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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Cinema: "DISTRITO 9"

PODREIRA COM CONTEÚDO

Filme de ficção científica inusitado poderia muito bem se chamar “Alien Encontra A Mosca na Cidade de Deus”

- André Lux, crítico-spam

“Distrito 9” é um filme inusitado que se não chega a ser essa obra prima toda que a crítica vem apregoando, pelo menos traz novas idéias a um gênero que ultimamente virou refém de pouco conteúdo e muito barulho e efeitos visuais.

Trata-se de uma ficção científica que mistura efeitos especiais e de maquiagem estilo “podreira” com filme político de conteúdo mais sério. Poderia muito bem se chamar “Alien Encontra A Mosca na Cidade de Deus”! Vejam só a história: passa-se em Johanesburgo, na África do Sul, 20 anos depois da chegada de uma nave espacial avariada cheia de aliens esquisitos à beira da morte. Socorridos pelas autoridades, são então jogados num subúrbio da cidade que vira uma verdadeira favela e passam a ser hostilizados pelos humanos, inclusive pelos próprios que sofreram na pele a política racista do Apartheid.

Quando são ameaçados de despejo do Distrito 9 (que é como chamam a favela onde moram), um dos oficiais encarregados acaba contaminado por uma gosma estranha e começa a adquirir características dos aliens, sendo então perseguido pelas autoridades de seu país. A mensagem política aí é clara e até um pouco óbvia, mas sem dúvida muito oportuna: você só vai perceber o quanto o racismo é ruim quando a água bater na sua bunda.

O maior problema do filme é seu roteiro, mal costurado e com alguns furos na lógica. O pior deles é que os aliens obviamente não se sujeitariam a viver naquela situação degradante quando podiam claramente construir todas aquelas armas e veículos de defesa devastadores que tentavam vender aos humanos. Também não fica clara a relação deles com as pessoas da Terra (todo mundo entendia a língua dos aliens e vice-versa?) e o diretor falha em estabelecer de forma mais evidente o Apartheid contra os extraterrestres (o trailer do filme fazia isso de maneira muito melhor). Às vezes, cenas descambam para o nonsense puro, parecendo quase virar filme do Monty Python, quando eram para serem levadas a sério.

Mas essas falhas são compensadas por um estilo de narrativa ágil e movimentada, com muita câmera na mão (imitando mesmo a fotografia de “Cidade de Deus”) e recursos de documentários (com alguns depoimentos feitos diretamente para a câmera). Os efeitos visuais também são muito bons e perfeitamente integrados na história – embora algumas cenas nojentas desnecessárias possam afugentar os mais sensíveis.

Não causa espanto que o filme tenha sido produzido por Peter Jackson, que fez a trilogia “Senhor dos Anéis”, até porque seu primeiro filme é um terror trash repleto de sangue chamado “Bad Taste” (mau gosto). Para mim, “Distrito 9” seria melhor se fosse mais irônico (a trilha musical pesada e melodramática que por vezes lembra o "Batman" do Hans Zimmer também não ajuda muito) e tivesse uma conclusão mais forte (o final é uma decepção), mas mesmo assim é uma boa pedida para quem gosta do gênero.

Cotação: * * *

8 comentários:

carlos disse...

salve, andré,
fiz o comentário abaixo no post anterior e sem ler esse último.
veja só:
"e aí, andré, viu o "distrito 9"?
um ficção científica que, arrisco, virará um clássico. peguei pesado, hein?

melhor que todas as adaptações das hqs dos anos 80 ... a conferir."

abçs

carlos anselmo-eng°-fort-ce

André Lux disse...

Carlos, eu li sim o que vc tinha postado antes. E foi por isso que resolvi escrever sobre o filme!

Abraços.

Batista disse...

seus comentários já foram melhores André, na tentantiva de fazer uma critica "independente", mas uma vez vc põe os pés pelas mãos.

Tio Drakul disse...

A título de informação, há na internet alguns sites nos quais o diretor dá algumas informações sobre a história de fundo dos aliens, as quais na minha opinião deveriam ter sido inclusas no filme (falta de tempo disponível na tela?). Por exemplo, ele explica porquê os aliens não se revoltam contra a situação, mesmo tendo armas avançadas. Porquê ele (o diretor) os colocou como uma espécie similar às formigas, logo o que vemos na tela são os "drones" (trabalhadores). Eles tinham um líder, mas o mesmo morreu por causa de uma doença trazida à bordo (lembra o estado do interior da nave no começo do filme?) e sobraram apenas os drones sem liderança. Ou seja, o filme têm lógica sim, mas algumas partes dela ficaram ocultas no filme

Ludista disse...

Cara, discordo. Há toda uma mensagem metafórica, mas se você não quis ver... ou não viu, que fazer?

Aposto que existe mais chance de gostar deste filme do que da maioria que estão no cinema em cartaz, neste momento e a algum tempo, incluído o "Bastardos Inglórios" que você tanto elogia... veja uma palavra grega que explica muito do seu post "Hubrys".

André Lux disse...

Eu elogiando Bastardos Inglórios? Por aí se vê que ele não leu minha crítica mesmo...

Anônimo disse...

Vi, reví, gostei e recomendo.
Fim de papo.

Inté,
Murilo

Lorivaldo disse...

Cheguei no seu blog por causa do filme Brazil e segui lendo sobre vários outros filmes. Gostei principalmente pela visão critíca e sensata sobre vários deles, além do seu bom gosto.
Mas sobre este filme, eu discordo. Considero este um dos melhores filmes que vi nos últimos anos e que foi totalmente subestimado. Não sei se será "clássico", como Brazil, mas espero que a posteridade lhe dê reconhecimento.
Abraços

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