quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Minha opinião sobre o caso Idelber Avelar

À esquerda, temos um Predador. Já à direita, apenas um babaca
Acompanhei com perplexidade as denúncias feitas contra o professor e blogueiro Idelber Avelar, uma pessoa que, faço questão de dizer, acho desprezível por vários motivos e com quem rompi qualquer tipo de relacionamento há anos.

Agora, sobre a suposta denúncia contra ele feita por uma blogueira feminista, que deu voz a um grupo de mulheres que acusam o sujeito de tê-las violentado e coisas do tipo, não posso ficar calado.

Meus pensamentos abaixo são basicamente uma resposta a um artigo publicado no ótimo site Diário do Centro do Mundo, intitulado "Por que para mim os diálogos do caso Idelber Avelar não foram consensuais" e escrito por Nathali Macedo.


Sugiro que leia o artigo dela antes de continuar lendo meu texto.

Sinceramente, dizer que as mulheres foram "violentadas" não faz o menor sentido. Muitos menos que as conversas não foram consensuais. Como assim não foram? 

O cara mandou a foto do pinto, agiu de forma grosseira desde o início e a mulher continuou teclando com ele e foi até as últimas consequências no mundo real, não gostou e aí vem posar de vítima de violência? 

Outra coisa: afirmar que as moças são pobres vítimas de um violentador porque sentiram-se atraídas pelo fato dele ser um professor respeitável e cheio de títulos é a mesma coisa que dizer que são violentadas aquelas que correm atrás de homens ricos, poderosos ou famosos (jogadores de futebol?) e que as desprezam depois. 

O que dizer então das famosas "groupies", que são taradas por sujeitos que tocam em bandas pop e fazem de tudo para conquistar um deles, sendo que a maioria é descartada como lixo depois de algumas transas? São todas pobres coitadas, vítimas de violentadores? 

Tenham dó!

Não nego que se trata de um sujeito arrogante e grosseiro, que curte um feitiche bem agressivo conhecido com "cuckolding"
, mas lendo as conversas privadas (publicadas de forma absurda e provavelmente criminosa) a gente percebe claramente que ele sempre se portou dessa forma! 

Mesmo assim, as moças OPTARAM livremente por continuar a relação virtual e algumas ainda foram além. Como assim foram "violentadas"??

E outra, esse papo de falar que ele só seduzia mulheres fragilizadas e carentes é ridículo. Porque, convenhamos, ou ele tem uma bola de cristal poderosa ou então foram as próprias meninas que se abriram pra ele e contaram isso, certo? O cara, como qualquer homem atrás de sexo, jogava a sua isca. Certamente a maioria das mulheres o xingava ou bloqueava direto. Mas algumas, obviamente, se sentiam atraídas ou ao menos curiosas. Coisa mais normal do mundo.

Aí algumas chamam o cara de "predador", como se isso fosse crime! Não está lotado de mulheres que ADORARAM o tal do "50 Tons de Cinza", que eu não li, mas pelas análises, é bem parecido com o que rolou aí nesse caso? Um lance meio sadomasoquista dominado por um homem que gosta de humilhar as mulheres? 

Então, a pergunta é simples: se não gostavam da atitude dele, POR QUE ELAS CONTINUARAM A BRINCADEIRA? Se continuaram, é porque estavam gostando, oras! Depois se arrependeram? O cara prometeu e não cumpriu? Isso é crime, violência, onde? 

Ele colocou uma arma na cabeça delas e as obrigou? Ele era chefe delas e usou desse poder hierárquico para forçá-las? Se fosse isso, aí sim, teriam sido violentadas. Só que nada nem próximo disso aconteceu!

Aí vem falar que elas foram vítimas de um "jogo", de uma "manipulação" monstruosa e violenta. Então, continuo sem entender que "jogo" foi esse. Ele por acaso chamou elas para uma leitura da Bíblia? Para conhecer a coleção de livros do Alan Kardec dele? E aí pulou em cima das coitadas e as estuprou? 

Não! O cara manda foto do pinto já de cara e fica chamando as moças de "putinhas" e tal e elas não tinham A MENOR ideia do que se tratava? Desculpe, mas não cola.

Essa defesa insana dessas "pobres coitadas violentadas pelo professor fodão" ficou ridícula e só denigre ainda mais o movimento feminista. 

Acho que seria bom darem um passo atrás e enxergarem esse barraco todo como ele realmente é.

Uma coisa é desmascarar o pseudo-feminismo do sujeito. Outra coisa é acusá-lo de ter violentado as tais mulheres. Ele não violentou. Elas fizeram tudo porque quiseram. Ponto. Ele é sacana? Pérfido? Mal caráter? Podemos até dizer que sim. Mas, criminoso? Violentador? Aí não, né?

Para mim parece que tudo aconteceu por causa da maldita repressão sexual que impera nessa nossa sociedade doente.

E a repressão sexual é uma coisa triste, que pode levar as pessoas à loucura. Principalmente quando experimentam práticas que são "condenadas" por essa sociedade hipócrita e falso moralista.

Eu já vi muito isso acontecer, tanto com homens quanto com mulheres: a pessoa descobre que uma determinada tara ou fetiche a excita, não resiste, experimenta e depois pinta a culpa, o trauma, o arrependimento.

E aí, ao invés de ir buscar uma terapia, se entender, se resolver, se faz de vítima e joga a culpa no(a) "predador(a) que a induziu a fazer isso e aquilo sem ela saber de nada".

Sinceramente, isso é patético. Vamos evoluir, gente, senão fica difícil...

Agir como inquisidores prontos para linchar publicamente alguém só porque tem uma tara considerada agressiva ou "errada" por certas pessoas é algo simplesmente abominável.

O ataque dos coxinhas


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Alunos do SESI participam de atividade do projeto de conservação da Ponte Torta


Na sexta-feira (28), a carreta itinerante do projeto Ações de Conservação e Zeladoria da Ponte Torta ficou na praça da esquina das avenidas Nove de Julho e Prefeito Luiz Latorre, ao lado do Jardim Morumbi. 
Duas turmas de alunos de sexta série do SESI participaram, no local, de uma atividade lúdica que teve como objetivo enfatizar a importância da preservação dos monumentos históricos. 
A ação também mostrou que o projeto da Ponte Torta pode contribuir para o processo de aprendizagem e educação sobre o patrimônio histórico e cultural de Jundiaí.
Os alunos de 11 a 12 anos do SESI aprenderam brincando sob a supervisão do arquiteto Toninho Sarasá, especialista em restaurações, a construir muros e também uma réplica da Ponte Torta utilizando materiais de espuma. A experiência foi muito bem recebida, tanto pelas crianças quanto pelas professoras que acompanharam a atividade.
"Esse projeto de conscientização é muito bacana e vem ao encontro das aulas que estávamos ministrando às crianças sobre a importância da preservação dos patrimônios históricos. Inclusive havíamos visitado vários pontos da cidade, como a Ponte Torta, que acabou sendo o que eles mais lembraram. Tenho certeza que essa é uma experiência que vão levar para toda a vida", elogia Nívia Massareto Berges, professora de Geografia do Sesi.
"Gostei de entender como eles fizeram a Ponte Torte naquela época, nunca imaginava que os antigos já tinham tanta sabedoria sobre esses assuntos", disse a aluna Tainara Vieira, de 11 anos.
Julia Camargo, de 11 anos, também ficou surpresa com as técnicas usadas para construir a Ponte Torta. "Achei que era uma coisa super simples e fácil, mas não foi não, foi bem difícil. Agora quando eu for lá vou ver a ponte de outra maneira".
Daniela da Camara Sutti, secretária de Planejamento e Meio Ambiente da prefeitura de Jundiaí, explica que a intenção do projeto é trabalhar a conscientização não apenas das gerações mais antigas, mas também das novas para que entendam a importância da preservação dos patrimônios históricos da cidade e do mundo todo. 
"Afinal um povo que não cuida da sua história, é um povo sem memória. E quem garante que daqui não vão sair futuros engenheiros ou arquitetos, estimulados por experiências como essa?", questiona.







domingo, 23 de novembro de 2014

Revista Veja: Laboratório de invenções da elite

“Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli. “Assim, a revista ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta.




- Por Anselmo Massad, da revista Fórum

Um movimento popular ganhava atenção e simpatia da opinião pública fazia dois anos. Era preciso desmoralizá-los. 

Em junho de 1998, a capa da revista semanal com maior tiragem do país enquadrava uma das lideranças do movimento com uma iluminação avermelhada produzida nas telas de um computador sobre o rosto com uma expressão tensa. 

A chamada não deixava dúvidas: “A esquerda com raiva”. O rosto demonizado era de João Pedro Stédile, líder do movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), e a publicação, Veja.

Na matéria, além de explicitar sua posição, descredenciando o movimento por defender idéias contrárias às defendidas pela revista, os sem-terra eram apresentados como grupo subversivo-revolucionário, quase terrorista. 

Apesar das quase duas horas de entrevista, só foram aproveitadas declarações do líder de debates sobre socialismo em congressos devidamente descontextualizados. 

Stédile conta que, após a publicação daquela reportagem, ele e as lideranças do movimento tomaram a decisão de não atender mais à revista. Na época, uma carta anônima circulou por correio eletrônico revelando supostos detalhes de como a matéria teria sido produzida. 

A carta não comprova nada, e atribui ao secretário geral de Comunicações de Governo de Fernando Henrique Cardoso, Angelo Matarazzo, a “encomenda” para desmoralizar os sem-terra.

A iniciativa de não dar entrevistas à Veja também foi adotada por Dom Paulo Evaristo Arns, ex-arcebispo da Arquidioscese de São Paulo, quando presidia a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O motivo era a distorção da cobertura. Procurado, não quis discutir o tema, apesar de manter a determinação de não conversar com jornalistas do veículo.

O presidente venezuelano Hugo Chávez é o mais recente alvo no plano internacional. Em 2002, Veja chegou às bancas no domingo com a chamada "A queda do presidente fanfarrão", quando a reviravolta já havia ocorrido e a manobra golpista denunciada. 

A "barriga", jargão jornalístico empregado a erros da imprensa, não foi sequer corrigida ou remediada. Em 4 de maio desse ano, Hugo Chávez voltou a ser alvo da revista, com a pergunta na capa "Quem precisa de um novo Fidel?", ditador cubado a quem a revista sempre se esperneou.

A lista é extensa, mas as razões derivam de uma fórmula simples. “Veja faz um jornalismo de trás para a frente”, explica Cláudio Julio Tognolli, repórter do semanário na década de 1980 e hoje professor da USP. Segundo ele, se estabelece uma tese e a partir dela se parte para a rua, para a apuração. 

Ouvir lados diferentes da história e pesquisar sobre o tema são práticas que não alteram a “pensata”, jargão para definir a tese que a matéria deve comprovar. Dentro da redação, o melhor repórter é o que traz personagens e fontes para comprovar a tese. “Assim, Veja ensina à classe média bebedora de uísque o que pensar”, alfineta.

Júlio César Barros, secretário de redação da revista, negou esse tipo de procedimento, em entrevista realizada em meados de 2003. Ele admitiu, porém, que a posição da revista é muito clara e conhecida por todos, do estagiário ao diretor. 

“Medidas irresponsáveis, que atentem contra as leis de mercado ou tragam prejuízos para a economia não terão apoio da revista, que prefere políticas austeras e espaço para o empresariado”, resumiu. 

A versão oficial do jornalismo praticado pela revista é de que, depois de ouvir especialistas e as pessoas envolvidas, o repórter normalmente já tem uma opinião formada sobre o assunto e a reproduz na matéria. Quem já trabalhou na revista nega.

“As assinaturas das matérias são uma ficção”, sintetiza um ex-colaborador da revista que não quis se identificar. As matérias são reescritas diversas vezes. 

O repórter entrega o texto que é modificado pelos editores, depois refeito pelos editores executivos e, por fim, pelos diretores de redação. 

No final da “linha de montagem”, o repórter, que pacientemente aguardou a edição para uma eventual necessidade de verificação de dados, não tem acesso ao texto até ver um exemplar impresso. 

O processo é narrado no livro do ex-diretor de redação da revista Mário Sérgio Conti, que fez parte da cúpula da publicação até 1997, como chefe de redação e diretor. A opinião que prevalece é a da revista, ainda que todos os entrevistados tenham dito o oposto, mesmo que para isso seja preciso omiti-las do leitor.

A criação de frases de efeito para os entrevistados foi, durante a década de 1980, prática comum, conforme narram diversos jornalistas ex-Veja. 

É do inventivo do ex-diretor Elio Gaspari a frase assumida por Joãozinho Trinta: “Quem gosta de pobreza é intelectual”. Outras foram criadas, algumas sem consulta, no caso de fontes mais próximas aos repórteres e diretores, que ganhavam carta-branca como porta-vozes de certas personalidades.

No quesito busca de frases, Tognolli conta que elaborou com colegas um dicionário de fontes que incluía verbetes como “Sindicalista que fala bem da direita” ou “Militar que fala bem da esquerda”. O material informal de consulta chegou a 70 verbetes e inúmeros nomes. Algo essencial para os dias de fechamento e encomendas de declarações sob medida.

Veja por dentro

Assim como outras revistas semanais, a estrutura é extremamente centralizada. Até o cargo de editor, o jornalista ainda é considerado de “baixa patente”, ou seja, não decide grandes coisas sobre o que será publicado. 

Dos editores executivos para cima já se possui poder sobre a definição do conteúdo, mas os profissionais são escolhidos a dedo. Além de competência profissional — qualidade de texto, capacidade intelectual e ampla bagagem cultural — é preciso estar muito alinhado com a editora.

Afinados, os diretores têm grande liberdade para controlar a equipe. 

Quanto ao conteúdo, o espaço é considerável, ainda que o presidente do conselho do grupo, Roberto Civita, o herdeiro do império da Editora Abril, participe das reuniões que definem a capa de Veja, junto do diretor de redação, do diretor-adjunto (cargo hoje vago), do redator-chefe e, eventualmente, do editor-executivo da área.

O ex-redator-chefe, atualmente diretor do jornal Diário de São Paulo relata que Civita sempre foi muito presente na redação, ainda que sem vetos ou imposições do patrão. Leite sustenta que as matérias e capas sempre foram feitas ou derrubadas a partir de critérios jornalísticos. 

“Roberto Civita acompanhava a confecção da revista, sabia de seu conteúdo e dava sua opinião em reuniões regulares com os diretores da revista. Mas, de vez em quando, até saíam matérias com as quais ele não estava de acordo”, garante. 

Leite afirma que, nesses casos, cobrado por políticos e empresários, Civita respondia que “não controlava aquele pessoal”. “Claro que controlava, mas sabia que fazer revista não é igual a fabricar sabonete”, compara.

A revista busca agradar a quem a compra: a classe média conservadora. A tiragem semanal da revista é de 1,1 milhão de exemplares, sendo 800 mil assinantes e o restante vendido em banca. 

“A maioria dos que compram, gostam das opiniões, gostam do Diogo Mainardi”, lamenta Raimundo Pereira, um dos primeiros editores da revista na época em que lá ainda trabalhava o seu criador, Mino Carta.

A cúpula da publicação reflete esse perfil. O diretor de redação Eurípedes Alcântara e o ex-diretor da revista Exame Eduardo Oinegue, autor da matéria de 1998 sobre os sem-terra, são membros do São Paulo Athletic Club, o Clube Inglês, freqüentado pela elite paulistana. 

Oinegue costumava defender que os jornalistas devem circular e manter amizades no meio em que cobrem. Entre empresários, se a editoria é Economia, políticos, se é Brasil etc.

Os preconceitos da elite são refletidos pela revista. Além dos movimentos sociais, há quem relate que um dos bordões de Tales Alvarenga, atual diretor de publicações, em sua fase à frente da revista era: “Não quero gente feia”. 

Por gente bonita, referia-se não apenas a padrões estéticos de magreza, mas também aqueles ligados à cor da pele. Segundo colaboradores próximos, fotografar negros seria quase certeza de material desperdiçado.

A despeito de comentar o livro de Mário Sérgio Conti, o ex-editor-executivo de Veja, hoje diretor do Diário de São Paulo, Paulo Moreira Leite, criticava a obra por ser parcial demais e não ser fiel aos fatos, especialmente os que envolviam os amigos do diretor. 

“A amizade e a proximidade excessiva com os poderosos são o caminho mais comum e mais eficaz para a impostura e a falsidade, o erro e a arrogância”, afirmava na época. Procurado novamente para falar a respeito, recusou-se a falar mais sobre Conti.

Falando em amizades, um caso em que essas relações foram reveladas, mas nem por isso foram explicadas ocorreu em novembro de 2001. O nome da editora de economia de Veja, Eliana Simonetti, aparecia na agenda do lobista Alexandre Paes dos Santos. 

Ela recebeu a quantia de 40 mil reais em empréstimos, segundo sua própria estimativa. A revista, de acordo com a jornalista, sabia do relacionamento. Quando os repasses vieram a público, ela foi demitida, sob a alegação de "relacionamento impróprio" com uma fonte.

O maior problema é que a informação surgiu a partir de uma agenda do lobista, envolvido com empresas transnacionais e influência direta sobre funcionários do Palácio do Planalto. 

Quem revelou a existência do documento foi Veja, cuja reportagem fez vista grossa ao nome da colega. Para dar satisfação à opinião pública, a revista publicou somente uma nota a respeito. Nenhuma investigação foi promovida sobre eventuais matérias compradas, hipótese negada pela ex-editora e pela revista. 

Simonetti não respondeu aos contatos, mas afirmou, à época, que "todo jornalista tem seu lobista", colocando toda a classe sob suspeita. Ela processou a Abril, e ganhou em primeira instância no ano seguinte o direito à indenização de 20 vezes o valor do último salário.

Império

Publicações tradicionais do mundo todo têm sua posição claramente conhecida pelo público, sem roupagem de imparcialidade. Os questionamentos éticos aparecem quando as relações por trás desses interesses não são transparentes ao público leitor. 

Um dos motivos dessa falta de transparência é o surgimento dos grandes conglomerados de comunicação. Esse fenômeno adquire contornos mais dramáticos no Brasil, que permite a propriedade cruzada dos meios de comunicação (uma mesma empresa detém meios impressos e televisivos, por exemplo).

O presidente da Radiobrás e ex-diretor de publicações da Abril, Eugênio Bucci, alerta que os grupos transnacionais de entretenimento compram TVs e jornais e os restringem a um mero departamento. “A pergunta que se colocava antes era se o jornalismo é capaz de ser independente do anunciante. Hoje se questiona se ele é capaz de ser independente do grupo que o incorporou”, avalia.

A concentração dos veículos de comunicação nas mãos de poucos grupos, ainda que nacionais, é a marca da história da mídia no Brasil. 

O grupo Abril não foge à regra. Ele abarca um complexo que envolve 90 revistas, duas editoras de livros (Ática e Scipione), uma rede de TV (MTV), uma de TV a cabo (TVA) e uma rede de distribuição de revistas em banca de jornal (Dinap), além de inúmeras páginas na internet.

Tem sete das dez revistas com maior tiragem no país e, nesse quesito, Veja é a quarta maior do mundo. “A Abril faz o que for preciso para expandir seu império, se for preciso derrubar um artigo da Constituição, alterar leis ou políticas, ela usa suas publicações para gerar pressão”, sustenta Giberto Maringoni, jornalista, chargista e doutorando em história da imprensa.

A evolução do império Abril dá uma mostra de como ela soube usar bem sua, digamos, habilidade. O início das atividades se deu em 1950, com a publicação das revistas em quadrinhos do Pato Donald, personagem de Walt Disney. 

O milanês Victor Civita aproveitava a licença para a América Latina e a amizade do irmão Cesar com o desenhista norte-americano para lançar os produtos. Apesar de simbólico, não se pode dizer que o grupo tenha sido um propalador de enlatados norte-americanos ou produzido materiais de má qualidade em sua história.

O surgimento de diversas revistas, incluindo Veja, um semanário informativo — e não uma revista ilustrada, como o nome e as concorrentes sugeriam —, o lançamento de coleções na década de 1960, como A conquista do espaço, a revista infantil Recreio, sob o comando da escritora Ruth Rocha, e a revista Realidade, uma das melhores feitas no país até hoje, são exemplos de publicações de qualidade da editora. 

Qualidade que não se manteve, segundo o diretor responsável pela criação de Veja em 1968, Mino Carta. Ele considera a publicação da Abril muito ruim, assim como todas da grande imprensa brasileira, à qual lê muito pouco, para “não sofrer demais”. 

Na época em lançou o livro Castelo de Âmbar (Editora Record, 2000), afirmou aos quatro ventos a incompetência e até a “imbecilidade”, em suas palavras, dos donos da Abril, que “não entendiam nada de Brasil, assim como não entendem ainda hoje.”

O episódio da demissão de Carta do seu posto na revista Veja é um exemplo do tipo de interesses que pautam os donos da Abril e o jornalismo de suas publicações. A censura prévia havia sido suspensa em março de 1974, com a posse do general Ernesto Geisel. 

Combativa, a redação publicou três capas seguidas com duras críticas ao governo. A gota d'água para o regime foi uma charge de Millôr Fernandes, que apresentava um preso acorrentado e um balão com a fala de um carcereiro oculto, do lado de fora da cela: “Nada consta”.

Na negociação operacional da censura, Carta conta que Roberto Civita, filho de Victor, ofereceu a cabeça de Millôr a Golbery do Couto e Silva, chefe da Casa Civil, para tentar evitar a censura. 

O então ministro da Justiça, Armando Falcão, queria a cabeça de Carta. No livro, ele menciona uma carta escrita por Sérgio Pompeu de Souza, o preferido de Falcão e diretor da sucursal de Brasília, sugerindo ao conselho a demissão do diretor para facilitar as coisas para a revista. 

Carta afirma que, entre as facilidades, estava incluso a liberação de um financiamento da Caixa Econômica Federal para saldar uma dívida de 50 milhões de dólares no exterior.

Na versão oficial, reproduzida no livro de Conti, os Civita queriam noticiar os progressos do país e Carta, só os aspectos negativos do regime. Queriam ainda expandir o grupo, com a construção de hotéis. Foi preciso ceder ao governo. 

O episódio decisivo foi a exigência da demissão do dramaturgo Plínio Marcos, colunista da revista. A negativa de Carta em fazê-lo foi o motivo alegado para o seu desligamento, em abril de 1976. Dois meses depois, a censura na revista acabou.

Desde então, Veja tem servido a interesses políticos e econômicos para preservar os seus, ainda que isso implique mudança de posição. Um exemplo foi o comportamento na ascensão e queda do ex-presidente Fernando Collor de Melo. 

O livro Notícias do Planalto, de Mário Sérgio Conti, conta em detalhes o período, ainda que inclua a maioria da grande imprensa. Da capa sobre "O caçador de marajás", em 1988, até a “Caso encerrado”, sobre a morte de Paulo César Farias, a despeito do laudo do médico-legista Fortunato Badan Palhares, em 1993. 

A adesão automática à candidatura alternativa aos perigosos Leonel Brizola e depois Luiz Inácio Lula da Silva, favoritos naquele pleito, foi dando lugar aos escândalos de corrupção no decorrer do governo.

Os que têm seus interesses atendidos pela revista também mudam. Para Tognolli, durante a década de 1980, a revista vivia sob a tutela de Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), quando Elio Gaspari era o diretor da revista. 

Nos anos de Mário Sérgio Conti, houve uma pequena melhora, até a transição ocorrida nos anos de Fernando Henrique em Brasília. “O que antes era ninho dos baianos, hoje é ninho dos tucanos. Quem começou a campanha da mídia contra o atual governo foi Veja”, sustenta.

Um levantamento das capas entre os anos de 2000 e 2005 mostram claramente o seu jornalismo tendencioso. Política interna e economia são os temas de capa mais freqüentes em 2000, 2002 e 2005. 

Curiosamente, em 1998, ano de eleições federal e estadual, esses temas estiveram bem ausentes: só foram destacados em 11 das 52 edições. 

Nada se compara a 2005, em que quase metade das 28 capas produzidas até o fechamento desta reportagem destaca temas políticos. Desnecessário dizer que o prato principal era a corrupção.

Um exemplo foi o uso de uma pesquisa do Instituto Ipsos Opinion, divulgado pela revista na edição de 13 de julho. No levantamento, constatou-se que 55% dos entrevistados acreditavam que Lula conhecia o esquema de corrupção, ao mesmo tempo em que a popularidade pessoal e do governo permaneciam estáveis em relação ao estudo anterior.

A avaliação dos analistas do grupo, de que a imagem do presidente permanecia intacta, foi omitida, o inverso do apregoado pela reportagem de capa. A visão dos autores só foi publicada depois de duas edições na seção de cartas, sem o menor destaque.

Raimundo Pereira acredita que, se não fosse o caso do financiamento de campanha, é bem possível que se achasse outro assunto para desmoralizar o atual governo. 

“Veja não está isolada em sua ação, mas é a ponta de lança, a que tem mais prestígio e circulação”, avalia.

Tratamento bem diferente daquele dado ao caso da compra de votos para a aprovação da emenda da reeleição, em 1997. 

Naquele ano, apenas uma capa foi feita sobre o assunto, com o rosto de Sérgio Motta, então ministro-chefe da Casa Civil, e a chamada “Reeleição” e “A compra de votos no Congresso”, em letras menores. Como se não fosse corrupção. 

Assepsia total para o Planalto. Um servilismo ao governo que, com os petistas no poder, se transformou em ódio.

Para ler mais denúncias e análises sobre a Veja, clique neste link.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Projeto vai transformar a Ponte Torta em atração turística de Jundiaí

Os arquitetos Michael Gorski e Daniela da Câmara onde será o mirante da Ponte Torta
“Este projeto é uma das prioridades do prefeito Pedro Bigardi, porque tão importante quanto a intervenção física na Ponte Torta é esse trabalho com a comunidade que busca resgatar a história da cidade e a relação afetiva das pessoas com esse monumento. Afinal, um povo que não conhece e valoriza a sua própria história corre o risco de perder sua identidade”. 

Com essa afirmação, a secretária de Planejamento e Meio Ambiente Daniela da Camara Sutti explicou o que está sendo feito no projeto que visa transformar a Ponte Torta em um ponto turístico da cidade de Jundiaí.

O projeto vai contar inclusive com a construção de um mirante de onde as pessoas poderão ver a ponte à distância, mas também como era no passado distante a paisagem do local em volta da ponte por meio de painéis transparentes com ilustrações e fotos antigas.

Mirante contará com painéis para mostrar como era no passado
O projeto foi apresentado para a população na sexta-feira (14), no Solar do Barão, pelo arquiteto Michel Gorski, que possui um escritório especializado em restaurações de prédios e edificações históricas.

“A Ponte Torta não pode ser entendida sem o rio Guapeva e a cidade, por isso queremos buscar esses novos olhares sobre a obra. Em várias cidades do mundo as pontes históricas são valorizadas e até mesmo usadas criativamente para chamar a atenção dos cidadãos e dos turistas para aqueles locais", afirma Gorski.

Palestra do arquiteto Michel Gorski sobre a restauração da Ponte Torta
A artesã Odila Grella de Oliveira, que faz parte do programa "Jundiaí Feito à Mão", está produzindo réplicas da Ponte Torta, as quais já estão sendo vendidas à população. 

"Tenho muito orgulho de fazer parte desse projeto e a procura está sendo alta, pois as pessoas gostam muito da ponte e querem ver a história dela preservada", emociona-se Odila.
A artesã Odila de Oliveira com sua réplica da Ponte Torta

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