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domingo, 28 de fevereiro de 2016

Filmes: "A Garota Dinamarquesa"

LUZ NAS TREVAS

Qualquer filme que ajude a tirar as pessoas da zona de conforto e se confrontarem com temas que não gostariam de ver normalmente já tem seu mérito

- por André Lux, crítico-spam

O maior mérito de “A Garota Dinamarquesa” é tirar do gueto e jogar à luz o tema do transexualismo, que ainda é visto com preconceito extremo pela maioria das pessoas. Assim, qualquer filme que ajude a tirar as pessoas da sua zona de conforto e se confrontarem com temas que não gostariam de ver normalmente já tem seu mérito. Ainda mais quando se trata de uma produção requintada e com cara de “filme de Oscar”, o que obriga quase todo mundo a assistir e gostar do que viu, para não passar por ignorante.

Mas, fora isso, achei o filme bem fraco e banal. Sem dizer que, pelo que li, é muito diferente do que foi a história real de Einar Wegener, que em meados dos anos 1920 descobre ser uma mulher aprisionada no corpo de homem, que é como os transexuais geralmente se descrevem. Como o filme se vende como “baseado numa história real”, não tem como perdoar esse pecado.

A verdade é que o roteiro é sem graça e mostra muito pouco do que seriam os verdadeiros dilemas e tormentos sofridos por pessoas assim, que ainda são perseguidas e até mortas até hoje, pleno século 21.

O elenco é fraco, com o ruivo feioso Eddie Redmayne fazendo tudo da maneira mais óbvia e caricata possível. Por sinal, esse ator me chamou a atenção pela ruindade na minissérie “Os Pilares da Terra” e repetiu a canastrice em “O Destino de Júpiter”, onde sua atuação pavorosa como o vilão virou motivo de piada. Apesar disso, ganhou o Oscar por “A Teoria de Tudo”, onde interpretou o físico Stephen Hawking em outro desempenho todo baseado em truques físicos e muito pouca verdade.

A atriz que faz sua esposa, Alicia Vikander, é igualmente sonsa e passa o filme sempre com a mesma cara de embasbacada. Pouco se vê do que seria os dramas de gente que passa por esse tipo de situação e seu personagem vira apenas uma espécie de “Amélia”, que fica ao lado do marido para o que der e vier. Mas, pelo que diz a história real, a esposa dele era bissexual e o casamento era muito mais de fachada e amizade do que qualquer outra coisa.

Esteticamente o filme é bonito, bem fotografado, tem uma trilha musical delicada composta por Alexandre Desplat, mas é frio, distanciado, feito sem qualquer paixão ou entusiasmo pelo diretor Tom Hooper, do fraco “O Discurso do Rei” e do insuportável musical “Os Miseráveis”. O que é muito pouco para um tema tão pertinente e explosivo como esse.

Mas ao menos provoca alguma polêmica e obriga preconceituosos e homofóbicos em geral a encararem algo que sua ignorância não permitiria normalmente. Não é pouca coisa.

Cotação: * * 1/2
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