MACACO BANAL
Lição de moral maniqueísta contra a ciência dilui qualquer pretensão maior desse prólogo de uma das maiores obras primas da ficção científica.
- por André Lux, crítico-spam
O “Planeta dos Macacos” original, de 1968, é considerado por muitos com uma obra prima da ficção científica no cinema. Seu impacto e sucesso na época foram tão grandes, principalmente pela conclusão que impressiona até hoje, que o filme deu origem a quatro continuações caça-níqueis (uma pior que a outra), uma série de TV e até uma refilmagem ridícula dirigida por Tim Burton recentemente.
Chega agora “Planeta dos Macacos – A Origem”, que os estadunidenses chamam de “prequel”, ou seja, uma espécie de prólogo do filme original. Só que se a gente pensar bem, o novo filme nada mais é do que uma refilmagem do terceiro episódio da série original, “A Conquista do Planeta dos Macacos”, que mostrava uma revolução simiesca liderada pelo filho de Cornélius e Zira.
Esse novo filme elege a ciência e sua busca por novas curas para doenças como os vilões da história. Assim, os macacos evoluem por causa de experiências feitas no laboratório de uma grande indústria farmacêutica, na qual os cientistas fazem o mal involuntariamente enquanto os homens de negócios são mostrados como gente sem qualquer escrúpulo.
O problema dessa abordagem é que esse é um conceito por demais complexo para ser pintado de forma tão maniqueísta. Tudo bem, mal tratar animais é algo abominável, assim como podemos questionar a ética de usá-los como cobaias em experiêncais. Todavia, quantas vidas foram salvas nos últimos séculos justamente por causa dessas experiências? No filme toda essa dualidade desaparece e, devido à abordagem preto-no-branco, somos forçados a torcer para os macacos em sua luta por liberdade, o que transforma o líder César numa espécie de Che Guevara símio, outro sinal da esquizofrenia de uma cultura flácida e escapista que, na vida real, trata o revolucionário argentino como um enviado do diabo. Ou seja, tudo bem você se identificar com a luta e torcer por personagens iguais a Guevara no cinema, mas nunca no mundo real!
Existem várias referências ao filme original, porém nenhuma delas é inteligente o suficiente para se tornar marcante (por que mostrar o ator Charlton Heston em uma imagem de filme na TV e não no embarque da nave que seria a usada pelos astronautas na obra de 1968?). Tecnicamente o filme é bem feito, tem uma direção segura, excelente edição e trilha musical adequada de Patrick Doyle (dos filmes de Shakespeare de Kenneth Branagh).
Os efeitos especiais também seguram bem o fato de serem macacos digitais, criados a partir da captura dos movimentos e expressões de atores humanos (Andy Serkis, que foi o Gollum na trilogia “O Senhor dos Anéis” dá vida ao protagonista César).
Porém, com uma lição de moral tão óbvia e maniqueísta, qualquer pretensão que o filme poderia ter acaba sendo diluída, transformando-o apenas em uma ficção científica banal e sem maiores consequências. Nem mesmo o final chega a ter qualquer impacto (sem dizer que é idêntico ao do filme "Os Doze Macacos"!) e deixa aberta a porta para continuações que certamente virão, já que o filme foi um grande sucesso de bilheteria e de crítica nos EUA.
De qualquer forma, nada supera a grandeza e o impacto, inclusive político, do filme original, dirigido por Franklin Schaffner que, entre outras qualidades, contém uma trilha musical incrivelmente inventiva e marcante do mestre Jerry Goldsmith. Vale mais a pena revê-lo.
Cotação: * * 1/2
Postagem em destaque
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segunda-feira, 29 de agosto de 2011
Filmes: "Deixe-me Entrar"
UMA GRATA SURPRESA
Filme serve também de alerta para pais que não dão aos filhos a atenção necessária nesse mundo cada vez mais violento e individualista
- por André Lux, crítico-spam
O diretor Matt Reeves confirma seu talento para o gênero terror e suspense com o ótimo “Deixe-me Entrar”, que é uma refilmagem de um filme sueco de 2008.
Totalmente diferente do sua obra anterior, “Cloverfield”, que possuía a estética frenética de algo que havia sido filmado durante a ação por um dos protagonista, “Deixe-me Entrar” é lento e investe na construção do suspense em cada fotograma, emoldurado por enquadramentos muito bem feitos.
A história gira em torno de duas crianças, sendo uma delas um vampiro, que iniciam uma amizade inusitada. Os atores mirins Kodi Smit-McPhee (do assustador “A Estrada”) e Chloe Moretz dão um show a parte em atuações precisas e muito bem dirigidas por Reeves.
A luta pela aceitação é o tema básico do filme, já que ambas crianças tem dificuldade imensa em se inserir no mundo que as cerca. Uma delas é atormentada pela violência latente de um grupo de valentões no colégio e sofre também com o divórcio dos pais. A mãe, além de fanática religiosa, é totalmente ausente (ao ponto de nem vermos seu rosto durante o filme todo) fator que apenas aumenta ainda mais as inseguranças da criança.
A outra é uma criatura que vive em corpo de criança mas tem idade muito acima das aparências e necessita de sangue humano para viver. Aos poucos, vai nascendo uma amizade entre ambos, enquanto eventos trágicos vão se acumulando durante a projeção.
Apesar de ser sobre vampiros, o filme não prioriza as cenas de violência ou de efeitos sanguinolentos, preferindo investir num clima sombrio e trágico, que vai aumentando à medida que a trama avança – no que a trilha musical discreta e assombrosa de Michael Giacchino ajuda muito.
Num gênero que caminha a passos largos para a saturação, “Deixe-me Entrar” é uma grata surpresa e serve também de alerta para pais e mães que não dão aos filhos a atenção necessária para garantir sua proteção nesse mundo cada vez mais violento e individualista no qual vivemos.
Cotação: * * * *
Filme serve também de alerta para pais que não dão aos filhos a atenção necessária nesse mundo cada vez mais violento e individualista
- por André Lux, crítico-spam
O diretor Matt Reeves confirma seu talento para o gênero terror e suspense com o ótimo “Deixe-me Entrar”, que é uma refilmagem de um filme sueco de 2008.
Totalmente diferente do sua obra anterior, “Cloverfield”, que possuía a estética frenética de algo que havia sido filmado durante a ação por um dos protagonista, “Deixe-me Entrar” é lento e investe na construção do suspense em cada fotograma, emoldurado por enquadramentos muito bem feitos.
A história gira em torno de duas crianças, sendo uma delas um vampiro, que iniciam uma amizade inusitada. Os atores mirins Kodi Smit-McPhee (do assustador “A Estrada”) e Chloe Moretz dão um show a parte em atuações precisas e muito bem dirigidas por Reeves.
A luta pela aceitação é o tema básico do filme, já que ambas crianças tem dificuldade imensa em se inserir no mundo que as cerca. Uma delas é atormentada pela violência latente de um grupo de valentões no colégio e sofre também com o divórcio dos pais. A mãe, além de fanática religiosa, é totalmente ausente (ao ponto de nem vermos seu rosto durante o filme todo) fator que apenas aumenta ainda mais as inseguranças da criança.
A outra é uma criatura que vive em corpo de criança mas tem idade muito acima das aparências e necessita de sangue humano para viver. Aos poucos, vai nascendo uma amizade entre ambos, enquanto eventos trágicos vão se acumulando durante a projeção.
Apesar de ser sobre vampiros, o filme não prioriza as cenas de violência ou de efeitos sanguinolentos, preferindo investir num clima sombrio e trágico, que vai aumentando à medida que a trama avança – no que a trilha musical discreta e assombrosa de Michael Giacchino ajuda muito.
Num gênero que caminha a passos largos para a saturação, “Deixe-me Entrar” é uma grata surpresa e serve também de alerta para pais e mães que não dão aos filhos a atenção necessária para garantir sua proteção nesse mundo cada vez mais violento e individualista no qual vivemos.
Cotação: * * * *
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Filmes: "Super 8"
**ATENÇÃO: Essa crítica contém spoilers!**
SEM MAGIA
Roteiro mais furado que queijo suiço e repleto de absurdos detona pretensão de capturar o espírito dos filmes de aventura dos anos 80
- Por André Lux, crítico-spam
"Super 8" é uma tentativa do diretor J.J. Abrams (da série "Lost" e do novo "Star Trek") de reviver a época mágica dos filmes de aventura e ficção que fizeram a festa da garotada nos anos 80. Não é a toa que Steven Spielberg atua na produção.
Mas a receita desandou nessa espécie de "Os Goonies encontram E.T." que contém todos os ingredientes (ou clichês) que ajudaram a fazer o sucesso dos filmes originais (como dramas familiares, turma de amigos inseparáveis, o primeiro amor, etc). O problema inicial são os garotos escolhidos por Abrams para os papéis principais. Nenhum deles tem carisma ou talento suficientes para gerar empatia - alguns chegam a ser realmente chatos, como o gordinho que dirige o filme em Super 8 e o dentuço que adora fazer bombas (que, obviamente, serão usadas num ponto chave da trama). O romance do casalzinho central também não convence nem um minuto.
O segundo (e maior) problema é o roteiro, mais furado que queijo suiço, repleto de absurdos e falta de lógica. Por exemplo: como é que um monstro daquele tamanho ia ficar andando pela cidade roubando motores de carros e fornos de microondas de casas sem que ninguém o visse? Outra besteira enorme: até parece que os militares (que são os verdadeiros vilões, no limite do caricato) iam deixar um cientista que participou das pesquisas com o alien livre e solto depois que se rebelou contra o exército! Quer mais uma? Que tal deixarem os objetos que seriam usados para a construção da nave bem no meio da cidade? Eles não queriam capturar a criatura novamente? Então no mínimo iam levar os tais dispositivos para bem longe...
E por aí vai. Nem vale a pena ficar enumerando tudo. Outra coisa que detona o filme e suas pretensões é o fato do alien ser realmente malvado durante todo o filme, no estilo do terrível "Cloverfield", destruindo carros, ônibus e casas e literalmente comendo pessoas! Então, quando tentam fazer um final no estilo emocionante de "E.T.", tudo soa absolutamente forçado e ridículo, por mais que tentem nos convencer que ele estava apenas bravo por ter sido mal tratado pelos milicos. Outro problema grave: os meninos, que deveriam ser os protagonistas da história, não tem realmente o que fazer ao ponto de a resolução da trama não ter qualquer participação deles (exceto como observadores), tão diferente de "E.T." ou mesmo "Os Goonies".
A única coisa boa do filme é a trilha musical de Michael Giacchino (colaborador constante de Abrams) que realmente contém um pouco da magia que o filme tenta capturar em vão. Nem mesmo o Super 8 rodado pelos meninos consegue ser trash o suficiente para ao menos gerar riso.
Esse é o típico caso em que o feitiço se virou contra os feiticeiros. O que é uma pena, pois um bom e divertido filme de ficção e aventura seria muito bem vindo nesses tempos de abominações insuportáveis como "Transformers" e "Fúria de Titãs 3D"...
Cotação: * *
SEM MAGIA
Roteiro mais furado que queijo suiço e repleto de absurdos detona pretensão de capturar o espírito dos filmes de aventura dos anos 80
- Por André Lux, crítico-spam
"Super 8" é uma tentativa do diretor J.J. Abrams (da série "Lost" e do novo "Star Trek") de reviver a época mágica dos filmes de aventura e ficção que fizeram a festa da garotada nos anos 80. Não é a toa que Steven Spielberg atua na produção.
Mas a receita desandou nessa espécie de "Os Goonies encontram E.T." que contém todos os ingredientes (ou clichês) que ajudaram a fazer o sucesso dos filmes originais (como dramas familiares, turma de amigos inseparáveis, o primeiro amor, etc). O problema inicial são os garotos escolhidos por Abrams para os papéis principais. Nenhum deles tem carisma ou talento suficientes para gerar empatia - alguns chegam a ser realmente chatos, como o gordinho que dirige o filme em Super 8 e o dentuço que adora fazer bombas (que, obviamente, serão usadas num ponto chave da trama). O romance do casalzinho central também não convence nem um minuto.
O segundo (e maior) problema é o roteiro, mais furado que queijo suiço, repleto de absurdos e falta de lógica. Por exemplo: como é que um monstro daquele tamanho ia ficar andando pela cidade roubando motores de carros e fornos de microondas de casas sem que ninguém o visse? Outra besteira enorme: até parece que os militares (que são os verdadeiros vilões, no limite do caricato) iam deixar um cientista que participou das pesquisas com o alien livre e solto depois que se rebelou contra o exército! Quer mais uma? Que tal deixarem os objetos que seriam usados para a construção da nave bem no meio da cidade? Eles não queriam capturar a criatura novamente? Então no mínimo iam levar os tais dispositivos para bem longe...
E por aí vai. Nem vale a pena ficar enumerando tudo. Outra coisa que detona o filme e suas pretensões é o fato do alien ser realmente malvado durante todo o filme, no estilo do terrível "Cloverfield", destruindo carros, ônibus e casas e literalmente comendo pessoas! Então, quando tentam fazer um final no estilo emocionante de "E.T.", tudo soa absolutamente forçado e ridículo, por mais que tentem nos convencer que ele estava apenas bravo por ter sido mal tratado pelos milicos. Outro problema grave: os meninos, que deveriam ser os protagonistas da história, não tem realmente o que fazer ao ponto de a resolução da trama não ter qualquer participação deles (exceto como observadores), tão diferente de "E.T." ou mesmo "Os Goonies".
A única coisa boa do filme é a trilha musical de Michael Giacchino (colaborador constante de Abrams) que realmente contém um pouco da magia que o filme tenta capturar em vão. Nem mesmo o Super 8 rodado pelos meninos consegue ser trash o suficiente para ao menos gerar riso.
Esse é o típico caso em que o feitiço se virou contra os feiticeiros. O que é uma pena, pois um bom e divertido filme de ficção e aventura seria muito bem vindo nesses tempos de abominações insuportáveis como "Transformers" e "Fúria de Titãs 3D"...
Cotação: * *
sábado, 6 de agosto de 2011
Filmes: "Capitão América: O Primeiro Vingador"
DIVERSÃO PURA
O filme é muito bom e não tem nada de patriotadas irritantes pelas quais os estadunidenses são famosos
- por André Lux, crítico-spam
Tinha tudo para dar errado mais esta adaptação de um super-herói da Marvel, a começar pelo nome “Capitão América”, que evoca as piores bravatas patrióticas pelas quais os estadunidenses são famosos.
Mas, por incrível que pareça, o filme é muito bom e não tem nada de patriotadas irritantes (que destruíram, por exemplo, “Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles”). Pelo contrário, deram até um jeito de ridicularizar o herói quando é reduzido a um mero garoto propaganda do exército para angariar dinheiro em bônus de guerra.
O diretor Joe Johston, que veio dos efeitos especiais e não tem lá um currículo muito brilhante (seu filme melhorzinho era “Rocketeer”), até que se sai bem aqui, equilibrando satisfatoriamente cenas de ação com outras mais intimistas que ajudam a gerar simpatia pelos personagens, essencial para que esse tipo de filme funcione.
O desenho de produção é muito bom (bem diferente do horrível “Thor”) e evoca com maestria o clima dos anos 40 (a história passa em plena segunda guerra mundial). Ajuda muito o elenco, principalmente os coadjuvantes, que dão força ao ator principal Chris Evans como Capitão América (aqui num papel bem diferente do arrogante e cheio de si Tocha Humana que interpretou nos filmes do “Quarteto Fantástico”). Mas quem brilha é o sempre excelente Hugo Weaving, o eterno Sr. Smith de “Matrix”, como o vilão Caveira Vermelha.
Os efeitos especiais são bons e na medida certa, o que é sempre uma surpresa já que hoje em dia, depois do advento da computação gráfica, a maioria dos filmes de ficção e aventura desse tipo acabam poluídos pelo excesso deles. O irregular compositor Alan Silvestri, da trilogia “De Volta Para o Futuro”, acerta também ao compor uma trilha musical adequada e sem exageros, muito bem orquestrada e executada, que atua em favor do filme – principalmente nas cenas de ação.
O filme também tem bastante humor (do tipo inteligente, não igual ao “Thor”, onde quase todas cenas cômicas mostravam o herói batendo a cabeça em alguma coisa) e, maior dos méritos, não se leva a sério. Nesses quesitos lembra bastante o “Superman” de 1978, com Christopher Reeve. É diversão pura e sem pretensões além disso. Por tudo isso, vale a pena ser visto.
Cotação: * * * *
O filme é muito bom e não tem nada de patriotadas irritantes pelas quais os estadunidenses são famosos
- por André Lux, crítico-spam
Tinha tudo para dar errado mais esta adaptação de um super-herói da Marvel, a começar pelo nome “Capitão América”, que evoca as piores bravatas patrióticas pelas quais os estadunidenses são famosos.
Mas, por incrível que pareça, o filme é muito bom e não tem nada de patriotadas irritantes (que destruíram, por exemplo, “Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles”). Pelo contrário, deram até um jeito de ridicularizar o herói quando é reduzido a um mero garoto propaganda do exército para angariar dinheiro em bônus de guerra.
O diretor Joe Johston, que veio dos efeitos especiais e não tem lá um currículo muito brilhante (seu filme melhorzinho era “Rocketeer”), até que se sai bem aqui, equilibrando satisfatoriamente cenas de ação com outras mais intimistas que ajudam a gerar simpatia pelos personagens, essencial para que esse tipo de filme funcione.
O desenho de produção é muito bom (bem diferente do horrível “Thor”) e evoca com maestria o clima dos anos 40 (a história passa em plena segunda guerra mundial). Ajuda muito o elenco, principalmente os coadjuvantes, que dão força ao ator principal Chris Evans como Capitão América (aqui num papel bem diferente do arrogante e cheio de si Tocha Humana que interpretou nos filmes do “Quarteto Fantástico”). Mas quem brilha é o sempre excelente Hugo Weaving, o eterno Sr. Smith de “Matrix”, como o vilão Caveira Vermelha.
Os efeitos especiais são bons e na medida certa, o que é sempre uma surpresa já que hoje em dia, depois do advento da computação gráfica, a maioria dos filmes de ficção e aventura desse tipo acabam poluídos pelo excesso deles. O irregular compositor Alan Silvestri, da trilogia “De Volta Para o Futuro”, acerta também ao compor uma trilha musical adequada e sem exageros, muito bem orquestrada e executada, que atua em favor do filme – principalmente nas cenas de ação.
O filme também tem bastante humor (do tipo inteligente, não igual ao “Thor”, onde quase todas cenas cômicas mostravam o herói batendo a cabeça em alguma coisa) e, maior dos méritos, não se leva a sério. Nesses quesitos lembra bastante o “Superman” de 1978, com Christopher Reeve. É diversão pura e sem pretensões além disso. Por tudo isso, vale a pena ser visto.
Cotação: * * * *
segunda-feira, 18 de julho de 2011
Filme: "Um Conto Chinês"
O filme é muito hábil em misturar momentos de pura comicidade com outros tocantes.
- por André Lux, crítico-spam
Falar da qualidade excepcional do cinema argentino já é chover no molhado, mas é impressionante a capacidade que "los hermanos" tem em transformar história simples e cotidianas em obras cinematográficas tocantes e ricas em profundidade.
É o caso deste "Um Conto Chinês", que traz o rosto mais conhecido do cinema da Argentina, Ricardo Darin, às voltas com um encontro totalmente inesperado com um chinês que vai parar em seu país depois que sua noiva morre ao ser atingida na cabeça por uma... vaca!
Darin interpreta com a maestria de sempre um dono de loja de ferragens que sofre de Transtorno Obssessivo Compulsivo (TOC). Por isso, é cheio de manias, mal humorado e solitário até o dia em que vê um chinês sendo jogado para fora de um taxi e, depois de fazer de tudo para se livrar dele, acaba sendo obrigado a dar-lhe abrigo.
O chinês não fala uma palavra de espanhol e tem apenas tatuado no braço o endereço de seu tio, que não mora mais no local. Enquanto esperam a embaixada chinesa tentar localizar o tio perdido, o argentino e o chinês são obrigados a conviver, para desespero do primeiro.
O filme é muito hábil em misturar momentos de pura comicidade (principalmente nas tentativas frustradas de comunicação entre ambos) com outros tocantes. Aos poucos, o arredio argentino vai deixando o chinês entrar em sua vida e mudanças começam a acontecer lentamente.
Um tema simples, singelo até, mas que rende um filme muito agradável e que vale a pena ser visto.
Cotação: * * * *
quarta-feira, 29 de junho de 2011
Filmes: "ALEXANDRIA"
O SER HUMANO É INVIÁVEL
A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria”
- por André Lux, crítico-spam
Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão impressionante como “Alexandria”, do diretor chileno radicado na Espanha Alejandro Amenabar (de “Os Outros” e “Mar Adentro”). Trata-se de uma obra arrebatadora, extremamente bem feita e que recria com perfeição o que seria a Alexandria do Século IV D.C., época em que o Império Romano já estava em decadência e o cristianismo acabara de deixar de ser proibido, apenas para então começar a perseguir e proibir os outros cultos.
No meio de toda essa agitação e caos estava a professora, filósofa e astrônoma Hypatia, homenageada por Carl Sagan em seu "Cosmos". Amada por um de seus alunos e por seu escravo, ela não se curvava a ninguém, pois sua única paixão na vida era o estudo dos corpos celestes. É essa personagem real que serve de esteio ao filme, enquanto o roteiro avança de forma trágica à medida que os conflitos entre cristãos, pagãos e judeus culmina em violência e guerras declaradas.
A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria” e Amenabar imprime suas críticas com grande destreza, dosando com perfeição cenas grandiosas e cheias de efeitos visuais com outras mais intimistas e profundas. De vez em quando, a câmera viaja até o espaço e vemos a Terra em toda sua majestade, como que para nos lembrar da nossa insignificância perante o universo. Em momentos como esse, o filme chega perto do sublime.
Numa das cenas mais emocionantes de “Alexandria”, a protagonista, vivida esplendidamente por Rachel Weisz, confronta um de seus ex-alunos que se tornou bispo cristão e tenta convertê-la à sua fé que, como bem sabemos, não permite jamais o questionamento: “Mas se você não questiona a sua fé, então não acredita realmente nela”. Em outro momento, ao ser acusada de "não acreditar em nada" pelo seu ateísmo, Hypatia responde: "Eu acredito na Filosofia". Sinceramente, diálogos em filmes não podem ser mais perfeitos do que esse.
É interessante também como a obra mostra de forma clara o retrocesso que a seita cristã trouxe para o mundo. Se a civilização anterior obviamente não era isenta de falhas (como permitir a escravidão, servir sacrifícios aos deuses e se dividir em castas), é inegável que reservava ao ser humano um papel muito mais nobre e intelectual do que a submissão e o obscurantismo cegos pregado pelo cristianismo. Tanto é que, pouco tempo depois da ascensão daquele culto ao poder, o mundo entraria na escuridão e retrocesso da idade média e de todo o horror cometido durante aquele período.
O mais importante de “Alexandria”, todavia, é o paralelo que o cineasta trava entre o mundo retratado pelo filme e o fanatismo que existe até hoje, capaz de gerar suficiente ódio entre as pessoas para que cometam os atos mais escabrosos possíveis. E tudo em nome de algum deus inventado que, se realmente existisse, estaria morrendo de vergonha de toda a loucura que realizam em seu nome e certamente diria algo como: “o ser humano é inviável”.
Uma obra forte, porém imperdível.
Cotação: * * * * *
A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria”
- por André Lux, crítico-spam
Fazia tempo que eu não assistia a um filme tão impressionante como “Alexandria”, do diretor chileno radicado na Espanha Alejandro Amenabar (de “Os Outros” e “Mar Adentro”). Trata-se de uma obra arrebatadora, extremamente bem feita e que recria com perfeição o que seria a Alexandria do Século IV D.C., época em que o Império Romano já estava em decadência e o cristianismo acabara de deixar de ser proibido, apenas para então começar a perseguir e proibir os outros cultos.
No meio de toda essa agitação e caos estava a professora, filósofa e astrônoma Hypatia, homenageada por Carl Sagan em seu "Cosmos". Amada por um de seus alunos e por seu escravo, ela não se curvava a ninguém, pois sua única paixão na vida era o estudo dos corpos celestes. É essa personagem real que serve de esteio ao filme, enquanto o roteiro avança de forma trágica à medida que os conflitos entre cristãos, pagãos e judeus culmina em violência e guerras declaradas.
A condenação a todo tipo de fanatismo está no centro de “Alexandria” e Amenabar imprime suas críticas com grande destreza, dosando com perfeição cenas grandiosas e cheias de efeitos visuais com outras mais intimistas e profundas. De vez em quando, a câmera viaja até o espaço e vemos a Terra em toda sua majestade, como que para nos lembrar da nossa insignificância perante o universo. Em momentos como esse, o filme chega perto do sublime.
Numa das cenas mais emocionantes de “Alexandria”, a protagonista, vivida esplendidamente por Rachel Weisz, confronta um de seus ex-alunos que se tornou bispo cristão e tenta convertê-la à sua fé que, como bem sabemos, não permite jamais o questionamento: “Mas se você não questiona a sua fé, então não acredita realmente nela”. Em outro momento, ao ser acusada de "não acreditar em nada" pelo seu ateísmo, Hypatia responde: "Eu acredito na Filosofia". Sinceramente, diálogos em filmes não podem ser mais perfeitos do que esse.
É interessante também como a obra mostra de forma clara o retrocesso que a seita cristã trouxe para o mundo. Se a civilização anterior obviamente não era isenta de falhas (como permitir a escravidão, servir sacrifícios aos deuses e se dividir em castas), é inegável que reservava ao ser humano um papel muito mais nobre e intelectual do que a submissão e o obscurantismo cegos pregado pelo cristianismo. Tanto é que, pouco tempo depois da ascensão daquele culto ao poder, o mundo entraria na escuridão e retrocesso da idade média e de todo o horror cometido durante aquele período.
O mais importante de “Alexandria”, todavia, é o paralelo que o cineasta trava entre o mundo retratado pelo filme e o fanatismo que existe até hoje, capaz de gerar suficiente ódio entre as pessoas para que cometam os atos mais escabrosos possíveis. E tudo em nome de algum deus inventado que, se realmente existisse, estaria morrendo de vergonha de toda a loucura que realizam em seu nome e certamente diria algo como: “o ser humano é inviável”.
Uma obra forte, porém imperdível.
Cotação: * * * * *
sexta-feira, 10 de junho de 2011
DVD: "O PACTO DOS LOBOS"
DIVERSÃO DE PRIMEIRA
Não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente
- por André Lux, crítico-spam
É engraçado como críticas positivas acabam, muitas vezes, mais prejudicando do que ajudando a carreira de certos filmes. É exatamente o caso desse PACTO DOS LOBOS, fita francesa que fez grande sucesso em seu país de origem, mas acabou passando em branco no resto do mundo. Esse fracasso relativo é, em parte, explicado pelos elogios excessivos que andou recebendo, com frases desconexas do tipo "É a melhor aventura de ação dos últimos dez anos" ou "Um épico grandioso" que, infelizmente, acabam criando na platéia uma grande expectativa em relação ao filme, fazendo-a esperar por uma obra-prima revolucionária ou algo do tipo.
O que, no final das contas, é uma grande injustiça, pois esse filme dirigido por Christophe Gans (que já havia demonstrado talento no pouco visto O COMBATE - LÁGRIMAS DO GUERREIRO) é, antes de mais nada, extremamente bem feito e original. O erro mais uma vez é tentar vender um produto tipicamente europeu como se fosse uma fita de "ação e aventuras" feita nos moldes do cinemão comercial dos EUA. Ou seja, querem nos fazer acreditar que estamos diante de uma simples fita de consumo rápido e superficial quando, na verdade, o que encontramos é um filme rico em conteúdos psicológicos e nuances, no qual o mais importante é o relacionamento entre os personagens (e aqui são muitos e complexos) e o desenvolvimento da personalidade deles.
Soma-se a isso uma grande quantidade de cenas de luta brilhantemente realizadas (que deixam bobagens pretensiosas como O TIGRE E O DRAGÃO comendo poeira) e uma pitada das fitas assumidamente trash que tanto amamos e, pronto, temos aqui uma ótima diversão indicada para quem conhece o mundo dos quadrinhos para adultos e filmes como EVIL DEAD (não por acaso a trilha musical é do mesmo Joseph Lo Duca, cuja assinatura está também no seriado XENA, A PRINCESA GUERREIRA).
Mas vai quebrar a cara quem está esperando ver um filme mal feito ou tosco, pois tecnicamente é primoroso, onde a montagem e a direção de fotografia são os destaques, alternando cortes e fusões inspiradíssimos com tomadas de rara beleza (é essencial assistir ao filme na versão original em widescreen). Gans não tem o menor pudor em colocar sua câmera em locais pouco ortodoxos nem em movimentá-la livremente por um cenário natural de fazer cair o queixo, sem nunca interferir na trama chamando a atenção para sí a não ser quando era necessário - como nas seqüências de luta, por exemplo.
A trama gira em torno de um fato real que aconteceu numa província da França do final do século 18, quando mais de uma centena de camponeses foram trucidados por uma besta feroz. O caso nunca foi solucionado e é a partir dessa premissa que Stéphane Cabel e Christophe Gans constroem seu roteiro, que começa com a chegada ao local do naturalista e filósofo Grégoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) que vem para investigar os crimes a pedido do rei, acompanhado de seu fiel escudeiro Mani, um índio Iroquoi que também é mestre em artes marciais (interpretado por Mark Dacascos), que já na sua primeira cena dá uma surra exemplar em um bando de brutamontes.
É nessa excelente seqüência que o diretor deixa claro a que veio: fazer um filme de fantasia no melhor estilo das graphic novels e mangas adultos, cuja preocupação com a lógica é deixada um pouco de lado em favor de cenas esteticamente brilhantes e ricas em detalhes gráficos. Não é nada mais, portanto, que um ótimo quadrinho filmado. Ajuda muito o fato de contar com um elenco formado por atores de verdade, todos trabalhando a serviço da trama e do desenvolvimento de seus personagens, tão diferente dos enlatados do gênero feitos em série nos EUA com seus "astros" fazendo caras e bocas, soluções simplórias ou piadinhas irritantes.
Todavia, é preciso perdoar-se os detalhes sangrentos, os efeitos sonoros exagerados e a duração excessiva, resultando em 2h20 de projeção que, embora não chegue a incomodar como afirmam seus detratores, podia ter 20 minutos a menos sem trazer danos à trama. O maior problema do filme na verdade é mesmo sua conclusão, na qual tentam dar um sentido à história por trás das aparições da Besta que ficaria melhor se deixado em aberto com um tom mais sobrenatural. A própria revelação da criatura (cujo visual remete a RAZORBACK, outro trash talentoso feito por Russell Mulcahy) acaba sendo meio anticlimática, baseando-se muito em efeitos digitais exagerados e desnecessários.
Outro escorregão foi ter transformado metade do elenco em clones de "Conan, o Bárbaro" durante o confronto final, com direito inclusive a duelos com espada e outros instrumentos de luta que ficariam bem nas mãos de um Bruce Lee, mas não nas dos personagens do filme - exceto o índio Mani, cujo ar misterioso ajudava a engolir sua bizarra perícia em artes marciais.
Mas, entre mortos e feridos, O PACTO DOS LOBOS é diversão de primeira como há muito não se via nas telas, extremamente bem realizada e envolvente. E se não bastasse tudo isso, traz ainda de quebra a presença de Mônica Bellucci e suas curvas exuberantes (às quais são muito bem exploradas pelo diretor). Claro que não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente.
Cotação: ****
Não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente
- por André Lux, crítico-spam
É engraçado como críticas positivas acabam, muitas vezes, mais prejudicando do que ajudando a carreira de certos filmes. É exatamente o caso desse PACTO DOS LOBOS, fita francesa que fez grande sucesso em seu país de origem, mas acabou passando em branco no resto do mundo. Esse fracasso relativo é, em parte, explicado pelos elogios excessivos que andou recebendo, com frases desconexas do tipo "É a melhor aventura de ação dos últimos dez anos" ou "Um épico grandioso" que, infelizmente, acabam criando na platéia uma grande expectativa em relação ao filme, fazendo-a esperar por uma obra-prima revolucionária ou algo do tipo.
O que, no final das contas, é uma grande injustiça, pois esse filme dirigido por Christophe Gans (que já havia demonstrado talento no pouco visto O COMBATE - LÁGRIMAS DO GUERREIRO) é, antes de mais nada, extremamente bem feito e original. O erro mais uma vez é tentar vender um produto tipicamente europeu como se fosse uma fita de "ação e aventuras" feita nos moldes do cinemão comercial dos EUA. Ou seja, querem nos fazer acreditar que estamos diante de uma simples fita de consumo rápido e superficial quando, na verdade, o que encontramos é um filme rico em conteúdos psicológicos e nuances, no qual o mais importante é o relacionamento entre os personagens (e aqui são muitos e complexos) e o desenvolvimento da personalidade deles.
Soma-se a isso uma grande quantidade de cenas de luta brilhantemente realizadas (que deixam bobagens pretensiosas como O TIGRE E O DRAGÃO comendo poeira) e uma pitada das fitas assumidamente trash que tanto amamos e, pronto, temos aqui uma ótima diversão indicada para quem conhece o mundo dos quadrinhos para adultos e filmes como EVIL DEAD (não por acaso a trilha musical é do mesmo Joseph Lo Duca, cuja assinatura está também no seriado XENA, A PRINCESA GUERREIRA).
Mas vai quebrar a cara quem está esperando ver um filme mal feito ou tosco, pois tecnicamente é primoroso, onde a montagem e a direção de fotografia são os destaques, alternando cortes e fusões inspiradíssimos com tomadas de rara beleza (é essencial assistir ao filme na versão original em widescreen). Gans não tem o menor pudor em colocar sua câmera em locais pouco ortodoxos nem em movimentá-la livremente por um cenário natural de fazer cair o queixo, sem nunca interferir na trama chamando a atenção para sí a não ser quando era necessário - como nas seqüências de luta, por exemplo.
A trama gira em torno de um fato real que aconteceu numa província da França do final do século 18, quando mais de uma centena de camponeses foram trucidados por uma besta feroz. O caso nunca foi solucionado e é a partir dessa premissa que Stéphane Cabel e Christophe Gans constroem seu roteiro, que começa com a chegada ao local do naturalista e filósofo Grégoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) que vem para investigar os crimes a pedido do rei, acompanhado de seu fiel escudeiro Mani, um índio Iroquoi que também é mestre em artes marciais (interpretado por Mark Dacascos), que já na sua primeira cena dá uma surra exemplar em um bando de brutamontes.
É nessa excelente seqüência que o diretor deixa claro a que veio: fazer um filme de fantasia no melhor estilo das graphic novels e mangas adultos, cuja preocupação com a lógica é deixada um pouco de lado em favor de cenas esteticamente brilhantes e ricas em detalhes gráficos. Não é nada mais, portanto, que um ótimo quadrinho filmado. Ajuda muito o fato de contar com um elenco formado por atores de verdade, todos trabalhando a serviço da trama e do desenvolvimento de seus personagens, tão diferente dos enlatados do gênero feitos em série nos EUA com seus "astros" fazendo caras e bocas, soluções simplórias ou piadinhas irritantes.
Todavia, é preciso perdoar-se os detalhes sangrentos, os efeitos sonoros exagerados e a duração excessiva, resultando em 2h20 de projeção que, embora não chegue a incomodar como afirmam seus detratores, podia ter 20 minutos a menos sem trazer danos à trama. O maior problema do filme na verdade é mesmo sua conclusão, na qual tentam dar um sentido à história por trás das aparições da Besta que ficaria melhor se deixado em aberto com um tom mais sobrenatural. A própria revelação da criatura (cujo visual remete a RAZORBACK, outro trash talentoso feito por Russell Mulcahy) acaba sendo meio anticlimática, baseando-se muito em efeitos digitais exagerados e desnecessários.
Outro escorregão foi ter transformado metade do elenco em clones de "Conan, o Bárbaro" durante o confronto final, com direito inclusive a duelos com espada e outros instrumentos de luta que ficariam bem nas mãos de um Bruce Lee, mas não nas dos personagens do filme - exceto o índio Mani, cujo ar misterioso ajudava a engolir sua bizarra perícia em artes marciais.
Mas, entre mortos e feridos, O PACTO DOS LOBOS é diversão de primeira como há muito não se via nas telas, extremamente bem realizada e envolvente. E se não bastasse tudo isso, traz ainda de quebra a presença de Mônica Bellucci e suas curvas exuberantes (às quais são muito bem exploradas pelo diretor). Claro que não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente.
Cotação: ****
sexta-feira, 27 de maio de 2011
Suite de "Outland", de Jerry Goldsmith
Uma das minhas trilhas favoritas do mestre, vi o filme no cinema em 1981 com a minha avó!
É um "Matar ou Morrer" no espaço sideral, mais precisamente em uma das luas de Júpiter, com um clima de "Alien" (mas sem monstros).
Ouçam abaixo duas suites da trilha sensacional de Jerry Goldsmith, que se inspirou bastante no estilo de Stravinsky - principalmente nas faixas de ação.
É um "Matar ou Morrer" no espaço sideral, mais precisamente em uma das luas de Júpiter, com um clima de "Alien" (mas sem monstros).
Ouçam abaixo duas suites da trilha sensacional de Jerry Goldsmith, que se inspirou bastante no estilo de Stravinsky - principalmente nas faixas de ação.
sábado, 14 de maio de 2011
DVD: "Battlestar Galactica"
MEU DEUS!
Série que começou muito bem implode na conclusão ridícula e absurda
- por André Lux, crítico-spam
Finalmente consegui terminar de assistir às quatro temporadas da série de ficção científica "Battlestar Galactica" (incluindo aí o piloto de duas horas). O mais engraçado é que eu já havia tentado assistir antes, quando estava sendo exibido na tv a cabo (entre 2004 e 2009), mas depois de alguns episódios a rejeitei totalmente, certamente por ser um fã da série original que foi exibida no Brasil no início dos anos 1980 (o filme piloto foi inclusive passou nos cinemas aqui).
O problema, na época, é que não consegui aceitar todas as mudanças radicais que a nova série tinha em relação à original (como colocar Starbuck e Boomer como mulheres, o latino Edward James Olmos como Adama, até o clima ultra realista e a música minimalista e tribal).
"Battlestar Galactica" original, que teve apenas uma temporada, era um dos muitos subprodutos dos sucesso de "Star Wars" e trazia no enredo uma simples disputa do bem contra o mal. No caso, o bem era representado pelos humanos enquanto o mal estava encarnado nos malvados Cylons, que eram uns robôs zarolhos comandados por uma criatura que parecia uma formiga gigante com cabelo afro, chamado apenas de "Líder Imperioso".
Na nova versão, os Cylons foram criados pelos próprios humanos, se rebelaram e, depois de um longo tempo de trégua, resolvem exterminar a humanidade de vez. Assim como na série original, os poucos sobreviventes se reúnem num comboio e partem em direção à mítica Terra, sob a vigilância da nave de combate Galactica. Mas as semelhanças param por aí.
Na nova série há um desejo de deixar a diferença entre o bem e o mal mais cinzenta, não tão bem definida. O personagem do doutor Baltar é o ponto mais forte deste aspecto, já que vendeu segredos da segurança das 12 colônias a uma agente Cylon em troca de sexo sem saber o mal que estava causando. Aí entra outro diferencial radical em relação à série original: os Cylons evoluíram e agora tem modelos que são idênticos aos humanos (e que no desenrolar da série passam a ser chamados de "skyn jobs", numa referência direta ao filme "Blade Runner"). Ou seja, seriam replicantes.
Tanto o piloto de duas horas, quando as duas primeiras temporadas do novo "Battlestar Galactica" são excelentes e conseguem mesclar o que poderia existir de melhor na ficção científica. Mas, a partir de terceira temporada, as coisas começam a derrapar até chegar a um final completamente ridículo e absurdo.
O criador da nova série, Ronald D. Moore, ao que tudo indica é um religioso fervoroso que milita contra a tecnologia e isso fica claro na conclusão. Mas nem é isso que estraga a série. O problema é que Moore e sua equipe de roteiristas criaram dezenas de situações e mistérios que não foram solucionados de maneira satisfatória e coerente ou simplesmente foram deixados de lado.
Fica claro desde o início que existem doze modelos de Cylons que se parecem com humanos - e isso serve para criar um clima de paranóia muito interessante nas duas primeiras temporadas. Com o passar do tempo, sete deles são revelados. Depois disso, fica bastante óbvio que Moore não sabe o que fazer com os cinco finais e aí começa a inventar uma série de besteiras relacionadas a eles (como o fato de não saberem que são Cylons e todos estarem a bordo da Galactica), preenchendo os buracos da trama como sonhos premonitórios, papo furado sobre anjos e deuses e pregação religiosa da mais irritante.
No último episódio da série, com duração de três horas e dividido em três partes, todos os mistérios e pontas soltas deixadas durante a série são explicadas da maneira mais simples e idiota possível: "Tudo foi obra de deus". E ponto final. É um brutal Deus Ex Machina jogado como uma bomba atômica no final da série que praticamente destrói tudo que foi visto antes. E que negócio foi aquele dos sobreviventes decidirem, ao chegar na nova Terra, abandonar toda a tecnologia e o conforto que tinham para viver ao relento e usando tangas feitas de pele? No mínimo iam morrer de fome, de doenças, de frio ou do ataque de algum predador selvagem!
É uma pena, pois a série realmente era muito boa no seu começo...
Série que começou muito bem implode na conclusão ridícula e absurda
- por André Lux, crítico-spam
Finalmente consegui terminar de assistir às quatro temporadas da série de ficção científica "Battlestar Galactica" (incluindo aí o piloto de duas horas). O mais engraçado é que eu já havia tentado assistir antes, quando estava sendo exibido na tv a cabo (entre 2004 e 2009), mas depois de alguns episódios a rejeitei totalmente, certamente por ser um fã da série original que foi exibida no Brasil no início dos anos 1980 (o filme piloto foi inclusive passou nos cinemas aqui).
O problema, na época, é que não consegui aceitar todas as mudanças radicais que a nova série tinha em relação à original (como colocar Starbuck e Boomer como mulheres, o latino Edward James Olmos como Adama, até o clima ultra realista e a música minimalista e tribal).
"Battlestar Galactica" original, que teve apenas uma temporada, era um dos muitos subprodutos dos sucesso de "Star Wars" e trazia no enredo uma simples disputa do bem contra o mal. No caso, o bem era representado pelos humanos enquanto o mal estava encarnado nos malvados Cylons, que eram uns robôs zarolhos comandados por uma criatura que parecia uma formiga gigante com cabelo afro, chamado apenas de "Líder Imperioso".
Na nova versão, os Cylons foram criados pelos próprios humanos, se rebelaram e, depois de um longo tempo de trégua, resolvem exterminar a humanidade de vez. Assim como na série original, os poucos sobreviventes se reúnem num comboio e partem em direção à mítica Terra, sob a vigilância da nave de combate Galactica. Mas as semelhanças param por aí.
Na nova série há um desejo de deixar a diferença entre o bem e o mal mais cinzenta, não tão bem definida. O personagem do doutor Baltar é o ponto mais forte deste aspecto, já que vendeu segredos da segurança das 12 colônias a uma agente Cylon em troca de sexo sem saber o mal que estava causando. Aí entra outro diferencial radical em relação à série original: os Cylons evoluíram e agora tem modelos que são idênticos aos humanos (e que no desenrolar da série passam a ser chamados de "skyn jobs", numa referência direta ao filme "Blade Runner"). Ou seja, seriam replicantes.
Tanto o piloto de duas horas, quando as duas primeiras temporadas do novo "Battlestar Galactica" são excelentes e conseguem mesclar o que poderia existir de melhor na ficção científica. Mas, a partir de terceira temporada, as coisas começam a derrapar até chegar a um final completamente ridículo e absurdo.
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| A série original, de 1978 |
Fica claro desde o início que existem doze modelos de Cylons que se parecem com humanos - e isso serve para criar um clima de paranóia muito interessante nas duas primeiras temporadas. Com o passar do tempo, sete deles são revelados. Depois disso, fica bastante óbvio que Moore não sabe o que fazer com os cinco finais e aí começa a inventar uma série de besteiras relacionadas a eles (como o fato de não saberem que são Cylons e todos estarem a bordo da Galactica), preenchendo os buracos da trama como sonhos premonitórios, papo furado sobre anjos e deuses e pregação religiosa da mais irritante.
No último episódio da série, com duração de três horas e dividido em três partes, todos os mistérios e pontas soltas deixadas durante a série são explicadas da maneira mais simples e idiota possível: "Tudo foi obra de deus". E ponto final. É um brutal Deus Ex Machina jogado como uma bomba atômica no final da série que praticamente destrói tudo que foi visto antes. E que negócio foi aquele dos sobreviventes decidirem, ao chegar na nova Terra, abandonar toda a tecnologia e o conforto que tinham para viver ao relento e usando tangas feitas de pele? No mínimo iam morrer de fome, de doenças, de frio ou do ataque de algum predador selvagem!
É uma pena, pois a série realmente era muito boa no seu começo...
quinta-feira, 12 de maio de 2011
FIRST KNIGHT: LIMITED EDITION (2CD-SET)
La-La Land Records and Sony Music proudly present the expanded, 2CD presentation of legendary composer Jerry Goldsmith's (PATTON, THE OMEN, BASIC INSTINCT) powerful orchestral score to the 1995 Columbia Pictures feature film FIRST KNIGHT, starring Sean Connery, Richard Gere and Julia Ormond, directed by Jerry Zucker.
Considered by many, including the maestro himself, to be one of Goldsmith's finest scores, this important work, (presented in its film version for the first time), has been expanded over the original soundtrack release by more than a full hour, including additional alternate tracks. The original 1995 soundtrack release is also presented here, remastered.
Produced by Bruce Botnick, Mike Matessino and Didier C. Deutsch, and mastered by Bruce Botnick from Mr. Botnick's own 1st generation digital masters straight from the mixing board, this limited edition release is the definitive presentation of this masterful Goldsmith score. Exclusive, in-depth liner notes are by film music writer Jeff Bond, with additional comments from Bruce Botnick. This is a limited edition release of 5000 Units.
TRACK LISTING:
Disc 1
The Film Score
The Legend Of Camelot :58
Raid On Leonesse 5:12
True Love/The Ambush/First Sight 6:24
Does It Please You/ Look At Me 3:25
Promise Me 2:20
Camelot 2:37
Gauntlet Drums 1:50
Meet the Queen :45
The Gauntlet/No Kiss 2:02
No Joy/Try Her/Wedding Plans/I Will Fight 2:58
Boat Trip 2:03
The Cave 2:14
Walls Of Air 1:33
Escape From The Cave 3:25
Prove It 2:55
A New Life 5:38
To Leonesse 3:24
Night Battle 5:53
Village Ruins 3:19
The Kiss 1:59
Open The Door/No One Move 1:58
Arthur’s Farewell 5:25
Never Surrender 5:40
Camelot Lives 4:04
Disc 1 Time: 78:50
Disc 2
The 1995 Soundtrack Album
Arthur's Fanfare 0:45
Promise Me 4:04
Camelot 2:19
Raid On Leonesse 4:26
A New Life 4:54
To Leonesse 3:25
Night Battle 5:39
Village Ruins 3:20
Arthur’s Farewell 5:25
Camelot Lives 5:40
1995 Soundtrack Time: 40:17
Additional Music
The Ambush / First Sight (alternate) 5:46
Boat Trip (alternate segment) 1:05
A New Life (alternate 1) 5:37
A New Life (alternate 2) 3:14
To Leonesse (alternate) 2:40
Village Ruins (alternate) 3:29
Never Surrender (alternate) 5:20
Additional Music Time: 27:29
Disc 2 Time: 67:53
Compre aqui.
Considered by many, including the maestro himself, to be one of Goldsmith's finest scores, this important work, (presented in its film version for the first time), has been expanded over the original soundtrack release by more than a full hour, including additional alternate tracks. The original 1995 soundtrack release is also presented here, remastered.
Produced by Bruce Botnick, Mike Matessino and Didier C. Deutsch, and mastered by Bruce Botnick from Mr. Botnick's own 1st generation digital masters straight from the mixing board, this limited edition release is the definitive presentation of this masterful Goldsmith score. Exclusive, in-depth liner notes are by film music writer Jeff Bond, with additional comments from Bruce Botnick. This is a limited edition release of 5000 Units.
TRACK LISTING:
Disc 1
The Film Score
The Legend Of Camelot :58
Raid On Leonesse 5:12
True Love/The Ambush/First Sight 6:24
Does It Please You/ Look At Me 3:25
Promise Me 2:20
Camelot 2:37
Gauntlet Drums 1:50
Meet the Queen :45
The Gauntlet/No Kiss 2:02
No Joy/Try Her/Wedding Plans/I Will Fight 2:58
Boat Trip 2:03
The Cave 2:14
Walls Of Air 1:33
Escape From The Cave 3:25
Prove It 2:55
A New Life 5:38
To Leonesse 3:24
Night Battle 5:53
Village Ruins 3:19
The Kiss 1:59
Open The Door/No One Move 1:58
Arthur’s Farewell 5:25
Never Surrender 5:40
Camelot Lives 4:04
Disc 1 Time: 78:50
Disc 2
The 1995 Soundtrack Album
Arthur's Fanfare 0:45
Promise Me 4:04
Camelot 2:19
Raid On Leonesse 4:26
A New Life 4:54
To Leonesse 3:25
Night Battle 5:39
Village Ruins 3:20
Arthur’s Farewell 5:25
Camelot Lives 5:40
1995 Soundtrack Time: 40:17
Additional Music
The Ambush / First Sight (alternate) 5:46
Boat Trip (alternate segment) 1:05
A New Life (alternate 1) 5:37
A New Life (alternate 2) 3:14
To Leonesse (alternate) 2:40
Village Ruins (alternate) 3:29
Never Surrender (alternate) 5:20
Additional Music Time: 27:29
Disc 2 Time: 67:53
Compre aqui.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Filmes: "THOR"
FRAQUINHO
Filme tem roteiro ruim, desenho de produção feio e é cheio de situações forçadas
- por André Lux, crítico-spam
É bem fraquinha essa adaptação de mais um personagem da Marvel. Não adiantou nada chamarem o outrora prestigiado diretor Kenneth Branagh, famoso por suas adaptações cinematográficas da obra da Shakspeare, porque a única coisa que ele fez de diferente foi entortar a câmera toda hora, ao ponto de irritar.
Mas a culpa nem é tanto do diretor, pois o roteiro é muito ruim e não dá a menor chance para os atores, além de ser incapaz de gerar qualquer envolvimento ou emoção. Cheio de diálogos constrangedores e situações forçadas, a trama vai capengando até o final óbvio - o embate entre o herói e o vilão. Mas, detalhe: ambos são imortais, portanto não dá para esperar muito dessa luta.
Não faz o menor sentido tentarem pintar Thor como um garotão arrogante e bobo, chegado a um bullying intergaláctico, só para inventarem uma desculpa para ele ser banido para a Terra (para diminuir os custos da produção), onde ele já chega de jeans e camiseta! Também não convence nem um minuto o romance entre ele e a cientista Jane, pois o fortão Chris Hemsworth e Natalie Portman tem química zero na tela.
A loucura do vilão Loki, meio irmão de Thor, também não convence, embora o diretor Branagh tente imprimir (sem sucesso) algum conflito shakespereano entre ele e o pai Odin (um Anthony Hopkins barbudo e caolho). O filme também tem um desenho de produção que tenta ser retrô, mas só consegue ser feio e brega (algumas cenas parecem desfile de escola de samba). Pior é a trupe de guerreiros amigos do Thor que parecem ter saído direto de uma montagem escolar de "O Senhor dos Anéis".
Nem mesmo a trilha musical de Patrick Doyle, colaborador habitual de Branagh desde "Henrique V", chega a brilhar. Se não bastasse ter um material tão fraco para buscar inspiração, ainda fica óbvio que foi forçado pelos produtores a emular o "estilo" do abominável Hans Zimmer e seus clones, que atualmente fazem a cabeça de adolescentes que frequentam os cinemas.
Cheguei a ver alguns críticos dizerem que esse "Thor" é tão bom quanto o "Superman" do Richard Donner. Só pode ser brincadeira, porque este está muito mais para aquele desastroso filme do "He-Man" em carne e osso, estrelado pelo megacanastrão Dolph Lundgren. Por sinal, é incrível que a adaptação das aventuras do homem de aço, feita em 1978, consiga ter efeitos visuais mais criativos e bacanas do que algo feito com tudo que há de mais moderno em computação gráfica! Ah, velhos tempos...
Cotação: * *
Filme tem roteiro ruim, desenho de produção feio e é cheio de situações forçadas
- por André Lux, crítico-spam
É bem fraquinha essa adaptação de mais um personagem da Marvel. Não adiantou nada chamarem o outrora prestigiado diretor Kenneth Branagh, famoso por suas adaptações cinematográficas da obra da Shakspeare, porque a única coisa que ele fez de diferente foi entortar a câmera toda hora, ao ponto de irritar.
Mas a culpa nem é tanto do diretor, pois o roteiro é muito ruim e não dá a menor chance para os atores, além de ser incapaz de gerar qualquer envolvimento ou emoção. Cheio de diálogos constrangedores e situações forçadas, a trama vai capengando até o final óbvio - o embate entre o herói e o vilão. Mas, detalhe: ambos são imortais, portanto não dá para esperar muito dessa luta.
Não faz o menor sentido tentarem pintar Thor como um garotão arrogante e bobo, chegado a um bullying intergaláctico, só para inventarem uma desculpa para ele ser banido para a Terra (para diminuir os custos da produção), onde ele já chega de jeans e camiseta! Também não convence nem um minuto o romance entre ele e a cientista Jane, pois o fortão Chris Hemsworth e Natalie Portman tem química zero na tela.
A loucura do vilão Loki, meio irmão de Thor, também não convence, embora o diretor Branagh tente imprimir (sem sucesso) algum conflito shakespereano entre ele e o pai Odin (um Anthony Hopkins barbudo e caolho). O filme também tem um desenho de produção que tenta ser retrô, mas só consegue ser feio e brega (algumas cenas parecem desfile de escola de samba). Pior é a trupe de guerreiros amigos do Thor que parecem ter saído direto de uma montagem escolar de "O Senhor dos Anéis".
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| Desfile de escola de samba em Asgard? |
Cheguei a ver alguns críticos dizerem que esse "Thor" é tão bom quanto o "Superman" do Richard Donner. Só pode ser brincadeira, porque este está muito mais para aquele desastroso filme do "He-Man" em carne e osso, estrelado pelo megacanastrão Dolph Lundgren. Por sinal, é incrível que a adaptação das aventuras do homem de aço, feita em 1978, consiga ter efeitos visuais mais criativos e bacanas do que algo feito com tudo que há de mais moderno em computação gráfica! Ah, velhos tempos...
Cotação: * *
domingo, 1 de maio de 2011
Non Nobis Domine, de "Henrique V", composta por Patrick Doyle
Confira abaixo o concerto em Ubeda, na Espanha, da trilha de Patrick Doyle para "Henrique V", de Kenneth Branagh. Doyle é o solista que começa a música e a orquestra é conduzida por Joel McNeely. De arrepiar até o último fio de cabelo!
quinta-feira, 28 de abril de 2011
Uma excelente análise da trilha de "Alien" (em inglês)
- by Rafael Ruiz, at Soundtracknet
In 1979, composer Jerry Goldsmith wrote his best score. At times majestic, at times frightening, the movie told the story of space travelers confronted with an alien threat. It spanned a motion picture franchise with a devoted that continues to even today.
He also wrote Alien, which wasn't too shabby itself.
Goldsmith was on fire at this time. He had just won an Oscar two years previously for The Omen and was writing one score after another. In 1977, he did eight scores alone. In the wake of Star Wars, epic scores were a rage again and Goldsmith was able to write the full-bodied scores he was capable of. He would compose Great Train Robbery right before this one and Star Trek: The Motion Picture right after. Even surrounded by greatness, Alien still stands as one of Goldsmith's great compositions.
To some people, Alien has lost its allure. It is slow and the shocks no longer surprise anyone familiar with the other movies. Many just prefer the high-octane thrills of the equally classic sequel Aliens. Taken on it's own terms, Alien is still one of the best horror movies (and science fiction movies) ever made. It was a revolutionary movie at the time, for more than just the frightening life cycle of the title character. This would be the first grungy science fiction movie with dark claustrophobic sets and working class protagonists. Never had a woman been a hero in this type of movie. Think of how many horror movies you've seen where the final characters are a tough-as-nails female lead and a sharp talking black character. All due to this movie. The Romero zombie movies don't count. The best way I've heard it put about Alien is (I'm paraphrasing), "it is to Star Wars as The Rolling Stones are to The Beatles."
Goldsmith split the score into two styles. The theme for the spacecraft Nostromo and its doomed crew is a romantic trumpet and orchestra theme ("Main Title") that is followed by a mysterious two-note echoing motif. It suggests both primal wonder for the great unknown and the nagging fear that follows it. This plays out wonderfully in the next track ("Hyper Sleep") where the crew slowly wakes up. As the pedals of the sleeping pods open, the orchestra buildings to a crescendo then followed by the solo trumpet. It is moment of great film music that Stravinsky would have been proud of. One track later, "The Landing" uses the alternating motifs more aggressively, giving the seeming standard landing of the spacecraft a dangerous undertone.
Once they get to the planet, the other style of the score emerges. "The Terrain" and "The Craft" uses whole tone repetitions that echo off, repeated by steel drums and marimbas. It suggests a place long dead and mysterious. The tone intensifies with the following tracks. "The Passage" and "The Skeleton" have the same echoing effect (using an echoplexed Indian conch and whole tone repetitions). With high pitched strings that are counter balanced by a flute solo, the tension builds to an unbearable level.
I don't usually go track by track like this, but what Goldsmith did in this section was to reinvent horror movie orchestration. Many of the elements used here had been done separately before, but never together at this level of mastery. Most horror scores tend to work a simple level of "does this make you feel uncomfortable" or "does this scare you". Goldsmith's compositional genius is that he is able to suggest other levels at the same time. I can't say it better than director Ridley Scott who commented that "it gives a sense of scale, architecture and civilization, though not as we know it."
Goldsmith very well knew that to suggest something "alien" he had to create sounds both unfamiliar and threatening. Goldsmith was always a fan of experimenting with ethnic instruments. Here he would use the Indian conch, along with a didgeridoo, serpent along with odd sounds of struck pianos strings and other random noises, subtle synthesizer stings and echoplexed effects. First fully introduced in "Here Kitty" the Alien theme gives us a ferocious creature seemingly like a large insect and a reptile at the same time. In "Parker's Death" and "Sleeping Alien" the didgeridoo rattles like a coiled rattlesnake, ready to strike. The horn call sounds the cry of some foreign animal. We instinctively tense up at these sounds and the driving strings keeps us moving. Countless follow horror soundtracks would use small variations of these effects over the years.
But a great score is one that makes every track a winner, and Goldsmith gives us every variation of building suspense there is without a false note. There's moody environmental cues like "The Lab" and "The Eggs". There's slow build suspense cues such as the "The Shaft" and "Hanging On." There's high energy action cues like "It's A Droid" and "Out The Door" He even does dissonant abstract cues in "A New Face" and "The Eggs".
From the original sessions alone, this was one great score. And with the restoration, the music sounds the best it ever has. And to make this fantastic release even better..er, it contains the original session recordings and the rescored alternative versions. For anyone who knows the history of this score, this is a very big deal.
The writing of Alien is one of the great composer/ director conflicts in film music.
During the post-production of the film, Editor Terry Rawlings used temp music from previous Goldsmith scores, most specifically Freud (1963). Ridley Scott had Goldsmith rewrite a number of cues, including the main titles to give the movie a more obvious spooky edge from the outset ("written in 5 minutes" by Goldsmith's words). Then Scott licensed the original temp music and used it in the movie. The finale and closing titles were then changed to Hanson's Symphony No. 2. Goldsmith was, understandably, not too happy with being reedited and ironically this would not the only time. When they worked together again on Legend (1986), Scott would replace Goldsmith's entire score with one written by Tangerine Dream for the American release. Though, in all fairness, not by choice.
I'm personally fond of a lot of the changes Scott made. The opening titles tell us clearly what we're getting into and the other rewritten tracks are only subtly different. I think the Freud cues feel out of place, more in their recording quality than in tone. At the same time even I admit Goldsmith's original score is just as good. Either way, you're getting everything excluding the Hanson Symphony and the tracks from Freud, which deserves its own soundtrack re-release. If that wasn't enough, also included is the original '79 album release and eight minutes of demonstration excerpts, with separate versions of the unique alien instrumentation.
This is my favorite classic re-issue of the year. That's because it was co-produced by Mike Matessino. He (along with producer David C. Fein) was responsible for the groundbreaking Alien and Aliens laserdisc box sets. They also did the first Alien DVD release which contains the still unique two isolated score tracks, one with the original music and the second with the changed cues. If there's anyone that knows what an Alien album needs, it would be Matessino and fellow album producer Nick Redman. They know a real fan wants the details and this album gives us exactly that with exquisitely detailed and researched linear notes.
A comprehensive album of a classic score.
Disc 1 - The Complete Original Score
01. Main Title
02. Hyper Sleep
03. The Landing
04. The Terrain
05. The Craft
06. The Passage
07. The Skeleton
08. A New Face
09. Hanging On
10. The Lab
11. Drop Out
12. Nothing to Say
13. Cat Nip
14. Here Kitty
15. The Shaft
16. It's a Droid
17. Parker's Death
18. The Eggs
19. Sleepy Alien
20. To Sleep
21. The Cupboard
22. Out the Door
23. End Title
24. Main Title (rescored alternate cue)
25. Hyper Sleep (rescored alternate cue)
26. The Terrain (rescored alternate cue)
27. The Skeleton (rescored alternate cue)
28. Hanging On (rescored alternate cue)
29. The Cupboard (rescored alternate cue)
30. Out the Door (rescored alternate cue)
Disc 2 - The Original 1979 Soundtrack Album
01. Main Title
02. The Face Hugger
03. Breakaway
04. Acid Test
05. The Landing
06. The Droid
07. The Recovery
08. The Alien Planet
09. The Shaft
10. End Title
11. Main Title (film version)
12. The Skeleton (alternate take)
13. The Passage (demonstration excerpt)
14. Hanging On (demonstration excerpt)
15. Parker's Death (demonstration excerpt)
16. It's a Droid (unused inserts)
17. Eine Kleine Nachtmusik (source)
Lionel Newman (Conductor)
National Philharmonic Orchestra
In 1979, composer Jerry Goldsmith wrote his best score. At times majestic, at times frightening, the movie told the story of space travelers confronted with an alien threat. It spanned a motion picture franchise with a devoted that continues to even today.
He also wrote Alien, which wasn't too shabby itself.
Goldsmith was on fire at this time. He had just won an Oscar two years previously for The Omen and was writing one score after another. In 1977, he did eight scores alone. In the wake of Star Wars, epic scores were a rage again and Goldsmith was able to write the full-bodied scores he was capable of. He would compose Great Train Robbery right before this one and Star Trek: The Motion Picture right after. Even surrounded by greatness, Alien still stands as one of Goldsmith's great compositions.
To some people, Alien has lost its allure. It is slow and the shocks no longer surprise anyone familiar with the other movies. Many just prefer the high-octane thrills of the equally classic sequel Aliens. Taken on it's own terms, Alien is still one of the best horror movies (and science fiction movies) ever made. It was a revolutionary movie at the time, for more than just the frightening life cycle of the title character. This would be the first grungy science fiction movie with dark claustrophobic sets and working class protagonists. Never had a woman been a hero in this type of movie. Think of how many horror movies you've seen where the final characters are a tough-as-nails female lead and a sharp talking black character. All due to this movie. The Romero zombie movies don't count. The best way I've heard it put about Alien is (I'm paraphrasing), "it is to Star Wars as The Rolling Stones are to The Beatles."
Goldsmith split the score into two styles. The theme for the spacecraft Nostromo and its doomed crew is a romantic trumpet and orchestra theme ("Main Title") that is followed by a mysterious two-note echoing motif. It suggests both primal wonder for the great unknown and the nagging fear that follows it. This plays out wonderfully in the next track ("Hyper Sleep") where the crew slowly wakes up. As the pedals of the sleeping pods open, the orchestra buildings to a crescendo then followed by the solo trumpet. It is moment of great film music that Stravinsky would have been proud of. One track later, "The Landing" uses the alternating motifs more aggressively, giving the seeming standard landing of the spacecraft a dangerous undertone.
Once they get to the planet, the other style of the score emerges. "The Terrain" and "The Craft" uses whole tone repetitions that echo off, repeated by steel drums and marimbas. It suggests a place long dead and mysterious. The tone intensifies with the following tracks. "The Passage" and "The Skeleton" have the same echoing effect (using an echoplexed Indian conch and whole tone repetitions). With high pitched strings that are counter balanced by a flute solo, the tension builds to an unbearable level.
I don't usually go track by track like this, but what Goldsmith did in this section was to reinvent horror movie orchestration. Many of the elements used here had been done separately before, but never together at this level of mastery. Most horror scores tend to work a simple level of "does this make you feel uncomfortable" or "does this scare you". Goldsmith's compositional genius is that he is able to suggest other levels at the same time. I can't say it better than director Ridley Scott who commented that "it gives a sense of scale, architecture and civilization, though not as we know it."
Goldsmith very well knew that to suggest something "alien" he had to create sounds both unfamiliar and threatening. Goldsmith was always a fan of experimenting with ethnic instruments. Here he would use the Indian conch, along with a didgeridoo, serpent along with odd sounds of struck pianos strings and other random noises, subtle synthesizer stings and echoplexed effects. First fully introduced in "Here Kitty" the Alien theme gives us a ferocious creature seemingly like a large insect and a reptile at the same time. In "Parker's Death" and "Sleeping Alien" the didgeridoo rattles like a coiled rattlesnake, ready to strike. The horn call sounds the cry of some foreign animal. We instinctively tense up at these sounds and the driving strings keeps us moving. Countless follow horror soundtracks would use small variations of these effects over the years.
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| O mestre Goldsmith |
From the original sessions alone, this was one great score. And with the restoration, the music sounds the best it ever has. And to make this fantastic release even better..er, it contains the original session recordings and the rescored alternative versions. For anyone who knows the history of this score, this is a very big deal.
The writing of Alien is one of the great composer/ director conflicts in film music.
During the post-production of the film, Editor Terry Rawlings used temp music from previous Goldsmith scores, most specifically Freud (1963). Ridley Scott had Goldsmith rewrite a number of cues, including the main titles to give the movie a more obvious spooky edge from the outset ("written in 5 minutes" by Goldsmith's words). Then Scott licensed the original temp music and used it in the movie. The finale and closing titles were then changed to Hanson's Symphony No. 2. Goldsmith was, understandably, not too happy with being reedited and ironically this would not the only time. When they worked together again on Legend (1986), Scott would replace Goldsmith's entire score with one written by Tangerine Dream for the American release. Though, in all fairness, not by choice.
I'm personally fond of a lot of the changes Scott made. The opening titles tell us clearly what we're getting into and the other rewritten tracks are only subtly different. I think the Freud cues feel out of place, more in their recording quality than in tone. At the same time even I admit Goldsmith's original score is just as good. Either way, you're getting everything excluding the Hanson Symphony and the tracks from Freud, which deserves its own soundtrack re-release. If that wasn't enough, also included is the original '79 album release and eight minutes of demonstration excerpts, with separate versions of the unique alien instrumentation.
This is my favorite classic re-issue of the year. That's because it was co-produced by Mike Matessino. He (along with producer David C. Fein) was responsible for the groundbreaking Alien and Aliens laserdisc box sets. They also did the first Alien DVD release which contains the still unique two isolated score tracks, one with the original music and the second with the changed cues. If there's anyone that knows what an Alien album needs, it would be Matessino and fellow album producer Nick Redman. They know a real fan wants the details and this album gives us exactly that with exquisitely detailed and researched linear notes.
A comprehensive album of a classic score.
Disc 1 - The Complete Original Score
01. Main Title
02. Hyper Sleep
03. The Landing
04. The Terrain
05. The Craft06. The Passage
07. The Skeleton
08. A New Face
09. Hanging On
10. The Lab
11. Drop Out
12. Nothing to Say
13. Cat Nip
14. Here Kitty
15. The Shaft
16. It's a Droid
17. Parker's Death
18. The Eggs
19. Sleepy Alien
20. To Sleep
21. The Cupboard
22. Out the Door
23. End Title
24. Main Title (rescored alternate cue)
25. Hyper Sleep (rescored alternate cue)
26. The Terrain (rescored alternate cue)
27. The Skeleton (rescored alternate cue)
28. Hanging On (rescored alternate cue)
29. The Cupboard (rescored alternate cue)
30. Out the Door (rescored alternate cue)
Disc 2 - The Original 1979 Soundtrack Album
01. Main Title
02. The Face Hugger
03. Breakaway
04. Acid Test
05. The Landing
06. The Droid
07. The Recovery
08. The Alien Planet
09. The Shaft
10. End Title
11. Main Title (film version)
12. The Skeleton (alternate take)
13. The Passage (demonstration excerpt)
14. Hanging On (demonstration excerpt)
15. Parker's Death (demonstration excerpt)
16. It's a Droid (unused inserts)
17. Eine Kleine Nachtmusik (source)
Lionel Newman (Conductor)
National Philharmonic Orchestra
sábado, 26 de março de 2011
Filmes: "INVASÃO MUNDO: A BATALHA DE LOS ANGELES"
VIVA OS SOLDADINHOS DO TIO SAM!
Propaganda descarada em favor do exército dos EUA estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena
- por André Lux, crítico-spam
O que aconteceria se o ET de Varginha e seus colegas resolvessem invadir a Terra para usurpar seus recursos naturais e dizimar os humanos? A resposta é óbvia: teriam que enfrentar os destemidos fuzileiros navais do poderoso exército dos Estados Unidos!
Esse é o mote de "Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles", filme que eu não ficaria nem um pouco surpreso se fosse anunciado ter sido escrito e financiado pela área de Relações Públicas do Pentágono, com direito a comitê de recrutamento na saída dos cinemas. Afinal, o exército do Tio Sam estava mesmo precisando de uma boa publicidade depois das malfadadas invasões do Iraque e do Afeganistão.
Pior é que essa propaganda descarada e ridícula em favor dos soldadinhos estadunidenses estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena, cheio de som e fúria. Mas perto dessa estupidez toda, até "Independence Day" vira um clássico de sutileza!
O mais estranho é que o filme parece muito com o recente "Skyline - A Invasão", só que agora tudo é mostrado pelo ponto de vista de um pelotão dos fuzileiros (marines) no meio da guerra num bairro de Los Angeles. Mas, mesmo comparada com o anterior, esse novo perde feio. As irritantes explosões de patriotada pró exército dos EUA, que acontecem a cada cinco minutos, aniquilam qualquer vontade que você poderia ter de torcer pelos protagonistas - e isso é fatal em qualquer filme de monstro.
O galã Aaron Eckhart, como o sargento durão mas de bom coração, até que tenta levar o filme nas costas, mas é derrubado também por um elenco de apoio muito fraco, uma fotografia estourada e trêmula (que tenta imitar "O Resgate do Soldado Ryan" e suas centenas de imitações) e por uma música bombástica e opressiva escrita por Brian Tyler, um bom compositor que deve ter sido forçado pelos realizadores a compor uma trilha no "estilo" do abominável Hans Zimmer.
O desenho dos ETs e suas naves também é bem sem graça e o fato de você nunca conseguir vê-los direito também atrapalha muito - embora os soldadinhos do Tio Sam arrumem tempo para torturar um deles, igual faziam com os prisioneiros no Iraque!
Mas, tudo bem. Contra ETs malvados vale tudo. Pena que na vida real os marines não enfrentem inimigos tão definitivamente maus e nem de perto sejam tão bravos e moralmente superiores como as suas caricaturas mostradas em filmes idiotas como esse.
Cotação: *
Propaganda descarada em favor do exército dos EUA estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena- por André Lux, crítico-spam
O que aconteceria se o ET de Varginha e seus colegas resolvessem invadir a Terra para usurpar seus recursos naturais e dizimar os humanos? A resposta é óbvia: teriam que enfrentar os destemidos fuzileiros navais do poderoso exército dos Estados Unidos!
Esse é o mote de "Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles", filme que eu não ficaria nem um pouco surpreso se fosse anunciado ter sido escrito e financiado pela área de Relações Públicas do Pentágono, com direito a comitê de recrutamento na saída dos cinemas. Afinal, o exército do Tio Sam estava mesmo precisando de uma boa publicidade depois das malfadadas invasões do Iraque e do Afeganistão.
Pior é que essa propaganda descarada e ridícula em favor dos soldadinhos estadunidenses estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena, cheio de som e fúria. Mas perto dessa estupidez toda, até "Independence Day" vira um clássico de sutileza!
O mais estranho é que o filme parece muito com o recente "Skyline - A Invasão", só que agora tudo é mostrado pelo ponto de vista de um pelotão dos fuzileiros (marines) no meio da guerra num bairro de Los Angeles. Mas, mesmo comparada com o anterior, esse novo perde feio. As irritantes explosões de patriotada pró exército dos EUA, que acontecem a cada cinco minutos, aniquilam qualquer vontade que você poderia ter de torcer pelos protagonistas - e isso é fatal em qualquer filme de monstro.
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| É um barbudo? É um comunista? Não, é um ET |
O desenho dos ETs e suas naves também é bem sem graça e o fato de você nunca conseguir vê-los direito também atrapalha muito - embora os soldadinhos do Tio Sam arrumem tempo para torturar um deles, igual faziam com os prisioneiros no Iraque!
Mas, tudo bem. Contra ETs malvados vale tudo. Pena que na vida real os marines não enfrentem inimigos tão definitivamente maus e nem de perto sejam tão bravos e moralmente superiores como as suas caricaturas mostradas em filmes idiotas como esse.
Cotação: *
sexta-feira, 25 de março de 2011
Filmes: "O MÁGICO"
AO MESTRE, COM CARINHODesenho animado é uma bonita homenagem ao genial comediante Jacques Tati
- por André Lux, crítico-spam
Que delícia poder assistir a um desenho animado à moda antiga (sem computação gráfica) baseado num roteiro inédito do mestre Jacques Tati, o genial realizador que nos brindou com obras maravilhosas como "Meu Tio" e "As Férias de Ms. Hulot".
Tati era um comediante do tipo que não existe mais, dono de um humor fino, delicado e discreto, onde as gags geralmente aconteciam em volta de seu personagem Hulot, que praticamente não tinha falas em seus filmes.
O longa de animação "O Mágico" é uma belíssima homenagem ao legado deixado por Tati, dirigido por Sylvain Chomet, o mesmo que fez o delicioso "As Bicicletas de Belleville", onde já apareciam discretas citações aos filmes de Tati.
O filme conta a história de uma mágico (ou ilusionista, conforme o título original) que vai aos poucos vendo sua arte e a de seus outros colegas de origem circense sendo ignorada em favor de novos tipos de entretenimento - aqui representados por um grupo de rock no estilo dos Beatles, chamado no filme de The Britoons.
É apenas durante uma turnê no interior Escócia que seu talento é devidamente valorizado - e aqui entra um dos temas favoritos de Tati: o conflito entre a frieza da gente cidade grande versus a delicadeza e sensibilidade das pessoas mais simples.
Tati era um crítico feroz da perda da humanidade gerada pela vida agitada e cheia de traquitanas eletrônicas da modernidade. Essa crítica pode ser encontrada em sua forma mais bem acabada em sua obra prima "Meu Tio", filme que, por sinal, aparece de forma hilariante em "O Mágico".
O desenho é muito bem feito, com traços elegantes e finos, editado de forma primorosa para construir as pequenas e discretas gags e conta com uma trilha musical delicada. Mas nem tudo é comédia, principalmente no final, que é extremamente melancólico e pode até fazer chorar.
Enfim, "O Mágico" é uma pequena jóia da sétima arte que certamente vai agradar quem procura no cinema o tipo de entretenimento que somente um gênio como Jacques Tati sabia produzir.
Cotação: * * * * *
sexta-feira, 11 de março de 2011
Filmes: "BRAVURA INDÔMITA"
OS IRMÃOS CARA DE PAUComédia traz as marcas registradas dos irmãos Joel e Ethan Coen, o humor seco e muito negro
- por André Lux, crítico-spam
Li várias críticas a esse "Bravura Indômita" mas nenhuma disse o óbvio sobre o filme: que se trata de uma comédia que traz as marcas registradas dos irmãos Joel e Ethan Coen, o humor seco e muito negro. Assim, essa nova obra deles lembra muito seu melhor filme, "Fargo", e também o anterior "Onde os Fracos Não Tem Vez".
Não assisti ao original com John Wayne, considerado um clássico, por isso não dá para comparar. Mas os Coen estão muito mais interessados em montar suas gags visuais e verbais do que necessariamente contar a história da menina que contrata um veterano delegado federal (feito de forma impagável por Jeff Bridges) para caçar e prender o assassino de seu pai.
Os pontos altos do filme são as disputas verbais entre o delegado e o Texas Ranger (muito bem interpretado por Matt Damon), que ficam o tempo todo discutindo quem é o mais macho e tem a melhor pontaria. "Bravura Indômita" tem duas cenas antológicas: a da chegada do homem barbudo vestindo (literalmente) uma pele de urso (com cabeça e tudo) e o concurso de tiro usando como alvo pães, depois que os dois protagonistas brigam para saber quem foi que acertou o ombro do Texas Ranger durante um tiroteio! Há também uma cena impagável dentro de uma cabana onde dois bandidos (um deles na pele de John Goodman, que esteve em "Barton Fink" dos Cohen) discutem com o delegado e termina com um deles arrancando os dedos do outro (humor mais negro, impossível).
Os irmãos Coen sabem como ninguém criar um timing perfeito para suas gags, deixando os atores livres para usarem sotaques totalmente esdrúxulos enquanto disparam suas frases absurdas e depois param estupefatos para ouvir os absurdos disparados pelos seus interlocutores. A montagem também é excelente na construção dessas piadas e deixa o tempo entre os duelos verbais correr de forma perfeita para gerar a comédia.
Eu gosto muito desse tipo de humor e, confesso, me diverti bastante durante o filme. Prefiro muito mais esse estilo de comédia do que o mais rasgado e histérico que os Coen imprimiram a filmes como "Os Matadores de Velinhas" e "O Amor Custa Caro". Estranhamente, "Bravura Indômita" fez grande sucesso nos Estados Unidos, o que não é nada comum acontecer aos filmes dos irmãos Coen, que são mesmo dois grandes caras de pau (no bom sentido)!
Cotação: * * * 1/2
terça-feira, 1 de março de 2011
Filmes: "BRUNA SURFISTINHA"
SEM HIPOCRISIAÉ um bom filme, interessante, bem humorado, bem interpretado e isento de lições de moral hipócritas ou psicologismos baratos
- por André Lux, crítico-spam
É bem melhor do que eu esperava esse filme baseado no livro "O Doce Veneno do Escorpião", escrito pela garota de programa Bruna Surfistinha, codinome de Raquel Pacheco, que hoje virou celebridade e vive com ex-cliente.
O diretor estreante Marcos Baldini consegue disfarçar bem a escassez de recursos técnicos com uma boa direção de atores e ausência de moralismos baratos que seriam fatais para quem almeja contar as história de uma prostituta - tema que ainda é tratado com grande hipocrisia e falso moralismo pela maioria das pessoas, infelizmente.
A boa sacada do roteiro é não tentar "desvendar" os motivos que levaram Raquel a se prostituir, embora ele mostre sua vida anterior, com a família e na escola, mas sem didatismo ou excesso de clichês. Pelo contrário, apesar de um pouco secos e distantes, seus pais (adotivos) parecem gostar genuinamente dela, o que de cara já neutraliza aquele irritante clichê de filmes sobre prostitutas: de que são todas crianças mal amadas ou abusadas em casa. Bruna/Raquel passa pela sua cota de abusos e humilhações, mas nada que justifique tamanha guinada na vida tranquila e boa que levava com sua família.
A verdade é que muitas meninas viram mulheres de programa porque querem (por inúmeros motivos que não cabe aqui citar) e muitas delas se dão bem nessa vida - o que o filme mostra de maneira bem realista. O que torna "Bruna Surfistinha" interessante é que ela, mesmo depois que casou e ficou famosa, não renega sua origem e faz questão de mostrar que fazia tudo aquilo por que queria e que também gozava em vários de seus programas.
Deborah Secco, por incrível que pareça, surpreende numa atuação despojada e corajosa, inclusive em cenas ousadas que certamente vão chocar os puritanos (como na que faz "chuva dourada" em um de seus clientes) e muita nudez. A atriz mergulha de cabeça naquele universo e não deixa a peteca cair em nenhum momento - nem quando Bruna/Raquel fica viciada em cocaína e aí faz de sua vida um inferno.
Interessante também é que o filme serve como um ótimo estudo dos motivos que levam os homens a procurarem as profissionais do sexo e, felizmente, mostra-os como pessoas normais e não como degenerados nojentos como gostam de pintar os falsos moralistas (mostre-me um homem que nunca transou ou ao menos teve fantasias ardentes com uma prostituta e eu te mostrarei um mentiroso).
Nisso o filme é bem fiel ao livro, pois em momento algum faz julgamentos morais dos clientes de Bruna/Raquel e mostra inclusive casais liberais que procuram a garota para satisfazerem juntos as suas fantasias sexuais.
"Bruna Surfistinha" é um bom filme, interessante, bem humorado, bem interpretado, com uma boa trilha musical e, felizmente, isento de lições de moral hipócritas ou psicologismos baratos. O que, convenhamos, não é pouco nos dias de hoje!
Cotação: * * * 1/2
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Filmes: "TROPA DE ELITE 2"
CONSCIÊNCIA PESADADe certa forma o diretor José Padilha acaba confirmando que quem acusou o primeiro "Tropa de Elite" de ser fascista estava certo
- por André Lux, crítico-spam
A impressão nítida que fica depois do final de "Tropa de Elite 2" é que o diretor José Padilha ficou com a consciência pesada por causa da mensagem fascista (involuntária) embutida no primeiro filme (que agradou a extrema direita brasileira a ponto de ganhar uma capa positiva do maior panfleto nazi-fascista do país, a revista Veja) e tentou se redimir na continuação.
De certa forma ele acaba confirmando que quem acusou "Tropa de Elite" de ser fascista estava certo (eu entre eles, clique aqui para ler minha crítica ao filme e aqui para uma análise mais profunda).
Por isso, o segundo filme é bem diferente do original. O Bope, a chamada tropa de elite, e o personagem André Matias (que era o narrador original da história e verdadeiro protagonista do primeiro filme) aparecem bem pouco e o foco fica em cima do capitão Nascimento (Wagner Moura) que, depois de uma ação violenta no presídio Bangu I que cai no gosto da população de classe média para a qual "bandido bom é bandido morto", é promovido a subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro.
Nesse sentido, "Tropa de Elite 2" não tem qualquer sutileza devido à ânsia do cineasta em provar que não é de direita. Assim, o herói do filme é um professor de História e defensor dos direitos humanos (dizem que esse personagem foi inspirado em um político do PSOL), que acaba ganhando os holofotes da mídia e é por isso eleito deputado estadual, gerando à princípio profundo ódio no Nascimento (no início do filme ele xinga o sujeito de "intelectualzinho de esquerda que ganha a vida defendendo vagabundo").
Mas, devido a uma série de circunstâncias descritas no roteiro, o defensor dos direitos humanos e o capitão Nascimento acabam tendo que unir forças para lutar contra os bandidos (no caso, policiais e políticos corruptos que comandam as milícias nas favelas cariocas).
"Tropa de Elite 2", entretanto, segue muito mais a linha dos filmes de ação estadunidenses do que os de denúncia no estilo de Costa-Gravas e, por isso, acaba não tendo o impacto necessário para mudar consciências (o estrondoso sucesso de bilheterias confirma isso, já que filmes que fazem as pessoas pensarem não fazem muito sucesso).
O exagero no didatismo ideológico, a falta de nuances e a unidimensionalidade dos personagens "maus", o primarismo psicológico dos protagonistas (Nascimento é de uma ingenuidade incompatível com sua experiência como comandante do Bope e o ativista de esquerda parece um super-homem!) e a maneira idealizada com que encara o trabalho da mídia (jamais uma denúncia daquelas contra políticos da direita seria publicada na imprensa corporativa) tira a chance do filme atingir patamares mais elevados.
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| Herói é esquerdista defensor dos direitos humanos! |
Um dos pontos mais baixos do segundo é o seu elenco de apoio, principalmente o defensor dos direitos humanos que é feito por um ator pavoroso que às vezes mal consegue pronunciar seus diálogos. Nem mesmo Wagner Moura tem muito a fazer e fica quase o filme todo com cara de coitado, embora sua narração insista em retratá-lo como se fosse alguém descolado e esperto.
Entre mortos e feridos, "Tropa de Elite 2" é bem menos nojento que o primeiro filme, porém, paradoxalmente, tem bem menos impacto e por isso mesmo gera muito menos polêmica. Mas o importante é que o diretor Padilha teve a chance de se redimir e deve agora estar dormindo mais tranquilamente.
É o primeiro caso que eu conheça de uso do cinema para expiar uma crise de consciência! A revista Veja não deve ter gostada nem um pouco.
Cotação: * * 1/2
domingo, 13 de fevereiro de 2011
DVD: "JORNADA NAS ESTRELAS - O FILME" (Versão do Diretor)
PRESENTE PARA OS FÃSSai em DVD a versão definitiva da primeira e mais problemática viagem da Enterprise nos cinemas
- por André Lux, crítico-spam
"Jornada Nas Estrelas - O Filme" marcou em 1979 a volta da tripulação da nave Enterprise para as telas (no caso a do cinema) após ficar quase uma década afastada com a extinção da série televisiva. Mas esse retorno decepcionou muitos fãs, que acusaram o filme de trair o espírito original da série, cujo mérito era driblar habilmente a falta de recursos técnicos e financeiros com idéias engenhosas, roteiros enxutos e muito bom humor.
Mas, ao que parece, esqueceram de tudo isso ao transpor a série para os cinemas. O maior defeito deste filme é basicamente a falta de humor. Os personagens estão secos e arredios, quase não interagindo entre si, o que impede o surgimento da boa e velha química que mantinha a série original sempre atraente. Isso deve-se, em grande parte, à direção fria e distante de Robert Wise que, embora fosse um veterano da ficção-científica ("O Dia em que a Terra Parou" e "O Enigma de Andrômeda") não era a pessoa mais indicada para dirigir ""Jornada nas Estrelas".
A história sobre uma nuvem de energia desconhecida que vai destruindo tudo em seu caminho até a Terra é bastante interessante, mas o filme acabou sendo derrubado pelas infinitas discordâncias entre o criador da série, Gene Rodenberry, e sua equipe de roteiristas. São famosas as histórias das mudanças de última hora no roteiro, realizadas às vezes antes das cenas serem gravadas. Só para se ter uma idéia da confusão, na primeira versão do roteiro Spock fora deixado de fora - isso porque o ator Leonard Nimoy recusava-se a voltar a interpretar o vulcano de orelhas pontudas.
E para piorar tudo, a empresa de efeitos especiais contratada não conseguia dar conta do recado e teve que ser substituída na última hora pela de John Dykstra (de "Star Wars") e de Douglas Trumbull (de "Contatos Imediatos de Terceiro Grau").
O filme terminou de ser montado e mixado apenas dois dias antes da sua estréia, o que resultou numa série de problemas. Várias cenas incompletas tiveram que ser eliminadas e muitas sequências com os efeitos especiais foram adicionadas do jeito que vieram, pois não havia tempo para editá-las - o que resultou nas infames seqüências onde somos obrigados a observar a Enterprise deslizando interminavelmente pelo vazio, enquanto os atores fazem cara de impressionados.
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| Nova cena em Vulcano, com efeito melhorado |
Essas melhorias ainda não resolvem todos os problemas, mas mesmo assim "Jornada Nas Estrelas - O Filme" ainda continua sendo um belo exemplar de ficção científica da melhor qualidade (embora mantenha-se um pouco distante do universo criado pela série original). E a trilha sonora do maestro Jerry Goldsmith (de "Alien: O Oitavo Passageiro" e "Instinto Selvagem") continua sendo uma das mais impressionantes da história do cinema.
O DVD duplo traz ainda vários extras bacanas que certamente vão fazer a cabeça dos fãs da série, tais como uma faixa de comentário em áudio com o diretor Wise, os supervisores de efeitos Trumbull e Dykstra, o compositor Goldsmith e o ator Stephen Collins. Há também, no segundo disco, um ótimo documentário retrospectivo divido em três partes que analisa todos os aspectos da produção, além de 16 cenas deletadas e adicionais (oriundas das várias versões do filme), storbyboards e diversos trailers e teasers de TV. Imperdível para os fãs.
Cotação: * * * 1/2
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
"O Discurso do Rei" é acusado de ignorar antissemitismo
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| Eu avisei que o filme era superficial |
Um e-mail anônimo circula entre os membros da Academia alertando para indícios de que o rei era antissemita e simpatizante das ideias de Adolf Hitler. O e-mail cita trechos de documentos oficiais e alerta para o fato de que a suposta inclinação do rei George VI ter sido ignorada no filme O Discurso do Rei.
Por tocar o antissemitismo, assunto sabidamente sensível à Academia, que tem um grande número de judeus como membros, o longa-metragem pode ser rejeitado por muitos votantes e acabar prejudicado na cerimônia do Oscar.
Em defesa do filme, os produtores alegam que o roteiro foi escrito por David Seidler, judeu que teve familiares mortos no Holocausto.
Fonte: Cineclick
Comentário: Eu já havia avisado que o filme em questão é bem superficial e mais parece ter sido feito por encomenda dos relações públicas da família real inglesa... Agora está comprovado.
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