terça-feira, 28 de julho de 2015

Para minha mãe

Minha mãe e minha filha em
um de seus últimos encontros
Sábado, 25 de julho, faleceu Maria de Lourdes Januzzi, minha querida mãe, depois de uma injusta luta contra uma infecção na sua perna, contraída após uma queda que quebrou seu fêmur e obrigou-a a passar por uma cirurgia.

Uma das maiores alegrias da minha vida foi descobrir que minha mãe passou a gostar e apoiar o PT já no fim da sua vida.

Sim, pois ela era uma "coxinha" furiosa antes, do tipo que fez campanha para Collor ao ponto de entrar em ônibus para aterrorizar as pessoas, dizendo que se Lula vencesse iria "dividir" a casa de todo mundo no meio e botar pobres pra morar dentro!

Mas, depois que Lula ganhou, ela por si mesma passou a perceber o que significava um governo de esquerda, mesmo com todas suas limitações e defeitos, simplesmente por conversar com as pessoas, especialmente as mais simples - que sempre a adoraram por sua alegria e otimismo contagiante.

Como santo de casa não faz milagre, não tive nada a ver com a mudança dela, tanto é que evitava falar desse assunto e demorei para descobrir. 

Acho até que ela tinha vergonha, pois foi uma das pessoas que me hostilizaram quando passei de papagaio da direita a militante da esquerda aos 19 anos.

Um dia ela chegou pra mim e disse: "Filho, eu tinha ódio do Lula, achava ele um ignorante, um lixo, um vagabundo. Mas agora, quando vejo ele falando na TV, sabe, percebo que é uma pessoa sábia, inteligente e sensível, não vejo mentira no que ele diz e entendo que o governo está tentando ajudar as pessoas que mais precisam, né?"

Ela defendia o nosso governo abertamente e até enfrentava muita gente, inclusive aqueles parentes fascistóides de sempre.

Descanse em paz, mãezinha. Você fez sua parte.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Jundiaí ganha seu primeiro Parklet


O primeiro parklet de Jundiaí, uma área de estar para pedestres instalada no lugar de duas vagas de automóveis, transformou a rua do Rosário, no Centro, na sexta-feira (17), como parte das atividades do Prefeitura em Ação na região central nesta semana.

A novidade é parte do projeto Urbanismo Caminhável, coordenado pela Secretaria de Planejamento e Meio Ambiente sem custos aos cidadãos por ser contrapartida de empresa privada dentro do mecanismo de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIV) implementado pelo prefeito Pedro Bigardi.

O equipamento público resultou de diversos encontros de moradores e técnicos que discutiram sugestões de locais para esse primeiro teste de aceitação do “parklet” e também as sugestões de formato, bancos, mesas, floreiras e até um espaço de livros e jornais para as pessoas.


“Estamos buscando construir uma nova cultura urbana, em que a cidade tenha prioridade para as pessoas. Essa novidade é apenas parte do processo de mudanças que precisam envolver o olhar de todos nós”, afirmou o prefeito Pedro Bigardi durante a visita ao evento.

“Essa intervenção urbana mostra na prática que o espaço público precisa ser repensado e mais compartilhado entre pedestres, ciclistas e veículos. Há pesquisas que mostram que, se em duas vagas passam no máximo 40 automóveis por dia, um espaço de convívio como esse pode levar a circulação de 400 pessoas ao dia”, comentou Daniela da Camara Sutti.

Equipe da secretaria de Planejamento, responsável pelo projeto

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Brasil sempre foi a terra da ignorância e da burrice

Sabe, eu não entendo por que tanta gente está surpresa com o crescimento da mentalidade nazi-fascista entra a população do Brasil.

Gente, vocês não conhecem o próprio país em que vivem? Aqui é uma terra onde a ignorância transborda e a burrice prevalece, inclusive - e principalmente - entre aqueles que tem diploma do ensino superior e até doutorado.

E eu me incluo nisso também. Nunca li um livro do Machado de Assis, por exemplo. No mar de estupidez e boçalidade que é a sociedade brasileira, especialmente a elite e a classe média, eu estou só com a cabecinha pra fora. Agora, imagina o resto...

Conheço gente com carteirinha do PT assinada que fala coisas que envergonhariam até o Bolsonaro. Duvida? Entra em assuntos como homossexualismo, drogas, pena de morte, sexo, religião... Já ouvi coisas que me deixaram de cabelo em pé de gente que se declara comunista.

Óbvio que não é a maioria entre nós que age assim, mas só estou querendo dizer que se entre nós, da esquerda, está cheio de gente assim, imagina então no resto da população, que está à um passo de relinchar, enquanto faz compras em Miami?

Vocês não conhecem o Brasil? O Brasil é isso, gente. Sempre foi.

Agora eles apenas perderam a vergonha, porque o efeito manada está cada vez mais forte e formou uma onda que leva todos - sempre grudados na tela da Globo...



terça-feira, 30 de junho de 2015

Quando o fascismo cresce, silenciar é ser cúmplice


- por Jorge Furtado, cineasta

Fiquei muitos meses sem escrever por aqui, por excesso de trabalho e por achar que o debate político estava tão alterado que a atitude mais sábia era o silêncio. Esperava que os derrotados das eleições fizessem o mesmo, deixassem passar os primeiros meses do novo governo para cobrar resultados. 

Meu volume de trabalho não diminuiu, na verdade cresceu, e os derrotados não esperaram nem um dia para subir ainda mais o volume e a grosseria das críticas, muitos pregam em voz alta, sem qualquer pudor, a volta da ditadura militar ou qualquer outro golpe que lhes devolva o poder que perderam nas urnas.

Volto a escrever sobre política porque o crescimento da direita, da intolerância, do fascismo, da ignorância e da homofobia, transforma os calados em cúmplices. A história ensina que os inimigos da democracia se utilizam da frustração e dos anseios legítimos da sociedade, das pessoas de boa fé, para chegar ao poder, e então passam a exercê-lo com tirania, perseguindo minorias, promovendo a intolerância e a violência. E aí é tarde demais para combatê-los pacificamente.

Não é possível ficar quieto quando o congresso é dominados pelo que há de pior na sociedade brasileira, bandidos e falsos pastores, achacadores em nome de Cristo, picaretas envolvidos em todo tipo de falactrua, legislando em causa própria, manobrando votações, chantageando empresários para garantir seu butim, promovendo cultos religiosos no plenário, fomentando a homofobia e a ignorância. O atual congresso brasileiro, comandado por Renan Calheiros e Eduardo Cunha, ambos investigados por uma dúzia de crimes e toda sorte de imoralidades, é uma vergonha para o país.

Não é possível aceitar calado que o ministro Gilmar Mendes, uma única pessoa sem um único voto, por uma manobra rasteira, mantenha engavetado, por mais de um ano, um projeto de mudança da legislação eleitoral já aprovado pela maioria dos juízes, projeto este que, se não impede, dificulta em muito a roubalheira nas eleições e na política. A quase totalidade dos escândalos que entravam a vida nacional e sangram os cofres públicos está relacionada com a doação de empresas aos políticos, que retribuem o favor legislando contra o interesse da maioria da população e superfaturando obras, ambulâncias, remédios. Sem o fim da doação de empresas para políticos a roubalheira nas eleições será eternizada.

Não é possível silenciar quando a presidente Dilma, eleita legitimamente pela maioria da população brasileira para manter e aprofundar os avanços dos governos populares, concede a tal ponto em nome de uma suposta governabilidade que entrega a economia aos banqueiros, a agricultura aos latifundiários do agronegócio e a política aos sanguessugas do PMDB, um partido que é eternamente governo porque sua única convicção é ser eternamente governo. Se eu imaginasse que e Katia Abreu, Levy e Eliseu Padilha poderiam ser ministros de Dilma teria votado em Luciana Genro.

Infelizmente, quem deveria fiscalizar o governo, o legislativo e o judiciário é a imprensa, que tornou-se irrelevante quando abriu mão de fazer jornalismo para fazer oposição partidária. A imprensa brasileira, que sempre foi ferozmente governista, descobriu sua vocação oposicionista quando a Casa Grande perdeu um pouco o seu poder. É constrangedor ver jornalistas ou similares pensando exatamente como seus patrões mandam. Talvez pela profunda crise que o setor atravessa, com jornais e audiências minguando, velhos jornalistas e jovens sedentos de poder e fama se agarrem aos seus empregos com unhas e dentes, repetindo bobagens até a náusea. A verdade não agrada o patrão? Esqueça! O bandido disse que também deu dinheiro aos tucanos? Ignore! O patrão esconde dinheiro na Suíça e sonega fiscais para não pagar impostos? Não é comigo! O mensalão foi criado para eleger o presidente do PSDB? Concentre-se no plágio petista! A acusação contra um petista não faz sentido? O que importa? A antiga imprensa, que já estava seriamente ameaçada por conta da revolução digital, acelerou seu caminho para o fim abrindo mão do princípio básico do jornalismo: a defesa da verdade factual. Quando a história da antiga imprensa brasileira for contada descobriremos que ela não morreu, suicidou-se.

Você pode achar esta conversa de política uma chatice, e é mesmo. O problema é que os que não gostam de política são governados por aqueles que gostam. Ontem, pela segunda vez, imbecis agrediram o ex-ministro Mantega num restaurante. Outro dia foi num avião, um jornalista - sozinho - que lia uma revista, foi atacado por um punhado de trogloditas. Jô Soares foi ameaçado de morte por entrevistar a presidente da república, eleita democraticamente. Os sinais de intolerância crescem, tornam-se mais frequentes e mais violentos, é de se esperar que a ignorância dos mal informados covardes que andam em bando logo produza vítimas. Silenciar é ser cúmplice deste fascismo crescente.

Votei no Lula e na Dilma na esperança de promover a inserção social, a melhor distribuição de renda, para garantir a geração de empregos, o acesso dos filhos dos trabalhadores às universidades, na esperança de melhorar a vida dos mais pobres, para ver a corrupção ser investigada e punida. Tudo isso aconteceu, menos do que eu esperava, porém mais do que nunca. 40 milhões de pessoas passaram a ter uma vida mais digna, a fome foi praticamente erradicada, os níveis de emprego se mantém altos, milhares de jovens passaram a ter acesso ao ensino superior, a mortalidade infantil no Brasil caiu pela metade.

O combate à corrupção também avançou muito. Uma lei promulgada por Dilma permite que hoje os corruptores também sejam punidos. A Polícia Federal investiga, o Procurador Geral da República não engaveta as denúncias e vemos, pela primeira vez, empresários, políticos e banqueiros graúdos serem investigados e presos. É bom lembrar (já que ninguém lembra) que Renan Calheiros, que hoje é investigado pela Polícia Federal, no governo de Fernando Henrique era o Ministro da Justiça e, portanto, chefe da Polícia Federal! E foi neste momento (segundo o Ministério Público e segundo vários bandidos delatores), no final do primeiro mandado de FHC, que a quadrilha de Youssef começou a roubar a Petrobrás. Mas também é fato que a continuidade no poder atraiu toda espécie de picaretas que, somados aos picaretas já existentes no PT, sugam os recursos públicos que faltam para os hospitais, para a escolas, para a segurança pública. E os avanços do governo popular começam a ser comprometidos.

Felizmente - talvez pela cretinice evidente dos seus apoiadores na mídia - a direita brasileira tem perdido eleições com agradável regularidade, foram quatro, em dois turnos, nos últimos 13 anos. Oito vezes o povo brasileiro foi às urnas dizer não à intolerância, ao egoísmo e a hipocrisia. Espero que eles percam outra vez em 2018, mas se até lá o PT não se livrar desta direita truculenta, homofóbica, picareta e ignorante, pode até ganhar as eleições, mas não terá mais o meu voto.

Afinal, até quando vamos aceitar calados as agressões dos derrotados nas urnas, uma elite iletrada, egoísta, ignorante e preconceituosa, que ficou 500 no poder e transformou o Brasil no país mais desigual do planeta?

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Filmes: "Divertida Mente"

ESTUDO SOBRE A DEPRESSÃO

Animação da Pixar comprova que pode existir vida inteligente mesmo dentro da indústria cultural estadunidense

- por André Lux, crítico-spam

“Divertida Mente” é provavelmente a obra-prima da Pixar. O mais interessante é que a nova animação do estúdio parecia, pelos trailers, um tremendo erro. Afinal, que história era aquela de representar as emoções humanas com personagens cômicos em uma sala de controle?

O filme, porém, é uma grata surpresa, muito criativo, bonito, bem dirigido (pelo mesmo sujeito que fez “Monstros S.A.” em parceria com o diretor de "UP: Altas Aventuras"), engraçado e ainda por cima educativo. Pais inteligentes e antenados em psicologia certamente vão encontrar nele mil maneiras de usar os personagens Alegria, Tristeza, Raiva, Nojo e Medo de maneira positiva na educação dos filhos (claro que sempre deixando claro pra eles que somos nós que estamos no controle das emoções e não contrário!).

O mais interessante é que “Divertida Mente” acaba sendo um estudo da Depressão, doença silenciosa que vitima milhares de pessoas e que é muito difícil de diagnosticar e tratar. Quando a menina Riley perde a Alegria e a Tristeza, que são sugadas para fora da sala de controle, passa a apresentar alguns dos clássicos sinais de Depressão: irritabilidade, desânimo, ansiedade, apatia, entre outros.

O filme retrata com perfeição também o perigo que é uma pessoa tomar decisões importantes com esse quadro e dominada pela Raiva ou pelo Medo, além das graves consequências que isso pode causar não só para ela, mas também para todos que estão em volta – especialmente os familiares.

 Claro que tudo isso não vai fazer muita diferença para quem não está minimamente ligado no assunto. Mas para o resto dos mortais o filme funciona mesmo assim graças a um roteiro muito bem escrito, repleto de tiradas cômicas na hora certa, comentários ácidos sobre a eterna “guerra dos sexos”, exploração das criaturas terríveis que habitam o subconsciente e dos sonhos e delírios que habitam a mente das crianças. É particularmente tocante o destino do Bing Bong, o amigo imaginário da pequena Riley, que é uma mistura de elefante, gato e algodão doce.

Embalado por uma trilha musical deliciosa composta pelo esforçado Michael Giacchino (o tema principal é simplesmente contagiante), “Divertida Mente” comprova que pode existir vida inteligente mesmo dentro da indústria cultural estadunidense. Imperdível!

Cotação: * * * * *





quinta-feira, 25 de junho de 2015

EU ERA MAIS À ESQUERDA MAS, DIANTE DO QUE VEJO, EU ME RENDO

O ovo da serpente chocou e a
próxima vítima poderá ser você
Eu nem era tão Lula assim. Sou mais à esquerda mas, votei nele em 2002.
Contudo, esperava mais, muito mais. Tolice.

Em um Brasil com a pior e mais podre elite política e social do mundo, com parte de uma classe média fascista, que já depôs presidente popular, que já fez presidente popular suicidar, esse homem, sem derramar sangue, sem criar abalos, esse homem fez a mais profunda reforma na estrutura social brasileira - votei nele em 2006 novamente.

Eu nem era tão Dilma assim. Sou mais à esquerda. Mas, votei nela em 2010. Todavia, esperava mais. Mas, veja: Dilma enfrentou Globo, enfrentou Veja, enfrentou fascistas. E ganhou. E venceu o golpe sujo da direita brasileira.

Aprofundou a reforma na estrutura social brasileira. E então lembrei-me - é a mesma que venceu câncer, que venceu torturadores, que venceu ditadura. E permanece com um governo admirado pelo mundo inteiro. E amada por seu povo (falei povo). 

Acredita, firmemente, que é possível fazer deste país um país justo. Enquanto os abutres da direita, almas pequenas, enlouquecem ao perceberem que, embora façam de tudo, não atingem a nobre dama - votei nela em 2014 novamente.

Eu nem era tão PT assim. Sou mais à esquerda. Entretanto, tenho visto esse partido apanhar inacreditavelmente da parte fascista da sociedade brasileira e manter-se de pé. 
E com dignidade. 

Apanha de canal de televisão corrupto, apanha de juiz financiado pelo golpe, apanha de tucanos financiados pelos EUA, apanha da máfia. Ninguém resistiria a tudo isso. E no entanto, inacreditavelmente, resistem.

Lula mantém o mesmo sorriso de esperança por um Brasil melhor, como no início. 
A mesma emoção. 

Dilma segue adiante, realizando um governo voltado para o bem estar do povo. Fazendo do golpe - que derrubaria qualquer um - em algo que não a atinja. Faz crer que o sonho não acabou.

Ambos, Lula e Dilma, tiraram milhões da miséria. Deram nova perspectiva à sociedade brasileira. Fizeram do Brasil um país do presente.

Volto às urnas em 2018 para votar no Lula. Entendendo que, finalmente, depois de 500 anos, minha pátria encontrou seu caminho.

- por Walter Ferreira, funcionário público, bacharel em Direito e fazendo licenciatura em História (não recebe bolsa-família, é de esquerda e vota no PT).

terça-feira, 23 de junho de 2015

Adeus, James Horner...


Compositor James Horner morre em acidente aéreo


O avião do compositor James Horner, famoso pelas trilhas de "Titanic", "Krull", "Jornada nas Estrelas 2", "Coração Valente", entre centenas de outras, caiu hoje a tarde, em Los Angeles.

As autoridades informaram que uma pessoa morreu no acidente. Apesar de ainda não ter sido oficialmente confirmado, Horner provavelmente estava pilotando o avião.


Uma notícia muito, muito triste. Horner foi um dos compositores de música de cinema que mais me emocionaram, especialmente em minha juventude.

Abaixo, deixo para vocês ouvirem um trecho da trilha de "Krull", minha favorita dele.



Abaixo, a faixa Elora Danan de "Willow", uma de suas melhores trilhas.


 "Lendas da Paixão", uma de suas mais belas trilhas:

 

Música de encerramento de "Cocoon", uma de minhas favoritas...

sábado, 13 de junho de 2015

Filmes: "Jurassic World: O Mundo dos Dinossauros"

PARA BRUCUTUS

Novo filme da franquia "Jurassic Park" consegue ser pior que o segundo e transforma o primeiro numa obra-prima!

- por André Lux, crítico-spam

A trupe responsável pela franquia Jurassic Park nos cinemas fez algo que parecia impossível: um quarto filme que é ainda pior que todos os outros três! Leia aqui minha análise deles.

Não estava esperando nada desse “Jurassic World” e confesso que até fiquei um pouco animado depois de ler tantas críticas positivas por aí. Mas à medida que a projeção avançava e as besteiras foram se amontoando, vi que tinha caído numa cilada.

Esse novo filme consegue ser pior que o segundo, “O Mundo Perdido”, e transforma o primeiro numa obra-prima - o que, convenhamos, não é nada fácil! Em horas como essa a gente lembra que, mesmo no seu pior momento, Steven Spielberg (que aqui atua só como produtor executivo) é alguém que realmente entende de cinema e, por isso, capaz de produzir ao menos uma ou outra cena antológica até mesmo em seus filmes mais medíocres.

Já esse novo filme é tão mal feito tecnicamente que parece mais antigo que os originais! A direção é inexistente, os efeitos são fracos, a edição pavorosa (chegam a repetir três vezes uma mesma tomada geral do parque logo no começo do filme, praticamente em seguida) e os atores péssimos, principalmente as duas crianças. O único que livra a cara é o galãzinho Chris Pratt, que esteve tão mal no fraquíssimo "Guardiões da Galáxia", mas aqui até que convence como herói de ação.

Mas o que impressiona mesmo é a ruindade do roteiro, mais cheio de buracos e falta de lógica que os dois primeiros somados e  parece uma colcha de retalhos do que existiu de pior neles. Ou seja, tem uma trama ridícula, excesso de pieguice e nenhum suspense. É praticamente uma refilmagem do primeiro filme, ainda que citem explicitamente os acontecimentos dele e insistam que se trata de um novo parque, embora na mesma ilha.

Só que o novo parque tem falhas de segurança tão grandes e ridículas que governo algum autorizaria sua construção, tipo uns carrinhos em forma de bola que andam no meio dos dinossauros e são pilotados pelos visitantes, que podem inclusive ignorar uma ordem de voltar! 

Em outra cena abismal, os guardas do parque entram dentro da jaula do novo super dinossauro só para olhar marcas que podiam ver de dentro da sala de controle e, claro, causam a fuga dele. Aí os guardas do parque vão enfrentar o monstro com umas armas que dão apenas uns fracos choques elétricos, quando já havia sido estabelecido que eles tinham acesso a armas de tranquilizantes totalmente eficazes, que são usadas depois na invasão dos pterodáctilos!


"Fiquem calmos, eu trouxe minha arma que dá choques"
Esse novo dino, por sinal, age além de qualquer lógica. Ele ser super inteligente (para um dinossauro), vá lá. Agora, disfarçar sua energia térmica só para não ser captado pelo sistema de segurança ou arrancar o seu implante localizador obrigaria que ele tivesse conhecimento técnico do funcionamento do parque! Pedir que eu desligue o cérebro para curtir um filme, eu até aceito. Mas querer arrancar ele da minha cabeça para colocar um monte de esterco no lugar, aí não dá! 

E que história é aquela de tentar transformar os Velociraptors em armas para o exército, igual queria a bendita "companhia" de "Alien"? Se não bastasse isso, ainda viram bonzinhos no final e defendem seu "treinador"! É sério, não estou inventando!

Finalmente o que você sempre sonhou ver: Velociraptors amigos!
Todas essas falhas, idiotices e absurdos até poderiam ser ignoradas se o filme ao menos fosse bem feito e causasse o mínimo de suspense e tensão (coisa que o terceiro da série até conseguiu). Mas não chega nem perto disso. É tedioso, repetitivo, sem qualquer ritmo e só tem personagens que agem de maneira burra e irritante, fatores que implodem qualquer tentativa de criar terror. Chegam ao cúmulo de copiar plano a plano uma cena de "Avatar" (os meninos pulando na cachoeira) e "Aliens" (aquela dos soldados sendo mortos e seus visores apagando um a um).

Nem a trilha musical do esforçado Michael Giacchino chega a ser memorável e ele é obrigado a apelar a toda hora para o tema original composto por John Williams para o primeiro filme na tentativa de criar ao menos alguma sensação de nostalgia, mas sem sucesso, pois essa música é majestosa demais para as mixarias que vemos na tela.

Todavia, "Jurassic World" está fazendo sucesso nas bilheterias, provando que o nível de exigência das pessoas está cada vez mais baixo. Enfim, nada mais natural que um bando de brucutus se delicie com um filme tosco sobre dinossauros...

Cotação: *
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...