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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

PSDB envia polícia para intimidar "buzinaço" contra o caos no trânsito de Jundiaí

De forma lamentável policiais postaram-se com pranchetas para multar os motoristas que buzinassem ou acenassem com a mão para o lado de fora.

- por Paulo Eduardo Malerba, cientista político e presidente do PT Jundiaí

Rotatória nunca recebeu tantos carros da Polícia Rodoviária antes!

A atividade que o PT Jundiaí realizou, nesta terça-feira, contra os problemas no trânsito e transporte em Jundiaí foi bem sucedida e bem recebida pelos motoristas e usuários de ônibus que passaram pelo local.

Cumpriu o papel de levar a mensagem de indignação de milhares de pessoas que se movimentam pela cidade todos os dias. A atividade ocorreu no trevo da Avenida Jundiaí, onde, além da própria avenida, há acessos para a Avenida Osmundo Pellegrini (bairro do Retiro), Jardim Samambaia, Malota e Rodovia Anhanguera. Moradores da região nos procuraram para a ajudar na distribuição do material impresso, cujo o título sintetiza a situação vivida em vários pontos da cidade nesta área: “É o caos!”

Como ocorre em todas as manifestações que questionam os governos do PSDB, neste caso o governo Miguel Haddad e do Estado, a Polícia foi deslocada para o local – de forma desproporcional. Às 17 horas havia dez carros da PM, sendo sete da rodoviária. Não autorizaram que o PT estacionasse o carro de som sobre o amplo gramado, embora todas as viaturas e o carro da concessionária Autoban estivessem ali – segundo esta perspectiva policial eles eram autoridades (inclusive a Autoban) e poderiam fazer isto.

Durante a manifestação ocorreram muitos acenos positivos e palavras de apoio dos motoristas e usuários de ônibus. Todos vivem diariamente o problema e sabem da importância de se reivindicar melhorias. De forma lamentável os policiais postaram-se com pranchetas para multar os motoristas que buzinassem ou acenassem com a mão para o lado de fora. Ao questionarmos o capitão da operação, ele nos disse que não tolerariam desrespeito às leis de trânsito.


Ora, havia um contexto de manifestação no local, pacífica e democrática. Uma buzinada tinha este objetivo, de apoio ao movimento e não com finalidade de perturbar ninguém. Mesmo com esta argumentação o capitão repetiu sua intenção. Para nós, este é o típico legalismo de conveniência – ao pretexto de cumprir a lei busca-se criar obstáculo para a participação de pessoas em uma manifestação. Se fossem analisar as diversas situações cotidianas sob esta lógica literal deveria-se montar operações para multar os torcedores que buzinam após a conquista de um campeonato pelo seu time; durante a Copa do Mundo; em carreatas eleitorais, casamentos ou mesmo em cortejos fúnebres onde os veículos andam abaixo da velocidade permitida e atrapalham o fluxo do trânsito. Vivemos num contexto social que deve ser levado em consideração.

Apesar desta atuação - em vão - da Polícia sob ordens do governo PSDB, a mobilização foi positiva e nos anima a seguir para as próximas atividades. A presença maciça de policiamento mostra que incomodamos. O governo municipal, especialmente, está preocupado com a mensagem que estamos levando à população, que potencializa as vozes e a insatisfação de muitos cidadãos. Nosso próximo compromisso será no Viaduto Sperandio Pellicciari (Duratex), no dia 08/12, quinta-feira da próxima semana, às 17h30. Nossa crítica ao trânsito e transporte possui um viés mais significativo, pois atinge a falta de planejamento urbano na cidade de Jundiaí. No caso do Trevo, a Prefeitura não age junto ao Governo do Estado para solucionar o problema e autorizou diversos empreendimentos imobiliários a poucos metros do local.

Todos continuam fortemente convidados a somar esforços conosco.

Liberdade no capitalismo...

Tempestade em Copo D'água?

Vídeo feito por alunos de Engenharia Civil da Unicamp, em resposta ao vídeo do movimento Gota D'Água, encabeçado por boçais-celebridades da rede Globo.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

PT promove "buzinaço" contra caos no trânsito de Jundiaí


SEM DESCULPAS

- por Paulo Eduardo Malerba é cientista político e presidente do PT de Jundiaí.

Nesta terça-feira, 29, o PT de Jundiaí sai às ruas para protestar contra os problemas no trânsito e transporte da cidade – congestionamentos excessivos, transporte coletivo inadequado, falta de investimentos bem feitos, entre outros. As consequências, os moradores e frequentadores de Jundiaí sentem no seu cotidiano. O objetivo da manifestação é cobrar providências da Prefeitura e chamar a população ao debate sobre o tema.

Por parte do poder público municipal, que deveria buscar a solução para estas demandas, o que se ouve é um conjunto ensaiado de respostas onde atribui-se a ‘culpa’ pelos problemas à postura do governo federal em incentivar o crédito e facilitar a aquisição de veículos. Já abordei este tema em audiência pública na Câmara Municipal e em outro artigo, ainda assim é necessário explicitar os fundamentos de nossas críticas e a fragilidade dos argumentos do governo Miguel Haddad.

Que as pessoas compraram mais carros e tem acesso maior ao crédito é uma análise correta e, de fato, tais medidas foram fomentadas pelo governo federal. Acrescenta-se o aumento consistente da renda e da massa salarial do trabalhador brasileiro e do baixíssimo desemprego. O crédito (com baixa inadimplência, frisa-se) e o investimento, como temos atualmente no país, são elementos fundamentais para o desenvolvimento econômico em qualquer economia de mercado. Nenhum país cresce de forma sustentável se não houver crédito disponível e, vale lembrar, o Brasil ainda está longe do patamar de países desenvolvidos. Não precisa ser um economista heterodoxo para reconhecer a importância destas medidas adotadas no país.

Sob esta lógica, creio que as colocações do governo Miguel Haddad devem ser entendidas como agradecimento ao governo federal, afinal esta expansão econômica do país permitiu, além do aumento da frota, o crescimento da arrecadação em nossa cidade, pois temos uma base produtiva industrial que foi fortemente favorecida pelo aumento do consumo de veículos e aumento do crédito, bem como o comércio de Jundiaí em seu conjunto foi beneficiário destas políticas. Assim, tais empresas empregaram, investiram e contrataram serviços na nossa cidade, como bem sabe a Secretaria Municipal de Finanças.

Mas, parece-me, o argumento da frota de carros foge intencionalmente às duas questões centrais do problema do trânsito em Jundiaí – a falta de planejamento urbano e a má qualidade do transporte coletivo.

Com um orçamento bilionário - como Jundiaí possui - é indefensável ao Prefeito não conseguir organizar a cidade. Não há projeto de médio e longo prazo no município, o desenvolvimento de Jundiaí está subordinado aos interesses dos empreendimentos imobiliários privados e aos negócios das construtoras. Miguel Haddad e seu grupo político (Benassi, Ary Fossen, Parimoschi, etc.) governam a cidade há quase trinta anos, com apenas uma interrupção. Não houve tempo para planejar, para pensar a cidade?

Será que o Prefeito imagina que o cidadão que melhora de vida, que pela primeira vez tem acesso ao crédito bancário, condições de adquirir bens duráveis, não pode fazê-lo? Estará errada a pessoa que compra seu carro, trabalha e paga suas contas em dia? Ou ele pensou que o Brasil continuaria na estagnação econômica dos anos 90?

Em Jundiaí não há incentivo para o motorista deixar o carro em casa e utilizar o ônibus para suas atividades cotidianas. Os ônibus frequentemente estão superlotados e demoram excessivamente devido às baldeações nos terminais. A experiência do transporte coletivo em Jundiaí é cada vez mais desconfortável para o cidadão e o sistema mostra-se ineficiente. Dinheiro existe, tanto no orçamento municipal quanto via governo federal para obras e melhorias. Vieram recursos federais do BNDES para a construção dos ineficazes terminais de ônibus do SITU e a cidade recebeu mais de R$ 116 milhões pelo PAC para melhorar a infra-estrutura urbana. Parte deste dinheiro foi utilizado para obras na Nove de Julho.

Portanto, o problema do trânsito e transporte de Jundiaí está nas escolhas políticas equivocadas da Prefeitura; que gasta mal os recursos que possui, não planeja a cidade adequadamente e mostra-se incapaz de organizar o crescimento urbano. Ao invés de ficar buscando culpados pela sua própria ineficiência, o governo Miguel Haddad deveria buscar soluções para os seus moradores.

sábado, 26 de novembro de 2011

Filmes: "A Coisa"

COISA MAIS SEM GRAÇA

Filme não passa de um amontoado de cenas de ação, correria e efeitos visuais exagerados que não transmitem qualquer emoção

- por André Lux, crítico-spam

É uma decepção total esse prólogo do filme de terror cult de 1982 dirigido por John Carpenter "O Enigma de Outro Mundo" (agora chamado corretamente de "A Coisa"). A nova obra se propõe a contar o que aconteceu no acampamento dos noruegueses que encontraram o alien enterrado no gelo e tenta ao máximo seguir os passos do filme anterior no design visual e sonoro. Porém, o resultado não tem graça nenhuma.

O filme já começa em plena ação, com os noruegueses encontrando a nave espacial no pólo norte e depois, com a ajuda de uma paleontóloga estadunidense, desenterram o alienígena que logo foge e já começa a matar indiscriminadamente. Ou seja, tudo é rápido demais, não há qualquer tempo para desenvolver os personagens e muito menos criar algum clima de suspense.

A criatura sai atacando de forma ilógica e incoerente com o que vimos no primeiro filme (no qual ela só se atacava na certeza de isolamento ou quando era exposta). Os efeitos visuais são fracos e as transformações da Coisa não causam nenhum tipo de choque (tão diferente do filme de Carpenter).

Há ainda muitas oportunidades perdidas, como quando entram na espaçonave e nada de interessante acontece. Eles poderiam também tentar se comunicar com a criatura, afinal ela era inteligente o suficiente para viajar pelo espaço sideral e assumia a forma humana, mas que nada, os diálogos são bobos e frouxos e todo mundo já corre tacar fogo na Coisa.

Nem mesmo a tentativa no final de unir as pontas com o filme de John Carpenter chega a convencer e nem vou falar aqui da conclusão da história principal, que é ridícula - o filme simplesmente para e entram os créditos, sem qualquer explicação sobre o destino de um dos sobreviventes!

A trilha musical de Marco Beltrami é interessante e incorpora de maneira inteligente o tema principal composto por Ennio Morricone para o filme original, mas no final das contas o compositor não tem muito o que fazer além de compor música barulhenta já que o filme não passa de um amontoado de cenas de ação, correria e efeitos visuais exagerados que não transmitem qualquer emoção. Lamentável.

Cotação: * 1/2

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Lula faz barba e cabelo

- por Renato Rovai, editor da Forum



A forma como o ex-presidente Lula tem lidado com o câncer, desde que foi diagnosticado com a doença, é mais um elemento que comprova a sua grandeza humana. A mídia comercial sempre tende a tornar todas as suas ações algo planejado do ponto de vista político, mas a sua história, desde que saiu de Garanhuns, é de muita coerência. Ele nunca hesitou em enfrentar desafios, e nem nunca teve medo de perder. Poucos seres humanos teriam a grandeza de assumir um câncer como ele tem feito. Mais um ponto pra ele.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Ser gay é pecado?

Um grupo influente de religiosos opõe-se à onda conservadora e defende que a Bíblia não condena o homossexualismo

- por Cynara Menezes, na Carta Capital

A representação de São Sérgio e São Baco, símbolos da causa LGBT

Em seu programa de tevê e nos cultos, o pastor Silas Malafaia, da Assembleia de Deus, um dos maiores porta-vozes do conservadorismo religioso no País, costuma repetir a ladainha: “Homossexualidade na Bíblia é pecado. Pode tentar, forçar, mas é pecado”. Mas será mesmo pecado ser gay? Não, contestam, baseados na interpretação da mesma Bíblia, sacerdotes cristãos, tanto católicos quanto evangélicos. Para eles, a mensagem de Jesus era de inclusão: se fosse hoje que viesse à Terra, o filho de Deus teria recebido os homossexuais de braços abertos.

“Orientação sexual não é o que vai definir a nossa salvação”, afirma o bispo primaz da Igreja Anglicana no Brasil, dom Maurício Andrade. “É muito provável que as pessoas homoafetivas fossem acolhidas por Jesus. O Evangelho que ele pregou foi de contracultura e inclusão dos marginalizados”, opina. Segundo o bispo, ao mesmo tempo que não há nenhuma menção à homossexualidade no Novo Testamento, há várias passagens que demonstram a pregação de Jesus pela inclusão. Não só o conhecido “quem nunca pecou que atire a primeira pedra” à adúltera Maria Madalena.

No Evangelho de João, capítulo 4, Jesus está a caminho da Galileia, partindo de Jerusalém. Cansado, decide descansar ao lado de um velho poço, em plena região da Samaria, cujos habitantes eram desprezados pelos judeus. E inicia conversação com uma mulher samaritana que vinha buscar água, e lhe oferece a salvação da alma, para espanto de seus próprios apóstolos, que a consideravam ímpia. Também quando Jesus vai à casa de Zaqueu, o coletor de impostos decidido a passar a noite lá, os discípulos murmuram entre si que se hospedaria “com homem pecador”. Mas Jesus não só o faz como também oferece a Zaqueu, homem rico tido como ladrão, a salvação. “Hoje veio a salvação a esta casa, por este ser também filho de Abraão.”

“Jesus inaugura o momento da Graça, os Evangelhos atualizam vários trechos do Velho Testamento. Ou alguém pode imaginar apedrejar pessoas hoje em dia?”, questiona dom Maurício, para quem a interpretação da Bíblia deve se basear no tripé tradição, razão e experiência cotidiana. “Quem interpreta que a Bíblia condena a homoafetividade está sendo literalista. Cada texto bíblico está inserido num contexto político, histórico e cultural, não pode ser transportado automaticamente para os dias de hoje. Além disso, a Igreja tem de dar resposta aos anseios da sociedade, senão estaremos falando com nós mesmos.”

Também anglicano, o arcebispo Desmond Tutu, Prêmio Nobel da Paz em 1984, lançou em março deste ano o livro Deus Não É Cristão e Outras Provocações, que traz um texto sobre a inclusão dos cidadãos LGBT à Igreja e à sociedade. Para Tutu, a perseguição contra os homossexuais é uma das maiores injustiças do mundo atual, comparável ao apartheid contra o qual lutou na África do Sul. “O Jesus que adoro provavelmente não colabora com os que vilipendiam e perseguem uma minoria já oprimida”, escreveu. “Todo ser humano é precioso. Somos todos parte da família de Deus. Mas no mundo inteiro, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros são perseguidos. Nós os tratamos como párias e os fazemos duvidar que também sejam filhos de Deus. Uma blasfêmia: nós os culpamos pelo que são.”

Nos Estados Unidos, a Igreja Anglicana foi a primeira a ordenar um bispo homossexual, em 2004. “Não por ser gay, mas porque a Igreja reconheceu o serviço e o ministério dele”, alerta dom Maurício. Foi com base na demanda crescente de respostas por parte dos fiéis homossexuais ou com -parentes e amigos gays que os anglicanos começaram a rever suas posturas, a partir de 1997. No ano seguinte, foi feita uma recomendação para que os homoafetivos fossem escutados, embora a união de pessoas do mesmo sexo ainda fosse condenada e que se rejeitasse a prática homossexual como “incompatível” com as Escrituras.

No Brasil, onde possui mais de 60 mil seguidores, a Igreja Episcopal Anglicana realizou em 2001 a primeira consulta nacional sobre sexualidade, quando seus fiéis decidiram rejeitar “o princípio da exclusão, implícito na ética do pecado e da impureza”, e fazer uma declaração pública em favor da inclusividade como “essência do ministério encarnado de Jesus”. Em maio deste ano, os anglicanos divulgaram uma carta de apoio à decisão do Supremo Tribunal Federal de permitir a união civil entre pessoas do mesmo sexo, baseados não só na defesa da separação entre Estado e Igreja como no reconhecimento de que as relações homoafetivas “são parte do jeito de ser da sociedade e do ser humano”.

Com o reconhecimento pelo Superior Tribunal de Justiça, em 25 de outubro, da união civil de duas lésbicas, é possível que a intolerância religiosa contra os homossexuais volte a se acirrar. No Twitter, Malafaia atiçava os seguidores a enviar e-mails aos juízes do Tribunal pedindo a rejeição do recurso. Em vão: a união entre as duas mulheres gaúchas, juntas há cinco anos, ganhou por 4 votos a 1.

A partir da primeira decisão do STF, foi criada, informalmente até agora, uma frente religiosa pela diversidade sexual, que reúne integrantes de diversas igrejas: batistas, metodistas, anglicanos, luteranos, presbiterianos, católicos e pentecostais. Coordenador do grupo, o metodista Anivaldo Padilha (pai do ministro da Saúde, Alexandre Padilha) diz que a homossexualidade é hoje um dos temas que mais dividem as igrejas, tanto evangélicas quanto católicas. “Quem alimenta o preconceito são as lideranças. Os fiéis manifestam dificuldade em obter respostas, porque no convívio com amigos, colegas ou mesmo parentes que sejam homossexuais não veem diferença.”

Mais: segundo Padilha, a proporção de homossexuais entre os evangélicos é bastante similar à da sociedade brasileira como um todo. Sua convicção vem da pesquisa O Crente e o Sexo, do Bureau de Pesquisa e Estatística Cristã, entidade que possui o maior banco de dados com e-mails de evangélicos brasileiros – mais de 1,6 milhão. Na pesquisa, foram ouvidos pela internet 6.721 solteiros evangélicos de todo o País, entre 16 e 60 anos. Os resultados, divulgados em junho deste ano: 5,02% dos evangélicos tiveram uma experiência homossexual e 10,69% disseram desejar experimentar ter relações com pessoas do mesmo sexo.

Uma pesquisa feita em 2009 pelo Ministério da Saúde com os brasileiros em geral apontou que 7,6% das pessoas- entre 15 e 64 anos haviam tido relações com o mesmo sexo na vida. Quer dizer, a diferença entre os hábitos sexuais dos crentes e do resto da população é quase nula. “A questão não é teológica”, argumenta Padilha. “O que existe é que esse tema tem sido utilizado politicamente pela direita brasileira. Como não existe mais o comunismo, conseguem manipular a opinião pública assim. Eles têm o direito de expressar opiniões, mas não se pode impor ao Estado conceitos de pecado que não dizem respeito aos que professam outras religiões, ou nenhuma.”

De acordo com historiadores, a posição religiosa em relação à homossexualidade mudou ao longo dos séculos: de mais tolerante para menos. O americano John Boswell, pesquisador da Universidade Yale que morreu de Aids- aos 47 anos em 1994 e que dedicou a vida acadêmica a investigar a homossexualidade relacionada ao cristianismo, afirmava que a Igreja Católica não condenou as relações entre o mesmo sexo até o século XII. Ao contrário: o historiador, contestado por alguns e aclamado por outros, revelou no livro O Casamento entre Semelhantes – Uniões entre pessoas do mesmo sexo na Europa pré-moderna (1994) a existência de manuscritos que comprovam a celebração de rituais matrimoniais religiosos durante toda a Idade Média por sacerdotes católicos e ortodoxos para consagrar uniões homossexuais.

Nos 80 manuscritos descobertos por Boswell sobre as bodas gays entre os primeiros cristãos, invocava-se como protetores os santos católicos Sérgio e Baco, tidos como homossexuais. Celebrados no dia 7 de outubro, São Sérgio e São Baco aparecem juntos em toda a iconografia religiosa a partir do século IV depois de Cristo e atualmente são objeto de homenagem de vários artistas plásticos ligados ao movimento LGBT. Soldados do imperador romano Maximiano, foram ambos martirizados por se recusar a entrar em um templo e adorar Júpiter. Baco, flagelado com chicotadas, morreu primeiro. Uma crônica, provavelmente do século- X, conta que Sérgio “com o coração enfermo pela perda de Baco, chorava e gritava: ‘te separaram de mim, foste ao Céu e me deixaste só na Terra, sem companhia nem consolo’”.

Em fevereiro deste ano, o pesquisador e professor de Literatura Carlos Callón, da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, foi premiado pelo ensaio Amigos e Sodomitas: A configuração da homossexualidade na Idade Média, onde conta a história de Pedro Díaz e Muño Vandilaz, protagonistas do primeiro matrimônio homossexual da Galícia, em 16 de abril de 1061. No documento, o casal compromete-se a morar juntos e se cuidar mutuamente “todos os dias e todas as noites, para sempre”. Segundo Callón, há muitos relatos semelhantes, inclusive com rituais religiosos similares aos heterossexuais, com a diferença de que as bênçãos faziam alusão ao salmo 133 (“Oh! Como é bom e agradável viverem unidos os irmãos”), ao amor de Jesus e João ou a São Sérgio e São Baco.

“Trato também na pesquisa de como na lírica ou na prosa galego-portuguesa medievais aparecem alguns exemplos de relações entre homens”, diz o professor. “As relações homossexuais são documentáveis em todas as épocas, o que houve foi um processo de adulteração, de falsificação da história, para nos fazer pensar que não.” Outro dado importante ressaltado pelo pesquisador é que a perseguição contra os homossexuais vem originalmente do Estado. Só mais tarde a Igreja se converteria na principal fonte do preconceito.

“Os traços básicos do preconceito contra a homossexualidade tiveram sua origem na Baixa Idade Média, entre os séculos XI e XIV. É nessa altura que emerge a intolerância homofóbica, desconhecida na Antiguidade. Inventa-se o pecado da sodomia, inexistente nos mil primeiros anos do cristianismo, a englobar todo o sexo não reprodutivo, mas tendo como principal expoente as relações entre homens ou entre mulheres. Com o tempo, passará a ser o seu único significado”, explica Callón.

De fato, a palavra “sodomia” para designar o coito anal em geral e as relações homossexuais em particular, e ao que tudo indica foi introduzida na Bíblia por seu primeiro tradutor ao inglês, o britânico John Wycliffe (1320-1384). Wycliffe traduziu o termo grego arsenokoitai como “pecado de Sodoma”. Daí a utilização da palavra “sodomita” para designar os gays, o que acabou veiculando-os para sempre com o relato bíblico das pecadoras cidades de Sodoma e Gomorra, destruídas por Deus com fogo e enxofre para punir a imoralidade de seus habitantes. Mas o significado real de arsenokoitai (literalmente, a junção das palavras “macho” e “cama”) é ainda hoje alvo de controvérsia.

O próprio termo “homossexual” para designar as pessoas que preferem se relacionar com outras do mesmo sexo é recente: só passou a existir a partir do século XIX. A versão revisada em inglês da Bíblia, de 1946, é a primeira a utilizá-lo. Isto significa que as menções à “homossexualidade”, “sodomia” e “sodomitas” nas escrituras seriam mais uma questão de interpretação do que propriamente de tradução.

“A Bíblia, infelizmente, tem sido usada para defender quaisquer posicionamentos, desde a escravidão (sobram textos que legitimam a escravatura) ao genocídio”, opina o pastor Ricardo Gondim, da Igreja Betesda de São Paulo, protestante. “Como o sexo é uma pulsão fundamental da existência, o controle sobre essa pulsão mantém um fascínio enorme sobre quem procura preservar o poder. Assim, o celibato católico e a rígida norma puritana não passam de mecanismos de controle. O uso casuístico das Escrituras na defesa de posturas consideradas conservadoras ou ‘ortodoxas’ não passam, como dizia Michel Foucault, de instrumentos de dominação.”

“Um teólogo que eu admiro muito, Carlos Mesters, costuma dizer que a Bíblia é uma flor sem defesa. Dependendo da mão e da intencionalidade de quem a usa, a posição mais castradora ou a mais libertadora pode ser defendida usando-a”, concorda a pastora Odja Barros, presidente da Aliança de Batistas do Brasil, espécie de dissidência da Igreja Batista que aceita homossexuais entre seus integrantes – são seis igrejas no País. Tudo começou há cinco anos, conta Odja, quando se colocou diante de sua igreja, em Maceió, o desafio: um homossexual converteu-se e não queria abrir mão de seu gênero. Foi uma pequena revolução. Alguns integrantes deixaram a Igreja, outros se juntaram a ela, e houve fiéis que, animados, também resolveram se revelar homossexuais. “Em todas as comunidades evangélicas existem gays, mas são reprimidos”, afirma a pastora.

Um dos pontos principais para a compreensão da questão à luz da Bíblia, de acordo com Odja Barros, é desconstruir as leituras mais hegemônicas, patriarcais, que afetam a vida não só dos gays, como das mulheres. Há trechos, por exemplo, que justificam a submissão e a violência contra a mulher. A própria Odja só se tornou pastora graças a essa releitura. “As pessoas vêm me dizer que sou feminista, que sou moderna, mas me sinto muito fiel a algo -muito -antigo, que é a defesa da dignidade do ser humano sobre todas as coisas. O Evangelho tem a ver com esses valores”, argumenta. “A sociedade caminhou mais rápido e é um desafio à Igreja, quando deveria ser o contrário.”

Entre os católicos, curiosamente, a homossexualidade não é vetada a partir da Bíblia, mas a partir da concepção de que seria antinatural, ou seja, fora do objetivo da procriação. É assim, até hoje, que prega a Igreja, daí a condenação também ao uso de contraceptivos como a camisinha. Tudo isso vem de uma época em que se conhecia muito pouco de biologia. A descoberta do clitóris como fonte do prazer feminino, por exemplo, é do século XVI. O ovário, que sacramentou a diferença entre homem e mulher, só foi descoberto no século XVIII. Até então, pensava-se que a mulher era um homem em desvantagem, um corpo masculino “castrado”.

“Além disso, hoje temos conhecimento de uma gama impressionante de comportamentos sexuais entre os animais, o que inclui homossexualidade e hermafroditismo”, defende o padre católico James Alison, britânico radicado em São Paulo. Homossexual assumido, Alison conta que se situa numa espécie de “buraco negro” em que se encontram, segundo ele, muitos padres católicos gays: sem função como párocos, não estão subordinados a bispos e, por isso mesmo, escapam de sanções da Igreja. O padre, que vive como teólogo, compara a homossexualidade a ser canhoto. Ou seja, um porcentual- da população nasceria -homossexual, assim como nascem pessoas que escrevem com a mão esquerda. “Aproximadamente 9,5% das pessoas são canhotas e isso também já foi considerado uma patologia.”

Alison conta que a Igreja Católica faz um malabarismo ideológico para sustentar a proibição de ser homossexual-, pois no ensino teológico do Vaticano o fato em si não é considerado pecado. “Eles dizem que ‘enquanto a inclinação homossexual não seja em si um pecado, é uma tendência para atos intrinsecamente maus’, uma coisa confusa e insustentável a essa altura.” O padre acredita, porém, que a aceitação da homossexualidade pelos católicos melhorou sob Bento XVI. “Neste tema, os prudentes calam e os burros gritam. João Paulo II promovia os gritões. Hoje a tendência é prudência. Já não se veem bispos falando publicamente que é uma patologia. Se a Igreja reconhecer que não há patologia, será natural reconhecer a homossexualidade. É um lado bom de Ratzinger, mas tudo isso ocorre caladamente, nos bastidores da Igreja.”

Para o padre, a falta de discussão no catolicismo sobre a homossexualidade “emburreceu” as pessoas para o debate em torno da pedofilia, que tanto tem causado danos à imagem da Igreja nos últimos anos. Daí a reação lenta diante das denúncias. E também se tornou um obstáculo à evangelização. “A homofobia instintiva já não é mais realidade, há cada vez mais solidariedade fraterna concreta. Muitos jovens são por natureza gay friendly. E se perguntam: por que seguir Jesus se tenho de odiar os gays?”

Regulação da mídia: dez fatos que a "grande" imprensa esconde da sociedade

As entidades que reúnem as grandes empresas de comunicação no Brasil usam e abusam da palavra "censura" para demonizar o debate sobre a regulação da mídia. No entanto, são os seus veículos que praticam diariamente a censura escondendo da população as práticas de regulação adotadas há anos em países apontados como modelos de democracia. Conheça dez dessas regras que não são mencionadas pelos veículos da chamada "grande" imprensa brasileira.

- por Marco Aurélio Weissheimer, na Carta Maior

O debate sobre regulação do setor de comunicação social no Brasil, ou regulação da mídia, como preferem alguns, está povoado por fantasmas, gosta de dizer o ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República, Franklin Martins. O fantasma da censura é o frequentador mais habitual, assombrando os setores da sociedade que defendem a regulamentação do setor, conforme foi estabelecido pela Constituição de 1988.

Regulamentar para quê? – indagam os que enxergam na proposta uma tentativa disfarçada de censura. A mera pergunta já é reveladora da natureza do problema. Como assim, para quê? Por que a comunicação deveria ser um território livre de regras e normas, como acontece com as demais atividades humanas? Por que a palavra “regulação” causa tanta reação entre os empresários brasileiros do setor?

O que pouca gente sabe, em boa parte por responsabilidade dos próprios meios de comunicação que não costumam divulgar esse tema, é que a existência de regras e normas no setor da comunicação é uma prática comum naqueles países apontados por esses empresários como modelos de democracia a serem seguidos.

O seminário internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias, realizado em Brasília, em novembro de 2010, reuniu representantes das agências reguladoras desses países que relataram diversos casos que, no Brasil, seriam certamente objeto de uma veemente nota da Associação Nacional de Jornais (ANJ) e da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) denunciando a tentativa de implantar a censura e o totalitarismo no Brasil.

Ao esconder a existências dessas regras e o modo funcionamento da mídia em outros países, essas entidades empresariais é que estão praticando censura e manifestando a visão autoritária que tem sobre o tema. O acesso à informação de qualidade é um direito. Aqui estão dez regras adotadas em outros países que os barões da mídia brasileira escondem da população:

1. A lei inglesa prevê um padrão ético nas transmissões de rádio e TV, que é controlado a partir de uma mescla da atuação da autorregulação dos meios de comunicação ao lado da ação do órgão regulador, o Officee of communications (Ofcom). A Ofcom não monitora o trabalho dos profissionais de mídia, porém, atua se houver queixas contra determinada cobertura ou programa de entretenimento. A agência colhe a íntegra da transmissão e verifica se houve algum problema com relação ao enfoque ou se um dos lados da notícia não recebeu tratamento igual. Após a análise do material, a Ofcom pode punir a emissora com a obrigação de transmitir um direito de resposta, fazer um pedido formal de desculpas no ar ou multa.

2. O representante da Ofcom contou o seguinte exemplo de atuação da agência: o caso de um programa de auditório com sorteios de prêmios para quem telefonasse à emissora. Uma investigação descobriu que o premiado já estava escolhido e muitos ligavam sem chance alguma de vencer. Além disso, as ligações eram cobradas de forma abusiva. A emissora foi investigada, multada e esse tipo de programação foi reduzida de forma geral em todas as outras TVs.

3. Na Espanha, de 1978 até 2010, foram aprovadas várias leis para regular o setor audiovisual, de acordo com as necessidades que surgiam. Entre elas, a titularidade (pública ou privada); área de cobertura (se em todo o Estado espanhol ou nas comunidades autônomas, no âmbito local ou municipa); em função dos meios, das infraestruturas (cabo, o satélite, e as ondas hertzianas); ou pela tecnologia (analógica ou digital).

4. Zelar para o pluralismo das expressões. Esta é uma das mais importantes funções do Conselho Superior para o Audiovisual (CSA) na França. O órgão é especializado no acompanhamento do conteúdo das emissões televisivas e radiofônicas, mesmo as que se utilizam de plataformas digitais. Uma das missões suplementares e mais importantes do CSA é zelar para que haja sempre uma pluralidade de discursos presentes no audiovisual francês. Para isso, o conselho conta com uma equipe de cerca de 300 pessoas, com diversos perfis, para acompanhar, analisar e propor ações, quando constatada alguma irregularidade.

5. A equipe do CSA acompanha cada um dos canais de televisão e rádio para ver se existe um equilíbrio de posições entre diferentes partidos políticos. Um dos princípios dessa ação é observar se há igualdade de oportunidades de exposição de posições tanto por parte do grupo político majoritário quanto por parte da oposição.

6. A CSA é responsável também pelo cumprimento das leis que tornam obrigatórias a difusão de, pelo menos, 40% de filmes de origem francesa e 50% de origem européia; zelar pela proteção da infância e quantidade máxima de inserção de publicidade e distribuição de concessões para emissoras de rádio e TV.

7. A regulação das comunicações em Portugal conta com duas agências: a Entidade reguladora para Comunicação Social (ERC) – cuida da qualidade do conteúdo – e a Autoridade Nacional de Comunicações (Anacom), que distribui o espectro de rádio entre as emissoras de radiodifussão e as empresas de telecomunicações. “A Anacom defende os interesses das pessoas como consumidoras e como cidadãos.

8. Uma das funções da ERC é fazer regulamentos e diretivas, por meio de consultas públicas com a sociedade e o setor. Medidas impositivas, como obrigar que 25% das canções nas rádios sejam portuguesas, só podem ser tomadas por lei. Outra função é servir de ouvidoria da imprensa, a partir da queixa gratuita apresentada por meio de um formulário no site da entidade. As reclamações podem ser feitas por pessoas ou por meio de representações coletivas.

9. A União Européia tem, desde março passado, novas regras para regulamentar o conteúdo audiovisual transmitido também pelos chamados sistemas não lineares, como a Internet e os aparelhos de telecomunicação móvel (aqueles em que o usuário demanda e escolhe o que quer assistir). Segundo as novas regras, esses produtos também estão sujeitos a limites quantitativos e qualitativos para os conteúdos veiculados. Antes, apenas meios lineares, como a televisão tradicional e o rádio, tinham sua utilização definida por lei.

10. Uma das regras mais importantes adotadas recentemente pela União Europeia é a que coloca um limite de 12 minutos ou 20% de publicidade para cada hora de transmissão. Além disso, as publicidades da indústria do tabaco e farmacêutica foram totalmente banidas. A da indústria do álcool são extremamente restritas e existe, ainda, a previsão de direitos de resposta e regras de acessibilidade.

Todas essas informações estão disponíveis ao público na página do Seminário Internacional Comunicações Eletrônicas e Convergências de Mídias. Note-se que a relação não menciona nenhuma das regras adotadas recentemente na Argentina, que vem sendo demonizadas nos editoriais da imprensa brasileira. A omissão é proposital. As regras adotadas acima são tão ou mais "duras" que as argentinas, mas sobre elas reina o silêncio, pois vêm de países apontados como "exemplos a serem seguidos" Dificilmente, você ouvirá falar dessas regras em algum dos veículos da chamada grande imprensa brasileira. É ela, na verdade, quem pratica censura em larga escala hoje no Brasil.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Essa eu já sabia: pesquisa indica que homofóbicos sentem excitação por homossexuais

Em pesquisa realizada, maioria dos homofóbicos sentiram-se excitados ao confrontados com cenas homossexuais. O mesmo não ocorreu com os não-homofóbicos

- Contardo Calligaris, Folha de S.Paulo

No fundo, no fundo, ele gosta!
Desde o fim do ano passado, em São Paulo, assistimos a uma série de ataques brutais contra homossexuais ou homens que seriam homossexuais aos olhos de seus agressores.

No fim de 2010, por decreto da Presidência da República, foi estabelecida a finalidade do Conselho Nacional de Combate à Discriminação e Promoção dos Direitos de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (parte da Secretaria de Direitos Humanos).

Mais recentemente, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a união entre pessoas do mesmo sexo como unidade familiar. Não me surpreende que uma explosão de homofobia aconteça logo agora, pois, em geral, o ódio discriminatório aumenta de maneira diretamente proporcional aos avanços da tolerância.

Funciona assim: quanto mais sou forçado a aceitar o outro como igual a mim, tanto mais, num âmago que mal reprimo, eu o odeio e quero acabar com ele. Mas por que eu preferiria que o outro se mantivesse diferente de mim? Por que não quero reconhecê-lo como igual? O termo de homofobia, inventado no fim dos 1960, designa, mais que um preconceito, uma reação emocional à presença de homossexuais (ou presumidos homossexuais), num leque que vai do desconforto à ansiedade, ao medo e, por fim, à raiva e à agressão.

Numa entrevista na "Trip" de outubro (http://migre.me/6563w), apresentei a explicação clássica da homofobia do ponto de vista da psicanálise: "Quando as minhas reações são excessivas, deslocadas e difíceis de serem justificadas é porque emanam de um conflito interno. Por que afinal me incomodaria meu vizinho ser homossexual e beijar outro homem na boca? De forma simples, o que acontece é: 'Estou com dificuldades de conter a minha própria homossexualidade, então acho mais fácil tentar reprimir a homossexualidade dos outros, ou seja, condená-la, persegui-la e reprimi-la, se possível até fisicamente, porque isso me ajuda a conter a minha'".

Exemplo: se eu sinto (e não quero sentir) atração por um colega de classe do mesmo sexo, o jeito, para me convencer que não sinto atração alguma, é chamar esse colega de veado, juntar um grupo que, como eu, odeie homossexuais e esperar o colega na saída da escola para enchê-lo de porradas.

Um amigo me perguntou se essa interpretação da homofobia não era sobretudo uma forma de vingança: você gosta de agredir homossexuais pelas ruas da cidade? Olhe o que isso significa: você mesmo é homossexual. Gostou? O amigo continuou: "Isso não é bonito demais para ser verdade?".

Pois bem, anos atrás, pesquisadores da Universidade da Georgia selecionaram 64 homens que (na escala Kinsey) se apresentavam como sendo exclusivamente heterossexuais. Todos foram testados por uma entrevista (clássica, o IHP) que estabelece o índice de homofobia, de 0 a 100. Com isso, foram compostos dois grupos: os não homofóbicos (IHP de 0 a 50) e os homofóbicos (IHP de 50 a 100).

Nota: chama-se pletismógrafo um instrumento com o qual se registram as modificações de tamanho de uma parte do corpo. Pois bem, todos vestiram um pletismógrafo peniano, graças ao qual qualquer ereção, até incipiente e mínima, seria medida e registrada. Depois disso, todos os 64 foram expostos a vídeos pornográficos de quatro minutos mostrando atividade sexual consensual entre adultos heterossexuais, homossexuais masculinos e homossexuais femininos.

À diferença do que aconteceu com o grupo de controle (ou seja, com os não homofóbicos), a maioria dos homofóbicos teve tumescência e ereção significativas diante dos vídeos de sexo entre homossexuais masculinos. Confirmando a interpretação da psicologia dinâmica: indivíduos homofóbicos demonstram excitação sexual diante de estímulos homossexuais.

Existe a possibilidade de que a excitação manifestada pelos homofóbicos seja efeito, por exemplo, de sua vontade de quebrar a cabeça dos protagonistas dos vídeos -existe, mas é remota (porque os 64 indivíduos da amostra passaram todos por um questionário que mede a agressividade, e ninguém se mostrou especialmente agressivo).

Para quem quiser conferir, a pesquisa, de Henry E. Adams e outros, foi publicada no "Journal of Abnormal Psychology" (1996, vol. 105, n.3), com o título "Is Homophobia Associated with Homosexual Arousal?" (a homofobia é associada à excitação homossexual?) e é acessível na internet.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Nem o PiG aguenta mais o caos no transporte público em Jundiaí

Até a TV Tem, afiliada da nefasta Rede Globo (tucana até os ossos), denuncia o caos no transporte público de Jundiaí - cidade governada pelo PSDB há mais de 20 anos. Destaque especial para a entrevista constrangedora com um representante do prefeito Miguel Haddad, que obviamente não tem como justificar o estado caótico do transporte público e, como sempre, tenta jogar a culpa nos pobres usuários que dependem dele todos os dias para ganhar o pão de cada dia! É muita cara de pau, sinceramente.

Diga-me com quem tu andas e eu direi quem tu és: as ligações de Anselmo Brombal com o PSDB

O pseudo-jornalista Anselmo Brombal, que confessou em vídeo que recebeu dinheiro para fazer "maldades" contra o então candidato Pedro Bigardi (PCdoB), tem várias ligações com o PSDB.

O vereador Gustavo Martinelli (PSDB), confirmou no facebook, em 9 de novembro, que Brombal foi realmente seu assessor até 01 de fevereiro de 2010 (confira a figura abaixo com a reprodução da postagem do vereador no facebook).


Além disso, Brombal foi um dos que contribuiram financeiramente para a campanha do então candidato Luiz Fernando Machado (PSDB) para deputado federal nas últimas eleições. Confira neste link (Brombal é o primeiro que aparece na lista, doando R$ 450,00), reproduzido na figura abaixo.


Abaixo, o jornaleco de bairro que Brombal edita no Eloy Chaves recebe generosamente um anúncio de página inteira da prefeitura de Jundiaí (há mais de 20 anos nas mãos do PSDB):


É o que diz o ditado popular: "diga-me com quem tu andas e eu direi quem tu és"...

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Assistam ao video onde jornalista afirma que foi pago para fazer "maldade" contra o deputado Pedro Bigardi

Trecho de gravação onde o "jornalista" Anselmo Brombal, explica como fez um material difamatório a mando do pessoal "de lá" com o objetivo de confundir os eleitores e prejudicar o deputado Pedro Bigardi.



Abaixo, jornal editado por Anselmo Brombal, que foi usado para atacar o deputado Pedro Bigardi durante a campanha de 2010, com anúncio da Prefeitura de Jundiaí.

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Jornalista afirma ter sido pago para ‘fazer maldades’ e prejudicar deputado Bigardi

Anselmo Brombal já trabalhou como chefe de reportagem em um jornal da cidade, além de ter sido nomeado cargo de confiança do prefeito tucano Miguel Haddad. Recentemente, ele havia sido contratado como assessor parlamentar do vereador Gustavo Martinelli (PSDB).

- por Assessoria do deputado Pedro Bigardi

Um possível esquema de perseguição política maldosa e rasteira será investigado pelo Ministério Público de São Paulo. A vítima, o deputado estadual Pedro Bigardi, protocolou nesta segunda-feira (7) um pedido de apuração junto ao Procurador-Geral de Justiça do Estado, Fernando Grella Vieira. O pivô desta suposta armação é o jornalista Anselmo Boaventura Brombal, que afirma em uma gravação de vídeo ter sido pago para “fazer maldades” contra o então candidato a deputado.


“Ele fala de um material que fez em 2010, na campanha (para deputado estadual), a pedido do ‘pessoal de lá’, somente para me prejudicar. Desde julho deste ano, este cidadão faz circular um jornal que tem me atacado sistematicamente com denúncias vazias, sem qualquer tipo de prova”, destacou Bigardi. “Como o jornalista faz citações a pessoas e grupos políticos da cidade, além de chegar a pedir dinheiro para parar com os ataques, resolvemos acionar o Ministério Público.”


Trechos do vídeo em que Brombal conta como procedeu de maneira maldosa para atingir a honra do deputado e outros documentos entregues ao Ministério Público foram apresentados à imprensa local, no final da tarde desta segunda-feira, no escritório político regional de Bigardi, em Jundiaí. “Nós poderíamos ter entrado com uma queixa-crime, mas faço questão que o Ministério Público avalie tudo e possa nos dar um parecer a respeito disso”, comentou.

‘Encomenda’
Anselmo Brombal já trabalhou como chefe de reportagem em um jornal da cidade, além de ter sido nomeado cargo de confiança do prefeito tucano Miguel Haddad. Recentemente, ele havia sido contratado como assessor parlamentar do vereador Gustavo Martinelli (PSDB).

Na gravação, feita durante uma conversa com o advogado Denis Crupe (assessor jurídico do deputado), Brombal conta sobre uma conversa que teve com gente interessada em denegrir a imagem de Bigardi durante as eleições do ano passado. “O pessoal de lá me ligou: ‘Tem como colocar uma notícia? Tem que ser maldosa’. Bom, maldade eu sei fazer também, né? Quero tanto e vocês paguem a edição... não quero nem saber”.

Com um sorriso sarcástico, Anselmo Brombal contou em detalhes como produziu as “maldades” num jornal de bairro que ele assina. E se vangloriou de ter conseguido uma proeza que muita gente tentou, mas não obteve sucesso. “... tenho um monte de gente pensando faz dez dias e não consegue (citando a fala do interlocutor)! Falei: ‘Falta cabeça’. Na hora eu fiz o título: ‘Justiça de olho... Ficha Suja... Em São Paulo, TRE cassa Bigardi’. Eu misturei assim...”.

Neste ano, depois de não conseguir dinheiro do deputado para “cessar fogo”, Brombal voltou à carga com outro jornal. Ainda mais maldoso e apelativo, ele tenta a todo custo confundir a opinião pública com referências a denúncias que sequer tem ligação com Bigardi. “Não dá para suportar alguém que faz acusações infundadas e só aparece para me atacar. Isso afronta o jornalismo sério e denigre a imagem de Jundiaí e região, que confiou a mim quase 70 mil votos na vitoriosa eleição passada”, lembrou o deputado.

Nesta terça-feira (8), Bigardi levará o caso ao Colégio de Líderes da Assembleia Legislativa e também ao Conselho de Prerrogativas do parlamento paulista. “Também subirei à Tribuna, durante a sessão, para apresentar as maldades que este cidadão afirma fazer contra mim. Este jogo sujo não pode continuar. Política não deve ser feita desta maneira”, afirmou.

Liberdade de imprensa no rabo dos outros é refresco!

É o seguinte pessoal: eu trabalho na VEJA e tenho aqui uma denúncia feita por uma pessoa anônima de que vocês todos que lêem o meu blog são ladrões de bancos, satanistas, assassinos e pedófilos. Essa matéria será publicada na capa da revista, com um título bem grande "Fulano de tal é ladrão, assassino, satanista e pedófilo" junto com uma foto sua de fora a fora.

Dou 12 horas para todo mundo provar pra mim que essas acusações são falsas.

Detalhe: mesmo que alguém consiga provar que é inocente de todas essas acusações gravíssimas, a matéria e a capa vão para as bancas do mesmo jeito, ok? Se não gostarem, processem a revista...

Que tal? Liberdade de imprensa é isso aí. Ou não?

Documentário denuncia esquema de censura à imprensa de Aécio Neves em Minas Gerais

domingo, 6 de novembro de 2011

Lula, a doença e estupidez

O Brasil que se acha inteligente e bem informado exibe outra vez sua ignorância e grosseria

- Por Cynara Menezes, na CartaCapital

Dizem que lula não desencarnou do poder. Mas uma grande porção do Brasil ainda não desencarnou de Lula. Entramos no 11º mês do mandato de Dilma Rousseff, muita água correu por debaixo da ponte.

O ex-presidente, embora mantenha contato frequente com a sucessora, influencia muito menos o governo do que vaticinaram vários de seus opositores e quase 100% dos colunistas políticos da mídia brasileira, para quem Dilma seria um fantoche manipulado por seu mentor. Neste tempo, o metalúrgico dedica-se a palestras no País e no exterior. Volta e meia é agraciado com um título de doutor honoris causa de alguma universidade.

Mesmo assim, o ressentimento de uma porção da sociedade não arrefece. Foi assimquando a faculdade francesa Science Po lhe concedeu uma honraria. Na ocasião, não faltou quem se indignasse com o fato de Lula ser o primeiro latino americano a receber o título. “Por que não Fernando Henrique Cardoso?”, perguntou uma repórter.

E tem sido assim desde o sábado 29, dia em que o ex-presidente anunciou ter sido acometido por um câncer de laringe. Milhares foram as mensagens de solidariedade, civilizada foi a maioria retumbante da oposição política, a começar pelo próprio FHC. Mas igualmente afluíram, notoriamente da cabeça de gente que se acha mais bem informada e inteligente que a média, velhos preconceitos, ignorância e grosseria. Nunca antes na história do Brasil alguém recebeu tantos ataques pelo simples motivo de anunciar uma doença.

Para quem acha que o Brasil continua o mesmo desde sempre, vale relembrar um episódio de quase 60 anos. Em 1954, quando Getúlio Vargas se suicidou, percorreue ganhou força na elite paulistana a tese de que o presidente havia se matado em um último ato maligno para constranger seus opositores e incitar a população. Talvez atualmente alguém ache que Lula “contraiu” um câncer para colher dividendos políticos.

O ex-presidente demonstrou altivez e transparência no trato com a adversidade, ao deixar claro, por meio de um boletim médico oficial, o diagnóstico de um tumor maligno em sua garganta. Uma semana antes, ao encontrar Dilma Rousseff em um evento em Manaus, Lula havia se queixado de uma rouquidão persistente e confidenciado a sensação de passar por algo grave. Dilma teria insistido para que procurasse o cardiologista de ambos, Roberto Kalil Filho, mas Lula resistia à ideia.

*Leia a matéria completa na edição 671 de CartaCapital.

sábado, 5 de novembro de 2011

Filme 'Jesus era um comunista' gera controvérsia nos EUA

O premiado ator Matthew Modine já participou de filmes de sucesso no cinema e de séries televisivas. No momento ele está envolvido nas gravações do novo filme sobre Batman. Entre uma filmagem e outra, ele produziu um curta-metragem de 15 minutos que mostra o filho de Deus como um líder socialista, oferecendo um argumento convincente em favor dos pobres.

Modine escolheu um título polêmico: “Jesus era um comunista”. Seu filme oferece uma discussão das mensagens do Novo Testamento no contexto da pobreza, da poluição e da agitação política.

Selecionado para participar de vários festivais de cinema em todo o mundo, a discussão que o veterano ator propõe já está chamando atenção. O movimento político direitista Tea Party tem usado a Bíblia como seu “cabo eleitoral e justificativa para mudanças na política”. Sites cristãos como o Truth Vanguard já fizeram pesadas críticas ao curta metragem.

O filme de Modine parece ter um endereço certo. Algumas semanas atrás, o movimento “Ocupar Wall Street” iniciou um debate sobre a relação entre os mais ricos e os mais pobres da sociedade. Rapidamente iniciativas similares se espalharam por vários lugares do mundo.

Vários meios de comunicação compraram a iniciativa com o início do Cristianismo, quando a igualdade entre todos os homens ajudou a desfazer a estrutura social do antigo Império Romano. Imediatamente líderes religiosos e teólogos começaram a debater o tema. Enquanto alguns apoiaram a ideia dizendo que Jesus estaria ao lado dos que ocuparam Wall Street, outros criticaram veementemente, afirmando que a revolução que Jesus queria nada tinha a ver com distribuição de renda.

Embora o filme não tenha sido exibido comercialmente, o site do filme traz a seguinte mensagem: “Sua revolução implicava em uma mudança dramática na forma como as pessoas pensavam. O pensamento progressista e liberal de Jesus se espalhou por todo o Império dominante. Sem exército e sem armas, Ele levou as pessoas a uma nova direção e uma forma mais humana de pensar, com sua filosofia de amor e perdão. Estas são as ideias defendidas neste exato momento pelos protestos em Nova York e por milhares de norte-americano através dos Estados Unidos”.

Falando sobre o curta, Modine explica: “Embora o título seja propositadamente provocativo, é importante às pessoas entenderem que o filme não é um ataque a Jesus ou à fé cristã e nem mesmo uma apologia ao comunismo. Trata-se de um filme com uma mensagem muito positiva, de responsabilidade e de esperança”.

Durante uma entrevista, no lançamento do filme semana passada, Modine foi mais longe: “O movimento Ocupar Wall Street não tem uma só voz, um líder. Essa é uma extraordinária demonstração de liberdade civil e de democracia. Mas acho que se houvesse um homem barbudo, de pés descalços falando sobre paz, liberdade, amor e virasse a mesa dos especuladores de Wall Street acabou ele seria crucificado pela mídia. O prefeito exigiria sua prisão. [Alguns meios de comunicação] iria incitar o ódio contra ele e declará-lo uma ameaça para o capitalismo”.

Vindo de uma família muito religiosa, o diretor explica porque os ensinamentos de Jesus o motivaram: “Estou preocupado com os eventos que ocorrem em todo o mundo. A população chegou aos 7 bilhões. Existe muita fome no mundo. Há escassez de água potável. A poluição ameaça o meio-ambiente. Vemos os dos resíduos nucleares. Mudanças climáticas em todo o mundo… Há tanta confusão, culpa e falta de responsabilidade no mundo de hoje. Muitas guerras e assassinatos usam como justificativa o nome de Deus. Não foi isso o que Jesus ensinou”

Confira um trailer do filme que curiosamente inicia com a declaração do teólogo brasileiro Dom Elder Câmara “Se eu dou comida aos pobres, eles me chamam de santo. Se eu pergunto por que os pobres não têm comida, eles me chamam de comunista”.

Mais informações sobre o filme no site www.jesuswasacommiefilm.com

Fonte: Notícias Gospel

A diferença entre o que ensina o PiG e a vida real

- por Saul Leblon, na Carta Maior

A Venezuela de Chávez, como sabemos, pela leitura diária dos jornais e o martelar inclemente das tevês, é um dos piores lugares do mundo para se viver. Só pode ter sido um erro, assim, atribuir aos venezuelanos um nível de satisfação com a vida tão elevado, como o que consta no Relatório de 2011 do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU. Numa escala de 1 a zero, os mais felizes com a vida no planeta são os noruegueses: 7,6 ;o Brasil registra um grau de felicidade de 6,8. O dos venezuelanos é de 7,5.

No mesmo relatório, a Argentina, que a narrativa dominante retrata como uma sociedade que cavou a própria sepultura após oito anos de populismo kirchnerista, emerge em 45º país em desenvolvimento humano. Isso numa lista de 187 nações avaliadas e comparadas com base em indicadores de expectativa de vida, escolaridade e renda per capita.

Outra discrepância notável é o caso de Cuba. Literalmente despencando, desprovida de qualquer mérito e legitimidade, a julgar pelos relatos jornalísticos, a ilha que há 50 anos vive sob o cerco do embargo comercial norte-americano resiste em 51º lugar, logo abaixo, quatro degraus, do grupo que inclui as nações com os melhores IDHs da terra. Deve haver algum equívoco.

Assim também como parece um total despropósito que o Iraque amargue ainda a 132ª posição, depois de oito anos de ocupação norte-americana, enquanto a Líbia, depois de 40 anos sob o inominável regime de Kadaffi, ostente o 64º melhor desenvolvimento humano - 23 degraus à frente da bem comportada e moderna Colômbia, por exemplo, até há pouco dirigida pelo sempre agraciado com elogios midiáticos, o operoso e respeitado democrata, Álvaro Uribe.

Franklin Martins: “Blogosfera é o grilo falante da imprensa”

Cumprir uma série de aspectos previstos pela Constituição de 1988, até hoje negligenciados, seria um enorme passo rumo à democratização dos meios de comunicação. Este foi o entendimento unânime entre os seis palestrantes do painel “Regulação e Liberdade de Expressão”, realizado na tarde desta quinta-feira (3), na Escola Superior da Magistratura (ESM), parte da programação do seminário Democratização da Mídia. Entendimento resumido no gesto do ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins, que brandiu a Constituição ao final de sua fala, ressaltando que para democratizar a comunicação não é preciso defender nada que não esteja previsto pela Carta Magna.

O ex-ministro contou que o jurista Fabio Konder Comparato tem uma ação no STF contra o Congresso, pela omissão dos parlamentares que até hoje não regulamentaram a maior parte dos trechos da Constituição que dizem respeito à comunicação. Já se vão mais de 20 anos. Franklin Martins também jogou duro com os grandes veículos que tentam “interditar o debate” sobre a regulação da mídia.

“Como as leis não são cumpridas, existe um ambiente de vale-tudo. Não querem que haja um debate aberto, público, transparente sobre comunicação”, disse. Esta interdição do debate, feita geralmente com a imprensa acusando quem luta pela regulação de tentativa de censura, também foi fortemente criticada por ele. “Dizer que regulação é censura é conversa mole, para boi dormir. Sou visceralmente contra a censura, lutei contra a ditadura do início ao fim e me orgulho muito disto. Enquanto alguns aceitaram a ditadura, aceitaram até mesmo a autocensura. E quando o povo pediu democracia, se insurgiram contra o povo”.

Interdição do debate
Franklin Martins ilustrou dois momentos em que seu trabalho como ministro foi descontextualizado por meios de comunicação, para que não houvesse um debate claro sobre a regulação da mídia. Um deles foi durante a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Naquela ocasião, o ministro deixou muito claro que o governo não adotaria medidas que usassem a expressão “controle social” por considerá-la ambígua. Ao final dos trabalhos, apenas uma das mais de 600 resoluções da conferência tinha esta expressão. “A cobertura acabou sendo toda em cima desta expressão”, contou.

Outro episódio ocorreu quando um seminário trouxe integrantes de órgãos reguladores de mídia de várias partes do mundo para explicar como funciona a regulação em seus países. Segundo Franklin, normas de conteúdo em países como Inglaterra e França tratam apenas de assuntos “extremamente óbvios”, como o respeito à criança e ao adolescente. Ainda assim, novamente grandes veículos da imprensa brasileira falaram em tentativa de cercear sua liberdade.

O ex-ministro ressaltou que grandes empresas de comunicação erram ao não querer debater o tema – algo que fizeram, por exemplo, quando se recusaram a participar da Confecom. Franklin Martins alertou que, com a convergência de mídias, as teles irão engolir as empresas de comunicação caso não haja uma regulação sobre sua atuação.

“Blogosfera é o grilo falante da imprensa”
Martins ressaltou ainda que já vê em curso uma democratização dos meios de comunicação, graças às tecnologias digitais e em especial à internet. Nos últimos anos, os custos de produção baratearam para qualquer mídia, desde a gravação de discos até a produção de filmes. Eliminando barreiras inerentes à mídia impressa, como as de distribuição e impressão, a internet barateou e facilitou muito a disseminação do conteúdo.

Além disto, Martins defendeu que há uma revolução promovida pela blogosfera, que está em comentar e até desmentir rapidamente um conteúdo veiculado pela imprensa. Ele exemplificou isto com dois casos recentes: uma coluna de Roberto Jeferson para a Folha de São Paulo que foi detectada como plágio, e o caso célebre da bolinha de papel durante as eleições presidenciais no ano passado. “Costumo dizer que a blogosfera é o grilo falante da imprensa. Pinóquio pode mentir muito, mas tem o grilo falante lhe dizendo que errou”, disse.

“Se consolidam grupos proibidos pela Constituição”, diz pesquisador
Como Franklin Martins, os demais painelistas ressaltaram que uma série de leis, ou de trechos da Constituição não regulamentados, se cumpridos, já contribuiriam muito para a democratização dos meios de comunicação. O jornalista e sociólogo Venício Lima ressaltou que é preciso regulamentar vários pontos que estão previstos pela Constituição, como a criação de conselhos estaduais de comunicação. De 1988 para cá, apenas a Bahia já criou seu conselho. Mesmo assim, o fez apenas em abril de 2011, e ainda nem conseguiu instaurá-lo de fato. Agora, o Rio Grande do Sul pode ser o segundo estado a cumprir o que determina a Constituição.

Venício lembrou que a Carta Magna também impede a criação de oligopólios de comunicação. Mas para que isto se dê na prática é preciso regulamentar, por exemplo, a propriedade cruzada. “Se consolidam grupos proibidos pela Constituição e que contrariam uma norma fundamental para a democracia”, afirmou.

A jornalista Bia Barbosa, integrante do Conselho Diretor do coletivo Intervozes, que luta pela democratização da comunicação, saudou o fato de o debate ser promovido pela magistratura gaúcha, tendo em vista que o STF tem sido um ator da desregulamentação da mídia. Em decisões recentes, o Supremo determinou o fim da Lei de Imprensa, que definia o direito de resposta, entre outras questões, e a desregulamentação da profissão de jornalista. “Estou contente porque o debate está chegando a um ambiente em que antes não chegava”, também ressaltou a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP).

Ambas também ressaltaram que o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), está barrando a atuação do Conselho de Comunicação Social do Senado. Órgão previsto em lei regulamentada em 1991, só teve sua criação efetiva em 2004. O conselho é formado por treze integrantes da sociedade civil, com dois anos de mandato cada. Após o final do segundo mandato do Conselho, em 2007, o Senado não nomeou mais ninguém e o órgão está parado desde então. Erundina revelou que já acionou o Ministério Público para que o Senado cumpra a lei.

Bia Barbosa, por sua vez, também ressaltou outros descumprimentos flagrantes da legislação do país. Um deles é o das emissoras que apresentam venda de produtos 24 horas por dia – só é permitida a publicidade em 25% da programação de um canal. O Intervozes tem uma ação na Justiça contra estas emissoras que tramita há quatro anos, sem previsão de final. Além disto, falou sobre as concessões irregulares. Segundo ela, 36 das 39 FMs da Grande São Paulo operam com concessões irregulares. “Algumas operam em uma cidade, mas têm concessão para atuar em outra. Muitas têm concessões vencidas há anos”. Venício Lima também citou uma pesquisa em que 50% de uma amostra de emissoras estavam em nome de laranjas.

O próprio Congresso desrespeita a lei
Vários dos painelistas também citaram uma das maiores afrontas à legislação: o descumprimento dos próprios congressistas da lei que veda a eles serem concessionários de serviços públicos. Não à toa, a deputada Luiza Erundina disse que se sente isolada no Congresso na luta pela democratização da comunicação. Ela revelou que nem seu próprio partido, o PSB, nem seus aliados de primeira hora como o PT e o PC do B apoiaram uma Ação de Inconstitucionalidade contra as concessões de radiodifusão de deputados e senadores – apenas o PSOL assinou a ação.

Erundina contou também que os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informação da Câmara (CCTCI) dão pareceres favoráveis a outorgas de concessão de radiodifusão sem o menor subsídio para analisá-las. Ela revelou que já tentou diversas vezes aprovar requerimento para audiência pública em que as emissoras sejam inquiridas pelos deputados antes de terem sua concessão renovada por 15 anos. “Os meus colegas não deixam nem que haja quórum para votação dos requerimentos, para que não fique sequer evidente quem é contra e quem é a favor”, disse. “Eu tenho tentado só chatear, porque sou uma voz isolada”, completou.

O desembargador do TJ-RS, Eugênio Facchini Neto, alertou que este comportamento dos congressistas pode levar o debate da comunicação a um círculo vicioso, uma vez que um marco regulatório precisaria ser aprovado pelo Congresso. “Vimos aqui neste seminário a dificuldade que há no Congresso, devido a interesses nem tão ocultos de seus membros”.

“Brasil está muito atrasado”, defende jornalista
O chefe-de-redação do jornal O Sul, Elton Primaz cobrou que o governo federal apresente um projeto de marco regulatório. Segundo o jornalista, esta seria a melhor maneira de colocar na mesa um debate claro, de mostrar para a sociedade que não há intento de impor censura aos meios de comunicação como insistem os grandes veículos de comunicação. “Sou pessimista devido à demora do governo em apresentar proposta. No momento em que tiver uma proposta, a sociedade poderá ser informada sobre o que é de fato o marco regulatório”.

“Há uma tentativa de causar confusão entre marco regulatório e censura. O que há hoje é uma censura por parte dos veículos sobre a democratização da comunicação”, completou. Primaz também traçou um breve histórico da regulação dos meios de comunicação em outros países. Os Estados Unidos, apontou, já têm regulação de mídia desde 1930. A Argentina avançou com a Ley de Medios aprovada há dois anos. “O Brasil está muito atrasado”, resumiu.

Felipe Prestes / Sul 21

O neoliberal

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Eu, o SUS, a ironia e o mau gosto

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO.

- por Por Nina Crintzs, no blog do Nassif


Há seis anos atrás eu tive uma dor no olho. Só que a dor no olho era, na verdade, no nervo ótico, que faz parte do sistema nervoso. O meu nervo ótico estava inflamado, e era uma inflamação característica de um processo desmielinizante. Mais tarde eu descobri que a mielina é uma camada de gordura que envolve as células nervosas e que é responsável por passar os estímulos elétricos de uma célula para a outra. Eu descobri também que esta inflamação era causada pelo meu próprio sistema imunológico que, inexplicavelmente, passou a identificar a mielina como um corpo estranho e começou a atacá-la. Em poucas palavras: eu descobri, em detalhes, como se dá uma doença-auto imune no sistema nervoso central. Esta, específica, chama-se Esclerose Múltipla. É o que eu tenho. Há seis anos.

Os médicos sabem tudo sobre o coração e quase nada sobre o cérebro – na minha humilde opinião. Ninguém sabe dizer porque a Esclerose Múltipla se manifesta. Não é uma doença genética. Não tem a ver com estilo de vida, hábitos, vícios. Sabe-se, por mera observação estatística, que mulheres jovens e caucasianas estão mais propensas a desenvolver a doença. Eu tinha 26 anos. Right on target.

Mil médicos diferentes passaram pela minha vida desde então. Uma via crucis de perguntas sem respostas. O plano de saúde, caro, pago religiosamente desde sempre, não cobria os especialistas mais especialistas que os outros. Fui em todos – TODOS – os neurologistas famosos – sim, porque tem disso, médico famoso – e, um por um, eles viam meus exames, confirmavam o diagnóstico, discutiam os mesmos tratamentos e confirmavam que cura, não tem. Minha mãe é uma heroína – mãos dadas comigo o tempo todo, segurando para não chorar. Ela mesma mais destruída do que eu. E os médicos famosos viam os resultados das ressonâncias magnéticas feitas com prata contra seus quadros de luz – mas não olhavam para mim. Alguns dos exames são medievais: agulhas espetadas pelo corpo, eletrodos no córtex cerebral, “estímulos” elétricos para ver se a partes do corpo respondem. Partes do corpo. Pastas e mais pastas sobre mesas com tampos de vidro. Colunas, crânio, córneas. Nos meus olhos, mesmo, ninguém olhava.

O diagnóstico de uma doença grave e incurável é um abismo no qual você é empurrado sem aviso. E sem pára-quedas. E se você ta esperando um “mas” aqui, sinto lhe informar, não tem. Não no meu caso. Não teve revelação divina. Não teve fé súbita em alguma coisa maior. Não teve uma compreensão mais apurada das dores do mundo. O que dá, assim, de cara, é raiva. Porque a vida já caminha na beirada do insuportável sem essa foice tão perto do pescoço. Porque já é suficientemente difícil estar vivo sem esta sentença se morte lenta e degradante. Dá vontade de acreditar em Deus, sim, mas só se for para encher Ele de porrada.

O problema é que uma raiva desse tamanho cansa, e o tempo passa. A minha doença não me define, porque eu não deixo. Ela gostaria muitíssimo de fazê-lo, mas eu não deixo. Fiz um combinado comigo mesma: essa merda vai ter 30% da atenção que ela demanda. Não mais do que isso. E segue o baile. Mas segue diferente, confesso. Segue com menos energia e mais remédios. Segue com dias bons e dias ruins – e inescapáveis internações hospitalares.

A neurologista que me acompanha foi escolhida a dedo: ela tem exatamente a minha idade, olha nos meus olhos durante as minhas consultas, só ri das minhas piadas boas e já me respondeu “eu não sei” mais de uma vez. Eu acho genial um médico que diz “eu não sei, vou pesquisar”. Eu não troco a minha neurologista por figurão nenhum.

O meu tratamento custaria algo em torno de R$12.000,00 por mês. Isso mesmo: 12 mil reais. “Custaria” porque eu recebo os remédios pelo SUS. Sabe o SUS?! O Sistema Único de Saúde? Aquele lugar nefasto para onde as pessoas econômica e socialmente privilegiadas estão fazendo piada e mandando o ex-presidente Lula ir se tratar do recém descoberto câncer? Pois é, o Brasil é o único país do mundo que distribui gratuitamente o tratamento que eu faço para Esclerose Múltipla. Atenção: o ÚNICO. Se isso implica em uma carga tributária pesada, eu pago o imposto. Eu e as outras 30.000 pessoas que tem o mesmo problema que eu. É pouca gente? Não vale a pena? Todos os remédios para doenças incuráveis no Brasil são distribuídos pelo SUS. E não, corrupção não é exclusividade do Brasil.

O maior especialista em Esclerose Múltipla do Brasil atende no HC, que é do SUS, num ambulatório especial para a doença. De graça, ou melhor, pago pelos impostos que a gente reclama em pagar. Uma vez a cada seis meses, eu me consulto com ele. É no HC que eu pego minhas receitas – para o tratamento propriamente dito e para os remédios que uso para lidar com os efeitos colaterais desse tratamento, que também me são entregues pelo SUS. O que me custaria fácil uns outros R$2.000,00.

Eu acredito em poucas coisas nessa vida. Tenho certeza de que o mundo não é justo, mas é irônico. E também sei que só o humor salva. Mas a única pessoa que pode fazer piada com a minha desgraça sou eu – e faço com regularidade. Afinal, uma doença auto-imune é o cúmulo da auto-sabotagem.

Mas attention shoppers: fazer piada com a tragédia alheia não é humor, é mau gosto. É, talvez, falha de caráter. E falar do que não se conhece é coisa de gente burra. Se você nunca pisou no SUS – se a TV Globo é a referência mais próxima que você tem da saúde pública nacional, talvez esse não seja exatamente o melhor assunto para o seu, digamos, “humor”.

Quem me conhece sabe que eu não voto – não voto nem justifico. Pago lá minha multa de três reais e tals depois de cada eleição porque me nego a ser obrigada a votar. O sistema público de saúde está longe de ser o ideal. E eu adoraria não saber tanto dele quanto sei. O mundo, meus amigos, é mesmo uma merda. Mas nós estamos todos juntos nele, não tem jeito. E é bom lembrar: a ironia é uma certeza. Não comemora a desgraça do amiguinho, não.

Guia de boas maneiras na política. E no jornalismo

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso.

- por Maria Inês Nassif*, na Agência Carta Maior

"O Lula tá com câncer, bem feito, vô fazê
campanha pra ele se tratá no SUS! Hahaha!"
A cultura de tentar ganhar no grito tem prevalecido sobre a boa educação e o senso de humanidade na política brasileira. E o alvo preferencial do “vale-tudo” é, em disparada, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por algo mais do que uma mera coincidência, nunca antes na história desse país um senador havia ameaçado bater no presidente da República, na tribuna do Legislativo. Nunca se tratou tão desrespeitosamente um chefe de governo. Nunca questionou-se tanto o merecimento de um presidente – e Lula, além de eleito duas vezes pelo voto direto e secreto, foi o único a terminar o mandato com popularidade maior do que quando o iniciou.

A obsessão da elite brasileira em tentar desqualificar Lula é quase patológica. E a compulsão por tentar aproveitar todos os momentos, inclusive dos mais dramáticos do ponto de vista pessoal, para fragilizá-lo, constrange quem tem um mínimo de bom senso. A campanha que se espalhou nas redes sociais pelos adversários políticos de Lula, para que ele se trate no Sistema Único de Saúde (SUS), é de um mau gosto atroz. A jornalista que o culpou, no ar, pelo câncer que o vitimou, atribuindo a doença a uma “vida desregrada”, perdeu uma grande chance de ficar calada.

Até na política as regras de boas maneiras devem prevalecer. Numa democracia, o opositor é chamado de adversário, não de inimigo (para quem não tem idade para se lembrar, na nossa ditadura militar os opositores eram “inimigos da pátria”). Essa forma de qualificar quem não pensa como você traz, implicitamente, a ideia de que a divergência e o embate político devem se limitar ao campo das ideias. Esta é a regra número um de etiqueta na política.

A segunda regra é o respeito. Uma autoridade, principalmente se se tornou autoridade pelo voto, não é simplesmente uma pessoa física. Ela é representante da maioria dos eleitores de um país, e se deve respeito à maioria. Simples assim. Lula, mesmo sem mandato, também o merece. Desrespeitar um líder tão popular é zombar do discernimento dos cidadãos que o apoiam e o seguem. Discordar pode, sempre.

A terceira regra de boas maneiras é tratar um homem público como homem público. Ele não é seu amigo nem o cara com quem se bate boca na mesa de um bar. Essa regra vale em dobro para os jornalistas: as fontes não são amigas, nem inimigas. São pessoas que estão cumprindo a sua parte num processo histórico e devem ser julgadas como tal. Não se pode fazer a cobertura política, ou uma análise política, como se fosse por uma questão pessoal. Jornalismo não deve ser uma questão pessoal. Jornalistas têm inclusive o compromisso com o relato da história para as gerações futuras. Quando se faz jornalismo com o fígado, o relato da história fica prejudicado.

A quarta regra é a civilidade. As pessoas educadas não costumam atacar sequer um inimigo numa situação tão delicada de saúde. Isso depõe contra quem ataca. E é uma péssima lição para a sociedade. Sentimentos de humanidade e solidariedade devem ser a argamassa da construção de uma sólida democracia. Os formadores de opinião tem a obrigação de disseminar esses valores.

A quinta regra é não se deixar contaminar por sentimentos menores que estão entranhados na sociedade, como o preconceito. O julgamento sobre Lula, tanto de seus opositores políticos como da imprensa tradicional, sempre foi eivado de preconceito. É inconcebível para esses setores que um operário, sem curso universitário e criado na miséria, tenha ascendido a uma posição até então apenas ocupada pelas elites. A reação de alguns jornalistas brasileiros que cobriram, no dia 27 de setembro, a solenidade em que Lula recebeu o título “honoris causa” pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris, é uma prova tão evidente disso que se torna desnecessário outro exemplo.

No caso do jornalismo, existe uma sexta regra, que é a elegância. Faltou elegância para alguns dos meus colegas.

(*) Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.
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