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domingo, 16 de outubro de 2011

Filmes: "Fuga de Los Angeles"

SNAKE IS TRASH

A gente até tenta gostar, mas chega um certo ponto que só nos resta desistir e rir de toda ruindade.

- por André Lux, crítico-spam

Não deu certo essa tentativa do diretor John Carpenter e do astro Kurt Russel em trazer de volta o personagem Snake Plissken do cult "Fuga de Nova York". 

Realizada com 15 anos de atraso, o que deveria ser uma continuação dos eventos narrados no primeiro filme acabou virando uma mera refilmagem, com o protagonista repetindo os feitos que realizou anteriormente. 

Só que agora em Los Angeles que, assim como Nova York, também virou uma prisão de segurança máxima.

O problema básico de "Fuga de Los Angeles", além do roteiro clonado, é que não foram capazes de recriar o clima do primeiro filme, nem visualmente muito menos no tom da narrativa. Se os méritos de "Fuga de Nova York" eram justamente a capacidade que Carpenter e sua equipe tiveram para disfarçar o baixo orçamento com uma fotografia escura e cheia de contrastes, um roteiro enxuto, efeitos especiais realistas e personagens críveis, aqui foram na direção oposta.

Tendo um orçamento bem mais generoso ao seu dispor, Carpenter optou por uma aproximação exagerada, beirando a histeria, em clima de sátira e auto-referência, esquecendo que Snake Plissken sempre foi cult, mas nunca foi popular. Isso quer dizer que o slogan do filme, "Snake Está de Volta!", certamente deixou a maioria das pessoas coçando a cabeça, sem saber o que aquilo queria dizer.

Além disso, os realizadores cometem outros pecados, como optar por uma direção de fotografia (de Gary B. Kibe) clara e desprovida de profundidade que deixa o filme com um ar totalmente falso e sem a menor chance de provocar algum suspense. 

Apesar de Kurt Russel ainda estar bem na pele de Snake, só isso não é suficiente para salvar o filme, já que as situações em que ele se encontra são geralmente absurdas demais e, por vezes, ridículas (como ele tendo que jogar basquete sozinho para não ser morto ou surfando em um maremoto!). Nem engraçado o filme consegue ser, apenas constrangedor. 

Bons atores como Steve Buscemi, Peter Fonda, Stacy Keach, Bruce Campbell e Pam Grier (como um travesti com voz de zumbi) são desperdiçados em personagens sem o menor carisma ou caricatos ao extremo.


Kurt Russel e Peter Fonda surfando numa "nice"
Esse é o tipo de filme que a gente até tenta gostar por causa de todos os envolvidos na produção, mas chega um certo ponto que só nos resta desistir e perceber os efeitos especiais capengas, os diálogos embaraçosos e as atuações canhestras. 

Ao menos Carpenter imprime à narrativa uma boa dose de humor corrosivo contra os políticos de direita de seu país na figura do presidente dos EUA (Cliff Robertson) o qual, no filme, é um fanático religioso que previu o terremoto que devastou Los Angeles e, por causa disso, ganha plenos poderes para alterar a constituição de seu país e decretar uma série de medidas que restringem a liberdade dos cidadãos - nesse sentido acabou sendo premonitório ao governo de George Bush Junior.

É uma pena que Snake tenha voltado de maneira tão lamentável. E o fracasso retumbante do projeto acabou frustrando os planos de fazerem mais uma seqüência, que seria intitulada "Fuga do Planeta Terra". 

Melhor mesmo rever o original ou então entrar no clima de trash e dar risada de toda aquelas pessoas e situações ridículas que colocaram o pobre Snake no meio...

Cotação: * 1/2

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