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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Filmes: "Star Wars: Os Últimos Jedi"

NEGÓCIO ARRISCADO

Novo filme de “Star Wars” ousa seguir caminhos diferentes e provoca a fúria dos fãs mais conservadores

- por André Lux, crítico-spam


Não deve estar nada fácil a vida dos responsáveis pela continuidade da franquia Star Wars tanto na Lucasfilm, quanto na Disney, agora que a criação de George Lucas adquiriu ares míticos e gera um fanatismo inacreditável entre muitos apreciadores. O filme anterior “O Despertar da Força”, sétimo capítulo, foi bem recebido pela maioria e fez grande sucesso, porém recebeu muitas críticas por ter trilhado caminhos fáceis demais e foi acusado de basicamente refilmar o episódio IV, “Uma Nova Esperança”. O que não deixa de ser verdade.

Chega agora aos cinemas a esperada continuação “Star Wars: Os Últimos Jedi” e as reações tem sido basicamente de amor e ódio. Eu confesso que tive que ver o filme duas vezes (a primeira assisti em cópia dublada e com minha filha pequena junto, o que me impediu de prestar a atenção em muitas passagens) para finalmente formar minha opinião (vejam aqui o vídeo que gravei logo após a primeira exibição). E agora posso dizer em alto e bom som que o filme é muito bom! E totalmente fora do que todo mundo esperava!

E esse é o principal fato que muitos fãs não estão conseguindo entender e que vem gerando tanta fúria. O roteirista e diretor Rian Johnson, do qual vi apenas “Looper” um filme que considero fraco, recebeu carta branca para criar este novo episódio da forma que achasse melhor e ele ousou e fez um negócio extremamente arriscado. “O Despertar da Força”, que recebeu críticas por ser reciclagem dos anteriores, levantou um monte de bolas no ar que serviram para gerar centenas de conjecturas e teorias entre os fãs, a maioria relacionadas aos personagens Rey, Luke e Snoke. Mas o senhor Johnson meio que deu uma banana para tudo isso e criou algo completamente novo e inesperado, fugindo do óbvio e ignorando por completo as “fan theories”. Em alguns momentos ele parece estar literalmente "trollando" esse pessoal! Reparem por exemplo que em nenhuma parte do filme acontece um duelo de sabres de luz!

Por causa disso deixou todo mundo coçando a cabeça sem entender direito o que havia visto e provocou reações extremas de fúria entre muitos apreciadores, vários dos quais reclamaram das obviedades do filme anterior. Em termos de estrutura e temática, “Os Últimos Jedi” é bastante semelhante a “O Império Contra-Ataca”, o quinto episódio e considerado o melhor pela maioria absoluta. Assim como aquele, o novo filme é um tratado sobre o fracasso, algo que é inclusive destacado na fala de um dos personagens da série original que reaparece aqui em uma ponta.

Todavia, o que a maioria esquece é que “O Império Contra-Ataca” não fez tanto sucesso quanto os outros filmes na época. Eu, por exemplo, vi o primeiro, “Uma Nova Esperança”, quando tinha oito anos de idade três ou quatro vezes no cinema, algo praticamente épico num tempo em que não existiam shopping centers e você tinha que arrastar seus pais para as salas que ficavam no Centro da cidade. Já “O Império” eu vi apenas uma vez e meio que apaguei da memória devido ao trauma causado principalmente pela revelação sobre Darth Vader ser o pai do Luke e pela surra que os rebeldes tomam do Império. Algo completamente oposto do clima otimista e festivo do anterior. Não estou comparando os filmes, apenas dizendo que existem muitas semelhanças entre eles, inclusive a reação dos espectadores.

Por isso que consegui apreciar melhor “Os Último Jedi” apenas durante a segunda exibição, quando já tinha jogado minhas expectativas pela janela e o senti pelo que ele é. Só que mesmo durante a primeira sessão eu achei o filme muito bem feito e divertido, embora apresente muitas falhas e furos no roteiro. Mas em momento algum senti vergonha como aconteceu durante os infames episódios I, II e III, especialmente “A Vingança dos Sith” durante o qual me contorci em agonia durante quase toda a exibição.




Um dos pontos altos do novo filme, como é de costume em Star Wars, é a trilha musical do mestre John Williams que reusa vários temas dos filmes antigos de forma fabulosa (principalmente o da Princesa Leia), levantando o nível geral de qualidade e gerando emoção na medida certa até em momentos que seriam piegas sem sua música sensacional. Nada mal para um senhor de 85 anos que continua exibindo o mesmo vigor e criatividade de sua juventude! 


Interessante também que “Os Últimos Jedi” assume uma veia totalmente anti-capitalista durante a sequência do Cassino de Canto Bigth, onde magnatas torram rios de dinheiro ganho com a venda de armas para a Primeira Ordem e a Resistência, lembrando que guerras são o negócio mais lucrativo em qualquer sistema estelar. 

Star Wars sempre foi, obviamente, antissistema e pró-democracia, afinal Luke Skywalker nada mais era do que um Che Guevara espacial que pegava em armas para derrotar a ditadura do Império (que sempre foi inspirado em Hitler e no nazismo). Chega a ser cômico ver fãs de Star Wars que seguem ideologias de direita e fascistas até. Não cai a ficha de jeito nenhum para algumas pessoas, infelizmente...

Enfim, se você não gostou do filme da primeira vez, vá ver de novo com a mente aberta e sem expectativas. Garanto que terá uma experiência totalmente diferente. E se não viu ainda... o que está esperando?

Cotação: * * * * 1/2

2 comentários:

Anônimo disse...

Eu sempre acrescento às analises minhas o aspecto comportamental, no caso, a vaidade dos diretores. O vii parece Abrams querendo mostrar como o iv devia ter sido, assim como Rian parece estar a jogar na cara do outro a reciclagem que ele fez. Sou contra esse jogo de vaidade e claramente prejudica o produto final. Admirei-me muito quando Lula elogiou um paradigma dos militares e disse que ia adotá-lo, num clima de não revanchismo. O Rian podia ter dado o recado dele sem jogar YoDas as expectativas dos fãs no lixo, você não acha?

André Lux disse...

Nada a ver seu comentário. Discordo totalmente.

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