quarta-feira, 14 de março de 2012

Convite: Manifestação Pública do PSL em Jundiaí


Dia 15 (quinta-feira), o PSL fará a Grande Manifestação Pública que determinará os rumos de sua campanha visando as eleições de 2012, declarando os apoios e coligações.

Será na Cârama de Jundiaí, às 19:00h.

Compareçam!

terça-feira, 13 de março de 2012

Matéria da Record mostra o caos na Saúde em Jundiaí e região. Cadê o Hospital Regional?

- por Edgar Borges, no blog Pitacos Genéricos

Mais uma reportagem em mídia de grande repercussão mostra o abandono que sofre Jundiaí, por parte de sua Prefeitura. Depois de o Estadão mostrar os riscos que a Serra do Japi corre, agora vem a TV Record mostrar a situação crítica da Saúde na região de Jundiaí, com especial destaque para o fechamento da Casa de Saúde, há 5 anos, e as promessas vazias de colocar no lugar um Hospital Regional. Se nem o AME essa administração consegue inaugurar, desde 2008, quanto mais um Hospital Regional. Duda Mendonça terá que fazer milagre com os mais de R$50 milhões que ele já recebeu para propaganda da Prefeitura de Jundiaí...

sábado, 10 de março de 2012

Morre o grande desenhista francês Jean Giraud, o Moebius

Triste notícia. Morre Moebius, bem no dia do meu aniversário!

A mulher do artista confirmou sua morte à rádio francesa Europe 1. Ele tinha 73 anos

Luto: morre Jean "Moebius" Giraud"
Jean Giraud, ou Moebius, o desenhista e roteirista que mais conhecido por ter criado a série de histórias em quadrinhos do tenente Blueberry e por suas histórias de ficção-científica, morreu neste sábado em Paris, aos 73 anos, após uma longa batalha contra uma doença não revelada. A mulher do artista confirmou sua morte à rádio francesa Europe 1. As informações são do jornal francês “Le Monde”.

Apaixonado por faroestes, Moebius lançou 28 volumes das aventuras do tenente Blueberry. Num segundo momento de sua carreira, ele se dedicou igualmente a vários projetos de ficção-científica, adotando o pseudônimo de Moebius, em referência à fita de Möbius, símbolo do infinito.

Reconhecido internacionalmente, Giraud trabalhou com Ridley Scott na criação gráfica do filme “Alien”, além de ter desenhado uma aventura do famoso super-herói dos quadrinhos Surfista Prateado.

Condecorado com a ordem de Cavaleiro das Artes e das Letras pelo presidente francês François Mitterand em 1985, Moebius teve seus trabalhos expostos em vários países. Em 2010, a Fundação Cartier realizou uma grande retrospectiva de sua obra.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Filmes: "John Carter Entre Dois Mundos"

CONFUSÃO INFERNAL

Não há muito o que dizer de um filme que é uma longa e irritante refilmagem piorada dos episódios 1 e 2 do "Star Wars"

- por André Lux, crítico-spam

Sinceramente, não há muito o que dizer desse "John Carter Entre Dois Mundos", exceto que é uma longa e irritante refilmagem piorada dos episódios 1 e 2 do "Star Wars" ("A Ameaça Fantasma" e "O Ataque dos Clones"). Tem inclusive uns monstrinhos com quatros braços que parecem primos do Jar Jar Binks e luta numa arena contra criaturas esquisitas.

Ok, eu sei que foi baseado na obra de Edgar Rice Burroughs, o mesmo que criou o "Tarzan", mas poderiam pelo menos terem inventado um roteiro melhorzinho, né? A história não tem pé nem cabeça (alguém aí consegue explicar, afinal, o que queriam aqueles vilões carecas ou o que era o tal do bendito "nono raio de luz" que tanto temiam?) e o filme vai se arrastando desconjuntado entre lutas e cenas de guerra enfestadas de monstros e naves feias e sem graça.

O herói faz o tipo "cabeludo-sujinho-de-tanguinha" que algumas mulheres adoram, mas a princesa marciana é tão mais exuberante que ele ao ponto de parecer que vai devorá-lo quando estão juntos. O diretor do longa é o Andrew Staton, que até agora só tinha feito filmes de animação digital (como "Procurando Nemo" e "Wall-E"), e parece não ter mesmo a menor noção do que fazer com atores de carne e osso. Tanto é que os bonecos digitais parecem muito mais animados e expressivos que o resto do elenco humano - o melhor "ator" do filme é de longe aquela espécie de cachorro-monstro digital que corre mais rápido que o Papa-léguas!

A única coisa que presta dessa confusão infernal é a música do Michael Giacchino (do novo "Star Trek" e "Os Incríveis") que se esforça em encontrar inspiração no meio daquele monte de gente feia que quer se matar para dominar um planeta que não passa de um deserto cheio de poeira (o que faz a gente se perguntar: o que será que eles comem e bebem?).

Para piorar tudo, ainda tive que ver o filme em 3D, dublado e com meus óculos escuros de grau (já que tinha esquecido os normais) por baixo do maldito óculos 3D! Haja saco, viu?

Cotação: *

quinta-feira, 8 de março de 2012

Com a esquerda no poder, Brasil tem a menor desigualdade da história

- por Fernando Brito, Tijolaço

Hoje, no lançamento da pesquisa “De volta para o país do futuro”, o economista Marcelo Néri, anunciou que, segundo os dados do IBGE, o Brasil atingiu o menor íncide de desigualdade de sua história. Os números preeliminares indicam que o índice de Gini do paísa atingiu 0,519 – quanto mais baixo, numa escala de zero a um, mais igualdade – atingindo um número 3,3% menor que o piso histórico, de 1960.

Embora continuemos a ser um dos países mais desiguais do mundo, o economista classificou de “espetacular” a queda obtida desde os 0,5957 de 2001 e afirmou que “a renda dos 50% mais pobres cresceu 68% em 10 anos e a renda dos 10% mais ricos cresceu 10%, ou seja, a renda dos 50% mais pobres está crescendo seis vezes mais rápido do que a renda dos 10% mais ricos em uma década”.

Néri chamou de “milagre chinês” o crescimento da renda dos mais pobres, e estimou que a pobreza caiu 7,5% entre 2002 e 2008, aumentou 2,1% com a crise de 2009 e voltou a cair fortemente em 2010 (-8,8%) e em 2011 (-11,7%).

E os números sobre os quais a FGV trabalhou, esclareça-se, ainda não captam os efeitos do aumento do salário-mínimo em janeiro.

Minha homenagem ao Dia Internacional da Mulher


terça-feira, 6 de março de 2012

Caiu a máscara: Investigação descobre fraude da blogueira cubana Yoani Sánchez

- por Jorge Lourenço, Jornal do Brasil

Velha opositora do governo cubano, a blogueira Yoani Sánchez teve um dos seus truques revelados pelo jornalista francês Salim Lamrani. De acordo com uma investigação conduzida por ele, o perfil de Yoani Sánchez no Twitter é artificialmente "bombado" por milhares de perfis falsos.

Generación Y
Sob o nome de Generación Y, o mesmo do blog que a deixou famosa, o perfil de Yoani no microblog tem 214 mil seguidores. Considerada pela mídia estrangeira como "influente", ela é seguida por apenas 32 cubanos. Mas as estranhezas não param por aí.

Super-seguidora
Yoani segue 80 mil pessoas no Twitter, um número completamente descabido. Conforme Salim Lamrani apurou, a blogueira cubana usa sites de troca de seguidores para aumentá-los e parecer mais popular na internet. Em troca de receber novos usuários, ela precisa segui-los. Daí a razão para seguir 80 mil perfis no Twitter.

Super-seguidora II
A fraude da cubana não para por aí. Do total, cerca de 47 mil seguidores do Yoani são falsos. São usuários que não são seguidos por ninguém, não seguem ninguém mais exceto a própria blogueira e sequer têm fotos de perfil.

O medo chama
Vazamentos recentes do Wikileaks indicam que o sucesso de Yoani na internet também tem o dedo do governo norte-americano. Nas correspondências, funcionários do governo americano mostram preocupação com as mensagens pessoais da blogueiras, que poderiam comprometê-la internacionalmente.

Escândalo abafado
A cubana, aliás, protagonizou um dos momentos mais pitorescos da imprensa internacional nos últimos anos. Ela convocou vários jornalistas para uma coletiva de imprensa na qual explicaria um suposto sequestro seguido de espancamento em público. Os agressores seriam integrantes do governo de Fidel Castro.

Só que Yoani apareceu na coletiva sem qualquer traço de agressão no corpo, não soube explicar como as manchas sumiram num intervalo de 24 horas e não apresentou qualquer testemunha.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Blog "Bicicletada Jundiaí" repudia declarações do editor chefe do "Jornaleco de Jundiaí"

Carta de Repúdio ao Jornal de Jundiaí!

- do blog Bicicletada Jundiaí

Mazzoni: o imbecil que comanda o "JJ"
Já está mais do que claro, Jundiaí, à medida que vem se desenvolvendo em grandes proporções, sua população aumenta e consequentemente sua frota de carros populares também. Devido à este fato, movimentos e pessoas conscientes da importância de se preservar o meio ambiente e melhorar a qualidade de vida da população, divulgam a necessidade de se utilizar a bicicleta como meio de transporte, para ir desde a escola até o trabalho. É uma tendência, uma necessidade mudarmos nossa cultura que há décadas zela em defesa do carro poluente e individualista.

Tendo em mente este pensamento esclarecido acima, vejam o que o EDITOR CHEFE DO JORNAL DE JUNDIAÍ: SIDNEY MAZZONI escreveu sobre um caso de morte por atropelamento de uma ciclista em São Paulo:

"Morte de garota ciclista, atropelada, na Avenida Paulista, sexta-feira, é exemplo claro de que, Brasil, com falta de educação e preparo dos motoristas, ESTIMULAR O USO DE BICICLETA PARA IR AO TRABALHO, SÓ MESMO NA CABEÇA DE IMBECIS." (04/03/2012)

Link para o editorial do Jornal de Jundiaí.

Deixamos aqui nossa homenagem e luto à ciclista que foi morta no trânsito da Av. Paulista e esperamos que a imprensa defenda nossas causas de modo consciente e coerente!

domingo, 4 de março de 2012

No Chile, Roger Waters dedica show a músico morto pela ditadura de Pinochet

O ex-Pink Floyd recordou o assassinato de Víctor Jara e os desaparecidos no regime, além de ter apoiado protestos sociais no país

O grande Roger Waters
- do site Opera Mundi

O ex-membro do Pink Floyd Roger Waters dedicou seu primeiro show em Santiago do Chile ao cantor chileno Víctor Jara, assassinado pela ditadura militar de Augusto Pinochet em 1973, e a todos os desaparecidos do regime.

"Quero dedicar este show à memória de Víctor Jara e a todos os outros desaparecidos do regime militar", afirmou o roqueiro antes de se apresentar a um público de mais de 50 mil espectadores no Estádio Nacional.

Waters aproveitou para se manifestar a favor dos protestos sociais que têm ocorrido há cerca de três semanas na região de Aysén, no sul do Chile, que têm exigido o fim do isolamento e da falta de políticas públicas para o desenvolvimento da região. Ele ainda reiterou seu apoio às manifestações estudantis pela educação pública e de qualidade que marcaram o ano passado.

No show, o público se emocionou no momento em que um grupo de crianças acompanhou o músico durante a interpretação de "Another brick in the wall". Durante a apresentação, que durou duas horas e meia, ele fez críticas ao capitalismo e homenageou vítimas de conflitos bélicos com imagens projetadas em um muro.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Capitalismo: o problema não é uma crise, é o sistema

A crise atual do sistema capitalista evidencia, mais uma vez, que Marx tinha razão. Sua obra, seu pensamento revolucionário estão hoje mais evidentes que nunca

- Entrevista com Jorge Martin, da Corrente Marxista Internacional (CMI), no site Esquerda Marxista

O pensamento débil, pós-moderno, vanguardista, não pôde sequer compreender a situação em que o mundo vive atualmente, muito menos explicá-la, e, o que é pior, muito menos encontrar o caminho para a transformação revolucionária da sociedade.

Não pode ser de outra forma, porque, definitivamente, esses intelectuais de salões elegantes, representantes desse pensamento, tomados por uma vaidade que se avizinha à prepotência, os mesmos que exaltam o pós-moderno, o light, os que advogam pelo fim das ideologias e da luta de classes, somente estão interessados em seu prestígio como profissionais a serviço do poder dentro das instituições acadêmicas universitárias.

Conversamos com Jorge Martin, membro do Comitê de Redação da página web “In Defence of Marxism” (www.marxist.com/es), editor da revista política da Corrente Marxista Internacional, “América Socialista”, sobre a atualidade do pensamento de Marx em uma época em que não há outra saída além da luta pelo triunfo do socialismo.

P: Jorge, O Manifesto Comunista tem vigência atual para a análise da sociedade capitalista? Neste contexto, são válidas as categorias, usadas pelo marxismo, de classes sociais, mais-valia, trabalho assalariado, visto que atualmente se diz que estamos frente à economia do conhecimento, a uma economia desmaterializada, a uma economia que já não se baseia no trabalho produtivo?

R: Na realidade, O Manifesto Comunista é o documento mais atual para alguém que deseja entender o que está acontecendo atualmente possa ler. Embora tenha sido escrito há quase 165 anos, o Manifesto descreve de forma brilhante o mundo capitalista que vemos hoje, inclusive mais que a situação que existia em 1847. Se alguém se interessar em ler qualquer texto burguês daquela época, constatará que não tem mais que um interesse puramente histórico. O Manifesto, por sua vez, descreve em detalhes a dominação esmagadora do mercado mundial, as crises periódicas do sistema capitalista, o surgimento da classe trabalhadora, a concentração dos meios de produção, etc.

As categorias marxistas estão (se isso é cabível) mais vigentes atualmente que na época de Marx quando realmente o sistema capitalista mundial estava em sua infância. Aos que afirmam que a economia capitalista já não se baseia mais no trabalho produtivo, temos que lhes pedir que se detenham para pensar sobre quem lhes permite funcionar mesmo que seja um só dia de suas vidas. Quem produz e como se produz a cama onde dormem, os agasalhos que os abrigam, as paredes, janelas e teto que os protegem das intempéries? De onde sai a comida que os alimentam, a energia com que cozinham, o forno e os fogões onde a transformam em pratos deliciosos? Quem produz o automóvel ou o transporte coletivo que os levam ao seu local de trabalho e quem os conduz? Poderíamos prosseguir indefinidamente.

Quanto à “economia do conhecimento”, se do que estamos falando é do papel das tecnologias da informação e da comunicação, nada disso entra em contradição com a análise marxista do capitalismo. Marx e Engels explicam como “a burguesia não pode existir sem revolucionar incessantemente os instrumentos da produção”. As novas tecnologias se aplicam à produção para aumentar a produtividade do trabalho; o conhecimento pelo conhecimento não tem valor algum sob o capitalismo se não encontra uma aplicação na produção de mercadorias.

Se falarmos, por exemplo, do desenvolvimento de programas de software, isto é feito pelos trabalhadores que geralmente trabalham para grandes multinacionais e que recebem um salário em troca de sua força de trabalho. Embora trabalhem diante de uma tela de computador e com um teclado, em vez de apertar parafusos em uma cadeia de produção, são da mesma forma, trabalhadores assalariados, dos quais se extrai mais-valia. O produto final de seu trabalho talvez não possa ser tocado fisicamente, mas da mesma forma é uma mercadoria, na medida em que tem valor de uso e valor de troca e se vendem no mercado capitalista.

No contexto da aguda crise econômica enfrentada pelo sistema capitalista, já não são somente nós os marxistas os que reivindicamos a validade das análises de Marx, também os estrategistas mais inteligentes da burguesia se vêem obrigados, com um sorriso amarelo, a reconhecer sua validade.

P: É possível superar um sistema baseado em relações mercantis e no trabalho assalariado?

R: Não somente é possível, também é necessário. O capitalismo é um sistema que se encontra em crise. As forças produtivas que ele criou se rebelam contra os limites impostos pela propriedade privada dos meios de produção e pelo Estado nacional. A presente crise econômica provocou a destruição de 27 milhões de postos de trabalho, elevando o total de desempregados a 200 milhões. Duzentos milhões de homens, mulheres e, sobretudo jovens, condenados à inatividade, não porque não existam necessidades humanas a serem satisfeitas, mas porque os capitalistas (a minoria que é proprietária dos meios de produção) não encontram mercado para transformar mercadorias em lucros.

Sobre a base da planificação democrática da economia seria possível resolver de uma penada os problemas da fome, das enfermidades, da desnutrição, da falta de acesso à água potável, do desemprego e da pobreza extrema que hoje afetam centenas de milhões de pessoas em todo o mundo. O único obstáculo é o capitalismo, que se baseia não em satisfazer as necessidades da maioria, mas no lucro privado de uma minoria. Para superar este obstáculo é necessário expropriar os meios de produção e o capital para colocá-los a serviço da população.

Esse seria o primeiro passo para uma sociedade baseada não na carência, mas na abundância. E, progressivamente, a eliminação do dinheiro e das relações mercantis, que, ao invés de serem instrumentos de dominação e exploração, se converteriam em mero mecanismo de controle administrativo, para, finalmente, desaparecerem completamente.

P: Em que consiste a teoria marxista da política? Como entender a partir do marxismo o que é a política? Qual é a diferença entre a política burguesa e a política revolucionária? É possível ser apolítico?

R: Do ponto de vista marxista, toda luta de classes é uma luta política. Logicamente, existe atualmente uma ampla rejeição à “política”, em geral por parte dos jovens e trabalhadores que entram na arena da luta pela justiça repugnados diante do ‘espetáculo’ dos políticos, tanto de direita quanto de “esquerda”, que praticam, fundamentalmente as mesmas políticas, todos envolvidos em escândalos de corrupção. Esta rejeição é sadia e saudável. Mas há que ir mais além. A política não é mais que a luta pelos interesses próprios e coletivos dos trabalhadores e dos oprimidos como classe em oposição aos interesses dos capitalistas como classe.

Do ponto de vista da classe dominante, a política se limita a oferecer aos trabalhadores a possibilidade de votar em períodos determinados por um partido ou outro, mas, em última instância, todas as decisões importantes são tomadas nos conselhos de administração dos grandes bancos e empresas. Essa é a política burguesa. Do ponto de vista dos trabalhadores, a política deveria ser a luta para avançar em direção aos interesses diários e concretos da classe oprimida, e a vinculação dessa luta com o objetivo geral da tomada do poder político para se por um fim ao regime capitalista de exploração.

A ideia da rejeição geral de toda política, na realidade, é muito útil à classe dominante, pois se nós trabalhadores e trabalhadoras não participamos politicamente, defendendo nossos próprios interesses, então deixamos a política nas mãos do inimigo. O que é necessário é nos organizarmos de tal forma que as organizações que a classe operária criou ao longo de décadas e que manteve com seu esforço militante, respondam realmente a seus interesses.

P: Pode-nos explicar o que é o reformismo? O reformismo enfrenta necessariamente as mudanças revolucionárias? O dilema continua sendo reforma ou revolução?

R: O reformismo é basicamente a ideia de que o sistema capitalista pode ser melhorado, com pequenos remendos e reformas, de forma gradual e por via parlamentar, até chegar a ser transformado por completo. Na realidade, este era o reformismo clássico do dirigente da socialdemocracia alemã Eduardo Bernstein, por exemplo.

O reformismo viveu sua época de ouro durante o boom do pós-guerra nos países capitalistas avançados. Nesses países foram realizadas reformas importantes que melhoraram as condições de vida da classe trabalhadora, o que passou a ser chamado de Estado do bem-estar social. Saúde e educação gratuitas para todos, moradias sociais baratas, seguro-desemprego generoso, pensões de jubilação dignas, licença maternidade, creches infantis públicas de qualidade, etc. Tudo isto foi possível, por um lado, devido à luta e à organização da classe trabalhadora e, por outro, devido ao longo período de crescimento econômico que o capitalismo experimentou durante quase três décadas.

Nessas condições, parecia normal, pelo menos nos países capitalistas avançados, pensar que um processo gradual de reformas iria limando as asperezas do capitalismo. Isso fortaleceu a dominação das ideias reformistas no movimento operário desses países. Contudo, as crises capitalistas de 1973 e 1979 puseram um fim a essa época.

O capitalismo já não podia mais se permitir conceder sequer algumas migalhas que sobrassem da mesa do patrão. Começou uma época de contrarreformas e ataques que foram destruindo grande parte das conquistas do passado. Inclusive quando os partidos socialdemocratas chegaram ao poder não aplicaram políticas reformistas. A atual crise do capitalismo evidencia, inclusive de forma mais aguda, a impossibilidade de se conseguir reformas significativas e duradouras nos marcos de um sistema senil.

Alguns descrevem este período como “neoliberal” ou argumentam que as políticas de austeridade estão motivadas por critérios ideológicos. Embora obviamente a classe dominante trate de estabelecer uma estrutura ideológica para suas políticas, a verdade é que a crise econômica não lhe permite conceder nenhuma reforma.

Como revolucionários não estamos contra as reformas; pelo contrário, participamos de forma séria e consequente na luta pela defesa ou pela conquista de qualquer reforma séria que melhore as condições de vida, de trabalho e os direitos democráticos da maioria. Em sua obra clássica “Reforma ou revolução”, a grande revolucionária alemã Rosa Luxemburgo explica isto com clareza em resposta aos reformistas dentro do movimento socialdemocrata:

“A luta cotidiana pelas reformas, pela melhoria da situação dos operários nos marcos da ordem social imperante e por instituições democráticas oferece à socialdemocracia o único meio de participar na luta da classe operária e de se empenhar no sentido de seu objetivo final: a conquista do poder político e a supressão do trabalho assalariado. Entre a reforma social e a revolução existe, para a socialdemocracia, um vínculo indissolúvel. A luta pelas reformas é o meio; a revolução social, o fim”.

O que distingue revolucionários de reformistas, portanto, não é a luta pelas reformas e sim que os reformistas pensam que é possível reformar o capitalismo, enquanto que os revolucionários estão convencidos que o mesmo deve ser abolido de forma revolucionária. Se as ideias reformistas foram sempre utópicas, no contexto da crise capitalista mais severa desde os anos 1930 o são ainda mais.

P: É possível mudar o mundo sem tomar o poder?

R: A ideia defendida por alguns intelectuais como Holloway, de que é possível mudar o mundo sem tomar o poder, embora possa parecer atraente e em certa medida uma reação ao estatismo estalinista do século XX, na realidade não tem pés nem cabeça.

A classe dominante é dominante em virtude de sua propriedade dos meios de produção, mas se dota de um Estado (“corpos de homens armados em defesa da propriedade privada”, como afirmou Engels), para defender essa dominação. O poder estatal é parte integrante da dominação capitalista. O poder econômico não pode ser separado do poder político.

A ideia de que alguém pode simplesmente “sair” do capitalismo, criar “espaços liberados” ou “autônomos” nos quais o capitalismo deixa de existir, e que, de alguma forma, esses espaços vão se espalhar até que o sistema não mais possa funcionar, é utópica e reflete ademais uma profunda incompreensão do caráter fundamental do sistema capitalista.

Além de ter muitos pontos em comum com o gradualismo reformista, é uma concepção profundamente idealista. Argumenta-se que, se convencermos a maioria, através do exemplo voluntário de uns tantos, de que se pode viver “fora do capitalismo”, então o restante nos seguirá. Contudo, as coisas não são tão simples. O capitalismo não é um modo de vida, mas um conjunto de relações sociais e de poder e é isso o que deve ser transformado para se por um fim ao mesmo.

As ideias de Holloway se baseiam em grande medida na experiência dos zapatistas no México. A luta dos camponeses pobres indígenas de Chiapas é, sem dúvida, heroica, e seu levantamento contou com simpatias muito amplas entre todos os oprimidos do México e muito mais além. Contudo, a estratégia zapatista ficou desacreditada na prática. Ao renunciar à luta pela tomada do poder no México, seu movimento ficou reduzido à luta por uma autonomia cultural limitada a uma parte do país. Os jovens das comunidades zapatistas continuam sendo obrigados a emigrar para encontrar sustento em outras zonas do país, nas regiões turísticas ou petrolíferas. A agricultura de subsistência não pode oferecer saída aos milhões de trabalhadores e pobres do México. Os dirigentes zapatistas, ao levar ao extremo a ideia de que todos os políticos são iguais, de que não podemos participar da farsa eleitoral burguesa, finalmente se isolaram de um dos movimentos mais importantes que já viram os oprimidos no México em muito tempo: a luta contra a fraude eleitoral a López Obrador em 2006.

A experiência das fábricas ocupadas na Argentina e em outros países, também demonstra na prática que é impossível construir ilhas de socialismo rodeadas de capitalismo, enclaves de uma nova sociedade dentro da velha sociedade. As fábricas necessitam de insumos, fontes de crédito, necessitam colocar seus produtos no mercado capitalista etc.

Recentemente, em um artigo sobre a Grécia, Holloway propunha como alternativa aos brutais planos de austeridade “a volta ao campo, às hortas urbanas, aos panelões populares”. Vemos, aqui, realmente, a estreiteza de visão desta teoria. Uma coisa é que muitos gregos, sem emprego, sem renda, sem casa, se vejam obrigados a voltar ao campo ou a plantar algumas hortaliças para subsistir. Mas, realmente, pode-se propor isso como alternativa ao capitalismo? A saída para a Grécia é a unidade da luta operária para derrubar o governo, a nacionalização do setor bancário e das grandes empresas sob o controle operário, para tomar o controle da economia e poder planificá-la democraticamente no interesse da maioria. Isto deveria vir acompanhado por um apelo internacionalista aos trabalhadores da Europa e do mundo a seguir o mesmo caminho e levantar um movimento de solidariedade com a revolução grega.

Os trabalhadores da Siderúrgica Grega ocuparam as instalações e estão há três meses em greve. Por acaso a alternativa para eles é abandonar a fábrica e se por a cultivar tomates no balcão de suas casas? Sua luta passa pela nacionalização sob o controle operário da empresa, para poder colocar esses meios de produção condenados à inatividade pela crise capitalista, a funcionar em benefício da maioria, usando o aço para construir hospitais, pontes, escolas, etc.

Definitivamente não se pode mudar o mundo sem por fim ao sistema capitalista, e isso passa pela tomada do poder político e econômico por parte do povo trabalhador, pelos que produzem toda a riqueza.

P: Deve-se participar ou não politicamente no regime parlamentarista burguês?

R: O regime parlamentarista burguês não é mais que uma fachada bonita para a ditadura do capital. Contudo, no momento, a maioria da população não vê isto desta maneira. Em consequência, os revolucionários devemos participar no parlamento, mas sem nenhum ilusão no mesmo, para utilizá-lo como amplificador, como plataforma para a explicação das ideias revolucionárias. Os bolcheviques na Rússia, enquanto não tiveram o apoio suficiente para opor ao parlamentarismo uma autêntica democracia soviética, participaram até das mais restritivas eleições à Duma (parlamento) czarista, e utilizaram, de forma muito hábil, os parlamentares eleitos para fazer propaganda pública da necessidade de uma revolução e para denunciar o regime czarista.

Nos países europeus mais severamente afetados pela crise, inclusive a farsa do parlamentarismo burguês começa a se quebrar e a mostrar de maneira mais aberta seu autêntico caráter. Na Grécia e Itália, vimos a substituição de governos eleitos democraticamente em eleições burguesas por governos “tecnocráticos” compostos de representantes diretos dos banqueiros e capitalistas, os quais ninguém elegeu.

Isto leva a um descrédito cada vez mais amplo nos políticos burgueses e no regime parlamentar burguês em geral. No Estado espanhol, por exemplo, um dos gritos de guerra do movimento dos “indignados” tem sido: “não, não nos representam”. Ao mesmo tempo, vemos o aumento dos votos para aquelas opções da esquerda que aparecem como um ponto de referência alternativo (por exemplo, Esquerda Unida, na Espanha; o KKE e Syriza, na Grécia).

Os parlamentares revolucionários, contudo, têm que romper abertamente com as normas e costumes do parlamentarismo burguês. Em primeiro lugar, devem renunciar aos privilégios e mordomias que acompanham o cargo. Um deputado que quiser representar a classe operária deveria receber o mesmo salário de um operário qualificado, e entregar o restante ao movimento operário. Um deputado operário deveria se converter em porta-voz de todas e cada uma das lutas dos trabalhadores na arena parlamentar, para lhes dar desta forma a maior publicidade. Na Grã-Bretanha dos anos 1980, a tendência marxista Militant logrou eleger três deputados ao parlamento nacional dentro das listas do Partido Trabalhista precisamente sobre a base da palavra de ordem “deputado operário, salário operário”. A participação dos revolucionários nos parlamentos burgueses não deve ser um fim em si mesmo, mas uma ferramenta auxiliar na luta de classes, complementando e amplificando a ação nas ruas.

P: Como explicar a partir da teoria marxista as categorias de democracia e de ditadura do proletariado?

R: A chamada “democracia”, democracia burguesa na realidade, não é mais que uma fachada da ditadura do capital. Isto é, garante-se formalmente uma série de direitos democráticos, desde que o exercício dos mesmos não ameace o poder, os privilégios e a propriedade da classe capitalista. Quando estes se veem ameaçados, a classe dominante não duvida em recorrer a métodos ditatoriais de dominação, como vimos graficamente no golpe de Estado de Pinochet no Chile em 1973.

Mas mesmo em um regime formalmente democrático, o poder real reside nos proprietários dos meios de produção que têm a capacidade econômica de decidir sobre o destino e o emprego de milhões de pessoas. Também controlam os meios de comunicação para modelar a opinião pública, compram e vendem políticos para defender seus interesses, etc. A democracia e a igualdade sob o capitalismo são ilusórias. Como disse o escritor francês Anatole France, “a lei, em sua majestosa igualdade, proíbe igualmente aos ricos e aos pobres dormir sob uma ponte, mendigar nas ruas e roubar pão”.

A ditadura do proletariado não é mais que outro nome para a democracia operária. Sob o capitalismo, temos uma ditadura exercida por uma classe minoritária sobre outra, que é majoritária. Sob a ditadura do proletariado, é a classe trabalhadora, a maioria da sociedade, que exerce o poder e o defende contra uma minoria exploradora que quer restaurar o velho regime. A democracia operária, na realidade, não é mais que um regime transitório; na medida em que o socialismo criar um regime de abundância, a necessidade de um aparato estatal vai desaparecendo.

Recomendo a leitura dos textos de Marx e Engels sobre a Comuna de Paris e o clássico de Lênin “O Estado e a Revolução”, para uma explicação mais detalhada destes conceitos.

P: São vigentes as proposições feitas em O Manifesto Comunista com respeito à organização revolucionária da classe trabalhadora?

R: Totalmente. A classe trabalhadora, pelo lugar que ocupa nas relações capitalistas de produção, é a única classe que é potencialmente revolucionária de forma consequente. Isso não quer dizer que não necessite de, e que não deva buscar, o apoio de outras camadas da sociedade, como os camponeses pobres daqueles países onde eles têm um peso específico na sociedade, os pobres urbanos, as camadas baixas da pequena burguesia, etc.

Nas recentes greves massivas em defesa do sistema de pensões e aposentadorias na França, vimos dois exemplos disto. Por um lado, os trabalhadores das refinarias, um setor altamente organizado e que havia conquistado condições de trabalho e salariais superiores a outros setores, se lançaram em greve por tempo indeterminado com piquetes nas instalações. A medida rapidamente gerou a simpatia e solidariedade de amplas camadas da população e chegou a paralisar praticamente a vida econômica de todo o país. Isso demonstrou o poder potencial que tem mesmo um grupo numericamente pequeno de trabalhadores. O outro exemplo foi a greve dos trabalhadores dos transportes de segurança que distribuem o dinheiro às sucursais bancárias e caixas automáticas. Uma greve que, em poucos dias, ameaçava paralisar a vida financeira do país.

A classe operária, portanto, potencialmente tem o poder para tomar o controle da sociedade. O que se necessita é de uma direção revolucionária que esteja à altura. Esta direção não pode simplesmente se autoproclamar, tem que ganhar o direito de dirigir a classe, através de sua intervenção em todas e cada uma das lutas dos oprimidos. Nas palavras de Marx:

“Os comunistas não formam um partido a parte dos demais partidos operários. (...) Os comunistas não se distinguem dos demais partidos proletários mais que nisto: no fato de que destacam e reivindicam sempre, em todas e em cada uma das ações nacionais proletárias, os interesses comuns e peculiares de todo o proletariado, independentemente de sua nacionalidade, e em que, qualquer que seja a etapa histórica em que se produza a luta entre o proletariado e a burguesia, sempre mantém o interesse do movimento focalizado em seu conjunto. Os comunistas são, pois, praticamente, a parte mais decidida, o acicate sempre em tensão de todos os partidos operários do mundo; teoricamente, levam de vantagem às grandes massas do proletariado sua visão clara das condições, dos rumos e dos resultados gerais a que há de chegar o movimento proletário” (O Manifesto Comunista, Marx e Engels, 1848).

P: Como compreender o movimento dos Indignados e Ocuppy Wall Street?

R: Estes movimentos são extraordinariamente sintomáticos. Refletem um estado de ânimo cada vez mais amplo de oposição instintiva ao sistema capitalista, que foi se acumulando durante anos e que saiu à superfície com a atual crise econômica.

Palavras de ordem como “não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros”, “não é uma crise, é o sistema”, trazem à luz a oposição existente entre a maioria da população, que tem de vender sua força de trabalho para assegurar o sustento, e uma minoria parasita, não eleita, que se enriquece cada vez mais à custa desses 99%. Esta é uma conclusão profundamente revolucionária a que chegaram camadas cada vez mais amplas da população. É verdade que o papel decisivo nesses movimentos foi realizado pela juventude, como não podia deixar de ser e como costuma acontecer ao longo da história. Mas a juventude não é mais que o barômetro sensível dos estados de ânimo geral na sociedade. Tanto nos EUA quanto na Espanha, por exemplo, todas as pesquisas de opinião realizadas mostram como 80% ou mais da população apoiam estes movimentos e seus objetivos.

O fato de que nos EUA, o país capitalista mais poderoso do mundo, se tenha proposto a ideia de uma greve geral, como aconteceu em Oakland, Califórnia, contra a repressão brutal ao movimento Ocuppy, é também muito significativo. Estes movimentos, além de questionar o próprio sistema capitalista, refletem a ideia muito avançada de que é possível fazer algo para mudar a situação, rompem com o fatalismo e o ceticismo do “não há alternativa”. Inspirados pelos levantamentos revolucionários na Tunísia e no Egito, milhões de pessoas nos países capitalistas avançados chegaram à conclusão de que a única forma de mudar as coisas é mediante a ação revolucionária das massas nas ruas.

Estas duas conclusões – o sistema não serve, podemos muda-lo através da mobilização – são por si mesmas muito importantes. É verdade que estes movimentos carecem de alternativa clara ao sistema capitalista e que, neles, há todo tipo de ideias confusas a respeito. Como poderia ser diferente? O movimento apenas acaba de iniciar, começa a despertar.

A tarefa dos marxistas é a de participar ativamente no mesmo, persistindo e ressaltando seus elementos mais positivos, assinalando, ao mesmo tempo, o que pensamos qual deveria ser o caminho a seguir. Entrar em diálogo companheiro e paciente com as novas camadas de jovens que se unem à luta para, na prática, demonstrar a utilidade e a superioridade das ideias do marxismo para a luta revolucionária.

P: Sociedade civil, cidadania, multidão vs. Classe social. Qual delas é válida?

R: Na realidade, estes conceitos de “sociedade civil”, “cidadania”, “multidão” etc., não fazem outra coisa senão esconder o verdadeiro caráter da sociedade capitalista e as contradições em seu seio. Cidadãos, somos todos, desde o banqueiro especulador, que recebe bonificações milionárias enquanto deixa centenas de milhares de famílias sem casa, até o trabalhador da construção que é despedido e não pode se permitir ter um teto sobre a cabeça. Que interesses comuns temos? Nenhum. A multidão tampouco significa nada na realidade.

Inclusive no caso das revoluções na Tunísia e no Egito, as massas saíram às ruas, ocuparam as praças e enfrentaram o exército e a polícia. Mas o fator chave no caso da Tunísia foi uma série de greves gerais regionais que culminaram em uma greve geral na capital. No caso do Egito, o movimento havia sido precedido por uma onda grevista e o exército decidiu afastar Mubarak, justamente quando a classe trabalhadora estava começando a entrar em cena de forma organizada.

O capitalismo se baseia na contradição central de uma classe dominante, proprietária dos meios de produção, e uma classe desprovida, que não tem mais que sua força de trabalho (manual ou intelectual) para vender. É sobre a base desta análise científica que devemos ver qual é o sujeito revolucionário.

Traduzido por Fabiano Adalberto

Novo mico de José "Pedágio" Serra

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A homofobia é uma doença. Pena não ser fatal!

Finalmente: trilha completa de "Hook - A Volta do Capitão Gancho" será lançada em março!

O selo La-La Land, especializado em trilhas sonoras de filmes, anunciou em sua página no facebook que vai lançar em 27 de março o album com a trilha completa do filme "Hook - A Volta do Capitão Gancho", sem dúvida uma das melhores e mais ricas partituras compostas pelo mestre John Williams!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Deputado Pedro Bigardi (PCdoB) defende Serra do Japi contra a especulação imobiliária

Em discurso na sessão Plenária do dia 28 de fevereiro na Assembléia Legislativa, deputado Pedro Bigardi defende Serra do Japi contra a especulação imobiliária que põe em risco o Patrimônio Ambiental da Humanidade.

Três pessoas tiveram que perder a vida para que Miguel Haddad (PSDB) resolvesse instalar defensas na Nove de Julho!

Haddad e PSDB: brincando com a vida alheia
O panfletinho oficioso do PSDB local, conhecido como "Jornaleco de Jundiaí", informa em mais uma matéria que certamente já veio pronta da assessoria de marketing da Prefeitura, que finalmente estão sendo instaladas defensas na avenida Nove de Julho - nada menos do que OITO meses depois da sua inauguração!

Outro detalhe macabro: para que isso ocorresse TRÊS pessoas tiveram que perder suas vidas após caírem dentro do Córrego do Mato, que passa no meio da avenida. Mortes trágicas, resultantes de acidentes banais que poderiam ter sido evitadas por simples defensas (guard-rails) instalados na avenida.

Mas o panfleto do PSDB local não deixa por menos. Veja como justifica esse fato lamentável: "Os acidentes com automóveis que ´mergulham´ para dentro do Córrego do Mato, na Avenida 9 de Julho, podem chegar ao fim. Após meses de processo licitatório, as defensas ao longo da via começarão a ser instaladas ainda esta semana."

Viu só que engraçadinho? Os carros "mergulham" para dentro do Córrego do Mato! O prefeito Miguel Haddad poderia inclusive organizar um concurso entre a população da cidade para ver qual é o carro que "mergulha" mais bonito dentro do Córrego do Mato, que tal? O vencedor receberia de presente um Cargo Comissionado na Prefeitura, com direito a passar o dia todo fazendo politicagem favorável ao PSDB nas redes sociais em pleno horário de serviço! Não seria um must para Jundiaí, digno de sair na capa e na coluna social do "Jornaleco de Jundiaí"?

Simples defensas teriam evitado as mortes
E, como deixa claro o panfleto dirigido pelo bisonho Sindey Mazzaropi (que só gosta de comunistas perfumados), a culpa pela falta de defensas na Nove de Julho é do processo licitatório que durou meses...

Puxa, fiquei até com dó do prefeito Miguel Haddad e de sua patota do PSDB! Imagina só, os caras doidos para colocarem as defensas na avenida, mas o maldito processo licitatório não deixava! Bem, talvez se eles tivessem feito a tal licitação DURANTE a reforma da avenida talvez não precisassem passar por esse sufoco todo, né? Vamos lembrar que a reforma de "embelezamento" da av. Nove de Julho durou praticamente TRÊS ANOS!

Mas só de sacanagem, vamos lembrar agora o que disse o secretário de Obras do município, Sinésio Scarabello Filho, no mesmo "Jornaleco de Jundiaí" (segundo informações do blog Mais Jundiaí), quando foi questionado sobre o perigo da falta de defensas na Nove de Julho: "Pelo traçado e pelas características físicas, a avenida não é perigosa. Os acidentes ocorridos tiveram como causa a imprudência", afirmou. Assim, o que evitaria quedas de veículos no leito do córrego seria, segundo ele, o paisagismo. "Haverá árvores de grande, médio e pequeno portes e o espaçamento entre elas será reduzido", garantia

Eu sei que parece brincadeira, só que o assunto é sério. Nada menos do que TRÊS pessoas tiveram que perder suas vidas para que o sr. Miguel Haddad e seus subalternos resolvessem agir. Cupinchas e capachos do PSDB certamente aparecerão aqui para tentar defender a incompetência dessa administração tucana, mas nós sabemos que não fariam o mesmo se alguma das vítimas fosse um membro da família deles, certo?

Até quando a população honesta e trabalhadora de Jundiaí vai aguentar esse descalabro calada?

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ateísmo não é religião!

Mais fogo amigo: matéria de 4 de fevereiro do Estadão dava outra paulada na avançada destruição da Serra do Japi

Avanço de condomínios na Serra do Japi afeta animais

ONG recebe araras, lontras, macacos e outros bichos feridos encontrados em áreas urbanas

- TEXTOS: Diego Zanchetta / FOTOS: Tiago Queiroz - O Estado de S.Paulo

Coruja tratada por ONG na Serra do Japi
SÃO PAULO - De pontos altos nos limites de Jundiaí com a Serra do Japi, é possível ver o avanço de prédios e condomínios sobre as franjas da mata preservada, em fenômeno semelhante ao que já ocorreu com a ocupação da Serra da Cantareira na zona norte da capital, nos anos 1990. No distrito do Parque Eloy Chaves, ao lado da Rodovia dos Bandeirantes, por exemplo, os primeiros prédios de 10 andares começaram a chegar em 2008 e não param de se multiplicar.

No mesmo bairro, condomínios com bosques de matas nativas administradas pelo Ibama também atraem famílias de paulistanos que querem morar "com vista para a serra". As placas de apartamentos à venda estão pregadas nos postes de estradas de terra da serra.

Segundo ambientalistas, essa ocupação urbana próxima da serra já provoca uma "diáspora" de animais silvestres. O reflexo mais direto está na Associação Mata Ciliar, ONG que recebe em média 9,7 animais por dia achados em áreas urbanas da região. Até 2007, esse número não passava de 5. "Quem mais sofre com essa construção desenfreada de condomínios são as onças pardas. Já encontramos oito nos últimos três anos", afirma a veterinária Cristina Harumi Adamia, de 52 anos, coordenadora da ONG.

Araras, lontras, macacos, corujas, gatos selvagens. O dia todo policiais, vizinhos e motoristas que cruzam a Bandeirantes levam animais feridos ou abandonados para a associação, localizada dentro de área de preservação permanente. A coordenadora conta que nos últimos oito meses 20 bugios morreram eletrocutados em fios de alta tensão de condomínios de Eloy Chaves, em Jundiaí. "Antes eles pulavam em galhos. Mas as árvores que usavam foram cortadas para dar lugar aos condomínios. E agora estamos ainda mais assustados com a possibilidade da chegada de hotéis. Isso vai acentuar a tentativa de fuga de animais silvestres."

A Serra do Japi também conta com nascentes e mananciais que fazem parte da Bacia do Rio Piracicaba, cujo volume hídrico é usado para o abastecimento de 2 milhões de pessoas no interior e na Grande São Paulo.

"A Serra do Japi é o último fragmento de Mata Atlântica antes do início do Cerrado. Por isso, tem espécies de fauna dos dois ecossistemas, algo único no Brasil. Se a borda da serra não for congelada, todos esses animais silvestres vão acabar fugindo para áreas urbanas, correndo risco de ser mortos", completou.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Dono do jet ski que matou menina de 3 anos é barão do lixo ligado ao PSDB

Se você, assim como eu, estava achando estranho que nenhum jornal ou TV estava dizendo o nome do dono do jet-sky que matou a menina de 3 anos em Bertioga, a matéria abaixo dá uma boa pista do motivo... E não me venham os canalhas dizendo que estou fazendo polticagem em cima de uma tragédia, pois se o sujeito fosse ligado ao PT ou algum outro partido de esquerda isso seria a manchete principal de todos os veículos do PiG, a semana toda!

Dono do jet ski é barão do lixo ligado ao PSDB

MÁQUINA PERTENCE À FAMÍLIA DO EMPRESÁRIO JOSÉ CARDOSO, QUE PRETENDIA DISPUTAR A PREFEITURA DE SUZANO EM 2012 COM APOIO DE ALCKMIN; SEU LIXÃO COLECIONA MULTAS POR IRREGULARIDADES E AGORA ELE PODE SER INDICIADO POR HOMICÍDIO DOLOSO, JÁ QUE EMPRESTOU O APARELHO, QUE MATOU GRAZIELLY, AO AFILHADO

- do site Brasil247


247 - A polícia de Bertioga, no litoral de São Paulo, divulgou nesta quarta-feira o nome do dono do jet ski que matou uma menina de três anos no último final de semana. Ele pertence à família do empresário José Augusto Cardoso, o Zé Cardoso. Ele emprestou a máquina ao afilhado, um adolescente de 14 anos, que supostamente a pilotova no momento do acidente que matou Grazielly.

O governador Geraldo Alckmin estudava apoiar Zé Cardoso para disputar a eleição municipal de Suzano este ano, pelo PSDB. O vice-presidente Nacional do PSDB e secretário de Estado de Desenvolvimento Metropolitano, Edson Aparecido, no entanto, se mostrou contra a nomeação. Para ele, o partido deveria lançar Paulo Tokuzumi. Um dos principais motivos pela resistência é que Zé Cardoso está com seu aterro fechado por determinação da Cetesb e da Justiça há meses e tem recebido uma multa atrás da outra por irregularidades diversas no aterro Pajoan de Itaquá

Na semana passada, a última multa recebida pelo Pajoan chegou a R$ 900 mil. Agência regional da Cetesb constatou que a empresa de Cardoso vinha recebendo novas cargas de resíduos sólidos, provenientes da coleta pública, em descumprimento à interdição imposta judicialmente desde maio do ano passado, conforme denúncia feita pela Diocese de Mogi das Cruzes. A Companhia também cancelou a autorização provisória para a área de transbordo que estava sendo utilizada pela empreiteira para transportar cerca de 250 toneladas de resíduos de Poá e Itaquaquecetuba para o encaminhamento a aterros sanitários licenciados.

Zé Cardoso pode agora ser indiciado por homicídio pelo caso Grazielly. A menina de três anos havia chegado à cidade na sexta-feira (17) junto com um grupo de dez pessoas, entre familiares e amigos, da cidade de Artur Nogueira, também no interior paulista. Era o primeiro passeio dela na praia. Ela fazia castelos de areia com a mãe na beira do mar quando foi atropelada pelo veículo em alta velocidade que saiu da água. O adolescente, segundo testemunhas, fugiu do local sem prestar socorro.

Aula rápida sobre o capitalismo segundo Marx

Tucanos em guerra: militante do PSDB chama Serra de imaturo e palhaço!

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Filmes: "A Invenção de Hugo Cabret"

BELÍSSIMA CHATICE

Não dá pra endeusar um filme só porque ele homenageia o cinema, principalmente um tão sem graça.

- por André Lux, crítico-spam

É impressionante como um filme fraco e tedioso como "A Inveção de Hugo Cabret" receba tantos louvores da crítica e da academia de cinema estadunidense, ao ponto de ser o recordista de indicações para o Oscar de 2011. Tudo bem, eu concordo que o filme é muito bonito e bem feito, tem uma fotografia exuberante, um desenho de produção primoroso e uma música excelente de Howard Shore. Mas é só. O filme pode ser resumido em duas palavras: belíssima chatice!

A grande sacada do diretor Martin Scorsese, porém, foi ter feito um filme que é na verdade uma homenagem nada sutil ao próprio cinema, representado aqui na figura de Georges Meliès, que morreu na miséria depois de ter sido o primeiro grande cineasta ("Da Terra à Lua" foi um dos únicos trabalhos dele que conseguiram ser preservados). Críticos e pessoas ligadas ao cinema simplesmente adoram uma boa autoindulgência quando o assunto é a sétima arte. Nada contra, porém não dá pra endeusar um filme só porque ele homenageia o cinema, principalmente um tão sem graça.

Para piorar tudo, fica claro que Scorsese, um cineasta acostumado a fazer filmes violentos sobre gangsters e criminosos em geral (como "Os Bons Companheiros" e "Os Infiltrados"), não tem a menor noção de como construir uma narrativa alegre e voltada ao público infantil. Assim, "A Invenção de Hugo Cabret" torna-se um filme chato, arrastado, sem conflitos e incapaz de passar qualquer emoção. Suas mais de duas horas de duração saltam aos olhos e o filme parece interminável (como a maioria dos filmes do cineasta).

O roteiro, baseado em livro de Brian Selznick, é incapaz de construir qualquer surpresa ou reviravolta e é claramente dividido em dois atos que nada tem entre si. No primeiro acompanhamos o órfão Hugo Cabret tentando consertar um automato que herdou de seu falecido pai, enquanto faz a manutenção dos relógios de uma estação de trem e foge do inspetor de polícia local. De repente, tudo muda de figura quando ele descobre o segredo do robô e daí o filme vira uma modorrenta "homenagem ao cinema". Por sinal, nem o título da obra faz qualquer sentido, já que o protagonista não inventa coisa alguma!

Quem teve a brilhante ideia de escalar o Borat?
Scoresese estava tão fora de seu métier que nos apresenta uma péssima direção de atores, onde nem mesmo o grande Ben Kingsley consegue se salvar. Fiquei com pena da menina Chloe Grace Moretz, que esteve tão bem em "Deixe-me Entrar", mas aqui passa o filme todo dando o mesmo sorrisinho amarelo para a câmera. E o que dizer então da opção dele em escalar o abominável Sacha Baron Cohen, o "Borat" em pessoa, para o papel chave do inspetor de polícia? Sua "atuação" é de longe uma das coisas mais constrangedoras e caricatas que eu vi nos últimos tempos!

O fato de ter todo sido rodado com o que há de mais avançado na tecnologia 3D não acrescenta nada, exceto se você conseguir se impressionar com aquelas cenas manjadas de longos travellings da câmera e de objetos sendo jogados em direção à tela. Eu, por sinal, já deixo claro que não gosto nem um pouco de ver filmes em 3D, pois esse recurso em nada se assemelha ao que vemos no mundo real e deixa os filmes totalmente artificiais e sem qualquer profundidade de campo.

"A Inveção de Hugo Cabret" é um filme que talvez nas mãos de um Spielberg, na época em que ainda era inspirado, poderia se tornar algo interessante. Mas, feito sob a mão pesada do superestimado Scorsese acaba sendo algo penoso de se assistir.

Cotação: * *

Saída pela direita...

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Filmes: "Diário de Um Jornalista Bêbado"

O PAI DO GONZO

Filme é baseado no primeiro livro de Hunter S. Thompson, autor do famoso "Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano"

- por André Lux, crítico-spam

"Diário de Um Jornalista Bêbado" é baseado no primeiro livro de Hunter S. Thompson, autor do famoso "Medo e Delírio em Las Vegas: Uma Jornada Selvagem ao Coração do Sonho Americano". O filme é um projeto pessoal do ator Jonhy Depp que era amigo de Thompson e atuou também na versão para os cinemas de "Medo e Delírio", do Terry Gilliam (que mesmo não resistindo a uma análise mais profunda é um dos filmes mais alucinantes e engraçados do ex-Monty Python).

Hunter S. Thompson é um jornalista que sem querer inventou o chamado "jornalismo gonzo", que é definido pelo Wikipédia como "um estilo de narrativa em jornalismo, cinematografia ou qualquer outra produção de mídia em que o narrador abandona qualquer pretensão de objetividade e se mistura profundamente com a ação". Besteira. "Jornalismo Gonzo" é o resultado do trabalho de alguém que cobriu um evento completamente bêbado e/ou drogado e aí coloca no papel suas lembranças e experiências obtidas enquanto sob efeito das drogas. Thompson, um notório alcoólatra e drogado, foi um grande crítico do chamado "sonho americano" e tirou a própria vida com um tiro de espingarda aos 68 anos de idade.

"Diário de Um Jornalista Bêbado" conta a história de um jornalista chamado Paul Kemp (alter-ego do próprio Thompson numa atuação muito boa e contida de Depp) que vai trabalhar em um pequeno jornal em Porto Rico e logo faz amizade com outro repórter igualmente alcoólatra e viciado em rinha de galo. A primeira parte do filme é uma longa sucessão de divertidas cenas de personagens alcoolizados fazendo loucuras.

Numa dessas, Kemp esbarra no novo rico Hal Sanderson (Aaron Eckhart, excelente) que quer contratar o jornalista bebum para que ele escreva matérias positivas sobre uma jogada de especulação imobiliária que vai trazer grande fortuna para os envolvidos e desgraça para os porto-riquenhos. As coisas se complicam ainda mais quando Kemp fica deslumbrado com a namorada de Sanderson, Chenault (na pele da lindíssima Amber Heard).

Esse primeiro ato é o que o filme tem de melhor, alternando cenas engraçadas com outras de crise moral que passa a sofrer o protagonista, arrastado para dentro de um esquema corrupto sem querer. É uma pena que na segunda parte a história perca a vibração e o interesse. Nem mesmo o conflito moral de Kemp é resolvido de forma minimamente satisfatória e o filme se resuma em tolas perseguições pelas estradas de terra de Porto Rico. O romance entre o protagonista e a bela Chenault não gera nenhum tipo de conflito e também é resolvido bestamente. Outra coisa que estraga o filme é a presença do péssimo Giovanni Ribisi, aqui interpretando um jornalista ainda mais louco e drogado (que ainda por cima adora ouvir discursos gravados de Hitler!), o qual poderia ter se tornado antológico caso fosse representado por um ator de verdade.

O fato é que o livro original (que só foi publicado após a morte de Thompson) não era mesmo grande coisa e traz apenas algumas pinceladas bem básicas do que viria a ser o estilo "gonzo" e as críticas ácidas do autor ao "sonho americano". Enfim, vale uma espiada, mas não espere muito.

Cotação: * * 1/2