terça-feira, 30 de junho de 2015

Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice


- por Jorge Furtado, cineasta

Fiquei muitos meses sem escrever por aqui, por excesso de trabalho e por achar que o debate político estava tão alterado que a atitude mais sábia era o silêncio. Esperava que os derrotados das eleições fizessem o mesmo, deixassem passar os primeiros meses do novo governo para cobrar resultados. 

Meu volume de trabalho não diminuiu, na verdade cresceu, e os derrotados não esperaram nem um dia para subir ainda mais o volume e a grosseria das críticas, muitos pregam em voz alta, sem qualquer pudor, a volta da ditadura militar ou qualquer outro golpe que lhes devolva o poder que perderam nas urnas.

Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente.

Não é possível ficar quieto quando o congresso é dominados pelo que há de pior na sociedade brasileira, bandidos e falsos pastores, achacadores em nome de Cristo, picaretas envolvidos em todo tipo de falactrua, legislando em causa própria, manobrando votações, chantageando empresários para garantir seu butim, promovendo cultos religiosos no plenário, fomentando a homofobia e a ignorância. O atual congresso brasileiro, comandado por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos investigados por uma dúzia de crimes e toda sorte de imoralidades, é uma vergonha para o país.

Não é possível aceitar calado que o ministro Gilmar Mendes, uma única pessoa sem um único voto, por uma manobra rasteira, mantenha engavetado, por mais de um ano, um projeto de mudança da legislação eleitoral já aprovado pela maioria dos juízes, projeto este que, se não impede, dificulta em muito a roubalheira nas eleições e na política. A quase totalidade dos escândalos que entravam a vida nacional e sangram os cofres públicos está relacionada com a doação de empresas aos políticos, que retribuem o favor legislando contra o interesse da maioria da população e superfaturando obras, ambulâncias, remédios. Sem o fim da doação de empresas para políticos a roubalheira nas eleições será eternizada.

Não é possível silenciar quando a presidente Dilma, eleita legitimamente pela maioria da população brasileira para manter e aprofundar os avanços dos governos populares, concede a tal ponto em nome de uma suposta governabilidade que entrega a economia aos banqueiros, a agricultura aos latifundiários do agronegócio e a política aos sanguessugas do PMDB, um partido que é eternamente governo porque sua única convicção é ser eternamente governo. Se eu imaginasse que e Katia Abreu, Levy e Eliseu Padilha poderiam ser ministros de Dilma teria votado em Luciana Genro.

Infelizmente, quem deveria fiscalizar o governo, o legislativo e o judiciário é a imprensa, que tornou-se irrelevante quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer oposição partidária. A imprensa brasileira, que sempre foi ferozmente governista, descobriu sua vocação oposicionista quando a Casa Grande perdeu um pouco o seu poder. É constrangedor ver jornalistas ou similares pensando exatamente como seus patrões mandam. Talvez pela profunda crise que o setor atravessa, com jornais e audiências minguando, velhos jornalistas e jovens sedentos de poder e fama se agarrem aos seus empregos com unhas e dentes, repetindo bobagens até a náusea. A verdade não agrada o patrão? Esqueça! O bandido disse que também deu dinheiro aos tucanos? Ignore! O patrão esconde dinheiro na Suíça e sonega fiscais para não pagar impostos? Não é comigo! O mensalão foi criado para eleger o presidente do PSDB? Concentre-se no plágio petista! A acusação contra um petista não faz sentido? O que importa? A antiga imprensa, que já estava seriamente ameaçada por conta da revolução digital, acelerou seu caminho para o fim abrindo mão do princípio básico do jornalismo: a defesa da verdade factual. Quando a história da antiga imprensa brasileira for contada descobriremos que ela não morreu, suicidou-se.

Você pode achar esta conversa de política uma chatice, e é mesmo. O problema é que os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam. Ontem, pela segunda vez, imbecis agrediram o ex-ministro Mantega num restaurante. Outro dia foi num avião, um jornalista - sozinho - que lia uma revista, foi atacado por um punhado de trogloditas. Jô Soares foi ameaçado de morte por entrevistar a presidente da república, eleita democraticamente. Os sinais de intolerância crescem, tornam-se mais frequentes e mais violentos, é de se esperar que a ignorância dos mal informados covardes que andam em bando logo produza vítimas. Silenciar é ser cúmplice deste fascismo crescente.

Votei no Lula e na Dilma na esperança de promover a inserção social, a melhor distribuição de renda, para garantir a geração de empregos, o acesso dos filhos dos trabalhadores às universidades, na esperança de melhorar a vida dos mais pobres, para ver a corrupção ser investigada e punida. Tudo isso aconteceu, menos do que eu esperava, porém mais do que nunca. 40 milhões de pessoas passaram a ter uma vida mais digna, a fome foi praticamente erradicada, os níveis de emprego se mantém altos, milhares de jovens passaram a ter acesso ao ensino superior, a mortalidade infantil no Brasil caiu pela metade.

O combate à corrupção também avançou muito. Uma lei promulgada por Dilma permite que hoje os corruptores também sejam punidos. A Polícia Federal investiga, o Procurador Geral da República não engaveta as denúncias e vemos, pela primeira vez, empresários, políticos e banqueiros graúdos serem investigados e presos. É bom lembrar (já que ninguém lembra) que Renan Calheiros, que hoje é investigado pela Polícia Federal, no governo de Fernando Henrique era o Ministro da Justiça e, portanto, chefe da Polícia Federal! E foi neste momento (segundo o Ministério Público e segundo vários bandidos delatores), no final do primeiro mandado de FHC, que a quadrilha de Youssef começou a roubar a Petrobrás. Mas também é fato que a continuidade no poder atraiu toda espécie de picaretas que, somados aos picaretas já existentes no PT, sugam os recursos públicos que faltam para os hospitais, para a escolas, para a segurança pública. E os avanços do governo popular começam a ser comprometidos.

Felizmente - talvez pela cretinice evidente dos seus apoiadores na mídia - a direita brasileira tem perdido eleições com agradável regularidade, foram quatro, em dois turnos, nos últimos 13 anos. Oito vezes o povo brasileiro foi às urnas dizer não à intolerância, ao egoísmo e a hipocrisia. Espero que eles percam outra vez em 2018, mas se até lá o PT não se livrar desta direita truculenta, homofóbica, picareta e ignorante, pode até ganhar as eleições, mas não terá mais o meu voto.

Afinal, até quando vamos aceitar calados as agressões dos derrotados nas urnas, uma elite iletrada, egoísta, ignorante e preconceituosa, que ficou 500 no poder e transformou o Brasil no país mais desigual do planeta?

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Filmes: "Divertida Mente"

ESTUDO SOBRE A DEPRESSÃO

Animação da Pixar comprova que pode existir vida inteligente mesmo dentro da indústria cultural estadunidense

- por André Lux, crítico-spam

“Divertida Mente” é provavelmente a obra-prima da Pixar. O mais interessante é que a nova animação do estúdio parecia, pelos trailers, um tremendo erro. Afinal, que história era aquela de representar as emoções humanas com personagens cômicos em uma sala de controle?

O filme, porém, é uma grata surpresa, muito criativo, bonito, bem dirigido (pelo mesmo sujeito que fez “Monstros S.A.” em parceria com o diretor de "UP: Altas Aventuras"), engraçado e ainda por cima educativo. Pais inteligentes e antenados em psicologia certamente vão encontrar nele mil maneiras de usar os personagens Alegria, Tristeza, Raiva, Nojo e Medo de maneira positiva na educação dos filhos (claro que sempre deixando claro pra eles que somos nós que estamos no controle das emoções e não contrário!).

O mais interessante é que “Divertida Mente” acaba sendo um estudo da Depressão, doença silenciosa que vitima milhares de pessoas e que é muito difícil de diagnosticar e tratar. Quando a menina Riley perde a Alegria e a Tristeza, que são sugadas para fora da sala de controle, passa a apresentar alguns dos clássicos sinais de Depressão: irritabilidade, desânimo, ansiedade, apatia, entre outros.

O filme retrata com perfeição também o perigo que é uma pessoa tomar decisões importantes com esse quadro e dominada pela Raiva ou pelo Medo, além das graves consequências que isso pode causar não só para ela, mas também para todos que estão em volta – especialmente os familiares.

 Claro que tudo isso não vai fazer muita diferença para quem não está minimamente ligado no assunto. Mas para o resto dos mortais o filme funciona mesmo assim graças a um roteiro muito bem escrito, repleto de tiradas cômicas na hora certa, comentários ácidos sobre a eterna “guerra dos sexos”, exploração das criaturas terríveis que habitam o subconsciente e dos sonhos e delírios que habitam a mente das crianças. É particularmente tocante o destino do Bing Bong, o amigo imaginário da pequena Riley, que é uma mistura de elefante, gato e algodão doce.

Embalado por uma trilha musical deliciosa composta pelo esforçado Michael Giacchino (o tema principal é simplesmente contagiante), “Divertida Mente” comprova que pode existir vida inteligente mesmo dentro da indústria cultural estadunidense. Imperdível!

Cotação: * * * * *





quinta-feira, 25 de junho de 2015

EU ERA MAIS À ESQUERDA MAS, DIANTE DO QUE VEJO, EU ME RENDO

O ovo da serpente chocou e a
próxima vítima poderá ser você
Eu nem era tão Lula assim. Sou mais à esquerda mas, votei nele em 2002.
Contudo, esperava mais, muito mais. Tolice.

Em um Brasil com a pior e mais podre elite política e social do mundo, com parte de uma classe média fascista, que já depôs presidente popular, que já fez presidente popular suicidar, esse homem, sem derramar sangue, sem criar abalos, esse homem fez a mais profunda reforma na estrutura social brasileira - votei nele em 2006 novamente.

Eu nem era tão Dilma assim. Sou mais à esquerda. Mas, votei nela em 2010. Todavia, esperava mais. Mas, veja: Dilma enfrentou Globo, enfrentou Veja, enfrentou fascistas. E ganhou. E venceu o golpe sujo da direita brasileira.

Aprofundou a reforma na estrutura social brasileira. E então lembrei-me - é a mesma que venceu câncer, que venceu torturadores, que venceu ditadura. E permanece com um governo admirado pelo mundo inteiro. E amada por seu povo (falei povo). 

Acredita, firmemente, que é possível fazer deste país um país justo. Enquanto os abutres da direita, almas pequenas, enlouquecem ao perceberem que, embora façam de tudo, não atingem a nobre dama - votei nela em 2014 novamente.

Eu nem era tão PT assim. Sou mais à esquerda. Entretanto, tenho visto esse partido apanhar inacreditavelmente da parte fascista da sociedade brasileira e manter-se de pé. 
E com dignidade. 

Apanha de canal de televisão corrupto, apanha de juiz financiado pelo golpe, apanha de tucanos financiados pelos EUA, apanha da máfia. Ninguém resistiria a tudo isso. E no entanto, inacreditavelmente, resistem.

Lula mantém o mesmo sorriso de esperança por um Brasil melhor, como no início. 
A mesma emoção. 

Dilma segue adiante, realizando um governo voltado para o bem estar do povo. Fazendo do golpe - que derrubaria qualquer um - em algo que não a atinja. Faz crer que o sonho não acabou.

Ambos, Lula e Dilma, tiraram milhões da miséria. Deram nova perspectiva à sociedade brasileira. Fizeram do Brasil um país do presente.

Volto às urnas em 2018 para votar no Lula. Entendendo que, finalmente, depois de 500 anos, minha pátria encontrou seu caminho.

- por Walter Ferreira, funcionário público, bacharel em Direito e fazendo licenciatura em História (não recebe bolsa-família, é de esquerda e vota no PT).

terça-feira, 23 de junho de 2015

Adeus, James Horner...


Compositor James Horner morre em acidente aéreo


O avião do compositor James Horner, famoso pelas trilhas de "Titanic", "Krull", "Jornada nas Estrelas 2", "Coração Valente", entre centenas de outras, caiu hoje a tarde, em Los Angeles.

As autoridades informaram que uma pessoa morreu no acidente. Apesar de ainda não ter sido oficialmente confirmado, Horner provavelmente estava pilotando o avião.


Uma notícia muito, muito triste. Horner foi um dos compositores de música de cinema que mais me emocionaram, especialmente em minha juventude.

Abaixo, deixo para vocês ouvirem um trecho da trilha de "Krull", minha favorita dele.



Abaixo, a faixa Elora Danan de "Willow", uma de suas melhores trilhas.


 "Lendas da Paixão", uma de suas mais belas trilhas:

 

Música de encerramento de "Cocoon", uma de minhas favoritas...

sábado, 13 de junho de 2015

Filmes: "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros"

PARA BRUCUTUS

Novo filme da franquia "Jurassic Park" consegue ser pior que o segundo e transforma o primeiro numa obra-prima!

- por André Lux, crítico-spam

A trupe responsável pela franquia Jurassic Park nos cinemas fez algo que parecia impossível: um quarto filme que é ainda pior que todos os outros três! Leia aqui minha análise deles.

Não estava esperando nada desse “Jurassic World” e confesso que até fiquei um pouco animado depois de ler tantas críticas positivas por aí. Mas à medida que a projeção avançava e as besteiras foram se amontoando, vi que tinha caído numa cilada.

Esse novo filme consegue ser pior que o segundo, “O Mundo Perdido”, e transforma o primeiro numa obra-prima - o que, convenhamos, não é nada fácil! Em horas como essa a gente lembra que, mesmo no seu pior momento, Steven Spielberg (que aqui atua só como produtor executivo) é alguém que realmente entende de cinema e, por isso, capaz de produzir ao menos uma ou outra cena antológica até mesmo em seus filmes mais medíocres.

Já esse novo filme é tão mal feito tecnicamente que parece mais antigo que os originais! A direção é inexistente, os efeitos são fracos, a edição pavorosa (chegam a repetir três vezes uma mesma tomada geral do parque logo no começo do filme, praticamente em seguida) e os atores péssimos, principalmente as duas crianças. O único que livra a cara é o galãzinho Chris Pratt, que esteve tão mal no fraquíssimo "Guardiões da Galáxia", mas aqui até que convence como herói de ação.

Mas o que impressiona mesmo é a ruindade do roteiro, mais cheio de buracos e falta de lógica que os dois primeiros somados e  parece uma colcha de retalhos do que existiu de pior neles. Ou seja, tem uma trama ridícula, excesso de pieguice e nenhum suspense. É praticamente uma refilmagem do primeiro filme, ainda que citem explicitamente os acontecimentos dele e insistam que se trata de um novo parque, embora na mesma ilha.

Só que o novo parque tem falhas de segurança tão grandes e ridículas que governo algum autorizaria sua construção, tipo uns carrinhos em forma de bola que andam no meio dos dinossauros e são pilotados pelos visitantes, que podem inclusive ignorar uma ordem de voltar! 

Em outra cena abismal, os guardas do parque entram dentro da jaula do novo super dinossauro só para olhar marcas que podiam ver de dentro da sala de controle e, claro, causam a fuga dele. Aí os guardas do parque vão enfrentar o monstro com umas armas que dão apenas uns fracos choques elétricos, quando já havia sido estabelecido que eles tinham acesso a armas de tranquilizantes totalmente eficazes, que são usadas depois na invasão dos pterodáctilos!


"Fiquem calmos, eu trouxe minha arma que dá choques"
Esse novo dino, por sinal, age além de qualquer lógica. Ele ser super inteligente (para um dinossauro), vá lá. Agora, disfarçar sua energia térmica só para não ser captado pelo sistema de segurança ou arrancar o seu implante localizador obrigaria que ele tivesse conhecimento técnico do funcionamento do parque! Pedir que eu desligue o cérebro para curtir um filme, eu até aceito. Mas querer arrancar ele da minha cabeça para colocar um monte de esterco no lugar, aí não dá! 

E que história é aquela de tentar transformar os Velociraptors em armas para o exército, igual queria a bendita "companhia" de "Alien"? Se não bastasse isso, ainda viram bonzinhos no final e defendem seu "treinador"! É sério, não estou inventando!

Finalmente o que você sempre sonhou ver: Velociraptors amigos!
Todas essas falhas, idiotices e absurdos até poderiam ser ignoradas se o filme ao menos fosse bem feito e causasse o mínimo de suspense e tensão (coisa que o terceiro da série até conseguiu). Mas não chega nem perto disso. É tedioso, repetitivo, sem qualquer ritmo e só tem personagens que agem de maneira burra e irritante, fatores que implodem qualquer tentativa de criar terror. Chegam ao cúmulo de copiar plano a plano uma cena de "Avatar" (os meninos pulando na cachoeira) e "Aliens" (aquela dos soldados sendo mortos e seus visores apagando um a um).

Nem a trilha musical do esforçado Michael Giacchino chega a ser memorável e ele é obrigado a apelar a toda hora para o tema original composto por John Williams para o primeiro filme na tentativa de criar ao menos alguma sensação de nostalgia, mas sem sucesso, pois essa música é majestosa demais para as mixarias que vemos na tela.

Todavia, "Jurassic World" está fazendo sucesso nas bilheterias, provando que o nível de exigência das pessoas está cada vez mais baixo. Enfim, nada mais natural que um bando de brucutus se delicie com um filme tosco sobre dinossauros...

Cotação: *

sexta-feira, 29 de maio de 2015

Filmes: "Mad Max: Estrada da Fúria" (revisada)

NÃO CUMPRE NEM O QUE PROMETE

Novo filme da série Mad Max parece uma colcha de retalhos da perseguição do segundo com o que existiu de pior no terceiro 

- por André Lux, crítico-spam

Esse novo Mad Max é uma grande decepção. Confesso que não estava esperando muito depois de ver os trailers, que já deixavam claro que o excesso e a histeria iriam prevalecer. 
Mas mesmo assim aguardava algo um pouco melhor do que uma longa (e tediosa) sequência de perseguição que dura duas horas e, basicamente, sai do nada e chega a lugar nenhum. 

O filme tem pouca relação com os anteriores, estrelados por Mel Gibson, cujo segundo capítulo é uma obra-prima do cinema, especialmente nos quesitos edição e fotografia. 
Apesar de ter sido concebido e dirigido pelo mesmo George Miller da trilogia original, "Mad Max: Estrada da Fúria" parece uma colcha de retalhos da antológica perseguição ao caminhão tanque do segundo filme com o que existiu de pior no terceiro capítulo ("Mad Max Além da Cúpula do Trovão"), que foi estragado justamente pelo excesso de figuras caricatas e uma narrativa flácida e praticamente isenta de suspense.

O novo filme já começa mal, com Max sendo preso facilmente e passando os próximos trinta minutos de projeção sendo arrastado de um lado para o outro por um bando de moleques chatos e histéricos, dando a impressão que é um sujeito incompetente e burro - o oposto do que deveria ser.

Mas o que mata mesmo o novo filme é a falta de qualquer elemento dramático que nos ligue aos personagens e nos faça sentir algo por eles. Embora algumas cenas de perseguição sejam bacanas e bem encenadas "ao vivo" e sem muitos efeitos digitais, é tudo tão primário, caricatural e excessivamente coreografado que a gente acaba não dando a mínima para o que acontece. Não há aqui nem sombra da tensão e suspense de "Mad Max 2", que ainda se dava ao luxo de ter um humor negro afiadíssimo, inexistente aqui.

O problema nem é tanto a premissa de fazer um filme que é, basicamente, uma única e longa cena de perseguição, mas sim a falta de sutileza como que tudo é mostrado e o grande número de clichês de filmes de ação que deveriam ter sido evitados. A primeira parte da caçada, que termina durante uma tempestade de areia imensa, não chega a incomodar. Mas, depois disso, o filme vai ficando cada vez mais absurdo, já que não tem como um caminhão daquele tamanho e peso continuar correndo mais que centenas de carros potentes e então ficam inventando desculpas sem nexo para atrasar os perseguidores.


A ação dos vilões, comandados por um sujeito deformado pela radiação, chamado de Immortan Joe (feito pelo mesmo ator que foi o Toecutter no primeiro "Mad Max"), também não faz muito sentido, pois se no começo da perseguição o objetivo deles é resgatar as fugitivas, depois esquecem isso e saem atirando para matar todo mundo. Não convence o fato de tentarem imputar uma liderança místico-religiosa ao vilão frente à sua gangue, especialmente os tais moleques pintados de branco, e isso só serve para aumentar o nível geral de histeria.

Também não foi uma boa ideia colocar no papel título Tom Hardy (que surgiu no cinema como o ridículo vilão Shinzon de "Star Trek: Nemesis"), pois continua sendo um ator neutro, que fala pra dentro e não tem o menor carisma (algo que sobrava para Gibson). 

Quem nasceu para Shinzon nunca será Mad Max...
É triste também ver um diretor como Miller, que trabalhou com monstros da música cinematográfica como Jerry Goldsmith, John Williams, Maurice Jarre e Brian May, rendendo-se ao que há de pior no gênero hoje ao chamar para compor a trilha musical um tal de Tom Holkenborg, que se auto-intitula “Junkie XL” (um nome artístico que já diz tudo!). 

O sujeito é um DJ ou coisa parecida que andou participando de algumas trilhas do abominável Hans Zimmer, como “Homem de Aço”, e, claro, segue a cartilha zimerística de “como compor música ensurdecedora, opressiva, quase sempre em ré menor e repleta de ostinatos simplórios e repetitivos”. Haja saco para aguentar esse lixo que está agora em tudo quanto é filme e periga estourar nossos sensíveis tímpanos!

Para ser sincero, uma das únicas coisas positivas no filme é o tom feminista que guia às ações da personagem Furiosa (feita por uma apática Charlize Theron), embora seu plano de fuga seja completamente absurdo e forçado. O desenho de produção dos vilões e sua cidadela é realmente criativo, mas muito exagerado, caindo para o nível "desfile de escola de samba" que colabora para deixar tudo ainda mais caricatural. 


Não ajuda nada o fato do exagero no número de carros perseguindo o caminhão tanque, ainda mais com gente tocando tambor e um sujeito fazendo solos de guitarra que espirra fogo, um contra-senso já que o filme se passa num mundo pós-apocalíptico onde tudo é racionado ao extremo, especialmente a água e o combustível.

A fotografia de John Seale é deslumbrante e recheada de cores vivas e quentes, porém depois de um tempo acaba cansando porque o filme todo se passa num deserto e nem mesmo chegamos a ver qualquer ruína da antiga civilização.

Estranhamente, esse novo Mad Max está sendo altamente elogiado pelos críticos mundo afora, mais uma prova do delírio coletivo que de vez em quando toma conta dos profissionais da opinião que, aparentemente, também são vítimas do “efeito manada”. 

Mas, infelizmente, é muito barulho por nada pra variar e não cumpre nem o que promete.

Cotação: * *

terça-feira, 26 de maio de 2015

"Nossa gestão tem como meta olhar e trabalhar pelo povo", diz Bigardi

O prefeito comunista de Jundiaí/SP Pedro Bigardi fez breve balanço de sua gestão, falou do projeto do PCdoB para as cidades brasileiras e destacou que, "em Jundiaí, nosso compromisso é com uma gestão que olhe e trabalhe pelo povo".

- Por Joanne Mota, da Rádio Vermelho

"A forma adotada para o nosso projeto em Jundiaí tem tudo a ver com um projeto mais amplo que é fertilizado nas trincheiras comunistas. Quando pensamos a cidade e o povo com o detalhe e a preocupação devida, confirmamos não só um projeto de gestão, mas também um projeto de sociedade que o PCdoB tem pensado e aplicado em diferentes locais do país", acentuou ele.

Durante a conversa, Bigardi ainda falou sobre os avanços dados pela sua gestão e que transformaram Jundiaí em uma cidade cada vez mais moderna, conectada e humana. Um retrato, segundo ele, muito diferente do encontrado quando de sua posse.

"A conservação da cidade está entre as prioridades. Uma cidade bem cuidada reflete na saúde e bem-estar social. Além de impactar no cartão postal da cidade. Em 2012, encontrei uma Jundiaí com aspecto de abandono. Ao final da minha gestão, a meta é criar uma nova forma de governar e entergar uma cidade moderna, avançada e mais inclusiva".

Além da infraestrutura, Bigardi falou sobre açõs importantes na área da Saúde, Cultura e, especialmente Educação.

Educação


Ao final da entrevista o prefeito de Jundiaí falou sobre os esforços da gestão para avançar na Educação. Ele informou que o município possui oito escolas de ensino integral, ams que a meta é ampliar ainda mais. "Sabemos que a escola de tempo integral vai além da mera educação formal. Ela complementa o ciclo de formação da criança ou do jovem com atividades esportivas e culturais, por exemplo. Um esforço fundamental para a formação social", destacou o comunista.

No último sábado (23), Jundiaí conclui elaboração do Plano Municipal de Educação. De acordo com informações da Secretaria de Educação na manhã desta segunda-feira (25), os delegados concluíram a votação das metas e estratégias para a educação nos próximos dez anos (2015-2025). Agora, o documento será transformado em projeto de lei e seguirá para a votação na Câmara Municipal.

O documento-base elaborado pela comissão organizadora recebeu mais de 150 sugestões. A sociedade participou e deu sua contribuição de maneira ampla e democrática.

Pedro Bigardi foi eleito com 65,57% dos votos dos eleitores de Jundiaí, fruto da vontade de mudança da população da cidade. “Antes da campanha começar fizemos uma pesquisa qualitativa na cidade e percebemos que a população queria mudança, mas tinha um certo receio de uma mudança que não fosse responsável ou boa para a cidade.”


Clique aqui para ouvir a entrevista completa no site Vermelho.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Filmes: "Judge Dredd" (1995)

OS FÃS ESTÃO ERRADOS!

Primeira adaptação do Juiz Dredd para os cinemas foi massacrada na época do lançamento, mas resiste bem a uma revisão

- por André Lux, crítico-spam

O Juiz Dredd é um personagem dos quadrinhos, criado por John Wagner e Carlos Ezquerra, que já rendeu duas versões para as telas dos cinemas.

A ação das histórias do Juiz se passa num futuro distópico, após uma guerra nuclear que deixou a maior parte do planeta devastada por radiação, onde os humanos sobreviventes se aglomeram em gigantescas mega-cidades que vivem sob o julgo de um sistema penal totalitário e fascista, no qual os policiais tem poder absoluto de polícia, júri, juiz e executor. O melhor deles é justamente Dredd, o mais impiedoso e rígido, fruto de uma experiência de clonagem.


A primeira versão para os cinemas, "Judge Dredd" ("O Juiz" no Brasil), foi vivida por Sylvester Stallone, o eterno Rambo, e dirigida por um garoto de 26 anos chamado Danny Cannon, em 1995. Apesar de ter sido rejeitado pela maioria dos fãs do personagem, o filme não é ruim. Pelo contrário.

Tem efeitos especiais bacanas para a época, excelente música de Alan Silvestri (dos "De Volta Para o Futuro" e "Predador"), fotografia requintada de Adrian Biddle e um desenho de produção muito bonito, com direito às armaduras dos juízes criadas pelo famoso estilista Gianni Versace.

Canastrice e queixo de Stallone são perfeitos para Dredd
Os fãs reclamam até hoje do fato de Dredd tirar o capacete no filme, algo que jamais faz nos quadrinhos. Mas, sinceramente, isso não me incomoda simplesmente porque na trama contada pelo filme, que o mostra sendo injustamente acusado de um crime e enviado à prisão, não teria mesmo como ele ficar usando ele o tempo todo.

Confesso que não conhecia o personagem quando assisti nos cinemas, mas minha apreciação ao filme aumentou ainda mais depois que passei a acompanhar os quadrinhos, já que descobri que o roteiro faz uma salada bastante interessante das origens de Dredd com outros personagens clássicos.

Além disso, conta com um elenco de apoio muito bom, com direito a Max Von Sydow (como o Juiz Fargo), Jurgen Prochnow, Diane Lane, Joan Chen e um Armand Assante que praticamente mastiga o cenário com sua interpretação over do juiz Rico.

Armand Assante, como Rico, praticamente mastiga o filme
"Judge Dredd" também não tem medo de colocar o dedo na ferida e mostrar o quanto a "justiça" fascista daquele mundo é perigosa e absurda, ao colocar o próprio Dredd como vítima do sistema que ele até então defendia com unhas e dentes, sem questionar (algo que os próprios quadrinhos abordam raramente).

O que atrapalha o filme acaba sendo justamente a presença de Stallone, cuja canastrice até ajuda na caracterização. Apesar de ficar perfeito no uniforme (especialmente graças ao seu enorme queixo), ele ainda recebia tratamento de estrela e exigiu várias mudanças no roteiro, inclusive poder disparar aquelas frases cômicas infames que estavam na moda na época, mas que destoam completamente do personagem
. Embora nos quadrinhos exista bastante humor (negro), ele nunca vem de Dredd, que é mortalmente sério.

O grande Max Von Sydow como Fargo: coadjuvante de luxo
Mas é pouco para estragar a diversão. Esse é o tipo de filme que resiste bem a uma revisão, mesmo ficando datado em certos aspectos. Neste caso, os fãs estão errados!

Cotação: * * * 1/2

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Sonho de nerd: ver "Mad Max 2" no cinema!



É impressionante como ver um filme no cinema, com a sala lotada, é uma experiência inigualável. Eu perdi a conta de quantas vezes já vi "Mad Max 2" em casa, um dos meus filmes favoritos de todos os tempos. 

Mas ontem pude ver na tela grande do cinema, na maratona "Mad Max" promovida pelo Cinemark, e foi como se tivesse visto pela primeira vez na vida! 

Emocionante é pouco para descrever...


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