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quinta-feira, 20 de abril de 2006

Campanha: LULA É MUITOS!



Carta aberta do povo brasileiro
em defesa do governo do Presidente Lula


O Brasil é uma nação desigual. No mesmo solo, convivem a riqueza e a miséria o doutorado e o analfabetismo e tantas outras desigualdades gritantes que afrontam a dignidade humana.

Porém, nunca como agora as classes menos favorecidas foram alvos de tanta consideração por parte do governo federal. Os projetos sociais implementados pela administração do Presidente Lula, como o Bolsa Família, o Bolsa Escola, o Pro Uni, a Farmácia Popular, o Luz Para Todos, entre outros, estão, de fato, promovendo o resgate da cidadania dos pobres desse país, relegados durante décadas ao papel de coadjuvantes da História Brasileira, servindo apenas como mão-de-obra barata para ampliar as vantagens econômicas e sociais desfrutadas pelas elites.

O projeto de nação igualitária e justa que sonhamos começou a ser realizado quando a administração do Presidente Lula teve início. Estamos vivenciando um momento único: a construção da história. Não temos dúvidas de que a atuação do Governo Lula é uma das ferramentas que está permitindo a transformação do poder nesse país.

No entanto, essa atenção do governo aos mais pobres despertou a ira de muita gente, aqueles que sempre viveram às custas da exploração do povo. Acostumadas a ser as únicas beneficiárias dos recursos produzidos pela nação as elites desencadearam, com o apoio de parte expressiva da mídia nacional, uma campanha como poucas vezes se viu para inviabilizar o governo do presidente Lula. No entanto, depois quase 1 ano de bombardeio intenso de duas CPIs, com cobertura ampla e engajada da mídia, o prestígio do presidente continua inabalável. Isso porque, além dos benefícios proporcionados pela política social e econômica, o povo percebe que as instituições da República estão cumprindo a sua função. As irregularidades estão sendo apuradas e os responsáveis punidos pela Justiça. Nunca a Polícia Federal e o Ministério Público atuaram tanto contra a corrupção, bem diferente dos anos do governo de Fernando Henrique Cardoso, quando o Procurador Geral da República ficou conhecido como Engavetador Geral, por esconder na gaveta todos os processos que contrariavam os interesses do governo FHC.

Como a campanha sistemática contra o presidente não afetou o prestígio do presidente Lula, que continua liderando as intenções de votos para a próxima eleição presidencial, surge agora, no bojo do movimento oposicionista, rumores cada vez mais fortes sobre a proposta de impeachment do presidente da República, patrocinada por setores reacionários da Ordem dos Advogados do Brasil, com o apoio entusiasmado do PSDB e do PFL (este de tradição golpista que remonta a velha UDN e passa pela Arena, que apoiou a ditadura militar) e da mídia que não suporta ver o povo como protagonista da História.

A estes que pretendem espezinhar a vontade do povo brasileiro manifestada na votação histórica obtida pelo presidente Lula, e corroborada atualmente pelas pesquisas eleitorais, um aviso: não ousem afrontar os desígnios do povo. Não queiram ver o circo pegar fogo! Nós que apoiamos o governo do Presidente Lula vamos perseverar na luta para que o presidente termine o seu mandato e concorra à reeleição, como é seu direito. Não vamos tolerar tentativas golpistas patrocinadas por setores retrógrados da sociedade que querem a volta da política de privatização implementada pelo governo do PSDB-PFL.

Não ao golpe!
Não ao impeachment!
Pela reeleição do Presidente Lula!
Lula não está só porque Lula é muitos! Lula somos todos nós!

Com o intuito de reforçarmos nosso apoio ao Presidente Lula, redigimos esta carta, com o apoio de vários grupos, blogs e comunidades. A proposta e colhermos maiores números de assinaturas, para encaminharmos ao Presidente Lula, mídia, OAB, enfim a todos os órgãos possíveis. Mostre o seu apoio assinando e colhendo assinaturas de parentes, amigos, etc.

Para assinar basta enviar seu Nome, Profissão, Cidade e Estado para o e-mail:

companheiro.lula@yahoo.com.br

terça-feira, 11 de abril de 2006

Filme: V DE VINGANÇA

Viva a revolução!

Qualquer pessoa de esquerda ou que tenha simpatia pelas lutas por justiça social vai lavar a alma com esse filme que não tem medo de colocar o dedo na ferida da sociedade e reflete de maneira alegórica a nossa condição atual.


- Por André Lux, crítico-spam

Em certo momento da graphic novel “V de Vingança”, um dos personagens descarrega todas as balas de seu revólver contra o protagonista da história, que mesmo assim continua avançando sobre ele. “Por que você não morre??”, grita desesperado, para ouvir como resposta: “Não há carne e sangue dentro deste manto, há apenas uma idéia. Idéias são à prova de balas” (dá até para imaginar um certo senador de extrema-direita fazendo essa pergunta depois que seu sonho de “acabar com a raça” de um grupo de pessoas não deu muito certo).

Essa é a força que está por trás da história criada por Alan Moore (o mesmo de “Watchmen”) que acaba de ser levada aos cinemas pelas mãos dos criadores da série “Matrix”, Larry e Andy Wachowsky, que apenas assinam o roteiro e produzem dessa vez. Qualquer pessoa que seja assumidamente de esquerda ou que tenha simpatia pelas lutas por justiça social vai lavar a alma com esse filme, dirigido com precisão por James McTeigue, que não tem medo de colocar o dedo na ferida da sociedade. Trata-se, mais uma vez, de uma história passada num futuro próximo (2020), mas que reflete de maneira alegórica a nossa condição atual. E como reflete!

O roteiro mostra o que seria a Inglaterra sob o domínio de um governo ditatorial de extrema-direita, que chegou ao poder aproveitando-se do caos generalizado que tomou conta do mundo graças às guerras infinitas provocadas pelos Estados Unidos (que no filme já se encontra à beira do colapso). Estimulando o medo, a intolerância racial, sexual e social e reprimindo a população por meio da violência, da religião e da intensa manipulação midiática, o novo governo lança mão também de um artifício aterrador: atos de terrorismo contra sua própria população. Tudo isso em nome de “salvar” a população e “libertar” o país. Já ouvimos tudo isso antes, não?

Mas, ao contrário do que parece, “V de Vingança” não é um mero filme de ação e explosões (embora elas existam), e sim um intenso thriller político que, após um início truncado e titubeante, pega o espectador pelo colarinho e não larga mais. Para isso conta com dois trunfos: a atuação impecável de Natalie Portman, como Evey, que sofre uma transformação brutal, tanto física quanto psicológica no decorrer da trama, e de Hugo Weaving (o Mr. Anderson de “Matrix”), que dá vida ao anarquista conhecido apenas como V e passa o filme todo coberto por uma máscara de Guy Fawkes, o lendário cidadão britânico que tentou explodir o parlamento inglês no século 17. Verdade seja dita, nada mais difícil do que passar emoções a partir de um personagem mascarado (ainda mais quando a máscarar é dura e totalmente inexpressiva como a usada no filme), mas mesmo assim, graças à entonação e à expressão corporal de Weaving, a personalidade magnética de V cresce à medida que a trama progride, tornando-se arrebatadora no final.

O filme é entrecortado por dezenas de diálogos brilhantes ( “O povo não deveria temer seu governo. O governo é que deve temer o povo”) e reserva algumas seqüências absolutamente emocionantes, particularmente a da leitura de uma carta que traz um grito ensurdecedor contra a intolerância e a favor das diferenças e a cena que marca o despertar angustiante de Evey do seu estado anterior de letargia e alienação para o mundo real que a cerca. Quem já passou por esse doloroso, porém importantíssimo, processo vai ter dificuldades em segurar as lágrimas.

Com tantos conteúdos abertamente a favor da revolução popular e do conceito marxista que prevê sociedades criadas a partir da exploração das classes fatalmente criarão seus próprios algozes (“ação e reação”), é natural que “V de Vingança” provoque tantas críticas ferozes proferidas pelos defensores do sistema atual, sempre ligados aos setores mais conservadores e reacionários da sociedade, que se expressam livremente por meio da sua imprensa corporativa.

Mas esse tipo de reação histérica apenas dá mais força aos méritos dessa brilhante obra, que certamente vai ficar na cabeça das pessoas por um bom tempo - ao menos para aquela parcela dos espectadores que ainda se prestam a pensar e refletir sobre o que acabaram de assistir.

Alan Moore, o autor da graphic novel original, rejeitou a adaptação e não quis nenhum tipo de envolvimento com o filme desde o seu início, tanto é que seu nome nem consta dos créditos (embora o desenhista David Loyd tenha participado ativamente). Azar o dele, pois “V de Vingança”, o filme, não causa nenhum demérito à história em quadrinhos. Afinal, mesmo com várias mudanças e acréscimos (principalmente na conclusão que ficou um pouco ingênua apesar do forte apelo alegórico), o conceito principal permaneceu intocado: ideais nunca morrem - e sem eles não somos nada.

Cotação: * * * *

sexta-feira, 7 de abril de 2006

Artigo: DESABAFO...

Sinceramente, o texto abaixo lavou a minha alma!

Desabafo...

A esmagadora maioria das pessoas que se propõem a falar de política no Brasil não passam de massa de manobra de uma elite que está assaltando o país há séculos. Depois de um “eu acho que...” ou “eu penso que...”, um cretino qualquer que lê um jornal de grande circulação veste-se de uma máscara de grande sábio.

- por Luís Fernando Vitagliano

Estou cansado de tanta hipocrisia neste país. Acho que muita gente está assim. Cansada de tantas máscaras que se colocam para encobrir os preconceitos de uma elite social e política porca e mesquinha. Lula não é nenhum mar de rosas. Às vezes me envergonho em defender seu governo. Mas, prefiro Lula na presidência a qualquer advogado arrogante, economista prepotente, médico mesquinho ou sociólogo pedante.

Lula foi operário, saiu do nada e, se sua equipe não conseguiu realizar projeto de governo decente, ao menos rompeu com a perpetuação de uma dinastia eterna de donos do poder. Há quantos anos aqueles congressistas estão tomando conta do país? O que fizeram? Que moral tem o senhor Antonio Carlos Magalhães para falar de ética? Quatrocentas escolas da Bahia levam o seu nome. E quantas não levam o nome do seu filho?

Dirceu não foi exatamente um grande homem de governo. Sua onipresença e onipotência não foram bons atributos políticos para um Ministro Chefe da Casa Civil. Mas, pelo menos, parecia ser um contraponto à política contracionista desempenhada pela Fazenda. Pallocci executou uma política econômica absolutamente neurótica e sem o menor bom senso. Mas, posso escrever uma tese defendendo que sua política econômica é diferente da do governo anterior, e encontro argumentos dos mais sofisticados para discutir isso com qualquer pessoa deste país. Só, infelizmente, não sou capaz de dizer isso em poucas linhas.

Mas, estou cansado de ouvir que Lula e sua equipe não passam de ladrões ou oportunistas. Se neste país o que conta são títulos, meus títulos me credenciariam a dizer que a esmagadora maioria de pessoas que dizem isso pra cima e pra baixo não passam de estúpidos papagaios de jornalistas e políticos mal intencionados.

Há praticamente dez anos estudo política, numa das universidades mais importantes deste país. E já passei por praticamente todas as provações que me impuseram. Se é o uso da autoridade que os idiotas da classe média querem, então tomem: a esmagadora maioria das pessoas que se propõem a falar de política no Brasil não passam de massa de manobra de uma elite que está assaltando o país há séculos. Depois de um “eu acho que...” ou “eu penso que...”, um cretino qualquer que lê um jornal de grande circulação veste-se de uma máscara de grande sábio e...

Estou cansado dessa gente. Acho que muita gente está. Fazer política, pensar política, tratar de política é complexo, exige dedicação, exige estudo, mas qualquer pessoa tem legitimidade para fazê-lo. Lula também a tem. Não tem um diploma universitário, é verdade, mas foi mais importante para esse país do que muitos diplomados que pensam (quando pensam) serem os donos da verdade.

Talvez fosse o caso de corrigir os marxistas: não há luta de classes neste país. Há uma profunda supressão de classe. Não há espaço para as lutas. As classes marginalizadas (ou subalternas) são tão submissas que nem são capazes de sonhar insurgir-se. São tratadas como capachos, aquilo em que se pisa. E, assim, desempenham sua função da melhor forma possível.

Triste? Forte? Chocante? Mas, se isso não fosse verdade, já teria havido uma grande revolução neste país – se não socialista, ao menos capitalista. Porque nem capitalista este país é capaz de ser. Mal e porcamente há um sistema social, uma ordenzinha.

Se muita gente acha que Lula tem muito voto pelo que fez, comece a pensar que isso é uma reação do povão contra a eterna opressão social que sofre. Os eleitores de Lula ainda pensam que Lula é seu representante. Rezem, elites, para que Lula continue, porque não são vocês, mas o próprio Lula uma das poucas esperanças de estabilidade social que esse país ainda tem.

- Luís Fernando Vitagliano é cientista social.

quinta-feira, 6 de abril de 2006

Indignação: A que ponto chegamos...

E pensar que teve gente que ficou indignado com a dança da deputada do PT...
O que dizer da foto abaixo, então, tirada na hora em que o relatório omisso, parcial e espúrio do deputado Serraglio foi aprovado depois de uma manobra da oposição ao governo. Disso ninguém vai falar, né?

Nenhum "formador de opinião" vai vomitar sua raiva e sua indignação!



Serraglio foi omisso e não provou mensalão

A edição da revista Carta Capital desta semana publica uma série de perguntas não respondidas pelo relator da CPMI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), em seu relatório aprovado ontem (5) pelo Plenário da Câmara. Os questionamentos demonstram que o relatório foi parcial, omisso e não prova que tenha havido “mensalão”. Leia abaixo a íntegra da reportagem:

PERGUNTAS AO RELATOR CPI DOS CORREIOS
O texto de Serraglio é parcial, omisso e não prova o mensalão

- Por Sergio Lírio

O relatório do deputado Osmar Serraglio (PMDBPR) resistiu poucas horas. Enfático, mas vazio de provas, o trabalho desagradou a todo mundo. Na noite da mesma quarta-feira (29), parlamentares governistas e oposicionistas reuniram-se para achar pontos de acordo que não inviabilizem a aprovação do texto. O presidente da CPI dos Correios, senador Delcídio Amaral (PT/MS), disse que o prazo final para as sugestões termina na terça-feira, 4 de abril. Carta Capital relaciona algumas perguntas não respondidas por Serraglio.

ONDE ESTÃO AS PROVAS DO MENSALÃO?

O relatório de Serraglio chama de "farsa" o argumento de que as operações do PT com o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza serviram para esconder o caixa 2 nas eleições de 2004. O texto é categórico ao defender a existência do mensalão, mas, de forma contraditória, em nenhum momento afirma que tenha havido compra de votos para aprovação de projetos de interesse do governo.

O deputado culpa a falta de provas à CPI da Compra de Votos, criada, entre outros motivos, para apurar a existência do mensalão e que acabou sem produzir relatório final. E remete ao Ministério Público Federal a responsabilidade de confirmar se houve ou não pagamento regular a parlamentares.

Após 287 dias, o trabalho de Serraglio continua com as mesmas incongruências apresentadas nos textos parciais. Dos 19 deputados acusados de receber o mensalão, sete são filiados ao PT. Por que parlamentares petistas precisariam receber dinheiro para votar com o governo? Serraglio não esclarece. Outro citado, Roberto Brant, integra o PFL, legenda que mais faz oposição a Lula no Congresso. Sem os petistas e Brant, sobram 11 parlamentares da base governista. É possível ganhar uma votação na Câmara pagando a tão pouca gente? Outra dúvida: se o relator confirma o mensalão, por que os parlamentares serão indiciados apenas por crime eleitoral, que pune caixa 2?

POR QUE O EX-DEPUTADO JOSÉ BORBA NÃO FOI INDlCIADO?

Nas vésperas da divulgação do relatório, circularam boatos de que 50 novos nomes seriam incluídos na lista de beneficiários do Valerioduto. A maioria seria do PMDB, partido do relator. Serraglio teria omitido a nova listagem por considerá-la inconfiável. O ex-líder do partido na Câmara, deputado José Borba, paranaense como Serraglio, nem sequer chegou a figurar entre os possíveis indiciados. Detalhe: Borba renunciou depois de a imprensa divulgar que ele recebeu cerca de 2 milhões de reais das contas de Marcos Valério.

QUANDO O ARGUMENTO DE EMPRÉSTIMO VALE?

Segundo Serraglio, o PT e Marcos Valério inventaram os empréstimos de 55 milhões de reais para esconder os crimes cometidos. Quando se trata do argumento petista, o relator toma o correto cuidado de usar a palavra empréstimo entre aspas.

A mesma cautela não é utilizada no caso do senador tucano Eduardo Azeredo. Ao relatar a situação de Azeredo, Serraglio usa empréstimos sem aspas.

Para relembrar. Azeredo foi candidato à reeleição ao governo de Minas Gerais em 1998. O então tesoureiro da campanha, Cláudio Mourão, admitiu em depoimento à CPI ter feito um caixa 2 de cerca de 12 milhões de reais. O dinheiro teria saído de empréstimos do Banco Rural avalizados por Marcos Valério. Mais tarde, um documento assinado por Mourão, cuja autenticidade foi confirmada por peritos da Polícia Federal, relaciona um caixa 2 de 92 milhões de reais na campanha tucana. Parte substancial dos recursos teria origem em contribuições ilegais de empresas estatais mineiras, entre elas a Cemig e a Copasa.

POR QUE NÃO HÁ REFERÊNCIAS AO CASO FUNDACENTRO?

O Ministério Público Federal comprovou desvios de 5,8 milhões de reais nas verbas publicitárias da Fundacentro, ligada ao Ministério do Trabalho, controladas pela SMP&B. À época, Marcos Seabra de Abreu Rocha, funcionário do governo de Minas Gerais, era diretor financeiro da instituição. Segundo o MP, a maior parte dos desvios ocorreu em 1998, justamente no ano em que Azeredo concorreu à reeleição.

Por causa desses fatos, Azeredo pode ser considerado o "pai do Valerioduto". Essa linha temporal parece, porém, não ter interessado ao relator. Na descrição do funcionamento do esquema, Serraglio omite o histórico relacionado à campanha tucana de 1998. Azeredo, cujo processo acabou arquivado no Conselho de Ética do Senado, deve ser indiciado por crime eleitoral, já prescrito.

É O MAIOR CASO DE CORRUPÇÃO DA HISTÓRIA?

Se é, o relatório não conseguiu provar. Serraglio diz que as fontes do Valerioduto foram empresas estatais e privadas. O texto final não consegue, porém, ir além do que havia sido apresentado em novembro de 2005. Em nove meses, a CPI avançou muito pouco na definição das fontes que abasteceram o esquema. O principal trunfo do relator é o repasse de 12 milhões de reais, sem serviços comprovados, às agências de Marcos Valério pela Visanet, empresa da qual o Banco do Brasil detém 33%. Outra companhia citada é a Usiminas, que teria feito uma doação via caixa 2 à campanha do deputado pefelista Roberto Brant. Valor da contribuição: 125 mil reais.

Há omissões imperdoáveis. O relator esquece de detalhar o uso de verbas das operadoras Telemig Celular e Amazônia Celular. Técnicos da CPI identificaram movimentações de 122 milhões de reais da Telemig e de 36 milhões de reais da Amazônia para as agências DNA e SMP&B, mas o relatório deixa de informar se os pagamentos correspondem a serviços prestados. Quanto à Brasil Telecom, Serraglio esquece de citar os contratos de 50 milhões de reais fechados com Valério semanas antes de o ex-deputado Roberto Jefferson dar a primeira entrevista à Folha de S.Paulo. Isso leva à próxima pergunta.

POR QUE O BANQUEIRO DANIEL DANTAS NEM SEQUER FOI CITADO NO RELATÓRIO?

A informação prestada pelo gabinete do senador Delcídio Amaral (PTMS) é de que a omissão foi um lapso do relator. Por meio de assessores, Amaral garantiu que a participação de Dantas na crise ficará explícita no texto final, a ser aprovado em meados de abril.

A omissão chama atenção porque as referências ao banco Opportunity permeiam todo o relatório. A Brasil Telecom, operadora de telefonia administrada por Dantas até outubro de 2005, aparece como uma das principais fontes do Valerioduto.

À CPI, Marcos Valério e Delúbio Soares afirmaram que o publicitário intermediou reuniões de petistas com representantes do banqueiro. Em janeiro deste ano, CartaCapital revelou que Humberto Braz, lobista do Opportunity em Brasília, encontrou-se diversas vezes com o publicitário e com emissários petistas em meados de 2004. Foi um período extremamente difícil para Daniel Dantas. Em junho, soube-se que o orelhudo havia contratado a Kroll para bisbilhotar a vida de desafetos e concorrentes. Em outubro, a Polícia Federal apreendeu documentos na sede do banco e na casa de Dantas. Por pouco, o banqueiro não foi preso.

Chamado a depor na comissão, o banqueiro falou por 19 horas. Disse ter sido perseguido tanto pelo governo Fernando Henrique Cardoso quanto pelo de Lula. Auditoria da nova diretoria da BrT mostrou que Daniel Dantas mentiu várias vezes no depoimento à CPI e que sua ingerência na BrT era maior do que afirmava. Carla Cico, expresidente da operadora de telefonia, aliada do banqueiro, esteve diante dos parlamentares por oito horas.

COMO EXPLICAR A VIAGEM DE MARCOS VALÉRIO A PORTUGAL?

Para provar que José Dirceu era o "chefe do esquema", o ex-deputado Roberto Jefferson mencionou uma viagem de Marcos Valério a Lisboa. Segundo Jefferson, o publicitário, acompanhado do petebista Emerson Palmieri, teria ido achacar empresários portugueses. Serraglio manteve essa versão no relatório, mas evitou aprofundar o assunto.

Em janeiro de 2005, Marcos Valério reuniu-se com o presidente da Portugal Telecom, Miguel Horta e Costa. Sabe-se que a Portugal Telecom queria comprar a Telemig Celular e que Dantas tentava uma maneira de convencer os fundos de pensão a aceitar o negócio, ruim para eles. Daniel Dantas contava com o apoio de integrantes do governo Lula para dobrar os diretores das fundações, em especial Sérgio Rosa, da Previ. O relator não se esforçou para tentar elucidar a principal questão: em troca de quê Miguel Horta e Costa aceitaria "doar" dinheiro ao PT e ao PTB?

O QUE FAZER COM O SUB-RELATÓRIO DE ACM NETO?

A criação da sub-relatoria de fundos de pensão foi uma reação da "bancada do orelhudo" no Congresso, a turma do PFL que desfruta do apoio e da amizade de Dantas. Quando aumentavam as evidências de que a disputa pelo controle da Brasil Telecom, Telemig Celular e Amazônia Celular estava na gênese da crise política, a bancada amiga arrumou uma forma de desviar o foco. O objetivo era descobrir se os maiores fundos, Previ, Petros e Funcef, em disputa com o Opportunity, financiaram o Valerioduto.

O trabalho de ACM Neto, apoiado por auditores da Ernst & Young, passa longe desse objetivo. A denúncia bombástica do deputado ficou menor. Depois que os auditores limparam o trabalho de vários erros grosseiros, os supostos prejuízos de 725 milhões de reais de 14 fundos viraram 300 milhões, a maior parte concentrada em pequenas instituições. A nova quantia continua passível de novos questionamentos.

Os alvos principais da investigação saíram ilesos. O sub-relator sugere que o Ministério Público aprofunde a investigação para descobrir possíveis irregularidades na Previ e na Petros, mas não pede o indiciamento de nenhum diretor das duas instituições.

O QUE O BANCO SANTOS, A PRECE E A GEAP TÊM A VER COM O MENSALÃO?

ACM Neto propôs o indiciamento do diretor-financeiro da Funcef, Demósthenes Marques, por conta de perda de 10 milhões de reais em aplicações no Banco Santos.

É uma sugestão curiosa. Nunca houve qualquer ilação de que as aplicações na falida instituição de Edemar Cid Ferreira tenham relação com o esquema de Marcos Valério. Além disso, o sub-relator acha importante citar o prejuízo da Funcef, mas ignora o prejuízo da fundação dos empregados do Banco do Estado do Ceará, que perdeu quase 8 milhões de reais no Banco Santos. O Ceará é administrado pelo tucano Lúcio Alcântara, ligado ao presidente do PSDB, Tasso Jereissati. Tucanos e pefelistas formarão uma chapa presidencial nas próximas eleições. O próprio Jereissati foi vítima da butique financeira de Cid Ferreira. Perdeu cerca de 2 milhões de reais.

Fosse a exclusão de fundos estaduais um critério, tudo bem. Mas não é. O sub-relator sugere o indiciamento de seis dirigentes da Prece, dos empregados da companhia de água e esgoto do Rio de Janeiro, e de dois da Geap, da fundação de seguridade social.

Ambos estão subordinados a Rosinha Garotinho, cujo marido sonha ser candidato à Presidência pelo PMDB. É até possível que as caixas de previdência tenham cometido irregularidades sem-fim. Só que, mais uma vez, é necessário perguntar: Por que investigar a Prece e o Geap? Qual a participação dos dois fundos estaduais no suposto pagamento de mensalão a deputados federais? Foi para engordar a soma dos prejuízos? O sub-relatório não responde.

QUEM FINANCIOU A CORRUPÇÃO?

O deputado ACM Neto esforçou-se para achar problemas, apesar de na parte principal do relatório do colega Serraglio não ter incluído os fundos entre os financiadores do Valerioduto. Mesmo sem chegar a qualquer conclusão, o sub-relatório dedica seis páginas ao acordo que obriga os fundos a comprar as ações do Citibank na Brasil Telecom, caso as partes não consigam realizar uma venda conjunta da empresa até o fim de 2007. Na falta de provas mais concretas, abusa da acrobacia verbal. Anota, por exemplo: "A influência político-partidária, na nomeação de diretores, não permite que se afastem as hipóteses de ingerência indevida nos interesses dos fundos de pensão. Operações atípicas como o contrato de Put das ações da Brasil Telecom, bem como o direcionamento, especialmente em 2004, na aquisição de créditos de instituições bancárias como o BMG e o Rural, e investimentos em empreendimentos como Umberto Primo e Costa do Sauípe".

Dito dessa maneira, parece que todos os negócios foram feitos pelos atuais dirigentes das fundações. O deputado omite que os investimentos da Previ no complexo hoteleiro Costa do Sauípe, na Bahia, são de 1999. Deixa de dizer também que a Fundação dos Empregados do Banco do Brasil contabiliza prejuízos de 900 milhões de reais, o triplo dos prejuízos de 14 fundos apontados em seu trabalho. Não há menção ao fato do avô, ACM, ter pressionado para que a Previ investisse em Sauípe, apesar de análises técnicas contrárias. Antonio Carlos Magalhães, defensor dos interesses baianos, afirmou, depois de CartaCapital revelar na edição 383 (de 8 de março de 2006) sua atuação no caso: "O investimento foi bom para a Bahia, mas se fosse diretor da Previ eu votaria contra". Fica como sugestão de epígrafe para o subrelatório do neto.

Aprendiz da manha política da família, ACM Neto conseguiu arrancar elogios de jornalistas que tiveram acesso a seu relatório com antecedência. É assim mesmo. Parte considerável dos repórteres de Brasília abre mão do espírito crítico em troca de migalhas. Houve, por isso, quem na imprensa elogiasse a proposta do deputado de criação de uma agência para fiscalizar os fundos.

CartaCapital relembra episódio narrado na reportagem "A orelha desponta", publicada na edição 353 (de 3 de agosto de 2005). Capitaneados por ACM e Jorge Bornhausen, a bancada do PFL no Senado derrubou a Medida Provisória que criava a Superintendência Nacional de Previdência Complementar, apelidada Previc. A intenção do governo era fortalecer a fiscalização dos fundos.

O primeiro parecer sob responsabilidade da Previc dizia respeito ao uso da Fundação 14, ligada à Brasil Telecom, no interesse de Dantas. À época, a fundação patrocinou ações judiciais contra os sócios do Opportunity na BrT. Procuradores da Previc entenderam que a liminar obtida pelo fundo não tinha valor. Decidiu, portanto, contra Daniel Dantas. E foi extinta por ação dos senadores pefelistas.

Jornalismo: O mito da imparcialidade de imprensa

ou... Sobre ingênuos e canalhas

- Por André Lux, jornalista

“Imparcialidade” é uma palavra que, vira e mexe, aparece em editoriais ou artigos da nossa imprensa corporativa toda vez que ela é acusada de faltar com a ética e de desrespeitar as regras básicas do jornalismo. Os editorialistas e articulistas desses veículos fazem então das tripas coração para defender essa suposta máxima que, garantem, rege o dia-a-dia das suas redações.

Como se fosse possível a alguém simplesmente se despir completamente de toda a sua vivência, aprendizado e visão de mundo para escrever sobre um fato. Se você duvida, então peça para pessoas diferentes descreverem com riqueza de detalhes, por exemplo, um acidente de trânsito. Nunca, jamais, elas ilustrarão o ocorrido da mesma maneira. E, via de regra, alguém vai tomar partido para um dos lados.

É para evitar ao máximo que essa parcialidade inevitável ocorra no jornalismo que existem manuais de redação, regras e até leis que visam regulamentar a prática da profissão. Ouvir todos os lados, dar igual destaque a eles e não publicar denúncias sem provas como verdade factual são algumas das mais básicas e óbvias. Agora, pergunte, você já viu isso EFETIVAMENTE acontecendo? A resposta é, via de regra, um sonoro NÃO!

Mas, como conseguem continuar manipulando a opinião pública de forma tão evidente, se não respeitam nem mesmo os princípios mais básicos do jornalismo? É aí que entram os dois tipos de pessoas que propagam entre a população esse mito da imparcialidade, cada vez mais presentes nas redações: os ingênuos e os canalhas.

Os primeiros, também chamados de “inocentes úteis”, realmente acreditam que um ser humano pode mesmo ser capaz de escrever imparcialmente sobre algo que presenciou ou foi informado por terceiros. Por isso, defendem cegamente os veículos nos quais trabalham e fazem da imparcialidade sua bandeira mais sagrada, acreditando que possuem total liberdade de expressão, quando na verdade apenas escrevem exatamente o que seus patrões gostam de ler. Como exemplo, cito o jornalista Jorge Kajuru, que vivia gritando aos sete ventos o quanto gostava de trabalhar em determinado veículo de comunicação, pois lá tinha liberdade total. Mas, pobre alma, foi só ele falar mal de um político do PSDB para ser demitido sumariamente, em pleno ar!

Já os segundos, bem mais perigosos e dissimulados, são aqueles profissionais que fingem não ter qualquer posição ideológica enquanto vendem os seus esforços para defender justamente aquilo que não existe nem nunca vai existir: a bendita imparcialidade. Estes "formadores de opinião', na verdade, estão apenas defendendo os interesses dos seus patrões e dos que os apóiam (ou vice-versa)! E são muito bem pagos para fazer esse serviço sujo, diga-se de passagem. Que o diga o senhor William Bonner, editor chefe do Jornal Nacional da rede Globo, que recentemente perdeu qualquer escrúpulo e, num rompante de soberba e empáfia, saiu disparando na frente de vários professores universitários que o espectador médio do seu jornal tem Q.I. equivalente ao do Hommer Simpson...

Graças a essas pessoas desprovidas de escrúpulos e ética, movidos apenas pela ambição e pela ganância, veículos de informação que possuem o rabo preso com tudo, menos com o leitor, conseguem inverter completamente a lógica do processo jornalístico e transformam editoriais (espaço para a publicação de opiniões) em defesa de seus próprios umbigos. Ali, se auto-proclamam ‘senhores da isonomia e da imparcialidade’ e vestais da defesa da ‘liberdade de imprensa’, enquanto usam justamente os espaços reservados às notícias para manipular, mentir, falsificar ou simplesmente distorcer os fatos em favor dos interesses dos grupos que os financiam ou que têm afinidades ideológicas.

Os exemplos são tantos que nem vale a pena enumerá-los, mas se alguém duvida é só lembrar de todas as vezes que leu uma manchete na Folha de São Paulo que trazia afirmações toptalmente contraditórias com o que estava sendo efetivamente dito no texto ou as grotescas capas da revista VEJA, que afirmam como sendo verdades absolutas informações passadas sem qualquer comprovação e, em muitos casos, oriundas de uma pessoa que já morreu (caso dos supostos dólares cubanos doados à campanha de Lula). Isso só para citar dois exemplos dos mais óbvios.

É nesta hora que muitos vão perguntar: por que esses senhores da mídia brasileira não assumem claramente suas posições polítco-partidárias em editoriais? Não seria mais justo e honesto com seus leitores? Por que eles têm medo de tirar essa ridícula máscara da imparcialidade e deixar claro o que pensam, o que representam e o que defendem? A resposta é tão óbvia que chega a doer: porque se fizerem isso não vão mais poder mentir, manipular, distorcer e construir impunemente ‘pensamentos únicos’ que favorecem apenas a eles mesmos e àqueles que dividem suas crenças e valores.

Para ver como essa manipulação e falsidade ideológica são evidentes no caso do Brasil, basta analisar o nosso próprio noticiário. Não é raro vermos notícias com o seguinte teor: “Jornal CONSERVADOR inglês elogia...” ou “Rede de TV LIBERAL da Espanha defende....”. Isso quer dizer que o jornalismo deles é melhor que o nosso? Pode até ser (e deve ser mesmo), mas não é essa a questão. A questão é que muitos representantes da imprensa do chamado “primeiro mundo” deixam claras quais são as suas posições e, assim, colocam a cara para bater e, mais importante, arcam com as conseqüências de seus atos e posições. Nada mais justo e democrático, pois bem.

Isso existe no Brasil? Novamente, a resposta é um sonoro NÃO, com exceção da revista Carta Capital que não teve medo de apoiar um candidato em seu editorial, embora não se furte de criticá-lo em matérias. Não é à toa, portanto, que revista vive sendo ataca por outros veículos, afinal dá um péssimo exemplo de honestidade e correção, numa imprensa onde predominam a hipocrisia e falsidade.

Para ilustrar como funciona essa manipulação de corações e mentes, deixamos a palavra com o jornalista Mino Carta, editor-chefe da Carta Capital:

“Por exemplo, a capa da Veja sobre a grana que Fidel teria entregue ao Lula. É uma coisa absolutamente ridícula, jornalisticamente inaceitável. É um diz-que-diz que teria que ser provado por um falecido. Veja que coisa cômoda apresentaram. É uma capa. Afirmando. A manipulação é perfeita, por quê? Porque eu percebo quando ando pelos bares da vida, estico os ouvidos e as pessoas falam: “O Fidel deu dinheiro para o Lula!”. Existe uma manipulação evidente, determinada, levada a cabo, infelizmente, por um bando de colegas que são, sobretudo, sabujos, que executam ordens do patrão. Provavelmente porque têm medo de perder o emprego”.

Que fique bem claro, este artigo não é, de maneira nenhuma, contrário à liberdade total de imprensa. O que está sendo defendido aqui é a existência de uma imprensa honesta, não no sentido mitológico de ser ‘imparcial’, mas sim no sentido de deixar claras quais sãos suas verdadeiras posições, interesses e ideologias.

Infelizmente, enquanto isso não existir no Brasil, continuaremos a ser reféns de mentiras, manipulações, distorções, linchamentos públicos e, por conseqüência, de políticos exclusivamente corruptos e vendidos, cujas únicas motivações são continuar garantindo e gerando benefícios apenas para os donos do poder – os barões da mídia aí incluídos, que em muitos casos, são os próprios políticos.
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