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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

FHC tem vergonha de seus próprios eleitores

FHC deseja melhoras a Lula e critica pedido por tratamento no SUS

Ex-presidente diz que Lula, de "grandes feitos", merece toda a solidariedade. Para tucano, quem fala para petista ir para o SUS tem "recalque"

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso condenou hoje as manifestações de internautas nas redes sociais sugerindo que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva fizesse seu tratamento contra o câncer em hospitais públicos. Após palestra do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cezar Peluso, Fernando Henrique classificou os comentários na internet de "recalque". "Acho que isso é uma espécie de recalque, eu não endosso isso", disse. "É um equívoco. Não tenho visto (as manifestações), mas acho um equívoco. Vida humana, saúde, não, que é isso!", emendou.

O tucano afirmou que ainda não entrou em contato com Lula, respeitando o tratamento iniciado pelo petista hoje, mas que pretende procurá-lo assim que Lula estiver disponível para conversar. Ainda em relação aos comentários na internet, Fernando Henrique afirmou que a questão da saúde no País não deve ser relacionada ao tratamento específico feito por Lula neste momento. "O presidente será tratado (no Hospital Sírio-Libanês) como qualquer pessoa que pode ser atendida lá. Se todos pudessem ter o mesmo tratamento, seria o melhor. Mas não é o momento para isso (para polêmica)", afirmou.

Fernando Henrique ressaltou que é amigo de Lula e lembrou os momentos em que conviveram na luta pelas Diretas Já no ABC paulista. "Eu tenho uma relação antiga com ele, me lembro de São Bernardo do Campo, quando eu ia para lá, estávamos começando aquelas lutas todas", disse. Embora tenham divergências políticas, Fernando Henrique afirmou que este é um momento de solidariedade e que deseja que Lula se restabeleça prontamente. "Esse é o desejo de todos os brasileiros. A pessoa que tem a projeção e o grande número de feitos pelo Brasil deve receber a maior solidariedade, sobretudo neste momento de dificuldade", disse.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, também desejou melhoras ao ex-presidente durante evento nesta noite: "Com a fé e orações de milhões de brasileiros, tenho certeza de que o presidente vai se recuperar".

Votos do papa

O papa Bento 16 mandou uma mensagem de pronta recuperação para Lula pelo embaixador brasileiro no Vaticano, Almir Barbuda. Segundo a assessoria de Lula, informou nesta segunda-feira (31) que está preocupado com a saúde do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e que irá orar por seu restabelecimento.

O embaixador se encontrou com o papa e com o secretário de Estado do Vaticano, Tarcísio Bertone, para se apresentar ao chefe do Estado. “Ambos manifestaram grande admiração por Vossa Excelência e pediram para lhe transmitir que terão presente em suas orações os melhores votos pelo seu pronto restabelecimento e rápido retorno à vida pública brasileira”, afirmou o embaixador em mensagem enviada a Lula.

Do Último Segundo

Selvageria contra Lula foi "ensinada" pela imprensa

- por Weden, no blog do Nassif

Não há porque o jornalista Gilberto Dimenstein se espantar com a falta de educação de leitores da Folha em relação à doença de Lula. Nem pode se supreender quando olhar as caixas de comentários dos portais do Estadão, do Globo e da Veja, por exemplo.

A selvageria, que se esconde muitas vezes sob o manto do anonimato, nada mais é do que a continuidade do primitivismo jornalístico praticado por muitos dos seus próprios colegas de trabalho, seja na Folha, seja nos outros veículos acima citados.

O modo como os blogueiros selvagens da Veja - com especial atenção aos dois leões de chácara Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes - se referem ao ex-presidente, e o ódio que eles encarnam, não é muito diferente do modo como alguns representantes de uma classe média deseducada - felizmente, minoritária - se refere àquele que saiu do poder com 80% de aprovação.

Exercícios de falta de educação e decoro jornalístico podem ser encontrados em editoriais - um espaço que, por definição, deveria representar a voz respeitosa dos veículos - do Globo, da Folha e do Estadão, com xingamentos e referências sem escrúpulos a Luis Ignácio da Silva.

Assim como a repulsa mostrada por comentaristas e parajornalistas contra os eleitores de Lula resultou num clima de xenofobia e preconceito jamais observado publicamente neste país, a voz carregada de nojo e ódio de uma Lucia Hipólito - que não conseguiu esconder o júbilo pela doença de Lula - ou de um Arnaldo Jabor, ou ainda de um Merval Pereira, produzem seus ecos no comportamento de leitores que não conheceram a civilidade e as regras de comportamento do espaço público.

Autores desqualificados produzem ou pelo menos atraem leitores desqualificados. Antes de se envergonhar dos leitores, Gilberto Dimenstein deveria se envergonhar de alguns nomes que compartilham com ele o mesmo ambiente midiático.

sábado, 29 de outubro de 2011

Arnaldo Jabor destila racismo contra Orlando Silva e é rechaçado no Twitter

Em comentário na Rádio CBN, na última quinta (27), o cineasta e jornalista Arnaldo Jabor destilou todo o seu preconceito e anticomunismo ao comemorar a saída de Orlando Silva do Ministério do Esporte. "Finalmente, o Orlando Silva caiu do galho”, disse Jabor, ao iniciar sua fala na rádio. Além de associar, indiretamente, o ex-ministro a um “macaco”, o que se segue é uma saraivada de xingamentos gratuitos e raivosos contra Orlando, o PCdoB e a UNE. As declarações geraram reação nas mídias sociais.


Utilizando-se de toda a teatralidade de que é capaz, o comentarista da ultradireita esculhamba não só com a sigla comunista, mas joga todos os partidos na vala comum da corrupção, discurso muito comum entres os que tentam desacreditar a política e os políticos.

Mas é contra o PCdoB que ele centra fogo. Jabor não só reforça o coro da mídia como um todo - que tem alimentado o noticiário com denúncias a respeito das quais não há nenhuma prova sequer - como toma como verdade as acusações que nem chegaram a ser investigadas. E passa dos limites, ao agredir até o falecido líder comunista João Amazonas, classificando-lhe como um "delirante maoista".

Com sua metralhadora de adjetivos desabonadores, dispara também contra a UNE. Numa demonstração de completa neurastenia, ele chama jovens de "malandros" e "oportuinistas", depois os acusa de desviariam dinheiro.

O comentário provocou reação. Nas redes sociais, até a noite desta sexta (28), crescia o movimento em repúdio ao jornalista, que desrespeita as principais regras da profissão. Com a hastag #ArnaldoJaborRacista, os internautas defenderam o PCdoB e cobravam um processo contra Jabor por racismo.

"Espero uma atitude imediata da justiça pq no Brasil Racismo é crime inafiançável #ArnaldoJaborRacista", postou a tuiteira @Marianna_UFRN . O presidente da Ubes, Yann Evanovick, também rebateu, em sua conta no twitter @YannUbes: "Jabor no Brasil de hoje representa o que tem de pior na sociedade. Isso é para os que acreditam que no Brasil não tem mais racismo. #vergonha".

Até a ministra-chefe da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, Maria do Rosário, criticou o comentarista no microblog. "Quero repudiar veementemente a declaração racista do Arnaldo Jabor sobre o ex-ministro Orlando Silva. Isso é inaceitável!", escreveu.

A entidade do movimento negro Unegro anunciou que lançará manifesto de repúdio às declarações de Arnaldo Jabor e exigindo sua imediata demissão, além de uma investigação do Ministério Público por crime de racismo.

Da Redação

sexta-feira, 28 de outubro de 2011

O "informante" Fernando Rodrigues ganhou bolsa em Harvard em 2007

É público e notório, por mais que dissimulem, que bolsas e incentivos deste tipo concedidas pelos EUA visam formar líderes na mídia brasileira, simpáticos e afinados com os interesses econômicos e geopolíticos estadunidenses.

- do blog Os Amigos do Presidente Lula

Nos documentos vazados pelo Wikileaks, o jornalista Fernando Rodrigues, colunista da Folha de S. Paulo, também aparece como informante, em encontro na embaixada dos EUA.

Numa conversa de 2006, Rodrigues teve um encontro com representantes da embaixada americana, e disse entre as quatro paredes que o TCU (Tribunal de Contas da União) era aparelhado politicamente pelos demo-tucanos, e tinha relatórios feitos para usar como batalha partidária da oposição contra o governo.

Disse que o tribunal faz análises não confiáveis e seus noves ministros são geralmente ex-senadores ou ex-deputados escolhidos por seus colegas para atuarem partidariamente. Rodrigues citou nominalmente o ministro Aroldo Cedraz, a quem classificou como “carlista” – ligado ao finado Antonio Carlos Magalhães.

De acordo com os documentos, Rodrigues também fazia análises políticas para a embaixada americana e avaliou o cenário da Câmara em 2006, que teve como oponentes Arlindo Chinaglia, do PT, e Aldo Rebelo, do PCdoB. Rodrigues disse que, se Aldo perdesse, ganharia como prêmio de consolação o Ministério da Defesa (o que não ocorreu). (Com informações do Portal 247)

O jornalista Fernando Rodrigues, do grupo Folha de São Paulo/UOL (PIG/SP), apontado em documentos vazados do Wikileaks como "informante" da embaixada dos EUA, ganhou bolsa de estudos por 1 ano (iniciada em agosto de 2007) na Universidade de Harvard, através da Nieman Foundation, daquele país.


Passadas as eleições de 2006, consumada a derrota do candidato apoiado pelo grupo Folha (Alckmin perdeu para Lula), Rodrigues escreveu que passaria por um período de "aggiornamento" (atualização, adaptação à nova realidade) nos EUA, e voltaria em agosto de 2008, "pronto para a cobertura das eleições municipais" (nas palavras dele).


É público e notório, por mais que dissimulem, que bolsas e incentivos deste tipo concedidas pelos EUA visam formar líderes na mídia brasileira, simpáticos e afinados com os interesses econômicos e geopolíticos estadunidenses.

É impensável esse tipo de bolsa para formar líderes cubanos que defenderão a revolução castrista, ou para adeptos de Hugo Chavez, de Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa, ou do "lulopetismo" (como gostam de dizer).

Essa mesma velha imprensa, que pinça até mesmo qualquer coincidência 100% legal na vida pessoal ou profissional de um ministro para fazer ilações pesadas sobre sua integridade moral, exigindo o imediato afastamento para "provar a inocência", o que tem a dizer sobre essas relações carnais de seus jornalistas com governos e corporações estadunidenses?

Wikileaks aponta Wiliam Waack como informante do governo dos EUA

William Waack: bobo da corte do tio Sam
O repórter William Waack, da Rede Globo de Televisão, foi apontado como informante do governo norte-americano, segundo post do blog Brasil que Vai – que citou documentos sigilosos trazidos a público pelo site Wikileaks há pouco menos de dois meses. De acordo com o texto, Waack foi indicado por membros do governo dos EUA para “sustentar posições na mídia brasileira afinadas com as grandes linhas da política externa americana”.

Por essa razão, ainda segundo o texto, é que se sentiu à vontade para protagonizar insólitos episódios na programação que conduz, nos quais não faltaram sequer palavrões dirigidos a autoridades do governo brasileiro.

O post informa ainda que a política externa brasileira tem “novas orientações” que “não mais se coadunam nem com os interesses estadunidenses, que se preocupam com o cosmopolitismo nacional, nem com os do Estado de Israel, influente no ‘stablishment’ norte-americano”. Por isso, o Departamento de Estado dos EUA “buscou fincar estacas nos meios de comunicação especializados em política internacional do Brasil” – no que seria um caso de “infiltração da CIA [a agência norte-americana de inteligência] nas instituições do país”.

O post do blog afirma ainda que os documentos divulgados pelo Wikileaks de encontros regulares de Waack com o embaixador do EUA no Brasil e com autoridades do Departamento de Estado e da Embaixada de Israel “mostram que sua atuação atende a outro comando que não aquele instalado no Jardim Botânico do Rio de Janeiro”.

Fonte: R7

quinta-feira, 27 de outubro de 2011

Aldo e a necesidade de um zagueiro-zagueiro

O ministro Aldo Rebelo
- por Brizola Neto, deputado federal (PDT)

Quem parar para refletir um pouco verá que a saída do Ministro Orlando Silva do Ministério dos Esportes tem menos a ver com a onda de denúncias contra ele do que com a necessidade política do governo de ter alguém capaz de enfrentar os brucutus da Fifa e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira.

Isso ficou claro quando Dilma ignorou solenemente o cartola brasileiro e botou do seu lado Pelé como figura símbolo da Copa no Brasil.

Teixeira, como se sabe, está sendo acusado de malversações de recursos, junto com outros dirigentes da Fifa, num processo que corre em segredo de Justiça na Suíça, que teve parte de seu suposto conteúdo revelado ontem, no Senado, pelo jornalista inglês Andrew Jennings.

A Fifa também o pressiona, ameaçando tornar disponíveis as informações do processo, algo do que duvido, porque uma andorinha só não faz verão nestas coisas.

Orlando ficou pequeno, politicamente, para enfrentar essa linha de ataque.

Diferente do que se passava com Lula, capaz de desarmar as jogadas mais perigosas, matar no peito e sair jogando, para Dilma era insuficiente um zagueiro que pudesse ser facilmente driblado. E que, ainda pior, era politicamente frágil, incapaz de resistir à onda que levantaram contra ele.

Esta é a razão essencial. E é compreensível e provável que Aldo Rebelo, uma homem de quem se pode discordar aqui e ali, mas que é sólido e capaz, politicamente, possa desempenhar melhor este papel.

Aldo já pisou em todos os tapetes e não haverá conversas que o deslumbrem. E conhece o assunto. Foi ele quem começou a colher assinaturas, em 99, para a CPI para analisar a regularidade do contrato entre a CBF e a Nike, presidiu-a e os resultados só não foram melhores porque as irregularidades apontadas nunca tiveram uma investigação que desdobrasse com vigor as irregularidades apontadas em relação a Ricardo Teixeira.

Aldo, nesta matéria, se mantiver aquela postura, será um zagueiro-zagueiro, destes que metem medo nos atacantes, apesar de seus modos gentis.

Outra coisa, muito diferente, é a forma com que tudo ocorreu, na política.

Em primeiro lugar, ocorreu um massacre de um dirigente político sem condições, de comunicação e de estatura política, de defender-se. Houve pouco ou nenhum rigor nas “apurações”, tanto que a acusação mais forte, a que detonou todo o processo, feita pelo mais do que suspeito soldado-milionário, a de que havia sido entregue dinheiro na garagem do Ministério – que desde o primeiro dia dissemos ser inverossímil - acabou sendo desmentida pelo próprio acusador.

Isso, claro, não tem nenhuma importância.

A função da denúncia já tinha sido alcançada, e começou uma vasculhação geral sobre cada um dos milhares de convênios e atos do Ministério, coisas de anos atrás às quais a nossa investigativa imprensa, até então, não tinha dado qualquer importância. ora, qualquer um vê que não é investigação a palavra que o define, mas devassa.

Corre um sério perigo quem acha que se pode usar o apetite do monstro que se tornou a mídia brasileira como arma de sua própria estabilidade política. Porque a cada vítima que faz, ele se torna mais sequioso e convicto de seu poder. Já exige não apuração dos fatos, mas demissão sumária de todo aquele que fulmine com seus raios de “moralidade pública”.

Haverá um próximo ataque, e as condições de defesa, a cada vítima, pioram. Eles estão, como se diz no futebol, gostando do jogo.

E isso é mais que perigoso, é temerário.

Queda do ministro serve de alerta

Como o império Murdoch, hoje investigado por seus subornos e escutas ilegais, a mídia nativa é criminosa, mafiosa, sádica e abjeta. Ela manipula informações e deforma comportamentos.


- Por Altamiro Borges

O lamentável episódio da queda do ministro Orlando Silva deveria servir de alerta às forças democráticas da sociedade brasileira – que lutaram contra as torturas e assassinatos na ditadura militar e que, hoje, precisam encarar como estratégica a luta contra a ditadura midiática, em defesa da verdadeira liberdade de expressão e da efetiva ampliação da democracia no Brasil.

A mídia hegemônica hoje tem um poder tão descomunal que ela “investiga”, sempre de forma seletiva (blindando seus capachos); tortura (seviciando, inclusive, as famílias das vítimas); usa testemunhas “bandidas” (como um policial preso por corrupção, enriquecimento ilícito e suspeito de assassinato); julga (sem dar espaço aos “acusados”); condena (como nos tribunais nazistas); e fuzila!

Um pragmatismo covarde e suicida

Ninguém está imune ao poder ditatorial da mídia, controlada por sete famílias – Marinho (Globo), Macedo (Record), Saad (Band), Abravanel (SBT), Civita (Abril), Frias (Folha) e Mesquita (Estadão). Como o império Murdoch, hoje investigado por seus subornos e escutas ilegais, a mídia nativa é criminosa, mafiosa, sádica e abjeta. Ela manipula informações e deforma comportamentos.

Não dá mais para aceitar passivamente seu poder altamente concentrado, que, como disse o governador Tarso Genro – pena que não tenha agido com esta visão quando ministro da Justiça –, ruma para um “fascismo pós-moderno”. Essa ditadura amedronta e acovarda políticos sem vértebra, pauta a agenda política, difunde os dogmas do “deus-mercado” e criminaliza as lutas sociais.

Três desafios diante da ditadura midiática

Esta ditadura é cruel, sem qualquer escrúpulo ou compaixão. Ela utiliza seus jagunços bem pagos, sob o invólucro de “colunista” e “comentaristas”, para fazer o trabalho sujo. Muitos são agentes do “deus-mercado”, lucram com seus negócios rentistas; outros são adeptos da “massa cheirosa”, das elites arrogantes e burras. Eles fingem ser “neutros”, mas são adoradores da direita fascistóide.

Enquanto não se enfrentar esta ditadura midiática, não haverá avanços na democracia brasileira, na luta dos trabalhadores ou na superação das barbáries capitalistas. Neste enfrentamento, três desafios estão colocados:

1- Não ter qualquer ilusão com a mídia hegemônica; chega de babaquice e servilismo diante da chamada “grande imprensa”;

2- Investir em instrumentos próprios de comunicação. A luta de idéias não é “gasto”, é investimento estratégico;

3- Lutar pela regulação da mídia e por políticas públicas na comunicação, que coíbam o poder fascista do império midiático.

Chega de covardia diante dos fascistas midiáticos

O criminoso episódio da tentativa de invasão do apartamento do ex-ministro José Dirceu num hotel em Brasília parece que serviu de sinal de alerta ao PT. Em seu encontro nacional, o partido aprovou a urgência de um novo marco regulatório da comunicação. Um seminário está previsto para final de novembro. Já no caso da queda Orlando Silva, o clima é de total indignação e revolta.

Que estes trágicos casos sirvam para mostrar que, de fato, a luta pela democratização da comunicação é uma questão estratégica. Não dá mais para se acovardar diante da ditadura da mídia. O governo Dilma precisa ficar esperto. Hoje são ministros depostos; amanhã será o sangramento e a derrota da própria presidenta e do seu projeto, moderado, de mudanças no Brasil.

Superar a choradeira e a defensiva

A esquerda política e social precisa rapidamente definir um plano de ação unitário de enfrentamento à ditadura midiática. As centrais sindicais e os movimentos populares, tão criminalizados em suas lutas, precisam sair da defensiva e da choradeira. Os partidos progressistas também precisam superar seu pragmatismo acovardado. A conjuntura exige respostas altivas e corajosas!

É urgente pressionar o governo Dilma Rousseff, pautado e refém da mídia, a mudar de atitude. Do contrário, não sobrará que defenda a continuidade deste projeto, moderado, de mudanças no Brasil. A direita retornará ao poder, alavancada pela mídia! Aécio Neves, o chefe de censura em Minas Gerais, será presidente! E ACM Neto, o herói da degola de Orlando Silva, será o chefe da Casa Civil!

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Filmes: "A Lista de Schindler"

MONSTROS HUMANOS

Revisto hoje, filme levanta de forma involuntária a questão de que não estariam hoje os próprios judeus de Israel cometendo as mesmas atrocidades dos nazistas contra os palestinos?

- por André Lux, crítico-spam

Que motivos levaram uma nação que foi berço de alguns dos maiores artistas e pensadores da história a se render a uma ideologia que pregava o ódio e a intolerância? Como podem as diferenças entre seres humanos tornarem-se desculpas para que atos bárbaros sejam cometidos? O que leva uma pessoa aparentemente normal a matar a sangue-frio um semelhante seu como se fosse um inseto?

Não era o objetivo do diretor Steven Spielberg responder a essas perguntas, mas é impossível não formula-las ao final de “A Lista de Schindler”, filme que finalmente deu ao cineasta por trás de “Tubarão” e da série “Indiana Jones” o status de diretor sério que ele tanto queria.

Filmado em preto e branco para, segundo Spielberg, deixar o filme menos insuportável devido à violência gráfica de algumas cenas, “A Lista de Schindler” é construído sobre um ótimo roteiro de Steven Zaillian que mostra com tintas extremamente realistas a perseguição aos judeus na Polônia e sua recolocação no Gueto de Krakow, em 1941, onde famílias inteiras eram amontoadas em pequenos quartos, até a transferência de todos para o infame campo de concentração comandado pelo sociopata Amon Goëth (um impressionante Ralph Fiennes, em sua estréia no cinema).

É impossível não se emocionar com o poder das imagens dirigidas com surpreendente comedimento por Spielberg e captadas magistralmente pela câmera de Janusz Kaminski. As cenas de mulheres, homens e crianças sendo friamente assassinados com tiros na cabeça são de uma crueza insuportável, mas nunca apelativas ou redundantes. Mas o que difere “A Lista de Schindler” de tantos outros filmes sobre o Holocausto Nazista é o caráter profundamente humano e realista que os realizadores conseguiram imprimir à obra, até mesmo ao retratar o monstruoso líder do campo de concentração, Goëth.

Apesar de ser o “herói” do filme, Oskar Schindler (Lian Neeson) é mostrado como um empresário ganancioso e sem escrúpulos que enriqueceu se aproveitando da guerra e do fato que podia usar judeus em sua fábrica praticamente como mão de obra escrava. A princípio ele mantem-se afastado dos horrores que acontecem à sua volta, mas vai gradativamente sensibilizando-se até o ponto de sentir-se obrigado a agir em favor dos oprimidos.

Para tentar ilustrar o ponto da transformação do protagonista, Spielberg construiu duas seqüências chave usando um recurso até certo ponto simples, porém extremamente eficaz: a menina do vestido vermelho que ganha cores por meio de trucagem na pós-produção, vista correndo perdida no meio dos nazistas e, depois, já morta sendo levada para a pilha de cadáveres queimando. É nesta cena que “A Lista de Schindler” atinge seu ápice como obra cinematográfica, numa perfeita fusão de som, imagem, música (uma das obras-primas de John Williams) e interpretação do elenco capaz de arrepiar até o último fio de cabelo do corpo.

A partir daí o filme vira uma corrida contra o tempo, na qual Schindler tenta salvar o máximo de seus empregados que pode, usando para isso toda a sua fortuna. Alguns dos cacoetes do diretor relativos ao uso de crianças como fonte de humor e um certo didatismo desnecessário podem ser encontrados em certos pontos do filme, mas nada que chegue a comprometer o resultado final.

Spielberg só escorrega mesmo quando coloca Schindler tendo um acesso de dor na consciência durante o qual cai de joelhos aos prantos questionando se não poderia ter salvado ainda mais vidas. Justamente por ser redundante e apelativa, esta sequência acaba tornando-se a menos plausível do filme todo.

É impressionante o poder que o filme tem sobre quem o assiste, mesmo numa revisão. O impacto do registro quase documental daquela monstruosidade praticada em nome de uma suposta “raça superior” e de uma ideologia grotesca (que lamentavelmente ainda encontra seguidores até hoje) vai continuar chocando sempre, independente de credo religioso ou ideologia política.

Por tudo isso, “A Lista de Schindler” será sempre um alerta poderoso que, embora não consiga responder às questões levantadas no início deste texto, mostra com riqueza de detalhes as consequências terríveis geradas pelo ódio, pela intolerância e pelo preconceito. Além de involuntariamente levantar a questão de que não estariam hoje os próprios judeus de Israel cometendo as mesmas atrocidades dos nazistas contra os palestinos?

Cotação: * * * *

Na Câmara Municipal de Jundiaí, deputado Bigardi ataca denuncismo pré-eleitoral do PSDB

“Não vou participar deste jogo político de baixo nível”. Foi desta forma que o deputado estadual Pedro Bigardi resumiu a indignação com os ataques sofridos semana passada, durante sessão da Câmara Municipal de Jundiaí, por vereadores da base de apoio ao prefeito Miguel Haddad.

Pedro Bigardi na Câmara Municipal de Jundiaí critica postura do PSDB local

Nesta terça-feira (25), Bigardi esteve na Câmara por aproximadamente uma hora, apresentou documentos e apontou o PSDB local como principal responsável por tentar confundir a opinião pública em relação às denúncias contra o programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. “A política é feita de debates e ideias, mas o que está se colocando aqui é a antecipação do embate político eleitoral. Não dá para fazer isso neste nível de jogo baixo, em que são feitas insinuações sobre minha pessoa sem qualquer tipo de indício concreto.”

Todos os vereadores que se manifestaram durante a participação do deputado Bigardi elogiaram a postura do parlamentar. “Deputado tornou público nesta Casa que não tem nenhuma relação com as denúncias veiculadas na imprensa. Tudo deve ser apurado, como defendeu Bigardi, e me dou por satisfeito por seus esclarecimentos. Senão posso perguntar aqui se o prefeito roubou o dinheiro do Segundo Tempo. Não estou acusando, apenas fazendo uma pergunta. Talvez tenha sido um exagero fazer essa associação, pois ficou na população um ar de que estão misturando as coisas. A dose foi demais na hora de fazer o embate político”, destacou Durval Orlato.

Para Marilena Negro, a atitude do PSDB de protocolar uma representação contra Bigardi é “bobinha”, pois não há base nenhuma que a justifique. “Algumas posturas desta Casa de Leis depõem contra todos. Não gostei da atitude de alguns pelas ilações feitas mas tinha certeza da sua reação e espero que a imprensa tenha a mesma postura, publicando o que estão vendo aqui. A representação feita pelos partidos de apoio ao prefeito não vai dar em nada pois é muito fraca, inconsistente e demonstra uma insegurança em relação às perspectivas políticas da cidade.”

José Dias afirmou acreditar na seriedade do deputado estadual. “Realmente as contas estão todas em ordem, conforme o senhor explicou muito bem. Acredito pelo trabalho, bastante dignidade e seriedade de Vossa Excelência, que teve toda a coragem de estar aqui nesta manhã.”

“Quero parabenizar o deputado pela hombridade de vir até a Casa e prestar esclarecimentos”, comentou Gustavo Martinelli, da bancada do PSDB.

O delegado Fernando Bardi também fez questão de se manifestar. “Parabenizar o deputado por ter vindo a esta Casa. Vivemos hoje uma crise do denuncismo. Qualquer denúncia é capaz de macular a imagem da pessoa sem que ela possa se defender. Aqui estamos atropelando o processo, julgando apenas pelas notícias da imprensa. O denunciante das ONGS já disse que não tem nenhuma prova contra o ministro Orlando Silva. Isso empobrece a discussão política do município quando o ataque se torna pessoal.”

O deputado também lembrou a estreita relação entre os representantes de partidos da base aliada ao prefeito que assinaram, juntamente com o PSDB, uma representação na Procuradoria Geral da República sob a alegação de que é necessária uma investigação nas contas do parlamentar do PCdoB. “O pedido feito pelos partidos aliados ao prefeito é esdrúxulo, pois não há qualquer base naquele documento assinado por pessoas que ocupam cargos de confiança do governo municipal.”

E reforçou: “Minhas contas foram aprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral e estão à disposição para quem quiser consultá-las, pois são públicas. Os repasses do Comitê Estadual são a coisa mais natural do mundo e estão todos identificados na origem, tanto que as contas do partido também foram aprovadas.”

Participação de Bigardi causa embaraço aos tucanos

A chegada do deputado estadual Pedro Bigardi à Câmara de Jundiaí causou um alvoroço na base de sustentação do prefeito Miguel Haddad. Assessores curiosos pelos corredores, pessoas ligadas ao governo municipal grudadas aos telefones celulares, vereadores buscando companheiros de bancada para voltar urgentemente ao Plenário...

Durante o posicionamento houve também aqueles que fizeram questão de atacar na semana passada, mas que se calaram diante de Bigardi na Mesa Diretora da Câmara.

Assim como na semana passada, quando tratou do assunto após os ataques do PSDB, Bigardi manteve a tranqüilidade. Ao ser provocado pelo vereador José Galvão Braga Campos, o Tico, líder do PSDB na Câmara, de que havia recebido repasse do partido e que há denúncias de uma revista e de um jornal – ambos de circulação nacional – sobre desvio de verba pública do Ministério do Esporte, o deputado contra-atacou.

“Coloca-se esta questão como uma dúvida e começa-se a fazer insinuações de que se tira dinheiro de crianças para financiar campanhas eleitorais. É uma ligação maldosa! O Segundo Tempo é um excelente programa que atende quase 500 mil crianças no Estado de São Paulo e mais de 6 mil crianças em Jundiaí.”

“Poderia, eu, dizer então que o fato do jornal O Globo ter feito uma reportagem sobre desvio de verba do Ministério do Turismo num projeto de mais de R$ 13 milhões para qualificação profissional criado por uma ONG de Jundiaí tem relação direta com a campanha do PSDB somente porque o responsável pela ONG é um filiado deste partido em Jundiaí? Segundo a reportagem, essa ONG já recebeu quase R$ 2 milhões sem ter qualquer experiência em programas relacionados ao turismo ou garantir a matrícula de um aluno sequer. Esta ONG foi criada por um filiado do PSDB de Jundiaí, apresentado com toda a pompa e circunstância pela direção local. Dá para fazer essa relação?”

“Eu posso dizer que a CPI do Rodoanel, que detectou superfaturamento nas obras do Governo do Estado, vai apontar que estes recursos vieram da empresa responsável pela construção por meio de doações para a campanha do PSDB? A construtora Galvão doou R$ 3 milhões ano passado para o Comitê Estadual do PSDB, que financiou as campanhas de deputados estaduais e federais em todo o Estado. Dá para fazer esse tipo de relação? Isso é insinuação política, é jogo eleitoral antecipado.”

Por fim, no corredor, um vereador da situação sentenciou o líder do PSDB na Casa. “Demos um tiro no pé”.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Direita perde mais uma: Dilma mantém Orlando à frente do Ministério do Esporte

Após se reunir com a presidente Dilma Rousseff no início da noite desta sexta-feira (21) para definir seu futuro no governo, o ministro do Esporte, Orlando Silva (PCdoB), foi confirmado no cargo pela presidente, num gesto que contradiz as expectativas da mídia hegemônica e da direita, que não pouparam esforços para derrubar o ministro comunista com base em denúncias sem provas feitas por um notório bandido.

A decisão é comemorada por dirigentes e militantes do PCdoB, que uniram forças em defesa do ministro e não capitularam à ofensiva midiática, baseada em calúnias, difamações e mentiras. Durante toda a semana, o ministro enfrentou e rebateu as falsas acusações feitas pelo PM João Dias, que desviou recursos do programa Segundo Tempo.

Mais cedo, Orlando Silva divulgou nota negando as denúncias publicadas ao longo da semana pela mídia. O ministro declarou que ele e a pasta foram alvos de "ampla campanha caluniosa" e reiterou que a Advocacia-Geral da União, em seu nome, entrou com queixa-crime contra as duas pessoas que fizeram a primeira denúncia à revista Veja, no último final de semana.

A nota rebate informações de que o programa Segundo Tempo beneficiaria pessoas ligadas ao PCdoB e que houve favorecimento em licitação do mesmo programa a uma empresa que teria apresentado preços relativamente caros de bermudas e camisetas. O ministro defendeu o programa Segundo Tempo e afirmou que o pregão do material ainda não foi concluído.

João Dias Ferreira, o policial corrupto que caluniou Orlando Silva, foi um dos cinco presos no ano passado pela polícia de Brasília sob acusação de participar dos desvios. O Ministério do Esporte exige judicialmente a devolução do dinheiro repassado aos convênios firmados com Ferreira, fato apontado pelo ministro como razão para as falsas denúncias.

A posição firme da presidente, que já havia se manifestado contra a crucificação de Orlando Silva e a tentativa de demonização do PCdoB (intensa nos grandes meios de comunicação), significa mais uma derrota para o chamado PIG (Partido da Imprensa Golpista), que fez uma campanha aberta de desinformação e difamação contra o ministro e os comunistas, traduzindo o atávico e raivoso anticomunismo da direita brasileira. Em 2002 e 2006, nas campanhas presidenciais (então com Lula), e em 2010 (com Dilma) não foi diferente. A mídia venal manipulou notícias, criou factóides e buscou explorar sentimentos obscuros e reacionários (acerca do abordo, por exemplo) para evitar o naufrágio da direita, que representa e de certa forma lidera. Mas não conseguiu evitar o sabor amargo da derrota, imposta pelo povo. O povo mostrou que não é bobo e falou mais alto, concedendo a Dilma uma vitória histórica. Parece que a mídia venal ainda não assimilou a mensagem das urnas.

Da Redação, com agências

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Miguel Haddad (PSDB) e aliados escancaram desespero ao tentar manchar a imagem do deputado Pedro Bigardi

As eleições de 2012 ainda estão longe, mas em Jundiaí as emoções da campanha já estão em pleno vapor. Resta à população não se deixar manipular por interesses partidários para chegar às suas próprias conclusões sobre os fatos apresentados.

- por André Lux, editor da Folha do Japi

Desespero: PSDB antecipa disputa de 2012 e
já tenta manchar imagem de Pedro Bigardi

Jundiaí é governada há mais de 30 anos pelo mesmo grupo político que se reveza no poder, muito antes mesmo de aderirem ao PSDB. Nos últimos anos, porém, esse grupo encontra cada vez mais dificuldade de se manter no poder, tanto é que nas últimas eleições para prefeito conseguiu evitar o segundo turno por uma mísera diferença de 600 e poucos votos.

No início do ano, vazou para os bastidores da política local o resultado de uma pesquisa supostamente encomendada pelos próprios tucanos relativa às eleições de 2012 e também à popularidade do prefeito Miguel Haddad. Os números deixaram os tucanos em polvorosa. Não apenas os resultados da suposta pesquisa apontavam empate técnico entre o candidato do PSDB e Pedro Bigardi (PCdoB) no segundo turno, mas também revelaram que a rejeição a Haddad na cidade estava batendo na casa dos 30%.

Há poucos meses, uma outra pesquisa, desta vez encomendada por um grupo de empresários de Jundiaí e que também vazou, confirmava os números obtidos pela primeira suposta pesquisa dos tucanos. De acordo com o blogueiro Cesar Tayar (ex-presidente do PPS local e atualmente sem partido) há poucas semanas, o PSDB supostamente realizou uma nova pesquisa e os números foram ainda mais desesperadores para os tucanos: Pedro Bigardi já estaria vencendo Miguel Haddad no segundo por uma pequena margem e a rejeição do prefeito já ultrapassava os 30%.

Pano rápido. Esta semana, num gesto teatral de puro marketing político, o PSDB e um grupo de aliados de outros partidos, resolveram tentar ligar Pedro Bigardi às denúncias que se abatem contra o Ministro do Esporte, Orlando Silva, correligionário do deputado estadual no PCdoB, entregando uma representação na Procuradoria da República do Estado de São Paulo, buscando informações sobre possível envolvimento de Bigardi nas denúncias.

O deputado Pedro Bigardi (PCdoB), em nota distribuída à imprensa, chama a postura dos tucanos e seus aliados de estratégia política para 2012 e afirma que poderá processá-los por calúnia e difamação. "Estão insinuando que estou envolvido em coisas que ainda não foram confirmadas. Acredito que isso seja medo, pois eles sabem muito bem que sou reconhecido na cidade e que serei um forte candidato nas próximas eleições."

Cesar Tayar afirma em seu blog que o desespero do prefeito Miguel Haddad e do PSDB local é visível. “Com um ano de antecedência já começaram a campanha eleitoral e da pior maneira possível, ou seja, atacando seu principal adversário: o deputado estadual Pedro Bigardi”, escreve Tayar.

Para o presidente do PT de Jundiaí, Paulo Malerba, que opinou sobre o fato em sua página do facebook, a ação dos tucanos contra Bigardi é ridícula e demonstra a pequenez política do PSDB. “Deveriam ir pedir para investigar a FUMAS da cidade e os cargos de confiança do Prefeito Miguel Haddad, onde há denúncias graves oriundas de um vereador em exercício sobre o uso eleitoral da máquina pública”, denuncia Malerba.

Para a Folha do Japi, essa ação dos tucanos de Jundiaí, que como era de se esperar ganhou ampla cobertura da imprensa subserviente da cidade, deixa claro que eles já entraram em campo para as eleições de 2012, mas acima de tudo comprova por tabela que os resultados das supostas pesquisas de opinião citadas acima devem realmente ser verdadeiros, caso contrário não estariam adotando medidas que demonstram tamanho desespero em tentar manchar a imagem do deputado estadual Pedro Bigardi.

As eleições de 2012 ainda estão bem longe, mas em Jundiaí as emoções da campanha já estão em pleno vapor. Resta à população da cidade acompanhar os lances e não se deixar manipular por interesses partidários para chegar às suas próprias conclusões sobre os fatos apresentados.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Por favor, alguém me responda: o PT é contra ou a favor da imprensa tradicional?

Não dá para aguentar ver o PT defender a democratização dos meios de comunicação pela manhã e de noite clamar por uma notinha na coluna de política de Rio ou São Paulo de um jornal que esse mesmo parlamentar acusa de querer o monopólio e a concentração da mídia. Esse monstrengo só atrapalha o Brasil. E a democracia.

- por Elias Aredes Júnior, no blog Bola com Gravata


Um dia o sábio disse que viver é uma escolha política. Total razão no conceito. Todo mundo tem um lado. Preferencias, ideologias e rumos que considera adequados. Sem isso, não há democracia e troca de ideias. Obvio que o conceito é transportado aos meios de comunicação. Sem exceção, os proprietários e seus veículos possuem suas predileções e caminhos que consideram corretos. No Brasil, os grandes jornais e emissoras de rádio e televisão nunca esconderam sua opção pelo livre mercado e liberalismo. Não há mal nenhum nisso. Pelo contrário. Essas ideologias devem ser colocadas à disposição dos distinto público e toma-se a atitude que mais convém. O Jornal “O Estado de São Paulo” assumiu no ano passado a postura de apoiar a candidatura de José Serra. Quer saber? Louvável. A partir daquele momento ninguém mais comprou gato por lebre. É do jogo. Isto chama-se democracia.

Quando as cartas são colocadas na mesa, é de supor que o jogador conheça a estratégia definida pelo oponente e o que pretende conseguir. Quem for derrotado, adote a resignação; quem vencer adote a resignação. O que não dá é esperar adesão imediata ao pensamento alheio.

Já critiquei neste espaço por diversas a postura da imprensa brasileira. Erros técnicos ou de conceito. Porém, ideologicamente jamais vou espinafrar. Eles são pelo neoliberalismo e livre mercado; eu tenho postura progressista, de esquerda e preciso conviver com o lado contrário. Democracia é saber ouvir, e argumentar.

Coloquei essa conjuntura para fazer uma pergunta banal, tola, mas que cabe pela nossa conjuntura: afinal, os parlamentares e parte (parte!!! Não é o total…) dos militantes do PT são a favor ou contra a imprensa convencional?

Pode parecer loucura, mas tem lógica. Dia após dia leio noticias e posts no twitter e no facebook de pessoas que reclamam de matérias, reportagens, posturas e editoriais dos grandes jornais, especialmente porque estes textos sempre defendem o lado apreciado pelos meios de comunicação. É PIG para lá, tentativa de golpe para lá, preconceito de cá…E no final, ninguém presta ou vale nada.

Bem, só que as vezes na mesma edição de um jornal ou revista, eu verifico vários parlamentares ou até detentores de cargos executivos do PT abrindo a boca com sorriso largo para dar a entrevista exclusiva da hora ou até para fazer disputa politica. Pior: na tribuna, enchem a boca para meter o pau na imprensa e na primeira esquina não deixam de fazer um afago ás mesmas empresas.

Não prego aqui a ruptura com a imprensa. Nada disso. Mas é preciso adotar uma atitude que seja adequada a raiva estabelecida nas redes sociais. Se querem distância, então que pratiquem! Exemplo prático: se governador X, deputado, senador ou qualquer petista reclamam da Folha, Estadão, Globo, Veja e Istoé, por que concedem entrevistas exclusivas para estes mesmos veículos?

Solução? Declarações só por intermédio de entrevistas coletivas curtas, rápidas e objetivas. Ou esclarecimentos por escrito, já que muitos afirmam que não confiam no trabalho de edição dos jornais e revistas.

Quer fazer disputa política? Blogs, e-mails, sites progressistas, jornais internos do partido, da CUT, de outros veículos progressistas…Opções é que não faltam! O que não dá é assistir a essa esquizofrenia política. Pelo menos no relacionamento com a imprensa de âmbito nacional.

O PT precisa calibrar o seu relacionamento com a mídia. Não quero guerra ou armistício. Porém,. Não dá para aguentar ver o PT defender a democratização dos meios de comunicação pela manhã e de noite clamar por uma notinha na coluna de política de Rio ou São Paulo de um jornal que esse mesmo parlamentar acusa de querer o monopólio e a concentração da mídia. Esse monstrengo só atrapalha o Brasil. E a democracia.

domingo, 16 de outubro de 2011

Filmes: "Fuga de Los Angeles"

SNAKE IS TRASH

A gente até tenta gostar, mas chega um certo ponto que só nos resta desistir e rir de toda ruindade.

- por André Lux, crítico-spam

Não deu certo essa tentativa do diretor John Carpenter e do astro Kurt Russel em trazer de volta o personagem Snake Plissken do cult "Fuga de Nova York". 

Realizada com 15 anos de atraso, o que deveria ser uma continuação dos eventos narrados no primeiro filme acabou virando uma mera refilmagem, com o protagonista repetindo os feitos que realizou anteriormente. 

Só que agora em Los Angeles que, assim como Nova York, também virou uma prisão de segurança máxima.

O problema básico de "Fuga de Los Angeles", além do roteiro clonado, é que não foram capazes de recriar o clima do primeiro filme, nem visualmente muito menos no tom da narrativa. Se os méritos de "Fuga de Nova York" eram justamente a capacidade que Carpenter e sua equipe tiveram para disfarçar o baixo orçamento com uma fotografia escura e cheia de contrastes, um roteiro enxuto, efeitos especiais realistas e personagens críveis, aqui foram na direção oposta.

Tendo um orçamento bem mais generoso ao seu dispor, Carpenter optou por uma aproximação exagerada, beirando a histeria, em clima de sátira e auto-referência, esquecendo que Snake Plissken sempre foi cult, mas nunca foi popular. Isso quer dizer que o slogan do filme, "Snake Está de Volta!", certamente deixou a maioria das pessoas coçando a cabeça, sem saber o que aquilo queria dizer.

Além disso, os realizadores cometem outros pecados, como optar por uma direção de fotografia (de Gary B. Kibe) clara e desprovida de profundidade que deixa o filme com um ar totalmente falso e sem a menor chance de provocar algum suspense. 

Apesar de Kurt Russel ainda estar bem na pele de Snake, só isso não é suficiente para salvar o filme, já que as situações em que ele se encontra são geralmente absurdas demais e, por vezes, ridículas (como ele tendo que jogar basquete sozinho para não ser morto ou surfando em um maremoto!). Nem engraçado o filme consegue ser, apenas constrangedor. 

Bons atores como Steve Buscemi, Peter Fonda, Stacy Keach, Bruce Campbell e Pam Grier (como um travesti com voz de zumbi) são desperdiçados em personagens sem o menor carisma ou caricatos ao extremo.


Kurt Russel e Peter Fonda surfando numa "nice"
Esse é o tipo de filme que a gente até tenta gostar por causa de todos os envolvidos na produção, mas chega um certo ponto que só nos resta desistir e perceber os efeitos especiais capengas, os diálogos embaraçosos e as atuações canhestras. 

Ao menos Carpenter imprime à narrativa uma boa dose de humor corrosivo contra os políticos de direita de seu país na figura do presidente dos EUA (Cliff Robertson) o qual, no filme, é um fanático religioso que previu o terremoto que devastou Los Angeles e, por causa disso, ganha plenos poderes para alterar a constituição de seu país e decretar uma série de medidas que restringem a liberdade dos cidadãos - nesse sentido acabou sendo premonitório ao governo de George Bush Junior.

É uma pena que Snake tenha voltado de maneira tão lamentável. E o fracasso retumbante do projeto acabou frustrando os planos de fazerem mais uma seqüência, que seria intitulada "Fuga do Planeta Terra". 

Melhor mesmo rever o original ou então entrar no clima de trash e dar risada de toda aquelas pessoas e situações ridículas que colocaram o pobre Snake no meio...

Cotação: * 1/2

sábado, 15 de outubro de 2011

Veja não apura, enlameia honras

A honra das pessoas, para a revista Veja, não é objeto de qualquer cuidado. O negócio é levantar a suspeita e que as pessoas cuidem de “provar a inocência”, depois, claro, de devidamente linchadas em praça pública.

- por Brizola Neto, deputado federal (PDT)

A revista Veja sai aos sábados. Com isso, garante seu principal obejtivo “jornalístico”, que não é noticiar, mas “repercutir” nos jornais de domingo.

O que a revista tem contra o Ministro Orlando Silva é a declaração de um PM preso numa investigação sobre desvio de verbas, corroborada por um empregado seu.

Pode ser verdadeira ou não a declaração, não se prejulga. Mas parece ter pouca ou nenhuma lógica que um esquema de corrupção não tenha outro lugar e outra pessoa, na imensa Brasília, para entregar uma caixa de dinheiro senão a garagem do Ministério, onde há funcionários e, quam sabe, até câmeras. E muito menos ao próprio motorista do Ministro, com ele dentro do carro.

Jornalisticamente, não era informação a ser publicada sem ser checada. A fonte da informação tem um apontado comprometimento em desvio de verbas e a este homem foi imputado, pelo próprio Ministério, um desvio de R$ 2 milhões dos cofres públicos, por irregularidades nas prestações de contas.

Mas a honra das pessoas, para a revista Veja, não é objeto de qualquer cuidado. O negócio é levantar a suspeita e que as pessoas cuidem de “provar a inocência”, depois, claro, de devidamente linchadas em praça pública.

É como gol em impedimento, que todo mundo vê depois que deveria ser anulado, mas depois de marcado, vale tanto quanto um legítimo. A investigação pedida pelo Ministro à Polícia Federal, a menos que conclua por sua culpa, ficará como pizza.

Claro, numa época de preparação para a Copa, o que mais eficiente do que construir um escândalo que respingue sobre nossas responsabilidades e seriedade com as negociações com a Fifa? Que já manifesta, por “funcionários” anônimos, a preocupação disso sobre a organização da comeptição.

A Fifa, como se sabe, tem excelentes relações com o probo Ricardo Teixeira, presidente da CBF.

Mas não pensem que, apesar disso, não povoa os sonhos desta gente tirarem a Copa do Brasil. Vai ser o sonho de todas as suas noites deste verão.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Filmes: "Fuga de Nova York"

CULT POR EXCELÊNCIA

Obra resiste muito bem a uma revisão e continua a ser um dos mais bem sucedidos filmes "B" da história do cinema

- por André Lux, crítico-spam

"Fuga de Nova York" é uma mistura inteligente e eficaz de vários elementos de ficção científica, faroeste e terror, todos muito bem orquestrados pelo diretor John Carpenter (de "Halloween - A Noite do Terror" e "Starman"), que usa toda sua criatividade para disfarçar o baixo orçamento do filme (apenas US$ 6 milhões).

Calcando seu roteiro em cima da figura carismática do anti-herói rabugento e arredio Snake Plissken (Kurt Russel, em ótima interpretação), Carpenter consegue o milagre de nos fazer acreditar numa trama completamente absurda cujo ponto de partida é a transformação da cidade de Nova York numa prisão de segurança máxima, dentro da qual são jogados (para nunca mais voltar) todos os tipo de criminosos.

Essa premissa maluca ganha contornos ainda mais surreais quando o avião do presidente dos EUA, o Força Aérea Um, é seqüestrado por rebeldes contrários ao governo chamado por eles de fascista e jogado dentro da prisão. Mas o presidente escapa, só para ser capturado pela gangue liderada pelo temível Duque de Nova York (o cantor negro Isaac Hayes). O problema é que o mundo está em guerra e o presidente estava indo justamente para uma conferência de paz apresentar uma fita Cassete (que coisa datada!) que iria mudar os rumos do conflito (não era mais fácil pegar o cara que falava na fita e leva-lo até a tal reunião?).

Como não podem invadir o presídio, resta ao chefe de polícia (Lee Van Cleef, o "Mau" de "Três Homens em Conflito" e de outros filmes de Sergio Leone) coagir Snake, ex-soldado e recém-condenado a ser jogado na prisão de NY, a ajudar no resgate. Obviamente que ele aceita com relutância sem saber que só tem 22 horas para entrar e sair com o presidente, caso contrário será o fim da conferência e também do próprio Snake, que teve injetado em seu corpo duas cápsulas explosivas que só podem ser desativadas pela equipe da polícia!

Mesmo com tantos absurdos na trama, Carpenter segura com mão firme seu roteiro e para isso conta com um desenho de produção que sabe explorar muito bem as locações e com a ótima fotografia de Dean Cundey (ele depois iria trabalhar com Spielberg em vários filmes). Os efeitos especiais também são muito eficientes e nunca parecem ter sido feitos com parcos recursos. James Cameron, diretor de "Titanic", foi um dos que ajudaram na confecção dos efeitos, muito antes de sonhar em ficar famoso! A trilha musical, feita pelo próprio Carpenter em parceria com Alan Howart, também é um dos ponto altos e garante ao filme um clima de opressão e suspense constantes.

Graças a tudo isso "Fuga de Nova York" virou cult e conquistou uma grande quantidade de apreciados, gerando inclusive várias imitações. Mas a obra resiste muito bem a uma revisão e continua a ser um dos mais bem sucedidos filmes "B" da história do cinema e, na minha opinião, o melhor filme do diretor John Carpenter até hoje, inclusive no excelente uso do humor negro, da crítica social e da ironia.

15 anos depois, a mesma equipe produziu uma espécie de continuação, chamada "Fuga de Los Angeles", mas infelizmente não conseguiram chegar nem perto das qualidades do original.

Cotação: * * * *

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

O que eu penso sobre as "Marchas Contra a Corrupção"

Que as marchas façam alusão corajosa aos corruptores da iniciativa privada, aos sonegadores, aos esquemas de lavagem de grana, à evasão de divisas por parte de igrejas. Que as marchas tratem da corrupção no judiciário, no Ministério Público, no Tribunal de Contas da União, nas polícias e também da corrupção praticada pelo cidadão comum, sobretudo aquele que quer privilégios e não direitos. Que as marchas abordem a corrupção em sua complexidade, sem restringí-la a governos ou partidos.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Zizek: o casamento entre democracia e capitalismo acabou

O filósofo e escritor esloveno Slavoj Zizek visitou a acampamento do movimento Ocupar Wall Street, no parque Zuccotti, em Nova York e falou aos manifestantes. “Estamos testemunhando como o sistema está se autodestruindo. "Quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou". Leia a íntegra do pronunciamento de Zizek.

Slavoj Zizek: O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou

"Durante o crash financeiro de 2008, foi destruída mais propriedade privada, ganha com dificuldades, do que se todos nós aqui estivéssemos a destruí-la dia e noite durante semanas. Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.

Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está se transformando num pesadelo. Não estamos destruindo coisa alguma. Estamos apenas testemunhando como o sistema está se autodestruindo.

Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto que estamos fazendo aqui.

Estamos a dizer aos rapazes de Wall Street: “hey, olhem para baixo!”

Em abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.

Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo. O que estamos, então, a fazer aqui?

Deixem-me contar uma piada maravilhosa dos velhos tempos comunistas. Um fulano da Alemanha Oriental foi mandado para trabalhar na Sibéria. Ele sabia que o seu correio seria lido pelos censores, por isso disse aos amigos: “Vamos estabelecer um código. Se receberem uma carta minha escrita em tinta azul, será verdade o que estiver escrito; se estiver escrita em tinta vermelha, será falso”. Passado um mês, os amigos recebem uma primeira carta toda escrita em tinta azul. Dizia: “Tudo é maravilhoso aqui, as lojas estão cheias de boa comida, os cinemas exibem bons filmes do ocidente, os apartamentos são grandes e luxuosos, a única coisa que não se consegue comprar é tinta vermelha.”

É assim que vivemos – temos todas as liberdades que queremos, mas falta-nos a tinta vermelha, a linguagem para articular a nossa ausência de liberdade. A forma como nos ensinam a falar sobre a guerra, a liberdade, o terrorismo e assim por diante, falsifica a liberdade. E é isso que estamos a fazer aqui: dando tinta vermelha a todos nós.

Existe um perigo. Não nos apaixonemos por nós mesmos. É bom estar aqui, mas lembrem-se, os carnavais são baratos. O que importa é o dia seguinte, quando voltamos à vida normal. Haverá então novas oportunidades? Não quero que se lembrem destes dias assim: “Meu deus, como éramos jovens e foi lindo”.

Lembrem-se que a nossa mensagem principal é: temos de pensar em alternativas. A regra quebrou-se. Não vivemos no melhor mundo possível, mas há um longo caminho pela frente – estamos confrontados com questões realmente difíceis. Sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?

Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Tenham cuidado, não só com os inimigos, mas também com os falsos amigos que já estão trabalhando para diluir este processo, do mesmo modo que quando se toma café sem cafeína, cerveja sem álcool, sorvete sem gordura.

Vão tentar transformar isso num protesto moral sem coração, um processo descafeinado. Mas o motivo de estarmos aqui é que já estamos fartos de um mundo onde se reciclam latas de coca-cola ou se toma um cappuccino italiano no Starbucks, para depois dar 1% às crianças que passam fome e fazer-nos sentir bem com isso. Depois de fazer outsourcing ao trabalho e à tortura, depois de as agências matrimoniais fazerem outsourcing da nossa vida amorosa, permitimos que até o nosso envolvimento político seja alvo de outsourcing. Queremos ele de volta.

Não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que entrou em colapso em 1990. Lembrem-se que hoje os comunistas são os capitalistas mais eficientes e implacáveis. Na China de hoje, temos um capitalismo que é ainda mais dinâmico do que o vosso capitalismo americano. Mas ele não precisa de democracia. O que significa que, quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou.

A mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os meios de comunicação. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde.

Talvez devêssemos definir as nossas prioridades nesta questão. Não queremos um padrão de vida mais alto – queremos um melhor padrão de vida. O único sentido em que somos comunistas é que nos preocupamos com os bens comuns. Os bens comuns da natureza, os bens comuns do que é privatizado pela propriedade intelectual, os bens comuns da biogenética. Por isto e só por isto devemos lutar.

O comunismo falhou totalmente, mas o problema dos bens comuns permanece. Eles dizem-nos que não somos americanos, mas temos de lembrar uma coisa aos fundamentalistas conservadores, que afirmam que eles é que são realmente americanos. O que é o cristianismo? É o Espírito Santo. O que é o Espírito Santo? É uma comunidade igualitária de crentes que estão ligados pelo amor um pelo outro, e que só têm a sua própria liberdade e responsabilidade para este amor. Neste sentido, o Espírito Santo está aqui, agora, e lá em Wall Street estão os pagãos que adoram ídolos blasfemos.

Por isso, do que precisamos é de paciência. A única coisa que eu temo é que algum dia vamos todos voltar para casa, e vamos voltar a encontrar-nos uma vez por ano, para beber cerveja e recordar nostalgicamente como foi bom o tempo que passámos aqui. Prometam que não vai ser assim. Sabem que muitas vezes as pessoas desejam uma coisa, mas realmente não a querem. Não tenham medo de realmente querer o que desejam. Muito obrigado."

Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net

Eu apóio a Marcha Mundial das Mulheres

Artigo imperdível: A corrupção como fenômeno político

Os mitos disseminados acerca da corrupção encobrem seu entendimento como fenômeno intrinsecamente político, com consequências sociais, políticas, econômicas e culturais. Mais ainda, as imagens e versões morais e moralistas escamoteiam os efeitos da desigualdade social histórica e profunda do Brasil, assim como a utilização do Estado pelas e para as elites.

- por Francisco Fonseca, no Le Monde Diplomatique

As denúncias de corrupção que assolam o governo Dilma nesse seu início têm sido divulgadas pela grande mídia como se fossem uma característica do atual agrupamento político que está no poder. Tudo se passa como se pessoas de caráter duvidoso se aproveitassem do Estado em favor de seus interesses pessoais e grupais.

Essa forma de veicular denúncias e indícios e, sobretudo, de interpretá-los, não apenas contribui para estigmatizar grupos políticos – no limite de sua criminalização, o que é um claro atentado à democracia – como, fundamentalmente, reafirma muitos dos mitos acerca do fenômeno da corrupção.
Deve-se notar que tais mitos são de variada ordem e se encontram espalhados pelo chamado senso comum e entre as elites, a começar pela mídia, que os espraia seletivamente. Sem a pretensão de esgotar todos eles, podem-se inventariar alguns:

• a colonização portuguesa, que seria essencialmente patrimonialista, em contraposição ao “poder local” e ao “espírito de comunidade” da tradição anglo-saxã, notabilizada por Tocqueville. Nessa imagem, haveria uma “inferioridade” da cultura e dos povos ibéricos, comparativamente a seus congêneres anglo-saxões, com consequências políticas nefastas a suas colônias. Assim, o patrimonialismo seria um legado do qual as ex-colônias jamais conseguiriam se livrar;

• a cultura brasileira, que não teria, mesmo após a independência e a República, conseguido separar o público do privado, mantendo as “raízes do Brasil”, conforme a análise culturalista de Sérgio Buarque de Holanda. Aqui, o universo miscigenado brasileiro, tão criticado por perspectivas eugenistas do início do século XX e mesmo por pensadores como Oliveira Viana, impregnaria as instituições com sua “amoralidade macunaímica” (a obra de Mario de Andrade é, nesse sentido, ironicamente sintética e crítica dessa perspectiva);

• o caráter (i)moral de grupos específicos que alçam ao poder, versão notabilizada pela UDN de Carlos Lacerda, intérprete da política à luz da moral (seletiva, diga-se) das relações pessoais: essa versão é bastante divulgada pela mídia contemporânea brasileira, com a mesma seletividade de então. Um exemplo dessa seletividade foi o processo de privatização, que, apesar de um sem-número de denúncias e indícios de corrupção no processo e na modelagem,1 foi sistematicamente negligenciado pela grande imprensa brasileira, em razão de seu apoio incondicional a ela.2 De toda forma, o fato é que a análise moralista aparece como fator explicativo dos processos de corrupção, mas seus intérpretes a invocam seletivamente;

• a disjunção entre elites políticas e sociedade, como se as primeiras não fossem reflexo, direto e/ou indireto, da última. Trata-se de visão simplista, mas bastante difundida, quanto à desconexão entre eleitos e eleitores, em razão ou da “corrupção inescapável” dos que chegam ao poder, ou de uma inexplicável autonomia dessas elites perante o corpo de eleitores;

• a ausência de uma base educacional formal sólida como explicação para comportamentos não republicanos. Nessa perspectiva, desconsideram-se o chamado “crime do colarinho branco” e as diversas formas de “tráfico de influência”, típicos das elites, como os atos mais graves e praticados por pessoas “educadas”, em termos de educação formal. Assim, o mote do senso comum – “a educação é a base de tudo” – concede à educação formal um poder equalizador, republicano e democrático que decididamente ela não tem e não pode ter, dado que a escola é também reflexo da sociedade, com todas as suas virtudes e mazelas, mesmo que seja um ambiente mais propício, em tese, à reflexão. Com isso, de forma alguma se está advogando a desimportância da escola, e sim seu papel real na sociedade, particularmente no Brasil. Nesse sentido, os meios de comunicação de massa são claramente concorrentes, com enorme superioridade quanto aos impactos, à escola, pois sua capacidade de incutir comportamentos e valores, inclusive estéticos, é brutal, ainda mais em países como o Brasil, em que não há qualquer responsabilização desses meios, embora sejam concessões públicas4;

• por fim, a ausência e/ou fragilidade de leis e de instituições capazes de fiscalizar, controlar e punir os casos de malversação dos recursos públicos, como se o país fosse “terra de ninguém”, desconsiderando-se os inegáveis avanços institucionais desde 1988. É importante notar o novo papel do Ministério Público, com poderes inéditos na história brasileira, desde 1988; a recente criação das Defensorias Públicas estaduais, que contribuem para a melhoria do acesso à Justiça pelos mais pobres; as funções fiscalizatórias da Corregedoria Geral da União; as revisões no papel dos tribunais de contas, entre tantas outras instituições e marcos legais organizados em torno dos conceitos de controles internos, externos e sociais (caso, deste último, das organizações da sociedade politicamente organizada na fiscalização do Estado).

Um fenômeno sociológico

Todas essas versões tendem a negligenciar que a corrupção, em graus variados, existe em todos os países e é, de certa forma, também um fenômeno sociológico. Reitere-se que tais versões, com suas variações, são disseminadas na sociedade brasileira, tanto entre as elites quanto entre o senso comum – aliás, as chamadas elites tendem a comungar dos valores do senso comum quando o assunto é corrupção.

Pois bem, em contraste às considerações culturalistas – de modo geral preconceituosas e simplificantes –, às moralistas, às generalizantes e às pouco refletidas, urge analisarmos a corrupção como um fenômeno intrinsecamente político, que se refere, portanto, à maneira como o sistema político brasileiro está organizado.

A lógica do sistema político brasileiro é marcada pela privatização da vida pública, não em termos moralistas aludidos, e sim quanto às estruturas que o sustentam. Vejamos: o financiamento das campanhas políticas é essencialmente privado, embora haja também uma pequena parcela de financiamento público via fundo partidário, o que abre espaço à disseminada prática do caixa dois, com todas as suas variações; o sistema partidário é fluido e altamente flexível, o que é uma realidade desde a redemocratização, constituindo a vida partidária, para grande parte dos atuais 28 partidos existentes atualmente, num grande balcão de negócios.

Expressões do jargão político brasileiro, como “partido de aluguel”, “venda do tempo na TV e no rádio” com vistas às campanhas eleitorais, e alianças partidárias que objetivam a distribuição de nacos do Estado, têm por trás uma cadeia de interesses privados empresariais, de tamanhos e graus diversos, o que tende a fazer dos partidos representantes de interesses privados setoriais.

O próprio imperativo de governar por meio de amplas coalizões, em razão da fragmentação dos sistemas partidário e eleitoral, tem como resultado tanto a construção de alianças sem qualquer confluência programática, como a necessidade de o Estado, nos três níveis da federação, alocar tais grupos. Isto impacta a coerência e a coordenação das políticas públicas e a busca de uma política que se aproxime da caracterização de “pública”, dada a rede de relações e interesses privados, notadamente empresariais, que estão por trás dos partidos políticos; entre outras modalidades.

Essas características produzem cálculos políticos nos partidos que os induzem a “jogar o jogo” das regras estabelecidas, não tendo, dessa forma, interesse em alterá-las: trata-se de um círculo vicioso.

Reforma política desprivatizadora

Nesse sentido, é claro que a reforma política é uma necessidade imperiosa, a começar pelo financiamento público das campanhas, o que poderia contribuir para desprivatizar a relação dos partidos com o Estado. Mas isso somente se essa reforma for acompanhada por uma inovadora e leonina institucionalidade voltada para fiscalizar e punir o uso de recursos privados.

Não que, por mágica, os interesses privados desapareceriam da vida pública, até porque, no capitalismo, eles lhe são inerentes, mas é possível diminuí-los ao se estabelecerem novos marcos, em que o privatismo seja, ao menos, controlado.

Assim, o norte da reforma política deve estar assentado no binômio “desprivatização” da vida pública e “aumento da representatividade e da responsabilidade” dos partidos, o que tem como consequência a diminuição de seu número.

Paralelamente à reforma política, há uma pauta permanente do Estado brasileiro, referente à transparência, à publicização, à participação popular e ao republicanismo.

Por mais avanços que a sociedade e o Estado estejam vivendo desde a redemocratização e, sobretudo, desde a Constituição de 1988, ainda há uma incrível opacidade que encobre esquemas poderosos de tráfico de influência.

As informações, que deveriam ser públicas, como contratos estabelecidos entre o Estado e os agentes privados, são de difícil acesso; a linguagem da administração pública continua hermética aos cidadãos comuns, a começar pelo orçamento; os mecanismos do chamado “governo eletrônico” não são voltados ao controle do Estado – o que implica controle sobre o poder dos agentes privados, associados à burocracia e a segmentos dos políticos eleitos –, e sim à prestação de serviços; o processo licitatório é flagrantemente burlado pela própria natureza oligopólica da economia brasileira, principalmente nas obras “públicas” que envolvem bilhões de reais; não há no país uma “cultura política” de prestação de contas, por mais que avanços sejam observados desde a redemocratização e mesmo pela intensa mobilização da sociedade politicamente organizada no Brasil.

Os mitos disseminados acerca da corrupção encobrem seu entendimento como fenômeno intrinsecamente político, com consequências sociais, políticas, econômicas e culturais. Mais ainda, as imagens e versões morais e moralistas escamoteiam os efeitos da desigualdade social histórica e profunda do Brasil, assim como a utilização do Estado pelas e para as elites.

A ainda vigente opacidade do Estado – cujos exemplos estão no orçamento, nos contratos que deveriam ser publicizados, nas informações teoricamente públicas, em sistemas decisórios pouco claros, e na ainda pouco institucionalizada participação popular – decorre, portanto, do caráter essencialmente político e histórico desse fenômeno.

O fato de mesmo o cidadão comum, pobre, não antever claramente a linha divisória entre o público e o privado é muito mais a expressão da forma como o Estado foi estruturado, e de sua apropriação por elites distintas ao longo do tempo, do que propriamente um fenômeno moral. Trata-se de um fenômeno político, de poder, por excelência!

Francisco Fonseca é cientista político e historiador, professor de ciência política da Fundação Getulio Vargas de São Paulo e autor do livro O consenso forjado – A grande imprensa e a formação da agenda ultraliberal no Brasil. São Paulo, Hucitec, 2005.

Marcelo Tas não passa de um covarde cínico e hipócrita

Por tudo que fez e deixou de fazer no episódio da censura ao colega Rafinha Bastos, o sujeito mostrou que o caráter dele é feito de algo que ele realmente tem de sobra: bosta.

Marcelo Tas provou que é um bosta
- por André Lux, jornalista

Bom, vou dar meus pitacos na recente polêmica envolvendo o tal de Rafinha Bastos e seu afastamento do programa CQC da TV Bandeirantes.

Pra começo de conversa deixo claro que nunca assisti a esse programa e também nunca vi qualquer performance do Bastos. Mas, obviamente, acompanho pela blogosfera, pelas redes sociais e pelos sites independentes as polêmicas e os desdobramentos das grosserias que são apresentadas no programa comandado pelo Marcelo Tas.

Então posso dizer que tenho uma boa ideia do que se trata e, obviamente, concluo que é mais um exemplar de lixo televisivo disfarçado de "atração cômica" que, mais grave, ainda acha que tem caráter "politizador" só porque causa constrangimento público em políticos.

Também faço questão de deixar claro que nunca gostei desse Marcelo Tas. Desde a época em que ele aparecia em alguns programas da TV Cultura, sempre achei-o um sujeito metido a besta, pseudo-intelecutal, afetado em demasia e, acima de tudo, completamente sem graça. Enfim, é uma espécie de bobo alegre que se leva a sério e realmente se julga um gênio da comédia (bem sabemos que os verdadeiros gênios são intrinsecamente humildes).

Abrindo um parênteses, para mim o verdadeiro comediante é aquele que sabe, antes de mais nada, rir de si mesmo, que não se leva a sério e que nunca faz gozação usando um ponto de vista opressivo ou do opressor - exceto quando sua intenção é justamente ridicularizar o opressor. Estão aí Charles Chaplin, Jacques Tati, Peter Sellers e toda a gangue do Monty Phyton para não me deixar mentir.

Corta para a nova polêmica imbecil envolvendo um dos membros mais infames do programa CQC. Depois de proferir centenas de comentários preconceituosos, sexistas, agressivos ou simplesmente grosseiros contra, essencialmente, minorias (principalmente os gays), pobres e mulheres, o tal de Rafinha Bastos acabou sendo afastado do programa por mexer com quem não devia. Ou seja, disparou sua saraivada de baixarias contra uma celebridade e causou a fúria de quem é dono da grana. Assim, pauzinhos foram mexidos e os donos da TV Bandeirantes, que não rasgam dinheiro, acharam por bem "censurar" o playboy chegado num bullying.

Como bem frisou Gilberto Maringoni em seu artigo na Agência Carta Maior, "O integrante do CQC, que fez piada de péssimo gosto com Wanessa Camargo, já falara coisas piores. Agora mexeu com esposa de milionário, que ameaçou tirar anúncios da TV Bandeirantes. Ninguém classificou caso como atentado à liberdade de expressão. Já quando ministra condena comercial de lingerie machista, o coro é um só: “Censura”!"

Exatamente. Assim, o mesmo Marcelo Tas que vive dando xiliques contra uma suposta agenda de cerceamento da liberdade de expressão que faz parte do governo federal, primeiramente calou-se em relação à censura feita contra seu próprio colega de programa e certamente uma das suas principais atrações (lembrem-se que estamos falando da pessoa "mais influente do mundo", segundo o jornal The New York Times - eu fico aqui imaginando que tipo de pessoa se deixa influenciar por um idiota do tamanho de um Rafinha Bastos!).

Agora, questionado em um entrevista para um portal que não me lembro o nome, o bobo alegre do Marcelo Tas afirma que "é preciso fazer humor, mas com responsabilidade", enquanto condena o politicamente correto. No português correto isso significa uma só coisa: Marcelo Tas, o autoproclamado cavaleiro andante a favor da liberdade de expressão, saiu pela tangente e provou de forma cabal que não passa de um covardezinho cínico e hipócrita. Na hora em que tinha que realmente defender a liberdade de expressão (e de um colega de trabalho!), enfiou o rabinho entre as pernas e correu lamber as botas do patrão.

São em momentos como esses que uma pessoa mostra quem realmente é e de que é feito seu caráter. Por tudo que fez e deixou de fazer no episódio da censura ao colega Rafinha Bastos, o Marcelo Tas mostrou que o caráter dele é feito de algo que ele realmente tem de sobra: bosta.

domingo, 9 de outubro de 2011

Filme: "O Enigma de Outro Mundo"

HORROR EXPLÍCITO

Filme tem qualidades suficientes que o fizeram virar cult no mundo todo depois de fracassar nos cinemas

- por André Lux, crítico-spam

"O Enigma de Outro Mundo" (tradução ridícula para "The Thing" - A Coisa) foi a grande chance que John Carpenter (de "Fuga de Nova York") teve, em 1982, de entrar para o time dos cineastas que têm portas abertas nos grandes estúdios de Hollywood. 

O filme, uma releitura da obra "Who Goes There?" que já dera origem ao clássico "O Monstro do Ártico", de Howard Hawks, foi bancado pela Universal que colocou à disposição de Carpenter um generoso orçamento - algo inédito na carreira do diretor, acostumado até então a trabalhar com produções classe B e recursos limitados.

Só que o filme acabou sendo um grande fracasso tanto de crítica quanto de bilheteria na época, prejudicando a carreira de Carpenter pelo menos até a Fox o chamar, anos mais tarde, para fazer "Os Aventureiros do Bairro Proibido". Um dos motivos apontados para isso foi o azar que teve de ser lançado junto com "E.T." (também produzido pela Universal). 

Ao que parece o público se encantou com o alienígena benevolente de Spielberg a ponto de rejeitar completamente o outro filme, que trazia uma criatura que era justamente o oposto disso.

A verdade é que John Carpenter tende a se perder quando tem um orçamento muito generoso em suas mãos, concentrando sua atenção em exageros e redundâncias e deixando de lado justamente aquilo que é o esteio de sua obra: a capacidade de usar sua criatividade para driblar de modo engenhoso as limitações de produções pobres.

Isso é um fato que já pudemos facilmente constatar analisando outros filmes dele bancados por um grande estúdio como "Os Aventureiros do Bairro Proibido" e "Fuga de Los Angeles".

E "O Enigma de Outro Mundo" não é exceção. Enquanto a produção é caprichada (com direito a uma réplica real das instalações de pesquisa científica numa locação de difícil acesso no Ártico, design da criatura e produção dos efeitos de maquiagem do consagrado Rob Bottin e trilha do maestro Ennio Morricone), acabaram deixando de lado o que o filme deveria ter de melhor: justamente o seu roteiro! 

Escrito por Bill Lancaster, ele não tem muita consistência narrativa e deixa várias pontas soltas e personagens perdidos ou sem profundidade. Por causa disso, todos ficam parecendo mau humorados o tempo todo e torna-se difícil identificar quem é quem na trama - fator que não permite empatia e, por conseqüência, impede que nos importemos com seus destinos. Nem mesmo Kurt Russel chega a se destacar como o piloto de helicóptero que acaba tendo que liderar a contragosto a luta contra a criatura.

Entretanto, o filme tem qualidades suficientes que o fizeram virar cult no mundo todo depois de seu lançamento em vídeo. A mais evidente delas é o excelente trabalho de Bottin. Ele realmente caprichou na bizarrice e no grotesco, dando a "O Enigma de Outro Mundo" o charme de se tornar um dos filmes de horror mais explícitos e chocantes de todos os tempos. 

Algumas cenas são realmente inacreditáveis até hoje, de tão fortes, especialmente a do peito de um sujeito que se transforma numa enorme boca, enquanto a sua cabeça se desgarra do corpo e sai correndo com pernas de inseto!

A música de Morricone, feita nos moldes do que o próprio diretor estava acostumado a compor para seus filmes (isto é, minimalista ao extremo), é quase que totalmente calcada em sintetizadores e no uso das cordas da orquestra, dando ao filme uma textura extra de frieza e desolação cortantes que até fazem sentido tendo em vista a falta de calor dos protagonistas. Todavia, muito do material que Morricone compôs para o filme acabou não sendo usado na montagem final (mas pode ser ouvido no CD com a trilha sonora).

O clima opressivo da neve e do frio congelante (cortesia da fotografia azulada de Dean Cundey) também ajuda a manter um clima de constante tensão. 

Principalmente quando os protagonistas se dão conta do que está acontecendo à volta deles e passam a viver em total paranóia sem saber quem está ou não infectado pela criatura alienígena (que aqui não é um mero monstro à espreita como em "Alien", mas algo que clona tudo que encontra pela frente tornando-se uma imitação exata).

A verdade é que o fracasso do filme durante seu lançamento é até justificável e compreensível por causa de todos os fatores negativos apontados acima. Mas, por isso mesmo, "O Enigma de Outro Mundo"acaba melhorando muito numa revisão, principalmente quando passamos a diferenciar melhor os personagens uns dos outros e, claro, devido aos efeitos visuais que continuam impressionando até hoje.

A prova disso está no lançamento agora em outubro de 2012 do novo "The Thing", que será uma espécie de prólogo do filme de John Carpenter e deverá mostrar os fatos que se sucederam com a equipe de cientistas noruegueses que descobriram a criatura antes dela atacar a base estadunidense.

Cotação: * * * 1/2

Trailer do novo "The Thing"
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