segunda-feira, 13 de maio de 2013

Filmes: "Oblivion"


FUNCIONAL

Para quem gosta do gênero ficção pós-apocaliptico é uma boa pedida, desde que você não espere muito

- por André Lux, crítico-spam

"Oblivion" é daquelas ficções científicas sobre o fim do mundo que bebem diretamente de vários outras e melhores fontes. Mas, apesar de não ser uma obra-prima do gênero e não sobreviver a uma análise mais detalhada de sua trama, até que funciona bem e prende a atenção, tendo inclusive algumas reviravoltas finais que causam surpresa.

As influências mais óbvias do filme são "Planeta dos Macacos", "2001", "Lunar", "Fuga do Século 23", "Eu Sou a Lenda", "Mad Max 2" entre outros. A direção é do mesmo sujeito que fez o fraco "Tron: O Legado", mas não chega a atrapalhar. Os efeitos especiais são decentes e o filme conta com uma boa atuação do galã Tom Cruise, que nunca foi um bom ator, mas que envelheceu bem e consegue imprimir uma certa verdade ao personagem principal. De quebra há também a participação do sempre confiável Morgan Freeman em uma ponta.

Infelizmente, como toda produção em série oriunda de Roliudi, há algumas coisas indesculpáveis, como a cena em que Cruise relembra todo emocionado uma partida do chamado "futebol americano" e algumas explicações didáticas totalmente desnecessárias no final (basicamente eles explicam o que a gente já está vendo na tela). A trilha musical, composta por um grupo techno chamado M.8.3., é fraca e atrapalha muito o filme, cheia de cacoetes horríveis criados pelo abominável Hans Zimmer (certas faixas são cópias diretas de "Batman Begins") e em algumas cenas mais parece música para comercial de shampoo (como na sequência em que Cruise faz amor com sua parceira na piscina).

Enfim, para quem gosta do gênero ficção pós-apocaliptico é uma boa pedida, desde que você não espere muito.

Cotação: * * *

Filmes: "Homem de Ferro 3"

RIDÍCULO

Roteiro é pavoroso, cheio de furos imensos, absurdos e besteiras sem sentido

- por André Lux, crítico-spam

Tudo bem que a franquia do "Homem de Ferro" nunca foi grande coisa (o primeiro filme foi razoável e o segundo bem fraco), mas não precisavam ir para o fundo do poço com essa parte 3.

"Homem de Ferro 3" é sem dúvida um dos piores filmes de super-heróis já feito, chegando ao ponto de ser ridículo. O interessante é que foi escrito e dirigido por um sujeito que tem boa fama entre os fanáticos do gênero, Shane Black, que roteirizou "Máquina Mortífera" e também foi ator em "Predador". Mas seu roteiro é pavoroso, cheio de furos imensos, absurdos e besteiras sem sentido. 

Tony Stark, por exemplo, passa metade do filme tentando consertar uma armadura só para, no final, aparecer mais uma centena delas que estavam no subsolo de sua casa. Não seria muito mais fácil ele simplesmente ir até lá e acioná-las ao invés de ficar perdendo seu tempo em uma cidadezinha no meio do nada? E, falando na armadura, em um momento ela resiste ao impacto direto de um míssil, mas logo em seguida se despedaça toda ao bater na quina da mesa.

Os vilões então são simplesmente patéticos. A motivação e os atos deles não fazem qualquer sentido. A começar pelo Mandarim, numa atuação constrangedora do vencedor do Oscar Ben Kingsley, que certamente estava precisando de dinheiro para aceitar tamanha "pagação de mico". E o que dizer então das pessoas expostas a uma experiência genética que são tão poderosas que chegam até a cuspir fogo? Em uma cena elas sobrevivem a uma explosão de 3 mil graus Celsius e em outra são mortas por uma simples rajada de raio no peito. Sem dizer que são capazes de desabilitar completamente a armadura do Homem de Ferro apenas com um toque da mão!

Ben Kingsley: do Oscar ao mico
Existem várias tentativas forçadas de construir sequências engraçadas, mas quase nenhuma delas funciona, principalmente porque já cansou a maneira posada e artificial que Robert Downey Jr. atua no papel principal. Pior ainda é vê-lo tendo aqueles faniquitos histéricos por causa de acontecimentos narrados em "Os Vingadores". 

Dá pena também ver a coitada da Gwyneth Paltrow (outra vencedora do Oscar) dando uma de "mulher-Hulk" no final! A única cena que funciona é a do resgate das pessoas que caíram do avião do presidente dos EUA.

Infestado de efeitos especiais redundantes e acachapantes, a única coisa realmente boa do filme é sua trilha musical composta por Brian Tyler. O mais estranho é que mais essa aberração roliudiana está fazendo grande sucesso entre o público e a crítica. Mais uma prova que o senso crítico das pessoas está cada vez menos desenvolvido...

Cotação: *

sábado, 11 de maio de 2013

Demércio, da APEOSP Jundiaí: “PSDB acabou com a educação pública em São Paulo”


Os professores da rede estadual de ensino estavam em greve desde o dia 19 de abril. As principais reivindicações da categoria são por aumento real de salário e reposição das perdas, melhores condições de trabalho, implantação da jornada do piso, extensão das condições da categoria F para a categoria O (que hoje trabalham com contratos temporários e não tem direito algum), não à privatização do Hospital do Servidor, entre outras.

Os professores não tiveram sucesso em ter suas reivindicações atendidas pelo governador Geraldo Alckimin (PSDB) e tiveram sua manifestação na avenida Paulista reprimida com violência pela PM paulista na sexta-feira (9). Para Demércio de Almeida, Coordenador da Sub-Sede Jundiaí da Apeoesp, isso acontece porque não existe interesse por parte do governo em melhorar as condições do ensino público.

“Os governos do PSDB acabaram com a educação no Estado de São Paulo nesses 20 anos que estão no poder. Antes do PSDB a educação era melhor, não existia esse negócio de Progressão Automática, que gera uma indisciplina terrível nos alunos, eles tinham que estudar, tinham que ralar. Não existia essa violência absurda que temos hoje, inclusive dentro das escolas. O projeto do PSDB é o do Estado mínimo, da privatização, inclusive do ensino. Assim, eles vão acabando com tudo e daí dizem que não tem mais como tocar e que tem que privatizar. É um projeto ideológico”, enfatiza.

Para ele, os grandes meios de comunicação também ajudam nesse processo de destruição da escola pública. “A mídia defende e blinda muito bem os governos do PSDB, afinal eles ganham muito por meios de contratos nos quais esses grandes jornais e revistas são comprados pelo governo e enviados para todas as escolas. Para você ter uma ideia, nossa última manifestação fechou as duas pistas da Avenida Paulista e eles não deram uma única linha!”, indigna-se.

PM do PSDB agride professora indefesa
Segundo Demércio, um professor entra hoje na rede pública estadual ganhando apenas R$ 9,47 por hora e a categoria exige um aumento de no mínimo 36%. No Estado todo são 150 mil filiados à Apeoesp e em Jundiaí 2.700. Existem 70 escolas estaduais na região da sub-sede da Apeoesp de Jundiaí, que engloba também Campo Limpo, Jarinu, Itupeva, Várzea Paulista, Louveira, Morungaba e Cabreúva.

“Hoje faltam professores no Estado, muita gente está desistindo de dar aula e a procura de jovens pela profissão é cada vez menor. Nas escolas particulares existem salas com no máximo 20 alunos. Na rede estadual são 40 alunos por sala em média. As escolas estaduais estão virando depósitos de jovens, mais parecem prisões cheias de grades e portões trancados”, denuncia.

Na avaliação do coordenador da Sub-Sede Jundiaí da Apeoesp a segurança e a educação caminham juntas. “Porque nós trabalhamos diretamente com a população, com a molecada. Se você não valoriza a educação, você empurra o jovem cada vez mais para o caminho da violência, do crime”, conclui.

Demércio admite a greve dos professores tem um alcance limitado, pois gera apenas prejuízo político ao governo. “Quando um metalúrgico faz uma greve, por exemplo, o dono da empresa vai ter prejuízo. Já quando o professor faz greve, o governo tem lucro. Isso, infelizmente, dificulta a nossa luta”, lamenta.

A única maneira de reverter esse quadro, na opinião de Demércio, é colocando no governo um partido político que tenha um projeto diferente do PSDB, que valorize e invista na educação pública de qualidade. E essa luta começa em casa. “Os pais precisam se conscientizar que eles tem lutar por uma melhor educação para seus filhos. Não adianta joga-los na escola e achar que tudo está resolvido. Falta para muitos que votam no PSDB essa consciência política, infelizmente”, lamenta.

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Filmes: "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" (atualizado)


BATMAN FASCISTA

O que mais incomoda é terem usado o Batman para tentar denegrir o "Occupy Wall Street", fazendo de Bane e seus discursos contra o sistema uma metáfora dele

- por André Lux, crítico-spam

“O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é o mais fraco da trilogia do Batman dirigida por Christopher Nolan. O filme tem sérios problemas, a começar pelo vilão principal Bane, que usa uma máscara que lhe cobre a boca e parte do rosto, o que impede o ator Tom Hardy de se expressar adequadamente (ele também é excessivamente  confiante e posado ao ponto de irritar).

A motivação dos vilões também é uma mera repetição da do primeiro filme, ou seja, eles querem destruir Gotham City para honrar o plano do líder da Liga das Sombras Ras Al Ghoul (Liam Neeson, que aparece numa ponta e em flashbacks). O problema é que para isso dar certo eles inventam um daqueles planos mirabolantes que levam um tempão para serem efetivados e precisam de um monte de coincidências e acidentes para darem certo, a lá “Star Wars – A Ameaça Fantasma”. Por exemplo, fazia parte do plano aprisionar TODOS os policiais de Gotham em túneis subterrâneos depois que Bane detonasse várias bombas espalhadas pela cidade. Só que os policiais só estavam naquele instante nos túneis porque um detetive (Joseph Gordon-Levitt) descobriu, por mero acaso, que estavam sendo colocados explosivos nos subterrâneos.

Também não faz o menor sentido Bruce Wayne (Christian Bale, apático como de costume nessa trilogia) ter suas impressões digitais roubadas e não tomar qualquer atitude em relação a isso, deixando os vilões livres para usá-las como bem entendessem. Existem outras coisas que incomodam, como a sequência onde a mulher-gato usa o celular de um bandido procurado e cinco segundos depois toda a força policial da cidade, inclusive a SWAT, chegam ao local onde ela estava (mais uma barra forçada para que o plano dela desse certo). Outra coisa ridícula é a carta que o comissário Gordon escreve contando todos os podres de Harvey Dent e livrando a cara do Batman, carta essa que vai parar convenientemente nas mãos do vilão.

O filme tem também um sério problema com seu segundo ato, quando o Batman é derrotado por Bane e jogado numa prisão que é um buraco no meio do nada. Enquanto isso, Gotham vira uma espécie de cripto-anarquia, onde os bandidos mandam e provocam o caos. Isso deixa o filme arrastado e tolo, porque jamais o vilão ia deixar o Batman vivo só para ele ficar sofrendo de dores nas costas na prisão-buraco. Sobra então para o espectador contar o tempo em que ele vai se recuperar dos machucados e, obviamente, fugir do buraco e milagrosamente voltar a Gotham City em poucas horas (nada mau para quem estava preso no meio do nada em um país distante e sem um tostão no bolso).

As coisas só voltam a esquentar no final, quando a pancadaria toma conta e a gente esquece os furos no roteiro e se concentra nas cenas de ação muito bem encenadas. Mas infelizmente é pouco para salvar o filme, que padece também da total falta de humor, da mão pesada de Nolan na direção e da trilha musical barulhenta e óbvia do abominável Hans Zimmer.

Todavia, o que mais incomoda no filme é terem usado o Batman para tentar denegrir o movimento "Occupy Wall Street", fazendo de Bane e seus discursos contra o sistema uma metáfora dele. Dessa forma, Batman assume um viés francamente fascista ao se aliar às forças policiais para acabar com o movimento criado pelo vilão que começa com um ataque justamente à Bolsa de Valores de Gotham. Ou seja, Hollywood novamente promove uma completa inversão de valores, alinhando o "Occupy Wall Street" aos bandidos que devem ser combatidos pelas "forças do bem".

No final, as portas são deixadas abertas para uma continuação que certamente virá. Agora é esperar para ver o que vão fazer com a franquia.

Cotação: * *

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Maioridade Penal X Responsabilidade Penal

Não acreditem nessa conversa de que a maioridade penal é 15 anos na Noruega, 7 na Inglaterra etc. É mentira. Isso é a responsabilidade penal, a idade a partir do qual a pessoa passa a ser responsável por seus atos (no Brasil, essa idade é de 12 anos). Na tabela em anexo, dados da maioridade penal em vários países. 18 é a tendência mundial. 

Fonte: Clique neste link, página 35. Para quem quiser, os dados da responsabilidade penal, no mesmo estudo, estão na página 30.


quarta-feira, 1 de maio de 2013

Pimenta nos olhos dos outros é refresco?


Esses dois ministros do STF DORMIRAM durante a apresentação da defesa dos réus durante o julgamento do chamado "mensalão". Em qualquer outro país do mundo isso seria motivo de escândalo nacional e ambos teriam que renunciar a seus cargos com o rabo entre as pernas. 

Mas aqui no Brasil, eles viram "heróis" de uma classe média ignara que se informa lendo a capa da Veja e assistindo ao Jornal Nacional no piloto automático entre uma novela e outra. Tudo isso porque os réus eram petistas. 

Será que bateriam palmas também se eles ou filho deles estivesse sendo julgado e o juiz resolvesse tirar um cochilo durante a apresentação da sua defesa? Duvido muito...

sábado, 13 de abril de 2013

Por que nós, socialistas, temos que ser contra a redução da maioridade penal?


O centro do debate não é a redução da idade para a responsabilidade. Essa é a fumaça que a burguesia joga para esconder o debate real. Infelizmente, hoje os trabalhadores são vítimas da indústria do consenso que a burguesia tem criado se aproveitando do baixo nível de consciência de classe, que não se entende como classe em si e, portanto, que adere à cultura burguesa retribuitiva, cujo objetivo é manter o controle sobre os filhos dos trabalhadores.
- Por Givanildo Manoel
“Ivan Karamazov diz que, acima de tudo o mais, a morte de uma criança lhe dá ganas de devolver ao universo o seu bilhete de entrada. Mas ele não o faz. Ele continua a lutar e a amar; ele continua a continuar.”
Marshall Berman
Em 1993, apenas três anos após a aprovação do ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) -, foi apresentada uma PEC (Proposta de Emenda Constitucional) com o sugestivo número 171, que propunha a redução da idade para responsabilidade penal. Depois dessa, em quase todos os anos (1995,96,97,99,2000,01,02,03,04,05,07,08,09,11,12) foram apresentados  PECs e PLs (Projetos de Lei) com igual ou pior teor. Foram aproximadamente 30 propostas em 23 anos de ECA.
Infelizmente, os sucessivos debates em torno da redução da idade para a responsabilidade penal nunca apontaram no sentido de aprimorar a lei, mas no sentido de desqualificá-la.  Cabe, então, questionar por que um estatuto da importância do ECA já sofria tantos ataques 3 anos após a sua aprovação, pois esse questionamento é fundamental para que a esquerda combativa possa fazer a defesa dos princípios do ECA. E para isso precisamos compreender que princípios são esses.
Até a aprovação do ECA, a infanto-adolescência filha da classe trabalhadora era tratada como caso de polícia ou de justiça. Havia uma diferenciação clara do modo como a Justiça tratava os filhos e filhas da burguesia e os filhos da classe trabalhadora.
Os filhos da burguesia, já conceitualmente, eram reconhecidos como crianças e adolescentes e em qualquer problema legal que tivessem eram atendidos pela Vara da Família. Já os filhos da classe trabalhadora eram controlados pelo Juizado de Menores, que pela sua respectiva concepção de quem eram os seus atendidos, convencionou chamar os filhos dos trabalhadores de “di menor”, categorizando a infância e adolescência em duas: os filhos da burguesia e os filhos dos trabalhadores.
Estes últimos, além de perseguidos, não eram alcançados pelas políticas públicas, que era exclusividade dos filhos da burguesia. Os filhos dos trabalhadores eram compulsoriamente criminalizados, institucionalizados e tinham os seus passos controlados permanentemente pela polícia e os auxiliares dos Juízes de Menores, os famosos Comissários de Menores, que controlavam a vida dos petizes “desajustados” do sistema.
Com a aprovação do ECA foi rompida essa categorização de infâncias e passou-se a tratar universalmente crianças até 12 anos de idade e adolescente até 18 anos incompletos.
É importante que prestemos atenção que os poucos direitos dos filhos da classe trabalhadora foram conquistados com muita luta e lentamente. Um deles, por exemplo, foi em relação a proteção contra a exploração no trabalho, o processo de “industrialização” no Brasil, que se deu principalmente pelo setor têxtil, a mão de obra usualmente utilizada era a das crianças e adolescentes, que comumente começavam a trabalhar entre os 8 e 10 anos e encaravam uma carga horária de 14 a 18 horas por dia. Essa foi uma pauta de reivindicação das greves de 1916 a 1921 e, mesmo assim, nunca foram cumpridas.
Para exemplificar com um caso muito debatido hoje, a PEC do trabalho doméstico, em 2011, constatou-se que existiam 250 mil crianças e adolescentes exploradas pelo trabalho doméstico (dados do IBGE). Aqui não façamos confusão: atividades domésticas com exploração de trabalho doméstico, confusão que a direita adora criar para desqualificar a denuncia dessa exploração. E sabemos que 95% são meninas e cerca de 75% delas são negras. E esse é somente um pequeno recorte da real situação.
Se esse direito de não ter a força de trabalho explorada, que foi uma conquista da classe no começo do século passado, não é respeitado, é de se imaginar que os outros, que só recentemente foram assegurados pelo ECA, em um momento de retrocesso conservador e que tem sido atacados duramente, dificilmente serão efetivados.
Uma questão para refletirmos é que normalmente temos o discurso de que a categoria infância e adolescência é uma categoria burguesa, talhada pela burguesia para inserir esse segmento no mercado consumidor. Essa premissa pode até ser correta, mas por outro lado não se pode esquecer que os direitos da infância estão associados diretamente às conquistas dos direitos das mulheres, já que a conquista dos seus direitos impunha uma nova conjuntura, que colocava em sua agenda políticas publicas como saúde, educação, creche, entre outras, pressionando para que essas tivessem tratamentos adequados, uma vez que o privado passou a ser público, impondo a necessidade de um olhar público e coletivo, diferente do que havia até então.
Esse talvez tenha sido o momento mais importante do reconhecimento da criança e adolescentes, visto que precisavam ser reconhecidos por suas especificidades e ao mesmo tempo respeitados por seu momento de vida.
Os direitos sociais que incluem a infância, em sua maioria, são conquistas recentes, principalmente no período da Constituição e pouco depois, um elemento importante, advinda do reconhecimento da fragilidade no cuidado com as meninas e meninos, uma vitória marcante foi considerá-los prioridade absoluta em todo o processo de organização e estruturação da sociedade.
Claro que nessa decisão havia uma lógica reformista, mas mesmo dentro dessa lógica reformista os principais beneficiários pela universalização da política pública foram os filhos da classe trabalhadora, que passaram a ter acesso aos serviços públicos.
Também é importante compreender que os ataques aos direitos conquistados vieram dentro do bojo da resistência à garantia de serviços públicos para o povo, portanto o ECA e os direitos dos meninos e meninas estavam na contramão daquele momento histórico que apresentava diversas contradições em relação à lei, já que o presidente (Fernando Collor) que sancionou o estatuto era o principal arauto do Estado mínimo e o responsável pela introdução do neoliberalismo no Brasil. Logo, o ECA foi aprovado pelas mãos erradas e se poderia dizer, pelos motivos errados, já que era a única iniciativa voltada a infância e adolescência durante o seu governo e, vale lembrar, nem sua foi, ao contrario, sofria resistência da sua parte, pois havia sido construída pelos movimentos que atuavam com a pauta da defesa dos direitos humanos das crianças e adolescentes.
Collor tomou a iniciativa de sancionar a lei que estava engavetada devido à proximidade da realização da Cúpula Mundial para a Infância (1990), na qual o Brasil iria sofrer duras criticas que fragilizariam ainda mais a sua débil condição interna. Sua decisão, portanto, não foi por convicção, mas sim pela pressão que sofria naquele momento.
Desse modo, o centro do debate não é a redução da idade para a responsabilidade. Essa é a fumaça que a burguesia joga para esconder o debate real, e que, infelizmente, encontra um enorme espaço na sociedade. Infelizmente, hoje os trabalhadores são vítimas da indústria do consenso que a burguesia tem criado se aproveitando do baixo nível de consciência de classe, que não se entende como classe em si e, portanto, que adere à cultura burguesa retribuitiva, cujo objetivo é manter o controle sobre os filhos dos trabalhadores.
Um dos exemplos mais visíveis é um dos crimes mais bárbaros e chocantes que aconteceu no último período: o assassinato do índio Galdino, o líder Pataxó Galdino Jesus dos Santos, como era conhecido, queimado cruelmente enquanto dormia. Passados exatos 16 anos, se fizermos uma pesquisa despretensiosa, veremos que os envolvidos (alguns adolescentes) estão bem, empregados e paira um silêncio sepulcral da mídia. Por que isso? Porque esses jovens eram filhos da burguesia brasiliense.
A justificativa dos juízes sempre são mais adequadas à sua origem social, que os adolescentes burgueses têm famílias estruturadas e os da classe trabalhadora não!
Voltemos, então, para o cerne do debate: a primeira é sobre a farsa do aumento da violência, o total dos crimes graves cometidos pelos adolescentes, nunca chegaram a traço se comparados aos adultos, mas, se assim o é, porque existe toda uma mídia em torno de atos praticados por adolescentes. Desde a década de 90, o jornalista José Arbex, professor da PUC São Paulo, tem denunciado que existe um complô nas redações contra os adolescentes, que indica que qualquer ato que envolva adolescente a pauta tem que aumentar. No jargão do jornalismo, aumentar a pauta é dar mais destaque para essas situações, logo, esse destaque aumenta a sensação de insegurança que é provocada pelos adolescentes.
Segundo ponto importante: o ECA nunca foi implantado no Brasil, legislação que, efetivada, garantiria políticas preventivas que respondessem às necessidades da infanto-adolescência. Ao contrário, a lei, além de não ser implantada, foi sendo mudada para pior, não cumprindo o seu papel. As vítimas reais foram crianças e adolescentes. Por exemplo, o Brasil é o 4º pais do mundo quando o assunto é violência contra as crianças e adolescentes. Entre 1980 e 2010, aumentou em 346% o número de mortes de crianças e adolescentes, segundo o Mapa da Violência 2012.
Terceiro: a farsa da redução da idade para que um adolescente possa ser criminalizado, segundo DEPEN (Departamento Penitenciário Nacional) em 2011, 56% dos encarcerados estavam na faixa de 18 a 29 anos, na prática a redução já está em vigor – e nem precisamos aqui debater qual a classe social e a etnia dessa população carcerária. O Brasil é hoje o 4º país que mais encarcera no mundo. São mais de meio milhão de encarcerados.
O que deseja essa redução? Por que isso não é claramente debatido?
Constatado quem são as vítimas desse processo violento de criminalização de todas as ordens, é necessário discutir aquilo que ninguém discute: qual intencionalidade por trás desse debate?
Por que é importante não efetivar o ECA ou o que ainda resta dele? Por que é importante encarcerar os filhos dos trabalhadores, cada vez mais cedo? Por que as centenas e milhares de mortes dos filhos da classe trabalhadora não provocam tanta comoção para pedir a prisão dos governantes por não garantir as condições de dignidade de vida prevista no ECA?
O Estado burguês nunca assumiu o compromisso com os filhos do povo e sim com os da burguesia. Desse modo, a universalização da política não foi uma convicção e sim uma concessão em momento de ascenso da classe trabalhadora, ou seja, esse não é um projeto da burguesia brasileira e combatê-lo parece-lhe natural. Aqui diria que se a burguesia tivesse uma insígnia, essa seria a de “nenhum direito a mais!”.
Se não pensarmos esse processo de encarceramento dentro da lógica do capital, sua necessidade de exploração e reprodução, também não entenderemos por quê se encarcera em massa. O encarceramento em massa se insere dentro dessa lógica, pois ao ter um enorme contingente de encarcerados é possível explorar a sua mão de obra da forma mais precarizada possível, instituindo assim, um Estado penal como o dos EUA. Por isso, encarcerar jovens é um objetivo, já que se trata do período da vida mais produtivo do indivíduo. Isso sem contar com a não responsabilidade de cumprir os demais direitos sociais do trabalhador (saúde, educação, moradia, etc).
Hoje, nas grandes e médias cidades do Brasil, as periferias estão sitiadas. A imprensa burguesa não faz nenhuma questão de esconder: apresenta em horário nobre a população periférica, em especial a juventude, sendo achacada e morta pelo aparato de segurança pública do Estado. É visível que se trata de uma propaganda da lógica do encarceramento em massa, visto que a imprensa não pauta a necessidade de resolver os problemas relacionados à forma de coerção, contenção e morte da juventude trabalhadora e nem promove minimamente debates com tamanha proporção que a morte de um filho da pequena burguesia provoca.
Esses são alguns dos argumentos que tem que fortalecer nossa convicção socialista de que a redução da idade (que na prática já ocorre) não resolverá os problemas de segurança pública pelos quais passamos, já que qualquer política de segurança exitosa reforçaria as políticas sociais e não recrudesceria a relação com a juventude. Entretanto, como as políticas sociais alcançariam os filhos do povo, essas não são reforçadas e passamos por um processo de desmonte desastroso.
Outro aspecto importante é que esse debate tem sido colocado com muita intensidade pelo PSDB e em especial (não eximindo a responsabilidade do governo federal petista) pelo governador Geraldo Alckmin, não sem sentido, já que o estado de São Paulo é o maior violador dos direitos humanos das crianças e dos adolescentes e o principal ideólogo dessa política de segurança que massifica e recrudesce a relação com a juventude. Não nos esqueçamos de que há 6 meses, na posse de quase 200 delegados de polícia, Alckmin afirmou em discurso que o principal objetivo daqueles recém-empossados deveria ser o recrudescimento contra a juventude. Não esqueçamos, ainda, que Geraldo Alckmin foi o introdutor da política de tolerância zero, que levou à explosão do sistema penitenciário e possibilitou a criação de diversos grupos criminosos, inclusive no próprio aparato de segurança do Estado.
A reflexão que temos que fazer é porquê não se respeita o mínimo que está previsto na lei, nem mesmo o mínimo de políticas básicas (saúde, educação, assistência, moradia, cultura, esporte e lazer) e se introduz tão terrível mudança na vida dos meninos e meninas filhos dos trabalhadores e trabalhadoras?
Não vou discutir as mudanças que foram introduzidas na lei (ECA), pois precisaria de espaço igual ou maior que esse para essas reflexões, que foram ruins, que rebaixaram a interpretação e a sua força inicial, mas reduzir a idade seria a autorização para agravar ainda mais a já agravada e incerta vida dessa juventude.
Nenhum socialista pode ter dúvida de que lado deverá estar nesse debate, porque somos depositários desse legado humanista que a classe tem se confrontado para defender, e sonha que um dia venha a ser o projeto vencedor. Esse projeto, que inclui um olhar diferenciado sobre os meninos e meninas, criará todas as condições para que ela possa ser atendida, cuidada e olhada em todas as suas necessidades, e a entenderemos  naquilo que ela é e não o que não é. Essa sociedade não permitirá que nós, os adultos, nos confrontemos com a infanto-adolescência ou muito menos nos omitamos das nossas responsabilidades para com os nossos filhos e filhas, que serão os herdeiros e perpetuadores desse legado de liberdade, igualdade e generosidade.
Nós não podemos ter dúvida de colocar em todas as lutas em que estamos inseridos, principalmente nas lutas por direitos sociais, a luta Contra a Redução da Idade Penal dos filhos da Classe Trabalhadora. Não podemos esperar que a burguesia assuma esse papel. Essa tarefa nos pertence, na medida em que serão nossos filhos e filhas que pagarão o preço das consequências do que tem sido provocado pelo capitalismo.
Nós, Socialistas, gritamos! Não à Redução da Idade para a Responsabilidade Penal! Sim à saúde, moradia, educação, cultura, lazer e assistência social!
Givanildo Manoel, “Giva”, é militante do Tribunal Popular e do Setorial de Direitos Humanos do PSOL

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Pessoas de esquerda são mais inteligentes que as de direita, afirma estudo

Um polêmico estudo canadense que inclui dados coletados por mais de 50 anos, diz que as pessoas com opiniões políticas de direita, tendem a ser menos inteligentes do que as de esquerda. Ao mesmo tempo, adverte que as crianças de menor inteligência tendem a desenvolver pensamentos racistas e homofóbicas na idade adulta.
A pesquisa foi realizada por acadêmicos da Universidade Brock, em Ontário, e coletou a informação em mais de 15 mil pessoas, comparando o seu nível de inteligência encontrado na infância com os seus pensamentos políticos como adultos.
Os dados analisados são dois estudos no Reino Unido em 1958 e 1970. Eles mediram a inteligência das crianças com idade entre 10 e 11 anos. Em seguida, são monitorados para descobrir suas posições políticas após 33 anos de idade.
“As habilidades cognitivas são fundamentais na formação de impressões de outras pessoas e ter a mente aberta. Indivíduos com menores capacidades cognitivas gravitar em torno de ideologias conservadoras que mantêm as coisas como elas são, porque isso as fornece um senso de ordem”, dizem no estudo publicado no Journal of Psychological Science.
Segundo as conclusões da equipe, as pessoas com menor nível de inteligência gravitam em torno de pensamentos de direita, porque esse os faz sentir mais seguros no poder, o que pode se relaciona com o seu nível educacional, inclui o jornal britânico.
Mas esta não é a única conclusão a que chegou o estudo. Analisados dados de um estudo de 1986 nos Estados Unidos sobre o preconceito contra os homossexuais, descobriu-se que pessoas com baixa inteligência detectado na infância tendem a desenvolver pensamentos ligados ao racismo e homofobia.
“As ideologias conservadoras representam um elo crítico através do qual a inteligência na infância pode prever o racismo na fase adulta. Em termos psicológicos, a relação entre inteligência e preconceitos podem ser derivadas de qual a probabilidade de indivíduos com baixas habilidades cognitivas apoiarem com ideologias de direita, conservadoras, porque eles oferecem uma sensação de estabilidade e ordem “, acrescentou.
“No entanto, é claro que nem todas as pessoas pessoas prejudicadas são conservadoras”, disse a equipe de pesquisa.
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Quem quiser conferir a entrevista na revista Psychology Today pode acessar o link (em inglês).

Daniela da Camara: “Jundiaí era planejada com base em interesses particulares”

A secretária de Planejamento e
Meio Ambiente Daniela da Camara
A arquiteta e urbanista Daniela da Camara Sutti assumiu a pasta de Planejamento e Meio Ambiente do governo Pedro Bigardi há três meses, mas já tem uma ideia do que precisa ser feito para melhorar a situação da cidade que, segundo ela, se deteriorou nos últimos anos devido à forte especulação imobiliária. “Hoje existe uma postura da secretaria pontuando para todos os empreendedores que o olhar da cidade é o olhar da qualidade urbana. Isso está em primeiro lugar. Esse é o diálogo que queremos ter para que esses empreendimentos possam acontecer na cidade”, afirma.

Uma forte fonte de crítica às gestões do PSDB, segundo Daniela, foi confirmada: Jundiaí era pensada para poucos. “Fiquei muito triste em ver a cidade era planejada com base em interesses particulares”, lamenta. Como prova disso ela afirma que vários empreendimentos foram aprovados pela anterior gestão pouco antes deles deixarem seus cargos. “E aí eu posso dizer pra você a data: dia 28 de dezembro”, revela.

Para Daniela Jundiaí cresceu, mas esse crescimento não foi acompanhado por uma melhora na qualidade de vida dos cidadãos. Uma das consequências mais visíveis disso é o trânsito caótico, situação que só será amenizada a partir de um novo projeto de cidade. “A gente está falando de transporte público, de carro, de ciclovia e de ferrovia. A partir do momento que começarmos a executar todas essas questões interligadas e com um eixo estruturador da cidade com todos esses modais, a gente começa a constituir a cidade de uma forma equilibrada”, explica.

Mas, segundo a secretária de Planejamento e Meio Ambiente, a participação popular é decisiva para que esse novo olhar seja bem sucedido. “A cidade é viva e a gente tem que trabalhar com muita sensibilidade cada questão, cada área, mas as pessoas tem que se apropriar disso e participar desse processo, pois elas são os atores principais”, afirma.

Qual era a situação da secretaria de Planejamento quando você a assumiu?

Daniela: A secretaria de Planejamento é bem estruturada. Nós temos 40 profissionais concursados, ela tem toda uma estrutura de planejamento urbano e meio ambiente para atender a demanda da cidade. Porém, há uma deficiência muito grande. A gente tem identificado isso nesses três meses que estamos aqui. Nos trâmites e nos processos internos da secretaria. Então a gente está buscando fazer alguns ajustes de estrutura de secretaria para que as coisas funcionem melhor, para que a gente possa dar uma resposta mais rápida para os munícipes, possa atender as demandas com maior agilidade e com maior controle das informações e também com uma maior transparência. Estamos implementando um processo de transparência nas ações da secretaria.

A oposição aos governos do PSDB, que hoje está no poder, sempre criticou aquelas administrações por supostamente não ter planejamento ou, pior, por planejar apenas para beneficiar um pequeno grupo de especuladores imobiliários. Essa crítica condiz com a realidade que você encontrou?

Daniela: Infeliz verdade. É muito triste ver uma cidade era planejada com base em interesses particulares. Hoje a gente está fazendo um trabalho na secretaria - nós estamos aqui há 3 meses, mas parece que estamos aqui há mais de um ano - em que a gente está tentando reverter esse processo, buscando requalificar áreas que estavam aí disponíveis, por exemplo, a zona rural. Se a gente caminhar pela zona rural hoje percebe a falta de incentivo na sua valorização. Quando na verdade hoje cidades como Nova Iorque, por exemplo, que tem uma área urbanizada gigantesca busca manter seu cinturão verde. E aí Jundiaí acabava indo na contramão.

É um trabalho de formiguinha nesse começo, a gente só vai conseguir sentir resultados na cidade daqui a um ano, um ano e meio, até porque muitos empreendimentos foram aprovados no final de dezembro. E aí eu posso dizer pra você: dia 28 de dezembro, vou te dar a data. E infelizmente nesse sentido a gente não consegue mais voltar atrás. Mas hoje existe uma postura da secretaria de Planejamento e Meio Ambiente pontuando para todos os empreendedores que o olhar da cidade é o olhar da qualidade urbana. Isso está em primeiro lugar. Quem quiser trabalhar nesse sentido, é muito bem-vindo a Jundiaí. Quem quiser trabalhar no sentido de explorar a cidade de uma forma negativa, a cidade não tem interesse nenhum que essas pessoas permaneçam.

Então o olhar da secretaria é pela qualidade urbana, pela qualidade dos espaços públicos, pela qualidade dos equipamentos públicos, das praças, dos jardins. Quantos empreendimentos a gente vê pela cidade, não vou citar nomes, mas eu olho para aquilo todo dia e me dá nervoso [aponta para as sete torres do condomínio Practice Clube House, na rua do Retiro, visível da janela da sua sala], que não houve uma doação de área, uma preocupação com a parte do transporte, do impacto do trânsito. Isso nós estamos falando do impacto na cidade, mas até mesmo se o empreendedor pensasse do ponto de vista do próprio umbigo ele estaria pensando também na valorização do seu empreendimento. Então é esse diálogo que a secretaria quer ter com os empreendedores, de qualidade, no sentido de que esses empreendimentos possam acontecer na cidade, mas que eles prezem pela qualidade urbana e pela qualidade do desenho urbano na cidade.

Nunca se falou tanto na Lei de Estudo de Impacto de Vizinhança como no último governo municipal, principalmente devido aos inúmeros empreendimentos que surgiram na cidade. A secretaria vai dar atenção a essa questão?

Daniela: Nesse sentido nós estamos usando o EIV fortemente. No sentido das contrapartidas para o município, contrapartidas de equipamentos públicos, creches, postos de saúde... Quando você leva um empreendimento para um local que é carente de algum desses itens que eu falei, o município deve exigir que esse empreendedor colabore nesse sentido. E essa é uma política da secretaria desde o dia primeiro de janeiro e temos trabalhado intensamente nesse sentido.

Na verdade todo esse planejamento feito em favor somente da especulação imobiliária impacta na ausência de qualidade, no trânsito, de você poder utilizar uma praça, de você poder ter boas escolas, boas creches, a qualidade de vida, as ruas arborizadas, uma paisagem urbana agradável. As pessoas tem consciência, os munícipes tem consciência de que a cidade não melhorou. Ela cresceu, ninguém pode negar isso, mas até que ponto esse crescimento foi acompanhado da qualidade? Até que ponto as estruturas e a infraestrutura acompanharam esse crescimento da cidade?

Não adianta culpar só o carro. O carro existe, está aí, existem facilidades para se ter carro, no seu pagamento, a produção é em larga escala sim, a gente não consegue fazer rua na velocidade que o carro sai da concessionária sim, isso é uma realidade. Mas a gente não pode botar a culpa nisso e falar: “Então não tem jeito!”. Não, a gente tem que apostar em alternativas. É por isso que o prefeito foi a Bogotá, porque na verdade o projeto elaborado para o BRT pela administração passada possui algumas falhas e não contempla a cidade como um todo. Então a cidade conseguiu essa verba através desse projeto, porém o prefeito está indo conhecer o sistema que é referência em Bogotá para que a gente possa aprimorar esse projeto, qualificar esse projeto para que ele possa atingir mais áreas da cidade.

Você não pode pensar no carro como único meio de transporte do cidadão, porque aí você não vai fazer via mesmo, não vai atender mesmo. Você tem que pensar na intermodalidade do transporte, então é o transporte público de qualidade. Tem gente que sai de casa de carro, mas se o ônibus parasse na porta do trabalho não precisava ir de carro e deixar ele parado no estacionamento o dia inteiro, ele paga o estacionamento. Ele usaria esse ônibus, desde que ele tenha qualidade para que as pessoas possam se utilizar dele como substituto do carro. Então é nesse sentido que a gente está trabalhando, com um olhar mais moderno, mais dinâmico, da cidade contemporânea e das grandes cidades que estão a nossa volta.

Qual a situação dos parques que estavam em obras na cidade? É verdade que muitos deles estavam sendo executados sem projeto?

Daniela: Sim. Existiam estudos muito simplificados que não tinham condição de execução. Não havia estudo planialtimétrico, que é um estudo dos níveis, porque alguns desses parques possuem desníveis consideráveis. Então você implementar projetos a partir de um estudo simplificado numa área que tem uma declividade grande, você tem uma porcentagem de erro enorme e aí quem paga é o munícipe. Porque aí você tem que fazer e desfazer, fazer e desfazer, fazer e corrigir. Como a gente viu muito aqui na cidade. A [avenida] Nove de Julho foi corrigida diversas vezes. As pessoas acompanharam esse processo, elas viram.

Para executar projeto, você tem que ter primeiro um projeto discutido pela população, aprovado pela população, para depois ser aprovado o projeto executivo que seja executado. Existem etapas. Como essas obras começaram e havia uma política da secretaria de Serviços Públicos de executar um estudo simplificado de execução no local, então não havia cota, nada, ele olhava e passava o trator e mais ou menos media e passava o trator. Era uma obra executada no local. A chance de erro é muito grande. Então nesse sentido nós estamos analisando as praças e os parques que foram começados, que havia só esse estudo simplificado, estamos chamando os moradores, melhorando esse estudo simplificado do ponto de vista da qualidade, para elaborar esse projeto executivo a ser implementado.

Os funcionários administrativos do centro esportivo do Santa Gertrudes não tem escritório para trabalhar e, há cinco anos, improvisaram um dentro dos vestiários. Além disso, onde deveria ser o parque de diversões das crianças existe um monte de entulho e material de construção. O que está sendo feito para sanar essa situação?

Daniela: Olha, existe uma demanda muito grande desses projetos nesse primeiro momento. Vale lembrar que estamos aqui há apenas três meses. Na secretaria de Planejamento não existia um corpo de projeto, esses projetos eram contratados fora da secretaria, pagos para escritórios fora da secretaria. E hoje nós estamos retomando esse corpo de projetos dentro da secretaria para qualificar os projetos da cidade. Porém, a demanda hoje é muito grande, vamos dizer assim, é uma demanda represada muito grande. Nesse primeiro momento a gente não está conseguindo atender rapidamente. A gente está trabalhando rapidamente, intensamente, porém a gente tem uma defasagem de corpo técnico para dar essa vazão rápida de respostas nesses projetos. Estamos tentando fazer milagres e colocando na ordem de trabalho para apresentar para as pessoas. Mas essa é uma situação bem triste, não só essa como muitas outras que a gente tem identificado.

Como a secretaria de Planejamento se relacionava com as outras secretarias antes? E agora, como é esse relacionamento?

Daniela: Não havia muita relação entre uma secretaria e outra. Elas funcionavam como mini prefeituras. Tanto que existiam alguns trâmites de processo que não eram conhecidos pelas outras secretarias e aí existiam muitos problemas nesse sentido. Problemas como o de obras sendo concluídas quando o EIV ainda estava pendente na secretaria de Planejamento. Mas hoje, a partir de primeiro de janeiro, existe uma integração entre todas as secretarias, um trabalho em conjunto dos secretários, dos diretores, um entrosamento muito grande, porque a gente entende que está aqui para produzir um resultado rápido, eficiente e de qualidade que atenda ao munícipe. Então é nesse sentido que todo mundo está trabalhando, unidos numa força tarefa para atender essas demandas reprimidas, essas questões inacabadas que ficaram aí por resolver e muitas das vezes sem qualidade... Enfim, estamos tentando dar uma vazão eficiente a tudo isso.

Existe algum projeto para o alargamento da avenida Benedicto Castilho de Andrade, no Eloy Chaves? Os tucanos falavam muito que iam fazer isso.

Daniela: Eu não tenho essa informação. O que existe aqui na secretaria são diretrizes. Boas e ruins. Boas, de alargamento de vias para melhor fluidez do trânsito, como ruins, de continuidade daquela ideia que a marginal tem que ser do lado rio, que a gente sabe que isso é um procedimento ultrapassado da década de 60. Hoje a gente tem que pensar de uma forma muito mais ambiental, muito mais intermodal, priorizando os espaços urbanos do que só as avenidas. Então a gente está revendo todo esse processo... É lógico que o que for bom e estiver em andamento, enfim, tiver um processo histórico não vai ser mexido, mas nós estamos fazendo um pente fino em todas as questões da cidade.

Porque quando você, por exemplo, asfalta uma via na zona rural você induz à urbanização. Então essas consequências das vias ela deve ser estudada dentro de um planejamento de cidade. Jundiaí não tem projeto viário. Jundiaí não tem projeto viário! Tem trechos de diretrizes, não existe um projeto macro, que tem que ser pensado até regionalmente. Então nesse sentido a gente está fazendo um pente fino no que está acontecendo, no que está proposto. A gente não está dizendo que não vai realizar, mas é nossa obrigação, primeiro, analisar e projetar. Está tudo em fase de estudo.

O TREM-BALA poderá ter uma estação em Jundiaí. Mas o projeto básico a coloca lá na junção da Anhanguera com Bandeirantes, onde não mora ninguém. Por que Jundiaí não propõe essa estação do lado do Aeroporto? Não seria a melhor opção, inclusive seria um entroncamento com o modal do aeroporto, com as linhas de transporte público existentes e quem sabe com um VLT?

Daniela: Primeiro, a gente está falando de transporte público, de carro, de ciclovia e de ferrovia. Então, Jundiaí tem potencial para tudo isso. A partir do momento que a gente começar a trabalhar todas essas questões da cidade interligadas e de forma que tenha um conceito e um eixo estruturador da cidade com todos esses modais, a gente começa a trabalhar a cidade de uma forma equilibrada. Então eu não posso afirmar que essa localização é boa ou ruim. Mas eu acredito que dentro desse contexto de qualidade da cidade, de qualificação da cidade, desse estudo das regiões da cidade e do seu crescimento, a gente possa sim estudar melhor essa estação. Não só do trem-bala, como da ferrovia, da estação ferroviária, tudo isso tem que ser levado em consideração. Nós temos alguns estudos já de um projeto estruturador, não posso falar qual é ainda, mas que ele é um ponto de acupuntura mesmo para a cidade e com relação a toda a sua parte central. De revitalização da cidade, de mobilidade, de conexão com cultura, de questões positivas para o crescimento e evolução qualificados da nossa cidade.

Os direitos da pessoa com deficiência ou com mobilidade reduzida devem ser assegurados em qualquer condição e situação, sempre. Mas as barreiras arquitetônicas ainda dificultam muito a locomoção dessa parcela da população. Como a secretaria de Planejamento pretende lidar com essa situação?

Daniela: A inclusão faz parte da nossa vida, ela tem que estar no nosso DNA. Então, todos os projetos, principalmente esses de praças e parques que estamos retomando, eu falei até do ponto de vista da qualidade, mas não só do projeto, como das pessoas que vão usar esse espaço. Então, são projetos totalmente acessíveis, com pisos fáceis, com o cuidado da sinalização do pedestre, pois a gente está falando também de pessoas atravessando as ruas. Nesse sentido a gente não tem hoje essa qualidade na cidade, então isso está sendo trabalhado fortemente, não só do ponto vista de acessibilidade e localização, mas também do ponto de vista de equipamentos inclusivos somados a outros equipamentos, para que a gente promova essa inclusão de forma natural, como deve ser. Inclusive com brinquedos para crianças com necessidades especiais... É muito bacana.

E isso não existia na cidade?

Daniela: É, a gente pode olhar que não, né? Na cidade a gente não tem nenhum exemplo... Não era uma prática, vamos dizer assim. Isso está no zero. Trabalhar os projetos com essa questão é pensar o projeto com qualidade, não dá para separar uma coisa da outra.

Como está o processo de revisão da Lei Complementar nº 417/2004, que dispõe sobre o Território de Gestão da Serra do Japi?

Daniela: Nós já começamos algumas movimentações no sentido de começar a trabalhar na 417, mas a lei que foi proposta pela gestão passada não era uma revisão, ela era uma nova lei. Passava de 22 artigos para sessenta e poucos, se não me engano. Então nós não vamos continuar com essa revisão proposta. Vamos pegar a 417 original e vamos analisar e ajustar nas brechas existentes, porque existem brechas. Mas aí nós vamos trabalhar junto com os Conselhos, junto com o CONDEMA, junto com o Conselho Gestor, junto com a população, no sentido de estar elaborando essa revisão, ajustando esses pontos que a gente considera frágeis e colocando essa lei em função de uma forma muito participativa. Essa é a ideia. A nossa Serra está aí para que todos nós possamos cuidar dela, então nada mais justo do que a população participar desse processo.

A atual administração iniciou discussões sobre a revitalização do Centro da cidade, com o prefeito Pedro Bigardi chegando a aventar inclusive a possibilidade de cobertura do calçadão da Barão. Como está esse processo?

Daniela: Sobre a revitalização do Centro a gente não pode falar só do ponto de vista arquitetônico. Ele é fundamental, mas a gente tem que ter também incentivos no Centro. Ele tem que atrair as pessoas, principalmente à noite. Então existe um começo de um trabalho de revitalização do Centro da cidade para que a gente possa incrementar o Centro e ele possa ser uma opção de lazer para o cidadão à noite. A gente não vai para a Vila Madalena, em São Paulo, e outros bairros? Não estou dizendo só do ponto de vista boêmio, não, mas do ponto de vista da vida noturna, da vida noturna de lazer e cultural também, para que isso possa estar interligado. Então existem estudos nesse sentido, mas é bastante recente ainda.

Ao longo dos anos, o Plano Diretor de Jundiaí transformou-se numa verdadeira colcha de retalhos. Durante a campanha falou-se em uma nova revisão. Como isso se dará?

Daniela: A ideia é fazer um Plano Diretor novo, do zero. O nosso Plano Diretor, até por ter três revisões nos últimos três anos – revisões pontuais no zoneamento, alguns ajustes pontuais... Então como a gente está pensando a cidade de Jundiaí sob a ótica da qualidade, de respeito às áreas verdes, de respeito aos recursos naturais, da fomentação sim das indústrias, mas da qualidade de vida urbana que nada tem a ver com esse choque de usos, a gente possa pensar numa cidade equilibrada, agradável de morar, que possa acontecer, crescer e evoluir não da forma como isso vinha acontecendo. Mas a gente entende que é necessário esse olhar sobre o Plano Diretor do ponto de vista da qualidade mesmo, da delimitação clara das áreas. Mas acredito que isso deva acontecer a partir do ano que vem. No primeiro ano acho difícil. Apesar de que nós temos verificado muitas questões relacionadas ao Plano Diretor, ao zoneamento. É o que você falou, ele é uma colcha de retalhos. Ele foi sendo mudado seguindo... interesses pontuais. Então, não pode ser legítimo. Não é legítimo! Então a gente tem que entender desse ponto de vista da qualidade de vida, tem que ser um novo Plano Diretor, não dá pra corrigir.

O Plano não foi pensado no bem estar da população?

Daniela: É triste, mas não foi. Porque se você pegar, a cidade não tem áreas de expansão de habitação, de moradia que não é de interesse social... Se bem que as de interesse social também são um caso sério, porque na verdade não havia uma conversa efetiva entre a FUMAS e a secretaria de Planejamento. Então as áreas de interesse social ficavam sempre longe, lá longe. E aí você não tem transporte, não tem infraestrutura, na verdade você marginaliza ainda mais essas pessoas que já estão em condições difíceis e aí as coloca longe do ônibus, de estrutura de posto de saúde, de escola e tudo mais, como se elas não fossem pertencentes a tudo isso. Na verdade a gente está trabalhando da forma contrária. A gente não quer produzir teto, a gente quer produzir cidade. No caso da habitação de interesse social, particularmente falando, a gente quer inserir o cidadão nesse processo de cidade. Então é um contexto muito mais profundo. A secretaria de Planejamento tem trabalhado com a FUMAS de forma muito entrosada. E a gente tem conseguido, juntamente com o Rodrigo [Mendes Pereira] que é superintendente da FUMAS, uma mudança de olhar e de qualidade dessas áreas de interesse social muito bacana para a cidade. Isso também está tudo em estudo, né? É um trabalho de três meses na verdade, mas esse olhar já mudou.

Falando de habitação de modo geral, a cidade não tem uma área de expansão e o que acontece é que a cidade vai crescendo para as zonas de conservação ambiental. E aí ela vai invadindo as bacias... Tem que ter uma política de bacia, de respeito hídrico, muito bem consolidada. Então a gente tem que rever mesmo toda essa parte, não tem jeito. Está vendo aqueles quadradinhos [aponta para o mapa da cidade]? Aquilo tudo é loteamento, numa zona de conservação hídrica, numa zona de conservação de manancial. Estamos falando de água, exclusivamente. Da qualidade dessa água. E da quantidade dessa água e da capacidade de manter esse lençol. É disso que a gente está falando. Porque se a gente começa a impermeabilizar essas áreas por não ter uma área de expansão urbana, começamos a trabalhar contra nós mesmos.

O programa de governo do prefeito Pedro Bigardi falava na elaboração do Plano Cicloviário de Jundiaí garantindo a implantação de pelo menos 30 quilômetros de ciclovias segregadas e permanentes. Já existe algum estudo nesse sentido?

Daniela: As ciclovias estão sendo pensadas da mesma forma, em conjunto com toda essa intermodalidade. Existe já um projeto em andamento que a gente [mais de uma secretaria] está analisando, mas ainda nada de concreto. Está em pauta como algo urgente...

Mas não vai ser feito de qualquer jeito...

Daniela: Não, sem dúvida. O que nós temos verificado em muitos projetos aqui é a colocação da ciclovia pra dizer que ela está ali. Ela existe. Mas é uma ciclovia que liga o nada a lugar nenhum, que tem trezentos metros, quando muito. Então a ideia não é fazer uma ciclovia para constar, mas que ela tenha um conceito, que ela interligue regiões da cidade, que ela seja parte desse projeto de mobilidade que está sendo idealizado junto à secretaria de Transporte, que ela funcione, não que ela seja uma ciclovia que está ali só pra dizer que ela existe.

Alguns bairros da cidade, como a Vila Ana Maria, Malota e Parque Novo Mundo, foram literalmente fechados para o trânsito público, inclusive como a colocação de guaritas e cancelas. Como você vê essa questão?

Daniela: Na verdade essa é uma atitude desesperada de moradores que lutam pelos seus bairros, que não querem morar em condomínios fechados. Porque a política da cidade nos últimos anos, não vou nem dizer que é só de Jundiaí, é o condomínio fechado. Vender segurança é morar em condomínio fechado quando sabemos que hoje isso não é verdade. Então existia essa política de fazer condomínios fechados, loteamentos fechados. Existia essa questão do zoneamento desordenado da cidade colocando em risco a qualidade de vida de bairros antigos. E aí alguns moradores, desesperados para salvar o que restou de seu bairro, defendendo o local onde escolheram para morar, acabaram entrando com pedidos para o fechamento do bairro.

Eu não critico esses moradores. Eu acho que não é uma política adequada, mas eu vejo que é uma atitude do cidadão que tem direito de defender o local onde ele mora. Porque ele não vai aceitar que, por conta de um zoneamento irresponsável, esse bairro consolidado perca qualidade de vida. Eu moro em bairro aberto e eu sofro com isso, com essa falta de qualidade de vida por conta desse zoneamento. Meu bairro era extremamente qualificado, onde havia uma relação entre os vizinhos muito bem consolidada e em virtude desse zoneamento desqualificado o bairro foi se transformando. Então, eu não acho que seja adequado, mas é um reflexo de uma falta de respeito, de uma falta de qualidade urbana, falta de qualidade da cidade, esquecida pelo zoneamento. Não acho legal o cidadão não poder entrar, não acho mesmo, acho que a cidade tem que acontecer, ela tem que fluir, mas a partir do momento que ela é organizada, ela flui naturalmente, as pessoas não precisam se desesperar e fechar ruas.

Faltava o olhar humano. Por exemplo, existe uma crítica no Jardim Bonfiglioli que é um bairro da cidade antigo, qualificado, as pessoas se conhecem, se conversam, existe ali um sentido de comunidade. E aí asfaltaram as ruas do bairro sem uma conversa com os moradores e era tudo de paralelepípedo. Estou falando isso porque temos recebido várias reclamações. E as pessoas gostavam do paralelepípedo porque além dele ser drenante, ter várias questões relacionadas à água, ele também fazia que os carros passassem numa velocidade mais controlada, dava uma sensação de continuidade da praça, então as crianças podiam ficar mais na rua, dentro do bairro. A gente está falando de via local, não de coletora ou arterial. E aí quando asfaltaram choveu reclamação. As pessoas não queriam isso, é uma questão até cultural. Não estou dizendo que é igual em outro bairro, mas ali era daquele jeito e era assim que as pessoas gostavam. A dinâmica do bairro mudou. As crianças não podem mais ficar nas ruas, as mães ficam preocupadas por causa da velocidade dos carros. Veja que é uma coisa tão simples, uma pavimentação. Você pode dizer: “Ah, mas o asfalto é ótimo, muito melhor que o paralelepípedo que faz o carro tremer”. Mas naquele contexto, para aquelas pessoas não funcionava dessa forma. É muito sensível, a cidade é viva e a gente tem que trabalhar com muita sensibilidade cada questão da cidade, cada área da cidade, com norte sempre no que você pensa que seria o melhor, mas as pessoas tem que se apropriar disso e participar desse processo, pois elas são os atores principais e nós estamos aqui só conduzindo essas questões, na verdade.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Minhas denúncias obrigam "medalhões" a defender toda a blogosfera!

Crítico-spam acerta mais um
cruzado na cara dos hipócritas
Como a maioria já deve saber, hoje aconteceu em São Paulo um evento que tinha como objetivo angariar apoios ao ex-global Luiz Carlos Azenha pelos processos judiciais que perdeu movidos pelo todo-poderoso da Globo, Ali Kamel.

Mas uma amiga minha me informou no facebook que compareceu ao evento e que a tônica foi totalmente diferente. Vejam o que ela disse:

"Falou-se em várias coisas relacionadas à liberdade de expressão e no principal: fundo para ajuda jurídica de blogueiros processados, com foco em blogueiros pequenos, pelo país afora, que estão inclusive sendo ameaçados de morte. Porque os blogueiros "ricos" não precisam."

Ou seja, eles leram meu texto "Blogueiros medalhões começam a pagar pela sua falta de visão" e seguiram à risca as minhas sugestões!

Inclusive hoje eu conversei com um desses que faz parte do clubinho fechado, uma pessoa pela qual eu ainda tinha alguma consideração e que ajudei muito no passado (correndo inclusive risco físico), onde cobrei-o sobre as difamações que estou sofrendo por parte de coleguinhas dele. Sabe o que o sujeito fez? Passou a me ofender. Na hora não entendi o porque de tamanho nervosismo contra minha pessoa, mas depois que fiquei sabendo o que rolou no encontro de hoje, caiu a ficha: minhas denúncias aqui devem ter melado algum esquema que os "medalhões" estavam planejando (certamente ligado a todo o jogo de cena feito pelo ex-global Azenha) e os obrigou a defender toda a blogosfera, da qual até então eles só lucraram em cima. Se não fizessem isso ficaria muito feio para eles.

De minha parte não guardo rancores. Até porque sei que a pessoa que me ofendeu só o fez porque sabe que eu jamais levantaria a mão contra um ser humano, daí toda a sua desenvoltura em me agredir virtualmente. No fundo, isso apenas mostra que tipo de caráter ele tem. Para vocês verem que tem muita gente por aí que é esquerdista de carteirinha, mas que quando tem seus interesses pessoais atrapalhados mostra sua verdadeira face. Feio para ele, não acham?

De resto, sinto-me feliz por ter ajudado os meus colegas blogueiros que não ganham a vida se prostituindo para o PiG e colocam a cara pra bater com coragem e sem qualquer apoio até então. Quem sabe isso muda agora que os "medalhões" foram obrigados a descer do pedestal e agir em favor daqueles que até então só usavam como bucha de canhão?

Hoje eu vou dormir feliz.


segunda-feira, 1 de abril de 2013

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