quarta-feira, 25 de abril de 2007

Memórias de um alienado: Eu também já fui papagaio da direita...

Não fosse por alguns fatos que aconteceram em minha vida e serviram para abrir meus olhos, fatalmente eu seria hoje aquele mesmo adolescente alienado, ignorante e raivoso

- por André Lux, jornalista

Quem visita meu blog e lê meus textos com certeza deve pensar que sou socialista desde o meu nascimento e fui criado por pais radicais de esquerda, que fizeram treinamento de guerrilha em Cuba e lutaram contra a ditadura militar...

Nada mais longe da verdade. Muito pelo contrário.

Nasci em uma típica família de classe média baixa, mas que sonhava pertencer à elite mundial. Daí que, durante toda minha infância e juventude, morei em casas (alugadas) em bairros semi-nobres a preços absurdos, enquanto era transportado numa Brasília amarela e via meus pais desesperados tentando cobrir o rombo no cheque especial todo santo mês.

Mas, como que para provar nossa posição entre a elite, eramos sócios do segundo clube no nível hierárquico sócio-econômico da cidade, o Tênis Clube de Campinas. Sim, porque o número 1 na escala social era a Sociedade Hípica, cuja maioria dos sócios podres de ricos também freqüentava o Tênis, embora o contrário não acontecesse (exceto quando éramos convidados para algum casamento realizado no gigantesco salão de festas daquele clube - não por acaso adaptado em uma Casa Grande de algum antigo barão do café).

Sempre fui cercado por parentes e amigos que, mesmo sendo honestos e trabalhadores, não tinham a visão crítica necessária para compreender como as coisas funcionavam. Meus familiares limitavam-se a repetir o que ouviam, liam e viam na mídia, especialmente na rede Globo, nas revistonas e nos jornalões (que apoiaram o golpe militar, embora hoje finjam que não). 

Assim, tinham medo de comunistas, pois diziam que comiam criancinhas e dividiam a casa das pessoas ao meio (o fato de não termos imóvel próprio não parecia contradizer esse receio), achavam que Che Guevara era um “baderneiro profissional” (ser pago para fazer baderna, isso é que é profissão!), acreditavam que o Brasil tinha tantos problemas “porque pobre não gosta de trabalhar” (usar o salário mensal só para pagar contas e cobrir o rombo no cheque especial, imaginavam, não era coisa de pobre) e por aí vai.

Nem preciso dizer que, obviamente, eu também repetia tudo isso e acreditava no que estava falando, mesmo sem ter o menor embasamento teórico ou prático para tanto. 

Minha vida escolar foi uma piada. Estudei em colégio particular (de freiras!) do maternal ao ensino médio. 

Para se ter uma ideia do desastre que isso significa (com raras e nobre exceções entre meus professores), nasci em 1971 e cheguei até o final da minha fase educacional básica sem nem saber que vivíamos sob um regime ditatorial ilegal e imoral.

Enquanto eu brincava no clube despreocupado, assistia à televisão ou passava a manhã inteira decorando datas e fórmulas matemáticas de maneira acrítica e alienante, centenas de brasileiros e vizinhos de continente eram torturados e mortos simplesmente por se opor àqueles regimes ditatoriais apoiados e financiados pelos EUA. No máximo, eu ouvia algo como “Bem feito pra esses baderneiros, quem mandou serem do contra?” quando alguém tocava no assunto.

Se vocês acham que estou mentindo, relaciono abaixo fatos que marcaram essa fase lamentável da minha existência:

1) Vi o filme “Comando para Matar”, aquele em que o Arnoldão detona sozinho um exército inteiro de cucarachas sul americanos, nada menos do que seis vezes nos cinemas (e contava para todo mundo orgulhoso!);

2) Iniciava comentários com as frases “Eu vi na Veja” ou “Assisti na Globo”;

3) Ridicularizava quem dizia que existia racismo no Brasil, mesmo não tendo nenhum amigo ou conhecido negro, exceto a empregada que a gente desprezava, e repetindo “piadas” do tipo “sabe qual a diferença entre um negro e uma latinha de (censurado)?”;

4) Sentia prazer em irritar petistas, repetindo jargões que são usados até hoje (“Lula é vagabundo, ex-presidiário, arrancou o dedo para não precisar mais trabalhar”, “Sindicalista só sabe fazer baderna”, “Petista é tudo igual", "Se gosta tanto de Cuba, por que não vai prar lá plantar cana??”). Isso mesmo sem conhecer absolutamente nada de política, sociologia ou história;

5) Acreditava que o Stallone, o Arnoldão e o Chuck Norris lutavam pela liberdade, pela democracia e pela justiça para nos salvar dos vilões comunistas (eu tinha até pôster deles no meu quarto) e que os Bandeirantes foram corajosos desbravadores dos sertões brasileiros;

6) Vivia falando mal do Brasil e do “povo” brasileiro (do qual eu não fazia parte, é claro, afinal meus bisavôs eram europeus) e começava a concluir esse tipo de argumentação com a frase “Ah, mas lá nos Estados Unidos...”;

7) Passava a tarde inteira e o domingo inteiro na frente da TV, assistindo qualquer porcaria, e só ia dormir depois de ver o Fantástico, sempre deprimido por lembrar que no outro dia voltavam as aulas e eu não havia feito a lição de casa nem decorado a matéria para as provas;

8) Cantava a música “Vamos Construir Juntos!” (que eu sei de cor até hoje!) e colecionava o álbum de figurinhas do “Paulistinha”, que faziam parte do marketing institucional do governo ditatorial para nos convencer que o Brasil era "o país do futuro";

9) Assistia às novelas da rede Globo, embora ficasse falando mal delas (porque naquela época, macho que era macho não via novela, a não ser para reclamar);

10) Ficava realmente preocupado com a situação da Ponte Preta no campeonato paulista;

11) Comemorava toda vez que um novo McDonald’s era inaugurado no Brasil, pois era sinal de que o país estava progredindo (sim, eu também acreditei na ladainha sobre as maravilhas da "globalização neoliberal");

12) Queria ser astronauta da NASA quando crescesse (mas, desisti depois que me falaram que eles têm que ser bons em matemática);

13) Proferia afirmações como "não voto em partidos, mas em pessoas" (isso porque eu nem podia votar!), pois tinha aprendido que partidos eram coisas ruins e inúteis (assim, quando algum político de direita caia em desgraça, era culpa só dele, não do partido), especialmente aqueles que defendiam ideologias de esquerda;

14) Ideologia também era outro palavrão, coisa de baderneiro profissional, por isso eu também dizia, todo faceiro: "Não existe esse negócio de esquerda e direita, isso é coisa de gente revoltada que não gosta de trabalhar e só sabe ser do contra!".

Isso só para ficar no básico. Tenho certeza que você já testemunhou alguém falando ou fazendo coisas parecidas, certo?

Sinceramente, eu era um caso quase sem salvação.

Mas a sorte sorriu para mim.

Não fosse por alguns fatos que aconteceram em minha vida e serviram para abrir meus olhos, fatalmente eu seria hoje aquele mesmo adolescente alienado, ignorante e raivoso. 

Só que pesando 50 quilos a mais, com barba na cara e com um daqueles adesivos nojentos quatro-dedos dizendo "Fora Lula!" colado no vidro do carro (cuja prestação pagarei até 2010) .

Abordarei essa “transformação” em meu próximo texto sobre o assunto.

Leiam aqui a PARTE 2 das minhas "Memórias de Um Alienado".

*As imagens dessa postagem são do filme "Pink Floyd - The Wall", do Alan Parker

40 comentários:

Anônimo disse...

André,
Este 'Memórias de um alienado' lembrou-me bastante as minhas memórias, havendo nascido vinte anos antes. Franqueza segura e corajosa, parabéns.
Mas só não uso um Fora Lula no carro porque podem achar que sou um canalha tucano lesa pátria.
Um abraço,

Gilson Raslan disse...

André,
A biografia dos filhinhos-de-papai de hoje é muito mais rica do que a sua, pois, além da alienação deles, ainda espancam empregadas domésticas, pensando serem elas prostitutas; queimam índios por brincadeira; jogam ovos podres nos transeuntes por puro prazer...

Pior ainda do que os filhos da clássia mérdia, são os adultos alienados, como por exemplo, o Reinaldo Azevedo, o Diogo Mainardi et caterva.

Cissa C. disse...

É, eu também me identifico. Entrava na briga, nas manhãs de domingo, pra ver quem lia a Veja primeiro. Ainda bem que a sorte também sorriu pra mim.

Karine Rio Philippi disse...

Sou mais uma que se indentificou com tudo que disse.
Achei seu blog por acaso em algum blog do PH e gostei bastante! provavelmente irei aparecer mais vezes.
Abra�os

Lucas disse...

Realmente,
Quem não defendeu em sua existência um (uns...) ponto de vista de todo esse imperialismo vigente? Espero que outros também consigam focar o verdadeiro inimigo e, assim, despertar desta "matrix".

Sinceridade e coragem louvável, companheiro André. Espero que possamos presenciar o princípio, ou criar algum alicerce real dessa revolução.

Adriano Senkevics disse...

Oi André,

Que bom que você deixou de ser aquele adolescente alienado e caricato que você mesmo se descreveu. Embora você pareça ter aprendido muitas coisas, acho essa seu processo de ideologização acabou te cegando para outros aspectos.

Porque acho que você generalizou demais em alguns pontos. Porque nem todos que são de direita possuem este comportamento intolerante e imbecil, assim como nem todos de esquerda são os "salvadores da pátria".

Eu não sou de direita, mas leio Veja. Por quê? Será que eu gosto da revista? Não, lógico que não. Mas acho que a melhor maneira de se opor a algo é conhecê-lo. Não adianta simplesmente ignorar a revista como se ela não tivesse nenhuma importância, porque se não tivesse mesmo, ninguém gastaria tanto tempo em critica-la. É a mesma coisa que um elitista ficar falando mal de comunismo sem nunca ter lido ou estudado nada a respeito. Eu sei que você conhece a Veja, mas ela é uma revista que comenta semanalmente os fatos, é uma visão que representa grande parte da opinião da classe de direita do país. Leia, mesmo para saber que não gosta e saber contra-argumentar.

Acho que a dicotomia simplista de direita X esquerda não deve, ou não deveria, ser levada a estes dois extremos. Porque há nuances entre elas, assim como dentro delas. Eu sei que uso essas expressões para agrupar a ideologia como um todo, mas entendo que há várias esquerdas, como há várias direitas.

No geral, me oponho ao extremo do não-politizado (alienação) e ao do politizado demais (ideologização). Aqui, as pessoas são extremistas demais, para algum dos lados, o que deixa os discursos muito maniqueístas.

Abraços

Anônimo disse...

Sinceranmente o que vc descreveu nao foi um comportamento de alguem de direita e sim de um alienado. Eu ja fui esquerdista, fiz campanha para PT, caminhada para os sem-terra, campanha de prefeitos, movimento estudantil, pastorais, ceb`s etc... Conversei com cubanos,e percorri o sentido contrario. Hj nao acredito que nada de bom possa vir do socialismo. A questao nao e a fonte da informacao senao vc deveria acredtar que tudo que sai na "caros amigos" ou na carta capital sao informacoes serias. Na verdade deixei de ser de esquerda por le-las. ( Meu pc ta desconfigurado por isso a ausencia de acentos)

André Lux disse...

Caro anônimo, ninguém deixa de ser de esquerda. E se deixou, é porque nunca foi. Sua retórica fantasiosa não engana mais ninguém, felizmente.

João Sérgio disse...

Dê um passada na seção Governo e Política do Yahoo respostas, onde proliferam-se os usuários(e sobretudo os clones) que têm o comportamento descrito no texto

lola aronovich disse...

Oi, André, tudo bem? Gostei muito deste artigo, não porque me identifico com ele (já que tive a sorte de sempre ser de esquerda), mas porque vc descreve direitinho o comportamento de tantas pessoas de direita. Adorei também a ilustração. Só discordo do que vc respondeu ao anônimo aí em cima, que ninguém deixa de ser de esquerda. Isso não é verdade. Conheço muita gente que era de esquerda e vira pra direita depois de uma certa idade (40, 50 anos), e começa a falar todas essas besteiras que vc apontou. Muita gente mesmo! Espero que isso não aconteça comigo. Abração!
www.escrevalolaescreva.blogspot.com

infinitoaldoluiz disse...

André, emocionante leitura. "Porque não pode existir uma força verdadeira que não emane da consciência da própria força". Hoje, por convicção de que toda as nossas mazelas são memórias e programações ancestrais se repetindo, adicionei seu blog à minha lista de blogs e sites importantes. É preciso divulga-lo. Sinto muito, me perdoe, te amo, sou grato! EQUAÇÃO PESSOAL ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIA: AMAR-SE É A COISA MAIS DIFÍCIL DE FAZER, MAIS DIFÍCIL AINDA É AMAR NOSSOS INIMIGO... Vida longa para você em luz e paz! Quando puder faça-me uma visita.

Rodrigo Cardia disse...

Essas "memórias de um alienado", infelizmente, são o oposto do que aconteceu com alguns amigos meus: tornaram-se papagaios da direita ao invés de deixar de sê-los. Ainda nutro uma pequena esperança de que eu consiga ajudá-los a deixarem de ser tão alienados, de acreditarem que é "só trabalhar duro que chegarão lá". Essa é a legítima "classe mérdia", o que existe de pior, de mais reacionário, na sociedade.
Ah: achei teu blog pelo Kayser, já faz um tempo, e ficar mais fácil vir aqui ler, vou adicioná-lo aos meus links.

Abraços

Hilda Suzana Veiga disse...

E pensar que eu fazia quase tudo isto que você escreveu, até que um certo dia nas eleições de 1989 em minha cidade natal, onde eu vivia e nunca tinha saido de lá, Laranjeiros DO Sul, no estado do PR onde eu que fazia parte dos escrutinadores, e o PT estava perdendo, ouvi baixinho a voz daquelo povo triste que estava sentado nas arquibancadas cantando insistentemente a música "...VALEU A ESPERA MEU PRIMEIRO VOTO......." e que foi entrando de mansinho meu coração, e este doeu pra caramba. Isso foi durante horas, eles continuavam a cantar e era quase um choro, um lamento e também parecia um grito e um recomeço. Não sei o que eu entendi mas jurei nunca mais votar sem saber o que estava fazendo e pra quem estava trabalhando, não foi fácil pois eu fazia parte de cargo de confiança, até que certo dia meu patrão me chamou e falou: você não serve mais pra fazer parte de nossa equipe, você mais parece uma petista. e hoje sou militante petista sou BRASILEIRA SOU LULA E QUERO DILMA PRESIDENTE!

Vera de Oliveira disse...

André,
Embora seja 20 anos mais velha, minha biografia é parecida com a sua. A única diferença é que vc só estudou em colégio de freiras, e eu também morei. As irmãs "fizeram nossa cabeça", pois acreditavam que os comunistas matavam padres e freiras. Votamos na ARENA e chegamos ao cúmulo de enviar telegrama de parabéns pelo aniversário, ao general-presidente mais sanguinário da ditadura: o Médici. Quem me alertou sobre os farsantes foi uma irmã que, como o presidente Lula, tem apenas a quarta série do Ensino Fundamental. E, como vc, dou graças a Deus por ter percebido o lado certo de se estar. Bjs.

Mário disse...

André. Parabéns pela mudança!!!!
Se alguém se identificou com alguma das coisas que o André pensava e como ele agia, vou dizer "no popular":

Desencana!!!!!!

Eu mesmo já lembrei de cada conceito que tive quando jovem!!!!!!! Na adolescência , por exemplo.
Coisas que ouvimos e tomamos como verdade.
Nascemos virgens em todos os sentidos....rsrsrsrs... livres de conceitos e preconceitos.
Somos como computadores novos, zerados...aí a vida vai entuchando a gente de um monte de coisas.

O que importa é estar disposto a questionar todos esses conceitos e preconceitos e pronto para mudar. Como faria um computador, processando os dados, reorganizando e mandando para a lixeira aquilo que não presta.
Na minha visão, o que mais caracteriza alguém “de direita” é o preconceito e a falta de coragem em querer mudar e lutar por algo que melhore a condição de vida de todos.
Parabéns por ter mudado!!!!!

Mário disse...

André. Parabéns pela mudança!!!!
Se alguém se identificou com alguma das coisas que o André pensava e como ele agia, vou dizer "no popular":

Desencana!!!!!!

Eu mesmo já lembrei de cada conceito que tive quando jovem!!!!!!! Na adolescência , por exemplo.
Coisas que ouvimos e tomamos como verdade.
Nascemos virgens em todos os sentidos....rsrsrsrs... livres de conceitos e preconceitos.
Somos como computadores novos, zerados...aí a vida vai entuchando a gente de um monte de coisas.

O que importa é estar disposto a questionar todos esses conceitos e preconceitos e pronto para mudar. Como faria um computador, processando os dados, reorganizando e mandando para a lixeira aquilo que não presta.
Na minha visão, o que mais caracteriza alguém “de direita” é o preconceito e a falta de coragem em querer mudar e lutar por algo que melhore a condição de vida de todos.
Parabéns por ter mudado!!!!!

Anônimo disse...

Muito bom o seu blog.Demonstra a importancia vital de termos uma mídia alternartiva aos ricos proprietários do momopólio jornalistico no Brasil.

mezabarba disse...

Acho que muitos devem se identificar com o texto, não sou muito diferente, um grande incentivo para a mudança veio da própria "grande mídia", apenas por gostar muito de bicicletas, o que me fez mergulhar na internet, e acabei encontrando "Morfeus" e tomando a "pílula vermelha".

Anônimo disse...

Não sei qual é o problema de não gostar de política.

Eu não gosto. E daí?

João Paulo disse...

André, esta história também pertence a mim. Fui reaça defensor fanático de Médici e Geisel. Cheguei a ameaçar um professor de Geografia esquerdista, mandando-o ter cuidado com o SNI, e o professor teve um infarto. Só não fui suspenso pela escola porque o Comandante da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena, intercedeu por mim, telefonando para o diretor, logo que foi informado pelos cadetes que estudavam no Colégio Estadual. Meu primeiro voto, em 1978, foi de cabo a rabo na ARENA. Os meus de 1982, embora tenham sido anulados porque o PT não tinha diretório na cidade onde eu votava (a lei eleitoral tinha essa aberração: mandava vincular o voto e só considerar válido o voto em partidos que tivessem diretório na cidade). Pois bem esses meus votos nulos por força de lei, os amo mais do que os válidos de 1978.
Hoje, onde essas pessoas em quem votei em 1978, estiverem, eu estou do lado contrário.

Anônimo disse...

Ô delícia !!!! Esse mundo dos Blogs me fascina ... descobri o seu hoje, navegando em outros blogs, já nem sei mais qual, rsrsrsrsrs.... Mas ADOREI, e passará com certeza a ser um dos meus favoritos.
Ao contrário de vc, já nasci "do contra"... Minha família diz que só fui batizada porque ainda não sabia dizer não, rsrsrsrsrs... Presenciei o exército na rua ( Rio de Janeiro) no golpe de 64, aos 10 anos de idade, e só pela expressão do rosto do meu pai ( sapateiro e anarquista) pude decidir que eu ia exatamente para o lado oposto... Bem vindo, vc e todos aqueles que realmente usam a cabeça para pensar e não só para separar as orelhas...
Um enorme abraço a vc e a todos os seus leitores e comentaristas.
Lais

Anônimo disse...

Eu também não gostava de negros (ainda bem que eu era "pardo"). Caí neste site interessante procurando a letra daquele jingle "vamos construir juntos", que eu esqueci algumas palavras. Sumiu da rede. Se você tiver, eu agradeço.

Wellington (well.miranda@gmail.com)

André Lux disse...

"Vamos construir juntos,
Vamos construir juntos,
Vamos construir juntos,
Para o Brasil elevar o seu valor!"

Anônimo disse...

holá andres lux, soy bolviano y no sé como recibi un email tuyo hablando sobre la conciencia de las clases. Estamos armando la primera aporia (edición) de nustro funzine que vá tener circulación livre por toda La Paz. ,e gustaria saber si puedo a hacer una traducción del email recibido y publicarlo con tus derechos, es claro... Gracias por la atención ... mi mail, luciobollati@gmail.com

Willian disse...

Sua história é parecida com a minha.

Comecei a ter interesse por política aos 14 anos. Nessa época mantive uma leve simpatia pelo socialismo.

Entretanto, aos 16 anos me tornei um direitista convicto. Era muito forte o meu anticomunismo, não perdia a oportunidade em criticar as esquerdas. Adorava quando a polícia descia o cassetete nos estudantes “Baderneiros” segundo eu.

Mantive um Nick num antigo fórum de discussão-o extinto fórum terra-onde utilizava o nome “Lacerda”, em homenagem a Carlos Lacerda da UDN, utilizando esse Nick descarregava a minha fúria nos outros membros do fórum que eram simpatizantes da esquerda.

Após o fim deste fórum, criei um perfil no Yahoo respostas, participava ativamente da seção “governo e política”, e, como anteriormente, irritava os usuários de esquerda com o meu anti-comunismo.

Fiquei nessa vida até pouco tempo atrás. Não tinha vida social, era muito tímido, e ficava somente no computador.

Atualmente não quero voltar a ser um alienado, pretendo voltar a ser novamente de esquerda como eu era a exatos 4 anos atrás, quando tinha 14, 15 anos.

Caroline disse...

O post é ótimo... Agora o comentário que diz "leio a Veja para conhecer o adversário" não me engana. Eu sinceramente não preciso ler a Veja pra saber de cor o seu posicionamento e até prever a próxima capa. Como moro no inferno, o pessu aqui assina a revista, mas já passou a época em que eu me estressava com os comentários repugnantes por simples curiosidade de saber o que a Veja tinha dito sobre tal ou tal fato. Foda-se o que a Veja disse... é o que eu digo agora. O melhor tratamento pra grande mídia é a indiferença... Até porque, não precisamos mais dela.

Renan Carvalhais disse...

Mas será que você não se tornou um alienado de esquerda?

Também já fui burguesinho de família tradicional, depois tive uma fase que me achava 100% de esquerda e hoje bebo nas duas fontes e absolvo aquilo que as duas têm de bom, claro que me identifico mais com as ideias de esquerda, mas não ignoro os conceitos de direita tb.

Afinal, sou jornalista e não acho legal para minha profissão ter pessoas presas a uma ideologia só.

Abraços.

André Lux disse...

Ser alienado é sinônimo de ser de direita, exceto, é claro, se o sujeito for podre de rico.

Anônimo disse...

Me identifiquei bastante com o seu post, sua história é muito parecida com a minha.

Durante a minha adolescência fui extremamente anti-comunista. Achava que todo pobre era assim por ser vagabundo, tinha preconceito com os negros, era uma defensora ferrenha do capitalismo laissez-faire, lia Veja, detestava a área de humanas por achar que era pura doutrinação ideológica, enfim, uma caricatura perfeita da alienação que a gente vê por aí.

Comecei a mudar em 2010, quando já estava de saco cheio da falta de bom senso dos meus "amigos" direitistas. Era muita irracionalidade para uma pessoa questionadora como eu, que preza pelo discernimento. Experimentei compreender o outro lado, abandonando todos os meus preconceitos. E foi aí que comecei a ter consciência social: me aprofundando no conhecimento político.

*o) [Marivalton disse...

Muito bo o texto, me inspirou a fzr um tbm, vlw. E ao otavinho ali que disse anonimamente que deixou de ser de esquerda, pergunta pra ele como que faz pra deixar de ser pobre, proletariado e se tornar burgues, dono de algum meio de produção do dia pra noite, ai como eu queria ser da direita assim facinho ahuhahauauh

Anônimo disse...

É, amigo André!
Assim como você eu também fui um idiota que acreditava em um monte de mentiras que os poderosos nos enfiavam goela abaixo!
Lógico que agora faço tudo que posso para desmentir esse tipo de pessoa ou midia hipócrita e mentirosa de plantão!
Desnecessário dizer que seu plog ganhou mais um admirador!
Um abraço a você e a todos que acompanham seu blog!

http:/esquerdotado.blogspot.com disse...

formidavel...fui professor e alienei muitos alunos, e hoje minha consciencia pesa... a mídia a muito tempo deixou de informar... os livros didaticos são ainda umas m... abraços...

Andre Assi disse...

Caro, deixa eu te perguntar uma coisa:

Você acha que ser de direita é isso e apenas isso, ou no seu mundo é pensável, imaginável e concebível a pessoa ser de direita e ser normal, inteligente e racional?

Vamos supor, SUPOR, que ser "de direita" se resuma a esse fantasma que você descreveu no seu texto. Não existe direita "séria"? Ou todo direitista é retardado e todo esquerdista um gênio prestes a ser descoberto?

André Lux disse...

O único direita que eu respeito é o podre rico. Pobre e classe media de direita é o equivalente a um judeu-nazista

Marcio disse...

Valeu André!! Seu depoimento é muito corajoso!! Sou de esquerda desde cedo...uma família sem lado, isso favorece bastante...nascido em 67, participei sempre das discussões desde 1983...influencia de colegas e professores sintonizados com a esquerda. Votei no PT em todas as eleições em que o partido participou, municipais, estaduais e nacionais! Não sou filiado, somente um simpatizante, mas consciente dos acertos e erros que aparecem ao longo do caminho...na minha humilde opinião, contamos mais acertos do que erros durantes os governos do PT, sejam eles em que esfera forem! Claro que a mídia ou a direita fascista nunca irá admitir essa possibilidade!!

Com relação as pessoas que escreveram antes de mim perguntando sobre a direita:

- NÃO EXISTE DIREITA SÉRIA OU BOAZINHA!

Anônimo disse...

Eu sempre tive um pai de esquerda, apesar de pertencer a classe média, e não ter tido problemas financeiros na juventude, me deu de presente o livro O capital aos 12 anos, e sempre teve imensa preocupação com os mais necessitados. Hoje dia dos pais, agradeço a ele não ter sido uma jovem alienada!

Anônimo disse...

Eu já sou ao contrário. sempre fui contra o capitalismo, e contra ditadura militar, sempre pensando que qualquer coisa relacionada a direita fosse alguém que apoiava a tortura e a ditadura militar. Para minha grande alegria em 2002 o LULA foi eleito presidente do brasil, tudo iria mudar, iria acabar a corrupção, as pessoas teriam educação de qualidade, saúde e segurança, nossos presídios iriam ser para recuperar as pessoas antes de devolver cidadão melhores para a sociedade. Em 12 anos o que aconteceu? o que mudou? minha vida não melhorou em nada, fiz faculdade com recursos próprios, que pago até hoje, para comprar um carro tenho que pagar muito mais caro que qualquer país do mundo, se quiser saúde de qualidade tenho que pagar um plano de saúde particular, sou refém em minha própria casa, pois não tenho segurança para poder ir e vir sem ser assaltado. a violência urbana aumenta a cada dia, e pra piorar a cada dia a gente fica sabendo de reporteres censurados por ser contra o atual governo, em vez de distribuir renda o lula através de seu filho se tornou uma das pessoas mais ricas do país, com a friboi (capitalismo total). Então eu digo. Ideologia = Utopia burra. Em cuba algumas pessoas gostam, e as que não gostam são obrigadas a aceitar pois não existe democracia e nem podem ir embora. venezuela uma ditadura é enfiada a força contra o povo, que não tem liberdade de expressão e nem tem acesso a informação. Isso é socialismo, distribuir a miséria com os outros é fácil, mas comunista que ganha na loteria não divide o premio com os outros, ou lula está distribuindo os lucros da Friboi?

André Lux disse...

É tanta besteira junta que não dá nem pra perder tempo respondendo. O melhor é rir.

Daniel Silveira disse...

Quanta falta de argumento. Esquerdinha caviar é assim, quando algo lhe estimula a mente, vem os bloqueios com palavras do tipo: fascista, coxinha, Olavete, etc.. Quanta ignorância. Como diz o Danilo: VOCES TEM QUE ESTUDAR MAIS.

E o pior. Se defender ideologias vermelhas que mataram mais de 80 milhoes de pessoas no mundo, 17 mil nos paredões de cuba e levam miséria generalizada a paises como Venezuela e em breve na Argentina, talvez no Brasil... Eu quero mais é ser alienado mesmo! Parabéns pela alienação desta "utopia concreta". Só mula para falar isso, só esquerdista é claro! Sem mais, vão estudar economia e as necessidades humanas para depois falarem de igualdade. Não entendem porra alguma de nada esses vermelinhos!! Fui!!

André Lux disse...

Vestiu a carapuça, ficou bravo e foi.

Coxinha est!

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