NÃO É O MELHOR BOND
Filme está longe de ser essa maravilha que pregaram os críticos
- por André Lux, crítico-spam
Vi muitos críticos dizendo que este “Skyfall” era o melhor James Bond de
todos os tempos. Só pode ser delírio porque não chega nem perto de alguns da
fase áurea de Sean Connery e é mesmo inferior ao primeiro com Daniel Craig no
papel de 007, “Cassino Royale”, e até mesmo ao segundo, "Quantum of Solace", que era um filme de esquerda - afinal, James Bond impedia nada menos do que um golpe de Estado contra o presidente nacionalista da Bolívia (Evo Morales?) engendrado pela CIA em conluio com militares golpistas e o vilão que queria explorar os recursos naturais daquele país!
Deve ter contribuído para esse delírio coletivo o fato do filme ser
dirigido pelo queridinho da crítica Sam Mendes, um diretor metido a besta que
adora fazer filmes pretensiosos e modorrentos. Aqui pelo menos ele não atrapalha
muito, já que sua direção é burocrática e não se distingue do resto dos
diretores que já levaram as aventuras do agente britânico para o cinema. Sua
maior contribuição ao filme foi ter trazido o compositor Thomas Newman para
escrever a trilha musical que, embora seja competente, não chega a marcar e fica
muito aquém das melhores compostas por John Barry para a franquia.
Não gostei nem um pouco da trama, que envolve o roubo de uma lista de
agentes do serviço secreto inglês (velho clichê do gênero) que será usada por um
sujeito que parece ser o maior hacker do mundo que, no final das contas, não
quer nada além de vingança (outro dos clichês mais batidos do cinema) contra a
chefe do MI-6 (Judi Dench). E para isso o vilão bola um daqueles planos
mirabolantes que levará anos para ser realizado e que, para der certo, tem que
contar com um monte de coincidências que não tinha como ele prever. E para
piorar esse vilão é feito pelo espanhol Javier Barden, que é um grande ator, mas
está completamente descontrolado e perdido aqui, usando inclusive um ridícula
peruca loira. Por sinal, há uma insinuação homossexual entre Barden e Bond que não é
explorada a contento.
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| Loiro bobo |
O confronto final com o vilão e sua gangue é totalmente ilógico (e dá-lhe o
clichê do herói solitário contra um monte de bandidos) e demonstra apenas a
incompetência do 007 que falha no que seria a missão mais importante do filme
- e fica tudo por isso mesmo! Há uma trama paralela que pretende questionar a
efetividade dos velhos métodos de espionagem do MI-6 e de seus agentes secretos
feita pelo parlamento inglês que não chega a lugar algum e serve só para
arrastar o filme. Também não convence nem um pouco o novo Q que arrumaram, um
moleque metido a besta que também se julga o melhor hacker do planeta e só faz
besteira (como conectar o computador do vilão à rede do serviço secreto, fator essencial para que o plano dele funcionasse).
Por sinal, impressiona o nível de incompetência do pessoal do MI-6 neste
filme – um deles chega inclusive a balear o 007 no começo do filme, acham que
ele está morto e tudo bem (não vão nem atrás do corpo)! Mas é claro que ele não
morreu e, depois de passar um tempo curtindo sua aposentadoria forçada à beira
da praia, resolve voltar à ativa depois que a M sofre um atentado.
Enfim, está longe de ser essa maravilha que pregaram os críticos. Eu
confesso que esperava muito mais e fiquei bastante decepcionado no final. Nem muitas cenas de ação palpitantes e mulheres bonitas, marcas registradas da franquia, o filme tem.
Cotação: * * 1/2




















