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segunda-feira, 30 de junho de 2008

Filme: "WALL-E"

INGENUIDADE E HIPOCRISIA

Disney e Pixar transformam a luta pelo meio-ambiente em mais um produto que gere lucro aos seus acionistas e investidores

- por André Lux, crítico-spam

“Wall-E” é um filme-mensagem, daqueles em o que deve prevalecer na cabeça do espectador é o conteúdo que os realizadores acreditam ser importante para conscientizá-lo.

Raros são os filmes desse tipo que têm sucesso com intenções tão pretensiosas. “Wall-E”, infelizmente, não é um deles.

Navegando na atual onda politicamente correta de “salvem o meio-ambiente”, a nova animação digital da Pixar começa de forma exemplar. Mostra a Terra já arrasada pela poluição e pelo lixo, onde os únicos habitantes são um robô de reciclagem e uma barata.

Depois de mais de 700 anos trabalhando, o robô já produziu pilhas de material reciclado da altura de prédios. O visual hiper-realista dessas seqüências é realmente impressionante e estarrecedor.

E, como acontece com todas as máquinas em filmes de ficção científica, Wall-E começa a desenvolver emoções humanas vendo filmes antigos e coletando tranqueiras. Ao ponto dele querer “namorar” uma robô-fêmea que aterrissa no planeta em missão secreta. Quando ela volta para o espaço, Wall-E consegue segui-la agarrando-se à nave e viaja pela imensidão do cosmos em seqüências cuja beleza é de levar lágrimas aos olhos.

Se terminasse por aí, a animação seria memorável pela coragem e competência dos realizadores em mostrar um futuro terrível (e plausível) para a Terra num filme infantil e por conseguirem manter o interesse e o ritmo sem qualquer diálogo. Pena que o filme tem que prosseguir e, a partir daí, exponha um roteiro sem saída e as intragáveis lições de moral made in róliudi, que balançam entre o ingênuo e o simplesmente hipócrita.

Tudo descamba quando os robôs chegam ao destino, que nada mais é do que a gigantesca nave em que se refugiou a população da Terra (leia-se: os estadunidenses), reduzida agora a milhares de pessoas obesas e idiotizadas que passam o dia deslizando em cadeiras flutuantes enquanto assistem anúncios em uma TV virtual que fica grudada em suas caras, sem ter qualquer contato humano (o que faz a gente se perguntar de onde vêem os bebês que aparecem no filme). Além de ser ofensiva aos mais gordinhos, a “lição” contida no filme também expõe a esquizofrenia desses produtos típicos do sistema da indústria cultural estadunidense.

Ao mesmo tempo em que deixa claro que a Terra foi destruída pela ganância sem freios do sistema capitalista e mostra o quanto é horrível a situação na qual se encontra a população da Terra (que nada mais é do que o sonho neoliberal da sociedade dos “idiotas consumidores” elevado à décima potência), “Wall-E” não passa de um produto destinado a gerar imenso lucro com a venda infinita de camisetas, copos, joguinhos e sabe-se quantas outras tranqueiras que, usando a mesma lógica do filme, só vão ajudar a deixar o planeta ainda mais poluído e as pessoas mais imbecilizadas.

Lembre-se que “Wall-E” é um produto da Disney, mega-corporação que construiu seu patrimônio fabricando e vendendo ilusões aos jovens. E o que é a nave dos gordinhos senão uma Disneylândia levada aos extremos?

Essa esquizofrenia conceitual simplesmente implode “Wall-E”. E mostra de maneira clara o quanto a indústria cultural dos EUA é mestre em utilizar a velha máxima do “se não pode com ele, junte-se a ele”, por meio da qual conseguem até vender biquínis de grife estampados com a foto do Che Guevara.

No caso do filme em questão, simplesmente pegaram a luta justa e necessária em favor da salvação do meio-ambiente e a transformaram em mais um produto que gere lucro aos seus acionistas e investidores, sempre ávidos para ampliar suas já bilionárias contas bancárias.

Mas não sejamos injustos. Temos que entender o motivo de precisarem acumular tanta riqueza: eles precisam garantir desde já seus lugares na nave que vai fugir da Terra quando o planeta estiver à beira da destruição. Azar de quem ficar para trás...

Cotação: * *

Quando a elite assume suas responsabilidades: Porque apóio Marta Suplicy

Um desses papagaios da direita (amestrados ou pagos) visitou meu post anterior e “depositou” uma daquelas provocações baratas típicas deles, perguntando se eu ia apoiar a Marta Suplicy à prefeitura de São Paulo, já que, na visão maniqueísta dele, ela é membro da “elite” e, portanto, teria que obter meu repúdio automaticamente.

Antes de responder a pergunta do direitista, deixa eu explicar uma coisa óbvia: o termo “elite” não é, necessariamente, negativo. Só porque o sujeito é rico e, por isso, conseguiu estudar nos melhores colégios e ter acesso a tudo que existe de bom e melhor no mundo, isso não quer dizer que tem que ser automaticamente racista, preconceituoso, intolerante, reacionário, etc... Até porque, sejamos sinceros, existem muitas pessoas que andam no fio da navalha (a chamada classe média) e mesmo pobres que conseguem demonstrar todas essas “qualidades” no dia-a-dia.

Uma vez assisti a uma entrevista do brilhante Noam Chomsky no programa Roda Viva (muito antes de ser transformado nesse intragável “poleiro de tucanos” que é hoje), onde ele disse algo que me marcou profundamente. Foi mais ou menos isso: “Quanto mais privilégios uma pessoa tem, maior é sua responsabilidade”. Acho que até os Homer Simpsons da vida conseguem entender a mensagem dele...

Mas, principalmente no Brasil, a maioria dos membros da elite sócio-econômica (que ficaram ricos explorando a mais-valia dos trabalhadores) pensa de forma oposta ao que disse Chomsky.

Ou seja, não querem ter responsabilidade nenhuma sobre o mundo em que vivem, colocam a culpa da violência, da miséria e de qualquer outro problema nos pobres e excluídos que, segundo eles, "não têm educação" e "são vagabundos", e querem ser deixados livres e soltos para usufruir de suas posses e privilégios.

O Estado, para eles, deve ser privatizado e existir apenas como um aparato policial especializado em reprmir as camadas mais baixas da pirâmide social a fim de "manter essa gente em seu devido lugar" (a ilustração ao lado, de 1917 e atualizada por mim para os tempos atuais, mostra bem isso).

Dito isso, respondo a pergunta do direitista com um depoimento pessoal.

Recentemente, estive, a trabalho, numa escola na periferia de São Paulo (e bota periferia nisso!). O lugar era praticamente uma imensa favela ou quase. E a escola, embora não fosse um CEU, era linda, enorme, muito bem estruturada, com salas de aulas grandes e repletas de recursos.

Fiquei espantado e sai à procura da placa de inauguração, para saber quem havia feito aquilo. Estava escrito nela: "Obra entregue pelo prefeito Gilberto Kassab em 2006".

A fim de confirmar, abordei o primeiro funcionário que vi e perguntei quem havia, de fato, construído aquela escola. Ao que me respondeu: "Foi a Marta, o Kassab só inaugurou. Antes aqui a gente só tinha uma daquelas escolas de latão do Pitta e olhe lá..." (só para lembrar, Kassab era um dos secretários da desastrosa gestão de Celso Pitta à frente da prefeitura de São Paulo e virou prefeito quando José Serra abandonou o cargo para concorrer ao governo do Estado).

Confesso que fiquei emocionado. São em momentos como esse que a gente percebe a diferença que administrações de esquerda podem fazer para quem realmente precisa do Estado. E é por essas e outras que geram tanto ódio e pavor naquelas "elites" que têm acesso a tudo de bom e do melhor, mas não assumem nenhuma responsabilidade por isso.

Assim, bato palma para pessoas como a Marta Suplicy, que nasceu em berço de ouro, teve acesso a muitos privilégios e poderia muito bem ter escolhido uma vida tranqüila e livre de aborrecimentos, mas, ao contrário, preferiu trilhar o caminho mais difícil: se filiar ao Partido dos Trabalhadores e lutar por justiça social para ajudar a melhorar a vida dos despossuídos e dos marginalizados pelo cruel e desumano sistema capitalista, no qual os direitos das pessoas serão mais respeitados na proporção do quanto de grana têm em sua conta bancária...

quinta-feira, 26 de junho de 2008

A elite é que há de melhor no Brasil: Conversando com um membro da "raça superior"

Dia desses, eu estava em um evento empresarial repleto daqueles sujeitos que se consideram a fina flor da sociedade tupiniquim, desfilando em seus terninhos, gravatas e vestidos de grife e cabelos engomados com litros de Gumex. Impecáveis.

Passando pelas várias rodinhas de bate papo antes do começo do evento, pude ouvir comentários ofensivos contra o a “corrupção” e a “incompetência” do governo do presidente Lula, ironias maliciosas contra a primeira-dama Marisa (“Ela não tem classe!”) e outras imbecilidades que só mesmo quem lê Veja, Folha ou Estadão pode proferir com tanta pompa, circunstância e convicção.

Lá pelas tantas, já começando a ficar de saco cheio de tanta pavonice e soberba, escutei um sujeito de nariz arrebitado e olhar de peixe morto dizendo para um grupo de japoneses: “Sabem qual é o problema do Brasil? O brasileiro!”. Não agüentei. Cheguei perto daquela rodinha e soltei, tentando elevar minha singela retórica ao nível daquele iluminado:

- É mesmo? E você é oriundo de que país, nobre colega?
- Eu? Ora, sou do Brasil...
- Ah, então você também é culpado pelos problemas do país, não é mesmo?
O cidadão me olhou surpreso e respondeu indignado:
- Imagina! Eu trabalho, amigo! Sou empresário! Estou falando desse povinho ignorante e sem educação que vive bebendo cachaça em botecos e elegendo políticos sem preparo ou moral para ocupar cargos públicos!

Como percebi que o “representante do que há de melhor no Brasil” estava começando a ficar exaltado e, em breve, acabaria por tirar sua suástica do bolso e jogá-la na minha cabeça, resolvi contemporizar, tentando fingir altivez e soberba no mesmo nível:

- Mas, colega, o povo pobre é e sempre foi maioria no Brasil. Nosso irretocável grão-mestre Fernando Henrique Cardoso só foi eleito por duas vezes graças aos votos dessa mesma massa ignara que, agora, resolveu votar no apedeuta...
- Ora, mas isso só aconteceu por causa dessa “bolsa esmola” que o Lula dá pra esses vagabundos!
- Se é assim, como poderemos explicar a primeira eleição do sapo-barbudo-crípto-comunista, haja vista que naquela época nosso supremo mandatário, o príncipe dos sociólogos, não dava bolsa esmola a ninguém, pelo contrário, só descia a lenha na cabeça do Zé povinho?
- Ah, bom... É, olha, não é bem assim, o FDP tem muita sorte e o problema é que a conjuntura internacional não estava favorável e...
(Percebi que ele ficou nervoso por não ter decorado direito o que o Jabor e o Mainardi ensinaram). Nossa, olha a hora! Vocês me dão licença, preciso subir pois o evento já vai começar.

E vazou, sem perder a classe, sorrindo para as câmeras próximas, como se nada tivesse acontecido.

Os orientais que acompanharam o diálogo surreal acima ficaram olhando uns para os outros, com cara de pastel, constrangidos. Para cidadãos de um país como o Japão, onde termos como nação e cidadania não são apenas palavras usadas para vender jornais e produtos, presenciar comentários como o proferido pelo legítimo representante da “raça superior” acima deve ser algo que transcende a compreensão humana...

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Golpeando a Mídia Golpista: A história de um pai que cancelou assinatura da Veja

Hoje, ele cancelou a renovação da Revista VEJA, aquilo que para ele já foi seu meio de conhecimento do mundo. Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói.

- Por Roberto Efrem Filho*

Hoje, dia 10 de junho do ano de 2008, foi o dia em que meu pai cancelou a renovação da Revista Veja. É bem verdade que há fatos históricos um tanto quanto mais importantes e você deve estar se perguntando “o que cargas d’água eu tenho a ver com isso?”. Não é nenhuma tomada de Constantinopla, queda da Bastilha ou vitória da Baia dos Porcos. É um ato de pequenas dimensões objetivas, realizado no espaço particular de uma família de classe média brasileira, sem relevantes conseqüências materiais para as finanças da Editora Abril, sem repercussões no latifúndio midiático nacional. A função deste texto, portanto, é a de provar que meu pai é um herói.

A Revista VEJA se diz assim: ”indispensável ao país que queremos ser”. Começa e termina com propagandas cujo público alvo é a classe média e, nela, claro, meu pai. Banco Bradesco, Hyundai, H. Stern. Pajero, Banco Real, Mizuno. Peugeot, Aracruz, Nokia. Por certo, a classe média – inclusive meu pai – dificilmente terá acesso à grande parte dos bens expostos na vitrine de papel. Não importa. Mais do que o produto, a VEJA vende o anseio por seu consumo. Melhor: credita em seu público-alvo, a despeito de quaisquer probabilidades, a idéia de que ele, um dia, chegará lá.

Logo no comecinho, na terceira e quarta folhas, estão as páginas amarelas da Revista. Nelas, acham-se as entrevistas com personalidades tidas como renomadas e com muito a dizer ao país. Esta semana a VEJA apresenta as opiniões de Patrick Michaels (?), climatologista norte-americano que afirma a inexistência de motivos para temores com o aquecimento global. Na semana passada, deu-se voz ao “jovem herói” Yon Goicoechea (?), um “líder” estudantil venezuelano oposicionista de Chávez e defensor da tese de que a ideologia deve ser afastada para que a liberdade seja conquistada contra o regime “ditatorial” chavista.

Não. Não é que a VEJA não conheça o aumento dos níveis dos mares, dos números de casos de câncer de pele, do desmatamento da Amazônia, da escassez da água e dos recursos naturais como um todo e de suas conseqüências na produção mundial de alimentos. Sim, ela conhece. Não. Não é que ela não saiba que um estudante não representa sozinho o posicionamento democrático de uma nação e que um governo legitimamente eleito não pode ser chamado de totalitário. Sim, ela sabe. Do mesmo modo que conhece e sabe da existência de diferentes opiniões (ideológicas, como tudo) sobre ambos
os assuntos e não as manifesta. Acontece que isso ela também vende: o silêncio sobre o que não é lucrativo pronunciar.

Do meio pro final da Revista estão os casos de corrupção. Esta é a parte do “que vergonha, meu filho, quando isso vai parar?” dito pelo meu pai, com decepção na voz. A VEJA desenvolve um movimento interessante de despolitização nesse debate. Ela veste o figurino do combatente primeiro da corrupção, aquele sujeito que desvendará as artimanhas, denunciará os ladrões e revelará “a” verdade, única, inabalável. Com isso, a VEJA confere centralidade à corrupção no debate político, transformando a política em caso de polícia e escondendo o fato de que o seu próprio exercício policialesco é inerentemente político.

No fim, “todo político é ladrão” – menos os do PSDB, claro, todos “intelectuais” -, “política não presta”, o que presta mesmo é a Revista VEJA. A Revista é ainda permeada por textos de cronistas e colunistas. Estão, entre seus autores, Cláudio de Moura Castro, Lia Luft e Roberto Pompeu de Toledo. Todos dignos do título de “cidadão de bem”, conscientes e responsáveis. Evidentemente, todos de posicionamentos um tanto moralistas e um tanto conservadores. Difere-se deles Diogo Mainardi. Este, conhecido por chamar o Presidente da República de “minha anta” e por sua irreverência desrespeitosa e direitista, escancara a alma da VEJA. Mas não se engane. Não é Mainardi o perigo. São os outros.

Foram eles que meu pai um dia leu com respeito e é aquela auto-imagem que a VEJA quer – como tudo – vender. Sem dúvida a Revista VEJA é ainda mais que isso. Suas estratégias de persuasão vão muito além dos limites deste breve texto. Afinal, é ela a revista mais lida no país, parte significativa de um império da concentração do poder de informar. Seja nas suas “frases da semana”, nas quais há de costume as fotografias de uma mulher bonita dizendo bobagem e de um homem-autoridade falando coisa inteligente e importante, seja no fetiche da citação “eu li na VEJA”, faz-se ela um dos mais eficazes instrumentos de convencimento a favor da classe dominante.

Meu pai, por sua vez, é um trabalhador. Casado com Fátima, minha mãe, e pai também de Rafael, criou seus filhos com princípios que ele preserva como inalienáveis. Já votou no PT. Já votou no PSDB e mesmo no PFL (“porque foi o jeito, meu filho!”). Opõe-se a qualquer tipo de ditadura (conceito no qual incluía até pouco tempo o governo de Chávez: coisas da VEJA). Já se disse socialista, na juventude. É praticante da doutrina espírita desde menino. Discorda de mim em milhares de coisas. Concorda noutras. É um bom e sonhador homem com quem eu quero sempre parecer.

Hoje, ele cancelou a renovação da Revista VEJA, aquilo que para ele já foi seu meio de conhecimento do mundo, depois de chamar de “idiota” a entrevista daquele herói das páginas amarelas sobre o qual falei acima. Antes, havia criticado fortemente um artigo de Reinaldo Azevedo publicado na Revista, em que Azevedo falava atrocidades sobre Paulo Freire: “meu filho, veja que besteira esse homem está dizendo sobre Paulo Freire”. Hoje, ele operou uma mudança nesta realidade tão acostumada à perpetuação do estabelecido. Hoje, para o mundo, como em todos os dias da minha vida para mim, meu pai é um herói.

*Roberto Efrem Filho é mestrando em direito pela UFPE e filho de “Roberto Efrem”, a quem dedica este artigo

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Social-Democracia tucana: MST denuncia volta da ditadura no RS

Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados, não se vê nada para recuperar os R$ 44 milhões roubados dos cofres públicos para o financiamento eleitoral no esquema do DETRAN. Da mesma forma, quando grandes empresas estrangeiras criam empresas-laranja e adquirem terras ilegalmente, que somente agora foram indeferidas pelo executivo, não se vê nenhuma ação do Ministério Público, judiciário ou do executivo estadual.

- por Marco Aurélio Weissheimer (http://www.rsurgente.net/)

A coordenação estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) no Rio Grande do Sul divulgou nota oficial, nesta quarta-feira, denunciando as recentes ações da Brigada Militar e os argumentos utilizados pelo Ministério Público gaúcho para a execução do despejo de dois acampamentos no interior do Estado.

Segundo a nota, “os métodos e argumentos do Ministério Público e da Brigada Militar ressuscitam a ditadura militar no RS”. “Há um nefasto projeto político em curso no Rio Grande do Sul, envolvendo a proteção dos interesses de empresas estrangeiras, que são também grandes financiadoras de campanha, a supressão de direitos civis e a repressão policial”, denuncia o MST. A íntegra da nota:

"No dia de ontem (17/06), centenas de famílias de trabalhadores sem-terras foram despejadas de dois acampamentos pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul no município de Coqueiros do Sul. As duas áreas pertencem a pequenos proprietários e estavam cedidas para a instalação das famílias. Os barracos e plantações foram destruídos, além das criações de animais, que foram espalhados, para que as famílias não pudessem levá-los. Cumprindo ordens do Poder Judiciário, as famílias foram jogadas à beira da estrada em Sarandi no final da tarde. É preciso lembrar que este acampamento à beira da estrada para onde foram levadas, é o mesmo local de onde foram despejadas há um ano. Até quando estes trabalhadores vão permanecer lá? Quanto tempo levará até o próximo despejo?

O despejo de ontem não se trata apenas de mais um ato de violência e intransigência da Governadora Yeda Crusius e da Brigada Militar. Há um nefasto projeto político em curso no Rio Grande do Sul, envolvendo a proteção dos interesses de empresas estrangeiras, que são também grandes financiadoras de campanha, a supressão de direitos civis e a repressão policial. A ação faz parte de uma estratégia elaborada pelo Ministério Público Estadual para impedir que qualquer movimento social possa se organizar ou manifestar-se. Juntos, o Ministério Público Estadual e a Brigada Militar ressuscitam os métodos e práticas da ditadura militar, ameaçando qualquer direito de reunião, de organização ou de manifestação.

Na ação civil que determinou o despejo ontem, os promotores deixam claro sua inspiração pelo golpe militar de 1964, ao lembrarem que o golpe que restringiu as liberdades civis no Brasil, “ pacificou o campo”. O despejo de uma área cedida, a ameaça de multa a seus proprietários se voltarem a apoiar o MST e as promessas de que novos despejos ocorrerão nos acampamentos em São Gabriel (num pré-assentamento), em Nova Santa Rita e em Pedro Osório (ambos em áreas de assentamentos) são decisões autoritárias que ameaçam não apenas o Movimento Sem Terra, mas estabelecem uma política de repressão para todo e qualquer movimento social.

Ao mesmo tempo em que os movimentos sociais são perseguidos e criminalizados, não se vê nada para recuperar os R$ 44 milhões roubados dos cofres públicos para o financiamento eleitoral no esquema do DETRAN. Da mesma forma, quando grandes empresas estrangeiras criam empresas-laranja e adquirem terras ilegalmente no Rio Grande do Sul, que somente agora foram indeferidas pelo executivo, não se vê nenhuma ação do Ministério Público, judiciário ou do executivo estadual.

No ano passado, após a Marcha à Fazenda Guerra, o Ministério Público propôs um termo de ajuste onde o Poder executivo federal assumia o compromisso em assentar mil famílias até o mês de abril deste ano. Nos causa estranheza que não haja mais cobranças do Ministério Público para o cumprimento do acordo, que este mesmo poder propôs. E ainda, que agora decrete o despejo das famílias, que poderiam estar assentadas e produzindo alimentos, caso o mesmo acordo tivesse sido respeitado. Há interesses que ainda se encontram ocultos nas ações desta semana e nas medidas que o MPE anuncia. O certo é que a volta dos regimes autoritários e repressivos, a serviço de interesses obscuros, ameaça a todo o povo gaúcho".

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Fórum Mídia Livre: Eu estive lá...

Eu participei do Fórum Mídia Livre, realizado neste final de semana na Universidade Federal do Rio de Janeiro, a convite da revista Fórum.

Foram dois dias de intensos debates e discussões sobre como democratizar a comunicação no Brasil - hoje restrita ao controle absoluto de nove famílias, as quais vendem um "pensamento único" travestido de "jornalismo" que vai ao encontro exclusivo de seus interesses enquanto calam ou criminalizam qualquer voz dissonante.

Confiram a cobertura completa do evento no site da revista Fórum e também no Vermelho, porque no PiG você, obviamente, não vai achar absolutamente NADA sobre o evento... Por que será, não?

Abaixo, vocês podem ver algumas das fotos que eu tirei durante o evento.


Abertura das inscrições ao evento


A professora Ivana Bentes abre os trabalhos


O auditório da UFRJ ficou pequeno para tanta gente


Renato Rovai, editor da Fórum


O professor Laurindo Leal Filho


Diversidade marcou o evento


Representante do MST fala aos participantes


Altamiro Borges, editor do site Vermelho (PC do B)


Beto Almeida, do conselho da Telesur


Antônio Mello e Mário Jakobskind no Grupo de Trabalho


Ivana Bentes coordena um dos GTs mais concorridos



Apresentação dos resultados dos GTs à assembléia

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Promessa de campanha: Enfim começou o "choque de gestão" tucano no RS!

A atual governadora do Rio Grande do Sul, dona Yeda Crusius, prometeu durante a sua campanha eleitoral promover um "choque de gestão" no Estado.

Todavia, até agora o que se viu foi apenas incompetência, desmandos e denúncias de corrupção das mais cabeludas.

Mas foi só o povão ir para as ruas protestar contra dona Yeda e sua trupe que, finalmente, começamos a ver o tal "choque de gestão" da tucana!

Confira as fotos abaixo e fique, você também, chocado...

PSDB, Partido da Social Democracia, no governo é isso aí! Depois vêm os papagaios da direita dizer que o PT é um parido autoritário. Não vi o Lula mandando o exército ou a polícia federal meter porrada nos mauricinhos e patricinhas que desfilaram nos "protestos" do Cansei e afins. Alguém viu? Pois é...

E o Pig? Bom, o PiG se finge de morto, como sempre em se tratando de desmandos que envolvem políticos amigos dos barões da mídia...






segunda-feira, 9 de junho de 2008

Você decide: A mídia grande é canalha ou incompetente?

Quem não lê a imprensa alternativa não deve saber dos escândalos de corrupção que estão detonando o governo da dona Yeda Crusis, do PSDB, no Rio Grande do Sul.

A midia grande se faz de morta quando as denúncias atingem seus aliados políticos-ideológicos ou então dá míseras notinhas onde não mencionam nomes ou escondem os partidos dos acusados (quando são do PSDB, DEM e afins).

Mas, pasmem, se não bastasse tudo isso, alguns representantes do PIG (Partido da Imprensa Golpista) conseguem ser mais realistas que o próprio rei! É o caso do Jornal do Brasil que deu a seguinte manchete sobre o escândalos no governo tucano do RS:



E você, caro leitor, acha que isso é incompetência pura e simples ou canalhice da grossa? Na minha modesta opinião, é uma mistura das duas coisas. Tão acostumados a manipular as notícias em sua ânsia gigantesca de agradar os patrões golpistas que têm ódio do PT e de qualquer coisa que cheire a "esquerda", os pau mandados das redações acabam metendo os pés pelas mãos e produzindo aberrações como a evidenciada acima.

Azar deles. A cada dia que passa, a já tão combalida credibilidade da mídia corporativa (que visa o lucro acima de tudo e de todos) diminui ainda mais. Só mesmo aqueles tiozinhos hidrófobos e totalmente crentes na "imparcialidade" dessa mídia ainda acreditam nas asneiras que ela publica...
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domingo, 8 de junho de 2008

Renato Rovai: Yeda Crusius, Bancoop, VarigLog e essa coisa chamada mídia

Leiam esse texto do grande Jornalista Renato Rovai. Ele diz tudo que precisa ser dito sobre a corrupção dos tucanos e a cobertura que recebem da Mídia Golpista.

Yeda Crusius, Bancoop, VarigLog e essa coisa chamada mídia

- por Renato Rovai, editor da Fórum

Os escândalos que envolvem o governo do Rio Grande do Sul são piores do que aqueles que atingiram o governo federal em 2005. Comparar escândalos é uma coisa meio estúpida, mas em 2005 o governo Lula não viu um Zé Dirceu ou uma Dilma Roussef ligando para o vice-presidente José de Alencar e escancarando que a corrupção é isso mesmo e que ele bem sabia disso. E dando detalhes sobre como o esquema sustentava a base aliada.

No Rio Grande do Sul isso aconteceu. O chefe da Casa Civil César Busatto teve uma conversa com o vice-governador gravada onde ele trata da corrupção como se estivesse falando de um Gre-Nal. E o caso ainda não foi para nas manchetes da midiazona. Você viu a governadora Yeda com um pé na bunda na capa da Veja, por exemplo? Mas se fosse o caso tivesse acontecido no Piauí, com o governador Wellington Dias, provavelmente já teria visto o petista numa jaula com roupa de bandido na capa da dita revista.

Com todo respeito ao Piauí e aos meus muitos amigos de lá, mas o Rio Grande do Sul, apesar do governo Yeda, ainda é politicamente mais importante que o seu irmão federativo.

O mesmo acontece em relação à cratera que se abriu em obra do metro paulistano que matou sete pessoas e feriu tantas outras. É impressionante como esse acidente causado (cada vez fica mais evidente) pela ganância do consórcio que está tocando a obra e pela irresponsabilidade das gestões tucanas à frente do governo do Estado continua sendo “algo da vida” na cobertura jornalística. Quem pretende tratar dele é acusado de buscar politizar a tragédia alheia.

No caso da queda do avião da TAM a politização foi matéria-prima dos primeiros minutos da cobertura. Mesmo sabendo-se que conectá-lo com o governo federal era algo irresponsável. Criou-se um movimento chamado Cansei na esteira daquela história, lembram-se? Eu não me esqueço. E ele dirigia suas críticas ao governo, politizava o caso TAM e teria apoio midiático com divulgação gratuita de publicidades que iam bater bumbo contra o governo Lula. Foi derrotado na internet por sites e blogues que mostraram as ligações de seus autores.

Em contrapartida a esse silêncio sobre coisas que poderiam interessar à opinião pública, a midiazona já decidiu que o caso da VarigLog “é explosivo e pode ser pior ainda que o dos cartões coorporativos”. Alguns jornais (claro que sem citar a fonte) dizem que essa avaliação tem sido feita por assessores do Palácio do Planalto.

E por fim renasce o caso Bancoop. O Estadão de hoje também decidiu dar uma página inteira para a investigação sobre essa cooperativa que foi criada pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo. A denúncia é que seus problemas econômicos se devem ao financiamento de candidaturas petistas. E a acusação é de um irmão de um ex-presidente da Bancoop morto num acidente de carro e que está sendo processado pela cooperativa. Pelo que entendi da confusão apresentada ele tem provas de ter recebido 5 mil reais ou coisa assim na sua conta-corrente. Muito dinheiro, hein?

O caso Bancoop, aliás, parece um novo episódio Celso Daniel. Na eleição passada o Ministério Público de São Paulo colocou o tema na mídia com “provas irrefutáveis” de que a corrupção é que o havia levado o ex-prefeito a ser assassinado. Finda a eleição, o assunto morreu.

Agora, o MP paulista, que ao invés de cuidar da boa gestão do governo de São Paulo só se interesse em investigar a oposição, escolheu a Bancoop como bola da vez. Nada contra que investigue a Bancoop. Se há indícios de má-gestão dos recursos dos cooperados, é preciso ver o que ocorreu. Mas transformar isso em tema de página inteira de um jornal nacional, venhamos...

Os interesses demo-tucanos se confundem com os interesses da midiazona. Essa é a questão fundamental. Por isso, acho tão importante hoje a luta pela democratização da mídia, quanto foi o das Diretas Já em 1984.

Ampliar a diversidade informativa no Brasil é um passo necessário para que possamos vir a ter uma democracia mais saudável.

Precisamos de mais diversidade informativa. De contradição na cobertura jornalística. De gente tratando de assuntos por perspectivas diferentes. E, entre outras coisas, para que isso aconteça precisamos fazer desse Fórum de Mídia Livre que vai acontecer no Rio um encontro histórico.

Hoje eles já não são tão hegemônicos como parecem. A mídia comercial tradicional é um poder em franca decadência. Mas ainda teremos de batalhar muito para construir uma alternativa que não seja só a de colocar novos poderosos no lugar dos anteriores. Diversidade informativa, muitos, mas muitos mesmo, tendo o direito de comunicar. Esse deve ser nosso objetivo maior.

PS: O Fórum de Mídia Livre que vai acontecer na Universidade Federal do Rio de Janeiro no fim de semana que vem já beira os 600 inscritos.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Suspeita de Corrupção do PSDB: PIG silencia sobre escândalo Alstom

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Como era de se esperar, o escândalo de corrupção do governo de São Paulo, há 13 anos nas mãos do PSDB, com a Alstom não está sendo noticiado pela "grande" mídia corporativa (ou PIG - Partido da Imprensa Golpista), exceto em notinhas pequenas escondidas dentro de suas páginas onde, é claro, sempre é omitido o nome do partido que mais lucrou com os esquemas. A rede Globo, sempre tão preocupada com a justiça, não deu nem uma linha sequer...

Agora, imagine só se esse escândalo tivésse alguém do PT ou de outro partido de esquerda envolvido? Era manchete principal e matéria de 10 minutos na TV todos os dias. Se bobear, daqui a pouco eles dão um jeito de ligar esses esquemas de corrupção ao governo Lula, como fizeram com o acidente da TAM que matou 200 pessoas.

Confiram um resumo de tudo que já foi noticiado sobre o caso (a maioria pelos blogs independentes): http://casoalstomeostucanos.zip.net/

E tem gente que ainda acredita que a mídia corporativa, que visa o lucro acima de tudo e de todos, tem mesmo "rabo preso com o leitor"...

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