SINFONIA DE IMAGENS Obra prima de Kubrick é a prova cabal que o cinema pode ser também uma forma de arte reflexiva e revolucionária
- por André Lux, crítico-spam
"2001: Uma Odisséia no Espaço" é sem dúvida nenhuma um dos melhores filmes de todos os tempos (se não o melhor). É impressionante, acima de tudo, que uma obra realizada em 1968 - antes mesmo do homem pisar na lua! - continue sendo tão atual em sua previsão do futuro.
Filmes muito mais recentes (como "Aliens - O Resgate" ou "Fuga do Século 23") envelheceram mal e ficaram completamente datados no seu design futurista, enquanto o de Stanley Kubrick mantém um desenho de produção ainda plausível e totalmente contemporâneo - exceto talvez ao usar o logo da falida PanAm em uma das naves. A própria seqüência medíocre filmada em 1984, "2010: O Ano Em Que Faremos Contato", virou peça de museu com sua trama envolvendo conflitos entre os EUA e a (extinta) União Soviética e mostrando computadores operando em modo DOS (a tecnologia de ponta na epoca!).
Segundo os autores, a evolução da humanidade estaria diretamente ligada à aparição de um misterioso monolito preto que, ao alinhar-se com outros planetas, precipita acontecimentos fantásticos. O primeiro deles foi a criação da consciência nos homens-macacos. A segunda, quando alinha-se novamente com a Terra e Lua e lança um sinal sonoro em direção à Júpiter. E aí começa a terceira parte do filme, na qual acompanhamos a nave científica Discovery a caminho do planeta para tentar decifrar o mistério do monolito.

A nave é comandada pelo computador HAL 9000, o primeiro a ter Inteligência Artificial. Todavia HAL, que paradoxalmente é o personagem mais humano do filme, enlouquece e acaba matando todos os tripulantes, exceto David Bowman. Diga-se de passagem que só essa sub-trama computador versus a raça humana já gerou centenas de imitações e derivações (vide os recentes "O Exterminador do Futuro" e "Matrix").
O astronauta sobrevivente dirige-se então a Júpiter e ao monolito e, quando sua nave alinha-se com o planeta e o objeto, é lançada em uma viagem dimensional até o que poderia ser uma outra civilização mais avançada - ou mesmo deus. O astronauta é então mandado de volta à Terra (após passar por um período de "adaptação" em um ambiente familiar para preserver sua sanidade mental) na forma de um bebê - no que seria certamente o próximo passo da evolução humana.

Mas essa é só uma das possíveis interpretações do filme. A verdade é que, devido ao seu caráter francamente filosófico e aberto, "2001" permite uma gama infinita de conclusões e especulações. Mas o ritmo lento e a falta de explicações didáticas certamente vai horrorizar espectadores ávidos por aventuras, explosões e tramas simplórias.
O filme quase não tem efeitos sonoros, principalmente na terceira parte, que imita com perfeição a realidade no vácuo espacial, e flui como uma sinfonia de imagens de acordo com as músicas eruditas que Kubrick escolheu para musicar sua obra (Alex North chegou a compor uma trilha original para as duas primeiras partes de "2001", mas só descobriu que ela havia sido rejeitada durante a estréia do filme!).
Já para quem busca algo mais do que entretenimento descerebrado e descartável, "2001: Uma Odisséia no Espaço" é a prova cabal que o cinema pode ser também uma forma de arte reflexiva e revolucionária.
Cotação: * * * * *








Em "Episódio 4" com 60 anos, no mínimo. "Onde você foi desencavar esse velho fóssil?", perguntava o despeitado Han Solo.
De acordo com "Episódio 3", a Estrela da Morte, inaugurada em "Episódio 4" com a destruição de Alderaan, ficou mais de 17 anos em construção! O Imperador deve ter mudado de empreiteira, pois nem 5 anos depois já estava terminando de construir a 2ª Estrela da Morte no "Episódio 6"!
































