sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

A polêmica continua... Por que eu considero "Tropa de Elite" um filme fascista?

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O meu amigo blogueiro Miguel do Rosário tem feito uma defesa ferrenha do filme “Tropa de Elite”, o qual ele não considera fascista, em seu blog Óleo do Diabo. Não quero aqui ficar pinçando trechos do texto dele e os contrapondo, pois acho isso enfadonho e meio injusto com o autor, pois tira suas idéias de contexto.

Vou, de maneira pontual e final, dizer porque eu acho o filme fascista. Até porque não quero mais falar desse filme canhestro que nem merece tantos holofotes assim.

1) A intenção do diretor era fazer um filme fascista? Pra mim ficou claro que não. O Padilha tentou sim fazer um filme que “mostra a realidade” da violência urbana no Brasil – especificamente nas favelas cariocas, e provocar polêmica no bom sentido.

2) Ele teve sucesso nisso? Em parte. Do ponto de vista de “mostrar a realidade”, ele consegue mostrar apenas uma parte dela. E é aí que os problemas começam.

3) Onde ele acertou? Primeiro, ao mostrar a corrupção e a desordem na polícia militar, bem como a parceria de seus membros com o tráfico e com esquemas ilícitos. Segundo, ao mostrar o envolvimento de políticos nos esquemas. Ponto para Padilha e sua equipe.

4) Os erros. Agora é que são elas. De boas intenções o inferno está cheio:

- “Tropa de Elite” escorrega feio em sua pretensão de “mostrar a realidade” ao pintar o BOPE como incorruptível e super-eficiente. Não é. Existem provas contundentes disso. Uma dessas provas está no próprio filme: os oficiais do BOPE são coniventes com a corrupção da PM, então no mínimo são omissos e corruptos por tabela. Mas o roteiro não chega nem perto de tocar nesse ponto e insiste em dar voz apenas aos discursos moralistas e incoerentes dos policiais, sem nunca questioná-los.

- O BOPE é mostrado torturando e executando pessoas de maneira criminosa. Igualzinho acontece na realidade. O problema é que todas as pessoas torturadas e mortas no filme são bandidos ou amigos e familiares dos bandidos. Só que na vida real, pessoas inocentes são mortas e torturadas pelo BOPE. Onde está isso no filme? Em lugar algum. Em “Tropa de Elite”, o BOPE é tão eficiente e “bonzinho” como o Rambo que, entre uma crise existencial e outra, também só mata bandidos e vilões, nunca inocentes. E quem optou por mostrar as coisas dessa forma distorcida e absolutamente parcial? Os críticos? A platéia? Não, os realizadores do filme. Portanto, não há desculpas.

- Estudantes de classe média usam drogas e acabam ajudando a sustentar o tráfico. Correto. Essa é uma questão importante no debate do combate à violência que ninguém tem coragem de tocar. “Tropa de Elite” ensaia colocar o dedo nessa ferida, mas logo depois mete os pés pelas mãos.

Primeiro, porque não são todos os estudantes que usam drogas. Muito menos todo estudante é esquerdista ou liberal. Em qualquer sala de aula também existem jovens que rezam pela cartilha da direita, que são fascistas, ou que ao menos são favoráveis ao “prendo e arrebento”. Onde estão eles no filme? Em lugar nenhum. Na classe do Matias (o policial negro), todos adotam uma postura “esquerdista” ou liberal na cena do debate, o que é absolutamente ridículo.

Ou seja, assim como o BOPE só mata e tortura bandidos no filme, os estudantes de classe média são todos retratados como liberais hipócritas que usam drogas ilícitas ao mesmo tempo que protestam contra a brutalidade da polícia em passeatas idiotas. Chamar isso de maniqueísmo é pouco... Ao optar por essa aproximação simplista, o cineasta inutiliza automaticamente sua proposta de “mostrar a realidade” do ponto de vista da classe média como parte do problema.

- Muitos dizem que o capitão Nascimento é “humanizado” no filme, pelo fato de narrar a trama e por sofrer de ataques de pânico, portanto não pode ser considerado fascista. Esse argumento é o mais fraco.

Primeiro, porque o Nascimento que narra é um e o que atua é outro. Enquanto ouvimos o personagem descrevendo as situações com ar de deboche, arrogância e onisciência (revelando inclusive fatos que não tinha como saber), o vemos agindo como um descontrolado inseguro, à beira de um ataque de nervos.

Ou seja, enquanto age como o protagonista de, na falta de um exemplo melhor, “Um Corpo Que Cai” (que tinha fobia de altura e cometia erros), ele narra o filme como se fosse o Rambo, fodão e infalível, porém injustiçado e incompreendido. No final das contas, o que prevalece é a narração, até porque é ela que se destaca mais no nível da consciência por ser dirigida diretamente ao espectador. Não há, portanto, humanização nenhuma do personagem. Pelo contrário. A narração tosca anula a suposta “humanidade” das ações e, mais grave, induz o espectador a "torcer" por ele.

- Matias, o policial que no final substitui Nascimento, é o verdadeiro protagonista do filme. É nele que está contido o arco moral do roteiro. É só perceber: Matias começa o filme de uma maneira e termina de outra, que é totalmente contrária à inicial. Seria dele também a narração do filme. É bem provável que assim ficaríamos sabendo mais sobre esse personagem e sobre a confusão mental que o levou a uma mudança tão radical de comportamento e filosofia de vida.

Mas, como o diretor resolveu mudar, na última hora, a narração para o Nascimento (certamente por questões mercadológicas), Matias virou um mero coadjuvante, sem qualquer profundidade ou nuance.

Sua transformação de idealista em torturador acontece de maneira brusca e forçada, apenas porque teve um amigo morto pelos bandidos. Explicação rasa e pobre, idêntica a de qualquer Rambo da vida: “Quero viver em paz, mas vou voltar para a guerra para vingar o meu amigo, que foi maltratado pelos vilões”.

Ao optar por todas essas simplificações extremas e por uma estética de filme de ação palpitante (especialmente na terceira parte), “Tropa de Elite” vai contra sua proposta inicial e, infelizmente, se iguala a qualquer filme do tipo “vingança e retaliação”, como “Gladiador” ou os já citados “Rambos”, onde os feitos questionáveis dos personagens acabam sendo justificados em nome de um “bem maior” – no caso, vingar a morte covarde do amigo policial.

E perceber isso não tem nada a ver com ser de esquerda ou de direita. Até porque não é todo direitista que é fascista ou violento, da mesma forma que nem todo esquerdista é comunista ou pacifista. Existem nuances nesse meio e é isso que torna o debate rico e profundo. E é justamente essa falta de nuances e de profundidade que transforma “Tropa de Elite” em produto fascista – no sentido de endossar, mesmo que sem querer, o uso da brutatlidade e do desrespeito às leis como única forma de combater o tráfico de drogas e suas conseqüências.

Enfim, um filme cheio de boas intenções que se perdem na falta de consciência, sensibilidade ou talento de seus realizadores.
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32 comentários:

Miguel do Rosário disse...

Oi André, acho que você forçou a barra para provar sua tese. O filme não mostra que todos os estudantes são esquerdistas ou maconheiros. Isso é uma interpretação forçada. Sobre o Bope incorruptível, o filme mostra um dos primeiros grupos do Bope, quando eram poucos soldados (hoje são 20 vezes mais). De qualquer forma, é ficção. Ficar comparando com a realidade é besteira. O negócio é que o filme é tão verossímil que as pessoas quase o confundem com uma realidade filmada e aí criticam dizendo que a realidade não é assim. É o primeiro filme que mostra, com grande eficiência técnica e densidade narrativa, a guerra entre polícia e traficantes do Rio de Janeiro. Tem defeitos? Tem, mas ganhou o Urso de Berlim, elogiado por inúmeros críticos especializados e foi o filme com mais público no Brasil em 2007, sem contar o sucesso estrondoso na pirataria. Rambo teve sucesso? Teve, mas não ganhou Urso de Berlim, não foi elogiado por críticos, nem motivou acalorados debates, porque é um filme completamente inverossímil.

Abraço,
Miguel

André Lux disse...

Bom Miguel, se for assim "Gladiador", "Coração Valente" e "Titanic" também são filmaços, pois ganharam o Oscar de Melhor Filme (prêmio mais cobiçado por qualquer cineasta, vide o venerado Martin Scorsese todo emocionado ao receber um) e ganharam um monte de dinheiro nas bilheterias.

Sobre verossimilhança, ela não existe no filme, assim como não existe no "Rambo". Se existisse, Nascimento e sua gangue teriam torturado e matado pelo menos uma dezena de inocentes em suas ações. O que não acontece.

Qual estudante mostrado no filme não é maconheiro ou é favor do Matias na cena do debate? Não vi nenhum. Dos que o filme mostra, todos fumam e são hipócritas e liberais ou esquerdistas.

O filme é ficção, mas baseada numa história real escrita por personagens que viveram a trama. E o poster do filme diz: "Toda guerrar tem várias versões. Essa é a verdadeira". Como assim? Precisa dizer mais? Sutil como um elefante num antiquário...

Miguel do Rosário disse...

André, o fato de não mostrar estudantes maconheiros ou esquerdistas não quer dizer que o espectador não possa supor que eles existam. As coisas estão implícitas. Assim como o caso dos bandidos mortos. Não existe obrigação de fazer um filme politicmaente correto, mostrando "inocentes" mortos. Isso está implícito também. Além do mais, o fato de matar bandidos a sangue frio já é um crime. O slogan do filme é um slogan, só isso. O livro também é um ficção, embora inspirada na realidade. Não estou falando de Oscar, mas do Urso de Berlim. De qualquer forma, não me lembro de terem lançado uma acusação tão pesada para Coração Valente, Gladiador ou Titanic. Nenhum foi chamado de "fascista". O Salles chega a afirmar, abertamente, que a polícia passou a matar mais gente depois do filme. É um linchamento moral. O termo fascista está sendo usado com muita leviandade aqui. Esse filme realmente tocou numa ferida. Ainda não entendi direito o que foi, mas ele tocou em algo, e tem a ver com política sim. Ele incendiou debates, provocou. Revelou-se, incontestavelmente, um filme perturbador, o que também o afasta imensamente de qualquer fascismo. As pessoas gostaram muito filme, não só pessoas simples, mas muitos intelectuais e críticos, e criminalizar esse gosto, tachando-o soberbamente apenas como ignorância, ou taras fascistas, é arrogância. Tudo bem dizer que o filme é ruim, que não gostou, mas essa condenação moral eu jamais assisti. É inacreditável. Ainda mais, olhando as razões apresentadas, como "a forma como a luz é apresentada, a forma da narração, as nuances". Quer dizer que o diretor, "mesmo sem querer", fez um filme fascista? Então agora o inconsciente do Padilha é que é fascista. Estamos diante de um tremendo perigo. Posso escrever um poema e, sem querer, fazer um poema fascista. O fascismo é uma acusação séria demais para se fazer a um filme, ainda mais de forma tão insistente, repetitiva, a um filme brasileiro. Mas deixa para lá. Voce tem liberdade para achar o que quiser. Então fica assim. Você acha o filme fascista, tosco e ruim. O que eu abordei no meu texto é a implicação disso na construção de uma forma de pensar, da maneira que está sendo feito, o que é perigoso para desmoralizar ou enfraquecer uma ideologia. Não fui eu que politizei o debate, mas a partir do momento em que ele foi politizado, então achei que a coisa ficou perigosa. Freudianamente, detectei que aqueles que vociferam "fascismo" podem,eles sim, ter visto o fascismo no espelho de suas almas. Então, a defesa que faço do filme virou também uma luta contra o fascismo. Estou louco? Talvez. Melhor eu ir dormir. BOa noite e abraço. Desculpa tomar seu tempo e te cansar com minhas obsessões.

Anônimo disse...

André,

O filme também é raso quanto à própria questão das drogas - nenhum "gancho" que induza à reflexão do proibicionismo aparece na trama... na verdade, é sequer mencionado.

Sem contar o emprego do "sistema" na narrativa do Nascimento - afinal, que "sistema" incontestável é esse - o sistema sócio-econômico ou o "sistema" da corrupção? O discurso do capitão é tão vasto quanto o oceano, mas tão profundo quanto um copo d`agua.

Jo

Ricardo Melo disse...

Tropa de Elite é péssimo.

Porquê?

Porque o público médio captou dele uma mensagem de sensos-comuns e preconceitos.

Porque o público médio viu nele justificativas para a tortura de crianças e para a violência como solução para o problema da violência.

Em uma mensagem, o que realmente importa é o que o recpetor entendeu.

Tropa de Elite não comunicou nada novo, pelo contrário. Reforçou os nossos complexos na linha casa grande/senzala.

O Padilha merece o Prêmio Nobel de
Química, tinha um material que valia ouro nas mãos, mas...

Thiago Oshiro disse...

O comentário não é sobre esse post específico mas sobre o blog em geral, gostei muito. Qro conseguir ter a capacidade q vc (eh soh uma pssoa msm?) tem pra escrever. Este blog consegue criticar a "mídia-corporativista" que domina a maior parte dos meios de comunicação, a direita, os E.U.A e até filmes com uma consistência muito massa. Noh, parabéns mesmo.

Markinho disse...

obs.: um comentario, alias, um lembrete para reforçar a ideia de que eh um filme fascista... como todo facista, preconceituoso e ant-comunista, o filme tropa de elite logo de inicio mostra bem sua cara: o nome do chefe do trafico eh "BAIANO", um mestiço, que usava uma camisa vermelha com a foto de CHE GUEVARA... uma clara ideia de propagandear a mensagem de que comunista é tudo bandido, que baiano, nordestino, é tudo bandido, que criminoso é tudo aquilo que foge do padrão "direitinha", engomado e americo-europeu, EUAropeu....

enfim... ate mais!

André Lux disse...

A única coisa que acrescento ao debate é que o filme está sendo julgado como positivo por dois tipos de abordagem:

1) a abordagem da direita raivosa e da classe média alienada, que viu no filme seus sonhos transformados em realidade. O "prendo e arrebento" nu e cru justificado e endossado na narrativa podre do capitão Nascimento, que foi transformado pelo cineasta e suas opções estéticas no herói da narrativa.

2) a abordagem de quem é de esquerda e analisa o filme pelo que ele "deveria" ter sido ou pelas suas "intenções" e não pelo que ele realmente é. Ou seja, analisam o filme pelas falas propagadas pelos realizadores e elenco e não pelo resultado final obtido nas telas. E, pior, joga nas costas do público o fato dele ter interpretado a obra como a glorificação da tortura e da violência policial como solução ao problema do tráfico de drogas.

Todas as outras análises do filme que não se contaminam por essas suas opções acima citadas, apontam na mesma direção e chegam à conclusões parecidas.

Ricardo Melo disse...

Olá André.

Agora você pegou no "nervo".

O aspecto mais importante da comunicação é o que o receptor da mensagem entendeu.

E o que o público brasileiro entendeu da mensagem de Tropa de Elite?
Entendeu um elogio ao autoritarismo e à violência.

E, se não me engano, autoritarismo e violência são "valores" ligados ao pensamento fascista.

Não acho incorreto afirmar que Tropa de Elite tem um viés fascista, pelo contrário.

Deixo uma sugestão:
faça uma pesquisa sobre o filme em meio à "juventude" do PSDB e do DEMo para saber o que acharam.

Aposto que esses segmentos adoraram o filme, viram muitos "exemplos" nele.

E ATENÇÃO: há notícias de um documentário seriado sobre o BOPE em produção.

Tropa de Elite não é apenas polêmico, ele também conquistou muitos corações e mentes.

"Parabéns" ao Padilha...

Ricardo disse...

André, é como o Miguel disse, acusar o filme de fascista, é muito grave, e vc falou, falou, e não conseguiu converser de jeito nenhum que o filme é fascista, usou argumentos toscos, e não conseguiu provar sua tese, o filme é polêmico, e trouxe um debate muito interessante, será que a violencia em execesso é justificada? essa é uma das mensagens do filme, é só parar um pouco, é só por algum momento tirar as vendas esquerdistas dos olhos e observar todo o debate politoco que esse filme revelou, uma grande obra de arte do padilha, e viva o cinema nacional

André Lux disse...

Ricardo, meus argumentos são toscos na sua opinião. Como você pode reparar, várias pessoas concordaram com minha análise do filme. Vai ver todas também usam essa tal de "venda esquerdista" (sic).

Se você e o Miguel gostam do filme e o julgam não-fascista, é direito de vocês. A Veja também tem a mesma leitura... E viva o cinema nacional, hurra!!

Anônimo disse...

André, vc tem de respeitar as opiniões de outras pessoas, afinal de contas vc não é o dono da verdade, o fato de minha opinião ser a mesma da veja, não me torna um criminoso, já que é isso que vc está pensando, da mesma forma que vc ter as mesmas opiniões de carrascos como fidel castro, não tornam vc criminoso, o pensamento é uma coisa livre, e não deve ser escravo de nenhuma ideologia

Anônimo disse...

André, vc tem de respeitar as opiniões de outras pessoas, afinal de contas vc não é o dono da verdade, o fato de minha opinião ser a mesma da veja, não me torna um criminoso, já que é isso que vc está pensando, da mesma forma que vc ter as mesmas opiniões de carrascos como fidel castro, não tornam vc criminoso, o pensamento é uma coisa livre, e não deve ser escravo de nenhuma ideologia

André Lux disse...

O dia em que um opinião minha for igual à dos pitbuls da Veja eu vou ficar envergonhado e serei obrigado a rever meus conceitos.

Já a sua afirmação sobre Fidel Castro, por outro lado, diz muito sobre você...

Ricardo disse...

Porque diz muito sobre mim? Vc não concorda que Fidel Castro é um carrasco, que como muitos outros da historia, como stalin, pinochet e os vagabundos da ditadura mataram inocentes?Qual a sua opinião sobre Fidel Castro?

André Lux disse...

Esse é o tipo de pessoa que defende uma aberração como "Tropa de Elite".

Felizmente, existem coisas além do que a vã filosofia dos leitores da Veja podem compreender...

Ricardo disse...

Não fuja andré, vc não é superior, vc não respondeu minha pergunta.

André Lux disse...

Eu nunca disse que sou superior a alguém, isso é você quem está dizendo. Por isso, não deixa de ser um elogio. Agradeço.

Sobre Fidel, faça uma busca em meu blog e você vai saber o que penso dele, da revolução popular e do socialismo cubano. Não seja preguiçoso.

Ricardo disse...

Vamos criar um dialogo equilibrado e sem ofensas, pois eu não gosto disso, eu apenas questionei vc, e como todas as vezes vc se esquivou e não respondeu, não sou fã da veja e nem da globo, mas isso não quer dizer que minhas opiniões tem de ser diferentes das publicadas na revista, eu tenho varias opinioes sobre varios assuntos que são igualmente iguais as suas e outras não, afinal eu sou um cidadão livre e não me deixo guiar por nenhuma corrente, como muitas pessoas deixam, tanto pela esquerda, tanto pela direita.

André Lux disse...

Ricardo, você tem todo o direito de se orgulhar por ter uma posição igual à da revista Veja.

Eu já penso diferente de você, entende?

Não fugi de pergunta alguma. Tudo que eu penso está aqui no meu blog. Procure que você acha.

Ricardo disse...

Ora andré, eu sou um grande fã da revolução socialista, sou admirador de che, mas não posso ser favoravel aos metodos usados por fidel castro, como se perpetuar no poder por quase meio seculo, falta de liberdade de expressão, e assassinatos em massa, e sei que vc também é contra isso andré, pois vc é defensor da liberdade e não partidário de nenhum tipo de violencia, então qual é sua posição hoje sobre Fidel Castro?Não encare isso como ofensa, é apenas um questionamento, valeu. E não precisa me chamar de preguiçoso, pois eu não ofendi vc.

André Lux disse...

Se você fosse mesmo fã da revolução cubana, saberia que nunca aconteceram "assassinatos em massa" por lá. Houveram sim execuções de criminosos que foram julgados no início do regime e em momentos pontuais.

De minha parte, sou contra a pena de morte sob qualquer aspecto. Porém, não é por essa e outras falhas do regime que vou desancar todas as conquistas do socialismo cubano ou sair por aí chamando um líder como Fidel Castro, que é idolatrado pela maioria da sua população, de "carrasco".

Ricardo disse...

Jamais falei que me orgulhava de ter opinião igual da revista veja, as minhas opiniões eu crio de acordo com a realidade que vejo, vc que disse isso.

André Lux disse...

Sim, mas a sua opinião é igual à dos porta vozes do nazi-fascismo e do imperialismo ianque no Brasil. Pense nisso...

Ricardo disse...

Sou mesmo fã da revolução cubana, disso eu tenho certeza, mas sabemos que Cuba passa por periodo dificil, com certeza por culpa do embargo norte-americano, mas como resolver o problema dos cubanos andre?Esse é uma das grandes preocupações minhas, pois a impressão que dá é que o povo cubano está pagando por esse conflito socialismo x capitalismo, e do ponto de vista humanitario isso é horrivel.

André Lux disse...

Não cabe a mim dizer o que o povo cubano deve fazer ou não. Certamente não devem ceder às pressões dos EUA e do resto da direita, que obviamente querem que Cuba volte a ser um puteiro deles como era antes.

Ricardo disse...

André de novo vc fugindo do assunto, a quando é para atacar a direita, suas opiniões(a qual a maioria eu concordo)são fortes e claras, agora quando é para dá opinião com assuntos polemicos como Cuba, vc se esquiva, vc acha certo o governo cubano censurar a imprenssa?eu não acho, vc acha certo o governo cubano não dá liberdade de expressão?eu não acho,vc acha certo as pessoas terem que arriscar a vida no mar para fugir de Cuba?Dê sua opinião André, não se esquive.

Ricardo Melo disse...

Ricardo, tomo a liberdade de entrar no tema Cuba, que você discute com o André.

Então, lá vai:

Acho lamentável o governo cubano, censurar a imprensa e a liberdade de expressão.

Também acho lamentável que a carestia tenha sido uma das motivações dos que tentaram ou tentam abandonar Cuba.

Contudo, existem justificativas para a censura e uma explicação para o empobrecimento dos cubanos.

E a justificativa para tudo isso é autodeterminação, um dos nomes dados à liberdade. No caso, a liberdade de gestão do próprio território.

A Revolução de Cuba não foi socialista, mas sim nacionalista.

E até hoje, a questão de Cuba é nacional.

SE Cuba permitir a livre expressão, abrir a política, por consequência abrirá também o seu mercado.

E assim - fatalmente - voltará à órbita político-econômica dos EUA.

Certamente você sabe que os EUA tinham no passado uma emenda PLATT, que garantia a intervenção em Cuba no caso de "periclitação" dos interesses estadunidenses na ilha.

No projeto geopolítico dos EUA, Cuba é peça fundamental. E é assim há muito tempo.

Foi assim pela posição estratégica da ilha, que controla a entrada da "banheira caribenha" pelo norte e pelo sul

É assim atualmente como um depositório de recursos que interessam aos EUA, desde o níquel até as jazidas de petróleo recém-descobertas.

Isso tudo sem falar na simbologia ideológica que a "reconquista" de Cuba significaria para a expressão do decandente imperialismo estadunidense.

Então os EUA advogam a sua "democracia" (suja a ponto de eleger e reeleger Bush em pleitos escandalosos)em Cuba, mas têm outros interesses.

No dia em que Cuba voltar à órbita dos EUA, milhares de cubanos proto-fascistas retomarão as suas propriedades em Cuba.

Nesse caso, cubanos da ilha perderiam muito:instalações, residências, benefícios do Estado, etc.

O Estado cubano seria desmantelado. Em seu lugar, uma elite cubana de Miami tradicionalmente ligada a setores fascistas e ao crime organizado.

As implicações da máfia com os cubanos de Miami são claras, não são mera especulação.

Se quizer ver mais sobre isso, leia algo do Moniz Bandeira (Luiz Alberto Moniz Bandeira)ou alugue o filme JFK.

Enfirm, iriam desmantelar tudo o que a autodeterminação cubana conseguiu de bom, com destaque para educação e saúde.

E, finalmene, seria o fim objetivo da independência cubana, o fim de um Estado verdadeiramente cubano.

E a volta da privataria latino-americana, dessa vez orquestrada pela turma da máfia.

Cuba entraria de sola na posição de colônia estadunidense, mas, na verdade, estaria mesmo atada ao Imperialismo Financeiro, o verdadeiro poder que dá as cartas hoje em dia. Dominando inclusive o Brasil e os EUA.

Então, o Estado cubano censura.

E, se não censurar, os EUA contarão imediatamente com milhares de traidores da pátria e do socialismo na intenção de fazer novamente da terra de José Marti um inferno colonial.

Não quero dizer com isso que os cubanos vivam hoje num paraíso, muito pelo contrário.

Mas os cubanos de hoje são muito diferentes das populações do leste europeu pré-queda do Muro de Berlim.

Antes do fim da Guerra Fria, romenos, poloneses, alemães orientais e eslovenos sonhavam em dirigir carros alemães e usufruir das liberdades francesas e britânicas.

Hoje, após a renúncia de Fidel, tenho certeza de que os cubanos têm toda a justificativa de ter pesadelos com a possibilidade de seu país se transformar em um meio-termo entre o Haiti e a periferia brava de São Paulo.

Com muita bala voando, televisão ensinando porcarias e sistema de saúde bestial.

André Lux disse...

Perfeito Ricardo! Quem sabe, sabe...

Sugiro também o filme "O Poderoso Chefão 2" que mostra bem o que era Cuba antes da revolução, dominado pelas máfias italianas e pelos políticos corruptos dos EUA, que usavam a ilha como paraíso da jogatina e prostituição.

Ricardo disse...

Muito bem ricardo, foi otima sua explicação, eu concordo em quase tudo, pode ter certeza, eu odeio o capitalismo selvagem tanto quanto vc e o andré, mas a minha dúvida é a seguinte: e a liberdade? esse é um ponto crucial, pois por mais que um sujeito venha fazer as escolhas erradas(se render ao dinheiro por exemplo), eu acho que ele deve ter o direito de escolher, e outra duvida ricardo melo, que eu gostaria sinceramente que vcs me tirassem, porque é atribuido a fidel castro a morte de mais de 50000 mil pessoas?eu sinceramente não acredito, mas alguns setores da imprenssa insistem nessa tecla, acusam fidel de fuzilamentos, prisões de inimigos politicos, coisas que eu não acredito, mas que em um debate eu não conseguiria argumentar, vc ricardo melo, que me pareceu menos mal-humorado que o andré poderia explicar?valeu.

Ricardo Melo disse...

Olá Ricardo.
Apesar de sua impressão, o André não é nem um pouco mal-humorado...

Sobre dados de fuzilamentos:não vi qualquer informação confiável em termos numéricos. Recente edição da Carta Capita, se não me falha a memória, colocava uma estimativa de 3 a 5 mil fuzilados no calor do regime.

Vamos contextualizar, o calor da revolução não é brincadeira.
E o Fulgêncio Batista tinha milhares de assassinos a seu serviço.
Se você tivesse um parente entre as vítimas de um carrasco na época, dificilmente alguém seguraria a barra na hora de você condenar crimes políticos violentos.

Por outro lado, a reportagem confirma:não houve execução extra-judicial, nem tortura em Cuba.

Sobre a liberdade: é uma pena o mundo cruel em que vivemos. Temos que fazer opções todos os dias.
E Cuba teve que optar pela independência em vez da "liberdade" total.

Nada é perfeito, tampouco Cuba é um paraíso.
Não é o socialismo perfeito, mas é a denúncia ao mundo, mostra que até um país pobre pode sim garantir alguns direitos fundamentais como saúde e educação.

Apesar de falta de liberdade, da carestia, do bloqueio, etc.

Ricardo Melo disse...

Olá Ricardo.
Apesar de sua impressão, o André não é nem um pouco mal-humorado...

Sobre dados de fuzilamentos:não vi qualquer informação confiável em termos numéricos. Recente edição da Carta Capita, se não me falha a memória, colocava uma estimativa de 3 a 5 mil fuzilados no calor do regime.

Vamos contextualizar, o calor da revolução não é brincadeira.
E o Fulgêncio Batista tinha milhares de assassinos a seu serviço.
Se você tivesse um parente entre as vítimas de um carrasco na época, dificilmente alguém seguraria a barra na hora de você condenar crimes políticos violentos.

Por outro lado, a reportagem confirma:não houve execução extra-judicial, nem tortura em Cuba.

Sobre a liberdade: é uma pena o mundo cruel em que vivemos. Temos que fazer opções todos os dias.
E Cuba teve que optar pela independência em vez da "liberdade" total.

Nada é perfeito, tampouco Cuba é um paraíso.
Não é o socialismo perfeito, mas é a denúncia ao mundo, mostra que até um país pobre pode sim garantir alguns direitos fundamentais como saúde e educação.

Apesar de falta de liberdade, da carestia, do bloqueio, etc.

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