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segunda-feira, 12 de abril de 2021

Live sobre Responsabilidade Afetiva com Adriana Bitelman e Ana Cláudia

 

 Responsabilidade afetiva é a capacidade que cada um tem de respeitar os sentimentos do outro da mesma forma que gosta que os seus sejam respeitados. Por que isso é tão difícil para algumas pessoas?

quinta-feira, 8 de abril de 2021

Cinema Com Barbudos #1: Godzilla vs Kong e Justice League

 

Nesse primeiro programa conversei com meu amigo Ariel Wollinger sobre os dois mais recentes blockbusters hollywoodianos. Confira!

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quinta-feira, 25 de março de 2021

RELAÇÕES ABUSIVAS com a terapeuta Adriana Bitelman

 

Os abusos físicos e/ou psicológicos acontecem nas relações amorosas, familiares, afetivas e até profissionais. Fui convidado pela terapeuta Adriana Bitelman para uma live sobre esse assunto tão polêmico. Confira!

sexta-feira, 19 de março de 2021

Snyder's Cut de "Liga da Justiça" é melhor, porém peca pelo excesso


Versão do diretor tem 4 horas de duração e restaura visão original do cineasta. Mas é bom? Assista minha análise! 

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 #Snyder​'scut #Justiceleague

sexta-feira, 12 de março de 2021

“WandaVision” mistura sitcom com o universo Marvel e tem resultado capenga

- por André Lux

Não deu para entender o que a Marvel quis exatamente com essa série “WandaVision”. A impressão que fica é que alguém falou: “Ei, que tal colocar os personagens numa espécie de sitcom antiga?”, acharam genial e, a partir dessa premissa mínima, começaram a construir o roteiro de forma capenga.

A série começa com Wanda e Visão num daqueles programas cômicos em preto e branco dos anos 1960, tipo “Dick Van Dyke” e “A Feiticeira”, com direito a trejeitos exagerados e faixa de risadas. Algumas pequenas pistas de que a realidade não é bem aquela aparecem, mas é só mesmo a partir do terceiro episódio que as explicações começam a ser apresentadas e as pontas com o universo Marvel vão sendo atadas.

O problema é que essas duas realidades não casam e levantam um monte de perguntas que acabam não sendo respondidas (tipo, por que e como Wanda gravava e transmitia a vida deles para fora do escudo de força?). E nos últimos episódios qualquer traço de originalidade dá lugar às velhas lutas com raios e pancadarias genéricas de sempre.

Os realizadores enfiam vários fan-services durante os episódios, porém acabam tendo pouco impacto na trama, sendo o pior colocarem o ator que fez o Mercúrio nos “X-Men” da Fox como o irmão da Wanda, o que gerou uma avalanche de teorias, mas que no fim era só uma besteira sem nexo que culminou com uma piada sexual rasteira.

O fato de Wanda estar sofrendo com o luto pela morte do Visão em “Vingadores: Guerra Infinita” não é justificativa para os atos dela e o fato de encerrarem a série sem maiores consequências deixa tudo com um gosto mais amargo.

É uma pena que não souberam aproveitar a interessante premissa melhor, desperdiçando o talento dos atores Elizabeth Olsen e Paul Bettany em episódios que possuem sequências muito boas desconectadas do todo, mas que deixam a desejar no âmbito geral do que tentaram construir.

Cotação: * * *

terça-feira, 9 de março de 2021

"Nomadland" retrata o fim do "sonho americano"

 

PESADELO AMERICANO

“Nomadland” é um filme duro, árido, triste, feito quase todo com atores amadores que trazem verdade em seus relatos do fim do “sonho americano”

- por André Lux

“Nomaldland” é mais um filme que descreve de maneira quase documental o fim do chamado “sonho americano” focando na personagem Fern feita pela sempre excelente Frances McDormand. Ela é apenas mais uma vítima da ideologia do capitalismo selvagem neoliberal que tomou conta do mundo depois da queda do muro de Berlim, quando os donos do poder econômico decidiram que não era mais necessário manter o “Estado de Bem Estar Social” que garantia uma vida decente aos proletários a fim de manter afastado o fantasma da revolução comunista.

Fern vivia na cidade Empire que simplesmente desapareceu do mapa depois que a maior fábrica faliu e fechou as portas com a crise de 2008. Já com mais de 50 anos e sem perspectiva de conseguir um emprego fixo, resta a ela viver num pequeno trailer e trabalhar em subempregos esporádicos.

O filme dirigido pela chinesa Chloé Zhao mostra a rotina da protagonista em seus trabalhos e interações com outras pessoas, entre elas muitas vivendo em situação precária como ela sem qualquer expectativa de sair daquela condição. São seres humanos catatônicos que vivem um dia depois do outro desprovidos de brilho e de qualquer ajuda governamental, basicamente esperando a morte chegar.

Em um de seus encontros, Fern conversa com uma idosa que conta a ela que desistiu de se suicidar porque ficou com pena de seus cães e que foi atrás de seus direitos só para descobrir que após uma vida de trabalho duro tinha apenas 500 dólares de direitos trabalhistas para resgatar.

“Nomadland” é um filme duro, árido, triste, desesperançoso, feito quase todo com atores amadores que trazem grande verdade em seus relatos do que é hoje o “pesadelo americano”.

Cotação: * * * *

quinta-feira, 4 de março de 2021

Filmes: "A Múmia" (1999)



- por André Lux

Depois conseguir inesperado sucesso com o divertido e assumidamente "trash" "TENTÁCULOS" (Deep Rising), o diretor Stephen Sommers recebeu carta branca para realizar essa pseudo-refilmagem do clássico estrelado por Boris Karloff nos anos 30. Entretanto, A MÚMIA nova está mais para Indiana Jones e comédia do que qualquer outra coisa.

Só que as cenas de ação são fracas e inconvincentes e as piadas não funcionam como se esparava. O filme, no final das contas, é basicamente uma longa propaganda da ILM, empresa de George Lucas especializada em efeitos visuais, que mostra aqui tudo que havia de novo em termos de computação gráfica na época - hoje já datados.

O roteiro não segue nenhuma lógica aparente, limitando-se a criar situações que vão inevitavelmente acabar em um efeito especial, quase sempre exagerado ou grotesco (o pior mesmo são os ataques dos besouros devoradores de gente...).

Portanto, não espere sutilezas nos ataques da Múmia - ela lança chuva de meteoros sobre a cidade ou é capaz de criar uma gigantesca tempestade de areia, mas no momento decisivo sai apenas "no braço" para tentar vencer o herói (Brendan Fraser).

O filme só não é uma lástima total graças ao elenco razoável, à fotografia colorida e pulsante de Adrian Biddle e à trilha musical grandiosa de Jerry Goldsmith.

E olhe lá...

Cotação: **1/2

Filmes: "007 Um Novo Dia Para Morrer"



JAMES BOND EM RÍTIMO DE "BABA BABY"

Canção repulsiva de Maddona dá o tom desse que é o pior (mas mais lucrativo) filme da série com o agente inglês

- por André Lux

Não sou nehum purista (daqueles que só gostam do que é velho), portanto posso afirmar com tranqüilidade que esse novo filme do James Bond, UM NOVO DIA PARA MORRER, é, de longe, o pior de toda a série. Ainda mais lamentável que o já péssimo O AMANHÃ NUNCA MORRE. 

O problema do filme não são os absurdos de sempre ou as bobagens (como o Aston Martin que agora vem equipado com tecnologia de camuflagem digna dos Klingons de STAR TREK!), mas sim o simples fato de que não existe uma história para ser contada. O roteiro é absolutamente ridículo assim como as situações (aquela parte em Cuba é lamentável) e os personagens (da onde surgiu o vilão inglês ninguém explica, o que fica ainda mais risível quando revela-se quem ele é na verdade). Além disso, fica evidente também quem é o traidor e só o herói parece não perceber...

O que dizer então de James Bond, o maior espião do mundo, deixar-se ser preso por um bando de coreanos malvados e passar 14 meses sendo torturado? E ainda por cima colocaram o Pierce Brosnan (cuja atuação é tão burocrática que beira o catatônico) sem camisa, com cara de mendigo, fazendo o maior esforço para encolher a barriga. Tenha santa paciência... A cena dele surfando de pára-quedas foi digna das maiores vaias! Parecia desenho animado ou video-game de tão mal feita. Os efeitos visuais do filme, diga-se de passagem, são péssimos - nem em DR. NO, o primeiro da série, eram tão primários e toscos assim.

Pior é o final, onde aparece transando com a agente Jinx (Halle Berry, visivelmente constrangida) dentro de um templo budista! Dá pra entender a revolta dos Coreanos com a fita (se parece bobagem, imaginem então o contrário: um filme coreano onde no final o herói fizesse sexo dentro de uma igreja cristã, em cima do altar e embaixo da cruz... Ia ter gente declarando guerra contra o país na mesma hora!).

A canção da Maddona é repulsiva e parece mesmo uma cópia piorada (se é que isso seja possível) de "Baba Baby" da Kelly Key, assim como toda a sequência de abertura (que é uma longa e estilizada sessão de tortura!). A trilha orquestral de David Arnold é absurdamente bombástica para conseguir ser ouvida sobre o infinito número de explosões irritantes.

Resumindo: um desastre total, ofensivo até, que não serve nem para fazer rir (como, por exemplo, fazia aquele em que Roger Moore lutava contra o rei do Voodoo). Mas, em contrapartida, é o filme da série que está mais lucrando nas bilheterias. Sinal de que tem gente que gosta. Eu, francamente, não sou um deles.

Cotação: *

Filmes: "007 O Amanhã Nunca Morre"


- por André Lux

Pierce Brosnan retoma o personagem James Bond neste que é sem dúvida um dos piores filmes da série com o famoso agente secreto britânico.

Erraram em praticamente tudo: as cenas de ação são forçadas e exageradas, a trama é inverossímil e os vilões totalmente caricatos - onde nem o competente Jonathan Price se salva, perdendo-se em um atuação constrangedora que o transforma num tipo de sósia do Moacir Franco.

Brosnam está menos convincente do que em sua estreia em GOLDENEY, limitando-se aqui a fazer caras e bocas em uma caracterização extremamente superficial. Parece estar debochando do papel.

O filme tem uma trama pretensamente moderna - dono de rede de comunicação manipula e cria eventos e tragédias para poder noticiá-los em primeira mão - mas é tudo mostrado de forma tão canhestra e primitiva que fica difícil levar a sério seus planos mirabolantes e o interesse vai por água abaixo.

E o que sobra é o 007 correndo de um lado para o outro em perseguições que beiram o ridículo (como a do carro guiado por controle remoto!) ou que não tem razão de ser (para que ficar pulando de moto sobre telhados quando era só ficar parado dentro de uma das casas até o helicóptero ir embora?).

A série James Bond, que sempre primou por enredos inteligentes e soluções engenhosas, parece ter finalmente sucumbido à nova tendência do cinema moderno americano que prima por muita ação e pouco (ou nenhum) cérebro...

Cotação: *

Filmes: "Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban"


- por André Lux

Existem duas maneiras de se analisar um filme como “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”. A primeira como um produto industrial muito bem acabado e feito na medida certa para agradar o culto que segue os livros criados pela escritora J.K. Rowling. Já a outra como uma obra cinematográfica e, como tal, sujeita à analise de todos os fatores que a compõe, inclusive a elaboração de seu roteiro e o sentido dos acontecimentos para o desenvolvimento da narrativa.

Se você não é fanático pelo personagem, nem leu os livros que deram origem aos filmes, certamente só vai poder analisá-los pela segunda opção. E é justamente aí que os filmes da franquia derrapam em grande estilo. A produção pode ser caprichada, os atores simpáticos e eficientes, a fotografia bonita, a música excelente, mas em se tratando de roteiro a série é um fracasso retumbante. Não há como negar que a autora soube captar o imaginário infantil com suas histórias repletas de figuras míticas e passagens repletas de maravilhas visuais, mas é no desenvolvimento das tramas que ela revela sua maior fraqueza.

E isso, que estava refletido nas duas outras produções da franquia, fica aqui mais do que comprovado. Afinal, analisadas sob esse prisma, as narrativas dos três filmes são praticamente idênticas, ou seja, começam, desenvolvem-se e terminam sempre do mesmo jeito. As únicas coisas que mudam são os antagonistas de Potter, os professores que dão novas aulas e os motivos que os levam ao confronto final. Mas todo o resto é de uma similaridade que chega a ser constrangedora.

Também não é difícil notar que a autora cria seqüências sem a menor lógica ou razão de ser só para poder concluí-las de maneira grandiosa. O exemplo mais evidente disso é a cena na qual Hagrid, recém promovido a professor, leva as crianças para interagirem com um hipogrifo, espécie de cavalo alado com cabeça de pássaro de temperamento imprevisível e que pode ser até fatal. Mas que tipo de aula é essa na qual um professor leva seus alunos para conhecer uma besta feroz sem qualquer proteção? Obviamente, a única razão de ser dela é mostrar Harry conquistando a amizade do animal só para, em seguida, sair voando com ele numa cena bonita e grandiosa, mas desprovida de qualquer coerência ou sentido.

Esse tipo de abordagem certamente não vai incomodar as crianças que não ligam para esse tipo de coisa - e é por isso que a saga de Harry Potter tornou-se um triunfo. Mas para o resto dos mortais os filmes do aprendiz de bruxo podem ser uma experiência enfadonha até, especialmente por causa de sua excessivamente longa duração e pela insistência em construir sequências que não tem nenhuma razão de existir, a não ser para gerar um clímax bonito. É particularmente irritante a parte final do filme, na qual a trama descamba de vez fazendo as ações dos supostos vilões tornarem-se totalmente incompreensíveis.

Confesso que, embora não tenha gostado dos primeiros dois filmes, estava até com muita vontade de ver esse “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban”, principalmente por causa da direção de Alfonso Cuarón que, imaginei, seria capaz de injetar sangue novo à franquia. Mas, por mais que ele se esforce em dar um tom mais sombrio e enérgico à narrativa (deixando inclusive o compositor John Williams mais livre para criar uma música mais forte e pesada), fica impossível para o mexicano (autor de “E Sua Mãe Também”) mudar muita coisa quando tem em mãos um roteiro tão inconsistente e sobre a sua cabeça a sombra da escritora impedindo qualquer mudança ou enriquecimento narrativo. O trabalho de Cuarón, no final das contas, é meramente burocrático e não chega a parecer muito diferente do que o realizado pelo anterior, Chris Columbus, que foi acusado de mediocridade injustamente afinal.

Reveladas as falhas e limitações do texto original, resta a “Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban” agradar em cheio aqueles que obviamente vão analisar o filme pelo prisma do culto e da beleza do projeto. Por isso, o terceiro filme da franquia foi um sucesso estrondoso comprovando de maneira cabal que de boba a escritora J.K. Rowling não tem nada...

Cotação: ***

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Música de Basil Poledouris para "Conan, O Bárbaro" é uma das melhores do cinema

 

 Filme de 1982 dirigido por John Millius e estrelado por Arnold Schwarzenegger tem uma das mais impressionantes trilhas musicais de todos os tempos. Confira minha análise!

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domingo, 10 de janeiro de 2021

“Manhunt: Unabomber” mostra como ressentimento e ódio aliados ao extremismo político podem ser perigosos


- por André Lux

A mini-série “Manhunt: Unabomber” conta a história real do desfecho dos 17 anos de caçada ao terrorista que mandava bombas pelo correio e causou a morte de três pessoas, deixando outras dezenas de feridos.

São oitos episódios que alternam três linhas temporais. Em uma delas acompanhamos os esforços do agente do FBI James Fitzgerald, interpretado por Sam Worthington (de “Avatar”) cuja apatia atua em favor do personagem. Ele é recrutado pela força-tarefa do FBI para tentar encontrar pistas a partir das cartas enviadas pelo terrorista. Porém, logo descobre que ninguém leva a sério suas análises, já que essa técnica ainda era uma novidade e os agentes da velha guarda obviamente resistiam a ela.

Aos poucos ele vai conseguindo identificar padrões linguísticos nos textos do Unabomber e traça um novo perfil dele, bastante diferente do que existia até então. Hoje sabemos que se tratava de Ted Kaczynski, um matemático superdotado com QI muito acima da média que usava os ataques com bomba para se vingar da sociedade que o rejeitava (ele nunca teve um relacionamento afetivo e é virgem até hoje, o que explica em grande parte seu ressentimento).

Na segunda linha temporal, vemos as conversas que Fitzgerald trava com Kaczynski já na prisão na tentativa de induzi-lo a confessar seus crimes e admitir a culpa, algo que era desejável pelo governo do EUA. Esses encontros entre eles não ocorreram na vida real e foram criados apenas para dar algum peso dramático ao desfecho do julgamento do terrorista, embora ele tenha de fato se declarado culpado e cumpre até hoje várias sentenças de prisão perpétua.

A terceira linha narrativa apresentada pela série aborda o passado de Kaczynski, sua infância desajustada e solitária, sua adolescência tendo que estudar numa universidade com apenas 16 anos e, principalmente, os fatos chocantes que mostram ter sido usado como cobaia em experimentos do governo que queriam promover lavagem cerebral em agentes soviéticos capturados nos EUA. Ali ele sofreu todos os tipos de abusos, violências e humilhações físicas e psicológicas, o que certamente acionou os gatilhos que o transformaram em um sociopata perigoso.

As cenas que mostram esses experimentos parecem irreais, porém quando descobrimos que realmente aconteceram fica impossível não sentir empatia pelo personagem. Esse é o maior trunfo da série, principalmente quando traça paralelos entra as teorias do Unabomber e o comportamento obsessivo do agente do FBI que chega a se alienar totalmente da família em sua busca pelo terrorista. Nesses momentos, “Manhunt: Unabomber” mostra de forma cristalina como é fina a linha que separa a sanidade da loucura e a crítica contra os abusos do sistema da paranoia delirante.

Muitos dos questionamentos feitos por Kaczynski reverberam até hoje, principalmente no que diz respeito à escalada da tecnologia que destrói nossa humanidade, porém é evidente que seus ataques à sociedade são motivados somente por ódio, inveja e ressentimento por não ser capaz de se ajustar a ela e não por uma profunda consciência social e política. Ou seja, muito parecido com o que vemos atualmente em extremistas de direita que apoiam de maneira irracional políticos que dão voz e legitimidade a esse ressentimento, cujas consequências nefastas assistimos escalando a cada dia no mundo todo, inclusive no Brasil. 

A série é muito bem dirigida por Greg Yaitanes (de “Os Filhos de Duna” e vários episódios de “House”) e conta com uma interpretação brilhante de Paul Bettany (o “Visão” de “Os Vingadores”) como Kaczynski. Para quem gosta do gênero, é imperdível.

Cotação: ****

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Retorno de George Clooney à direção deixa a desejar em “O Céu da Meia-Noite”

- por André Lux

George Clooney volta à direção neste filme baseado na obra “Good Morning, Midnight”, de Lily Brooks-Dalton. Ele tem uma carreira sólida como cineasta, com boas obras como “Tudo Pelo Poder” e “Boa Noite e Boa Sorte”, porém aqui não conseguiu um bom resultado.

A direção é frouxa e desperdiça uma ótima premissa do gênero ficção-científica, abordando o que seria o fim do mundo com a humanidade tendo que fugir para um outro planeta próximo de Júpiter. Clooney também atua como um sujeito misterioso que opta por ficar para trás numa estação científica no meio Ártico, ao que parece por estar sofrendo de uma doença terminal.

Aos poucos, porém, descobrimos que o motivo dele é outro e aí o filme começa a apresentar duas tramas paralelas que ao invés de somar ao resultado final, acabam subtraindo. Uma envolve um cientista jovem obcecado com o trabalho às voltas com um relacionamento afetivo e a outra mostra uma nave que está voltando para a Terra depois de explorar o mundo para o qual a humanidade quer habitar.

Essas três tramas são muito mal encaixadas e deixam o filme tolo, especialmente a que foca nos astronautas e que apela para clichês irritantes, como quando saem para fora da nave para tentar consertar avarias provocadas por uma chuva de asteroides, numa cena alongada onde agem como amadores, perdendo tempo brincando e cantando enquanto esperamos pela inevitável tragédia.

O mesmo acontece com o personagem de Clooney o qual decide viajar para outra estação científica no meio de uma forte nevasca usando um simples trenó motorizado, o que vai trazer toda sorte de problemas.

O que poderia ter sido um bonito filme contemplativo e poético, acaba se tornando uma aventura arrastada e imemorável, repleto de situações forçadas para alongar a trama além da conta. Assim, quando o real motivo do protagonista ter ficado para trás é revelado, no que deveria unir as três tramas, já estamos entediados e sem paciência para nos preocuparmos com o destino dos personagens.

É uma pena, pois a produção é luxuosa, os efeitos especiais são satisfatórios e a música de Alexander Desplat acaba sendo a melhor coisa do filme.

Cotação: * *

“Let Him Go” desperdiça a dupla Kevin Costner e Diane Lane

- por André Lux

É uma decepção esse filme que desperdiça os veteranos Kevin Costner e Diane Lane, novamente atuando como marido e esposa (igual fizeram no horrível “Homem de Aço”).

A trama gira em torno do casal tentando encontrar o neto que sumiu depois que a ex-esposa do filho deles casou-se com um sujeito agressivo, oriundo de uma família de “caipiras” violentos comandados por uma matriarca que beira a psicopatia (numa atuação caricata ao extremo de Lesley Manville).

O roteiro é baseado num livro e tenta unir drama familiar com suspense e até terror, mas falha ao apelar para clichês do gênero e, pecado dos pecados, faz os protagonistas agirem como perfeitos idiotas numa situação que obviamente poderia descambar para uma cilada. Isso é mais grave levando em conta que Costner faz o papel de um xerife aposentado, ou seja, certamente tomaria medidas preventivas para impedir os fatos trágicos que ocorrem, mesmo porque já sabia que estavam lidando com gente perigosa.

Isso deixa “Let Him Go” irritante e implode qualquer tentativa de empatia com os personagens que perseguem uma causa nobre, porém não dá para engolir a maneira abestalhada com que agem e o filme caminha até a conclusão óbvia sem provocar emoções.

Cotação: **

sexta-feira, 18 de dezembro de 2020

“The Mandalorian”: último episódio da segunda temporada enfim traz alguma emoção genuína

“O Resgate” põe fim à aventura de Din Djarin com Grogu de forma satisfatória e traz uma surpresa que vai emocionar os fãs de “Star Wars”

- por André Lux

Chega ao fim a segunda temporada de “The Mandalorian” com um episódio que enfim trouxe emoções genuínas para uma série que deixou muito a desejar nesse quesito. Quem está lendo minhas análises sabe que sou grande apreciador de “Star Wars” (exceto da trilogia “prequel” que é um horror), porém não fui um dos que ficaram muito empolgados com essa série. A tentativa de misturar os gêneros faroeste, samurais e ficção científica, como fez Lucas na trilogia original, não deu muito certo principalmente pelo fato de não conseguirem definir se o protagonista era um caçador de recompensas frio e durão ou um sujeito de coração mole meio atrapalhado (a trilha musical péssima também não ajudou).

A duas temporadas giraram em torno da relação dele com Grogu (o bebê Yoda) cuja carreira e reputação o mandaloriano colocou em risco para o proteger sem motivos bem definidos, o que deixou toda a série capenga e repleta de situações incoerentes. O fato de vários episódios terem sido meros “fillers” (ou encheção de linguiça como dizem aqui) não contribuiu. Só nos últimos episódios das temporadas é que a ação voltou para a trama principal e a série começou a se conectar com o universo Star Wars que gostamos tanto de ver, abrindo caminho para se conectar com a trilogia “sequel” recém-lançada pela Disney nos cinemas.

Este último, “O Resgate”, põe um fim à aventura de Din Djarin (Pedro Pascal) com o Grogu de forma satisfatória, trazendo de volta a personagem Bo-Katan (Katee Sackhoff) que se une aos outros para invadir a nave de Moff Gideon (Giancarlo Esposito) e salvar o bebê Yoda. As cenas de luta e ação não chegam a ser inventivas, com os heróis não tendo muita dificuldade para atingir seus objetivos, nem mesmo quando o mandaloriano tem que enfrentar Gideon e seu dark saber.

A grande surpresa se dá com a chegada de um Jedi à luta, ninguém menos que o próprio Luke Skywalker, que destrói os “dark troopers” com seu sabre de luz até chegar à ponte. Não tem como não se emocionar com essa cena, ainda mais quando Luke se revela na forma de um Mark Hamill digitalizado para parecer mais jovem (o que ainda não é totalmente convincente).

A despedida entre Din Djarin e Grogu é emotiva também e a segunda temporada se encerra de maneira anti-climática, afinal vai ficar estranho acompanhar o protagonista sem seu companheiro que era justamente o que dava significado à série. Com o grande número de novas produções baseadas em “Star Wars” anunciadas pela Disney recentemente, vai ficar difícil manter o interesse no mandaloriano, um personagem por demais vazio e raso para despertar paixões tendo em vista que agora temos vários outros muito mais queridos pelos fãs.

Neste episódio há também uma cena extra depois dos créditos que mostra o Boba Fett voltando a Tatooine para reclamar o trono do Jabba, o Hutt, onde é anunciada também uma série exclusiva dele. Uma coisa é certa: os fãs de Star Wars não tem do que reclamar. Vai ser engraçado, todavia, observar a reação dos “haters “da trilogia “sequel” a essas séries que se conectam a ela e que eles tanto louvam até agora...

Cotação: ****

sexta-feira, 11 de dezembro de 2020

“The Mandalorian”: Capítulo 15 retorna ao padrão de “encher linguiça” da série

A maior surpresa desse episódio é o fato de o protagonista tirar o capacete e mostrar o rosto

 - por André Lux

Depois de quatro episódios excelentes, “The Mandalorian” dá uma recaída com esse “The Believer” que é basicamente um “filler”, ou seja, um daqueles que servem mais para “encher linguiça” do que para dar sequência ao enredo principal.

Novamente temos um roteiro que parece cópia de outro, no caso o capítulo 12, onde novamente precisam invadir uma antiga base do império agora para pegar informações sobre o paradeiro do cruzador imperial de Moff Gideon (que raptou o bebê Yoda).

A maior surpresa aqui é o fato de o protagonista tirar o capacete e mostrar o próprio rosto, numa tentativa de mostrar que o afeto que sente pelo pequeno Grogu é maior do que sua fé no credo Mandaloriano. Não chega a ser muito convincente e parece ter sido inventada de última hora para Pedro Pascal poder mostrar a cara (boatos afirmam que o ator estava descontente com o fato de ter que ficar sob a máscara o tempo todo).

Pedro Pascal mostra a cara

Não que o episódio seja ruim, porém é esticado além da conta, com os personagens passando por inúmeros ataques e peripécias até chegar ao desfecho óbvio. O autor Jon Fraveau poderia ter resolvido a questão mais rápido e adicionado cenas mais impactantes à trama principal, já que esse é o penúltimo capítulo da segunda temporada.

Cotação: * * *

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

“The Mandalorian”: 14º capítulo é o melhor dirigido até agora

O maior defeito deste sexto episódio da segunda temporada de é ser muito curto

- por André Lux

O maior defeito deste sexto episódio da segunda temporada de “The Mandalorian” é ser muito curto, pouco mais do que 30 minutos. Intitulado “A Tragédia”, certamente fica entre os melhores da série que finalmente começou a empolgar depois de uma primeira temporada medíocre e um início bem fraco dessa atual temporada.

Mas parece que os criadores Jov Fraveau e David Filoni prestaram atenção às maiores críticas dos fãs de Star Wars e passaram a criar enredos mais bem escritos e com maior ligação ao universo da franquia, seja ele o dos filmes ou do universo expandido.

Esse 14º capítulo começa em plena ação com o mandaloriano aterrizando no planeta Tython onde deixa Grogu (o bebê Yoda) num antigo templo Jedi. Ele logo se conecta com a Força no que deve ser um chamado a outros Jedis ainda vivos, mas em seguida ninguém menos do que Boba Fett chega na Slave 1 para reaver sua armadura.

Infelizmente esse é o personagem feito pelo ator Temuera Morrison tal qual apresentado no lamentável episódio 2, “O Ataque dos Clones”, das horríveis “prequels” de Star Wars. Já que não tem como fingir que elas não existiram, melhor relevar e aceitar. Pelo menos mostram Boba Fett de um modo bastante agressivo e selvagem, arrebentando stormtroopers com sua clava dos Tusken.

O episódio foi dirigido pelo prestigiado Robert Rodriguez, cineasta mexicano bastante irregular, mas que tem pleno domínio da técnica e isso fica evidente aqui. “A Tragédia” é de longe o mais dinâmico e bem dirigido da série, com destaque positivo também para a direção de fotografia e uso de locações reis na ação.

Vamos torcer para que a série continue melhorando e realmente se torne uma entrada realmente memorável no universo Star Wars. Mas fica sempre a pergunta: por que não fizeram isso antes?

Cotação: * * * 1/2

sexta-feira, 27 de novembro de 2020

“The Mandalorian”: Capítulo 13 confirma que a série finalmente começa a mostrar a que veio

A melhor coisa do episódio é obviamente a participação de Ahsoka Tano, personagem criado por David Filoni em “Clone Wars”

- por André Lux

Enfim “The Mandalorian” começa a mostrar a que veio com dois ótimos episódios em sequência que trazem a emoção que faltava até agora e um fan service inteligente, além de mover o enredo adiante introduzindo personagens já conhecidos e outros novos.

Finalmente temos algumas explicações sobre o “bebe Yoda”, cujo nome é revelado ser Grogu e que era treinado pelos Jedi em Coruscant antes de Palpatine tomar o poder e o Império Galáctico surgir. Ou seja, não é um clone do Yoda como todos imaginavam.

A melhor coisa do episódio é obviamente a participação de Ahsoka Tano, personagem criado por David Filoni (aqui atuando como diretor também) em “Clone Wars”, que é uma ex-Jedi em busca de vingança contra um famoso imperial do universo expandido. Vamos ser sinceros: qualquer coisa passada no universo Star Wars fica melhor com alguém empunhando um sabre de luz e Ahsoka faz isso muito bem! A atriz Rosario Dawson está bem no papel, fator que deixa tudo ainda melhor. Também foi legal rever Michael Bihen (de “Exterminador do Futuro” e “Aliens”) como um mercenário. E o mandaloriano novamente tem boas cenas de luta e não age como um tolo caindo em armadilhas, embora fique cada vez mais claro que ele está virando um coadjuvante na própria série.

Infelizmente a estrutura do episódio é a mesma de sempre, com Mando sendo obrigado a participar de uma aventura secundária para conseguir que seus objetivos sejam atendidos. Também me parece bastante forçado o fato de que qualquer material feito com Beskar consiga resistir inclusive aos poderosos sabres de luz, o que levanta imediatamente a pergunta: por que diabos o Império não produziu armaduras para seus stormtroopers com tal material, algo que os deixaria obviamente indefensáveis? Sei que vai aparecer alguém justificando que Beskar é algo raro de se encontrar, mas certamente o Império não mediria esforços para coletá-lo dos quatros cantos do universo!

Fica difícil de entender porque os idealizadores da série demoraram tanto para finalmente começar a produzir episódios interessantes ao invés de perder tempo com enredos fracos e inconsequentes. Já estamos no quinto episódio de uma segunda temporada que terá apenas oito e só agora as coisas começam a esquentar. Até agora a série focou no protagonista sem desenvolve-lo ou apresentar qualquer arco para sua jornada – não ficou claro até agora porque ele está tão empenhado em salvar o pequeno Grogu, algo que vai contra a sua caracterização de mercenário estoico apresentada desde o início.

Enfim, antes tarde do que nunca! Vamos ver quais surpresas nos reservam para o futuro.

Cotação: ****

 

terça-feira, 24 de novembro de 2020

“The Mandalorian”: Capítulo 12 é o melhor da série até agora

Episódio mantém basicamente a mesma estrutura da maioria e tem os mesmos defeitos, porém o roteiro aqui faz toda a diferença

- por André Lux

O capítulo 12 de “The Mandalorian” (quarto da segunda temporada) é de longe o melhor episódio da série até agora. O mais interessante é que ele mantém basicamente a mesma estrutura da maioria e tem os mesmos defeitos, porém o roteiro aqui faz toda a diferença.

“O Cerco” também é construído como mais uma “side quest” da aventura principal, com o protagonista novamente tendo que participar de uma aventura aleatória enquanto sua nave é reparada no porto do planeta Navarro. E, como sempre, “Mando” desfila com o bebê Yoda à luz do dia pela cidade e o deixa sozinho no que seria uma escola sem qualquer tipo de proteção, comprovando que inteligência não é mesmo seu forte.

Felizmente a missão é numa antiga base imperial que deveria estar abandonada, mas que revela pistas interessantes sobre os motivos que levariam os imperiais a estarem atrás da criança, algo que deixa o episódio bem melhor construído em relação aos temas principais da série.

Este capítulo conta com uma ótima direção de Carl Weathers, que também atua como Greef Karga, deixando a narrativa enxuta e as inúmeras cenas de ação cheias de suspense e emoção (algo que faltava na série). Os efeitos visuais também são excelentes e é muito bem vinda a volta dos personagens secundários Karga, Cara Dune (que é um homem de saias como são caracterizadas quase todas as mulheres criadas por roteiristas homens em filmes de aventura) e Moff Gideon (Giancarlo Esposito, sempre ameaçador). E finalmente o nosso protagonista atua de maneira heroica e convincente sem precisar ser salvo por terceiros no último instante.

Tomara que os próximos episódios mantenham a qualidade e a série caminhe para algo mais relevante.

Cotação: * * * *