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sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Filmes: "Aquarius"

MUITO BARULHO POR (QUASE) NADA

Filme ganha uma estrelinha a mais por ter feito os cães de guarda da direita tupiniquim espumarem de ódio

- por André Lux, crítico-spam


Quem acompanha meu blog sabe que tive uma pendenga com o crítico e dublê de cineasta Kleber Mendonça Filho, a quem devo meu apelido de “crítico-spam” e cujo primeiro longa-metragem, “O Som ao Redor”, é uma das coisas mais bisonhas que vi na vida. Todavia, confesso que gostei muito de ver ele e a equipe de “Aquarius”, seu novo filme, denunciando o golpe de Estado ocorrido no Brasil, o que provocou muita polêmica e me levou a ficar bastante curioso para ver o resultado final nas telas.

Mas, infelizmente, Kleber mostrou novamente que como cineasta continua um ótimo crítico. “Aquarius” é apenas mais um filme mal feito, mal dirigido e encenado, repleto de situações vazias e que não chegam a lugar algum (como o flerte da protagonista com um viúvo), e com um roteiro frouxo e sem qualquer peso dramático. Fica óbvio que a intenção do Kleber é nobre, principalmente no que diz respeito a fazer uma denúncia social das divisões de classe brasileira, que são ainda mais acintosas na região Nordeste onde o filme se passa, e na luta de David contra Golias representada pela personagem Clara (Sonia Braga) que enfrenta uma grande construtora que quer demolir o prédio onde ela mora sozinha. Ou seja, se aparececem umas navezinhas alienígenas para ajudar ela, ficaria igualzinho ao simpático "O Milagre Veio do Espaço", produzido pelo Spielberg nos anos 80.

O problema é que o roteiro é pífio e todas as cenas que apontam para esses contrastes são gratuitas e forçadas, soando mais como discursinho de comunista de classe média proferidos em saraus de faculdade de Humanas. A luta da protagonista contra a construtora não tem peso dramático algum, afinal mal conhecemos Clara e suas motivações, exceto por meia dúzia de informações rasas que são jogadas de vez em quando. No final, ela parece muito mais apenas uma velha chata e teimosa do que alguém que está lutando por suas convicções.

Se não bastasse isso, o filme tem uma edição sofrível e é alongado além da conta, atingindo a absurda marca de 2h20 de projeção, algo que não faz o menor sentido. Assim como em “O Som ao Redor”, Kleber não demonstra qualquer afinidade em dirigir atores, deixando-os falar um em cima do outro, enquanto a maioria apenas murmura seus diálogos sem verdade alguma. Nem mesmo a experiente Sonia Braga escapa da ruindade, embora até se esforce para tentar dar alguma ressonância a um personagem sem qualquer profundidade. A melhor cena do filme acaba sendo quando ela fica excitada ao testemunhar uma orgia que acontece no apartamento acima do seu e chama um garoto de programa para satisfazê-la, sem dúvida uma sequência corajosa, porém sem relevância para o resto da trama, infelizmente.

O Kleber também parece ter uma fixação mal resolvida com sexo, tanto é que insere diversas cenas quase explícitas de maneira sempre forçada e novamente sem muita relação com o resto do filme. A pior é a que envolve a tia da protagonista que está fazendo aniversário de 70 anos na cena que abre o filme. No meio dos discursos elogiosos dos parentes, incluindo duas crianças, ela olha para uma cômoda e aí tem flashbacks de uma transa, assim do nada. De vez em quando o diretor fixa sua câmera nesse mesmo móvel durante a projeção, mas confesso que não entendi direito o que queria transmitir. Que muita gente trepou em cima dele? Que isso era alguma forma de afirmar que a família de Clara era liberal e progressista? Tudo isso ao mesmo tempo? Pode ser. Ou não. Quem liga?

A conclusão de “Aquarius”, então, é risível, com o cineasta tentando vender uma daquelas cenas que tem o objetivo de provocar catarse na plateia, típica dos enlatados estadunidenses que ele tanto malha em suas críticas, mas que na vida real certamente mandariam a protagonista para a prisão algemada merecidamente. Sem comentários.

É triste ler muitas críticas sobre o filme louvando a produção e supostas virtuoses da direção, em mais uma prova de que a maioria dos críticos atuais confunde amadorismo e falta de conhecimento sobre as técnicas cinematográficas com sinais de genialidade. Kleber é tão pretensioso que decora uma parede da sala da protagonista com um enorme pôster de “Barry Lyndon”, um dos filmes menos conhecidos do grande Stanley Kubrick, o que apenas nos faz lembrar de como a arte de se fazer cinema está cada vez mais diluída.

O mais divertido, todavia, é ver os cães de guarda da direita tupiniquim espumando de ódio contra esse canhestro filme só por causa do protesto em Cannes e de meia dúzia de frases de cunho humanista proferidas durante a projeção, ajudando assim a dar publicidade a ele e meio que obrigando qualquer pessoa que não vomite ódio irracional à esquerda a abraçar e proteger a obra. Só por isso ganha uma estrelinha a mais. Mas, pra variar um pouco, é muito barulho por nada...

Cotação: * *

8 comentários:

Anônimo disse...

Ah meu chapa...pela tua lista de preferidos,já é possivel averiguar que teu conhecimento sobre cinema é bem limitado. Kleber faz com maestria aqui, o que pretendia ter feito em seu longa ficcional de estreia (o razoável, mas superestimado e desconexo O Som ao Redor).aquarius é um filme maduro...pra gente grande.Se você tem problemas pessoal com o cara , vai lá e sai no tapa com ele...mas não posta besteira.
Outra besteira que você escreve é, sobre Barry Lyndon...que é o melhor filme de Kubrick ...tecnicamente falando e muito cnhecido...ao contrário do que postas.

André Lux disse...

Gostei do "meu chapa".

Anônimo disse...

Andre, na sua opinião, quais os melhores filmes brasileiros?

CLARA EMILIE disse...

Parabéns, André, pela capacidade de exercitar a imparcialidade, apesar de você parecer ser, pelas suas outras postagens um "cão de guarda" da esquerda tupiniquim. :-) De minha parte, não sendo “cão de guarda” de nenhum partido - ojerizo isso de "tomar partido", ojerizo fanatismo e ideologistas que negam os fatos, e apesar de ter achado trágica a defesa partidária dos atores em Cannes – por diferentes motivos, adorei o filme, e recomendo a todos a assistirem. Sou defensora ferrenha de medidas socialistas – só que para mim o PT não representa isso, e também defensora de medidas anticorrupção - contra qualquer partido ou político que evidenciem corrupção.
Voltando ao filme, por coincidência, meu nome é Clara, e em 2008, em busca de comprar um apartamento em Boa Viagem, sonhei em comprar um apartamento no Oceania (nome veradeiro do Aquarius), justamente para impedir que construtoras o demolissem. hahaha. Desisti por motivos de segurança falha do prédio e saúde (escadas). Sigo tentando mudar aspectos de heranças culturais podres do Brasil, entre eles, sua política, em exercício de cidadania, no voluntariado, no serviço público, entre outros.
AGradeço a você a oportunidade de me fazer exercitar a empatia, comprovar como o ser humano é multifacetado, e, principalmente, fortalecer a aprendizagem e exercício do binômio admiração-discordância! Bom domingo!
Clara Emilie.

André Lux disse...

Acho que vc se enganou, Clara. Não existem cães de guarda na esquerda, pois irracionalidade é premissa básica para ser de direita...

Gigi disse...

Hahahahahaha hahahahaha

Zanetti disse...

Melhor critica que eu li sobre esse filme. Faltou comentar o "deus ex-machina" no final e, também, que a Clara, no final das contas, não passa de uma birrenta mimada de classe média-alta que herdou o ape da mãe. Se existe na vida real, provavelmente bateria panela na varanda do seu apto contra o PT.

André Lux disse...

Eu meio que falei isso sim: "No final, ela parece muito mais apenas uma velha chata e teimosa do que alguém que está lutando por suas convicções."

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