sábado, 7 de agosto de 2010

Filmes: "A Origem"

MATRIX” COM MANUAL

Falta de maiores pretensões impede o filme de alcançar patamares mais elevados e tornar-se memorável.

- por André Lux, crítico-spam

A comparação entre “A Origem” e “Matrix” é inevitável, afinal ambos retratam pessoas realizando atos impossíveis em mundos virtuais. Mas o filme de Christopher Nolan (o mesmo de “Amnésia” e os dois novos “Batman”), mesmo tendo incríveis efeitos visuais e cenas de ação de tirar o fôlego, não chega ao mesmo nível da obra dos irmãos Wachawsky.

Primeiro porque o roteiro, escrito pelo próprio Nolan, não tem a mesma complexidade e profundidade de “Matrix”, que durante toda a trilogia joga peças de um quebra-cabeça que só pode ser montado pelo próprio espectador na última cena do capítulo final. E segundo – e principal – por não trazer nenhum comentário sócio-político-cultural. No fundo, trata-se apenas de um filme de entretenimento com uma trama um pouco acima do mundano, do tipo que exige o máximo de atenção do espectador e um pouco de raciocínio crítico para ligar os pontos complicados (e isso pareceu ser demais para alguns, pois vi uma dezena de pessoas simplesmente saindo do cinema no meio da projeção!). E olha que Nolan criou pelo menos dois personagens que tem a função de explicar o filme para a platéia de vez em quando! Ou seja, é “Matrix” com manual de instruções.

Não há nada de errado numa obra querer apenas divertir, é claro. Porém, essa falta de maiores pretensões impede “A Origem” de alcançar patamares mais elevados e torná-lo memorável. É o tipo de filme que prende a atenção durante a exibição, mas não fica na mente depois do seu término. No final das contas, é apenas uma fita sobre espionagem industrial, só que aqui tudo se passa no mundo dos sonhos, já que os protagonistas, liderados por um eficiente Leonardo Di Caprio, são especialistas em “roubar” informações empresariais dos subconscientes de suas vítimas enquanto elas dormem. Ou seja, não passam de criminosos comuns, o que torna a catarse final pouco emocionante - embora a conclusão seja esperta.

O filme tem alguns defeitos graves. O diretor Nolan falha ao situar a ação no tempo e no espaço, não conseguindo criar uma sociedade (futurista?) verossímil, na qual entrar nos sonhos alheios seja algo comum. Fica tudo jogado no ar, meio sem nexo. Outro problema grave é sua trilha musical, composta pelo abominável Hans Zimmer (indicado ao Oscar por imitar Ennio Morricone e Wagner em “Gladiador”), que polui o filme com uma massa musical amorfa, opressiva e sem qualquer sensibilidade temática. É difícil entender como um “músico” tão pavoroso consegue tantos bons trabalhos e, sinceramente, qualquer diretor que contrate esse sujeito já não merece muita consideração para começar.

Enfim, “A Origem” é um bom filme de entretenimento. Não espera nada mais do que isso e você com certeza vai se divertir e até exercitar o cérebro um pouco – caso dê-se ao trabalho.

Cotação: * * *

5 comentários:

Anônimo disse...

Irmao , vai estudar cinema, roteiro trilha , busines .... eu estou escrevendo iformalmente mas vc formalmente ate errou o nome dos diretores de matrix consulta o imdb pra ver como escreve. E po fazer um paralelo entre Hans Zimmer e Enio Moriconi, o estilo de um nao tem absolutamente nada haver com o outro.
E outra se muitos projetos chamam o Hans Zimmer quem sera que esta mais coreto vc ou eles ... fala serio...
A acabei de ver que vc ativou a moderacao sera que meu post vai pra ar ... ou so vc pode fazer criticas ...?

André Lux disse...

Gostar de Zimmer já é garantia de mau gosto. Mas vc está certo numa coisa: o estilo do Morricone realmente nada tem a ver com o do Zimmer. Até porque Zimmer não tem estilo nenhum... Ele apenas copia o Morricone, essa é a diferença.

dil disse...

hahaha..André sua resposta foi ótima! parabens pelo texto!

antonio disse...

Só uma correção no seu texto: Hans Zimmer não ganhou o Oscar pela trilha de "Gladiador" e sim o Globo de Ouro. Naquele ano a melhor trilha musical foi de Tan Dun por "O Tigre e o Dragão", mas sem dúvida nenhuma Ennio Morricone merecia muito mais por "Malena". Hans Zimmer ganhou sua estatueta dourada em 1995 pela trilha (nada memorável) de "O Rei Leão". Valeu!

André Lux disse...

Vc tem toda razão, antonio. Falha nossa!

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