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segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

"A bissexualidade e o amor livre serão as tendências no futuro", afirma psicóloga

A psicanalista Regina Navarro Lins bate na mesma tecla há mais de duas décadas: amor é uma coisa, sexo é outra. Em sua obra mais recente, O livro do amor, declara guerra ao idealismo: “As pessoas precisam parar de acreditar em fidelidade e amor romântico. Dentro de 30 anos, o sexo será mais livre. A bissexualidade é uma tendência”


Falar de sexo não é problema para Regina Navarro Lins. Carioca de Copacabana, mãe de dois filhos e avó de uma menina, a escritora e psicanalista de 63 anos ganha a vida falando “daquilo”. E fala sem travas, sem tabus, sem moralismo, de um jeito que incomoda muita gente e põe em xeque os sonhos de uma vida amorosa e sexual ideal. E irreal.
Regina se considera “uma libertária”. Palavras como masturbação, sexo grupal (“são uma tendência”), bissexualidade (“outra tendência”) e orgasmos fingidos (“um absurdo”) saem da sua boca com uma facilidade que justifica os 12 livros que ela publicou. Todos sobre sexo e relacionamentos. Por causa deles, participa de programas de rádio, escreve colunas em jornais, artigos em revistas, blogs, e, este mês, ganha um quadro na terceira temporada de Amor e sexo, apresentado por Fernanda Lima, na Globo. Tornou-se uma espécie de militante da liberdade sexual e amorosa.
Em sua mais recente obra, O livro do amor, volumes 1 e 2, ela conta como evolui o sentimento desde a Pré-História até os dias de hoje. “Passei cinco anos debruçada sobre esse assunto”, diz. “A gente tem que saber do passado para entender por que as coisas são como são no presente.” Seu objetivo: esclarecer o maior número de pessoas possível. “Elas não percebem que são infelizes porque seguem padrões que não levam a nada, como acreditar que em um casamento é possível a exclusividade.” Regina prefere este termo: “exclusividade”. “Traição não é uma pessoa sentir desejo por outra, isso é natural. Traição é enganar um amigo, um irmão.”
A psicanalista também ataca outras frentes carregadas de polêmica. Incentiva, por exemplo, o uso de vibradores (“para que mais mulheres gozem”) e é “absolutamente” contra o cavalheirismo. “Por que um homem tem que pagar a sua conta ou tirar uma cadeira para você sentar? É porque a mulher é um ser frágil e incapaz até de puxar uma cadeira?”
Essa filosofia de vida é um espelho da sua rotina. Há 11 anos está casada com o escritor Flávio Braga, seu terceiro marido. “Não temos um pacto de exclusividade. As pessoas estranham até coisas bobas na gente”, diz. Exemplo: ela não gosta de cozinhar, seu marido gosta. Ele vai além, cuidando da casa, lavando os pratos... “Tenho amigos intelectualizados que acham isso um absurdo”, conta Regina. “Fico chocada com essas reações.”
A cama na varanda
Falar e escrever sobre relacionamentos foi um caminho natural para Regina. “Sempre gostei do tema”, diz. Filha de uma família de classe média da zona sul carioca, casou aos 23 anos (“não virgem e não na igreja, claro”). Até então, seguia o destino de uma psicóloga comum. Abriu um consultório, fez formação psicanalítica. “Mas percebi que esse não era o meu caminho”, explica. “Precisava falar mais de amor e sexo. Eram assuntos que toda hora surgiam na minha clínica.”
Em 1992, ela compilou suas posições sobre o tema e lançou A cama na varanda. Um best-seller com mais de 50 mil cópias vendidas. Nele, fez uma previsão que balançou certezas e atiçou a atenção de quem desconfia de que esse negócio de viver a dois é uma luta arriscada e dolorosa por algo quase impossível. Para Regina, num futuro que deverá chegar dentro de 30 anos, viveremos a era do poliamor e de um sexo menos encanado.
Com essas teses todas no colo, a escritora passou a ser uma das pessoas mais ouvidas do Brasil sobre o tema. “Acho um absurdo que em um país como o nosso não existam mais especialistas que pensem sobre isso”, diz a psicanalista, que cutuca seus colegas de profissão. “Um psicanalista normal fica fechado lá com seus dez pacientes. Assim, fica difícil ter uma visão do mundo.”
Para ter essa visão, ela usa a internet e conversa regularmente com seus leitores por e-mail e Twitter. Ou em palestras. Ou mesmo na rua. “Ouço as pessoas. Vejo o que está acontecendo e, a partir daí, posso apontar tendências.” Entre elas: o fim do casamento tal qual o conhecemos. “Quem disse que não é possível amar mais de uma pessoa? É sim!”
Na entrevista, a psicanalista demoliu até mesmo os contos de fadas. “Uma mãe que lê um livro de uma Cinderela da vida está sendo irresponsável com a sua filha.” 
Tpm. Você se considera uma pessoa libertária. Como isso surgiu?
Regina. Acho que já nasci libertária. Sou filha de uma família de classe média. Minha mãe sempre foi muito careta. Ela só começou a trabalhar depois que meu pai morreu, em um desastre de avião, quando eu tinha 14 anos. Minha irmã, que é quatro anos mais velha, também é assim, supermoralista. Mas eu tive uma avó maravilhosa, que veio do Líbano com 14 anos e desquitou com quatro filhos pequenos. Isso na década de 30! Imagina o que era isso? Essa avó deve ter me influenciado de alguma maneira. Ela sustentou sozinha os quatro filhos e ainda ajudava o meu avô com dinheiro.
E quando ficou claro que você era como ela? 
Aos 8 anos, fui fazer primeira comunhão, porque todas as minhas amigas faziam. Minha mãe não me forçou. Isso é uma coisa que agradeço a ela – minha mãe não tinha essa religião. Agradeço mesmo por não terem me colocado a culpa católica [risos]. Na primeira aula de catecismo, lembro até hoje, vi um livrinho em que tinha uma menina entrando num pote de melado e estava escrito: “Deus tudo sabe e tudo vê”. Nunca mais voltei.
Você foi adolescente nos conservadores anos 50. Casou virgem? 
Não. Perdi a virgindade com meu primeiro marido, quando a gente namorava. Antes já tinha tido dois namorados. Não transei com eles porque eles não quiseram! Era uma época em que se gozava nas coxas [risos]. Lembro que para um deles eu falava: “Tira a minha virgindade!”. E ele respondia: “Não, porque se eu tirar a sua virgindade e depois a gente se separar você vai sofrer”. E eu falava: “Pode tirar, não vou sofrer” [risos].
A vontade de ser psicóloga e trabalhar na área da sexualidade e do amor surgiu de que jeito? 
Sempre quis fazer psicologia, desde os 15 anos. Por 18 anos, trabalhei como psicanalista comum, tinha consultório, dava aula em universidade e atuei até em uma penitenciária. Até que descobri que grande parte dos problemas das pessoas era ligada a amor e sexo. Daí me senti mal em ficar naquela coisa só de interpretação. Comecei a me especializar nesses dois temas, a dar palestras sobre isso. 

Sempre quis trabalhar com um grande público. Achava que com quanto mais gente eu falasse, melhor. Em 1992, assinei com a editora Rocco para lançar meu primeiro livro, A cama na varanda. Foi um grande sucesso. Tinha um programa diário de sexo no rádio. Fui indo. Hoje dou palestras pelo Brasil todo. Sinto que tenho muito material e que é absurdo guardar isso só para mim.
Você está no seu terceiro casamento e prega o amor livre. Como é isso dentro das suas uniões?
Primeiro casei com 23 anos e tive minha filha [a advogada Taísa, 37 anos]. Separei depois de cinco anos. Era um casamento normal. A gente não questionava isso. Mas também não tinha pacto de exclusividade. Já sabia que, se eu quisesse transar com alguém, isso seria um direito meu. Nunca pensei diferente. Depois casei outra vez, tive outro filho [o jornalista Deni, 27] e fiquei nove anos sozinha. E fiquei muito bem. Isso é bastante importante. É fundamental que as pessoas saibam que podem ficar bem sozinhas. Que se livrem dessa ideia do amor romântico, essa coisa que diz que você tem que ter um par. A pessoa tem que saber ficar sozinha até para escolher quando quiser se juntar com alguém, e não ficar com o primeiro que aparecer só por medo da solidão.
Como foi ficar nove anos sem alguém? 
Foi uma fase meio radical. Não queria casar nem namorar. Queria ficar sozinha. Eu já tinha publicado A cama na varanda e tinha lançado também uma coletânea de minhas colunas no Jornal do Brasil. Aí, escrevi um novo livro chamado Na cabeceira da cama, em que fui bem contundente. Nessa época, achava impossível o tesão continuar em um casamento. Completamente impossível! Hoje, estou mais amena. Acho viável desde que você não tenha um pacto de exclusividade.
Foi nessa fase radical que você conheceu seu atual marido? 
Foi. Conheci o Flávio em 1999, quando eu dava palestra, publicava livros e todo o resto. Ele já sabia quem eu era, o que eu pensava. Em 12 anos, não vi nenhum moralismo nele. Não temos pacto de exclusividade. Se ele transar com alguém, não tenho nada a ver com isso. E se eu transar com outra pessoa, ele também não tem nada a ver com isso. Mas estamos sempre juntos, somos superparceiros, trabalhamos juntos [o casal já escreveu livros em parceria, entre eles, Fidelidade obrigatória e outras deslealdades]. E ele é muito delicado, muito respeitador. Jamais me pergunta o que fiz, aonde fui. Nosso casamento é ótimo, inclusive sexualmente. 

Acho difícil o tesão se manter quando existe controle. A coisa mais comum de ver no casamento é dependência emocional de um e do outro. Quando você sabe que o outro tem pavor de te perder, que ele está ali no seu pé... o tesão fica inviável. Tem que existir um mínimo de insegurança para você ter tesão. 
“É fundamental que as pessoas saibam que podem ficar bem sozinhas. Que se livrem dessa ideia do amor romântico, essa coisa que diz que você tem que ter um par”
Como é a rotina de vocês? 
O Flávio gosta muito de cozinhar, eu detesto. Ele lava prato cantando, eu não suporto cuidar da casa. Eu cuido de ir ao banco, chamar o encanador, essas coisas. Mas as pessoas são muito caretas. Outro dia estava ao telefone com um amigo e o Flávio gritou: “O almoço está na mesa”. E meu amigo disse: “Então você é o homem da casa?”. Fiquei chocada! Como uma pessoa intelectualizada fala uma coisa dessas?
Você acha que existe diferença entre o masculino e o feminino?
Tenho horror daquela história de “meu lado masculino, meu lado feminino”. Minha irmã sempre me falava: “Você tem alma masculina”. Essa coisa de masculino e feminino são estereótipos para aprisionar as pessoas. As mulheres têm que ser sensíveis e frágeis. E os homens, corajosos e bravos. Imagina! Isso é tudo criação. Todos nós somos fortes e fracos, ativos e passivos, depende do momento.
Sexualmente, existe diferença? 
Claro que não! É tudo cultural. Existem pesquisas no exterior que dizem que as mulheres transam fora do casamento praticamente tanto quanto os homens e que não sentem mais tanta culpa. Eu recebo uma quantidade imensa de mensagens que provam isso. Vejo que as mulheres estão tendo mais relações extraconjugais. Tenho a impressão de que a sexualidade, com o tempo, vai ser mais livre. Você vê as casas de suingue, por exemplo. O número de casais que frequenta casas de suingue é enorme! E pessoas que você nem imagina. Com o meu trabalho, minhas pesquisas, posso apontar tendências.
E quais são as outras “tendências sexuais”? 
Sexo grupal, por exemplo. O sexo vai ser mais livre, a bissexualidade também é uma tendência. Acho que ela será predominante daqui a uns 30 ou 40 anos. Porque o patriarcado está se dissolvendo. A tendência é que as pessoas busquem mais objetos de amor entre seus interesses do que entre ser homem e mulher. Outra tendência é o fim do amor romântico.
Como assim? 
O amor romântico é aquele que está nas músicas, nos filmes, aquele que diz que você vai encontrar a pessoa certa. A busca por esse tipo de amor está em baixa. Ainda bem! Por quê? Porque esse amor prega a fusão completa, ao mesmo tempo que estamos vivendo um momento em que existe uma busca clara pela individualidade, que não tem nada a ver com o egoísmo, como muitos conservadores acham. 

A grande viagem do ser humano hoje é para dentro de si mesmo. O amor romântico propõe o oposto dos anseios atuais. Claro que você vai encontrar muitas mulheres que vão largar tudo, trabalho, mestrado, por causa do homem. Mas isso está começando a sair de cena. Vai surgir outro tipo de amor.
Que tipo? 
Um amor não calcado na idealização. Acho que você vai poder se relacionar com mais de uma pessoa. E, ao sair de cena, o amor romântico está levando com ele a sua principal característica: a exclusividade.
Traição ainda é um grande tabu? 
É. E fidelidade para mim não tem nada a ver com sexualidade. A palavra traição é muito inadequada para definir uma relação sexual com outra pessoa. Traição é uma coisa muito séria. É você trair um amigo, um irmão. As pessoas falam muito a palavra traição por hábito. Prefiro chamar de exclusividade. O que as pessoas precisam é parar de fazer um pacto que não vão cumprir. 
Com o amor romântico saindo de cena, ele leva junto a exclusividade. Acredito que cada vez mais as pessoas vão optar por não se fechar em uma relação e preferir relações múltiplas. Porque essa coisa de você amar duas pessoas, três, isso acontece o tempo todo. Eu atendo pessoas nessa situação e elas sofrem muito por isso. Acho que existem muitas chances de esse poliamor predominar. Porque amor é uma construção social. As pessoas pensam que o amor é só o amor romântico, mas não é nada disso. Quando eu critico o amor romântico, tem gente que acha que sou contra o amor.
Mesmo depois da contracultura e do feminismo ainda tememos coisas como a traição. Você acha que seguimos muito caretas? 
Não acho. No meu O livro do amor descobri que há 5 mil anos, quando o sistema patriarcal se instalou, a mulher foi aprisionada. Na Idade Média, houve concílio para decidir se mulher tinha alma ou não. Até o século 19, ainda se discutia o tamanho da vara com que os homens podiam espancar a mulher. Por isso que eu acho engraçado, sabe? Uma vez me ligaram de uma revista semanal dessas e me perguntaram: “Você é feminista?”. Respondi horrorizada: “Claro, por quê? Você não é?” [risos]. Acho que não ser feminista é concordar com todos esses 
absurdos. As pessoas não entendem isso porque são ignorantes. Mas com tanta opressão, olha, acho que estamos até bem.
A religião é um outro problema para a sexualidade? 
Nossa! E como! O que houve de culpabilização do desejo sexual na Igreja durante todo esse tempo! Tanto moralismo... A Igreja fez barbaridades, como por exemplo apoiar a caça às bruxas. Esse foi um período terrível de violência contra a mulher, em que aconteceram atrocidades das mais horríveis. É importante conhecer o passado para a gente entender o presente.

A Igreja usava uma coisa chamada danação eterna para assustar as pessoas. Imagina isso! A repressão era tanta que muita gente fugia para o deserto do Egito para se mortificar, para tirar os pensamentos da cabeça e fugir dessa “danação eterna”. Essa ideia foi de profissional, né? [Risos]Imagina, danação eterna! A nossa história é um hospício. É inacreditável! 
“Sexo grupal é uma tendência, a bissexualidade também. Acho que ela será predominante daqui a uns 30 ou 40 anos”
Em um dos seus livros, você diz que é contra o cavalheirismo. Por quê? 
O conceito de cavalheirismo não serve para nada, né? O que é cavalheirismo? Que vergonha! Gentileza, sim. O homem tem que ser gentil com a mulher, a mulher com o homem. Cavalheirismo implica que a mulher é incompetente para puxar uma cadeira? Ela malha, segura 10 quilos, mas não consegue puxar uma cadeira ou abrir uma porta? Cavalheirismo é um horror! Precisamos pensar sobre isso, gente! 

A mulher deve dividir a conta do motel com o homem? Outro dia joguei essa questão para uma amiga. E ela: “Ah, divido restaurante, cinema, mas motel não”. E eu pergunto: “Motel não por quê?”. É como se a mulher quisesse os benefícios da emancipação, mas não quisesse os ônus! Então, depois não reclama que ganha menos.
O que você acha desses guias de autoajuda com regras para “conquistar” um homem? 
Acho um absurdo! As mulheres foram condicionadas a acreditar que são frágeis, que precisam de um homem para cuidar delas. Quando você chega à idade adulta, foi tão condicionada que não sabe mais se faz as coisas porque deseja ou porque te educaram para isso. Por exemplo, uma mulher vai a uma festa, está aos amassos com um cara. Ele a chama para fazer sexo e ela diz: “Não tenho vontade, não faço sexo no primeiro encontro!”. Até parece! Isso é para agradar o homem, porque se criou essa ideia de que homem não gosta de mulher que é fácil! Então, ela tem medo de que os caras não liguem no dia seguinte. Muitas mulheres ainda acreditam em príncipe encantado.
E essa ideia de príncipe, dos contos de fadas? 
Essas histórias tipo Cinderela e Branca de Neve não deviam ser lidas para as crianças. Elas incentivam as mulheres a ser o quê? O que você quer para a sua filha? Passar uma imagem subliminar de que ela só vai ser salva se aparecer um homem? O que diz a história da Cinderela? Que o pé tem que caber naquele sapatinho! Ou seja, que a mulher tem que ajustar a sua imagem aos padrões masculinos. Os contos de fadas são muito nocivos. As mães não sabem. Não pararam para pensar. Espero que menos gente conte essas histórias para seus filhos.
Você já contou para seus filhos? 
Contei porque era ignorante. Mas para a minha neta, de jeito nenhum!
O casamento tende a acabar? 
Não consigo acreditar que quem está nascendo agora vai ter, daqui a 30 ou 40 anos, casamentos do jeito que eles são hoje. Li uma pesquisa que diz que 80% dos casamentos são infelizes. Bom, infelizes no sentido de uma convivência boa, de bom relacionamento sexual, de acrescentar coisas para a pessoa. Esse modelo de casamento que está aí é um horror. 
“Fidelidade não tem nada a ver com sexualidade. A palavra traição é muito inadequada para definir uma relação sexual com outra pessoa. Traição é você trair um amigo, um irmão. Prefiro chamar de exclusividade”
Por quê? 
As pessoas precisam reformular as expectativas a respeito da vida a dois. Como todo mundo casa regido pelo amor romântico, a pessoa acha que vai ser aquilo, que o outro vai cuidar de todas as suas necessidades, e por aí vai. Mas isso não é real! As pessoas têm que ter vida própria, têm que ter liberdade de ir e vir, amigos separados, não pode haver controle da vida do outro, controle da sexualidade do outro. A exigência de exclusividade é uma obsessão.
Uma insegurança. 
Sim. As pessoas são muito inseguras. Nós nascemos do útero. No útero temos todas as nossas necessidades garantidas, mas, quando saídos de lá, somos tomados por um sentimento de desamparo. A nossa cultura prega o tempo todo que você tem que encontrar alguém que te complete. 
As pessoas passam a vida inteira procurando alguém que vá dar aquela sensação que você tinha no útero. O amor romântico se presta a isso. A criança pequena também é assim: ela sem a mãe por perto morre. Por isso, as crianças são ciumentas, possessivas. 
Quando meus filhos eram pequenos percebia isso. Se você está muito tempo no telefone, a criança dá um jeito de machucar o pé, de cair, de fazer qualquer coisa para chamar sua atenção [risos]. O adulto é capaz de lidar com seus problemas cotidianos razoavelmente bem. Ele resolve tudo, uma briga com o síndico, uma briga no trabalho. Mas é entrar em um relacionamento e mudar. Ele se torna ciumento, possessivo, controlador. Ele reedita o que fazia quando era criança.
Que conselho você dá para as mulheres que vivem com medo de perder a “exclusividade”? 
Ninguém deveria se preocupar com quem o parceiro ou a parceira transou. Dentro de um relacionamento, você só tem que responder a duas perguntas: “Me sinto amada? Me sinto desejada?”. Se a resposta para essas duas perguntas for “sim”, tudo bem. Agora, ficar se perguntando o que o seu parceiro faz quando não está com você? Ora, isso não é da sua conta!
Mas muitos jovens ainda acreditam naquele modelo da “família margarina”, não é? 
Muitos acreditam mesmo. E isso vem dos anos 50. A década de 50 era uma década de modelos. Se você saísse deles, ficava marcado. Tenho uma amiga que, quando separou, nunca mais foi convidada para as festas do prédio. Isso nos anos 80. Porque são modelos: “Você tem que ser casado, ter dois filhos, uma geladeira, uma televisão de não sei quantas polegadas”. 
Acho anacrônico quem fala hoje: “Ah, porque a sociedade não aceita isso”. Gente, a sociedade somos nós! Mas o mais importante disso tudo é: não estou propondo outro modelo. Estou propondo que não haja modelo. Se alguém quiser ficar casado 30 anos com uma pessoa e só fazer sexo com essa pessoa, tudo bem. Se quiser ficar casado com quatro, tudo bem também. O importante é não ter modelos. Os modelos aniquilam as singularidades.
Você disse em uma entrevista que usava vibrador muitas vezes quando fazia sexo com seu marido. Isso ainda choca as pessoas? 
Essa questão de vibrador tem muito tabu também. O sexo ainda é visto como algo sujo. Mas há 2 mil anos era pior. Era visto como uma coisa tão terrível que acho até um milagre que as pessoas conseguissem ter orgasmo. 
Era tanta repressão acumulada que cada orgasmo é quase um milagre e um sucesso [risos]. Outro dia estava conversando com uma psicanalista e falei de vibrador. Sabe o que ela me disse: “Eu não, não preciso desses brinquedinhos”. Virei para ela e falei: “Escuta, não é precisar de brinquedinho, é uma coisa concreta. Se você estimula duas zonas erógenas ao mesmo tempo, isso tem um efeito. Se o cara está te penetrando e você usa um vibrador no clitóris, vai ter um orgasmo melhor!”. E não tem dedinho que substitua um vibrador. 

Agora, não só as mulheres, mas os homens também têm problema com isso. Eles competem com o vibrador. Acham que, se a mulher usa, é porque ele não está dando conta. As mulheres em geral usam sozinhas, para masturbação, mas não com o parceiro.
Por que os homens temem a concorrência do vibrador? 
Na verdade, os homens são muito inseguros. São dependentes das mulheres como crianças. E isso é culpa do sistema patriarcal. O menino aprendeu a se defender da mãe muito cedo. Imagine a seguinte cena: um menino e uma menina estão brincando no play. Se a menina cai e rala o joelho, começa a gritar, pede o colo da mãe, que faz chamego na filha, fala que ela é meiga. O menino tem que engolir o choro, coitado. 
O menino passa o tempo todo negando a necessidade da mãe, e por isso começa a desvalorizar a mulher. Mais tarde, quando entra em uma relação amorosa, fica frágil. E a mulher acaba cuidando dele. Tem casos de homens que têm empresas de 10 mil empregados e não conseguem decidir a roupa! É uma loucura! Muitos são extremamente dependentes! O sistema patriarcal foi o maior inimigo dos relacionamentos. Colocou a mulher e o homem, cada um de um lado, e criou uma guerra dos sexos.
Essa guerra dos sexos cria que tipo de desencontro na cama? 
O homem vai pro sexo, inconscientemente, para provar que é macho. Então, tem que ficar de pau duro e ejacular. As preliminares ficam pra lá. Para estar no ponto, a mulher precisa de cinco vezes mais sangue irrigando os órgãos sexuais do que o homem. E também de mais tempo para ter um orgasmo. 

Já o cara, ele quer gozar logo para não perder a ereção. E fica naquele movimento igual, de ir pra frente e pra trás, que faz com que a mulher tenha cistite, mas não tenha orgasmo [risos]. Agora, a mulher aprendeu que tem que corresponder à expectativa feminina. E aí, ela finge orgasmo.
Você já afirmou que a última vez que fingiu um orgasmo foi com 20 anos... 
Sim! Eu não faço isso e ninguém devia fazer. É um absurdo! Se uma mulher fingir um orgasmo, vai ser muito difícil ela ter um. E por que ela está fazendo isso? Só para agradar o homem! Para o cara não trocar ela por outra, para segurar o homem.
Como foi educar dois filhos, um menino e uma menina, tendo esse pensamento libertário? 
Sempre denunciei para os meus filhos o moralismo. Nessa área do amor e do sexo, busquei mostrar para eles o que havia de preconceito. Lembro que uma vez fui botar meu filho para dormir e ele estava vendo um seriado em que tinha um padre que se torturava, sofria por causa do seu desejo sexual. E falei para ele: “Meu filho, isso não pode ser assim, sexo não é algo ruim, é uma coisa boa”. Sempre expliquei tudo. E meus filhos sempre dormiram com namorado em casa. Às vezes chegam pais com essa questão pra mim e falam: “Ah, porque é muito complicado...”. E eu falo: “Não é, não”.
Você acha que as coisas estão melhorando? 
Sim! Muito! A minha filha, por exemplo, teve um filho de produção independente. Ela tinha 20 anos e um namoradinho de 17. E foi maravilhoso. Assisti ao parto da minha filha e, imagina, ela nunca foi discriminada por ninguém por causa disso. Na minha geração, as mulheres eram muito discriminadas nessa situação. Aconselho homens e mulheres a questionar tudo isso e jogar o moralismo no lixo. Isso se quiserem viver melhor. Mas para isso é preciso uma coisa muito difícil: ter coragem.
Entrevista publicada no site TPM.

domingo, 28 de dezembro de 2014

A revista do mico



Aécio é o pior senador de 2014 em ranking da Veja

O pior senador do Brasil, segundo a Veja, queria ser Presidente do país...
Depois de fazer campanha aberta à eleição de Aécio Neves à Presidência da República, a revista Veja publicou na edição deste fim de semana um ranking que coloca o tucano como o pior senador do Brasil em 2014.

Ele foi o único senador a receber pontuação zero no chamado 'Ranking do Progresso', divulgado pela revista pelo quarto ano consecutivo.

Para a formação da lista, de acordo com a publicação, "são levadas em conta propostas de ajuste na legislação capazes de contribuir para um país mais moderno e competitivo, segundo a perspectiva de VEJA e da Editora Abril".

A lista de senadores é liderada por Eduardo Amorim, do PSC-SE. Já na de deputados, quem está no topo são dois tucanos: o líder do PSDB na Casa, Antonio Imbassahy (BA), e Marcus Pestana, presidente do PSDB de Minas Gerais.

A revista aponta que, no ranking deste ano, há "maior equilíbrio entre parlamentares do governo e da oposição na Câmara Federal". Dos 20 mais bem colocados, sete pertencem aos quadros da dupla PSDB/DEM, mesmo número dos filiados aos partidos aliados ao governo PT/PMDB.


"O que explicaria tal mudança?", pergunta a reportagem de Veja. "É impossível não considerar como determinante do ranking de 2014 o fator 'calendário eleitoral'. 

Tivemos um longo e árduo ano de campanhas para os pleitos presidencial e legislativo — contaminadas, mais uma vez, por uma sucessão de escândalos que envolveram a classe política e alguns candidatos-protagonistas. 

Senadores e deputados passaram boa parte de 2014 empenhados em levar aos seus eleitores o resultado do trabalho desenvolvido a partir de 2011.

Além disso, muitos congressistas se lançaram na disputa para os executivos federal e estaduais. 


Isso trouxe pelo menos duas consequências: a) um número pequeno de deliberações no Congresso, se considerarmos como base o período 2011-2013; b) pouco trabalho feito por parlamentares que, em outro momento, teriam maior atuação nos processos decisórios do Legislativo", explica a revista.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Filmes: "O Hobbit: A Batalha dos Cinco Exércitos"

GRANDILOQUÊNCIA SEM GRANDEZA

Trilogia serve para confirmar que um diretor sem controle e dominado pelo ego acaba tendo seu talento tolhido

- por André Lux, crítico-spam

O capitulo final da trilogia "O Hobbit" é a prova final de que foi um grande erro do diretor Peter Jackson esticar o pequeno livro de Tolkien em três filmes de quase três horas de duração cada. 

Muita gente está dizendo que esse é o melhor deles, mas eu não achei. Pelo contrário. Os outros dois ao menos tentavam contar uma história, sem muito sucesso, é verdade. Já em "A Batalha dos Cinco Exércitos" temos apenas lutas e batalhas sem fim, durante praticamente toda a projeção.

O que mais choca é a total falta de foco narrativo na trilogia. Enquanto em "O Senhor dos Anéis" Jackson manteve tudo girando em torno do Um Anel e sua capacidade de corromper, em "O Hobbit" a gente nunca sabe em torno do que gira o roteiro. É do Bilbo? É do Gandalf? É do anão Thorin? Do dragão então? Impossível saber, pois o foco muda a cada sequência, deixando tudo desconjuntado e frio.

Pelo que eu me lembro do livro, o protagonista é mesmo Bilbo, cujo arco seria mais ou menos transformar-se de um hobbit preguiçoso e covarde em um aventureiro e cheio de coragem. Nos filmes, não vemos nada disso, nesse último, por sinal, ele quase não tem o que fazer.

E o dragão Smaug, então? Sua participação no terceiro filme é totalmente anti-climática, com ele sendo despachado com menos de 15 minutos de projeção! Já que Jackson ia deturpar tanto a obra original, poderia então mudar o destino do dragão, deixá-lo vivo por mais tempo, sei lá, qualquer coisa! Depois de ficar quase dois filmes inteiros nos provocando com pequenas aparições, a maneira como o diretor encerra a participação dele nos filme é lamentável.

A guerra entre os tais cinco exércitos, que no livro dura meia dúzia de páginas, no filme vira uma orgia de orcs, anões, elfos e humanos digitais se matando por mais de 45 minutos, com resultado emocional pífio! Confesso que não aguentava mais ver aqueles dois chefões orcs sendo golpeados, caindo e levantando para serem golpeados novamente pela enésima vez. Já estava esperando eles gritarem: "Ai amor, me joga na parede, me chama de lagartixa!".  

A resolução da história de amor entre a elfa Tauriel (personagem inventado para o filme) e um dos anões é lamentável. Basicamente sai do nada e chega a lugar algum. Jackson, por sinal, parece perder o controle dos atores, principalmente do sujeito que faz o "aspone" do prefeito da Cidade do Lago, cuja atuação é pavorosa, e do rei dos Elfos Thranduil, feito por um Lee Pace que passa toda a trilogia com a mesma cara de empáfia, como se fosse uma drag queen cuja peruca foi roubada.


"Foi você que roubou a minha peruca favorita, não foi?"

O coitado do Howard Shore, cuja música para "O Senhor dos Anéis" entrou para qualquer lista das melhores de todos os tempos, esforça-se em vão para criar alguma dramaticidade para os filmes, mas a ausência de um foco narrativo definido e de personagens fortes deixa sua partitura sonsa e repetitiva. 

O fato de Jackson optar por enfiar música praticamente do começo ao fim dos filmes sem pausa, serve para limitar ainda mais a paleta musical do compositor, que é obrigado a esticar as notas para tentar cobrir tantas cenas sem graça e redundantes.

Contorci-me novamente na poltrona com a trama paralela que traz Sauron para o meio da narrativa, pois é completamente absurda, especialmente quando a Galadriel usa "a força" para expulsar o vilão. E como é que depois desse terrível encontro, o Gandalf está lá todo tranquilão no começo de "O Senhor dos Anéis"? Nesse ponto, Jackson dá uma de George Lucas e tenta estragar seus filmes originais com essas informações incoerentes.

No final das contas, a trilogia "O Hobbit" apenas serve para confirmar que um diretor sem controle e dominado pelo seu ego acaba tendo seu talento tolhido e sobra apenas o exagero e a grandiloquência, como se isso fosse sinônimo de grandeza. Só que não é. Uma pena.

Cotação: **

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Minha opinião sobre o caso Idelber Avelar

À esquerda, temos um Predador. Já à direita, apenas um babaca
Acompanhei com perplexidade as denúncias feitas contra o professor e blogueiro Idelber Avelar, uma pessoa que, faço questão de dizer, acho desprezível por vários motivos e com quem rompi qualquer tipo de relacionamento há anos.

Agora, sobre a suposta denúncia contra ele feita por uma blogueira feminista, que deu voz a um grupo de mulheres que acusam o sujeito de tê-las violentado e coisas do tipo, não posso ficar calado.

Meus pensamentos abaixo são basicamente uma resposta a um artigo publicado no ótimo site Diário do Centro do Mundo, intitulado "Por que para mim os diálogos do caso Idelber Avelar não foram consensuais" e escrito por Nathali Macedo.


Sugiro que leia o artigo dela antes de continuar lendo meu texto.

Sinceramente, dizer que as mulheres foram "violentadas" não faz o menor sentido. Muitos menos que as conversas não foram consensuais. Como assim não foram? 

O cara mandou a foto do pinto, agiu de forma grosseira desde o início e a mulher continuou teclando com ele e foi até as últimas consequências no mundo real, não gostou e aí vem posar de vítima de violência? 

Outra coisa: afirmar que as moças são pobres vítimas de um violentador porque sentiram-se atraídas pelo fato dele ser um professor respeitável e cheio de títulos é a mesma coisa que dizer que são violentadas aquelas que correm atrás de homens ricos, poderosos ou famosos (jogadores de futebol?) e que as desprezam depois. 

O que dizer então das famosas "groupies", que são taradas por sujeitos que tocam em bandas pop e fazem de tudo para conquistar um deles, sendo que a maioria é descartada como lixo depois de algumas transas? São todas pobres coitadas, vítimas de violentadores? 

Tenham dó!

Não nego que se trata de um sujeito arrogante e grosseiro, que curte um feitiche bem agressivo conhecido com "cuckolding"
, mas lendo as conversas privadas (publicadas de forma absurda e provavelmente criminosa) a gente percebe claramente que ele sempre se portou dessa forma! 

Mesmo assim, as moças OPTARAM livremente por continuar a relação virtual e algumas ainda foram além. Como assim foram "violentadas"??

E outra, esse papo de falar que ele só seduzia mulheres fragilizadas e carentes é ridículo. Porque, convenhamos, ou ele tem uma bola de cristal poderosa ou então foram as próprias meninas que se abriram pra ele e contaram isso, certo? O cara, como qualquer homem atrás de sexo, jogava a sua isca. Certamente a maioria das mulheres o xingava ou bloqueava direto. Mas algumas, obviamente, se sentiam atraídas ou ao menos curiosas. Coisa mais normal do mundo.

Aí algumas chamam o cara de "predador", como se isso fosse crime! Não está lotado de mulheres que ADORARAM o tal do "50 Tons de Cinza", que eu não li, mas pelas análises, é bem parecido com o que rolou aí nesse caso? Um lance meio sadomasoquista dominado por um homem que gosta de humilhar as mulheres? 

Então, a pergunta é simples: se não gostavam da atitude dele, POR QUE ELAS CONTINUARAM A BRINCADEIRA? Se continuaram, é porque estavam gostando, oras! Depois se arrependeram? O cara prometeu e não cumpriu? Isso é crime, violência, onde? 

Ele colocou uma arma na cabeça delas e as obrigou? Ele era chefe delas e usou desse poder hierárquico para forçá-las? Se fosse isso, aí sim, teriam sido violentadas. Só que nada nem próximo disso aconteceu!

Aí vem falar que elas foram vítimas de um "jogo", de uma "manipulação" monstruosa e violenta. Então, continuo sem entender que "jogo" foi esse. Ele por acaso chamou elas para uma leitura da Bíblia? Para conhecer a coleção de livros do Alan Kardec dele? E aí pulou em cima das coitadas e as estuprou? 

Não! O cara manda foto do pinto já de cara e fica chamando as moças de "putinhas" e tal e elas não tinham A MENOR ideia do que se tratava? Desculpe, mas não cola.

Essa defesa insana dessas "pobres coitadas violentadas pelo professor fodão" ficou ridícula e só denigre ainda mais o movimento feminista. 

Acho que seria bom darem um passo atrás e enxergarem esse barraco todo como ele realmente é.

Uma coisa é desmascarar o pseudo-feminismo do sujeito. Outra coisa é acusá-lo de ter violentado as tais mulheres. Ele não violentou. Elas fizeram tudo porque quiseram. Ponto. Ele é sacana? Pérfido? Mal caráter? Podemos até dizer que sim. Mas, criminoso? Violentador? Aí não, né?

Para mim parece que tudo aconteceu por causa da maldita repressão sexual que impera nessa nossa sociedade doente.

E a repressão sexual é uma coisa triste, que pode levar as pessoas à loucura. Principalmente quando experimentam práticas que são "condenadas" por essa sociedade hipócrita e falso moralista.

Eu já vi muito isso acontecer, tanto com homens quanto com mulheres: a pessoa descobre que uma determinada tara ou fetiche a excita, não resiste, experimenta e depois pinta a culpa, o trauma, o arrependimento.

E aí, ao invés de ir buscar uma terapia, se entender, se resolver, se faz de vítima e joga a culpa no(a) "predador(a) que a induziu a fazer isso e aquilo sem ela saber de nada".

Sinceramente, isso é patético. Vamos evoluir, gente, senão fica difícil...

Agir como inquisidores prontos para linchar publicamente alguém só porque tem uma tara considerada agressiva ou "errada" por certas pessoas é algo simplesmente abominável.

O ataque dos coxinhas


segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Alunos do SESI participam de atividade do projeto de conservação da Ponte Torta


Na sexta-feira (28), a carreta itinerante do projeto Ações de Conservação e Zeladoria da Ponte Torta ficou na praça da esquina das avenidas Nove de Julho e Prefeito Luiz Latorre, ao lado do Jardim Morumbi. 
Duas turmas de alunos de sexta série do SESI participaram, no local, de uma atividade lúdica que teve como objetivo enfatizar a importância da preservação dos monumentos históricos. 
A ação também mostrou que o projeto da Ponte Torta pode contribuir para o processo de aprendizagem e educação sobre o patrimônio histórico e cultural de Jundiaí.
Os alunos de 11 a 12 anos do SESI aprenderam brincando sob a supervisão do arquiteto Toninho Sarasá, especialista em restaurações, a construir muros e também uma réplica da Ponte Torta utilizando materiais de espuma. A experiência foi muito bem recebida, tanto pelas crianças quanto pelas professoras que acompanharam a atividade.
"Esse projeto de conscientização é muito bacana e vem ao encontro das aulas que estávamos ministrando às crianças sobre a importância da preservação dos patrimônios históricos. Inclusive havíamos visitado vários pontos da cidade, como a Ponte Torta, que acabou sendo o que eles mais lembraram. Tenho certeza que essa é uma experiência que vão levar para toda a vida", elogia Nívia Massareto Berges, professora de Geografia do Sesi.
"Gostei de entender como eles fizeram a Ponte Torte naquela época, nunca imaginava que os antigos já tinham tanta sabedoria sobre esses assuntos", disse a aluna Tainara Vieira, de 11 anos.
Julia Camargo, de 11 anos, também ficou surpresa com as técnicas usadas para construir a Ponte Torta. "Achei que era uma coisa super simples e fácil, mas não foi não, foi bem difícil. Agora quando eu for lá vou ver a ponte de outra maneira".
Daniela da Camara Sutti, secretária de Planejamento e Meio Ambiente da prefeitura de Jundiaí, explica que a intenção do projeto é trabalhar a conscientização não apenas das gerações mais antigas, mas também das novas para que entendam a importância da preservação dos patrimônios históricos da cidade e do mundo todo. 
"Afinal um povo que não cuida da sua história, é um povo sem memória. E quem garante que daqui não vão sair futuros engenheiros ou arquitetos, estimulados por experiências como essa?", questiona.







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