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sexta-feira, 1 de junho de 2007

DVD: "Alexandre"

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OLIVER, O GRANDE

Injustamente destruído pela maioria dos profissionais da opinião e rejeitado pelo público devido ao conteúdo homoerótico, filme merece ser visto e analisado com olhos mais críticos e menos preconceituosos.

- por André Lux, crítico-spam

Oliver Stone é um dos cineastas mais polêmicos da indústria cultural estadunidense, do tipo que é atacado por todos os lados (embora sempre mais à direita) devido à coragem e contundência com que aborda temas espinhosos da política de seu país. O sujeito gosta mesmo é de colocar o dedo na ferida. Foi assim com “Salvador”, “Platoon” e “JFK”, três filmes que mostram com riqueza de detalhes as intervenções de Washington em outros países e demolem o mito da “defesa da democracia” que os EUA usam para tentar justificar tais atos mundo afora.

Ou no documentário "Comandante", onde entrevista ninguém menos que Fidel Castro sem qualquer tipo de censura, papas na língua ou constrangimento, atingindo um resultado tão honesto e humano ao retratar o líder da Revolução Cubana que a exibição do filme acabou sendo proibida nos EUA! Até mesmo suas obras mais fracas ou descompromissadas (“Reviravolta”, “Um Domingo Qualquer”) sempre trazem altas doses de cenas fortes ou denúncias relevantes.

E isso não poderia ser diferente em “Alexandre”, adaptação muito particular que Stone faz da vida do conquistador Alexandre, O Grande, responsável pela construção de um império que ia da Grécia à Índia. Injustamente destruído pela maioria dos profissionais da opinião e rejeitado pelo público, o filme merece ser visto e analisado com olhos mais críticos.

A boa notícia é que o Stone não pretende descrever fatos históricos relativos ao personagem em questão, mas sim fazer uma análise psicológica de Alexandre, tentando descobrir o que levaria uma pessoa a buscar obsessivamente a expansão de seu império e a dominação de outros povos. Ou seja, está muito mais para “filme de arte” do que para o épico de ação que foi vendido nas peças publicitárias.

Assim, o protagonista (interpretado com surpreendente segurança pelo irregular Collin Farrel), é pintado como alguém traumatizado por uma mãe dominadora e fálica (Angelina Jolie, melhor do que de costume apesar do sotaque “Klingon”), do tipo que tem ódio/inveja de homens, e de um pai ausente e beberrão (numa interpretação nada convincente de Val Kilmer). Dividido entre a necessidade de provar-se à altura do amor quase incestuoso e manipulador da mãe e a vontade de impressionar o pai, rei da Macedônia, Alexandre torna-se uma pessoa insegura, vazia e distanciada. Daí sua busca por constante auto-afirmação por meio da conquista de poder. No fundo, tudo que o rapaz queria era preencher seu imenso vazio interior...

Outro ponto forte e positivo do filme relaciona-se à bissexualidade de Alexandre, absolutamente natural naquela sociedade, expressada claramente em seu delicado amor por Hefastion (Jared Leto), seu amigo de infância e companheiro de armas, e na atração que sentia por homens efeminados ou mulheres dominadoras. Mais freudiano, impossível. Essas abordagens serão consideradas tolas e superficiais para alguns, enquanto outros vão ficar entediados com tanto psicologismo, mas a verdade é que graças a isso o filme ganha nuances interessantes que enriquecem a trajetória do personagem e daqueles que estão à sua volta.

Se o verdadeiro Alexandre era mesmo assim ninguém nunca vai saber, mas é admirável a coragem de Oliver Stone em mostrá-lo dessa forma, a qual sem dúvida decretou o fracasso do filme nas bilheterias - especialmente entre o público masculino que certamente esperava mais um filme épico repleto de “machões em delírio” em busca de honra e vingança, sempre no pior estilo daquele panfleto fascista chamado “Gladiador”.

Visto sem preconceitos ou homofobia e com paciência (afinal, tem quase três horas de duração), “Alexandre” tem muito mais valor do que a maioria dos filmes históricos atuais, que buscam apenas mostrar batalhas gigantescas, personagens rasos repetindo frases de efeito e fugindo de qualquer polêmica ou atualidade.

Infelizmente, Oliver Stone acabou lançando uma nova edição do filme (que eu não assisti, nem pretendo) comprometendo sua visão original com mais cenas de batalha e menos bissexualismo, certamente vencido pela pressão dos executivos desesperados para recuperarem os US$ 120 milhões investidos na produção. Mas, ele deve ter percebido o erro e se redimiu, lançando uma outra versão ainda mais longa, com 3 horas e meia de filme, chamada “Alexander Revisited” (que eu também não vi, portanto, não posso opinar). Por essas e outras, Stone merece ser chamado de “O Grande”.

Cotação: * * * 1/2
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Um comentário:

Cybershark disse...

Achei esse longa fraco, desinteressante, cheio daquela "piruetas" técnicas forçadas na edição bem ao gosto do Stone. Porém, "Alexandre" tem pelo menos um mérito inegável (que você nem citou no seu texto!): a trilha musical do Vangelis.

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