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domingo, 5 de maio de 2013
domingo, 3 de março de 2013
sexta-feira, 1 de março de 2013
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
Filmes: "Argo"
INTERESSANTE E PERTINENTE
Um ótimo filme que conta uma história completamente inusitada e incrível.
Vale a pena assistir
- por André Lux, crítico-spam
Quem diria que o canastrão Ben Affleck iria se transformar num competente
cineasta? Pois é isso mesmo que a gente conclui ao assistir a seu último
trabalho, “Argo”, que conta uma história real acontecida no Irã no final dos
anos 1970, quando o regime ditatorial pró-EUA do xá Reza Pahlavi foi derrubado
pela população do pais, depois de décadas de opressão, torturas e assassinatos.
O que torna "Argo" ainda mais interessante e pertinente é o fato de que, no
início do filme, é dito em todas as letras que Pahlavi chegou ao poder graças a
um golpe de Estado patrocinado pelos EUA e Inglaterra que tirou do poder um
governante nacionalista democraticamente eleito só porque ele ousou nacionalizar
as reservas de petróleo do país que antes estavam nas mãos de, adivinhem quem?, empresas privadas dos EUA.
Revoltado, o povo do Irã invade a embaixada dos EUA em Teerã e faz seus
funcionários reféns enquanto exigem o retorno imediato de Pahlavi, que fugiu
para os EUA. Na confusão, seis estadunidenses conseguem fugir e se esconder na
casa do embaixador canadense. O problema do governo dos EUA é como agir para
tirar seus cidadãos de lá. No meio da pasmaceira geral de um monte de propostas
absurdas, entra em cena um agente da CIA feito pelo próprio Ben Affleck com um
plano mirabolante: encenar a produção de um filme de ficção científica chamado
"Argo" em solo iraniano, da qual os fugitivos fariam parte da equipe.
Posto em execução o plano, o filme segue em ritmo acelerado de suspense a
trajetória da trupe comandada pelo agente da CIA em sequências muito bem feitas
e convincentes. Lembra muito, inclusive, aqueles ótimos thrillers políticos dos
anos 1970. Felizmente, não há qualquer papagaiada pró-EUA e sua política externa
intervencionista, fator que poderia arruinar o filme, ainda mais quando o
protagonista é um agente da CIA.
"Argo" também conta com uma ótima trilha
musical de Alexandre Desplat e uma edição muito bem feita. No final há até uma
singela homenagem a "Star Wars" (eu também tinha todos aqueles bonequinhos!), já
que os eventos narrados ocorreram durante o lançamento da saga original. Sem
dúvida, um ótimo filme que conta uma história completamente inusitada e
incrível. Vale a pena assistir.
Cotação: * * * *
Filmes: "O Lado Bom da Vida"
DESFRUTÁVEL
Não que o filme seja ruim, porém não justifica tamanho prestígio junto à
crítica e à Academia de Cinema que o indicou para um monte de prêmios
- por André Lux, crítico-spam
Estranhamente esse filme, que não passa de uma comédia romântica disfarçada
de algo mais sério, está concorrendo a diversos prêmios Oscar, inclusive Melhor
Filme e Diretor! Mas não é para tudo isso.
“O Lado Bom da Vida” até que começa bem, mostrando a realidade de um rapaz que é Bipolar e está internado em um hospital psiquiátrico depois que espancou o amante da esposa até quase matá-lo. Esse personagem é feito pelo bonitão e carismático Bradley Cooper (também indicado ao Oscar de melhor ator) que tem aqui seu melhor momento no cinema.
“O Lado Bom da Vida” até que começa bem, mostrando a realidade de um rapaz que é Bipolar e está internado em um hospital psiquiátrico depois que espancou o amante da esposa até quase matá-lo. Esse personagem é feito pelo bonitão e carismático Bradley Cooper (também indicado ao Oscar de melhor ator) que tem aqui seu melhor momento no cinema.
Na primeira parte do filme acompanhamos seu retorno ao lar e sua luta para
tentar “voltar ao normal” e reconquistar o amor da ex-esposa. Temos aqui várias
cenas de humor negro, quando Pat tem surtos e acorda seus pais (feitos por
Robert De Niro e Jackie Weaver, ambos indicados ao Oscar de coadjuvante) de
madrugada para reclamar de um livro de Hemingway ou exigir que o ajudem a
encontrar o vídeo de seu casamento.
No segundo ato, entra em cena a maluquinha Tiffany, feita com brilhantismo
surpreendente por Jennifer Lawrence (que parecia uma mosca morta no péssimo
"Jogos Vorazes"), que começa a perseguir o rapaz que, obcecado com a ex-esposa,
aceita a aproximação com a promessa da moça de entregar uma carta a ela. Essa é
a melhor parte de "O Lado Bom da Vida". Os diálogos entre os dois são muito
divertidos, mas também em certa medida tristes, pois deixam claro o quanto ambos
tem problemas psiquiátricos para tratar.
Infelizmente, o filme cai muito na terceira parte, quando o novo casal tem
que se apresentar num concurso de dança. Daí pra frente, "O Lado Bom da Vida"
apela para os mais manjados clichês do gênero "comédia romântica", com um final
idêntico ao de "Harry e Sally" (o melhor do gênero até hoje). Todos os problemas
psiquiátricos enfrentados pelo rapaz e pela moça são descartados, como que se num
passe de mágica fosse possível solucioná-los. Assim, tudo que foi mostrado antes
se torna uma grande inutilidade, já que nada do que foi desenvolvido nas duas
primeiras partes em relação às patologias do casal chega a algum lugar.
Não que o filme seja ruim, é bem desfrutável, porém não justifica tamanho
prestígio junto à crítica e à Academia de Cinema que o indicou para um monte de
prêmios.
Cotação: * * *
domingo, 27 de janeiro de 2013
Filmes: "Django Livre" (crítica atualizada)
TARANTINO NÃO É LEONE
Toda criatividade feroz mostrada em “Pulp Fiction” pelo cineasta parece
mesmo ter chegado ao fim e ele agora limita-se a tentar imitar a si mesmo sem
sucesso
- André Lux, crítico-spam
“Django Livre” é mais uma tremenda bobagem do diretor Quentin Tarantino, ainda pior que “Bastardos Inglórios” que ao menos tinha um certo estilo virtuoso de direção. Aqui, nem isso.
Tarantino pretendia fazer uma homenagem/paródia dos “spaghetti westerns” (produções italianas baratas que parodiavam os faroestes estadunidenses) e dos filmes de “blaxploitation” que eram protagonizados e realizados por atores e diretores negros nos anos 1970 e tinham como publico alvo, principalmente, os negros, quase sempre colocando como astro vingador um negro que passava o filme todo matando brancos vilões (houve outro filme chamado "Django", estrelado por Franco Nero, que faz ponta aqui na luta dos "mandingos", mas não tem qualquer relação com o de Tarantino).
É o que faz Jamie Foxx, o Django do título, que após ser libertado da escravidão por um caçador de recompensas, vira seu parceiro e tem passe livre para matar brancos procurados. Mas sua verdadeira missão é resgatar sua esposa que foi vendida para uma fazenda no sul, cujo dono é Leonardo DiCaprio.
A trama é extremamente simples e o filme se arrasta em sequências de muito papo-furado que não chegam a lugar algum. Há coisas simplesmente ridículas, como a parte em que DiCaprio tira um crânio de uma caixa, o serra (!) e fica discursando sobre a inferioridade dos negros. Além disso, a violência é excessiva e gratuita e algumas cenas descambam para a comédia rasgada (como os encapuzados reclamando dos furos para os olhos mal feitos) que parecem ter sido tiradas diretamente de “Banzé no Oeste”, de Mel Brooks, onde o herói também era um negro que virava xerife.
Isso tira qualquer impacto que Tarantino tenta imprimir em sua denúncia dos absurdos da escravidão e deixa o filme sem foco, capenga, tolo mesmo. Fica até um gosto ruim na boca, como se o cineasta estivesse debochando da escravidão já que usa o tema seríssimo como mero pretexto para brincar de fazer um filme trash, com rios de sangue jorrando a cada tiro.
Há outra coisa que incomoda muito no filme. É a tese defendida por Tarantino de que qualquer pessoa que apoiou ou usufruiu da escravidão pode e deve ser sumariamente executada pelo seu "anjo vingador". É a mesma tese que ele apoiou em "Bastardos Inglórios" em relação aos nazistas e qualquer um que fizesse parte do exército alemão.
Há outra coisa que incomoda muito no filme. É a tese defendida por Tarantino de que qualquer pessoa que apoiou ou usufruiu da escravidão pode e deve ser sumariamente executada pelo seu "anjo vingador". É a mesma tese que ele apoiou em "Bastardos Inglórios" em relação aos nazistas e qualquer um que fizesse parte do exército alemão.
Esse é o tipo de tese moralmente intolerável, pois é fácil hoje julgar e condenar quem se apropriou do trabalho escravo, porém é preciso lembrar que naquela época a escravidão era algo permitido por Lei (no Brasil, por exemplo, a escravidão foi abolida há pouco mais de 100 anos!). Assim, o que propõe Tarantino é que se destrua o Estado Democrático de Direito na base da bala e do assassinato puro e simples (é asquerosa a cena em que Django executa com um tiro a queima roupa a irmã de um fazendeiro escravagista).
Esse é o tipo de raciocínio simplista e imbecil que pode (e já foi ) usado contra qualquer um. É de esquerda? Prende e arrebenta! É muçulmano? Mete bala! É gay? Espanca até a morte. É ateu? Joga na fogueira! E assim por diante. Se as Leis são ruins ou absurdas, cabe à sociedade e seus líderes tentarem mudá-las de forma civilizada. É o que fez o presidente Lincoln nos EUA.
Esse é o tipo de raciocínio simplista e imbecil que pode (e já foi ) usado contra qualquer um. É de esquerda? Prende e arrebenta! É muçulmano? Mete bala! É gay? Espanca até a morte. É ateu? Joga na fogueira! E assim por diante. Se as Leis são ruins ou absurdas, cabe à sociedade e seus líderes tentarem mudá-las de forma civilizada. É o que fez o presidente Lincoln nos EUA.
Só mesmo gente vazia e inconsequente como Tarantino pode mesmo defender esse tipo de abominação só porque é uma celebridade rica e paparicada e, por isso, acha que vive acima do bem e do mal e, mais grave, das Leis. Basta assistir à "Faça a Coisa Certa" do Spike Lee para ver como um tema difícil como o racismo e a opressão dos negros pode ser tratado de forma profunda e multifacetada. Mas Spike Lee é um negro e certamente já sentiu na pele o racismo e, por isso, tem algo a dizer sobre o assunto, enquanto Tarantino é apenas um bobo alegre que gosta de brincar de fazer filmes. Nem mesmo depois da revolução em Cuba, que derrubou um governo ditatorial, os criminosos (torturadores, estupradores e assassinos) foram executados sem antes receberem um julgamento civilizado.
Christoph Waltz, que é sem dúvida um grande ator, repete sua atuação excêntrica de “Bastardos Inglórios” no papel do caçador de recompensas alemão que resolve ajudar Django a libertar sua amada cujo nome é Broomhilda e o remete à lenda de Siegfried de sua terra natal. Tarantino ao menos não nega as origens de suas ideias, principalmente os westerns de Sergio Leone, o que é sempre um gesto de humildade.
Mas, infelizmente, Tarantino não é Leone (quem duvida assista ao excepcional "Quando Explode a Vingança" para ver como se aborda temas como a opressão e o preconceito de maneira genial) e toda sua criatividade feroz mostrada em “Pulp Fiction” parece mesmo ter chegado ao fim e ele agora limita-se a tentar imitar a si mesmo sem sucesso e com excessiva auto-indulgência. Uma pena.
Cotação: * 1/2
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
Filmes: "A Hora Mais Escura"
REPUGNANTE
Se a Sra. Bigelow acredita mesmo que tudo que está sendo contado em seu
filme condiz com a realidade dos fatos, então ela teria que no, mínimo,
questionar o uso da tortura
- por André Lux, crítico-spam
“A Hora Mais Escura” é um filme simplesmente repugnante. Do começo ao fim.
A nova obra da cineasta Kathrin Bigelow e seu roteirista Mark Boal, os mesmos do
péssimo “Guerra ao Terror”, querem nos convencer que se trata de um retrato
hiper realista do que foi a caçada ao líder do Al Qaeda, Osama Bin Laden, desde
os atentados de 11 de setembro de 2001 até a sua suposta morte pelas mãos do
exército. A CIA, central de Inteligência estadunidense, todavia nega que o que
se vê no filme seja real.
A figura central é a agente da CIA feita pela atriz Jessica Chastain, que
está em tudo quanto é filme, mas poderia ter sido feito pelo Arnold
Schwarzenegger que o resultado seria o mesmo, já que a personagem é
completamente vazia e unidimensional, pintada apenas como uma heroína obcecada
em encontrar Bin Laden, mesmo que para isso tenha que recorrer a torturas e
deixar de lado sua vida pessoal. E é aí que “A Hora Mais Escura” derrapa feio e
torna-se intolerável. Se a Sra. Bigelow acredita mesmo que tudo que está sendo
contado em seu filme condiz com a realidade dos fatos, então ela teria que no,
mínimo, questionar o uso da tortura como forma válida para se obter informações.
Mas, que nada, o filme passa longe disso e o máximo que vemos é a agente feita
por Chastain fazendo algumas carinhas de “desconforto” enquanto assiste à longas
sessões de torturas, para logo depois ela mesmo comandar suas próprias câmaras
de horror.
Não há aqui nenhuma sombra da profundidade e inteligência de filmes como
“Syriana” ou mesmo “Três Reis”. A obra mostra apenas o lado dos agentes dos EUA
e trata os árabes como os “barbudos sujos e malvados” de sempre. No fundo, “A
Hora Mais Escura” não passa de um filme de ação disfarçado de algo mais
pretensioso, o que explica a babação de ovo que o filme vem recebendo da
crítica, chegando a uma absurda indicação ao Oscar de melhor filme. Mas qualquer
pretensão maior que os realizadores tentaram imprimir à obra se desfaz na falta
de profundidade e de questionamentos. Afinal, qualquer pessoa minimamente
inteligente e bem informada sabe que o suposto assassinato de Osama Bin Laden
pode muito bem ter sido uma fraude, senão por que teriam se livrado do corpo tão
rapidamente e de forma tão absurda jogando-o no mar, como foi divulgado pelo
governo dos EUA na época?
Com suas quase três horas de duração “A Hora Mais Escura” é tecnicamente
competente (muito melhor do que a precariedade de “Guerra ao Terror”) e até
funciona como um thriller de suspense político que, no final das contas, quer
mesmo apenas lavar a alma dos cidadãos estadunidenses mostrando o que teria sido
o assassinato puro e simples do “inimigo número 1 dos EUA” pelas mãos dos heróicos soldados do Tio Sam. Infelizmente, a
realidade é muito mais complexa e tortuosa do que quer nos fazer crer esse filme
infeliz.
Cotação: *
segunda-feira, 14 de janeiro de 2013
Filmes: "Lincoln"
MENSALÃO MADE IN U.S.A.
Filme vai chocar puritanos, ingênuos e hipócritas ao descobrirem que a
libertação dos negros nos Estados Unidos se deu através da compra de votos, da mentira e da manipulação dos fatos
- por André Lux, crítico-spam
“Lincoln” de Steven Spielberg é uma verdadeira aula de como se faz política
no mundo real e é talvez o melhor filme do cineasta desde “A Lista de
Schindler”. O roteiro é excepcional e foca-se no início do segundo mandato do
presidente estadunidense, justamente quando, em meio a uma sangrenta guerra
civil, dedicou-se de corpo e alma para aprovar a emenda constitucional que
acabou com a escravidão nos EUA.
O filme vai com certeza chocar puritanos, ingênuos e hipócritas em geral ao
descobrirem que a libertação dos negros nos Estados Unidos se deu através da
compra de votos de parlamentares (isso mesmo: um “mensalão made in
U.S.A.”!), da mentira descarada e da manipulação dos fatos feitas por Lincoln e
seus assessores para que a guerra continuasse mesmo quando emissários do Sul
estavam a caminho de Washington para propor a paz. Ao que voltamos à velha
pergunta retórica que tira o sono de muita gente: afinal, os fins justificam os
meios? Valeu a pena abolir a escravidão nos EUA fazendo uso da pura e simples
corrupção, da mentira e da manipulação dos fatos? Bem, pergunte isso a alguém como,
digamos, Barack Obama, e você talvez tenha a resposta para sua questão...
Esse é o filme mais maduro de Spielberg, que está extremamente contido e
fazendo uso de movimentos de câmera discretos, porém precisos, empregando
inclusive o termo “negro” abertamente tal qual era usado naquela época e que
hoje é considerado ofensivo aos afro-americanos. Ou seja, não tem medo de ser
polêmico e de provocar debates, deixando de lado a sua tendência a ser didático e
infantilóide que detona a maioria de suas tentativas de fazer filmes para
adultos pensantes.
O filme conta com uma extraordinária atuação do grande Daniel Day-Lewis,
que não se deu bem em papéis de cunho histórico em filmes como “Gangues de Nova
York” e “Sangue Negro” onde perdeu-se em caracterizações descontroladas e
caricatas. Seu Abraham Lincoln é impressionante, muito por ser discreto e
elegante sem nunca apelar para tiques ou trejeitos manjados, fazendo com que
muitas vezes nos esqueçamos de estar diante de um ator e não da figura histórica
propriamente dita (ajuda muito também a maquiagem perfeita).
O elenco de coadjuvantes é memorável, a começar por Sally Field, excelente
como a primeira-dama que se encontra no limite da sanidade devido à morte do filho mais novo, e Tommy Lee Jones como um congressista que é radicalmente
a favor da libertação dos escravos e que precisa, em nome de um bem maior (o fim
da escravidão), mudar de posicionamento em uma seção do Congresso ao ser
confrontado pela oposição Democrata que deseja fazer uso de suas opiniões
radicais em favor da causa dos escravagistas. A belíssima música do mestre John
Williams dá o tom do filme, solene e majestosa, sem nunca ser intrusiva.
Vale destacar também que será uma surpresa para muita gente saber que foi o
partido Republicano quem liderou a campanha pelo fim da escravidão, enquanto os
Democratas lutavam pela manutenção do regime desumano. Isso mesmo, o partido de
George W. Bush e afins é que libertou os escravos de seus grilhões! O que será
que os dementes do Tea Party teriam a dizer sobre isso hoje, não? Realmente, uma
pergunta que não quer calar...
Cotação: * * * * *
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
Filmes: "007 - Operação Skyfall"
NÃO É O MELHOR BOND
Filme está longe de ser essa maravilha que pregaram os críticos
- por André Lux, crítico-spam
Vi muitos críticos dizendo que este “Skyfall” era o melhor James Bond de
todos os tempos. Só pode ser delírio porque não chega nem perto de alguns da
fase áurea de Sean Connery e é mesmo inferior ao primeiro com Daniel Craig no
papel de 007, “Cassino Royale”, e até mesmo ao segundo, "Quantum of Solace", que era um filme de esquerda - afinal, James Bond impedia nada menos do que um golpe de Estado contra o presidente nacionalista da Bolívia (Evo Morales?) engendrado pela CIA em conluio com militares golpistas e o vilão que queria explorar os recursos naturais daquele país!
Deve ter contribuído para esse delírio coletivo o fato do filme ser
dirigido pelo queridinho da crítica Sam Mendes, um diretor metido a besta que
adora fazer filmes pretensiosos e modorrentos. Aqui pelo menos ele não atrapalha
muito, já que sua direção é burocrática e não se distingue do resto dos
diretores que já levaram as aventuras do agente britânico para o cinema. Sua
maior contribuição ao filme foi ter trazido o compositor Thomas Newman para
escrever a trilha musical que, embora seja competente, não chega a marcar e fica
muito aquém das melhores compostas por John Barry para a franquia.
Não gostei nem um pouco da trama, que envolve o roubo de uma lista de
agentes do serviço secreto inglês (velho clichê do gênero) que será usada por um
sujeito que parece ser o maior hacker do mundo que, no final das contas, não
quer nada além de vingança (outro dos clichês mais batidos do cinema) contra a
chefe do MI-6 (Judi Dench). E para isso o vilão bola um daqueles planos
mirabolantes que levará anos para ser realizado e que, para der certo, tem que
contar com um monte de coincidências que não tinha como ele prever. E para
piorar esse vilão é feito pelo espanhol Javier Barden, que é um grande ator, mas
está completamente descontrolado e perdido aqui, usando inclusive um ridícula
peruca loira. Por sinal, há uma insinuação homossexual entre Barden e Bond que não é
explorada a contento.
![]() |
| Loiro bobo |
O confronto final com o vilão e sua gangue é totalmente ilógico (e dá-lhe o
clichê do herói solitário contra um monte de bandidos) e demonstra apenas a
incompetência do 007 que falha no que seria a missão mais importante do filme
- e fica tudo por isso mesmo! Há uma trama paralela que pretende questionar a
efetividade dos velhos métodos de espionagem do MI-6 e de seus agentes secretos
feita pelo parlamento inglês que não chega a lugar algum e serve só para
arrastar o filme. Também não convence nem um pouco o novo Q que arrumaram, um
moleque metido a besta que também se julga o melhor hacker do planeta e só faz
besteira (como conectar o computador do vilão à rede do serviço secreto, fator essencial para que o plano dele funcionasse).
Por sinal, impressiona o nível de incompetência do pessoal do MI-6 neste
filme – um deles chega inclusive a balear o 007 no começo do filme, acham que
ele está morto e tudo bem (não vão nem atrás do corpo)! Mas é claro que ele não
morreu e, depois de passar um tempo curtindo sua aposentadoria forçada à beira
da praia, resolve voltar à ativa depois que a M sofre um atentado.
Enfim, está longe de ser essa maravilha que pregaram os críticos. Eu
confesso que esperava muito mais e fiquei bastante decepcionado no final. Nem muitas cenas de ação palpitantes e mulheres bonitas, marcas registradas da franquia, o filme tem.
Cotação: * * 1/2
sexta-feira, 4 de janeiro de 2013
Filmes: "A Viagem"
PARA ASSISTIR BÊBADO OU CHAPADO
Eu, que o vi o filme de cara limpa, fiquei apenas com sono durante as quase
três horas intermináveis de projeção.
- por André Lux, crítico-spam
Olha, fazia tempo que eu não via um filme tão ridículo quanto este “Cloud
Atlas”, chamado aqui no Brasil de “A Viagem”. A verdade é que o titulo em
português já é a melhor crítica que a obra poderia receber, já que o roteiro
deste abacaxi só pode ter sido escrito sob o efeito de alguma droga alucinógena.
O fato de ter sido gerado pelos criadores da trilogia “Matrix”, em parceria com diretor de "Corra, Lola, Corra", só aumenta ainda
mais a decepção.
A estória, baseado num livro de David Mitchell, é uma colcha de retalhos que mistura espiritismo (reencarnação)
com mensagens dignas dos piores clichês de livros de auto-ajuda. São seis tramas
paralelas, que alternam passados, presente e futuros distópicos que no final das contas não
tem qualquer conexão entre elas, exceto o fato dos atores centrais fazerem
múltiplos papeis geralmente escondidos sob grotesca maquiagem (os piores são o Hugo
Weaving, o Sr. Smith de “Matrix”, travestido de enfermeira nazista e a oriental tentando se passar por dondoca do sul dos Estados Unidos).
Algumas das estórias não chegam a lugar algum (afinal, o que queriam os
Precientes?), outras mal fazem sentido (como a da jornalista feita por Halle
Berry que pretende denunciar algo que nunca ficamos sabendo
direito o que é), enquanto outras são simplesmente absurdas (o editor que fica
preso num asilo, como se aquilo fosse mesmo acontecer na vida real) e o filme
vai se arrastando entre diálogos tolos recheados de filosofadas pseudo-profundas
e tentativas patéticas de fazer humor (como a briga no bar).
Não dá para entender como tantos atores de renome, como Tom Hanks, Hugh Grant ou Susan Sarandon, aceitaram participar dessa bomba. Talvez o fato de poderem interpretar múltiplos personagens seja algo que os atraia, vai saber... Há algumas citações a filmes cultuados de ficção científica, como “Fuga do
Século 23” ("Logan's Run"), “No Mundo de 2020” ("Soylent Green", com Charlton Heston) e até mesmo “Matrix”, mas tudo se perde na
canastrice geral das interpretações e no roteiro capenga.
![]() |
| Sr. Smith pagando mico |
Por sinal, o roteiro é tão ruim que algumas ideias interessantes, tipo aquela marca de nascença que alguns personagens tem em comum, são simplesmente deixadas de lado sem maiores consequências. O que dizer então da tão falada sinfonia que dá nome ao filme da qual não ouvimos nada além de um dedilhar no piano? Não se salvam nem o
desenho de produção ou algum outro aspecto técnico (aquele bar futurista, por exemplo, parece coisa de desfile de escola de samba).
Talvez o filme melhore se você o assistir bêbado ou chapado. Mas eu, que o
vi de cara limpa, fiquei apenas com sono durante as quase três horas
intermináveis de projeção.
Cotação: *
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
Filmes: "O Hobbit: Uma Jornada Inesperada"
MUITO PÃO PARA POUCA MANTEIGA
O primeiro capítulo de “O Hobbit” é indefensavelmente longo
(quase três horas de duração) e a trama é visivelmente esticada além da conta.
- por André Lux, crítico-spam
Sou grande admirador da trilogia “O Senhor dos Anéis” do
diretor Peter Jackson, adaptação primorosa da gigantesca obra de Tolkien que
muitos consideravam infilmável até então. Chega então a nova adaptação de outra
obra do mesmo autor, pelas mãos do mesmo Jackson: “O Hobbit” que numa decisão
polêmica foi dividido em três filmes.
Apesar de ser sempre um prazer poder voltar à Terra Média, a
divisão de “O Hobbit” em três filmes gera sérios problemas. Primeiro porque o
livro não é grande o suficiente para tamanha empreitada. Em segundo lugar, “O
Hobbit” não é uma obra densa e séria como a trilogia “O Senhor dos Anéis”. Está
muito mais para um livro infantil e as tentativas de Jackson em deixar o filme
pesado e profundo como os outros ficam forçadas e não convencem.
O primeiro capítulo, “Uma Jornada Inesperada”, é
indefensavelmente longo (quase três horas de duração) e a trama é visivelmente
esticada além da conta, “como manteiga que foi espalhada num pedaço muito
grande de pão”, como diz o próprio Bilbo em “A Sociedade do Anel”.
O que mais incomoda são as cenas de ação e lutas, esticadas e
redundantes demais, além de ser triste ver Jackson se render à histeria e ao
excesso de monstros e efeitos visuais, mesmo pecado de George Lucas nos “prequels”
de “Star Wars”. O pior momento é quando a tropa de anões e Gandalf caem
centenas de metros numa ponte e saem ilesos. Esse tipo de situação destrói a
credibilidade e enfraquece o suspense, pois pinta os protagonistas como invencíveis.
Por causa dessa confusão toda, nem mesmo a trilha do genial
Howard Shore chega a ser inspirada, apesar de ter vários bons momentos e ao
menos manter o mesmo nível de qualidade musical da trilogia “O Senhor dos Anéis”.
É lamentável que Peter Jackson tenha se deixado contaminar
pela política caça-níqueis dos estúdios e agora seja obrigado a transformar “O
Hobbit” em algo que a obra original não é. Não que o filme seja um desastre, longe
disso, porém com a longa duração e a redundância de cenas de luta acaba se
tornando cansativo em vários momentos. Enfim, vamos aguardar as continuações,
mas já sabendo que a qualidade final do produto foi prejudicada por decisões
meramente mercantis.
Cotação: * * *
quarta-feira, 7 de novembro de 2012
Filmes: "Abril Despedaçado"
PRETENSÃO DEMAIS
Embora técnicamente brilhante, filme peca pelo excesso de maneirismos e pela falta de um final realmente forte e impactante
- por André Lux, crítico-spam
Depois do impressionante (e merecido) sucesso de CENTRAL DO
BRASIL no mundo inteiro, o diretor Walter Salles resolveu adaptar para o sertão
nordestino um livro de Ismail Kadaré que se passa nos Balcãs e narra a história
de duas famílias rivais que se matam em nome da honra e do "olho por
olho".
O roteiro narra o momento em que o filho mais velho dos
miseráveis Breves (Rodrigo Santoro, que tem cara de tudo menos de nordestino
miserável) tem que matar o assassino de seu irmão, perpetuando assim o ciclo de
bestialidade e vingança que rege a vida deles. O único que se revolta contra
isso tudo é o caçula (Ravi Ramos Lacerda) que é resposável por uma das melhores
falas do filme: "Em terra de cego, quem tem olho o pessoal acha que é
doido!".
Apesar da trama forte e pertinente (que poderia ter rendido
um excelente paralelo com a vida moderna), os realizadores de ABRIL DESPEDAÇADO
optaram por uma aproximação calculadamente fria, construída sobre emoções
contidas e cenografia altamente estilizada. Tudo isso com um único motivo:
preparar o caminho para o final que deveria trazer uma explosão de emoções,
causando assim a redenção dos personagens e, de quebra, do espectador.
Infelizmente, Salles falhou na conclusão e com ele foi a
pretensão de transformar ABRIL DESPEDAÇADO em um novo CENTRAL DO BRASIL, que
era emocionante justamente por ser singelo e honesto. Aqui tudo é friamente
calculado para parecer distante e árido, inclusive o sofrimento e a dor dos
personagens. Se José Dumont dá um banho de interpretação no papel do patriarca
dos Breves, homem duro e ignorante, o mesmo não se pode dizer do resto do
elenco, onde o maior problema é justamente o impassível Santoro que falha em
sua cena chave e compromete o filme deixando claro que ainda não tem condições
de levar um roteiro desses nas costas.
Embora técnicamente brilhante, onde os destaques são a
fotografia do mestre Walter Carvalho e a música de Antônio Pinto, ABRIL
DESPEDAÇADO peca justamente pelo excesso de maneirismos e pela falta de um
final realmente forte e impactante que justifique tamanha pretensão. Uma pena.
Cotação: **1/2
domingo, 16 de setembro de 2012
Filmes: "Frida"
RETRATO DESPUDORADO
Cinebiografia de Frida Kahlo é o antídoto contra filmes pretensiosos e modorrentos
- por André Lux, crítico-spam
FRIDA, da diretora Julie Taymor (do brilhante, mas irregular TITUS), é um excelente retrato da vida e obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Despudorado, politicamente incorreto, extremamente colorido e quente, mostra sem concessões a trajetória dessa mulher despojada e forte em sua luta constante para superar todo tipo de obstáculos, de um acidente que a deixou praticamente aleijada às constantes traições do marido.
Produzido com baixo orçamento, mas com muito talento e criatividade, o filme é uma conquista da atriz mexicana Salma Hayeck, cuja luta e garra para realizá-lo estão impressos em praticamente cada fotograma, espelhando inclusive a vida da protagonista. Hayeck demonstra também surpreendente talento na pela de Frida, colocando em evidência o caráter turbulento da pintora (impresso em sua obra controversa), mas sem deixar de lado seu lado mais humano e fragilizado. Nada mal para quem começou a carreira enroscando-se seminua em uma cobra gigante no "trash" UM DRINK NO INFERNO, de Tarantino e Rodriguez!
Merece destaque também a atuação de Alfred Molina, como o artista Diego Rivera, marido de Frida e comunista, a trilha musical premiada com o Oscar de Elliot Goldenthal (ALIEN³, FINAL FANTASY), usando e abusando de temas "calientes" e menos atonal do que de costume, bem como as animações que fundem as pinturas de Frida com os atores, em diversas situações importantes na vida da artista.
FRIDA acaba sendo uma espécie de "antídoto" contra filmes pretensiosos e depressivos como AS HORAS, no qual pessoas regredidas e mal resolvidas sexualmente destilam suas frustrações e recalques em discursos superficiais e modorrentos. Já a pintora mexicana, tal qual é retratada no filme em questão, é exatamente o oposto disso. Firme, decidida e madura, Frida busca a superação de suas limitações em todos os momentos de sua realmente sofrida existência, assumindo as responsabilidades e as conseqüências de seus atos. Não é a toa, portanto, que conquistou corações e mentes de tantos homens e mulheres (era bissexual assumida), mesmo sendo relativamente feia e possuindo bigode e sobrancelhas cerradas.
Infelizmente, não fez o sucesso merecido, talvez por ter sido lançado modestamente e por causa da resistência natural que a maioria das pessoas tem contra personagens fortes, bem resolvidos e despudorados como a pintora mexicana. O que é uma pena. Mas o tempo acabará fazendo justiça a esse excelente trabalho, que merece ser descoberto.
Cotação: * * * *
Cinebiografia de Frida Kahlo é o antídoto contra filmes pretensiosos e modorrentos
- por André Lux, crítico-spam
FRIDA, da diretora Julie Taymor (do brilhante, mas irregular TITUS), é um excelente retrato da vida e obra da pintora mexicana Frida Kahlo. Despudorado, politicamente incorreto, extremamente colorido e quente, mostra sem concessões a trajetória dessa mulher despojada e forte em sua luta constante para superar todo tipo de obstáculos, de um acidente que a deixou praticamente aleijada às constantes traições do marido.
Produzido com baixo orçamento, mas com muito talento e criatividade, o filme é uma conquista da atriz mexicana Salma Hayeck, cuja luta e garra para realizá-lo estão impressos em praticamente cada fotograma, espelhando inclusive a vida da protagonista. Hayeck demonstra também surpreendente talento na pela de Frida, colocando em evidência o caráter turbulento da pintora (impresso em sua obra controversa), mas sem deixar de lado seu lado mais humano e fragilizado. Nada mal para quem começou a carreira enroscando-se seminua em uma cobra gigante no "trash" UM DRINK NO INFERNO, de Tarantino e Rodriguez!
Merece destaque também a atuação de Alfred Molina, como o artista Diego Rivera, marido de Frida e comunista, a trilha musical premiada com o Oscar de Elliot Goldenthal (ALIEN³, FINAL FANTASY), usando e abusando de temas "calientes" e menos atonal do que de costume, bem como as animações que fundem as pinturas de Frida com os atores, em diversas situações importantes na vida da artista.
FRIDA acaba sendo uma espécie de "antídoto" contra filmes pretensiosos e depressivos como AS HORAS, no qual pessoas regredidas e mal resolvidas sexualmente destilam suas frustrações e recalques em discursos superficiais e modorrentos. Já a pintora mexicana, tal qual é retratada no filme em questão, é exatamente o oposto disso. Firme, decidida e madura, Frida busca a superação de suas limitações em todos os momentos de sua realmente sofrida existência, assumindo as responsabilidades e as conseqüências de seus atos. Não é a toa, portanto, que conquistou corações e mentes de tantos homens e mulheres (era bissexual assumida), mesmo sendo relativamente feia e possuindo bigode e sobrancelhas cerradas.
Infelizmente, não fez o sucesso merecido, talvez por ter sido lançado modestamente e por causa da resistência natural que a maioria das pessoas tem contra personagens fortes, bem resolvidos e despudorados como a pintora mexicana. O que é uma pena. Mas o tempo acabará fazendo justiça a esse excelente trabalho, que merece ser descoberto.
Cotação: * * * *
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Filmes: "Clube da Luta"
PERIGOSO E INÚTIL
Apesar da boa intenção dos realizadores filme acaba passando a mensagem errada para os espectadores menos capacitados intelectualmente
- por André Lux, crítico-spam
"Clube da Luta", de David Fincher (diretor do sensacional "Seven - Os Sete Crimes Capitais") é um filme que dividiu a crítica e o público. Alguns acharam o filme excepcional, revolucionário, um soco no estômago do consumismo sem freios da sociedade ocidental (leia-se EUA), enquanto outros viram apenas um exercício repugnante e excessivo de estílo, pretensamente subversívo e meticulosamente planejado para causar o maior impacto (como um antigo comercial do cigarro FREE: "Eu gosto de dar porrada. Mas alguma coisa a gente tem em comum"), e que ao final acaba fazendo a apologia da violência e da intolerância. E o mais engraçado é que ambas as vertentes estão corretas, embora seja a segunda que acabe prevalecendo.
Se por um lado "Clube da Luta" incomoda e mexe na ferida da sociedade de consumo, por outro prega um anarquismo sem sentido e perigoso calcado apenas na violência e na destruição sem limites, tendo como personagens principais pessoas vazias e recalcadas com o "sistema", que encontram a redenção no tal Projeto Caos idealizado por Tyler Durden (Brad Pitt) e que consiste na destruição sistemática do mundo capitalista. Mas para colocar o que no lugar? Essa gente louca e desajustada do filme que encontra o "sentido da vida" no tal Clube da Luta onde enchem uns aos outros de porrada?
Ou seja, ao mesmo tempo que faz uma crítica feroz à violência, ao consumo exacerbado e ao culto às celebridades, o filme usa esses mesmo subterfúgios para "prender" a atenção do espectador. Depois de tanta porrada, sangue e efeitos visuais, tudo isso acaba diluindo e banalizando a violência que diz criticar. E, pior, a glorifica no final. Isso sem dizer que o roteiro é cheio de furos - principalmente a reviravolta final, que mesmo sendo surpreendente, parece ter sido inventada na última hora já que era impossível o protagonista ter feito tudo o que fez sozinho!
Apesar da óbvia boa intenção dos realizadores e do preciosismo técnico, "Clube da Luta" acaba passando a mensagem errada para os espectadores menos capacitados intelectualmente para "captar" o que existe por trás de toda a violência e loucura que se vê na tela. Não é a toa que um estudante de medicina mentalmente perturbado escolheu um cinema que passava justamente este filme (ao qual ele já havia assistido duas vezes) para descarregar sua sub-metralhadora na platéia exatamente durante uma cena na qual isso é sugerido pelo protagonista! E ainda dizem por aí que o cinema não influencia a vida real...
No final das contas, "Clube da Luta" não deixa de ser interessante como retrato de uma sociedade decadente e doentia, mas acima de tudo é um filme perigoso e inútil.
Cotação: * *
Apesar da boa intenção dos realizadores filme acaba passando a mensagem errada para os espectadores menos capacitados intelectualmente
- por André Lux, crítico-spam
"Clube da Luta", de David Fincher (diretor do sensacional "Seven - Os Sete Crimes Capitais") é um filme que dividiu a crítica e o público. Alguns acharam o filme excepcional, revolucionário, um soco no estômago do consumismo sem freios da sociedade ocidental (leia-se EUA), enquanto outros viram apenas um exercício repugnante e excessivo de estílo, pretensamente subversívo e meticulosamente planejado para causar o maior impacto (como um antigo comercial do cigarro FREE: "Eu gosto de dar porrada. Mas alguma coisa a gente tem em comum"), e que ao final acaba fazendo a apologia da violência e da intolerância. E o mais engraçado é que ambas as vertentes estão corretas, embora seja a segunda que acabe prevalecendo.
Se por um lado "Clube da Luta" incomoda e mexe na ferida da sociedade de consumo, por outro prega um anarquismo sem sentido e perigoso calcado apenas na violência e na destruição sem limites, tendo como personagens principais pessoas vazias e recalcadas com o "sistema", que encontram a redenção no tal Projeto Caos idealizado por Tyler Durden (Brad Pitt) e que consiste na destruição sistemática do mundo capitalista. Mas para colocar o que no lugar? Essa gente louca e desajustada do filme que encontra o "sentido da vida" no tal Clube da Luta onde enchem uns aos outros de porrada?
Ou seja, ao mesmo tempo que faz uma crítica feroz à violência, ao consumo exacerbado e ao culto às celebridades, o filme usa esses mesmo subterfúgios para "prender" a atenção do espectador. Depois de tanta porrada, sangue e efeitos visuais, tudo isso acaba diluindo e banalizando a violência que diz criticar. E, pior, a glorifica no final. Isso sem dizer que o roteiro é cheio de furos - principalmente a reviravolta final, que mesmo sendo surpreendente, parece ter sido inventada na última hora já que era impossível o protagonista ter feito tudo o que fez sozinho!
Apesar da óbvia boa intenção dos realizadores e do preciosismo técnico, "Clube da Luta" acaba passando a mensagem errada para os espectadores menos capacitados intelectualmente para "captar" o que existe por trás de toda a violência e loucura que se vê na tela. Não é a toa que um estudante de medicina mentalmente perturbado escolheu um cinema que passava justamente este filme (ao qual ele já havia assistido duas vezes) para descarregar sua sub-metralhadora na platéia exatamente durante uma cena na qual isso é sugerido pelo protagonista! E ainda dizem por aí que o cinema não influencia a vida real...
No final das contas, "Clube da Luta" não deixa de ser interessante como retrato de uma sociedade decadente e doentia, mas acima de tudo é um filme perigoso e inútil.
Cotação: * *
sexta-feira, 24 de agosto de 2012
Filmes: "O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei
O FIM DE TODAS AS COISAS
Dificilmente veremos novamente um espetáculo cinematográfico tão emocionante e perfeito quanto a saga do Anel de Peter Jackson
- por André Lux, crítico-spam
O RETORNO DO REI fecha com chave de ouro uma arriscada jornada que o cineasta Peter Jackson se propôs a fazer: transcrever para os cinemas a monumental obra de J.R.R. Tolkien considerada por muitos infilmável. Mas, como já havia ficado claro desde o primeiro capítulo da saga, A SOCIEDADE DO ANEL, Jackson conseguiu superar até as mais otimistas das expectativas. Fez todas as escolhas certas: recrutou um elenco excepcional, escreveu um roteiro ao mesmo tempo enxuto e fiel aos livros, cercou-se de técnicos despojados e dispostos a reinventar o cinema de fantasia e, demonstrando incrível inteligência, contratou um músico de primeiríssima linha, Howard Shore, para compor a trilha sonora de seus filmes.
E toda essa paixão e exuberância estão impressas nas telas, para quem quiser ver (e, ao que percebemos pelos resultados das bilheterias, poucos não querem). É claro que muitos pontos da história original foram modificados e outros eliminados. Mas, tirando um ou outro problema mais evidente, isso acabam sendo meros detalhes que vão incomodar somente os puristas mais fanáticos pela obra de Tolkien. O mais importante é que O RETORNO DO REI consegue unir todas as pontas soltas da trama de forma não menos que brilhante. É notável a firmeza com o que o diretor conduz o filme, alternando sem pudor momentos de grandeza inigualáveis, como a batalha nos campos de Pellenor (cujos efeitos visuais são realmente de fazer cair o queixo), com outros totalmente intimistas, os quais certamente são um dos pontos chaves para o sucesso dessa empreitada. Tivesse sido deixado levar somente pela sedução das pirotecnias visuais (que destruiu, por exemplo, os novos capítulos de STAR WARS) os filmes certamente teriam fracassado em suas propostas. Mas Jackson sabe criar brechas em toda aquela grandiloqüência visual para que os personagens deixem suas marcas de maneira louvável.
Existem falhas, é claro, como os sucessivos finais (embora, por mim, poderiam ter tido mais uns oito que seriam bem vindos!). Mas, num projeto dessa envergadura, tão calcado em efeitos especiais dificílimos de serem engendrados, enumerá-los seria uma espécie de "atestado de boçalidade". Deixamos essa patética tarefa, portanto, aos cuidados daqueles sujeitos que não se negam (e até se orgulham) a desempenhar tal papel (como insistir em reclamar da participação da soporífera Enya em duas canções do primeiro filme)...
A Academia de Cinema de Holywood demonstrou ter credibilidade dando a O RETORNO DO REI o Oscar de Melhor Filme e tantos outros. Afinal, gostemos ou não, são os prêmios máximos da Indústria Cultural estadunidense e ela mais do que ninguém deveria saber reconhecer o sucesso desse esforço monumental de Peter Jackson e de todos outros que se envolveram em sua empreitada. Sinceramente, não há mais o que dizer. É ver para crer. E tentar segurar as lágrimas que certamente rolarão em diversos pontos chaves do filme. Mas a maior tristeza é saber, exatamente no “fim de todas as coisas”, que dificilmente veremos um espetáculo cinematográfico tão emocionante e perfeitamente realizado novamente.
Cotação: * * * * *
Dificilmente veremos novamente um espetáculo cinematográfico tão emocionante e perfeito quanto a saga do Anel de Peter Jackson
- por André Lux, crítico-spam
O RETORNO DO REI fecha com chave de ouro uma arriscada jornada que o cineasta Peter Jackson se propôs a fazer: transcrever para os cinemas a monumental obra de J.R.R. Tolkien considerada por muitos infilmável. Mas, como já havia ficado claro desde o primeiro capítulo da saga, A SOCIEDADE DO ANEL, Jackson conseguiu superar até as mais otimistas das expectativas. Fez todas as escolhas certas: recrutou um elenco excepcional, escreveu um roteiro ao mesmo tempo enxuto e fiel aos livros, cercou-se de técnicos despojados e dispostos a reinventar o cinema de fantasia e, demonstrando incrível inteligência, contratou um músico de primeiríssima linha, Howard Shore, para compor a trilha sonora de seus filmes.
E toda essa paixão e exuberância estão impressas nas telas, para quem quiser ver (e, ao que percebemos pelos resultados das bilheterias, poucos não querem). É claro que muitos pontos da história original foram modificados e outros eliminados. Mas, tirando um ou outro problema mais evidente, isso acabam sendo meros detalhes que vão incomodar somente os puristas mais fanáticos pela obra de Tolkien. O mais importante é que O RETORNO DO REI consegue unir todas as pontas soltas da trama de forma não menos que brilhante. É notável a firmeza com o que o diretor conduz o filme, alternando sem pudor momentos de grandeza inigualáveis, como a batalha nos campos de Pellenor (cujos efeitos visuais são realmente de fazer cair o queixo), com outros totalmente intimistas, os quais certamente são um dos pontos chaves para o sucesso dessa empreitada. Tivesse sido deixado levar somente pela sedução das pirotecnias visuais (que destruiu, por exemplo, os novos capítulos de STAR WARS) os filmes certamente teriam fracassado em suas propostas. Mas Jackson sabe criar brechas em toda aquela grandiloqüência visual para que os personagens deixem suas marcas de maneira louvável.
Existem falhas, é claro, como os sucessivos finais (embora, por mim, poderiam ter tido mais uns oito que seriam bem vindos!). Mas, num projeto dessa envergadura, tão calcado em efeitos especiais dificílimos de serem engendrados, enumerá-los seria uma espécie de "atestado de boçalidade". Deixamos essa patética tarefa, portanto, aos cuidados daqueles sujeitos que não se negam (e até se orgulham) a desempenhar tal papel (como insistir em reclamar da participação da soporífera Enya em duas canções do primeiro filme)...
A Academia de Cinema de Holywood demonstrou ter credibilidade dando a O RETORNO DO REI o Oscar de Melhor Filme e tantos outros. Afinal, gostemos ou não, são os prêmios máximos da Indústria Cultural estadunidense e ela mais do que ninguém deveria saber reconhecer o sucesso desse esforço monumental de Peter Jackson e de todos outros que se envolveram em sua empreitada. Sinceramente, não há mais o que dizer. É ver para crer. E tentar segurar as lágrimas que certamente rolarão em diversos pontos chaves do filme. Mas a maior tristeza é saber, exatamente no “fim de todas as coisas”, que dificilmente veremos um espetáculo cinematográfico tão emocionante e perfeitamente realizado novamente.
Cotação: * * * * *
terça-feira, 14 de agosto de 2012
Filmes: "Xingu"
ANÓDINO
O assunto em questão certamente merecia uma abordagem muito mais apaixonada e explosiva do que a que vemos na tela.
- por André Lux, crítico-spam
“Xingu”, dirigido pelo competente Cao Hamburguer (de “O Ano Em Que Meu Pais Saíram de Férias”), tem o mesmo problema de várias outras cinebiografias de figuras importantes da história mundial: não tem informações suficientes para se tornar um bom documentário nem o aprofundamento dos personagens que o transformaria num bom drama.
O filme quer contar a saga dos irmãos Villas-Boas, que subiram o rio Xingu e travaram contato com índios, tornando-se indianistas de carteirinha. O narrador da história é o irmão do meio, Cláudio (em boa interpretação de João Miguel), que tenta inutilmente impedir que a chegada do homem branco contamine os índios. Nas duas outras pontas temos Orlando (Felipe Camargo) e Leonardo (Caio Blat), sendo que o primeiro faz o papel do líder pragmático que tem lidar com políticos e militares na tentativa de demarcar a terra dos índios, enquanto o segundo faz o papel do apaixonado que se deixa inclusive envolver com uma índia – fator que o levará a deixar a expedição.
“Xingu”, dessa forma, vai contando de forma linear a saga dos Villas-Boas e acaba num meio termo entre o registro documental e o drama. Os três protagonistas não tem suas motivações esmiuçadas pelo roteiro e não são mostrados grandes conflitos ocorrem (nem mesmo com fazendeiros que exploram os índios e são contra a demarcação). A própria criação do Parque Nacional do Xingu acontece no filme sem maiores dificuldades, o que certamente está muito longe da realidade.
Tecnicamente o filme é bem feito e conta com uma ótima direção de fotografia e uma trilha musical inventiva e adequada. O elenco é bastante homogêneo e não deixa a peteca cair em nenhum momento. Pena que o filme seja tão anódino e fuja de conflitos e dramas pessoais. O assunto em questão certamente merecia uma abordagem muito mais apaixonada e explosiva do que a que vemos na tela.
Cotação: * * 1/2
O assunto em questão certamente merecia uma abordagem muito mais apaixonada e explosiva do que a que vemos na tela.
- por André Lux, crítico-spam
“Xingu”, dirigido pelo competente Cao Hamburguer (de “O Ano Em Que Meu Pais Saíram de Férias”), tem o mesmo problema de várias outras cinebiografias de figuras importantes da história mundial: não tem informações suficientes para se tornar um bom documentário nem o aprofundamento dos personagens que o transformaria num bom drama.
O filme quer contar a saga dos irmãos Villas-Boas, que subiram o rio Xingu e travaram contato com índios, tornando-se indianistas de carteirinha. O narrador da história é o irmão do meio, Cláudio (em boa interpretação de João Miguel), que tenta inutilmente impedir que a chegada do homem branco contamine os índios. Nas duas outras pontas temos Orlando (Felipe Camargo) e Leonardo (Caio Blat), sendo que o primeiro faz o papel do líder pragmático que tem lidar com políticos e militares na tentativa de demarcar a terra dos índios, enquanto o segundo faz o papel do apaixonado que se deixa inclusive envolver com uma índia – fator que o levará a deixar a expedição.
“Xingu”, dessa forma, vai contando de forma linear a saga dos Villas-Boas e acaba num meio termo entre o registro documental e o drama. Os três protagonistas não tem suas motivações esmiuçadas pelo roteiro e não são mostrados grandes conflitos ocorrem (nem mesmo com fazendeiros que exploram os índios e são contra a demarcação). A própria criação do Parque Nacional do Xingu acontece no filme sem maiores dificuldades, o que certamente está muito longe da realidade.
Tecnicamente o filme é bem feito e conta com uma ótima direção de fotografia e uma trilha musical inventiva e adequada. O elenco é bastante homogêneo e não deixa a peteca cair em nenhum momento. Pena que o filme seja tão anódino e fuja de conflitos e dramas pessoais. O assunto em questão certamente merecia uma abordagem muito mais apaixonada e explosiva do que a que vemos na tela.
Cotação: * * 1/2
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
Filmes: "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres"
A GRANDIOSIDADE CONTINUA
Segundo capítulo de “O Senhor dos Anéis” continua sendo um verdadeiro triunfo, tanto ao nível artístico quanto comercial. Algo cada vez mais raro de acontecer nos dias de hoje, convenhamos.
- por André Lux, crítico-spam
A saga do anel do poder continua com o lançamento de AS DUAS TORRES, capítulo central da trilogia e, por isso mesmo, o mais sombrio e difícil de adaptar de toda a obra (afinal, tem que começar em plena ação e novamente acaba bruscamente sem conclusão). Para piorar, com o rompimento da Sociedade do Anel a trama dividi-se em três, tornando-se, portanto, cada vez mais complexa e repleta de detalhes importantes.
O diretor Peter Jackson sabia da dificuldade que tinha pela frente e optou pela saída mais lógica: contar as três histórias em ordem mais ou menos cronológica e na seqüência, diferente do livro que é cheio de idas e vindas, já que cada "missão" tem basicamente seu próprio capítulo. Essa opção traz vantagens do ponto de vista cinematográfico, mas em contrapartida deixa o filme mais truncado, já que a ação é várias vezes interrompida para que outra parte da história seja contada - efeito que chega a atrapalhar algumas seqüências mais emocionantes.
Outro ponto polêmico diz respeito às várias alterações que os roteiristas aplicaram à trama, que obviamente vão enfurecer os fãs mais puristas da obra de Tolkien. Mas é sempre bom lembrar que mudanças são necessárias, afinal literatura é uma coisa e cinema é outra, bem diferente. O problema é que algumas delas acabaram mais prejudicando do que ajudando, sendo as mais graves a participação dos elfos na batalha do Abismo de Helm e a decisão dos Ents de não irem para a guerra, voltando atrás logo em seguida e rápido demais. Essas são os tipos de "licenças" que nada acrescentam e realmente poderiam ter sido ignoradas, afinal o que estava no livro acabaria funcionando melhor.
O filme começa muito bem, com um longo plano aberto das montanhas geladas que vai fechando-se até entrarmos literalmente nas Minas de Moira, exatamente no momento da luta entre o mago Gandalf (Ian Mckellen) e o Balrog, cujo desfecho não será tão trágico quanto o primeiro filme fazia supor. Seguimos então a busca de Aragorn (Viggo Mortensen), o elfo Legolas (Orlando Bloom) e o anão Gimli (John Rhys-Davies) pelos orcs que capturaram os hobits Merry e Pippin. Toda essa seqüência, apesar de ser praticamente fiel ao livro, não é das mais felizes, prejudicada por uma edição apressada e ineficaz.
O filme só vai melhorar mesmo (e alcançar o mesmo nível de excelência de A SOCIEDADE DO ANEL) quando voltamos à jornada de Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin) rumo a Mordor, cuja segurança passa a ser ameaçada pela criatura Gollum. Mas eles conseguem capturá-lo e somos então apresentados ao personagem mais rico e interessante do filme, brilhantemente manipulado por computação gráfica, a partir da performance do ator Andy Serkis. Sua caracterização é tão perfeita e a sua presença tão marcante que esquecemos completamente que não passa de um boneco digital e torcemos para que volte à cena logo.
Outro ponto alto do filme é a atuação de Benard Hill (que foi o capitão do TITANIC), que convence totalmente como o angustiado e indeciso Theodén, rei de Rohan. Sua presença na tela, ao lado do arredio e soturno Aragorn (Mortensen), garantem a integridade e a nobreza do filme. É muito bem vinda também a escolha do anão Gimli e do elfo Legolas como os alívios cômicos, cujos melhores momentos vêm das disputas para ver qual dos dois matou mais orcs! As mensagens ecológica e em favor da amizade e da lealdade também não poderiam deixar ser mais atuais e pertinentes.
Como não poderíamos deixar de notar, a música de Howard Shore é de uma grandeza e retumbância impressionantes, sem nunca cair para a pieguice ou para o clichê desse tipo de filme. Arrisco a afirmar que é ainda melhor que a anterior (sem dizer que não temos mais que aturar as canções soporíferas da Enya, que foram incluídas no primeiro por pressões comerciais). Aproveito para fazer um parêntese e ressaltar que a grande maioria dos críticos ditos "especializados" continua absurdamente ignorando o trabalho dos músicos de cinema, fato que é ainda mais gritante em casos como o de O SENHOR DOS ANÉIS, no qual a trilha musical é parte fundamental do sucesso do projeto!
Se AS DUAS TORRES é pior ou fica no mesmo nível de A SOCIEDADE DO ANEL, ainda tenho minhas dúvidas. Melhor não é, isso é fato. O primeiro beirou a perfeição em todos os aspectos e tinha uma trama muito mais simples e linear para contar. Nesse segundo capítulo me parece que houve um certo descuido na edição (que apresenta muitas falhas, principalmente no início, fato que só é sanado na versão estendida do filme, que realmente é muito melhor) e uma preocupação exacerbada em criar exércitos gigantescos de orcs movidos por softwares novíssimos, ao invés de focar a atenção em detalhes mais ricos e interessantes (que foram justamente o que tornaram o primeiro tão saboroso). Somando-se a isso, temos a trama mais complicada, dividida e tortuosa que, na somatória final, acaba obrigando o filme a ficar muito intenso e corrido. Boromir (Sean Bean), que morreu no capítulo anterior, também faz falta.
Mas, mesmo com todos esses problemas e limitações, não há como negar que AS DUAS TORRES é um sucesso em praticamente todos os níveis. Ponto para todos os envolvidos no projeto, cuja dedicação e paixão estão impressas em cada fotograma visto na tela (a riqueza de detalhes e beleza dos vestuários e armaduras, por exemplo, é algo impressionante). Um verdadeiro triunfo, tanto ao nível artístico quanto comercial. Algo cada vez mais raro de acontecer nos dias de hoje, convenhamos.
Cotação: * * * *
Segundo capítulo de “O Senhor dos Anéis” continua sendo um verdadeiro triunfo, tanto ao nível artístico quanto comercial. Algo cada vez mais raro de acontecer nos dias de hoje, convenhamos.
- por André Lux, crítico-spam
A saga do anel do poder continua com o lançamento de AS DUAS TORRES, capítulo central da trilogia e, por isso mesmo, o mais sombrio e difícil de adaptar de toda a obra (afinal, tem que começar em plena ação e novamente acaba bruscamente sem conclusão). Para piorar, com o rompimento da Sociedade do Anel a trama dividi-se em três, tornando-se, portanto, cada vez mais complexa e repleta de detalhes importantes.
O diretor Peter Jackson sabia da dificuldade que tinha pela frente e optou pela saída mais lógica: contar as três histórias em ordem mais ou menos cronológica e na seqüência, diferente do livro que é cheio de idas e vindas, já que cada "missão" tem basicamente seu próprio capítulo. Essa opção traz vantagens do ponto de vista cinematográfico, mas em contrapartida deixa o filme mais truncado, já que a ação é várias vezes interrompida para que outra parte da história seja contada - efeito que chega a atrapalhar algumas seqüências mais emocionantes.
Outro ponto polêmico diz respeito às várias alterações que os roteiristas aplicaram à trama, que obviamente vão enfurecer os fãs mais puristas da obra de Tolkien. Mas é sempre bom lembrar que mudanças são necessárias, afinal literatura é uma coisa e cinema é outra, bem diferente. O problema é que algumas delas acabaram mais prejudicando do que ajudando, sendo as mais graves a participação dos elfos na batalha do Abismo de Helm e a decisão dos Ents de não irem para a guerra, voltando atrás logo em seguida e rápido demais. Essas são os tipos de "licenças" que nada acrescentam e realmente poderiam ter sido ignoradas, afinal o que estava no livro acabaria funcionando melhor.
O filme começa muito bem, com um longo plano aberto das montanhas geladas que vai fechando-se até entrarmos literalmente nas Minas de Moira, exatamente no momento da luta entre o mago Gandalf (Ian Mckellen) e o Balrog, cujo desfecho não será tão trágico quanto o primeiro filme fazia supor. Seguimos então a busca de Aragorn (Viggo Mortensen), o elfo Legolas (Orlando Bloom) e o anão Gimli (John Rhys-Davies) pelos orcs que capturaram os hobits Merry e Pippin. Toda essa seqüência, apesar de ser praticamente fiel ao livro, não é das mais felizes, prejudicada por uma edição apressada e ineficaz.
O filme só vai melhorar mesmo (e alcançar o mesmo nível de excelência de A SOCIEDADE DO ANEL) quando voltamos à jornada de Frodo (Elijah Wood) e Sam (Sean Astin) rumo a Mordor, cuja segurança passa a ser ameaçada pela criatura Gollum. Mas eles conseguem capturá-lo e somos então apresentados ao personagem mais rico e interessante do filme, brilhantemente manipulado por computação gráfica, a partir da performance do ator Andy Serkis. Sua caracterização é tão perfeita e a sua presença tão marcante que esquecemos completamente que não passa de um boneco digital e torcemos para que volte à cena logo.
Outro ponto alto do filme é a atuação de Benard Hill (que foi o capitão do TITANIC), que convence totalmente como o angustiado e indeciso Theodén, rei de Rohan. Sua presença na tela, ao lado do arredio e soturno Aragorn (Mortensen), garantem a integridade e a nobreza do filme. É muito bem vinda também a escolha do anão Gimli e do elfo Legolas como os alívios cômicos, cujos melhores momentos vêm das disputas para ver qual dos dois matou mais orcs! As mensagens ecológica e em favor da amizade e da lealdade também não poderiam deixar ser mais atuais e pertinentes.
Como não poderíamos deixar de notar, a música de Howard Shore é de uma grandeza e retumbância impressionantes, sem nunca cair para a pieguice ou para o clichê desse tipo de filme. Arrisco a afirmar que é ainda melhor que a anterior (sem dizer que não temos mais que aturar as canções soporíferas da Enya, que foram incluídas no primeiro por pressões comerciais). Aproveito para fazer um parêntese e ressaltar que a grande maioria dos críticos ditos "especializados" continua absurdamente ignorando o trabalho dos músicos de cinema, fato que é ainda mais gritante em casos como o de O SENHOR DOS ANÉIS, no qual a trilha musical é parte fundamental do sucesso do projeto!
Se AS DUAS TORRES é pior ou fica no mesmo nível de A SOCIEDADE DO ANEL, ainda tenho minhas dúvidas. Melhor não é, isso é fato. O primeiro beirou a perfeição em todos os aspectos e tinha uma trama muito mais simples e linear para contar. Nesse segundo capítulo me parece que houve um certo descuido na edição (que apresenta muitas falhas, principalmente no início, fato que só é sanado na versão estendida do filme, que realmente é muito melhor) e uma preocupação exacerbada em criar exércitos gigantescos de orcs movidos por softwares novíssimos, ao invés de focar a atenção em detalhes mais ricos e interessantes (que foram justamente o que tornaram o primeiro tão saboroso). Somando-se a isso, temos a trama mais complicada, dividida e tortuosa que, na somatória final, acaba obrigando o filme a ficar muito intenso e corrido. Boromir (Sean Bean), que morreu no capítulo anterior, também faz falta.
Mas, mesmo com todos esses problemas e limitações, não há como negar que AS DUAS TORRES é um sucesso em praticamente todos os níveis. Ponto para todos os envolvidos no projeto, cuja dedicação e paixão estão impressas em cada fotograma visto na tela (a riqueza de detalhes e beleza dos vestuários e armaduras, por exemplo, é algo impressionante). Um verdadeiro triunfo, tanto ao nível artístico quanto comercial. Algo cada vez mais raro de acontecer nos dias de hoje, convenhamos.
Cotação: * * * *
segunda-feira, 6 de agosto de 2012
Filmes: "O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel"
GRANDIOSO
Palmas para o cineasta Peter Jackson que conduziu o projeto com grande paixão e controlou todos os aspectos da produção
- por André Lux, crítico-spam
"O mundo está dividido entre aqueles que leram O SENHOR DOS ANÉIS e aqueles que não leram". Essa frase cunhada de um famoso jornal estadunidense serve perfeitamente para expressar o impacto e a importância da obra de J.R.R. Tolkien no mundo ocidental.
Agora, graças ao cineasta Peter Jackson, a balança vai pender ainda mais para o primeiro lado, pois o cineasta é o responsável pela mais audaciosa adaptação de O SENHOR DOS ANÉIS. E o resultado final não poderia ser melhor. Palmas para Jackson que conduziu o projeto com grande paixão e controlou todos os aspectos da produção, evitando assim que fossem cometidos os mesmos erros da fraca adaptação para as telas de HARRY POTTER, que acabou nas mãos de um diretor medíocre e teve qualquer chance de tornar-se um ótimo filme de fantasia dissolvidas pelo excesso de merchandising e preocupações em agradar as exigências absurdas da autora.
Jackson seguiu o caminho oposto. Controlou tudo desde o início, escalou um elenco formidável, com poucos nomes famosos mas que esbanjam talento e competência, não fez concessões comerciais (exceto talvez chamar Enya para compor duas canções) e colocou a cara para bater, inclusive indo contra os herdeiros de Tolkien que rejeitaram o projeto. Azar deles, pois o primeiro capítulo da trilogia, A SOCIEDADE DO ANEL, é acima de tudo um filme maravilhoso para os olhos e para os ouvidos. Tudo que aparece em cena é perfeito - as paisagens, os efeitos especiais, os cenários...
Realmente os efeitos visuais são um caso aparte: fluídos, extremamente naturais e convincentes, jamais agridem os sentidos ou desviam a atenção da trama. São impressionantes as primeiras cenas em que Galdalf (Ian McKellen) interage com Bilbo (Ian Holm). Quem não conhece vai sair do cinema achando que Holm é realmente um anãozinho!
Outro ponto alto do filme é a sua música. Jackson acertou em cheio ao chamar Howard Shore (dos filmes de David Cronenberg e SEVEN), um músico de verdade para compor, orquestrar e conduzir a trilha sonora, batendo o pé contra as exigências do estúdio, que queria contratar James Horner (de TITANIC) ou o medíocre Danny Elfman, que já havia trabalhado com Jackson em OS ESPÍRITOS. Shore compôs para O SENHOR DOS ANÉIS uma música séria, complexa e isente de clichés banais, alternando magistralmente momentos bucólicos (associados aos Hobbits) e plácidos a outros pesados e aterrorizantes (o ponto alto é a seqüência nas Minas de Moira, especialmente com a chega do Balrog quando o coral de vozes sussurantes causa calafrios na espinha). Isso sem falar no tema da Sociedade do Anel, que transmite com perfeição toda a nobreza e grandiosidade dos Nove Companheiros e sua terrível missão.
É claro que o filme tem alguns defeitos (a seqüência da fuga de Bri até a chegada ao Topo do Vento é rápida e truncada demais) e problemas (efeitos grotescos desnecessários, como o nascimento dos Huruk-Hai, Bilbo ficando com carinha de monstro repentinamente, Galadriel transformando-se em bruxa flutuante), mas que jamais chegam a comprometer o resultado final. Ainda mais se levarmos em conta a excelência do elenco, que jamais deixa o filme cair. Elijah Wood impressiona como Frodo e consegue passar com tranquilidade o fardo carregado pelo pacato Hobbit que tem em suas mãos o destino da Terra-Média. Ian McKellen esbanja carisma como o mago Gandalf e, juntamente com Christopher Lee (como Saruman), roubam todas as cenas em que aparecem.
Vigo Mortensen dá o tom exato ao arredio, porém nobre Passolargo (cuja importância e participação na trama vão aumentar nos próximos filmes). Mas quem surpreende é Sean Bean (de RONIN e JOGOS PATRIÓTICOS), um ator até então antipático e afetado, que conseguiu passar de forma extremamente convincente todo o conflito vivido pelo guerreiro Boromir. Apenas Orlando Bloom, como o elfo Legolas, acaba sendo inexpressivo demais e não causa maior impacto.
Não há mesmo muito mais o que dizer de um filme desse porte, cujo esmero técnico é balanceado por uma trama densa, complexa e rica em detalhes e magia - perfeitamente captados pelo roteiro brilhante de Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair, Frances Walsh - que ainda tomou decisões sabias ao mudar alguns elementos do livro.
Há que se lamentar entretanto os comentários insidiosos perpetrados por pseudo-críticos (como os publicados pela revista Capricho e pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo), que entre outras imbecilidades qualificaram A SOCIEDADE DO ANEL como "um filme gay" ou "caça-níqueis". Infelizmente, em tempos de cinismo e mediocridade exacerbados deve mesmo ser difícil para pessoas mal resolvidas e pretensiosas ver nas telas homens chorando, abraçando-se e até beijando-se em nome de laços de amizade forjados à base de nobreza e de sacrifício, ou mesmo ter capacidade para enxergar o que existe por trás de toda a mística e magia existentes na trama. Para esses, existe sempre a psicoterapia ou mesmo um filme para quem gosta de fazer "cara de conteúdo"...
Para todo o resto, sobram momentos de pura emoção e alegria que somente um grande filme baseado na obra do grande J.R.R. Tolkien poderia passar.
Cotação: * * * * *
Palmas para o cineasta Peter Jackson que conduziu o projeto com grande paixão e controlou todos os aspectos da produção
- por André Lux, crítico-spam
"O mundo está dividido entre aqueles que leram O SENHOR DOS ANÉIS e aqueles que não leram". Essa frase cunhada de um famoso jornal estadunidense serve perfeitamente para expressar o impacto e a importância da obra de J.R.R. Tolkien no mundo ocidental.
Agora, graças ao cineasta Peter Jackson, a balança vai pender ainda mais para o primeiro lado, pois o cineasta é o responsável pela mais audaciosa adaptação de O SENHOR DOS ANÉIS. E o resultado final não poderia ser melhor. Palmas para Jackson que conduziu o projeto com grande paixão e controlou todos os aspectos da produção, evitando assim que fossem cometidos os mesmos erros da fraca adaptação para as telas de HARRY POTTER, que acabou nas mãos de um diretor medíocre e teve qualquer chance de tornar-se um ótimo filme de fantasia dissolvidas pelo excesso de merchandising e preocupações em agradar as exigências absurdas da autora.
Jackson seguiu o caminho oposto. Controlou tudo desde o início, escalou um elenco formidável, com poucos nomes famosos mas que esbanjam talento e competência, não fez concessões comerciais (exceto talvez chamar Enya para compor duas canções) e colocou a cara para bater, inclusive indo contra os herdeiros de Tolkien que rejeitaram o projeto. Azar deles, pois o primeiro capítulo da trilogia, A SOCIEDADE DO ANEL, é acima de tudo um filme maravilhoso para os olhos e para os ouvidos. Tudo que aparece em cena é perfeito - as paisagens, os efeitos especiais, os cenários...
Realmente os efeitos visuais são um caso aparte: fluídos, extremamente naturais e convincentes, jamais agridem os sentidos ou desviam a atenção da trama. São impressionantes as primeiras cenas em que Galdalf (Ian McKellen) interage com Bilbo (Ian Holm). Quem não conhece vai sair do cinema achando que Holm é realmente um anãozinho!
Outro ponto alto do filme é a sua música. Jackson acertou em cheio ao chamar Howard Shore (dos filmes de David Cronenberg e SEVEN), um músico de verdade para compor, orquestrar e conduzir a trilha sonora, batendo o pé contra as exigências do estúdio, que queria contratar James Horner (de TITANIC) ou o medíocre Danny Elfman, que já havia trabalhado com Jackson em OS ESPÍRITOS. Shore compôs para O SENHOR DOS ANÉIS uma música séria, complexa e isente de clichés banais, alternando magistralmente momentos bucólicos (associados aos Hobbits) e plácidos a outros pesados e aterrorizantes (o ponto alto é a seqüência nas Minas de Moira, especialmente com a chega do Balrog quando o coral de vozes sussurantes causa calafrios na espinha). Isso sem falar no tema da Sociedade do Anel, que transmite com perfeição toda a nobreza e grandiosidade dos Nove Companheiros e sua terrível missão.
É claro que o filme tem alguns defeitos (a seqüência da fuga de Bri até a chegada ao Topo do Vento é rápida e truncada demais) e problemas (efeitos grotescos desnecessários, como o nascimento dos Huruk-Hai, Bilbo ficando com carinha de monstro repentinamente, Galadriel transformando-se em bruxa flutuante), mas que jamais chegam a comprometer o resultado final. Ainda mais se levarmos em conta a excelência do elenco, que jamais deixa o filme cair. Elijah Wood impressiona como Frodo e consegue passar com tranquilidade o fardo carregado pelo pacato Hobbit que tem em suas mãos o destino da Terra-Média. Ian McKellen esbanja carisma como o mago Gandalf e, juntamente com Christopher Lee (como Saruman), roubam todas as cenas em que aparecem.
Vigo Mortensen dá o tom exato ao arredio, porém nobre Passolargo (cuja importância e participação na trama vão aumentar nos próximos filmes). Mas quem surpreende é Sean Bean (de RONIN e JOGOS PATRIÓTICOS), um ator até então antipático e afetado, que conseguiu passar de forma extremamente convincente todo o conflito vivido pelo guerreiro Boromir. Apenas Orlando Bloom, como o elfo Legolas, acaba sendo inexpressivo demais e não causa maior impacto.
Não há mesmo muito mais o que dizer de um filme desse porte, cujo esmero técnico é balanceado por uma trama densa, complexa e rica em detalhes e magia - perfeitamente captados pelo roteiro brilhante de Philippa Boyens, Peter Jackson, Stephen Sinclair, Frances Walsh - que ainda tomou decisões sabias ao mudar alguns elementos do livro.
Há que se lamentar entretanto os comentários insidiosos perpetrados por pseudo-críticos (como os publicados pela revista Capricho e pelos jornais O Globo e Folha de São Paulo), que entre outras imbecilidades qualificaram A SOCIEDADE DO ANEL como "um filme gay" ou "caça-níqueis". Infelizmente, em tempos de cinismo e mediocridade exacerbados deve mesmo ser difícil para pessoas mal resolvidas e pretensiosas ver nas telas homens chorando, abraçando-se e até beijando-se em nome de laços de amizade forjados à base de nobreza e de sacrifício, ou mesmo ter capacidade para enxergar o que existe por trás de toda a mística e magia existentes na trama. Para esses, existe sempre a psicoterapia ou mesmo um filme para quem gosta de fazer "cara de conteúdo"...
Para todo o resto, sobram momentos de pura emoção e alegria que somente um grande filme baseado na obra do grande J.R.R. Tolkien poderia passar.
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