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domingo, 7 de julho de 2013

Filmes: "Conflito das Águas"

ATÉ A CHUVA!

Filme retrata o que aconteceu na Bolívia na orgia neoliberal que foi enfiada goela abaixo dos povos do mundo, principalmente na América do Sul

- por André Lux, crítico-spam

“Conflito das Águas” é um retrato muito bem feito do que aconteceu na Bolívia no auge da orgia neoliberal que foi enfiada goela abaixo dos povos do mundo, principalmente na América do Sul, no final do século 20. 

Como indica o título original desse maravilhoso filme espanhol “Também a Chuva” foi privatizada naquele país que, anos depois, elegeu Evo Morales para Presidente. Parece brincadeira, mas não é: no ano 2000 o governo da Bolívia chegou ao cúmulo de privatizar toda a água do país – inclusive a água da chuva, de modo que qualquer um que a recolhesse enquanto caia do céu estaria cometendo um crime!

O filme é dirigido com grande sensibilidade por Iciar Bollain e conta com um roteiro formidável, que dá vida a três histórias paralelas que se entrecruzam. A principal trata da produção de um filme sobre o descobrimento da América, a ser dirigido pelo personagem interpretado por Gael Garcia Bernal (que foi Che Guevara em “Diários de Motocicleta”). 

O produtor, um sujeito que a princípio só pensa em economizar o dinheiro do orçamento, regozija-se do fato de que na Bolívia tudo é mais barato (leia-se, a miséria é tão grande que a população local trabalha na produção muitas vezes em troca de um saco de arroz).

É neste contexto que entra um nativo Aymara que, lutando pelos direitos de seus colegas de serem testados para o filme conforme foi prometido num folheto distribuído pelos produtores, consegue o papel principal de líder dos indígenas. Só que esse sujeito é também o líder, na vida real, da revolta da população pobre contra o governo neoliberal e suas medidas desumanas.

A partir dessa elaborada trama, somos apresentados a diversas alegorias entre a desesperadora situação dos nativos durante o “descobrimento” da América (na verdade, foi uma invasão seguida de um massacre) e a realidade miserável enfrentada pela mesma população cinco séculos depois. Aos poucos, os membros da produção do filme dentro do filme vão sendo afetados de forma profunda pelos eventos que acontecem à sua volta, tanto em nível físico quanto moral.

Esse é o tipo de cinema que leva à reflexão sem precisar ser didático ou panfletário. Todos os personagens são multidimensionais e humanos, com qualidades e defeitos, dúvidas e convicções. Nada é preto no branco, tudo é cinzento, embora não seja possível fugir à realidade de que o neoliberalismo foi (ou é ainda, já que muitos o defendem mesmo depois de ter levado o mundo à beira do abismo) um dos sistemas ideológicos mais cruéis e desumanos da história da humanidade. 

Se alguém ainda tem dúvida, basta assistir a esse excelente filme, cujas qualidades técnicas e dramáticas são tão evidentes que o resultado final é nada menos que devastador.

Cotação: * * * * *

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Filmes: "Star Trek: Além da Escuridão" (spoilers!)

A ECA DE KHAN

Filme não é ruim, mas o roteiro é uma das coisas mais sem pé nem cabeça que já vi na vida

- por André Lux, crítico-spam

Quando vi os primeiros trailers desse novo "Star Trek" fiquei preocupado, pois parecia que iam pisar no mesmo território já explorado no filme anterior, que deu um "reboot" na série iniciada no final dos anos 60 por Gene Rodenberry. Ficava claro que a motivação por trás dos atos do vilão era a vingança, igual ao que queria o Nero do primeiro filme. 

Tinha esperança que não fosse isso, porém "Star Trek: Além da Escuridão" bate na mesma tecla e, pior, traz de volta um dos vilões mais memoráveis da série antiga: o terrível Khan, que no segundo longa da tripulação original é o responsável pela morte do Spock (Leonard Nimoy, que aparece novamente aqui em ponta). Acaba sendo uma mescla do segundo e do sexto filmes da tripulação original, "A Ira de Khan" e "A Terra Desconhecida".

Não vou dizer que o filme é ruim, longe disso. É muito bem feito, tem desenho de produção e feitos visuais excelente, muita ação e música bacana de Michael Giacchino. É como uma volta na montanha russa. O problema mesmo é o roteiro, que é uma das coisas mais sem pé nem cabeça que já vi na vida, com furos do tamanho de uma cratera.

São tantas coisas sem sentido que acontecem no filme que não dá nem para ficar enumerando (vi alguns sites estadunidenses listando por perto de 20 furos!), mas tem algumas coisas que realmente são absurdas demais. Entre elas, o vilão se teletransportar da Terra para um planeta dentro do império Klingon, a sabe-se lá quantos anos-luz de distância! E o que diabos ele foi fazer lá?

Depois, tem a história do almirante Marcus (feito pelo "Robocop" Peter Weller) que manda Kirk ir até o local para bombardear o vilão e entrega para ele 72 torpedos supostamente de última geração! Como assim, era para a Enterprise lançar 72 torpedos sobre um único sujeito, no meio do império Klingon?

Tem muitas outras coisas absurdas no filme (o Dr. McCoy, por exemplo, simplesmente descobre o segredo da vida eterna, mas depois ninguém mais fala disso!), mas vou parando por aqui até porque elas incomodam mais depois que você sai do cinema e começa a pensar nelas. Durante a projeção tem tanta ação e correria que até dá para esquecer tudo isso.

Mas o que realmente detona o filme é o rapaz que colocaram para fazer o Khan, um tal de Benedict Cumberbatch, que não é mau ator. O problema é que se trata de um sujeito baixinho, franzino e com cara de "mauricinho" que não convence nem um segundo na pele do que seria um "super-homem" criado artificialmente no passado para comandar a Terra durante as chamadas "guerras eugênicas" (pelo menos é assim na iconografia original, no novo filme não se fala disso).

Khans: o "mauricinho" e o "fodão"
Nada a ver com o Khan original, feito com propriedade e carisma pelo grande Ricardo Montalban. E a história que inventaram para justificar o ódio dele contra a Federação é muito forçada e, para variar, não faz muito sentido também.

As melhores coisas do filme acabam sendo, além das cenas de ação (que são muitas), a interação do elenco da Enterprise e algumas piadinhas que funcionam. Como eu disse, o filme no todo não é ruim dentro do que se propõe, porém ficou bem aquém do esperado, principalmente quando você pensa nele depois da exibição, e não chega nem perto do primeiro. Tomara que melhorem no próximo, porque um novo "Star Trek" é sempre bem vindo!

Cotação: * * *

terça-feira, 18 de junho de 2013

Excelente crítica de "Man of Steel", de Zimmer (inglês)

- By James Southall

The most-hyped film of the year is finally here – after months of publicity, Zack Snyder’s Superman rebootMan of Steel has been released (to fairly lukewarm reviews, it has to be said).  Henry Cavill takes on the most iconic of comic book roles, his jaw appropriately chiselled, and he’ll be hoping it leads to a rather more successful career than that enjoyed by his predecessor in the role, Brandon Routh (who!?) from the little-liked 2006 Superman Returns.  One rather suspects that it will.

For what it’s worth – in other words, not much – I enjoyed the film for what it was.  It’s a fairly straightforward good guy / bad guy thing – as it should be – and my fears from the early reviews that it would take itself too seriously were unfounded.  There’s certainly a good sense of fun, a good spectacle to the action sequences, and Cavill acquits himself well.  Think too much about it and holes soon appear, but that’s not unexpected, and as a piece of entertainment I thought it served its purpose.

Hans Zimmer
Hans Zimmer
Given the involvement of Christopher Nolan as the film’s producer, Hans Zimmer’s announcement as the film’s composer came as no surprise - while Snyder had worked with Tyler Bates on most of his previous films, it seemed likely that someone a bit higher-profile would be chosen.  While I didn’t think his music for Nolan’s Batman films was terrible, it did seem rather a missed opportunity – they were good films, one of them bordering on great, and the relentlessly grim music didn’t particularly damage them but there was an opportunity there to write something very special.  However, this time it’s Superman – it was hard to imagine the music could possibly come out so relentlessly joyless, so my hopes were high for something of the quality and creativity shown in the composer’sInception – while the composer has undoubtedly been stuck in a bit of a rut since then, indeed going through the weakest period of his career, it was natural to assume a bit of brightness and optimism at least in the music for Man of Steel.

Think again.

Wisely, Zimmer avoids any attempt to reference or ape any Superman music which has gone before.  Sadly, that’s where the wisdom ends.  The problems here are endless, but one rises above all others – the music is completely devoid of any even remote sense of fun.  It’s humourless, grim, bleak, meant to be incredibly serious but compositionally so simplistic that in fact it’s impossible to take seriously at all.  Zimmer recently stated that he deliberately writes simple music because he feels that’s the best way of establishing an emotional connection – but I really don’t see what emotions he is attempting to connect with through this music.  There’s no inherent problem with simple music – but simplicity itself is not enough to establish an emotional connection.  There’s good simple music and bad simple music, just as there’s good complex music and bad complex music.  This is really, really bad simple music, puerile and banal throughout.  If you were a youngster back in the 1990s who quite enjoyed Media Ventures film scores, then I imagine the music you might write for some sort of school project might sound something like this.  My friend said that this makes Zimmer’s Broken Arrow score sound like Hugo Friedhofer’s Broken Arrow, and that seems pretty apt.  Zimmer’s music has always been simple, but he seems to be going simpler and simpler in recent years, stripping so much away that actually there’s nothing left.  Social media reaction to the score has been and will no doubt continue to be as if people are witnessing some sort of musical miracle; I can’t help but think what they’re actually hearing is the emperor’s new clothes.

As the hype surrounding the film and score grew in the weeks before its release, various tracks were “leaked” onto various websites’ promotional pieces.  I listened to a few of these and genuinely believed (and hoped) that at least some of them must be a joke, perhaps a fan-made thing that had somehow mistakenly been taken seriously.  This surely – surely – couldn’t be a professional film composer’s music for a $200m blockbuster.  Turns out the joke was on me – on all of us – because it is.  (And don’t call me Shirley.)  Not only does the music sound amateurish, it also sounds remarkably cheap – it’s written for orchestra but I don’t really know why, because barely anything in here sounds anything other than synthetic, with keyboards either doubling or replacing the orchestral recording most of the time.  Even the much-vaunted group of 16 celebrity percussionists who bang away on their drums from time to time somehow manage to sound synthetic in places.  Again – it’s the no-budget high school approximation of a big-budget film score, which is an extraordinary failure given that there have presumably been very few films ever made with higher music budgets than Man of Steel.

The music mostly sounds like castoffs from other Zimmer scores, some recent and some more distant – the male choir that was a hallmark of many of his earlier action scores, the HORN OF DOOM that by now just sounds like self-parody, the cello action ostinato that you hear everywhere, some synth brass that could be from one of his adventures with Jack Sparrow.  But they really are like castoffs – like music that might have been improvised in early drafts of those scores but understandably discarded – a feeling only increased by the fact that it all sounds like the synth mockups of cues rather than the actual recordings intended for the film.

And where’s the theme?  People will claim there are themes here, and they’d be right, but they’re not themes in the traditional sense.  How can you possibly have a Superman film and not give him a soaring theme?  OK, I get it – the recent Batman films were deadly serious, ultra-realistic portrayals of a vigilante dressed as a bat.  You couldn’t possibly put a melody in there – no way.  Not one that anyone might actually become attached to – oh no.  But this is Superman!  He flies around in a pair of tights with his underpants on the outside.  If you can’t give Superman a proper theme – one the audience can hum on their way from the cinema, one kids in 30 years will have as their ringtones – well, let’s all give up now.  I’ve come back to the same point – there’s just no fun here, none at all.

The album opens with “Look to the Stars”, which under an electronic soundscape introduces the “main theme”, a series of widely-spaced progressions that slowly builds in volume up to a brief burst of fairly generic action.  ”Oil Rig” is the first of the glum action tracks: an array of drummers bangs incessantly away before the HORN OF DOOM signals something really bad is happening.  ”Sent Here for a Reason” introduces a piano variation on the main theme which is reasonably attractive at first glance, but there’s no meat on the bone – it’s too simple to leave an impression – and then when a bass guitar takes up the theme, we really are back to Broken Arrow.  I guess it’s tracks like this that are meant to be the ones with some semblance of hope or heroism, but I don’t get any of that from it.

“DNA” is another relentlessly dark action piece, the stolen bassline from Once Upon a Time in the West the only ingredient of quality; otherwise it’s like an early draft of “The Kraken” from Pirates of the Caribbean, at least until Broken Arrow takes over again.  The female vocal in “Goodbye My Son” has a certain innocence to it, like a lullaby, but is spoiled by the 90s Media Ventures slow-mo action which emerges over it, and the trite cliché of the cello ostinato.  The HORN OF DOOM is back in “If You Love These People”, as well as some synthy percussion and an electric guitar, for a cheap action track that again rolls out every cliché in the book.  At least in “Krypton’s Last” there’s what sounds like an attempt to inject a bit of – gasp – emotion, but the violin solo passes before it’s had chance to leave any injection at all, and we’re back into silly overblown power anthem territory before you know it.

“Terraforming” is based around a rhythmic pattern with synth brass eventually laid on top – one of the easiest tricks in the film composer’s book when they’re trying to find some energy for a scene, but not when it’s as tired and hackneyed as done here – and then what can only be described as some sort of rumbling, growling extreme fart noises ushering in a new passage of dull “action”.  It keeps pounding pointlessly away for almost ten minutes – and there’s no respite in sight, because “Tornado” picks up where it left off, yet more miserable joyless bass-laden action music, this time with a highly-irritating synth effect fluttering around it like a pesky insect you want to swat.  No insects in “You Die or I Do”, but it’s hardly less irritating, with its simplistic blaring synth-laden brass and percussion on top of the familiar string ostinato – again it’s more like listening to a child’s music project than a professional film composer’s film score.  ”Launch” is even sillier, with the electric guitar adding a new layer of dumbness.

“Ignition” brings back all the drummers, who pound away like nobody’s business – the same rhythms they pound away whenever else they appear – before they give it a rest again.  Can’t quite understand what the point is.  ”I Will Find Him” continues the unstructured mess, as various ideas heard earlier in the score are combined together one after the other – we’re approaching the end of the score and nothing so far has been developed, only ever restated, which again emphasises the lowest common denominator approach Zimmer was clearly aiming for (and hitting).  Still, there is in this track for the first time something slightly more exciting about the action material, the sense for the first time that there is more to it than just being loud and obnoxious.  ”This is Clark Kent” also has an element of quality, the piano theme getting its most pleasant airing.  Finally, we’re in a sequence of tracks that doesn’t sound amateurish.  Admittedly, “I Have So Many Questions” briefly bucks that trend, with an extended set of variations on the over-simplistic “mystery theme” or whatever you might call it dragging the pace right down, but it livens up again in “Flight”, one of the pre-release tracks that had people dancing in the streets with joy.  The main theme slowly builds, ultimately reaching a frenzied orgy of guitar, synth brass and percussion that is still a bag of cheap tricks, but at least isn’t awful.  The finale cue, “What Are You Going to Do When You Are Not Saving the World?” is actually a long way from being awful – it’s too little too late, but it does earn the album an extra star from me, it’s so much better than anything else here – it’s this score’s equivalent of Inception‘s “Time” or The Da Vinci Code‘s “Chevaliers de Sangreal”, and while it’s certainly not as good as either of them, it does have a high guilty pleasure value to it, thanks in no small part to it actually not being completely bleak and miserable.

Two versions of the album have been released, a regular and limited edition, both of which feature two discs, on the second of which is “Hans’s Original Sketchbook”, a piece of music that lasts almost half an hour and is apparently the suite Zimmer composed early on in the process and from which the composing team wrote the score.  One thing that’s interesting is that even though it’s keyboard-only, it doesn’t sound too far from the sound of the final score.  It does indeed feature most of the material heard through the score itself.  I’m not entirely sure why it’s been made available – the cynic in me wonders whether it’s just an attempt to rebuff those who suggest Zimmer doesn’t always take the most active involvement in the creation of his scores – and it certainly does show that the score is fully-crafted from his own ideas.  

But perhaps apart from a solitary listen for curiosity value, I wonder exactly who is ever going to listen to it – admittedly, the condensation of the better parts of the score into something a bit shorter does have some appeal, but you could paste it all together from the first disc if you were that way inclined.  More likely, you’ll be listening to something else instead – something good.
The special edition – which comes in a very nice package, it must be said, so at least the purchasers of that album get something of quality (and if you discard the CDs it would make a useful storage container for perhaps some small mints) – also features the dubious bonus of another half-hour of score cues.  ”Are You Listening, Clark?” features a dissonant soundscape which sounds a bit like the distorted whalesong emitted by the alien probe in Star Trek IV, before Spock realised you had to filter it as if heard underwater to hear the intended sound.  ”General Zod” opens with some even stranger noises, this time resembling one of the songs Ross played on his keyboard in that episode of Friends, with the added bonus later on of one of Zimmer’s clichéd slow-build ostinato-based action – and then some incredibly earnest, melodramatic synthetic strings which are meant to signify events of great importance, no doubt, but sound like an amateur Zimmer-impersonator improvising on a keyboard.  It sounds incredibly silly, again more like self-parody than anything, but at least it brings an unintentional but much-needed smile to the face.

“You Led Us Here” brings back the gloom and misery, darkly depressing choral fragments oohing and aahing over noodling keyboard patches.  A lot of drums bang away, with no accompaniment, in the appropriately-named “This is Madness”.  ”Earth” has a synthy version of the main motif, in what is presumably intended to be a more reflective setting, then the piano in an even more pared-down arrangement than usual, then that theme gets an odd, dated, flower power-style synth arrangement.  A comically-ominous bass synth passage opens “Arcade”, which is the sort of thing you’d play to a young film composer if you were showing them the kind of cliché they should strive to avoid.  But, unbelievably, it gets worse, as another ostinato pattern emerges and then – the HORN OF DOOM is back.  If I hadn’t seen the film, I’d be convinced it was a joke.  Then, at last, comes the best feature of the album – after two excruciating hours, there is finally some mercy.  It’s over.  There’s silence.  The miserable, never-ending doom and gloom is at an end.  And there was much rejoicing.

If the score on the album is poor, then at least one might think it might work in the film – but it doesn’t, not really.  It only occasionally detracts from the experience – the ludicrous HORN OF DOOM will probably have people splitting their sides with laughter when they watch back in a few years, it’s so asinine and inane – but here you have something that, while clearly far from a masterpiece, should still have proved to be fertile ground for any competent film composer.  Good versus evil; not just a hero that’s easy to latch on to but in terms of American popular culture, perhaps the hero that’s easy to latch onto; a nasty villain; a glamorous young woman – yes, fertile territory indeed.  It fails on all counts, failing to bring any menace to the villain, any spunk to the hero – and not for the first time, watching the film it’s as if Zimmer thought every single moment was the moment, and by treating them as such, of course none of the music has an impact anywhere – coupled with the lack of development, the obvious restatement of material all over the place, it’s the musical equivalent of being bludgeoned to death.  The film does actually have a few places where it stops to take a breath, but the music never allows it to.  ”THIS IS SO IMPORTANT!” is the constant scream from the score.  It could have been epic; instead (and I can’t believe I’m about to type these words) it’s an epic fail.

Does it really matter?  It’s easy to say that if film music has been dumbed down, then it’s because films have been dumbed down; and if films have been dumbed down, it’s because society’s dumbed down.  (In fact it’s so easy to say that, I just did.)  But who leads, who follows?  I would have thought that any “artist” with any self-worth would strive to do his or her best possible work, not play down to the lowest common denominator, which is what Zimmer has done here.  The easy riposte to that is that he needs to put food on his family’s table, therefore needs to do what he’s told to do by the filmmakers – but there would certainly have been a way of satisfying their needs without treating the audience like idiots, throwing an endless parade of cheap tricks in their direction.  Sadly – and perhaps this invalidates my argument – those cheap tricks seem to have been lapped up like meaty bones by a dog, people seemingly salivating as they fall over each other in saying how “awesome” it is.  While a few reviews of the film have criticised the music, notably that in Variety, more have described it as effective (or indeed “awesome”); and the vast majority of course haven’t mentioned it at all.  So I must ask again – does it really matter?  While the fact that the film will make a ton of money and the soundtrack album will top the charts suggests that no, it doesn’t, I couldn’t feel more strongly that it does.  Sales figures don’t indicate quality – sometimes they just indicate that people are falling for the marketing – and who’s to say that with music that’s a little more, shall we say, “intellectual”, that Man of Steel wouldn’t end up with even higher box office, its soundtrack selling even more copies?

Zimmer’s whole ethos – the whole raison d’être of his Remote Control studio – is that one size fits all.  His brand of film music is based on providing something that’s there – not something that makes an attempt to raise the film to a level it wouldn’t otherwise have occupied, like all the best film music has done, but just something that’s there.  When he’s at his best, he certainly raises films up – Inception was no hotbed of complex composition, but it was a score that felt uniquely crafted to its film, one designed on that film’s nuances and needs – and here we are, hearing a retread of the same thing in a different film – not only does it fail to boost Man of Steel, it even cheapens the experience of watching or listening to Inception in future.  One size does not fit all.  Man of Steel – the film – may not have the ambition of Inception – but it still has its unique musical needs, and they’re just not satisfied.  I’m not talking here about the exercise of a particular musical style by a composer – all good composers have their own distinctive styles.  I’m not even talking about self-borrowing – hardly something to applaud, but it has always happened in film music and always will.  What I’m talking about is this treatment of it almost as library music – “this is an action scene, so this is how it must sound” etc, regardless of context.  Filmmakers don’t let their production designers or cinematographers behave like that, so why do they let their composers?  It’s as if Hollywood has forgotten just what film music can do – what it’s there to do.  What is the point of paying such a large sum of money on getting Hans Zimmer to assemble music like this, when they could just pull a few tracks of library music off the shelf which would do an equivalent job but be far cheaper?  Film music isn’t supposed to just be there – it’s supposed to respond to the unique needs of the film and help to shape the audience’s response to it.

So – does it really matter?  You bet it does.  It matters to me, and it should matter to you.  This trawl through the detritus of previous music, throwing it together to provide something that’s there – it matters.  It’s not right.  It shouldn’t happen.  Just because it makes a ton of money, it doesn’t make it right and it certainly doesn’t make it good.  Intellectually, this is scraping the barrel.  The drive for simplicity has come at the cost of any depth whatsoever – film music doesn’t get more surface-level than this, more like wallpaper.  It has no impact at all – it’s far too shallow to make any sort of dramatic impact on the film, and so hollow that there is no emotional connection – frankly it all seems pointless.

I am acutely aware that another thing that seems pointless is someone like me writing a review of an album like this – some people will buy it whatever I say, some people will avoid it whatever I say.  True, too, that someone like me is hardly in a position to make a stand and have any bearing on anything.  But surely the time has come for someone with more influence to take a step back, look at what film music – not all film music by any means, but an awful lot of mainstream Hollywood film music – has become and ask themselves whether things have really gone in the right direction.  

Man of Steel is not the worst film score I’ve ever heard – it’s not even the worst of the year – but it’s surely one of the worst for an event film like this; and I can never remember having such a feeling of being treated like an idiot by a film score.  It’s so disappointing that it aims so low, with seemingly so little ambition – and then doubly disappointing that it fails to meet even the most modest of targets it sets itself.  Zimmer’s bag of tricks is sounding increasingly limited – I’ve got a reputation for some reason as a regular hater of his music, whereas in truth I’ve probably given him more positive reviews over the last couple of decades than any other regular reviewer of film music – but I have to say, on the evidence of the last few years, he really just doesn’t seem to have anything left to say.  Some of the music here is borderline insulting in its simplicity and cheapness.  And perhaps the biggest crime of all – it’s just so boring.  There’s no sign of the composer’s popularity waning either within Hollywood or with his own, uniquely devoted and vocal group of fans, for whom the emperor’s new clothes seem a true delight; and as a long-time lover of film music, that’s pretty scary.  Surely it’s time for someone else to have a turn now.

Rating: *

sexta-feira, 14 de junho de 2013

"Homem de Aço", de Hans Zimmer (Trilha Sonora)


ABOMINÁVEL

Acabei de ouvir a trilha musical do novo filme do Superman, "Man of Steel", composta pelo abominável Hans Zimmer e posso dizer que é uma das coisas mais ridículas e grotescas que já escutei na minha vida! 

Clique aqui para ler minha crítica ao filme "Homem de Aço".

Acho que todo mundo sabe que eu desprezo as trilhas do Zimmer.

Mas eu garanto que tentei ouvir seu novo trabalho com uma mente aberta.

Afinal, é música para um filme do Superman! Não tem como ser ruim, certo?

Trilhas para filmes do Superman são como pizza: mesmo ruins ainda são boas, né?!

Mas, eu estava completamente errado.

Não vou nem entrar no mérito de que não há um tema para o Superman em toda a trilha, exceto um pequeno "motif" que é de uma simplicidade de dar dó e que nunca é desenvolvido.

Talvez tenha sido o diretor que mandou Zimmer não compor um tema para o herói, num daqueles mantras estúpidos do tipo "Vamos nos manter o mais longe possível do que fizeram Richard Donner e John Williams para o filme de 1978".

Mas o que mais me impressionou é o quanto a trilha é insossa e genérica.

Chega a ser muito, mas muito pior do que as trilhas que ele criou para os filmes do "Batman", que não passaram do medíocre, mas pelo menos não prejudicaram o filme (leia neste link minha análise da trilha de "Batman: O Cavaleiro das Trevas", do Zimmer)

Zimmer usa um monte de percussão na trilha do "Man of Steel", mas a sua composição é incrivelmente simplória e soa como um bando de garotos de 12 anos marretando a bateria de um de seus vizinhos, todos ao mesmo e MUITO ALTO!

O que dizer da orquestra e do coral? Novamente, todo mundo tocando e cantando ao mesmo tempo, as mesmas notas BEM ALTO!


Na faixa de abertura "Look to the Stars" Zimmer faz o coral cantar "A, E, I, O, U"... em português! Sinceramente, é uma das coisas mais ridículas que já ouvi na vida!

Eu me pergunto como é possível fazer uma orquestra completa soar com um sintetizador barato?

Será que Zimmer faz isso de propósito para agradar adolescentes raivosos de 15 anos que pensam que orquestras são coisas de velhos ou isso é apenas o resultado de sua total falta de habilidade para compor esse tipo de música?

Se você der essa trilha para um apreciador médio de trilhas sem dizer o que é, ele provavelmente vai dizer que se trata da música para algum filme de ficção classe C, daqueles que o Roger Corman fazia nos anos 80. Nunca que ele vai achar que se trata de uma trilha para o novo filme do Superman produzido por um grande estúdio!

Impressionante sr. Zimmer! Impressionante!


Saber que esse picareta é considerado hoje um dos compositores mais influentes em Rolliúdi atualmente é uma das provas cabais da total decadência da indústria cinematográfica estadunidense. 

Chega a dar raiva, principalmente para quem cresceu ouvindo trilhas magníficas compostas por gênios como Jerry Goldsmith, John Williams, Ennio Morricone e tantos outros.

Cotação: *


Sinal dos tempos: Zimmer, o picareta, é o mais influente hoje em Roliúdi. 

segunda-feira, 13 de maio de 2013

Filmes: "Oblivion"


FUNCIONAL

Para quem gosta do gênero ficção pós-apocaliptico é uma boa pedida, desde que você não espere muito

- por André Lux, crítico-spam

"Oblivion" é daquelas ficções científicas sobre o fim do mundo que bebem diretamente de vários outras e melhores fontes. Mas, apesar de não ser uma obra-prima do gênero e não sobreviver a uma análise mais detalhada de sua trama, até que funciona bem e prende a atenção, tendo inclusive algumas reviravoltas finais que causam surpresa.

As influências mais óbvias do filme são "Planeta dos Macacos", "2001", "Lunar", "Fuga do Século 23", "Eu Sou a Lenda", "Mad Max 2" entre outros. A direção é do mesmo sujeito que fez o fraco "Tron: O Legado", mas não chega a atrapalhar. Os efeitos especiais são decentes e o filme conta com uma boa atuação do galã Tom Cruise, que nunca foi um bom ator, mas que envelheceu bem e consegue imprimir uma certa verdade ao personagem principal. De quebra há também a participação do sempre confiável Morgan Freeman em uma ponta.

Infelizmente, como toda produção em série oriunda de Roliudi, há algumas coisas indesculpáveis, como a cena em que Cruise relembra todo emocionado uma partida do chamado "futebol americano" e algumas explicações didáticas totalmente desnecessárias no final (basicamente eles explicam o que a gente já está vendo na tela). A trilha musical, composta por um grupo techno chamado M.8.3., é fraca e atrapalha muito o filme, cheia de cacoetes horríveis criados pelo abominável Hans Zimmer (certas faixas são cópias diretas de "Batman Begins") e em algumas cenas mais parece música para comercial de shampoo (como na sequência em que Cruise faz amor com sua parceira na piscina).

Enfim, para quem gosta do gênero ficção pós-apocaliptico é uma boa pedida, desde que você não espere muito.

Cotação: * * *

Filmes: "Homem de Ferro 3"

RIDÍCULO

Roteiro é pavoroso, cheio de furos imensos, absurdos e besteiras sem sentido

- por André Lux, crítico-spam

Tudo bem que a franquia do "Homem de Ferro" nunca foi grande coisa (o primeiro filme foi razoável e o segundo bem fraco), mas não precisavam ir para o fundo do poço com essa parte 3.

"Homem de Ferro 3" é sem dúvida um dos piores filmes de super-heróis já feito, chegando ao ponto de ser ridículo. O interessante é que foi escrito e dirigido por um sujeito que tem boa fama entre os fanáticos do gênero, Shane Black, que roteirizou "Máquina Mortífera" e também foi ator em "Predador". Mas seu roteiro é pavoroso, cheio de furos imensos, absurdos e besteiras sem sentido. 

Tony Stark, por exemplo, passa metade do filme tentando consertar uma armadura só para, no final, aparecer mais uma centena delas que estavam no subsolo de sua casa. Não seria muito mais fácil ele simplesmente ir até lá e acioná-las ao invés de ficar perdendo seu tempo em uma cidadezinha no meio do nada? E, falando na armadura, em um momento ela resiste ao impacto direto de um míssil, mas logo em seguida se despedaça toda ao bater na quina da mesa.

Os vilões então são simplesmente patéticos. A motivação e os atos deles não fazem qualquer sentido. A começar pelo Mandarim, numa atuação constrangedora do vencedor do Oscar Ben Kingsley, que certamente estava precisando de dinheiro para aceitar tamanha "pagação de mico". E o que dizer então das pessoas expostas a uma experiência genética que são tão poderosas que chegam até a cuspir fogo? Em uma cena elas sobrevivem a uma explosão de 3 mil graus Celsius e em outra são mortas por uma simples rajada de raio no peito. Sem dizer que são capazes de desabilitar completamente a armadura do Homem de Ferro apenas com um toque da mão!

Ben Kingsley: do Oscar ao mico
Existem várias tentativas forçadas de construir sequências engraçadas, mas quase nenhuma delas funciona, principalmente porque já cansou a maneira posada e artificial que Robert Downey Jr. atua no papel principal. Pior ainda é vê-lo tendo aqueles faniquitos histéricos por causa de acontecimentos narrados em "Os Vingadores". 

Dá pena também ver a coitada da Gwyneth Paltrow (outra vencedora do Oscar) dando uma de "mulher-Hulk" no final! A única cena que funciona é a do resgate das pessoas que caíram do avião do presidente dos EUA.

Infestado de efeitos especiais redundantes e acachapantes, a única coisa realmente boa do filme é sua trilha musical composta por Brian Tyler. O mais estranho é que mais essa aberração roliudiana está fazendo grande sucesso entre o público e a crítica. Mais uma prova que o senso crítico das pessoas está cada vez menos desenvolvido...

Cotação: *

quarta-feira, 8 de maio de 2013

Filmes: "Batman: O Cavaleiro das Trevas Ressurge" (atualizado)


BATMAN FASCISTA

O que mais incomoda é terem usado o Batman para tentar denegrir o "Occupy Wall Street", fazendo de Bane e seus discursos contra o sistema uma metáfora dele

- por André Lux, crítico-spam

“O Cavaleiro das Trevas Ressurge” é o mais fraco da trilogia do Batman dirigida por Christopher Nolan. O filme tem sérios problemas, a começar pelo vilão principal Bane, que usa uma máscara que lhe cobre a boca e parte do rosto, o que impede o ator Tom Hardy de se expressar adequadamente (ele também é excessivamente  confiante e posado ao ponto de irritar).

A motivação dos vilões também é uma mera repetição da do primeiro filme, ou seja, eles querem destruir Gotham City para honrar o plano do líder da Liga das Sombras Ras Al Ghoul (Liam Neeson, que aparece numa ponta e em flashbacks). O problema é que para isso dar certo eles inventam um daqueles planos mirabolantes que levam um tempão para serem efetivados e precisam de um monte de coincidências e acidentes para darem certo, a lá “Star Wars – A Ameaça Fantasma”. Por exemplo, fazia parte do plano aprisionar TODOS os policiais de Gotham em túneis subterrâneos depois que Bane detonasse várias bombas espalhadas pela cidade. Só que os policiais só estavam naquele instante nos túneis porque um detetive (Joseph Gordon-Levitt) descobriu, por mero acaso, que estavam sendo colocados explosivos nos subterrâneos.

Também não faz o menor sentido Bruce Wayne (Christian Bale, apático como de costume nessa trilogia) ter suas impressões digitais roubadas e não tomar qualquer atitude em relação a isso, deixando os vilões livres para usá-las como bem entendessem. Existem outras coisas que incomodam, como a sequência onde a mulher-gato usa o celular de um bandido procurado e cinco segundos depois toda a força policial da cidade, inclusive a SWAT, chegam ao local onde ela estava (mais uma barra forçada para que o plano dela desse certo). Outra coisa ridícula é a carta que o comissário Gordon escreve contando todos os podres de Harvey Dent e livrando a cara do Batman, carta essa que vai parar convenientemente nas mãos do vilão.

O filme tem também um sério problema com seu segundo ato, quando o Batman é derrotado por Bane e jogado numa prisão que é um buraco no meio do nada. Enquanto isso, Gotham vira uma espécie de cripto-anarquia, onde os bandidos mandam e provocam o caos. Isso deixa o filme arrastado e tolo, porque jamais o vilão ia deixar o Batman vivo só para ele ficar sofrendo de dores nas costas na prisão-buraco. Sobra então para o espectador contar o tempo em que ele vai se recuperar dos machucados e, obviamente, fugir do buraco e milagrosamente voltar a Gotham City em poucas horas (nada mau para quem estava preso no meio do nada em um país distante e sem um tostão no bolso).

As coisas só voltam a esquentar no final, quando a pancadaria toma conta e a gente esquece os furos no roteiro e se concentra nas cenas de ação muito bem encenadas. Mas infelizmente é pouco para salvar o filme, que padece também da total falta de humor, da mão pesada de Nolan na direção e da trilha musical barulhenta e óbvia do abominável Hans Zimmer.

Todavia, o que mais incomoda no filme é terem usado o Batman para tentar denegrir o movimento "Occupy Wall Street", fazendo de Bane e seus discursos contra o sistema uma metáfora dele. Dessa forma, Batman assume um viés francamente fascista ao se aliar às forças policiais para acabar com o movimento criado pelo vilão que começa com um ataque justamente à Bolsa de Valores de Gotham. Ou seja, Hollywood novamente promove uma completa inversão de valores, alinhando o "Occupy Wall Street" aos bandidos que devem ser combatidos pelas "forças do bem".

No final, as portas são deixadas abertas para uma continuação que certamente virá. Agora é esperar para ver o que vão fazer com a franquia.

Cotação: * *

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Filmes: "Argo"


INTERESSANTE E PERTINENTE

Um ótimo filme que conta uma história completamente inusitada e incrível. Vale a pena assistir

- por André Lux, crítico-spam

Quem diria que o canastrão Ben Affleck iria se transformar num competente cineasta? Pois é isso mesmo que a gente conclui ao assistir a seu último trabalho, “Argo”, que conta uma história real acontecida no Irã no final dos anos 1970, quando o regime ditatorial pró-EUA do xá Reza Pahlavi foi derrubado pela população do pais, depois de décadas de opressão, torturas e assassinatos.

O que torna "Argo" ainda mais interessante e pertinente é o fato de que, no início do filme, é dito em todas as letras que Pahlavi chegou ao poder graças a um golpe de Estado patrocinado pelos EUA e Inglaterra que tirou do poder um governante nacionalista democraticamente eleito só porque ele ousou nacionalizar as reservas de petróleo do país que antes estavam nas mãos de, adivinhem quem?, empresas privadas dos EUA.

Revoltado, o povo do Irã invade a embaixada dos EUA em Teerã e faz seus funcionários reféns enquanto exigem o retorno imediato de Pahlavi, que fugiu para os EUA. Na confusão, seis estadunidenses conseguem fugir e se esconder na casa do embaixador canadense. O problema do governo dos EUA é como agir para tirar seus cidadãos de lá. No meio da pasmaceira geral de um monte de propostas absurdas, entra em cena um agente da CIA feito pelo próprio Ben Affleck com um plano mirabolante: encenar a produção de um filme de ficção científica chamado "Argo" em solo iraniano, da qual os fugitivos fariam parte da equipe.

Posto em execução o plano, o filme segue em ritmo acelerado de suspense a trajetória da trupe comandada pelo agente da CIA em sequências muito bem feitas e convincentes. Lembra muito, inclusive, aqueles ótimos thrillers políticos dos anos 1970. Felizmente, não há qualquer papagaiada pró-EUA e sua política externa intervencionista, fator que poderia arruinar o filme, ainda mais quando o protagonista é um agente da CIA. 

"Argo" também conta com uma ótima trilha musical de Alexandre Desplat e uma edição muito bem feita. No final há até uma singela homenagem a "Star Wars" (eu também tinha todos aqueles bonequinhos!), já que os eventos narrados ocorreram durante o lançamento da saga original. Sem dúvida, um ótimo filme que conta uma história completamente inusitada e incrível. Vale a pena assistir.

Cotação: * * * *

Filmes: "O Lado Bom da Vida"


DESFRUTÁVEL

Não que o filme seja ruim, porém não justifica tamanho prestígio junto à crítica e à Academia de Cinema que o indicou para um monte de prêmios

- por André Lux, crítico-spam

Estranhamente esse filme, que não passa de uma comédia romântica disfarçada de algo mais sério, está concorrendo a diversos prêmios Oscar, inclusive Melhor Filme e Diretor! Mas não é para tudo isso. 

“O Lado Bom da Vida” até que começa bem, mostrando a realidade de um rapaz que é Bipolar e está internado em um hospital psiquiátrico depois que espancou o amante da esposa até quase matá-lo. Esse personagem é feito pelo bonitão e carismático Bradley Cooper (também indicado ao Oscar de melhor ator) que tem aqui seu melhor momento no cinema.

Na primeira parte do filme acompanhamos seu retorno ao lar e sua luta para tentar “voltar ao normal” e reconquistar o amor da ex-esposa. Temos aqui várias cenas de humor negro, quando Pat tem surtos e acorda seus pais (feitos por Robert De Niro e Jackie Weaver, ambos indicados ao Oscar de coadjuvante) de madrugada para reclamar de um livro de Hemingway ou exigir que o ajudem a encontrar o vídeo de seu casamento.

No segundo ato, entra em cena a maluquinha Tiffany, feita com brilhantismo surpreendente por Jennifer Lawrence (que parecia uma mosca morta no péssimo "Jogos Vorazes"), que começa a perseguir o rapaz que, obcecado com a ex-esposa, aceita a aproximação com a promessa da moça de entregar uma carta a ela. Essa é a melhor parte de "O Lado Bom da Vida". Os diálogos entre os dois são muito divertidos, mas também em certa medida tristes, pois deixam claro o quanto ambos tem problemas psiquiátricos para tratar.

Infelizmente, o filme cai muito na terceira parte, quando o novo casal tem que se apresentar num concurso de dança. Daí pra frente, "O Lado Bom da Vida" apela para os mais manjados clichês do gênero "comédia romântica", com um final idêntico ao de "Harry e Sally" (o melhor do gênero até hoje). Todos os problemas psiquiátricos enfrentados pelo rapaz e pela moça são descartados, como que se num passe de mágica fosse possível solucioná-los. Assim, tudo que foi mostrado antes se torna uma grande inutilidade, já que nada do que foi desenvolvido nas duas primeiras partes em relação às patologias do casal chega a algum lugar.

Não que o filme seja ruim, é bem desfrutável, porém não justifica tamanho prestígio junto à crítica e à Academia de Cinema que o indicou para um monte de prêmios.

Cotação: * * *

domingo, 27 de janeiro de 2013

Filmes: "Django Livre" (crítica atualizada)


TARANTINO NÃO É LEONE

Toda criatividade feroz mostrada em “Pulp Fiction” pelo cineasta parece mesmo ter chegado ao fim e ele agora limita-se a tentar imitar a si mesmo sem sucesso

- André Lux, crítico-spam

“Django Livre” é mais uma tremenda bobagem do diretor Quentin Tarantino, ainda pior que “Bastardos Inglórios” que ao menos tinha um certo estilo virtuoso de direção. Aqui, nem isso. 

Tarantino pretendia fazer uma homenagem/paródia dos “spaghetti westerns” (produções italianas baratas que parodiavam os faroestes estadunidenses) e dos filmes de “blaxploitation” que eram protagonizados e realizados por atores e diretores negros nos anos 1970 e tinham como publico alvo, principalmente, os negros, quase sempre colocando como astro vingador um negro que passava o filme todo matando brancos vilões (houve outro filme chamado "Django", estrelado por Franco Nero, que faz ponta aqui na luta dos "mandingos", mas não tem qualquer relação com o de Tarantino). 

É o que faz Jamie Foxx, o Django do título, que após ser libertado da escravidão por um caçador de recompensas, vira seu parceiro e tem passe livre para matar brancos procurados. Mas sua verdadeira missão é resgatar sua esposa que foi vendida para uma fazenda no sul, cujo dono é Leonardo DiCaprio.

A trama é extremamente simples e o filme se arrasta em sequências de muito papo-furado que não chegam a lugar algum. Há coisas simplesmente ridículas, como a parte em que DiCaprio tira um crânio de uma caixa, o serra (!) e fica discursando sobre a inferioridade dos negros. Além disso, a violência é excessiva e gratuita e algumas cenas descambam para a comédia rasgada (como os encapuzados reclamando dos furos para os olhos mal feitos) que parecem ter sido tiradas diretamente de “Banzé no Oeste”, de Mel Brooks, onde o herói também era um negro que virava xerife. 

Isso tira qualquer impacto que Tarantino tenta imprimir em sua denúncia dos absurdos da escravidão e deixa o filme sem foco, capenga, tolo mesmo. Fica até um gosto ruim na boca, como se o cineasta estivesse debochando da escravidão já que usa o tema seríssimo como mero pretexto para brincar de fazer um filme trash, com rios de sangue jorrando a cada tiro.

Há outra coisa que incomoda muito no filme. É a tese defendida por Tarantino de que qualquer pessoa que apoiou ou usufruiu da escravidão pode e deve ser sumariamente executada pelo seu "anjo vingador". É a mesma tese que ele apoiou em "Bastardos Inglórios" em relação aos nazistas e qualquer um que fizesse parte do exército alemão. 

Esse é o tipo de tese moralmente intolerável, pois é fácil hoje julgar e condenar quem se apropriou do trabalho escravo, porém é preciso lembrar que naquela época a escravidão era algo permitido por Lei (no Brasil, por exemplo, a escravidão foi abolida há pouco mais de 100 anos!). Assim, o que propõe Tarantino é que se destrua o Estado Democrático de Direito na base da bala e do assassinato puro e simples (é asquerosa a cena em que Django executa com um tiro a queima roupa a irmã de um fazendeiro escravagista).

Esse é o tipo de raciocínio simplista e imbecil que pode (e já foi ) usado contra qualquer um. É de esquerda? Prende e arrebenta! É muçulmano? Mete bala! É gay? Espanca até a morte. É ateu? Joga na fogueira! E assim por diante. Se as Leis são ruins ou absurdas, cabe à sociedade e seus líderes tentarem mudá-las de forma civilizada. É o que fez o presidente Lincoln nos EUA. 

Só mesmo gente vazia e inconsequente como Tarantino pode mesmo defender esse tipo de abominação só porque é uma celebridade rica e paparicada e, por isso, acha que vive acima do bem e do mal e, mais grave, das Leis. Basta assistir à "Faça a Coisa Certa" do Spike Lee para ver como um tema difícil como o racismo e a opressão dos negros pode ser tratado de forma profunda e multifacetada. Mas Spike Lee é um negro e certamente já sentiu na pele o racismo e, por isso, tem algo a dizer sobre o assunto, enquanto Tarantino é apenas um bobo alegre que gosta de brincar de fazer filmes. Nem mesmo depois da revolução em Cuba, que derrubou um governo ditatorial, os criminosos (torturadores, estupradores e assassinos) foram executados sem antes receberem um julgamento civilizado.

Christoph Waltz, que é sem dúvida um grande ator, repete sua atuação excêntrica de “Bastardos Inglórios” no papel do caçador de recompensas alemão que resolve ajudar Django a libertar sua amada cujo nome é Broomhilda e o remete à lenda de Siegfried de sua terra natal. Tarantino ao menos não nega as origens de suas ideias, principalmente os westerns de Sergio Leone, o que é sempre um gesto de humildade. 

Mas, infelizmente, Tarantino não é Leone (quem duvida assista ao excepcional "Quando Explode a Vingança" para ver como se aborda temas como a opressão e o preconceito de maneira genial) e toda sua criatividade feroz mostrada em “Pulp Fiction” parece mesmo ter chegado ao fim e ele agora limita-se a tentar imitar a si mesmo sem sucesso e com excessiva auto-indulgência. Uma pena.

Cotação: * 1/2

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Filmes: "A Hora Mais Escura"


REPUGNANTE

Se a Sra. Bigelow acredita mesmo que tudo que está sendo contado em seu filme condiz com a realidade dos fatos, então ela teria que no, mínimo, questionar o uso da tortura

- por André Lux, crítico-spam

“A Hora Mais Escura” é um filme simplesmente repugnante. Do começo ao fim. A nova obra da cineasta Kathrin Bigelow e seu roteirista Mark Boal, os mesmos do péssimo “Guerra ao Terror”, querem nos convencer que se trata de um retrato hiper realista do que foi a caçada ao líder do Al Qaeda, Osama Bin Laden, desde os atentados de 11 de setembro de 2001 até a sua suposta morte pelas mãos do exército. A CIA, central de Inteligência estadunidense, todavia nega que o que se vê no filme seja real.

A figura central é a agente da CIA feita pela atriz Jessica Chastain, que está em tudo quanto é filme, mas poderia ter sido feito pelo Arnold Schwarzenegger que o resultado seria o mesmo, já que a personagem é completamente vazia e unidimensional, pintada apenas como uma heroína obcecada em encontrar Bin Laden, mesmo que para isso tenha que recorrer a torturas e deixar de lado sua vida pessoal. E é aí que “A Hora Mais Escura” derrapa feio e torna-se intolerável. Se a Sra. Bigelow acredita mesmo que tudo que está sendo contado em seu filme condiz com a realidade dos fatos, então ela teria que no, mínimo, questionar o uso da tortura como forma válida para se obter informações. Mas, que nada, o filme passa longe disso e o máximo que vemos é a agente feita por Chastain fazendo algumas carinhas de “desconforto” enquanto assiste à longas sessões de torturas, para logo depois ela mesmo comandar suas próprias câmaras de horror.

Não há aqui nenhuma sombra da profundidade e inteligência de filmes como “Syriana” ou mesmo “Três Reis”. A obra mostra apenas o lado dos agentes dos EUA e trata os árabes como os “barbudos sujos e malvados” de sempre. No fundo, “A Hora Mais Escura” não passa de um filme de ação disfarçado de algo mais pretensioso, o que explica a babação de ovo que o filme vem recebendo da crítica, chegando a uma absurda indicação ao Oscar de melhor filme. Mas qualquer pretensão maior que os realizadores tentaram imprimir à obra se desfaz na falta de profundidade e de questionamentos. Afinal, qualquer pessoa minimamente inteligente e bem informada sabe que o suposto assassinato de Osama Bin Laden pode muito bem ter sido uma fraude, senão por que teriam se livrado do corpo tão rapidamente e de forma tão absurda jogando-o no mar, como foi divulgado pelo governo dos EUA na época?

Com suas quase três horas de duração “A Hora Mais Escura” é tecnicamente competente (muito melhor do que a precariedade de “Guerra ao Terror”) e até funciona como um thriller de suspense político que, no final das contas, quer mesmo apenas lavar a alma dos cidadãos estadunidenses mostrando o que teria sido o assassinato puro e simples do “inimigo número 1 dos EUA” pelas mãos dos heróicos soldados do Tio Sam. Infelizmente, a realidade é muito mais complexa e tortuosa do que quer nos fazer crer esse filme infeliz.

Cotação: *

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Filmes: "Lincoln"


MENSALÃO MADE IN U.S.A.

Filme vai chocar puritanos, ingênuos e hipócritas ao descobrirem que a libertação dos negros nos Estados Unidos se deu através da compra de votos, da mentira e da manipulação dos fatos

- por André Lux, crítico-spam

“Lincoln” de Steven Spielberg é uma verdadeira aula de como se faz política no mundo real e é talvez o melhor filme do cineasta desde “A Lista de Schindler”. O roteiro é excepcional e foca-se no início do segundo mandato do presidente estadunidense, justamente quando, em meio a uma sangrenta guerra civil, dedicou-se de corpo e alma para aprovar a emenda constitucional que acabou com a escravidão nos EUA.

O filme vai com certeza chocar puritanos, ingênuos e hipócritas em geral ao descobrirem que a libertação dos negros nos Estados Unidos se deu através da compra de votos de parlamentares (isso mesmo: um “mensalão made in U.S.A.”!), da mentira descarada e da manipulação dos fatos feitas por Lincoln e seus assessores para que a guerra continuasse mesmo quando emissários do Sul estavam a caminho de Washington para propor a paz. Ao que voltamos à velha pergunta retórica que tira o sono de muita gente: afinal, os fins justificam os meios? Valeu a pena abolir a escravidão nos EUA fazendo uso da pura e simples corrupção, da mentira e da manipulação dos fatos? Bem, pergunte isso a alguém como, digamos, Barack Obama, e você talvez tenha a resposta para sua questão...

Esse é o filme mais maduro de Spielberg, que está extremamente contido e fazendo uso de movimentos de câmera discretos, porém precisos, empregando inclusive o termo “negro” abertamente tal qual era usado naquela época e que hoje é considerado ofensivo aos afro-americanos. Ou seja, não tem medo de ser polêmico e de provocar debates, deixando de lado a sua tendência a ser didático e infantilóide que detona a maioria de suas tentativas de fazer filmes para adultos pensantes.

O filme conta com uma extraordinária atuação do grande Daniel Day-Lewis, que não se deu bem em papéis de cunho histórico em filmes como “Gangues de Nova York” e “Sangue Negro” onde perdeu-se em caracterizações descontroladas e caricatas. Seu Abraham Lincoln é impressionante, muito por ser discreto e elegante sem nunca apelar para tiques ou trejeitos manjados, fazendo com que muitas vezes nos esqueçamos de estar diante de um ator e não da figura histórica propriamente dita (ajuda muito também a maquiagem perfeita).

O elenco de coadjuvantes é memorável, a começar por Sally Field, excelente como a primeira-dama que se encontra no limite da sanidade devido à morte do filho mais novo, e Tommy Lee Jones como um congressista que é radicalmente a favor da libertação dos escravos e que precisa, em nome de um bem maior (o fim da escravidão), mudar de posicionamento em uma seção do Congresso ao ser confrontado pela oposição Democrata que deseja fazer uso de suas opiniões radicais em favor da causa dos escravagistas. A belíssima música do mestre John Williams dá o tom do filme, solene e majestosa, sem nunca ser intrusiva.

Vale destacar também que será uma surpresa para muita gente saber que foi o partido Republicano quem liderou a campanha pelo fim da escravidão, enquanto os Democratas lutavam pela manutenção do regime desumano. Isso mesmo, o partido de George W. Bush e afins é que libertou os escravos de seus grilhões! O que será que os dementes do Tea Party teriam a dizer sobre isso hoje, não? Realmente, uma pergunta que não quer calar...

Cotação: * * * * *

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Filmes: "007 - Operação Skyfall"

NÃO É O MELHOR BOND

Filme está longe de ser essa maravilha que pregaram os críticos

- por André Lux, crítico-spam

Vi muitos críticos dizendo que este “Skyfall” era o melhor James Bond de todos os tempos. Só pode ser delírio porque não chega nem perto de alguns da fase áurea de Sean Connery e é mesmo inferior ao primeiro com Daniel Craig no papel de 007, “Cassino Royale”, e até mesmo ao segundo, "Quantum of Solace", que era um filme de esquerda - afinal, James Bond impedia nada menos do que um golpe de Estado contra o presidente nacionalista da Bolívia (Evo Morales?) engendrado pela CIA em conluio com militares golpistas e o vilão que queria explorar os recursos naturais daquele país!

Deve ter contribuído para esse delírio coletivo o fato do filme ser dirigido pelo queridinho da crítica Sam Mendes, um diretor metido a besta que adora fazer filmes pretensiosos e modorrentos. Aqui pelo menos ele não atrapalha muito, já que sua direção é burocrática e não se distingue do resto dos diretores que já levaram as aventuras do agente britânico para o cinema. Sua maior contribuição ao filme foi ter trazido o compositor Thomas Newman para escrever a trilha musical que, embora seja competente, não chega a marcar e fica muito aquém das melhores compostas por John Barry para a franquia.

Não gostei nem um pouco da trama, que envolve o roubo de uma lista de agentes do serviço secreto inglês (velho clichê do gênero) que será usada por um sujeito que parece ser o maior hacker do mundo que, no final das contas, não quer nada além de vingança (outro dos clichês mais batidos do cinema) contra a chefe do MI-6 (Judi Dench). E para isso o vilão bola um daqueles planos mirabolantes que levará anos para ser realizado e que, para der certo, tem que contar com um monte de coincidências que não tinha como ele prever. E para piorar esse vilão é feito pelo espanhol Javier Barden, que é um grande ator, mas está completamente descontrolado e perdido aqui, usando inclusive um ridícula peruca loira. Por sinal, há uma insinuação homossexual entre Barden e Bond que não é explorada a contento.

Loiro bobo
O confronto final com o vilão e sua gangue é totalmente ilógico (e dá-lhe o clichê do herói solitário contra um monte de bandidos) e demonstra apenas a incompetência do 007 que falha no que seria a missão mais importante do filme - e fica tudo por isso mesmo! Há uma trama paralela que pretende questionar a efetividade dos velhos métodos de espionagem do MI-6 e de seus agentes secretos feita pelo parlamento inglês que não chega a lugar algum e serve só para arrastar o filme. Também não convence nem um pouco o novo Q que arrumaram, um moleque metido a besta que também se julga o melhor hacker do planeta e só faz besteira (como conectar o computador do vilão à rede do serviço secreto, fator essencial para que o plano dele funcionasse).

Por sinal, impressiona o nível de incompetência do pessoal do MI-6 neste filme – um deles chega inclusive a balear o 007 no começo do filme, acham que ele está morto e tudo bem (não vão nem atrás do corpo)! Mas é claro que ele não morreu e, depois de passar um tempo curtindo sua aposentadoria forçada à beira da praia, resolve voltar à ativa depois que a M sofre um atentado.

Enfim, está longe de ser essa maravilha que pregaram os críticos. Eu confesso que esperava muito mais e fiquei bastante decepcionado no final. Nem muitas cenas de ação palpitantes e mulheres bonitas, marcas registradas da franquia, o filme tem.

Cotação: * * 1/2

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Filmes: "A Viagem"


PARA ASSISTIR BÊBADO OU CHAPADO

Eu, que o vi o filme de cara limpa, fiquei apenas com sono durante as quase três horas intermináveis de projeção.

- por André Lux, crítico-spam

Olha, fazia tempo que eu não via um filme tão ridículo quanto este “Cloud Atlas”, chamado aqui no Brasil de “A Viagem”. A verdade é que o titulo em português já é a melhor crítica que a obra poderia receber, já que o roteiro deste abacaxi só pode ter sido escrito sob o efeito de alguma droga alucinógena. O fato de ter sido gerado pelos criadores da trilogia “Matrix”, em parceria com diretor de "Corra, Lola, Corra", só aumenta ainda mais a decepção.

A estória, baseado num livro de David Mitchell, é uma colcha de retalhos que mistura espiritismo (reencarnação) com mensagens dignas dos piores clichês de livros de auto-ajuda. São seis tramas paralelas, que alternam passados, presente e futuros distópicos que no final das contas não tem qualquer conexão entre elas, exceto o fato dos atores centrais fazerem múltiplos papeis geralmente escondidos sob grotesca maquiagem (os piores são o Hugo Weaving, o Sr. Smith de “Matrix”, travestido de enfermeira nazista e a oriental tentando se passar por dondoca do sul dos Estados Unidos).

Algumas das estórias não chegam a lugar algum (afinal, o que queriam os Precientes?), outras mal fazem sentido (como a da jornalista feita por Halle Berry que pretende denunciar algo que nunca ficamos sabendo direito o que é), enquanto outras são simplesmente absurdas (o editor que fica preso num asilo, como se aquilo fosse mesmo acontecer na vida real) e o filme vai se arrastando entre diálogos tolos recheados de filosofadas pseudo-profundas e tentativas patéticas de fazer humor (como a briga no bar).

Sr. Smith pagando mico
Não dá para entender como tantos atores de renome, como Tom Hanks, Hugh Grant ou Susan Sarandon, aceitaram participar dessa bomba. Talvez o fato de poderem interpretar múltiplos personagens seja algo que os atraia, vai saber... Há algumas citações a filmes cultuados de ficção científica, como “Fuga do Século 23” ("Logan's Run"), “No Mundo de 2020” ("Soylent Green", com Charlton Heston) e até mesmo “Matrix”, mas tudo se perde na canastrice geral das interpretações e no roteiro capenga. 

Por sinal, o roteiro é tão ruim que algumas ideias interessantes, tipo aquela marca de nascença que alguns personagens tem em comum, são simplesmente deixadas de lado sem maiores consequências. O que dizer então da tão falada sinfonia que dá nome ao filme da qual não ouvimos nada além de um dedilhar no piano? Não se salvam nem o desenho de produção ou algum outro aspecto técnico (aquele bar futurista, por exemplo, parece coisa de desfile de escola de samba). 

Talvez o filme melhore se você o assistir bêbado ou chapado. Mas eu, que o vi de cara limpa, fiquei apenas com sono durante as quase três horas intermináveis de projeção.

Cotação: *