa mas, como já citei acima, dá seu dinheiro para a imprensa fascista ao invés de prestigiar as publicações que realmente têm compromisso com a ética e com a prática séria do jornalismo.

5) Acessem e prestigiem sites da internet que assumem suas posições políticas, têm uma visão crítica do trabalho da mídia e/ou são editados por jornalistas sérios.

Existem várias páginas na rede que podem ser consultadas por quem tem interesse em ir além do que é publicado como "verdade absoluta" pelos grandes meios de comunicação, que visam o lucro acima de tudo. Alguns deles:

Agência Carta Maior,
NovaE,
Vermelho,
Conversa Afiada (do PH Amorim),
Terra Magazine (do Bob Fernandes),
Adital,
Consciência.Net,
Fazendo Midia (do Marcelo Salles),
Cidadania.com (do Eduardo Guimarães),
Site do Guilher Scalzilli,
O Infomante (reprodução de notícias),
Óleo do Diabo (do Miguel do Rosário),
Blog do Mino Carta (Editor de CartaCapital),
Rede Nacional de Jornalistas Populares,
Vi o Mundo (do Luiz Carlos Azenha),
Contra Pauta (do Alceu Nader),
Blog do Mello,
Conexão Política (do Franklin Martins),
Brasil! Brasil! (do Nogueira Júnior),
Blog do Zé Dirceu.

Isso só para citar alguns. Como podem ver, existem muitas opções para aqueles que realmente querem encontrar informações de qualidade. Muitas! Só continua refém da revista VEJA e do William Bonner quem quer...

Essas são, na minha modesta opinião, as melhores maneiras de começarmos a realmente mudar a realidade da mídia brasileira.

Os barões da mídia têm que começar a sentir nos bolsos o tamanho da nossa indignação. Afinal, a única coisa que eles realmente respeitam e veneram é o dinheiro...

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Artigo: A ESPERANÇA AINDA ESTÁ VIVA

Prezados Leitores, reproduzo abaixo o editorial do Jornalista Mino Carta, publicado na revista CartaCapital desta semana. Vale a pena ler.

E, para meu orgulho e satisfação, tive uma carta de minha autoria publicada pela revista (vejam a reprodução ao lado)!

Prestigiem, comprem, assinem, divulguem CartaCapital, que é um verdadeiro "David" do Jornalismo (com "J" maiúsculo) na desigual luta contra os inescrupulosos "Golias" da mídia corporativa e das oligarquias que as possuem - as mesmas que mandam e desmandam no Brasil desde que Pedro Álvarez Cabral invadiu o país, em 1500. Quer dizer, mandavam, pois agora temos um ex-metalúrgico na presidência!

VALEU, CARTA CAPITAL!

A DEMOCRACIA BRASILEIRA DEVE MUITO AOS SEUS PROFISSIONAIS, JORNALISTAS COM "J" MAIÚSCULO (COISA RARA NO MUNDO ATUALMENTE)!


A ESPERANÇA AINDA ESTÁ VIVA

Sim, os cidadãos da segunda divisão votaram em Lula, mas até quem não votou agora aposta nele. Leia a pesquisa Vox Populi desta edição.

- Por Mino Carta (http://www.cartacapital.com.br/)

Milagre não houve, Lula ganhou. Não ouso contestar outros milagres, alguns provocados mais pelos homens do que pelos espíritos transcendentes. Bons ou maus, os espíritos, depende dos pontos de vista.

Duas observações sobre a reeleição do presidente da República.

Presidente metalúrgico.
Em 30 imagens, a história de um homem do povo que alcançou a Presidência. A maioria dos brasileiros identifica-se com o igual que foi tão longe

Primeira: as razões da reeleição. No meu entendimento. Queiram ou não os vetustos donos do poder, e independentemente da atuação do seu governo no primeiro mandato, Lula representa, desde 2002, uma mudança formidável. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, e os conservadores em peso, e a mídia idem, empenharam-se em sustentar que na campanha Lula defendeu a divisão entre pobres e ricos, como se pretendesse precipitar a Tomada da Bastilha, enquanto a diferença se daria entre estados contemporâneos do mundo e os malfadados grotões.

Questões de lã caprina, aparentemente. Lula não é revolucionário, é óbvio. Algo muito mais profundo acontece, contudo, e supera de longe os desequilíbrios regionais para assumir, como é justo, a dimensão nacional. A separação entre os dois Brasis acentuou-se tragicamente, por obra de políticas econômicas que favorecem poucos e diminuem o País.

De um lado, a dita elite, primária e feroz, e os aspirantes à elite, aqueles que sonham freqüentar a Daslu e ter acesso aos carrões importados além das vitrines das fantasmagóricas lojas da avenida Europa em São Paulo. Do outro, remediados, pobres e miseráveis. Setenta, oitenta por cento da população. Sugiro uma visita turístico-sociológica à favela paulistana de Paraisópolis (Paraisópolis?), na concha de um vale, cercada por edifícios senhoriais instalados nas alturas, chamam-se paços, cortes, mansões, palácios. Está aí um dos mais perfeitos símbolos da fratura, vertiginosa.

Há quem suponha que basta erguer muralhas em torno de sua vivenda para se precaver em relação ao futuro. Os anúncios domingueiros de páginas duplas dos jornalões anunciam a construção de castelos, recintos fechados dos quais prorrompem espigões agudos enquanto no rés-do-chão abrem-se espaços encantadores para o esporte e o lazer, quadras, piscinas, saunas, playgrounds, prados de relva inglesa bem penteada. É a Idade Média, na versão afinada com a descoberta da válvula Hydra e do ar-condicionado. Ali, dentro da área privativa, a vida flui em alegria e o contato com o exterior se faz por helicóptero.

Cadê o povão? Ah, que saudade dos tempos da paciência, da resignação. Da cordialidade. Que surpresa, agora vota em Lula. Ele representa a ruptura e está na hora, a considerar seu desempenho do primeiro mandato, em relação ao qual CartaCapital tem muitas críticas, de que sinta toda a grandeza do seu papel.

Temos a tradição do voto de cabresto, mas a eleição de 2002, cujo resultado esta de 2006 confirma, a desfazem. O povo brasileiro fez sua escolha à revelia daqueles que desde sempre pretendem enganá-lo.

Em princípio, não há como esperar que o governo produza alterações abruptas de rota. Algo mais, porém, há de ser feito, além dos tímidos avanços dos últimos quatro anos. Para o Brasil tudo, para a elite a lei.

Segunda: o comportamento da mídia. CartaCapital orgulha-se de ter inaugurado um Dossiê da Mídia, a partir da publicação da série de reportagens assinadas por Raimundo Pereira e Antônio Carlos Queiroz, nas edições 415, 416 e na Extra da semana passada. Mesmo porque compreende que a maioria dos eleitores percebeu a manipulação, tentada mais uma vez por um jornalismo (jornalismo?) a serviço da minoria golpista.

A par da identificação com Lula por parte de quem se empolga ao ver o igual sentado no trono, há motivos para registrar a reação dos milhões de leitores, ouvintes, telespectadores, contra os meios de comunicação determinados a subjugar a opinião pública às suas conveniências.

A mídia foi eficaz na operação que levou ao segundo turno, com a contribuição decisiva do obscuro delegado Bruno. Mas quem deu um tiro no pé, como disse Lula, não foram apenas os trapalhões do PT. De verdade, a mídia foi muito mais aloprada, e o tiro foi de obus. Com sua manobra ofereceu ao presidente da República a chance de uma vitória mais retumbante do que aquela prevista pelas pesquisas no primeiro turno. E a reeleição também significa o fracasso do jornalismo movido a ódio de classe.

Cômico desfecho da trama desastrada. Esta revista, e os autores das reportagens sobre o Dossiê da Mídia, e o acima assinado, foram gravemente ofendidos por alguns mestres do jornalismo nativo, um dos piores do mundo do ponto de vista ético e técnico. Quem duvida, municie-se com um punhado de jornais e revistas estrangeiros credenciados entre os melhores, e compare.

Como de hábito, a tigrada julga por seu próprio metro. CartaCapital age, porém, em nome dos princípios que orientam o jornalismo autêntico e não se vende por razão alguma. Uma consulta a números divulgados há meses pela Folha de S.Paulo, mostra que a revista recebeu menos publicidade governista do que a Exame, quinzenal de business da Editora Abril. Se apoiamos Lula em lugar de Alckmin foi por razões claramente expostas, ao contrário de quem optou pelo tucano enquanto fingia neutralidade.

Neste momento, recomendamos ao presidente reeleito que leve em conta, ao encarar o futuro, a pesquisa da Vox Populi publicada nesta edição. O povo brasileiro, e até cidadãos que não o sufragaram nas urnas, como se depreende da análise dos próprios números, aposta nele, e aí está a extraordinária responsabilidade da sua tarefa. Porque as decepções colecionadas nestes últimos tempos não mataram a esperança.

segunda-feira, 30 de outubro de 2006

Vitória da Democracia contra o Golpe: LULA É REELEITO COM 58 MILHÕES DE VOTOS!

Obrigado, povo brasileiro, por humilhar a direita e sua mídia
canalha e mostrar que é possível sim existir democracia no país!



OUTRO BRASIL VEM AÍ

Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
de outro Brasil que vem aí
mais tropical
mais fraternal
mais brasileiro.
O mapa desse Brasil em vez das cores dos Estados
terá as cores das produções e dos trabalhos.
Os homens desse Brasil em vez das cores das três raças
terão as cores das profissões e regiões.
As mulheres do Brasil em vez das cores boreais
terão as cores variamente tropicais.
Todo brasileiro poderá dizer: é assim que eu quero o Brasil,
todo brasileiro e não apenas o bacharel ou o doutor
o preto, o pardo, o roxo e não apenas o branco e o semibranco.
Qualquer brasileiro poderá governar esse Brasil
lenhador
lavrador
pescador
vaqueiro
marinheiro
funileiro
carpinteiro
contanto que seja digno do governo do Brasil
que tenha olhos para ver pelo Brasil,
ouvidos para ouvir pelo Brasil
coragem de morrer pelo Brasil
ânimo de viver pelo Brasil
mãos para agir pelo Brasil
mãos de escultor que saibam lidar com o barro forte e novo dos Brasis
mãos de engenheiro que lidem com ingresias e tratores europeus e norte-americanos a serviço do Brasil
mãos sem anéis (que os anéis não deixam o homem criar nem trabalhar).
mãos livres
mãos criadoras
mãos fraternais de todas as cores
mãos desiguais que trabalham por um Brasil sem Azeredos,
sem Irineus
sem Maurícios de Lacerda.
Sem mãos de jogadores
nem de especuladores nem de mistificadores.
Mãos todas de trabalhadores,
pretas, brancas, pardas, roxas, morenas,
de artistas
de escritores
de operários
de lavradores
de pastores
de mães criando filhos
de pais ensinando meninos
de padres benzendo afilhados
de mestres guiando aprendizes
de irmãos ajudando irmãos mais moços
de lavadeiras lavando
de pedreiros edificando
de doutores curando
de cozinheiras cozinhando
de vaqueiros tirando leite de vacas chamadas comadres dos homens.
Mãos brasileiras
brancas, morenas, pretas, pardas, roxas
tropicais
sindicais
fraternais.
Eu ouço as vozes
eu vejo as cores
eu sinto os passos
desse Brasil que vem aí.

- Gilberto Freyre

sexta-feira, 27 de outubro de 2006

Alerta Máximo contra fraudes nas urnas: Cartada final da direita golpista vem aí

Preparem-se: hoje e amanhã (sexta e sábado) vão ser dadas as cartadas finais da direita golpista para justificar as fraudes nas urnas eletrônicas que levarão Alckmin à presidência da República.

Os novos factóides criados para prejudicar Lula e o PT nos próximos dias, mais a repercussão dada em cima do debate da rede Globo, a ser realizado nesta sexta-feira, não servirão para fazer Lula perder as eleições no voto, mas serão a senha para que a mídia golpista e a justiça partidária à direita validem a fraude e tentem calar os rebeldes.

Tenho plena convicção de que as eleições no primeiro turno foram fraudadas em favor do candidato da coligação PSDB/PFL/OPUS DEI. Obviamente, não tenho como provar, portanto fica tudo no nível da “opinião” (ou “teoria da conspiração”, como muitos gostam de chamar), mas garanto que tive a confirmação desse fato por nada menos que duas pessoas, cujas identidades preservo em nome do sigilo da fonte.

Faço aqui um parêntese: não entendo porque essas informações cruciais não estão sendo disseminadas entre as bases e militâncias de esquerda, pois somente se todos estivermos efetivamente preparados para a reação é que poderemos impedir o golpe. E preparação passa necessariamente por informação. Sem informação anterior ao fato, as tentativas de mobilizar as pessoas depois que o pior acontecer têm grande chance de fracassar.

Será que as lideranças de esquerda do Brasil não aprenderam nada com o fracasso do stalinismo, que primava pela sonegação das informações e hierarquização das decisões? Ou com Fidel Castro, que nunca escondeu nada do seu povo e, por isso mesmo, sempre contou com o apoio dele nas horas de maior necessidade? Será que não aprendemos nada com os “escândalos” do valerioduto, onde o grupo que comandava o PT tomou uma série de decisões perigosas, mas “esqueceu” de avisar sua militância, que ficou absolutamente atônita e dividida quando tudo veio à tona e deixou seus “comandantes” na mão justamente na hora que mais precisavam de apoio?

Conforme divulgado numa matéria publicada no site Agência Carta Maior, com o título “A votação eletrônica é totalmente confiável?”, o administrador de empresas Roger Chadel, diretor de soluções de produtividade da Sun Software, admite que o sistema de urnas eletrônicas é permeável às fraudes, mas acredita que as dúvidas ainda se articulam no nível da “teoria da conspiração”.

Destaco aqui o trecho mais preocupante: “É bem mais fácil ocorrerem fraudes em âmbito municipal. Em disputas nacionais, elas só têm efeito se o programa for adulterado, num ato vindo de dentro do TSE, que espalharia para todo o país. Há muitos indícios de manipulações no ‘varejo’, mas ainda não existem provas, pois ninguém tem acesso aos programas”, pontua Chadel.

Alguém aqui duvida que o TSE não seria capaz de adulterar os programas das urnas eletrônicas para que, digamos, de cada cinco votos em Lula ou anulados um seria computado para o tucano?

Se me acha louco por afirmar isso, então lembre-se de quem é o presidente do TSE: Marco Aurélio de Mello, primo do Collor, que não faz o menor esforço para esconder sua veia reacionária muito menos o ódio que sente contra o presidente Lula e o Partido dos Trabalhadores. É nesse sujeito venal que estamos depositando a esperança de que o pleito será realizado com total lisura e transparência? Você e eu não temos acesso ao programa das urnas... mas, pergunto, quem tem mesmo? Veja a foto acima e tire suas próprias conclusões. Imagens falam mais do que mil palavras.

Pois é, já não está me achando tão lunático assim, não é mesmo?

Mas nem precisa acreditar em mim, pois os indícios são óbvios demais e o movimento que se iniciou nas duas últimas semanas – particularmente na revista CartaCapital e no site do jornalista Paulo Henrique Amorim – deixam claro que o golpe foi reconhecido. “A urna eletrônica no Brasil é um convite à fraude. Depende da vontade do programador. Não tem a contra-prova física do voto do eleitor. Brizola aprendeu a amarga lição de 82 e passou resto da vida a se perguntar: “Cadê o papelzinho?”, que permite a recontagem do voto?”, afirma Amorim em seu artigo “O 1º golpe de Estado já houve. E o 2º?”.

Hoje, graças ao trabalho desses profissionais do Jornalismo (com J maiúsculo), volto a ter uma mínima esperança que Lula será, de fato, eleito no segundo turno.

Primeiro, porque a conspiração contra a democracia feita entre a turma do PSDB/PFL/OPUS DEI e a mídia corporativa foi desmascarada de maneira retumbante por duas edições da CartaCapital que não deixaram pedra sobre pedra - ao ponto de provocar uma desistência da VEJA em publicar uma nova falsa denúncia pesada contra Lula em sua última edição (a revista foi obrigada a requentar uma matéria velha e sem efeito contra o filho do presidente) e uma reação absolutamente histérica do Diretor de “jornalismo” da rede Globo, um tal de Eli Kamel. Sua longa e patética resposta às reportagens da revista CartaCapital é uma verdadeira ode à hipocrisia, ao cinismo e à mentira. E, pior, é um atestado de culpa da emissora, que novamente serviu de ponta de lança para que a elite conservadora do país atentasse contra a democracia. Não podemos esquecer: para essa gente, democracia só vale quando eles ganham o poder. Se não ganham, então saem por aí proferindo que “o povo é burro” antes de partir para o “tapetão”. Seria risível se não fosse tão trágico.

Segundo, porque Lula cresceu nas pesquisas, ao contrário do que sonhavam os golpistas. Imaginavam que, com as denúncias criadas em laboratório e divulgadas com ênfase brutal pela mídia que os apóia somadas aos ataques feitos pelo candidato do OPUS DEI nos debates, o Presidente cairia na preferência popular o que facilitaria a fraude. Ocorreu o contrário: no confronto direto entre Lula e Alckmin, ficou evidente para todo mundo o quanto o primeiro é superior ao segundo, que padece de carisma, convicção, projeto e verdade. Quanto às denúncias, parece não conseguiram inventar mais nada e ficamos agora por conta do que vão fazer nesses dois últimos dias que antecedem as eleições. O tempo é curto e a garantia do sucesso deles é cada vez menor.

Mesmo assim e por tudo isso, faço um alerta desesperado: vamos continuar lutando pela eleição de Lula e comparecer em massa às urnas. Mas, ao mesmo tempo, vamos ter em mente que a eleição pode muito bem não ser decidida pelo voto, mas sim pelas fraudes.

Indícios de que isso pode acontecer existem aos montes e, reafirmo, já foi feito no primeiro turno – ou você acredita mesmo que Alckmin subiu quase 10 pontos percentuais em míseros dois dias, só por causa da divulgação das fotos do tal dinheiro do dossiê e de Lula não ter comparecido ao debate da Globo?

E, se essa fraude nas urnas acontecer novamente, a nossa resposta deve ser rápida, unida e forte, para que não haja tempo deles consolidarem o golpe de Estado e dividirem as esquerdas novamente. O futuro do Brasil está, mais do que nunca, em nossas mãos!

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

Rir para não chorar: Neo encontra Bonner e Homer na Matrix

Vocês têm que ver isso...
Neo encontra Bonner e Homer na Matrix!

É sensacional!!

Podem clicar sem medo, é apenas um link para um vídeo no youtube.

http://www.youtube.com/watch?v=Sv55JusfEC8

Abaixo algumas cenas do vídeo:













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