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quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Cenas que NÃO gostaríamos de ver - parte 2


Entenda a Depressão, uma doença muito séria

Tomou, trouxa?



Agora, imagine se por algum milagre o Padilha, do PT, tivesse sido eleito governador de SP nas últimas eleições.

Aí, ao chegar ao governo e descobrir que não há mais água devido ao descaso do PSDB nos mais de 20 anos que esteve no poder, tivesse que anunciar medidas emergenciais como racionamento e rodízio de água para apenas duas vezes por semana.

O que vocês acham que aconteceria?


sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Filmes: "O Som ao Redor"

BISONHO

Como cineasta, Kleber Mendonça Filho é um ótimo crítico de cinema 

- por André Lux, crítico-spam

"O Som ao Redor" é um filme dirigido por Kleber Mendonça Filho, um sujeito que atua também como crítico de cinema e cujos textos eu acompanhei durante um certo tempo. 

Mas, como quase todos os que vivem de tecer opiniões sobre o trabalho alheio, ele não era muito chegado a ser contestado ou mesmo ter seus erros apontados pelos leitores. Por ter ousado cometer tais heresias, acabei sendo esculachado publicamente por ele em seu site, onde entre outras coisas, me rotulou de "crítico-spam", apelido que adotei carinhosamente e uso até hoje (clique aqui para saber mais detalhes dessa divertida história).

Quando soube que ele tinha dirigido um longa metragem (até então só tinha feito alguns curtas), fiquei bastante curioso para ver o resultado final, até porque a obra recebeu elogios entusiasmados e até foi indicada para a lista dos brasileiros que poderiam concorrer ao Oscar de melhor filme estrangeiro. Chegaram a dizer que era melhor até que "Cidade de Deus"! Certamente ajudou essa boa vontade toda o fato de ter sido produzido de forma independente e fora do domínio mercadológico da Globo filmes, fato que gerou até uma divertida pendenga entre Kleber Mendonça e um dos arrogantes diretores da Vênus Platinada.

Sinceramente, eu devo ter visto o filme errado. Pois o que assisti foi um desfile canhestro de atores amadores incrivelmente mal dirigidos, os quais nem conseguiam pronunciar suas linhas direito ou então começavam a falar em cima do outro, deixando mais do que evidente que nem mesmo ensaiaram o suficiente (as atuações das crianças, então, são catastróficas). Alguns pareciam até estarem dopados, de tão catatônicos, especialmente o rapaz que faz o corretor de imóveis e sua namoradinha. As cenas de amor entre eles tem a mesma intensidade de uma corrida de lesmas! 

O roteiro, do próprio Kleber, não conta uma história propriamente dita, mas apenas mostra várias situações corriqueiras que envolvem moradores de um bairro de classe média de Recife que, eventualmente, se cruzam. Até aí não há nada que desabone a obra, pois vários outros filmes já tiveram esse mesmo tipo de narrativa, como "Short Cuts", de Robert Altman, com resultados excelentes. 

O problema é que aqui nada de interessante ou pertinente acontece e as conversas entre os personagens não apenas são vazias, mas forçadas e inconvincentes. O ponto alto do filme, para se ter uma ideia, é a cena em que uma dona de casa entediada se masturba em cima da máquina de lavar roupas, que vibra vigorosamente. A não ser, é claro, que você ache uma reunião de condomínio tal qual a mostrada no filme seja algo extremamente excitante. 

Se bem que a única piada do filme aconteça justamente nessa sequência, quando uma dondoca reclama do porteiro que entrega sua revista Veja fora do plástico, onde já se viu! Pena que a cena é tão mal marcada e filmada que a gozação com os leitores do pasquim nazi-fascista praticamente passa em brancas nuvens.


A única piada do filme vai te fazer rir, se ficar acordado até ela chegar...
Muitos enxergaram na obra comentários sociológicos fortes, mas aposto que foi porque leram antes o material de marketing ou então entrevistas do diretor. Porque, sinceramente, nada disso está no filme, exceto uma outra cena que pode até remeter ao eterno conflito de classes na forma das relações entre patrões e seus empregados domésticos, realidade bem característica da sociedade brasileira. 

Mas nem isso fica registrado, já que não existe maior relevância nas interações entre eles. O conflito mais marcante do filme se dá entre uma dona de casa e a empregada que queima o aparelho que emite um zumbido para espantar o cão do vizinho, daqueles que não param de latir. 

Vai ver que enxergaram esses conteúdos todos naquela cena enigmática em que três personagens estão se banhando em uma cachoeira e, de repente, começa a cair uma tinta vermelha em cima de um deles. Minha primeira reação foi achar que o rio tinha ficado menstruado. Passado o choque com o nível de amadorismo com que tal cena foi realizada e editada, tentei identificar o sentido daquilo, mas não consegui. Foi um um delírio do personagem? Um insight, talvez? Quem sabe uma premonição do futuro? Ou não? Certamente a genialidade do autor me escapou, tão acostumado que estou com filmes estadunidenses que explicam tudo à plateia...

Nem vou falar da "grande surpresa" que acontece no final e envolve o antigo "coronel" local porque é simplesmente absurda e fica ainda mais ridícula com os atores proclamando suas falas com a expressividade de uma estátua de pedra.


"Socorro! O rio ficou menstruado!"
O filme poderia ter sido salvo caso tivesse uma edição minimamente profissional. Todavia o que vemos em "O Som ao Redor" são sequências emendadas umas às outras sem qualquer ritmo ou fluidez, com várias cenas se alongando muito além da conta. Não causa estranheza saber que a edição foi feita pelo próprio Kleber, o que comprova que nunca é uma boa ideia deixar o cineasta cortar seu filme.

Os realizadores tentam dar sentido ao nome do filme enfiando um monte de barulhos do cotidiano de uma cidade grande em quase todas as cenas, porém eles não acrescentam quase nada e acabam apenas ajudando a atrapalhar ainda mais a compreensão das falas empoladas dos atores. Quem quiser ver esse recurso sendo usado com maestria e significado, recomendo algum filme do grande Jacques Tati, principalmente "Meu Tio".

No final da exibição desse tedioso e bisonho filme, confesso que fiquei até triste. Estava torcendo para que fosse realmente a obra prima que muitos profissionais da opinião estavam dizendo, afinal seria uma glória para mim ter meu apelido de "crítico-spam" associado a um cineasta de alto calibre. Mas, que nada! Nem isso consegui. 

No final das contas, como cineasta Kleber Mendonça Filho é um ótimo crítico de cinema. Pena que ele não vai poder detonar seu próprio filme, como faz com tanta veemência quando se trata da obra de outros realizadores. 

Mas certamente eu vou ganhar mais um merecido esculacho do crítico e dublê de cineasta por ousar não confessar que sua obra é genial por puro rancor. Afinal, como diz aquele velho ditado Klingon: "a vingança é um prato que se come frio"...

Cotação: *

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Filmes: "Birdman"

CINEMA-MARRETA

Boa premissa é estragada pelo excesso de pretensão, autoindulgência e falta de sutiliza do cineasta mexicano

- por André Lux, crítico-spam

"Birdman" é mais um daqueles blefes que cai nas graças da maioria dos críticos e acaba sendo indicado para uma penca de prêmios da indústria do cinema estadunidense.

Mas aqui fica fácil identificar a origem dessa devoção toda, já que se trata de mais um "filme dentro do filme" (ou, no caso, dentro do teatro), que utiliza a metalinguagem e o auto-elogio como molas propulsoras. E todo mundo sabe que críticos e artistas em geral adoram esse tipo de obra, cheia de referências e citações que só eles vão entender e "rasgação" de seda para quem vive da arte e os parasitas que gravitam em torno deles.

Não bastasse isso, o filme praticamente coage os críticos a gostarem dele, já que em um cena o protagonista enfrenta a poderosa crítica do The New York Times e a humilha violentamente porque ela diz que vai malhar a obra dele, mesmo sem ter a assistido. Ou seja: "críticos, estejam avisados, se não gostarem do meu filme já sabem qual será minha resposta, certo?"

O filme é escrito e dirigido pela mexicano Alejandro Iñárritu (de "Amores Brutos" e "Babel"), um cineasta inegavelmente talentoso, porém que costuma estragar suas obras com altas doses de pretensão e uma mão pesadíssima que usa como uma marreta para enfiar na tela as mensagens que gostaria de ensinar. 

"Birdman" tem até uma premissa interessante. Mostra ator que ficou famoso interpretando o super-herói "Homem Pássaro" nos cinemas, mas que caiu no esquecimento depois de recusar participar da quarta continuação do sucesso de bilheteria. Ele então tenta desesperdamente provar que é um "artista de verdade" montando uma peça na Broadway. Esse personagem é feito pelo Michael Keaton que, como todo crítico ou cinéfilo que se preze sabe, esteve na pele dos dois primeiros "Batman" do Tim Burton e também desistiu de interpretá-lo nas outras continuações.

Entenderam a sacada? O personagem de "Birdman" e o ator que o interpreta passaram por situações quase idênticas! Genial, certo? Pra meia dúzias de pessoas pode até ser, mas para o resto dos mortais esse tipo de coisa não quer dizer absolutamente nada.

Eu sinceramente acho muito pedante um cineasta fazer um filme só para ficar marretando na cabeça do espectador com a sutileza de um terremoto o quanto o chamado "cinema comercial" estadunidense e sua obsessão por filmes de super-heróis e efeitos especiais estariam acabando com a arte e com a civilização ocidental. E sobra porrada também para as novas tecnologias e as redes sociais, como se a tecnologia em si fosse maléfica e não a maneira com muitas pessoas a usam. Reacionarismo pouco é bobagem!

Enfim, o resto do filme mostra os problemas enfrentados por Keaton durante a montagem da peça que escreveu, a partir de um conto de autor cultuado, dirige e atua. Não vou negar que a primeira parte é interessante e realmente prende a atenção, principalmente graças às atuações de Keaton e Edward Norton, que interpreta um ator metido a besta e difícil de lidar (igual dizem ser o próprio Norton na vida real, sacaram? Hein, hein?).

Keaton e seu alter-ego, o "Homem Pássaro"
A interação entre eles e o resto dos personagens traz momentos engraçados, embora o tom seja sempre de humor negro (mas as mulheres tem pouco a fazer). 

A melhor sequência do filme se dá quando Keaton fica preso pra fora do teatro e tem que entrar pela porta da frente vestindo apenas uma cueca! Pena que o diretor nem mesmo tire mais proveito das consequências disso.

O problema começa no segundo ato do filme, quando a narrativa esquece dos outros e foca-se exclusivamente no protagonista, que é dado a ter delírios de grandeza graças à voz do "Homem Pássaro" que fala diretamente à sua cabeça. Ele também exibe poderes sobrenaturais, como fazer mover objetos e até voar, porém nunca fica claro se isso é real ou mais um delírio dele. 

E é na conclusão que o filme derrapa feio, quando Iñárritu tinha toda a oportunidade de fechar tudo com um crítica mordaz à hipocrisia de muitos autores em provarem que são "artistas de verdade" até receberem uma proposta milionária para estrelar o próximo blockbuster roliudiano, mas opta por fazer o contrário, que é justamente louvar esse tipo de busca autoindulgente e pretensiosa, inclusive negando a dubiedade com que mostrava os "poderes" do protagonista.

O mais estranho é que o subtítulo do filme é "A Inesperada Virtude da Ignorância". Só que no caso do diretor Iñárritu não foi virtude. Pelo contrário...

Cotação: * * 1/2

sábado, 17 de janeiro de 2015

Filmes: "De Volta ao Jogo"

Bomba: cartaz auto-crítico
LIXO TÓXICO

Mais um filme feito para disseminar o fetiche dos estadunidenses pelas armas de fogo e pela violência

- por André Lux, crítico-spam

É impressionante como a indústria cultural estadunidense gasta rios de dinheiro produzindo filmes como esse “De Volta do Jogo”, que mostram a vida de assassinos profissionais a serviço de máfias criminosas os quais eventualmente se envolvem em missões de vingança e retaliação contra seus ex-chefes.

Alguns até acabam trazendo reviravoltas interessantes, que servem para acabar com o tédio das incontáveis cenas onde o “herói” destrói sozinho um exército de capangas. Mas não é o caso desse novo filme estrelado por Keanu Reeves, que sinceramente não precisava participar desse tipo de porcaria, ainda mais para dar um desempenho no seu “estilo zumbi” de sempre.

A trama é rasa como uma poça de água e feita a partir dos clichês mais óbvios do gênero. Matador profissional apaixona-se e larga o trabalho. Sua esposa adoece e morre, para seu desespero. Gangue liderada pelo filho do seu ex-chefe assalta sua casa, rouba seu carro e mata o cão. “Herói” parte para a vingança total contra todos. Fim.

Poderia até ser divertido para quem gosta desse tipo de obra, porém é previsível até o talo e cheio de furos ridículos. Tipo, como é que o filho do mafioso não iria conhecer o protagonista, apelidado de "Bicho-Papão" justamente pela sua eficiência e crueldade, sendo que ele havia abandonado a organização há poucos anos?

Enfim, nem vale a pena ficar enumerando as besteiras nesse tipo de filme, já que sua verdadeira função é disseminar pelo resto do mundo o fetiche dos estadunidenses pelas armas de fogo e pela violência, função que “De Volta ao Jogo” cumpre com a maestria de sempre. 

Para quem gosta de lixo tóxico, é uma ótima pedida... Sem dizer que o cartaz do filme já a melhor crítica dele: uma bomba!

Cotação: *

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Charlie Hebdo é uma merda. Não serve de escudo contra balas

Como estamos na Idade Mídia, os tempos são de trevas. O midiota, você sabe, é um mero boneco de ventríloquo. A publicação francesa, que já a algum tempo definhava, hoje bateu recorde de vendas. 

 - por Lelê Teles

Jesus Charlie?

Aguardei pacientemente. Três dias se passaram e os cabras não ressuscitaram. Seria perfeito. Pela primeira vez o ateísmo rumava para se converter em religião.

Após a chacina em Paris, fiéis brotaram aos montes a dizer: “aquele que morreu sou eu”, um troço metafísico pra cacete. O fervor e a paixão com que defenderam os cartunistas mortos - porque era só deles que se falava - era uma adoração cega, acrítica, como essas que se vê nas igrejas de esquina.

Nadei contra a corrente, contra o sentimento de manada, quando escrevi a crônica Je Ne Suis Pas Charlie.

Uns fanáticos logo surgiram para me atacar. Ora se diziam franceses, ora eram brasileiros que já tinham tirado foto com a Torre Eiffel ao fundo. Ambos pretendiam santificar os cartunistas.

Porque, você sabe, não morre um canalha. É só checar as lápides nos cemitérios e os necrológios (necro-elogios) nos jornais: bom filho, bom pai, grande amigo, esposo amantíssimo.

Fuleiragem.

Eu afirmei, corpos ainda insepultos, que esses caras haviam se convertido em abjetos islamofóbicos e cínicos provocadores que se prestavam a caricaturar – obsessivamente - os muçulmanos, ridicularizando sua fé e sua cultura.

Francófilos disseram que não, eles ridicularizavam todos. Conversa mole. Eles demitiram Sine por sacanear o filho de Sarkozy e os judeus em uma mesma piada.

Eu falei que Charb fez uma charge racista. Charbófilos disseram que eu não havia entendido a piada. Na verdade, diziam eles, Charb desenhou a ministra como uma macaca para criticar aqueles que a chamaram de macaca e dizer que era inaceitável que uma negra fosse representada como uma macaca. Por isso é que ele a macaqueou.

Entendeu? Nem eu.

Teve um site que detonou o Diddi Mocó. Porque o cearense havia dito à Playboy que na época dele fazia-se piada com preto, anão e viado; e ninguém achava ruim.

Pois não é que o mesmo site estava agora a defender a charge de Charb, aquela da macaca.

Os mesmos cabras que apontaram o dedo para o Renato Aragão, agora diziam que era normal que os muçulmanos da França - espremidos na periferia, cidadãos de segunda classe, comparados aos nossos pretos, anões e viados - fossem achincalhados. Menos pelo Didi.

Vai entender.

Como estamos na Idade Mídia, os tempos são de trevas. O midiota, você sabe, é um mero boneco de ventríloquo. A publicação francesa, que já a algum tempo definhava, hoje bateu recorde de vendas.

Mas não se engane, trata-se de um fenômeno midiático instantâneo e passageiro. Uma bíblia de fim de semana, esse entusiasmo acaba assim que a mídia encontrar outro assunto.

Por falar em mídia, e aquela comissão de frente hein, todo mundo de sobretudo, solene; uma fantasia. A carnavalização da morte, um mórbido espetáculo. Só faltaram os carros alegóricos, as mulatas brancas e o povo.

Porque os líderes mundiais, como sempre, nem ligaram para a multidão. Isolaram-se em uma rua e posaram para uma fotografia, braços dados, e deixaram que os jornalistas se encarregassem em interpretar o gesto.

Parece que era de paz, mas só parece. Porque na comissão de frente tinha até um cara que despejou bombas na cabeça de mulheres e crianças na Palestina.

E não é que foi só terminar a marcha que a polícia francesa meteu logo as garras no comediante Dieudonné M’bala M’bala. Embora negro, às vezes dizem que ele faz apologia ao nazismo. Outras vezes o acusam de antissemitismo.

Charlie Hebdo também não ia com a cara dele, já meteram-lhe uma quenelle no ânus e o pintaram simiescamente.

Qual é desse negão falando mal de judeus? É aquela coisa, o macho branco, e somente o macho branco, é que pode tudo!

Tô achando que a igrejinha de Charb está com os dias contados. Daqui a pouco começa o BBB, a Champions Ligue, o Tour de France e a moçada vai tomar cerveja de frente pra TV.

Enquanto isso, 5 milhões de muçulmanos estão proibidos de fazer orações em público na França. Afinal, o Charlie Hebdo dizia que eles eram idiotas perigosos e que podiam explodir a qualquer momento.

Pra mim, de longe, a charge mais desprezível do Hebdo é aquela alusiva ao massacre de muçulmanos no Egito. Acostumado a desumanizar os muçulmanos, os caras do Hebdo não tiveram compaixão, tascaram uma charge.

O Corão, crivado de balas, e a frase: O corão é uma merda. Não serve de escudo contra balas.

Seria justo e honesto com a linha de pensamento da moçada que defende as barbaridades do C.H. que a nova capa do semanário viesse com Charb segurando seu jornal, crivado de balas, e a frase:

O Charlie Hebdo é uma merda. Não serve de escudo contra balas.

Mas aí já é ofender a religião alheia.

Palavra da Salvação.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Cadê os defensores da "liberdade de expressão" agora?


França prende humorista que faz críticas a judeus

Após convocar uma marcha pela liberdade e contra o terror, com a presença de líderes mundiais como o israelense Benjamin Netanyahu, o governo francês expõe suas contradições ao mandar prender o comediante francês Dieudonné.

O humorista, conhecido por suas críticas ao judaísmo, foi interpelado em sua casa, em frente aos seus filhos, por ordem do primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, sobre a acusação de incitar o terrorismo nas redes sociais.

Armas de destruição em massa
encontradas com o humorista
No Facebook, ele comentou que se sente como Charlie Coulibaly (sobrenome de um dos terroristas):

"Após essa marcha histórica, digo mais... lendária! Um momento mágico como o Big Bang que criou o universo! ...ou em um grau mais local, comparável à coroação de Vercingétorix [rei gaulês da antiguidade], eu enfim entro em casa. Sabe que essa noite, no que me diz respeito, eu me sinto como Charlie Coulibaly", escreveu.

Em sua defesa, Dieudonné disse que seu humor não difere do feito pelo Charlie, que estimulava preconceito contra muçulmanos

No ano passado, o comediante foi alvo de outra ação do governo de François Hollande, em ofício pedindo para que todas as prefeituras cancelassem seus shows de stand-up.


Quer entender o mundo atual? Então leia até o fim

- por Laerte Braga

A derrota militar e política dos EUA no Vietnã, a luta dos negros norte-americanos e a divisão daquele povo diante das políticas imperialistas, levou a eleição de Ronald Reagan, pois o projeto Nixon havia fracassado. 

Reagan, sem condições de ser síndico de prédio, ou ator principal de um filme, cumpriu o seu papel de canastrão dentro de uma retomada de um projeto político e militar de controle de todo o mundo, logo, das riquezas naturais indispensáveis, como o petróleo. 

Comprou o Vaticano através do cardeal Marcinkus, elegendo um papa disposto a cumprir os desígnios de Washington, acabar com a Teologia da Libertação e se voltar contra a União Soviética. 

Seus intentos foram alcançados, aquela mania de americano de fincar bandeira até na porta da garagem voltou e conseguiu eleger seu sucessor, George Bush, o pai, um idiota perfeito, como o filho George Walker Bush. 

No meio do caminho um Clinton para atrapalhar a insânia da ultra-direita dos EUA. George Bush, o filho, foi derrotado no voto popular e eleito numa fraude na Flórida, onde o governador era seu irmão Jeb. 

É sempre bom lembrar que cinco ministros da Suprema Corte consideraram necessária uma nova votação no distrito onde foi apontada a fraude. Bush filho quase quebrou as empresas da família, quebrou um clube de basebol, fugiu do serviço militar para não ter que ser mandado ao Vietnã e entregou o governo a Dick Chaney, seu vice e empresário de armas e petróleo. 

Com uma nova realidade mundial começa aí a barbárie via ATO PATRIÓTICO, a farsa do 11 de setembro, o pretexto, a invenção das armas químicas de biológicas no Iraque, toda a mentira dos EUA que segue nos dias atuais. Serviços de inteligência terceirizados, recrutamento e treinamento militar também, campos de concentração, prisões clandestinas, apoio total a Tel Aviv no genocídio contra palestinos, tudo isso dito aqui de forma reduzida, mas creio clara. 

Obama é só um pateta que entrou no governo e se viu obrigado a aceitar a realidade que fora construída e optou pelo "relaxar e gozar". Defendem os direitos humanos, mas não subscrevem o tratado que criou o Tribunal Penal Internacional, nem os EUA e nem Israel. 

Já começam a deitar ramas sobre a América Latina de forma mais intensa ao enrolar Dilma Roussef, temerosos do BRICS e de governos populares em vários países, enfim, dos assassinatos seletivos que assustaram até a chanceler alemã, Ângela Merkel, as prisões ilegais, a tortura autorizada, toda a estupidez de uma nação de uma boiada, com exceções evidente. 

O "atentado" ao jornal "satírico" francês cai como uma luva nos projetos terroristas da organização ISRAEL/EUA TERRORISMO S/A. E, neste domingo, na passeata em Paris, o assassino de crianças Benjamin Netanyahu. 

E a mídia sionista, à frente o israelense Ralph Murdoch, tecendo loas à liberdade de expressão e uma grande manada confundindo liberdade de expressão com desrespeito e provocação. 

E dois supostos "terroristas" eliminados, silenciados, para que não se tenha, a manada, a menor idéia do que de fato houve. 

JE NE SUIS PAS CHARLIE.

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Mereciam ou não mereciam? Eis a questão

De assassino para assassino: "Merecer não tem nada a ver com isso"

Ainda estou impressionado com a incapacidade de alguns em entender que muitas das "charges" publicadas pelo Charlie Hebdo não podem nem mesmo ser chamadas de charges, mas sim de desenhos grotescos e ofensivos, feitos apenas para disseminar ódio e intolerância.

E ódio e intolerância geram apenas mais ódio e mais intolerância, que fatalmente acaba culminando em violência.

Eu, por exemplo, critico, ironizo e denuncio os políticos e governos da direita há anos, inclusive usando e criando charges e memes. Já fui até processado por isso - e ganhei.



Já pensou se fosse a sua
mãe ao invés do Maomé?
Agora, imaginem que eu crie uma charge ou um meme com a mãe de um dos políticos que quero criticar. Pode ser ela de quatro com algo enfiado na bunda ou então faço uma montagem com uma foto dela em cima de uma imagem pornográfica.

O que vocês acham que ia acontecer nesse caso? Poderia até ser morto. No mínimo os caras iam arrancar meu coro em dezenas de processos.

Aí eu vou dizer: "Puxa, mas eu sou um cara tão legal, de esquerda, bacana, humanista! Será que merecia mesmo ser morto só por causa de uma figura assim?".

Então eu repito: merecer ou não nada tem a ver com o caso. Nada.


Isso tudo me lembrou o final do filme "Os Imperdoáveis", do Clint Eastwood.

Depois de matar uns vaqueiros que tinham retalhado uma puta e pegar a recompensa, as coisas dão erradas e o personagem feito pelo Morgan Freeman é capturado e torturado até a morte.

Enfurecido, o matador interpretado pelo Clint, notório assassino inclusive de mulheres e crianças, vai até o saloon onde o cadáver do amigo estava exposto dentro de um caixão na porta de entrada, entra de espingarda em punho e pergunta: "Quem é o dono dessa espelunca?". 

Assim que o sujeito se identifica, ele dispara sua arma no peito dele. O xerife feito pelo Gene Hackman grita: "Seu filho da puta covarde, acabou de matar um homem desarmado!". Ao que Clint responde: "Ele deveria ter se armado quando decidiu decorar seu bar com o cadáver do meu amigo".



Rola então um grande tiroteio e o matador feito por Clint derruba quase todos e o resto foge de medo. O xerife, agonizando, dá seu último suspiro sob a mira da espingarda : "Eu não mereço isso. Morrer desse jeito. Eu estava construindo uma casa..." E recebe como resposta: "Merecer não tem nada a ver com isso". Em seguida o matador puxa o gatilho.




Será que caiu a ficha? Não consigo ser mais claro que isso.

Claro que vai ter gente dizendo que estou afirmando que eles mereceram ser mortos e mais um monte de outras besteiras que não vale a pena nem repetir.

Todavia, tenho certeza que quem tem o minimo de pensamento crítico vai entender o que estou querendo dizer... 

Teoria da conspiração ou constatação? Pistas ligam chacina de Paris ao Mossad

Os terroristas trapalhões estão de volta!
Terá sido a chacina de Paris um ataque 'false flag'? 

Para quem não conhece a expressão, ataques de falsa bandeira são ataques clandestinos onde um país comete ou apoia atos de terrorismo contra si próprio ou mesmo contra outra nação, e em seguida culpa outro país ou organização, de forma a justificar uma determinada agenda, como invasões de outros países ou a passagem de leis aumentando o poder do estado e diminuindo a liberdade e privacidade de sua população. 

O 11 de setembro de 2011 é um dos mais controversos episódios da história, pois, sem qualquer envolvimento do Iraque, serviu para justificar a invasão de 2003, que culminou com a queda de Saddam Hussein.

Agora, com a chacina de Paris, começam a circular teorias da conspiração, como se o atentado à redação do Charlie Hebdo também tivesse sido um episódio de 'false flag'. O primeiro a levantar a hipótese foi o blog LBI - Liga Bolchevique Internacionalista - que associou o ataque em Paris ao Mossad, o serviço secreto israelense. A página publicou um post sobre o assunto poucas horas depois do ocorrido, no dia 7 de janeiro, às 22h (leia aqui). 
Quem também alimentou a tese foi a ativista Mary Hughes-Thompson, líder do movimento "Free Gaza" (siga aqui seus posts no Twitter). O propósito seria conter o movimento pró-Palestina na Europa, onde diversos países começam a reconhecer o estado palestino, e também evitar boicotes a Israel.
Quem também organizou as teses que circulam sobre a hipótese de 'false flag' foi o internauta Marden Carvalho. Leia, abaixo, seu texto: 
Algumas observações que faço sobre o atentado em Paris.
Os atiradores eram bem preparados, bem treinados. E eles tinham a intenção de fugir e de manter o anonimato. Por isso eles usavam máscaras e roupas pretas iguais, difucultando até distinguir quem é quem entre eles. Inclusive eles usavam luvas, que dificultaria as buscas por impressões digitais nos veículos roubados, que foram usados para cometer o atentado e a fuga.
A polícia francesa afirma que foram três terroristas que executaram os ataques e que um deles havia deixado seus documentos dentro do carro roubado.
Aqui as coisas começam a não fazer sentido para mim.
De onde surgiu o terceiro suspeito? Em todas as imagens que analisei só apareciam dois suspeitos. Inclusive, um dos sobreviventes, Laurent Léger, que estava na sala onde os jornalistas e o editor da revista foram mortos, afirma que eram duas pessoas. 
Agora com toda a precisão e frieza do mundo que estes criminosos demonstraram ter, cobrindo seus rostos e ocultando suas impressões digitais, eles iriam deixar um passaporte no interior do veículo roubado? Ou seja, eles iriam deixar a prova para a polícia chegar até eles? E se deixaram, isso demonstra que são amadores, ainda que pareçam ser peritos em atirar. Algo não encaixa.
Sobre o terceiro suspeito, Hamyd Mourad, que se entregou à polícia depois de ver seu nome sendo noticiado nos meios de comunicação, seus colegas afirmaram que no momento dos ataque ele estava na sala de aula. Vários são os seus colegas que confirmaram isso pelo Twitter (#MouradHamydInnocent), afirmando que estiveram junto com o suspeito naquela mesma manhã dos ataques.
Trago aqui um vídeo da TV France 24h, mas antes confira algumas imagens que retirei do vídeo.
No momento dos ataques ao escritório da revista Charlie Hebdo, algumas pessoas subiram no teto do prédio e começaram a fazer as filmagens com seus celulares. Dentre essas pessoas parecia que havia um policial, ou ao menos havia uma pessoa com um colete à prova de balas. Conforme você poderá ver na imagem abaixo.
 Depois este mesmo policial ou civil com colete (porque alguém precisaria de um colete à prova de balas na calma e pacata Paris?) dá orientações para as três pessoas que parecem ser policiais vestidos com roupas pretas.
 Ele diz algo parecido com “à gauche” ou seja, para a esquerda, mas só que os policiais viram para a direita. A imagem depois parece que é cortada e já aparece no meio da rua os dois “terroristas” vestido de forma igual aos três policiais que viraram para a direita. E parece que estes “terroristas” atiram naqueles três policiais. Mas pelo visto não os mataram. Conforme vocês poderão conferir no vídeo abaixo.
http://youtu.be/MgqiFz3-v98
No final deste vídeo é possível ver que aparece outra pessoa com colete à prova de balas (ou um reprise, o que não ficou bem claro para mim).
Nas minhas pesquisas acabei descobrindo o blog Aangirfan onde o autor afirma que o atentado em Paris foi um trabalho interno, que a MOSSAD atacou Charlie Hebdo.
Para quem não sabe o que seja o Mossad e nem o Kidon:
“O Mossad (serviço de espionagem israelense) conta com um departamento, o Kidon, cujo objetivo é assassinar inimigos de Israel, em qualquer parte do mundo, que não possam ser julgados num tribunal normal.” (Kidon: assassinos acima da lei)
Curiosamente, o editor chefe da revista Charlie Hebdo (que tem descendência judaica) estava de viagem por Londres e por isso foi poupado. E o jornalista judeu Amchai Stein, editor geral do IBA Channel 1 de Israel, simplesmente apareceu no exato momento para (en)cobrir os “fatos”.
Agora vejam mais estas duas coincidências envolvendos o povo de Israel.
O primeiro carro abandonado pelos terroristas foi em frente de um restaurente (judaico) Kosher. 
O terceiro suspeito, Amedy Coulibaly, também invadiu um supermercado (judaico) Kosher, Hyper Cacher.
http://youtu.be/Y8MJzS5Sxqw
E por que os judeus fariam uma coisa destas?
A revista Charlie Hebdo já teria zombado do agente do Mossad Abu Bakr al-Baghdadi (Simon Elliot).
E também:
Atualizarei assim que tiver mais novidades ou suspeitas.
Bibliografia

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Joe Sacco publica análise em quadrinhos sobre ataque ao Charlie Hebdo


O cartunista Joe Sacco, famoso por seus desenhos sobre a Palestina, fez uma análise em quadrinhos sobre o ataque à sede do jornal Charlie Hebdo. Os quadrinhos foram publicados pelo jornal The Guardian, e o Jornalismo B traduziu para o português:

1º quadrinho: Sobre a sátira
Minha primeira reação aos assassinatos nos escritórios do Charlie Hebdo em Paris não foi de bravo desafio.

Não tive vontade de bater no meu peito e reafirmar os princípios do livre discurso.

2º: Minha primeira reação foi a tristeza. Pessoas foram mortas brutalmente, entre elas vários cartunistas - minha tribo.

3º: Mas junto com o pesar vieram pensamentos sobre a natureza de algumas das sátiras do Charlie Hebdo. Mesmo que beliscar os narizes de muçulmanos seja tão permissível quanto considerado agora perigoso, nunca me pareceu mais do que uma forma enfadonha de usar a caneta.

4º: Posso participar desse jogo também? Claro, eu poderia desenhar um homem negro caindo de uma árvore com uma banana em sua mão - na verdade, eu acabei de fazê-lo.

Me é permitido ofender, certo?

5º: Casualmente, você sabia que o Charlie Hebdo demitiu um cartunista - Maurice Sinet, pesquise sobre ele - por supostamente escrever uma coluna anti-semita?

6º: Então, com isso em mente, aqui está um judeu contando seu dinheiro sobre as entranhas da classe trabalhadora.

E se você não aguenta a "piada" agora, ela teria sido tão engraçada em 1933?

7º: Na verdade, quando estabelecemos uma linha, frequentemente estamos cruzando uma também. Porque linhas em um papel são uma arma e a sátira é feita para cortar até os ossos. Mas os ossos de quem? Qual exatamente é o alvo? E por quê?

8º: Sim, eu afirmo nosso direito de zombar - então aqui está um desenho gratuito de um devoto de verdade fazendo o trabalho de Deus no deserto.

Mas talvez quando cansarmos de deixar levantado nosso dedo médio possamos pensar sobre por que o mundo está como está...

9º: E o que faz com que muçulmanos neste tempo e lugar sejam incapazes de "levar na esportiva" uma mera imagem.

10º: E se respondermos "porque há algo profundamente errado com eles" - certamente havia algo profundamente errado com os assassinos - então deixem-nos tirá-los de suas casas e mandá-los em direção ao mar...

Porque isso vai ser bem mais fácil do que resolver como nos encaixamos nos mundos uns dos outros.

*Tradução: Kauê Menezes, para o Jornalismo B

Começou a "queima de arquivo" de sempre!


Os irmãos Cherif e Said Kouachi, autores do ataque a tiros à redação do jornal francês Charlie Hebdo, que deixou 12 mortos na quarta-feira 7, foram mortos pela polícia francesa nesta tarde, noticiou a agência France Presse. 

A informação foi confirmada pela prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

A dupla estava cercada há horas pela polícia francesa na cidade de Dammartin, a noroeste de Paris, onde mantinha uma pessoa refém, que saiu ilesa da operação. 

A polícia invadiu o local, onde funcionava uma gráfica, de onde se ouviu tiros e explosões.

Ao mesmo tempo, outro atirador fez reféns no supermercado judaico Hyper Cacher, no leste da capital. Ele é o mesmo suspeito de ter matado um policial ontem durante um tiroteio em Paris e de ter ligação com o mesmo grupo militante islâmico dos dois irmãos.

A polícia invadiu o local e libertou os reféns. O terrorista também foi morto pela polícia. Cinco explosões foram ouvidas.

A velha hipocrisia de sempre

Excelente charge... mas, pensando bem, se o cara é branco, cristão e liberal-fascista só pode mesmo ter algum problema mental, né?


Liberdade de expressão no rabo dos outros é refresco!


Esse debate acirrado sobre as mortes dos cartunistas do Charlie Hebdo traz à tona um lado completamente irracional e incoerente das pessoas.

Querem ver? Estou tendo o seguinte diálogo com diversas pessoas no facebook nas últimas horas, inclusive com gente que se diz de esquerda:

Pessoa: É inaceitável que se mate só por que se sentiu ofendido por uma charge! A liberdade de expressão tem que ser geral e irrestrita!

Eu: Também acho. Mas, não acha que deveriam existir limites para a liberdade de expressão?

Pessoa: Claro que não! Liberdade de expressão tem que ser total!

Eu (provocativo): Tudo bem, mas como não gostei do que você escreveu acima, vou fazer uma charge da sua mãe pelada, de quatro, com um nabo enfiado na bunda. Tudo bem?

Pessoa: Pode fazer, mas aí eu vou te processar na Justiça.

Eu: Ok, mas digamos que você vença a causa e eu tenha que te pagar uma indenização milionária, que me obrigue a perder tudo que tenho na vida. Por causa disso, minha mulher me abandona e eu, totalmente pobre e abandonado, seja obrigado a morar na rua, onde acabo morrendo de fome...

Pessoa: Ué, bem feito! Quem mandou fazer uma charge da minha mãe pelada de quatro????

Pois é. Tipo assim, sabe?

Quem está por trás do atentado contra Charlie Hebdo?


- por Thierry Meyssan


Em 7 de janeiro de 2015, um comando irrompe na sede parisiense do Charlie Hebdo e mata 12 pessoas. Outras 4 vítimas foram reportadas como estando em estado grave.

Nos vídeos se ouve os atacantes gritando "Allah Akbar!" e afirmar depois que "vingaram Maomé". Uma testemunha, a cartunista Coco, afirmou que os indivíduos diziam ser da Al-Qaeda. Isso bastou para que inúmeros franceses denunciam ao fato como um atentado islamista.

Mas essa hipótese é ilógica.

A missão do comando não coincide com a ideologia jihadista

Em efeito, os membros ou simpatizantes de grupos como a Irmandade Muçulmana, Al-Qaeda ou Emirado Islâmico não teriam se limitado a matar cartunistas ateus. Teriam começado destruindo os arquivos da publicação na presença das vítimas, como fizeram na totalidade das ações que perpetram no Magreb e no Levante. Para os jihadistas, o primordial é destruir os objetos que - segundo eles - ofendem a Deus, antes de castigar os "inimigos de Deus".

E tampouco teriam se retirado de imediato, fugindo da polícia, sem completar sua missão. Pelo contrário, a teriam realizado até o fim ainda que isso custasse suas vidas.

Por outro lado, os vídeos e vários testemunhos mostram que os atacantes eram profissionais. Estão acostumados ao manejo de armas e só disparam quando é realmente necessário. Sua indumentária tampouco é a dos jihadistas senão mais exatamente a que caracteriza comandos militares.

Sua maneira de executar no chão um policial ferido, que não representava um perigo para eles, demonstra que sua missão não era "vingar Maomé" do humor não muito fino do Charlie Hebdo.

Objetivo da operação: favorecer o início de uma guerra civil

Os atacantes falam bem o idioma francês e é muito provável que sejam franceses, o que não justifica a conclusão de que seja tudo um incidente franco-francês. Pelo contrário, o fato de que se trata de profissionais nos obriga a separar estes executores dos que deram a ordem de realizar a operação. E nada demonstra que estes últimos sejam franceses.

É um reflexo normal, mas intelectualmente errôneo, acreditar que conhecemos nossos agressores no momento em que acabamos de sofrer a agressão. Isso é o mais lógico, tratando-se da criminalidade comum e corrente. Mas não é assim quando se trata de política internacional.

Quem deu as ordens que levaram à execução desse atentado sabia que estavam provocando uma ruptura entre franceses de religião muçulmana e os franceses não-muçulmanos. O semanário satírico francês Charlie Hebdo se havia especializado nas provocações anti-muçulmanas, das quais a maioria dos muçulmanos da França foram vítima direta ou indiretamente. Se bem os muçulmanos da França não deixaram certamente de condenar esse atentado, lhes será difícil sentir pelas vítimas tanta dor como os leitores da publicação. E não faltarão os que interpretem isso como uma forma de cumplicidade com os assassinos.

É por isso que, ao invés de considerar esse atentado extremamente sanguinário como uma vingança islamista contra o semanário que publicou na França as caricaturas sobre Maomé e dedicou reiteradamente seu primeiro plano a caricaturas anti-muçulmanas, seria mais lógico pensar que se trata do primeiro episódio de um processo tendente a criar uma situação de guerra civil.

A estratégia do "choque de civilizações" foi concebida em Tel-Aviv e Washington

A ideologia e estratégia da Irmandade Muçulmana, Al-Qaeda e Emirado Islâmico não prega provocar uma guerra civil no "Ocidente", senão pelo contrário, iniciar uma guerra civil no "Oriente" e separar a ambos mundos hermeticamente. Nem Sayyid Qutb, nem nenhum de seus sucessores convocaram a provocar enfrentamentos entre muçulmanos e não-muçulmanos no terreno destes.

Pelo contrário, quem formulou a estratégia do "choque de civilizações" foi Bernard Lewis e ele o fez a pedido do Conselho de Segurança Nacional dos EUA. Essa estratégia foi divulgada posteriormente por Samuel Huntington, apresentando-a não como uma estratégia de conquista senão como uma situação que podia chegar a se produzir. O objetivo era convencer aos povos dos países membros da OTAN de que era inevitável um enfrentamento, justificando assim o caráter preventivo do que seria a "guerra contra o terrorismo".

Não é em Cairo, em Riad nem em Cabul que se prega o "choque de civilizações", mas sim em Washington e em Tel-Aviv.

Os que deram a ordem que levou ao atentado contra o Charlie Hebdo não estavam interessados em agradar a jihadistas ou talibãs mas sim aos neoconservadores ou aos falcões liberais.

Não devemos esquecer os precedentes históricos

Temos que recordar que durante as últimas décadas temos visto os serviços especiais dos EUA e da OTAN:

-> Utilizar na França a população civil como "porquinhos da Índia" para experimentar os efeitos devastadores de certas drogas;

-> Respaldar às OAS para assassinar o presidente francês Charles De Gaulle;

-> Proceder à realização de atentados de "falsa bandeira" contra a população civil em vários países membro da OTAN.

Temos que recordar que, desde o desmembramento da Iugoslávia, o Estado-Maior americano experimentou e pôs em prática em vários países sua estratégia conhecida como "rinha de cães", que consiste em matar membros da comunidade majoritária e matar depois membros das minorias para conseguir que ambas as partes se acusem entre si e que cada uma delas creia que a outra está tentando exterminá-la. Foi assim que Washington provocou a guerra civil na Iugoslávia e, ultimamente, na Ucrânia.

Os franceses fariam bem em recordar igualmente que não foram eles que tomaram a iniciativa da luta contra os jihadistas que regressavam da Síria e do Iraque. De certo, nenhum desses indivíduos cometeu até agora nenhum atentado na França já que o caso de Mehdi Nemmouche não se pode catalogar como um fato perpetrado por um terrorista solitário senão por um agente encarregado de executar em Bruxelas 2 agentes do Mossad. Foi Washington que convocou, em 6 de fevereiro de 2014, os ministros do Interior da Alemanha, EUA, França (o senhor Valls enviou um representante), Itália, Polônia e Reino Unido para que inscrevessem o regresso dos jihadistas europeus como uma questão de segurança nacional. Foi apenas depois dessa reunião que a imprensa francesa abordou esse tema dado o fato de que as autoridades haviam começado a atuar.

Não sabemos quem ordenou esse ataque profissional contra o Charlie Hebdo mas sabemos sim que não devemos nos precipitar. Teríamos que ter em conta todas as hipóteses e admitir que, nesse momento, seu objetivo mais provável é nos dividir e que o mais provável é que quem deu as ordens esteja em Washington
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