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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Filmes: "Azul é a Cor mais Quente"

CHATO PRA CACETE

O que poderia ser um interessante estudo sobre a sexualidade humana se transforma num penoso esforço para evitar o sono

- por André Lux, crítico-spam

Eu nada tenho contra os chamados "filmes de arte", pelo contrário, muitas vezes os acho sensacionais e essenciais. Porém, de vez em quando, a gente se depara com um deles que, mesmo tendo conteúdo bastante pertinente, derrapa em sua realização ao ponto de tornar-se intragável.

É o caso desse "Azul é a Cor Mais Quente", dirigido por um certo Abdellatif Kechiche, tunisiano radicado na França, que poderia ser um interessante estudo sobre a sexualidade humana e também sobre as confusões que as pessoas fazem entre atração sexual e amor, mas que acaba se tornando num filme penoso de se ver até o fim.

O roteiro, que é baseado numa história em quadrinhos francesa, conta a história de Adèle, uma adolescente de 15 anos, que descobre sentir atração por pessoas do mesmo sexo depois de esbarrar, na rua, numa mulher de cabelos azuis e ter um flerte com uma colega na escola.

Aos poucos ela vai explorando suas novas descobertas e acaba conhecendo a tal moça de cabelos azuis, com quem vive uma tórrida história de amor, com direito a longas cenas de sexo lésbico que certamente vão ser aprovadas pelas mulheres gays ou bissexuais, já que a maior reclamação delas sobre os filmes pornográficos é justamente a artificialidade das transas entre mulheres.

Confesso que estava gostando bastante do filme mais ou menos até sua metade, principalmente pela atuação de Adèle Exarchopoulos, que além de muito bonita e fofa, conseguia transmitir com muita intensidade os dramas e conflitos da adolescente, compensando a falta de graça da sua "cara-metade" Emma, feita por uma apagada Léa Seydoux.

Os problemas começaram quando o filme ultrapassou a marca das duas horas de projeção e aí começou a se arrastar em cenas desnecessárias e esticadas, quando já havia muito pouco a se mostrar, exceto o crescente distanciamento entre as duas depois que vão morar juntas, agravado pelo fato delas terem muito pouco em comum além da forte atração sexual inicial. 

Há uma cena, por exemplo, em que ambas oferecem um jantar aos amigos artistas e intelectuais de Emma que, sem brincadeira, deve durar uns 10 minutos ou mais (mas parece uma eternidade), e que só serve para mostrar o constrangimento de Adèle perante os assuntos debatidos. Essa sequência poderia ter 2 minutos e já daria para entender tranquilamente o que estava acontecendo, mas é esticada ao extremo, ao ponto de irritar. Confesso que foi tanta gente comendo e "chupando" macarrão que até me deu enjoo!

Ao final, foi difícil resistir ao sono, pois foram três horas de filme, algo que, convenhamos, só dá para suportar em épicos com "Ben Hur", "Lawrence da Arábia" ou "O Senhor dos Anéis"...

Para piorar, o diretor insiste em filmar quase tudo em planos fechados, com a câmera quase enfiada na cara das atrizes, deixando tudo claustrofóbico sem qualquer necessidade, quando queria apenas demonstrar intimidade. 

O que mais impressiona é que o filme ganhou a Palma de Ouro em Cannes esse ano. Mais uma prova que alguns "entendidos" gostam mesmo é de filmes chatos pra cacete!

Cotação: * *

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Filmes: "Malévola"

MULHERES NO PODER

Apesar da motivação ser sempre o lucro, quem entende a luta das feministas não tem do que reclamar

- por André Lux, crítico-spam

A Disney está investindo agora em filmes que trazem mulheres em posição de destaque, mostrando força e independência, bem diferente dos contos de fadas do passado, onde ficavam sempre esperando passivamente o príncipe encantado para serem salvas.

Claro que isso só acontece porque fizeram intensas pesquisas de mercado e descobriram que as mulheres são as espectadoras mais fiéis desse gênero e, por isso, estão tentando lucrar nesse nicho.

Mas quem entende a luta das feministas não tem do que reclamar. Filmes como "Malévola", "Frozen" e "Valente" não deixam de ser bem vindos nessa sociedade basicamente machista e patriarcal em que vivemos, onde as mulheres tem sempre lugar secundário e são tratadas por muitos como seres inferiores. Não por acaso, esses filmes foram acusados pelos fundamentalistas de plantão de serem "obras demoníacas a serviço da conspiração comunista-gayzista-feminazi" ou coisa parecida. Só rindo mesmo.

Pena que essa releitura feminista do clássico "A Bela Adormecida" se perca num roteiro mal escrito e na necessidade de tentar enfiar monstros e lutas no estilo de "O Senhor dos Anéis" no meio do filme, fatores que apenas servem para deixá-lo confuso e sem foco.

Angelina Jolie se esforça em dar algum sentido à protagonista, vista aqui como uma fada que é traída pelo seu amor de infância, tem suas asas cortadas e então se deixa consumir pela sede de vingança. Jolie consegue convencer, mas faltam-lhe cenas que deixem seus conflitos internos mais evidentes. 

Também nunca fica claro quais são as extensões de seus poderes. No final, ela consegue até conjurar um dragão, o que nos faz pensar: por que simplesmente não fez crescer novas asas em suas costas? E por que os humanos tinham tanto ódio das criaturas mágicas de Moors, sendo que, com exceção da Malévola e algumas árvores-soldados, tudo que víamos por lá eram uns bichinhos totalmente inofensivos e até bobos? Quanto mais fantasioso um filme é, mais preocupado em criar certas regras para "prender" seus personagens tem que ser, senão fica tudo sem lógica.

O ator que faz o rei, Sharlto Copler (de "Elysium"), e as três fadinhas que cuidam da jovem Aurora também são péssimos e ajudam a estragar o resultado final. O rapaz que pegaram para ser o príncipe Felipe é ridículo, mas aí parece que foi proposital, já que ele não tem qualquer importância na trama, pelo contrário, é até usado de forma irônica.

E a produção foi bastante complicada, a ponto dos executivos da Disney dispensarem o diretor no final e obrigarem a refilmagem de todo o prólogo, com outro cineasta e uma nova atriz como a Malévola jovem. Isso é sinal de que não estavam certos sobre os rumos que o filme deveria tomar e, como sempre, quanto mais mexem, pior fica o resultado final.

Ao seu favor, "Malévola" é lindamente filmado, graças ao diretor Robert Stromberg, que é também artista de efeitos visuais, e ao consagrado fotógrafo Dean Semler. A música de James Newton Howard é muito boa também, cheia de poder sinfônico, o que demonstra sensibilidade do cineasta por trás das câmeras, que é irmão do compositor de trilhas William Stromberg.

Dá para assistir e certamente vai agradar as mulheres, mas poderia ser bem melhor.

Cotação: * * 1/2

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Os imensos buracos negros no roteiro de "Interestelar"

Olha, não costumo ser chato assim, mas tem certas coisas que merecem ser ridicularizadas. 

O filme "Interestelar" vem recebendo bastante atenção e isso é até louvável, afinal trata-se realmente de uma obra feita com coração, um verdadeiro "filme de autor". Pena que neste caso o autor seja um sujeito pretensioso e sem qualquer profundidade.

Mas aí é opinião minha, tudo bem, ninguém é obrigado a concordar (clique aqui para ler minha análise do filme). 

Agora, o que mais incomoda é ver gente defendendo o filme porque ele supostamente leva a sério a ciência envolvida nas viagens espaciais e as várias teorias que a Física desenvolveu sobre o assunto. O diretor até se gaba de ter como consultor para assuntos científicos o renomado professor Kip Thorne.

Mas, a verdade é que o filme tem sérios buracos no roteiro e também besteiras que nada tem a ver com ciência e caem para a pura ficção ou fantasia, no mesmo nível de um Star Trek ou Star Wars, só que levado a sério.

Atenção: daqui pra frente o texto estará cheio de "spoilers", ou seja, vai revelar vários segredos do filme. Se não o viu, desista aqui de ler!

Faço aqui minha lista dos principais furos que levantei até agora:

1) No começo do filme, descobrimos que uma "praga" está acabando com as lavouras de alimento da Terra. Mas que "praga" é essa que ataca grupos específicos de plantações? E que depois, sem mais nem menos, começa a destruir outros tipos? E por que o mundo ia acabar por causa disso? Não temos animais para comer? Pode-se dizer que com o fim das lavouras, os animais também morreriam. Mas e os animais que comem, sei lá, grama? Ela também estava sendo dizimada pela tal "praga"? E aquela poeira toda, o que tem a ver com isso? Ninguém explica.

2) Bom, se o mundo estava acabando e as pessoas morrendo de fome, por que é que não vemos hordas de humanos famintos atacando a plantação de milho do herói do filme? Sim, porque se a raça humana estava para ser extinta por causa da falta de alimentos, não dá pra acreditar que uma fazendo cheia de milho ia ficar lá, toda tranquila, sem qualquer tipo de proteção contra os famintos. Quando você cria um "mundo" no cinema, ele precisa respeitar certas regras óbvias. Esse não respeita, nem de longe.

3) Logo cedo na trama, aprendemos que existe um "fantasma" no quarto da filha do protagonista, que fica derrubando livros e outros objetos. Depois, descobrimos que ele está na verdade se comunicando com ela, passando coordenadas e outros segredos do universo em forma de código morse ou linguagem binária. 

No final, ficamos sabendo que é o próprio protagonista que está fazendo isso, no futuro, de uma outra dimensão, dentro do buraco negro que entrou. E quem o está guiando é, segundo ele informa, a própria raça humana do futuro que se desenvolveu ao ponto de viajar entre as cinco dimensões livremente. Só que ela só chegou àquele ponto porque conseguiu sobreviver ao cataclismo na Terra porque o astronauta vivido por Matthew McConaughey foi instruído por ele mesmo para poder não só chegar àquele ponto no espaço-tempo, como também para passar os segredos do universo para a filha. 

Não faz qualquer sentido, mesmo quando a gente tenta suspender a credibilidade e passar apenas para o reino da fantasia. Por uma razão simples: os seres do futuro só poderia existir se os do passado tivessem conseguido sobreviver ao desastre natural. Mas como poderiam ter feito isso sem a ajuda que receberam dos irmãos do futuro? Nonsense total!

4) O herói passa TODOS os segredos que descobriu dentro do buraco negro manipulando a gravidade por meio de código morse nos ponteiros de um relógio de pulso analógico. Não estou brincando. É assim mesmo no filme.

5) Os três planetas que supostamente poderiam servir de morada aos seres humanos ficam pertinho de um gigantesco buraco negro, chamado Gargantua. De onde vem a luz que ilumina esses planetas? Não se vê nenhum sol perto deles e não precisa ser expert em Física para saber que toda a luz é sugada para dentro de um buraco negro, ainda mais um tão próximo daqueles planetas.

6) Alguém pode explicar como é que os astronautas pousam num planeta que é totalmente coberto de água e varrido por ondas gigantescas sem saber disso? A nave deles não possui qualquer tipo de sensor para analisar a superfície do planeta? Nem mesmo olharam para a janela da nave e pensaram: "Hummm, parece que nesse planeta só tem água. Melhor cancelar a visita". O que traz outra pergunta: como é que o piloto sabia então que a água era rasa o bastante para a nave poder pousar? 

7) Quer dizer que, enquanto eles estavam no planeta aquático e o tempo era atrasado por causa do efeito do buraco negro, o coitado do astronauta negro ficou 23 ANOS esperando eles voltarem? Assim, na boa, sem ficar completamente louco ou tentar se matar? Ficou ali, sentadão, jogando paciência ou Candy Crush e aparando a barba enquanto duas décadas passavam? 

8) O plano B do cientista feito pelo Michael Caine consistia em levar um monte de embriões para o planeta escolhido para recomeçar a raça humana. Ok, tudo bem. Mas, quem é que seria a mãe desses embriões? A pobre da Anne Hathaway é que seria usada como "barriga de aluguel" para dar vida a toda aquela gente? Será que perguntaram se ela queria? Ou será que tinham outra tecnologia para fazer brotar seres humanos do chão? Cartas para o sr. Christopher Nolan.

9) O cientista traidor feito por Matt Damon sabia que o plano A era uma farsa. Por que então ele e os outros cientistas já não levaram com eles os embriões e também umas barrigas de aluguel para dar a luz a eles (a menos que fariam brotar bebês do chão)? 

10) Qual era, afinal, o plano do Matt Damon? Ele ficou solitário, fingiu que o planeta que estava era habitável, entrou no hipersono na esperança de ser resgatado e aí atacou o protagonista para fugir na nave dele e ir... para onde? Para o terceiro planeta? Fazer o que? Morrer sozinho? Ou ele ia voltar pelo buraco de minhoca em direção à Terra para... morrer de fome ou cheio de pó na boca? Não entendi ainda.

11) Aí o Damon levou o McConaughey para ver de perto o local onde ele dizia que seria possível ter vida. Andaram um tempão no meio do gelo e então Damon rachou o capacete do McConaughey e fugiu, enquanto o outro gritava por socorro e sufocava. Pergunta: como é que Damon conseguiu chegar à nave tão rápido, sendo que andaram um bocado e o protagonista foi salvo rapidamente pela Anne Hathaway que estava em outra nave?

12) Novamente, a nave dos heróis não tinha qualquer tipo de sensor que pudesse detectar que o planeta de gelo só tinha gelo e não mantinha condições de sustentar vida? Eles tinham mesmo que descer no planeta para ver o que o cientista havia descoberto por meio dos... sensores da nave dele? Se não tinham como detectar coisas fora da nave, como é então que obtinham todas aquelas informações sobre o buraco negro? Ahá, te peguei!

13) O poder gravitacional de um buraco negro é tão forte que atrai até a luz! Mas o nosso herói não só entra no buraco negro, como ainda apronta um monte de peças lá dentro, só para depois sair dele e ser enviado através do buraco de minhoca para perto de Saturno! Pelo jeito, os humanos do futuro conseguem tudo, até mesmo manipular o que acontece dentro de um buraco negro. Tudo certo, professor Kip Thorne?

14) O que era exatamente aquela estação espacial que resgata o herói? Era a que foi construída lá na NASA? Ou era outra? Pelo que falam no filme, parece que existiam outras. Como é que conseguiram construir algo tão idílico e perfeito em um mundo moribundo, que já não tinha mais comida nem ar respirável? E as plantações que vimos lá dentro, de onde surgiram? Afinal, lembre-se, todas as plantações estavam sendo dizimadas pela "praga"! E por que ainda estavam dentro delas e não já no planeta, além do buraco de minhoca?

15) Como é que a filha do protagonista, já bem velha e prestes a morrer depois de ficar dois anos hibernando, sabia que a astronauta feita pela Anne Hathaway estava esperando por ele no terceiro planeta? A menos que seu pai tenha passado todas as outras informações, além dos segredos do universo, pelo relógio, não tinha como ela saber nada disso, certo?

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Filmes: "Interestelar"

PASTEL DE VENTO

"2001" encontra "Contato" no "Campo dos Sonhos" é apenas uma viagem de ego de um cineasta pretensioso

- por André Lux, crítico-spam

Confesso que nunca fui grande admirador do diretor Christopher Nolan, nem mesmo de seus três "Batman", que foram ficando piores, principalmente o terceiro que é lamentável. Sempre o achei pretensioso demais e dono de uma mão pesada que deixa qualquer filme sombrio e arrastado sem necessidade.

Mas, como os filmes do "Cavaleiro das Trevas" fizeram enorme sucesso de bilheteria, Roliúdi assinou um cheque em branco para que fizesse esse "Interestelar", uma espécie de "2001" encontra "Contato" no "Campo dos Sonhos" que, no final das contas, não passa de uma pedante viagem de ego do cineasta em questão.

Tudo começa em um futuro próximo, quando a Terra está para ser destruída por uma "praga" que acaba com as plantações e uma nuvem de poeira perene. O que uma coisa tem a ver com a outra ou o que as causou, nunca ficamos sabendo direito. Há apenas referências vagas e banais ao abuso feito pelo homem contra o planeta.

Numa das plantações de milho que ainda existem, encontramos um ex-piloto da NASA e engenheiro, chamado apenas de Cooper e feito pelo sempre confiável Matthew McConaughey, o qual vai acabar pilotando uma nave que deve procurar um novo planeta para a humanidade habitar, passando através de um "Buraco de Minhoca" que apareceu misteriosamente no meio do espaço.

Resumida assim, a trama do filme parece ter tudo para agradar qualquer fã de ficção científica. Mas é só aparência, porque o filme é incrivelmente arrastado e repleto de papo furado pseudo-filosófico, como "Costumávamos olhar para o céu e imaginar nosso lugar nas estrelas. Agora apenas olhamos para baixo e nos preocupamos com nosso lugar na sujeira". 

Também é recheado por citações que só a turma do "The Big Bang Theory" vai entender realmente, tipo "Será que poderemos conciliar a teoria da relatividade de Einstein com a mecânica quântica?"


Ela: "Poderemos conciliar Einstein com a mecânica quântica?"
Ele: "Sei lá, você perguntou para o Cooper errado!"
Se não bastasse tudo isso, ainda existe um componente "sobrenatural" no filme, na forma do que eles chamam de "fantasma", que tenta se comunicar com a filha do protagonista por meio da sua estante de livros e que é absolutamente crucial não apenas para colocar a trama em movimento, como para explicar no final tudo que vimos até então. 

Só que a revelação sobre o que é o tal "fantasma" fica bastante óbvia já na metade do filme e quando tudo é finalmente explicado (didaticamente, por sinal, já que o diretor acredita que somos burros para entender por contra própria), fica a certeza de que Stanley Kubrick era realmente um gênio, enquanto Nolan é apenas um pau-pra-toda-obra, do tipo que adora fazer pastéis de vento, bonitos por fora, mas vazios por dentro.

Há ainda uma mensagem que aparece no ato final, algo como "o amor é a solução para tudo", que não apenas é ridícula, como parece filosofadas de livro de auto-ajuda, daqueles mais bisonhos. E quanto mais a gente pensa na conclusão, mais sem nexo e lógica ela fica.

O que dizer então sobre a "música" do abominável Hans Zimmer, colaborador habitual de Nolan? Nas partes de suspense ele tenta emular descaradamente a trilha de Ennio Morricone para "Missão Marte" e "Madalena" (inclusive usando um órgão!), mas sem qualquer traço da sensibilidade do mestre e com uma sutileza digna de um rinoceronte com dor de dente. 

Quando as cenas pedem por algo mais emotivo, Zimmer inventa um minimalismo tosco e redundante, digno de pena, do tipo que Phillip Glass comporia se estivesse em coma. Enfim, o que se pode esperar de um diretor que chama esse picareta para musicar seus filmes e ainda quer ser levado a sério?


Nolan e Zimmer: uma parceria realmente infernal!
Se "Interestelar" ainda ao menos fosse curto, tudo seria perdoável. Mas, não, o negócio tem mais de 3 horas de duração! Isso mesmo, são 169 intermináveis minutos que, de acordo com a teoria da relatividade mostrada pelo próprio filme, parecem durar 21 anos! 

Não havia a menor necessidade de se ter uma duração tão longa. Sequências inteiras poderiam ter sido eliminadas sem qualquer prejuízo à trama. Como no começo quando saem perseguindo um drone no meio do milharal (algo que não tem qualquer relevância para o resto do roteiro). 

Ou mesmo quando aparece um cientista feito por Matt Damon que não agrega absolutamente nada, tem um plano que não faz qualquer sentido e só serve para deixar o filme ainda mais arrastado (sem falar que dá origem a uma cena digna de filmes trash, onde dois astronautas completamente vestidos com seus trajes trocam sopapos e "capacetadas" no meio do nada).

Impressiona que gastaram mais de US$ 160 milhões para fazer um filme que não brilha nem mesmo na parte técnica, com fotografia feia e escura, desenho de produção canhestro (quem teve a brilhante ideia de fazer aqueles robôs idiotas parecerem com o monolito preto de "2001" certamente merece o troféu abacaxi!) e efeitos especiais sem graça. 

E alguém me explica o que Nolan queria atingir filmando os vôos no espaço com a câmara grudada nas naves? Usar esse truque uma ou duas vezes, vá lá, é até interessante, mas o tempo todo? Mal dá para entender o que está acontecendo na tela, de tão estúpida que foi essa decisão! A única cena que me passou algum tipo de emoção aconteceu só no finalzinho, dentro de um leito de hospital. Fora isso, a sensação predominante foi tédio mesmo.

Duvido que esse filme vá fazer muito sucesso de público, embora isso não queira dizer nada sobre a qualidade de um filme, mas a verdade é que Nolan ficou nu e não acredito que vá conseguir enganar mais tanta gente como vinha fazendo até então. Deu um grande tiro no pé e só tem a si mesmo para culpar.

Clique aqui para ler uma lista que fiz dos buracos negros no roteiro do filme.

Cotação: * *

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Filmes: "O Expresso do Amanhã"

LUTA DE CLASSES NO TREM

Não é uma obra-prima, mas vale pelas questões básicas que ao menos tem a coragem de levantar

- por André Lux, crítico-spam

No futuro próximo, o aquecimento global está destruindo a Terra. Numa tentativa de salvá-la, cientistas lançam um experimento nos céus que acaba congelando toda a superfície do planeta. Os poucos sobreviventes vivem num trem, chamado de "Snowpiercer" (picador-de-gelo), que roda sem parar.

Essa é a premissa básica de "O Expresso do Amanhã", primeiro filme em inglês do diretor sul-coreano Bong Joon-ho (do cultuado "O Hospedeiro"), que foi baseado numa história em quadrinhos francesaO filme, na verdade, é uma alegoria ao sistema capitalista e sua divisão de classes, reproduzida também no trem: os pobres vivem amontoados nos vagões finais, enquanto os ricos moram no luxo da parte da frente. No meio, claro, fica a força policial responsável por manter as massas subjugadas.

"O Expresso do Amanhã" vem recebendo críticas muito positivas ao redor do mundo, mas confesso que fiquei num meio termo. Apesar da sempre pertinente reflexão sobre o sistema no qual somos obrigados a viver hoje, no qual o dinheiro vale mais do que uma vida, o filme derrapa em vários aspectos que, na minha opinião, o impedem de atingir resultados mais altos.

Um dos maiores problemas é de escala. O trem é estreito demais para conter tantas parafernálias como as que aparecem durante a projeção. A cena do aquário dos seres marítimos é a mais ridícula, de tão desproporcional. Poderiam ter resolvido isso de forma simples: bastava inventarem um trem maior, mais largo, mais radical e estilizado. 

O o que mais me decepcionou foi realmente a conclusão. Primeiro porque a grande "revelação" dos motivos reais da rebelião dos oprimidos é frouxo. E segundo porque escolheram o final mais tolo e sem impacto possível. Mas, ao menos a direção é inventiva e abusa de um humor negro e nonsense digno dos melhores filmes do diretor Terry Gilliam (do "Monty Python" e "Brazil"). O personagem de John Hurt, por sinal, chama-se Gilliam - homenagem mais explícita, impossível. 

O resto do elenco também é de primeira linha, com Chris Evans (o "Capitão América") surpreendendo num papel pesado, e Ed Harris fazendo o possível para dar algum sentido ao personagem do dono do trem, que é cultuado quase como um deus nessa nova ordem social.

Embora não chegue a ser uma obra-prima do gênero, vale a pena assistir e refletir um pouco sobre as questões básicas que o filme ao menos tem a coragem de levantar.

Cotação: * * *

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Filmes: "Guardiões da Galáxia"

PERDA DE TEMPO

Ninguém precisa ver essa besteira sem graça

- por André Lux, crítico-spam

Não é por nada, mas os filmes baseados nos quadrinhos da Marvel estão precisando se reciclar. Esse "Guardiões da Galáxia" é o terceiro ou quarto que parte de uma mesmíssima premissa, bem idiota por sinal: "vilão super poderoso precisa pegar um bagulho super poderoso para ficar ainda mais poderoso e destruir o mundo, a galáxia ou o universo".

Foi assim em "Os Vingadores", "Thor 1 e 2", "Capitão América" e sei lá qual mais. Nos outros, os vilões queriam uma caixa azul ou um pó vermelho miraculosos. Em "Guardiões da Galáxia", o vilão quer um cristal rosa igualmente miraculoso.

Baseado num quadrinho obscuro da Marvel, o filme vem recebendo críticas muito favoráveis mundo afora, em mais uma prova de delírio coletivo dos profissionais da opinião em geral. Alguns chegaram a compará-lo com os "Star Wars" originais!

Repleto de furos no roteiro (clique aqui para ver uma pequena lista deles), forçações de barra, piadas sem graça e infindáveis batalhas espaciais feitas em computação gráfica, daquelas que não geram qualquer emoção e dão tontura de tão confusas e exageradas"Guardiões da Galáxia" lembra muito mais os nefastos prólogos de "Star Wars" do que os outros filmes de super-heróis da Marvel.

O elenco é interessante, mas completamente desperdiçado em personagens tolos e rasos com uma poça de água. Benício Del Toro aparece com uma peruca loira ridícula, num personagem que beira o grotesco, mas ao menos fica pouco tempo em cena. E o pobre do Vin Diesel foi contratado para dar voz ao homem-árvore e dizer "Eu sou Groot" trocentas vezes, como se isso fosse a coisa mais engraçada do mundo - só que não é. 

O filme tem uma direção de arte bacana, embora muita coisa seja copiada de outras produções, como o vilão Ronan que é igualzinho ao Molasar de "Fortaleza Infernal". 


Molasar e Ronan: nada se cria, tudo se copia...
A trilha sonora é repleta de músicas pop estadunidenses que pelo jeito deveriam dar um ar nostálgico ao filme, mas confesso que para mim não disseram nada, embora eu reconheça que não sou especialista no assunto. Meu negócio sempre foram as trilhas incidentais, compostas especialmente para os filmes e a desse aqui não chega a ser das piores, embora seu compositor, Tyler Bates, já tenha feito coisas muito ruins, como a trilha do novo "Conan, o Bárbaro".

Mas o que implode mesmo qualquer pretensão do filme é a guinada rumo à pieguice e à filosofia do "vamos nos sacrificar para derrotar o mal" que toma conta do terceiro ato, algo que vai completamente na contramão não só da proposta do filme, como da caracterização "descolada" dos protagonistas feita até então.

"Guardiões da Galáxia" poderia até ser uma boa diversão para a garotada, porém ele tem cenas de violência que, embora não sejam explícitas, são muito fortes, diálogos cheios de palavrões, machismo e misóginia (até quando as mulheres serão retratadas como meros objetos sexuais à espera de um macho nesse tipo de filme?). 

Sinceramente, ninguém precisa ver essa besteira. É perda de tempo.

Cotação: * *

terça-feira, 19 de agosto de 2014

6 fatos sobre depressão que todo mundo precisa saber

Morte de Robin Williams e Fausto Fanti levantam a questão sobre a doença que atinge mais de 350 milhões de pessoas no mundo

- por Luciana Carvalho, na Exame

A depressão fez mais uma vítima nesta semana. De acordo com a polícia da Califórnia, tudo indica que o ator Robin Williams tenha se suicidado por asfixia, na última segunda-feira, aos 63 anos.
 
O vencedor do Oscar por “Gênio Indomável” e artista consagrado por filmes como “Sociedade dos Poetas Mortos” e “Patch Adams - O Amor é Contagioso” lutava contra a depressão e o vício em cocaína e álcool.
 
A notícia pegou o mundo inteiro de surpresa e levantou a importante questão que gira em torno dessa doença. Se não for tratada a tempo, ela pode ter um desfecho tão triste quanto o de Williams ou do humorista Fausto Fanti, que, no final de julho, também tirou a própria vida, possivelmente, em decorrência do sofrimento psíquico.
 
Na opinião do médico Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, políticas públicas voltadas para esse problema e um tratamento da mídia sem tabus poderiam ajudar a evitar consequências graves.
 
“Ao contrário do que se pensa, as pessoas não vão se matar se a mídia falar mais sobre o suicídio. O importante é a orientação sobre isso. Deve-se falar disso para prevenir”, afirma. Todos os anos, a ABP realiza uma caminhada no dia 10 de setembro para lembrar o “dia mundial da prevenção ao suicídio” e, nos locais em que acontece esse tipo de ação, segundo ele, a incidência tem parecido menor.
 
O psiquiatra diz que, em cada 100 pessoas com depressão grave, 15 cometem suicídio. O número é preocupante, mas pode ser revertido se preconceitos forem combatidos e informações forem divulgadas.
 
A seguir, você confere fatos que todo mundo deveria saber para lidar melhor com o problema.
 
Depressão é uma doença, não “frescura”
 
Uma das principais dificuldades enfrentadas por quem sofre de depressão é entender e fazer com que os outros entendam que ela não é “frescura”, mas uma doença, como hipertensão ou diabetes.
 
Isso significa que precisa ser tratada por um psiquiatra, capaz de orientar e, se necessário, medicar adequadamente o paciente. A psicoterapia em conjunto pode ser muito útil, mas o tratamento médico é essencial.
 
Preconceito só atrapalha a cura
 
“Psiquiatra é médico de louco e eu não estou doido”. Esta frase, lembrada por Silva, resume boa parte do preconceito que ainda existe em torno da depressão, dos transtornos mentais e até mesmo dessa especialidade da medicina. Por vergonha ou medo de que conhecidos fiquem sabendo, pacientes evitam procurar ajuda ou perdem um apoio importante dos entes queridos.
 
Com um amigo deprimido, não adianta só conversar
 
Outro efeito nocivo do tabu é a desconsideração da gravidade do quadro. Muita gente acredita, por exemplo, que basta conversar com a pessoa deprimida para resolver o problema. Nada mais ilusório.
 
É claro que o apoio, o consolo e a compreensão são estritamente necessários, mas frases como “Calma, vai passar” ou “Deixa isso para lá” não acrescentam e, dependendo da situação, podem ser prejudiciais. Se o paciente estiver com ideias suicidas, por exemplo, a melhor forma de ajudar é incentivá-lo a ir ao médico.
 
E falar coisas como “Poxa, mas você não está nem tentando ficar feliz” ou “Você poderia se esforçar mais para melhorar” é, na opinião do médico, maldade. “Isso é a mesma coisa que, se você usa óculos, alguém pedir para que tire as lentes e ordenar que enxergue tudo sem elas”, afirma o psiquiatra.
 
Os sintomas podem ser físicos e psíquicos
 
A tristeza e o desânimo podem ser sintomas da depressão, mas não são os únicos. De acordo com Antônio Geraldo da Silva, é possível haver sinais físicos, como perda ou ganho de peso, dores inexplicáveis no corpo e insônia ou sonolência em excesso.
 
Entre os sintomas psíquicos estão: desânimo intenso, cansaço, apatia, falta de vontade de fazer suas tarefas, falta de prazer, de alegria, choro fácil, temperamento explosivo, irritabilidade.
 
O diagnóstico, claro, precisa ser feito pelo médico, já que a chamada “síndrome depressiva” tem sintomas que podem ser confundidos com outras enfermidades, como o hipotireoidismo ou o hipertireoidismo.
 
Qualquer pessoa pode ter depressão
 
Assim como grande parte das outras doenças, a depressão não “escolhe” alvos específicos. Segundo o psiquiatra, homens e mulheres, crianças, adultos e idosos podem ser acometidos pelo mal.
 
Esse fato vai de encontro com outro preconceito muito comum: o que diz que “pessoas bem-sucedidas ou ricas não deveriam ficar deprimidas”. Por esse raciocínio, quem não tem motivos aparentes para sofrer deveria ser imune.
 
A realidade, no entanto, é mais complexa. Há pessoas que têm mais propensão à doença devido à genética. Há outras que podem sofrer com o problema devido a suas condições de vida e o ambiente em que convivem.
 
De acordo com o médico, fatores como o uso de álcool e drogas, uma rotina muito estressante e noites sem dormir podem aumentar a incidência da enfermidade.
 
Depressão é uma das principais causas de afastamento do trabalho
 
Apesar de todo estigma existente em torno da depressão, ela é uma das principais doenças que acometem a humanidade atualmente. Dados de 2013 divulgados pela OMS (Organização Mundial da Saúde) indicam que mais de 350 milhões de pessoas no planeta têm depressão – o que representa 5% da população mundial.
 
De acordo com estudo publicado na revista científica PLOS Medicine, no ano passado, ela é a segunda maior causa de invalidez, no mundo, ficando atrás apenas das dores nas costas.
 

Antônio Geraldo da Silva estima que 20% das pessoas já tiveram, têm ou ainda terão a doença ao longo da vida. Por isso, ele ressalta a importância de falar mais sobre o tema, dentro das empresas, na família, nos governos e na sociedade como um todo

sexta-feira, 25 de julho de 2014

Filmes: "Planeta dos Macacos: O Confronto"

MACACO INTELIGENTE

De vez em quando o cinemão estadunidense lança, no meio da enxurrada de lixo, um filme decente

- por André Lux, crítico-spam

De vez em quando o cinemão comercial estadunidense dá sinais de vida inteligente e lança, no meio da enxurrada do lixo enlatado que despeja nos cinemas, um filme decente, bem dirigido, com roteiro coerente e humano e técnica exemplar usada a favor da história a ser contatada.

O mais irônico é que, na leva recente, os melhores exemplares acabaram sendo dois filmes que não tinham os humanos como protagonistas. O primeiro sendo o novo "Godzilla" e o outro é esse "Planeta dos Macacos: O Confronto".

É até difícil classificar o filme, já que ele é uma continuação de "Planeta dos Macacos: A Origem", que era um prólogo para o clássico de 1968, com Charleton Heston, mas ao mesmo tempo uma espécie de refilmagem de uma das continuações daquele filme, "A Conquista do Planeta dos Macacos". Enfim, é tanto prólogo, continuação e refilmagem atualmente em Róliúdi que é melhor nem tentar entender.

"Planeta dos Macacos: O Confronto" é muito superior ao outro filme de 2011, o qual nem precisa ser visto para que se possa seguir o novo. Basta saber que um vírus criado em laboratório, e que deu origem a macacos inteligentes, devasta a raça humana, acabando com a civilização e deixando poucos sobreviventes (isso é resumido logo no prólogo).

O filme é dirigido com muita segurança por Matt Reeves, que fez os ótimos "Cloverfield - Monstro" e "Deixe-me Entrar". Trata-se de um cineasta de verdade, que sabe enquadrar as cenas com carinho a fim de gerar um efeito dramático verdadeiro e evita com maestria aqueles exageros que emporcalham cada vez mais os filmes comerciais estadunidenses.

Nem mesmo as cenas de ação, tiros e lutas descambam para a histeria e são mantidas pelo diretor na medida certa, deixando tudo real e verossímil. Os efeitos visuais impressionam e os astros, lógico, acabam sendo os macacos feitos em computação gráfica, ricos em expressão e detalhes (o líder Cesar é feito pelo mesmo Andy Serkis que foi o Gollum em "O Senhor dos Anéis" e agora é chamado para tudo quanto é filme).

Vale destacar também a música composta por Michael Giacchino (dos novos "Star Trek"), que é hoje um dos poucos compositores atuando em Róliúdi que tem coragem de peitar o "estilo" simplório e bombástico inventado pelo abominável Hans Zimmer e que todo mundo é praticamente obrigado a copiar em todo e qualquer filme de ação ou ficção científica atual. 

O maior ponto fraco do filme é justamente os personagens humanos, que acabam sendo pouco mais do que caricaturas, já que a maior parte do tempo de projeção é investido no aprofundamento dos sentimentos e relações entre os macacos. Não é algo que chegue a incomodar, mas também impede que a conclusão seja mais forte.



O mais importante, contudo, é a mensagem do novo "Planeta dos Macacos", que é muito bem conduzida até o desfecho e mostra que realmente nada de bom advém de sentimentos podres como o ódio, o racismo e a intolerância.

Chega a ser comovente a transformação que sofre o protagonista César, ao se deparar com traições dento de sua própria casa. 

O fato de ainda serem necessários que filmes com mensagens desse tipo tenham que ser produzidos mostra bem o quanto a humanidade ainda está longe de chegar à um estado mais evoluído, tanto ético quanto moralmente. 

Infelizmente, parece que vai ser mais fácil a gente se aniquilar em guerras e disputas mesquinhas do que atingir um patamar mais elevado. Quem viver, verá...

Cotação: * * * *


quarta-feira, 4 de junho de 2014

Filmes: "No Limite do Amanhã"

MARMOTA VERSUS ALIENS

Filme se perde num roteiro tolo, direção burocrática e desenho de produção sem graça

- por André Lux, crítico-spam

Você se lembra daquela comédia "Feitiço do Tempo" (ou "Groundhog Day", o Dia da Marmota) em que o Bill Murray fica preso num redemoinho temporal, revivendo o mesmo dia sem parar? Agora, troque o Bill Murray pelo Tom Cruise e a marmota por um monte de aliens malvados e, pronto: nasce esse "No Limite do Amanhã".

Mas não se trata de uma comédia, embora ele tenha sim alguns momentos que tentam fazer rir (quase todos envolvendo o milico feito por Bill Paxton, de "Aliens"), mas de uma ficção científica que fala sobre mais uma invasão alienígena que quer acabar com a raça humana e conquistar a Terra.

Não é um filme ruim, mas confesso que, mesmo sendo razoavelmente bem dirigido pelo sujeito que fez os filmes do Jason Bourne, não conseguiu prender muito a atenção nem produzir suspense.

Apesar do roteiro se esforçar em gerar algum carga emocional, o filme falha em alguns pontos que seriam primordiais para isso. Começa com o ridículo da situação de desejarem mandar o personagem de Cruise para o meio do campo de batalha, sendo que ele é apenas um oficial burocrata que cuida do marketing do exército. Pra que isso? Se ainda houvesse uma justificativa que estivesse ligada à trama, tudo bem. Mas não, é pura barra forçada só para ter um soldado sem qualquer preparo e que depois vai se tornar um "super-ninja".

Depois, o desenho das criaturas é muito ruim e lembram demais as lulas de Matrix, mas sem qualquer personalidade ou voz. Além disso, as cenas de guerra são fracas, picotadas, corridas, mal dá pra gente ver direito o que está acontecendo. O pelotão do qual Cruise acaba fazendo parte tem participação importante no final, mas erraram feio na escolha dos atores e nenhum chega a marcar, impedindo que a gente se importe com o destino deles.

A história da volta no tempo poderia até ser interessante, mas tudo é estragado por explicações didáticas imbecis. Chegam ao cúmulo de ter uma cena ridícula onde um dos personagens explica tudo que está acontecendo inclusive com desenhos holográficos, alguns deles sem o menor sentido de existirem, já que ninguém viu as tais criaturas que ele descreve!


Aquela cena que explica tudo nos mínimos
detalhes, no caso de você ser burro
E como é que com um poder daqueles, herdado diretamente dos invasores, não vão direto para o comando? Ah, tá, a heroína avisa que se ele fizer isso vão mandá-lo para um hospício ou para dissecação! 

Só que logo depois eles não vão até o general e conseguem convencê-lo a dar um item que precisavam? Obviamente, com Cruise podendo voltar no tempo o tanto quanto queira, seria fácil para eles convencerem as autoridades de que falavam sério.

Enfim, esse é aquele típico produto que até poderia render um bom filme de ação e ficção, mas que se perde num roteiro tolo, direção burocrática e desenho de produção sem graça. Sem falar da música que, claro, é mais uma que vem na esteira do lixo produzido pelo abominável Hans Zimmer e está presente agora em todos os filmes de aventura - tem até a bendita "Buzina do Inferno" que o picareta inventou para "A Origem" e mais parece aquele som irritante das vuvuzelas!

A melhor coisa do filme acaba sendo justamente a presença de Tom Cruise que, aos 52 anos, amadureceu bem e perdeu aquela cara de "mauricinho intragável" que usava em tudo quanto era filme. Ficou até carismático, acredite se quiser. A bela Emily Blunt (de "O Diabo Veste Prada") tenta mudar de perfil na pele de uma guerreira poderosa que detona os aliens usando uma clava, mas no final das contas fica parecida demais com a soldado Calhun da animação "Detona Ralph" para ser levada a sério.

Entre mortos e feridos até dá para assistir, mas acaba sendo uma decepção.

Cotação: * * 1/2

terça-feira, 27 de maio de 2014

Filmes: "X-Men: Dias de um Futuro Esquecido"

QUEIJO SUÍÇO

Se você conseguir desligar o cérebro e esquecer que existiram outros filmes dos X-Men, pode até ser que goste desse novo filme 

- por André Lux, crítico-spam

Gostei muito do primeiro “X-Men”, que foi feito meio às pressas e com um orçamento pequeno para o gênero, fatores que obrigaram o diretor Brian Singer (do ótimo “Os Suspeitos”) a buscar saídas inteligentes para esconder a falta de dinheiro e a focar no desenvolvimento dos personagens, algo raro nesse tipo de produto.

O filme explorou também com maestria a praga do racismo e do preconceito que infesta a raça humana, colocando os mutantes como alvo desse tipo de sentimento, algo que só enriqueceu a trama.

Como fez sucesso, duas continuações e dois filmes solo com o Wolverine vieram e foram progressivamente piores. Como não sabiam mais o que fazer com os personagens originais, decidiram então gerar um daqueles infames prólogos, que mexem com eventos anteriores aos mostrados nos filmes que deram origem à série.

Nasceu então “X-Men: Primeira Classe”, que embora não seja desastroso, não chega aos pés do primeiro filme e ainda por cima bagunçava a mitologia apresentada no início (como sempre fazem esses benditos “prequels”).

Chega agora “X-Men: Dias de um Futuro Esquecido” que tenta ser uma continuação de todos os filmes mostrados anteriormente, inclusive dos do “Wolverine”, ao mesmo tempo que não deixa de ser também um prólogo de tudo que já foi mostrado.

Entendeu? Nem eu.

Não preciso nem dizer que o filme faz pouco sentido e para tentar costurar essa colcha de retalhos imensa apelam para o velho clichê de mandar um dos personagens de volta no tempo, no caso o mesmo Wolverine de sempre que, apesar de participar do filme todo, quase nada faz (e nem usar suas famosas garras metálicas pode, pois volta para quando ainda não havia sido fundido com adamantium).

O filme começa no futuro, quando os mutantes estão à beira da extinção pelas mãos de indestrutíveis robôs criados por um cientista malvado (feito por Peter Dinklage, o anão de “Games of Thrones”, que é desperdiçado num papel tolo) a partir de DNA dos próprios X-Men. A solução inventada pelo Professor X (Patrick Stewart) e Magneto (Ian McKellen) é então mandar alguém para uma época que foi crucial para a produção desses “sentinelas”, no caso 1973.

E a pílula mais difícil de engolir é que a personagem mais importante acaba sendo a Mística que virou meia-irmã do Professor X no “Primeira Classe” e é a chave para os eventos catastróficos do futuro. Essa nova leitura da personagem é bem ridícula, já que nos filmes originais ela não passava de uma capanga boazuda do Magneto sem maior importância. Agora, do nada, vira a perseguida e amada por todas.

O roteiro é também cheio de furos, o maior deles sendo que simplesmente não existia tecnologia em 1973 para fazer aqueles robôs e, se levarmos em conta a cronologia da saga X-Men, levou algo em torno de 50 anos para que as versões finais dos “sentinelas” fossem finalmente colocadas em ação! E como é que o Magneto fez para controlá-los no final? Tudo bem que ele enfiou metal dentro, mas isso no máximo os tornaria marionetes dele, não?

E desde quando a Kitty Pryde consegue mandar “mentes de volta no tempo”? E como é que a "ameaça" mutante só começa a se fazer presente no começo do primeiro "X-Men" se lá em 1973 já estavam todos falando deles abertamente e até foram capazes de prender o Magneto por suspeita de matar o JFK?

Assim como em “Primeira Classe”, a melhor coisa do filme acaba sendo a dupla de atores que interpretam os jovens Professor X e Magneto, feitos por James McAvoy e Michael Fassbender. Embora, verdade seja dita, a maneira como são mostrados na época dos eventos é muito forçada, principalmente o Professor X, que inclusive descobre a cura para a paralisia e depois a esquece.

Não dá pra deixar passar batido o fato de que ele havia sido literalmente desintegrado no final do terceiro filme, mas volta milagrosamente à vida, com o corpo original e tudo, sem que ninguém nem tente esclarecer como isso foi possível (e, sim, eu vi a ceninha no final do “Confronto Final” que mostra ele reencarnando na mente de uma mulher em coma. E daí?).

Tem muitos outros furos imensos na trama e contradições com tudo que foi mostrado antes, então vou parar por aqui para não me estender.

Um ponto que sempre me incomodou na saga dos X-Men no cinema é que foram incapazes de dar aos filmes uma identidade musical coerente através deles. Cada um teve a música composta por diferentes compositores que ignoraram completamente o trabalho de quem veio antes. As únicas exceções foram o 2 e esse novo, ambos com música composta John Ottman (que também é o montador), o qual reusa o tema principal do segundo filme, embora a trilha seja fraca, cheia de cacoetes inventados pelo abominável Hans Zimmer, como a ridícula "Sirene do Inferno" que inventou para "A Origem" e agora é usado em todo santo filme para identificar perigo.

Certamente minha crítica da a impressão que o filme é intragável, mas até que da pra assistir, não chega a ser um desastre também. Consegue até ser um pouco melhor que o "Primeira Classe". Mas, confesso, não consegui deixar de lado todas as incongruências e furos no roteiro e isso estragou completamente qualquer possibilidade de maior engajamento.

A melhor cena acaba sendo quando assistimos a ação do jovem Quicksilver pelo seu ponto de vista. O que levanta outra questão: por que diabos não o levaram junto para o resto da missão? Certamente ele teria ajudado e muito...

Ah, deixa prá lá! Quanto mais eu penso, pior fica. Se você conseguir desligar o cérebro e esquecer que existiram outros filmes dos X-Men, pode até ser que goste desse verdadeiro queijo suíço.

Cotação: * * 1/2


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Filmes: "Godzilla" (2014)

MONSTROS & ARTE

Quem se livrar de preconceitos e abrir a mente para outro tipo de aproximação ao personagem clássico, certamente vai gostar e muito.

- por André Lux, crítico-spam

Confesso que não dei a menor bola quando fiquei sabendo que Róliudi ia produzir mais uma versão do monstro "Godzilla" para os cinemas. Até porque estou entre aqueles que não acharam tão ruim a divertida e estúpida versão de 1998, feita por Roland Emmerich na esteira do sucesso do seu "Independence Day". 

Mas o novo filme entrou no meu radar quando descobri que foi dirigido por Gareth Edwards, cujo filme de estréia, "Monstros", me agradou bastante. Era um filme quase artesanal, feito com um micro orçamento, mas que surpreendia pela forma inusitada de contar uma história que em outras mãos transbordaria de clichês e cenas idiotas.

Indo na contramão, Edwards transformou um filme sobre uma infestação alienígena na fronteira entre os EUA e o México numa interessante reflexão sobre a pequenez e a impotência do ser humano frente a poderosas e indomáveis forças da natureza. E isso ainda misturado a um comentário político pertinente.

Entra então "Godzilla", que eu me atrevo a dizer que é o primeiro grande filme de arte sobre monstros. Os realizadores procuram fugir do "feijão com arroz" de sempre, tipo "monstro nervoso destruindo tudo enquanto é atacado pelo exército até ser morto no final", e o novo filme da cultuada criatura japonesa tem, pasmem, uma história habilmente desenvolvida nas mãos do diretor Edwards, que se esmera em apresentar os personagens e criar clima até a apoteose de destruição no final.

Mas, muito diferente do que vemos atualmente nos chamados "arrasa-quarteirões" produzidos em massa pelos EUA, o novo "Godzilla" não aposta em cenas de ação incessantes, nem em excesso de efeitos visuais, mas em sutilezas e cenas construídas com esmero e excelente noção cinematográfica. 

Inteligente, o diretor mostra muito pouco das criaturas nos dois primeiros atos do filme e, quando o faz, é sempre por meio do ponto de vista de algum dos personagens humanos, novamente reforçando, como em "Monstros", a nossa miudeza frente às forças da natureza, aqui representadas por duas criaturas gigantes que se alimentam de radiação e, claro, pelo próprio Godzilla, que é o predador natural delas e as caça durante todo o filme.

A trama é rebuscada e custa um pouco a engrenar, mas isso não atrapalha, pois permite que o foco fique em cima dos personagens humanos que não tem função de causar impacto aos acontecimentos, mas sim de sofrerem os impactos dela, aumentando assim o suspense e até o terror. Embora o terror aqui não seja do tipo "monstros dando sustos", mas sim aquele terror primordial que sentimos frente à iminência da morte causada por forças muito superiores à nossa.

O filme é tão contra a corrente que se até ao luxo de eliminar logo no começo dois personagens feitos por atores de peso que tinham tudo para serem os protagonistas. O que aumenta ainda mais a sensação de insegurança e suspense.


Cena dos paraquedistas é antológica

Há uma cena antológica quando soldados se jogam sobre a cidade coberta por nuvens de fumaça, bem em cima dos monstros que se digladiam, sob o ponto de vista dos paraquedistas ao som de "Requiem", de Ligeti (que também foi usada por Kubrick em "2001").

A trilha musical, por sinal, é uma das melhores que ouvi em um bom tempo. Composta pelo francês Alexandre Desplat é quase que totalmente atonal e bastante complexa, tanto na orquestração, quanto na execução. O que é uma lufada de ar fresco num meio que hoje é quase completamente dominado pelo lixo que o abominável Hans Zimmer "inventou".

O maior problema do filme acaba sendo justamente o seu nome, pois todos os outros filmes do Godzilla eram, de uma forma ou de outra, um besteirol trash sobre um monstro (geralmente um homem vestindo fantasia de borracha) detonando uma maquete e sendo atacado incansavelmente até o final óbvio.

Isso vai frustrar as expectativas de quem esperar que o novo filme siga a mesma toada e certamente vai gerar reações de ódio nos mais fanáticos. Mas quem se livrar de preconceitos e abrir a mente para outro tipo de aproximação, certamente vai gostar e muito. Esse é um dos raros filmes de grande orçamento feitos pela indústria cultural estadunidense que aposta na inteligência do espectador.

Cotação: * * * *


terça-feira, 13 de maio de 2014

Morre ao 74 anos H.R. Giger, o criador do "Alien"


Morreu nesta terça-feira (13), o artista plástico suíço H. R. Giger, que ficou famoso no mundo todo graças ao terrível monstro que criou para o filme "Alien, o Oitavo Passageiro", dirigido por Ridley Scott em 1979. Segundo a imprensa suíça, Giger caiu de uma escada e não resistiu aos ferimentos, falecendo aos 74 anos.

Nascido em 5 de Fevereiro de 1940, na pequena Chur (Suíça), Hans Rudi Giger começou a mostrar ainda na infância interesse pelo sexo e pelo lado mais escuro do ser humano, duas constantes em sua obra. 

A partir de 1964, ano em que morava em Zurique e cursava a Escola de Artes e Ofícios, começam a ser publicados seus primeiros trabalhos, em revistas contestatórias, como "Clou" e "Agitation" e em jornais locais. 

Entretanto, foi só a partir de 1979, depois de muitas exposições, publicações e de uma tentativa frustrada de Alejandro Jodorowsky em adaptar o livro "Duna" para o cinema, que seu trabalho passou a ser conhecido do grande público. 

Tudo isso graças à criatura que criou para o filme ''Alien: O Oitavo Passageiro'', fotografada magistralmente por Ridley Scott, que assustou os freqüentadores do cinema de tal maneira que tornou o filme um dos maiores sucessos daquele ano. 

Giger embarcou na produção de "Alien" depois que os realizadores tiveram contato com seu livro de ilustrações ''Necronomicon''. 

"Alien" rendeu ao artista suíço um merecido prêmio Oscar de Efeitos Visuais da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e o reconhecimento mundial do público à sua obra. 

Giger encarava suas obras como uma espécie de terapia contra seus medos e pesadelos. "Eu venho tendo sempre os mesmo sonhos, e são pesadelos. Eles são terríveis", conta. "Mas eu descobri que quando faço desenhos sobre eles, os sonhos vão embora. Eu me sinto muito melhor. É uma espécie de auto-psicanálise", conclui.

Sua figura e seu jeito estranho de ser, todavia, continuaram a intrigar as pessoas. "Quando Giger começou a trabalhar em 'Alien', ele foi até a secretária de produção e disse: 'Eu quero ossos'", conta um dos membros da equipe. "Então, você entrava no seu estúdio e via aquele cara parecendo o conde Drácula, vestido todo em couro preto, com seu cabelo escuro, pele muito branca e olhos brilhantes, cercado por uma sala repleta de ossos e esqueletos. Era assustador!"

"Um dia, durante as filmagens de 'Alien', fizemos um picnic e todos tiraram as camisas. Exceto Giger. E todo mundo tentou fazê-lo tirar suas roupas, mas ele não o faria", conta o roteirista Dan O'Bannon. "Entenda, eu não acho que ele se atreveria a tirar aquelas roupas, porque se o fizesse todos veriam que ele não é humano. Ele é um personagem de uma estória de H.P. Lovecraft..."

Giger trabalhou também no design de produção de filmes como ''Poltergeist 2: O Outro Lado'', ''A Experiência'', ''The Killer Condom'' (literalmente ''A Camisinha Assassina'', filme trash inédito por aqui) e ''Alien 3'', embora nenhum tenha tido o mesmo impacto ou sucesso do primeiro ''Alien: O Oitavo Passageiro''.

Visite o site oficial do artista.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Filmes: "Capitão América 2: O Soldado Invernal"

POLITIZADO E SINCERO

O grande vilão do filme é a medida que visa tirar a privacidade das pessoas em nome da ladainha da "defesa da liberdade"

- por André Lux, crítico-spam

Como eu havia dito em minha crítica ao primeiro filme, tinha tudo para dar errado mais esta adaptação de um super-herói da Marvel, a começar pelo nome "Capitão América", que evoca as piores bravatas patrióticas pelas quais os estadunidenses são famosos.

Mas, incrível: conseguiram não apenas fazer um bom filme com o personagem, mas dois! Seguindo a toada do primeiro filme, "Capitão América 2: O Soldado Invernal" também vai contra a corrente do que normalmente seria um filme desse tipo e aborda questões realmente relevantes e atuais em seu enredo, fugindo de maneira inteligente de patriotadas ridículas.

Assim, o grande vilão do filme é justamente a medida que visa tirar a privacidade das pessoas em nome da velha ladainha da "defesa da liberdade", algo que parece bonito no papel, mas que pode (e é) usado para simplesmente perseguir quem pensa diferente do que é aceito pelo sistema. Em tempos de espionagem irrestrita feita pelo governo dos EUA, principalmente no mundo virtual, e contínua restrição de liberdades esse é um debate dos mais pertinentes.

E o politizado e sincero Capitão América representa no filme a luta pela preservação dos direitos humanos contra a máquina de moer gente que deseja enfiar goela abaixo da população mundial o "american way of life". Os realizadores acertam também ao colocar um famoso libertário como Rorbert Redford justamente no papel do vilão - e o ator se deita e rola fazendo o personagem. 


Claro que nem tudo são flores. O tal Soldado Invernal que dá subtítulo ao filme, acaba sendo muito fraco e não acrescenta nada, nem quando descobrimos sua verdadeira identidade. A cena em que tentam matar o Nick Fury (Samuel L. Jackson) é exagerada e sem lógica, afinal se queriam simplesmente eliminá-lo, bastaria lançar um míssil contra o carro dele e pronto!

Não faltam também ao filme as cenas de ação, tiros e pancadarias, típicas desse tipo de produto, que quase sempre são tão grandiosas, quanto inúteis. Sem dizer que de vez em quando o Capitão América fica mais para Superman, principalmente quado é atingido por uma bomba e sai voando de cima de um ponte até se esborrachar num ônibus.

O libertário Redford diverte-se como o vilão
E o problema mais óbvio, que infesta agora todos os filmes solos dos heróis da Marvel: onde diabos estava o resto dos Vingadores? 

A trilha musical, que foi tão boa no primeiro filme graças ao talento do compositor Alan Silvestri, acabou nas mãos de um dos inúmeros clones do abominável Hans Zimmer e, embora não chegue a incomodar, também não ajuda em nada.

Entre mortos e feridos, ambos os filmes do Capitão América acabam tendo um saldo bastante positivo, principalmente por usar um viés tão, digamos, "esquerdista" em sua aproximação. 


Sinceramente, não dá para esperar algo mais nobre de um filme de Roliúdi, ainda mais quando é baseado em um personagem de quadrinhos com nome tão duvidoso...

Cotação: * * * *