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sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Filmes: "Rogue One - Uma História Star Wars"

FAN-SERVICE DE MENOS

Problemas na pós-produção e falta de desenvolvimento dos protagonistas impedem que filme se torne uma entrada realmente memorável no cânone de “Star Wars”

- por André Lux, crítico-spam

“Rogue One” é a primeira derivação (ou spin-off como chamam nos EUA) oficial de “Star Wars” lançada nos cinemas e faz parte da onda de produtos relacionados à saga criada por George Lucas em 1977 desde que ele vendeu tudo para a Disney.

Ou seja, é um filme que se passa no mesmo universo, porém sem se concentrar na linha de tempo da família Skywalker, que é a mola propulsora dos 7 episódios originais. Tanto é que “Rogue One” já começa direito na ação, sem os famosos letreiros e música tema de “Star Wars” e situa-se exatamente antes do episódio 4 “Uma Nova Esperança”, mostrando como é que os rebeldes conseguiram colocar as mãos nos planos da Estrela da Morte.

A direção é do mesmo sujeito que fez o novo e excelente “Godzilla”, Gareth Edwards, porém a pós-produção foi conturbada, ao ponto de demitirem o compositor Alexandre Desplat e refilmarem certas sequências, o que é sempre um mau sinal, pois indica geralmente que os executivos do estúdio acharam que o filme não tinha apelo comercial suficiente para as massas. Isso acarretou em uma nova montagem e muitas cenas importantes de desenvolvimento dos personagens certamente foram parar no lixo, já que tudo parece acelerado e raso, impedindo uma maior conexão e empatia com eles.

Os primeiros dois terços do filme são truncados, com os protagonistas viajando de um lugar para o outro enquanto encontram outros personagens que acabam se juntando a eles de maneira pouco convincente. O problema, como já disse acima, é que as cenas onde tais eventos seriam aprofundadas devem ter sido cortadas para deixar o filme mais curto e dinâmico, mas acaba acontecendo o contrário, pois o excesso de idas e vindas e a falta de cenas de interação entre os protagonistas deixa-o um pouco tedioso.

É só na terceira parte mesmo que a coisa esquenta e temos uma batalha suicida muito boa que acontece na superfície de uma base imperial e no espaço. Embora falte o apelo emocional que sobra nos três primeiros filmes da saga (IV, V e VI), é mil vezes melhor do que as batalhas tolas dos prelúdios (I, II e III) que mostravam bonecos digitais irritantes destruindo robôs sem graça. Ao menos conseguimos ver Darth Vader detonando na tela de uma maneira totalmente inédita e que muitas fãs sempre sentiram falta. Nesse sentido, “Rogue One” acaba pecando justamente por fazer pouco “fan service”, que é aquele recurso de enfiar no meio da narrativa situações ou personagens da série original. Sem dizer que falta humor, todo mundo é sério e carrancudo e o único alívio cômico é o robô imperial que foi reprogramado, mas mesmo suas tiradas soam forçadas e baratas.

Os atores principais também são fracos, principalmente o mexicano Diego Luna que é muito franzino e com cara de pernilongo para convencer como guerreiro rebelde e galã romântico, tanto é que ele e a mocinha (Felicity Jones, bem sem graça também) nem chegam a trocar um beijo. O vilão central, diretor Krennic, também é feito por um ator fraco e caricato, a mesma coisa acontecendo com o piloto imperial desertor. O personagem do cego com habilidades ninja não funciona, pois nunca ficam claras as extensões dos poderes dele (ele repete um mantra sobre a Força, mas não é Jedi, embora lute como um, mas sem sabre de luz).


O filme também se dá o luxo de desperdiçar o excelente Mads Mikkelsen em um papel que poderia ter sido bem melhor desenvolvido, igual fizeram com ele em “Doutor Estranho”. Todo mundo está reclamando de terem recriado digitalmente o personagem de Peter Cushing, como o governador Tarkin em “Uma Nova Esperança”, mas eu achei muito bem feito e sinceramente não me incomodou, além de ser uma bonita homenagem ao grande ator da Hammer. A princesa Leia nem tanto, mas confesso que chorei quando ela apareceu... Coisa de nerd, não tem jeito.

O compositor Michael Giacchino foi chamado às pressas para criar uma nova trilha musical após a partitura de Desplat ter sido rejeitada e fez um bom trabalho tendo apenas 4 semanas para finalizar, incorporando de maneira inteligente os temas clássicos de John Williams, embora algum material temático novo não funcione como deveria, principalmente o tema principal e o associado ao vilão imperial. Mas não é nada que atrapalhe.

Gostei também que o personagem feito por Forest Whitaker chama-se Saw Gerrera, uma óbvia referência ao guerrilheiro Che Guevara, que também lutava contra o fascismo e era considerado extremista até pelos seus companheiros, mas mesmo assim um herói. Pena que seja tão mal usado e suma de maneira muito besta. Tiveram o cuidado também de recriar com perfeição a armadura original de Darth Vader que era um pouco diferente do que vimos em “O Império Contra-Ataca” e “O Retorno de Jedi”, já que em “Uma Nova Esperança” ela era meio pobre e sem brilho, certamente devido às limitações financeiras na época.

Enfim, o filme é perfeitamente desfrutável e vai agradar aos fãs, porém os problemas na pós-produção certamente acabaram impedindo que “Rogue One” realmente se tornasse uma entrada memorável no cânone da saga “Star Wars”. O que é uma pena. Tomara que lancem uma versão estendida do filme.

Cotação: * * *


sábado, 10 de dezembro de 2016

GOLPISTAS NÃO COMBINARAM COM OS RUSSOS


Quando a Gestapo do juizeco Moro prendeu um dos donos da Odebretch ficou claro que o plano da direita era quebrar a espinha dorsal da economia do Brasil: a construção civil e a Petrobrás. Só assim, com a economia em frangalhos, teriam força para derrubar Dilma. O plano deu certo.

Mas, naquela época, fiz uma pergunta: será que combinaram com os russos? Ou seja, será que a família Odebretch tinha aceitado participar desse esquema golpista ao ponto de sacrificar um de seus filhos?

Hoje nós descobrimos a resposta. Não, eles não combinaram com os russos e a Odebretch resolveu enfim se vingar da quadrilha que tomou conta do poder no Brasil, delatando todos eles, inclusive tucanos, peemedebistas e demonistas de alta plumagem.

Quais consequências isso vai ter, não sei ainda. Provavelmente nenhuma ou quase nenhuma, já que todos recebem proteção máxima dos seus capangas travestidos de jornalistas na mídia grande, no Ministério Público e na Justiça.

Todavia, uma coisa é certa: nunca mais vão poder posar de “homens de bem” honestos e imaculados, exceto claro, para aqueles dementes que acham que o PT é o grande satã e que tudo que sai contra seus “heróis” é armação ou mentira.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

A FOTO MAIS OBSCENA DESTES NOSSOS TEMPOS


"Essa intimidade obscena, protagonizada por essas duas figuras lamentáveis, em um convescote de quinta categoria, é, literalmente, o retrato da república de bananas que nos tornamos"


- por Leandro Fortes, em seu Facebook 

No futuro, essa foto, mais do que qualquer outra imagem, será a representação simbólica desses dias de caos e desesperança.
É o instantâneo de todo o absurdo em que vivemos: um clarão sobre as personagens tétricas de uma ópera bufa patrocinada por uma revista que, hoje, é o emblema máximo da indigência moral da mídia e dos jornalistas brasileiros.
Nela, estão todas as deformações possíveis que resultaram do golpe parlamentar que derrubou uma presidenta eleita e jogou o País no lixo da História: o presidente ilegítimo, o juiz parcial, o senador patético, o governador bestial e o ministro sem sentido.
Que o juiz da região agrícola e o senador multicitado na Lava Jato tenham sido flagrados entre sussurros e risadas, não há de admirar ninguém.
Essa intimidade obscena, protagonizada por essas duas figuras lamentáveis, em um convescote de quinta categoria, é, literalmente, o retrato da república de bananas que nos tornamos.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Destruição a Jato: a tragédia do Brasil de Moro

Excelente vídeo mostra como a Lava Jato e sua atuação completamente enviesada e partidarizada destruiu a economia do Brasil para dinamitar o governo Dilma e acelerar o golpe contra a democracia. Se depois de ver esse filme continuar relichando, melhor buscar um bom psiquiatra, pois seu caso é grave.

ZEITGEIST: assista ou continue relinchando

terça-feira, 29 de novembro de 2016

Leandro Fortes: "MORO ESTÁ FUGINDO"


Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

- por Leandro Fortes, jornalista

A Operação Lava Jato, dentro de um contexto social e político honesto, teria sido um presente para o Brasil. Acho que ninguém discorda de que, um dia, seria necessário acabar com a cultura da corrupção que sempre ligou empreiteiros e políticos brasileiros.

O fato é que, em pouco tempo, foi fácil perceber que as decisões e ações demandadas pelo juiz Sérgio Fernando Moro estavam eivadas de seletividade. Tinham como objetivo tirar o PT do poder, desmoralizar odiscurso da esquerda e privilegiar aqueles que, no rastro da devastação moral levada a cabo pelo magistrado, promoveram a deposição da presidenta Dilma Rousseff.

Hoje, graças à Lava Jato, a economia nacional está devastada, o Estado de Direito, ameaçado, e o poder tomado por uma quadrilha que fez do Palácio do Planalto uma pocilga digna de uma republiqueta de bananas de anedota.

Agora, quando os grupos golpistas ligados ao PSDB e PMDB começam a ser atingidos pela mesma lama que a Lava Jato pensou em represar apenas para o PT, o juiz Moro pensa em tirar um ano sabático, nos Estados Unidos.

Isso, obviamente, não pode ser uma coisa séria.

Um juiz de primeira instância destrói a economia e o sistema político de um país, deixa em ruínas 13 anos de avanços sociais, estimula o fascismo, divide a nação e, simplesmente, avisa que vai tirar férias de um ano?

Não se enganem: o que está havendo é uma fuga planejada.

E precisamos saber o porquê, antes que ela seja consumada.


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Excelente vídeo mostra como a Lava Jato e sua atuação completamente enviesada e partidarizada destruiu a economia do Brasil para dinamitar o governo Dilma e acelerar o golpe contra a democracia. Se depois de ver esse filme continuar relichando, melhor buscar um bom psiquiatra, pois seu caso é grave.


segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Coerência não é teu forte, coxinha



Filmes: "A Chegada"

DE ARREPIAR

É muito bom ver que o cinema comercial estadunidense ainda é capaz de lançar filmes com uma mensagem de tolerância, entendimento e paz tão arrebatadora

- por André Lux, crítico-spam


É sempre muito bom ver que o cinema comercial estadunidense ainda é capaz de lançar filmes como “A Chegada”, ricos em significados e com uma mensagem de tolerância, entendimento e paz tão arrebatadora. Certamente é a mais inteligente ficção científica séria desde “Contato”, com Jodie Foster.

O filme é dirigido por Dennis Villenueve, um franco-canadense que tem uma obra de respeito mundo afora, mas de quem que eu só vi “Incêndios”, certamente um dos filmes mais perturbadores dos últimos tempos, ao ponto de ter que parar de assistir no meio, tamanho o impacto. Ainda não tive coragem de continuar, mas agora serei obrigado. Fez também “Sicario”, mas esse realmente achei banal por causa da trama sobre o combate ao narcotráfico na fronteira entre EUA e México, um tema por demais batido e tolo. Está dirigindo também a nova versão (ou continuação) de “Blade Runner”e por isso esse projeto aparentemente suicida ganha minha simpatia por hora.

Mas seu estilo de direção preciso e sua segurança narrativa certamente chegaram ao ápice aqui, no que poderia ser descrito como um “Independence Day” levado a sério, afinal trata-se da “invasão” de várias naves desconhecidas que até se parecem com as do filme-pipoca de Roland Emmerich. Mas as semelhanças terminam por aí, pois o foco de “A Chegada” está nas tentativas dos humanos de se comunicarem com os alienígenas e na construção de um entendimento entre as duas linguagens.

Neste quesito o filme é primoroso ao mostrar como a boa comunicação é fundamental para gerar equilíbrio, harmonia e paz. Ou vice-versa, isto é, pânico, desentendimentos e conflitos em qualquer esfera de relacionamentos. Impossível desgrudar os olhos da tela quando os cientistas começam a tentar se comunicar com os aliens, em sequências de tirar o fôlego que se beneficiam em grande parte pela atuação natural e sincera de Amy Adams, que até agora só tinha aparecido em comédias românticas ou com a namorada do Superman nos horríveis filmes do “Homem de Aço”.

Não bastasse isso, “A Chegada” também brilha ao mostrar como os diferentes tipos de linguagem e comunicação podem mudar a percepção da realidade das pessoas e como o tempo é precioso e pode ter diferentes tipos de impacto em nossas vidas. Os diversos flashbacks que mostram o relacionamento da linguista com uma criança (e que depois descobrimos ser algo totalmente diferente) são a chave para a descoberta dos mistérios dos visitantes e servem para deixar a mensagem do filme ainda mais emocionante. Impossível conter as lágrimas durante a conclusão, certamente uma das mais estimulantes apresentadas pelo cinema recentemente, ao ponto de fazer você querer assistir ao filme novamente com urgência.

O início e a conclusão da obra são pontuados por uma bela música composta por Max Richter, chamada “On the Nature of Daylight”, enquanto o restante da trilha de autoria de um certo Jóhann Jóhannsso é formada por uma partitura praticamente atonal e calcada em sonoridades que buscam realçar o clima de suspense e estranheza dos contatos imediatos.

Não há muito mais o que dizer. Vá e veja. É de arrepiar.

Cotação: * * * * *

sábado, 26 de novembro de 2016

ADEUS, FIDEL


Quem conhece a história da revolução cubana sabe a importância e o significado que existem por trás de Fidel Castro, um grande homem, mas um ser humano como todos nós, com qualidades e defeitos, erros e acertos. Essas pessoas entendem o que simboliza a morte dele e lamentarão. Os outros... vão continuar relinchando como de costume.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

BLACK MIRROR


Acabei de assistir à primeira temporada da série "Black Mirror" e é realmente assustadora, afinal retrata uma sociedade futura bastante plausível. 

O melhor episódio pra mim foi o segundo, "Fifteen Million Merits", que mostra o que seria o sonho do sistema neoliberal que hoje domina o mundo: seres humanos totalmente isolados um dos outros,vivendo apenas para ganhar créditos que serão usados para comprar lixo virtual por meio de uma tela que domina suas vidas completamente. 

Quanto tempo falta para chegarmos a isso, eu me pergunto?

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

Filmes: "Doutor Estranho"

MAIS DO MESMO

Filme segue a fórmula já batida, porém segura, da maioria das adaptações que trazem a origem dos heróis

- por André Lux, crítico-spam


Está havendo uma saturação de filmes sobre super-heróis nos cinemas, com Marvel e DC competindo para ver quem lança mais filmes no ano. Até agora a Marvel tem levado a melhor, com filmes dinâmicos, curtos e divertidos, enquanto a DC se perde em produções pesadas, longas e irritantes.

Surge agora esse “Doutor Estranho”, criado por Stan Lee e Steve Ditko, um médico arrogante que sofre acidente (extremamente exagerado no filme), sai em busca de uma cura para sua condição e acaba virando um poderoso mago.

Uma premissa até interessante, mas que acaba sendo desperdiçada por um roteiro que copia fórmulas já utilizadas antes nos outros filmes baseados em quadrinhos, principalmente “Batman Begins” e “Homem de Ferro”, e em soluções visuais que lembram demais “A Origem” e até “Matrix”. Ou seja, é mais do mesmo.

Não gosto muito do ator Benedict Cumberbatch, que faz o protagonista, pois atua sempre de forma posada, fria e artificial, fatores que impedem qualquer empatia com os personagens que representa. O filme falha em explicar a mudança na personalidade do sujeito, que teria que se livrar do seu enorme ego para conseguir praticar as magias, algo que acontece de forma absolutamente superficial – aparentemente, basta ser abandonado no meio do Himalaia e, pronto, você vira uma pessoa super humilde e capaz de abrir portais dimensionais imediatamente.

Também não fica claro de onde vem os poderes mágicos do Doutor Estranho (ele retira sua força do universo ou isso é algo que vem de dentro dele?), muito menos quais são extensões e regras deles, um problema que atrapalha a maioria dos filmes de super-heróis atualmente (como o Thor, por exemplo, que em uma cena só consegue voar depois de girar seu martelo, mas em outra sai voando sozinho e pega o martelo no ar).

O filme segue a fórmula já batida, porém segura, da maioria das adaptações que trazem a origem dos heróis, culminando com uma batalha contra os vilões, cujo líder aqui é o ótimo ator dinamarquês Madds Mikelsen totalmente desperdiçado, exceto por uma única cena onde ao menos tem um longo monólogo durante o qual tenta dar alguma profundidade aos atos do seu personagem.

Claro que os fãs do personagem e de quadrinhos em geral vão dar uma banana pra tudo isso que escrevi e certamente adorarão o filme, que em última instância foi feito para eles mesmo. O resto dos mortais talvez não ache tanta graça assim, infelizmente.

Cotação: * *

Séries: "The Walking Dead"

JÁ DEU

Só a primeira temporada foi realmente interessante e capaz de gerar alguma emoção

- por André Lux, crítico-spam


Apesar de manter o bom nível técnico, só a primeira temporada de “The Walking Dead” foi realmente interessante e capaz de gerar alguma emoção, basicamente por apresentar algum propósito na busca dos sobreviventes por respostas e até mesmo uma cura para a praga que transformava todo mundo em zumbis.

Da segunda temporada em diante essa busca foi deixada de lado e sobrou acompanhar os protagonistas perambulando de um lado para o outro enquanto são perseguidos por zumbis ou encontram outros sobreviventes que ou são bonzinhos como ele ou são psicopatas malvados que desejam prendê-los ou até servi-los em banquetes canibais.

Outro problema é que como antagonistas, os mortos-vivos são muito fracos e sem graça, já que não passam de seres desmiolados e decrépitos cuja motivação única é agarrar e morder os humanos não-infectados. Por um tempo até dá para aturar isso, mas chega uma hora que perde a graça e aí os zumbis viram figurantes em sua própria série, obrigando os roteiristas a concentrarem o foco nos dramas pessoais dos protagonistas, que aqui, verdade seja dita, são muito rasos, para não dizer chatos.

Outra coisa que incomoda é que depois de sete temporadas da série, não tem qualquer lógica eles continuarem achando comida em supermercados ou bares, já que tudo que foi produzido antes do apocalipse zumbi já teria estragado. O que levanta outra questão: quanto tempo dura um morto-vivo sem ter seu corpo totalmente apodrecido e se desfazer?

Enfim, tudo isso seria perdoável se a série tivesse mantido algum senso de propósito, de busca ou redenção, personagens mais interessantes e dramas menos mundanos e banais, já que a série se passa num mundo destruído e infestado por monstros. Do que jeito que está, já deu. Faz tempo.

Cotação: * *

domingo, 30 de outubro de 2016

BIGARDI É DERROTADO PELA FALTA DE COMUNICAÇÃO

Infelizmente, a comunicação é o calcanhar de Aquiles das esquerdas e em Jundiaí não foi diferente


Em Jundiaí, Pedro Bigardi perde para o tucano inominável, mesmo tendo feito um bom governo o qual, apesar das falhas e problemas, foi mil vezes melhor do que qualquer outro antes - principalmente ao atender as necessidades dos mais carentes.

O principal motivo da derrota, além, claro, da onda de ódio contra o PT e a esquerda em geral? AUSÊNCIA DE COMUNICAÇÃO.

Não vou nem falar que ela foi desastrosa, porque simplesmente não existiu (desculpe, mas portal da Prefeitura NÃO CONTA como comunicação, simplesmente porque ninguém acessa).

Quatro anos de governo sem se comunicar com as pessoas, apanhando violentamente 24 horas nas redes sociais sem dar qualquer tipo de resposta e dando atenção e suporte financeiro apenas à mídia grande local que, claro, na hora H se voltou contra o governo e ajudou sobremaneira o tucano a vencer.

Só para citar um exemplo desta triste realidade. Trabalhei na assessoria de comunicação do Sindicato dos Metalúrgicos de Jundiaí, que apoiava o governo abertamente, e durante um bom tempo tentei marcar uma entrevista com o prefeito. Falei por meses a fio com várias pessoas da secretaria. Sabe qual foi a resposta que recebi? Estou esperando até hoje... Agora, se fosse alguém da Globo ou do Jornal de Jundiaí que pedisse a mesma coisa, a resposta viria na mesma hora, certamente acompanhada por uma cesta de frutas.

Preocupado com essa situação, várias vezes procurei conhecidos dentro da Prefeitura e alertei para tal situação e, por isso, acabei virando "persona no grata" entre muitos "companheiros" que me tachavam pelas costas de "louco", "radical" e outras besteiras (com a honrosa exceção do meu amigo Cristiano Guimaraes, que tentou com muita bravura e sem orçamento levar informações aos cidadãos enquanto atuou como secretário de Comunicação e foi a única pessoa que me estendeu a mão quando eu estava no fundo do poço).



Interessante que agora na reta final da campanha muitos correram em desespero ao meu blog para compartilhar as várias denúncias e críticas que fiz ao candidato do PSDB. Nessas horas o "louco" e "radical" é bem-vindo...

Na hora do aperto, as postagens do "louco" são bem-vindas...
Infelizmente, a comunicação é o calcanhar de Aquiles das esquerdas e em Jundiaí não foi diferente.

Não estou aqui querendo humilhar nem apontar dedos neste triste momento, apenas fazendo uma crítica construtiva que, tenho certeza, pessoas inteligentes e maduras vão entender e, quem sabe, até fazer uma auto-análise...

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Bem vindo ao fantástico clube dos intensos

- por Ester Chaves

Prazer, nasci com a alma transbordante.

Sinto tudo derramando, e não sei explicar porquê acontece e se há algum remédio para isso.

Se houver cura, dispenso. As coisas normais não me atiçam. Não me aceleram. Não me continuam.

Preciso da sofisticação do que é aparentemente simples. Do abraço da brisa nos poros. Dos respingos do sol adornando a tarde. Da carícia na ponta dos dedos, da massagem demorada nas costas. Preciso sentir que há um outro. Preciso senti-lo existindo, respirando perto, pulsando, trocando ideias e experiências. Preciso dessa vizinhança das almas que conversam até mesmo sem nada dizer.

O ritmo lento da normalidade não me empurra, não me anima. Não me agita. Não me faz querer voar para a voragem dos olhares que troco na rua, para os encontros que fazem com que as almas se encaminhem para dentro de si mesmas e se abracem por dentro.

Eu não nasci para o morno. Eu não nasci para a realidade pálida que não se oferece à ousadia. Eu não nasci para os dias parados e sem cores. Eu nasci para pintar. Eu nasci para amar intensamente, de dentro para fora! Por dentro e por fora, sem medo do não e do adeus repentino. O único medo é não avançar quando quero. Não amar quando posso. Quando o coração sinaliza que já não dá para desconversar e mudar a estrada.

Eu nasci para o fogo, para intimidade quente de um cobertor dividido. Para um sorriso que se abre sem procurar motivo. Para o café forte coado no coador de pano. Para o delírio de uma bela canção executada no violino.

Quem é intenso, é delicado, é esvoaçante. Tem renda no pensamento e mania de levitação.

Ser intenso é reconhecer-se em tudo, é colocar borda na alma dos outros. É retirar o tapume dos olhos quando a realidade ameaça a doçura.

Quem é intenso sabe o quanto pode ser considerado estranho por “sentir demais” num mundo de palavras e sentimentos tão mecânicos, onde qualquer demonstração de afeto é confundida com fraqueza.

Fraco é quem não sabe mais sentir. Quem não sabe abraçar com o olhar. Fraco é quem joga a toalha e vive no modo “automático”. Sentindo pouco, guardando emoções para usar depois, estocando sentimento para uma oportunidade especial.
Especial é ser intenso. E quem disse que não tem lágrimas?

O coração do intenso não é blindado. Vez ou outra, uma pancada forte o acerta em cheio, e ele, dolorido, reclama, arde, soluça no travesseiro e pede proteção. A tristeza às vezes bate à porta, maltrata, derruba algumas certezas, revira alguns sonhos, esculacha, mas não é capaz de matar a esperança.

A esperança nos intensos é como um membro primordial do corpo, não é possível arrancar. Não se desfaz à toa. A esperança nunca anda só. Quem tem esperança tem artimanha e carta na manga para reerguer o castelo depois da tragédia e ainda sobra disposição para fazer graça.

O grande trunfo do intenso é, sem dúvida, a sua capacidade de não saber disfarçar o que sente. Os sentimentos estão sempre falando alto, se espalhando pelos gestos, orquestrando as ações. O intenso nunca nega o que é. A alma não deixa…

Ester Chaves é escritora brasiliense. Graduada em Letras pela Universidade Católica de Brasília e Pós-Graduada em Literatura Brasileira pela mesma instituição. Atuante na vida cultural da cidade, participou de vários eventos poético-musicais. Já teve textos publicados em jornais e revistas. É colunista nos sites “CONTI outra, artes e afins”, “A Soma de Todos os Afetos”, “Escritos Meus” e “Fãs da Psicanálise”.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Filmes: "Syriana"


CORRUPÇÃO S/A

Quem acreditou na ladainha neoliberal sobre a honestidade das corporações privadas frente à corrupção do Estado vai ter que rever seus valores

- Por André Lux, crítico-spam


Fazia tempo que não era lançado um filme tão complexo e contundente como SYRIANA, que bem poderia se chamar “Corrupção S/A”. Dirigido por Stephen Gaghan, roteirista do excelente TRAFFIC, conta com um elenco de primeira linha liderado por George Clooney (também um dos produtores executivos) para mostrar, com tintas realistas e engajamento político, a podridão que envolve o mundo dos negócios, no caso o de exploração e venda de petróleo no Oriente Médio.

Qualquer um que algum dia acreditou na ladainha neoliberal sobre a suposta honestidade das corporações privadas frente à inerente corrupção do Estado, muito usada para difundir a tão propaga “necessidade” das privatizações nas últimas décadas, vai ter que rever seus valores no final da sessão. Embora SYRIANA tenha formato de thriller político e apresente várias tramas paralelas que só irão se unir no final, o que move o enredo é a disputa política entre dois irmãos num emirado árabe no Golfo Pérsico. Um deles é o típico playboy alienado e vendido ao sistema capitalista, que torra a fortuna da família com iates, drogas e mulheres, enquanto o outro, Príncipe Nasir (Alexander Siddig), tem intenções mais nobres.

Vem dele, por sinal, uma das falas mais reveladoras do filme. Quando interpelado pelo executivo feito por Matt Damon sobre o inevitável fim das reservas petrolíferas mundiais e as conseqüências disso para os povos do Oriente Médio, que fatalmente vão retornar ao barbarismo, dispara: “E você acha que eu não sei disso? Quando aceitei a melhor oferta da China para explorar meus poços, o fiz pensando em meu povo, em usar o dinheiro para melhorar a condição de vida de todos, investir em infra-estrutura e bem estar social. Por isso, agora sou chamado pela mídia e pelo seu governo de terrorista, comunista e ateu!”.

Mas o ponto que mais impressiona em SYRIANA, não só pela crueza, mas também pela alta dose de verossimilhança, são as interferências diretas promovidas pelo Governo dos Estados Unidos, via sua Central de Inteligência (CIA), nos negócios realizados na região. Seus agentes agem como verdadeiros “anjos da guarda” para garantir que somente as empresas estadunidenses fechem negócios no Golfo Pérsico, nem que para isso precisem torturar e matar qualquer um que se colocar no caminho.

Do outro lado, as grandes corporações fazem das tripas coração para abocanhar contratos milionários de exclusividade. Manipulação, distorção, mentiras e corrupção são palavras banais neste negócio. Numa seqüência exemplar, um político conservador (interpretado por Tim Blake Nelson), ao ser flagrado em ato de corrupção por advogado que representa os interesses de uma empresa, dispara uma frase que já se tornou antológica: “Corrupção? Corrupção é a intrusão do governo no mercado na forma de regulação. Temos leis contra ela justamente para que possamos sair impunes. Corrupção é a nossa proteção! Corrupção nos mantém salvos e aquecidos! É graças à corrupção que você e eu viajamos o mundo ao invés de brigar nas ruas por um pedaço de carne! Corrupção é o motivo da nossa vitória!”.

Qualquer semelhança com a realidade, não é mera coincidência.

Infelizmente, nem tudo são flores em SYRIANA (a começar pelo nome, que não é explicado, mas é usado tanto para se referir à Síria - como em Pax Syriana-, quanto como um rotulo hipotético para referir-se a países do Oriente Médio que têm semelhança com a Síria). Ou seja, quem não tiver um conhecimento razoável da situação atual da região, incluindo aí os conflitos entre seus inúmeros grupos político-religiosos, e de como funciona o mercado das fusões nos Estados Unidos vai ter grande dificuldade de seguir a trama. Há também um excesso de personagens que deixa a situação ainda mais complicada (o drama familiar do executivo feito por Damon, por exemplo, não acrescenta nada ao filme e pode confundir o espectador).

O agente da CIA, feito por Clooney, também sofre de certa letargia e ingenuidade incongruentes com o personagem. Jamais alguém com tamanha experiência e bagagem em fazer o jogo sujo para o Tio Sam seria manipulado e enganado de forma tão fácil, muito menos ficaria tão surpreso ao ser descartado num momento de crise.

Todavia, mesmo apresentando essas falhas e incoerências, é inegável que SYRIANA mereça respeito e crédito, não apenas por tocar numa ferida aberta que pouquíssimas pessoas teriam coragem de expor, mas, principalmente, por deixar claro que, do mundo dos negócios promovidos pelas grandes corporações transnacionais, ninguém sai limpo.

E as conseqüências de tudo isso serão, a médio e longo prazos, catastróficas para a humanidade, como bem mostra o filme ao acompanhar a trajetória de um emigrante paquistanês que, expulso do emprego, brutalizado pela polícia e sem qualquer esperança de um futuro melhor, abraça a causa do terrorismo contra o inimigo de seu povo.

Mais atual e pertinente do que SYRIANA, sinceramente, dificilmente um filme será.

Cotação: ****1/2

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Filmes: "Inferno"

ESQUEMÁTICO

Apesar dos defeitos, até que dá pra louvar algo que estimula as pessoas a conhecerem um pouco de ciência e arte


- por André Lux, crítico-spam

Esse é o primeiro filme baseado na obra do Dan Brown que eu comento, mas o texto vale para os outros dois primeiros numa boa, afinal seguem o mesmo padrão esquemático que o autor aplica nos seus livros. Qual seja: uma trama extremamente rebuscada e rocambolesca que une conceitos pseudo-científicos, um conhecimento razoável de obras clássicas e perseguições em várias localidades turísticas europeias enquanto o herói tenta decifrar os quebra-cabeças deixados para trás, sempre acompanhado de uma bela mulher. Sem dúvida uma fórmula eficaz que atrai os mais variados tipos de leitores e espectadores.

O mais popular acabou sendo “O Código Da Vinci” que realmente era mais interessante, talvez por girar em cima da obra do genial artista e inventor Leonardo Da Vinci e também por trazer conjecturas bastante pertinentes sobre a vida de Jesus, principalmente no papel que Maria Madalena teria em sua vida. O segundo tratava de uma trama completamente absurda que visava em última instância levar um extremista ao posto de Papa da igreja Católica.

Esse “Inferno” segue a mesma toada. A maior diferença é que começa já em plena ação, com o professor Langdon (Tom Hanks, sempre carismático) acordando em um hospital com amnésia e sendo perseguido por várias organizações, enquanto tenta desvendar mais um mistério que agora usa a obra de Dante para montar as peças do quebra-cabeça que pode levar à liberação de uma doença que vai exterminar quase toda a humanidade.

Enfim, é mais do mesmo. Quem gosta, certamente vai tolerar os clichês (como os protagonistas sempre escapando dos perseguidores por um triz) e os absurdos da trama. O maior deles, claro, reside no fato de que o vilão não precisava ter montado todo aquele esquema para liberar sua arma química, muito menos esconder dos seus seguidores ou fugir de quem estava querendo pegá-la para vender a terroristas. O sujeito tinha total convicção que a solução para todos os problemas do mundo era acabar com a superpopulação atual, portanto faria qualquer coisa para que seu plano desse certo o mais rápido possível, não é mesmo?

Apesar da trilha sonora péssima do sempre abominável Hans Zimmer e dos defeitos apontados acima, é perfeitamente desfrutável, principalmente graças ao ótimo elenco e pelas locações exóticas e fotogênicas. Todavia, é mais indicado para quem gosta de ver citações superficiais a autores e obras famosas e de mistérios que, claro, são sempre explicados de forma didática no final para que ninguém fique se achando burro. Mas, em tempos de “Velozes e Furiosos” e outras imbecilidades terminais até que dá pra louvar algo que pelo menos estimula as pessoas a conhecerem um pouco de ciência e arte, convenhamos...

Cotação: * * 1/2

terça-feira, 11 de outubro de 2016

Comunicação: o calcanhar de Aquiles das esquerdas

O principal erro do PT, que causou sua derrota nas urnas, foi não ter atentado para a importância da comunicação pública para a formação de opinião dos cidadãos
A direita domina a comunicação
- por João Feres Júnior
Publiquei artigo recentemente discutindo o cenário de choro e ranger de dentes no qual se meteu a esquerda após a eleição municipal do dia 2 de outubro. Entre os que autoflagelam e os que apontam o dedo há um consenso a meu ver burro de que a derrota de deveu aos “erros do PT”. Tentei mostrar que os tais erros identificados por esses comentaristas são de fato falácias, senão virtudes políticas, como é o caso da aliança com o PMDB. Claro que o erro mais mencionado é o da corrupção. 
Esses críticos agem como seus antípodas, os coxinhas, reduzindo a política à questão da honestidade e, por conseguinte, da corrupção. Ora, a solução para a corrupção é investigar, processar e condenar os culpados, e desenhar procedimentos administrativos que diminuam o risco de que ela seja cometida sem, ao mesmo tempo, emperrar a máquina pública – algo bem difícil de se conseguir. Mas tal solução imperfeita está longe de constituir uma escolha política que faça jus a esse termo de origem grega.
Se observarmos os resultados da eleição, contudo, essa interpretação se desfaz. Os partidos vencedores foram PSDB e PMDB, todos alvejados com inúmeras denúncias de corrupção. Só para tomarmos um exemplo, João Dória, que venceu a eleição em São Paulo já no primeiro turno de lavada, foi acusado de apropriação ilegal de terreno público em plena entrevista ao telejornal SPTV, da Globo. Tentou negar a acusação e foi desmentido na hora pelo jornalista, que eximiu até provas documentais do ilícito. Então por que será que a derrota do PT deve ser atribuída à corrupção e estes outros partidos envolvidos em escândalos de corrupção não sofreram dano eleitoral?
Um petista carpidor argumentou em texto recente que o PT sofreu mais porque pregava a luta contra a corrupção. Acho essa tese improvável. O PT de fato fazia um discurso bastante moralista antes de virar governo, por mais de uma razão. Primeiro porque saia do regime militar, altamente repressor do debate político. A crítica à corrupção naquele contexto pode ser lida como subterfúgio para promover a politização do eleitor. Segundo porque existe um viés anti-Estado nas esquerdas, marxistas ou não, e o PT não escapa disto, particularmente antes de ter ganhado eleições importantes. 
Claro, esse tipo de coxismo só vê corrupção no Estado e faz vistas grossas para o seu Manoel da padaria que deixa de lançar nota fiscal para 80% de seu faturamento, ou, por extensão, para imensos conglomerados de comunicação que sonegam centenas de milhões em impostos. E, por fim, porque o PT é um partido de origem paulista, e em São Paulo o discurso bandeirante excepcionalista e, por conseguinte, também pró-sociedade e anti-Estado penetra não só na extrema direita saudosa da Revolução de 32 mas também na esquerda – não nos esqueçamos que o partido é proveniente da organização da sociedade paulista contra o Estado autoritário.
Mas isso não faz o argumento do petista carpidor mais verdadeiro. O PT parou há tempos de fazer um discurso inflamado contra a corrupção. Pelo contrário, historicamente, no Brasil, esse discurso é encampado pela direita. Ademais, poucos eleitores contemporâneos têm memória daquele PT aguerrido e ingênuo dos primeiros anos – que mais parecia o PSOL de hoje, com a diferença de que tinha profunda base nos movimentos sociais, o que não acontece com o partido de quadros que ora compete pelo segundo turno da eleição carioca. Assim, a pergunta não foi ainda respondida: por que será que a corrupção constituiu o principal erro do PT do ponto de vista eleitoral?
Só há uma resposta para ela. Volto a insistir, as interpretações erram por não reconhecer que a mídia foi a grande vitoriosa deste pleito, elegendo políticos que lhe são em tudo simpáticos e generosos, e derrotando o PT, seu principal alvo. Mas os críticos de plantão continuam a sofrer da vertigem da naturalização da comunicação, uma operação mental que simplesmente apaga a função da comunicação mediada. É como se, no final das contas, a mídia só reproduzisse fatos.
Foi a corrupção a principal arma de ataque? Sim, mas uma corrupção construída narrativamente como responsabilidade maior do partido, de Lula, de Dilma, ou pior, como frequentemente se lê nos textos produzidos por essa mídia, do Lulopetismo. Eu sei que o carpidor e seu séquito vão redarguir: mas se não tivesse se corrompido o governo do partido não haveria denúncia. Nada mais ingênuo. Só para citar um exemplo importantíssimo, o “escândalo do Mensalão” foi todo construído sobre pés de barro, sem evidências de malversação de dinheiro público, sem evidências de influência em resultado de votação, e mesmo assim serviu para macular a imagem do partido e colocar suas principais lideranças na cadeia, submetidas à execração pública. 
Em suma, não há nada de natural na maneira como a corrupção aparece para o eleitor. Em um contexto no qual uma simples citação em delação premiada poder ser usada para justificar a prisão preventiva de alguém, a partir da qual um circo midiático de dilapidação da reputação do preso tem início, não dá para ser tão ingênuo como o carpidor e seu bando.
O principal erro do PT, que causou sua derrota nas urnas, foi não ter atentado para a importância da comunicação pública para a formação de opinião dos cidadãos. Esse erro deve ser atribuído ao mesmo tipo de ingenuidade do carpidor, que naturaliza a questão do fluxo de informação em nossa sociedade, ou melhor dizendo, ignora suas especificidades. Enquanto as esquerdas estiverem capturadas por essas concepções pueris do jogo político, continuarão a sofrer repetidas derrotas.
João Feres Júnior é cientista político, vice-diretor do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da UERJ e coordenador do Laboratório de Estudos de Mídia e Esfera Pública (LEMEP) e do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMAA)

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Diferenças entre o voto da classe média e o dos mais pobres


Assim caminha a classe média
Vamos com calma antes de começar a dizer que o povo é burro e por isso tivemos esses resultados abomináveis na última eleição. Porque esse é o mesmo argumento usado pela direita nas quatro vitórias do PT na presidência da República.

O buraco é mais embaixo e precisa de uma análise profunda. Temos dois tipo de eleitores no país hoje: os de classe média e os pobres.

A classe média vota com o fígado, quase sempre alinhada ao que Globo, Veja, Folha, Estadão e o resto do PiG vendem como verdade absoluta. De fato, para a classe média não existe muita diferença entre um governo de esquerda ou direita, porque a maioria não usa praticamente nada público. 


Não toma ônibus (tem carro), não usa o SUS (tem plano de saúde caríssimo), não coloca os filhos em escola pública (só particulares), etc. A classe média vive no sistema privado e acreditam ser esse o melhor dos mundos. Acredita que se trabalhar direitinho e vestir a camisa vai ficar rica igual ao Donald Trump ou o João Dória. Se Jesus Cristo baixar do céu e falar que não é por aí, eles mudam de religião ou viram ateus. Não adianta. É o voto do ódio, irracional.

Já os pobres votam com o bolso. Eles percebem, mesmo que inconscientemente, a diferença entre governos de esquerda e direita e vão apoiar aquele que melhorar a sua vida. FHC acabou com o país e foi por isso que Lula se elegeu. Foi o voto da esperança na mudança, voto de protesto. Lula levantou o país e melhorou a vida do povo em geral e por isso foi reeleito e fez sua sucessora duas vezes.

Por que então agora os mais pobres votaram em peso na direita? Simples: porque a direita entendeu que o discurso falso moralista da corrupção não era suficiente e só poderia derrubar o governo Dilma e o PT por tabela se quebrasse a economia. E foi o que fizeram. 

A Lava Jato sob o comando do preposto da CIA em Curitiba quebrou a espinha dorsal da economia brasileira, que são as empreiteiras (construção civil) e a Petrobrás. Praticamente destruiu a Odebretch, a maior empreiteira do país, e paralisou todos os negócios da Petrobrás, gerando uma crise gigantesca que, com o tempo, chegou ao bolso dos trabalhadores que, infelizmente, não tem a capacidade crítica de entender tudo que está acontecendo realmente e aí sucumbem também à manipulação diária feita pela imprensa burguesa.

Aí ficou fácil derrubar a Dilma e vender seus candidatos como a esperança de mudar tudo isso ou para o voto de protesto contra o PT, que acabou com o país, segundo martela todos os dias a mídia burguesa na cabeça dos incautos. Juntou então o voto do ódio da classe média com o voto do bolso dos mais pobres. Deu no que deu.

O resto é história.


domingo, 2 de outubro de 2016

VOTO: A ILUSÃO DA ESCOLHA NA MATRIX


Vou dar minha singela opinião sobre tudo que está acontecendo aqui no Brasil e também no resto do mundo. Não entendo porque muita gente de esquerda fica desanimada nesses momentos de virada para a direita. Nós vivemos em um sistema chamado Capitalismo. Como o próprio nome já deixa claro, é um sistema que tem como principal valor o CAPITAL, ou seja, o dinheiro. Nele, a vida humana, especialmente a dos mais pobres, não tem muito valor. 

Esse sistema tem dono. Não, não são os governantes, sejam eles eleitos ou ditadores. Os donos desse sistema e, consequentemente, do mundo são as pessoas que detém o grosso do CAPITAL. Os podres, muito podres, de rico. Não, aquele seu conhecido que mora num condomínio fechado, tem cinco carros zero e uma casa em Maresias não é um deles.

Podres de ricos nós não conhecemos nenhum. No máximo, passam por cima da gente em seus aviões ou helicópteros. Moram em fortalezas bem guardadas e tem bens materiais e dinheiro acima de qualquer coisa que possamos sonhar. Fazem parte dos 2% que detém a maior parte da grana do mundo.

De tempos em tempos os donos do mundo deixam a gente brincar de votar. E mais de vez em quando ainda, eles deixam a gente colocar partidos ou pessoas que são contra o sistema deles no governo. Isso faz parte da ilusão da escolha.

Quem assistiu e entendeu a trilogia “Matrix”, sabe do que estou falando (leia aqui minha análise dos filmes). A ilusão da escolha é necessária para que as pessoas em geral tenham a sensação que são livres e que vivem em um mundo onde tem livre arbítrio. Um mundo onde, talvez, uma vida tenha mais valor do que a grana.

Mas chega uma hora que é preciso dar um “reload” no sistema e essa brincadeira é suspensa. Assim, crises econômicas são forjadas (ou você acha que esse pessoal joga dinheiro no fogo?), governantes que não rezam ao deus CAPITAL são depostos e aqueles que fazem parte deles ou os apoiam são demonizados pelo braço midiático dos donos do mundo, perseguidos, presos e até mortos.

É assim e sempre será até o dia que esse sistema seja derrubado e outro menos cruel e desumano entre no lugar. Mas para isso acontecer é só na base da revolução. E quando falo em revolução não é meia dúzia de esquerdopatas do DCE da faculdade de História pegando em armas. Revolução seria aquele povão que acorda 5 horas da manhã pra trabalhar lá na casa do chapéu se unindo e tomando o poder à força. Não estou dizendo que isso resultaria em algo melhor do que existe hoje, até porque como dizia o Paulo Freire, “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é virar o opressor”. Mas seria uma mudança.

Então meus amigos e amigas, enquanto isso não acontecer, só nos resta continuar vivendo sob a ilusão da escolha e, quando conseguirmos eleger governantes mais humanistas, seguir comendo pelas beiradas para tentar transformar o mundo num lugarzinho um pouco melhor – pelo menos enquanto durar a licença dada pelos donos do poder.



quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Filmes: "Eles Vivem"

SERÃO OS NEOLIBERAIS ALIENS?

Vai agradar quem gosta de ficção científica e de filmes engajados politicamente.

- por André Lux, crítico-spam

"Eles Vivem" é um dos melhores filmes que o diretor John Carpenter produziu até hoje. O roteiro, escrito pelo próprio Carpenter (sob pseudônimo) baseado num conto de Ray Nelson, é bastante engenhoso e tira máximo proveito de todas as situações inusitadas providas pela trama sempre interessante e pertinente.

Operário desempregado (o lutador Roddy Piper, canastrão perfeito para o papel) descobre uma conspiração alienígena para dominar a mente de todos os humanos por meio de mensagens subliminares escondidas em sinais de TV. 

Tudo para transformar a Terra num planeta quente e poluído, habitat perfeito para eles. E ainda contam com a ajuda de vários humanos, que trocam a sobrevivência da espécie por dinheiro...

O que torna o filme ainda mais saboroso é a maneira pela qual ele toma conhecimento desse terrível fato: óculos escuros que, ao serem usados, deixam tudo preto-e-branco e o fazem "ver" o que realmente está acontecendo no mundo. Suas primeiras surpresas vêm quando olha para os outdoors só para ver, ao invés dos anúncios normais, palavras como "consuma", "assista TV" "não pense" ou "obedeça". Em seguida olha para uma nota de um dólar a qual, vista pelos óculos, diz "esse é o seu deus".

E não é só isso: ao olhar para algumas pessoas enquanto está sob efeito dos óculos, o protagonista vê a verdadeira natureza dos alienígenas que se escondem sob uma fachada humana também graças ao mesmo sinal subliminar. Garanto que depois de ver "Eles Vivem", você nunca mais vai se achar louco ao perguntar se tipos como Donald Trump, Daniel Dantas, a dona da Daslu ou outra figura bisonha da nossa dita "elite" não seriam de outro planeta, tamanho o grau de insensibilidade e desumanização que demonstram...



Não é a Veja?


Será Roberto Justus um alien malvado também?

"Grana é seu deus". Parece título de editorial da Folha

Depois da Daslu, nada como comprar uns comes e bebes...

Carpenter imprime à sua obra um alto teor de ironia e também uma crítica escancarada ao modelo neoliberal e à mídia que o sustenta, algo ainda bastante atual e relevante, mesmo o filme sendo de 1988, época em que o "consenso de Washington" era enfiado goela abaixo dos governos do mundo inteiro e cujos resultados catastróficos já conhecemos bem.

Brincando com o famoso livro "Eram os Deuses Astronautas?", o filme poderia muito bem se chamar "Serão os Neoliberais Aliens?". Essa abordagem político-social aproxima "Eles Vivem" de outra interessante obra de ficção científica que também deveria provocar o mesmo tipo de reflexão nas pessoas: "Matrix", dos irmãos Wachowsky.

A famosa criatividade do diretor atinge neste filme seu ponto máximo. Suas idéias para cortar os custos da produção são brilhantes e só atuam em favor da trama, sem nunca deixar o filme muito falso ou mesmo excessivamente tosco. O fato de as cenas com efeitos especiais serem filmadas em preto e branco, um evidente recurso para gerar economia, apenas aumenta a sensação de estranheza, garante boas risadas e também algum suspense, principalmente no segundo ato durante o qual o protagonista vai ter que tentar convencer outras pessoas sobre a "verdade" que os cerca.

Temos aí uma das mais divertidas e inacreditáveis cenas do filme, exatamente quando ele tenta fazer outro operário (o ótimo Keith David, que já havia trabalhado com Carpenter em "O Enigma de Outro Mundo") a usar seus óculos. Como ele recusa, só resta aos dois saírem na porrada em uma seqüência de troca de "gentilezas" que dura vários minutos e termina de forma extremamente cômica!

Dentro de sua carreira repleta de altos e baixos, "Eles Vivem" certamente figura entre os trabalhos mais inspirados do diretor John Carpenter, que sabe como poucos tirar proveito máximo do formato widescreen, e vai agradar qualquer um que goste de ficção científica e de filmes engajados politicamente. Veja, reflita e divirta-se!

Cotação: * * * *

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

DR. MORO EXPLICA COMO PRENDER LULA

Imagens fortes, assista por sua conta e risco!

Filmes: "Sete Homens e Um Destino" (2016)

MEDÍOCRE

Dá para assistir, mas não espere muito

- por André Lux, crítico-spam

O faroeste (ou “western” como é chamado lá nos EUA) é um gênero que vira e mexe volta às telas do cinema, mas sinceramente não há muito mais a explorar nele, principalmente depois que Clint Eastwood lançou “Os Imperdoáveis”, certamente o mais denso e realista deles.

Assim, seguindo a moda atual de “atualizar” (leia-se “refazer”) filmes do passado, surge essa nova versão de “Sete Homens e Um Destino”, clássico do gênero inspirado em “Os Sete Samurais”, do Akira Kurosawa, famoso pelo elenco excepcional e pela trilha musical do grande Elmer Bernstein (cujo tema principal virou jingle dos comerciais do cigarro Marlboro por décadas).

Não vou dizer que a nova versão é ruim, porque seria injustiça, porém não empolga e, claro, fica muito longe do original. O maior problema é a direção de Antoine Fuqua, que fez o ótimo “Dia de Treinamento”, mas parece não entender nada do gênero, insistindo numa aproximação hiper-realista em um tema que implora por algo leve e divertido (basta comparar com o bem mais sucedido “Silverado”, de 1985). A fotografia escura e destituída de cores vibrantes também atrapalha e deixa o filme ainda mais pesado.

Outro ponto baixo é a trilha musical assinada por James Horner que é contemporânea e minimalista ao extremo, além de ser novamente uma mera colcha de retalhos de seus trabalhos anteriores, principalmente “Lendas da Paixão” (não as partes bonitas), “Jogos Patrióticos”, “A Marca do Zorro”, “Coração de Trovão”, “Jumanji” e até “Mercenários das Galáxias”, seu primeiro trabalho e que era “Sete Homens e Um Destino” no espaço! O que é uma pena, já que esta foi sua derradeira trilha lançada nos cinemas, finalizada 
por Simon Franglen, um de seus colaboradores habituais e que assina como co-compositor, pouco depois de sua morte em um triste acidente aéreo. Nem mesmo o tema clássico composto por Elmer Bernstein é aproveitado (exceto por uma progressão rítmica), aparecendo apenas durante os créditos finais e soando completamente fora de contexto com o resto da trilha.

Choca também a fraqueza do roteiro, incapaz de criar diálogos memoráveis e de gerar empatia com os personagens, lançando mão de diversos clichês do gênero. Não ficam claras nem as motivações dos pistoleiros que vão se juntando ao grupo. O índio, por exemplo, troca umas palavras com o líder, dá um pedaço de carne crua pra ele morder e, pronto: vira um membro fiel. Hein? A grande batalha final não empolga muito e é por demais alongada. O elenco traz bons nomes, como Denzel Washington, Ethan Hawke, Chris Pratt e Vincent D’Onofrio, mas não chegam a brilhar devido à mediocridade do roteiro.

Medíocre é o melhor adjetivo para definir o filme. Dá para assistir, mas não espere muito.

Cotação: * * 1/2

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Filmes: "Capitão América: Guerra Civil"

DÁ PRO GASTO

Filme é divertido, mas fórmula utilizada já começa a se esgotar


- por André Lux, crítico-spam

Os filmes solo do Capitão América continuam sendo a melhor coisa do universo Marvel adaptado para os cinemas, embora tudo fique cada vez mais confuso já que não dá pra entender porque não fazem simplesmente ser “Os Vingadores”, já que os personagens estão sempre interagindo e não faz muito sentido não estarem presentes quando ameaças terríveis se lançam contra a humanidade, como no segundo “Thor”, por exemplo.

Mesmo assim, os longas com os super-heróis da Marvel continuam mantendo uma boa qualidade, apesar de começarem a cansar, principalmente por causa dessa insistência de colocar os governos do mundo e a mídia questionando a ação deles, algo que apareceu primeiro em “Watchmen” e está também nos filmes da DC, que são bem piores.

Assim, “Capitão América: Guerra Civil” começa onde terminou “Os Vingadores: A Era de Ultron” e tem uma trama bastante rebuscada e altamente inverossímil que acaba sendo novamente apenas uma história de vingança e retaliação que visa fazer os heróis brigarem uns contra os outros - sim, exatamente igual ao abominável “Batman Versus Superman”.

Mas, aqui pelo menos é tudo mais leve e divertido, com muitas cenas de humor e lutas bem coreografadas e editadas, excelentes efeitos visuais e um ótimo elenco. O ponto alto é a briga no aeroporto que conta com as participações divertidíssimas de Homem-Formiga e do Homem-Aranha.

O final, com a briga entre o Capitão e o Homem de Ferro, é fraco e forçado, já que não tinha como o vilão prever e antecipar tudo que ia acontecer para que os dois estivessem no mesmo local e prontos para se odiarem. E novamente a insistência em tentar pintar os heróis como uma ameaça à sociedade, embora pertinente, acaba sendo tola, afinal eles salvaram o mundo de terríveis vilões e é normal que inocentes morram durante os ataques. O que mais poderia se esperar quando um exército de alienígenas ou robôs malvados invade a Terra querendo destruí-la completamente?

Enfim, dá pro gasto e diverte, porém essa fórmula utilizada começa a se esgotar e o excesso de personagens e filmes não ajuda em nada.

Cotação: * * *

Operação Boca de Urna


segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Mais atual que nunca

Quem quiser entender o que acontece atualmente no Brasil e o papel que o juizeco de Curitiba tem no quadro maior que levou a esse imensa crise financeira deve ler o livro "Confissões de Um Assassino Econômico", de John Perkins.


quarta-feira, 21 de setembro de 2016

País das moscas

Frase do filme "A Mosca", do David Cronenberg, resume perfeitamente o que é o Brasil hoje depois de 12 anos de governo esquerda:

"EU SOU UM INSETO QUE SONHOU SER UM HUMANO E AMOU. MAS AGORA O SONHO ACABOU... E O INSETO ACORDOU."

E continua: "VOCÊ TEM QUE IR EMBORA AGORA E NUNCA MAIS VOLTAR. JÁ OUVIU FALAR DE POLÍTICA DE INSETOS? NEM EU. INSETOS... NÃO FAZEM POLÍTICA. ELES SÃO BRUTAIS. SEM COMPAIXÃO, SEM COMPROMISSO. NÃO PODEMOS CONFIAR NUM INSETO".

É isso.

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Filmes: "Aquarius"

MUITO BARULHO POR (QUASE) NADA

Filme ganha uma estrelinha a mais por ter feito os cães de guarda da direita tupiniquim espumarem de ódio

- por André Lux, crítico-spam


Quem acompanha meu blog sabe que tive uma pendenga com o crítico e dublê de cineasta Kleber Mendonça Filho, a quem devo meu apelido de “crítico-spam” e cujo primeiro longa-metragem, “O Som ao Redor”, é uma das coisas mais bisonhas que vi na vida. Todavia, confesso que gostei muito de ver ele e a equipe de “Aquarius”, seu novo filme, denunciando o golpe de Estado ocorrido no Brasil, o que provocou muita polêmica e me levou a ficar bastante curioso para ver o resultado final nas telas.

Mas, infelizmente, Kleber mostrou novamente que como cineasta continua um ótimo crítico. “Aquarius” é apenas mais um filme mal feito, mal dirigido e encenado, repleto de situações vazias e que não chegam a lugar algum (como o flerte da protagonista com um viúvo), e com um roteiro frouxo e sem qualquer peso dramático. Fica óbvio que a intenção do Kleber é nobre, principalmente no que diz respeito a fazer uma denúncia social das divisões de classe brasileira, que são ainda mais acintosas na região Nordeste onde o filme se passa, e na luta de David contra Golias representada pela personagem Clara (Sonia Braga) que enfrenta uma grande construtora que quer demolir o prédio onde ela mora sozinha (se aparececem umas navezinhas alienígenas para ajudar ela, ficaria igualzinho ao simpático "O Milagre Veio do Espaço", produzido pelo Spielberg nos anos 80).

O problema é que o roteiro é pífio e todas as cenas que apontam para esses contrastes são gratuitas e forçadas, soando mais como discursinho de comunista proferidos em saraus de faculdade de Humanas. A luta da protagonista contra a construtora não tem peso dramático algum, afinal mal conhecemos Clara e suas motivações, exceto por meia dúzia de informações rasas que são jogadas de vez em quando. No final, ela parece muito mais apenas uma velha chata e teimosa do que alguém que está lutando por suas convicções.

Se não bastasse isso, o filme tem uma edição sofrível e é alongado além da conta, atingindo a absurda marca de 2h20 de projeção, algo que não faz o menor sentido. Assim como em “O Som ao Redor”, Kleber não demonstra qualquer afinidade em dirigir atores, deixando-os falar um em cima do outro, enquanto a maioria apenas murmura seus diálogos sem verdade alguma. Nem mesmo a experiente Sonia Braga escapa da ruindade, embora até se esforce para tentar dar alguma ressonância a um personagem sem qualquer profundidade. A melhor cena do filme acaba sendo quando ela fica excitada ao testemunhar uma orgia que acontece no apartamento acima do seu e chama um garoto de programa para satisfazê-la, sem dúvida uma sequência corajosa, porém sem relevância para o resto da trama, infelizmente.

O Kleber também parece ter uma fixação mal resolvida com sexo, tanto é que insere diversas cenas quase explícitas de maneira sempre forçada e novamente sem muita relação com o resto do filme. A pior é a que envolve a tia da protagonista que está fazendo aniversário de 70 anos na cena que abre o filme. No meio dos discursos elogiosos dos parentes, incluindo duas crianças, ela olha para uma cômoda e aí tem flashbacks de uma transa, assim do nada. De vez em quando o diretor fixa sua câmera nesse mesmo móvel durante a projeção, mas confesso que não entendi direito o que queria transmitir. Que muita gente trepou em cima dele? Que isso era alguma forma de afirmar que a família de Clara era liberal e progressista? Tudo isso ao mesmo tempo? Pode ser. Ou não. Quem liga?

A conclusão de “Aquarius”, então, é risível, com o cineasta tentando vender uma daquelas cenas que tem o objetivo de provocar catarse na plateia, típica dos enlatados estadunidenses que ele tanto malha em suas críticas, mas que na vida real certamente mandariam a protagonista para a prisão algemada merecidamente. Sem comentários.

É triste ler muitas críticas sobre o filme louvando a produção e supostas virtuoses da direção, em mais uma prova de que a maioria dos críticos atuais confunde amadorismo e falta de conhecimento sobre as técnicas cinematográficas com sinais de genialidade. Kleber é tão pretensioso que decora uma parede da sala da protagonista com um enorme pôster de “Barry Lyndon”, um dos filmes menos conhecidos do grande Stanley Kubrick, o que apenas nos faz lembrar de como a arte de se fazer cinema está cada vez mais diluída.

O mais divertido, todavia, é ver os cães de guarda da direita tupiniquim espumando de ódio contra esse canhestro filme só por causa do protesto em Cannes e de meia dúzia de frases de cunho humanista proferidas durante a projeção, ajudando assim a dar publicidade a ele e meio que obrigando qualquer pessoa que não vomite ódio irracional à esquerda a abraçar e proteger a obra. Só por isso ganha uma estrelinha a mais. Mas, pra variar um pouco, é muito barulho por nada...

Cotação: * *

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Só nos resta rir desse circo de horrores

Fui eu quem inventou o avião. Tenho convicção, mas não posso provar.

Cursos de Direito de todo país acabam de anunciar a criação de uma nova disciplina: COMO CONDENAR ALGUÉM USANDO A CONVICÇÃO E O POWERPOINT. Agora o Brazil vai pra frente!

Amanhã vou realizar um grande sonho: pilotar um helicóptero. Tenho muita convicção que serei capaz, portanto certamente vão permitir.

Eu tenho barriga tanquinho igual à do Paulo Zulu. Não posso provar. Ter convicção serve??

Eu sou neurocirurgião, mas não posso provar. Deixa eu operar seu cérebro?

A Luana Piovani sonha em ser minha esposa. Não posso provar, mas tenho muita convicção!

Fui eu quem inventou o avião. Tenho convicção, mas não posso provar













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