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domingo, 30 de outubro de 2016

BIGARDI É DERROTADO PELA FALTA DE COMUNICAÇÃO

Infelizmente, a comunicação é o calcanhar de Aquiles das esquerdas e em Jundiaí não foi diferente


Em Jundiaí, Pedro Bigardi perde para o tucano inominável, mesmo tendo feito um bom governo o qual, apesar das falhas e problemas, foi mil vezes melhor do que qualquer outro antes - principalmente ao atender as necessidades dos mais carentes.

O principal motivo da derrota, além, claro, da onda de ódio contra o PT e a esquerda em geral? AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO.

Não vou nem falar que ela foi desastrosa, porque simplesmente não existiu (desculpe, mas portal da Prefeitura NÃO CONTA como comunicação, simplesmente porque ninguém acessa).

Quatro anos de governo sem se comunicar com as pessoas, apanhando violentamente 24 horas nas redes sociais sem dar qualquer tipo de resposta e dando atenção e suporte financeiro apenas à mídia grande local que, claro, na hora H se voltou contra o governo e ajudou sobremaneira o tucano a vencer.

Só para citar um exemplo desta triste realidade. Trabalhei na assessoria de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, que apoiava o governo abertamente, e durante um bom tempo tentei marcar uma entrevista com o prefeito. Falei por meses a fio com várias pessoas da secretaria. Sabe qual foi a resposta que recebi? Estou esperando até hoje... Agora, se fosse alguém da Globo ou do Jornal de Jundiaí que pedisse a mesma coisa, a resposta viria na mesma hora, certamente acompanhada por uma cesta de frutas.

Preocupado com essa situação, várias vezes procurei conhecidos dentro da Prefeitura e alertei para tal situação e, por isso, acabei virando "persona no grata" entre muitos "companheiros" que me tachavam pelas costas de "louco", "radical" e outras besteiras (com a honrosa exceção do meu amigo Cristiano Guimaraes, que tentou com muita bravura e sem orçamento levar informações aos cidadãos enquanto atuou como secretário de Comunicação e foi a única pessoa que me estendeu a mão quando eu estava no fundo do poço).



Interessante que agora na reta final da campanha muitos correram em desespero ao meu blog para compartilhar as várias denúncias e críticas que fiz ao candidato do PSDB. Nessas horas o "louco" e "radical" é bem-vindo...

Na hora do aperto, as postagens do "louco" são bem-vindas...
Infelizmente, a comunicação é o calcanhar de Aquiles das esquerdas e em Jundiaí não foi diferente.

Não estou aqui querendo humilhar nem apontar dedos neste triste momento, apenas fazendo uma crítica construtiva que, tenho certeza, pessoas inteligentes e maduras vão entender e, quem sabe, até fazer uma auto-análise...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bem vindo ao fantástico clube dos intensos

- por Ester Chaves

Prazer, nasci com a alma transbordante.

Sinto tudo derramando, e não sei explicar porquê acontece e se há algum remédio para isso.

Se houver cura, dispenso. As coisas normais não me atiçam. Não me aceleram. Não me continuam.

Preciso da sofisticação do que é aparentemente simples. Do abraço da brisa nos poros. Dos respingos do sol adornando a tarde. Da carícia na ponta dos dedos, da massagem demorada nas costas. Preciso sentir que há um outro. Preciso senti-lo existindo, respirando perto, pulsando, trocando ideias e experiências. Preciso dessa vizinhança das almas que conversam até mesmo sem nada dizer.

O ritmo lento da normalidade não me empurra, não me anima. Não me agita. Não me faz querer voar para a voragem dos olhares que troco na rua, para os encontros que fazem com que as almas se encaminhem para dentro de si mesmas e se abracem por dentro.

Eu não nasci para o morno. Eu não nasci para a realidade pálida que não se oferece à ousadia. Eu não nasci para os dias parados e sem cores. Eu nasci para pintar. Eu nasci para amar intensamente, de dentro para fora! Por dentro e por fora, sem medo do não e do adeus repentino. O único medo é não avançar quando quero. Não amar quando posso. Quando o coração sinaliza que já não dá para desconversar e mudar a estrada.

Eu nasci para o fogo, para intimidade quente de um cobertor dividido. Para um sorriso que se abre sem procurar motivo. Para o café forte coado no coador de pano. Para o delírio de uma bela canção executada no violino.

Quem é intenso, é delicado, é esvoaçante. Tem renda no pensamento e mania de levitação.

Ser intenso é reconhecer-se em tudo, é colocar borda na alma dos outros. É retirar o tapume dos olhos quando a realidade ameaça a doçura.

Quem é intenso sabe o quanto pode ser considerado estranho por “sentir demais” num mundo de palavras e sentimentos tão mecânicos, onde qualquer demonstração de afeto é confundida com fraqueza.

Fraco é quem não sabe mais sentir. Quem não sabe abraçar com o olhar. Fraco é quem joga a toalha e vive no modo “automático”. Sentindo pouco, guardando emoções para usar depois, estocando sentimento para uma oportunidade especial.
Especial é ser intenso. E quem disse que não tem lágrimas?

O coração do intenso não é blindado. Vez ou outra, uma pancada forte o acerta em cheio, e ele, dolorido, reclama, arde, soluça no travesseiro e pede proteção. A tristeza às vezes bate à porta, maltrata, derruba algumas certezas, revira alguns sonhos, esculacha, mas não é capaz de matar a esperança.

A esperança nos intensos é como um membro primordial do corpo, não é possível arrancar. Não se desfaz à toa. A esperança nunca anda só. Quem tem esperança tem artimanha e carta na manga para reerguer o castelo depois da tragédia e ainda sobra disposição para fazer graça.

O grande trunfo do intenso é, sem dúvida, a sua capacidade de não saber disfarçar o que sente. Os sentimentos estão sempre falando alto, se espalhando pelos gestos, orquestrando as ações. O intenso nunca nega o que é. A alma não deixa…

Ester Chaves é escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-Graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. É colunista nos sites “CONTI outra, artes e afins”, “A Soma de Todos os Afetos”, “Escritos Meus” e “Fãs da Psicanálise”.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Filmes: "Syriana"


CORRUPÇÃO S/A

Quem acreditou na ladainha neoliberal sobre a honestidade das corporações privadas frente à corrupção do Estado vai ter que rever seus valores

- Por André Lux, crítico-spam


Fazia tempo que não era lançado um filme tão complexo e contundente como SYRIANA, que bem poderia se chamar “Corrupção S/A”. Dirigido por Stephen Gaghan, roteirista do excelente TRAFFIC, conta com um elenco de primeira linha liderado por George Clooney (também um dos produtores executivos) para mostrar, com tintas realistas e engajamento político, a podridão que envolve o mundo dos negócios, no caso o de exploração e venda de petróleo no Oriente Médio.

Qualquer um que algum dia acreditou na ladainha neoliberal sobre a suposta honestidade das corporações privadas frente à inerente corrupção do Estado, muito usada para difundir a tão propaga “necessidade” das privatizações nas últimas décadas, vai ter que rever seus valores no final da sessão. Embora SYRIANA tenha formato de thriller político e apresente várias tramas paralelas que só irão se unir no final, o que move o enredo é a disputa política entre dois irmãos num emirado árabe no Golfo Pérsico. Um deles é o típico playboy alienado e vendido ao sistema capitalista, que torra a fortuna da família com iates, drogas e mulheres, enquanto o outro, Príncipe Nasir (Alexander Siddig), tem intenções mais nobres.

Vem dele, por sinal, uma das falas mais reveladoras do filme. Quando interpelado pelo executivo feito por Matt Damon sobre o inevitável fim das reservas petrolíferas mundiais e as conseqüências disso para os povos do Oriente Médio, que fatalmente vão retornar ao barbarismo, dispara: “E você acha que eu não sei disso? Quando aceitei a melhor oferta da China para explorar meus poços, o fiz pensando em meu povo, em usar o dinheiro para melhorar a condição de vida de todos, investir em infra-estrutura e bem estar social. Por isso, agora sou chamado pela mídia e pelo seu governo de terrorista, comunista e ateu!”.

Mas o ponto que mais impressiona em SYRIANA, não só pela crueza, mas também pela alta dose de verossimilhança, são as interferências diretas promovidas pelo Governo dos Estados Unidos, via sua Central de Inteligência (CIA), nos negócios realizados na região. Seus agentes agem como verdadeiros “anjos da guarda” para garantir que somente as empresas estadunidenses fechem negócios no Golfo Pérsico, nem que para isso precisem torturar e matar qualquer um que se colocar no caminho.

Do outro lado, as grandes corporações fazem das tripas coração para abocanhar contratos milionários de exclusividade. Manipulação, distorção, mentiras e corrupção são palavras banais neste negócio. Numa seqüência exemplar, um político conservador (interpretado por Tim Blake Nelson), ao ser flagrado em ato de corrupção por advogado que representa os interesses de uma empresa, dispara uma frase que já se tornou antológica: “Corrupção? Corrupção é a intrusão do governo no mercado na forma de regulação. Temos leis contra ela justamente para que possamos sair impunes. Corrupção é a nossa proteção! Corrupção nos mantém salvos e aquecidos! É graças à corrupção que você e eu viajamos o mundo ao invés de brigar nas ruas por um pedaço de carne! Corrupção é o motivo da nossa vitória!”.

Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência.

Infelizmente, nem tudo são flores em SYRIANA (a começar pelo nome, que não é explicado, mas é usado tanto para se referir à Síria - como em Pax Syriana-, quanto como um rotulo hipotético para referir-se a países do Oriente Médio que têm semelhança com a Síria). Ou seja, quem não tiver um conhecimento razoável da situação atual da região, incluindo aí os conflitos entre seus inúmeros grupos político-religiosos, e de como funciona o mercado das fusões nos Estados Unidos vai ter grande dificuldade de seguir a trama. Há também um excesso de personagens que deixa a situação ainda mais complicada (o drama familiar do executivo feito por Damon, por exemplo, não acrescenta nada ao filme e pode confundir o espectador).

O agente da CIA, feito por Clooney, também sofre de certa letargia e ingenuidade incongruentes com o personagem. Jamais alguém com tamanha experiência e bagagem em fazer o jogo sujo para o Tio Sam seria manipulado e enganado de forma tão fácil, muito menos ficaria tão surpreso ao ser descartado num momento de crise.

Todavia, mesmo apresentando essas falhas e incoerências, é inegável que SYRIANA mereça respeito e crédito, não apenas por tocar numa ferida aberta que pouquíssimas pessoas teriam coragem de expor, mas, principalmente, por deixar claro que, do mundo dos negócios promovidos pelas grandes corporações transnacionais, ninguém sai limpo.

E as conseqüências de tudo isso serão, a médio e longo prazos, catastróficas para a humanidade, como bem mostra o filme ao acompanhar a trajetória de um emigrante paquistanês que, expulso do emprego, brutalizado pela polícia e sem qualquer esperança de um futuro melhor, abraça a causa do terrorismo contra o inimigo de seu povo.

Mais atual e pertinente do que SYRIANA, sinceramente, dificilmente um filme será.

Cotação: ****1/2

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Filmes: "Inferno"

ESQUEMÁTICO

Apesar dos defeitos, até que dá pra louvar algo que estimula as pessoas a conhecerem um pouco de ciência e arte


- por André Lux, crítico-spam

Esse é o primeiro filme baseado na obra do Dan Brown que eu comento, mas o texto vale para os outros dois primeiros numa boa, afinal seguem o mesmo padrão esquemático que o autor aplica nos seus livros. Qual seja: uma trama extremamente rebuscada e rocambolesca que une conceitos pseudo-científicos, um conhecimento razoável de obras clássicas e perseguições em várias localidades turísticas europeias enquanto o herói tenta decifrar os quebra-cabeças deixados para trás, sempre acompanhado de uma bela mulher. Sem dúvida uma fórmula eficaz que atrai os mais variados tipos de leitores e espectadores.

O mais popular acabou sendo “O Código Da Vinci” que realmente era mais interessante, talvez por girar em cima da obra do genial artista e inventor Leonardo Da Vinci e também por trazer conjecturas bastante pertinentes sobre a vida de Jesus, principalmente no papel que Maria Madalena teria em sua vida. O segundo tratava de uma trama completamente absurda que visava em última instância levar um extremista ao posto de Papa da igreja Católica.

Esse “Inferno” segue a mesma toada. A maior diferença é que começa já em plena ação, com o professor Langdon (Tom Hanks, sempre carismático) acordando em um hospital com amnésia e sendo perseguido por várias organizações, enquanto tenta desvendar mais um mistério que agora usa a obra de Dante para montar as peças do quebra-cabeça que pode levar à liberação de uma doença que vai exterminar quase toda a humanidade.

Enfim, é mais do mesmo. Quem gosta, certamente vai tolerar os clichês (como os protagonistas sempre escapando dos perseguidores por um triz) e os absurdos da trama. O maior deles, claro, reside no fato de que o vilão não precisava ter montado todo aquele esquema para liberar sua arma química, muito menos esconder dos seus seguidores ou fugir de quem estava querendo pegá-la para vender a terroristas. O sujeito tinha total convicção que a solução para todos os problemas do mundo era acabar com a superpopulação atual, portanto faria qualquer coisa para que seu plano desse certo o mais rápido possível, não é mesmo?

Apesar da trilha sonora péssima do sempre abominável Hans Zimmer e dos defeitos apontados acima, é perfeitamente desfrutável, principalmente graças ao ótimo elenco e pelas locações exóticas e fotogênicas. Todavia, é mais indicado para quem gosta de ver citações superficiais a autores e obras famosas e de mistérios que, claro, são sempre explicados de forma didática no final para que ninguém fique se achando burro. Mas, em tempos de “Velozes e Furiosos” e outras imbecilidades terminais até que dá pra louvar algo que pelo menos estimula as pessoas a conhecerem um pouco de ciência e arte, convenhamos...

Cotação: * * 1/2

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Comunicação: o calcanhar de Aquiles das esquerdas

O principal erro do PT, que causou sua derrota nas urnas, foi não ter atentado para a importância da comunicação pública para a formação de opinião dos cidadãos
A direita domina a comunicação
- por João Feres Júnior
Publiquei artigo recentemente discutindo o cenário de choro e ranger de dentes no qual se meteu a esquerda após a eleição municipal do dia 2 de outubro. Entre os que autoflagelam e os que apontam o dedo há um consenso a meu ver burro de que a derrota de deveu aos “erros do PT”. Tentei mostrar que os tais erros identificados por esses comentaristas são de fato falácias, senão virtudes políticas, como é o caso da aliança com o PMDB. Claro que o erro mais mencionado é o da corrupção. 
Esses críticos agem como seus antípodas, os coxinhas, reduzindo a política à questão da honestidade e, por conseguinte, da corrupção. Ora, a solução para a corrupção é investigar, processar e condenar os culpados, e desenhar procedimentos administrativos que diminuam o risco de que ela seja cometida sem, ao mesmo tempo, emperrar a máquina pública – algo bem difícil de se conseguir. Mas tal solução imperfeita está longe de constituir uma escolha política que faça jus a esse termo de origem grega.
Se observarmos os resultados da eleição, contudo, essa interpretação se desfaz. Os partidos vencedores foram PSDB e PMDB, todos alvejados com inúmeras denúncias de corrupção. Só para tomarmos um exemplo, João Dória, que venceu a eleição em São Paulo já no primeiro turno de lavada, foi acusado de apropriação ilegal de terreno público em plena entrevista ao telejornal SPTV, da Globo. Tentou negar a acusação e foi desmentido na hora pelo jornalista, que eximiu até provas documentais do ilícito. Então por que será que a derrota do PT deve ser atribuída à corrupção e estes outros partidos envolvidos em escândalos de corrupção não sofreram dano eleitoral?
Um petista carpidor argumentou em texto recente que o PT sofreu mais porque pregava a luta contra a corrupção. Acho essa tese improvável. O PT de fato fazia um discurso bastante moralista antes de virar governo, por mais de uma razão. Primeiro porque saia do regime militar, altamente repressor do debate político. A crítica à corrupção naquele contexto pode ser lida como subterfúgio para promover a politização do eleitor. Segundo porque existe um viés anti-Estado nas esquerdas, marxistas ou não, e o PT não escapa disto, particularmente antes de ter ganhado eleições importantes. 
Claro, esse tipo de coxismo só vê corrupção no Estado e faz vistas grossas para o seu Manoel da padaria que deixa de lançar nota fiscal para 80% de seu faturamento, ou, por extensão, para imensos conglomerados de comunicação que sonegam centenas de milhões em impostos. E, por fim, porque o PT é um partido de origem paulista, e em São Paulo o discurso bandeirante excepcionalista e, por conseguinte, também pró-sociedade e anti-Estado penetra não só na extrema direita saudosa da Revolução de 32 mas também na esquerda – não nos esqueçamos que o partido é proveniente da organização da sociedade paulista contra o Estado autoritário.
Mas isso não faz o argumento do petista carpidor mais verdadeiro. O PT parou há tempos de fazer um discurso inflamado contra a corrupção. Pelo contrário, historicamente, no Brasil, esse discurso é encampado pela direita. Ademais, poucos eleitores contemporâneos têm memória daquele PT aguerrido e ingênuo dos primeiros anos – que mais parecia o PSOL de hoje, com a diferença de que tinha profunda base nos movimentos sociais, o que não acontece com o partido de quadros que ora compete pelo segundo turno da eleição carioca. Assim, a pergunta não foi ainda respondida: por que será que a corrupção constituiu o principal erro do PT do ponto de vista eleitoral?
Só há uma resposta para ela. Volto a insistir, as interpretações erram por não reconhecer que a mídia foi a grande vitoriosa deste pleito, elegendo políticos que lhe são em tudo simpáticos e generosos, e derrotando o PT, seu principal alvo. Mas os críticos de plantão continuam a sofrer da vertigem da naturalização da comunicação, uma operação mental que simplesmente apaga a função da comunicação mediada. É como se, no final das contas, a mídia só reproduzisse fatos.
Foi a corrupção a principal arma de ataque? Sim, mas uma corrupção construída narrativamente como responsabilidade maior do partido, de Lula, de Dilma, ou pior, como frequentemente se lê nos textos produzidos por essa mídia, do Lulopetismo. Eu sei que o carpidor e seu séquito vão redarguir: mas se não tivesse se corrompido o governo do partido não haveria denúncia. Nada mais ingênuo. Só para citar um exemplo importantíssimo, o “escândalo do Mensalão” foi todo construído sobre pés de barro, sem evidências de malversação de dinheiro público, sem evidências de influência em resultado de votação, e mesmo assim serviu para macular a imagem do partido e colocar suas principais lideranças na cadeia, submetidas à execração pública. 
Em suma, não há nada de natural na maneira como a corrupção aparece para o eleitor. Em um contexto no qual uma simples citação em delação premiada poder ser usada para justificar a prisão preventiva de alguém, a partir da qual um circo midiático de dilapidação da reputação do preso tem início, não dá para ser tão ingênuo como o carpidor e seu bando.
O principal erro do PT, que causou sua derrota nas urnas, foi não ter atentado para a importância da comunicação pública para a formação de opinião dos cidadãos. Esse erro deve ser atribuído ao mesmo tipo de ingenuidade do carpidor, que naturaliza a questão do fluxo de informação em nossa sociedade, ou melhor dizendo, ignora suas especificidades. Enquanto as esquerdas estiverem capturadas por essas concepções pueris do jogo político, continuarão a sofrer repetidas derrotas.
João Feres Júnior é cientista político, vice-diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ e coordenador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) e do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Diferenças entre o voto da classe média e o dos mais pobres


Assim caminha a classe média
Vamos com calma antes de começar a dizer que o povo é burro e por isso tivemos esses resultados abomináveis na última eleição. Porque esse é o mesmo argumento usado pela direita nas quatro vitórias do PT na presidência da República.

O buraco é mais embaixo e precisa de uma análise profunda. Temos dois tipo de eleitores no país hoje: os de classe média e os pobres.

A classe média vota com o fígado, quase sempre alinhada ao que Globo, Veja, Folha, Estadão e o resto do PiG vendem como verdade absoluta. De fato, para a classe média não existe muita diferença entre um governo de esquerda ou direita, porque a maioria não usa praticamente nada público. 


Não toma ônibus (tem carro), não usa o SUS (tem plano de saúde caríssimo), não coloca os filhos em escola pública (só particulares), etc. A classe média vive no sistema privado e acreditam ser esse o melhor dos mundos. Acredita que se trabalhar direitinho e vestir a camisa vai ficar rica igual ao Donald Trump ou o João Dória. Se Jesus Cristo baixar do céu e falar que não é por aí, eles mudam de religião ou viram ateus. Não adianta. É o voto do ódio, irracional.

Já os pobres votam com o bolso. Eles percebem, mesmo que inconscientemente, a diferença entre governos de esquerda e direita e vão apoiar aquele que melhorar a sua vida. FHC acabou com o país e foi por isso que Lula se elegeu. Foi o voto da esperança na mudança, voto de protesto. Lula levantou o país e melhorou a vida do povo em geral e por isso foi reeleito e fez sua sucessora duas vezes.

Por que então agora os mais pobres votaram em peso na direita? Simples: porque a direita entendeu que o discurso falso moralista da corrupção não era suficiente e só poderia derrubar o governo Dilma e o PT por tabela se quebrasse a economia. E foi o que fizeram. 

A Lava Jato sob o comando do preposto da CIA em Curitiba quebrou a espinha dorsal da economia brasileira, que são as empreiteiras (construção civil) e a Petrobrás. Praticamente destruiu a Odebretch, a maior empreiteira do país, e paralisou todos os negócios da Petrobrás, gerando uma crise gigantesca que, com o tempo, chegou ao bolso dos trabalhadores que, infelizmente, não tem a capacidade crítica de entender tudo que está acontecendo realmente e aí sucumbem também à manipulação diária feita pela imprensa burguesa.

Aí ficou fácil derrubar a Dilma e vender seus candidatos como a esperança de mudar tudo isso ou para o voto de protesto contra o PT, que acabou com o país, segundo martela todos os dias a mídia burguesa na cabeça dos incautos. Juntou então o voto do ódio da classe média com o voto do bolso dos mais pobres. Deu no que deu.

O resto é história.


domingo, 2 de outubro de 2016

VOTO: A ILUSÃO DA ESCOLHA NA MATRIX


Vou dar minha singela opinião sobre tudo que está acontecendo aqui no Brasil e também no resto do mundo. Não entendo porque muita gente de esquerda fica desanimada nesses momentos de virada para a direita. Nós vivemos em um sistema chamado Capitalismo. Como o próprio nome já deixa claro, é um sistema que tem como principal valor o CAPITAL, ou seja, o dinheiro. Nele, a vida humana, especialmente a dos mais pobres, não tem muito valor. 

Esse sistema tem dono. Não, não são os governantes, sejam eles eleitos ou ditadores. Os donos desse sistema e, consequentemente, do mundo são as pessoas que detém o grosso do CAPITAL. Os podres, muito podres, de rico. Não, aquele seu conhecido que mora num condomínio fechado, tem cinco carros zero e uma casa em Maresias não é um deles.

Podres de ricos nós não conhecemos nenhum. No máximo, passam por cima da gente em seus aviões ou helicópteros. Moram em fortalezas bem guardadas e tem bens materiais e dinheiro acima de qualquer coisa que possamos sonhar. Fazem parte dos 2% que detém a maior parte da grana do mundo.

De tempos em tempos os donos do mundo deixam a gente brincar de votar. E mais de vez em quando ainda, eles deixam a gente colocar partidos ou pessoas que são contra o sistema deles no governo. Isso faz parte da ilusão da escolha.

Quem assistiu e entendeu a trilogia “Matrix”, sabe do que estou falando (leia aqui minha análise dos filmes). A ilusão da escolha é necessária para que as pessoas em geral tenham a sensação que são livres e que vivem em um mundo onde tem livre arbítrio. Um mundo onde, talvez, uma vida tenha mais valor do que a grana.

Mas chega uma hora que é preciso dar um “reload” no sistema e essa brincadeira é suspensa. Assim, crises econômicas são forjadas (ou você acha que esse pessoal joga dinheiro no fogo?), governantes que não rezam ao deus CAPITAL são depostos e aqueles que fazem parte deles ou os apoiam são demonizados pelo braço midiático dos donos do mundo, perseguidos, presos e até mortos.

É assim e sempre será até o dia que esse sistema seja derrubado e outro menos cruel e desumano entre no lugar. Mas para isso acontecer é só na base da revolução. E quando falo em revolução não é meia dúzia de esquerdopatas do DCE da faculdade de História pegando em armas. Revolução seria aquele povão que acorda 5 horas da manhã pra trabalhar lá na casa do chapéu se unindo e tomando o poder à força. Não estou dizendo que isso resultaria em algo melhor do que existe hoje, até porque como dizia o Paulo Freire, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é virar o opressor”. Mas seria uma mudança.

Então meus amigos e amigas, enquanto isso não acontecer, só nos resta continuar vivendo sob a ilusão da escolha e, quando conseguirmos eleger governantes mais humanistas, seguir comendo pelas beiradas para tentar transformar o mundo num lugarzinho um pouco melhor – pelo menos enquanto durar a licença dada pelos donos do poder.



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