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sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

SUJOU: FOMOS DESMASCARADOS!!

Retardados


Proibido para caretas: 10 maneiras de evitar que o sexo caia na rotina


Intimidade é algo que se constrói em conjunto, no decorrer do tempo. No sexo, via de regra, quanto mais íntimo você se torna do seu parceiro, mais fácil será de lhe dar prazer e agradá-lo, na cama. Quando se conhece perfeitamente os gostos e vontades, os detalhes do corpo, as preferências e segredos do outro, a tendência é que as transas se tornem mais proveitosas.
 
Aquele momento íntimo ao lado da pessoa que partilha do seu cotidiano se torna também um espaço de demonstração de carinho, de afeto. Uma ocasião para desempenhar aquilo que só você é capaz de fazer pelo outro. Uma situação de cumplicidade que apenas vocês dois compartilham. Por isso dizem que sexo com amor é mais gostoso. É verdade.
 
Pena que, assim como tudo mais em um relacionamento, o sexo tende a cair na rotina. O casal descobre que, em certa posição, seus corpos se encaixam melhor e o orgasmo é alcançado com mais facilidade. Então, a tendência é acostumar a fazer sempre daquele jeito. As pessoas se acomodam. Dessa forma, toda a intimidade conquistada com o tempo é capaz de tornar aquele momento de prazer repetitivo e tedioso. Sem novidades, a relação cai no marasmo.
 
Para evitar de estragar esse momento que deveria ser especial em um relacionamento amoroso – o sexo – é importante ser criativo e também proativo. Reconquistar o parceiro a cada dia. Entrar em sintonia, afinar interesses, mas também inovar e trazer uma dose de frescor para o cotidiano do casal. Vamos pensar em algumas ideias para evitar que a transa entre no piloto automático e se torne um ato mecânico?
 
1# Verbalize seus desejos
 
Não tenha vergonha ou receios de falar o que pensa. Não tema errar na dose – faz parte. Afinal, você está do lado de alguém que te aceita como é. Conhecer as taras e fetiches do outro desperta suas próprias vontades. Receber uma mensagem erótica e saber que aquela pessoa te deseja e está pensando em você vai te fazer planejar um encontro voraz. Ouvir, na hora do sexo, aquilo que se passa na cabeça do parceiro, ajuda incitar vontades e também concretizá-las. Por mais estranho que possa parecer sua fantasia, não guarde para você. Divida.
 
2# Desbrave o corpo do outro
 
Cada pedacinho do nosso organismo possui uma sensibilidade diferente. Tente morder de leve a parte fofa da digital dos dedos do seu companheiro, um por um. É uma tática sutil para despertar desejo sexual. Os pés possuem uma série de terminações nervosas que fazem deles zonas erógenas poderosas. Há diversas formas de se tocar nossas partes do corpo e a melhor maneira de saber o efeito de cada tipo de toque e pressão é experimentar. Não negligencie nenhum pedaço do seu corpo. Você pode se surpreender com o efeito da estimulação daquele cantinho aparentemente inofensivo.
 
3# Nunca deixe de aprender (e ensinar)
 
Sexo é um momento de aprendizado. Ao se desnudar, você se torna um objeto de experimentações do parceiro – como um livro aberto. Ao mostrar para o outro aquilo que sabe ou como mais gosta de cada coisa, você permite que ele lhe dê prazer de forma mais efetiva. A troca de fluidos é também uma troca de experiências. Seja professor do seu parceiro, na cama. Puxe suas mãos e sua boca para onde mais lhe apetece. Diga como fazer para te estimular e faça demonstrações. Não deixe de ficar atento para os pontos de maior sensibilidade do outro e seus momentos de mais prazer.
 
4# Dance
 
A dança é um ato sedutor. Quadris femininos têm poderes hipnóticos, quando se movimentam diante dos olhos. O homem também, ao puxar o corpo dela para junto do seu e conduzir seu requebrado no ritmo da música, exerce grande poder de atração com seu bailado. Escolha músicas que mexem com você e coloque-as para embalar o momento do sexo. O compasso do som irá ritmar seus movimentos. Aquela melodia ainda deverá provocar a lembrança dos momentos a dois, posteriormente.
 
5# Explore novos espaços
 
O quarto possui todo o conforto e aconchego ideais para uma boa transa. Mas não dá para restringir o sexo àquele espaço fechado, diante de um mundo tão grande ao nosso redor. A sala tem os sofás macios e as estantes que nos permitem algumas acrobacias. Sentar-se no mármore da cozinha ou se deitar no azulejo do banheiro refresca, em um dia de calor. Terminar uma noitada num quarto de motel com banheira de hidromassagem ajuda a relaxar. Espaços públicos despertam fetiches. O perigo de ser pego é afrodisíaco. Viajar com o seu amor deve incitar o clima de romance. E nada mais romântico que sexo ao ar livre, numa praia deserta ou no meio do mato.
 
6# Assista pornografia a dois
 
Filmes pornô desenvolvem a criatividade na cama. É gostoso de assistir seja juntos ou separados. Conhecer o conteúdo erótico que desperta interesse no seu parceiro é, também, uma boa forma de descobrir aquilo que ele mais gosta. Uma boa maneira de compartilhar fantasias e planejar atividades divertidas na vida sexual a dois.
 
7# Use brinquedos eróticos
 
As mais variadas sensações estão à venda nas prateleiras das sex shops. A cosmética erótica oferece uma gama de sabores e texturas para todos os gostos. Quanto mais produtos você experimentar, mais deverá descobrir formas de se dar prazer e estimular o corpo do parceiro. A indústria do sexo não se cansa de desenvolver novas tecnologias para nos levar ao clímax. Então por que ficar só no dedinho?
 
8# Promova bagunças
 
Convide os amigos ou amigas mais safados para participar da sua vida sexual com seu parceiro, mesmo que ocasionalmente. Se não quiser envolver conhecidos ou não conhecer ninguém que se interesse por sexo grupal, vá ao swing. Baladas comuns também estão cheias de pessoas com a sexualidade aflorada – basta olhar atentamente para achá-las. Aquele casal de amigos desinibidos pode ter o mesmo desejo que vocês de troca de casais. Agora, se você mesmo prefere não dividir seu parceiro, pense em como vocês podem fazer uma boa diversão juntos, por aí.
 
9# Seduza diariamente
 
É possível agradar com pequenos gestos. Uma flor buscada no caminho para a casa dela. Uma fotografia sensual enviada no meio da tarde. Um doce deixado na mesa antes de sair. Olhe nos olhos do outro, quando desejar falar algo mais especial. Ensaie movimentos sedutores e palavras bonitas. Assim o seu parceiro ficará cada dia mais apaixonado por você.
 
10# Faça produções especiais
 
Cuide da decoração da casa para esperar a chegada do seu parceiro. Acenda velas. Prepare um jantar de sabores afrodisíacos. Use perfumes de aromas envolventes, capazes de impregnar nas roupas do outro. As mulheres podem caprichar na lingerie e maquiagem. Fazer depilação total, para variar. Eles podem comprar uma cueca mais bonita, estampada, uma camiseta mais justa, que demarque os músculos. Crie o ambiente e a situação que vai ficar marcada na memória. Seu amor merece um ato mecânico?
 
Sobre a Autora 
Lasciva nunca foi capaz de reprimir sua libido. Então decidiu explorar os aspectos mais íntimos da sua sexualidade e registrar tudo o que a excita em forma de palavras. Elas estão em lasciva.blog.br. Para acompanhar suas perversões diárias, siga-a no Twitter: @_lasciva.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Brombal não gostou

Poucos segundos após postar a matéria abaixo, recebo novo email de "Cruz de Malta Editora" (editoracruzdemalta@gmail.com), o mesmo que foi usado para enviar o link para o "Jornal do Brombal".

O email não está assinado, mas presumo que seja do próprio "jornalista". Confiram:

Pô cara, você está se importando comigo?
Fica na sua, vai dormir.
Quanto aos anúncios, mereço. Meu jornal é bem lido. Muito lido.
Esquerda, direita... desce do palanque, a eleição acabou faz tempo.
Cresce e aprende.
Boa noite

Uma pérola. Dissertemos sobre o texto. 

Pô cara, você está se importando comigo? 
Eu não. Já te mandei algum email?

"Fica na sua, vai dormir"
Ué, mas eu estava na minha. Quem enviou links provocativos para quem? E... "Fica na sua"... será isso uma ameaça velada? Será que ele vai me difamar no jornaleco dele também? Já pensou, que glória? Nem preciso apresentar meu currículo mais. Basta mostrar a página do jornaleco e todo mundo já vai saber automaticamente que tenho caráter. Inclusive, ser for mesmo falar de mim, me procure antes. Sei coisas terríveis ao meu respeito!

"Meu jornal é bem lido. Muito lido"
Sério? Peixe morto lê jornal? Chamem o Discovery Channel!

Na feira do Eloy Chaves, um peixe fica indignado: "Bigardi comprou a Lua
com dinheiro do mensalão? Deve ser verdade, esse Brombal tem credibilidade!"
"Esquerda, direita.... desce do palanque, a eleição acabou faz tempo"
Mas não sou esquerda só em época de eleição. Ou de direita quando me pagam "para fazer maldades" contra adversários políticos. E eleição tem a cada dois anos. A militância nunca para. Um mercenário jamais vai entender isso, afinal, mede todos a partir de sua pobre régua moral.

"Cresce e aprende". 
Poxa, já tenho 1m93 de altura! Tá bom, chega de crescer, já é duro arrumar roupa que me sirva agora, imagine se eu crescer ainda mais! E aprender o que, exatamente? Como fazer "jornalismo de esgoto"? Como ser pago para difamar adversários políticos? Como tentar evitar a decadência editando jornaleco de bairro? Como ter o filme queimado em todo lugar que já passou? Essa é de fundir a cuca.

Mas, para resumir, como diria o Lula:


Esquerda no poder: "jornalista" que era pago para atacar Bigardi também recebe anúncio da Prefeitura

O "jornalista" Anselmo Brombal
Em novembro de 2011 estourou um escândalo em Jundiaí envolvendo um "jornalista" conhecido como Anselmo Brombal.

Ele confessou, em uma gravação, ter recebido dinheiro "do outro lado" para "fazer maldades" contra o então deputado estadual Pedro Bigardi (PCdoB), principal adversário da direita na cidade. 

Brombal edita um daqueles jornalecos de bairro que existem aos montes por aí e servem para embrulhar peixe na feira, chamado "Jornal do Eloy Chaves".

"Um possível esquema de perseguição política maldosa e rasteira será investigado pelo Ministério Público de São Paulo. A vítima, o deputado estadual Pedro Bigardi, protocolou nesta segunda-feira (7) um pedido de apuração junto ao Procurador-Geral de Justiça do Estado, Fernando Grella Vieira. O pivô desta suposta armação é o jornalista Anselmo Boaventura Brombal, que afirma em uma gravação de vídeo ter sido pago para “fazer maldades” contra o então candidato a deputado."

Leia aqui a matéria sobre o escândalo, publicada em meu blog na época.

No vídeo abaixo Brombal explica, todo faceiro, como montava seus esquemas de difamação contra Bigardi com a turma "do outro lado":



Mas, o mundo gira e a Lusitana roda. E nada como um dia após o outro. Hoje, o prefeito de Jundiaí é ninguém menos do que o mesmo Pedro Bigardi, que Brombil atacava em seu jornaleco de bairro.

Hoje eu recebi por email o link da nova edição do "Jornal do Eloy Chaves" e folheando o troço, lá pelas tantas o que eu vejo? Sim, isso mesmo, um anúncio de PÁGINA INTEIRA da Prefeitura de Jundiaí.





Brombal certamente me enviou o link do seu jornal achando que eu ia ficar irritado ao ver a Prefeitura anunciando nele. Vejam como sou importante para essa gente!

Certamente, o diabólico "jornalista" deve ter matutado: "Tá vendo? Você fica aí defendendo esses caras sem ganhar nada enquanto eu, que só coloco no rabo deles, ainda recebo grana da Prefeitura! Kkkkkkkkk!". 

Obs: Kkkkkk = maneira que todo reaça expressa humor no mundo virtual.



Mas, claro, o tiro saiu pela culatra, pois minha única reação foi de orgulho. Sim, orgulho, pois só num governo de esquerda a política de distribuição de anúncios seria rigorosamente igual para todos os veículos de imprensa, sejam eles grandes, pequenos, sérios ou podres.

Claro que algum bobinho vai aparecer aqui e dizer: "Ué, mas não fizeram mais do que a obrigação. Afinal, para fazer anúncios emergenciais sem agência, a Prefeitura é obrigada por lei a publicar em todos os veículos cadastrados".

Ok, isso é verdade. Mas sabe quando essa lei seria respeitada num governo da direita? NUNCA. 

A direita jamais iria pagar anúncios em jornais que fazem oposição ao seus governos. Jamais. Never. 

Poderiam ser processados? Grande coisa. Apenas mais um processo na imensa conta deles.

É isso aí. Agradeço ao Brombal por ter enviado o link do seu jornal. Ajudou-me a comprovar mais uma gritante diferença entre um governo de esquerda e um de direita. 

Aprendam mais uma, coxinhas tucanos-apartidários!

Revolução digital


Funcionária da Câmara e filiada ao PMDB ofende petistas e afirma que Genoínio é "chefe de quadrilha"

Uma tal de Marcia Regina Alves Carneiro postou em sua página pública do facebook, onde se denomina "Marcia Para", uma série de ofensas contra militantes petistas e simpatizantes que doaram dinheiro para ajudar o ex-presidente do partido e atual preso político, José Genoíno, a pagar a multa estipulada pela sua condenação.




Irritada ao ser contestada em suas ofensas, agrediu de forma ainda mais descontrolada, chamando Genoíno de "ladrão", "corrupto" e "chefe de quadrilha".



Até aí, tudo bem. Democracia é assim mesmo. Qualquer um que se informa lendo a capa da Veja pode sair por aí ofendendo e atacando publicamente quem quiser, até, claro, que o tiro acerte o próprio pé.

O que parece ser o caso da moça em questão, pois, detalhes: ela é estagiária da Câmara Municipal de Jundiaí (contratada em 21 de outubro de 2013) e filiada ao PMDB, partido que apoia o PT, não apenas na cidade, como em nível nacional (o vice-presidente do Brasil é Michel Temer, do PMDB). Basta lembrar que o secretário de Saúde da Prefeitura de Jundiaí é do PMDB.


Marcia atua desde outubro como estagiária na
Câmara de Jundiaí, que é presidida por um petista
A moça pedindo votos para a coligação PCdoB e PT
O estranho é que, depois de ser questionada pelas suas ofensas contra petistas, a moça bloqueou várias pessoas e postou um texto dúbio, que para alguns pode soar até como ameça à integridade física, ao que foi prontamente defendida por um adolescente que, até onde eu saiba, é um aguerrido simpatizante do PSDB local:



Então, como fica agora? É normal que uma filiada do PMDB e funcionária da Câmara Municipal de Jundiaí, com pretensões a seguir carreira na política, ataque de maneira chula e grosseira políticos e militantes de um partido que está aliado ao seu em nível municipal e nacional?

Com a palavra os dirigentes políticos locais do PT, PMDB, PCdoB e afins...


Nessa época Marcia já achava que petistas eram "quadrilheiros"?


Diga-me com quem tu andas...

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Geraldo "Opus Dei" Alckmin ataca "Cracolândia" para agradar eleitores nazi-fascistas do PSDB

O mundo na visão de um eleitor do PSDB: viciado ameaça bater
em policial com seu chapéu de palha e é repreendido pelo herói
Eu não entendo por que as pessoas ficam tão surpresas com a ação da polícia do PSDB hoje na "Cracolândia". Vejam, quem vota no PSDB é, prioritariamente, nazi-fascista (por convicção ou por tabela) e vive a partir do mantra "bandido bom é bandido morto". 

Obviamente, todo o eleitorado de Geraldinho "Opus Dei" Alckmin estava indignado com as ações humanitárias da prefeitura sob o comando do PT em favor dos viciados. Eles chamam isso de "bolsa viciado" ou algo do gênero. 

Geraldinho apenas respondeu à altura do que seu eleitorado espera dele: prendeu e arrebentou aquele "bando de vagabundo" em nome dos "homens de bem" da classe média ignara. 

Então, por que a surpresa? Pode ter certeza que as páginas do coxinhas apartidários-tucanos estão todas parabenizando o governador pela forte iniciativa contra aqueles "bandidos drogados"...

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Filmes: "O Segredo do Abismo"

DE TIRAR O FÔLEGO

Edição Especial traz nova versão com as cenas que haviam sido deixadas de fora, inclusive o grande clímax apocalíptico.

- por André Lux, crítico-spam

Bem antes de "Titanic" e "Avatar", em 1989 o diretor James Cameron realizou um filme que dividiu a opinião de críticos e espectadores. 

Enquanto alguns, como eu, adoraram o clima tenso constante e as cenas de ação palpitante, outros o desprezaram pelas idéias aproveitadas de outras produções e, principalmente, por causa da falta de uma conclusão mais impactante e melhor resolvida.

Apesar de ter naufragado nas bilheterias, O SEGREDO DO ABISMO serviu pelo menos como um "divisor de águas" para o cinema de ficção científica.

Primeiro por trazer efeitos especiais nunca vistos nas telas, que exigiram a criação do programa "Morph" capaz de gerar com resultados surpreendentes imagens que se alongam, se distorcem e se transformam (recurso que foi levado à perfeição pelo próprio Cameron em "O Exterminador do Futuro 2" e hoje em dia já virou obrigatório até nas fitas mais banais).

E segundo por ter levado para o fundo do mar situações que até então só haviam sido exploradas em filmes situados no espaço sideral, o que acabou dando à trama um toque bastante palpável. Além de que o tratamento carinhoso e humano dado por Cameron (também autor do roteiro) aos personagens e às situações está longe dos clichés dos filmes de aventura e ficção.

O elenco também é excelente, com destaque para as atuações despojadas e apaixonadas de Ed Harris e Mary Elizabeth Mastrantonio. Muito boa também é a trilha musical de Alan Silvestri ( de "Predador" e colaborador habitual de Robert Zemeckis), principalmente na parte final, fazendo bom uso de coral de vozes naqueles arranjos capazes de arrepiar até o último fio de cabelo.


O compositor Alan Silvestri
Entretanto, o que muita gente não sabe é que a versão de O SEGREDO DO ABISMO lançada nos cinemas ficou muito longe da idealizada pelos seus realizadores. 

O fato é que durante as filmagens, quase todas feitas dentro do reator de uma antiga usina abandonada que foi inundado, ocorreram todos os tipos de atrasos e acidentes (um deles quase provocou a morte do ator Ed Harris) levando atores e equipe técnica à beira de um ataque de nervos. 

Para piorar tudo, simplesmente não havia tecnologia adequada na época para produzir os efeitos especiais exigidos na conclusão. Esgotado e vencido, James Cameron foi obrigado a tomar decisões drásticas: reduziu a metragem em cerca de 30 minutos, eliminando do filme justamente a sub-trama que daria gancho para o final apoteótico. 

Ficaram na sala de montagem então todas as sequências que mostravam o início de um processo de conflito entre várias nações (uma delas a extinta União Soviética, que deixa o filme com aquele ar de "datado"), que fatalmente deflagaria a 3ª Guerra Mundial. Era aí que entraria a mensagem anti-belicista do filme, representada pela interferência de uma "força maior" nos destinos da primitiva e beligerante humanidade.

Esse era o verdadeiro SEGREDO DO ABISMO que ninguém ficou conhecendo e que acaba justificando o fracasso do filme nos cinemas e a reclamação por um final mais coerente e impactante.

Só que agora, graças à nova tecnologia digital disponível, finalmente podemos ter acesso à versão integral do filme de Cameron. Lançada em DVD, a Edição Especial de O SEGREDO DO ABISMO traz, além da versão normal dos cinemas, a nova cópia com todas as cenas que haviam sido deixadas de fora, inclusive o grande clímax apocalíptico.
Cena da "grande onda" que ficou fora da versão original
Mas foi uma tarefa árdua, pois muitas das cenas inéditas não haviam sido masterizadas e já não possuíam trilha sonora com os diálogo ou efeitos sonoros, o que obrigou Cameron a reunir vários integrantes do elenco para regravar suas falas. 

Além disso, as cenas finais da "grande onda" tiveram que ser completadas e finalizadas pela Industrial Light and Magic com tecnologia moderna não existente na época da produção. Todos esse detalhes poderão ser conferidos no excepcional documentário contido no DVD "Under Pressure: The Making Of THE ABYSS", com mais de uma hora de duração.

O resultado dessa verdadeiro trabalho de "arqueologia cinematográfica" é impressionante. O que você assite na tela é simplesmente outro filme. Não melhor ou pior que o original, mas totalmente diferente. Muito mais rico e profundo (e também pretensioso).
Ed Harry descobre o segredo do abismo
A verdade é que se tivesse sido exibido nos cinemas como havia sido originalmente concebido, dificilmente teria fracassado. Afinal, todos nós - tendo ou não gostado da versão original - sentimos uma ponta de decepção por não termos verdadeiramente desvendado O SEGREDO DO ABISMO.

E agora, será que você tem fôlego para mergulhar nessa aventura de novo?

Cotação: ****

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Nada justifica a violência

Não há nada que me irrite mais do que ver gente jovem, principalmente mulheres, dizendo que é normal e correto usar de violência contra crianças para educá-las. 

Quando alguém com a idade da minha mãe ou vó diz isso eu dou um desconto, porque realmente na época delas isso era considerado normal, infelizmente. 

 Porém, hoje em dia não há qualquer desculpa para bater nos filhos a fim de impor limites, até porque o uso da violência é a saída mais fácil para tentar colocar uma criança rebelde nos trilhos. 

E por favor, não me venham falar que "dar umas palmadinhas" ou "chineladas no bumbum" não é violência, porque é sim.

Se você não entendeu ainda, então eu fiz um desenho para ver se cai a ficha:


Filmes: "Blue Jasmine"

TRISTE DECADÊNCIA

Infelizmente, aos 78 anos de idade, Woody Allen insiste em fazer um filme por ano, mesmo sem ter qualquer inspiração

- por André Lux, crítico-spam

Vou ser bem sincero: alguns filmes do Woody Allen foram muito importantes na época em que eu comecei a descobrir a importância do auto-conhecimento e da análise psicológica, principalmente “Hanna e Suas Irmãs”, "Manhattan" e “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”. Até alguns daquela fase pesada dele, em que tentava emular Bergman, me estimularam.

Claro que, depois que a gente passa essa fase do descobrimento e se aprofunda mais nos assuntos, percebe-se que Allen emprega uma psicologia superficial em seus filmes, mas que mesmo assim ainda sobrevivem a uma revisão, principalmente pelo bom humor auto-depreciativo e pelos diálogos rápidos e afiados.

Mas, verdade seja dita, de uns anos para cá, nosso querido Woody não tem mais nada a dizer e fica se repetindo ad nauseun ou então tentando fazer críticas sociais que são de dar pena, de tão canhestras. Dos últimos 10 filmes dele que assisti, o único minimamente memorável foi “Vicky Cristina Barcelona”, muito mais devido às quentes cenas de lesbianismo e ménage a trois entre os protagonistas do que por outra qualidade.

Esse novo dele, “Blue Jasmine”, chega a ser doloroso de assistir. Gira em torno de um ex-dondoca (Cate Blanchett) que perdeu tudo, depois que o marido foi preso por fraudar a Receita, e é obrigada a ir morar com a irmã de classe média baixa. É realmente duro de engolir a pobreza das caracterizações criadas por Allen, todas rasas como uma poça de água e baseadas nos piores estereótipos (ricos são elegantes, finos e cultos, enquanto os pobres são feios, toscos e imbecis).

Com a exceção de Blanchett, que se esforça em dar alguma vida a uma personagem tola, vazia e já à beira da loucura (passa boa parte da projeção falando sozinha no meio da rua), o resto do elenco é pavoroso, principalmente a irmã da protagonista. Alguns críticos chegaram a ver no filme uma "homenagem" ao clássico "Um Bonde Chamado Desejo", de Tennessee William, que foi adaptado para o cinema como "Uma Rua Chamada Pecado" e estrelado pelo genial Marlon Brando. 

Esse é o novo Brando? Sério?
Mas só pode ser brincadeira. Primeiro porque, tirando uma ou outra semelhança, "Blue Jasmine" nada tem a ver com a peça. Não chega nem a insinuar a formação de um triângulo amoroso! E, segundo, porque comparar Brando com o ridículo ator que interpreta o "machão tosco" no filme de Allen é uma piada de mau gosto. Está muito mais para o Joey Tribiani, de "Friends", e olhe lá!

O que dizer do roteiro, escrito pelo próprio Allen? Além de ser chato e repleto de flashbacks inúteis, é ainda cheio de furos e incoerências. Como é que alguém pode fazer uma denúncia ao FBI capaz de levar uma pessoa à cadeia se o filme fez até então um grande esforço para mostrar que ela nada sabia das operações ilegais em questão? E desde quando um machão do tipo "mecânico mulherengo com gumex no cabelo" tem crises de choro e dá piti em público por causa de um simples pé na bunda? E o namorado novo da Jasmine, que acha que ela é uma rica decoradora de interiores e até a pede em casamento sem nem saber onde ela mora? E até parece que uma mulher daquelas, que nem é tão velha e até antes de casar estudava em uma grande universidade, não saberia sequer ligar um computador!

Se o filme ao menos fosse engraçado ou dramático tudo estaria perdoado. Mas que nada. É um porre só, mal feito, repleto de papo furado e pobre em conteúdo. Parece que Allen tentou fazer algum tipo de crítica ou leitura do momento de crise atual que vivem os EUA, onde os pobres e a classe média (como sempre) estão pagando o pato pela orgia neoliberal que tomou conta do país e levou o sistema à ruína. Mas, sinceramente, nem isso fica registrado. É tudo tão canhestro e tolo que não dá nem para analisar o filme por esse prisma.

Enfim, é triste observar a decadência de alguém que foi um dia um grande cineasta, cheio de ideias e com muito a dizer. Infelizmente, aos 78 anos de idade, Allen insiste em fazer um filme por ano, mesmo sem ter qualquer inspiração. Melhor seria dar um tempo e esperar pelas ideias refrescarem um pouco...

Cotação: *

domingo, 19 de janeiro de 2014

PSDB de Jundiaí monitora minha vida privada?

Um dia desses eu estava participando de um debate sobre política num desses grupos do Facebook, quando filiado do PSDB aqui de Jundiaí, um tal de Jonatan Ferraz, fez menção a coisas que eu havia postado de forma privada na minha página. 



Estranhei o comentário, digno da época da guerra fria por sinal, de tão ridículo e batido. Não porque eu tenha nada a esconder, muito pelo contrário, mas sim pelo fato de apenas meus amigos poderem ver minhas postagens e, até onde eu sei, não mantenho amizade com nenhum tucano ou simpatizante aqui da cidade.



Das duas uma: tem algum tucano infiltrado em meu perfil ou então estão invadindo ele de outra forma.

Isso demonstra duas coisas:

1) Tucanos não tem mesmo qualquer escrúpulo e, para tentar derrotar seus adversários, podem apelar para o que existe de mais baixo e vil, inclusive ataques de cunho pessoal chulos na esperança de destruir reputações.

2) Sou uma pessoa muito importante e devo incomodar bastante a tucanada aqui de Jundiaí, para que se deem a esse trabalho todo para me "espionar".

De qualquer forma, já encaminhei as postagens ao meu advogado para que ele analise e me informe se eu devo tomar alguma medida legal em relação ao assunto. Afinal, nunca se sabe. Tem muito maluco por aí metido na política...

Abaixo a reprodução da postagem do tal Jonatan Ferraz onde afirma que é filiado do PSDB e membro da juventude do partido:




sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Colunista da "Veja" é símbolo de uma elite podre


- por Cadu Amaral

A polêmica da vez na mídia e nas redes sociais são os chamados “rolezinhos”. Grupos de jovens da periferia marcam encontros em shopping centers para, como já diz o nome, dar um rolé. 

Isso sempre existiu desde quando começaram a surgir esses centros comerciais pelo país.

A polêmica começou quando um grupo começou a correr em um shopping na cidade de São Paulo. Como toda madame, ao ver um pretinho, já acha que será molestada, logo os “rolezinhos” se tornaram arrastões. Não que organizar correrias dentro de estabelecimentos como esse seja normal, mas criminalizar a juventude negra da periferia por fazer isso, aí já é demais.

Em Maceió, no mês de dezembro do ano passado, poucos dias após começar a polêmica em torno dos “rolezinhos”, um Maceió Shopping, antigo Iguatemi, expulsou um grupo de 15 jovens.

As madames, tanto na capital alagoana como na paulista, logo transformaram aquele grupo em arrastão. A polícia foi chamada e nenhuma irregularidade foi encontrada com algum membro desse grupo.  Eles vestiam roupas de torcida organizada e dentro desse centro comercial tem uma loja de uma das maiores do estado.

Como sempre diante de polêmicas que envolvem acesso dos mais pobres ao que quer que seja, logo surgem todos os tipos de preconceitos. O mais asqueroso foi um comentário feito pelo filho pródigo da madamagem new generation, Rodrigo Constantino.



Ele é economista formado pela PUC do Rio de Janeiro. É do Instituto Millenium e escreve para a Veja. Reparem que sempre que surge um reacionário transpirando ódio de classe ele escreve para Veja. Começou a ficar famoso após destilar esse tal ódio em relação aos mais pobres de forma torpe e baixa.

Ele é tão infantil que acha que ir à Disney é sinal de evolução em relação aos outros seres humanos. Como se inúmeros filhos da classe trabalhadora já não tivessem ido ao parque nos Estados Unidos.

Leiam um trecho do que escreveu do deslumbrado por brioches de padaria fina:

“Não toleram as “patricinhas” e os “mauricinhos”, a riqueza alheia, a civilização mais educada. Não aceitam conviver com as diferenças, tolerar que há locais mais refinados que demandam comportamento mais discreto, ao contrário de um baile funk. São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade, e morrem de inveja da civilização.”

“São bárbaros incapazes de reconhecer a própria inferioridade”, disse Constantino ao se referir a jovens pobres e negros das periferias que querem apenas ter acesso às coisas que o senso comum diz que significam sucesso: bens materiais. Isso é o capitalismo que ele, Constantino, defende.

Mas se vamos falar em inferioridade, temos que lembrar como o Ciro Gomes destruiu toda a sua tese sobre Estado e economia com apenas uma pergunta: Em quê lugar?

Na ocasião, o economista leite com pera, Rodrigo Constantino, defendia a extinção de ministérios para gerar economia de recursos públicos, usou o Ministério da Pesca como exemplo. Sim, o da Pesca que lida com pescadores, gente pobre que vive nas beiras dos rios e mares brasileiros.

Rodrigo Constantino afirmou que as madames dos shoppings são “a civilização mais educada”. Como podem ser educados se leem Rodrigo Constantino?

Esses “rolezinhos” não têm nada de revolucionário ou mesmo é um movimento de protesto, mas se a repressão se intensificar e se espalhar pelo país... Eles querem apenas estar no mundo do consumo, ter acesso às coisas que os ídolos midiáticos vendem todos os dias na tevê: joias, roupas, bonés, relógios. Afinal, no capitalismo isso é sucesso. Ter as coisas. Sistema miserável esse, torna tudo e todos em mercadorias.

Será que a “nata” vai querer o que aconteceu em junho nas ruas dentro dos shoppings?

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Livro denuncia supostas relações espúrias entre Daniel Dantas e Gilmar Mendes

Com 24 anos de carreira, Rubens Valente é um dos repórteres mais premiados do Brasil. Rigoroso na apuração dos fatos, fiel na interpretação dos acontecimentos, construiu uma carreira respeitada no jornalismo. 
Durante mais de dois anos, Valente se dedicou à investigação que resultou no livro “Operação Banqueiro” (462 páginas, R$ 44,90, Geração Editorial), um mergulho nos documentos e bastidores da Satiagraha. 
O subtítulo da obra resume o conteúdo escrito com habilidade e independência: “Uma trama brasileira sobre poder, chantagem, crime e corrupção. A incrível história de como o banqueiro Daniel Dantas escapou da prisão com apoio do Supremo Tribunal Federal e virou o jogo, passando de acusado a acusador”. 
Na entrevista a seguir, Valente fala do papel do então presidente do STF, Gilmar Mendes, na campanha contra a operação policial e a favor de Dantas e desmonta algumas versões mentirosas alimentadas com o único intuito de anular a condenação do banqueiro a 10 anos de prisão por suborno.“Operação Banqueiro” é uma ode à verdade factual e presta um grande serviço à democracia e ao jornalismo.
Na sua longa carreira de repórter, você se lembra de uma operação tão peculiar quanto a Satiagraha?
Rubens Valente: O aspecto mais grave foi a interdição da investigação, a impossibilidade de as autoridades levarem a apuração inteira até o final. Em termos gerais, a regra do jogo do processo penal no Brasil é simples: o delegado aponta evidências, o procurador acusa ou não, o juiz julga. Ao longo do processo, o réu se defende. Em caso de inocência, após o processo o réu pode buscar a punição dos responsáveis por um eventual erro judicial. Mas no caso  da Satiagraha, o delegado foi proibido de investigar e o juiz foi impedido de julgar. O sistema foi brutalmente bloqueado, de modo a não funcionar, a não concluir sequer a apuração inicial. Ao longo de 24 anos como repórter, li e acompanhei algumas dezenas de inquéritos policiais. Mas nunca vi uma inversão de fatores tão dramática e na dimensão deste caso. Eu só posso qualificar o rumo dos acontecimentos como espantoso. Que dizer de um cidadão que não chega a ser julgado, mas em poucos meses passa a acusador em um processo contra o próprio delegado e o próprio juiz que o prenderam? É o sonho de todo investigado. As instituições estão em risco quando um acusado consegue impedir que a atribuição de um fato criminoso seja devidamente apurada até o fim pelos órgãos públicos. O bloqueio da Satiagraha foi um dos principais motivos do meu empenho neste livro, inclusive financeiro, pois todos os gastos, incluindo as viagens a três capitais e cópias de documentos, foram bancados com as minhas próprias economias.
Daniel Dantas não só conseguiu anular na Justiça a operaçao como leis e regras judiciais foram mudadas depois da ação policial, entre elas o uso de algema (a Lei Dantas), que passou a ser disciplinado. De onde provém tanto poder?
RV: Até 2010, o Opportunity sequer constava nas listas de doadores das principais campanhas eleitorais registradas na Justiça eleitoral. Estranho que uma empresa com tantas relações no meio político não tenha colaborado para eleições até aquele ano. Mas certa vez um advogado de Dantas o descreveu como um indivíduo com boas relações com o Congresso, com os poderosos, uma pessoa “que se vira".  De fato, as relações de Dantas com políticos parece ser um traço fundamental na sua trajetória. Mas isso não explica tudo. No livro procurei descrever as relações de amizade e acadêmicas de advogados de Dantas e do banco Opportunity com o ministro do Supremo Gilmar Mendes. Que durante a presidência do STF disse abertamente se opor ao que chamava de abusos do Ministério Público e da Polícia Federal. As coisas se juntaram. Sem Mendes na presidência do Supremo, nem todo o prestígio de Dantas teria sido capaz de reverter o jogo de forma tão espetacular. A alteração de regramentos se deveu ao empenho pessoal de Mendes, que chegou a convocar um “pacto social” e chamar o presidente da República “às falas”. Ele se tornou um ator fundamental no processo de desqualificação da Satiagraha. Partiu do Supremo o vazamento de um relatório, depois desmontado pelos fatos, que sugeria a existência de grampo sobre autoridades do tribunal. E partiu de Mendes a decisão de acolher a tese de que o juiz Fausto De Sanctis havia se “insurgido” contra o Supremo pelo simples fato de ter ordenado uma segunda ordem de prisão contra Dantas. Como se um juiz não pudesse julgar de acordo com sua consciência. A ideia de uma suposta “rebeldia” comoveu outros ministros do STF, que chegaram a falar em “união” em defesa do tribunal. Como se o Supremo fosse um clube no qual os filiados devem “defender” uns aos outros, e não meramente analisar fatos e provas.
A introdução de “Operação Banqueiro” cita excessos e equívocos do delegado Protógenes Queiroz. Essas falhas eram suficientes para anular o processo?
RV: A defesa do banqueiro se aproveitou dessas falhas. Mas o delegado muito mais acertou do que errou. Ele acertou ao elaborar e colocar em prática um plano que levou à documentação da oferta de suborno e à apreensão do dinheiro que seria usado como propina para ele e outro delegado do caso. Foi uma situação arriscada, que ele soube concluir com sucesso. Acertou ao conseguir uma ampla interceptação de telefones e de comunicações por internet com ordem judicial que trouxe evidências importantes para a investigação. Acertou ao não se dobrar às dificuldades do inquérito, que tratava de temas variados e de certa complexidade técnica. Esses méritos, porém, foram ofuscados pela intensa campanha de desmoralização que ele e a Satiagraha sofreram em diversos níveis e por diferentes meios. Seus erros, por mais banais, acabaram amplificados à exaustão. Por quê? Porque ele era a peça mais fraca do inquérito, havia sido abandonado à própria sorte pela sua instituição, a Polícia Federal. Qualquer jornalista com alguma experiência em processos judiciais sabe que todo e qualquer inquérito policial, todo e qualquer, repito, contém certa dose de erros, imprecisões ou conclusões sem rigorosa base nos fatos. Mas o trabalho de um delegado é apenas uma parte do processo. O sistema judicial possui freios e contrapesos que permitem que as opiniões do delegado sejam verificadas por outras instâncias, a saber: o Ministério Público, o juiz e os advogados dos réus. O beabá de um advogado criminalista é descobrir esses erros e, por meio deles, tentar obter alguma vitória judicial, na estratégia de convencer o Judiciário sobre as “ilegalidades” da polícia. O jornalista isento que ler com paciência o inquérito da Satiagraha vai concluir que os erros cometidos pelo delegado ao longo da operação, talvez o principal deles tenha sido pedir a colaboração de agentes da Abin sem um respaldo superior da direção da Polícia Federal, jamais teriam a capacidade de levar à anulação da operação. Em situações normais de temperatura e pressão, seus erros poderiam ser censurados e corrigidos, mas não teriam qualquer repercussão em termos de legalidade.
Ao longo da apuração, você encontrou alguma prova ou indício de que o então presidente do STF, Gilmar Mendes, ou algum integrante do tribunal foi grampeado pela Policia Federal ou pela Abin?
RV: Sob vários pontos de vista (jornalístico, técnico, jurídico e mesmo ético), não é mais possível aceitar que essa suspeita continue a ser veiculada como fato, pois todas as imensas e complicadas investigações desencadeadas por diferentes órgãos públicos jamais localizaram qualquer prova material de grampo telefônico ou ambiental sobre qualquer ministro do STF. Eu cuidei de verificar esse ponto quase à exaustão. Ouvi com atenção e a necessária dose de desconfiança integrantes da Operação Satiagraha, li as conclusões das investigações policiais, vi os laudos do material apreendido. Não há uma linha sequer sobre constatação de grampo contra autoridades do Supremo. Esses são os elementos concretos que integram o processo. Fora disso, só mesmo a paranóia, alimentada por um estranho silêncio das autoridades encarregadas de verificar a existências desses supostos grampos. A Polícia Federal e a Procuradoria Geral da República sabem muito bem que não existe prova alguma dos grampos, mas até hoje, mais de cinco anos depois, jamais vieram a público fazer o desmentido cabal. Nunca prestaram contas das investigações. Esse ato de transparência deveria ter ocorrido há muito tempo, pois instituições e figuras públicas foram colocadas em xeque.
E quanto as supostas ilegalidades cometidas pela Abin?
RV: Li e reli várias vezes os diversos depoimentos e documentos que integram a Satiagraha e o inquérito aberto para apurar a participação da Abin. A única conclusão possível é que a Abin não usurpou o papel de investigação consagrado pela Constituição às polícias. A Abin não interceptou nenhum telefonema, não tomou nenhum depoimento e não requisitou ao juiz do caso nenhuma medida de qualquer natureza. Em suma, os agentes da Abin em momento algum conduziram o inquérito. Por todo o tempo a investigação continuou presidida pela autoridade policial, com a devida fiscalização do Ministério Público e sob os olhares do Judiciário. O papel dos agentes da Abin se restringiu a acompanhar e fotografar alvos nas ruas, ler emails interceptados por ordem judicial, transcrever conversas interceptadas com ordem judicial. Ou seja, era um papel meramente auxiliar. Um trabalho braçal. No pen drive do delegado Protógenes foram apreendidos também documentos em word produzidos por agentes da Abin sobre algumas autoridades. Esses papéis, que incluem dados delirantes e informações de difícil comprovação, jamais foram anexados à Satiagraha. São imprestáveis como prova, tanto que o delegado não os juntou ao inquérito. E foi apenas esse o papel da Abin. Por que a eventual participação de agentes da Abin em certo ponto do inquérito poderia ser capaz de anular a operação inteiraa? Não há uma única participação, nem mesmo lateral, de agentes da Abin no episódio do suborno de dois delegados federais. A alegação de que a mera e pontual ajuda de alguns agentes da Abin em qualquer ponto da investigação seja capaz de anular um processo inteiro é inteiramente risível. É, na verdade, um tapa na cara dos cidadãos brasileiros pagadores de impostos e cumpridores das leis. Os advogados falam na teoria importada dos EUA dos “frutos da árvore contaminada”. Diz a tese que um processo gerado por uma prova ilícita deve ser anulado pelo vício na origem. Ocorre que a participação dos agentes da Abin n Satiagraha nada teve a ver com a origem do processo, foi sempre posterior, e portanto a teoria é totalmente inválida.
Dantas já foi condenado fora do Brasil. Cortes britânicas e norte-americanas se referiram a ele em termos duros e o acusaram de fraude, entre outro crimes. No Brasil, a despeito da anulação posterior (agora em analise no Supremo), ele foi condenado em primeira instancia por suborno. Seu nome também tem sido citado nos principais escândalos da era FHC e Lula. Ele continua, porém, a ser tratado em diversos círculos e por considerável parcela da mídia como um "empresário polêmico". E apenas isso. Pelo seu livro, conclui-se que ele e mais do que polêmico, certo?
RV: Dantas e o banco Opportunity aparecem referidos em diversos escândalos nos últimos anos: grampos do BNDES e as privatizações, caso do extinto banco Banestado, investigação privada da Kroll e a Operação Chacal, CPI dos Correios e o mensalão e, por fim, a Operação Satiagraha. Essa sequência de acontecimentos coloca o banqueiro como um dos principais personagens da história brasileira contemporânea. Tratá-lo como “polêmico” é um resumo pobre e impreciso. Ele foi acusado e investigado não por suas supostas “polêmicas”, mas por fatos e atos que podem e devem ser averiguados.
As relações de Dantas com o PSDB foram retratadas em varias reportagens e livros ao longo das ultimas décadas. "Operação Banqueiro" acrescenta novas e interessantes provas dessa relação umbilical. O banqueiro, por outro lado, sempre se declarou perseguido pelo PT, mas os interesses do Opportunity e do partido se entrelaçam na Satiagraha. Você chegou a buscar explicações para os motivos de os petistas terem saído em apoio ao banqueiro e participarem da força tarefa para desacreditar a operação?
RV: A Satiagraha veio a público em abril de 2008, no mesmo período de intensas negociações entre os fundos de pensão ligados ao PT, a telefônica Oi e o banqueiro com vistas à criação da gigante da telefonia BrOi. Havia um interesse público e manifesto do governo na criação da nova supertele, uma operação que acabou possível após um ato do próprio presidente Lula. Creio que as investigações da Satiagraha chegaram num péssimo momento para os interesses do governo, que queria logo concluir aquela fusão. Isso pode ter contribuído para a extrema má vontade do governo em relação ao inquérito policial. Por outro lado, Dantas havia conseguido se aproximar de petistas históricos. No livro procurei descrever o papel de dois desses petistas no processo de criação da BrOi. Houve um segundo fato: em 2008, a Polícia Federal havia incomodado muitos interesses de políticos de vários partidos, incluindo petistas e integrantes da base aliada. E a “tolerância” do PT e do governo em relação à PF havia chegado ao ponto máximo um ano antes, quando uma equipe de policiais invadiu a casa do irmão de Lula na Grande São Paulo. Por sua vez, Lula havia superado, do ponto de vista da sua imagem diante o eleitorado, o trauma da acusação do mensalão, e não estava tão dependente das ações espetaculares da polícia, que davam ao governo um discurso anti-corrupção.
Dantas recorre a uma teoria conspiratória para se defender. Diz-se vitima da união de interesses políticos e econômicos de integrantes do PT, seu desafeto Luis Roberto Demarco e a Telecom Italia. Ele tem usado esse argumento para tentar influenciar processos contra ele no Brasil.  Nos últimos anos, ele e seus advogados se referem a um inquérito em Milao que investigou e puniu funcionários da Telecom Italia por espionagem. Esse inquérito sempre é evocado em diversos processos pelo Opportunity. Ao longo de sua pesquisa, encontrou alguma evidência dessa conspiração ou alguma relação entre os processos no Brasil e a investigação italiana?
RV: Tive acesso e verifiquei milhares de páginas que integram a investigação realizada na Itália, incluindo os extensos depoimentos dos principais envolvidos. Como digo no livro, o Opportunity enfrenta sérias e talvez incontornáveis dificuldades para demonstrar uma prova objetiva sobre a alegada corrupção de autoridades do Brasil por funcionários da Telecom Italia de modo a “perseguir” o banco brasileiro. Até o momento, essa hipótese não passa disso, uma simples suspeita sem confirmação. Nos autos há apenas referências indiretas e imprecisas. Mas os advogados do Opportunity passaram a manobrar esse fantasma para relacionar a investigação no Brasil à outra da Itália, exigindo que uma acusação só fosse investigada depois da outra. É como se um motorista atropelasse alguém na rua e, quando encontrado pela polícia, alegasse ao juiz: “Lá na Itália uma pessoa disse que esse delegado que me prendeu aqui está me perseguindo. Então eu só posso ser acusado do atropelamento se antes vocês investigarem esse delegado”. É um argumento juridicamente absurdo. Mas que ganhou guarida em variados meios.
No relatório da Satiagraha, Protógenes Queiroz dedica um capitulo às relações de Dantas com a mídia. Como você definiria essa relação?
RV: O foco do meu livro são as provas, acusações e explicações do caso Satiagraha e não o papel da mídia, embora ela seja um personagem presente em toda a narrativa. Eu também entendi que o debate sobre o papel da mídia na cobertura da Satiagraha havia sido extenso e intenso na internet, por meio de blogs e sites e outras publicações, como CartaCapital, que remaram contra a maré, e por isso eu não precisava gastar páginas que poderiam ser usadas para avaliar outros aspectos do caso. Mas ao longo do livro eu procurei demonstrar diversas imprecisões e enganos divulgados pela mídia que acabaram por ajudar as posições do Opportunity. Outro aspecto notável foi ver que boa parte da mídia não viu nenhum problema na paralisação e anulação do caso Satiagraha, considerando-os fatos quase rotineiros, mas que de banais nada tinham.

Dúvida cruel: quem é de esquerda não pode ter um iphone?

E se tiver a foto do Che como fundo de tela, aí pode?
Confesso que não sabia bem o que era um iphone até ouvir esse tipo de frase de efeito: “é comunista/socialista, mas usa iphone”. Só então descobri que era uma marca comercial específica de smartphone, que não é a mesma coisa que um ipod.
Descobri isso graças à wikipedia, uma enciclopédia virtual construída por cooperação voluntária, usando um computador fabricado por alguma empresa capitalista, mas inventando em universidades públicas, através do sistema operacional Linux, software livre, produzido por cooperação voluntária, acessando a internet, rede de comunicação criada no setor público militar dos Estados Unidos, e das redes de telecomunicação via satélite, uma invenção soviética. 
No dia em que fiz essa descoberta sobre smartphones e ipods, comi três refeições de alimentos produzidos pela agropecuária, uma invenção das comunidades tribais neolíticas. 
Tenho certeza que vários produtos que utilizei hoje tem origens heterogêneas, em culturas capitalistas, socialistas, feudais, escravistas, camponesas, nômades, etc, originadas em uma, aperfeiçoadas em outras, e assim por diante.
É praticamente impossível mapear a origem da técnica e o processo econômico pelo qual passaram os produtos que eu utilizo no meu cotidiano. Pelo meu conhecimento histórico e sociológico, presumo que algumas coisas que consumo passam, em pelo menos um elo da produção, pela devastação ecológica e trabalho escravo ou precário. Alguns são de grandes marcas, outros de pequenos produtores, alguns de cooperativas.
O que eu nunca fui capaz de descobrir é qual é a contradição entre ser de esquerda e usar algum produto tecnológico. Pessoas de mentalidade conservadora/direitista pensam saber o que é ser de esquerda e poder ensinar para quem é de esquerda o que significa sê-lo. 
E o que parece se depreender de uma postura de esquerda coerente, segundo os reacionários, é ser um eremita. Afinal, nada melhor para a direita se toda a esquerda fosse morar em comunidades hippies ou em Cuba. Os ricos respirariam aliviados, pois seus inimigos não criariam problemas gravíssimos, como denunciar injustiças e participar de mobilizações populares.
Não direi que estão completamente incorretos em algumas críticas. Não sou extremista. É realmente “feio” alguém da esquerda anticapitalista ter um comportamento consumista, fazendo questão de esbanjar riquezas e acumulando coisas desnecessárias.
Muito pior que isso, no entanto, é defender abertamente e incentivar o consumismo individualista e desenfreado como privilégio de alguns bem-nascidos, estigmatizando quem sofre com baixos salários ou desempregado como “vagabundos” e coisas semelhantes. É muito mais “feio” naturalizar desigualdades extremas, patrimônios exorbitantes e exclusão social. Porque aí não se trata apenas de um comportamento privado “feio”. É também o comportamento público horrendo. É uma conduta integralmente perversa.
Uma parte importante da esquerda busca uma reforma dentro dos limites do capitalismo, para redução das desigualdades, exclusão e exploração mais extremas. Outros tentam ir além, procurando meios de superação do modo de produção capitalista. A questão chave é a redistribuição dos produtos e meios do trabalho que se encontram concentrados nas mãos, principalmente, de quem não trabalha, mas é proprietário do capital.
De uma perspectiva de esquerda, ou seja, do igualitarismo social, não há lugar para repúdio à tecnologia, apenas as suas funções e usos numa sociedade injusta. Não condenamos todo e qualquer uso da energia nuclear, se denunciamos o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki como um ato genocida. A energia nuclear tem muitos usos pacíficos. Da mesma forma que os iphones e ipods provavelmente tem outros usos, além da ostentação consumista.
O problema para a esquerda não é a tecnologia dos ipods e iphones, é a falta de acesso universal à alimentação, moradia, vestuário, transporte coletivo, educação, saúde, aposentadoria e trabalho digno. E também a cultura e meios de comunicação. É a existência de uma ínfima minoria riquíssima, em contraste com grandes massas relativa ou absolutamente pobres e desamparadas.
O que impõe limites à difusão dos ipods e iphones não é a esquerda. É o planeta. Os recursos são limitados, e a generalização de um padrão de consumo como o dos estadunidenses (que são pouco menos de 5% da população mundial e concentram 25% da renda, além de consumir 30% do petróleo), exigiria quatro planetas. Aí é que há limitação legítima do consumo: pela sustentabilidade ecológica de longo prazo. É por isso que melhorar e expandir o transporte coletivo e ciclovias é preferível a universalizar o casso pessoal. Em qualquer um desses casos, trata-se de uma questão coletiva, objeto de políticas públicas, e não de escolhas privadas.
Isso significa que o homem ou mulher de esquerda, como já disseram muitos reacionários, deveria doar sua renda individual? Esse ato seria indiferente. Não é raro que o esquerdista que siga esse conselho seja em seguida acusado de demagogo…
Parece que é impossível a pessoa de esquerda ser coerente, não acham? Na verdade, a filantropia é uma escolha privada. A opção pela esquerda é política, diz respeito a decisões de alcance coletivo, e, primeiramente, ao modo de governar e utilizar o Estado.
A economia capitalista certamente não funcionaria caso todos os ricos fossem adeptos da total filantropia, e escolhessem viver com uma renda equivalente a um salário modesto, dividindo todo o resto. Afinal, quem trabalharia para produzir a riqueza?
A esquerda não defende a filantropia, que é uma escolha privada, possível apenas para quem já tem muito mais do que precisa. A filantropia se baseia uma relação de dependência entre o doador e o beneficiário. Às vezes o filantropo tira maior benefício para si deste ato, pois adquire prestígio e influência (e em muitos casos, consegue esconder a sonegação de grandes somas). A esquerda promove a solidariedade, que é a ajuda mútua entre iguais, e políticas públicas, ativas e coativas de redistribuição de renda.
Sim, coativas. Um imposto de renda progressivo é coação. Qualquer imposto é coercitivo – então que ao menos seja justo. Esse imposto arrecadado deve ser direcionado para um investimento social eficiente, que beneficie aos mais pobres (Bolsa-Família, reforma agrária, etc) ou a todos (educação e saúde públicas, transporte coletivo, etc).
Antes que digam que isso é um atentado à liberdade, gostaria de lembrar que a propriedade privada é tremendamente coativa. A propriedade privada é exclusiva: o bem é apropriado por um, que faz dele o que bem entender, quando é excluído do usufruto de todos os outros. Grande parte da violência policial e encarceramento é repressão aos crimes contra a propriedade privada. Grande parte da criminalidade de rua é tentativa de obter propriedade privada por meios ilegais. Qual liberdade proprietária tem o miserável, que nada tem para si? 
A liberdade individual do pobre é ser escravizado pela necessidade. Uma redistribuição de riquezas desigualmente distribuídas é a maior promoção da liberdade, pouco importando que seja realizada mediante coerção política e jurídica.
Ser de esquerda, portanto, não é ser contra qualquer tecnologia X por ter sido inventada numa sociedade capitalista, feudal ou escravista, mas, pelo contrário, lutar pela socialização dos benefícios do progresso tecnológico. E desde que (re)descobrimos a finitude dos recursos do planeta, de um modo que não comprometa o futuro dos nossos filhos, netos e bisnetos.
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