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terça-feira, 31 de julho de 2007

DVD: "A Vida de Brian", do Monty Python

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ANARQUISTAS, GRAÇAS A DEUS!

Obra-prima do Monty Python ridiculariza o fanatismo religioso, a arrogância imperialista e a incapacidade das "esquerdas" de se unirem em torno de um objetivo comum

- por André Lux, crítico-spam

"A Vida de Brian" é sem dúvida a obra-prima do grupo Monty Python. Uma sátira destruidora que atira para todos os lados e não erra o alvo (quase) nunca.

O filme tem como pretexto narrar a trajetória de Brian (Graham Chapman), um pobre coitado filho de uma judia que foi "enganada" pelo centurião romano Nojentus Maximus. 

Brian é contemporâneo de Jesus Cristo (que é visto apenas em um plano inicial em um de seus sermões da montanha), entra para um grupo revolucionário que deseja expulsar os romanos, acaba sendo confundindo como mais um messias religioso e passa a ser perseguido a contragosto por centenas de discípulos até ser crucificado.

Na verdade, os focos principais da gozação dos seis ingleses, que se revezam em múltiplos papéis na tela e ficaram famosos com o show televisivo "The Monty Python Flying Circus" nos anos 60, são o fanatismo religioso, a arrogância dos imperialistas e a incapacidade das ideologias ditas de "esquerda" de se unirem em torno de um objetivo comum. 

O filme ganha contornos ainda mais atuais se pensarmos no governo petista de Lula, o qual é muitas vezes atacado com mais ferocidade por outros partidos que, no fundo, lutam pelos mesmos objetivos do que pelos seus próprios adversários ideológicos!

Em uma das cenas mais emblemáticas do filme, o líder da "Frente dos Povos Judáicos" afirma categoricamente a um atônito Brian: "Só existe uma coisa que odiamos mais do que os romanos - a maldita Frente Popular Judáica" e em seguida cita todos os outros grupos revolucionários, inclusive o dele mesmo! 

Já em outra seqüência não menos demolidora, dois grupos se esbarram em frente aos aposentos de Pilatus com o mesmo plano de seqüestrar a esposa do governante invasor. Irritados com a coincidência e já em pé de guerra, são alertados pelo mesmo Brian:

- "Irmãos, não deveríamos nos unir para enfrentar o inimigo comum?"
- "A Frente Judáica Popular!", bradam todos, em êxtase.
- "Não... os romanos..."
- "Ah, é..." Um guarda passa na porta e eles se escondem. Passado o susto dizem: "Onde estávamos mesmo?" - e partem para a porrada até serem todos mortos ou capturados pelos guardas. Não é preciso dizer mais nada, não?

É impossível não rir com a quantidade infinita de piadas e situações inacreditavelmente absurdas inventadas pelos anarquistas do Python - Brian chega até a participar de uma batalha espacial! 

E a cena em que Poncius Pilatus (interpretado com a língua presa por um impagável Michael Palin) tenta convencer seus centuriões que tem um amigo chamado Bigus Dikus (Pintus Imensus) é de fazer qualquer mortal chorar de tanto rir! Os imperialistas romanos, como não poderia deixar de ser, são sempre mostrados como figuras inéptas e prontas a serem ridicularizadas por todos do alto de sua arrogância e presunção.

É óbvio que, por causa desse conteúdo provocativo e contestador, "A Vida de Brian" sofreu e sofre até hoje ataques do tipo "não vimos e não gostamos" de grupos religiosos e extremistas (tanto de direita quanto de esquerda), que no fundo só ajudam a comprovar e reforçar ainda mais o caráter satírico da produção. 

Mas, esqueça os intolerantes que acusam o filme de ser anticristão, pois ele é somente uma comédia escachada que brinca sem pudores com assuntos polêmicos sem nunca ser desrespeitoso com qualquer religião.

É importante ressaltar que os Python tinham pleno domínio cênico e eram capazes de construir cenas tecnicamente muito bem feitas, inclusive aquelas que tinham a deliberada intenção de parecerem toscas ou ridículas. 

Não é à toa que o filme "A Vida de Brian" foi eleito a melhor comédia de todos os tempos pelos ingleses. É simplesmente antológico!

Cotação: * * * * *
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segunda-feira, 30 de julho de 2007

Abaixo a hipocrisia: Minha contribuição ao "Cansei"

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Clique nas figuras para vê-las em tamanho real.

MODELO "D'URSO, PONTA
DE LANÇA DO TUCANATO"



MODELO "DÓRIA JR, O
TERROR DAS DONDOCAS"


MODELO "CIVITA, O FARAÓ
DA EDITORA ABRIL"


MODELO "GOLPISTAS UNIDOS
JAMAIS SERÃO VENCIDOS!"


Aceito novas sugestões...
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"Cansei": Marcha da elite racista fracassa

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- por André Lux, cansado de hipócritas

Como era de se esperar, a passeata organizada pelos representantes da minoria racista e elitista, que há séculos depreda o Brasil para poder comprar mansões em Miami e carrões de luxo, fracassou.

Nem 200 gatos pingados participaram da marcha, embora a mídia podre inventou que apareceram mais de 6.500 "cansados" - certamente devem ter contabilizado também a turma que "protestou" de dentro dos bares e dos malls do Jardins e da Barra da Tijuca.

Mas, sejamos compreensivos. Ontem fez um puta frio e esse negócio de participar de passeata é coisa de pobre, convenhamos! Nem mesmo para exibir o novo casaco de peles contrabandeado e comprado a peso de ouro na Daslu ou o boné de grife vale a pena enfrentar temperaturas tão baixas e longos passeios a pé no meio da rua...

Enfim, como qualquer pessoa que tenha um mínimo conhecimento de história e sociologia, essa movimento "Cansei" nada mais é do que a reedição da infame "Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade", organizada pela mesma elite podre e encampada pela classe média estúpida e alienada às vésperas do golpe militar de 1964, que jogou o Brasil num período de 21 anos de trevas, torturas e arbítrio.

Não vou perder meu tempo falando o que penso desses canalhas, até porque gente muito mais sábia que eu já está dizendo tudo que há para ser dito. Reproduzo abaixo novo texto do brilhante Jornalista Mino Carta que novamente desmascara as intenções desse pessoal hipócrita e falso-moralista.

A Marcha

- por Mino Carta

Estamos às vésperas do retorno da Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade. Agora passa a se chamar Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros. Trata-se de uma fórmula mais elaborada, mais complexa, mas os objetivos são os mesmos.

O movimento foi lançado pela OAB de São Paulo, e conta com o respaldo de figuras importantes da Fiesp e da Associação Comercial paulista, e com a divulgação de televisões e rádios, por ora não melhor especificadas.

A idéia inicial faísca no escritório de João Dória Jr., o Iconoclasta Mor, aquele que destruiu a pauladas o monumento dedicado a Cláudio Abramo, o grande jornalista, em uma pracinha do Jardim Europa. Ali desceu o Espírito Santo, e iluminou os primeiros carbonários da grana, unidos em torno do slogan: Cansei.

Uma campanha publicitária, oferecida de graça por Nizan Guanaes, gênio da propaganda nativa de inolvidável extração tucana, mais badalado entre nós do que George Clooney no resto do mundo, insistirá em peças destinadas a expor o pensamento dos graúdos envolvidos: "cansei do caos aéreo", "cansei de bala perdida", "cansei de pagar tantos impostos".

É do conhecimento até do mundo mineral a quem esses valentes senhores atribuem a culpa por os males que denunciam: nem é ao governo como um todo, e sim ao Lula, invasor bárbaro de uma área reservada aos doutores. Mas o presidente da OAB paulista, certo D'Urso, diz que o movimento não tem conotação política.

Enquanto isso, às sorrelfas, o pessoal pede instruções aos mestres. Alguns ligam para Fernando Henrique Cardoso, outros para José Serra. São os derradeiros retoques da tucanização da elite brasileira, a mesma que sentou-se em cima de um tesouro chamado Brasil e só cuidou de predá-lo, com os resultados conhecidos.

Incompetência generalizada, recorde mundial em má distribuição de renda, baixo crescimento, educação e saúde descuradas até o limite do crime, miséria da maioria etc. etc. Acorda Lula, chama o teu povo.

Não deixem de ler também a entrevista do ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo o qual, embora seja assumidamente de direita, não mede palavras para destruir essa turma que só contribui para o atraso do país.

"Cansei" é um termo usado por dondocas enfadadas por vidas enfadonhas, diz Lembo

O ex-governador de SP lamenta que a dor causada pelos acidentes aéreos da TAM e da Gol seja utilizada por "movimentos e atividades com claro objetivo político ainda que tentem escondê-lo ou apesar de o negarem", e diz que o movimento "Cansei" é "conduzido por figuras conhecidas que sempre possuíram e possuem uma visão elitista do país e da sociedade".

Leia a entrevista completa de Lembo clicando aqui.


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sexta-feira, 27 de julho de 2007

"Cansei!" Mino Carta ridiculariza movimento da elite

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Ninguém melhor do que o ilustre jornalista Mino Carta para ridicularizar com a devida propriedade o movimento "Cansei", que tem como um dos "líderes" o engomado João Dória Jr... Leia e lave a alma!

Cansei

Ah, a indignação dos nossos graúdos... Não se indignaram com a criação de um Estado que pretendia ser liberal sem sê-lo e da construção de uma democracia sem povo. Não se indignam com o fato de que apenas 5% da população brasileira ganhe de oitocentos reais para cima.

- por Mino Carta

Estou empolgado com o movimento “Cansei”, “que pretende expor a indignação dos brasileiros em relação à crise aérea, a violência e outros problemas do País”. Nasce da aliança entre o presidente da OAB de São Paulo, Luis Flavio Borges D’Urso (na charge abaixo), e do “organizador de eventos”, João Dória Jr. (na foto à direita), aquele rapazola de cabelo engomado que consegue obrigar a fina flor do empresariado a vestir os trajes de Indiana Jones para participar de tertúlias promovidas em lugares aprazíveis.

Representantes da Fiesp e da Associação Comercial de São Paulo compareceram ao lançamento do movimento, hoje de manhã, na sede da OAB paulista. Ah, a indignação dos nossos graúdos... Não se indignaram com a criação de um Estado que pretendia ser liberal sem sê-lo e da construção de uma democracia sem povo. Não se indignam com o fato de que apenas 5% da população brasileira ganhe de oitocentos reais para cima.

Impassíveis, transitam diante das favelas na cidade que ostenta a maior frota de helicópteros do mundo. Ou, por outra, não se indignam com seu próprio comportamento, anos, décadas, séculos afora.
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terça-feira, 24 de julho de 2007

DVD: "Wood & Stock - Sexo, Orégano e Rock'n'roll"

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COISA DE DOIDO, MEU!

Morra de rir com as trapalhadas dos hypies Wood e Stock e de mais um monte de personagens que pulam diretamente das páginas da Chiclete com Banana para a tela.

- por André Lux, jornalista e crítico-spam

É uma delícia esse desenho animado dirigido por Otto Guerra, fielmente baseado nas tirinhas em quadrinhos do Angeli. Talvez para os fãs mais ardorosos, que sabem de cor e salteado todas as piadas, o filme perca um pouco da graça já que reproduz quase na íntegra o que já foi lido nas revistas.

Mesmo assim, não há como não rir das trapalhadas aprontadas pela dupla de hypies jurássicos Wood e Stock (ambos totalmente perdidos no mundo atual de consumismo sem sentido e ausência de ideais) e por mais um monte de personagens que pulam diretamente das páginas da saudosa Chiclete com Banana para a tela. Entre eles, Rê Bordosa, Rampal, o Paranormal, Rhalah Rikota, os Escrotinhos, Mara Tara e os revolucionários-utópicos Meiaoito e Nanico. Até o Bob Cuspe dá o ar da graça rapidinho.

Toda essa turma da pesada está unida por um fiapo de história que começa com Stock indo morar no apartamento do Wood depois que o pai morre e ele fica sem mesada. A novidade estressa Lady Jane, a transcendental esposa do maluco-beleza, e ela resolve fazer um retiro espiritual com o guru Rhalah.

Abandonados à própria sorte, sem comida ou qualquer noção de higiene, os dois bichos-grilos sem causa revezam o dia entre o vício da televisão e o de fumar orégano no banheiro. Os problemas começam quando a erva acaba e eles, no desespero, resolvem bolar um jeito de ganhar dinheiro. A primeira idéia, arrumar um emprego, é logo descartada, afinal, informa Wood, eles não lutaram tanto pelos seus cabelos compridos para de repente se renderem ao sistema! Vem então a brilhante inspiração de reunirem a velha banda de rock'n'roll “Chiqueiro Elétrico” depois de um delírio alcoólico em que ninguém menos do Raul Seixas (na voz de Tom Zé) aparece para Wood e explica: “a formiga trabalha porque não sabe cantar!”.

No meio dessa confusão toda, a Rê Bordosa tem presença de destaque e ganha uma interpretação impagável na voz da roqueira Rita Lee, cuja vida, segundo ela mesma, inspirou a personagem. Merecem destaque também os desempenhos de Zé Victor Castiel (como Wood) e Sepé Tiaraju de Los Santos (como um Stock com perfeito sotaque de paulista da gema), ambos muito engraçados!

Não seria totalmente injusto reclamar um pouco dos roteiristas que desperdiçam oportunidades de explorar melhor situações potencialmente ricas, especialmente a que envolve a troca dos filhos (Overall não agüenta mais o pais malucos, enquanto o outro morre de vontade de fugir dos parentes caretas), enquanto repetem outras desnecessariamente (como o ensaio da banda, cujo vocalista é o porco Sunshine). Mas não é nada que prejudique o resultado final, pelo contrário: a gente é que fica com aquele gostinho de “quero mais” na boca!

Outro ponto alto da animação é a trilha musical de Matheus Walter e Flu e o uso de canções de Rita Lee, Tom Zé e Júpiter Maçã que evocam com perfeição o clima nostálgico dos anos psicodélicos, principalmente na conclusão esperta.

Veja, reveja, compre, pois vale a pena!

Cotação: * * * *
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segunda-feira, 23 de julho de 2007

Diga-me com quem tu andas... Que direi quem tu és...

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O fator Veríssimo na crítica a Lula

- por Renato Rovai, editor da revista Fórum

No dia 19 deste mês, o escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo escreveu artigo publicado no Jornal Zero Hora e no O Globo que faz uma reflexão à respeito das vaias levadas pelo presidente Lula na abertura dos Jogos Pan-Americanos.

Pode parecer ridículo escrever isso, mas como jornalista percebo em algumas entrevistas que muitas das críticas necessárias que o governo Lula merece, muitas vezes acabam não sendo realizadas por setores sérios da sociedade exatamente pelo que vou chamar a partir de agora de Fator Veríssimo. Num artigo extremamente bem articulado e com contexto histórico, ele diz o seguinte:

“Antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula, é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros.

Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.”

O que será que o deputado federal Fernando Gabeira, por exemplo, pensa a respeito desse raciocínio?
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Abaixo, o texto completo do Veríssimo.

Antes de entrar num coro, olhe em volta

- por Luis Fernando Verissimo

Luis Fernando Verissimo, em "O Globo", explicando porque o anti-lulismo reabilitou o lulismo”

Uma comprida palavra em alemão (há uma comprida palavra em alemão para tudo) descreve a “guerra de mentira” que começou com os primeiros avanços da Alemanha nazista sobre seus vizinhos. A pouca resistência aos ataques e o entendimento com Hitler buscado pela diplomacia européia mesmo quando os tanques já rolavam se explicam pelo temor comum ao comunismo.

A ameaça maior vinha do Leste, dos bolcheviques, e da subversão interna. Só o fascismo em marcha poderia enfrentá-la. Assim, muita gente boa escolheu Hitler como o mal menor. Ou, comparado a Stalin, o mau menor. Era notório o entusiasmo pelo nazismo em setores da aristocracia inglesa, por exemplo, e dizem até que o rei Edward VIII foi obrigado a renunciar não só pelo seu amor a uma plebéia, mas pela sua simpatia à suástica.

Não tardou para Hitler desiludir seus apologistas e a guerra falsa se transformar em guerra mesmo, todos contra o fascismo. Mas, por algum tempo, os nazistas tiveram seu coro de admiradores bem-intencionados na Europa e no resto do mundo — inclusive no Brasil do Estado Novo. Mais tarde estes veriam, em retrospecto, do que exatamente tinham sido cúmplices sem saber. Na hora, aderir ao coro parecia a coisa certa.

Comunistas aqui e no resto do mundo tiveram experiência parecida: apegarem-se sem fazer perguntas ao seu ideal, que, em muitos casos, nascera da oposição ao fascismo, mesmo já sabendo que o ideal estava sendo desvirtuado pela experiência soviética, foi uma opção pela cumplicidade.

Fosse por sentimentalismo, ingenuidade ou convicção, quem continuou fiel à ortodoxia comunista foi cúmplice dos crimes do stalinismo. A coisa certa teria sido pular fora do coro, inclusive para preservar o ideal.

Se estes dois exemplos ensinam alguma coisa é isto: antes de participar de um coro, veja quem estará do seu lado. No Brasil do Lula, é grande a tentação de entrar no coro que vaia o presidente. Ao seu lado no coro poderá estar alguém que pensa como você, que também acha que Lula ainda não fez o que precisa fazer e que há muita mutreta a ser explicada e muita coisa a ser vaiada. Mas olhe os outros.

Veja onde você está metido, com quem está fazendo coro, de quem está sendo cúmplice. A companhia do que há de mais preconceituoso e reacionário no país inibe qualquer crítica ao Lula, mesmo as que ele merece.

Enfim: antes de entrar num coro, olhe em volta.

Luis Fernando Verissimo é escritor.

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sexta-feira, 20 de julho de 2007

Abaixo a hipocrisia e o falso moralismo: Meu apoio a Marco Aurélio Garcia

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Obviamente, eu preferia que Marco Aurélio Garcia, assessor especial do Presidente da República, e seu colega tivéssem mais cautela antes de desabafar seus sentimentos - ainda mais quando sabem muito bem que vivem 24 horas sob cerco de "jornalistas" sem nenhum ética ou escrúpulos, (mal) pagos até para chafurdar no lixo e no esgoto a fim de encontrar qualquer coisa que desabone o governo Lula.

Todavia, entendo perfeitamente o gesto deles que, embora vulgar, nada tem de ofensivo. Foi apenas o desabafo de quem estava sendo vilipendiado injustamente pelos abutres do imprensalão os quais, mesmo sem qualquer prova factual, chegaram a chamar Lula e sua equipe de assassinos. Será que agora esse "vomitadores de opinião" vão se retratar e admitir que erraram e foram injustos? Se não fossem um bando de covardes sem caráter, até poderiam, não é mesmo?

É por isso que admiro e aprovo a iniciativa de Garcia de divulgar uma nota explicando seus motivos e, acima de tudo, pedindo desculpas às famílias dos mortos na tragédia e a qualquer outra pessoa que possa ter se sentindo ofendida. “Minha reação, absolutamente pessoal, não expressa satisfação, alívio ou felicidade, como pretenderam setores da mídia”, afirma Garcia no comunicado. Segundo ele, “sem nenhuma investigação ou parecer técnico consistente, importantes setores dos meios de comunicação não hesitaram, poucas horas depois do acidente, em lançar sobre o governo a responsabilidade da tragédia de São Paulo”.

Como bem sabemos, apenas pessoas que possuem grandeza de caráter e coragem têm a capacidade de pedir desculpas por s upostos erros cometidos.

Só para registrar: hoje cedo um desses covardes anônimos, que na vida real estaria certamente usando um capuz da Ku Klux Klan para desabafar seus "nobres sentimentos", tentou postar um comentário aqui onde reproduzia nota de repúdio aos gestos de Garcia escrita pelo presidente do DEMo cujo nome faço questão de esquecer - isso mesmo, aquele próprio que já se chamou Arena e depois PFL e deu apoio irrestrito aos 21 anos de ditadura militar, às torturas e ao arbítrio! Vejam só quanto moral tem o presidente do tal partido para repudir alguma coisa...

Se o cidadão ao menos fosse corajoso o suficiente para se identificar corretamente eu poderia ter publicado a nota, até para servir de lembrete que qualquer coisa repudiada por um fascista do DEMo só pode ser por nós abraçada e apoiada.

Leia aqui a nota de Marco Aurélio Garcia na íntegra.
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Ego Inflado: Destaque no NovaE!



Minha análise da versão estendida de "Cinema Paradiso" está em destaque no NovaE.
Não deixem de conferir!
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Mídia golpista em cheque: A VERDADE COMEÇA A APARECER!

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Abutres do imprensalão erram de novo!

Mas que ninguém acuse os barões da mídia de não terem consciência de classe! Eles estão unidos sempre, tanto na hora de jogar o que lhes resta de credibilidade às favas, quanto são obrigados a enfiar o rabo entre as pernas e divulgar ao menos uma notícia verdadeira...

- por André Lux, jornalista (envergonhado com a profissão)

Como qualquer pessoa de bom senso já havia percebido, os abutres do imprensalão brasileiro tentaram aproveitar-se da tragédia ocorrida com o avião da TAM para novamente golpear o governo democraticamente eleito (por duas vezes!) do Presidente Lula.

Antes mesmo dos bombeiros terem começado a apagar o incêndio e retirar os corpos das vítimas, Folha, Estadão, Globo, Veja, Globo e afins começaram a especular sobre as causas do acidente e, bingo!, apontaram como culpado a falta de grooving (ranhaduras) na pista de pouso. Conclusão: a tragédia foi totalmente causada pela incompetência do governo Federal e está intimamente ligada ao tal do "caos aéreo" sugerido pela mesma mídia.

Imediatamente, dezenas de "especialistas" em aviação - incluindo-se aí apresentadores de programas culinários e pseudo-psiquiatras hidrófobos - ganharam destaque na telinha e nas páginas de jornalões, sempre com o mesmo objetivo: demonstrar que TODA a culpa pelo acidente terrível é do Lula e de sua equipe. Chegaram a chamá-los de ASSASSINOS!

Todavia, aos poucos informações começaram a pipocar em sites e blogs não alinhados ao pensamento único conservador e/ou neoliberal mostrando que não era bem assim. Testemunhas diziam que o avião havia pousado fora do limite de segurança e que passara pela pista em alta velocidade, totalmente incompatível com o recomendado.

Mesmo assim, os abutres do imprensalão ignoraram as novas evidências e continuaram martelando na mesma tecla. Nem mesmo a afirmação do presidente da TAM, Marco Bologna, de que a falta de grooving não foi o motivo do acidente foi levada em consideração. E olha, não existiria alguém mais interessado em salvar a própria pele e culpar terceiros pela acidente com seu avião do que o presidente da TAM!

Dois dias de massacre ao governo Federal se passaram. Até que começaram a surgir provas praticamente irrefutáveis de que o acidente foi causado por defeito mecânico ou falha humana, descobertos pelos poucos jornalistas ainda dignos de serem chamados assim. Primeiro, o vídeo da Infraero mostra o avião correndo em alta velocidade pela pista, sem mostrar qualquer sinal de derrapagem, e tentando arremeter sem sucesso. E, segundo, a admissão por parte da TAM que o reverso da turbina do avião já apresentava defeitos há vários dias.

Aí não teve mais jeito. O robô-Bonner Simpson do Jornal Nacional da rede Globo foi obrigado a divulgar a verdade e, logicamente, o resto do imprensalão também foi atrás. Que ninguém acuse os barões da mídia de não terem consciência de classe! Eles estão unidos sempre, tanto na hora de jogar o que lhes resta de credibilidade às favas, quanto são obrigados a enfiar o rabo entre as pernas e divulgar ao menos uma notícia verdadeira...

Sinceramente, não há mais o que dizer sobre o assunto. Eu, cada vez mais, tenho vergonha de ser jornalista. Quando você acha que os abutres do imprensalão já chegaram ao fundo do poço em termos de mentiras, distorções, panfletarismo partidário e manipulações, eles comprovam que ainda estão longe, muito longe do fundo.

Na minha opinião, não existe nada mais deplorável do que tentar lucrar politicamente em cima da uma tragédia humana que ceifou a vida de 200 pessoas e destruiu a vida de centenas de famílias! Ou será que existe? Em se tratando do tipo de canalhas sem qualquer escrúpulo ou ética que hoje infestam as redações da mídia corporativa brasileira, pode ser que ainda tenhamos novas surpresas em relação ao que é possível atingir em nível de baixeza e desumanidade. Quem viver, verá...

Ah, e agora que não podem mais acusar o governo Federal de TODA a culpa pela tragédia, podem apostar que as notícias sobre o assunto vão sumir rapidinho, do mesmo jeito que fizeram com o acidente da Linha 4 do metrô paulista que até hoje não foi esclarecido e nem teve algum responsável apontado.

Depois de tudo isso (e mais um pouco) você AINDA acredita no que lê ou assiste no imprensalão? Então, convenhamos, o problema é todo seu!
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quinta-feira, 19 de julho de 2007

Abutres: Imprensalão omite informações sobre acidente da TAM!

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Essas informações não estão sendo divulgadas pela maioria dos jornais e TVs. Por que?

Veja momento em que avião da TAM tenta pousar
Câmeras do aeroporto mostram como aeronave vinha mais depressa do que o normal:
Veja o vídeo
Leia o texto na íntegra


PRESIDENTE DA TAM:
GROOVING NÃO INTERFERIU. VEJA O VÍDEO!

- Paulo Henrique Amorim (http://conversa-afiada.ig.com.br/)

O presidente da TAM, Marco Bologna, disse durante a entrevista coletiva à imprensa que o fato de a pista principal de Congonhas não ter o chamado grooving não a torna inoperante (clique aqui para ver o vídeo).
. E isso não interfere na aderência da aeronave na pista.

. O Airbus 320 é absolutamente homologado para operar no aeroporto de Congonhas e fez ali pousos e decolagens sem problemas.

. Segundo Bologna, a aeronave que partiu de Porto Alegre estava em perfeitas condições técnicas e havia passado por uma revisão no último dia 13 de junho.

. Bologna disse também que o aeroporto de Congonhas é seguro.

. Sobre a aderência e do grooving, Bologna explica:. A pista é feita de material asfáltico que já possui aderência e não necessita de grooving. O grooving é um acréscimo para aumentar a dispersão da água quando a lâmina d'água supera 3 mm. Abaixo de 3 mm, quando a pista não tem grooving, o pouso não é autorizado (*).

. Dos dois pilotos, o mais jovem foi contratado pela TAM há seis meses. Antes ele tinha sido piloto na Transbrasil. Em junho deste ano, ele fez um novo teste de capacitação. Antes de abrir a caixa-preta é impossível saber se quem pilotava o avião era o comandante mais antigo ou este mais novo.

. O Airbus 320 pesava 62,7 toneladas. O limite em Congonhas para pousar era de 64,5 toneladas.
. No dia em que houve o incidente com o avião da Pantanal, a TAM operou 113 decolagens e 116 pousos nas mesmas condições do avião da Pantanal, sem qualquer ocorrência de aquaplanagem.
. Após a reforma da pista, com o reinício da chuva e na ausência de grooving, Bologna não conhece nenhum boletim de alerta ou relato que impedisse operar naquela pista.

(*) Em tempo: O Superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider, disse em coletiva à imprensa nesta quarta-feira, dia 18, às 18h20 que "ontem à tarde, quando a torre de controle pediu que nossos funcionários fossem às pistas, nem lâmina d'água tinha, não tinha o que medir. E foi essa a resposta dele para a torre: 'eu não posso medir a lâmina d'água para uma provável interdição da pista porque não existia a lâmina d'agua'. O problema do escoamento d'água foi resolvido com a reforma recente que a Infraero acabou de entregar".

INFRAERO:
PISTA ESTAVA EM CONDIÇÕES NORMAIS. VÍDEO!

A Aeronáutica e a Infraero garantiram que a pista principal do aeroporto de Congonhas é segura e estava em condições normais de uso no momento em que o Airbus A-320 da TAM pousou na última terça-feira, dia 17 (clique aqui para ver o vídeo). O ministério da defesa, a Aeronáutica, a ANAC e a Infraero se reuniram no aeroporto de Congonhas, nesta quarta-feira, dia 18, para prestar os primeiros esclarecimentos sobre o maior acidente da história da aviação aérea brasileira.

A Infraero divulgou um vídeo que mostra o momento exato e quem o avião da TAM, que sofreu o acidente, tentou pousar na pista. Segundo o chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica, Brigadeiro Jorge Kersur Filho, a aeronave estava numa velocidade um pouco acima da habitual. Apesar disso, o Brigadeiro Kersur Filho disse que o piloto pousou no ponto correto da pista.

Por causa das dúvidas e da complexidade do acidente as investigações devem demorar. “Em média as investigações desse tipo de acidente leva dezoito meses. Esperamos concluir as investigações deste em dez meses”, disse Kersur Filho.O relator da CPI do Apagão Aéreo na Câmara, Marco Maia (PT-RS), acompanhou a coletiva de imprensa da Infraero e da Aeronáutica. De acordo com Marco Maia, o acidente com o avião da TAM é mais um fator para apressar as investigações da CPI. A Infraero fechou a pista principal do aeroporto de Congonhas após o acidente com o avião da TAM. A pista deve voltar a operar com pousos e decolagens no dia 20 de julho.
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quarta-feira, 18 de julho de 2007

Asco: Imprensalão usa tragédia para colher frutos políticos

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Não tenho mais estômago para comentar a falta de escrúpulos dos pitbulls da mídia corporativa que, mais uma vez, se comportam como verdadeiros abutres e, antes mesmo dos bombeiros terem apagado o incêndio e resgatado as vítimas da tragédia ocorrida com o avião da TAM, tentam culpar o governo Federal afim de lucrar politicamente para alegrar as intenções golpistas de seus patrões canalhas.

Assim, reproduzo abaixo o texto de Carlinhos Medeiros publicado no seu blog, Bodega Cultural, que diz tudo que estou sentindo. Em momentos como esse eu tenho absoluta vergonha de dizer que sou jornalista.

"Os bandidos venais da mída brasileira, os políticos urubus de plantão, sem um pingo de caráter ou ética, vão tentar se beneficiar da tragédia ocorrida ontem em São Paulo. "A tragédia prenunciada pelos controladores de vôos e pelos apagões aéreos, finalmente aconteceu!" disse ontem em tom consternado, Willian Waak do Jornal da Globo, associando o acidente aos apagões e obviamente, tentando imputar a culpa ao comandante supremo da nação, Luis Inácio Lula da Silva.

Não foi imperícia do piloto na tentativa de corrigir a aquaplanagem, foram os equipamentos que falharam de acordo com as reivindicações dos controladores. Eles não estão nem aí para a dor de centenas de familiares. A bodega [e o Tudo em Cima] se solidariza com as familias enlutadas e se horroriza com a mídia e os políticos infames."


Apesar de tudo, alguns jornalistas cujas opiniões eu raramente concordo demonstram que ainda merecem respeito ao não politizar o assunto e tentar analisar o ocorrido de maneira lúcida a partir dos fatos divulgados até agora. Confira abaixo:

Voando ou derrapando?

O avião da TAM cruzou a avenida derrapando, brecando, arrastando-se? Ou atravessou voando? Se ele voava é porque tentou arremeter. Mas se tentou arremeter é porque tinha velocidade para tal. Agora, como é que um avião em (relativa) baixa velocidade, derrapando, todo torto, aquaplanando, tenta aremeter? Mas se ele não tinha arremetido, como é que ele chegou voando ao prédio da TAM?


- por Alon Feuerwerker

Duvido que alguém nesta altura dos acontecimentos tenha certeza do que causou o acidente com o avião da TAM em Congonhas. Lembro de quando caiu o outro avião da TAM, mais de dez anos atrás. Primeiro colocaram a culpa nas rádios piratas e nos telefones celulares. A turma que tem interesse no fechamento das rádios piratas trabalhou duro para consolidar sua versão, mas acabou derrotada pelos fatos, quando se concluiu que o mau funcionamento do reverso é que tinha derrubado o avião e matado seus passageiros e tripulantes.

Agora são as tais ranhuras na pista (grooving). Eu não entendo nada de avião, mas viajo muito de avião. O que eu vi até agora sobre o acidente de ontem? É preciso saber se o avião caiu sobre o prédio da TAM ou colidiu com o edifício depois de se arrastar pela pista e atravessar a avenida Washington Luís. O que se sabe até agora é que o avião não causou danos na avenida. Ou seja, é razoável supor que o avião chegou voando ao prédio da TAM, e não se arrastando.

Como disse, não entendo nada de avião, mas viajo muito de avião. Sei que o bicho toca no solo com rapidez de Fórmula 1, uns 300 quilômetros por hora. Numa primeira fase sua velocidade se reduz rapidamente por efeitos aerodinâmicos e pela ação das turbinas. Ou seja, a diminuição da velocidade para valores "normais" não depende tanto do atrito com o solo. Tanto que os pneus correm soltos sobre a pista no comecinho. Os freios e o atrito da pista com os pneus entram em ação quando a velocidade já é bem menor. Ou seja, quando já passou da hora de tentar arremeter. Ou seja, quando a única alternativa é tentar brecar de algum jeito. Eis a minha dúvida.

O avião da TAM cruzou a avenida derrapando, brecando, arrastando-se? Ou ele atravessou voando? Se ele voava é porque tentou arremeter. Mas se ele tentou arremeter é porque tinha velocidade para tal. Agora, como é que um avião em (relativa) baixa velocidade, derrapando, tenta arremeter? Como é que um avião todo torto, derrapando, aquaplanando, tenta aremeter? Mas se ele não tinha arremetido, como é que ele chegou voando ao prédio da TAM?

Na condição de leigo, são as minhas dúvidas. Se você é especialista ou tem informações que esclareçam essas questões, ajude-me. E minhas condolências aos familiares e amigos das vítimas. Em respeito a sua dor, abstenho-me, por enquanto, de fazer política sobre o episódio.


NÃO EXISTIA DEFEITO NA PISTA
Avião tocou no ponto correto da pista e continuou em linha reta e alta velocidade

Como choveu nos últimos dias em São Paulo, haveria também a hipótese de aquaplanagem – o avião deslizando sobre uma fina lâmina de água. Mas essa hipótese parece não fazer sentido porque o avião ficou em linha reta quase até o final da pista. Quando se dá o fenômeno da aquaplanagem é comum a aeronave jogar para um dos lados.

- por Fernando Rodrigues

O comandante da FAB (Força Aérea Brasileira), Juniti Saito, recebeu informações dos funcionários da torre de controle do aeroporto de Congonhas atestando que o Airbus A-320 da TAM tocou a pista no local correto ao tentar aterrissar. Por alguma razão, disseram os funcionários, o avião continuou em alta velocidade. Esse dado terá de ser confirmado pela caixa-preta da aeronave. Tocar o solo no local correto numa aterrissagem é o primeiro requisito para que a operação seja bem sucedida. Em seguida, o piloto deve empreender as ações necessárias para frear o equipamento. Ainda não se sabe a razão pela qual a velocidade não foi reduzida o tanto necessário.

Essa é a primeira informação técnica disponível, por enquanto, a respeito do acidente com o vôo 3054 da TAM no início da noite desta terça-feira (17.jul.2007) em Congonhas. O fato de o avião ter continuado em alta velocidade depois de ter atingido o solo –informação pendente de ser oficialmente confirmada com dados da caixa-preta– reduz muito a hipótese de os supostos defeitos na pista de Congonhas serem os únicos possíveis causadores da tragédia. Quando o avião derrapa por deficiência da pista quase sempre ocorre uma mudança imediata na trajetória em solo. As informações preliminares (atenção: preliminares!) dão conta de que o Airbus da TAM seguiu em linha reta até praticamente o final da pista, sem frear nem perder a direção.

Como choveu nos últimos dias em São Paulo, haveria também a hipótese de aquaplanagem –o avião deslizando sobre uma fina lâmina de água. Mas essa hipótese parece não fazer sentido porque o avião ficou em linha reta quase até o final da pista. Quando se dá o fenômeno da aquaplanagem é comum a aeronave jogar para um dos lados. A pista principal de Congonhas tem 1,9 km (esse, evidentemente, é um defeito sério da pista: é muito curta). Mas seria improvável em aquaplanagem o deslizamento em linha reta durante todo o percurso de 1,9 km. Além disso, ao aterrissar o piloto estaria, em tese, acionando o freio. Com aquaplanagem o avião poderia dar um "cavalo-de-pau" ou começaria a deslizar para um dos lados. Mas as informações disponíveis dão conta de não ter ocorrido o desvio de rota.

Em algum momento da aterrissagem, o piloto ou alguém na cabine de comando falou algo que teria sido identificado pela torre de Congonhas como uma menção a "virar" a rota do avião. Mas ainda não está claro em que momento esse tipo de informação foi captada --se logo quando o avião tocou o solo, se na metade da pista ou no seu final, quando o Airbus acabou fazendo a curva à esquerda e atingindo um edifício da TAM Express. Por que isso teria acontecido? Não se sabe. Pode ter ocorrido algum defeito no aparelho que o impediu de frear (as turbinas não reverteram, os freios não funcionaram, enfim, várias possibilidades a serem estudadas e investigadas). Espera-se que os dados da caixa-preta possam dirimir essas dúvidas.


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terça-feira, 17 de julho de 2007

Covardia de sempre: Direita esconde a cara para vaiar Lula

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DIREITA ESCONDE A CARA PARA VAIAR LULA

Quando esquerdistas fazem uma manifestação, colocam a cara para bater e assumem suas ideologias, estampando-as em camisetas, bonés, faixas e bandeiras. Já a direita... sem comentários!

- por André Lux, crítico-spam e esquerdista assumido

Eu não acharia nada demais saber que o presidente Lula recebeu vaias de seus opositores e de quem realmente está descontente com seu governo. Algo natural e, obviamente, democrático.

O problema é que a turma da direita, como sempre, esconde a cara e manipula ou suborna os incautos para que façam seu jogo sujo.

Como já sabe a maioria das pessoas bem informadas (ou seja, que não lê apenas Veja, Estadão, Folha e assiste Jornal Nacional), está circulando pela net um vídeo amador que mostra as vaias ao Lula sendo "ensaiadas" por partidários do prefeito do RJ, César Maia (do DEMo, ex-PFL) um dia antes da abertura do Pan. Clique aqui e comprove.

Quando esquerdistas, sejam lá de que partido ou tendência forem, fazem uma manifestação eles colocam a cara para bater e assumem suas ideologias claramente, estampando-as em camisetas, bonés, faixas e bandeiras. Já a direita... sem comentários!

Mas, sejamos compreensivos com esses infelizes: como é que fica a situação de um sujeito chegar em público e admitir que faz qualquer coisa por grana, que está pouco se lixando para o resto das pessoas, que é racista? Lembram daquele personagem do Chico Anysio, o Justus Veríssimo, que usava um bigodinho a lá Hitler e dizia sem qualquer vergonha "Eu quero que pobre se exploda, meu negócio é dinheiro!"? Pois é, está para nascer um fascista de direita que tenha coragem de assumir suas posições assim tão claramente em público, não é mesmo?

Não, melhor mesmo para eles fazer como os covardes que escrevem para a Veja e visitam esse blog e tantos outros: vestir uma máscara de "indignado" e "defensor da moral e dos bons costumes" para poder ficar atacando aquilo que (seus patrões) odeiam ou não entendem. Depois acham estranho que defendem os mesmos interesses dos covardes da Ku Klux Klan e afins. Mas não há surpresa nenhuma, pois são todos farinha do mesmo saco...

E voltando ao caso das vaias programadas e ensaiadas na abertura do Pan, novamente Lula dá um show de civismo e dignidade ao comentar o ocorrido sem rancor ou desejo de vingança, além de deixar claro que não vai morder a isca pútrida jogada pelos covardes do DEMo, do PSDB e de seus lacaios do imprensalão.

Afinal mentira tem perna curta e, mais uma vez, os golpistas estão dando tiros no próprio pé ao tentar manipular as pessoas com mais uma armação ridícula e lamentável, que só serve para fazer os brasileiro passarem vergonha no resto do mundo...
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quinta-feira, 12 de julho de 2007

Saiba porque o formato Widescreen é o ideal para se ver um filme!

Diferenças de tamanho entre a tela do cinema e da TV, além da desinformação, geraram problemas na hora de lançar o filme para o mercado de home video

- por André Lux, crítico-spam

Você sabe qual é a diferença entre os formatos Widescreen (ou Letterbox) e Tela Cheia (também chamado de ''Fullscreen'', ''Padrão'' ou Pan & Scan)? Abaixo vamos tentar responder algumas das perguntas e reclamações mais comuns acerca dos formatos:

1) É verdade que o Widescreen corta o filme?
Muita gente acha que o formato Widescreen ''corta'' o filme, por causa daquelas barras pretas que ficam em cima e em baixo da tela. Mas a verdade é que é o Tela Cheia que deforma o resultado final, pois nesse formato são cortados justamente as laterais da película para que ela se ajuste ao formato da maioria das TV's antigas no mundo todo. Isso significa que em muitos casos até 50% das imagens originalmente filmadas são cortadas para que o filme caiba na tela da TV! Compare abaixo uma imagem do filme "O Senhor dos Anéis" em widescreen com sua respectiva em tela cheia:




2) Mas por que é preciso cortar as laterais do filme na TV?
Quando a TV foi inventada, usaram como padrão para o tamanho da tela o formato da tela do cinema, que era de 1:33:1 (o que significa que ela é 1:33 mais larga do que a altura). Filmes antigos, como ''Cidadão Kane'', por exemplo, foram filmados neste formato. Só que com o desenvolvimento de novas técnicas de filmagem e com a necessidade de atrair mais pessoas para os cinemas, criou-se novos tamanhos de negativo (película onde o filme é gravado) que passaram a variar de 1.85 a 2.4 mais largos que a altura. Com isso, os filmes passaram a ser exibidos em telas mais largas enquanto a da TV continuou praticamente quadrada. Só que, ao ser comprados para exibição na TV ou para lançar em VHS, preferiram ajustar o tamanho dos filmes à tela quadrada da televisão. Com o advento das TVs tela plana em widescreen, a tela da TV ficou mais parecida com a do cinema, o que garante que as imagens dos filmes não fiquem mais tão distorcidos em relação ao original.

3) O que é o processo Pan & Scan?
O ''Pan'' é basicamente o ato de dar um "zoom" na região central da película (cortando assim as laterais) para ela se ajustar ao tamanho da tela da TV. Já o ''Scan'' acontece quando fazem uma correção digital na imagem para que seja enquadrado o que há de mais importante no fime. Quando não fazem o ''Scan'' a imagem muitas vezes fica sem nada no meio. Lembra aqueles filmes de faroeste antigos que passam na TV no qual ocorre um duelo, mas você só vê a rua deserta e nunca os antagonistas? Pois é, eles foram literalmente ''cortados'' do filme, pois estavam nos cantos!




4) Mas eu detesto aquelas barras pretas!
Saiba que, sem as barras pretas, você está perdendo até 50% das imagens. Cineastas competentes geralmente fazem uso total do negativo para passar informações importantes, que no Fullscreen são simplesmente descartadas.

5) Mas minha TV é pequena e no Widescreen não vejo nada.
Realmente, para quem tem uma televisão pequena ver o filme em Widescreen é difícil. Por isso, o mais correto seria lançá-los nos dois formatos, deixando assim a critério do consumidor escolher qual o melhor para ele.

6) Não dá para regular meu aparelho de DVD para passar tudo em Fullscreen?Sim, a maioria dos aparelhos tem essa opção, bastando para isso você entrar no menu principal e regular a forma que deseja ver o filme sendo exibido. Consulte o manual de instruções do seu DVD player para aprender como fazer isso corretamente.

7) Por que as distribuidoras estão lançando mais filmes em Fullscreen, se esse formato corta o filme pela metadade?
Isso ocorre justamente por causa da falta de informação dos consumidores, que continuam achando que é o formato Widescreen que corta o filme e assim reclaman com os donos das locadoras! Lembre-se que o mercado reage basicamente aos desejos do consumidor. Isso significa que, devido à má informação, todos estamos perdendo uma ótima oportunidade de ver os filmes da forma que foram originalmente concebidos pelos cineastas!

Informações mais detalhadas sobre esse assunto podem ser encontradas no site ''The Letterbox and Widescreen Advocacy Page'', o qual traz inclusive inúmeros exemplos visuais bastante didáticos das diferenças entre os formatos de tela.
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terça-feira, 10 de julho de 2007

Polêmica: Ainda sobre "Diamante de Sangue"

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Reproduzo abaixo o comentário escrito por Ricardo Melo junto à minha crítica ao filme "Diamante de Sangue" publicada no site NovaE. Vale a pena ler até o fim!

"Gostaria de parabenizar o texto do André Lux a respeito de Diamantes de Sangue, e gostaria de deixar claro que acompanho regularmente o seu blog onde eu já havia deixado o meu ponto de vista sobre a obra e sobre a sua crítica. Antes de tudo, é importante dizer que encontrei em Diamantes de Sangue um bom espetáculo. Um espetáculo que aborda uma estória sobre um continente recém-descoberto pelos diretores de cinema, mas também marcado por um enredo envolvente, personagens “atraentes”, planos cinematográficos notáveis e um enredo emocionante. Fruí Diamantes de Sangue prazerosamente, apesar de todos os dramas mostrados na tela. Emocionei-me com a estória e também me surpreendi com os seus incríveis efeitos especiais.

Mas, infelizmente às vezes ocorre o “mas”, já no final da exibição eu comecei a me sentir enganado. Posso dizer que senti um gosto amargo de hipocrisia na boca, um sentimento claro de que estava acabando de assistir a apenas mais um evento de showbusiness.

É claro, Diamantes de Sangue não tem a pretensão de ser um documentário sobre o drama de Serra-Leoa. Mesmo que Diamantes de Sangue fosse um documentário, seria um verdadeiro engano encontrar nesse tipo de produção “a verdade” sobre o tema abordado, afinal existe muita subjetividade no olhar de quem filma.

Os problemas de Diamantes de Sangue foram muito bem ressaltados pelo André Lux. O pano de fundo dessa estória foi muito mal contado. Os vilões de Diamante de Sangue não têm alma, são verdadeiros enviados do Inferno. Os protagonistas positivos são todos pertencentes à elite branca global, oriundos inclusive do sistema de comunicação hegemônico do planeta, como é o caso da mocinha do filme. Ela é um verdadeiro anjo de beleza e boas intenções, mas é tão irreal no contexto da estória quanto é real a necessidade de um personagem bonito que possa alavancar o faturamento das bilheterias do Hemisfério Norte.

Calma, Ricardo, pelo menos Diamantes de Sangue retrata e coloca na roda global o tema da África, esse continente abandonado por Cristo e olvidado pela expansão do capital!É verdade, é bom lembrarmos que existe a África. Mas, com certeza, os africanos não gostam quando o pano de fundo histórico de uma estória mostrada em todo o mundo seja tão deturpado como ocorreu nesse filme. Esse argumento é imbatível.

Para quem acha que isso é exagero, é bom fazer um exercício de imaginação. Imagine um filme que tenha como pano de fundo um contexto histórico brasileiro. E imagine também que, nesse filme, todos os “mocinhos” protagonistas e ativos sejam estadunidenses, os brasileiros vilões ou suas vítimas. E que tal se o contexto histórico for muito, mas muito superficialmente e mal contado? Algum brasileiro gostaria disso? É, pimenta nos olhos dos outros é refresco...

Aos africanos basta que saiam do anonimato? Tanto faz o modo como eles são retratados? É correto ver em Serra-Leoa nada além de negros vilões animalescos e vitimas negras desesperadas? É correto não mostrar nada do que aconteceu antes, coisas banais assim como a Partilha da África pelas potências e suas “pequenas” malvadezas? E a colonização econômica de todo um continente nos dias de hoje? Não merece nenhuma linha?

Comparemos com Hotel Ruanda, por exemplo. Em uma cena, um personagem abre a boca para contar uma verdade bem “casual”: os inventores do decepamento de membros como técnica persuasiva foram os colonizadores belgas, é, daquele país – a Bélgica – bárbaro e incivilizado onde se comem bons chocolates...

Existe uma linha que separa muito bem os filmes que duram, os filme que não ficam datados e esquecidos dos filmes que são realmente bons. Quem assistir a Alexander Nevisky, a Barry Lyndon e a outras obras não vai encontrar documentários. Mas vai encontrar personagens como profundidade psicológica. E uma das bases dessa profundidade psicológica dos personagens se chama História, principalmente se o pano de fundo do enredo for histórico.

A História mesmo, essa ciência Humana e que não é Exata. Que está sujeita a erros de avaliação e a pontos de vista. Mas que não admite propaganda ideológica e manipulação aberta e descarada.

Em Diamantes de Sangue, os personagens não têm profundidade. E é o contexto histórico e geopolítico muitíssimo mal-contado uma das explicações da carência de vida nos protagonistas e vítimas dessa obra.

Eu já comparei esse filme àquele vinho barato e adocicado, aquele que, na falta de algo melhor, você vai fruindo durante a conversa animada com amigos. No final, resta um sentimento de “trouxa” na consciência, uma verdadeira ressaca moral para o espectador. Mas aí, já é tarde, a bilheteria já faturou em cima. Os clichês foram apresentados aos montes, a manipulação de consciências foi realizada, a bola de fogo “subiu” no meio do garimpo atacado por helicópteros. Com certeza, se estivesse vivo, Stanley Kubrick jamais teria feito um pastiche desses. Mas quem precisa de um Kubrick para passar uma tarde preguiçosa na cidade? Basta um Diamantes de Sangue, não é mesmo? Os africanos? Ah, os africanos, se eles não gostarem, que rodem o seu próprio filme com pano de fundo na própria História.

O único porém é que esse filme não chegaria aqui, pois obras vazias como Diamantes de Sangue esvaziam e desgastam o tema, abrindo um processo de busca por outros temas emocionantes que possam servir de base para uma boa e saudável diversão das famílias em suas tardes de falta-do-que fazer."
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quinta-feira, 5 de julho de 2007

Filmes: "Rambo III"

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DOIS PESOS, DUAS MEDIDAS

É interessante analisar esse filme grotesco como produto de seu tempo e compará-lo com a realidade atual, ainda mais quando Osama Bin Laden poderia ser um daqueles afegãos que dão uma forcinha ao Rambo...

- por André Lux, crítico-spam

“Rambo III" é sem dúvida o ponto mais baixo da trilogia com o personagem que foi apresentado no primeiro filme (o interessante “First Blood”) como um veterano da guerra do Vietnam desajustado e marginalizado pela mesma sociedade que supostamente defendeu com seu sangue, só para ser transformado em super-herói invencível no segundo capítulo, no qual vence sozinho a guerra que os EUA perderam.

Animado com o sucesso mundial daquela bomba fascista e panfletária da era Reagan, que entre outras ofensas pregava abertamente em favor da interferência direta dos EUA no assunto de países soberanos, o brucutu Sylvester Stallone resolveu ir mais além entrando no conflito que estava ocorrendo no Afeganistão, que na época havia sido invadido pela extinta União Soviética.

O filme já começa de forma risível, com Rambo lutando quase até a morte para descolar uns trocados que dá gentilmente aos monges budistas que o acolheram em seu templo. Mas a "paz" do personagem dura pouco, pois logo descobrimos que seu mentor e camarada, Coronel Trautman (Richard Crenna), foi capturado pelos malvados comunistas quando estava em missão do Tio Sam tentando levar democracia e liberdade para o pobre povo afegão.

Rambo então deixa a batina e vai para aquele país quente e repleto de barbudos mal-encarados a fim de resgatar seu colega militar e, de quebra, destruir sozinho e com um estoque aparentemente infinito de flechas explosivas o abominável exército vermelho - o qual, depois de uma sessão de tortura contra inimigos, ataca aldeias miseráveis por esporte, matando cruelmente inclusive velhinhas e criancinhas indefesas (na certa para comê-las no jantar).

Ficar apontando aqui todas as cenas absurdas e ridículas do filme seria perda de tempo - o ponto alto da canastrice é ver o herói cauterizando com pólvora um ferimento que atravessou seu torso!

Também é inútil enumerar todos os clichês deploráveis e preconceitos que pipocam na tela a cada cinco segundos, particularmente aqueles que nos ensinam o quanto são malvados e pervertidos os comunistas e também como são ineptos e atrasados os afegãos (no caso representando qualquer povo que use turbante) frente à superioridade moral, tecnológica e estratégica dos ocidentais. Pior que tem gente que acredita nesse tipo de ladainha racista até hoje.

O interessante, entretanto, é analisar “Rambo III” como produto de seu tempo e compará-lo com a realidade atual, depois dos ataques terroristas em território estadunidense no 11 de setembro. Se em 1988 (ano de produção do filme) o indestrutível soldado do Tio Sam ia até o Afeganistão para salvar o sofrido povo daquele país da tirania dos sanguinários soviéticos, agora o mesmo "Rambo" está lá jogando bombas e mísseis sobre aquelas pessoas, exatamente como faziam os supostos vilões vermelhos.

Só que agora com a desculpa de ser uma "guerra contra o terror" para capturar o terrorista Osama Bin Laden – que, vejam só que ironia, em “Rambo III” podia ser muito bem um daqueles rebeldes Mujahadin do Talibã financiados e armados pelos EUA que ajudam o herói a derrotar os soviéticos!

O absurdo chega a níveis gritantes quando lembramos que o "engajado" Stallone ainda fez questão de incluir a seguinte frase na conclusão da sua obra: "Esse Filme é Dedicado ao Valente Povo do Afeganistão". Como se vê, até o incorruptível Rambo tem "dois pesos e duas medidas". Seria risível se não fosse tão trágico...

Nossa única vingança é saber que o exército soviético abandonou o Afeganistão alguns meses antes do filme estrear nos cinemas, o que deixou tudo ainda mais ridículo e sem sentido ao ponto de decretar seu fracasso nas bilheterias.

Mas, para espanto geral e graças a atual política bélica e reacionária de Bush Júnior, Rambo vai voltar às telas em breve, agora para lutar contra sequestradores e ladrões de suprimentos (clique aqui para ver uma foto do deformado Sylvester Stallone durante as filmagens de "Rambo IV" e corra para o abrigo mais próximo!). Sinceramente, ninguém merece!

Depois de tudo isso alguns incautos e outros nem tanto ainda vêm me falar que o cinema e outros produtos da indústria cultural não sao usados descaradamente como máquina de propaganda imperialista. Imaginem então se fosse...

Cotação: ZERO
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quarta-feira, 4 de julho de 2007

Ego Inflado, O Retorno: Minha crítica em destaque no NovaE



Minha análise do panfleto travestido de cinema "Diamante de Sangue" foi publicada em destaque no NovaE. Visitem e, caso ainda não conheçam, aproveitem para viajar pelo site, que traz muitas análises e textos interessantes que buscam furar o bloqueio do pensamento único imposto pelo imprensalão.

Link para o NovaE.
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terça-feira, 3 de julho de 2007

Réplica: O cinema é sim usado como propaganda da direita

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O leitor Rodrigo deixou uma interessante mensagem na página da minha crítica ao filme "Diamante de Sangue", publicada na Agência Carta Maior. Reproduzo abaixo um trecho dela, o qual vou comentar em seguida:

"Não acredito que esse filme seja feito com o seguinte pensamento: "vamos fazer uma obra ideológica tocando em tais e tais pontos, para que o capitalismo seja visto de tal e tal maneira". Você mesmo disse que o diretor pode ter sido inocente nesse processo todo, mas vou além e digo não acreditar que haja algum chefão em Hollywood dirigindo isso tudo. O processo é mais inconsciente do que isso. Não há uma intencionalidade bem configurada. Cada sociedade cria, através da educação e dos valores passados, pessoas com uma certa visão de mundo. E mais, cada classe social cria sujeitos com uma certa perspectiva de mundo, e também alienados em relação a esse mundo - muitos produtores são tão alienados quanto seus espectadores."

Concordo com o Rodrigo que muita gente, seja em Hollywood ou em qualquer outra parte do mundo, seja ingênua ou simplesmente alienada, acreditando assim em tudo que lhes é enfiado goela abaixo pela indústria cultural e pela imprensa corporativa. Todavia, muita gente que comanda esse circo midiático tem sim total consciência do que está fazendo quando manipula, distorce, esconde ou simplesmente mente descaradamente.

Tanto isso é uma realidade que uma das primeiras ações do governo Bush jr. após os atentados de 11 de setembro foi convocar reuniões com todos os magnatas da indústria cultural estadunidense, para que seus novos produtos fossem alinhados à tal da "guerra infinita" (ou seja lá qual o nome que deram depois aos ataques e invasões feitos em países soberanos em nome de uma suposta luta pela "liberdade e democracia"). Na época da II Guerra, o cinema estadunidense produziu incontáveis filmes a favor do esforço dos "aliados", assim como o cinema soviético gerou várias obras que glorificavam a revolução socialista, a qual descambou infelizmente para um totalitarismo auto-destrutivo por culpa do stalinismo.

Mas se a esquerda também usa a arte como forma de propaganda, não seria então o mesmo caso? Na minha visão, a diferença entre filmes "de direita" e "de esquerda" reside no fato de que os últimos trazem um posicionamento claro a respeito do que defendem e do que contestam, enquanto os primeiros transmitem sua mensagem verdadeira por meio de artifícios subliminares e máscaras edificantes que parecem sugerir algo totalmente contrário à real intenção do produto - o que, convenhamos, é o modus operandi básico da direita: nunca revelar suas verdadeiras intenções e obter o poder por meio da manipulação e da demagogia.

Pode até ser que quase todos os envolvidos na produção de "Diamante de Sangue" acreditem mesmo que tudo que é mostrado no filme é a verdade e que suas intenções são as mais nobres possíveis, mas podem ter certeza que em algum lugar da máquina que possibilita a produção de um filme caro desses existe alguém bastante consciente do que está sendo feito. Se isso não fosse verdade, porque tantos filmes com mensagens políticas contestadoras têm que ser feitos de maneira independente?

Alguém pode me questionar dizendo que de vez em quando um filme "de esquerda" é lançado por um grande estúdio - vide os excelente "Syriana", "Boa Noite e Boa Sorte" ou "O Informante". Ao que eu respondo: isso acontece apenas com a intenção de reforçar a máscara de uma suposta isenção e pluraridade que não existe, mais ou menos como a função de Ombudsman da "Folha de São Paulo" ou os risíveis editoriais a favor da liberdade de imprensa que pipocam de tempos em tempos nos jornalões, revistonas ou telonas... Até porque, sabem os executivos, filmes como esses têm apelo limitado e são lançados em circuito restrito. Ou seja, não incomodam e servem perfeitamente como desculpa quando alguém acusar os estúdios de só produzir porcarias descartáveis.

Entender que muita gente ajuda a disseminar conceitos e ideologias desprezíveis achando que está fazendo um bem é algo necessário, para que não nos tornemos pessoas rancorosas que vêem maldade em tudo. Todavia, é preciso enxergar também que para que o atual sistema continue funcionando em função dos esforços dos incautos e dos sem opção, existem pessoas e instituições que atuam de maneira clara nesse sentido. E isso precisa ser dito em alto e bom som, para que todos entendam que só de ingenuidade e alienação não se constroem sistemas destruidores e massacrantes como o em que vivemos.

Acesse minha crítica na Carta Maior e o comentário original do Rodrigo clicando neste link.
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Trivia: Ria com Jerry Goldsmith em "Gremlins 2"

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O compositor Jerry Goldsmith visitou o set de filmagens dos dois "Gremlins", do diretor Joe Dante, e foi convidado a aparecer na tela.

Veja neste link a cena do segundo filme em que o ilustre compositor, falecido em 2004, dá o ar de sua graça, ao lado da esposa Carol e com direito a algumas linhas de diálogo!

Lembro quando vi o filme nos cinemas junto com um bando de amigos nerds. A gente fez a maior festa quando o Jerry Goldsmith apareceu, para nossa total surpresa! Naquela época não existia internet e a gente só ficava sabendo dessas coisas na hora mesmo. Velhos tempos...

Leia neste link minha sincera homenagem a um dos maiores compositores de música para o cinema de todos os tempos, Jerry Goldsmith, cuja morte me abalou muito.
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segunda-feira, 2 de julho de 2007

Filmes: "A Soma de Todos os Medos"

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A SOMA DE TODAS AS OFENSAS

Filme pode ser definido pela cena na qual discurso a favor da tolerância e contra imperialismo sai da boca de um nazista.

- por André Lux, crítico-spam

“A Soma de Todos os Medos” é, de longe, um dos filmes mais repulsivos que tive o desprazer de assistir em minha vida. Difícil dizer o que é pior nessa fita que, além de panfletária e ofensiva, é incrivelmente enfadonha.

O lamentável Ben Afleck herda o papel que já foi de Alec Baldwin e Harrison Ford e encarna Jack Ryan, um burocrata da CIA que se encontra a toda hora envolvido em situações capazes de provocar o colapso do sistema capitalista (sinônimo da destruição do mundo, segundo os autores). 

Mas tal personagem é tão estúpido que fica impossível sequer cogitarmos levá-lo a sério, ainda mais depois de percebermos que todas as suas sacadas e conselhos geniais vêm sempre de suposições e adivinhações (algumas dignas de Nostradamus, de tão absurdas).

Esse personagem infame já foi visto no cinema antes em “A Caçada Ao Outubro Vermelho”, “Jogos Patrióticos” e “Perigo Real e Imediato”, todos baseados em livros do senhor Tom Clancy, que certamente escreve sob contrato com a CIA (Central de Inteligência Americana). 

Só mesmo sendo muito ingênuo ou mal intencionado para querer nos fazer acreditar que os agentes dessa organização estadunidense estão espalhados pelo mundo inteiro para "garantir a paz e a liberdade" em nosso planeta Terra, como afirma o diretor da agência interpretado por Morgan Freeman ao discutir o futuro da Chechênia com o presidente da Rússia.

Qualquer pessoa mais bem informada ou com um mínimo de bom senso sabe que os EUA são o pais que mais lucra com a guerra e o menos interessado em ver democracias florescendo - ainda mais em países do dito "terceiro mundo". Democracias verdadeiras (não de brinquedo como temos aqui) não são tão fáceis de serem controladas e manipuladas em favor do capital estrangeiro.

E não eram clones de Jack Ryan que vinham ao Brasil (e tantos outros países) ensinar técnicas de tortura aos nossos militares na época da ditadura ou que atuaram diretamente na derrubada de governos eleitos pelo povo em favor de fascistas e criminosos financiados pelos EUA? Pois é, essa história você não vai ver nos enlatados de Roliúdi...

O mais grotesco de tudo, todavia, é ser obrigado a ver um discurso claramente a favor da tolerância entre as nações e contra o imperialismo dos EUA saindo da boca do vilão do filme (interpretado por um Alan Bates incrivelmente afetado e embonecado), que, pasmem, não passa de um nazista das antigas que quer destruir ambos Rússia e EUA para que sua ideologia possa reinar absoluta no mundo! 

Ou seja: na visão dos autores qualquer um que não concorde com as políticas expansionistas de Washington é obviamente um seguidor de Adolf Hitler e, portanto, pode ser exterminado como um cachorro sem dono (o que literalmente acontece no final).

As bravatas ufanistas a favor da suposta “terra da liberdade” são tantas que chegam até a tocar o hino dos EUA quase inteiramente em uma cena! Mas, para quem já está imune a esse tipo de propaganda pró-imperialista, é impossível não rir ao ver os governos estadunidense e russo comunicando-se por meio de um tipo de e-mail em um momento crucial, quando era muito mais fácil simplesmente dar um telefonema. 

Sem dizer que o presidente da Rússia usa um intérprete em uma cena, em seguida sai falando inglês fluente, mas no final volta a não entender o idioma. Ou ao observarmos o patético Ryan perambulando pelas ruas de uma cidade em chamas devido à explosão de bomba atômica sem ser afetado pela radiação e ainda usando telefone celular!

Triste é ver um diretor como Phill Alden Robinson, que já foi capaz de realizar obras sensíveis como “O Campo dos Sonhos” e subversivas como “Quebra de Sigilo”, a serviço de uma mensagem tão asquerosa. 

Tecnicamente o filme é até correto, mas foi claramente feito de forma burocrática e sonolenta, onde nem mesmo a trilha musical do genial Jerry Goldsmith tem chance de brilhar, até porque o filme é dramaticamente nulo e chato ao extremo.

No final das contas, é fácil concluir que filmes como “A Soma de Todos os Medos” contribuem ainda mais para promover justamente aquilo que dizem ser mais assustador: a intolerância, o preconceito e o radicalismo – e tudo isso disfarçado por uma suposta luta pela liberdade e pela paz.

De acordo com peças publicitárias do Pentágono mascaradas de cinema como essa, alguém atacar os EUA é sempre um "ato de terrorismo", enquanto eles mandarem bombas por aí devem ser encarados como meros "atos de paz".

Depois de tudo isso os estadunidenses ainda vêm tentar passar por pobres vítimas quando terroristas atacam seu pais – e não são eles mesmos, via os produtos da sua indústria cultural, que ensinam com riqueza de detalhes não só como montar uma bomba atômica, mas também como levá-la para dentro de seu território? 

Absurdo? Depois dos atentados ao World Trade Center não parece. Afinal, quem semeia vento colhe tempestade...

Cotação: ZERO
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Artigo: Os pais, os filhos, as "vagabundas"

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Os pais, os filhos, as "vagabundas"

Vai daí que faz o quê? Solta os "meninos"? Prende Sirlei ao rótulo? Pespega-lhe o epíteto de "suburbana vagabunda" que ousou invadir a Barra da Tijuca para trabalhar?

- por Laerte Braga (Ilustração: blog do Kayser )

É fácil entender a reação do pai de um dos cinco agressores de Sirlei Dias de Carvalho Pinto. É difícil a alguém que more num condomínio fechado, cercado de toda a segurança possível e impossível e esteja acostumado a entender que a lei foi feita para privilegiá-lo, acreditar que o filho tenha sido capaz de algum ilícito. Na cabeça desse tipo de gente tudo lhes é permitido.

Não é fácil entender o que o pai de um dos cinco agressores chama de "caráter". Segundo Ludovico Ramalho Bruno, pai de Rubens, um dos cinco, não se pode imaginar o filho preso em meio a "criminosos comuns", pois "ele é um menino de caráter e cursa direito".

E Sirlei, seria o que? Uma "vagabunda"?

Se for esse o conceito de Ludovico que o mundo seja tomado e dominado pelas "vagabundas". Valem mais que qualquer estudante de direito com "caráter".

O jornalista Paulo Francis costumava explicar a frieza com que pilotos norte-americanos, na primeira guerra do Iraque, despejavam toneladas e toneladas de bombas sobre Bagdá, sem a menor preocupação com o fato de estarem matando e ferindo milhares de pessoas da seguinte forma: "eles não enxergam nada além de uma tela de vídeo game onde cresceram matando e explodindo inimigos sem uma gota de sangue real".
E acrescentava: "são programados para isso, para matar de forma asséptica".

Ludovico Ramalho Bruno, antes de qualquer consideração disse que "nós, os pais, não temos culpa". Ninguém ao que eu saiba, ou tenha lido, afirmou que os pais eram os culpados. Auto-absolveu-se. Previamente descartou qualquer chance de sentir-se culpado, pelo menos publicamente.

É óbvio, para morar no condomínio que mora não pode sentir-se um mortal comum, igual à imensa e esmagadora maioria de mortais. Deve e sente-se como alguém acima do bem e do mal.

Não vai entender nunca que o filho vá parar numa cadeia em meio ao que chama de "presos comuns", por ter agredido uma trabalhadora e alegue, o filho de Ludovico, como os outros, que "achamos que era uma vagabunda".

Ou seja, "vagabundas" podem ser agredidas, assaltadas, chutadas, tratadas como se não fossem parte do mundo. A expressão "suburbana" apareceu nas declarações do mesmo pai. Ou seja, Sirlei é uma pessoa do subúrbio, não é alguém da Barra da Tijuca.

Mônica Veloso, ex-namorada do senador Renan Calheiros e pivô de uma crise que vai levar o senador à renúncia - não tem alternativa a não ser que o Legislativo perca o pouco que resta de vergonha - quer um milhão de reais para posar nua para a revista Playboy.

Mônica já trabalhou na GLOBO, é uma jornalista competente, mas neste momento escorrega na casca de banana que o modelo coloca diante de pessoas como ela, lindas sob todos os aspectos, e de Sirlei, uma "suburbana" comum, com rosto comum, mas objetos ambas, do ponto de vista dos que controlam os botões, moram em condomínios fechados, não são suburbanos e estão acima da lei, do bem e do mal.

O estigma. Não importa que Sirlei seja séria, trabalhadora, nada disso é relevante. Que por acaso seja pobre, seria a mesma coisa se fosse "suburbana" com dinheiro.

O ser humano tem data de validade para consumo. Depois é lixo. Dependendo dos ingredientes vale mais um pouco, ou vale pouco menos, ou não vale nada. Quem põe o rótulo é Renan Calheiros, ou Ludovico, o pai de um dos agressores de Sirlei. Os muitos "renans" e "ludovicos" espalhados por aí.

O modelo ser/mercadoria.

Se prestarmos atenção, o discurso desse modelo, hoje, mais que tudo, realça o que chamam de perdas. Todos sempre tivemos perdas desde que o mundo é mundo. Só que, neste momento, as perdas normais são deixadas de lado e criadas as perdas que nos transformam em ávidos e desesperados seres humanos sujeitos aos ventos e tempestades sem perceber que nesse furacão vão nos transformando em objetos descartáveis - pouco importa que seja a Mônica Veloso, ou a Sirlei. Perder sempre para buscar ganhar mais, o que nunca se vai ganhar. O prazo de validade acaba antes do prêmio.

É que os caras acham que não se pode misturar os "filhos dos condomínios" aos "criminosos comuns". Que os "filhos dos condomínios" têm caráter.

É uma conseqüência do modelo sociedade de consumo, ser/mercadoria. Mas é também um problema de concepção individual. Pelo menos sem o cinismo, ainda que de um pai, ao dizer que o filho pode espancar uma suburbana, mas não pode ser comparado a um traficante.

O tráfico só existe porque cá embaixo, nos condomínios fechados, os jovens assaltam uma "suburbana vagabunda" para pegarem dinheiro e comprarem drogas. Afinal, o que é uma "suburbana vagabunda" diante de cinco jovens de um condomínio fechado?

Cinco justiceiros que cismaram de "limpar" o mundo de "suburbanas vagabundas"? Que levantam às seis, montam em ônibus lotados, se matam de trabalhar o dia inteiro e ao final do dia acham que assim se trabalha e se vive?

Uma dessas pessoas iluminadas disse na segunda-feira sobre o momento do mundo: "o estágio do sem amor".
Não é nem o do desamor. É de fato "o estágio do sem amor".

Para Ludovico os pais não têm culpa, os filhos cometeram um crime, mas não podem ser comparados a criminosos comuns porque são estudantes e têm "caráter".

E Sirlei, como fica? E as "suburbanas vagabundas", como ficam?

O rótulo é uma característica da sociedade de consumo, do ser/mercadoria e é por isso que é rótulo. Como todo rótulo tem data de validade. Pelo menos em tese a lei exige.

Vai daí que faz o quê? Solta os "meninos"? Prende Sirlei ao rótulo? Pespega-lhe o epíteto de "suburbana vagabunda" que ousou invadir a Barra da Tijuca, "subúrbio de notáveis" para trabalhar?
Ludovico é apenas o reflexo da sociedade no "estágio do sem amor".

E é ele que gera essa sensação ser/mercadoria. Toda essa podridão e violência. Mas é parte dela também, pois está à margem do mundo comum e corriqueiro dos desesperados e desesperadas que não moram em condomínios fechados. Na Barra, ou em Brasília. Ou a bordo dos bombardeios texanos sobre os "suburbanos/as vagabundos/as" do resto do mundo, assim como se estivem jogando um joguinho eletrônico.

O sangue ali é verde.

O mundo seria bem melhor se feito só de gente como Sirlei. E se Mônica Veloso entendesse que não enxergam nela senão um objeto de consumo com prazo máximo de validade de um mês. É a distância entre a edição de um e outro número da Playboy.
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