sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda sobre "Avatar"... Qual é a mensagem subliminar do filme?

- por André Lux, crítico-spam

Minha crítica ao filme “Avatar” gerou como eu esperava uma forte reação negativa de quem gostou do filme. O argumento deles é sempre o mesmo: filmes como esse devem ser unicamente avaliados como peças de entretenimento. Ponto final.

Eu não concordo. Ainda mais no caso desse filme, que traz em seu bojo uma pretensa mensagem política e ecológica. 

Para mim, quanto mais pretensioso é o filme em seus objetivos, maior deve ser a cobrança sobre ele. E quanto maior for sua pretensão, maior deve ser o cuidado do cineasta em embasar sua obra com conteúdo suficiente para que ela sobreviva a uma análise mais profunda e crítica.

Uma vez eu vi uma entrevista com o diretor John Carpenter onde ele era questionado sobre as possíveis conotações políticas do filme “Era Uma Vez Na América”, de Sergio Leone. Ao que o diretor de “Fuga de Nova York” responde: “Todo filme tem conotação política, até mesmo eu suponho ‘Plan 9 From Outer Space’”. Eu assino embaixo.

Muitas vezes um filme pode parecer que é apenas “entretenimento”, porém traz embutido nele centenas de mensagens, conceitos e valores sociais ou morais que vão manipular e moldar a mente do espectador. Algumas vezes, esses conceitos são explícitos, mas na maioria eles ficam implícitos. E em grande parte das vezes, os conceitos implícitos são diferentes dos explícitos embora, em última instância, sejam os últimos que vão formar a opinião de espectadores incautos.

“Avatar” é um desses casos. Apesar de possuir uma suposta mensagem altamente explícita contra o capitalismo e o exército e a favor da natureza e da ecologia, o que vale realmente é o que está por trás de tudo isso e que, na minha modesta opinião, vai contra ao que o autor da obra supostamente quer ensinar.

E como eu cheguei a essa "brilhante" conclusão? Bem, não é fácil explicar, mas vejamos se eu consigo.

Em primeiro lugar, filmes com mensagens pretensiosas que querem provocar a reflexão da platéia devem, como eu disse, embasar seus argumentos de maneira forte e coerente. “Avatar” para começo de conversa passa longe disso. Assim, ao invés de personagens complexos e humanos (leia-se, com problemas, dúvidas, fraquezas e conflitos), temos personagens unidimensionais (os bons, os maus, os ingênuos) e caricatos (maus são violentos ou gananciosos, bons são pacíficos, ingênuos querem o bem, mas fazem o mau por tabela, e assim por diante). 

Isso, já de cara, dilui completamente qualquer mensagem que o filme quer passar porque reduz tudo a um festival de clichês que não exige reflexão por parte da platéia e impede que nos identifiquemos com os personagens. Além disso, qualquer um é capaz de adivinhar o que vai acontecer até o final depois de 20 minutos de projeção.


Alguns podem argumentar que o protagonista, Jake Sully, seja matizado, afinal começa “vilão” (servindo aos interesses dos militares) e depois se torna “herói”, uma espécie de Che Guevara do futuro. 

Poderia até ser, porém o arco que o personagem passa é por demais primário e suas motivações nunca são expostas claramente para tornar sua “jornada” da direita para a esquerda sequer perto de algo interessante.

Compare, por exemplo, com o arco sofrido pelo personagem de Val Kilmer no filme “Coração de Trovão”. Naquele filme, Kilmer também começa à direita, fazendo o serviço sujo do governo dos EUA numa reserva indígena, para depois voltar-se para a esquerda, ajudando os nativos revolucionários que lutavam contra latifundiários que queriam explorar suas terras. 

A “jornada” do “Coração de Trovão” é extremamente complexa, pesarosa e cheia de conflitos – ele é filho de um nativo alcoólatra, rejeita sua herança e sempre se portou como um mauricinho de Washington até mergulhar de cabeça no mundo dos nativos e sujar suas mãos com o sangue de seus antepassados. 

Embora consiga desmascarar os envolvidos no esquema de morte e repressão dos nativos (inclusive dentro do próprio FBI) ele obtém uma mera vitória de Pirro e o filme termina de forma melancólica, deixando claro que as injustiças e as perseguições políticas denunciadas pelo filme continuariam ocorrendo.

Já em “Avatar”, o que ocorre é justamente o contrário. O protagonista sai da direita (representada por um comportamento desumano, frio, insensível, preconceituoso, egoísta, violento) e vai para a esquerda (o contrário de tudo aquilo) num piscar de olhos, sem passar por qualquer conflito ou drama interior. Ele começa caricato e termina caricato. 

Nem em “Star Wars” a jornada do herói é tão vazia e raza assim, pois lembremos que Luke Skywalker, além de sofrer o diabo nos três filmes da série, ainda descobre que o malvadão máximo da trilogia é ninguém menos do que seu pai! Eu vi “O Império Contra-Ataca” nos cinemas quando tinha uns 10 anos e lembro bem até hoje do impacto que essa revelação teve na gente.

Não importa se sejam comédia, drama, épico ou terror: filmes bons, que são lembrados com o tempo, são aqueles que conseguem deixar uma marca, uma idéia, uma reflexão, ou seja, algo mais do que simples imagens bonitas e maravilhosos efeitos especiais. Principalmente aqueles que tem a pretensão de nos fazerem pensar. E aí vamos chegando à conclusão do filme, que é onde tudo desanda de vez.

“Avatar”, assim como muitos outros filmes com mensagens fracassadas, erra feio justamente em sua conclusão ao apelar para o bendito final feliz e redentor. Se até então o que vimos na tela estava há mil anos luz de ser uma obra prima da dramaturgia, tudo fica ainda mais abominável quando o encerramento apela para o que há de mais pobre e batido. 

No caso, a vitória altamente improvável e esmagadora dos “heróis” contra os “vilões” e a transformação final do protagonista, que literalmente vira um dos alienígenas, jogando fora e rejeitando tudo que ela havia sido até então (aqui ainda temos uma mensagem implícita extremamente fascista para as pessoas portadoras de deficiências!).

Que tipo de reflexão isso gera nas pessoas? Será mesmo que alguém saiu do cinema pensando em se engajar politicamente para “salvar o planeta”, repensando seus conceitos em relação ao capitalismo e ao militarismo ou sobre o massacre de indígenas que ocorreu na conquista das Américas, que pareciam ser os objetivos do diretor James Cameron? 

É claro que não! O máximo de comentários que um filme desses gera é sobre seus efeitos especiais “revolucionários” e uma sensação do tipo “alguém precisa salvar a natureza” que se esvai assim que o sujeito chega ao balcão do próximo McDonald’s.

Cito aqui, a título de comparação, outro filme de fantasia e ficção que é o contrário de “Avatar” em tudo, menos na pretensão de nos fazer refletir sobre as injustiças e os absurdos de nossa sociedade capitalista opressiva. É “Brazil”, de Terry Gilliam. Repare que a jornada do protagonista é bem similar à de Jake Sully – sai da direita e vai para esquerda -, porém na obra de Gilliam não há lugar para finais felizes nem redentores. 

E é justamente quando confrontados com a duríssima realidade político-social do filme que percebemos que aquele absurdo todo visto na tela nada mais é do que um reflexo distorcido da nossa própria realidade.

E, por favor, não venham me falar que “Brazil” é filme cabeça, que só iniciados podem entender, porque eu o assisti quando tinha uns 16 anos e estava no auge da minha modalidade “papagaio da direita”, porém lembro até hoje do impacto que aquela obra – principalmente seu final terrível – teve no início da formação do meu caráter à esquerda.


Os filmes da trilogia "Matrix" também são exemplos de clichês sendo virados de ponta cabeça com o objetivo de gerar reflexão política naqueles que se incomodam de colocar seus neurônios para funcionar.

Mas, tenho certeza, algum leitor mais esperto vai me dizer: “Ora, mas o filme de James Cameron custou US$ 300 milhões! Você acha que o cara ia colocar um final triste desses aí que você gosta só pra fazer meia dúzia de chatos pensarem?”. Pois é. A pergunta que essa pessoa ia formular é justamente o que eu precisava para fechar meu texto. 

“Avatar” é um produto cultural feito para, única e exclusivamente, trazer lucros para as empresas e pessoas que nele investiram seu capital – inclusive seu super bem intencionado diretor. Não é, portanto, o mesmo objetivo da companhia “vilã” que estava explorando Pandora? Quais são então os valores que o filme realmente defende e passa em última instância e de maneira subliminar?

A resposta é simples, não? Simples até demais pro meu gosto...

Mas verdade seja dita: os executivos e acionistas do cinemão comercial estadunidense adoram ver revolucionários felizes e armados até os dentes derrotando opressores capitalistas na tela dos cinemas. Porque isso gera catarse e sensação de redenção (que são garantias de alienação e acomodação) e, acima de tudo, lucro. Já na na vida real os Jake Sullys não podem ganhar de jeito nenhum e são chamados de “terroristas” e outras aberrações do tipo. É ou não é?

E se você acha que tudo isso acontece por coincidência ou acidente, pense de novo. "Avatar" demorou 10 anos para ficar pronto e custou trocentos milhões de dólares. Não há um fotograma no filme que não tenha sido meticulosamente escrutinado e programado para passar o máximo de impacto possível. Na indústria cultural de propaganda do capitalismo não há nada que aconteça por coincidência ou acidente. 

Em tempo: há uma frase no filme que entrega totalmente o verdadeiro viés ideológico do seu realizador. É quando um dos milicos diz que lutava pela liberdade e pela democracia na Terra e completa: "Na Venezuela foi o inferno". Sim, referência explícita contra os governos bolivarianos de Hugo Chávez e seus aliados. Precisa mesmo dizer mais?

50 comentários:

Anônimo disse...

Vc tem razao em uita coisa de sua crítica, enqto a critica.
Mas, daí a lever Roliúde a sério, ao ponto de se "lembrar" do choq (sic) por saber do pai de Luke etc ... ?!

Aí já é demais.

A bobajol sempre impera em qlqr roteiro finaciado/escrito/dirigido por judeu dos EUA, daí a tentar achar inteligencia ou seriedade ideológica nisso ... vai 1 montaha de besteiras.

Enfim, achei o desenho animado muito mais idiota q esperava.

Nem a música ou o "colorido" histérico oonseguiu me impressionar. Se isso fosse por aí.

Feliz Ano Novo e,
Inté,
Murilo

Anônimo disse...

Se mata amigão, se tem problema!

Jornalisticamente falando... disse...

Caro colega:
Fiz uma análise sob uma perspectiva parecida em partes com as suas dê uma lidâ:
http://aureliojornalismo.blogspot.com/2009/12/avatar-faz-pequena-campanha.html
Abraços

Ricardo Melo disse...

Eu ainda não vi o filme, mas uma coisa é verdade: o final feliz e redentor de Avatar dificulta uma sequência que esteja à mesma altura. Isso impede que o filme tenha uma trajetória complexa como a de Star Wars. Na comparação, realmente parece que roliúdi evoluiu mais no quesito técnico do que na produção dos roteiros.

Anônimo disse...

Afinal, acredito que tudo esteja impregnado de ideologias. Mas, se esse filme demorou tanto e teve todos esses recursos, acredito que possa ter tido a complexidade que você esperaria. Quem sabe tenha sido pensada para ser uma trilogia e algum motivo ocorreu para reduzir em apenas um. Aí ficou como filmes pornô, onde tudo é sinal para uma transa rápida. Nos filmes onde aparecem armas em demasia, tudo é motivo para dar uns tiros. Me lembro também dos filmes de kung-fu. Tudo era motivo para brigas. Falas complexas para raciocinar, não havia. Só "emoção".

Manoel disse...

Essa é que deveria ser a resenha do filme, agora as coisas foram esclarecidas; diferente do seu primeiro e fraco texto abaixo.

cappacete disse...

Concordo com sua crítica, mas Matrix obedece aos mesmos princípios de Avatar, é besteirol da pior qualidade. Quanto aqueles que acham estupidez falar em discurso subliminar ou subjacente, aconselho ler "O Poder da Ideologia" de István Mészáros, a ideologia é como um vírus, está presente em toda produção cultural capitalista. Claro que o discurso revolucionário, contra-ideológico,também está impregnado pela ideologia, mas isso é uma outra história...

Diogo disse...

André, eu gostei do filme. Talvez por não ter nenhuma expectativa e nem saber que seria o filme mais caro da história ou que há 15 anos ele foi pensado. Vc diz: "quanto mais pretensioso é o filme em seus objetivos, maior deve ser a cobrança sobre ele". Deve ser por isso, então, que eu gostei. Remeteu-me a reflexões sobre Deus, amor, conexões com a natureza e ainda: quem é mais "evoluído"? Qual o "melhor" caminho? Da tecnologia ou do espiritual? A quem devo fidelidade? A alguém ou alguma raça ou a minha consciência?

marciorsg disse...

Eu praticamente só vi filmes de roliudi, quando tive contato com outros filmes, que acho que todos deveriam ter, pelo menos que fosse para ter uma experiencia diferente na vida, sair uma vez pelo menos da mesmice, vi o quanto eu estava alienado com as coisas que vi durante a vida toda. O primeiro foi "A maçã", do cineasta iraniano que nao sei escrever. Nossa, nao sei escrever como voce os aspectos técnicos do filme, mas lembro que parecia um documentario, mas gostei demais do filme, nunca esqueço. E também nao consegui achar esse filme na internet para vender.
Finalmente vi também o filme Kiriku e a feiticeira, do Michel Ocelot. Percebi várias mensagens nesse filme, principalmente a dificuldade e solidao sentidas pelas pessoas que lutam por justiça em um mundo injusto. Outra coisa foi aquele ponto do herói matar o bandido. No kiriku o heroi é que salva o vilão, ao contrário de todas as animacoes que tinha visto onde o vilao sempre acaba morrendo. O que me deixa extremamente puto quando vejo um corrupto safado se dar bem e não morrer. Aliás o valor que se dá ao dinheiro é muito superior a outros valores, que a propria elite incute nos seus filmes, seriados e novelas. Uma pessoa que tenha enriquecido por meios ilicitos será muito mais respeitada do que um trabalhador honesto e pai de familía. Triste.

Cybershark disse...

Gostei do filme, mas alguns pontos citados nesse texto são bastante pertinentes, sobretudo no tocante ao final feliz. Fiquei curioso com o "Coração de Trovão".

Aliás, Lux, tu escreve bem que vou te contar. Mesmo discordando às vezes, seu texto é sempre uma delícia de ler do início ao fim.

Cybershark disse...

"Brazil" me marcou muito, também tinha uns 16 anos quando assisti pela primeira vez. Aliás, eu vi por causa da sua crítica, uma das suas melhores. Aquele filme merece cotação máxima, hein Lux?

Marcus Valerio XR disse...

Prezado André...

1-Talvez você tenha cochilado, mas o protagonista deixa claro, ao conversar com a árvore, que a luta não iria acabar (chega a dizer que o Povo do Céu continuará vindo). Aquela batalha existiu principalmente para impedir a destruição da árvore, não para acabar com a guerra. Ademais, o filme já tem continuações em estudo
(http://omelete.com.br/cine/100024265/Avatar_2_pode_se_ambientar_fora_de_Pandora.aspx);

2-Além da luta armada, há toda uma questão ideológica e econômica que poderá virar a situação a favor do planeta. Note que em momento algum o dono da empresa estava à vontade com o ataque aos nativos. Julgando pela mentalidade de hoje, aquele evento teria um impacto psicológico devastador na população, que em grande parte desaprovaria a tentativa de pilhar o planeta, as ações da empresa fatalmente iriam cair, e poderia se tornar inviável continuar a exploração. Lançar armas nucleares, como você sugere no outro texto, certamente não seria uma opção. Mesmo porque provavelmente destruiria o minério;

3-Além disso eles terminaram o filme se apossando da base e dos recursos, o que pode permitir que se preparem para batalhas posteriores.

A dificuldade de perceber isso sem dúvida é culpa do próprio filme, que nem sequer explica o que foi feito daqueles vários outros avatares e não explorou devidamente a idéia mais interessante, a da conexão ecossistêmica, que reflete a hipótese Gaia. Talvez haja alguns extras no DVD.

Mas o que me impressiona mais em seu texto é que você acabou concentrando sua crítica no simples fato de haver um final vitorioso!

Incrível! Quer dizer que um final trágico, com a derrota dos nativos, teria capacidade de despertar alguma consciência nas massas?!

A única coisa que a estética da derrota ensina é o desânimo, que não vale a pena lutar. Fidel e Che não foram vitoriosos em Cuba? Não foi o paraíso na Terra, mas venceram! E assim como no filme, o fizeram com suas próprias forças.

Nesse sentido, MATRIX é muito mais alienante, pois a vitória contra as máquinas não foi resultado da consciência de classe, da luta armada ou da estratégia de guerra, mas sim no milagre de um Escolhido! É a idéia de que precisamos de um enviado dos céus para nos salvar.

E que maluquice é essa de comparar os objetivos do filme aos objetivos da minerado no filme? É claro que todos querem lucro, mas por acaso James Cameron saiu invadindo aldeias e matando silvícolas?!

E quanto aqueles frames que você editou... Que diabos tem a ver?!

Reitero que o filme merece muitas críticas, também notei falhas que podem ser criticadas do ponto de vista ideológico. Mas fiquei com a impressão de que você não sabe porque odiou tanto o filme, extravazou sua subjetividade e agora está tentando justificá-la.

Recomendo que veja de novo, pense, e tente montar uma crítica mais objetiva.

pkamargo disse...

Na boa, gostei de Avatar. Gostei mais de Avatar do que de Matrix. Aliás, gosto não se discute, não é mesmo?
E criar expectativas sobre algo é uma porcaria.
Antes de ver Matrix ouvi muita gente dizendo que o filme era o máximo, isso e aquilo. Quando assisti, fiquei com aquela sensação de "Será que vi o filme certo?" Achei chato e algo confuso. Até os efeitos especiais achei exagerados.

Mas como eu ia dizendo, hoje assisti Avatar. Depois de ter lido sua crítica. E achei que vc devia estar de mal humor quando viu o filme, e ainda mais mal humorado ao escrever a crítica.

Claro, não é um filme perfeito, como bem disse o Marcus Valerio XR alguns pontos poderiam ter sido melhor explorados... Mas adorei a idéia de um aparelho que permita literalmente vestir, entrar na pele de um novo corpo - o avatar do título - e assim poder mergulhar com todas as sensações na experiência de ser outra espécie.

Jotaroberto disse...

Olha gente, eu não sei o que voces estão fumando não, mas dá uma olhada na data de fabricação, porque deve estar vencido. Nesta aventura "verde" não vi nenhum sionista infiltrado não... só um clichezão.

Ornitorrinco Zen Mochileiro disse...

"Será mesmo que alguém saiu do cinema pensando em se engajar politicamente para “salvar o planeta” ou repensando seus conceitos em relação ao capitalismo e sobre o massacre de indígenas que ocorreu na conquista das Américas, que pareciam ser os objetivos do diretor James Cameron?"

Nada contra sua crítica, mas sim, não só sai do filme, como pensei na questão do massacre dos povos ameríndios durante todo a exibição.
E sobre o "irreal" final feliz me remeteu à bem real retirada das tropas americanas fracassadas no Vietnã. você não concorda?

Ornitorrinco Zen Mochileiro disse...

"os executivos e acionistas do cinemão comercial estadunidense adoram ver revolucionários felizes e armados até os dentes derrotando opressores capitalistas na tela dos cinemas. Porque isso gera catarse e sensação de redenção (que são garantias de alienação e acomodação) e, acima de tudo, lucro."

Entendo sua indignação com o capitalismo e seus mecanismos, mas você está misturando duas criticas; a da qualidade do filme, sua construção estética; E o contexto em que ele foi realizado - capitalismo Roliude.

Creio que posso apontar isso na forma como você abordou a questão sobre o personagem protagonista - ela pode ser toda vista como utilização do arquétipo do herói - qualquer estudo de antropologia do imaginário aponta para o impacto que esses símbolos presentes desde a mitologia tem sobre nós. Assim funciona com o herói em star wars (cujo mitólogo Campbell atuou junto), ou mesmo Senhor dos Anéis (onde Tolkien era grande estudioso de mitologia antiga). O arquétipo do jovem rebelde e irresponsavel que amadurece durante sua jornada e tem de combater o "mal" para então se tornar herói e homem. O uso dessas imagens partilhadas pelo coletivo ainda que estejam a serviço de interesses financeiros é e sempre foi recorrente e válido na arte.
Abraços

Anônimo disse...

Acredito, por já ter assistido alguns, que os filmes que mais levam pessoas a pensarem (até porque muitas vezes, se identificam com a história ) são quando as histórias são montadas em cima de alguma biografia. Parece que os chavões pouco ocorrem, a menos que os holiudianos queiram dar um ar mais pitoresco (se for ma america espanhola, música com os mariatis, se for no Brasil, samba de Carmem Miranda, para que os inteligentes estados do norte possam se encotrar em qual Planeta e País o filme se refere - hááá´, agora sim!)

Ornitorrinco Zen Mochileiro disse...

Creio que mesmo trabalhos cinematográficos biográficos passam por toda a manipulação que roliúde é mestre. O trabalho de identificação com personagens. Cada sentimento que aflora em uma cena é calculado. Existe todo tipo de estudo psicológico, sonoro, imagético que nos leva a identificação. No caso do Avatar, deixo bem claro, concordo que um olhar sociológico crítico sobre todo objeto de arte, é um dos olhares mais ricos e necessários, mas acho que não se deve desconsiderar os aspectos intrinsicamente estéticos que fazem do filme um bom filme. Politicalmente alienante talvez, mas um filme BEM feito.

Erick da Silva disse...

Brilhante a sua analise do filme.
Realmente não existe filme que seja somente "entretenimento" sempre a uma intenção, em maior ou menor medida.

Mari Moscou disse...

Alguém ainda espera que Hollywood vá fazer um filme que tem como objetivo qualquer outra coisa que não trazer lucros?

O roteiro de Avatar tem um só objetivo: garantir o sucesso de bilheteria e fazer valer o investimento na tecnologia de animação digital inédita.

Afinal, com a quantidade de investimentos não ia dar pra arriscar um roteiro que fosse minimamente original né?

Luna Ishtar disse...

Muito bom o texto. Você colocou em palavras o que eu senti sobre o filme e não conseguia verbalizar quando as pessoas me perguntavam o porque de não ter achado um filme excelente.

emerson disse...

Eu acredito que as mensagens subliminares do filme vao ainda mais alem. Toda a propaganda pro-ambientalismo e religiao Gaia, suporte ao aquecimento global, etc.

Veja esta outra interpretacao do filme:

http://www.anovaordemmundial.com/2009/12/avatar-e-mensagens-subliminares.html

Anônimo disse...

Ainda não assisti ao filme.. minha única curiosidade seria ver os efeitos especias em 3D. Mas pelo q ouvi o filme deve ser ver previsível.. p mim um bom filme é aquele q te surpreende ou que toma um rumo q vc não esperava..
Como foi dito nas críticas, ser da "direita" ou "esquerda", referindo-se a ideologias políticas.. querer ficar em extremos p mim é perigoso..

Anônimo disse...

Eu não assisti o filme e pelo que li em sua "resenha" creio que essa coisa de o diretor falar que é pra conscientizar e "tals" é só enrolação mesmo, igual a quando voce faz trabalho de conclusão de curso e voce tem que falar os objetivos e dizer: "Esse trabalho foi idealizado e realizado com o intuido de ....salvar o mundo ou quanqer coisa assim.........sendo que na realizadade voce só quer a nota pra passar, pegar o canudo e "picar a mula".


Ps.: primeira vez que venho em seu blog, adorei e voltarei sempre.

Dr. Strangelove disse...

quem bancou AVATAR???

FOX, a rede de canais mais conservador dos EUA.

A direita mais reaça na terra do Tio Sam

Cândido disse...

Matrix confuso e chato?
Avatar interessante e facinho de entender?

Hmmm... precisa mesmo comentar ?


"Nesse sentido, MATRIX é muito mais alienante, pois a vitória contra as máquinas não foi resultado da consciência de classe" - Onde é que as máquinas são DERROTADAS no final de Matrix?
Por deus... eu sei que Matrix não é 'facinho' de entender, mas não vamos exagerar...


"E que maluquice é essa de comparar os objetivos do filme aos objetivos da minerado no filme? É claro que todos querem lucro, mas por acaso James Cameron saiu invadindo aldeias e matando silvícolas?!" - Não. Cameron saiu exterminando neurônios dos espectadores mundo afora. Usando idealismo clichê raso saqueou em favor da indústria da alienação.

"final feliz me remeteu à bem real retirada das tropas americanas fracassadas no Vietnã" - Que eu me lembre os americanos saíram porque assim escolheram. O que isso tema ver com Avatar ???

Avatar, resumindo, é Pocahontas no espaço.
Raso, superficial e simplinho.
Usa ideologia-clichê, que já está no senso comum. Não provoca, não faz pensar.
Como entretenimento puro também não funciona direito: É chato e previsível.

Vergonhoso mr. Cameron

Carlos disse...

A cadeira tá confortável aí? Cara, como vocês são murrinha...O filme é bom sim. A mensagem passada não teve como principal intenção conscientizar de natureza nem capitalismo... E se teve, o raciocínio deve ser o inverso do que você falou. Parabéns pra ele que conseguiu colocar num filme bancado pra gerar retorno uma pitada de uma filosofia contrária à de seus investidores. Ainda assim acredito que ele só mostrou o futuro na imaginação de um cara extremamente talentoso partindo das diretrizes que hoje podem dar uma idéia OU NÃO de como será.

Vocês são muito extremistas nas opiniões e ficam procurando cabelo em ovo, fazendo comparações desnecessárias e reflexões improdutivas.

Se eu fosse vocês ia pra selva cuidar da floresta e comer sopa de larva...larga o discurso e vai pra lá até entender que o homem é autodestrutivo. Quem tem grana faz o que quer mesmo e tem que aplaudir o cara por conseguir colocar algumas de suas opiniões e gerar em pessoas como você, maior ódio pelo capitalismo e em pessoas capitalistas a real noção de que com ou sem outro planeta, uma hora vai dar merda...Enquanto isso, a cadeira tá muito confortável..

Carol Cullen Waldorf Gilmore Black Halliwell disse...

concordo plenamente.voce foi objetivo e prendeu minha atençao...parabens!

rsenna disse...

Avatar é chato d+!

Filminho besta, com mais clichê que novela das 8. Já vi essa mesma história no Dança com Lobos, no Pocahontas. Estrangeiro chega pra @#%^$ com comunidade a beira da extinção até que descobre que eles são legais, nobres, bem intencionados etc etc e passa pro outro lado.

Uhu suuuper criativo!

Sobre ser de esquerda ou de direita: dane-se. Prefiro um filme bom de direita do que uma porcaria de esquerda (e me considero de esquerda hein).

Bão, [s] e era isso.

Anônimo disse...

Me espanto em ver um artigo como este. Extremista e pouco aprofundado. Falta muita percepção, os detalhes do filme mostram mensagens subliminares interessantes, de um ponto até mesmo quântico. Se este filme tivesse sido feito a 15 anos atrás seria uma bomba ideológica. A preocupação com a natureza não é um assunto antigo, pelo contrário, muitos ainda desprezam esta idéia tão real e concreta.

Aqueles que viram o filme, gostando ou não receberam um apelo. Sentados como estamos, já podemos fazer alguma coisa pela Natureza. Ter uma conduta ecológica já é fazer bastante.

Não há mais tempo para evitarmos um colapso ecológico, ele já está acontecendo, basta assistirmos televisão. O que nos resta agora é sofrer as consequências e despertar para novas atitudes, mais conscientes. Acredito que o povo de Pandora tem muito a nos ensinar. Parabéns Cameron!

Gaby disse...

Qm escreveu esse tópico nem sabe oq ta falando o filme foi otimo e passa muistas mensagens boas. Dono do topico no minimo ta mal humorado pq perdeu o big brother ou a novela das 8.

Anônimo disse...

Caro André,

Sou engenheiro florestal e trabalho com mineração há 12 anos.
Só quem se identifica exatamente com a história pode entender o que o filme pode passar de bom. Tem coisas erradas, subliminares, com certeza.

Mas não acho que tenha tanto pelo nesse ovo. O exagero do racionais é de seus discursos demonstram a sua incapacidade de sentir, e quem não tem sentimentos nunca entenderá a mensagem.
O roteiro poderia ser melhor, poderia ter um trabalho na formação do caráter do herói, infãncia etc, mostrando inclusive algo da terra devastada. Mas afinal, será que a mensagem não é mais simples, do tipo faça a tua parte, gere menos lixo, plnate uma árvore e utilize os recursos de forma mais natural?
O egoísmo se reflete no caráter dos vilões e no daqueles que não querem abadicar da sua zona de conforto, mudando o planeta. Tenho visto críticas que chegam a colocar o filme como o início da dominação da terra por um grupo que quer fazer lavagem cerebral no povo, induzir a adoração a Gaia, etc. Convenhamos, muita gente se apoia em fantasias para esconder sua ignorãncia ao fato de estarmos sendo tolhidos há décadas. Ter opinião é enxergar onde seus pés estão, onde voc~e piusa agora. E sinceramente todos estamos pisando no lixo, comendo lixo e respirando fumaça. Defenda o desenvolvimento, a morte dos índios e a derrubada das florestas, afinal quando tudo isso chegar ao fim, voce e todos nós já teremos morrido.

Selner, R. S. - Curitiba/PR

André Lux disse...

Selner, concordo plenamente com tudo que você disse sobre a situação dramática que vive o planeta devido à ação do homem.

Questiono apenas o efeito que um filme como "Avatar" provoca nas pessoas. Para mim, trata-se apenas de um produto que visa o lucro acima de tudo e que se aproveita de temas que estão na moda atualmente para embelezar sua embalagem. Não acredito que o filme provoque reflexões profundas nas pessoas sobre o estado das coisas na Terra, pelo contrário, ele apenas estimula o consumo de produtos ligados ao filme (como o lixo produzido pelo McDonalds).

Abraços e seja sempre bem vindo!

André

Valéria disse...

André,
Concordo que o principal objetivo de Avatar é financeiro, mas também penso que mesmo a grande indústria do cinema dos EUA apresenta algumas janelas para reflexão... pequeninhas, às vezes... a gente precisa esticar o pescoço para conseguir olhar para fora, mas alguns filmes, tipo "Beleza Americana", fazem sim críticas à sociedade e à forma como o mundo capitalista funciona... Claro que Avatar é espetáculo, e dos bons, no sentido de procurar deslumbrar com cores e formas e envolvimento afetivo (fazendo que as pessoas esqueçam por algum tempo que possuem um cérebro), mas o interessante é que reconhece o valor da vida em harmonia com a natureza, o que abandonamos faz muito tempo... bem, gostaria de convidá-lo a ler minha crítica sobre o filme.
http://www.blogdotamandua.com.br/index.php/Colunas/index/9

Talvez eu seja um pouco mais otimista, rsrsrs, acreditando que essas pequenas "janelas" podem nos levar a algum lugar... mas respeito sua crítica. E voltarei para ler outras, com certeza. Até.

Luis Alberto disse...

mas tche, que bobajera!! porque uma criatura vai inventa uma besterada dessa pra depois dize que não queria dize o que todo mundo acusa ele de ter dito. coisa de loco! então chega e fala esse troço. só pode se coisa de americano fresco, que no final queria se passa por "bonzinho" e ajuda aqueles desprotegidos que sua propria gente não ajuda. mas na verdade ta querendo se faze de loco, pra caga dentro de casa e se limpa com os lençol. pequenez, inteligencias mediocres que querem nivelar o mundo a pouca altura que suas mentes consegue erguer a do seu prorpio povo. os americanos na verdade são os mais troxa, porque acreditam nesta lacaiagem e pensam que todos aqueles que não concordam com eles são anti-sonho-americano-terroristas e inimigos dos EUA o que justificam suas invasões. bando de loco, nos deviamos manda eles se ferra com estas porcarias de filmes, que eles fabricam que nem as porcaria dos fast-fodi que metem goela abaixo dos mais troxa.

Flip disse...

O filme avatar foi muito bom, o melhor, gostei muito do mundo pandora que é maravilhoso, resumindo gostei de tudo. rsrsrsrs...
Muito interessante a energia do planeta, tem uma parte do filme que a Neytiri fala: essa energia, um dia tem que ser devolvida. Não critiquem, um trabalho desses não tem preço, melhor filme do ano!!! :D

Eli disse...

No discurso do chefão militar ele diz que esteve em nossa vizinha Venezuela. Afirma que Pandora é mais perigosa. Se isso não é mensagem politica, não sei mais o que é?

Anônimo disse...

Oi, tô conhecendo o blog e achando muito legal, só pra elogiar!

É interessante o debate sobre esse filme avatar, que hoje já é um filme "antigo".

Pra mim a grande questão é: onde queremos chegar fantasiando a realidade?

A colonização, a opressão, a usurpação dos recursos naturais desrespeitando as populações tradicionais fazem parte de uma realidade bem terrena, terrestre, nesse mundo bem capitalista que é, homogeneizado mundialmente (com heróicas excessões)...

A 1a coisa que o filme faz é transportar esse realidade brutal e concreta pra um planeta imaginário. E que será, como "foi" (lembrem-se: é fantasia) salvo por uma pessoa, um herói, um líder, "de fora"... e é um "de fora" que não tem absolutamente nada a ver com o Guevara - que não era cubano mas era latinoamericano como todos nós, e aí estava sua ligação verdadeira, histórica, com o povo de Cuba...

Esse negócio de fantasiar a realidade merece muita reflexão... Eu mesmo não chego à uma conclusão sobre isso...

Mas me lembro bem, e li em comentário aqui: os atores conversando sobre como foi difícil e dura a guerra na Venezuela... São essas frases soltas no meio de um filme extremamente comercial que vão acostumando a opinião pública com algum assunto... Assim como já existe joguinho de video game com a invasão dos "marines" na Venezuela...

Se a guerra já está em filmes, em "games" ou seja, na chamada "hiper-realidade", fica mais fácil pro povo (especialmente os estadunidenses, que não idéia nenhuma sobre o papel dos EUA no mundo), assimilar uma ou outra idéias.

Idéias estas que servirão apenas aos poderosos de sempre. Gente, vamos discutir a realidade concreta...

Abraços!

comento como anônimo, mas meu nome é wagner silveira.

chico frias disse...

O Filme é uma grande besteira que só empolga mesmo os deslumbrados de mente colonizada. Roteiro simplório e caricato, bem dentro das espectativas de fruiçâo e estreiteza de conhecimento(acerca do resto do mundo)do público de massa americano. Os produtores nem contam com o faturamento desses filmes fora dos Estados Unidos. Não se compara com outros épicos americanos. Não tem música nem dramaturgia. Mas o mais grave é sugestão messiânica de que o grande herói vem de fora e que as organização política autoctone é primária e frágil.
O filme é pura jogada de marketing embalada no manjado truque da "tecnologia" (uqe é absolutamente acessório (o filme tem que ser bom como filme e não como video game).Não é à toa que o diretor teve a pachorra de vir entrometer-se em assuntos internos do Brasile, pior, dizendo que buscaria a intervenção do senado americano como se isso aqui fosse mera provincia do império.
E isso não ofendeu ninguém. Problema mesmo e o Evo e o Chaves...

Luis Roberto Zanarella disse...

Avatar, como outros filmes norteamericanos, mostra, de forma lúdica, o que no fundo pensa parte do povo norteamericano. Como não nação imperialista e propulsora do modelo de vida ocidental, procura mostrar que apesar de serem maus há aqueles que se salvam, ao menos em mente, pois os efeitos na realidade são perversos.
No fundo a visão trágica de um modelo de exploração mineral, mesmo que interplanetário, e com aval do exército é uma denúncia do modelo feito pelos EUA (ver Iraque) e nem sempre o final é feliz. Não vi final feliz. Vi um povo que terá que se ajustar a dura realidade da transformação provocada pelos terrestres e que apesar da vitória inicial, outros virão. Foi assim com a descoberta do Brasil, da América etc. A cobiça é infindável e com desdobramentos ambientais. O que faltou foi como frear o modelo dos EUA.

Apenas, Marcia disse...

Só vi esse filme qdo passou na TV a cabo. Recusei-me a pagar uma entrada de cinema para uma obra que eu tinha certeza ( e seu comentário bate com minha avaliação) que era mais um panfleto americano. Com a honrosa exceção para Wood Allen, gosto mesmo é de Win Winderes e Margaritte Von Trotta. Há também o Almenadar, Lars Von Tries, Kiarostami, . Mas eu gosto mesmo é da "velharia": Fellini, Visconti,Kurosawa. São filmes que você vê vinte vezes e não se cansa.

Anônimo disse...

..Sem contar a mesagem subliminar (pra mim extremamente visível e descabida) da cena que mostra de forma sensual o "bico do peito" do seio da guerreira (Cena que antecede e prepara para o momento em que os dois protagonistas "copulam").

Um filme visto por milhões de crianças... É só colocarem na cena que verão a "moça azul" parcialmente despida... Depois querem falar de "censura para menores"... Bem vindos a hipocrisia social e seu "descaramento sutil".

LuisLouzada disse...

Lux, seu argumento é realmente bom! No entanto seu entendimento da narrativa de Avatar não corresponde com suas pretensões.
O filme de James Cameron lança mão de uma questionamentos da tecnologia em relação aos valores defendidos, e sem dúvida adaptada à um roteiro de roliúde com romance e bilheteria. O temática é escancarada já no nome do filme Avatar , e a partir daí que se desenrola, falando sobre as possibilidades de apropriar da virtualidade e de transcorporação do ser, que é um paradigma social forte atualmente. Não sei se é bem assim que se fala, mas é próximo a temática de alguns filmes como The Thirteenth Floor , 12 Macacos, Matrix , que um as convicções e sentimentos de um indivíduo são revisitas ou afloradas em uma nova realidade, num novo contexto.
Bom, sou fã de ficção científica, simpatizo pela idéia de vida alienígena e acho que essa questão foi muito bem tratada no filme, é uma revisão de teorias da própria história da humanidade segundo teorias extraterrenas (ver Eram os Deuses Astronautas). Além de outras muitas opniões!
Abraço

Anônimo disse...

Interessante o debate, concordo com uns e outros. Mas achop que o que realmente não destoou da filosofia hollywodiana foi o fto de que somente um soldado NORTE-AMERICANO, rebelde ou não, BRANCO E DE OLHOS AZUIS teria a capacidade de derrotar o poderio bélico infinitamente superior dos invasores ianques. Pelo menos no Vietnã e até hoje no Iraque, Afeganistão e na própria Líbia os "ingênuos" nativos é que se mostraram superiores a sanha genocida dos falcões estadounidenses. Esses superheróis brancos e de olhos azuis não seriam nada sem os soldados latinos e negros (que só servem para bucha de canhão quando milhares de caixões começam a chegar a solo americano) e sem os mercenários de outros países e dos países invadidos.
Para encerrar, gostaria de uma explio.ação sobre a alusão ao Che Guevara no diálogo entre os dois "azuis"
Lia

Marco Araujo Bonamico disse...

É uma pena, em geral concordo com as opiniões do blog, mas dessa vez tenho que discordar:Eu gostei do filme.
E gostei porque acho que ele vale a pena. Que mesmo tendo sido raso e caro, acho que ainda tem seu valor, principalmente para se fazer pensar sobre questões de conflito socioambiental.

Quando o vi, durante todo ele uma coisa martelava na minha cabeça, o tempo inteiro: Belo monte.

Sei que diretamente Avatar não tem conexão tão clara com Belo Monte, não estão prejudicando os indígenas brasileiros (ao menos não daquela região) por causa de minério, mas no todo o filme deixa no ar uma sensação de indignação com a típica exploração capitalista a qualquer custo, que vejo tão claramente mas injustiças lá em Altamira.

Acho que mesmo sendo menos do que podia ser, Avatar tem o potencial de se tornar analogia para muitos outros conflitos socioambientais reais.

E outra coisa que achei interessante: acho que por Avatar ser ambientado em outro planeta e em parte com outra espécie, ele impede ao menos inicialmente que os preconceitos com os indigenas - e consequentemente as realidades terráqueas - sejam de cara impostas, abrindo um espaço para uma reflexão mais subjetiva e fácil, de uma meneira que envolva o coração, os sentimentos, que são tão importantes na indignação da esquerda...Lembro do o que o próprio Che dizia, que 'todo coração é uma célula revolucionária'. Esse filme, mesmo bobo, me gerou indignação. Indignação essa que pode, se pensada, se voltar até mesmo contra a produtora do filme, essa que como você disse, tem os mesmos interesses capitalistas da mineradora do filme.

Anônimo disse...

... com uma parte do filme EU ACHO Q TEM uma ligação muito forte com o caso do choque cultural. Uma cultura por ser diferente da nossa jugamos ser superior/inferior...mas é apenas diferente...

Alexandre Figueiredo disse...

Avatar foi feito para encher as salas do cinema e arrecadar muito. Afinal, os US$300 milhões precisam voltar para os investidores. O filme é apenas visualmente bonito, não gostei do resto.

Alex disse...

"2-Além da luta armada, há toda uma questão ideológica e econômica que poderá virar a situação a favor do planeta. Note que em momento algum o dono da empresa estava à vontade com o ataque aos nativos. Julgando pela mentalidade de hoje, aquele evento teria um impacto psicológico devastador na população, que em grande parte desaprovaria a tentativa de pilhar o planeta, as ações da empresa fatalmente iriam cair, e poderia se tornar inviável continuar a exploração. Lançar armas nucleares, como você sugere no outro texto, certamente não seria uma opção. Mesmo porque provavelmente destruiria o minério;"
Olha cara, na vida real, se os aliens atacassem os humanos, seria guerra total, igual a guerra do Vietnã, eles eram uns merdas, mas mesmo assim foi feita uma invasão e um ataque, se aliens atacassem humanos voce ficaria a favor deles porque eles são fracos? Primeiro que a mídia ia passar pro mundo que eles são maus, os revolucionários virariam terroristas e uma guerra de planetas ia começar.

Marcio disse...

Muito legal este post. Usei parte dele no meu post sobre Almir Suruí e Avatar. Obrigado!
http://marciookabe.com.br/responsabilidade-social/almir-surui-e-avatar/

ganhar mais curtidas disse...

Muito bom parabens!!

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