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sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Filmes: "IT - A Coisa"

NÃO É UMA OBRA-PRIMA DO MEDO

Apesar de bem feito, filme acaba sendo episódico e repetitivo

- por André Lux, crítico-spam

Essa é a segunda adaptação para as telas do livro gigantesco (mais de mil páginas!) “IT – A Coisa” que Stephen King escreveu em 1986, segundo dizem no auge do seu vício em cocaína. A primeira foi uma minissérie de 6 horas de duração, dividia em dois capítulos e cujo subtítulo era o ridículo "Uma Obra-Prima do Medo". Na época fez sucesso, mas analisada hoje percebe-se que era bem ruim, especialmente a segunda parte com os adultos.

Chega agora uma nova versão para os cinemas, mais bem produzida e que se fixa apenas nas crianças e suas desventuras. Todavia é bom alertar que o filme não tem uma conclusão e mostra só no início dos créditos finais ser o “Capítulo I”, algo que não me parece muito honesto de ser feito, já que omite do espectador que trata-se apenas da primeira parte de um filme duplo, cuja explicação e resolução só vão surgir no “Capítulo II”.

Enfim, enganações à parte, o novo “IT – A Coisa” é certamente muito melhor que a minissérie, mais bem produzido e atuado, porém ainda assim fica num meio termo e a melhor cena é a que já havia sido mostrada no trailer, a do menino e o palhaço no bueiro. As razões são várias, a começar pela dificuldade em se adaptar as obras de King para o cinema, já que seus livros são muito mais calcados nos medos interiores dos personagens do que em cenas de terror meramente visuais.

Segundo porque não é muito bem conduzido e acaba sendo episódico. às vezes parece que estamos vendo dois filmes diferentes. Um sobre o despertar dos jovens para a adolescência e outro de puro terror. Muitas vezes a narrativa pula de um tema para o outro sem muita lógica. Há também um excesso de piadinhas disparadas por um dos garotos (o ator é o protagonista de “Stranger Things”) que simplesmente não funcionam na maior parte das vezes, ainda mais naquele contexto de terror e violência.

Outro problema é justamente a semelhança da obra com tantas outras, desde “Conta Comigo” do próprio King, até as atuais “Super 8” e “Stranger Things”, que são obviamente inspiradas em “IT”. No final acaba sendo uma espécie de “Goonies” versus “Freddie Krugger” com pitadas de “Poltergeist”, mas com defeitos na estrutura que prejudicam o resultado final. 


O maior deles é que nunca ficam claros quais os limites e alcances dos poderes da entidade maligna que persegue os habitantes da pequena cidade, o qual se manifesta na maior parte das vezes como o palhaço Pennywise, feito por Bill Skarsgård destacando apenas a faceta assustadora dele, bem diferente da atuação de Tim Curry na minissérie para a TV. 


Tim Curry e Bill Skarsgård como Pennywise
Em algumas cenas, como a do bueiro, ele primeiro parece ter que seduzir a criança para ir até ele e então a ataca ferozmente, enquanto em outras ele parte direto pra cima, mas deixa as vítimas escaparem sem lógica. E em outra sequência ele atrai um dos meninos para a casa abandonada, o aterroriza na forma de um mendigo infestado por doenças para depois aparecer como o palhaço e ficar só olhando pra ele sinistramente enquanto segura balões. No fim, ele parece inclusive dominar a mente das pessoas, obrigando-as a fazer maldades, algo que parece ser recorrente no livro.

Enfim, não é essa obra-prima do medo que muitos críticos histéricos estão apontando, mas também não chega a ser ruim. Não consegue fugir de alguns clichês mofados do gênero (como a mocinha em perigo, algo que não existe no livro) e acaba apenas sendo um pouco longo, repetitivo e falha em não ser capaz de explicar de forma clara as regras daquele mundo, algo que é essencial para gerar suspense a partir da empatia com os protagonistas.

Cotação:
* * *

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