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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CUIDADO...

Trolls descarregam frustações na internet

Na internet, as pessoas fazem um rebaixamento de sua autocensura. Isso permite que suas frustrações e questões mal resolvidas venham à tona. Simplificando, os internautas deixam de lado o bom-senso e partem para a agressividade gratuita, ou seja, a “trollagem”. O adepto da prática é o “troll”.

- Por Vinicius Aguiari, INFO Online


São Paulo - Quando publicou o videoclipe da música “Friday” no YouTube, em fevereiro deste ano, a adolescente americana Rebecca Black não imaginava que seria vítima da maior “trollada” já realizada na internet até então.

Duas semanas após explodir na web, o vídeo atingiu a marca de 37 milhões de visualizações. Porém, “Friday” foi apontada pelos usuários como a pior música já publicada no site de vídeos.

Mas o que justificava tamanha ira dos internautas, que dedicaram centenas de comentários negativos contra a música da jovem de apenas 13 anos?

Para a professora do Núcleo de Pesquisas da Psicologia em Informática da PUC-SP, Rosa Farah, a interação sem a necessidade de presença física proporcionada pela web abre as portas para esse tipo de comportamento.

“Na internet, as pessoas fazem um rebaixamento de sua autocensura. Isso permite que suas frustrações e questões mal resolvidas venham à tona”, explica ela. Simplificando, os internautas deixam de lado o bom-senso e partem para a agressividade gratuita, ou seja, a “trollagem”. O adepto da prática é o “troll”.

A palavra “troll” ainda não foi incorporada por dicionários de línguas como o Merriam-Webster, que já incluiu “twit” e “social media” entre os seus verbetes. De acordo com o Urban Dictionary, que agrega gírias das ruas e do mundo online, “troll” é o usuário que “posta uma série de mensagens provocativas ou depreciativas em um grupo de discussão ou comunidade a fim de causar o maior nível de perturbação possível”.

“Eu faço por diversão. Gosto de ver a reação dos autores da publicação e a forma que outros usuários reagem nos comentários”, diz o estudante de engenharia cartográfica A. F., de 22 anos.

Porém, internautas como ele precisam ficar atento à tênue linha que separa a trollagem do ciberbullying. Segundo uma pesquisa da universidade britânica Anglia Ruskin, 18,4% dos jovens do país, com idade entre 11 e 19 anos, afirmaram já terem sofrido algum tipo de coerção na rede.

De toda forma, a vítima de um troll vai precisar encontrar uma forma de se proteger. Em alguns casos, o usuário pode se defender por meio da argumentação. Em outros mais sérios, o melhor é fazer uma denúncia à polícia ou ao ministério público.

No caso de Rebecca, ela se manteve indiferente, os usuários do YouTube continuaram a trollar e o vídeo de “Friday” chegou a marca de 167 milhões de visualizações.

Foi quando a produtora da cantora, a Ark Music Factory, especializada em produzir webhits, decidiu retirar o clipe do ar. Em seguida, ele voltou no Vevo, braço do YouTube que paga os artistas por suas canções. Para a Rebecca, a trollagem serviu apenas como um “falem bem ou mal, mas falem de mim” a caminho do sucesso.

Lula em Paris: A imprensa colonizada sabuja dá vexame

Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de doutor honoris causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.

- por Ricardo Kotscho, Portal R7

“Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?”

Começa assim, acreditem, com esta pergunta indecorosa, a entrevista de Deborah Berlinck, correspondente de O Globo em Paris, com Richard Descoings, diretor do Instituto de Estudos Políticos de Paris, o Sciences Po, que entregou o título de doutor honoris causa ao ex-presidente Lula, na tarde de terça-feira, dia 27.

Resposta de Descoings:

“O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico [...] O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com nossa política atual no Sciences Po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente do diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade.”

A entrevista completa de Berlinck com Descoings foi publicada no portal de O Globo às 22:56 do dia 22 de setembro. Mas a história completa do vexame que a imprensa nativa sabuja deu estes dias, inconformada por Lula ter sido o primeiro latino-americano a receber este título, que só foi outorgado a 16 personalidades mundiais em 140 anos de história da instituição, foi contada por um jornalista argentino, Martín Granovsky, no jornal Pagina/12.

Tomei emprestada de Mino Carta a expressão imprensa sabuja porque é a que melhor qualifica o que aconteceu na cobertura do sétimo e mais importante título de doutor honoris causa que Lula recebeu este ano. Sabujo, segundo as definições encontradas no Dicionário Informal, significa servil, bajulador, adulador, baba-ovo, lambe-cu, lambe-botas, capacho.

Sob o título “Os escravocratas contra Lula” (clique aqui), Granovsky relata o que aconteceu durante uma exposição feita na véspera pelo diretor Richard Descoings para explicar as razões da iniciativa do Science Po de entregar o título ao ex-presidente brasileiro.

“Naturalmente, para escutar Descoings, foram chamados vários colegas brasileiros. O professor Descoings quis ser amável e didático (...). Um dos colegas perguntou se era o caso de se premiar a quem se orgulhava de nunca ter lido um livro. O professor manteve sua calma e deu um olhar de assombrado [...].

Por que premiam a um presidente que tolerou a corrupção”, foi a pergunta seguinte. O professor sorriu e disse: ‘Veja, Sciences Po não é a Igreja Católica. Não entra em análises morais, nem tira conclusões apressadas. Deixa para o julgamento da História este assunto e outros muito importantes, como a eletrificação das favelas em todo o Brasil e as políticas sociais’ (...). Não desculpamos, nem julgamos. Simplesmente, não damos lições de moral a outros países.

Outro colega brasileiro perguntou, com ironia, se o Honoris Causa de Lula era parte da ação afirmativa do Sciences Po. Descoings o observou com atenção, antes de responder. “As elites não são apenas escolares ou sociais, disse. “Os que avaliam quem são os melhores, também. Caso contrário, estaríamos diante de um caso de elitismo social. Lula é um torneiro-mecânico que chegou à presidência, mas pelo que entendi foi votado por milhões de brasileiros em eleições democráticas.”

No final do artigo, o jornalista argentino Martín Granovsky escreve para vergonha dos jornalistas brasileiros:

“Em meio a esta discussão, Lula chegará à França. Convém que saiba que, antes de receber o doutorado honoris causa da Sciences Po, deve pedir desculpas aos elitistas de seu país. Um trabalhador metalúrgico não pode ser presidente. Se por alguma casualidade chegou ao Planalto, agora deveria exercer o recato. No Brasil, a casa grande das fazendas estava reservada aos proprietários de terra e escravos. Assim, Lula, silêncio por favor. Os da casa grande estão irritados”.

Desde que Lula passou o cargo de presidente da República para Dilma Rousseff há nove meses, a nossa grande imprensa tenta jogar um contra o outro e procura detonar a imagem do seu governo, que chegou ao final dos oito anos com índices de aprovação acima de 80%.

Como até agora não conseguiram uma coisa nem outra, tentam apagar Lula do mapa. O melhor exemplo foi dado hoje [28/9] pelo maior jornal do País, a Folha de S.Paulo, que não encontrou espaço na sua edição de 74 páginas para publicar uma mísera linha sobre o importante título outorgado a Lula pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris.

Em compensação, encontrou espaço para publicar uma simpática foto de Marina Silva ao lado de Fernando Henrique Cardoso, em importante evento do instituto do mesmo nome, com este texto-legenda:

“Afagos – FHC e Marina em debate sobre Código Florestal no instituto do ex-presidente; o tucano creditou ao fascínio que Marina gera o fato de o auditório estar lotado”.

Assim como decisões da Justiça, critérios editoriais não se discute, claro.

Enquanto isso, em Paris, segundo relato publicado no portal de O Globo pela correspondente Deborah Berlinck, às 16:37, ficamos sabendo que:

“O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi recebido com festa no Instituto de Estudos Políticos de Paris – o Sciences Po –, na França, para receber mais um título de doutor honoris causa, na terça-feira, dia 27. Tratado como uma estrela desde sua entrada na instituição, ele foi cercado por estudantes e, aos gritos, foi saudado. Antes de chegar à sala de homenagem, em um corredor, Lula ouviu, dos franceses, a música de Geraldo Vandré, “Para não dizer que eu não falei das flores.

A sala do instituto onde ocorreu a cerimônia tinha capacidade para 500 pessoas, mas muitos estudantes ficaram do lado de fora. O diretor da universidade, Richard Descoings, abriu a cerimônia explicando que a escolha do ex-presidente tinha sido feita por unanimidade.”


Em seu discurso de agradecimento, Lula disse:

“Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tinha diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil, e isso possivelmente porque eu quisesse que parte dos filhos dos brasileiros tivesse a oportunidade que eu não tive.”

Para alguns brasileiros, certamente deve ser duro ouvir estas coisas. É melhor nem ficar sabendo.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Lula é ovacionado por estudantes ao receber diploma na França

- por Lúcia Müzell, Direto de Paris

Batucada na entrada, cenas de histeria na saída. Foi em um clima de ídolo juvenil que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta terça-feira, em Paris, o título de doutor honoris causa da Sciences Po, uma das instituições de ensino mais importantes da França. Lula ainda teve o discurso interrompido diversas vezes por aplausos e, ao final da cerimônia, teve direito a uma homenagem com carregado sotaque francês: em português e com a letra nas mãos, os alunos entoaram "vem, vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer", refrão da famosa música 'Para dizer que não falei de flores', de Geraldo Vandré.

Esta foi a primeira vez que a Sciences Po entregou um doutorado honoris causa a um latino-americano e o segundo título do gênero recebido pelo ex-presidente por instituições internacionais - o primeiro foi da Universidade de Coimbra, em Portugal. Lula se alongou por 40 minutos para agradecer ao título, em um auditório lotado por 500 pessoas, entre estudantes, jornalistas e acadêmicos destacados da universidade, como o respeitado sociólogo Alain Touraine, que é amigo do também ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso.

A sala era decorada por bandeiras do Brasil, erguidas pelos jovens que, ao encerramento do evento, gritavam o nome do ex-presidente, se empurravam para se aproximar dele, pediam autógrafos e até choravam ao conseguir uma foto ao lado de Lula. O petista não economizou beijos, abraços e poses junto aos estudantes quando tentava deixar a instituição.

"Embora eu tenha sido o único governante do Brasil que não tem diploma universitário, já sou o presidente que mais fez universidades na história do Brasil", disse, em um discurso recheado não apenas de dados favoráveis ao seu governo, como de brincadeiras que fizeram o público rir em diversas ocasiões. "Eu perdi muito, gente. Se vocês um dia quiserem conversar com um cara que perdeu muito, me procurem. Mas também fui o cara que quando ganhou, soube tirar lições das derrotas para ajudar a mudar a história do meu País."

O ex-sindicalista comentou a atual crise econômica mundial, para a qual vê apenas uma iniciativa política conjunta como solução. "Eu via tanta gente sabida na Europa e nos Estados Unidos, que dava tanto conselho econômico, que quando começou a crise, eu falei: os especialistas lá vão resolver a crise em três dias. Qual não foi a minha surpresa quando eles se esconderam. Ninguém sabia mais nada: o Banco Mundial não sabia mais nada, o FMI não sabia mais nada, a Comissão Europeia também não."

Lula também arrancou aplausos da plateia ao descrever o percurso da atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, durante os anos da ditadura, e terminou de conquistar os últimos fãs franceses ao incitar os jovens a não desistirem da política - a Sciences Po forma a maioria dos governantes franceses. "Vocês ficam idealizando o político ideal. Pois olhem para vocês mesmos: esse político pode ser um de vocês."

O petista estava acompanhado de dois ex-ministros, José Dirceu e Márcio Thomaz Bastos, e do atual ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que estava em Paris para participar de uma reunião ministerial do G20, o grupo dos 20 países mais ricos do mundo. O ex-presidente preferiu não conversar com a imprensa após o evento. Ele fica na capital francesa até amanhã, quando deve se encontrar com o primeiro-secretário do Partido Socialista, Harlem Désir. Os líderes do partido estão em plena campanha para as primárias internas, que vão designar o candidato para as eleições presidenciais francesas em 2012, contra o atual presidente, Nicolas Sarkozy. Na segunda-feira, Lula encontrou-se com Sarkozy no palácio do Eliseu, a sede da presidência francesa, a convite do governante.

Um título contra as castas

Foi preciso que se rompesse essa tradição de castas para que o Brasil mudasse. Mesmo aqueles que vieram da esquerda, como Fernando Henrique, ao serem aceitos nos salões, passaram a portar-se e a pensarem como essa subnobreza colonial que não pensa o Brasil como um país.

- por Brizola Neto, deputado federal (PDT)

Amanhã, Lula recebe o 16º título de Doutor Honoris Causa do prestigiado Instituto de Estudos Políticos de Paris, conhecido como Sciences-po. Não é toda hora que se dá ali um título destes, tanto que a instituição, fundada em 1872, leva quase dez anos, em média, para conceder um deles.

E a pergunta que todo mundo quer fazer foi feita pela correspondente de O Globo, Deborah Berlink:

Por que Lula e não Fernando Henrique Cardoso, seu antecessor, para receber uma homenagem da instituição?

O presidente da instituição, Richard Descoings, com a necessária diplomacia, dá a resposta:

“O antigo presidente merecia e, como universitário, era considerado um grande acadêmico. Sciences-po é uma universidade de elite, porque nós formamos uma parte da classe politica e das grandes empresas francesas. O presidente Lula fez uma carreira política de alto nível, que mudou muito o país e, radicalmente, mudou a imagem do Brasil no mundo. O Brasil se tornou uma potência emergente sob Lula, e ele não tem estudo superior. Isso nos pareceu totalmente em linha com a nossa política atual no Sciences-po, a de que o mérito pessoal não deve vir somente de um diploma universitário. Na França, temos uma sociedade de castas. E o que distingue a casta é o diploma. O presidente Lula demonstrou que é possível ser um bom presidente, sem passar pela universidade. Ele foi eleito por unanimidade pelo nosso conselho de administração. A França, como toda a Europa, passa por um momento difícil.(…)

O professor Descoings talvez não saiba, mas somos ainda mais uma sociedade de castas. E foi preciso que se rompesse essa tradição de castas para que o Brasil mudasse. Mesmo aqueles que vieram da esquerda, como Fernando Henrique, ao serem aceitos nos salões, passaram a portar-se e a pensarem como essa subnobreza colonial que não pensa o Brasil como um país.

A entrega do título será transmitida ao vivo no site da Sciences Po às 12h30 daqui, amanhã. Vai ser um momento de afirmação, muito mais que de Lula, do Brasil. Porque, quando não somos um país de castas, somos um país imenso.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Imposto pago não é dinheiro roubado

Vende-se, por estas bandas, a ideia de que dinheiro de imposto é dinheiro subtraído da sociedade. Um argumento tão repetido pela mídia (e pela oposição ao governo) que, para muitos, se tornou uma verdade

- por André Siqueira, subeditor de Economia de CartaCapital

O Brasil é mesmo um país de contradições. Na manhã da terça-feira 13, um grupo de pessoas acompanhou a contagem do Impostômetro, o marcador gigante instalado pela Associação Comercial de São Paulo no centro da cidade para medir a arrecadação do governo. Neste ano, diz a entidade, atingimos a marca de 1 trilhão de reais 35 dias mais cedo do que em 2010. A cifra foi acompanhada por vaias do grupo de pessoas aglomerado diante do display. Não as culpo. Vende-se, por estas bandas, a ideia de que dinheiro de imposto é dinheiro subtraído da sociedade. Um argumento tão repetido pela mídia (e pela oposição ao governo) que, para muitos, se tornou uma verdade.

Virou quase lugar-comum dizer que o Brasil é um dos campeões mundiais em impostos, e comparar nosso pacote de serviços públicos com os oferecidos por países com carga tributária igual ou maior. Esses argumentos deixam de lado dois detalhes importantes: somos também destaque mundial em desigualdade social, e temos uma massa de desassistidos comparável apenas a países como China e Índia. Ou seja, sai caro, muito caro, para uma nação com tal perfil, oferecer, mesmo precariamente, uma estrutura de amparo universal.

Logo, uma alta arrecadação é algo a ser comemorado, e não lamentado. É sinal de que o governo eleito democraticamente dispõe de mais recursos para atender às necessidades da população que o elegeu. Como alguém em sã consciência pode reclamar da saúde e da educação públicas e querer ir às ruas protestar por menos impostos? Exigir das autoridades o melhor uso possível dos recursos do orçamento é um dever cívico em qualquer país, assim como cobrar o combate permanente à corrupção. Mas imaginar que um governo será capaz de, com menos dinheiro, sustentar a máquina estatal, fazer os investimentos necessários (para ontem) em infraestrutura e melhorar o pacote de serviços à população é simplesmente absurdo!

Em um brilhante artigo publicado recentemente no Valor Econômico, o presidente do Ipea, Marcio Pochmann, mostrou que a desigualdade social, medida pelo índice Gini, caiu 9,5% entre 2003 e 2009. Sem os gastos em programas de transferência de renda realizados na última década, a melhora teria sido de apenas 1,5%. No mesmo texto, Pochmann levanta uma questão que tem méritos de sobra para tirar o sono dos brasileiros: por que os ricos pagam, proporcionalmente, tão menos impostos?

'A reforma tributária pela qual nossos formadores de opinião deveriam se empenhar passa, necessariamente, pela troca de impostos que recaem sobre o consumo'

A reforma tributária pela qual nossos formadores de opinião deveriam se empenhar passa, necessariamente, pela troca de impostos que recaem sobre o consumo – e penalizam os consumidores indistintamente – por uma estrutura mais progressiva. É possível, sim, criar novas (e mais altas) alíquotas de IR para faixas de rendimento mais elevadas, elevar os encargos sobre itens supérfluos e de luxo, taxar grandes fortunas (a exemplo do que faz a Inglaterra e outros países desenvolvidos) e aparelhar melhor a equipe da Receita Federal até que ninguém consiga passar um fim de semana tranquilo em sua mansão no Guarujá sem a certeza de estar em dia com o Leão.

A estrutura social brasileira é perversa sobretudo porque dá àqueles que deixam a base da pirâmide a sensação de estar muito acima da maioria. Ainda que continue a anos-luz de distância do topo, parte da classe média é mortalmente tentada a comprar um discurso que interessa apenas a quem está lá em cima.

Não se iludam: um cofre público mais gordo revela que a economia está em crescimento, e que a inclusão social trouxe mais gente para dividir o fardo de sustentar o País. A alta na arrecadação também pode indicar avanços do Fisco no combate à sonegação – um mal tão danoso à sociedade quanto a corrupção. O combate à evasão tributária deveria ser festejado sobretudo por quem tem sua fatia descontada diretamente no salário, e não conta com recursos de “engenharia financeira” para pagar fugir às obrigações, nem remete recursos a paraísos fiscais…

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Atenção às manobras da direita

Diferentemente de antes, em que os ataques eram dirigidos para os setores mais fortes do governo - principalmente ao Lula e ao PT -, contando com uma base militante disposta a sair em sua defesa, hoje os ataques se voltam para os aliados (mais precisamente, PR, PCdoB, e o fisiológico PMDB)

- Editorial do jornal Brasil de Fato

Esse não é um assunto novo. Mas entendemos ser sempre importante analisar. Trata-se dos passos e lutas dos setores e forças inimigas do povo. É um princípio da luta da classe trabalhadora conhecer a nós mesmos, ter projeto, planos de ações, políticas de alianças etc. Porém, é igualmente importante compreender quem são os inimigos do povo, como se organizam e o grau de coesão deles. Nesse sentido, abordaremos alguns dos pontos sobre os nossos inimigos.

A mídia burguesa

Nos últimos meses os setores populares, em especial o movimento sindical e camponês, protagonizaram jornadas de lutas massivas que mobilizaram, em marchas, ocupações e greves, milhares de pessoas. Por exemplo, a greve dos professores de Minas Gerais, que já ultrapassou 100 dias, mobilizações dos bombeiros do Rio de Janeiro, metalúrgicos, o acampamento da Via Campesina em Brasília e as dezenas de atos com pautas do campo.

Essas lutas – mesmo que não tenham alcançado suas reivindicações por completo – vêm garantindo vitórias importantes, demonstradas em conquistas pontuais, como o reajuste acima da inflação para diversas categorias, assim como a garantia de políticas públicas para a reforma agrária e o pequeno agricultor.

No entanto, a mídia burguesa segue firme no seu propósito de silenciar, deturpar e mentir sobre essa realidade do povo brasileiro em luta. As recentes operações midiáticas da revista Veja, passando pela ofensiva televisiva, e a agora a recente “reportagem” de capa da revista Isto É, profetizando o fim do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mostra como se comporta a imprensa brasileira.

Ou seja, procuram sistematicamente criminalizar, desmoralizar e ridicularizar as lutas dos trabalhadores e suas organizações. Aliás, a “reportagem” da Isto É proclama, no melhor estilo imprensa-marrom, o fim das lutas no campo. Como se as contradições e a luta de classes no país deixassem de existir para os camponeses.

A direita se organiza

Os setores defensores do capitalismo, as elites e suas classes orgânicas se organizam em partidos, sindicatos patronais, organizações classistas (como a Confederação Nacional da Indústria, entres outras), na grande mídia e na estrutura do Estado (não confundir com governo). Por isso, avaliar como os inimigos do povo se organizam vai além de analisar o que se passa no PSDB, DEM, PPS, PTB e outros partidos de menor importância. Isso não quer dizer que não devemos celebrar ao ver e constatar a crise pela qual passam o DEM e PSDB, as duas principais siglas, com inúmeros rachas e núcleos em plena disputa sanguinária pelo controle da máquina partidária (ou melhor, máquina publicitária), em especial em São Paulo, estado onde essas duas organizações sempre mantiveram núcleos mais ideológicos e dirigentes.

Como abordamos, essas crises são positivas, mas estão longe de expressar uma crise da direita. Esta segue firme, pautando seus interesses em todos os espaços, seja fazendo oposição ou por dentro (com suas frações governistas) do governo federal, composto por forças que nos permitem afirmar ser um governo de alianças entre setores do proletariado, setores médios e forças da burguesia (industrial e financeira).

Mudança de tática

Diferentemente de antes, em que os ataques eram dirigidos para os setores mais fortes do governo - principalmente ao Lula e ao PT -, contando com uma base militante disposta a sair em sua defesa, hoje os ataques se voltam para os aliados, ou, em outros termos, para os setores mais fracos do bloco governista (mais precisamente, PR, PCdoB, e o fisiológico PMDB).

Esse bloco – à exceção do PCdoB – não conta com uma base militante disposta a defendê-lo, muito menos entre a militância e forças do PT. Por isso, parece ser uma correção da tática, de não mais atacar o pólo mais forte – em outros termos (sobretudo militar), esse é um grave equívoco político que se pode cometer numa luta – e apontar os canhões para o bloco de forças visando fragilizá-lo e buscando, ao fim e ao cabo, que o PT perca força e governabilidade.

Fiquemos atentos

Esses três aspectos são parte da análise das forças inimigas e parte essencial da luta popular. É preciso manter esse debate sobre os inimigos do povo, especialmente para identificar como se comportam, suas táticas, e, centralmente suas fragilidades, para sobre essas atuarmos. Nesse sentido, pode-se avançar, e quem sabe, impor derrota definitiva a esses setores. Nossa vitória será conquistada nos fortalecendo e sabendo como fragilizar e derrotar esses inimigos. Eis porque devemos estar atentos às manobras dos setores reacionários.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Reporgatem da Record News sobre as malandragens da revista Veja

Excelente reportagem, que mostra, entre outras barbaridades, a associação da editora Abril com um grupo financeiro ligado à manutenção do regime racista do Aparthaid na África do Sul.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Revista Veja: vinte anos a serviço da direita

Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar e não está para brincadeiras. O ex-metalúrgico, por sua vez, brinca a bola e é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

- por Gilberto Maringoni, na Carta Maior

O presidente Lula sofreu impeachment em agosto de 2005. Quase ninguém se lembra dele. Era um trapalhão barrigudo, chefe de quadrilha e ignorante.

A história seria assim, se o mundo virtual da revista Veja fosse real. Selecionamos 123 capas da revista, de 1993 a 2010. Elas formam uma narrativa surpreendente, quase uma história em quadrinhos da história política do período. FHC é o presidente dos sonhos da publicação. Sério, compenetrado e trabalhador, fez uma gestão exemplar. O ex-metalúrgico, por sua vez, é um demagogo que merece apenas um chute no traseiro.

A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa.

Freud deve explicar. Clique no link abaixo para ver a sequência. Vale a pena.

AS CAPAS DA VEJA: 20 ANOS A SERVIÇO DA DIREITA

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Os equívocos do voto distrital

No voto distrital é possível que quase a metade de uma região, estado ou do País fique sem representação. E é certo que, para as minorias étnicas, religiosas, culturais, de gênero ou opinião, entre outras, seria quase impossível eleger deputados.

- por Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi

Vamos imaginar que, por qualquer razão, a campanha que a direita brasileira move por meio de seus jornais e revistas em favor do voto distrital dê certo. E que, com a mesma irresponsabilidade com que tem sido propagandeado, o Congresso resolva aprová-lo.

As pessoas que foram convencidas pelos argumentos de políticos, jornalistas e intelectuais conservadores se sentiriam bem. Para elas, com o fim do voto proporcional, teríamos dado um grande passo para consertar as deficiências de nossa democracia.

Estariam enganadas.

Acreditaram que ele não tinha contraindicações e que era simples implantá-lo. Mas a verdade é que o voto distrital traz vários problemas e é difícil adaptá-lo à nossa cultura.

A primeira pergunta é quantitativa: quantos distritos haveria no Brasil? Alguns dizem que seriam 513, o número de deputados federais existentes. Mas, nas eleições para as Assembleias, qual seria o número? Os deputados estaduais são 1.059 (incluídos os distritais). Haveria municípios agrupados na eleição para a Câmara, mas separados na estadual?

Teríamos, também, de concordar com o tamanho dos distritos. No ano passado, éramos 135,8 milhões de eleitores. Se fossem 513 distritos, a média seria de perto de 265 mil eleitores em cada um.

Nos países com voto distrital, a praxe é fazer essa conta, aplicando o princípio de “cada cabeça, um voto”. Quando são federativos (como os Estados Unidos), procura-se, no entanto, corrigir a eventual falta de representação dos estados pequenos, assegurando que tenham ao menos um distrito.

Aplicando o princípio e supondo que ficaríamos com 513 distritos (pois seria pouco provável que a sociedade apoiasse o aumento do número de deputados), todos os estados teriam sua representação diminuída, à exceção de São Paulo (onde ela quase dobraria).

Há que pensar no que são distritos com 265 mil eleitores. Como imaginar que neles haveria a propalada proximidade entre representantes e representados? Alguém pensa, a sério, que deputados eleitos com base em territórios tão complexos e heterogêneos estariam “perto” dos eleitores? Que aumentaria a possibilidade de serem cobrados?

E onde começariam e terminariam os distritos recém-criados? O bairro tal ficaria junto de quais outros? A cidade A seria do distrito X ou Y? As microrregiões hoje reconhecidas administrativamente seriam mantidas?

Essas perguntas estão na base do que os norte-americanos chamam de apportionment: a necessidade de calcular e, periodicamente, recalcular o número de distritos dos estados e a combinação de localidades dentro deles, de forma a que reflitam as mudanças demográficas.

É um processo cheio de complicações e possibilidades de manipulação. A ponto de terem inventado uma palavra para designar a procura de vantagens individuais ou partidárias ao fazê-lo. O nome é gerrymandering e ocorre com frequência por lá.

Se, então, o Congresso aprovasse o voto distrital no Brasil, o que teríamos de imediato seriam novos problemas. Em vez de consertar nossos males, criaríamos outros.

Tudo valeria a pena se houvesse certeza da superioridade do voto distrital em relação ao proporcional. Nos aborreceríamos até chegar a ele, mas o resultado compensaria.

Não é, no entanto, o caso.

Por várias razões, o voto distrital está longe de ser uma solução. Nele, é possível que quase a metade de uma região, estado ou do País fique sem representação. E é certo que, para as minorias étnicas, religiosas, culturais, de gênero ou opinião, entre outras, seria quase impossível eleger deputados.

A disputa de votos baseados na territorialidade faz com que o conteúdo político das candidaturas fique em plano secundário. O que predomina é a discussão dos “problemas concretos” e de quem tem “mais capacidade” de resolvê-los. O típico eleito é (e se orgulha disso) um “despachante de luxo”, um parlamentar paroquial que vai para Brasília com a ideia de que só deve explicações à sua região. Isso já existe hoje, e se generalizaria e se intensificaria.

No voto distrital, os candidatos não precisam de seu partido para se eleger. Só sua votação conta. Sentem-se, portanto, donos exclusivos de “seus” votos. Estar filiado a determinado partido chega a ser irrelevante.

Complicado, sujeito a manipulações, o voto distrital é ruim na representação de minorias, leva à falta de ideologia na política e enfraquece os partidos.

Talvez sejam seus problemas que atraiam a direita. Ou, então, ela só quer mesmo é posar de quem tem a solução para o Brasil (mesmo que saiba que é conversa fiada).

Dilma na ONU: e agora, José?

Meu amigo Edgar Borges postou esse texto no facebook, o qual reproduzo aqui: "Segundo se dizia nas correntes durante a campanha eleitoral de 2010, alimentadas pelos trolls do José Serra, a Presidenta Dilma Rousseff seria presa logo que desembarcasse nos EUA, por conta de sua luta contra a ditadura militar. Você aí, que irresponsavelmente passou adiante essa mentira, como se sente ao ver a nossa Presidenta em Nova York, se preparando para abrir o encontro da Organização das Nações Unidas (ONU)?"

domingo, 18 de setembro de 2011

Ciclovia na Av. Ferroviários: o fracasso de um projeto ruim e pessimamente planejado

O projeto implantado às pressas para beneficiar alguns moradores circunvizinhos de classe média-alta, fracassou em seu objetivo de mostrar a atenção que a prefeitura de Jundiaí tem com o meio ambiente e o bem estar do povo.

- por Marcus Guaicuru, Tesoureiro do PSL

Ciclovia fica vazia enquanto carros enfrentam congestionamento

Neste Domingo, após algum tempo de "inaugurada", a ciclovia do PSDB ficou às moscas com raríssimos ciclistas. O projeto implantado às pressas para beneficiar alguns moradores circunvizinhos de classe média-alta, fracassou em seu objetivo de mostrar a atenção que a prefeitura de Jundiaí tem com o meio ambiente e o bem estar do povo. Abandonada pelos ciclistas e repleta de Agentes de Trânsito e voluntários, a ciclovia causa congestionamentos intermináveis.

Para percorrer pouco mais de 800 metros, os motoristas são obrigados a parar na via e transitar a menos de 20 Km por hora entre 4 semáforos. Como a "área de lazer" foi mal projetada, péssimamente planejada e ridiculamente implantada entre algumas Avenidas importantes e em meio a diversos semáforos, a prefeitura é obrigada a transferir para o local ambulâncias, agentes de trânsito e diversos voluntários que têm a missão de proteger os escassos ciclistas que se aventuram pelo local, para que não se misturem ao tráfego de veículos.

Improviso: agentes de trânsito tentam garantir segurança de ciclistas

Tudo desnecessário, pois o engarrafamento do trânsito é permanente e a ausência de ciclistas, a tônica do projeto. Há, urgentemente, necessidade de mudanças em nossa cidade, para que as maquiagens ridículas feitas pelos tucanos sejam extintas definitivamente.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Faltam visão crítica e instrumentos legais contra corruptor, diz Hage

Para o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage, empresários também são culpados por desvio de verba pública, mas não se discute punição deles porque Congresso e imprensa seriam 'expressões do poder econômico'. Em entrevista à Carta Maior, Hage sugere que internet mobilize sociedade para pressionar pela votação de leis contra corruptores.

- por André Barrocal, na agência Carta Maior

BRASÍLIA - O escritor gaúcho Luis Fernando Verissimo escreveu certa vez, numa de suas crônicas periódicas, que o brasileiro parece encarar a corrupção um pouco como faz com a homossexualidade: só o passivo é. O recente noticiário político, recheado de páginas sobre má conduta ética de um lado só, dá motivo à curiosa comparação.

“Quem compra é quem detém o poder econômico. E o poder econômico sempre fica menos exposto à crítica”, afirma o ministro-chefe da Controladoria Geral da União (CGU), Jorge Hage.

Em entrevista exclusiva à Carta Maior, Hage diz que, no Brasil, o poder econômico controla dois dos principais responsáveis por definir aquilo que o país debate. Os veículos de comunicação, que antes de tudo são empresas. E o Congresso, aonde dificilmente se chega sem doação empresarial em eleições.

Para ele, o cerco aos corruptores, tão responsáveis quanto os corruptos pelo roubo de dinheiro público, requer uma intensa mobilização social. Só assim, pressionados, os parlamentares aprovariam o fim de contribuições empresariais para campanhas e uma lei para punir pessoas jurídicas corrompedoras, dois projetos parados no Congresso.

Na entrevista que o leitor verá a seguir, Hage fala sobre a esperança de ver a internet - e até setores da imprensa - ajudando a mobilizar a sociedade contra os corruptores. Explica o que a CGU consegue fazer com "instrumentos modestos". E comenta os atos contra a corrupção realizados no 7 de setembro. "Foram muito bem vindos e a favor do governo".

Por que no Brasil, em matéria de corrupção, só aparece quem se vende e não quem compra?

Jorge Hage: Em primeiro lugar, porque quem compra é quem detém o poder econômico. E o poder econômico sempre, no Brasil, e talvez no muito inteiro, mas nas democracias mais maduras essa diferença de tratamento tende a se atenuar, fica menos exposto à crítica do que o poder político. E uma das razões é o fato de que os próprios meios de comunicação são detidos pelo mesmo poder econômico. Além disso, na minha visão, os problemas de corrupção começam no próprio financiamento dos partidos e das campanhas políticas. Se nós vivemos num sistema capitalista, onde o capital é quem financia a constituição do poder político, ou seja, é quem escolhe quem vai exercer o poder político, é mais do que óbvio que o problema tem raiz aí mesmo.

Como enfrentar isso?

Hage: Medidas como financiamento exclusivo de campanhas e partidos poderiam ajudar, mas é extremamente difícil de aprovar. Mantido o marco do financiamento privado, seria possível ampliar enormemente a sua transparência, por exemplo, tornando obrigatória a divulgação do nome dos financiadores e do destinatário do financiamento antes das eleições, e não somente depois, como acontece hoje. Mas, enquanto não conseguirmos passar ao financiamento público, eu edefendo tetos bem mais baixos do que os atuais, tanto para financiamento da pessoa física quanto da pessoa jurídica.

Quanto seria um limite aceitável?

Hage: Não sei, mas deve ser discutido.

O senhor está na CGU há nove anos, já deve ter se debruçado sobre muitos casos de irregularidades. O que conta mais: quem está na máquina e monta um esquema ou quem está fora, fustigando?

Hage: Nunca pensei em fazer um gol de desempate nesse jogo. Acho que há responsabilidade dos dois lados. O que está faltando hoje é não só um foco maior da visão crítica para o lado do corruptor, como também a construção de instrumentos melhores para combater esse lado. O que a CGU pode fazer em relação a empresas que pagam propina, cometem qualquer tipo de ilícito em licitações? São apenas aquelas penalidades previstas na lei 8666, que são a suspensão por até dois anos e a declaração de inidoneidade para contratar com o serviço público ou para participar de licitações. O que fizemos com esse instrumento modesto? Passamos a dar utilização máxima. Instauramos processos contra fornecedores sempre que há casos mais graves. E colocamos no site um cadastro que busca reunir todas as penalidades que existem contra empresas aplicadas por todos os órgãos públicos do Brasil. O espírito da lei é fazer com que a empresa punida por um órgão não possa fornecer a mais nenhum órgão, e não só àquele que lhe aplicou a pena.

E o cadastro funciona? Os órgãos deixam de assinar contratos, cancelam contratos?

Hage: Amplamente. Aconteceu um caso concreto com a Valec. A Valec contratou uma empresa, a Dismaf, que tinha sido declarada inidônea pela ECT [Correios]. Comuniquei o ministro dos Transportes, que comunicou a Valec, e foi desfeito o contrato. Mas são poucos os instrumentos. O que seria o mais importante em muitos casos? Conseguir aplicar multas pesadas, não as irrisórias que existem nos contratos. Multas que atinjam um percentual do faturamento da empresa.

Esse tipo de multa está previsto no projeto de responsabilização das empresas por crimes contra a administração pública que o governo mandou ao Congresso há 17 meses. Até agora, o projeto não andou. O que é preciso fazer para que ele ande?

Hage: Mobilização da opinião pública, social. Via internet e imprensa, dois grandes instrumentos de mobilização.

Mas o senhor disse antes que a imprensa é expressão do poder econômico...

Hage: Mas os órgãos de imprensa também não são todos homogêneos, monolíticos. Tem jornalistas influentes dentro de determinados órgãos de imprensa que escrevem o que querem - alguns, não são todos -, que conseguem furar o bloqueio do que seria o interesse do poder econômico. E os próprios jornais, até para que se mantenham com o mínimo de credibilidade, procuram, aqui e ali, abrir brecha ao seu próprio interesse. Nós temos o exemplo recente da Ficha Limpa. A lei é contrária a grandes segmentos do poder econômico e a parlamentares que representam o poder econômico, sem dúvida, mas a imprensa deu cobertura. Porque houve uma grande mobilização da sociedade. Há outras formas dessa mobilização se expressar, e aí muitas vezes a imprensa vai junto.

A gente não está num momento bom para isso ser colocado de forma mais firme no debate público, com o tema corrupção tão em evidencia? E, mesmo assim, não se viu isso ainda...

Hage: É verdade, não se chegou lá ainda.

Há um outro projeto na Câmara, mais antigo que o do governo, do deputado Henrique Fontana, que tipifica o crime de corrupção ativa...

Hage: Mas a corrupção ativa já é tipificada, no Código Penal. O que falta tipificar é enriquecimento ilícito de funcionário público.

O projeto tipifica a atuação das empresas corruptoras...

Hage: Pronto, é isso aí, a pessoa jurídica. Esse é o ponto. No entendimento da CGU, será muito mais difícil conseguir tipificar como autor do crime uma pessoa jurídica. Não é da tradição do sistema jurídico brasileiro a instituição de tipos criminais cujo agente seja pessoa jurídica. Na nossa tradição, o crime é da pessoa física, do homem. Temos um só exemplo, mas com pouca aplicação prática, que é na área do crime ambiental. A experiência não é boa, não deu frutos, porque não se coaduna com a tradição do sistema jurídico brasileiro. Por isso, nós fizemos uma opção consicente de propor o crime como ilícito civil, que pega inclusive o patrimônio da pessoa jurídica.

E apesar disso...

Hage: Está parado lá, até hoje.

O senhor mencionou antes que o financiamento público é uma medida estrutural que ajudaria a combater a corrupção. Mas eu não tenho memória de, até agora, algum grande empresário vir a público para defendê-lo.

Hage: Vai ser difícil...

O senhor acha que mesmo aquele empresário de boa índole não tem disposição para mexer nesse vespeiro, e aí fica mais difícil de criar na sociedade um clima que force o Congresso a fazer algo que o Congresso, no fundo e em sua maioria, não quer fazer?

Hage: Sugeriria a você levar essa ideia ao Instituto Ethos, com quem nós temos um diálogo mais fácil, temos parceria.

Como é no exterior? O dilema corruptor-corrompido existe também?

Hage: O que posso dizer, pela minha vivência nesses fóruns internacionais, é que existe uma grande preocupação dos organismos internacionais que discutem combate à corrupção, de engajar o setor privado nessa luta. Mas ninguém, até hoje, conseguiu, na prática, desenvolver uma iniciativa concreta nessa direção. Nós, no Brasil, inclusive, estamos sendo pioneiros em algumas iniciativas. Nos seminários de que tenho participado, tem se discutido coisas assim: 'seria interessante oferecer estímulos para empresas que se comprometam a adotar posturas de integridade corporativa, como dar vantagens em licitações, benefícios fiscais, creditícios'. Eu digo, 'nessa aí, estou fora, nós não vamos fazer no Brasil'.

O senhor acha que combate à corrupção tem se prestado apenas à exploração política? Não há uma certa hipocrisia no ar, de alguns que levantam a bandeira?

Hage: Sem dúvida, mas não posso generalizar. Na Câmara tem 500 parlamentares, no Senado tem 80. Mas tem um grupo que realmente quer, eu não duvido da honestidade de propósitos destes parlamentares que estão na Frente. Agora, saber se eles têm força para levar a alguma conseuquência concreta é outra coisa. Adere a estes movimentos outro tipo de parlamentar que não tem absolutamente nada a ver com essa seriedade de propósito, que adere apenas de forma oportunista para criticar o governo. A gente vê certas figuas dos partidos de oposição que chega a ser uma piada aparecer para defender combate à corrupção.

O que achou de manifestações contra a corrupção do 7 de setembro?

Hage: Achei tímidas, ainda pouco representativas, mas muito bem vindas, por menores que sejam. Ainda que haja quem tente manipulá-las. Não é porque um parlamentar do PSDB, do DEM ou do PPS pretendeu utilizar aquele movimento para criticar o governo, que eu vou ser contra o movimento. De forma nenhuma. O movimento é muito bem vindo. E, quanto mais movimento contra a corrupção, melhor. Isso interessa ao governo, é bom para o governo - desde que se trate de um governo, como o nosso, que está realmente interessado em combater a corrupção, com todas as sua limitações, óbvias, naturais, inevitáveis, mas está empenhando. Essa é a posiçao inequívoca da presidenta Dilma Rousseff. De modo que, sendo assim, todos os movimentos que vêm nessa direçao, eu os encaro como movimentos de apoio ao governo.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Filmes: "X-Men: Primeira Classe"

FORÇANDO A BARRA

Filme seria um prólogo do primeiro da série, mas tudo parece forçado para tentar encaixar as coisas na mitologia já consagrada dos X-Men

- por André Lux, crítico-spam

Depois de três filmes da série e um solo do Wolverine, “X-Men: Primeira Classe” é mais uma tentativa dos executivos da Fox de tentar lucrar em cima da franquia baseada nos personagens criados por Stan Lee, cujo primeiro capítulo era muito bom. Mas o resultado é medíocre. Não chega a ser ruim, mas não passa do banal.

A melhor coisa do filme é a dupla de atores que interpretam os jovens Professor X e Magneto, feitos por James McAvoy e Michael Fassbender. Os dois são ótimos atores e seguram bem seus personagens, mesmo quando o roteiro insiste em dar a eles cenas tolas e diálogos banais.

O problema dessa obra é que se trata de uma daquelas infames “prequels”, ou seja, seria um prólogo dos eventos descritos no primeiro filme da série. Então eles inventam um monte de cenas e autoreferências (como uma aparição ridícula do Wolverine) que servem apenas para ligar os dois filmes. E muitas delas não tem a menor lógica.

A pior de todas é terem inventado que a Mística seria uma espécie de irmã adotada do professor Xavier, o que é totalmente absurdo se levarmos em conta a participação dela nos outros filmes da série.

Eles criam também um vilão super malvado, que seria um cientista nazista que faz testes com o Magneto ainda jovem no campo de concetração (que foi mostrado no início do primeiro filme). Mas o personagem é mal delineado (nunca entendemos direito quais são seus poderes), caricato e feito de forma descontrolada por Kevin Bacon.

Mas triste mesmo é o plano dele: forçar os EUA e a já extinta União Soviética a entrarem em guerra nuclear para destruir o mundo e, assim, governá-lo (realmente um plano genial!). Isso coloca os mutantes do bem, recrutados pelo serviço secreto estadunidense, no meio da crise dos mísseis entre EUA, Cuba e URSS, tentando assim imitar sem sucesso “Watchmen”, onde os heróis também intervinham em eventos reais a serviço dos EUA.

O filme tem cenas de ação e efeitos especiais suficientes para agradar quem gosta do gênero, porém não apresenta quase nada além disso. Nem mesmo a separação dos mutantes entre os que ficam com o Professor X e os que aderem às ideias do Magneto chega a convencer e, no final das contas, tudo parece forçado para tentar encaixar as coisas na mitologia já consagrada pelas outras histórias.

Mas, ao que tudo indica, mais continuações virão na esteira dessa obra. Afinal, os executivos de roliudí não famosos por forçar a barra para tentar tirar leite de pedra...

Cotação: * *

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Artigo imperdível: A corrupção como fenômeno político

O jornal Le Monde Diplomatique Brasil traz uma análise de Francisco Fonseca muito pertinente sobre o fenômeno da corrupção política no país.

Um trechinho dele: "Urge analisarmos a corrupção como um fenômeno intrinsecamente político, que se refere, portanto, à maneira como o sistema político brasileiro está organizado. A lógica do sistema político brasileiro é marcada pela privatização da vida pública, não em termos moralistas, e sim quanto às estruturas que o sustentam".

O artigo completo só na edição impressa, mas aqui vai o link para o site do jornal.

domingo, 11 de setembro de 2011

Golpe de Estado: EUA foram os algozes do 11 de setembro no Chile


Antes de serem vítimas do 11 de Setembro de Osama bin Laden, os Estados Unidos foram algozes num outro 11 de setembro, no Chile, 38 anos atrás. O golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, com apoio norte-americano, instaurou uma ditadura brutal, responsável pela morte de três mil pessoas e pelas torturas cometidas contra 28 mil, na estimativa conservadora dos registros oficiais.

Mas se lições ligam estes dois episódios, elas não foram aprendidas. É o que disse ao Opera Mundi um dos protagonistas desta data negra para o Chile, o cientista político Heraldo Muñoz, de 63 anos, membro do breve governo Allende. Hoje, Muñoz é subsecretário geral do Pnud (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), em Nova York. Mas o cargo diplomático não o impediu de fazer uma leitura crítica da política norte-americana.

“Estas duas histórias se comunicam pela porta dos fundos, já que os EUA foram atores em ambos os casos”, disse Muñoz, em entrevista concedida por email. “Primeiro, Washington ajudou a perpetrar a violência no Chile contra um povo indefeso. Mais tarde, os norte-americanos foram objeto da violência fanática no 11 de Setembro de 2001, que também cobrou vitimas inocentes. Mas não sei se a lição histórica – da necessidade de respeitar irrestritamente os direitos humanos – foi aprendida por eles”, afirmou.

Chile: epitáfio do outro 11 de setembro

Em 1973, Muñoz dirigia um ambicioso projeto idealizado por Allende, chamado Almacenes del Pueblo (Armazéns do Povo), uma rede que pretendia fazer chegar comida à população, sem depender da intermediação dos empresários privados do ramo. Na época, donos de supermercados e armazéns faziam lockouts para esconder produtos alimentícios, como forma de jogar o povo contra o governo da Unidade Popular (UP) e forçar a derrubada de Allende, que, em resposta, começou a confiscar e estatizar redes privadas de supermercados.

As medidas do governo da UP – que também nacionalizou o cobre, principal produto de exportação do Chile, e deu início a uma profunda reforma agrária – encontrou resistência imediata da direita. Em tempos de Guerra Fria, a ameaça representada por um modelo socialista e democrático no que os EUA viam como seu quintal, era algo inadmissível.

No dia 11 de setembro de 1973, o general chileno Augusto Pinochet liderou o golpe de Estado contra Allende. O Palacio de la Moneda, sede do governo, foi bombardeado por caças da Força Aérea do Chile (Fach), enquanto atiradores posicionados nos edifícios do centro de Santiago disparavam contra os poucos membros da guarda presidencial, leais a Allende. Cercado, o presidente fez seu último discurso, transmitido pela rádio, antes de suicidar-se com o disparo no queixo de um fuzil AK-47, presente do amigo cubano Fidel Castro.

“O 11 de setembro do Chile significou a perda da democracia e a interrupção da aspiração de construir o socialismo por uma na via pacifica, pela força dos votos”, analisou Muñoz. “O golpe marcou as vidas de toda uma geração, em todo o mundo. Uma vez, nos anos 1990, eu estive com a ex-primeira ministra do Paquistão Benazir Bhutto, assassinada em 2007, e ela me falou do impacto que o nosso 11 de setembro teve nas forças progressistas paquistanesas neste momento, não apenas no Paquistão, mas também em toda a Ásia e no mundo inteiro.”

Os EUA como algozes

O governo norte-americano – que travava, então, uma guerra sem fronteiras contra o comunismo – viu no Chile o embrião de uma experiência com potencial para levantar uma verdadeira onda esquerdista na América Latina. A resposta de Washington veio por meio do então chefe do Departamento de Estado no governo de Richard Nixon, Henry Kissinger. “Não vejo porque temos de esperar e permitir que um país se torne comunista por causa da irresponsabilidade de seu próprio povo”, afirmou Kissinger.

Um dia depois do golpe no Chile, Kissinger conversou com Nixon sobre o ocorrido. “Há algo novo, que seja de importância?”, perguntou o presidente. “Nada grave. A coisa do Chile é questão de consolidação e, é claro, os jornais são sangue por todos os lados porque um governo pró-comunista foi derrubado”, respondeu Kissinger, antes de agregar: “no período de Eisenhower (presidente norte-americano que forjou a doutrina segundo a qual os EUA deveriam intervir em qualquer país do mundo que sofresse influência soviética) teríamos sido heróis.” Nixon, receoso, perguntou: “Bom, como você sabe, nossa mão não pode ser detectada neste caso”. E ouviu de seu braço direito: “Claro. Não há nenhuma dúvida disso. Eu me refiro ao fato de que nós os ajudamos (trecho ilegível) a criar as condições mais favoráveis possíveis”. Nixon encerra a conversa dizendo: “Muito bom. É o que deveria ter sido feito.”

Mas Muñoz reconhece que o dramático golpe de 1973 também provocou inevitavelmente respostas positivas da sociedade. “O movimento global dos direitos humanos nasceu, em grande medida, em resposta ao 11 de setembro chileno. Hoje, acredito que a data lembra, além da dor da perda de vidas humanas e violações dos direitos humanos, a necessidade de conjugar mudanças sociais e consolidação da democracia”, disse.

A herança do 11/9

O Chile de hoje está construído sobre uma Constituição elaborada durante a ditadura, nos anos 1980. O país é democrático. A Carta, nem tanto. Ela “fossilizou” um sistema político binominal, como disse o jornal britânico Financial Times há uma semana. Só chegam a presidente os candidatos ligados aos dois grandes blocos políticos existentes hoje. De um lado, a Concertação – que governou o Chile por 20 anos, do fim da ditadura, em 1990, até o ano passado – de outro lado, a Coalizión por El Cambio, que em março de 2010 venceu as eleições, dando início ao primeiro governo de direita no Chile desde o fim do governo militar. E o primeiro de direita eleito democraticamente no país em 50 anos.

Para o chileno Claudio Fuentes Saavedra, PhD em Ciência Política pela Universidade da Carolina do Norte, a Constituição foi “um exercício de engenharia institucional elaborada em 1980, que transferiu a soberania popular a um corpo de representantes que, embora sejam eleitos, na prática, podem alterar as normas básicas de convivência nacional à margem de qualquer escrutínio cidadão”.

Prova disso é que o país amarga há quase quatro meses sua maior crise política desde a redemocratização. Milhares de estudantes pedem o fim do lucro na Educação e a melhoria da qualidade do ensino. Apesar de ter o respaldo de 80% da população, estas propostas não avançam. A Constituição proíbe a realização de referendos, plebiscitos e outras consultas populares diretas, salvo sob condições bastante estritas, como um impasse entre o Executivo e o Legislativo. Assim, o país segue imobilizado. Mesmo com o governo tendo a aprovação de apenas 26% dos chilenos.

Além da Constituição, os reflexos concretos do 11 de Setembro chileno também são perceptíveis no sistema hiper privatizado. Não existe nenhuma possibilidade de que um trabalhador chileno possa aderir hoje a um sistema público de aposentadoria. A saúde também é esmagadoramente explorada por planos privados. E nenhum estudante tem direito a estudar em uma universidade pública gratuita, salvo se conseguir acesso a uma bolsa de estudo.

O país levou a extremos inimagináveis o liberalismo econômico, encarnado pela geração dos Chicago Boys, discípulos do Consenso de Washington que fizeram do Chile um tubo de ensaio para uma abertura econômica sem limites, ainda durante a ditadura.

O país tem crescido a uma taxa de 6% ao ano, mas é um dos mais desiguais da América Latina. De acordo com Julio Berdegué, doutor em Ciências Sociais e pesquisador do Centro Latino-Americano para o Desenvolvimento Rural, quatro famílias do país detém o equivalente ao salário de 80% da população. A principal delas é a do presidente Sebastián Piñera, dona de uma fortuna avaliada em US$ 2,4 bilhões.

Fonte: Opera Mundi

Onze de Setembro: Dez anos de perguntas sem respostas

Nos últimos dez anos muito se falou dos acontecimentos de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos. Naquele dia, dois aviões de passageiros colidiram com as torres norte e sul do World Trade Center em Nova York, no período da manhã. Muitas perguntas foram feitas sobre esse acontecimento e até hoje permanecem sem respostas críveis.

- Por Humberto Alencar

Um outro avião de passageiros colidiu com o Pentágono. Um quarto avião, que presume-se estava se dirigindo à Casa Branca ou ao Capitólio, caiu na Pensilvânia.

Quase três mil pessoas morreram nos ataques e a comoção generalizada fez com que a aprovação a qualquer ato da administração americana fosse quase unânime, beirando 100% de aprovação.

Pouco depois dos ataques o governo americano já apontava os culpados. Uma rede terrorista islâmica, chamada al-Qaida (A Base, em árabe) teria lançado os aviões contra os alvos. Seu líder, Osama bin Laden, era um árabe salafita que lutara contra os soviéticos nos anos 1980 no Afeganistão.

A administração Bush deu início, nos meses seguintes, a duas invasões e ocupações que perduram até hoje. A primeira foi a invasão do Afeganistão, em outubro daquele mesmo ano. Em março de 2003 foi a vez do Iraque padecer sob as botas dos soldados americanos.

O avião que caiu na Pensilvânia só não conseguiu atingir o "alvo" (Casa Branca ou Capitólio) porque um punhado de passageiros invadiu a cabine e lutou com os terroristas que pilotavam o avião.

Horas depois das duas torres do World Trade Center entrarem em colapso, um outro edifício, o The Salomon Brothers Building, ou o World Trade Center 7, também vinha ao chão.

Isso é parte da história oficial. Ela conta que 19 militantes de al-Qaida realizaram uma operação portentosa, sequestrando quatro aviões para lançá-los contra edifícios simbolos do regime americano.

O World Trade Center representava o poder econômico. O Pentágono era o poder militar e o poder político estava em Washington, na Casa Branca ou no Capitólio, a sede do Congresso estadunidense.

A investigação que se seguiu não foi, de fato, completa e até hoje não há uma conclusão sobre alguns eventos cruciais. Diante disso, surgiram centenas de teorias conspiracionistas.

Desde as mais estapafúrdias, como a de que as aeronaves eram hologramas e que explosivos teriam feito a encenação da colisão delas com as torres do WTC às mais convincentes, como a de que nenhum grande avião teria colidido com o Pentágono.

No entanto, a mais grandiosa de todas as teorias da conspiração é a própria explicação oficial para os eventos. Terroristas decidiram atingir os Estados Unidos, para isso se reuniram fora do país, fizeram os planos, viajaram para os EUA, aprenderam a pilotar e depois cumpriram com precisão milimétrica com uma das mais tenebrosas missões de terrorismo da história.

Não cabe julgar quais das teorias da conspiração está correta e cabe melhor aos eventos daquele dia. A oficial tem pontos muito obscuros, desde o cerceamento da Comissão de Investigação à dispensa dos escombros recolhidos dos edifícios que entraram em colapso naquele dia.

O material recolhido foi atirado ao mar por meio de chatas, ao invés de ser reutilizado ou colocado à inteira disposição da comissão de investigação. Parte das provas foram perdidas para sempre, de forma deliberada.

Outro questionamento que jamais foi respondido de forma satisfatória é o porquê do edifício número 7 ter entrado em colapso, às 17h20 daquele dia. Após o encerramento da investigação, em 2002, as evidências foram destruídas e o relatório não é concludente.

Uma das evidências mais curiosas dos eventos de 11 de setembro é uma reportagem da emissora BBC britânica, que entra ao vivo para informar os telespectadores de que o edifício número 7 havia entrado em colapso.

O apresentador narra a notícia e passa a bola para a repórter Jane Standley, que está em um edifício de Nova York de onde pode ser visto o local enfumaçado onde estavam as torres gêmeas.

Jane discorre sobre o ataque e o colapso do edifício. Ao fundo, atrás de sua cabeça, o WTC7 continua de pé. Em um dado momento do vídeo, a repórter se afasta para que o cinegrafista possa exibir a cena em que uma espessa fumaça negra escapa para o céu a partir do local onde estavam as duas torres.

O edifício número 7 está na imagem e continua de pé, a despeito da notícia de que havia caído. Tal fato só ocorreu cerca de 20 minutos depois da BBC ter entrado ao vivo para relatar o suposto colapso. Richard Porter, editor naquele dia e horário, foi questionado a respeito e publicou em seu blog várias respostas, muito evasivas, sobre o motivo de terem anunciado uma queda que não havia acontecido.

Embora as imagens não signifiquem que a BBC "conspirou com o governo americano", esse vídeo reforçou e muito a tese de que o 11 de Setembro havia sido um "inside job" (trabalho interno, no jargão americano) da administração Bush, abrindo terreno para novas guerras de rapina, com lucros incomensuráveis para setores da burguesia local e um endividamento colossal do erário americano.

Outro fato também inexplicável é o atentado ao Pentágono. Embora existam diversas câmeras de controle de tráfego urbano na região próxima por onde o jato da American Airlines teria passado antes de colidir com o edifício, as imagens foram confiscadas pelo governo e jamais reveladas.

Imagens intrigantes do Pentágono momentos depois da "colisão" podem ser vistas em vários sites, como este, intitulado Pentagon Strike (Ataque ao Pentágono). Além de não haver qualquer indício de que uma aeronave colidira no local (não há restos da deriva, da cauda, do leme, dos profundores, partes que geralmente resistem aos danos de uma colisão frontal ou queda), há várias janelas no Pentágono que não tiveram seus vidros arrebentados na colisão.

Em uma das imagens é possível ver, sobre um pequeno móvel, uma lista telefônica intacta, em um local onde supostamente uma aeronave, com 20 mil litros de querosene líquido, colidira momentos antes.

Por outro lado, indaga-se o que teria levado um edifício de concreto e aço a despencar como as torres gêmeas e o edifício número 7. A versão oficial argumenta que o incêndio resultante do impacto dos aviões nos edifícios teria enfraquecido a superestrutura, de tal modo que ela entrou em colapso vertical.

No caso do Salomon Brothers Building, ele teria sido atingido por destroços da torre norte em queda, o que teria enfraquecido sua estrutura.

Esses argumentos são rebatidos por associações que se dedicam a estabelecer a verdade sobre o que aconteceu naquele dia. São gurpos como o "Arquitetos e Engenheiros pela Verdade do 11 de Setembro", grupo de bombeiros, de pilotos, de professores, a Associação de Memória do Edifício 7 e o Grupo de Nova York, que inclui os familiares das vítimas.

Diante de tantas indagações, o regime americano poderia liberar toda a documentação secreta que detém sobre os ataques, caso a maior das teorias conspiratórias for, de fato, verdadeira, que é a história oficial divulgada infinitamente nos últimos dias.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Filmes: "Cowboys & Aliens"

DÁ PRO GASTO

Maior defeito do filme é se levar a sério demais

- por André Lux, crítico-spam

Claro que não dá pra levar a sério um filme cujo título é “Cowboys & Aliens” - e talvez esse seja seu maior defeito: ele é levado com mão pesada e violência excessiva. O estranho é que o diretor é Jon Favreau, bom comediante (esteve em “Friends”) que fez o razoável “Homem de Ferro”, que funcionava justamente por ser leve e trazer muito humor.

Aqui partiu para a direção oposta. Apenas um personagem tenta trazer graça à história (o dono do saloon feito por Sam Rockwell) e o nosso eterno “paizão” Harrison Ford tenta de vez em quando fazer umas caretas cômicas sem muito sucesso. Por sinal, o personagem dele é muito esquisito, começa meio vilão com um sotaque estranho e sem mais nem menos vira bonzinho e fica sem sotaque algum do meio para o final. O coadjuvante mais interessante, o padre feito por Clancy Brown (o inesquecível vilão Kurgan de “Highlander”), infelizmente sai de cena muito cedo.

O protagonista é um sujeito sem memória que acorda no meio do deserto e já de cara mata três mal encarados a sangue frio e com requintes de crueldade (naquela velha máxima roliudiana do cidadão que sofre de amnésia e esquece de tudo, menos de suas super habilidades marciais!). Ele é feito pelo feioso novo James Bond, Daniel Craig, que aqui atua no módulo “robô-sem-expressão”. A bela Olivia Wilde (a 13 de “House”) tem um personagem misterioso que ajuda os mocinhos a lutarem contra os aliens do título.

No final, vira uma bagunça só, com um monte de gente – inclusive índios - se juntando para combater os malvados aliens, que, ilogicamente, parecem e agem como um monte de ogros babões que dominam tecnologia avançadíssima. Se você desligar o cérebro por duas horas (o filme também é um pouco longo demais) dá até para se divertir. Pelo menos é bem feitinho, tem bons efeitos visuais e o elenco ajuda. Ou seja, dá pro gasto, desde que não se espere muito.

Cotação: * * 1/2

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Mídia: regulamentação não é censura

A regulação dos meios de comunicação não é censura, mas instrumento fundamental para o exercício democrático do direito constitucional que assegura a liberdade de pensamento e de expressão.

- Editorial do Vermelho

“É urgente abrir o debate no Congresso Nacional sobre o marco regulador da comunicação social – ordenamento jurídico que amplie as possibilidades de livre expressão de pensamento e assegure o amplo acesso da população a todos os meios – sobretudo os mais modernos como a internet” – este trecho da Resolução Política aprovada dia 4 (domingo) pelo 4º Congresso do Partido dos Trabalhadores causou alvoroço entre os conservadores e os barões da mídia, despertando a costumeira gritaria contra a “censura”, o “totalitarismo” e alegações semelhantes.

A decisão do 4º Congresso do PT reforça o clamor pela democratização dos meios de comunicação, que nos últimos anos cresce e ganha as massas e que o Programa Socialista do PCdoB, aprovado no seu 12º Congresso, de 2009, considera estratégica. “O direito à comunicação é indispensável à cidadania e à democracia”, diz aquele documento, que ressalta o combate à monopolização do setor, prega a revisão dos critérios de concessão para o setor privado, e defende a criação de mecanismos de controle social, com ênfase “à defesa da produção e da cultura nacional, valorizando a diversidade regional e a produção independente; no processo de convergência digital, defender a produção nacional em face de tentativas de invasão estrangeira.”

A regulação dos meios de comunicação não é censura, mas instrumento fundamental para o exercício democrático do direito constitucional que assegura a liberdade de pensamento e de expressão.

Nas condições atuais brasileiras o monopólio da mídia, concentrado nas mãos de seis ou sete famílias, é agravado pela propriedade cruzada onde uma mesma empresa pode ser dona de jornais diários, revistas e emissoras de rádio e televisão. Esta é a maior e mais concreta ameaça contra o pleno exercício daquelas liberdades constitucionais e que permite o exercício de uma verdadeira censura privada contra notícias e opiniões que não agradem aos donos da mídia.

No Brasil de hoje, liberdade de imprensa é, na verdade, liberdade de empresa, que assegura à mídia hegemônica a difusão de um pensamento único que não admite contraditório. E cuja característica é estar voltado para a defesa de privilégios conservadores e da elite, e pela rejeição aos interesses do povo, da nação e da democracia.

A inexistência de um marco regulatório, exigido pela Constituição de 1988 e ainda à espera de uma legislação específica, permite o exercício irresponsável daquela “liberdade de empresa” que difunde notícias sem base real além dos interesses e preconceitos dos editores, proprietários e setores conservadores. Notícias que muitas vezes arruínam reputações e deixam os cidadãos indefesos e à mercê da arbitrariedade daqueles que comandam a mídia.

Democratizar os meios de comunicação não é censura, como acusam interessadamente os monopolistas da mídia. Significa a criação de critérios de responsabilidade cívica, legal e social que cabe a todos os que atuam neste setor. Significa também fortalecer a mídia alternativa, contra-hegemônica, popular – seja qual for o nome que se dê a ela – assegurando a plena multiplicidade de pontos de vista que expressem a riqueza de opiniões existente na sociedade e que, nas condições atuais, encontra enormes dificuldades para se manifestar, em contraste com o direito assegurado pela Constituição.

O debate é apaixonado, como diz o ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, exatamente pelo conjunto de interesses e privilégios que envolve – interesses empresariais daqueles que encaram as comunicações apenas como um negócio voltado ao lucro e interesses políticos daqueles que usam jornais, revistas e canais de televisão como o grande partido conservador que se contrapõe à expansão da democracia e aos setores patrióticos, progressistas e populares. E que exercem uma verdadeira censura privada que sonega ao público notícias que não convém aos interesses privados e particulares dos poderosos.

Contrariamente às pretensões dos monopolistas da mídia, a instauração de um marco regulatório da mídia é um passo necessário e fundamental para a democracia.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Kaddafi: Martir, não. Assassino

- por Rodrigo Martins, repórter da revista CartaCapital

De início, imaginei ser uma reação de meia dúzia de pessoas desinformadas ou com algum conceito obtuso de maniqueísmo político herdado da Guerra Fria. Depois, assustei-me com a proliferação de comentários em blogs, redes sociais ou mesmo no espaço reservado aos leitores em sites da mídia tradicional, inclusive o de CartaCapital, a defender abertamente o regime do ditador líbio Muammar Kaddafi, apontado como uma espécie de mártir perseguido pelas grandes potências mundiais.

Graças ao seu passado revolucionário e sua retórica anti-imperialista, o coronel conquistou a simpatia de setores da esquerda, sobretudo a bolivariana. Mas o que causa assombro é o fato de muitos desses militantes ignorarem as violações cometidas nos 42 anos da sangrenta ditadura protagonizada por Kaddafi.

As prisões arbitrárias e execuções extrajudiciais contra dissidentes políticos, os atentados terroristas que patrocinou (como a explosão de aviões estrangeiros repletos de civis), as bombas que jogou contra seu próprio povo e toda a sorte de violações aos direitos humanos parecem ter sido solertemente esquecidas ou minimizadas pelos grupos simpáticos ao ditador.

Houve até quem criticasse a publicação de uma matéria a informar que Kaddafi patrocinava o estupro coletivo das mulheres que integravam a sua guarda feminina, inclusive com a distribuição de pílulas de Viagra a militares de certas patentes. Contêineres repletos do medicamento eram entregues aos soldados.

“Afinal, foi estupro ou as mulheres se sujeitaram a isso mediante pagamento?”, chegou a indagar certo leitor, como se algum tipo de benesse pudesse compensar tal crime.

É como se o desrespeito aos direitos humanos pudesse ser tolerado em determinadas situações, sobretudo quando considero que certo regime tem ideologia semelhante ou compartilha dos mesmos opositores.

Mas nem sempre o inimigo de um oponente meu pode ser considerado meu amigo. É verdade, como ressaltou Antonio Luiz M.C. Costa, em reportagem de capa publicada na edição 635 de CartaCapital, que Kaddafi “comandou a modernização da indústria e da agricultura, investindo nesses setores dezenas de vezes mais que a antiga monarquia, e promoveu uma reforma agrária que deu dez hectares, trator e implementos agrícolas a cada família. Os recursos do petróleo proporcionaram uma boa renda per capita e razoáveis serviços de educação e saúde”. Comparada às demais nações africanas, a Líbia tem um grau de desenvolvimento notável.

Mas o mesmo texto ressalta, a quem vê o ditador com simpatia por interesse econômico ou geopolítico, que nem por isso os crimes de Kaddafi devem ser ignorados, além de expor as contradições ideológicas do líder líbio.

“Kaddafi podia ser considerado tanto um líder anti-imperialista quanto um parceiro das transnacionais europeias e um bastião do Ocidente contra o fundamentalismo. Na sua complicada trajetória e nas suas ideias excêntricas, podia encontrar-se de tudo” (clique aqui para ler a íntegra do texto). Outro artigo, publicado pelo diário francês Le Monde e traduzido pelo UOL (disponível para assinantes do portal neste link), revela como, em quatro décadas, Kaddafi flertou com várias ideologias para se manter no poder, inclusive aproximando-se de governos direitistas na França e no Reino Unido, ora engajados na intervenção da Otan para derrubá-lo.

Na defesa irrefletida do regime do coronel Kaddafi, muitos tentam desqualificar as denúncias contra o ditador ao apontar a indignação seletiva de certos jornalistas e meios de comunicação.

De fato, não falta gente disposta a condenar as prisões arbitrárias e a tortura contra dissidentes políticos em Cuba ou na China, mas que fecha os olhos diante das mesmas práticas quando as vítimas são supostos terroristas islâmicos mantidos, por vezes sem acusação formal ou qualquer prova de culpa além dos depoimentos coletados sob tortura, na prisão americana de Guantánamo. Há também os que criticam os vícios da teocracia no Irã e vêem com simpatia o igualmente teocrático regime de dalai Lama no Tibete.

Existem ainda os que condenem os atentados terroristas praticados por grupos palestinos e que se omitem diante do embargo econômico e dos sucessivos massacres que o Estado israelense praticou contra esse povo. Em todos os casos, é importante frisar, o complemento “e vice-versa” é valido.

Ainda que se exponha o discurso incoerente, e por vezes hipócrita, presente na grande mídia, justificar ou minimizar graves violações aos direitos humanos é um estímulo à barbárie. O regime de Kaddafi caiu tarde. E, apesar de considerá-lo um ditador sanguinário, não desejo que ele seja vítima dos próprios crimes que cometeu, como tortura ou execução extrajudicial. Merece, isto sim, ser julgado pelos crimes contra a humanidade que perpetrou. Não se trata de revanchismo ou vingança, e sim de justiça, que também não comporta qualquer tipo de visão seletiva.

domingo, 4 de setembro de 2011

Qual o (verdadeiro) papel do PSDB no Brasil?

No Estado de São Paulo, o mais rico da União em que os tucanos governam há mais de 16 anos, fundamentos como saúde, educação, segurança e transportes não tiveram melhoria considerável. Os funcionários recebem salários pífios; desmontaram a educação paulista, na segurança até moradores de bairros que constituem a base dos tucanos estão a fazer passeata em frente ao palácio dos Bandeirantes, como os do Morumbi, por não agüentarem mais os latrocínios nessa região. A imprensa cobre isso como se fosse normal, não cobram do governador. Não questionam a sua capacidade administrativa.

- por Evaristo Almeida, no blog Economia e Política

O Partido da Social Democracia Brasileira – PSDB foi criado a partir de um racha do PMDB em 1988. Surgiu prometendo ser o novo na política brasileira.

Só que com o tempo o PSDB se transformou no partido da elite subordinada brasileira. Como se sabe essa elite subordinada é vassala do capital estrangeiro no Brasil. Ela não se entende como brasileira e sim como uma sub-classe mundial. Há toda uma hierarquia na qual ela se subordina. Para ela o Brasil é irrelevante, o que conta é o quanto pode subtrair do país em recursos para que possa se fantasiar de europeu ou estadunidense.

O programa da elite subordinada brasileira não tem como finalidade desenvolver o Brasil. Ele se formou com os princípios da divisão internacional do trabalho. Se não fosse a Revolução de 1930, feita por nacionalistas, intelectuais e operários, o Brasil ainda hoje na concepção da elite subordinada seria um imenso cafezal.

Na eleição presidencial de 1994, os tucanos se aliaram aos representantes do latifúndio e escravocratas brasileiros, o Partido da Frente Liberal, que tinha se formado do PDS, partido da direita brasileira que por sua vez se originou da Arena, o simulacro de partido que deu uma feição legal à ditadura militar.

O PSDB que de social democrata não tinha nada, pois não era constituído de trabalhadores, apenas usou o termo social democracia como grife, descobriu que era simétrico ao PFL. Foi a união do pretenso moderno com o Ancien Régime, finanças e indústria com o latifúndio. Isso para que não houvesse mudanças, mantendo a desigualdade social e o Brasil como um país subordinado aos interesses estrangeiros.

Aderiram de corpo e alma ao neoliberalismo difundido pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos, o FMI e o Banco Mundial. Aplicaram um programa de desestatização, sob o manto da modernidade, que na verdade repassou várias empresas nacionais para grupos transnacionais que atualmente prestam serviços sofríveis como de energia e telefonia. As tarifas dessas empresas aumentaram em ritmo progressivo enquanto a qualidade caia na mesma proporção. Ao contrário do que foi prometido, as tarifas subiram, tanto que a energia elétrica vendida no Brasil, apesar da matriz ser de baixo custo, é a terceira mais cara do mundo, e os apagões e explosões de bueiros são uma constante. A telefonia e o serviço de banda larga no Brasil estão entre os mais caros do mundo e a qualidade é muito ruim. Ao venderem as empresas de gás eles tinham prometido que todo mundo teria o serviço. Pura propaganda, pois o serviço continua restrito aos centros urbanos. As periferias ainda usam o velho bujão.

A proposta do PSDB é acabar com o Estado, assim nos estados onde eles governam os servidores públicos tem seus salários achatados e muitos serviços são privatizados. A utopia dos tucanos é repassar todas as empresas e atribuições do Estado para empresas privadas.

Eles têm urticária de Estado e a servidores públicos.

Adotaram o mantra de cunho fiscal permanente e junto com a imprensa brasileira criaram o simulacro de que são modernos e gestores competentes.

Não é o que se observa onde são governos. Os oito anos que estiveram à frente do governo federal foram um verdadeiro desastre para o povo brasileiro. Apesar de terem multiplicado a dívida pública por dez, o país teve um crescimento pífio, o desemprego era enorme, o país vivia de joelhos e com pires na mão, mendigando recursos no FMI. A juventude não tinha perspectiva de futuro e muitos foram trabalhar no Japão, nos Estados Unidos e na Europa. Os programas sociais eram tímidos e insuficientes. A teologia neoliberal deitava e rolava.

O enfraquecimento do Estado e a confiança cega no mercado levaram ao apagão de energia elétrica que custou bilhões de reais em crescimento ao país.

Os tucanos jogaram a possibilidade de desenvolvimento do Brasil na lata do lixo no período em que foram governo, pois os neoliberais acreditavam que “fazendo a lição de casa” como um colegial, conforme receitavam o FMI e o Banco Mundial, atrairiam capital internacional que seriam investido no país para seu crescimento. Apesar de alunos aplicados, só conseguiram criar desemprego, inflação e juros altos. O capital nunca veio para transformar o crescimento do Brasil idêntico ao da China.

Há uma relação profunda entre o PSDB e a mídia nacional. As denúncias que envolvem tucanos são escondidas nos jornais ou relativizadas. Eles são blindados pela imprensa nativa. Não se sabe onde começa um e termina o outro. A impressão que dá é que o PSDB é apenas uma parte do que os meios alternativos de imprensa chamam de velha imprensa ou de Partido da Imprensa Golpista. São eles que dão a pauta para que os tucanos tenham alguma ressonância no congresso Nacional.

A velha imprensa não reconhece a oposição onde os tucanos são governos. Em São Paulo na Assembleia Legislativa, quase nunca ouve a oposição. Até 2004 a Câmara Municipal de São Paulo tinha cobertura ampla da imprensa, a partir de 2005 foi muito reduzida. E quando acontece alguma coisa desfavorável eles não acusam o governo diretamente. Por exemplo, até 2004, o congestionamento de São Paulo e a inundação eram culpa do governo do período. Os locutores de rádio na parte da manhã insuflavam o povo contra a prefeita. Era culpa dela. Depois de 2005, os congestionamentos aumentaram, mas não são mais culpa do prefeito e sim do aumento de vendas de carros e as inundações acontecem por causa de São Pedro.

O furor contra a corrupção da velha imprensa acaba quando se fala da Lista de Furnas, que pelos nomes contidos nela, nunca foram objeto de matéria da Folha de São Paulo, da Veja, da Globo ou do Estado de São Paulo. E o que falar do mensalão mineiro que levanta suspeitas de irregularidades do PSDB de Minas Gerais?

No Estado de São Paulo, o mais rico da União em que os tucanos governam há mais de 16 anos, fundamentos como saúde, educação, segurança e transportes não tiveram melhoria considerável. Os funcionários recebem salários pífios; desmontaram a educação paulista, na segurança até moradores de bairros que constituem a base dos tucanos estão a fazer passeata em frente ao palácio dos Bandeirantes, como os do Morumbi, por não agüentarem mais os latrocínios nessa região. A imprensa cobre isso como se fosse normal, não cobram do governador. Não questionam a sua capacidade administrativa.

É muito fácil ser governo tucano, pois apesar dos fracassos a mídia dá cobertura favorável. O governo Alckmin encheu os jornais nas últimas semanas com programas de transportes, sendo que a maioria deveria estar pronta em 2007, conforme preconizava programa de governo do próprio Alckmin.

Fica a pergunta, qual o papel do PSDB no Brasil?

Visto que não possuem um programa de desenvolvimento soberano nacional, sempre que podem transferem o controle de empresas nacionais para estrangeiros, são contra a Petrobras, conforme ficou demonstrado na CPI que montaram e na tentativa de privatizá-la com o nome Petrobrax?

Muitas vezes agem como porta-vozes de interesses estrangeiros em projetos no Congresso que privilegiam o interesse nacional e não fomentam políticas contra a desigualdade social?

Seria um partido de ocupação, assim como foram transformadas as forças armadas na América Latina no período das ditaduras pelos Estados Unidos, cujo objetivo era manter a situação em estado de inércia, ou seja, sem mudanças sociais e econômicas?

Por representar uma elite sem vínculo com o desenvolvimento brasileiro e que é subordinado às elites do resto do mundo, tem um papel de retrocesso na sociedade brasileira, conforme ficou demonstrado no seu programa de governo na última eleição presidencial?

São indagações necessárias, pois estamos vivendo no Brasil um período que o país encontrou o seu caminho. Isso porque implantou um programa de governo totalmente diferente do defendido pelo PSDB.

Estamos crescendo com distribuição de renda, inflação sobre controle, reservas internacionais abundantes, expansão do sistema de ensino, amplos investimentos em infraestrutura, crescimento do salário real dos trabalhadores, perspectiva de juros civilizados até 2014, forte presença internacional com soberania. Somos sujeitos e não coadjuvantes no mundo. Estamos construindo um país que sem ser imperialista pode ser transformado numa potência.

As forças que se opõem ao Brasil moderno com distribuição de renda, de poder, de educação, de saúde, de seguridade e igualdade social estão todas representadas nos programas dos tucanos.

O objetivo desse texto é refletir nos interesses que estão representados no Brasil atualmente e as forças da inércia que se põem contra um projeto soberano de desenvolvimento social e econômico.

Afinal o desenvolvimento social e econômico é um parto de montanha para qualquer nação em que interesses mesquinhos internos e externos exercem pressão contra ele.

Se transformar em nação é um desafio para qualquer povo. Estamos nele agora em que temos todas as condições históricas para nos posicionarmos entre os grandes do mundo.

Mas o programa que os tucanos apresentaram em 2010 e a sua atuação junto com outros partidos de oposição no Congresso Nacional deixam claro que são contra um projeto de nação soberano e igualitário.

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Em Jundiaí, democracia é atropleada pelo trator do PSDB

Para evitar a participação e fiscalização popular na próxima gestão do COMDEMA, a Administração Municipal agiu para desmobilizá-lo e agrupar ali apenas pessoas com os mesmos propósitos: a expansão imobiliária.

- Por Fábio Storari*, especial para a Folha do Japi

Plano diretor é o Instrumento básico de um processo de planejamento municipal para a implantação da política de desenvolvimento urbano, norteando a ação dos agentes públicos e privados.

Estamos em tempos de reforma do Plano Diretor do Município de Jundiaí. Atualmente, nosso plano é divido em 3 leis: a 415/04, que institui políticas públicas de planejamento, de forma global; a 7503/10, que está para ganhar novo número no mês de setembro e, possivelmente, outro até o final do ano trata do parcelamento, uso e ocupação do solo, ou lei do zoneamento; e, ainda, a lei 417/04, que institui o Sistema de Gestão da Serra do Japi.

Justamente nesse momento percebemos manobras do executivo da cidade colocando em risco a qualidade de vida de seus habitantes. Sim, risco, pois sempre que temos um uníssono no poder, perdemos a capacidade de argumentação, ficando a mercê dos desejos e desmandos de um só lado.

No nosso caso, é veemente a predominância da expansão imobiliária nos rumos apontados pela administração pública. Não interessa evoluir por meio do debate, o que interessa são os ganhos ao final do processo.

Enfraquecer a participação cidadã, impedindo que outros setores da sociedade sejam ouvidos e constituir um importante conselho como é o de meio ambiente, dando ênfase ao segmento da construção civil, é a tática que a atual administração adotou. Para isso, a Prefeitura impugnou - por falta de currículo - associações e representantes com histórico de debate democrático fundamentado, mas que tem causado muito desconforto para as pretensões do segmento.

Antes disso, protelou a reforma do Plano Diretor, que fora anunciada em fevereiro de 2011, com fala do secretário de planejamento e meio ambiente, Jaderson Spina, publicada pelo jornal de maior circulação da cidade. Segundo o secretário, teríamos um ano de debate para o novo Plano. Porém, de forma estratégica, protelou o início do processo até o fim da gestão de dois importantes conselhos para esse debate, o COMDEMA e o Conselho de Gestão da Serra do Japi, e começou o processo justamente no momento de transição dos mesmos.

Dessa forma, em tempos de reforma do Plano Diretor, a sociedade civil do COMDEMA, estará sendo representada pela Acijun (Associação dos Corretores Imobiliários), que passa a ocupar a vaga da Associação dos Servidores do Poder Judiciário, cujo representante seria eu, Fábio Storari, que ocupei o cargo de presidente do COMDEMA na última gestão (08/2009-08/2011); pela Proempi (Associação dos Empreendedores Imobiliários); pelo IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) e pela Associação dos Engenheiros. Somente a OAB (Organização dos Advogados do Brasil) conseguiu uma vaga sem estar diretamente ligada ao setor. Ainda, a fundação Gordinho Cintra abocanhou duas vagas, como ONG ambientalista e como creche e escola Almerinda Chaves, lembrando que essa fundação tem interesses diretos na utilização de suas grandes áreas na zona de conservação da Serra do Japi.

Pior, o COMDEMA, que deveria ser tripartite, com representação do poder público municipal, estadual e da sociedade civil organizada, tem no segmento das ONGs ambientalistas uma funcionária da prefeitura, que apesar de ser concursada, ocupa cargo de confiança no segmento de sindicatos, uma cadeira para o sindicato dos funcionários públicos municipais, quebrando, assim, uma das bases na formação do Conselho, que é a igualdade de representação.

Por fim, o COATI, única ONG ambientalista com mais de 20 anos de histórico de ações no meio ambiente inscrita e que indicou um cidadão como representante, foi também impugnada e excluída do processo.

O COMDEMA, que alcançou um papel importante nos últimos tempos, de forma mais efetiva nos últimos dois anos, tem agora sua atuação limitada e direcionada para o interesse dos governantes e setores imobiliários. Para evitar a participação e fiscalização popular na próxima gestão do Conselho, a Administração Municipal agiu. Num ato de ingerência administrativa, afastou instituições e pessoas que sempre participaram gratuitamente da gestão do poder público por não aceitar debater assuntos de suma importância a todos. Assim, ao invés de consolidar esse órgão como um verdadeiro espaço de debate e de participação cidadã, preferiu desmobilizá-lo e agrupar ali apenas pessoas com os mesmos propósitos: a expansão imobiliária.

Preparem os seus corações, pois o trator da administração está apenas esquentando os motores.

*Ex-presidente do COMDEMA, formado em Direito, com especialização em Energia, Desenvolvimento, Meio ambiente e Licenciamento Ambiental.
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