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sábado, 17 de dezembro de 2005

CAROS AMIGOS: UMA EDIÇÃO PRA LÁ DE ESPECIAL

Texto abaixo retirado do site Fazendo Media:

CAROS AMIGOS: UMA EDIÇÃO PRA LÁ DE ESPECIAL

Por Marcelo Salles, 14.12.2005

Num momento em que a direita tupiniquim se alvoroça no Congresso Nacional, a revista Caros Amigos novamente leva às bancas uma edição memorável. Dessa vez, sua edição especial (número 26, dezembro de 2005) traz como tema único a direita brasileira e oferece ao leitor amplo panorama sobre a atuação das forças conservadoras no país.

A edição é dividida em sete seções: política, economia, educação, mídia, judiciário, forças armadas e religião, além de trazer artigos com os temas "extremistas", "nacionalismo" e "mentalidade". A direita brasileira é destrinchada em textos de José Arbex Jr., Luiz Gonzaga Belluzo, Natalia Viana, Gilberto Felisberto Vasconcellos, Thiago Domenici e Marina Amaral, entre outros.

Mesmo com todas as dificuldades para a realização de um trabalho como esse, pois, como lembra o editorial, "o direitista não se reconhece como tal" e, portanto, raramente aceita falar sob tal designação, a revista resgata a história dos conceitos de direita e esquerda para depois contextualizá-los no exercício do poder hoje em dia.

Ainda no editorial, Sérgio de Souza escreve: "Ele [o direitista] tem certeza de que jamais existirá - nem ele aceitaria - a distribuição da riqueza entre os homens, por mais que ela tenha resultado do trabalho de todos. Se tiver de optar entre a construção de um presídio e de uma escola, ele escolherá a primeira proposta, porque acredita piamente que os desvios de conduta são originários do DNA da pessoa e não do meio em que foi obrigada a viver". E continua: "Ele acha que o povo é burro, que a maioria é incompetente e por isso não 'subiu' na vida".

No espaço destinado à política, que abre a revista, Marina Amaral apresenta os partidos de direita e suas alianças para se manterem no poder. Na seção sobre economia, além da reportagem de João de Barros e do artigo de Gonzaga Belluzo, há uma entrevista com João Pedro Stedile, que contextualiza a questão agrária brasileira numa espécie de premonição do que aconteceria na CPMI da Terra. Com relação à mídia, em artigo intitulado "O grande partido do país", José Arbex Jr. lembra de saída que no Brasil não há limites para a ação dos donos das empresas de comunicação, como a propriedade cruzada dos veículos.

A leitura desta edição especial, ao lado do acompanhamento dos fatos políticos no dia-a-dia, é fundamental para compreender a disputa política brasileira sem deixar que a manipulação da mídia corporativa direcione nossa percepção.



Mais informações no site da Caros Amigos!

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Desabafo: ESTAMOS DE LUTO!

... pelo companheiro José Dirceu, que sacrificou sua vida em favor das causas democráticas e populares, e por isso foi preso, torturado e exilado, mas, mesmo correndo risco de ser morto pela Ditadura Militar, voltou ao Brasil para continuar sua luta;

... pela direita brasileira, representada hoje pela aliança entre os neoliberais do PSDB e os conservadores/racistas do PFL, que não medem esforços para retomar o poder (que perderam por pura incompetência) e voltar a pilhar o patrimônio público da nação;

... pelas hienas amestradas e papagaios de pirata que riem da desgraça alheia e repetem sem pensar aquilo que lhes enfiam goela abaixo todos os dias, sem perceber que estão apenas ajudando a deixar nosso futuro e o das futuras gerações cada dia mais negro;

... por setores da dita "esquerda" brasileira (especialmente os canalhas do P-SOL), que, incapazes de enxergar um palmo à frente do nariz, se uniram ao que há de mais repulsivo no congresso nacional para, num roupante de obsessão vingativa, detonar um partido do qual faziam parte até alguns meses atrás;

... pelo jornalismo brasileiro, refém de uma meia dúzia de barões da mídia e seus lacaios sorridentes que manipulam a opinião pública e a amedrontam a classe média covarde para que tudo continue como sempre foi, a fim de manter seus privilégios;

... por todos aqueles que, como nós, não se deixaram enganar pela imprensa neoliberal/conservadora e defenderam o Estado de Direito contra a campanha de linchamento a que foi e está sendo submetido o Partido dos Trabalhadores e um de seus principais mentores, José Dirceu, eleito com mais de 500 mil votos;

... pela "democracia" brasileira, que foi substituída (se é que um dia existiu) por uma "ditadura do capital", onde quem tem pode, quem não tem que se dane.

MAS A LUTA CONTINUA.

Eles venceram uma batalha, mas jamais vão vencer a guerra!

PT Saudações!

segunda-feira, 21 de novembro de 2005

Política: Mais de 600 pessoas presentes no ato em defesa de José Dirceu!

Eu e minha esposa estivemos lá também!! Foi muito emocionante.
Zé Dirceu merece o nosso respeito e o nosso apoio, mesmo tendo errado, pois suas intenções sempre foram boas. Ao invés de deixá-lo ser jogado às feras sozinho, devemos resgatá-lo, sem deixar de aprender com seus erros e com seus acertos.
O PT deve muito a ele e outros companheiros que agora estão sendo perseguidos pela direita golpista. Afinal, como bem disse um famoso “esquerdista”, atire a primeira pedra aquele que nunca errou...


Sem medo do combate
Cerca de 600 pessoas participaram de um ato em defesa do mandato do deputado federal José Dirceu (PT-SP) no plenário da Câmara dos Vereadores de SP (foto). Manifestos de movimentos populares e cartas de apoio de ministros serão usados como estratégia para tentar sensibilizar o Congresso.

Bia Barbosa - Carta Maior 19/11/2005

São Paulo – Nas próximas semanas, o Congresso Nacional decide se cassa ou não o mandato do deputado federal José Dirceu (PT-SP), envolvido nas denúncias do mensalão. Na reta final antes de seu julgamento, Dirceu tem usado de diversas estratégias na tentativa de manter seu cargo político. Além dos recursos jurídicos, o deputado tem operado muito nos bastidores para conseguir o apoio de políticos, de vereadores e prefeitos a deputados estaduais e federais. Outra estratégia é percorrer o país em atos em defesa do seu mandato que vêm sendo organizados nas grandes cidades. Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília estão na lista. Na noite desta sexta-feira (18), foi a vez de São Paulo. O plenário 1o de Maio, da Câmara dos Vereadores, ficou pequeno para as 600 pessoas que se apertaram para ouvir o discurso de José Dirceu - ele foi o último a falar.

Na platéia, e na mesa da cerimônia, a cúpula petista paulista, incluindo Marta e Eduardo Suplicy. De Brasília, vieram os deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh, Professor Luizinho, Devanir Ribeiro e Ângela Guadagnin, o assessor da Presidência da República, Marco Aurélio Garcia, e o ministro do Trabalho, Luiz Marinho. Os ministros Antonio Palocci, da Fazenda, Dilma Rousseff, da Casa Civil, e Márcio Thomaz Bastos, da Justiça, enviaram mensagens de apoio. Assim como o senador Aloísio Mercadante, o ex-presidente do Partido dos Trabalhadores, Tarso Genro, e o líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, João Pedro Stédile.

A tônica de todas as mensagens era a mesma. Para os petistas, a tentativa de cassação do mandato de José Dirceu é um ato de arbítrio e de revanche política, de busca pela desestabilização do governo Lula e da conseqüente destruição de um projeto de desenvolvimento popular democrático para o Brasil. A Central Única dos Trabalhadores e a União dos Movimentos de Moradia afirmaram que não hesitarão em colocar suas bases nas ruas para defender o mandato de Dirceu.

“O olhar lúcido e independente sobre o processo de cassação do mandato parlamentar de José Dirceu, com suas injustificáveis ilações, faz-nos mergulhar na fragilidade dos mecanismos de contenção dos já conhecidos interesses de determinados grupos sociais na ordem constitucional vigente. O desrespeito ao devido processo legal o alça a mera formalidade, dando contornos ainda mais graves ao que ora se denuncia”, diz o texto do manifesto “Em defesa do mandato de José Dirceu e da Constituição”, lido no plenário pelo jurista Aldo Lins e Silva, que foi advogado de Dirceu em sua juventude.

“Acreditar na democracia é acreditar na complexidade de seus instrumentos de controle, respeitando os caminhos legítimos e recusando soluções que agridam o Estado de Direito. A clara tentativa de controle político da opinião pública acoberta o flagrante desrespeito aos princípios da presunção de inocência e da separação de poderes. (...) E contra isso gritamos. Falaremos sempre, mesmo quando o falar representar um crime. Conclamamos, pois, a Câmara dos Deputados, seus órgãos e os demais Poderes, a defender o mandato do deputado José Dirceu, a reafirmar a crença na manutenção de nosso Estado Social e Democrático de Direito, observando suas regras e respeitando seus limites”, conclui o documento.

O escritor Fernando Morais, que lembrou dos tempos em que sofria a oposição de José Dirceu, fez o discurso mais vibrante. Desde as denúncias do caso Waldomiro, Morais tem trabalhado para que a grande mídia e a opinião pública não façam um julgamento sumário e “sem provas”, segundo ele, do deputado petista. Outro manifesto de apoio, encabeçado por ele e pela escritora Consuelo de Castro – que também participou da cerimônia – e assinado por 107 artistas e intelectuais de diferentes áreas, será enviado esta semana ao Congresso.

“Meu esforço é para impedir que se consuma essa brutalidade contra ele e contra meio milhão de pessoas que votaram nele, entre as quais eu me incluo”, disse o escritor. “Estão tentando derrubar o que ele representa. E quem faz isso são as pessoas condenadas a perder privilégios neste país. Pinçaram o Zé Dirceu porque, na hora em que cortarem a cabeça dele, acaba a crise”, acredita.

“Cassar Zé Dirceu é cassar um pedaço do PT e um pedaço importantíssimo do governo Lula. Não tenhamos ilusões. O ataque não é só a ele, mas é ao projeto que o PT representa”, disse o presidente do partido Ricardo Berzoini. “Essa mobilização é para defender a democracia neste país. E tem gente que se diz de esquerda, mas não é. Orlando Fantazzini e Chico Alencar votaram num relatório pífio e mentiroso do deputado Júlio Delgado. Não são pessoas de esquerda. Fazem isso porque querem os holofotes momentâneos, mas depois vão voltar para o obscurantismo sem sequer ter a tranqüilidade da coerência que nós temos”, atacou Berzoini.

A hora de Dirceu
Aplaudido de pé, o petista foi recebido com o coro: “Dirceu, guerreiro do povo brasileiro”. Falou emocionado, olhando para a mulher e as filhas; defendeu o filho, também envolvido em denúncias de corrupção; lembrou das lutas que travou com alguns presentes. E partiu para o ataque:

“Não é preciso tanques, golpes e ilegalidade; estamos vivendo uma nova tentativa de se evitar que se construa no país um projeto de desenvolvimento nacional, popular e democrático. Agora esta luta está mais sofisticada. Erramos e subestimamos o poder e o efeito gerados quando a mídia joga um papel na luta partidária. O que assistimos não foi a denúncia e a apuração de erros que o PT pode ter cometido e cometeu na campanha. (...) Se trata de retomar, através de outros instrumentos, a luta das forças reacionárias. Eu sou o alvo privilegiado, mas não o único”, disse Dirceu.

Declarou que vai “lutar até o fim” pela defesa de seu mandato, do governo Lula e da militância do PT, para que ela possa “andar de cabeça erguida e colocar a estrela no peito”. Admitiu que é hora de se pensar a médio prazo sem se esquecer da reeleição do presidente Lula.

“Fernando Henrique diz que não temos o que apresentar ao povo brasileiro porque prometemos e não cumprimos. Agora ele quer que esqueçamos o que foi o governo dele... Vamos comparar os governos e, tenho certeza, vamos reeleger o presidente Lula”, disse, apostando numa aliança sólida com o PSB e o PCdoB.

“Estou preparado para o que der e vier. Seja o que for, vou continuar meu trabalho político, com ou sem mandato. E se não for inocentado, podem ter certeza de que, no dia seguinte, serei um de vocês, da militância petista, como sempre fui”, anunciou.

sexta-feira, 18 de novembro de 2005

Carta Capital: Jornalismo, nada mais, nada menos

A Carta Capital é a única revista semanal atualmente em circulação no Brasil que pratica JORNALISMO, isto é: cumpre seu papel de denunciar seja quem for, sempre com fatos e documentos comprovados e dando espaço para a defesa dos acusados, ao mesmo tempo que não se furta de defender com clareza as suas posições em editoriais assinados.

Ou seja, faz o que todos deveriam fazer. Nada mais, nada menos.

Isso só soa com algo estranho porque temos uma imprensa corporativa canalha e porca no Brasil, a qual presta serviços à direita há décadas (antes representada pela UDN, agora é pela aliança neoliberal PSDB/PFL).

Carta Capital apenas faz seu trabalho bem feito e, acima de tudo, respeita seus leitores, enquanto o resto nem tenta esconder sua panfletagem a favor da direita e das elites econômicas, muito menos o desprezo que sente em relação aos seus leitores.

Reparem que as capas e as matérias publicadas em Carta Capital nunca induzem o leitor a tirar conclusões, pelo contrário, sempre exigem uma reflexão sobre o assunto. Agora, comparem com Vejas e afins, que sempre trazem explicações didáticas e manipulativas sobre o que o leitor deve ou não pensar sobre a "notícia" que estão publicando.

Não é a toa que sempre que algum alienado tenta passar por "culto" e "politizado" começa sua frase com: "Ah, mas eu li na Veja que..."

Por que será que o governo FHC não deu qualquer publicidade para a Carta Capital durante seus 8 anos de governo? A quem interessa leitores doutrinados por um pensamento único, repetindo como papagaios o que "formadores de opinião" lhes enfiaram goela abaixo?

A resposta é tão óbvia que chega a doer...

Assine Carta Capital, eu recomendo!

terça-feira, 8 de novembro de 2005

Política: Lula dá banho de democracia e humildade no Roda Viva!

Você viram o Roda Vida de ontem? Caramba, o Lula arrasou!! Deu um banho de democracia, de coerência, de humildade e respeito pelas instituições públicas e até mesmo pela mídia calhorda...

Mas, ao mesmo tempo, deixou claro o que pensa da imprensa marrom, que vive atualmente de ‘denuncismo’ barato. A gargalhada que Lula soltou quando perguntado sobre a verossimilhança da história dos dólares cubanos foi de lavar a alma, foi não?? A revista Veja devia mudar de nome para revista Mico!

Lula precisa dar mais entrevistas. Quando ele fala, todos aqueles jornalistas metidos a valentões (quando protegidos pela distância), são obrigados a engolir sua empáfia e seus preconceitos e respeitam a figura do Presidente...

A luta continua!

sexta-feira, 28 de outubro de 2005

Filmes: "Diários de Motocicleta"



HUMANIZANDO O MITO

Filme sobre a viagem de "Che" pela América latina prioriza
a transformação psicológica causada pelo contato com o outro

- Por André Lux

Para aqueles que, como eu, foram criados sob a ditadura militar que encobriu o Brasil de trevas por 21 anos, a figura de Ernesto "Che" Guevara sempre foi associada à alcunhas como "baderneiro", "vagabundo" e "comunista". Só na maturidade, quando rompemos essa bolha de ilusão criada para nos cegar, é que passamos a ter contato com o mundo real e conhecer melhor a história na qual estamos inseridos.

É normal, particularmente para jovens estudantes, passar a associar, a partir daí, Guevara a um ícone de luta política por igualdade e justiça. É para esse tipo de pessoa que o último filme de Walter Salles (de Central do Brasil e Abril Despedaçado) está endereçado. Afinal, Diários de Motocicleta conta justamente a história do jovem Ernesto Guevara de la Serna (na época com 23 anos) e sua viagem de oito meses pela América latina, inciada na Argentina (seu país de origem) até a Venezuela. Foi justamente durante essa jornada que o futuro revolucionário, na companhia do amigo Alberto Granado, começou a travar contato com a realidade dos povos da região e das injustiças e misérias que os afligiam, a ponto de terminar a viagem transformado numa nova pessoa.

O grande mérito do diretor Salles e do roteirista José Rivera foi conseguir encontrar o equilíbrio perfeito entre a simples narração linear dos eventos com a gradual transformação psicológica dos protagonistas. Não existe espaço no filme para discursos ou pregação política, muito menos para panfletagem didática de "esquerda". Mas a boa notícia é que o diretor deixa aos dois excelentes atores centrais, Gael Garcia Bernal (como Guevara) e Rodrigo de la Serna (como Alberto), dar cabo de todas as nuances sugeridas pelo o roteiro, que é baseado nos livros de memórias que ambos escreveram após a viagem. A honestidade e a ternura de Guevara encontraram a representação perfeita na interpretação discreta e muito humana de Bernal, ao mesmo tempo que De la Serna dá o contra-ponto cômico na pele do debochado e mulherengo Granado.

O filme, que de início parece ser a narração de uma mera diversão engendrada por dois jovens imaturos e aventureiros (portanto, absolutamente normais), aos poucos vai se transformando numa emocionante análise do poder que o simples contato com outro ser humano pode ter na formação da personalidade. E Salles consegue transmitir toda esse crescimento do caráter dos protagonistas sem nunca ser piegas ou manipulativo. Sua câmera, pelo contrário, apenas acompanha os dois quase como num documentário e deixa-os livre para explorar os ambientes e interagir com seus companheiros de cena (muitos deles pessoas reais que garantem ao filme um necessário toque de realismo e verdade). Essa áurea de realidade é elevada pela fotografia inspirada de Eric Gautier e pela trilha musical intimista e discreta, porém muito tocante, de Gustavo Santaolalla (de Amores Brutos e 21 Gramas).

O ponto alto de Diários de Motocicleta é a tentativa de Guevara em atravessar o rio Amazônas a nado, quando estavam na colônia de leprosos de San Pablo, no Peru. A cena marca a transformação definitiva da visão de mundo dele e serve também para mostrar ao espectador, como argumentou o diretor Salles, que existem sempre duas margens em qualquer rio, cabendo a cada um de nós escolher em qual delas prefere estar. “Che” fez a escolha dele e pagou caro por isso. Saber o destino triste que os EUA reservaram ao revolucionário, morto covardemente com um tiro na nuca depois de ser preso na Colômbia, torna ainda mais amarga a experiência de ver esse belíssimo filme, certamente um dos mais relevantes já feitos sobre a América latina.

Cotação: * * * * *

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

Reflexão: "Por que ficar no PT"

- por Leonardo Boff

Tudo que é sadio pode ficar doente. A parte sadia pode curar a parte doente. Saúde, sabem-no seus operadores, não é a ausência de danos, inerentes à condição humana. É a força de viver com esses danos e ainda crescer humanamente com eles. Esta perspectiva vale para a crise que atingiu o PT e toda a classe política. A doença da corrupção é ocasião de melhorar a democracia e a política em todos os partidos.

Esta leitura não desculpa dos erros cometidos mas denuncia o moralismo que faz desses erros doença terminal. Por protesto que mascara o moralismo muitos tendem a abandonar o partido. Com isso agravam a disperssão das forças de esquerda que ficam enfraquecidas como alternativa às forças conservadoras que construíram o país desigual e injusto que herdamos. Estas aproveitam a atual crise que tem origem no PT para poderem voltar e continuar a fazer o que sempre fizeram. Quero apresentar alguns argumentos em favor da permanência no PT.

É aconselhável ficar no PT porque através dele um filho do caos social e representante dos movimentos sociais populares chegou à Presidência depois de séculos de exclusão e marginalização das classes populares. Lula tem a cara do povo e se fez depositário de suas esperanças.

É aconselhável ficar no PT porque ele representa a ruptura do poder político que sempre dominou na história brasielira, organizando o Estado e gerenciando o Governo em benefício das elites econômicas, sociais e intelectuais.

É aconselhável ficar no PT porque ele fez avançar a democracia com qualidade social e emancipatória. A Bolsa Família, o microcrédito, o crédito consignado, o apoio à agricultura familiar e outras iniciativas sociais beneficiam milhões de pessoas. Isso vai além das políticas meramente compensatórias, o que faz a diferença da macroeconomia do governo anterior. Com o PT no governo serão mais ampliadas.

É aconselhável ficar no PT porque ele representa o espaço no qual os ausentes da história se fazem presentes e os injustamente emudecidos aprendem a discutir os problemas do Brasil e do mundo. Sob o Governo Lula há diálogo com os movimentos sociais e não são criminalizadas.

É aconselhável ficar no PT porque o partido é mais que instrumento de um projeto alternativo de Brasil pois encarna uma história de resistência e de luta construida durante 25 anos, gerando sentimento de pertença coletivo e verdadeira comunidade de destino, com valores políticos novos e ampla participação de extratos antes excluídos.

É aconselhável ficar no PT em fidelidade e lealdade aos milhões de simpatizantes e milhares de militantes que apesar dos erros cometidos pelo grupo dirigente, continuam acreditando nos ideais generosos do PT e alimentando a esperança de que tudo é resgatável e ocasião de aprendizado. O PT é uma construção do povo conscientizado.

É aconselhável ficar no PT para ajudá-lo a sanar suas feridas, refundá-lo se for preciso, para que realize a segunda abolição, da pobreza e da miséria, com políticas mais inclusivas e conferir um caráter mais social e ético à democracia.

É aconselhável ficar no PT para reforçar as esquerdas mundiais, dispersas e confusas face às artimanhas sempre flexíveis dos donos do poder mundial, para que possam resistir e manter a esperança de que outro mundo é possível.

Leonardo Boff é teólogo.

terça-feira, 20 de setembro de 2005

Protesto: Antes tarde do que nunca!


Finalmente a cúpula do PT acordou e resolveu começar a repudiar os ataques covardes que a nossa imprensa neoliberal e/ou conservadora está imputando injustamente ao partido há meses.... Antes tarde do que nunca!

Executiva repudia criminalização covarde do PT

A Comissão Executiva Nacional do PT aprovou nesta segunda-feira (19), por unanimidade, uma resolução que critica duramente o "festival denuncista" que expoentes de vários partidos políticos - principalmente do PSDB e do PFL - têm liderado, inclusive orientando os trabalhos das CPI num sentido eleitoreiro, "em que o objetivo de efetivamente investigar e punir é desviado para mero aproveitamento político midiático".

Segundo o documento, esses mesmos líderes - "que comandaram a eleição de Severino Cavalcanti à presidência para derrotar o govrno e hoje sequer pedem desculpas à nação pela sua postura irresponsável" - combinam informações corretas de erros já reconhecidos pelo PT e pelo governo com inverdades, meias-verdades, ilações caluniosas, ao mesmo tempo em que congelam as investigações das CPIs justamente quando elas deveriam buscar as origens da corrupção, desde quando ela ocorre, a quem ela sempre beneficiou e de onde vêm os recursos que a alimenta.

Este processo, classificado de covarde porque usa a mídia para massificar os meios de ataque, pretende, de acordo com o documento, criminalizar o PT como organização partidária.

Confira a íntegra do documento:

Resolução da Executiva Nacional do PT
19 de setembro de 2005

-- Aprovada por unanimidade --

Combinar a correção dos erros com a defesa do PT e do Governo Lula

1 – Ao longo dos últimos meses, um conjunto de denúncias contra o PT e o governo Lula foram divulgadas, todos os dias, pelos meios de comunicação do país, investigadas por três CPIs no Congresso, pela Polícia Federal, Ministério Público, e por outros organismos em diversos estados e municípios. Nunca na história do regime democrático brasileiro um partido sofreu tamanha inquirição, duros e sitemáticos ataques de partidos oposicionistas, divulgados com a ajuda irrestrita da ampla maioria da mídia.

2 – A partir disso começamos a enfrentar nossos erros, buscar a punição dos culpados e a debater as correções políticas necessárias à superação da crise, tanto no governo como no PT. No curso deste processo, dirigentes e representantes dos partidos oposicionistas, os novos vestais da moralidade, continuaram articulando duros ataques contra nós.

3 – Vários líderes políticos nacionais e regionais, vinculados à era Collor e à era FHC, principalmente do PSDB e do PFL, que se tornaram conhecidos nos momentos mais fortes de dilapidação do Estado brasileiro, privatizações selvagens, desorganização econômica do país e gravíssimos casos de corrupção, apresentaram-se como os novos salvadores da nação. E o fizeram como se a nação não conhecesse os seus métodos de governar e os seus vínculos com os reiterados ataques ao patrimônio público do país, motivo pelo qual impediram, a sua época, diversas CPIs sobre ações de seus governos.

4 – Agora, orientam os trabalhos das CPIs num sentido eleitoreiro, no qual o objetivo de efetivamente investigar e punir é desviado para mero aproveitamento político midiático, através do qual se apresentam como sacerdotes da moralidade, pouco se importando com o foco das investigações, os procedimentos legais que dão eficácia aos resultados e com a produção de provas para sustentar as punições. Estão transformando as CPIs em palcos de promoção pessoal sem a mínima preocupação com a busca da verdade.

5 – Comandantes da eleição de Severino Cavalcanti à presidência da Câmara, em quem votaram para derrotar o governo, mesmo que isso custasse o aprofundamento da crise de credibilidade das instituições democráticas, hoje sequer pedem desculpas à nação pela sua postura irresponsável. Mesmo assim, continuam alimentando o denuncismo generalizado, sem qualquer respeito à verdade: combinam informações corretas – de erros já reconhecidos pelo PT e pelo governo – com inverdades, meias-verdades, ilações caluniosas, ao mesmo tempo em que congelam as investigações das CPIs. Isso ocorre, precisamente, quando elas deveriam buscar as origens da corrupção, desde quando ela ocorre, a quem ela sempre beneficiou e de onde vêm os recursos que a alimenta. Chegaram a “separar” dos denunciados, correligionários cuja investigação abriria as portas para passar a limpo os seus governos e as suas campanhas eleitorais.

6 – Suas denúncias, porém, ordinariamente são apresentadas como irrefutáveis pelos mesmos setores da mídia que massivamente diziam, até há pouco, que a presença do PT no governo era incapaz de promover o crescimento econômico, a paz social sem violência contra os pobres e excluídos, a estabilidade da economia e o emprego. Este processo covarde pela massificação dos meios de ataque pretende, na verdade, criminalizar o PT como organização partidária e apresentá-lo como uma fraude ética e política.
Chegam ao cúmulo de tentar imputar ao presidente do Supremo Tribunal Federal a condição de empecilho para “punições sumárias” simplesmente porque ele acolhe o direito universal da ampla defesa. Trata-se de uma postura fascista, que agride o Estado de Direito e aqueles direitos mais elementares da cidadania.

7 – O festival denuncista tem finalidades claras: excluir o PT do cenário político nacional (livrar-se desta raça por 30 anos, diz o incorruptível Bornhausen); esmagar as esperanças de que os partidos políticos de esquerda podem governar com sucesso o país, fazer o povo esquecer a corrupção sistêmica que eles, como elite, implantaram historicamente no país; tornarem-se “inimputáveis” como elite dirigente, como se nunca tivessem governado e como se nunca tivessem usado de métodos ilegais de financiamento de campanha ou mesmo tivessem responsabilidades em graves casos de corrupção.

8 – É verdade que o PT não adotou mecanismos de controle para combater estes desvios que estavam em nosso meio. Nem por isso é aceitável que os representantes da elite tentem consagrar-se como inocentes perpétuos, para voltar a instrumentalizar o Estado para os seus interesses de partido e de seus grupos econômicos como sempre fizeram. Queremos a punição irrestrita de todos os que cometeram ilegalidades, cumpridos todos os ritos formais determinados pela lei e pela Constituição. A pressa em punir pode gerar penas anuláveis com aproveitamento político imediato, mas sem qualquer eficácia num futuro próximo. A resposta apressada ao denuncismo histórico que se instalou é, na verdade, uma “pizza” de médio prazo.

9 – O PT deve e pode reagir, sem deixar de corrigir-se, de admitir responsabilidades, de renovar seus métodos de governo e os seus métodos e políticas de direção, que permitiram a configuração dos seus erros. Mas o PT não pode assistir a esta formidável chantagem pública contra a sua própria existência, que hoje já alcança uma dimensão manipulatória só semelhante àquela que elegeu Collor em 89, legítimo representante das teses econômicas, morais e políticas do PFL e do PSDB, os quais, durante a gestão FHC, levaram o país ao desastre, configurado plenamente em 2001. O governo FHC, aliás, conseguiu combinar crescimento nulo, juros altos, inflação alta, aumento da dívida pública, aumento do desemprego e reeleição comprada. Quando Lula chegou ao governo, o país estava quebrado e a expectativa da direita neoliberal era que Lula, no governo, levasse o país ao desastre, o que geraria o isolamento interno e externo do país. Esse foi o primeiro desafio que o governo Lula enfrentou.

10 – O PT e todos os que defendem a democracia devem reagir ao golpismo midiático que pretende inviabilizar o mandato legítimo do Presidente Lula, um presidente que continua contando com a confiança dos brasileiros e brasileiras que querem o crescimento econômico, fortes políticas sociais, ampliação da democracia política, soberania política no cenário global e a construção de um novo modelo de desenvolvimento e de gestão do Estado, com base numa nova política de alianças que permita reconstruir o caráter reformador e radicalmente democrático do nosso Partido.

11 – A renovação das direções do PT deve gerar uma nova coesão interna, legitimada pelo atual processo eleitoral. Ela deverá permitir uma retomada da nossa iniciativa política, juntamente com um novo padrão de atuação das nossas bancadas na Câmara e no Senado. O governo, por seu turno, na opinião do Partido, deve acelerar a redução das taxas de juros, promover uma ação rápida para acelerar a execução orçamentária e abrir um debate efetivo com os nossos aliados do campo democrático popular sobre o orçamento do próximo ano, para, a partir daí, ampliar a discussão com todos os partidos representados no Congresso.

12 – Seu sentido é viabilizar uma lei orçamentária que impulsione ainda mais o crescimento, passe a promover de forma acelerada a distribuição de renda, amplie a criação de empregos formais e promova fortes investimentos públicos na infra-estrutura do país em políticas sociais estruturantes.

13 – O Partido deve iniciar mobilizações regionais articuladas com o DN, visando esclarecer a opinião pública sobre os objetivos do denuncismos em curso, inclusive estabelecendo diálogo com aqueles órgãos de comunicação regionais e nacionais, que não estejam inseridos voluntariamente nesta campanha de massificação totalitária da opinião contra o governo Lula e o Partido dos Trabalhadores.

São Paulo, 19 de setembro de 2005.
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Confira mais exemplos de manipulação grotesca, desta vez na "Folha de São Paulo", neste link.

segunda-feira, 12 de setembro de 2005

Artigo: "Peralá, pois agora eu vou falar"

Amigos e amigas: vocês precisam ler o texto abaixo, publicado no site da NovaE! Na minha opinião é o melhor que já foi escrito desde que essa “crise” toda começou!
Repassem também para o maior número de pessoas que puderem.

Ele é um pouco longo, mas tenho certeza que vai ajudar a abrir os olhos de muita gente sobre o que está ocorrendo no Brasil atualmente.

Peralá, pois agora eu vou falar

Alguém neste país precisa dizer umas coisas ao torto e à esquerda.

Por Miguel do Rosário

Recentemente, a mídia caiu de pau em cima do Lula, entrevistando historiadores de baixo calibre, pelo fato dele ter se comparado a Vargas, a Jango, e a JK; políticos que viveram crises políticas terríveis em seus respectivos mandatos. Repetiu-se, à larga, que era um absurdo Lula comparar-se a esses "grandes". Peralá. Ninguém nega a importância desses três para a história nacional, mas Vargas foi um ditador que por pouco não se aliou à Alemanha nazista e prendeu, torturou e matou milhares de militantes políticos, inclusive o doce e sereno Graciliano Ramos.

Peralá. JK vendeu o país às petrolíferas estadunidenses, ao desmantelar todo o sistema ferroviário nacional, fator até hoje considerados um dos maiores desastres históricos do país: nos amarrou a um modelo absurdo de infra-estrutura para um país continental como o Brasil. Lula, quando assumiu, prometeu construir ferrovias, mas percebeu que fazer trem e linhas férreas, começando quase do zero, requeria investimentos enormes inalcançáveis no momento ao Brasil. Eu também sempre achei que construir trem era relativamente barato e fácil, mas fiz umas pesquisas e constatei que, de fato, cada metro de linha férrea custa milhares de dólares. Por isso, será a China quem vai bancar o nosso trem, a partir de 2006 ou 2007, através das PPPs.

Outra do JK: foi ele que deu início à nova fase de endividamento externo do país. Brasília foi uma beleza, disso ninguém duvida. Mas na época ele era amaldiçoado pelas esquerdas por torrar todo o Tesouro Nacional ali, e ainda pedir emprestado lá fora, deixando o resto do país à míngua.

Peralá. Jango também foi importante, quis fazer as reformas e tal, mas todo mundo sabe que ele era muito mais de falar do que fazer. Mesmo o Darcy Ribeiro e Paulo Freire ficaram amarrados, sem conseguir deslanchar seus projetos. Além disso, foi bobo, irresponsável, não soube enxergar o golpe que se tramava debaixo de seu nariz, e que iria lançar o país nas trevas por 20 anos. A única coisa que Jango fez de "grandioso" foi casar com a filha de um latifundiário.

Outra coisa, nunca votei no PT por causa de ética que o partido propalava. Votei porque sabia que o Serra ia implantar a Alca, privatizar a Petrobrás a preço de banana (assim como fizeram com nossa saudosa Vale do Rio Doce); o mesmo Serra que hoje privatiza o uniforme escolar das crianças paulistanas. Sempre soube que o PT não era partido de santo; não existem santos em partidos; e já alertava para o fato de que, subindo ao poder, o deslumbre era inevitável.

Reuniãozinhas e panfletinhos

Com o PSDB no poder, nunca teríamos a oportunidade de vivenciarmos essa crise de agora, nunca teríamos acesso aos bastidores sombrios do poder, nunca o processo eleitoral seria questionado. Essa crise é importante, porque toca no nervo principal da democracia: a eleição. Sim, porque é preciso ganhar a eleição, porra! Agora, que apareceu esse lado podre da eleição, tem gente achando que o PT se vendeu por um "projeto de poder". Ora, se não é para atingir o poder, para que serve a merda de um partido? Para fazer reuniãozinha na sexta-feira no Buraco do Lume, ouvindo o Chico Alencar protestar contra as privatizações? Para distribuir panfletinhos na Estação da Luz com barriga vazia e sovaco fedorento? Critica-se a estratégica "eleitoreira" do PT, e cai-se no mesmo erro: qual o sentido de um partido senão o de ganhar eleições para representar o povo que o elegeu?

Parte da esquerda mostra uma grande nostalgia do tempo em que era apenas festiva, e ser do PT significava dançar e fumar um baseado em festinhas do Jardim Botânico, ou Vila Madalena, ou seja lá onde for. Agora, que ser do PT é assumir responsabilidades, sofrer ataques diários da imprensa, tomar decisões graves e, naturalmente, também errar, agora que chegou o tempo "dos fortes", como bem disse Tarso Genro, eles não querem mais ser do PT, e saem correndo com o rabo entre as pernas; tornam-se "petistas arrependidos"; e praguejam contra o PT por todos os brochinhos que comprou. Vão até para o PDT, como recentemente o professor Buarque. Sim, é o momento dos fortes.

É risível a comparação da Veja e do Globo de Lula com Collor, esquecendo que foram eles os maiores apoiadores da quadrilha de PC Farias. O Marcos Valério fez escola dentro do PSDB, arrecadando dinheiro para o Eduardo Azeredo na campanha de Minas Gerais, está provado e assumido pelo próprio Azeredo, em uma cena patética na TV. Valério era sócio dum figurão do PFL, também está provado, documentado e assumido. Os contratos de Valério com o governo federal têm quase 20 anos, tendo se ampliado muito no governo FHC. Continuou crescendo com Lula, até que estourou a crise. Ou seja, essa mamata de 20 anos vai finalmente terminar. Quando? No governo Lula, cujos órgãos de investigação vinham farejando os rastros de Jefferson até que, este, percebendo o fim próximo e aproveitando-se da grande mancada de Lula (falar que dava um cheque em branco pra ele), resolveu partir pro ataque. Jefferson está desmoralizado. Descobriram que a corrupção que havia nos Correios era mesmo para o PTB. O erro principal de Lula e do PT foi achar que ainda corria um pouco de sangue político no PTB, e não apenas sangue verde de cobra viciada em dinheiro.

Sobre os críticos da esquerda que atacam Lula agora são os mesmos que sempre o atacaram. Só deixaram de atacá-lo na época de eleição, em que havia um irresistível clamor popular pela eleição de Lula, e depois em 2004 e início de 2005, quando o crescimento econômico e a geração de emprego foi um tremendo cala-boca.

Bornhausen e PSTU

Merval Pereira, o sofista-mor de O Globo, só fala em impeachment. Agora, encontrou uma tal de professora norte-americana que fala de impeachment na América Latina, e fica transcrevendo trechos do livro dela. A tentativa de produzir manifestação popular contra Lula é patética. No jogo do Brasil, havia lá uma família, com três ou quatro crianças segurando as letras "Fora Lula" e foi capa de todos os jornais; caricatural. No 7 de setembro, falou-se Lula foi vaiado: e mostra a cena na qual, curiosamente, não se escuta vaia nenhuma. Apurei o ouvido e nada: talvez um uuuuh baixinho lá no fundo, provavelmente de algum furioso do PSTU; militantes que não sabem fazer outra coisa a não ser ficarem furiosos, cuspindo quando debatem, cada vez mais parecidos com o Jorge Bornhausen. Ora, tenham dó, o "fora todos" dessa turma é de um primitivismo político digno de comédia de Miguel Falabella.

Não é só no Rio, o UOL, da elite paulistana, mantém em seus quadros uma "cientista" chamada Lucia Hipollito, primor de manipulação e desrespeito ao pensamento esclarecido. Está presa a uma casa mental em que cisma que o Lula é o "pior dos mundos" e o "mercado" é tudo de bom. Para quem não sabe, "casa mental" é um estado psíquico, onde o paciente nega-se a enxergar fora de determinada realidade, que só ele cria. No caso de dona Lúcia, ela enxerga coisas tão absurdas que não é necessário, para o leitor da Novae, nem comentários. A casa mental da dona Lúcia está ajoelhada nos interesses sórdidos do UOL, e sua família, que não se conformam com a vitória de um operário do ABC, contra a "intelligentia" do jardim Europa. Uma das mais recentes da Dona Lúcia: "Acho que o presidente Lula encontrou em Severino quase uma alma gêmea. Lula está muito isolado, afastado... Severino e ele têm a mesma origem, são pessoas simples, que se entendem." (sic). Faça-me o favor, Dona Lúcia. Comparar Lula e sua história com Severino "mensalinho", cria do PSDB, é caso de processo. É chamar a todos nós de idiotas.

Falam que o governo Lula não tem projeto: ora, não tem porque eles não querem, porque não querem ver nada. Queriam Lula no alto de um palanque praguejando contra os Estados Unidos, como Chávez? Isso seria projeto? Ora, a Venezuela só tem petróleo e o Tio Sam é obrigado a engolir o Chávez porque precisa do petróleo deles, ainda mais nesse momento, em que brinca de guerra no Oriente Médio. O Brasil vende os mais diversos produtos para mais de cem países, o que o obriga a seguir um certo padrão internacional, em termos macro-econômicos(leia-se política fiscal austera), ou melhor, faz com que seja mais interessante para nós agirmos assim do que não. Ah, sim, se Lula decidisse prosseguir o desmonte do Estado iniciado por FHC, isso seria "projeto de governo'.

E o software livre, não é projeto? Aliás, sobre isso, com alívio leio notícia na Agência Brasil que a Ministra Dilma Roussef enquadrou o Hélio Costa, que andou fazendo algumas declarações que causaram temor na comunidade do software livre. Os funcionários responsáveis já declararam que o software livre continua sendo uma prioridade do governo. Oxalá continue assim. Pressionemos. Vigiemos.

A campanha pelo desarmamento, tão criticada pela direita, não é projeto? O Estatuto do Idoso, não é projeto? O aumento real do salário mínimo, não é projeto? A parceria com a China, Ìndia e países da África e oriente médio, não é projeto? A integração latino-americana, não é projeto?

E o apoio à agricultura familiar, não é projeto? Isso sim é reforma agrária: dar financiamento aos pequenos produtores, comprar a produção deles, garantir o preço mínimo, coisa que os grandes sempre tiveram, e que somente agora, depois de 500 anos, está chegando aos pequenos agricultores, os quais respondem por 70% da produção de alimentos no país. Só isso, se o governo Lula não tivesse feito mais nada, já valia o seu governo.

Se é bom, não é Lula

Afinal, que porra de PROJETO de governo que tanto cobram? Ah, já sei, queriam que o Lula lançasse um decreto assim: "a partir de hoje todos os brasileiros terão direito a um salário três vezes superior ao que ganham hoje; ninguém mais ficará doente ou deprimido; os bares serão desapropriados pelo governo e a cerveja será gratuita; os hospitais públicos serão reformados em 48 horas. Prefeituras e estados não precisam mais fazer nada, podem roubar à vontade, o governo federal se encarregará de tudo. Os impostos para classe média e empresários serão zerados. Os bancos serão atacados pelo governo, quebrarão, afinal ninguém suporta mais saber que os bancos têm lucros recordes. Então, falência neles! O governo, através do Tesouro Nacional, restituirá cada centavo depositado a cada cidadão, mais mil reais de brinde". Todo mundo ia ficar feliz, ainda mais depois que for aprovada a legalização e distribuição gratuita de maconha. Todos em casa, sem trabalhar, fumando um e vendo o William Bonner anunciar essas notícias maravilhosas.

Chega o Jô Soares e suas peruas da quarta-feira e elogiam o trabalho do Ministro da Justiça e do Pallocci, como se eles não fizessem parte do governo Lula. É assim: tudo que é bom, para eles, não faz parte do governo Lula.

O triste é que, desde 2003, após a posse de Lula, colocaram a pecha de neo-liberal no Pallocci e na política econômica, como forma de desconstruir Lula junto à esquerda. Quase conseguiram. E agora, com a crise, colhem os louros da estratégia. Os mesmos que criticaram a política econômica em 2003 mas calaram a boca em 2004 e início de 2005, com a retomada vigorosa do crescimento e do emprego, voltam agora a atacar a política econômica.

O PSTU chega ao cúmulo de continuar gritando "Fora FMI", mais de um ano depois que o governo Lula RASGAR (com toda elegância) o contrato com o FMI. Continua o superávit primário e os juros altos, tudo bem, também sou contra. Todo mundo é contra juro alto: até o Lula e o José de Alencar são contra. Mais dia menos dia, aqueles "retardadados" do Banco Central (conforme expressão de Maria da Conceiçao Tavares) vão tomar vergonha na cara e baixar os juros. Sobre o superávit, o culpado não é o Lula, o culpado é o FHC, que decuplicou a dívida interna, entregando pro Lula um abacaxi que está chegando a 1 trilhão de reais. C'est la vie, mon amie. Os caras tão fazendo o possível: reduziram a dívida externa a um mínimo; voltaram a captar emitir títulos públicos no exterior, a juros menores e prazos longos, de forma que o governo está conseguindo, pela primeira vez, financiamentos não-extorsivos lá fora. A tendência é aumentar, essa seria uma das lógicas para manter o superávit: ter credibilidade para pegar dinheiro lá fora.

O que é isso, companheiro?

Falta falar do Gabeira, que virou papagaio de madame, xodó do Jô e da Hebe Camargo, ídolo das lourinhas turbinadas da Mackenzie de São Paulo. Aqui no Rio, apoiou o César Maia, da ala mais reacionária do PFL, que só pensa em espancar camelô, escrever em seu blog contra o governo federal e sonhar com a presidência e o momento glorioso de transformar o Brasil num bordel luxuoso de um Estados Unidos decadente. Se pelo menos tivesse uma política voltada para o turismo, mas o pior é que nem isso... Bornhausen fala que o Lula não gosta de trabalhar, mas quem não gosta é o César Maia.

Tem outras coisas ainda que não entendo: por que a missão brasileira no Haiti é tão criticada? Trata-se de uma missão da ONU, votada por toda a comunidade internacional, com o objetivo de evitar uma guerra civil no país. Quem viu o filme Hotel Ruanda ou acompanhou as guerras civis na África sabe como é terrível uma guerra civil. Foi muito importante o Brasil chefiar a missão, quebrando a tradição de ser sempre os Estados Unidos a liderarem intervenção militar na América Central. O exército brasileiro sabe respeitar o povo haitiano e foi crucial durante as inundações que o país sofreu, ajudando a manter a ordem e a distribuir os alimentos. Não importa que o presidente tenha sido deposto por segmentos aliados ou não aos EUA, o que interessa é que o país precisava de apoio internacional para manter a ordem social, evitando o risco de genocídios. Sem contar que o Brasil é o maior defensor de que a comunidade internacional ponha dinheiro no Haiti para fomentar o desenvolvimento econômico do país. Lula em pessoa, em conferência internacional, pediu dinheiro para o Haiti.

Voltam até a falar no gasto com o Aerolula. Aí é demais. A própria Força Aérea já divulgou que a compra do Aerolula representou na verdade uma economia, pois aquela lata velha de antes gastava tanta gasolina que, em alguns anos, consumiria o equivalente ao preço de um avião novo. Além do mais, era uma lata velha perigosa: queriam ver uma comitiva de presidente, parlamentares, jornalistas, diplomatas, caindo no Atlântico? Seria uma ótima notícia para a imagem internacional do Brasil, sobretudo se considerarmos que somos um dos maiores exportadores mundiais de aviões... É muita mesquinhez.

A hora é de apoiar Lula e colaborar com a reconstrução do PT, único partido com força política suficiente para fazer frente ao PSDB e PFL. Depois que o PSTU conseguir eleger pelo menos um vereador em algum lugar do país, obtendo assim um mínimo de reconhecimento político e respaldo popular, pode querer apitar em alguma coisa. Sobre revolução, acho que, diante da atual conjuntura brasileira, a única revolução que presta é ler um bom livro, apoiar o software livre e agricultura familiar, produzir (e anunciar em) sites como a www.Novae.inf.br e ter dez reais no bolso para tomar uma cerveja e comer um PF.

O Brasil precisa de boas escolas públicas e melhores hospitais, isso sim, coisa que o PSDB de São Paulo, Geraldo Alckmin, está longe de fazer. O resto é totalitarismo já tentado e fracassado. Votarei em Lula novamente em 2006 e espero que os projetos importantes de educação e saúde sejam finalmente implantados em seu segundo governo; se não forem, ai sim ingressarei na oposição e vamos procurar um cara melhor para 2010. Agora, não sou eu que vou entregar o ouro para ACM Neto ser o novo ministro do Planejamento e o Bornhausen, ministro da Saúde, coisa que, pelo jeito, a extrema-esquerda quer com todas as suas forças, visando produzir uma saudável (a seu ver) turbulência social, que é o mais próximo de um ambiente revolucionário que a extrema esquerda tem condições de provocar. Turbulência essa que, naturalmente, seria feita às custas da fome do povo, que não é funcionário público e não pode filar uma bóia na casa da mãe (até porque é ele quem sustenta a mãe).

Do outro lado do espelho, os espectros direitistas dessa extrema-esquerda são o movimento "Basta" entre outros, liderados pelas distintas madames dos bairros nobres. São os sucedâneos da obsoleta TFP, que já estão botando suas asinhas de fora... como fizeram tão bem naquele fatídico abril de 64, quando as boas famílias do Rio e São Paulo fizeram passeatas contra Jango e a favor do golpe militar. Não se esqueçam que um dos lemas do golpe era "acabar com a corrupção".

Miguel do Rosário é escritor, colunista da Novae, editor de Arte & Política. Escreve para o blog: hellbar.blogspot.com. Miguel do Rosário lançou em março de 2005 o livro Contos para ler no Botequim, disponível no site do escritor.

terça-feira, 30 de agosto de 2005

Protesto À "revista" VEJA: Chega de Manipulação!

HOJE É O DIA NACIONAL DE PROTESTO CONTRA A REVISTA “VEJA”. COLABOREM E AJUDEM O BRASIL A CRESCER, POIS SEM LIBERDADE DE INFORMAÇÃO E SEM UM JORNALISMO ISENTO, OU QUE AO MENOS TEM CORAGEM DE ASSUMIR SUAS POSIÇÕES PUBLICAMENTE, NÃO EXISTE DEMOCRACIA DE FATO.

MANDEM SUAS MENSAGENS DE REPÚDIO PARA: veja@abril.com.br


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À REVISTA VEJA:

Venho por meio dessa expressar meu total repúdio à linha editorial dessa revista semanal, que traveste panfletagem pura e simples de “jornalismo factual”.

Vocês têm total direito de não gostarem do PT, do governo Lula, das esquerdas mundiais, dos movimentos sociais legítimos, de negros ou outras minorias, de “gente feia” e das organizações não-governamentais – apenas sejam honestos e assumam isso publicamente como fazem, alias, todas as publicações de países do primeiro mundo.

Enquanto vocês insistirem em propagar esse pensamento único reacionário, elitista, racista e infeliz em suas páginas (que agora estão mais do que evidentes) travestido de “verdade factual”, certamente vão continuar perdendo seus leitores e assinantes a cada dia. O brasileiro não é mais bobo. Já percebeu que VEJA não tem compromisso nenhum com a informação ou com o Brasil, tanto é que distorce, mente e nunca ouve o outro lado - sendo os casos mais notórios o do protesto dos estudantes “Com Lula e Contra a Corrupção” que virou “Contra Lula” nas suas páginas e a grotesca tentativa de envolver o ministro Palocci em mais uma de suas denúncias sórdidas.

Acreditem: o tempo da truculência e da manipulação que vocês se acostumaram a pregar durante a ditadura militar que os patrocinava já acabou. As pessoas, mesmo vários membros das elites (pasmem!), já estão literalmente de “saco cheio” de tanta mentira e panfletagem nessa “revista”. O país não precisa mais disso! Só vocês ainda não perceberam isso...

Tomem vergonha na cara e honrem o diploma que conquistaram.

Chega de manipulação.
Chega de panfletagem.
Chega de pseudo-jornalismo.
Chega de pensamento único.


Abram as páginas de sua revista para pensadores, filósofos, estudiosos e jornalistas que possuem opiniões e seguem tendências diferentes das que o dono da revista reza. Isso é saudável e todos só temos a ganhar.

Enfim, amadureçam... porque o Brasil não agüenta mais tanto lixo sendo despejado todos os sábados nas bancas!

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Utilidade Pública: Manual do Petista para aguentar a crise

Nós, petistas, estamos vivendo um momento ímpar. O partido no qual optamos por votar está sendo atacado brutalmente pela mídia corporativa, a qual usa deslizes e atos supostamente ilícitos cometidos por alguns membros dele para difundir a tese de que “político é tudo igual”, argumento que se torna muito mais desmoralizante quando usado contra o PT, já que é o único que sempre lutou contra a corrupção e os desmandos.

Não vou discutir aqui se as denúncias são todas verdadeiras ou o que deve ser feito com os acusados. Gostaria apenas de repartir com vocês uma estratégia que estou usando para manter a sanidade e também a convicção intactas (dentro do possível) enquanto continua o ataque.

1) Fuja da mídia corporativa. Já sabemos que Veja, Rede Globo, Estadão, Folha, etc têm e sempre tiveram ódio do PT. Por isso, buscar informações nestes veículos e seus adjacentes (como o portal UOL) vai servir apenas para nos deixar revoltados, deprimidos e em muitos casos achando que tudo que está publicado ali é verdade. Isso não quer dizer que devemos nos alienar, pelo contrário. Devemos é procurar as notícias em veículos com maior grau de isenção e responsabilidade, como CartaCapital, Agência Carta Maior, CBN, entre outros (poucos).

2) Quando alguém nos atacar ou ridicularizar pessoalmente, ao invés de abaixar a cabeça e amaldiçoar o Zé Dirceu ou o Delúbio, lembremos que o PT está no governo e muitas coisas boas estão sim sendo feitas para melhorar o país. Estamos longe do ideal, mas não é preciso muito esforço para perceber que algumas mudanças foram feitas ou estão em curso. E o que não mudou ao menos não piorou. Ou seja, agora é a hora de defendermos nosso partido com atitudes positivas e com fatos. Contra boatos e manipulações grosseiras, nada melhor que fatos!

3) Quando jogarem a lama em nossa cara vamos admitir que existem erros, mas que estamos aprendendo com eles e exigindo que os dirigentes do PT façam o mesmo, diferente do que fazem os outros partidos. É só perguntar: quantas vezes você viu algum dirigente do PSDB ou do PFL realmente preocupado quando uma denúncia contra eles aparecia no passado? Quantas vezes esses partidos trocaram de presidente ou enviaram alguém a uma CPI para admitir que havia cometido algum ato ilícito? Zero!

4) Quando usarem o argumento que o PT não realizou mudanças na área econômica e que o país só está assim porque seguem o modelo econômico anterior, digamos que isso pode até ser verdade, mas então lembremos da situação que o país se encontrava nos últimos anos do governo FHC e comparemos com a atual. “Já que é pra seguir esse modelo, melhor então votar no PT, pois ao menos eles o administram com maior competência, não?” Contra esse argumento nenhum baba ovo da direita tem resposta, acreditem...

5) Nada, mas nada, vai irritar mais um direitista babaca do que ver um petista orgulhoso de seu partido, mesmo com as atuais denúncias. Isso não apenas vai demonstrar que o circo atual armado por eles para destruir o partido para sempre não está funcionando, como vai servir de exemplo para quem já está querendo fugir do barco ou então começa a acreditar que tudo está perdido e que o PT é realmente igual aos outros. Nessa hora, ao invés de nos juntarmos às hienas, que riem da própria desgraça, ou aos chacais, que adoram devorar a carniça alheia, devemos continuar defendendo o que existe de bom no partido, sempre deixando claro que exigimos apuração séria das denúncias e punição aos culpados.

6) Evite, a todo custo, radicalizar os discursos, proferindo palavras como “ditadura do proletariado” ou “agora é a hora do PT voltar ao socialismo”, pois 80% da população não têm idéia do que isso quer dizer e, por isso, tais discursos vão ser usados pela mídia para amedrontar a sociedade alienada e demonstrar que o PT é inviável, pois “os centristas são ladrões, enquanto os mais à esquerda são loucos varridos que vão invadir sua casa e dividi-la ao meio!”. Lembrem-se que pessoas como Heloísa Helena (ex-PT e atual PSOL) estão tão à esquerda, mas tão à esquerda, que já chegaram à direita. Ou alguém acredita que seus arroubos histéricos contra o PT estão fazendo algum bem para as causas da esquerda? ACM Neto e afins já já mandam fazer uma estátua para a pobre moça.

Bem, essa é apenas a minha modesta opinião e, acreditem, ao menos para mim está funcionando. A partir do momento que passei a aplicar isso em meu dia-a-dia, deixei de andar de cabeça baixa, com medo de ser ridicularizado ou atacado por pseudo-amigos que usam a atual crise para tripudiar. Deixo os rumos que o PT deverá tomar e as críticas reservadas para debater em casa ou com pessoas que sei ser sensatas e bem informadas.

Espero ter ajudado!

quinta-feira, 21 de julho de 2005

Luto: Morre James Doohan, o Scotty de "Star Trek"

Faleceu hoje James Doohan, o engenheiro-chefe Scotty da série clássica de Jornada nas Estrelas.

O ator canadense de 85 anos era portador do Mal de Alzheimer, tinha diabetes e Mal de Parkinson e no ano passado despediu-se da vida pública na convenção Beam me up, Scotty...One Last Time.

Na ocasião, o ator, ex-combatente na Segunda Guerra Mundial e padrinho de inúmeras turmas de engenharia, recebeu sua merecida estrela na Calçada da Fama, em frente ao Hollywood Entertainment Museum.

Doohan deixa sua esposa, Wende, três filhos (Eric, Thomas e Sarah) e uma legião de fãs.

Desabafo: Constatação do óbvio...

O que está acontecendo agora já estava sendo planejado desde que deixaram o Lula ganhar a eleição. Os falcões da direita já deviam saber dessas falcatruas que Delúbio e cia. estavam fazendo, permitiram a eleição do metalúrgico e fingiram-se de mortos.

Assim consolidaram entre a massa e a comunidade internacional a ilusão de que o Brasil é um "Estado democrático e de Direito", onde até um ex-pobre pode chegar ao poder. A mídia marrom também se controlou para consolidar a outra ilusão, a de que existe liberdade de imprensa no Brasil e que é imparcial.

Mas, agora, que o governo Lula não destruiu o país como esperavam, pelo contrário, está se saindo bem e ganhando pontos na confiança popular, chegou a hora de jogar a merda no ventilador (talvez um pouco antes do que planejaram).

Vocês não viram o Star Wars 3? Dá até pra imaginar o Darth-FHC dizendo "666" para que os Jeffersons, Valérios e afins infiltrados no PT passassem a servir de cavalos de Tróia para a derrocada final do partido.

É triste. Muito triste. Pior é ver que o PT caiu como um patinho nessa armação toda (por burrice, ingenuidade, soberba ou tudo junto) e agora ficamos com cara de ostra em coma, tentando entender o que está mais do que óbvio. E diante do consenso fabricado pela nossa grotesca mídia, é praticamnte impossível reverter o quadro.

Lula vai cair amigos. É questão de dias ou semanas. E, se não cair, vai chegar à reta final se arrastando e sangrando, enquanto seus companheiros de partido se matam entre si para ver qual a facção vai tomar o controle (os centristas, que fazem acordos esquizofrênicos e metem o pé na jaca da corrupção, ou os esquerdistas cujo discurso radical-utópico serve de farta munição para a mídia assustar a massa alienada).

A única solução seria mesmo o povão ir pras ruas defender o governo. Mas, sabemos, a possibilidade disso acontecer é praticamente nula. Mais fácil as dondocas da Daslu e os playboys do McKenzie pintarem as caras e exigirem a saída de Lula em praça pública.

The End.

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Música: Jerry Goldsmith em DVD

Acabei de receber o DVD que traz um excelente documentário sobre o grande Jerry Goldsmith, compositor de centenas de trilhas musicais para filmes como "Jornada nas Estrelas - O Filme", "Alien - O Oitavo Passageiro", "A Ilha do Adeus", "Planeta dos Macacos", "Poltergeist", "Instinto Selvagem", entre tantos outros.

O documentário foi dirigido pelo maestro Fred Karlin em 1995 e traz vários depoimentos do próprio Goldsmtih e seus colegas de profissão, entre eles cineastas consagrados como Franklin J. Schaeffner e Paul Verhoeven.

Além disso, somos brindados com cenas do compositor trabalhando junto à orquestra durante a gravação da trilha musical de "O Rio Selvagem".

Vale a pena! Visite o site Music from the Movies e peça o seu - mas corra, pois restam menos de 250 unidades!

Dica: ao postarem sua ordem, enviem um email ao site pedindo que enviem o DVD marcado como "gift" no pacote, pois assim você não pagará taxas alfandegárias.

Em tempo: dia 21 de julho vai completar um ano que Jerry Goldsmith faleceu, depois de uma longa luta contra o câncer.

quarta-feira, 13 de julho de 2005

CartaCapital: Um Banho de Jornalismo

A revista CartaCapital dessa semana dá mais um banho de jornalismo sério e investigativo, que vai fundo nas notícias e não se limita a reproduzir roboticamente o que o resto da mídia corporativa fala.

Duas reportagens merecem destaque:

1) A que aborda, de maneira divertida, o protesto realizado por um ONG contra o abuso aos animais nas portas da DASLU, aquele templo ridículo do luxo e da ostentação frequentado por novos ricos e dondocas paulistanas.

2) A que analisa os depoimentos de Marcos Valério e de sua ex-secretária, a patética Fernanda Somaggio, alertando para os perigosos elos que ambos têm com o empresário Daniel Dantas. Abaixo um trecho da matéria:

DE ORELHA EM PÉ
Dantas é citado várias vezes nos depoimentos da CPI dos Correios. Surge novo empréstimo ao PT avalizado pelo publicitário

Por Luiz Alberto Weber

O espectro de Daniel Dantas paira sobre os trabalhos da CPI dos Correios. Durante os dois depoimentos mais esperados da semana, o do publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza,acusado de operar o mensalão, e de sua ex-secretária Fernanda Karina Somaggio, o nome do banqueiro foi repetido quase tantas vezes quanto o do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e do ex-ministro José Dirceu. Um recorde para quem, em tese, não tem nenhuma relação com a crise política que assola Brasília.

Na quarta-feira 6, Marcos Valério confirmou aos parlamentares ter intermediado
contatos entre Carlos Rodenburg, sócio de Dantas, e Delúbio Soares. A agenda da
secretária registra, ao menos, um encontro de Valério, Delúbio e Rodenburg no
hotel Blue Tree, em Brasília, em 2003. Na versão do publicitário, os encontros
foram solicitados pelo Opportunity, interessado em melhorar as relações com a
cúpula do PT. Ele nega qualquer lobby junto ao governo em favor do banqueiro.

Confira a íntegra dessa reportagem na edição impressa
Vale a pena ler CartaCapital, a não ser, é claro, que você se contente em receber informações mastigadas e com um resumo daquilo que você deve repetir para seus amigos como sendo a "sua opinião" sobre os fatos, a lá Veja e afins...

sexta-feira, 8 de julho de 2005

Reflexão: Sobre o depoimento da ex-secretária...

Duas declarações chamaram a atenção no depoimento da Fernanda Karina Somaggio, ex-secretária do Marcos Valério na SMPB, à CPMI do Congresso pois são por demais absurdas:

1) A moça afirmou que foi contratada para ser SECRETÁRIA PESSOAL do poderoso empresário depois de ter registrado seu curriculum em uma agência (a qual ela não lembra o nome) pela internet e de ter sido chamada e entrevistada (por alguém cujo nome ela não lembra também).

PERGUNTA: Será mesmo que um empresário do porte do Valério contrataria alguém para ser sua secretária pessoal dessa maneira? Uma pessoa que era responsável por fazer todos esses pagamentos e depósitos milionários em contas de figurões, políticos e autoridades seria escolhida assim, dessa forma, via um curriculum postado na internet e entrevistas realizadas por terceiros? Ah, tenham dó...

2) Fernanda afirma que "achou" por acaso em sua casa um fax com recibo de depósito milionário feito na conta de figurões da política e também um fichário com todos os contatos telefônicos do seu ex-chefe.

PERGUNTA: Qualquer pessoa que já tenha trabalhado no meio empresarial sabe que é praticamente impossível você sair de uma empresa da qual acabou de ser desligado levando documentos confidenciais dela e, muito menos, um fichário completo com números de telefones! Isso fica ainda mais ridículo depois de sabermos que a moça trabalhou míseros nove meses na empresa, portanto, levando-se em conta suas próprias afirmações, ela não teria como ter tomado conhecimento de tudo que diz ter visto e ouvido, a não ser que o tal de Marcos Valério seja um completo imbecil para desfilar como malas e malas de dinheiro e reunir-se com figurões da política para tratar de falcatruas bem na frente da sua nova secretária, que por sinal havia sido contratada via uma agência virtual! Chega a doer, de tão ridículo isso...

Essa história está MUITO, mas MUITO, mal contada. Que existem fatos espúrios no meio de tudo isso e que tem gente do PT envolvida, parece não haver dúvida. Agora, esse monte de absurdos que estão sendo proferidos são inacreditáveis. Pior ainda é ver a nossa mídia reproduzindo tudo isso como se fosse "verdade factual", sem nem ao menos questionar a credibilidade das fontes... É patético!

quarta-feira, 6 de julho de 2005

Denúncia: "Folha de SP Manipula Notícias"

A cada dia que passa fica mais evidente a manipulação que as empresas de comunicação fazem dos fatos políticos nacionais.Confiram abaixo um trecho de matéria publicada pela “Folha”, um dos principais defensores do modelo neoliberal imposto pelo governo FHC:

Congresso cria CPI para investigar "mensalão" e compra de votos

da Folha Online

O Congresso criou na noite desta terça-feira a CPI do "mensalão" para investigar as denúncias sobre o suposto esquema de pagamento de mesada a deputados da base aliada em troca de apoio político.

Um acordo entre as lideranças da Câmara e o Senado definiu que a comissão irá tratar também da questão da compra de votos em 1997 para aprovar a emenda da reeleição na época do governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002). A proposta constava em um requerimento de criação da CPI na Câmara.


Leiam o restante da matéria aqui.

Reparem no óbvio:

1) O Título. enquanto qualquer denúncia contra o governo Lula ou contra o PT vem com os nomes deles estampados no título, aqui não existe isso. Se essa matéria tratasse de denúncias apenas contra o PT, ele seria: “Congresso cria CPI para comprovar (e não investigar) “mensalão” do PT” ou algo do gênero. Mas aqui, nada de “CPI vai investigar denúncia de compra de votos no governo do PSDB”.

2) A abertura do texto não traz qualquer menção ao PSDB ou mesmo ao FHC, que são os alvos das denúncias de compra de votos. O nome do ex-presidente só aparece no segundo parágrafo e ainda assim apenas como referência histórica. Ao leitor desavisado, fica a certeza que existe uma denúncia de compra de votos na época que o FHC era presidente, mas não que foi ele e seu partido quem compraram os votos!

3) O texto continua e em nenhum momento se esclarece o que é, afinal, esse esquema de compra de votos. Não ficamos nem mesmo sabendo quem está sendo acusado (FHC e o PSDB). E, se não bastasse isso, no final do texto fazem questão de lembrar qual é o partido acusado de distribuir o “mensalão” (o PT, é claro) e ainda fazem um resuminho do que está sendo marretado diariamente sobre o assunto.

É realmente lamentável que isso continue acontecendo em nosso país de forma tão ostensiva e descarada. Infelizmente, enquanto não houver liberdade de imprensa verdadeira e respeito ao direito de defesa para pessoas ou instituições por parte da mídia, nunca teremos uma verdadeira democracia no Brasil.

segunda-feira, 4 de julho de 2005

Artigo: "O abraço de urso de FHC"

Como de costume, o professor Emir Sader nos brinda com uma brilhante e ácida análise da situação atual da política brasileira. Vamos torcer para que Lula e aqueles próximos a ele leiam tais textos...


Apesar do cartum acima ser de 2000, serve muito bem para ilustrar o que
pretende a coalizão da direita PSDB/PFL para a próxima eleição em 2006.

O abraço de urso de FHC

À oposição não interessa um impeachment que arrisca deslocar Lula da sua condição de acuado para a privilegiada condição de vítima, tornando-o capaz de mobilizar os setores populares. Interessa, sim, sangrar o presidente até conseguir abatê-lo nas eleições do ano que vem.

- Por Emir Sader

FHC aconselhou Lula a não se apresentar como candidato à reeleição! Poderíamos pensar que seu conselho é retirado da experiência do seu próprio – e ainda mais desastrado que o primeiro – segundo mandato; mas não. Até hoje, FHC só fez uma única autocrítica ao seu governo: a de ter dado pouca importância ao tema da segurança (seu correligionário, governador de São Paulo, parece estar dando bem mais importância ao tema: vide Febem, chacinas e a situação da (in)segurança pública no Estado).

FHC está oferecendo um drinque envenenado a Lula. Trata-se de um acordo político em que Lula renunciaria publicamente a candidatar-se a um segundo mandato, os tucanos fariam o “sacrifício” de participar de um governo de “salvação nacional”, a máquina de denúncias acalmaria e o campo ficaria livre para o retorno da coalizão PSDB-PFL ao governo.

Retorno que garantiria a manutenção da mesma política econômica que foi entregue ao governo Lula – vários nomes continuariam nos seus postos atuais –, retomando, ainda, o processo de privatização que permaneceu inacabado.

Além disso, prestariam um grande serviço aos EUA – de que FHC, Malan, Celso Lafer, entre outros, são fervorosos devotos – , o de liquidar com a política externa independente do Brasil, que tem procurado articular as mais amplas alianças de resistência à hegemonia imperial estadunidense, contando, também por isso, com a mais ampla simpatia e o apoio de Washington. Eis que FHC desempenha papel similar ao de personagens como Carlos Lacerda, na tentativa de golpe de 1954 e no próprio golpe de 1964. Verdade que, hoje, já não é mais necessário freqüentar as portas dos quartéis, mas sim os agentes da especulação financeira – os verdadeiros sujeitos dos golpes contemporâneos. Esse é o papel do corvo de hoje – FHC – vivandeira das Bolsas de Valores.

Com a saída de José Dirceu do ministério, já conseguiram lixar mais ainda as unhas de Lula. O distanciamento e a inculpação que Lula anda fazendo do PT conseguem salvar sua imagem no curto prazo – afinal, teria sido traído pela confiança depositada em companheiros – mas, a médio e a longo prazos, fica enfraquecido, ainda mais se pensa na reeleição, quando o PT será o diferencial necessário.

A direita quer Lula acuado, obrigado a compor um novo gabinete, ainda mais comprometido com a atual política econômica, como se ainda fosse necessário, já que a equipe econômica tem cumprido tão bem esse papel.

Do outro lado da mesa, nenhum personagem da política brasileira atual consegue circular com tanta facilidade e, ao mesmo tempo, tanto entre os grandes empresários, como entre os Severinos e entre os agentes do governo dos EUA, como faz FHC. Desfruta a confiança do grande empresariado e de Washington.

Conta com gente experimentada em golpes – afinal de contas Olavo Setúbal está entre os empresários que articularam o golpe militar de 1964, no famigerado Ibade, do qual participava, também, o então jovem economista Paulo Malan, mais tarde braço direito do governo de FHC, e que, naquela época, fazia análises econômicas para os golpistas, como relata René Dreyffus em seu livro “1964 – A conquista do Estado”, sobre o golpe militar.

Se Lula aceitar esse “apoio” terá decretado não somente sua morte política, como a do seu governo e a do próprio PT, como partido. Os tucanos temem o apoio popular que Lula ainda mantém, bem como sua capacidade de mobilização desses setores. Se aceitar esse presente de grego, Lula ficará refém dos tucanos, colocando-se na contagem regressiva para devolver-lhes o governo.

Terá tido uma passagem efêmera pela presidência, simplesmente para deixar consignado que as elites dominantes aceitam a alternância no governo, permitindo que até mesmo um ex-operário e ex-líder sindical possa chegar ao posto político máximo do país. Terá atestado, também, que quem quer que seja o presidente do país, nada muda, nem mudará– seja no conteúdo das políticas, seja no manejo nada ético do governo e das suas alianças.

Para essa operação retorno, FHC e os tucanos contam com membros da equipe econômica do governo Lula, que poderiam estar em qualquer um do dois governos. Têm o apoio decidido da grande mídia e, ainda, saem fortalecidos com a própria incapacidade de reação do governo frente às acusações que recebe. Aécio Neves tornou-se o mensageiro desse abraço de urso com o qual os tucanos pretendem asfixiar Lula e seu governo.

A anunciada adoção do plano de Delfim Neto de déficit zero, institucionalizando os cortes nos recursos para as políticas sociais, seria mais um aríete que a oposição quer fincar dentro do governo. Na crise ninguém deve permanecer no mesmo lugar. Se quiser romper o cerco de que está sendo vítima, o governo precisa movimentar-se, retomando a iniciativa e deslocando a atual situação. O problema é que pensa movimentar-se rodopiando no mesmo lugar, obtendo uma sobrevivência imediata aliando-se ao PMDB, mas sob o risco de não conseguir derrotar a ofensiva de denúncias.

À oposição não interessa um impeachment que arrisca deslocar Lula da sua condição de acuado para a privilegiada condição de vítima, tornando-o capaz de mobilizar os setores populares que continuam sob sua liderança. À oposição interessa, sim, sangrar Lula até conseguir abatê-lo nas eleições do ano que vem.

Lula pode deslocar-se para a direita, aceitando o drinque envenenado oferecido por FHC; seria seu suicídio. Mas, também, pode afirmar “afasta de mim esse cálice”, pode recusar o veneno e buscar inocular-se pela única via que ainda é capaz de deslocar para a esquerda o quadro político muito negativo em que seu governo está metido. Pode buscar apoio na mobilização dos movimentos sociais, da cidadania, dos que ainda acreditam que é possível mudar o Brasil dando prioridade ao social.

Mas não se faz omelete sem quebrar os ovos. Para encontrar esse apoio, Lula precisará mudar sua política econômica de modo a garantir o desenvolvimento apoiado no mercado interno de consumo popular e na redistribuição de renda, ou seja, uma política econômica na direção do documento que os movimentos sociais entregaram a Lula.

Um grande dirigente afirma-se nos momentos de crise e na sua capacidade de diferenciar seus adversários dos seus aliados. Se não quiser afundar-se cada vez mais nesse terreno movediço que só prepara e faz avançar sua própria derrota em 2006, Lula precisa decidir-se a assumir o comando, seja pela direita ou pela esquerda.

Emir Sader, professor da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), é coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj e autor, entre outros, de “A vingança da História".

Humor: "Perguntar não ofende..."

Mais uma da série "Perguntar não Ofende".
Confira abaixo mais um hilariante título de matéria publicada pelo jornal "Folha de PSDB"... quer dizer, "de SP":

"Para analistas, pilar ético do PT ruiu"

Perguntas óbvias que vêem à cabeça de pessoas normais:
1) Quer dizer então que todos os outros partidos que também já foram alvos de denúncias (100% deles, a maioria comprovada) também ruíram eticamente?

2) Ou quer dizer que todos os outros partidos nunca tiveram "pilares éticos" para serem ruídos em época de denúncias (ou seja, sempre foram assumidamente anti-éticos)?

3) Será que a nossa mídia corporativa ainda não percebeu que sua abordagem parcial e inflamatória da atual "crise" está por demais evidente?

Perguntar não ofende... ou ofende?

sábado, 2 de julho de 2005

Artigo: "Cinco razões para defenestrar Lula"

O texto abaixo do professor Flávio Aguiar é excelente. Leiam e comprovem!



Cinco razões para defenestrar Lula

Em meio à crise, vem-se dizendo à esquerda e à direita que a turma da Casa Grande não teria motivos para defenestrar Lula do Planalto, uma vez que a política econômica lhe satisfaz. Ledo engano. A entrevista de FHC à revista "Exame" é um indício disso.

- Por Flávio Aguiar

Em meio à maré de denúncias e debates sobre corrupção no PT, no governo, em estatais e no Congresso, vem-se propalando tanto à direita quanto à esquerda a tese de que a turma da Casa Grande brasileira, em especial a do disco rígido financeiro e rentista, não teria o menor motivo para defenestrar Lula do Planalto, uma vez que a sua política econômica lhe protege e satisfaz o apetite.

Ledo engano. O indício mais claro desse engano é a solerte sugestão do sempre alerta Fernando Henrique Cardoso, em entrevista à revista Exame que ora circula, sugerindo que Lula declare não ser candidato em 2006 como modo de saltar sobre a crise de governo, além de repetir que o PT é um partido anacrônico, estatista, etc. Dou abaixo algumas razões para que a Casa Grande queira defenestrar Lula, seja em 2006, seja antes, se esta oportunidade se oferecer ou se impuser.

1) Há prisões demasiadas de empresários aparecendo na TV, e escritórios de advocacia tendo arquivos abertos. Já se ouvem gritas na também sempre alerta imprensa, em artigos e editoriais, reclamando que a Polícia Federal está demasiado à solta. Ou que o governo faz publicidade e espalhafato com essas prisões e devassas. Ora, um Ministério da Justiça de fato comprometido com a luta contra os crimes de colarinho branco é coisa que tira o sono de muita gente na Casa Grande brasileira. E o povão gosta de ver colarinho branco criminoso algemado ou preso. Ou não?

2) Lula negociou com o MST. E resistiu ao tratoraço dos ruralistas em Brasília, não lhes cedendo tudo aquilo que queriam. Até o momento o governo não reprimiu um único movimento de trabalhadores. Apesar de envolto pela política econômica neoliberal que recebeu de herança, Lula guarda uma identificação de raiz com as classes trabalhadoras e a gente pobre. Não extirpou completamente a esquerda de seu governo nem deixou de fazer políticas sociais de relevo, ainda que comprimidas pela torneira seca do Ministério da Fazenda e dentro da moldura apertada da tecnocracia do Banco Central, através do sacrossanto superávit primário. Mas é o suficiente para que a Casa Grande não goste e veja o governo com desconfiança. Além de lhe ser também uma ameaça ao sono tranqüilo, esse permanente cheiro de pobreza e trabalho no paço é uma ofensa à sua visão de cultura, ao seu gosto e ao seu estilo.

3) A política externa. Hoje se trava uma luta na América Latina de dimensões continentais. A comarca andina está tomada por insurreições populares. Da Bolívia, vieram fotos suficientes para molestar o sono da Casa Grande, sobretudo quando entre os camponeses apareceram os capacetes dos mineiros, com seus cartuchos de dinamite a enfrentar o Exército, como em 1952. Governos à esquerda espalham-se pelo continente. É uma questão de classe: neste quadro de confronto, é fundamental para a Casa Grande retomar o controle direto sobre a política externa de metade da América do Sul, isto é, o Brasil e consolidar a sua política de alianças. Além do mais, a nova inflexão da política externa brasileira inverteu o sentido das negociações da Alca, aproximou-se de países emergentes, consolidou-se como uma das lideranças neste grupo, enfrentou os países onde se concentram os donos do mundo. É demais para a Casa Grande, cujo interesse principal é o de subordinar de todo a política externa à garantia de créditos internacionais.

4) Lula ainda tem por trás de si um partido que pode se reerguer das brasas em que está sendo fritado. Esse partido é um patrimônio da esquerda nacional, continental e mundial. No momento, sua direção está acuada pelas acusações e sua militância, aturdida. Mas se esta militância vencer a confusão e trocar a direção do partido, ou pelo menos forçar a troca da direção em que a direção se move, Lula terá reativado o braço esquerdo de sua administração. Assusta as noites da Casa Grande o pesadelo de ter pela frente um partido que, ao invés de ter de ficar explicando sete dias por semana por que não afasta ou se afastam de sua direção os acusados de corrupção enquanto durem as investigações, passe à ofensiva, rearticulando-se com os movimentos sociais e pressionando para que se acentue o lado social do governo Lula e ponha em declínio o seu lado neoliberal.

5) Lula está grudado em Palocci, na Fazenda e no Banco Central, mas Lula não é Palocci. Palocci comprou e revendeu a política econômica dos tecnocratas da Fazenda e do Banco Central. Para a Casa Grande, é ele o presente fiador público dessa política, como matérias na imprensa vem demonstrando, não Lula. Lula é um acidente de percurso, uma pedra no sapato, ainda que o sapato continue andando na mesma direção. Em algum lugar do passado, Lula se declarou favorável à ampliação do Conselho Monetário Nacional. De vez em quando Lula peita a política da Fazenda. Foi assim no acordo com o MST, foi assim no caso do Fundeb. O sonho dourado da Casa Grande é ter uma disputa em 2006 entre Palocci e Alkmin, ou sucedâneo, como FHC ou Serra. Já pensou? Em que lua de Saturno eu vou me refugiar?


É claro que, para a Casa Grande, ainda há muita coisa a acomodar nesse quadro. Como satisfazer o apetite do PFL? Como ajeitar a disputa interna no PSDB? Que pedaço do PMDB atrair para uma nova frente de direita? Como garantir que a metralhadora giratória do deputado Roberto Jefferson só cause estragos no PT e no governo, uma vez que isso de manchetes só darem destaque a essa parte das acusações tem limites? Como impedir que a crise da esquerda jogue água no moinho de algum Berlusconi à brasileira, ou novo Collor, com quem tenha de renegociar suas pretensões? Como conciliar a bandeira que está se firmando, de diminuir drasticamente o número de cargos de confiança, coisa que o governo Lula deveria empalmar como bandeira, quae sera tamen, ainda que tarde, com o tradicional apetite dos partidos que a representam? Como evitar que a bandeira, que também se afirma, do financiamento público de campanhas eleitorais, comprometa seus métodos tradicionais de influenciar a vida partidária? Que concessões fazer ao Condomínio da Classe Média, agitado ou deprimido pelas novas denúncias de corrupção, e comprimido entre a avidez financeira e rentista, e a pressão por dias melhores dos “de baixo”, uma vez que o currículo dos partidos que representam a Casa Grande é assustador?

O Brasil é um país peculiar, porque tem movimentos sociais organizados e muito fortes, apesar da retração que lhes é imposta em tempos de império do mercado: como impedir que eles se aglutinem e façam barreira intransponível à pretensão da Casa Grande de acaudilhar de vez o Estado pela próxima década e por todos os séculos dos séculos amém? Como afastar Lula antes da eleição, se seu prestígio junto ao povo permanecer inalterado apesar das denúncias, sem provocar uma comoção social, pondo os movimentos na rua a defender seu mandato?
Como passar à ofensiva ideológica, uma vez que tudo o que os arautos da Casa Grande na imprensa e fora dela defenderam, baseados no Consenso de Washington, deu errado no mundo inteiro e no Brasil, fazendo naufragar antes do tempo os vinte anos da prometida “era FHC”? Como rearranjar um acordo entre os interesses rentistas, industriais, comerciais, e agronegociais? Como neutralizar a bandeira da reforma agrária sem dar a impressão de que estaria fazendo isso?

Como vêem, a vida na Casa Grande, ainda que mais amena do que no resto do Brasil, também não está fácil. Uma coisa é certa: para ela, nenhuma resposta possível a estas perguntas passa pela presença de Lula no Planalto além de 2006, seja ele símbolo ou líder, ou coisa que o valha. Todas elas exigem a restauração, no paço, dos seus brasões ou varões assinalados, ao invés de alguém que ainda cheira demais a povo.

Resta saber o que a esquerda vai fazer. Se vai enfiar a cabeça no buraco ou se vai de novo olhar o horizonte e recuperar sua estrela-guia. Mas isto é assunto para outra carta, que esta já vai longa na noite que estamos atravessando.

Flávio Aguiar é professor de Literatura Brasileira na Universidade de São Paulo (USP) e editor da TV Carta Maior.

sexta-feira, 1 de julho de 2005

Humor: "É rir para não chorar"

Da série "Frases Impagáveis", desta vez proferida pelo nosso ex-presidente-sociólogo, o "homem-do-apagão", mentor espiritual do PSDB:

"Lula deve desistir da reeleição", diz FHC

quinta-feira, 30 de junho de 2005

Análise: "Uma saída para o PT"

Finalmente consegui encontrar um artigo que aponta as verdadeiras causas da crise que o PT se meteu e também, principalmente, aponta saídas para ela. Muito diferente da gritaria sem nexo que vemos por aí - tanto da turma da direita, quanto dos da esquerda.

O PT não acabou

Sem negar a gravidade da crise e seu impacto sobre a militância petista, esse artigo pretende argumentar que a crise é da cúpula petista e não de um projeto ético construído pela base petista. Assim, a saída no interior do partido tem de passar pela mudança radical na composição da sua direção.

Leiam o artigo completo neste link e tirem suas próprias conclusões!

Humor: "Perguntar não ofende"

Sinceramente, o que será que leva pessoas que odeiam o PT ou que têm raiva de "esquerdistas" a visitarem sites como esse aqui? Seria algum tipo de sado-masoquismo virtual? Ou uma carência afetiva exacerbada que leva à busca incesssante por qualquer tipo de atenção? Obviamente eles não vão encontrar aqui aquele tipo de leitura que os excita e os seduz. Para isso existem as "Vejas", "Primeiras Leituras", "Folhas" e "Estadões" da vida. Eu não leio esse tipo de imprensa marrom, justamente por saber o que elas pregam e quais são seus reais objetivos.

Entretanto, a turma da direita (confessos e inconfessos) e os anti-esquerda (que não sabem nada de nada, exceto que odeiam o PT) insistem em visitar tudo quanto é site esquerdista e, não satisfeitos em ler tudo que escrevemos, ainda não resistem em postar aquelas mensagens provocativas que envergonhariam até crianças de 10 anos de idade. Eu, por exemplo, fui obrigado a desligar a opção de "comentários" aqui no blog. Qualquer discussão pertinente ou troca de opiniões e informações sadia teve que ser sacrificada para impedir que neo-nazistas, tucanos-bimbas e pseudo-niilistas infectassem o espaço com suas mensagens repletas de ódio e rancor.

Mas, tudo bem. Não importa saber quais as patologias psíquicas que os levam a fazer isso. O importante é que continuem lendo tudo o que escrevemos com esse afinco e dedicação que lhes é tão peculiar. Afinal, como diz a sabedoria popular, "água mole em pedra dura, tanto bate até que fura". A esperança é sempre a última que morre...

terça-feira, 28 de junho de 2005

Política: "A responsabilidade das esquerdas - parte 2"

O que significa hoje "ser de esquerda"? Pra mim significa defender em público o que há de bom no atual governo, ao invés de ficar achando que está tudo acabado, falido ou que ninguém presta, reforçando assim o que já há de negativo (para isso temos a imprensa marrom trabalhando diariamente).

Que o PT tem problemas e tem gente louca e arrogante, que o governo tem falhado em várias áreas e aspectos, que o ser humano é corruptível e que alguns vão sucumbir à desonestidade, é mais do que óbvio. Ou será que votamos mesmo no PT por acharmos que são todos santos, incorruptíveis e infalíveis? Bom, eu não votei. Isso eu posso garantir. Se eu achasse isso, sinceramente, melhor seria procurar ajuda psquiátrica...

Em minha modesta opinião, penso que quem é de esquerda e/ou petista tem o dever de defender as conquistas do governo em público. Por que? Para que aqueles que votaram em Lula sem muita convicção e acreditam no que lêem na mídia corporativa (a grande maioria, infelizmente) não sejam manipulados tão facilmente. Afinal, se todos estão marretando o PT, inclusive nós, da esquerda, não adianta reclamar depois que o novo Frankstein da direita ganhar as eleições.

As críticas são imprescindíveis (desde que construtivas) e devem ser publicadas, é claro, ou então dirigidas para aqueles que podem efetivamente melhorar as coisas.

No meu caso, só posso atuar na primeira opção, pois não tenho contato com nenhum dirigente petista ou mesmo pessoa ligada ao governo e nem tenho espaço na mídia corporativa. Os que têm, ótimo, mãos à obra!

Só tenho uma certeza: desacreditar o PT ou então dividir as esquerdas baseados em denúncias não comprovadas (ainda) só vai fortalecer a direita. Infelizmente a realidade atual é essa. Quem sabe um dia isso muda e a gente possa ter outras opções realistas na esquerda e não esses fanáticos extremistas que pregam algo inviável e francamente irresponsável? Enquanto esse dia não chega, vamos botar os pés no chão e defender o que ajudamos a construir. Se não fizermos isso, quem vai fazer?

A direita já está fazendo o que dela se espera - seja via seus lacios da mídia corporativa, seus representantes no congresso ou via os alienados de plantão que repetem como papagaios acéfalos tudo que a imprensa os enfia goela abaixo como "verdade factual".

segunda-feira, 27 de junho de 2005

Pesquisa: "Lula X FHC"

Esqueça por alguns momentos toda essa avalanche de notícias negativas (pré-fabricadas pela mídia corporativa) sobre o governo Lula e leia o texto publicado pela excelente revista CartaCapital que traz o resultado de uma pesquisa que compara o atual governo versus o antigo (do FHC do PSDB) encomendada pela Confederação Nacional da Indústria.

Abaixo alguns dos principais trechos da matéria:

CONFRONTO DE NÚMEROS
Comparação de 100 indicadores vê diferenças entre governos Lula e FHC

"O governo Lula é melhor do que o governo de Fernando Henrique Cardoso? Parece que sim, para 48% da população brasileira, conforme mostrou o Ibope divulgado em 17 de junho."

"A vantagem do governo petista sobre o tucano tem sido freqüente. Já foi maior (55% em setembro de 2003) e menor do que agora (em junho de 2004 baixou para 42%)."

"“Nos 100 indicadores de desempenho, os dois primeiros anos do governo Lula bateram os do primeiro biênio FHC em 56 deles, contra 44 médias de FHC superiores às de Lula”, afirma o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, em texto publicado na revista Insight Inteligência (...)"

"Para Wanderley Guilherme, o resultado tira o argumento martelado pelas vozes de oposição: “É falsa a propaganda de que a gestão do atual governo inexiste ou é inepta”, disse ele a CartaCapital."

"No confronto dos dois primeiros anos de Lula com os dois primeiros do segundo biênio de FHC, a vantagem de Lula aumenta para 59 resultados favoráveis, em 100, contra 40 de FHC, sobrando um empate, analisa Wanderley Guilherme. Na média geral, segundo ele, o desempenho dos dois primeiros anos de Lula é superior ao dos dois mandatos de FHC em 64 dos 100 indicadores comparados. "


Confira a matéria completa neste link.

quinta-feira, 23 de junho de 2005

Filmes: "A Queda!"

A mentira da secretária de Hitler

O relato de Traudl Junge dramatizado no
filme “A Queda” merece a mesma reação
que a propaganda de Goebbels

- Por Flávio Lobo

Às vésperas da rendição alemã na Segunda Guerra Mundial, escondido no bunker de Hitler, sobre o qual já despencam as cargas da artilharia soviética, o ministro nazista da propaganda, Joseph Goebbels, dita seu testamento político. “Quando o história retomar seu curso”, diz ele, mantendo o olhar vidrado e frio de assassino calculista, “nós ressurgiremos como os puros… os imaculados”. Vemos então o rosto suave e perplexo de Traudl Junge, a jovem secretária que, depois de ter datilografado o último discurso do Füher -feito só para ela, mas destinado à História-, segue em seu ofício e anota as palavras do marqueteiro do Holocausto. Trata-se de um trecho do filme “A Queda”, sobre os últimos dias de Hitler. Parte da platéia, brasileira, responde à amarga ironia da cena com um “quase riso”, mas suficiente para ser ouvido.

Sangrentos minutos de projeção depois, o filme termina com Traudl pedalando uma bicicleta em direção à luz. O sol lhe acaricia o rosto bonito, cheio de uma jovial doçura, exposta ao longo de toda a história, enquanto ela conduz a si mesma e a um pequeno ex-militante e herói de guerra da Juventude Hitlerista rumo a um futuro livre de genocídios e da opressão totalitária -pelo menos na Alemanha. Somos lembrados pelo texto que toma a tela que a guerra matou 50 milhões. Mas, como mostra a última imagem ficcional de “A Queda”, para Traudl e para nós, há vida depois de Stalingrado, Varsóvia, Dresden, Hiroshima… e de Auschwitz. Por fim, como um apêndice explicativo, vemos a verdadeira Traudl Junge, já idosa, dizendo que não sabia das atrocidades nazistas, mas que, um dia, vários anos depois do fim da guerra, percebeu que poderia ter feito outro papel naquela história toda. “A ficha lhe caiu”, lembra Traudl, diante de um monumento em homenagem a uma jovem insurgente alemã morta pelos nazistas. Se, no mesmo período que ela datilografava para o Füher, compatriotas tão jovens quanto ela sabiam do horror nazista e arriscavam a própria vida combatendo-o, ela também poderia ter sabido, e feito algo.

Mostrada a autocrítica de Traudl, como uma lição de casa obrigatória, o filme termina. Mas um gosto amargo permanece. Não é apenas um efeito da violência vista na tela e da lembrança de outras maiores, às quais “A Queda” remete. É o sabor da impostura. E, desta vez, não se trata de uma obra de Goebbels. Boa parte da crítica ao filme, dirigido por Oliver Hirschbiegel, inclusive por parte de Wim Wenders, diz respeito à “humanização” de Hitler. E a escalação de um ator como Bruno Ganz para o papel poderia despertar desconfianças nesse sentido. Mas, com sua afinidade com o tema da compaixão -algo demonstrado em “Asas do Desejo”, do próprio Wenders, por exemplo-, Ganz venceu o desafio de criar um personagem humanamente monstruoso.

Discordo de quem acha ser melhor não “conceder” humanidade alguma a Hitler, como a outros personagens que encarnam o Mal na História. Pois, ao tratá-los como seres de outra espécie, que nada têm a ver conosco, fica mais fácil lavarmos de nossas mãos e mentes a responsabilidade que nos cabe. O Goebbels de Hirschbiegel segue essa linha: é uma caricatura. Não oferece ao “público normal” vias de identificação. É como um Darth Vader sob uma máscara negra que reflete para longe qualquer compaixão. Deste modo, deixamos de ver que temos, sim, algo em comum mesmo com o pior vilão. “Nada que é humano me é alheio.” O autor da frase é Terêncio, mas o maior divulgador da idéia por ela expressa talvez seja Shakespeare. O Goebbels de “A Queda” em alguns momentos lembra, com sua perna defeituosa, um Ricardo III desprovido da poesia do Bardo. Mas, se há um personagem shakespeareano no filme, este é Hitler. Como acontece com Macbeth, Ganz nos permite descer ao subterrâneo com seu Hitler e reconhecê-lo -ao inferno- dolorosamente humano. Isso de forma alguma atenua o horror que Hitler evoca -na verdade o agrava ao nos aproximar dele.

O filme, no entanto, não aproveita a possibilidade oferecida pelo talento de Bruno Ganz. Na maior parte do tempo, a grande “loucura” encarna-se e concentra-se no Füher e em seu ministro da propaganda. Mas o que mais a história do Terceiro Reich deve fazer perceber e lembrar não é o fato de que há assassinos insanos capazes de crimes inomináveis. O maior horror do nazismo e de fenômenos semelhantes é que milhões de pessoas “normais” são capazes de compartilhar desse tipo de ódio e apoiar regimes genocidas, dezenas ou talvez centenas de milhares puxam o gatilho contra civis indefesos, e pelos menos várias centenas dispõem-se a operar câmaras de gás e fornos crematórios.

Em “A Queda”, ao ditar o seu testamento político à secretária, Hitler declara que enfrentou os judeus abertamente. Ele não diz que incinerou crianças, não fala em extermínio, apenas que “combateu” os judeus. Diante desse eufemismo, Traudl olha para o chefe com ar de desagrado e espanto. Chega a ser ridículo. O filme começa em 1942, quando a moça começou a trabalhar como secretária do ditador -mostra que ela quase desfaleceu de emoção ao ser escolhida para o cargo pelo próprio chefe supremo-, e que também foi o ano da “solução final”, quando o extermínio em massa foi decidido e posto em prática por Hitler e seu alto comando. Traudl, portanto, foi secretária particular do Füher ao longo de praticamente todo o período do Holocausto. E, antes disso, como qualquer alemã habitante de uma cidade importante -a moça era de Munique-, ela viu, desde a primeira metade da década de 1930, a propaganda nazista, que comparava judeus a pragas e ratos (e todos sabem o que se faz com os ratos). Vivia numa sociedade na qual o ódio ao judeu e a todos os que eram mostrados como inimigos do povo ariano -comunistas, homossexuais, ciganos, populações de países vizinhos…- era constantemente pregada de forma explícita pelas ruas e nos meios de comunicação da época. Judeus foram sistematicamente perseguidos, espancados, humilhados, isolados e finalmente sumiram de vista.

A cúpula presente no bunker de Hitler também é tratada com condescendência. Como no caso do próprio ditador, nada contra personagens “humanos”, críveis, contraditórios. Mas não acho razoável que o alto comando nazista seja mostrado, como faz o filme, como um qualquer Estado-maior em situação de queda iminente. Aqueles foram os mandantes da “guerra total”, que, sobretudo na Polônia e na União Soviética, teve no massacre sistemático de civis um objetivo claramente definido. E, apesar da divisão de funções entre a SS, incumbida de levar a cabo a “decisão final”, e o resto das Forças Armadas, os generais sabiam que lutavam pela vitória de um regime movido pelo ódio racista, promotor do Holocausto.

O mistério da “maldade” que pôs em movimento a máquina nazista não se circunscreve a poucos personagens insanos nem mesmo à sociedade alemã ou à Europa. A maior ameaça e a realidade mais terrível não é a possibilidade do surgimento de um outro Hitler, mas a subsistência de um ódio que vê pessoas e grupos como menos humanos que os outros -e que, e ao propagar essa visão, aponta um caminho que pode levar a políticas de extermínio, abertas ou veladas. Algo que vem à tona cotidiana e explicitamente, bem perto de nós: em comunidades racistas do Orkut, em propostas de construir muralhas em torno de favelas, por exemplo. A verdadeira ironia na cena do testamento de Goebbels não reside no fato de o ideólogo nazista se dizer imaculado. Essa é uma atitude perfeitamente compatível com o louco fanático que vemos na tela. Irônica -mesmo que não propositadamente- é a expressão de ingênua pureza da secretária, representante, no filme, de legiões de “inocentes” úteis a serviço de líderes “desumanos”.

Talvez a maior parte do povo alemão ainda não consiga olhar para o passado nazista sem dourar a pílula da responsabilidade de seus antepassados com uma farta camada de engodo. E talvez isso seja compreensível. Mas, ao engolir também esse analgésico, cada um entorpece a sua consciência crítica e abre a guarda para um tipo de auto-indulgência que perpetua injustiças e ameaça liberdades. Por isso, Traudl Junge que me desculpe, mas o seu relato autobiográfico dramatizado por Oliver Hirschbiegel em “A Queda” deve suscitar a mesma reação que merece a propaganda de Goebbels e de seus discípulos: é mentira!

Flávio Lobo é editor de especiais da revista "CartaCapital".
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