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quarta-feira, 22 de junho de 2022

“Obi-Wan Kenobi” termina de forma constrangedora

Série ridícula é mais um prego no caixão da franquia Star Wars que a Disney parece estar disposta a enterrar

- por André Lux

Termina de forma patética essa série que obviamente foi produzida sem o menor cuidado por gente que não conhece Star Wars com uma única intenção: espremer a franquia o máximo possível no menor tempo disponível.

Chega a ser constrangedor ver bons atores como Ewan McGregor, Jimmy Smiths  e Liam Neeson (numa rápida e inútil aparição) em algo tão ruim e mal feito. Se fosse só isso nem teria tanto problema, todavia essa série ainda arrebenta com a continuidade do que foi visto antes na trilogia original e nem mesmo tenta arrumar desculpas para isso. Quer dizer então que a princesa Leia teve essa emocionante aventura com o mestre Jedi Obi-Wan Kenobi e dez anos depois manda uma mensagem impessoal a alguém que “lutou ao lado de seu pai nas guerras clônicas”? Ninguém merece!

Novamente vemos um duelo entre Obi-Wan e Darth Vader que não apenas é pessimamente dirigido e coreografado, mas não tem peso algum e apresenta uma série de situações simplesmente ridículas, tais como o vilão virando as costas e saindo depois de soterrar Kenobi com um monte de rochas e depois Kenobi fazendo o mesmo quando Vader estava praticamente derrotado, inclusive com a máscara destruída (o que foi copiado descaradamente da série “Rebels”). “Ah, tudo bem, vou deixar ele aí para morrer, né?”, certamente pensou o Jedi. Claro que vai dar certo, afinal deu certo da outra vez que deixou ele queimando na lava, não é mesmo?

E que porcaria é essa tal de Reva? Não bastasse ser interpretada por uma atriz péssima, é uma personagem ridícula que age de forma totalmente incoerente e tem motivações que não fazem o menor sentido. Sem dizer que certamente é imortal, afinal foi atravessada no peito pelo sabre de luz de Darth Vader, mas continuou correndo por aí apenas com um leve desconforto. Lembrou-me do Cavaleiro Negro do hilariante “Monty Python em Busca do Cálice Sagrado” o qual, depois de ter seu braço decepado pelo Rei Arthur, brada: “Não foi nada, apenas um ferimento leve!”. E como foi que ela conseguiu sair daquele planeta e viajar até Tatooine se não havia nenhuma nave naquele lugar onde foi abandonada?

O mais ridículo é ver os produtores da série tentando criar suspense e tensão com cenas de perseguição contra personagens que todo mundo sabe que NÃO VÃO MORRER! Outra besteira insuportável: Kenobi é apresentado nos primeiros episódios como alguém abatido por estresse pós-traumático e desconectado da Força, incapaz até de mexer um pequeno objeto, porém do nada ele simplesmente começa a lutar, segurar inundações e levantar pedras enormes numa boa, como se nada tivesse acontecido. Como assim?

A reação dos fãs tem sido tão negativa que tentaram salvar alguma coisa neste episódio final – chegaram até a finalmente usar os temas clássicos compostos por John Williams! Porém, é muito tarde e não tinha mesmo como arrumar o que já havia sido filmado e tudo termina de forma grotesca. “Obi-Wan Kenobi” acabe sendo apenas mais um prego no caixão da franquia Star Wars que a Disney parece estar realmente disposta a enterrar. Lamentável.

Cotação: *

quarta-feira, 15 de junho de 2022

Quinto episódio de “Obi-Wan Kenoby” é o melhor até agora


Mas a série continua ruim e não tem a menor razão de existir do ponto de vista dramático

- por André Lux

Depois de quatro episódio desastrosos (o quarto não vale a pena nem comentar de tão ruim), a série “Obi-Wan Kenoby” apresenta seu melhor capítulo até agora. Não que isso seja um grande elogio, mas perto dos outros até que deu para gostar de alguns elementos.

As besteiras, situações ridículas, furos no roteiro e incongruências com o que foi visto antes nos filmes continuam e são tantos que dá para escrever um livro sobre eles, mas algumas pontas soltas foram ao menos parcialmente explicadas (como o fato da Terceira Irmã saber que Anakin é Darth Vader e o mesmo ter deixado ela viva no episódio anterior). Os diálogos são menos constrangedores e algumas cenas de ação e luta parecem menos letárgicas.

Há um flashback de duelo entre Kenobi e Anakin rejuvenescidos por CGI na época das prequels que gera uma certa nostalgia positiva, por mais que estes filmes sejam sofríveis e seria melhor esquecer que existem.

Todavia, a direção de Deborah Chow continua péssima, algumas tomadas aparentam ter sido feitas sem qualquer empenho e Obi-Wan insiste em agir como um completo imbecil, muitas vezes atuando tal qual um covarde - chega ao ponto de deixar uma mensagem comprometedora contra Luke e Leia nas mãos de um notório vigarista!

Irrita também o fato de não usarem os temas clássicos de John Williams nem mesmo quando a série clama por eles, principalmente com Vader em cena! A série certamente seria bem menos sofrível se tivesse uma música melhor e que fizesse uso dos temas canônicos interpolados ao material novo. Pelo visto a Disney não quer pagar direitos autorais ao Williams, pois só isso explica uma decisão estúpia como essa.

Enfim, a série continua muito ruim e não tem a menor razão de existir do ponto de vista dramático simplesmente porque sabemos de antemão que nenhum dos personagens principais vai morrer, já que estão todos vivos e passando bem no episódio IV da trilogia original.

“Obi-Wan Kenobi” é só mais um tiro no pé que a Disney dá em relação à franquia criada por George Lucas e vai continuar agradando apenas os fãs menos exigentes, do tipo que tem orgasmo com qualquer porcaria desde que traga o título Star Wars atrelado a ela.

Cotação: **

sexta-feira, 3 de junho de 2022

Episódio 3 de “Obi-Wan Kenobi” traz luta patética entre o protagonista e Darth Vader

Série péssima continua desrespeitando a mitologia da saga e consegue transformar até o icônico vilão num idiota incompetente

- por André Lux

Terminei minha análise dos episódios 1 e 2 de “Obi-Wan Kenobi” dizendo que a série poderia melhorar, mas infelizmente não vai. O terceiro é igualmente ruim, desconjuntado, desrespeitoso com o que foi visto antes nos filmes e consegue transformar até o icônico Darth Vader num idiota incompetente. Isso mesmo!

O episódio começa com Kenobi e Leia chegando a um planeta aleatório e, depois de uma série de incidentes tediosos onde o Jedi age novamente como um completo imbecil, eles são salvos por uma mulher que vai levar ambos para fora do planeta. Mas, os Inquisidores descobrem que eles estão lá e enviam sondas e o próprio Darth Vader vai atrás de Kenobi.

Isso já levanta várias questões: por que demoraram tanto para descobrir o paradeiro deles, afinal a nave onde estavam era um cargueiro e certamente tinha um plano de voo bem fácil de alcançar, certo? E por que simplesmente não pegaram a nave antes mesmo de deixar a atmosfera ou imediatamente no momento que chegou ao destino? O Império ficou sem radares e naves por acaso? Esses tipos de furos no roteiro só existem para tentar causar suspense, porém falham miseravelmente e revelam apenas incompetência e preguiça dos autores.

As cenas em que Vader aparece são as melhores, porém quando começa o inevitável confronto entre ele e Kenobi tudo fica constrangedor. A coreografia da luta é bisonha e a música é simplesmente patética, nem mesmo utilizam o tema de Vader, da Força ou qualquer outro que lembre minimamente Star Wars. Uma vergonha!

Vader domina Obi-Wan com uma facilidade que dá pena e ele só não vira churrasco porque o vilão desiste no meio da tortura e o joga longe, dando assim chance para que um personagem aleatório provoque um pequeno caos que permite o resgate do Jedi. Mas, olha, essa cena é ridícula, pois o todo-poderoso Darth Vader, que está a poucos metros do seu ex-mentor do qual sente ódio monstruoso, simplesmente fica parado olhando ele ser levado por um robô lento quando poderia facilmente atravessar o fogo, flutuar sobre, dar a volta rapidamente, apenas pegar os dois com a Força e trazê-los até ele ou simplesmente APAGAR O FOGO COM A FORÇA COMO ELE MESMO TINHA FEITO MOMENTOS ANTES!

Darth Vader: "Fale com a mão"

Claro que não fez nada disso e ficou lá parado como um pateta porque a série precisa continuar e vão obviamente fazer os dois lutar novamente mais à frente. Então, dane-se qualquer lógica ou respeito à mitologia dos personagens canônicos. O mais importante é esticar ao máximo possível a metragem da produção para gerar lucro aos acionistas da Disney.

Cotação: *1/2

quarta-feira, 1 de junho de 2022

Episódios 1 e 2 de “Obi-Wan Kenobi” apontam para mais um desastre produzido pela Disney

 

É triste ver Star Wars sendo destruída por uma corporação que tem como único objetivo ganhar dinheiro sem qualquer preocupação com a qualidade

- por André Lux

A Disney parece mesmo determinada a destruir a franquia Star Wars produzindo incontáveis séries, filmes e subprodutos sem qualquer preocupação com a qualidade e até mesmo com a própria mitologia da saga.

Depois da problemática trilogia “sequel” (episódios 7, 8 e 9 da história principal), a Lucasfilm concentrou sua produção em séries para seu canal de streaming que vem variando do medíocre (“O Mandaloriano”) ao simplesmente ridículo (“O Livro de Boba Fett”).

Chega agora a mini-série “Obi-Wan Kenobi” que se passa dez anos depois dos eventos narrados no grotesco “Episódio 3: A Vingança dos Sith”, certamente o pior filme da saga. Acompanhamos agora Kenobi vivendo exilado no planeta Tatooine (lá de novo!) enquanto observa o menino Luke Skywalker e é procurado por Inquisidores do Império que caçam Jedis sobreviventes.

É uma premissa até interessante, mas os dois primeiros episódios já deixam claro que tudo será arruinado por roteiros ridículos, direções pífias, atores canhestros perdidos em personagens rasos e caricatos, efeitos especiais fracos e trilha musical genérica (crime dos crimes em se tratando de Star Wars), onde até mesmo o tema principal composto pelo mestre John Williams soa sem inspiração.

Ewan McGregor retorna ao papel de Kenobi catatônico, abatido e desprovido de motivações. Ora, uma coisa é ele estar traumatizado pelos fatos trágicos que levaram à queda de seu pupilo Anakin e pela ascensão do Império, outra é agir como alguém que parece estar morto por dentro, sem qualquer sentido de vida. Mas não foi ele quem quis ir para o planeta deserto justamente para proteger Luke a fim de um dia poder treiná-lo e restaurar a ordem Jedi? No mínimo Kenobi estaria em constante movimento, aprimorando suas habilidades Jedi para essa missão. Mas, não. O que vemos aqui é um chato de meia idade se arrastando como um zumbi pelo deserto...

Se não bastasse isso, o personagem age de forma incoerente com o que foi mostrado antes, tomando decisões burras, se expondo desnecessariamente ou simplesmente apanhando de vilões que ele deveria derrotar com um simples aceno de mão. Chega a irritar a estupidez dos roteiros que ainda por cima são repletos de furos e batem de frente com o que foi apresentado nos filmes. Enfiaram até a coitada da princesa Leia no enredo como uma criança de 10 anos irritante e mimada.

Pode ser que melhore? Pode, mas sinceramente eu duvido. É realmente triste ver uma franquia tão bacana e amada como Star Wars sendo literalmente destruída em pedaços por uma corporação que tem como único objetivo ganhar dinheiro tirando leite de pedra sem qualquer preocupação real pela qualidade dos produtos.

Cotação (Episódios 1 e 2): *1/2

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Chato e desconjuntado, “Mães Paralelas” ao menos tem mensagem contra o fascismo

 A única cena que passa alguma emoção é a derradeira, uma denúncia dos horrores da guerra civil espanhola contra o fascista general Franco

- por André Lux

“Mães Paralelas” é mais um filme chato, desconjuntado e modorrento do cineasta Pedro Almodóvar, queridinho da crítica especializada e de cinéfilos pomposos, que faz tempo não produz nada que realmente tenha a qualidade de alguns de seus trabalhos antigos.

A única cena interessante e que passa alguma emoção é a derradeira, uma denúncia dos horrores da guerra civil espanhola contra o fascista general Franco, porém é tão desconectada do resto do filme que praticamente passa em branco.

Sobra então assistir uma trama tola e arrastada sobre duas mães que dão à luz no mesmo dia e se envolvem de forma nada convincente enquanto um mistério acontece envolvendo os bebês delas. Mas o suspense é muito mal construído e quando vem a revelação do que realmente aconteceu não tem qualquer impacto. A trilha musical é exagerada e às vezes descamba para o terror sem a menor lógica.

O elenco é fraco, com Penélope Cruz novamente tentando em vão parecer uma mulher linda e exuberante, enquanto a atriz que faz a outra mãe é simplesmente pavorosa. Ao menos nem todos os homens no filme são apresentados como estupradores abusivos: Arturo é apenas um adúltero que tenta forçar a protagonista a abortar, o que é um avanço no caso de Almodóvar, não é mesmo? As mulheres, porém, são retratadas como descontroladas, possessivas e sofredoras como sempre.

A mensagem contra o fascismo é sempre bem-vinda, mesmo sendo tão frouxa e mal amarrada. Por causa disso “Mães Paralelas” ganha uma estrela a mais. Claro que ninguém em sã consciência pode falar mal de Almodóvar caso contrário será xingado e cancelado. Ainda bem que eu nunca tive essa tal de sã consciência...

Cotação: * *

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

“Matrix Resurrections”: Wachowski trola os fãs e dá um tiro no pé da franquia

Boas ideias são desperdiçadas em roteiro fraco e precariedade técnica, algo que entra em conflito gritante com a trilogia original

- por André Lux

Expectativa é tudo quando se trata de apreciar um novo filme que pretende dar continuidade a uma franquia bem sucedida. Foi assim com Star Wars. É assim com Star Trek. E não poderia deixar de ser com Matrix. Ou seja, é praticamente impossível para qualquer apreciador assistir ao novo produto sem trazer consigo a bagagem de tudo que veio antes.

O primeiro filme data de um longínquo 1999 e revolucionou a sétima arte em termos de novas tecnologias de filmagem, efeitos especiais e incorporação de diversos aspectos da cultura pop e filosóficos em uma única obra. Visto hoje, o “Matrix” original continua impressionante, porém seu impacto jamais será o mesmo para quem o assiste pela primeira vez agora, haja visto as centenas de imitações que vieram na sua esteira. Os efeitos e truques de filmagens que na época eram inovadores, hoje parecem meros clichês.

Até mesmo as duas continuações, “Matrix Reloaded” e “Matrix Revolutions”, falharam em impressionar e muita gente simplesmente não gostou porque os realizadores, os irmãos Wachowski, subverteram as expectativas e fecharam a trilogia de forma bem diferente do que se esperava do clichê da “jornada do herói”. Eu fui um dos poucos que realmente sacaram as intenções dos dois filmes e gosto deles até hoje, mesmo reconhecendo seus defeitos (leia aqui minha análise da trilogia).

Chega agora, 20 anos depois de “Revolutions”, a quarta parte da franquia, intitulada “Matrix Resurrections”. A grande pergunta sobre o filme é: por que foi feito? E a resposta está no próprio longa, em uma das várias tiradas sarcásticas que os roteiristas inventaram para rir de si mesmos: porque a Warner Brothers, detentora dos direitos, iria dar sequência à franquia com ou sem a participação de seus criadores, que hoje são duas mulheres transexuais Lana e Lily Wachowski (antes Larry e Andy), embora somente Lana aceitou participar da produção de “Resurrections”.

Já que foi forçada a fazer a nova sequência contra sua vontade, a cineasta optou por sabotar seu próprio filme. Embora “Revolutions” tenha fechado a trilogia original sem deixar muitas pontas soltas para uma continuação, obviamente o universo de Matrix poderia ser explorado de inúmeras formas, mas Lana optou pelo caminho mais fácil: fazer uma espécie de reboot do primeiro filme ao mesmo tempo que dá sequência aos eventos do último, algo que está na moda hoje em Hollywood e quase sempre resulta em fracasso junto aos fãs.

“Resurrections” é uma colcha de retalhos que mistura boas ideias, nostalgia e soluções simplistas. Mas são as duas últimas que predominam e as (poucas) premissas interessantes são desperdiçadas e não chegam a lugar algum. A melhor coisa acaba sendo o primeiro ato, quando Neo, novamente preso à Matrix, começa a perceber que algo está errado quando é obrigado a fazer uma continuação da série de videogames de sucesso chamado, bem... Matrix. E aí Wachowski aproveita para alfinetar a lógica corporativa que quer tirar leite de pedra dessas franquias, ao mesmo tempo que ironiza a falta de entendimento do público médio sobre os reais significados de Matrix.

É uma pena que tudo isso seja esquecido a partir do segundo ato que vira uma mera releitura do que já foi visto (inclusive com várias inserções de cenas dos filmes anteriores), com os personagens repetindo o que já foi feito, só que sem a menor vibração, suspense ou emoção. Keanu Reeves nunca foi um bom ator, mas aqui está catatônico, sussurrando seus diálogos como se estivesse... prestes... a... ter... um... ataque... de... cólica... intestinal. O resto do elenco é fraco e parece saído de uma série para adolescentes da Netflix. No terceiro ato alguns diálogos mais profundos melhoram a experiência, mas ainda é muito pouco perto do que já foi mostrado antes.

O que mais chama a atenção, além do roteiro fraco e sem qualquer inspiração, é a precariedade técnica do filme, algo que entra em conflito gritante com a trilogia original: lutas coreografadas de modo apressado, perseguições simplórias e efeitos visuais capengas. Fica evidente que faltou dinheiro e certamente a pandemia da Covid-19 atrapalhou bastantes as filmagens. No final das contas, parece um filme feito por algum fã de Matrix.

Já vi duas vezes “Matrix Resurrections”. Na primeira algumas passagens chegaram a me deixar constrangido. Na segunda achei menos ofensivo, certamente porque já estava sem qualquer expectativa. Infelizmente não é por isso que o filme deixa de ser fraco, apenas fica mais tolerável. E novamente a gente se pergunta: por que diabos fizeram esse filme? Embora a resposta seja óbvia, fica difícil de entender porque deixaram ser realizado dessa forma, já que é uma clara trolagem contra o estúdio e os fãs que já estão enfurecidos xingando o filme nas redes sociais e nos canais de youtube. Ou seja, mais um tiro no pé - só que em “bullet time”...

Cotação: **

domingo, 24 de outubro de 2021

Novo “Duna” é um prato requintado que vai agradar quem procura ficção científica de qualidade

Filme é extremamente bem realizado, repleto de nuances e inflexões narrativas que captam a rica essência da obra original, porém com voz própria na linguagem cinematográfica

- por André Lux

Sou grande admirador da saga “Duna”, criada pelo escritor Frank Herbert a partir de 1965 e que influenciou diretamente um sem número de outros produtos começando com “Star Wars”, passando por “Matrix” e até “Game of Thrones”, a qual descobri a partir da adaptação feita por David Lynch para os cinemas em 1984. Versão essa que tinha inúmeros problemas e fracassou nas bilheterias, porém possuía também qualidades, entre elas um elenco formidável, além de desenhos de produção, figurino e de criaturas sensacionais, sem falar da música competente do grupo Toto (veja aqui minha análise das adaptações de "Duna" anteriores).

Confesso, portanto, que sempre tive grande dificuldade de aceitar outra versão de “Duna” para as telas tão ligado que sempre fui ao filme de 1984. Foi assim com a minissérie da Sci-Fi realizada no ano 2000 que embora fosse muito mais fiel à obra original, foi feita com parcos recursos financeiros e tinha um visual risível, parecendo muitas vezes desfile de escola de samba.

Chega então a última adaptação do livro gigantesco de Herbert, desta vez realizada por Dennis Villeneuve, cineasta brilhante que tem feito ótimos filmes (meu favorito é de longe “A Chegada”), um verdadeiro artista que, a exemplo do que foi Ridley Scott no passado, transforma cada fotograma em verdadeiras obras de arte. E “Duna” não é diferente. O filme é um espetáculo deslumbrante (e por isso exige ser visto ao menos uma vez nas telas dos cinemas), com fotografia e efeitos visuais de tirar o fôlego sempre acompanhadas por um senso de escala que impressiona. Os desenhos de produção e figurinos vão na direção oposta do barroco colorido do longa de Lynch, apostando em linhas retas e curvas sóbrias dignas da arquitetura contemporânea.

O mais interessante no meu caso é que não gostei muito do filme na primeira vez que assisti (no Imax). Embora tenha achado o visual sensacional, tive dificuldades em entrar na proposta da nova adaptação. Culpa disso certamente foi o meu apego ao “Duna” de 1984 e também ao extenso conhecimento do livro e suas tramas políticas complexas e intrincadas. Certamente se tivesse escrito minha análise depois dessa primeira experiência ela seria majoritariamente negativa. Mas senti que algo não estava correto e fui ver novamente no cinema. E isso fez toda a diferença!

Já sabendo o que ia encontrar, fui capaz de me distanciar da versão de Lynch e também do livro e finalmente consegui mergulhar de cabeça. Nem mesmo a música do abominável Hans Zimmer me incomodou na segunda exibição. Sim, a sua partitura para “Duna” sofre de quase todos os defeitos do resto do seu trabalho: é intrusiva, simplória, pesada, opressiva e ensurdecedora! Porém, me arrisco a dizer que mesmo assim essa provavelmente é sua melhor trilha pois, a despeito dos problemas, possui alguns momentos inspirados e até impactantes (dentro do baixo padrão Zimmer de qualidade, que fique claro).

O roteiro consegue sintetizar bem as grandes questões da obra de Herbert sem entrar em muitos detalhes e excesso de informações, fatores que deixaram o filme de 1984 incompreensível para quem não leu o livro. Apesar de enfurecer os fãs mais puristas, foi uma decisão acertada que deu leveza e permite um acompanhamento mais fácil por parte do espectador não familiarizado com o material.

Gostei muito da maneira como Villeneuve se manteve fiel à lógica do enredo original, no qual o conceito de “messias” e “escolhido” não passa de maquinações engendradas pelas Bene Gesserit para facilitar a manipulação e dominação dos povos dos mundos daquele universo, sempre ávidos por crenças religiosas em seres sobrenaturais. Esse, por sinal, foi o erro mais grotesco da versão de 1984 já que transformou Paul em um messias real com poderes mágicos, algo que arrebenta com toda a construção do livro.

Filme tem visual impressionante

Algumas escolhas prejudicam o ritmo da trama, especialmente o arco que envolve o traidor dos Atreides apresentado aqui de forma muito apressada, culminando com o ataque dos Harkonnens que parece acontecer apenas poucos dias após a chegada dos Atreides em Arrakis. O elenco é muito bom, embora alguns personagens importantes tenham pouco tempo de tela, o que afeta a composição dos atores, porém não enfraquece a narrativa principal que fica focada mais em Paul e sua mãe Jessica (aqui bem mais emotiva e insegura do que no livro).

O filme tem 2 horas e 35 minutos, mas parece menos, o que é sempre um dos melhores elogios, terminando de forma abrupta no que seria o início da segunda metade do livro e deixando um gosto de quero mais. O fato da continuação ainda não ter sido confirmada pelo estúdio aumenta ainda mais a ansiedade pois, diferente de “O Senhor dos Anéis” cujos três filmes foram filmados simultaneamente, Villeneuve rodou apenas a primeira parte.

“Duna” é um prato requintado que vai agradar em cheio quem procura ficção científica de qualidade e sabe apreciar um filme extremamente bem realizado, repleto de nuances e inflexões narrativas que captam a rica essência da obra original, principalmente as alegorias ao petróleo, ao cristianismo e islamismo e à ecologia, porém com voz própria dentro da linguagem cinematográfica.

Cotação: ****1/2

domingo, 10 de outubro de 2021

“007 Sem Tempo Para Morrer” pode ser o fim da franquia do personagem

 

Talvez seja melhor mesmo deixar James Bond morto e enterrado, junto com os valores apodrecidos que ele tão bem representa

- por André Lux

É impossível falar sobre o novo filme do 007 sem fazer uma análise histórica da franquia, portanto aqui vai (contém spoilers!).

O personagem do agente secreto britânico James Bond, codinome 007, foi criado pelo escritor Ian Fleming em 1953 e gerou a mais longa franquia do cinema com 26 filmes cujas qualidades variam bastante, do ótimo ao francamente bisonho.

O problema do 007 é que ele é extremamente datado, um verdadeiro dinossauro que foi criado na época da guerra fria entre EUA e a extinta União Soviética cujas características principais eram o machismo e, claro, a defesa irrestrita do imperialismo ocidental (afinal, é um agente do MI6 britânico). Ou seja, em linhas gerais era a encarnação perfeita do chamado “macho alfa” que detona os inimigos do capitalismo enquanto usa e descarta as mulheres a seu bel prazer.

Essa fórmula funcionou bem até mais ou menos 1985 com o último filme de Roger Moore interpretando Bond, “007 Na Mira dos Assassinos” (“A View To a Kill”), mas logo os produtores tentaram dar um upgrade no personagem em 1987 com “007 Marcado Para a Morte” que eu considero talvez o melhor filme da série, trazendo o personagem mais próximo da realidade, diminuindo sua misoginia e deixando a trama menos caricata. O ator Timothy Dalton ficou perfeito no papel, mas infelizmente fez apenas dois filmes e logo foi substituído pelo insonso Pierce Brosnan, cujas encarnações de Bond estão entre as piores da série.

Corta para 2006 e entre em cena então uma nova tentativa de revitalizar a franquia. Inspirados pelo sucesso dos filmes com Jason Bourne, personagem parecido com Bond, porém muito mais realista e mundano, os produtores contratam o feioso Daniel Craig (que lembra muito o nosso Didi Mocó de “Os Trapalhões”) para viver 007 em “Cassino Royale” e criam um ótimo filme, porém cada vez mais distante do personagem original. 

O Bond de Craig é inseguro, nervoso e altamente incompetente (o que se justifica no primeiro filme por ele estar estreando no serviço), porém essas características são levadas para todos os outros filmes, fator que irrita os fãs da série.

James Bond e Didi Mocó: trapalhões

Além disso, a trama do primeiro filme é levada para a continuação “Quantum of Solace”, algo inédito na franquia. Até aí, nada de errado. O problema é que em “Skyfall” (leia aqui minha análise) resolvem abandonar a continuidade, só para a retomarem em “Spectre” (leia aqui minha análise) inventando de forma absurda uma organização do mal capitaneada pelo vilão Blofeld que estaria por trás de todos os eventos dos filmes anteriores.

Chega então “007 Sem Tempo Para Morrer” que já se anuncia como o último filme da era Craig e o resultado não poderia ser mais decepcionante. Confesso que não esperava grande coisa depois dos fiascos de “Skyfall” e “Spectre”, porém é bem pior do poderia imaginar. O longa começa com Bond novamente aposentado (ele foi substituído por uma mulher, porém isso não tem a menor relevância na trama) vivendo um grande amor com a personagem feita pela Léa Seydoux (que ao menos está menos inexpressiva). Mas logo sofrem um atentado e Bond a abandona achando que ela a traiu.

Temos então a invasão de um laboratório secreto do qual é roubado um tipo de vírus que pode matar pessoas específicas baseado no DNA delas. Por trás do roubo está a Spectre que continua sendo comandada por Blofeld mesmo ele estando preso em segurança máxima (e o filme nunca explica de forma inteligível como faz isso). Todavia, existe um outro vilão (feito de forma caricata por Rami Malek) que busca vingança contra a Spectre e quer usar o vírus para matar Blofeld e, depois, eliminar grande parte da humanidade. Os motivos dele nunca ficam claros, mas parece que quer dar uma de Thanos, da série dos “Vingadores”.

Enfim, o roteiro é tolo, a trama não tem pé nem cabeça e é arrastada demais (o filme tem quase 3 horas de duração), a direção é burocrática, as cenas de ação, lutas e perseguições são muito fracas, as motivações dos vilões não fazem sentido e o Bond de Daniel Craig continua incompetente e burro, incapaz de se salvar sem ajuda de outros ou de perceber óbvios traidores. 

E se não bastasse tudo isso, ainda inventam uma filha para o 007, recurso que terá efeito dramático praticamente nulo para a trama e só serve para tentar sem sucesso dar mais emoção a perseguições e confrontos. E o que foi aquilo dos membros da Spectre se reunirem todos numa festa em Cuba? Mais uma estupidez do roteiro inventada só para tentar manchar novamente a reputação da ilha, como se lá fosse terra de ninguém.

Não foi boa ideia chamarem o abominável Hans Zimmer para compor a música de “Sem Tempo Para Morrer”, pois seu “estilo” é completamente errado para os filmes da franquia que sempre contaram com partituras excelentes, grande parte delas composta pelo mestre John Barry. Mas Zimmer não chega a incomodar, criando uma trilha musical banal mas funcional na qual cópia sem grande talento o que já foi estabelecido na série por Barry e David Arnold. As melhores faixas acabam sendo as que Zimmer incorpora sem maiores explicações o tema criado por Barry para “A Serviço Secreto de Sua Majestade” (de 1969), cuja canção interpretada pelo grande Louis Armstrong encerra o novo filme.

E, para fechar o desastre com chave de outro, resolveram simplesmente matar James Bond. Isso mesmo: está morto o personagem icônico do cinema que basicamente era imortal (tanto é que está vivo desde 1953 e já foi interpretado por seis atores). E nem mesmo uma morte gloriosa o coitado teve, sendo eliminado de forma idiota por causa de erros que ele mesmo comete! Um verdadeiro trapalhão esse James Bond.

Vai ser difícil para os produtores da franquia retomarem o personagem daqui para frente. Primeiro porque o mataram e segundo porque fica quase impossível manter a fleuma de James Bond viva sem ter que descaracterizar ele completamente. O que no final das contas pode ser uma boa notícia, já que realmente não existe mais lugar no mundo para esse tipo de “macho alfa” sedutor, invencível, imperialista e misógino que encantava certas pessoas no passado. Talvez seja melhor mesmo deixar James Bond morto e enterrado, junto com os valores apodrecidos que ele tão bem representa.

Cotação: **

quarta-feira, 18 de agosto de 2021

"Rambo 3" mostra como os EUA financiaram o Talibã


É interessante perceber que Osama Bin Laden poderia ser um daqueles afegãos que dão uma forcinha ao Rambo...

- por André Lux, crítico-spam

“Rambo III" é sem dúvida o ponto mais baixo da trilogia com o personagem que foi apresentado no primeiro filme (o interessante “First Blood”) como um veterano da guerra do Vietnam desajustado e marginalizado pela mesma sociedade que supostamente defendeu com seu sangue, só para ser transformado em super-herói invencível no segundo capítulo, no qual vence sozinho a guerra que os EUA perderam.

Animado com o sucesso mundial daquela bomba fascista e panfletária da era Reagan, que entre outras ofensas pregava abertamente em favor da interferência direta dos EUA no assunto de países soberanos, o brucutu Sylvester Stallone resolveu ir mais além entrando no conflito que estava ocorrendo no Afeganistão, que na época havia sido invadido pela extinta União Soviética.


O filme já começa de forma risível, com Rambo lutando quase até a morte para descolar uns trocados que dá gentilmente aos monges budistas que o acolheram em seu templo. Mas a "paz" do personagem dura pouco, pois logo descobrimos que seu mentor e camarada, Coronel Trautman (Richard Crenna), foi capturado pelos malvados comunistas quando estava em missão do Tio Sam tentando levar democracia e liberdade para o pobre povo afegão.

Rambo então deixa a batina e vai para aquele país quente e repleto de barbudos mal-encarados a fim de resgatar seu colega militar e, de quebra, destruir sozinho e com um estoque aparentemente infinito de flechas explosivas o abominável exército vermelho - o qual, depois de uma sessão de tortura contra inimigos, ataca aldeias miseráveis por esporte, matando cruelmente inclusive criancinhas indefesas (na certa para comê-las no jantar).


Ficar apontando aqui todas as cenas absurdas e ridículas do filme seria perda de tempo - o ponto alto da canastrice é ver o herói cauterizando com pólvora um ferimento que atravessou seu torso!

Também é inútil enumerar todos os clichês deploráveis e preconceitos que pipocam na tela a cada cinco segundos, particularmente aqueles que nos ensinam o quanto são malvados e pervertidos os comunistas e também como são ineptos e atrasados os afegãos (no caso representando qualquer povo que use turbante) frente à superioridade moral, tecnológica e estratégica dos ocidentais. Pior que tem gente que acredita nesse tipo de ladainha racista até hoje.


O interessante, entretanto, é analisar “Rambo III” como produto de seu tempo e compará-lo com a realidade atual, depois dos ataques terroristas em território estadunidense no 11 de setembro. Se em 1988 (ano de produção do filme) o indestrutível soldado do Tio Sam ia até o Afeganistão para salvar o sofrido povo daquele país da tirania dos sanguinários soviéticos, agora o mesmo "Rambo" está lá jogando bombas e mísseis sobre aquelas pessoas, exatamente como faziam os supostos vilões vermelhos.

Só que agora com a desculpa de ser uma "guerra contra o terror" para capturar o terrorista Osama Bin Laden – que, vejam só que ironia, em “Rambo III” podia ser muito bem um daqueles rebeldes Mujahadin do Talibã financiados e armados pelos EUA que ajudam o herói a derrotar os soviéticos!

O absurdo chega a níveis gritantes quando lembramos que o "engajado" Stallone ainda fez questão de incluir a seguinte frase na conclusão da sua obra: "Esse Filme é Dedicado ao Valente Povo do Afeganistão". Como se vê, até o incorruptível Rambo tem "dois pesos e duas medidas". Seria risível se não fosse tão trágico...


Nossa única vingança é saber que o exército soviético abandonou o Afeganistão alguns meses antes do filme estrear nos cinemas, o que deixou tudo ainda mais ridículo e sem sentido ao ponto de decretar seu fracasso nas bilheterias.

Mas, para espanto geral e graças a atual política bélica e reacionária de Bush Júnior, Rambo vai voltar às telas em breve, agora para lutar contra sequestradores e ladrões de suprimentos (clique aqui para ver uma foto do deformado Sylvester Stallone durante as filmagens de "Rambo IV" e corra para o abrigo mais próximo!). Sinceramente, ninguém merece!

Depois de tudo isso alguns incautos e outros nem tanto ainda vêm me falar que o cinema e outros produtos da indústria cultural não sao usados descaradamente como máquina de propaganda imperialista. Imaginem então se fosse...

Cotação: ZERO
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quinta-feira, 22 de abril de 2021

A esquerda precisa entender a importância de Felipe Neto



Em entrevista histórica ao grupo Prerrogativas, o youtuber explica porque mudou de lado na política e como a luta contra o neofascismo precisa de jovens como ele. Confira a minha análise!

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MEMÓRIAS DE UM ALIENADO: Como deixei de ser um "papagaio de direita":http://tudo-em-cima.blogspot.com/2015/08/memorias-de-um-alienado.html 

Felipe Neto no Prerrô! - Liberdade de expressão e redes sociais 

terça-feira, 20 de abril de 2021

Interferência dos produtores dilui impacto de “A Sombra e a Escuridão”


A pior coisa é o caçador interpretado por Michael Douglas, personagem inventado para que pudessem enfiar um estadunidense na história

- por André Lux


“A Sombra e a Escuridão” tem uma premissa bastante interessante, ainda mais ao sabermos ter sido baseado em uma história real. O filme mostra a construção de uma ponte em Uganda, na África, que é ameaçada pela aparição de dois leões sanguinários que começam a matar indiscriminadamente e com requintes de crueldade, muito diferente de como agiriam em uma situação normal.

Infelizmente “A Sombra e a Escuridão” não cumpre todas as suas expectativas. A pior coisa do filme é, sem dúvida, o caçador Remington, interpretado por Michael Douglas (que é um dos produtores do filme) que aparece do nada para tentar ajudar a matar os leões. Personagem, diga-se de passagem, "inventado" pelos roteiristas para que de algum jeito pudessem enfiar um estadunidense na história. 

Mas ele não só é ridículo (sua chegada com um grupo de nativos vestindo trajes carnavalescos é digna de gargalhadas) como não tem nada a fazer, a não ser proferir falas vazias e ficar posando de "sabe tudo" o tempo todo. Essa "licença poética" com os fatos reais é justamente o que derruba a fita, já que o personagem principal, vivido com frieza por Kilmer, é enfraquecido em favor do "astro" Douglas.

Os leões verdadeiros estão empalhados
Os leões verdadeiros estão em um museu

Entretanto, o filme tem várias qualidades, a começar pela bela fotografia do mestre Vilmos Zsigmond, passando pela trilha musical extremante rica e complexa do maestro Jerry Goldsmith. “A Sombra e a Escuridão” traz ainda algumas cenas de ataques de leões das cenas mais impressionantes do cinema. É particularmente assustador o embate final entre Kilmer e um dos deles.

Pena que mais uma vez a política dos grandes estúdios tenha interferido no resultado de um filme que poderia ter se tornado um clássico do gênero, transformando-o em apenas uma diversão de qualidade, mas que resulta banal e fria.

Cotação: * * *

"Eu me Importo" desperdiça boa premissa com situações ridículas e humor pastelão

 

Filme pretensioso vende-se com obra séria, porém tem um roteiro desastroso e personagens absurdos.

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segunda-feira, 19 de abril de 2021

"Godzila vs Kong" aposta em roteiro estúpido e absurdo


Franquia iniciada em 2014 coloca os dois monstros para lutar em meio a um enredo sem pé nem cabeça que nem mesmo é fiel à mitologia apresentada nos filmes anteriores.

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quinta-feira, 8 de abril de 2021

Cinema Com Barbudos #1: Godzilla vs Kong e Justice League

 

Nesse primeiro programa conversei com meu amigo Ariel Wollinger sobre os dois mais recentes blockbusters hollywoodianos. Confira!

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sexta-feira, 19 de março de 2021

Snyder's Cut de "Liga da Justiça" é melhor, porém peca pelo excesso


Versão do diretor tem 4 horas de duração e restaura visão original do cineasta. Mas é bom? Assista minha análise! 

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 #Snyder​'scut #Justiceleague

sexta-feira, 12 de março de 2021

“WandaVision” mistura sitcom com o universo Marvel e tem resultado capenga

- por André Lux

Não deu para entender o que a Marvel quis exatamente com essa série “WandaVision”. A impressão que fica é que alguém falou: “Ei, que tal colocar os personagens numa espécie de sitcom antiga?”, acharam genial e, a partir dessa premissa mínima, começaram a construir o roteiro de forma capenga.

A série começa com Wanda e Visão num daqueles programas cômicos em preto e branco dos anos 1960, tipo “Dick Van Dyke” e “A Feiticeira”, com direito a trejeitos exagerados e faixa de risadas. Algumas pequenas pistas de que a realidade não é bem aquela aparecem, mas é só mesmo a partir do terceiro episódio que as explicações começam a ser apresentadas e as pontas com o universo Marvel vão sendo atadas.

O problema é que essas duas realidades não casam e levantam um monte de perguntas que acabam não sendo respondidas (tipo, por que e como Wanda gravava e transmitia a vida deles para fora do escudo de força?). E nos últimos episódios qualquer traço de originalidade dá lugar às velhas lutas com raios e pancadarias genéricas de sempre.

Os realizadores enfiam vários fan-services durante os episódios, porém acabam tendo pouco impacto na trama, sendo o pior colocarem o ator que fez o Mercúrio nos “X-Men” da Fox como o irmão da Wanda, o que gerou uma avalanche de teorias, mas que no fim era só uma besteira sem nexo que culminou com uma piada sexual rasteira.

O fato de Wanda estar sofrendo com o luto pela morte do Visão em “Vingadores: Guerra Infinita” não é justificativa para os atos dela e o fato de encerrarem a série sem maiores consequências deixa tudo com um gosto mais amargo.

É uma pena que não souberam aproveitar a interessante premissa melhor, desperdiçando o talento dos atores Elizabeth Olsen e Paul Bettany em episódios que possuem sequências muito boas desconectadas do todo, mas que deixam a desejar no âmbito geral do que tentaram construir.

Cotação: * * *

terça-feira, 9 de março de 2021

"Nomadland" retrata o fim do "sonho americano"

 

PESADELO AMERICANO

“Nomadland” é um filme duro, árido, triste, feito quase todo com atores amadores que trazem verdade em seus relatos do fim do “sonho americano”

- por André Lux

“Nomaldland” é mais um filme que descreve de maneira quase documental o fim do chamado “sonho americano” focando na personagem Fern feita pela sempre excelente Frances McDormand. Ela é apenas mais uma vítima da ideologia do capitalismo selvagem neoliberal que tomou conta do mundo depois da queda do muro de Berlim, quando os donos do poder econômico decidiram que não era mais necessário manter o “Estado de Bem Estar Social” que garantia uma vida decente aos proletários a fim de manter afastado o fantasma da revolução comunista.

Fern vivia na cidade Empire que simplesmente desapareceu do mapa depois que a maior fábrica faliu e fechou as portas com a crise de 2008. Já com mais de 50 anos e sem perspectiva de conseguir um emprego fixo, resta a ela viver num pequeno trailer e trabalhar em subempregos esporádicos.

O filme dirigido pela chinesa Chloé Zhao mostra a rotina da protagonista em seus trabalhos e interações com outras pessoas, entre elas muitas vivendo em situação precária como ela sem qualquer expectativa de sair daquela condição. São seres humanos catatônicos que vivem um dia depois do outro desprovidos de brilho e de qualquer ajuda governamental, basicamente esperando a morte chegar.

Em um de seus encontros, Fern conversa com uma idosa que conta a ela que desistiu de se suicidar porque ficou com pena de seus cães e que foi atrás de seus direitos só para descobrir que após uma vida de trabalho duro tinha apenas 500 dólares de direitos trabalhistas para resgatar.

“Nomadland” é um filme duro, árido, triste, desesperançoso, feito quase todo com atores amadores que trazem grande verdade em seus relatos do que é hoje o “pesadelo americano”.

Cotação: * * * *

quinta-feira, 4 de março de 2021

Filmes: "A Múmia" (1999)



- por André Lux

Depois conseguir inesperado sucesso com o divertido e assumidamente "trash" "TENTÁCULOS" (Deep Rising), o diretor Stephen Sommers recebeu carta branca para realizar essa pseudo-refilmagem do clássico estrelado por Boris Karloff nos anos 30. Entretanto, A MÚMIA nova está mais para Indiana Jones e comédia do que qualquer outra coisa.

Só que as cenas de ação são fracas e inconvincentes e as piadas não funcionam como se esparava. O filme, no final das contas, é basicamente uma longa propaganda da ILM, empresa de George Lucas especializada em efeitos visuais, que mostra aqui tudo que havia de novo em termos de computação gráfica na época - hoje já datados.

O roteiro não segue nenhuma lógica aparente, limitando-se a criar situações que vão inevitavelmente acabar em um efeito especial, quase sempre exagerado ou grotesco (o pior mesmo são os ataques dos besouros devoradores de gente...).

Portanto, não espere sutilezas nos ataques da Múmia - ela lança chuva de meteoros sobre a cidade ou é capaz de criar uma gigantesca tempestade de areia, mas no momento decisivo sai apenas "no braço" para tentar vencer o herói (Brendan Fraser).

O filme só não é uma lástima total graças ao elenco razoável, à fotografia colorida e pulsante de Adrian Biddle e à trilha musical grandiosa de Jerry Goldsmith.

E olhe lá...

Cotação: **1/2

Filmes: "007 Um Novo Dia Para Morrer"



JAMES BOND EM RÍTIMO DE "BABA BABY"

Canção repulsiva de Maddona dá o tom desse que é o pior (mas mais lucrativo) filme da série com o agente inglês

- por André Lux

Não sou nehum purista (daqueles que só gostam do que é velho), portanto posso afirmar com tranqüilidade que esse novo filme do James Bond, UM NOVO DIA PARA MORRER, é, de longe, o pior de toda a série. Ainda mais lamentável que o já péssimo O AMANHÃ NUNCA MORRE. 

O problema do filme não são os absurdos de sempre ou as bobagens (como o Aston Martin que agora vem equipado com tecnologia de camuflagem digna dos Klingons de STAR TREK!), mas sim o simples fato de que não existe uma história para ser contada. O roteiro é absolutamente ridículo assim como as situações (aquela parte em Cuba é lamentável) e os personagens (da onde surgiu o vilão inglês ninguém explica, o que fica ainda mais risível quando revela-se quem ele é na verdade). Além disso, fica evidente também quem é o traidor e só o herói parece não perceber...

O que dizer então de James Bond, o maior espião do mundo, deixar-se ser preso por um bando de coreanos malvados e passar 14 meses sendo torturado? E ainda por cima colocaram o Pierce Brosnan (cuja atuação é tão burocrática que beira o catatônico) sem camisa, com cara de mendigo, fazendo o maior esforço para encolher a barriga. Tenha santa paciência... A cena dele surfando de pára-quedas foi digna das maiores vaias! Parecia desenho animado ou video-game de tão mal feita. Os efeitos visuais do filme, diga-se de passagem, são péssimos - nem em DR. NO, o primeiro da série, eram tão primários e toscos assim.

Pior é o final, onde aparece transando com a agente Jinx (Halle Berry, visivelmente constrangida) dentro de um templo budista! Dá pra entender a revolta dos Coreanos com a fita (se parece bobagem, imaginem então o contrário: um filme coreano onde no final o herói fizesse sexo dentro de uma igreja cristã, em cima do altar e embaixo da cruz... Ia ter gente declarando guerra contra o país na mesma hora!).

A canção da Maddona é repulsiva e parece mesmo uma cópia piorada (se é que isso seja possível) de "Baba Baby" da Kelly Key, assim como toda a sequência de abertura (que é uma longa e estilizada sessão de tortura!). A trilha orquestral de David Arnold é absurdamente bombástica para conseguir ser ouvida sobre o infinito número de explosões irritantes.

Resumindo: um desastre total, ofensivo até, que não serve nem para fazer rir (como, por exemplo, fazia aquele em que Roger Moore lutava contra o rei do Voodoo). Mas, em contrapartida, é o filme da série que está mais lucrando nas bilheterias. Sinal de que tem gente que gosta. Eu, francamente, não sou um deles.

Cotação: *