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quarta-feira, 29 de junho de 2011

Filmes: "ALEXANDRIA"

O SER HUMANO É INVIÁVEL

A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria”

- por André Lux, crítico-spam

Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão impressionante como “Alexandria”, do diretor chileno radicado na Espanha Alejandro Amenabar (de “Os Outros” e “Mar Adentro”). Trata-se de uma obra arrebatadora, extremamente bem feita e que recria com perfeição o que seria a Alexandria do Século IV D.C., época em que o Império Romano já estava em decadência e o cristianismo acabara de deixar de ser proibido, apenas para então começar a perseguir e proibir os outros cultos.

No meio de toda essa agitação e caos estava a professora, filósofa e astrônoma Hypatia. Amada por um de seus alunos e por seu escravo, ela não se curvava a ninguém, pois sua única paixão na vida era o estudo dos corpos celestes. É essa personagem real que serve de esteio ao filme, enquanto o roteiro avança de forma trágica à medida que os conflitos entre cristãos, pagãos e judeus culmina em violência e guerras declaradas.

A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria” e Amenabar imprime suas convicções ideológicas com grande destreza, dosando com perfeição cenas grandiosas e cheias de efeitos visuais com outras mais intimistas e profundas. De vez em quando, a câmera viaja até o espaço e vemos a Terra em toda sua majestade, como que para nos lembrar da nossa insignificância perante o universo. Em momentos como esse, o filme chega perto do sublime.

Numa das cenas mais emocionantes de “Alexandria”, a protagonista, vivida esplendidamente por Rachel Weisz, confronta um de seus ex-alunos que se tornou bispo cristão e tenta convertê-la à sua fé que, como bem sabemos, não permite jamais o questionamento: “Mas se você não questiona a sua fé, então não acredita realmente nela”. Em outro momento, ao ser acusada de "não acreditar em nada" pelo seu ateísmo, Hypatia responde: "Eu acredito na Filosofia". Sinceramente, diálogos em filmes não podem ser mais perfeitos do que esse.

É interessante também como a obra mostra de forma clara o retrocesso que a seita cristã trouxe para o mundo. Se a civilização anterior obviamente não era isenta de falhas (como permitir a escravidão, servir sacrifícios aos deuses e se dividir em castas), é inegável que reservava ao ser humano um papel muito mais nobre e intelectual do que o obscurantismo cego pregado pelo cristianismo. Tanto é que, pouco tempo depois da ascensão daquele culto ao poder, o mundo entraria na escuridão da idade média e de todo o horror cometido durante aquele período.

O mais importante de “Alexandria”, todavia, é o paralelo que o cineasta trava entre o mundo retratado pelo filme e o fanatismo que existe até hoje, capaz de gerar suficiente ódio entre as pessoas para que cometam os atos mais escabrosos possíveis. E tudo em nome de algum deus inventado que, se realmente existisse, estaria morrendo de vergonha de toda a loucura que realizam em seu nome e certamente diria algo como: “o ser humano é inviável”.

Se vivêssemos em uma sociedade justa e inteligente, “Alexandria” receberia todos os tipos de prêmios e seria celebrado como um dos filmes mais importantes já feitos. Todavia, como essa sociedade não é justa muito menos inteligente, só resta aos que dominam o sistema ignorar esse tipo de obra e torcer para que ela seja lançada ao ostracismo rapidamente.

Não se depender de mim. E você, o que acha?

Cotação: * * * * *

7 comentários:

carlos disse...

que dica, andré!
carl sagan lhe dedica uma bela biografia no seu cosmos - dvd & livro.
se nos escritos me indignei pela barbárie de sua execução em 415 pelas hordas cristãs comandada pelo bispo de alexandria, imagino assistindo ao filme.
valeu, cara!

cappacete disse...

Cuidado com o eurocentrismo, os cristãos começaram a exportar suas pragas mundo afora só no século XVI, a essa época, eles dominavam apenas a Europa e partes do norte da África e Ásia. Civilizações mais interessantes se desenvolviam na China e na Índia, e posteriormente surgiria o Islam, que em sue período áureo era bem mais liberal que hoje.
Abs!

ADILSON SANTOS disse...

Esta parte do Post :

" É interessante também como a obra mostra de forma clara o retrocesso que a seita cristã trouxe para o mundo. Se a civilização anterior obviamente não era isenta de falhas (como permitir a escravidão, servir sacrifícios aos deuses e se dividir em castas), é inegável que reservava ao ser humano um papel muito mais nobre e intelectual do que o obscurantismo cego pregado pelo cristianismo"

Constitui , em minha opiniáo ,uma das maiores e mais límpidas constatações da verdade, que já tive oportunidade de ler em qualquer lugar.

É EXATAMENTE AQUILO QUE PENSO .

Já conhecia a história , náo sei se no filme é retratada a forma vil e monstruosa com que os fanaticos da seita dos adoradores da cruz assassinaram a grande matemática Hypatia , mas esta é mais uma das características destes boçais : A covardia .

De qualquer modo , parabéns pelo texto !

Vinícius disse...

Segui a recomendação e vi o filme.

Rapaz, que dica! Hipátia de Alexandria, ela sim, é uma verdadeira mártir... Morreu por ser juramentada a verdade e a ciência.

No fim das contas, Kepler e Copérnico a vingaram. Enquanto isso, a igreja vai indo de mal a pior... hehe

Rodrigo Rocha disse...

André passei para conhecer seu blog ele é notº10, show, muito maneiro com excelente conteúdo desejo muito sucesso em sua caminhada e objetivo no seu Hiper blog e que DEUS ilumine seus caminhos e da sua família
Um grande abraço e tudo de bom

Rodolfo disse...

Pelo que entendo de Historia, a ''escuridao medieval'' foi mais causa das invasoes germanicas, que executaram o decadente imperio romano, do que propriamente do Catolicismo - que apenas se aproveitou e expandiu sua influencia.

Marcos Antonio disse...

Parabéns, André adorei o filme e sua resenha. Este foi o terceiro filme que assisto da tua lista dos 20 melhores filmes de todos os tempo e achei um melhor que o outro. Não gostava muito de filme em razão de só passar os enlatados americanos na TV, mas agora estou aprendendo a gostar de novo. Abraço e muito obrigado amigo!

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