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quinta-feira, 25 de janeiro de 2007

Filmes: "Filhos da Esperança"

O ÚLTIMO QUE MORRER
APAGUE A LUZ

Apesar dos defeitos, obra de Cuarón vale pelo paralelo direto que traça entre o futuro devastado do filme e a realidade atual.

- por André Lux

“Os Filhos da Esperança” nada mais é do que uma cópia do filme “É Proibido Procriar” (“Zero Population Growth”, com Oliver Reed e Geraldine Chaplin), que a gente assistia quando criança na TV Record no fim dos anos 1970. O enredo é basicamente o mesmo (até os finais dos filmes são idênticos), a única diferença é que aqui a humanidade ficou misteriosamente estéril enquanto no de 1972 era o governo fascista que proibia a reprodução, alegando que a Terra já estava super-povoada e com seu meio ambiente destruído.

Mas isso não impediu o diretor mexicano Alfonso Cuarón (de “E Sua Mãe Também”) de realizar um bom trabalho, bastante tenso e com algumas cenas emocionantes. O problema é mesmo o roteiro, que não faz muito sentido e é cheio de clichês (como traições tolas, grupos políticos primários e personagens que só servem para explicar a trama). Parece que o cineasta estava ciente disso e, ao invés de se concentrar no óbvio, preferiu criar seqüências que traçam um paralelo direto entre o futuro devastado do filme e a realidade atual.

A chegada dos refugiados aos campos de concentração, por exemplo, é uma cópia perfeita das imagens das torturas realizadas pelo exército do EUA no Iraque e em Guantanamo. Assim como toda a cena final de perseguição e tiroteios, que nos leva para um cenário de desumanidade idêntico ao que acontece hoje no Iraque, na Palestina ou no Líbano.

É tragicômica a seqüência em que soldados e guerrilheiros paralisam o conflito quando os protagonistas revelam sua preciosa carga, a qual no fundo é a razão para todo o ódio, só para retomarem a selvageria em seguida, como se nem lembrassem mais porque lutam. Como se vê, uma perfeita parábola das guerras atuais.

O filme também é valorizado pela fotografia de Emmanuel Lubezki, que utiliza bem o recurso de câmera na mão, e pelas boas atuações do elenco, principalmente Michael Caine, que está impagável no papel de um velho ativista de esquerda que não perde a chance de pregar a famosa peça do “puxe meu dedo” em quem cruzar seu caminho, mesmo que traga conseqüências trágicas para ele.

Para os mais atentos, “Filhos da Esperança” também tem outros achados, como a reprodução da capa do disco “Animals”, do Pink Floyd, filmado na mesma estação de energia Batterseas usada na foto original (com direito a porco flutuante e tudo), além de diversos recortes de jornal que indicam que o planeta havia sido varrido por conflitos nucleares. Intervenções irônicas vindas do rádio (“essa música é de 2003, época em que os seres humanos insistiam em não perceber que o futuro começaria amanhã”) ou de pichações nas ruas (“o último que morrer, por favor, apague a luz”) também ajudam a enriquecer a obra.

Por tudo isso o filme merece ser visto e discutido, embora tenha um apelo limitado já que as suas pretensões certamente vão passar em branco na cabeça de quem só entra no cinema para passar o tempo. O que, sabemos, é a intenção da grande maioria das pessoas que lotam as salas dos multiplex...

Cotação: * * *

quarta-feira, 24 de janeiro de 2007

15 minutos de fama: Mino Carta elogia minha arte!

O jornalista Mino Carta escreveu em seu blog um texto elogioso a uma arte que criei (veja logo abaixo, no post "Tragédia em São Paulo: Cada um tem a imprensa que merece...").

Olha só o que disse o Mino:


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Diferenças

Recebo de um amigo a reprodução de uma corrente que circula na internet, e exibe lado a lado as capas de Veja e CartaCapital desta semana. A legenda esclarece: CartaCapital coloca o dedo na ferida, Veja prefere mostrar o que pensa dos seus leitores. Nós fotografamos a cratera, eles um cachorro, personagem da história de amor entre humanos e caninos. Com todos os méritos, poderia também comparecer a capa de Época, que propõe a filosofia como caminho da felicidade. Filosofia com F grande. Quando, de longe, vi o cão, resignado e melancólico, imaginei que Veja se referia a Tony Blair. Anteontem um deputado inglês na Assembléia da União Européia o chamou de “cachorrinho de estimação de Bush Junior”.

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Não bastasse eu ter sido premiado com a assinatura do mês da CartaCapital em dezembro graças à brincadeira que fiz com as ofensas do ACM contra a revista, agora tenho novo trabalho citado pelo mestre em seu blog!

E dá-lhe mais 15 minutos de fama para o crítico-spam!

segunda-feira, 22 de janeiro de 2007

Rir para não chorar: Retratos do nosso "jornalismo"

Clique nas imagens abaixo para vê-las em tamanho real...

Tragédia em São Paulo: Cada um tem a imprensa que merece...



A edição desta semana da CartaCapital está imperdível, particularmente para quem é Arquiteto ou se interessa pelo tema Urbanização.

Enquanto a VEJA, que se diz "indispensável", coloca na capa um cachorro vestindo salto alto (numa provável referência à imagem que os donos da revista têm de seus leitores), CartaCapital dá mais uma vez aula de Jornalismo, mostrando os fatos que a grande mídia prefere ignorar e analisando profundamente as causas e conseqüências dessa nova tragédia que se abate sobre os paulistanos...

Não deixem de ler e prestigiar!

Seu País
Autofagia à paulista

- por Ana Paula Sousa e Sergio Lirio (http://www.cartacapital.com.br)

A cratera do Metrô é o símbolo do impulso autodestrutivo de São Paulo



São Paulo não pára. São Paulo, a locomotiva do Brasil. São Paulo, terra de oportunidades. São Paulo, a cidade que mais cresce no mundo. O que os slogans da maior aglomeração urbana da América do Sul, amontoado de gente, carro e concreto que um dia se pareceu com uma cidade, traduzem neste início de século? Nada. Essa São Paulo operosa, individualista e antiestatal, convicta de que suas mazelas resultam exclusivamente da “corrupção de Brasília” e da “incompetência da porção Norte do País”, foi confrontada com sua imagem real na sexta-feira 12.

Passava um pouco das 3 da tarde quando um deslizamento de terra nas obras da estação Pinheiros da Linha 4 do Metrô, na zona oeste, abriu uma cratera de 40 metros de diâmetro às margens da Marginal, destruiu casas, tragou veículos e deixou um saldo de sete mortos. As chuvas e o risco de novos desabamentos têm atrasado os trabalhos de resgate. No início da noite da quinta-feira 18, os bombeiros conseguiram descolar a minivan que atrapalhava as escavações. Mais dois corpos foram retirados. Outras duas vítimas continuavam soterradas nos escombros.

Do ponto de vista técnico, só as perícias, que devem demorar no mínimo quatro meses para ser concluídas, poderão apontar com precisão as causas do desastre. Boa parte das especulações feitas no calor dos acontecimentos será, obviamente, descartada. Mas, a despeito dos laudos periciais, focados em apontar os motivos do acidente na estação Pinheiros, sobram indícios de que as obras do Metrô, realizadas ao longo de 13 quilômetros, levaram ao extremo a lógica que moldou a expansão urbana de São Paulo nas últimas décadas: transferência do controle para a iniciativa privada, desmonte do aparato de fiscalização do poder público e falta de transparência. Trata-se, portanto, de uma questão que transcende o socorro aos mortos e familiares e aos moradores que perderam casas e bens.

A licitação da Linha 4, feita sob a égide das Parcerias Público-Privadas (PPPs), foi saudada pelo ex-governador e então candidato à Presidência Geraldo Alckmin como exemplo dos 12 anos de “boa gestão” tucana no estado. Após a tragédia, Alckmin optou pelo silêncio. Deixou o pepino no colo do sucessor, o correligionário José Serra.

“Houve inúmeros sinais de graves falhas na construção, como rachaduras em casas e afundamento dos terrenos. Todos esses indícios foram tratados com desprezo. Em obras subterrâneas devem imperar a segurança e a boa técnica, não os impulsos para gerar lucro. Mas parece que o modelo escolhido privilegia os ganhos”, avalia o engenheiro Álvaro Rodrigues dos Santos, ex-diretor de Planejamento do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

Santos refere-se ao tipo de contrato adotado na licitação. Por exigência do Banco Mundial, um dos financiadores do projeto, seguiu-se o modelo turn key, pelo qual se contrata a empreitada em pacote fechado. Neste caso, estabelece-se um valor total e o consórcio vencedor é obrigado a concluir o trabalho dentro da planilha de custos definida na licitação. A vantagem é a impossibilidade de se fazerem aditivos contratuais ao longo da construção, o que evita gastos adicionais, às vezes absurdos, do poder público. Em tese, também ajuda a diminuir a corrupção.

A primeira desvantagem diz respeito à limitação de interferência do poder público. Apesar de os técnicos do Metrô terem acesso a laudos e relatórios das obras, o controle da qualidade é feito pelas próprias construtoras. A segunda tem relação com o equilíbrio financeiro do projeto. Executivos de duas grandes empreiteiras não participantes do consórcio que administra as obras do Metrô apontaram a CartaCapital um efeito colateral. Como é impossível fazer aditivos, as construtoras assumiriam riscos de gastos adicionais não previstos no projeto inicial. A tendência, dizem, é compensar esse risco com a economia nos gastos de material e mão-de-obra. Isso para aumentar ou manter a rentabilidade estabelecida por contrato.

“A própria realidade mostrou o que deveria ter sido feito: a demarcação de uma área maior que o próprio buraco, incluindo desapropriações dos imóveis nessa área mais o eventual desvio da Marginal”, diz o arquiteto e urbanista Raymundo de Paschoal, professor da Faculdade de Belas Artes. “Mas as empresas não deram atenção ao entorno.”

O consórcio da Linha 4 é formado por cinco das maiores construtoras brasileiras: OAS, Andrade Gutierrez, Odebrecht, Queiroz Galvão e Camargo Corrêa. Também integram o grupo duas multinacionais fornecedoras de equipamentos, a francesa Alstom e a alemã Siemens. Engenheiros de uma das empreiteiras, ligados diretamente às obras, afirmaram a CartaCapital que não foi feita nenhuma economia que implicasse riscos. Ao contrário. Segundo eles, por causa da instabilidade do terreno onde fica a estação, o consórcio optou por reforçar as estruturas de sustentação. Uma das medidas foi aplicar arcos de aço sob o concreto, chamadas cambotas, o que não estava previsto no projeto original desenhado pela área técnica do Metrô.

*Confira a íntegra da reportagem na edição impressa

segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Tragédia em São Paulo: Mídia "imparcial" blinda tucanos e pefelentos, como sempre


Tragédia em São Paulo ceifa vidas e sonhos:
será mesmo que vale tudo pelo lucro?


Veja as imagens acima e abaixo. Não é preciso falar nada a respeito da gravidade da situação. A mídia tem, obviamente, dado destaque à tragédia, mas, estranhamente, não procura culpados nem persegue os (antigos e atuais) governantes de São Paulo com os microfonfes e câmeras em riste. "Devemos ser cautelosos, antes de sair por aí acusando alguém de ser responsável pelo desastre", certamente afirmariam os editores e jornalistas. Nada mais correto e justo, é claro. Sinal claro da "imparcialidade" e "responsabilidade" da nossa imprensa.

Agora se pergunte: como seria o comportamento dessa mesma imprensa e seus sabujos caso os governantes de São Paulo fossem do... PT? Será que eles só seriam citados nas matérias de forma positiva, dizendo "vamos prestar socorro a todos as vítimas e atingidos", ou então dando explicações absurdas impunemente como "a culpa é das chuvas" ou "a responsabilidade é toda da construtora"?

Onde estão os "vomitadores de opinião" e os editorialistas da imprensa exigindo punição aos governantes e seus secretários, assim como fizeram, por exemplo, no tal do "apagão aéreo"? Onde estão os jornalistas denunciando o fato de que moradores da área do desastre já estavam denunciando práticas abusivas na obra e rachaduras em seus imóveis desde antes de setembro de 2006?

Sinceramente, a hipocrisia e a irresponsabilidade da nossa imprensa é abismal. Até quando vamos ter que aturar isso? Vidas foram ceifadas, por causa do descaso e da falta de respeito aos cidadãos. Vale mesmo tudo pelo lucro? Com a palavra, os políticos do PSDB e do PFL, sempre tão ávidos na defesa das privatizações e do enxugamento do Estado...

Leiam mais sobre os absurdos que levaram a essa tragédia nesse texto escrito pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, um dos poucos que atualmente honram a profissão: OITO MOTIVOS PARA SERRA REVER O CONTRATO DA LINHA 4.


Se esses sujeitos fossem do PT, será que também seriam
poupados pela mídia e seus "formadores de opinião"?

Moradores denunciavam problemas desde setembro:
cadê jornalistas cobrando respostas do Governo de SP?

sexta-feira, 12 de janeiro de 2007

A pergunta que não quer calar: Por que jornalistas se julgam os "donos da verdade"?



O jornalista Marcelo Salles, do site Fazendo Media e colaborador da revista Caros Amigos, escreveu um texto intitulado "Não existe jornalista imparcial", no qual questionou:

"(...) não quero dizer que o jornalista que se diz imparcial é um babaca. Quero dizer apenas que ele não existe enquanto sua auto-definição. Uma vez inserido num contexto, qualquer pessoa passa a interferir nele: e isso também vale para jornalistas, que são (até onde se sabe) tão seres humanos quanto os demais profissionais. Por que essa tentativa desesperada de se afastar da realidade? Por que certos jornalistas imaginam-se com os pés no Olimpo?".

Bom, eu tenho uma teoria sobre a origem dessa mania do jornalista e, por tabela, dos críticos em geral de se acharem "donos da verdade", verdadeiros "deuses do Olimpo": medo e insegurança. Falo por experiência própria.

Lembro que quando sai da faculdade (sem aprender praticamente nada de importante, exceto como escrever para a Folha de São Paulo), comecei a fazer os seguintes questionamentos: "Caramba, o que farei agora? Não sei projetar pontes, nem fazer contas ou separar átomos. Só sei escrever sobre os acontecimentos, fatos e obras de arte que existem independentes da mim! Ou seja, para sobreviver vou sempre depender do trabalho produtivo ou das ações de outras pessoas..."

Esse pensamento (que passava pela cabeça de vários colegas da minha turma também) me deu uma enorme sensação de inutilidade, insegurança, medo mesmo. Imagino que algo similar passe pelas mentes de todos os profissionais da área, seja de maneira consciente ou inconsciente.

No meu caso, para combater essa sensação de ser um "paria", fui me especializar em algo produtivo - edição de imagens, capacitação que sempre tenho como "carta na manga" no caso de um dia ninguém mais se interessar pelo que escrevo sobre o trabalho dos outros. Isso ao menos me dá mais segurança de continuar trabalhando como jornalista, seja em que área for.

Já no caso desses jornalistas e críticos que sobem para o "monte Olimpo", imagino que, incapazes de identificarem de onde vem a insegurança e o medo que os aflige, optam por vestir a famosa máscara de "dono da verdade", e a partir daí passam a ter certeza de que são cidadãos especiais que vivem acima de tudo e de todos, cujas opiniões jamais podem ser contrariadas ou ratificadas. E aqueles que ousarem contestá-los serão, via de regra, atacados e menosprezados violentamente, de preferência em público e sem direito de resposta.

Acho que qualquer um que já tentou enfrentar um desses seres sobre-humanos sabe bem do que estou falando. Estão aí o senhor Alberto Dines e tantos outros clones dele para não me deixar mentir...

Enfim, essa é minha modesta opinião. Não sou o dono da verdade nem quero escrever tratados psicológicos sobre como funciona a mente dos jornalistas, felizmente... Vejam isso apenas como o relato de uma experiência pessoal, que pode ou não ser transferida para outras pessoas.

Mas, uma coisa é do conhecimento até do mundo mineral: quem precisa ficar o tempo todo se auto-afirmando e posando de intocável e dono da verdade, no fundo, não passa de uma pessoa tremendamente insegura de suas próprias opiniões, convicções e conhecimentos.

Portanto, na dúvida, melhor mesmo para eles calar ou ridicularizar aqueles que ousam tentar fazê-los reverem seus conceitos ou enxergar uma outra realidade que se recusam a conhecer...

Chocante: Crítico explode de raiva!

Confira abaixo, flagrante do exato momento em que um famoso crítico ouviu alguém dizendo que, infâmia das infâmias, "uma crítica é apenas uma opinião":

quinta-feira, 11 de janeiro de 2007

Antonio Gramsci: "ODEIO OS INDIFERENTES"

O texto abaixo, do pensador italiano Antonio Gramsci, expressa com perfeição o que penso sobre as pessoas que se dizem "apolíticas", "indiferentes" e também sobre os alienados, os quais, via de regra, têm opinião sobre tudo e sobre todos. Opiniões essas que, mesmo canhestras e até ofensivas, não se fazem de rogados em vomitar na cara de qualquer um que esteja na frente deles...

“Odeio os indiferentes.
Acredito que viver
significa tomar partido.
Indiferença é apatia,
parasitismo, covardia.
Não é vida.

Por isso, abomino os indiferentes.
Desprezo os indiferentes,
também, porque me provocam
tédio as suas lamúrias
de eternos inocentes.
Vivo, sou militante.

Por isso, detesto
quem não toma partido.
Odeio os indiferentes.”


- Antonio Gramsci (1891-1937), pensador italiano.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Enforcamento de Saddam Hussein: Veja a hipocrisia do Império

A reportagem abaixo, publica na revista CartaCapital 419, de 15 de novembro de 2006, mostra bem a noção de "justiça" que move o império estadunidense.

Clique na imagem para ver a matéria na íntegra.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Conheça a incrível origem do "Crítico-Spam"

O "crítico-spam" em ação!
Muita gente me escreve perguntando por que me autodenomino “Crítico-Spam”. É uma longa e aborrecida história. Embora eu tenha horror de falar de mim mesmo, vou tentar contá-la rapidamente para matar a curiosidade de quem me conheceu agora.

Tudo começou na época em que, como bom nerd assumido, mandava minhas opiniões sobre filmes para a minha lista de e-mails, a qual incluía única e exclusivamente amigos e conhecidos. Com o passar do tempo, essa lista foi aumentando já que muitos mandavam meus textos para pessoas de suas listas e alguns me respondiam pessoalmente. 

Não sei por qual motivo, foi incluído em minha lista de “spams” um profissional da opinião nordestino, cujo nome me foge à memória (e estou muito cansado para vasculhar a net à sua procura). Apesar de ser um tremendo de um PIMBA (Pseudo-Intelectual-Metido-a-Besta) o sujeito até que escrevia opiniões interessantes sobre a sétima arte. Todavia, tudo desandou quando denegriu a trilogia “O Senhor dos Anéis”. Até aí, vá lá, era só a opinião do cidadão.

O problema é que, em sua ânsia de trucidar a obra e seus apreciadores, incorreu em erros imperdoáveis para alguém que ganha a vida tecendo opiniões sobre o trabalho dos outros, tais como afirmar que a trilha musical da trilogia foi composta pela Enya, quando era do conhecimento do mundo mineral que o autor era Howard Shore, enquanto a cantora de soporíferas baladas new-age compôs apenas duas canções para o primeiro filme da trilogia.

Nerd atento e prestativo que era, logo enviei e-mails de protesto contra o deslize amador cometido pelo vendedor de opiniões. Pra que... o sujeito respondeu com violência, publicando em seu blog um texto infernal no qual me citava nominalmente, me tachando de “crítico-spam”, e insinuava que eu não passava de um fanático por Tolkien que vivia na Terra-Média e, concluiu, não fazia sexo! Infâmia das infâmias! Logo eu que adoro sexo e sempre defendi o amor livre sob todas as formas... Minha esposa, depois de ler o tal texto nojento contra mim, soltou sonoras gargalhadas, vestiu-se de Elfa e... melhor tirar as crianças da sala!

Enfim, ficou por isso mesmo, embora confesso ter enviado umas mensagens mal criadas ao meu depreciador. Coisas de ex-nerd inconformado de ser acusado de não praticar sexo, depois de ter ficado tantos anos “na mão” tentando seduzir meninas mostrando minha coleção de trilhas do Jerry Goldsmith.

Tempos depois, fui “convidado” para tocar o site e-pipoca. Convidado é brincadeira. Na verdade, o negócio estava (e continua) falido e eu, como bom nerd prestativo e ingênuo, me ofereci para atualizar o site diariamente, além de ir até São Paulo assistir a pré-estréias e lançamentos. Detalhe: sem receber nada em troca, nem um tostão, vale-refeição ou reembolso de gasolina! O que a gente não faz pelo amor ao cinema...

Fiquei uns, mais ou menos, sete meses até que o saco encheu e a carteira esvaziou. Uns dias antes de eu ser obrigado a pular fora dessa barca furada, que apesar de tudo até me dava algum prazer, um outro profissional da opinião invocou comigo e escreveu novo texto furibundo e gigante contra mim, onde ele basicamente deu nó em pingo de água para provar que, vejam só, “uma crítica não é uma opinião”!

Na verdade, não li a missiva em sua plenitude, até porque era imensa e muito mal escrita, mas quem leu garante que era hilariante. Imaginem só: uma crítica não é uma opinião... o que é então? Uma verdade absoluta? A palavra de Deus? Só rindo mesmo.

E o motivo desse ódio todo contra mim? Primeira e verdadeira razão: porque eu havia apontado (que mania...) os erros grosseiros que o rapaz escreveu em sua opinião sobre o filme “Matrix Reloaded” e porque eu havia discordado quando afirmou que “o cinema não estimula a violência” (isso, pasmem, vindo de um Crítico de Cinema, ou seja, alguém que passou a ganhar a vida escrevendo sobre aquilo que o influenciou!).

O segundo motivo (alegado), era um texto medíocre e ligeiro que eu havia publicado no e-pipoca onde eu tentava defender a profissão do crítico afirmando que uma crítica é nada mais do que uma opinião, igual à sua ou a de qualquer um, exceto pelo fato de ter sido escrita por alguém mais gabaritado no assunto (que estudou, trabalhou na área e tal). Em resumo eu queria dizer: “calma gente, não precisa querer matar o crítico toda vez que ele falar mal de um filme que você adora, afinal é só uma opinião e opinião é que nem joelho: cada um tem o seu...”

O site recebeu inúmeras cartas de elogio ao meu texto, alguns dos quais respondi pessoalmente e com cujos autores mantenho relações de amizade até hoje! O mais divertido, contudo, é que baseei minha argumentação num texto escrito pelo famoso Rubens Ewald Filho, publicado no mesmo e-pipoca, que terminava da seguinte forma: “Ninguém é perfeito, nem eu. Por isso mesmo, vamos assumir: toda critica é relativa e parcial.”

Bom, pra resumir, o tal profissional da opinião enfurecido (cujo nome não vou revelar, mas basta dizer que é um rapaz que se gaba de fazer parte do site “Tomates Podres”, cuja maior qualidade é juntar no mesmo link diversas críticas e onde qualquer um que tenha uma carteirinha de "crítico profissional" pode se registrar) sonhou que eu sai do e-pipoca por causa dele e, segundo sou informado por amigos gozadores, fica até hoje falando mal de mim sempre que pode em seu site. 

O sujeito (ou alguém se fazendo passar por ele) chegou até a postar uma mensagem aqui no meu blog, afirmando que eu havia plagiado sua crítica do filme “Superman Returns” – como seu eu fosse perder meu tempo lendo o que nerds obsessivos e que se levam a sério escrevem! Será que eles acham que eu vou derreter, igual à bruxa do "Mágico de Oz", por causa disso tudo?

Ok, confesso também que troquei uns e-mails agressivos com o sujeito e cheguei até a escrever besteiras provocativas no perfil do orkut dele (que depois me arrependi, pois poderiam ser interpretadas da forma errada, como foram, é claro). 

Quem mandou mexer, né não? Naquela época eu ainda perdia meu tempo com esse tipo de queda-de-braço virtual, coisas de ex-nerd que ainda não se acostumou em viver no mundo real, sabem como é... Ninguém é perfeito!

Já me estendi demais e esse é um assunto chato. Acho engraçado saber que ainda existe gente que fica tentando me detonar por aí, como se isso fosse trazer algo de bom para eles ou me incomodar. Pelo contrário: ao fazerem isso apenas demonstram que são eles que se incomodam comigo e com o que eu escrevo tão despretensiosamente... O que não deixa de ser irônico!


"Como assim ele não concordou comigo???"
Felizmente, não vivo de vender minhas opiniões e, se o fizesse, certamente não seria arrogante ou presunçoso como a maioria desses babacas. 

Embora, é claro, eu entenda perfeitamente porque são tão inseguros e desesperados por se auto-afirmarem e provarem o quanto são bons para todos: os caras não fazem nada de produtivo, o ganha-pão deles depende única e exclusivamente de emitir opiniões sobre o trabalho de outras pessoas. Imaginem só o nível de medo e insegurança dessas pessoas!

Por isso tudo, ser chamado de "Crítico-Spam" por esses panacas infelizes acaba sendo um grande elogio. Afinal, como diz a sabedoria popular, "falem mal, mas falem de mim"!
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