terça-feira, 30 de outubro de 2007

Bertold Brecht: "Se os tubarões fossem homens"

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Ouça: [ 56kb ] - necessário Windows Media (Interpretação livre de Antônio Abujamra)

Se os tubarões fossem homens, eles fariam construir resistentes caixas do mar, para os peixes pequenos com todos os tipos de alimentos dentro, tanto vegetais, quanto animais.

Eles cuidariam para que as caixas tivessem água sempre renovada e adotariam todas as providências sanitárias, cabíveis se por exemplo um peixinho ferisse a barbatana, imediatamente ele faria uma atadura a fim que não morressem antes do tempo.

Para que os peixinhos não ficassem tristonhos, eles dariam cá e lá uma festa aquática, pois os peixes alegres tem gosto melhor que os tristonhos.

Naturalmente também haveria escolas nas grandes caixas, nessas aulas os peixinhos aprenderiam como nadar para a guela dos tubarões.

Eles aprenderiam, por exemplo a usar a geografia, a fim de encontrar os grandes tubarões, deitados preguiçosamente por aí. aula principal seria naturalmente a formação moral dos peixinhos.

Eles seriam ensinados de que o ato mais grandioso e mais belo é o sacrifício alegre de um peixinho, e que todos eles deveriam acreditar nos tubarões, sobretudo quando esses dizem que velam pelo belo futuro dos peixinhos.

Se encucaria nos peixinhos que esse futuro só estaria garantido se aprendessem a obediência.

Antes de tudo os peixinhos deveriam guardar-se antes de qualquer inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista e denunciaria imediatamente aos tubarões se qualquer deles manifestasse essas inclinações.

Se os tubarões fossem homens, eles naturalmente fariam guerra entre sí a fim de conquistar caixas de peixes e peixinhos estrangeiros.

As guerras seriam conduzidas pelos seus próprios peixinhos. Eles ensinariam os peixinhos que entre eles os peixinhos de outros tubarões existem gigantescas diferenças, eles anunciariam que os peixinhos são reconhecidamente mudos e calam nas mais diferentes línguas, sendo assim impossível que entendam um ao outro.

Cada peixinho que na guerra matasse alguns peixinhos inimigos

Da outra língua silenciosos, seria condecorado com uma pequena ordem das algas e receberia o título de herói.

Se os tubarões fossem homens, haveria entre eles naturalmente também uma arte, havia belos quadros, nos quais os dentes dos tubarões seriam pintados em vistosas cores e suas guelas seriam representadas como inocentes parques de recreio, nos quais se poderia brincar magnificamente.

Os teatros do fundo do mar mostrariam como os valorosos peixinhos nadam entusiasmados para as guelas dos tubarões.

A música seria tão bela, tão bela que os peixinhos sob seus acordes, a orquestra na frente entrariam em massa para as guelas dos tubarões sonhadores e possuídos pelos mais agradáveis pensamentos .

Também haveria uma religião ali.

Se os tubarões fossem homens, ela ensinaria essa religião e só na barriga dos tubarões é que começaria verdadeiramente a vida.

Ademais, se os tubarões fossem homens, também acabaria a igualdade que hoje existe entre os peixinhos, alguns deles obteriam cargos e seriam postos acima dos outros.

Os que fossem um pouquinho maiores poderiam inclusive comer os menores, isso só seria agradável aos tubarões pois eles mesmos obteriam assim mais constantemente maiores bocados para devorar e os peixinhos maiores que deteriam os cargos valeriam pela ordem entre os peixinhos para que estes chegassem a ser, professores, oficiais, engenheiro da construção de caixas e assim por diante.

Curto e grosso, só então haveria civilização no mar, se os tubarões fossem homens.

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Sobre o autor: Bertold Brecht (1898-1956), nascido em Augsburgo. Escritor e dramaturgo alemão, além de grande teórico teatral. Desde menino escrevia poesias de forte conteúdo social. Foi perseguido pelos nazistas pelo seu comunismo militante.
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Artigo: "O Rolo do Rolex"

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O cantor e compositor Zeca Baleiro nos brinda com um excelente texto sobre o caso do Rolex roubado do Luciano Huck. Leiam e comprovem!


O rolo do Rolex

Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado?

- por ZECA BALEIRO*

NO INÍCIO do mês, o apresentador Luciano Huck escreveu um texto sobre o roubo de seu Rolex. O artigo gerou uma avalanche de cartas ao jornal, entre as quais uma escrita por mim. Não me considero um polemista, pelo menos não no sentido espetaculoso da palavra. Temo, por ser público, parecer alguém em busca de autopromoção, algo que abomino. Por outro lado, não arredo pé de uma boa discussão, o que sempre me parece salutar. Por isso resolvi aceitar o convite a expor minha opinião, já distorcida desde então. Reconheço que minha carta, curta, grossa e escrita num instante emocionado, num impulso, não é um primor de clareza e sabia que corria o risco de interpretações toscas.

Mas há momentos em que me parece necessário botar a boca no trombone, nem que seja para não poluir o fígado com rancores inúteis. Como uma provocação. Foi o que fiz. Foi o que fez Huck, revoltado ao ver lesado seu patrimônio, sentimento, aliás, legítimo. Eu também reclamaria caso roubassem algo comprado com o suor do rosto. Reclamaria na mesa de bar, em família, na roda de amigos. Nunca num jornal. Esse argumento, apesar de prosaico, é pra mim o xis da questão. Por que um cidadão vem a público mostrar sua revolta com a situação do país, alardeando senso de justiça social, só quando é roubado? Lançando mão de privilégio dado a personalidades, utiliza um espaço de debates políticos e adultos para reclamações pessoais (sim, não fez mais que isso), escorado em argumentos quase infantis, como "sou cidadão, pago meus impostos".

Dias depois, Ferréz, um porta-voz da periferia, escreveu texto no mesmo espaço, "romanceando" o ocorrido. Foi acusado de glamourizar o roubo e de fazer apologia do crime. Antes que me acusem de ressentido ou revanchista, friso que lamento a violência sofrida por Huck. Não tenho nada pessoalmente contra ele, de quem não sei muito. Considero-o um bom profissional, alguém dotado de certa sensibilidade para lidar com o grande público, o que por si só me parece admirável. À distância, sei de sua rápida ascensão na TV. É, portanto, o que os mitificadores gostam de chamar de "vencedor". Alguém que conquista seu espaço à custa de trabalho me parece digno de admiração. E-mails de leitores que chegaram até mim (os mais brandos me chamavam de "marxista babaca" e "comunista de museu") revelam uma confusão terrível de conceitos (e preconceitos) e idéias mal formuladas (há raras exceções) e me fizeram reafirmar minha triste tese de botequim de que o pensamento do nosso tempo está embotado, e as pessoas, desarticuladas.

Vi dois pobres estereótipos serem fortemente reiterados. Os que espinafraram Huck eram "comunistas", "petistas", "fascistas". Os que o apoiavam eram "burgueses", "elite", palavra que desafortunadamente usei em minha carta. Elite é palavra perigosa e, de tão levianamente usada, esquecemos seu real sentido. Recorro ao "Houaiss": "Elite - 1. o que há de mais valorizado e de melhor qualidade, especialmente em um grupo social [este sentido não se aplica à grande maioria dos ricos brasileiros]; 2. minoria que detém o prestígio e o domínio sobre o grupo social [este, sim]".

A surpreendente repercussão do fato revela que a disparidade social é um calo no pé de nossa sociedade, para o qual não parece haver remédio - desfilaram intolerância e ódio à flor da pele, a destacar o espantoso texto de Reinaldo Azevedo, colunista da revista "Veja", notório reduto da ultradireita caricata, mas nem por isso menos perigosa. Amparado em uma hipócrita "consciência democrática", propõe vetar o direito à expressão (represália a Ferréz), uma das maiores conquistas do nosso ralo processo democrático. Não cabendo em si, dispara esta pérola: "Sem ela [a propriedade privada], estaríamos de tacape na mão, puxando as moças pelos cabelos". Confesso que me peguei a imaginar esse sr. de tacape em mãos, lutando por seu lugar à sombra sem o escudo de uma revista fascistóide.

Os idiotas devem ter direito à expressão, sim, sr. Reinaldo. Seu texto é prova disso. Igual direito de expressão foi dado a Huck e Ferréz. Do imbróglio, sobram-me duas parcas conclusões. A exclusão social não justifica a delinqüência ou o pendor ao crime, mas ninguém poderá negar que alguém sem direito à escola, que cresce num cenário de miséria e abandono, está mais vulnerável aos apelos da vida bandida. Por seu turno, pessoas públicas não são blindadas (seus carros podem ser) e estão sujeitas a roubos, violências ou à desaprovação de leitores, especialmente se cometem textos fúteis sobre questões tão críticas como essa ora em debate.

Por fim, devo dizer que sempre pensei a existência como algo muito mais complexo do que um mero embate entre ricos e pobres, esquerda e direita, conservadores e progressistas, excluídos e privilegiados. O tosco debate em torno do desabafo nervoso de Huck pôs novas pulgas na minha orelha. Ao que parece, desde as priscas eras, o problema do mundo é mesmo um só -uma luta de classes cruel e sem fim.

*JOSÉ DE RIBAMAR COELHO SANTOS, 41, o Zeca Baleiro, é cantor e compositor maranhense. Tem sete discos lançados, entre eles, "Pet Shop Mundo Cão".

O texto acima foi publicado no jornalão Falha de S. Paulo (link).

terça-feira, 23 de outubro de 2007

A vingança dos homens de bem: Comentários confirmam fascismo de "Tropa de Elite"

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Quando dizemos que "Tropa de Elite" errou feio em suas supostas boas intenções tem gente que discorda, dizendo que o filme não é fascista nem endossa as "soluções finais" usadas pelo BOPE para chacinar favelados.

Vejam abaixo dois comentários deixados por representantes dos manipulados pela mídia corporativa aqui no meu blog na crítica do filme e reflitam.

carlos disse...
eu acho que vc está exagerando, tropa de elite é só uma obra de ficção feita para divertir e passar o tempo, vc está querendo criar uma tempestade em copo d'água, eu não sou de classe média, muito menos playboy, mas nem por isso gosto de bandido, pois as vezes é o que parece que algumas pessoas pessam, que pobre tem que está do lado do bandido só porque a maioria dos bandidos tem origem pobre, bandido é bandido, rico ou pobre, tem que exterminar mesmo, talvez por isso algumas pessoas estão vendo cap. nascimento como um herói, pois os bandidos também não respeitam nossos direitos, porque ser bonzinho com eles? tem que botar pra quebrar mesmo.

miguel disse...
as pessoas apenas estão se sentindo 'vingadas' por tudo que acontece de ruim neste pais, especialmente pela impunidade que os bandidos tem, o cap. nascimento é uma especie de rambo que usa de todas as armas para combater o crime, pode não ser a melhor, mas alguém poderia sugerir outra? essa história que os bandidos são vitimas da situação social é pura cascata, pois se fosse por isso, o brasil teria uma imensa maioria de bandidos pois a maioria do brasil é pobre, eu mesmo só da classe baixa da população, as poucas coisas que consegui são frutos do meu trabalho, bandido tem que ser tratado como bandido mesmo, direitos humanos para humanos direitos.

Reparem que ambos são categóricos em afirmar que bandidos têm que ser exterminados sumariamente, sem direito a qualquer tipo de julgamento. O que nos leva à pergunta: o que é "ser bandido" para essas pessoas? Bandido é todo mundo que desrespeita as leis, sejam elas quais forem? Ou são apenas os pobres que desrespeitam as leis?

Tenho certeza eu eles vão responder a primeira opção: bandido é todo aquele que desrespeita as leis. Faço então algumas perguntinhas aos dois direitistas, adeptdos do "prendo e arrebento". Já que todo bandido deve ser sumariamente exterminado, o que vocês achariam se:

1) Um amigo ou primo de vocês fosse pego dirigindo bêbado depois de uma balada forte no sábado? Dirigir embriagado é contra a lei. Deveriam, portanto, os dois serem exterminados ali mesmo no carro deles?

2) Sabe aquele parente seu que adora "molhar a mão" do guarda de trânsito para escapar da multa? Então, suborno é contra a lei. Tudo bem o policial metralhar esse criminoso no acostamento da estrada após a tentativa de suborno?

3) Lembra da empregada doméstica que limpa o chão da sua casa todos os dias? Você sabe se ela tem registro em carteira para fazer essa função? Se não tem, então seu empregador está fora da lei. Tudo bem a gente mandar o capitão Nascimento e sua gangue passar fogo em todo mundo aí na sua residência?

4) Estudantes de Direito gostam de brincar de sair de restaurantes sem pagar a conta. Isso é contra a lei. Se o dono do estabelecimento chamar um policial e ele chacinar todos os estudantes na porta com tiros na cabeça, vocês bateriam palmas também?

5) Na hora de declarar o Imposto de Renda, seu pai esqueceu de listar alguns ítens. Que tal, ao invés de receber um aviso da Receita Federal com direito de se defender, receber a visita do capitão Nascimento com a escopeta pronta para dar um tira na cara dele? Ué, bandido é bandido e sonegar o Imposto de Renda é crime...

A questão é uma só: ou a lei e os direitos humanos valem para todos ou não valem para ninguém. Se não valem para os "bandidos" favelados, então não devem valer para o resto da sociedade. Aí vamos voltar à época do bangue-bangue. Se você me olhar torto e eu não gostar, puxo minha arma, te mato e pronto - igual fazem aqueles playboys na praia quando alguém olha para a namoradinha deles.

E dizer que a maiorida dos bandidos é de origem humilde é uma aberração. Só se forem os bandidos pequenos, porque os maiores bandidos do mundo usam terno e gravata e andam de mercedão, como todo mundo sabe.

Se eu fosse o diretor José Padilha tentaria o suicidio depois de ver o tipo de reação deplorável que meu filme está provocando nas pessoas as quais, supostamente, deveriam se sensibilizar com a horrível realidade mostrada nas telas...

Quando assistia "Tropa de Elite" procurei, como sempre faço, ver o filme como qualquer outro espectador, deixando ele me levar, independente da minha ideologia política e de preconceitos.

E, infelizmente, a construção narrativa adotada pelo diretor me levou a "torcer" para que o esquema de vingança do capitão Nascimento tivesse sucesso. O fato dele estar torturando e matando friamente e acima da lei ficou em segundo plano ali no calor dos fatos narrados. O que importava era ver ele e seus amigos vingando a morte do parceiro e matando os vilões monstruosos da favela.

Ao adotar esse tipo de construção estética pobre e maniqueísta, "Tropa de Elite" não fica muito diferente de um filme como "Rambo II" e similares. O fato de eu achar tudo isso repugnante tem a ver com minha ideologia política, mas é fato que os manipulados pela mídia de direita e os fascistas (enrustidos ou não) estão todos torcendo pelo Nascimento e sua gangue de policiais - vide os comentários acima. E isso é grave.

É por isso que eu acho que o diretor falhou em suas pretensões. E falhou feio. E estão aí a Veja e o Luciano Huck batendo palmas para o filme...
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007

Ainda sobre "Tropa de Elite": É um mal sinal quando o autor precisa explicar a obra...

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Tenho lido dezenas de entrevistas com os autores e atores do filme "Tropa de Elite". Todos fazem questão de explicar que não tiveram a intenção de fazer um filme fascista. Que queriam apenas "mostrar uma realidade", colocar o dedo na ferida, etc. Ninguém duvida disso. Pelo contrário.

A questão é: será que conseguiram atingir seus objetivos?

Na minha opinião humilde, como vocês já leram abaixo, eles não conseguiram.

Quando um autor precisa ficar o tempo todo "explicando" ou "justificando" sua obra é sinal de que ele falhou em suas intenções. Ou alguém aí já viu o Kubrick, o Coppola, o Kurosawa ou a turma do Monty Python explicando as intenções de seus filmes?

Eu nunca vi. Mas eu vi o Paul Verhoeven dando mil entrevistas na época do lançamento tentando explicar que "Tropas Estelares" também não era a favor do nazismo, que era uma sátira, uma crítica, etc...

Agora, é claro que o filme "Tropa de Elite" provoca polêmica e leva ao debate de idéias, o que é sempre saudável - mesmo que seja pelos motivos errados.

Como eu tentei apontar em minha análise, o problema é que a estrutura narrativa que o diretor montou para o filme contradiz a proposta que ele defende, principalmente pela escolha da narração em off vinda do capitão Nascimento e pelos estereótipos torpes que usou para caracterizar a maioria dos personagens. Isso deixou "Tropa de Elite" com cara de filme policial estadunidense e meio que anulou a crítica social pretendida pelos autores, chegando ao cúmulo de justificar a chacina provocada pelos policiais no final.

Não sei o que vocês pensam disso, mas eu ia ter vontade de me suicidar ao ver meu filme supostamente anti-fascista, crítico e socialmente engajado receber aplausos de porta-vozes da ultra-direita tupiniquim, como a revista VEJA e afins...

Como diz o ditador popular, "o inferno está cheio de gente bem-intencionada".
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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Filmes: "TROPAS ESTELARES"


TIRO PELA CULATRA

Mão pesada, roteiro ridículo e elenco desastroso transformam suposta sátira em propaganda do nazi-fascismo.

- por André Lux, jornalista e crítico-spam

O holandês Paul Verhoeven é um cineasta polêmico. Chamou a atenção do mundo realizando filmes de arte em sua terra natal e entrou em Hollywood pelas portas dos fundos, dirigindo "Conquista Sangrenta" (Flesh + Blood), um dos mais perturbadores e indigestos filmes passados na Idade Média.

Logo depois, emplacou um blockbuster chamado "Robocop", que teria sido apenas mais um banal filme de ficção se não fosse pelo alto grau de acidez imputado por Verhoeven à trama. Ao mesmo tempo que atingia o espectador ávido por perseguições, explosões e sangue (que jorra em abundância), "Robocop" também tinha algo mais a dizer, principalmente na crítica feroz ao consumismo desenfreado (até a polícia é privatizada nesse mundo neoliberal do futuro) e à industrialização da violência e do sexo na sociedade estadunidense.

Em "Tropas Estelares", baseado no livro de Robert A. Heinlein, Verhoeven tentou ser ainda mais satírico, traçando uma crítica mordaz entre a futura sociedade nazi-fascista do filme com a própria sociedade estadunidense e seu amor por armas de fogo e guerra - detalhe que, diga-se de passagem, passou totalmente despercebido nos EUA.

Entretanto, ao contrário de "Robocop", Verhoeven falhou feio dessa vez e o tiro saiu pela culatra. Dirigiu tudo com mão pesada, exagerou nos efeios especiais e na violência e deixou a impressão de justamente louvar o fascismo pregado pelos protagonistas. A culpa também é do elenco desastroso que leva a sério os personagens propositalmente caricatos e superficiais. São constrangedoras as atuações de Casper Van Dien (hoje astro de filmes policiais televisivos classe Z) e de Denise Richards que deixam o filme com um ar de "Barrados no Baile nas Estrelas". O diretor tentou se explicar dizendo que foi obrigado a contratar atores do segundo escalão devido à falta de dinheiro, que acabou sendo todo usado nos efeitos especiais...

Mas "Tropas Estelares" tem ainda uma dos roteiros mais ridículos e absurdos já filmados, que não respeita qualquer lógica ou sanidade. Se não acredita, então veja: logo no início somos informados que a raça humana está em guerra com insetos alienígenas que habitam um planeta do outro lado da galáxia. Ninguém explica o porque da peleja, muito menos como diabos as duas raças cruzaram-se. Entretanto, os insetos raivosos jogam (?) um meteoro em direção ao nosso planeta que acaba caindo em Buenos Aires (com certeza o cara que vigiava o radar dormiu nessa hora).

O estado nazi-fascista que domina a Terra, no qual quem não faz parte do exército é considerado cidadão de segunda classe, declara guerra total aos insetos e manda os soldados para destruí-los no mano a mano, com direito inclusive a granadas atômicas, das quais eles se protegem depois de jogar nos monstros escondendo-se atrás de árvores e pedras (é sério, gente, não estou inventando!). Começa então uma interminável e enfadonha série de cenas de ação regadas a muita pirotecnia, efeitos especiais de última geração e corpos mutilados em detalhes grotescos.

É claro que tudo isso deveria ser usado a favor da sátira, mas infelizmente não dá para rir da propaganda pró-fascista que "Tropas Estelares" acaba fazendo. Sabemos que a intenção de Verhoeven não era essa, mas quem assistiu ao filme no cinema vai lembrar de ouvir os urros de apoio da platéia toda vez que um personagem citava alguma filosofia nazista ou quando os corpos mutilados começaram a pipocar.

"Tropas Estelares" é um filme asqueroso em todos os sentidos. Prova que até a melhor das intenções pode gerar resultados completamente nocivos!

Cotação: *
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quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Filmes: "TROPA DE ELITE"

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RAMBO DOS POBRES

Filme endossa, ao que parece involuntariamente, a solução final que muitos representantes da “elite” anseiam ver aplicada no Brasil: um saco na cabeça e um tiro na cara para cada Rolex roubado.

- por André Lux, jornalista e crítico-spam


Nunca tinha visto um filme brasileiro capaz de gerar tantas opiniões e análises divergentes, inclusive entre quem se define “de esquerda”. 

Alguns acusam o filme de ser fascista, enquanto outros aplaudem as soluções bárbaras para o tráfico de drogas mostradas na tela.

A verdade é que as reações exacerbadas que “Tropa de Elite” vem provocando comprovam o quanto o Estado e as instituições democráticas do Brasil são frágeis e débeis. Basta alguém apontar uma câmera para lugares que ninguém quer ver e pronto: voam penas para todos os lados!

Isso ao menos é um ponto positivo, pois qualquer polêmica e debate sobre as questões abordadas no filme são sempre bem vindos, ainda mais num país onde a maioria gosta de tapar o sol com peneira ou propor soluções simplistas e violentas para tudo.

Sobre o filme em si só posso dizer uma coisa: trata-se, sim, de uma obra fascista no sentido que justifica a violência, a tortura e o desrespeito às leis por parte dos policiais do BOPE (a tal Tropa de Elite). 

Não posso afirmar que essa tenha sido a intenção do diretor José Padilha (do excelente documentário “Ônibus 174”), mas o fato é que ele cometeu erros primários na condução da narrativa e acabou transformando o famigerado capitão Nascimento numa espécie de Rambo dos pobres.

E não adianta tentar justificar que o personagem do policial é “profundo” por ser problemático ou sofrer de síndrome do pânico, pois, vale lembrar, o Rambo do Stallone também era um desajustado que tinha traumas psicológicos provocados pela guerra do Vietnã e dizia com orgulho que confiava apenas no seu facão.

Mas isso não o impedia de metralhar heroicamente os vilões malvados com frieza e requintes de crueldade em nome do imperialismo estadunidense para deleite da platéia, da mesma forma que faz o capitão Nascimento (o esforçado Wagner Moura) em nome de algo que nem chega a ficar claro no filme.

O erro básico do cineasta foi inserir uma narração em off feita pelo protagonista, que além de não acrescentar nada à trama e tratar de fatos que ele não teria como saber, tem um tom debochado e cínico que destoa completamente do suposto estado mental psicótico que o filme tenta imprimir no personagem. Por causa desse recurso infeliz o capitão Nascimento acaba por virar o “herói” incompreendido de um filme que, supostamente, queria ser ultra-realista e atirar para todos os lados da mesma forma como fez Fernando Meireles no irretocável “Cidade de Deus”.

Esse erro fica ainda mais gritante na terceira parte do roteiro, que mostra os policiais do BOPE agindo acima de qualquer lei ou comando ao partir para a vingança pessoal contra os traficantes que mataram um dos seus, lançando mão de recursos inadmissíveis com a tortura e o fuzilamento sumário. Ninguém discorda que isso ocorra no mundo real, o problema é que ações de “vale tudo” como essa provocam, na maioria das vezes, o espancamento e a morte de muitos inocentes. Mas no filme todos os personagens torturados ou mortos são bandidos confessos. Urra! Nem o Jack Bauer, torturador oficial da série "24 Horas", faria melhor!

E, convenhamos, apresentar o vilão maior do filme, lamentavelmente batizado de Baiano, usando camisa com a estampa do Che Guevara não conta pontos a favor de Padilha. Pergunto: para que serve matizar o policial torturador se não fizerem o mesmo com os traficantes, pintados sempre como sádicos conscientes da própria maldade, um dos clichês mais torpes do cinema?

Comparem, por exemplo, a diferença brutal de caracterização do Zé Pequeno de “Cidade de Deus”, que mesmo sendo ainda mais sádico que Baiano nunca é menos que humano no filme de Meireles. E, por isso mesmo, realmente assustador como retrato perfeito da realidade onde foi criado.

E, por favor, que conversa mole é aquela de que os policiais do BOPE são todos varões da moral e incorruptíveis, se fica claro no filme que eles sabem muito bem quais são os PMs corruptos? Já que sabem - e seguindo a lógica do capitão Nascimento que afirma não ver diferença entre os traficantes e aqueles que os ajudam - por que então não os prendem ou fuzilam como fazem com os favelados? Medo, omissão, corporativismo, ordens superiores? Qualquer que seja a resposta, estão sendo no mínimo coniventes com a corrupção e bandidagem dos colegas! E o filme não chega nem perto de tocar nesse nervo que, ao meu ver, é um dos mais importantes e trágicos da atualidade.

Outro ponto negativo é a maneira como Matias (André Ramiro), o policial negro, é desenvolvido. Começa bem ao ser apresentado como um homem íntegro e com consciência social, que busca obter um diploma de Direito e seguir carreira na polícia fazendo a coisa certa. Saem da boca dele as melhores linhas do filme, principalmente quando ataca a hipocrisia do discursinho moralista que representantes da classe média alta proferem em relação às drogas e à polícia. “Vocês só sabem repetir as besteiras que aprendem lendo jornalzinho, revistinha e vendo televisão”, provoca.

Abro um parêntese aqui para dizer que, infelizmente, os estudantes de classe média que interagem com Matias são extremamente caricatos e ajudam ainda mais a enfraquecer as poucas boas teses que “Tropa de Elite” defende. E o que são aquelas mocinhas lindas, arrumadinhas e bem intencionadas andando de um lado para o outro da favela, cercada por pessoas que elas sabiam serem traficantes da pesada, em nome de uma ONG dirigida por um político visivelmente picareta? Pior que isso só mesmo aquela jornalista maravilhosa e imparcialíssima perambulando pela África de shortinho no ridículo “Diamante de Sangue”!

Voltando ao Matias. O problema é que, de repente, o personagem sai do rumo e passa a agir como um clone do Darth Vader, sem qualquer resquício de humanidade, depois que seu amigo é assassinado pelos traficantes.

É sabido que, originalmente, seria ele o narrador da história, decisão que erroneamente o diretor Padilha alterou já na fase final da montagem. Dá para imaginar que, mantida a voz interior de Matias, ao menos a transformação da personalidade dele teria mais nuances e serviria também como contraponto racional à selvageria chauvinista do capitão.

Com todos esses erros e omissões cometidos pelos idealizadores, não é à toa que “Tropa de Elite” recebe aplausos de publicações ultra-fascistas como a revista Veja e o sádico capitão Nascimento vem sendo ovacionado como herói nacional, chegando ao cúmulo de ser conclamado para salvar de assaltos celebridades que ficaram ricas explorando a estupidez e a miséria humana na mídia.

Afinal, a obra do diretor Padilha endossa, ao que parece involuntariamente, a solução final que muitos representantes da “elite” tanto anseiam ver aplicada no Brasil: um saco na cabeça e um tiro na cara para cada Rolex roubado... Lamentável.

Cotação: **
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Parceria: Assine a revista Fórum e ajude os blogueiros!

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Como vocês já devem ter percebido, o "Tudo Em Cima" agora traz agora links para os leitores assinarem a revista Fórum. Isso faz parte de uma campanha idealizada pela revista que visa aumentar a venda de suas assinaturas e premiar os blogueiros que ajudarem nessa meta.

Eu já sou assinante da Fórum há mais de um ano e recomendo a todos que querem obter informações, análises e reportagens independentes e sérias, escritas por jornalistas que não têm medo de assumir suas posições ideológicas abertamente, embora não se furtem de criticar e denunciar quem quer que seja. Ou seja, tudo aquilo que a mídia corporativa não faz, enquanto se esconde atrás de supostas imparcialidade e isenção que são tão críveis quanto a existência do Papai Noel.

Leiam abaixo o comunicado da revista a respeito da campanha de parceria com blogueiros.

'Fórum' lança campanha de assinaturas via blogues e páginas de internet

- Por Redação [Quarta-Feira, 10 de Outubro de 2007 às 17:33hs]

A revista Fórum lança o Programa de Ativistas, campanha de assinaturas via internet. Blogues e páginas da internet interessadas podem divulgar a assinatura da publicação e os livros da editora Publisher Brasil. As vendas para internautas provenientes da página parceira rendem 20% de comissão para quem o indicou.

A ação segue o modelo de programas afiliados de lojas virtuais, mas é pioneiro ao promover relação direta entre a revista e cada blogue individualmente. Outra inovação é a possibilidade de cada ativista poder acompanhar, por meio de relatórios gerados automaticamente, os pedidos confirmados, acessos e áreas de interesse dos internautas que navegaram pela loja a partir de sua página. Tudo pelo sistema da loja virtual, com protocolos de segurança e possibilidade de pagamento por boleto bancário e cartão de crédito.

"A blogosfera cresce sem parar em todo o mundo, e também no Brasil", avalia Anselmo Massad, editor da página da Fórum na internet. "Muitos blogues citam e apontam para a página da Fórum por gostarem dela e acreditarem em outro modelo de comunicação", explica. Assim, a aposta é em uma ação de divulgação de assinaturas oferecendo uma comissão sobre as vendas realizadas, com a transparência de um sistema que realiza os cálculos e a organiza as informações com toda a segurança.

Uma das promoções da loja virtual da editora é a assinatura bianual que dá direito a exemplares de dois livros, por R$ 149. A cada assinatura confirmada, o blogueiro que indicou o novo assinante, garantiria R$ 29,8 de comissão. Para quem compra, são praticamente duas edições grátis mais os livros como cortesia.

Inscrição
Os interessados podem acessar a página dos Ativistas, estar de acordo com o Termo de Adesão e preencher o formulário de inscrição. A equipe da Fórum irá entrar em contato informando o link para onde os anúncios da revista devem ser direcionados, bem como uma página com banners-padrão.

O blogueiro também recebe o endereço, login e senha para acessar relatórios de acesso e de compras de produtos a qualquer momento. Até décimo dia útil de cada mês, os ativistas recebem, na conta bancária cadastrada, o valor da comissão calculada pelo sistema da loja virtual. O provedor da página de comércio eletrônico é a Fast Commerce, conceituada empresa no setor.

O e-mail de contato é ativistas@revistaforum.com.br.

Inscrições: www.revistaforum.com.br/ativistas
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terça-feira, 16 de outubro de 2007

Outra mentira da Veja desmascarada: Che morreu de pé e desafiou seu assassino

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Che morreu de pé

Relatório do Exército americano conta que líder guerrilheiro, de mãos atadas, desafiou seu assassino antes de ser fuzilado

- por Maurício Dias (http://www.cartacapital.com.br/che-morreu-de-pe)

Documentos inéditos dos arquivos americanos, saídos principalmente das estantes do Departamento de Estado, são fundamentais para a reconstrução da história da fracassada guerrilha liderada por Che Guevara na Bolívia.
Os papéis consolidam algumas versões, derrubam outras, e deixam entrever que, 40 anos depois da morte do líder guerrilheiro, a verdade, para surgir inteira, terá de aguardar a liberação de informações ainda embargadas aos pesquisadores.

Mas já se sabe agora, por exemplo, como foi o cerco militar, armado no dia 8 de outubro, que antecedeu a prisão de Che e de outros guerrilheiros na província de La Higuera, descrito em um longo e detalhado relatório elaborado pelo Exército dos EUA.

O documento, de 28 de novembro de 1967, mostra a versão dos americanos para o momento da execução de Guevara, no começo da tarde de 9 de outubro de 1967. Che não tremeu na hora de morrer com oito tiros de carabina M2, sustenta a insuspeita versão norte-americana: “Saiba que está matando um homem”, disse o prisioneiro para o algoz, um sargento chamado Mario Terán.

Segundo o Exército dos EUA, três soldados – Encinos, Choque e Balboa – “foram os primeiros bolivianos a colocar as mãos em Che”. Nenhum deles falou sobre a reação de Che Guevara na hora da prisão. Não se sabe de onde surgiu a versão de que Guevara pediu clemência aos militares.

Ainda neste relatório do Exército surge uma informação que compromete a versão publicada no livro do agente da CIA, o cubano Félix Rodríguez, no qual ele conta que tentou evitar o assassinato de Che. A proposta teria sido recusada pelo coronel Joaquín Zenteno, comandante militar da região onde o líder da guerrilha foi capturado.

Está anotado no documento: “Zenteno havia deixado ordens para que os prisioneiros fossem mantidos vivos”. “Os oficiais não sabiam de onde provinham as ordens (da execução), mas acreditavam que tivessem sido dadas pelos escalões mais altos do Exército”, diz o relatório do Exército dos Estados Unidos.

É uma suposição. A outra é de que a CIA tramou a execução. Sobre as duas versões há evidências aqui e acolá. Mas não há base factual capaz de sustentar um veredicto final.

Leia toda a reportagem em CartaCapital
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segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Eu estive lá: Nasce a ONG do "Movimento dos Sem Mídia"

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Sábado, dia 13 de outubro, aconteceu em São Paulo a assembléia de criação da ONG do "Movimento dos Sem Mídia" (MSM), idealizado pelo comerciante e blogueiro Eduardo Guimarães em seu blog "Cidadania". Compareceram ao ato cerca de 50 pessoas, algumas oriundas do Rio de Janeiro e de outras cidades do interior paulista.

Eu estive lá. Foi muito bom poder conhecer ao vivo e à cores pessoas que eu já trocava mensagens pela internet há anos sobre um sentimento que vem crescendo cada vez mais: o repúdio e o asco frente à manipulação e à partidarização presente na mídia corporativa mundial.

Sentimentos que muitos de nós que também fazemos parte da infame "classe média" já tínhamos há anos, mas que foram catapultados às alturas a partir do momento que os barões da mídia local decidiram que havia chegado a hora de derrubar o governo Lula, democraticamente eleito pela maioria dos brasileiros para o horror de quem sempre manteve relações promíscuas com a elite predatória que mandou no país até a eleição do ex-torneiro mecânico.

A partir daí, muitos jornalistas, articulistas e outros auto-proclamados "formadores de opinião" jogaram os escrúpulos às favas (por ideologia ou por grana mesmo) começaram a atacar brutalmente o governo Lula, o PT e qualquer um que ousasse defendê-los. Jornais, revistas e TVs passaram a veicular a mesma opinião, muitas vezes escrita praticamente da mesma maneira, travestida de verdade única e incontestável.

Foi para protestar e lutar contra esse tipo de prática intolerável num regime dito democrático, a qual tenta suprimir sistematicamente e de maneira autoritária o contraditório e a pluralidade de opiniões, que Guimarães idealizou o Movimento dos Sem Mídia. Segundo ele, mais de 750 pessoas do Brasil inteiro se declararam favoráveis, dos quais cerca de 300 já se filiaram ao MSM.

O objetivo do movimento não é, de maneira nenhuma, tentar derrubar, censurar ou calar a mídia corporativa e seus "formadores de opinião", mas sim exigir espaço igual para o direito de expressão daqueles que possuem opiniões divergentes das dos barões da mídia. Enquanto a grande imprensa continuar optando por tentar calar ou desqualificar as opiniões divergentes nós vamos protestar!

JUNTE-SE A NÓS

Quem quiser se filiar ao Movimento dos Sem Mídia, que se trata de um movimento APARTIDÁRIO (ou seja, não recebe apoio ou financiamento de nenhum partido político ou entidade ligada a partidos políticos) ou obter mais informações sobre os objetivos do movimento deve visitar o blog do Eduardo Guimarães (clique aqui).

Leia neste link a matéria que o site Conversa Afiada, do jornalista Paulo Henrique Amorim, publicou sobre a assembléia do MSM - reparem que eu apareço por alguns segundos discursando (e mexendo a mão sem parar!) para os colegas sem mídia.

Abaixo, algumas fotos que eu tirei no local:


Vista geral da assembléia


Eduardo Guimarães fala sobre o MSM


Participantes votam sobre as questões levantadas
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quarta-feira, 10 de outubro de 2007

40 anos da morte de Che: "Balas não matam uma idéia!"





"Não basta trazer o Che na camiseta,
é preciso saber quem ele foi, conhecer
sua vida e sua obra, suas ações,
seguir-lo como exemplo." (Fidel)






Foto retiradas do blog Ponto de Vista.
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terça-feira, 9 de outubro de 2007

Movimento dos Sem Mídia: Assembléia no sábado em SP

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O Movimento dos Sem Mídia, do Eduardo Guimarães, depois da bem sucedida manifestação em frente a Folha de São Paulo, faz a convocação geral. Filiação ao movimento: acesse o blog Cidadania.

Assembléia para fundação do Movimento dos Sem-Mídia:

Data: próximo sábado, dia 13 de outubro de 2007.
Hora: a partir das 10 horas da manhã até 17 horas.
Local: auditório da Sociedade de Usuários de Informática e Telecomunicações de São Paulo (Sucesu-SP)
Rua Tabapuã, nº 627, bairro do Itaim Bibi, em São Paulo (SP)
Telefone (11) 3556-6666.


O Eduardo Guimarães pede a confirmação de presença daqueles que forem (acesse o blog Cidadania para confirmar), e pede que quem confirmar presença não falte.
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segunda-feira, 8 de outubro de 2007

40 anos sem Che: "Hasta la victoria, simpre!"



“Por que será que o Che
Tem este perigoso costume
De seguir sempre renascendo?
Quanto mais o insultam,
O manipulam
O atraiçoam
Mais ele renasce.
Ele é o mais renascedor de todos!
Não será por que Che
Dizia o que pensava e fazia o que dizia?
Não será por isso que segue sendo
tão extraordinário,
Num mundo onde palavras
e atos tão raramente se encontram?
E quando se encontram
raramente se saúdam
Por que não se reconhecem?
(Eduardo Galeano)
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domingo, 7 de outubro de 2007

A Fúria dos Pitbulls da Classe Mérdia: Mídia corporativa continua fazendo a cabeça dos alienados

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Publico novamente o desenho abaixo em homenagem ao comentário que um tal de Ricardo deixou no post da resposta à matéria da (in)Veja e os 40 anos da morte do Che.



Aproveito para reproduzir algumas das melhores frases do Che, publicadas no blog do Emir Sader. Frases que um pitboy que ganha mesada do papai para comprar óculos escuros cujo valor daria para alimentar 12 famílias por um mês nunca vai entender, é claro:

“A única coisa em que acredito é que precisamos ter capacidade de destruir as opiniões contrárias, baseados em argumentos ou, senão, deixar que as opiniões se expressem. Opinião que precisamos destruir na porrada é opinião que leva vantagem sobre nós. Não é possível destruir as opiniões na porrada e é isso precisamente que mata todo o desenvolvimento da inteligência...”

“Nós, que, pelo império das circunstâncias, dirigimos a revolução, não somos donos da verdade, menos ainda de toda a sapiência do mundo. Temos que aprender todos os dias. O dia que deixarmos de aprender, que acreditarmos saber tudo, ou que tivermos perdido nossa capacidade de contato ou de intercâmbio com o povo e com a juventude, será o dia em que teremos deixado de ser revolucionários e, então, o melhor que vocês poderiam fazer seria jogar-nos fora...”

“Deixa-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é feito de grandes sentimentos de amor.”

“Nosso sacrifício é consciente. É a cota que temos de pagar pela liberdade que construímos.”

“Muitos dirão que sou aventureiro, e sou mesmo, só que de um tipo diferente, destes que entregam a própria pele para demonstrar suas verdades.”

“Sobretudo, sejam capazes de sentir, no mais profundo de vocês, qualquer injustiça contra qualquer ser humano, em qualquer parte do mundo.” (Carta de despedida aos filhos)

“É preciso endurecer, sem perder a ternura, jamais.”

“Que importam os perigos ou os sacrifícios de um homem ou de um povo, quando está em jogo o destino da humanidade.”

“É um dos momentos em que é preciso tomar grandes decisões: este tipo de luta nos dá a oportunidade de nos convertermos em revolucionários, o escalão mais alto da espécie humana, mas também nos permite graduar como homens.”

“Nós, socialistas, somos mais livres porque somos mais completos; somos mais completos porque somos mais livres.”

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terça-feira, 2 de outubro de 2007

Imprensalão canalha: Rir é o melhor remédio!


(clique na figura para vê-la em tamanho real)
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Resposta à Veja 40 anos da morte de Che

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Meu amigo Gabriel Haddad, membro do grupo Izquierda Unida e especialista em Cuba, destrói a peça publicitária contra Che Guevara e o regime socialista cubano publicada pela asquerosa revista Veja desta semana. Leiam, pois vale a pena!

DIOGO SCHELP E VEJA:
ASSASSINOS DO JORNALISMO ÉTICO

- por Antonio Gabriel Haddad

A matéria de capa desta semana do semanário Veja superou os limites. A agressividade, a histeria e o panfletarismo são típicos das publicações da Abril e do jornalista que assinou o artigo sobre os 40 anos da morte de Che Guevara.
Desta vez, porém, os vícios habituais da editora não foram suficientes para a produção do texto. Para redigi-lo, recorreram a manipulações factuais, distorções históricas e mentiras escancaradas. O intuito evidente era enxovalhar a memória do Comandante Ernesto Guevara e seguir a obsessiva toada, já cansativa, sobre os supostos desacertos da Revolução Cubana.

Contestamos aqui apenas alguns pontos da reportagem, com o perdão da má palavra. Aqueles que, em nosso ponto de vista, não poderiam ficar sem resposta. Veja, embora tente, não será jamais dona da verdade.

“Veja conversou com historiadores, biógrafos, antigos companheiros de Che na guerrilha(...) Por isso, apesar do rancor que PODE apimentar suas lembranças, os exilados cubanos SÃO VOZES DE MAIOR CREDIBILIDADE".

Ou seja, está dada a desculpa para o amontoado de parcialidades e acusações rasteiras que surgem ao longo do texto. Vejamos algumas fontes da revista:

- Napoleón Vilaboa, exilado em MIAMI, que ganhou dinheiro explorando a saída de cubanos pelo porto de Mariel, em 1980, no rastro de um acordo firmado entre Cuba e Estados Unidos;
- Pedro Corzo, do Instituto de Memória Histórica Cubana, sediado em, pasmem, MIAMI! É tão arraigadamente estadunidense que, em seu e-mail de contato, nega até seu nome latino para adotar petercorzo@msn.com;
- Jaime Suchlicki, historiador cubano, da Universidade de MIAMI, é claro;
- Hubert Mattos, exilado em MIAMI, ex-comandante do exército rebelde, condenado a 20 anos em Cuba por traição. Não se sabe por que razões o tirânico regime deixou-o emigrar para os EUA. Segundo a lógica do doentio jornalista, o destino mais certeiro para Mattos deveria ser a morte.

Como se vê, não foram ouvidos cubanos residentes na ilha. O argumento de Veja? Com a repressão em Cuba, eles não sairiam da ladainha oficial. Para Veja, não há pensamento próprio na ilha, apenas fantoches que reproduzem discursos oficiais. Visão mais tacanha é impossível. Os cubanos de Miami são lúcidos e imparciais. Já os da ilha são teleguiados pelo aparelho repressivo. Então tá.
Sugerimos a Schelp e a seus patrões um passeio de uma semana por Havana. Veja talvez tenha receio de visitar Cuba e descobrir que a ilha não é nada do que sustenta a revista em sua cruzada doentia contra a Revolução. E, para desespero maior de seus algozes ideológicos, está em absoluta normalidade desde o afastamento de Fidel Castro do poder, há 14 meses.
Sim, espera-se um dia a morte do líder, inegavelmente debilitado e já com 81 anos. Mas supor que sua desaparição física eliminará a revolução é um exercício de futurologia típico da revista e do jornalista. Ou, pior, um desejo indisfarçável de Diogo Schelp, a pena de aluguel mais furibunda a serviço dos controladores da Abril.

Prossigamos.

"Centenas de homens que ele (Che) fuzilou em Cuba tiveram sua sorte selada em ritos sumários que não passavam de dez minutos".

Quais? Que homens? Qual a fonte de Schelp?
Uma das primeiras decisões do novo governo rebelde, e isso é fato, foi a criação de juízos revolucionários como parte de um processo conhecido como Comissão Depuradora. Todos aqueles apontados como criminosos de guerra ou associados ao regime de Batista foram levados a julgamento. Entre janeiro e abril de 1959, aproximadamente mil colaboradores do antigo regime foram denunciados e julgados por meio dos tribunais revolucionários. Cerca de 550 deles foram condenados à pena de morte.
Ernesto Guevara, na condição de comandante de La Cabaña durante os primeiros meses da Revolução, teve sob seu comando os julgamentos e as execuções das penas daqueles que estavam detidos na fortaleza. Para disciplinar os juízos, estabeleceu um sistema judicial com tribunais de primeira instância e um tribunal de apelações. As audiências eram públicas e se desenvolviam como em um tribunal qualquer, com promotores de acusação, advogados de defesa e depoimentos de testemunhas, tanto arroladas pela acusação como pelos réus. A biografia de Jon Lee Anderson, citada, mas não lida por Schelp, a julgar pelo conteúdo de seu texto, mostra isso com nitidez.
As críticas dirigidas a Cuba por conta das sentenças de morte, à luz dos acontecimentos de então, são mais ideológicas do que movidas por razões humanitárias. Tratava-se de um período pós-guerra, com o país convulsionado e que, ademais, convivia com a possível reação das forças que desejavam a volta de Batista ao poder, minoritárias entre a população, mas poderosas economicamente.
Os principais algozes de Cuba, os Estados Unidos e seus aliados da Europa, vencedores da 2ª Guerra Mundial, não julgaram os criminosos nazistas de modo distinto daquele que foi adotado na Cuba revolucionária. Nem por isso houve insinuações de parcialidade contra o tribunal de Nuremberg ou o clamor mundial para que algum acusado deixasse de ser executado.
Entre os condenados aos fuzilamentos em La Cabaña figuravam notórios assassinos, torturadores das forças de Batista e outros criminosos que haviam enriquecido às custas de corrupção e da exploração da miséria da maioria da população cubana.

“Houve um golpe comunista dentro da revolução.”

Em que data isso aconteceu? O jornalista, um obstinado porta-voz da direita reacionária, é tão tresloucado em seus ataques sistemáticos à Revolução Cubana, que deve ter misturado períodos históricos. Houve um golpe de estado comunista na Revolução Russa, em 1917, quando os bolcheviques assumiram o controle do Estado e deram início a criação da União Soviética. Em Cuba, não. Fidel Castro sempre foi o líder máximo da Revolução, desde 26 de julho de 1953, quando atacou o quartel de Moncada, até tomar o poder, com amplo apoio popular (ignorado pela revista), em 1º de janeiro de 1959.

"Na versão mitológica, Che era dono de talento militar excepcional".

Não é verdade. Nem o próprio Guevara acreditava nisso. Um exemplo está em seu diário de campanha da guerra no Congo. Ele começa o livro com a frase "Esta é a história de um fracasso". Além do mais, tendo ou não talento militar excepcional, foi a Batalha de Santa Clara, em dezembro de 1958, comandada e vencida por Guevara, que desencadeou a queda de Fulgêncio Batista. Santa Clara era a última grande cidade antes de Havana e também a última esperança do regime em conter o avanço rebelde.

"Em seis meses de comando em La Cabaña, duas centenas de desafetos foram fuzilados".

Mais uma mentira. Na verdade, foram cerca de 550 condenados à morte e não eram "desafetos" ou apenas "gente incômoda", como diz Veja. Eram, principalmente, corruptos e torturadores do antigo regime. A matéria não diz, mas Che proibia tortura e fuzilamentos de soldados feridos ou já rendidos. Isso conta o biógrafo Jon Lee Anderson, utilizado por Schelp como escora para dar algum peso a seu texto imundo.

"Che descreve como executou Eutímio Guerra, "acusado" de colaborar com os soldados de Batista".

Guerra, segundo descreve a brasileira Claudia Furiati, autora de uma das principais biografias de Fidel, recebeu uma arma do exército e a ordem de executar Castro enquanto este dormia. Não o fez porque sempre havia sentinelas de plantão nos acampamentos rebeldes. A cada deslocamento da guerrilha, porém, a Força Aérea Cubana atacava o local, coincidentemente sempre que Eutímio deixava o acampamento.
Os rebeldes desconfiaram de seu comportamento, interrogaram-no e ele acabou confessando que era agente do exército. Foi julgado, no meio da selva, e condenado à morte, como ocorreria com um traidor em qualquer outra guerrilha do mundo. A justiça guerrilheira nada mais é que uma corte marcial adaptada às circunstâncias do momento. Guerra pediu que os rebeldes, caso triunfassem, educassem seus filhos. Hoje, seus descendentes são oficiais das Forças Armadas Revolucionárias.
Fidel não determinou quem executaria a tarefa de execução do traidor. Che Guevara realmente assumiu a incumbência, fato incontestável e, entre tantas linhas, um dos poucos acertos de Schelp.
Apenas deve se registrar que ele não matou um pobre camponês, mas um homem que pôs a vida de centenas de outros em risco. Por que, segundo a lógica de Schelp, os guerrilheiros podem e devem ser bombardeados por conta de uma delação e correr risco de morte e o responsável pela traição não pode ser executado?

"Ernesto Guevara Lynch de la Serna nasceu em uma família de esquerdistas ricos na Argentina".

Mais uma atrocidade de Schelp, que sequer conhece o nome da vítima de sua caneta. O nome de Che era simplesmente Ernesto Guevara e seus pais não eram ricos nem esquerdistas. Nenhum deles tinha filiação partidária, eram abertamente contra o governo Perón, que seduziu a esquerda argentina com seus projetos voltados aos descamisados, como a primeira-dama Eva Perón costumava se referir aos segmentos mais humildes da população argentina. Ernesto Guevara Lynch e Celia de la Serna, os pais, tampouco eram ricos. Viviam como um típico casal de classe média alta, se tanto. Moraram na Recoleta, o bairro mais elegante de Buenos Aires, quando a avó de Che morreu e lhes deixou como herança um apartamento. Claro que Veja não conta tudo em detalhes. Informar não é função do jornalismo da Abril.

"Para se livrar de Che, Fidel o mandou à Assembléia-Geral da ONU".

Delírio absoluto. Che era o segundo nome do estado cubano, o principal porta-voz da revolução, depois do próprio Fidel. Guevara viajou a inúmeros países e assinou diversos tratados de assistência econômica e militar com outras nações socialistas. Era perfeitamente normal que representasse Cuba em uma Assembléia da ONU.

"Como ministro e embaixador, não conseguiu o que queria".

Texto vago, até impede um comentário mais elaborado sobre algo tão pobre. Registramos apenas que Che NUNCA foi embaixador de Cuba.

"Che propôs a seus comandados lutar até a morte no Congo, mas foi demovido do propósito pela soldadesca".

Mentira deslavada. Che organizou a retirada da tropas cubanas, quando uma das facções congolesas entrou em acordo com o governo que até então combatia. Isso abriu caminho para avanço das tropas mercenárias financiadas por conglomerados mineradores da África do Sul, lideradas por Mike Hoare.
Diante do iminente massacre, Che ORDENOU a retirada de todos os cubanos do Congo. Claro, Veja cria sua própria versão da história.
E mais: dois soldados cubanos não conseguiram chegar a tempo ao barco, às margens do lago Tanganica, que os levaria à Tanzânia e ficaram perdidos em território congolês. Che mandou um destacamento da inteligência cubana em busca dos dois, que foram encontrados vivos, quatro meses depois, quase em território ruandês. Comportamento estranhíssimo para um louco sedento de sangue, egoísta e assassino até de seus próprios homens.

"Três fatos ajudaram a consolidar o mito. O primeiro, a morte prematura, que eternizou sua imagem jovem(...) a pinta de galã".

Ridículo. Diogo Schelp deveria procurar ajuda terapêutica. Acreditar que a aparência física de Che Guevara é responsável por sua irreversível entrada na História é algo que Freud pode explicar.

"A decadência física e política de Fidel Castro, desmoralizado pela responsabilidade no isolamento e no atraso econômico que afligem os cubanos, dá uma idéia do que PODERIA ter acontecido com Che".

O jornalista não diz que o isolamento é, essencialmente, fruto do embargo econômico imposto pelos Estados Unidos há quase 50 anos, naquela que talvez seja a maior agressão não militar já sofrida por uma nação em toda a história humana. Quanto à decadência política de Castro, trata-se, mais uma vez, de um desejo de Schelp. Uma viagem a Cuba rapidamente o convenceria do contrário. Fidel é idolatrado pela população, que vive, sim, em um país pobre e com problemas, admitidos até pelo governo cubano. Já a decadência física de Fidel é inevitável. Todos são mortais e não podemos nos esquecer que ele tem 81 anos e se recupera de grave doença. E em relação ao que PODERIA ter acontecido com Che, Pai Schelp de Ogum revela que tem predileção pelas ciências ocultas, pela futurologia. Talvez fizesse melhor em deixar o jornalismo.

"Se houve um ganhador da Guerra Fria, foi Che Guevara".

Raciocínio deplorável. O sujeito é capturado, rendido e assassinado, mas é ganhador. Pela mesma lógica, se alguém ganhou a 2ª Guerra Mundial, foram os judeus. Afinal, há 60 anos se fala em Holocausto e eles conquistaram o direito ao Estado de Israel, não importando o custo de seis milhões de mortes.

“Fidel se desmancha lentamente dentro daquele ridículo agasalho esportivo”.

Tenha calma, Schelp. Segundo a ordem natural das coisas, você terá o imenso prazer de ver Fidel morto. Temos certeza de que até o obituário de Veja já está preparado. Agressivo, virulento, histérico, panfletário, como é de seu estilo.
Você terá seu instante momentâneo de deleite, assim como a máfia cubano-americana de Miami, ávida por retornar à ilha e transformá-la de novo em um grande cassino.
Mas daqui a 50, 60 anos, o mundo continuará relembrando o aniversário da morte de Che Guevara e, infelizmente, para os que acreditam em outra ordem social, outros tantos anos da morte de Fidel Castro.
Quanto a você, terá sido devidamente esquecido e jogado na lata de lixo reservada para os assassinos do jornalismo ético. Ninguém lembrará de sua triste passagem pelo mundo.
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Che Guevara: Há 40 aterrorizando a direita hidrófoba!


segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A tragédia do jornalismo tupiniquim: Torquemada da Globo ataca de novo!

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Jornali$mo com $ maiúsculo
Livro que ensina a pensar aterroriza Ali Kamel, o Torquemada da rede Globo


Perigo para a mente dos jovens não é um programa infantil liderado por uma loira acéfala rodeada por “paquitas” usando micro-saias e botas de couro cuja maior contribuição para a humanidade é gerar capas para a Playboy, mas sim um livro de história com viés crítico...

- por André Lux, jornalista e crítico-spam

O atual defensor número 1 do feudo da família Marinho, a famigerada rede Globo, atende pelo nome de Ali Kamel. Jornali$ta com $ maiúsculo e dublê de escritor, Kamel tomou para si o papel de Torquemada da Santa Inquisição contemporânea, que tem como principal alvo a ditadura sindical lulo-petista que o “zé povinho” colocou no governo já há cinco anos.

Em sua última feroz estocada a favor da defesa da moral e dos bons costumes da nobre sociedade ocidental, o Torquemada da Rede Globo, canal de televisão responsável por fenômenos culturais riquíssimos como o “Show da Xuxa”, “Zorra Total”, “Domingão do Faustão” e as eternas novelas, investiu contra o livro “Nova História Crítica”, de Mario Schmidt, da Editora Nova Geração, em sua coluna no jornal “O Globo”.

Entre várias pérolas do neomachartismo tupiniquim, o jornali$ta da Globo acusa o autor de fazer apologia do comunismo, aquele regime nefasto que, segundo os arautos da democracia sem povo da famiglia Marinho, tem como premissa básica a degustação de criancinhas e a formação de baderneiros profissionais, entre outras barbaridades. Kamel, aterrorizado, demonstra que “Nova História Crítica” é a prova cabal de que a ditadura sindical lulo-petista quer mesmo é fazer lavagem cerebral nos jovens em favor da ideologia demoníaca contra o saudável e irreversível sistema capitalista.

A argumentação de Kamel, todavia, não sobrevive a dois minutos de busca pela internet. O livro em questão, cujo destino certamente deveria ser a fogueira para o Torquemada global, foi aprovado pelo MEC durante a gestão do ministro Paulo Renato de Souza, ainda no governo neoliberal de FHC. E, pasmem, foi retirado de circulação justamente no atual governo Lula.

Qual a justificativa, então, para a publicação de uma peça de péssima qualidade jornalística num dos jornalõe$ mais tradicionais do Brasil?

Pistas para a resposta foram dadas na edição desta semana de revista CartaCapital. Apesar do tom moralista e ideológico do ataque de Kamel, o que aparentemente moveu o jornali$ta da rede Globo nada mais foram do que os cifrões. Ao tentar destruir a reputação do referido livro, de seu autor e, obviamente, da editora que o publicou, almejava mesmo era dar uma força às grandes editoras transnacionais que não vêem a hora de abocanhar ainda maiores fatias do bolo orçamentário do MEC.

Não por acaso, o nome do ex-ministro Paulo Renato de Souza figura na lista dos consultores pagos a peso de ouro para abrir as portas para essas mesmas editoras estrangeiras. Conflito de interesses pouco é bobagem para essa gente, não é mesmo?

Enfim, o que dizer de um cidadão que escreveu um livro defendendo como verdade absoluta a tese de que não existe racismo no Brasil e em seguida nos brindou com outro que, entre várias maravilhas, enaltece a política imperialista de George W. Bush Júnior? Ou que inventou uma nova modalidade de jornali$mo, o “testa-hipóteses”, para tentar explicar o viés partidário da cobertura da tragédia do vôo da TAM, o qual para o Torquemada global aconteceu por culpa de, quem mais, senão da ditadura sindical lulo-petista?

De acordo com a lógica de jornali$tas como Ali Kamel, perigo para a mente dos jovens não é um programa infantil liderado por uma loira acéfala rodeada por “paquitas” usando micro-saias e botas de couro cuja maior contribuição para a humanidade é gerar capas para a revista de sacanagem Playboy depois que completam 18 anos de idade, mas sim um livro de história com viés crítico que pretende ensinar as crianças a pensarem...

Deus nos livre dessa heresia! Afinal, se todo mundo for ensinado a pensar e questionar desde cedo, o que será de jornali$tas como o Ali Kamel, que são pagos pelos barões da mídia para defender aquela ideologia cujo dogma maior é justamente a busca desenfreada e desumana por $$$$$?

Primeira ilustração retirada do blog abundacanalha
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