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terça-feira, 18 de julho de 2017

A ficha não cai


A guerra dos tronos no Brasil


Apesar do Brasil ter uma população estimada em mais de 200 milhões de pessoas, quinze famílias detêm 5% de toda riqueza nacional. Isso mesmo, cinco por cento de toda riqueza de um dos 10 países mais ricos do planeta está nas mãos de quinze famílias, um escândalo!

- por Marco Aurélio Mello, no Viomundo

A notícia não é nova. Tem quase um ano.

Mas é tão assombrosa, tão assombrosa, que deveríamos ensinar na escola para todas as nossas crianças.

Apesar do Brasil ter uma população estimada em mais de 200 milhões de pessoas, quinze famílias, apenas quinze, detêm 5% de toda riqueza nacional.

Isso mesmo, cinco por cento de toda riqueza de um dos 10 países mais ricos do planeta está nas mãos de quinze famílias, um escândalo!

A informação é de fonte que rico nenhum questiona, a revista Exame, e se baseia num levantamento feito por outra revista que eles tanto reverenciam, a americana Forbes.

É tanto poder econômico, tanto poder econômico, que políticos – de qualquer partido – e funcionários públicos facilmente se curvam aos interesses deles.

Esta é a verdadeira guerra dos tronos do Brasil.

Em que setores estes grupos atuam? Duas famílias estão ligadas às comunicações: Marinho (número um da lista) e Civita (décima-primeira).

Outras cinco famílias estão ligadas aos bancos: Safra, Itaú-Unibanco e Bradesco.

Duas famílias operam em construção civil: Camargo Corrêa e Odebrecht.

Uma no cartel do cimento: Ermírio de Morais; uma na monocultura da soja: Maggi; uma no cartel da carne: Batista; uma em papel e celulose: Feffer (que também atua em petróleo) e duas em petróleo e derivados: Igel e Penido.

Portanto, somos controlados por conglomerados que disputam espaço, não entre si, mas na política.

Neste intincado jogo de interesses duas famílias caíram em desgraça recentemente: os Odebrecht e os Batista.

A família Odebrecht por causa do escândalo de corrupção na Petrobras e os Batista, primeiro por denúncias de adulteração de carne bovina e, em seguida, pela divulgação de áudios que denunciam políticos em crimes de corrupção, entre eles, o presidente em exercício, Michel Temer.

Mas o que existe por trás desta disputa vai além, muito além de quem vai governar ou não o Brasil.

O que há de realmente importante é: quem pode influenciar o Estado a transferir recursos públicos para estes grandes conglomerados?

São estes os grupos que mais nos exploram e que, em vez de tomar o país de assalto, como sempre fizeram, teriam que devolver aos mais pobres bens e serviços na forma de impostos.

Vejamos os bancos. Faça ou não crise seu faturamento é recorde a cada novo balanço trimestral.

Eles operam com juros da dívida pública e spread bancário (o risco dos clientes darem calote).

Eles odeiam pagar impostos.

À beira das crises apelam para o “risco sistêmico” e para o colapso no “balanço de pagamentos” e são sempre socorridos imediatamente.

Os bancos não perdem nunca!

Reparem que cinco das quinze famílias da lista são banqueiras: os Safra, os Moreira Salles, os Villela, os Aguiar e os Setubal.

Estes você não vê reclamar, não é?

Claro, não precisam, eles têm um exército de economistas e consultores que fazem isso por eles, sutilmente.

Afinal, são os bancos que controlam “os mercados”, o Banco Central e, claro, o noticiário econômico.

Vale lembrar também que são os bancos que operam transferências em paraísos fiscais e que, portanto, podem ter ligações com o crime organizado.

Estruturalmente o que estava acontecendo no Brasil?

O poder econômico estava migrando das mãos desses grupos para outros.

Vejamos:

Os programas de transferência de renda tiram poder dos bancos ao aumentar o poder de compra da população por vias diretas.

A construção foi muito beneficiada pelos programas de infra-estrutura apoiados pelo BNDES.

A ponto de a construção civil brasileira passar a operar em vários países da América do Sul, Caribe, África e Oriente Médio.

O agronegócio – que navegou em mar calmo nos tempos de boom das commodities – internamente passou a disputar crédito com pequenos e médios produtores.

Já a mídia estava deixando de concentrar publicidade oficial em seus veículos, depois de uma política de diversificação que ampliou os atores no mercado de informação, notícias e entretenimento.

Apesar de não ter havido coragem de impor uma reforma tributária capaz de taxar as grandes fortunas, uma transferência de renda silenciosa estava modificando a estrutura econômica da nossa sociedade.

E foi isso que os o poder econômico percebeu antes de todo mundo.

E foi contra isso que eles se uniram, ainda que tivessem que jogar dois de seus “marujos” ao mar: os Odebrecht e os Batista.

Agora a famiglia da Vez pode ser os Marinho.

É difícil.

Seu exército é numeroso e sua tática de “assassinato de reputação” é sutil e muito eficiente.

Ao que parece trata-se de mais uma tormenta que, cedo ou tarde, vai passar.

E quando isso acontecer os ricos vão continuar mais ou menos no mesmo lugar.

Quem perderá com o descrédito que a mídia propaga dia e noite, sem dó?

1. A classe política;

2. Os aparelhos de Estado, incluindo a Justiça;

3. A classe média;

4. O povão em geral.

E se o poder econômico tomar o lugar do poder político, sem intermediários, caminhamos para a barbárie.

Se o viés for fundamentalista religioso então vai ficar ainda pior…

Por isso, minha gente, se nos intervalos desta luta der para fazer um pouco de amor, aproveitem!

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Chomsky: Lula foi vítima de um novo tipo de golpe

Um dos maiores intelectuais da atualidade, o filósofo e linguista norte-americano Noam Chomsky afirmou em palestra concedida nesta segunda-feira 17 no Uruguai que as políticas do ex-presidente Lula "foram semelhantes às dos anos 60, que levaram a um golpe militar fortemente apoiado pelos Estados Unidos"


Durante uma conferência na Fundação Liber Seregni, no Uruguai, nesta segunda-feira 17, o filósofo norte-americano Noam Chomsky, um dos maiores intelectuais da atualidade, sugeriu que o ex-presidente Lula tenha sido vítima de um novo tipo de golpe, com apoio dos Estados Unidos.

Ressaltando a "liderança de Lula" na América Latina, Chomsky destacou que as políticas do ex-presidente petista "foram semelhantes às dos anos 60, que levaram a um golpe militar fortemente apoiado pelos Estados Unidos".

"Mas agora [com Lula no governo] os EUA não tinham condições de dar um golpe militar", completou. "E a América Latina foi a primeira região a dispensar e a emergir do Consenso de Washington e do neoliberalismo", disse, segundo a cobertura feita pelo jornalista Rogério Tomaz Jr., pelo Twitter, da palestra do linguista. Chomsky disse ainda que "a estrutura de classes da América Latina possui enorme concentração de renda e desigualdade".

O intelectual norte-americano comentou a crise dos refugiados: "é uma crise cultural e moral da nossa sociedade". E criticou a omissão da mídia ao não cobrar de Donald Trump posição a respeito da mudança de clima global. Ele mencionou também a possibilidade de, numa eventual corrida nuclear, um ataque preventivo da Rússia iniciar uma guerra que aniquile a humanidade.

Reportagem da Record denuncia negociatas da Globo

A Record declarou guerra contra a Rede Globo, exibindo uma reportagem de mais de 15 minutos, em horário nobre, sobre uma série de negociatas da emissora carioca. O ponto de partida da reportagem é uma suposta delação negociada pelo ex-ministro Antonio Palocci. A reportagem mostra como a Globo se beneficiou de um esquema de sonegação fiscal, usou empresas de fachada em paraísos fiscais e recebeu uma série de benesses federais. Segundo a emissora, a televisão da família Marinho também estaria agindo para impedir a concretização da delação de Palocci.

quinta-feira, 13 de julho de 2017

EM NOME DO ÓDIO

Oração do Pobre de Direita

Em nome do meu ódio ao PT, eu entrego meus direitos trabalhistas...

Em nome do meu ódio ao PT, eu aceito trabalhar até morrer...

Em nome do meu ódio ao PT, eu me calo diante da precarização da educação e da saúde...

Em nome do meu ódio ao PT, eu me cego frente à corrupção que se blindou...

Em nome do meu ódio ao PT, eu vou apoiar empresários na comemoração deles por terem o país de volta...

Em nome do meu ódio ao PT, eu viverei um presente de humilhações, um futuro de incertezas e um passado de idiotices...

Em nome do meu ódio ao PT, serei capataz e, portanto, capacho...

Em nome do meu ódio ao PT, eu permanecerei inerte, mesmo que me tirem tudo...

Em nome do meu ódio ao PT, porque será a única coisa que me restará...

Amém.


Heroínas contra o golpe

O país dos midiotas 2


quarta-feira, 12 de julho de 2017

ROTEIRO


O Hitler de Curitiba segue o roteiro que lhe foi enviado pela CIA e divulga condenação de Lula um dia após a aprovação da "reforma" trabalhista que vai matar de fome milhares de pessoas nos próximos anos.

Mata assim dois coelhos com uma cajadada só: tira o foco da "reforma" e impede que Lula dispute eleições na década seguinte.

Enquanto isso, o brasileiro médio relincha e gargalha como uma hiena enquanto devora uma carcaça podre.

Esse é o Brazil tão sonhado por Washington e pelos donos do poder econômico mundial.

O PAÍS DOS MIDIOTAS


segunda-feira, 10 de julho de 2017

Governo Temer / PSDB empurra Brasil de volta ao mapa mundial da fome

Acham mesmo que os boçais que bateram panelas com a camisa da CBF estão preocupados que o Brasil voltou ao Mapa da Fome? Eles estão é achando graça. O maior ódio dessa gente foi ver os mais pobres melhorando de vida e comprando carros ou viajando pra Miami do lado deles.

Jornal GGN - A crise econômica aumentou o desemprego no Brasil e ações deflagrados no governo Temer, sob o guarda-chuva do ajuste fiscal, empurra o País de volta ao mapa mundial da fome da ONU. 

Entre elas, a exclusão de pessoas do programa Bolsa Família e o corte no programa de agricultura familiar, que tem impedido centenas de milhares de pessoas de terem renda suficiente para comprar alimentos. É o que aponta reportagem publicada pelo jornal O Globo neste domingo (9). 

Segundo o veículo, "três anos depois de o Brasil sair do mapa mundial da fome da ONU — o que significa ter menos de 5% da população sem se alimentar o suficiente —, o velho fantasma volta a assombrar famílias" no Brasil.

O alerta conta em relatório que será apresentado às Nações Unidas na próxima semana, sobre o "cumprimento de um plano de ação com objetivos de desenvolvimento sustentável acordado entre os Estados-membros da ONU, a chamada Agenda 2030".

O Globo ouviu de Francisco Menezes, coordenador do Ibase (Instituto Brasileiro de Análises Soicias e Econômicas) e consultor do ActionAid, que "o país atingiu um índice de pleno emprego, na primeira metade desta década, mesmo os que estavam em situação de pobreza passaram a dispor de empregos formais ou informais, o que melhorou a capacidade de acesso aos alimentos".

Mas a mudança na base de dados do Bolsa Família com o intuito de esvaziar o programa, realizada no final do ano passado, além da "redução do valor investido no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que compra do pequeno agricultor e distribui a hospitais, escolas públicas e presídios, são uma vergonha para um país que trilhava avanços que o colocava como referência em todo o mundo".

O jornal lembrou que, ano passado, Temer promoveu um "pente-fino" no Bolsa Família com a desculpa de que o programa estava cheio de beneficiários que adulteravam os dados para continuar recebendo a ajuda de custo do governo sem ter necessidade. Com esse valor "economizado", Temer pretendia fazer um reajuste no programa.

Porém, segundo O Globo, o pente-fino do governo só mostrou que a pobreza no Brasil avança a passos largos, em meio a crise econômica.

"O resultado [do pente-fino], porém, foi a confirmação de um fenômeno de empobrecimento. Ao cruzar bases de dados, a fiscalização encontrou mais de 1,5 milhão de famílias que tinham renda menor que a declarada — haviam perdido o emprego, mas não atualizaram o cadastro — e, por isso, teriam direito a benefícios maiores do que recebiam. Isso corresponde a 46% dos 2,2 milhões de famílias que caíram na malha fina por inconsistência nos dados. E o prometido reajuste no benefício, que seria de 4,6%, foi suspenso no fim do mês passado pelo governo, por falta de recursos."

No Facebook, a assessoria de Lula comentou a reportagem. "O Brasil estava no caminho da inclusão social e da redução da fome e da miséria, com programas sociais que são referência em todo mundo. Com a sabotagem promovida pelos golpistas e o golpe, o Brasil saiu desse caminho."

sábado, 8 de julho de 2017

POR QUE TANTOS POBRES* DE DIREITA?


- por José Geraldo Gouvea

A característica central do pobre* é a pobreza, que não se limita ao aspecto material. A pobreza de conhecimentos (ignorância), a pobreza de consciência política (alienação), a pobreza de força espiritual (busca do "menor esforço" a qualquer custo), a pobreza de auto estima (complexo de vira-latas), a pobreza ética (busca do "jeitinho", a idolatria do sucesso a qualquer custo, o egoísmo). 

Tudo isso se soma à pobreza material para desembocar em um indivíduo que fica preso ao sistema ideológico circunscrito em que nasceu e se formou.

Por isso Marx disse, com razão, que o lúmpenproletariado, ou "lumpesinato", não é uma força revolucionária. 

Sua vulnerabilidade material o torna suscetível a barganhas imediatistas (vende o voto por comida, sai do sindicato para não perder o emprego). 

Sua ignorância o torna suscetível à manipulação ideológica e política. Sua pobreza espiritual o leva a desistir de grandes projetos. 

Sua alienação o impede de sequer simpatizar com os inimigos de seus opressores. 

Sua baixa auto estima o faz conformar-se ao papel subalterno e idolatrar os opressores e seus instrumentos de opressão. 

Finalmente a pobreza ética o torna capaz de executar com mais crueldade que os opressores o 'trabalho sujo' a que é destinado.

Esse indivíduo é o "capitão do mato" ideal, ele se compraz em ser cruel com quem está ao lado e abaixo de si, por crer que nisso se eleva, ou porque, em alguns casos extremos de viralatice, acredita que esse é o seu papel inevitável, o seu lugar possível no esquema.

*O termo "pobre" inclui também a classe média que também é pobre, apenas um pouco menos, mas se acha rica. 

quinta-feira, 6 de julho de 2017

A TRAGÉDIA CIVILIZATÓRIA BRASILEIRA

O analfabetismo político aqui vai de ponta a ponta do espectro ideológico. Praticamente, não existe consciência cidadã e coletiva, noção do papel que exercemos na sociedade de classes, do papel do Estado, uma séria de coisas que dão o argamassa da luta da esquerda.



Acho que em nenhum outro lugar a própria tragédia é desprezada com tanta força como no Brasil. Por aqui, ditador vira nome de rua e família escravocrata adepta do nazismo dá nome ao bairro onde torturou e matou à vontade. Por aqui, jogadores de futebol levam faixa com a bandeira de outro país aos gramados, mas diante do horror quase semanal nas nossas favelas, se calam. Por aqui, a gente se indigna com Golpes de Estado em outras partes do mundo, mas diante de um que arranca o couro da nossa gente, fazemos piada, dançamos em roda e, volta e meia, ainda damos uma mãozinha aos usurpadores.

Isso não é (só) culpa da Globo, é a nossa formação: individualista, racista e autoritária. Toda a nossa atuação politica em sociedade deriva desse ranço histórico. Nós, parte da classe dominante brasileira e formadores de opinião, somos assim. Seja o opressor direto, o indireto, ou os que se posicionam ao lado do oprimido, todos comungam do mesmo "ethos de classe". A violência da opressão conta com a anuência silenciosa e, às vezes, até com a colaboração dos seus pares. Se olharmos com honestidade pra isso, veremos envergonhados que é assim.

Nenhuma luta prosperará aqui no país enquanto não esgotarmos a tragédia da escravidão e das sucessivas ditaduras, o seu efeito devastador em nossa alma coletiva. De uns anos pra cá, estávamos finalmente encarando a nossa maior chaga, a vexatória desigualdade social - dando voz e um pouco de dignidade aos que podem lutar de verdade por essa transformação. Mas, no lugar de vermos a nossa responsabilidade na apatia geral da nação, preferimos ficar lamentando: cadê o povo que não se mexe? Acima de tudo, por isso, eu levo muito a sério esse golpe, pois sei muito bem a força do Brasil que esses bandidos esmagam como barata agora, com medo de deixar emergir.

POR QUE TEVE GOLPE E NÃO TEVE LUTA?

Pelo simples fato que, como é de hábito, ninguém quer olhar: não somos 'de luta' aqui no Brasil, pelo menos como imaginamos. A luta aqui nesse país foi a resistência do negro e do índio, do nordestino miserável pra não morrer de fome, do trabalhador nas fábricas que se organizou e um dia chegou lá pra garantir o pão na mesa da família, e do pobre na favela pra sobreviver todo santo dia. Esse mesmo pobre que pessoas zombam aqui chamando de "pobre de direita", sem perceber o quanto de responsabilidade tem como classe dominante como espelho para as classes menos favorecidas. 

Aliás, também não temos esquerda como imaginamos. O analfabetismo político aqui vai de ponta a ponta do espectro ideológico. Praticamente, não existe consciência cidadã e coletiva, noção do papel que exercemos na sociedade de classes, do papel do Estado, uma séria de coisas que dão o argamassa da luta da esquerda.


O golpe em Jango, que nos colocou numa ditadura de 21 anos, teve participação de boa parte da classe média na época, muitos se arrependeram depois e se juntaram a uma outra parte que organizou focos de resistência, mas insipiente perto do tamanho do monstro. O 'Diretas Já', de 84, que conseguiu nos unir em torno de um objetivo, ainda assim, redundou numa passagem conciliatória para o "colégio eleitoral". 

A nossa academia então, não existe nada mais 'discretamente' conservador. Intelectuais tidos como "vacas sagradas" chamam a resistência dos negros e índios contra o massacre que sofreram de "processo civilizatório nacional" ou "maravilha da miscigenação". Sérgio Buarque, super incensado pela esquerda acadêmica, foi talvez o maior demonizador do Estado nacional (o que talvez explique aquele professor da UFRJ, deputado carrioca cabeludo que fica nas ruas despolitizando as pessoas, mas falar da agressão do Mercado que é bom, nada)

Nesse sentido, nunca existiu esquerda no Brasil. A esquerda por aqui está longe de ser orgânica como na Argentina e no Uruguai, ela é acadêmica, artista, burguesa, de mesa de bar, chama o governo golpista de governo (sem aspas), beija a mão de Aécio Neves na farra do jornalista do Globo... E é Suplicy mandando cartinha pro Temer, é Jean Wyllys elogiando FHC e emprestando sua imagem pra direita sionista de Israel contra o massacre das crianças palestinas, é Luciana Genro dando vivas à Lava-Jato e todas aquelas correntes do seu partido que marcharam pedindo a cabeça de Dilma nas ruas. É gente, pasmemos, relativizando um ataque frontal à liberdade de expressão por parte de um juiz sequestrador! Isso aí é não é esquerda nem aqui nem na China de Mao Tse Tung.

Aqui no Rio, a esquerda se criou muito à sombra do PT festivo dos anos 80 que, hoje, enguiçado em seu burocratismo, não arregaça as mangas pra fazer a luta; prefere amolecer os braços na janela esperando pela redenção de Lula em 2018. Aqueles mais 'descolados', que lutavam por liberdades na ditadura - não por justiça social, frise-se - hoje, ou foram pra direita de vez, como Fernando Gabeira, Arnaldo Jabor, ou se diluíram em partidos verdes e ensolarados que trouxeram pra cena bandeiras caras as minorias sociais, dando-lhes um contorno liberal mas descolado da estrutura e da luta de classes (assim como acontece nos EUA, na França); ou seja, uma nova cara para uma "nova direita" que começa a querer desabrochar.

Olhar pra dentro da própria esquerda no lugar de ficar culpando os paneleiros é o único caminho onde eu consigo encontrar explicação para que um golpe de Estado de tamanha violência contra o povo brasileiro não encontre resistência nenhuma dos que deveriam estar organizando um levante pra paralisar esse país até esses larápios devolverem o futuro dos nossos filhos de volta.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

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Ajude este humilde blogueiro a continuar seu trabalho! Sempre militei e falei sobre cinema e outros assuntos sem ganhar absolutamente nada e como hobby, porém devido à situação dramática que o país se encontra depois que a direita destruiu a economia para derrubar o PT, vender o país aos gringos e destruir os direitos dos trabalhadores, estou passando por necessidades! 

Peço a ajuda de vocês, leitores, que gostam do Tudo Em Cima e das minhas análises. Para isso, basta você clicar no botão abaixo e ir para o site Padrim, onde poderá escolher a melhor forma de "apadrinhar" o meu blog. Pode ser pagamento via boleto ou no cartão de crédito, nos valores que desejar. 
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sexta-feira, 16 de junho de 2017

Filmes: "The Wizard of Lies"

RETRATO DE UM PSICOPATA

Filme mostra como o mundo dos negócios e o capitalismo neoliberal são perfeitos para que predadores deitem e rolem

- por André Lux, crítico-spam

“The Wizard of Lies” (O Mago das Mentiras, em português) é um filme produzido pelo canal HBO sobre a vida de Bernie Madoff, um dos papas da bolsa de valores estadunidenses que na verdade era um grande enganador o qual construiu um esquema fraudulento de investimentos que no final arruinou a vida de milhares de pessoas.

Dirigido pelo veterano Barry Levinson (de “Sleepers”) e com Robert De Niro no papel do protagonista, o filme é baseado no livro da jornalista Diana B. Henriques que entrevistou Madoff na prisão. Mais do que o retrato de um psicopata, “The Wizard of Lies” mostra como o mundo dos negócios e, em última instância, o sistema capitalista neoliberal são perfeitos para que esse tipo de predador humano deite e role sobre a vida de milhões de pessoas sem qualquer tipo de controle. Em uma das cenas mais marcantes da obra, um dos filhos de Madoff é questionado pela agente do FBI como não poderia saber das fraudes perpetradas pelo pai, ao que ele responde: “Se vocês que deveriam saber de tudo, vigiar tudo, não sabiam, como é que eu ia saber?”.

O filme nem tenta fazer entender os motivos que levaram Madoff a fazer o que fez, até porque fica claro que ele realmente não tinha motivo algum, exceto aquela máxima: “Fiz porque podia”. De Niro tem uma atuação contida e que muito revela sobre a verdadeira natureza do personagem, que praticamente nunca muda de expressão nem demonstra qualquer tipo de empatia, compaixão ou remorso por suas vitimas, nem mesmo pela família que é destruída por suas ações – um dos filhos acaba de suicidando, o outro morre de câncer alguns anos depois e a esposa (Michelle Pfeifer) vive de favor da casa da irmã, na Flórida. Chega a afirmar que é mais feliz vivendo na prisão.

O único momento em que ele tem algum tipo de reação é quando fica indignado ao ser comparado em um grande jornal com Ted Bundy, um serial killer que matava e colecionava a cabeça de suas vítimas. “Como podem me comparar a esse sujeito? Você acha que eu sou um sociopata?”, questiona na cena final à jornalista. Basta olhar as fotos do verdadeiro Madoff e reparar na expressão de tubarão em seus olhos para saber a resposta.


Madoff e o olhar do tubarão neoliberal
O que nos faz perguntar: quantos Bernie Madoff estão por aí, à solta, no mundo dos negócios, na política e nas grandes corporações, tomando decisões por todos nós e empurrando a raça humana cada vez mais rumo ao abismo? Melhor nem pensar nisso, é assustador demais...

Cotação: * * *

domingo, 4 de junho de 2017

Filmes: "Mulher-Maravilha"

MAIS UM TIRO NO PÉ DA DC

O melhor é não passar nem perto dessa besteira, principalmente as crianças que deveriam ser o público alvo do gênero


- por André Lux, crítico-spam

A DC bem que tentou, mas ainda não foi desta vez que conseguiu produzir um filme baseado nos seus super-heróis em quadrinhos que consiga limpar a imagem péssima que conquistou com os anteriores, principalmente “Homem de Aço” e “Batman versus Superman”, dois dos filmes mais grotescos já lançados até hoje no gênero.

Obviamente os executivos da Warner leram a enxurrada de críticas dos fãs que, em sua grande maioria, abominaram as adaptações mais recentes e tentaram a todo custo elevar o nível nesse “Mulher-Maravilha”. Para isso, contrataram uma mulher para dirigir o filme, Patty Jenkins (de “Monstro”), e criaram um roteiro que é quase uma cópia carbono do primeiro “Capitão América”, tanto em termos de estrutura, quanto de motivações e até vilões (os alemães). Copiaram também o esquema de "peixe fora da água" e as tentativas de humor do primeiro "Thor". Mas não deu muito certo, embora seja realmente um pouco melhor que os outros da DC, o que não chega a ser um grande elogio dada a ruindade daqueles filmes.

“Mulher-Maravilha” começa mostrando ela ainda criança na ilha das amazonas querendo de qualquer jeito aprender a lutar com a tia Antíope (Robin Wright, desperdiçada), enquanto sua mãe a rainha faz de tudo para impedir. Só que essa atitude da mãe não tem qualquer lógica, afinal ela é uma deusa e seria muito mais razoável treiná-la desde cedo para enfrentar seu destino, já que ela foi criada para ser a última defesa contra o deus-vilão Áres, cuja identidade secreta fica óbvia desde o primeiro momento para qualquer um que já tenha visto esse tipo de filme mais de uma vez na vida. Enfim, essa sub-trama é uma perda de tempo de projeção, já que ela é treinada de qualquer jeito até crescer. Aí começa o segundo grande problema do filme, já que a protagonista passa a ser interpretada por Gal Gadot, uma dessas mulheres-palito que fazem a cabeça dos estilistas de moda atualmente. A moça, que foi "revelada" num desses "Velozes e Furiosos", é uma atriz muito limitada, o que fica evidente quando tenta demonstrar alguma emoção.

A terceira e maior falha é algo que infesta muitos filmes de super-heróis atualmente: a gente nunca fica sabendo quais são os poderes da “Mulher-Maravilha” ou suas limitações. Assim, do nada ela se transforma de uma garota que é facilmente derrubada pela tia a uma guerreira praticamente invencível, capaz até de pular mais que uma pulga superdesenvolvida e resistir a impactos brutais contra rochas e estruturas de ferro - mas aparentemente não a balas, já que é quase morta em várias cenas em que atiram contra ela. Não adianta dizer que é assim porque ela não sabia que tinha poderes, pois nunca é sinalizado que ela precisa desenvolver tais poderes. Ela os tem e pronto, começa a usar do nada, como se já soubesse que os tinha quando assim exige o roteiro. Isso tira qualquer suspense, já que não existem regras definidas, ou seja, vale tudo. Basta assistir ao maravilhoso “Superman – O Filme”, de 1978, para entender como se deve apresentar de forma adequada e muito simples os poderes e limites de um super-herói.

O coitado do Chris Pine (o Kirk dos novos “Star Trek” e que está em tudo quanto é filme) fica com a ingrata tarefa de ser um mero “homem-exposição”, já que seu personagem serve apenas para ficar explicando forçadamente a trama para a protagonista e, claro, para a plateia. Tentam um romance entre os dois, porém eles não demonstram qualquer química e o personagem de Pine é vazio demais até para gerar empatia, o que seria imperioso para que a catarse final funcionasse. O resto do elenco é fraco, com destaque negativo para o péssimo Danny Huston, eterno canastrão especialista em vilões e que foi o Striker no fraco “X-Men Origens: Wolverine”. 


Mulher-Maravilha ou Mulher-Palito?
A fotografia é escura, esmaecida (embora um pouco mais colorida que os filmes do Superman) e o desenho de produção é carnavalesco, principalmente na ilha das amazonas. A trilha musical é composta por um dos incontáveis discípulos do abominável Hans Zimmer, no caso um tal de Rupert Gregson-Williams (mas podia ser qualquer outro), e é aquela coisa horrorosa de sempre: bombástica, ensurdecedora, opressiva e sem qualquer tipo de nuance ou desenvolvimento temático – e ainda somos obrigados a ouvir o tema que Zimmer inventou para a “Mulher Maravilha” no famigerado “Batman versus Superman” que, como afirmei na minha análise daquele filme, ficaria bem para acompanhar as aventuras do “Chapolin Colorado”, de tão ridículo.

No final chegam ao cúmulo de mostrar a protagonista assassinando a sangue-frio uma pessoa desarmada, igual ao que fez o Superman em “Homem de Aço”, o que é um exemplo tenebroso para qualquer criança em mais um tiro no pé que só pode ser atribuído ao lamentável Zack Snyder, que aqui assina apenas como criador da estória e produtor. E mais uma vez somos atormentados por uma daquelas lutas entre dois seres supostamente imortais que, entre tapas e socos, soltam raios e causam explosões capazes de provocar um ataque epiléptico nos mais sensíveis.

Incrivelmente o filme vem recebendo ótimas críticas mundo afora, o que apenas demonstra delírio coletivo dos profissionais da opinião ou então uma vontade muito grande de acreditar que a DC conseguiu finalmente fazer um filme divertido como os da Marvel, o que não é nem de longe uma verdade. Alguns estão enxergando no filme um tratado feminista, mas sinceramente isso não faz sentido porque o fato dela ser mulher pouca importância tem à trama (até porque não passa de um Capitão América de saias) e nem mesmo a sociedade das amazonas é explorada a contento (deviam ser todas lésbicas já que não existiam homens por lá, não?).

Resumindo, é mais do mesmo e o melhor é simplesmente não passar nem perto de mais essa besteira, principalmente as crianças que deveriam ser o público alvo do gênero.

Cotação: *1/2

sábado, 3 de junho de 2017

Filmes: "Machuca"

TRÁGICO E DOLOROSO

Assista este filme para entender porque, afinal, ninguém tem coragem de se assumir como sendo de “direita” na América Latina...

- por André Lux, crítico-spam

Você já se perguntou por que ninguém tem coragem de admitir que seja de “direita” na América do Sul? Assista “Machuca” e vai saber a resposta. Este filme chileno do diretor Andrés Wood se passa durante os últimos meses do governo socialista de Salvador Allende, quando o padre que dirige uma escola para crianças da classe média alta implanta uma política do governo que reserva vagas para alunos oriundos das classes pobres.

Um desses meninos é justamente o Machuca do título, que acaba ficando amigo de Gonzalo, um filho das “elites” e provável alter-ego do próprio cineasta (o filme termina com uma frase em homenagem a um padre real, que obviamente deve ter semelhanças com o personagem de "Machuca").

A amizade dos dois representa o abismo que existe entre as classes sociais, o qual fica escancarado quando um vai visitar a casa do outro. Gonzalo, que mora numa bela residência, tem um pai boa praça, porém ausente e alienado, enquanto sua mãe é a personificação da “dondoca” suburbana fútil e louca por dinheiro (ao ponto de ser amante de um político rico do qual recebe vários “presentes” chiques). A irmã do menino namora uma boçal violento e agressivo que faz parte do “Comando de Caça a Comunistas” chileno.

Já Machuca mora numa favela com a mãe, a irmã e um tio. Seu pai é um bêbado que aparece só para arrancar dinheiro da mãe e dar porrada nos filhos. Só por curiosidade, li um profissional da opinião dizendo que o filme “falha” ao mostrar a pobreza de forma idílica! Concordo com ele, afinal quem é que não sonha em morar num barraco feito de tábuas e lonas enquanto recebe uns sopapos do pai bêbado e cafetão dia sim, dia não?

Enfim, dessa improvável amizade acompanhamos os dois meninos passando por várias situações que servem para reforçar o caos político promovido pelos golpistas que se abatia sobre o país. O tio de Machuca ganha a vida vendendo bandeiras dos partidos de direita e de esquerda nas várias passeatas contra e a favor do governo. E leva os garotos juntos, que ignorantes do que se passava, saiam alegremente repetindo os jargões dos manifestantes, seja de qual tendência eram representantes.

Mas as coisas começam a mudar para Gonzalo quando encontra o namorado truculento da irmã e a própria mãe numa das passeatas, durante a qual a irmã de Machuca é humilhada e agredida por fazer parte da “ralé”. Em outra cena emblemática e muito triste, os pais da high society protestam numa reunião do colégio contra a presença das crianças pobres que, nas palavras deles, não devem se misturar com seus filhos. Uma das mães pobres faz então um tocante discurso sobre a trágica história de toda sua família, só para ser acusada por uma dondoca de “ressentida, rancorosa, volte para o lugar de onde veio!”.

Não quero revelar mais da trama, mas basta dizer que o filme segue o ritmo dos golpistas até a sangrenta derrubada do governo socialista pelos milicos do general Pinochet, que lançaram sobre o Chile a mais brutal e selvagem ditadura da América Latina. Ditadura que foi notável também por ter sido o primeiro regime a implantar - sobre o cadáver de milhares de cidadãos que ousaram lutar por um mundo mais justo e menos desigual - a nefasta ideologia neoliberal, que hoje colocou o mundo de joelhos.

Nem preciso dizer que o final de “Machuca” será terrivelmente trágico e doloroso. E basta assisti-lo para entender porque, afinal, ninguém tem coragem de se assumir como sendo de “direita” por essas bandas...

Cotação: * * * *

Filmes: "Brazil - O Filme"

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FUTURO DO PRETÉRITO

Alegoria ácida sobre a perda da humanidade numa sociedade totalitária e consumista, mistura "1984" e "O Processo" com toques do Monty Python. 

- Por André Lux, crítico-spam

Lá pelo final de 1985, os executivos da Universal Pictures, preocupados com o possível fracasso de um filme que produziram e estavam para distribuir nos EUA, marcaram uma reunião urgente com o seu realizador durante a qual pediram pouca coisa: que ele reduzisse a metragem, trocasse a trilha sonora orquestral por outra com canções pop e, especialmente, mudasse a conclusão amarga para um típico happy end hollywoodiano, do tipo "o amor vence tudo". 

Essas mudanças iriam, na opinião deles, tornar o filme muito mais comercial, garantindo seu sucesso. O cineasta explicou então, na sua característica maneira pouco ponderada, que o filme deveria ficar do jeito que havia sido idealizado, caso contrário ele iria botar fogo nos negativos!

A cena narrada acima pode parecer o delírio de algum comediante, mas ela aconteceu de verdade - infelizmente. O filme em questão chama-se "Brazil", e o diretor, Terry Gilliam. 

Insatisfeitos com o resultado final do terceiro longa-metragem do ex-integrante do grupo Monty Python, o qual consideraram pesado e amargo demais para os padrões aceitos pelo público dos EUA, os executivos da Universal decidiram que "Brazil" deveria ser reeditado e transformado em um filme mais "aventuresco" e "leve". 

Dos originais 142 minutos de projeção, que foram lançados pela Fox sem problemas na Europa e em outras partes do mundo (como o Brasil), Gilliam concordou em reduzir o filme em cerca de 20 minutos. Mas não foi o suficiente.

A Universal era liderada na época pelo infame Sid Sheinberg que, entre outros absurdos, foi o responsável direto pela destruição de "A Lenda", de Ridley Scott (que deixou o estúdio retalhar e mudar a trilha musical de seu filme) e pela aprovação do lamentável "Howard, O Pato", de George Lucas. Sheinberg, a exemplo do que acontece ao protagonista do próprio filme de Gilliam, tornou-se o "torturador particular" do cineasta, cercando-o de todas as formas possíveis (inclusive legais) para poder retirar o projeto das mãos dele a fim de torná-lo "mais comercial".

Versões e (in)Versões
Essa feroz batalha entre o artista e os engravatados da Universal (em mais uma reedição do clássico embate entre David e Golias) é uma das mais famosas e ilustrativas acerca de como funciona o sistema de produção em série da indústria cultural estadunidense. 

E ela está descrita, com riqueza de detalhes, ilustrações e depoimentos de todos os envolvidos, no excelente livro "The Battle of Brazil", de Jack Mathews, jornalista de Los Angeles que cobria a produção do filme na época. Mathews transformou seu livro em um documentário de uma hora de duração, que pode ser assistido no box de "Brazil", lançado pela The Criterion Collection na região 1, que traz nada menos do que três discos.

No primeiro disco, temos a versão de Terry Gilliam para o filme, com seus gloriosos 142 minutos de projeção, remasterizado digitalmente no formato widescreen 1.85:1, trazendo ainda uma faixa de áudio com comentários do diretor. No segundo, chamado de "The Production Notebook", encontramos vários making of, entrevistas com os roteiristas Tom Stoppard e Charles McKeown, com o compositor Michael Kamen (que utiliza na trilha de forma magistral trechos de "Aquarela do Brasil", de Ary Barroso), storyboards, cenas raras da produção dos efeitos especiais, além é claro do excepcional documentário "The Battle of Brazil".

O material mais curioso, todavia, está contido no terceiro disco: nada mais do que a infame versão "Love Conquers All" ('O Amor Vence Tudo) de "Brazil", montada à revelia do diretor, trazendo meros 94 minutos de projeção e um ridículo happy end, que simplesmente detonam a obra em questão deixando-a totalmente sem sentido. 

Pior que essa grotesca (in)versão foi exibida nas televisões dos EUA, por anos a fio. Existe ainda um canal de áudio onde David Morgan, expert em Terry Gilliam, faz uma análise extremamente crítica de todas as alterações feitas.

Orwell encontra Kafka no circo do Monty Python
Quanto ao filme, trata-se de uma alegoria extremamente ácida e anárquica sobre a perda da humanidade frente a uma sociedade totalitária e cada vez mais repleta de burocracia e obcecada pelo consumismo. Trata-se de uma mistura de "1984", de George Orwell, com ''O Processo'', de Kafka, com toques do humor bizarro e non-sense próprios do sexteto inglês do qual Gilliam fazia parte, o Monty Python.

Além disso, o filme é premonitório do futuro catastrófico imposto ao mundo caso a doutrina neoliberal, que na época ainda estava em processo de implantação, fosse levada às últimas conseqüências. 

Reparem como o Estado retratado no filme é o sonho de qualquer defensor do neoliberalismo: enxuto, isento de qualquer responsabilidade social e praticamente restrito ao aparato policial de vigilância e repressão constante às classes mais baixas, mantido graças a um clima de medo e paranóia constante propagado pela mídia e por supostos ataques de "terroristas".

O protagonista dessa epopéia, interpretado brilhantemente por Jonathan Price, é Sam Lowry, um funcionário público apático e conformista, que passa acidentalmente a lutar contra o sistema depois que descobre que a mulher de seus sonhos existe e está marcada para morrer. 

É a típica trama do anti-herói forçado a agir, mesmo contra sua vontade, para conquistar seus desejos. Na sua aventura, ele conta ainda com a ajuda do engenheiro-de-calefação-autônomo e dublê-de-terrorista, Harry Tuttle (na pele de um Robert De Niro praticamente irreconhecível).

Só que catarse e redenção são palavras que não fazem parte do dicionário de Terry Gilliam, como Lowry vai descobrir dolorosamente no final. E a melhor explicação para essa filosofia de vida vem do próprio diretor: "Nós não damos respostas, apenas apontamos para o óbvio que ninguém quer ver, de um modo engraçado. E quando as pessoas pegam-se rindo daquilo, esperamos que elas pensem: 'Ei, eu não deveria estar rindo, isso é horrível!'".

Sobre o motivo do filme se chamar "Brazil", Gilliam explica: "Port Talbot é uma cidade de ferro, onde tudo é coberto por um pó cinza de metal. Até a praia é completamente coberta de pó preto. O sol estava se pondo e era realmente bonito. O contraste era extraordinário. Eu tinha essa imagem de um cara sentado nessa praia moribunda com um rádio portátil, sintonizando estranhas canções escapistas latinas como [Aquarela do] Brasil. A música o transportou de alguma forma e fez o seu mundo menos cinza".

Quanto ao desfecho da "Batalha por Brazil", o vencedor foi, em última instância, o nosso "David" da sétima arte, que passou a usar táticas de guerrilha para promover o lançamento de seu filme intacto, tais como patrocinar exibições piratas para estudantes e críticos de cinema, bem como tornar público o martírio pelo qual estava sendo obrigado a passar pela Universal - Gilliam chegou a pagar um anúncio de página inteira no jornal Variety com a seguinte mensagem: "Querido Sid Sheinberg. Quando você vai lançar meu filme 'Brazil'?". Em um outro momento, Gilliam mostrou uma foto do executivo em um programa de entrevistas do qual participava, e soltou no ar, ao vivo: "Esse é o homem responsável pela minha dor".

Mas tamanha audácia provou-se válida, tanto que o filme ganhou os principais prêmios da Associação de Críticos de Cinema de Los Angeles (melhor Filme, Diretor e Roteiro) e acabou sendo lançado intacto (mas modestamente) nos cinemas dos EUA, dividindo público e crítica, fato que não incomodou em nada o cineasta. "Para algumas pessoas, meu filme foi o equivalente a um espancamento", diz Gilliam rindo. "Para outras, foi uma experiência maravilhosa. Perfeito. Eu não fiz o filme pensando em agradar alguém...". 

É certo que, depois desse evento notório e constrangedor, as políticas dos grandes estúdios, relativas a quem seria responsável pelo corte final dos filmes, nunca mais foram as mesmas.

Infelizmente, essa caixa com os três discos dificilmente será lançada no Brasil. Portanto, você precisará ter um bom dinheiro sobrando para colocar suas mãos nela. Mas, se tiver, certamente não vai se arrepender!

Por aqui, o filme foi lançada pela Fox (que detém os direitos de distribuição fora dos EUA) na versão normal sem cortes, mas desprovida de qualquer extra ou comentário (veja reprodução da capa à direita).

Cotaçâo: * * * * *
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