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sexta-feira, 10 de junho de 2011

DVD: "O PACTO DOS LOBOS"

DIVERSÃO DE PRIMEIRA

Não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente

- por André Lux, crítico-spam

É engraçado como críticas positivas acabam, muitas vezes, mais prejudicando do que ajudando a carreira de certos filmes. É exatamente o caso desse PACTO DOS LOBOS, fita francesa que fez grande sucesso em seu país de origem, mas acabou passando em branco no resto do mundo. Esse fracasso relativo é, em parte, explicado pelos elogios excessivos que andou recebendo, com frases desconexas do tipo "É a melhor aventura de ação dos últimos dez anos" ou "Um épico grandioso" que, infelizmente, acabam criando na platéia uma grande expectativa em relação ao filme, fazendo-a esperar por uma obra-prima revolucionária ou algo do tipo.

O que, no final das contas, é uma grande injustiça, pois esse filme dirigido por Christophe Gans (que já havia demonstrado talento no pouco visto O COMBATE - LÁGRIMAS DO GUERREIRO) é, antes de mais nada, extremamente bem feito e original. O erro mais uma vez é tentar vender um produto tipicamente europeu como se fosse uma fita de "ação e aventuras" feita nos moldes do cinemão comercial dos EUA. Ou seja, querem nos fazer acreditar que estamos diante de uma simples fita de consumo rápido e superficial quando, na verdade, o que encontramos é um filme rico em conteúdos psicológicos e nuances, no qual o mais importante é o relacionamento entre os personagens (e aqui são muitos e complexos) e o desenvolvimento da personalidade deles.

Soma-se a isso uma grande quantidade de cenas de luta brilhantemente realizadas (que deixam bobagens pretensiosas como O TIGRE E O DRAGÃO comendo poeira) e uma pitada das fitas assumidamente trash que tanto amamos e, pronto, temos aqui uma ótima diversão indicada para quem conhece o mundo dos quadrinhos para adultos e filmes como EVIL DEAD (não por acaso a trilha musical é do mesmo Joseph Lo Duca, cuja assinatura está também no seriado XENA, A PRINCESA GUERREIRA).

Mas vai quebrar a cara quem está esperando ver um filme mal feito ou tosco, pois tecnicamente é primoroso, onde a montagem e a direção de fotografia são os destaques, alternando cortes e fusões inspiradíssimos com tomadas de rara beleza (é essencial assistir ao filme na versão original em widescreen). Gans não tem o menor pudor em colocar sua câmera em locais pouco ortodoxos nem em movimentá-la livremente por um cenário natural de fazer cair o queixo, sem nunca interferir na trama chamando a atenção para sí a não ser quando era necessário - como nas seqüências de luta, por exemplo.

A trama gira em torno de um fato real que aconteceu numa província da França do final do século 18, quando mais de uma centena de camponeses foram trucidados por uma besta feroz. O caso nunca foi solucionado e é a partir dessa premissa que Stéphane Cabel e Christophe Gans constroem seu roteiro, que começa com a chegada ao local do naturalista e filósofo Grégoire de Fronsac (Samuel Le Bihan) que vem para investigar os crimes a pedido do rei, acompanhado de seu fiel escudeiro Mani, um índio Iroquoi que também é mestre em artes marciais (interpretado por Mark Dacascos), que já na sua primeira cena dá uma surra exemplar em um bando de brutamontes.

É nessa excelente seqüência que o diretor deixa claro a que veio: fazer um filme de fantasia no melhor estilo das graphic novels e mangas adultos, cuja preocupação com a lógica é deixada um pouco de lado em favor de cenas esteticamente brilhantes e ricas em detalhes gráficos. Não é nada mais, portanto, que um ótimo quadrinho filmado. Ajuda muito o fato de contar com um elenco formado por atores de verdade, todos trabalhando a serviço da trama e do desenvolvimento de seus personagens, tão diferente dos enlatados do gênero feitos em série nos EUA com seus "astros" fazendo caras e bocas, soluções simplórias ou piadinhas irritantes.

Todavia, é preciso perdoar-se os detalhes sangrentos, os efeitos sonoros exagerados e a duração excessiva, resultando em 2h20 de projeção que, embora não chegue a incomodar como afirmam seus detratores, podia ter 20 minutos a menos sem trazer danos à trama. O maior problema do filme na verdade é mesmo sua conclusão, na qual tentam dar um sentido à história por trás das aparições da Besta que ficaria melhor se deixado em aberto com um tom mais sobrenatural. A própria revelação da criatura (cujo visual remete a RAZORBACK, outro trash talentoso feito por Russell Mulcahy) acaba sendo meio anticlimática, baseando-se muito em efeitos digitais exagerados e desnecessários.

Outro escorregão foi ter transformado metade do elenco em clones de "Conan, o Bárbaro" durante o confronto final, com direito inclusive a duelos com espada e outros instrumentos de luta que ficariam bem nas mãos de um Bruce Lee, mas não nas dos personagens do filme - exceto o índio Mani, cujo ar misterioso ajudava a engolir sua bizarra perícia em artes marciais.

Mas, entre mortos e feridos, O PACTO DOS LOBOS é diversão de primeira como há muito não se via nas telas, extremamente bem realizada e envolvente. E se não bastasse tudo isso, traz ainda de quebra a presença de Mônica Bellucci e suas curvas exuberantes (às quais são muito bem exploradas pelo diretor). Claro que não é um filme para todos os gostos e vai agradar mais quem conseguir entrar com a mente aberta e preparada para curtir essa "viagem" diferente.

Cotação: ****

sexta-feira, 27 de maio de 2011

Suite de "Outland", de Jerry Goldsmith

Uma das minhas trilhas favoritas do mestre, vi o filme no cinema em 1981 com a minha avó!
É um "Matar ou Morrer" no espaço sideral, mais precisamente em uma das luas de Júpiter, com um clima de "Alien" (mas sem monstros).
Ouçam abaixo duas suites da trilha sensacional de Jerry Goldsmith, que se inspirou bastante no estilo de Stravinsky - principalmente nas faixas de ação.



sábado, 14 de maio de 2011

DVD: "Battlestar Galactica"

MEU DEUS!

Série que começou muito bem implode na conclusão ridícula e absurda

- por André Lux, crítico-spam

Finalmente consegui terminar de assistir às quatro temporadas da série de ficção científica "Battlestar Galactica" (incluindo aí o piloto de duas horas). O mais engraçado é que eu já havia tentado assistir antes, quando estava sendo exibido na tv a cabo (entre 2004 e 2009), mas depois de alguns episódios a rejeitei totalmente, certamente por ser um fã da série original que foi exibida no Brasil no início dos anos 1980 (o filme piloto foi inclusive passou nos cinemas aqui).

O problema, na época, é que não consegui aceitar todas as mudanças radicais que a nova série tinha em relação à original (como colocar Starbuck e Boomer como mulheres, o latino Edward James Olmos como Adama, até o clima ultra realista e a música minimalista e tribal).

"Battlestar Galactica" original, que teve apenas uma temporada, era um dos muitos subprodutos dos sucesso de "Star Wars" e trazia no enredo uma simples disputa do bem contra o mal. No caso, o bem era representado pelos humanos enquanto o mal estava encarnado nos malvados Cylons, que eram uns robôs zarolhos comandados por uma criatura que parecia uma formiga gigante com cabelo afro, chamado apenas de "Líder Imperioso".

Na nova versão, os Cylons foram criados pelos próprios humanos, se rebelaram e, depois de um longo tempo de trégua, resolvem exterminar a humanidade de vez. Assim como na série original, os poucos sobreviventes se reúnem num comboio e partem em direção à mítica Terra, sob a vigilância da nave de combate Galactica. Mas as semelhanças param por aí.

Na nova série há um desejo de deixar a diferença entre o bem e o mal mais cinzenta, não tão bem definida. O personagem do doutor Baltar é o ponto mais forte deste aspecto, já que vendeu segredos da segurança das 12 colônias a uma agente Cylon em troca de sexo sem saber o mal que estava causando. Aí entra outro diferencial radical em relação à série original: os Cylons evoluíram e agora tem modelos que são idênticos aos humanos (e que no desenrolar da série passam a ser chamados de "skyn jobs", numa referência direta ao filme "Blade Runner"). Ou seja, seriam replicantes.

Tanto o piloto de duas horas, quando as duas primeiras temporadas do novo "Battlestar Galactica" são excelentes e conseguem mesclar o que poderia existir de melhor na ficção científica. Mas, a partir de terceira temporada, as coisas começam a derrapar até chegar a um final completamente ridículo e absurdo.

A série original, de 1978
O criador da nova série, Ronald D. Moore, ao que tudo indica é um religioso fervoroso que milita contra a tecnologia e isso fica claro na conclusão. Mas nem é isso que estraga a série. O problema é que Moore e sua equipe de roteiristas criaram dezenas de situações e mistérios que não foram solucionados de maneira satisfatória e coerente ou simplesmente foram deixados de lado.

Fica claro desde o início que existem doze modelos de Cylons que se parecem com humanos - e isso serve para criar um clima de paranóia muito interessante nas duas primeiras temporadas. Com o passar do tempo, sete deles são revelados. Depois disso, fica bastante óbvio que Moore não sabe o que fazer com os cinco finais e aí começa a inventar uma série de besteiras relacionadas a eles (como o fato de não saberem que são Cylons e todos estarem a bordo da Galactica), preenchendo os buracos da trama como sonhos premonitórios, papo furado sobre anjos e deuses e pregação religiosa da mais irritante.

No último episódio da série, com duração de três horas e dividido em três partes, todos os mistérios e pontas soltas deixadas durante a série são explicadas da maneira mais simples e idiota possível: "Tudo foi obra de deus". E ponto final. É um brutal Deus Ex Machina jogado como uma bomba atômica no final da série que praticamente destrói tudo que foi visto antes. E que negócio foi aquele dos sobreviventes decidirem, ao chegar na nova Terra, abandonar toda a tecnologia e o conforto que tinham para viver ao relento e usando tangas feitas de pele? No mínimo iam morrer de fome, de doenças, de frio ou do ataque de algum predador selvagem!

É uma pena, pois a série realmente era muito boa no seu começo...

quinta-feira, 12 de maio de 2011

FIRST KNIGHT: LIMITED EDITION (2CD-SET)

La-La Land Records and Sony Music proudly present the expanded, 2CD presentation of legendary composer Jerry Goldsmith's (PATTON, THE OMEN, BASIC INSTINCT) powerful orchestral score to the 1995 Columbia Pictures feature film FIRST KNIGHT, starring Sean Connery, Richard Gere and Julia Ormond, directed by Jerry Zucker.

Considered by many, including the maestro himself, to be one of Goldsmith's finest scores, this important work, (presented in its film version for the first time), has been expanded over the original soundtrack release by more than a full hour, including additional alternate tracks. The original 1995 soundtrack release is also presented here, remastered.

Produced by Bruce Botnick, Mike Matessino and Didier C. Deutsch, and mastered by Bruce Botnick from Mr. Botnick's own 1st generation digital masters straight from the mixing board, this limited edition release is the definitive presentation of this masterful Goldsmith score. Exclusive, in-depth liner notes are by film music writer Jeff Bond, with additional comments from Bruce Botnick. This is a limited edition release of 5000 Units.

TRACK LISTING:

Disc 1
The Film Score
The Legend Of Camelot :58
Raid On Leonesse 5:12
True Love/The Ambush/First Sight 6:24
Does It Please You/ Look At Me 3:25
Promise Me 2:20
Camelot 2:37
Gauntlet Drums 1:50
Meet the Queen :45
The Gauntlet/No Kiss 2:02
No Joy/Try Her/Wedding Plans/I Will Fight 2:58
Boat Trip 2:03
The Cave 2:14
Walls Of Air 1:33
Escape From The Cave 3:25
Prove It 2:55
A New Life 5:38
To Leonesse 3:24
Night Battle 5:53
Village Ruins 3:19
The Kiss 1:59
Open The Door/No One Move 1:58
Arthur’s Farewell 5:25
Never Surrender 5:40
Camelot Lives 4:04

Disc 1 Time: 78:50

Disc 2
The 1995 Soundtrack Album
Arthur's Fanfare 0:45
Promise Me 4:04
Camelot 2:19
Raid On Leonesse 4:26
A New Life 4:54
To Leonesse 3:25
Night Battle 5:39
Village Ruins 3:20
Arthur’s Farewell 5:25
Camelot Lives 5:40
1995 Soundtrack Time: 40:17

Additional Music
The Ambush / First Sight (alternate) 5:46
Boat Trip (alternate segment) 1:05
A New Life (alternate 1) 5:37
A New Life (alternate 2) 3:14
To Leonesse (alternate) 2:40
Village Ruins (alternate) 3:29
Never Surrender (alternate) 5:20
Additional Music Time: 27:29

Disc 2 Time: 67:53

Compre aqui.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Filmes: "THOR"

FRAQUINHO

Filme tem roteiro ruim, desenho de produção feio e é cheio de situações forçadas

- por André Lux, crítico-spam

É bem fraquinha essa adaptação de mais um personagem da Marvel. Não adiantou nada chamarem o outrora prestigiado diretor Kenneth Branagh, famoso por suas adaptações cinematográficas da obra da Shakspeare, porque a única coisa que ele fez de diferente foi entortar a câmera toda hora, ao ponto de irritar.

Mas a culpa nem é tanto do diretor, pois o roteiro é muito ruim e não dá a menor chance para os atores, além de ser incapaz de gerar qualquer envolvimento ou emoção. Cheio de diálogos constrangedores e situações forçadas, a trama vai capengando até o final óbvio - o embate entre o herói e o vilão. Mas, detalhe: ambos são imortais, portanto não dá para esperar muito dessa luta.

Não faz o menor sentido tentarem pintar Thor como um garotão arrogante e bobo, chegado a um bullying intergaláctico, só para inventarem uma desculpa para ele ser banido para a Terra (para diminuir os custos da produção), onde ele já chega de jeans e camiseta! Também não convence nem um minuto o romance entre ele e a cientista Jane, pois o fortão Chris Hemsworth e Natalie Portman tem química zero na tela.

A loucura do vilão Loki, meio irmão de Thor, também não convence, embora o diretor Branagh tente imprimir (sem sucesso) algum conflito shakespereano entre ele e o pai Odin (um Anthony Hopkins barbudo e caolho). O filme também tem um desenho de produção que tenta ser retrô, mas só consegue ser feio e brega (algumas cenas parecem desfile de escola de samba). Pior é a trupe de guerreiros amigos do Thor que parecem ter saído direto de uma montagem escolar de "O Senhor dos Anéis".

Desfile de escola de samba em Asgard?
Nem mesmo a trilha musical de Patrick Doyle, colaborador habitual de Branagh desde "Henrique V", chega a brilhar. Se não bastasse ter um material tão fraco para buscar inspiração, ainda fica óbvio que foi forçado pelos produtores a emular o "estilo" do abominável Hans Zimmer e seus clones, que atualmente fazem a cabeça de adolescentes que frequentam os cinemas.

Cheguei a ver alguns críticos dizerem que esse "Thor" é tão bom quanto o "Superman" do Richard Donner. Só pode ser brincadeira, porque este está muito mais para aquele desastroso filme do "He-Man" em carne e osso, estrelado pelo megacanastrão Dolph Lundgren. Por sinal, é incrível que a adaptação das aventuras do homem de aço, feita em 1978, consiga ter efeitos visuais mais criativos e bacanas do que algo feito com tudo que há de mais moderno em computação gráfica! Ah, velhos tempos...

Cotação: * *

domingo, 1 de maio de 2011

Non Nobis Domine, de "Henrique V", composta por Patrick Doyle

Confira abaixo o concerto em Ubeda, na Espanha, da trilha de Patrick Doyle para "Henrique V", de Kenneth Branagh. Doyle é o solista que começa a música e a orquestra é conduzida por Joel McNeely. De arrepiar até o último fio de cabelo!



quinta-feira, 28 de abril de 2011

Uma excelente análise da trilha de "Alien" (em inglês)

- by Rafael Ruiz, at Soundtracknet

In 1979, composer Jerry Goldsmith wrote his best score. At times majestic, at times frightening, the movie told the story of space travelers confronted with an alien threat. It spanned a motion picture franchise with a devoted that continues to even today.

He also wrote Alien, which wasn't too shabby itself.

Goldsmith was on fire at this time. He had just won an Oscar two years previously for The Omen and was writing one score after another. In 1977, he did eight scores alone. In the wake of Star Wars, epic scores were a rage again and Goldsmith was able to write the full-bodied scores he was capable of. He would compose Great Train Robbery right before this one and Star Trek: The Motion Picture right after. Even surrounded by greatness, Alien still stands as one of Goldsmith's great compositions.

To some people, Alien has lost its allure. It is slow and the shocks no longer surprise anyone familiar with the other movies. Many just prefer the high-octane thrills of the equally classic sequel Aliens. Taken on it's own terms, Alien is still one of the best horror movies (and science fiction movies) ever made. It was a revolutionary movie at the time, for more than just the frightening life cycle of the title character. This would be the first grungy science fiction movie with dark claustrophobic sets and working class protagonists. Never had a woman been a hero in this type of movie. Think of how many horror movies you've seen where the final characters are a tough-as-nails female lead and a sharp talking black character. All due to this movie. The Romero zombie movies don't count. The best way I've heard it put about Alien is (I'm paraphrasing), "it is to Star Wars as The Rolling Stones are to The Beatles."

Goldsmith split the score into two styles. The theme for the spacecraft Nostromo and its doomed crew is a romantic trumpet and orchestra theme ("Main Title") that is followed by a mysterious two-note echoing motif. It suggests both primal wonder for the great unknown and the nagging fear that follows it. This plays out wonderfully in the next track ("Hyper Sleep") where the crew slowly wakes up. As the pedals of the sleeping pods open, the orchestra buildings to a crescendo then followed by the solo trumpet. It is moment of great film music that Stravinsky would have been proud of. One track later, "The Landing" uses the alternating motifs more aggressively, giving the seeming standard landing of the spacecraft a dangerous undertone.

Once they get to the planet, the other style of the score emerges. "The Terrain" and "The Craft" uses whole tone repetitions that echo off, repeated by steel drums and marimbas. It suggests a place long dead and mysterious. The tone intensifies with the following tracks. "The Passage" and "The Skeleton" have the same echoing effect (using an echoplexed Indian conch and whole tone repetitions). With high pitched strings that are counter balanced by a flute solo, the tension builds to an unbearable level.

I don't usually go track by track like this, but what Goldsmith did in this section was to reinvent horror movie orchestration. Many of the elements used here had been done separately before, but never together at this level of mastery. Most horror scores tend to work a simple level of "does this make you feel uncomfortable" or "does this scare you". Goldsmith's compositional genius is that he is able to suggest other levels at the same time. I can't say it better than director Ridley Scott who commented that "it gives a sense of scale, architecture and civilization, though not as we know it."

Goldsmith very well knew that to suggest something "alien" he had to create sounds both unfamiliar and threatening. Goldsmith was always a fan of experimenting with ethnic instruments. Here he would use the Indian conch, along with a didgeridoo, serpent along with odd sounds of struck pianos strings and other random noises, subtle synthesizer stings and echoplexed effects. First fully introduced in "Here Kitty" the Alien theme gives us a ferocious creature seemingly like a large insect and a reptile at the same time. In "Parker's Death" and "Sleeping Alien" the didgeridoo rattles like a coiled rattlesnake, ready to strike. The horn call sounds the cry of some foreign animal. We instinctively tense up at these sounds and the driving strings keeps us moving. Countless follow horror soundtracks would use small variations of these effects over the years.

O mestre Goldsmith
But a great score is one that makes every track a winner, and Goldsmith gives us every variation of building suspense there is without a false note. There's moody environmental cues like "The Lab" and "The Eggs". There's slow build suspense cues such as the "The Shaft" and "Hanging On." There's high energy action cues like "It's A Droid" and "Out The Door" He even does dissonant abstract cues in "A New Face" and "The Eggs".

From the original sessions alone, this was one great score. And with the restoration, the music sounds the best it ever has. And to make this fantastic release even better..er, it contains the original session recordings and the rescored alternative versions. For anyone who knows the history of this score, this is a very big deal.

The writing of Alien is one of the great composer/ director conflicts in film music.
During the post-production of the film, Editor Terry Rawlings used temp music from previous Goldsmith scores, most specifically Freud (1963). Ridley Scott had Goldsmith rewrite a number of cues, including the main titles to give the movie a more obvious spooky edge from the outset ("written in 5 minutes" by Goldsmith's words). Then Scott licensed the original temp music and used it in the movie. The finale and closing titles were then changed to Hanson's Symphony No. 2. Goldsmith was, understandably, not too happy with being reedited and ironically this would not the only time. When they worked together again on Legend (1986), Scott would replace Goldsmith's entire score with one written by Tangerine Dream for the American release. Though, in all fairness, not by choice.

I'm personally fond of a lot of the changes Scott made. The opening titles tell us clearly what we're getting into and the other rewritten tracks are only subtly different. I think the Freud cues feel out of place, more in their recording quality than in tone. At the same time even I admit Goldsmith's original score is just as good. Either way, you're getting everything excluding the Hanson Symphony and the tracks from Freud, which deserves its own soundtrack re-release. If that wasn't enough, also included is the original '79 album release and eight minutes of demonstration excerpts, with separate versions of the unique alien instrumentation.

This is my favorite classic re-issue of the year. That's because it was co-produced by Mike Matessino. He (along with producer David C. Fein) was responsible for the groundbreaking Alien and Aliens laserdisc box sets. They also did the first Alien DVD release which contains the still unique two isolated score tracks, one with the original music and the second with the changed cues. If there's anyone that knows what an Alien album needs, it would be Matessino and fellow album producer Nick Redman. They know a real fan wants the details and this album gives us exactly that with exquisitely detailed and researched linear notes.

A comprehensive album of a classic score.

Disc 1 - The Complete Original Score
01. Main Title
02. Hyper Sleep
03. The Landing
04. The Terrain
05. The Craft
06. The Passage
07. The Skeleton
08. A New Face
09. Hanging On
10. The Lab
11. Drop Out
12. Nothing to Say
13. Cat Nip
14. Here Kitty
15. The Shaft
16. It's a Droid
17. Parker's Death
18. The Eggs
19. Sleepy Alien
20. To Sleep
21. The Cupboard
22. Out the Door
23. End Title
24. Main Title (rescored alternate cue)
25. Hyper Sleep (rescored alternate cue)
26. The Terrain (rescored alternate cue)
27. The Skeleton (rescored alternate cue)
28. Hanging On (rescored alternate cue)
29. The Cupboard (rescored alternate cue)
30. Out the Door (rescored alternate cue)

Disc 2 - The Original 1979 Soundtrack Album
01. Main Title
02. The Face Hugger
03. Breakaway
04. Acid Test
05. The Landing
06. The Droid
07. The Recovery
08. The Alien Planet
09. The Shaft
10. End Title
11. Main Title (film version)
12. The Skeleton (alternate take)
13. The Passage (demonstration excerpt)
14. Hanging On (demonstration excerpt)
15. Parker's Death (demonstration excerpt)
16. It's a Droid (unused inserts)
17. Eine Kleine Nachtmusik (source)

Lionel Newman (Conductor)
National Philharmonic Orchestra

sábado, 26 de março de 2011

Filmes: "INVASÃO MUNDO: A BATALHA DE LOS ANGELES"

VIVA OS SOLDADINHOS DO TIO SAM!

Propaganda descarada em favor do exército dos EUA estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena

- por André Lux, crítico-spam

O que aconteceria se o ET de Varginha e seus colegas resolvessem invadir a Terra para usurpar seus recursos naturais e dizimar os humanos? A resposta é óbvia: teriam que enfrentar os destemidos fuzileiros navais do poderoso exército dos Estados Unidos!

Esse é o mote de "Invasão do Mundo: A Batalha de Los Angeles", filme que eu não ficaria nem um pouco surpreso se fosse anunciado ter sido escrito e financiado pela área de Relações Públicas do Pentágono, com direito a comitê de recrutamento na saída dos cinemas. Afinal, o exército do Tio Sam estava mesmo precisando de uma boa publicidade depois das malfadadas invasões do Iraque e do Afeganistão.

Pior é que essa propaganda descarada e ridícula em favor dos soldadinhos estadunidenses estraga o que poderia ter sido um divertido filme de invasão alienígena, cheio de som e fúria. Mas perto dessa estupidez toda, até "Independence Day" vira um clássico de sutileza!

O mais estranho é que o filme parece muito com o recente "Skyline - A Invasão", só que agora tudo é mostrado pelo ponto de vista de um pelotão dos fuzileiros (marines) no meio da guerra num bairro de Los Angeles. Mas, mesmo comparada com o anterior, esse novo perde feio. As irritantes explosões de patriotada pró exército dos EUA, que acontecem a cada cinco minutos, aniquilam qualquer vontade que você poderia ter de torcer pelos protagonistas - e isso é fatal em qualquer filme de monstro.

É um barbudo? É um comunista? Não, é um ET
O galã Aaron Eckhart, como o sargento durão mas de bom coração, até que tenta levar o filme nas costas, mas é derrubado também por um elenco de apoio muito fraco, uma fotografia estourada e trêmula (que tenta imitar "O Resgate do Soldado Ryan" e suas centenas de imitações) e por uma música bombástica e opressiva escrita por Brian Tyler, um bom compositor que deve ter sido forçado pelos realizadores a compor uma trilha no "estilo" do abominável Hans Zimmer.

O desenho dos ETs e suas naves também é bem sem graça e o fato de você nunca conseguir vê-los direito também atrapalha muito - embora os soldadinhos do Tio Sam arrumem tempo para torturar um deles, igual faziam com os prisioneiros no Iraque!

Mas, tudo bem. Contra ETs malvados vale tudo. Pena que na vida real os marines não enfrentem inimigos tão definitivamente maus e nem de perto sejam tão bravos e moralmente superiores como as suas caricaturas mostradas em filmes idiotas como esse.

Cotação: *

sexta-feira, 25 de março de 2011

Filmes: "O MÁGICO"

AO MESTRE, COM CARINHO

Desenho animado é uma bonita homenagem ao genial comediante Jacques Tati

- por André Lux, crítico-spam

Que delícia poder assistir a um desenho animado à moda antiga (sem computação gráfica) baseado num roteiro inédito do mestre Jacques Tati, o genial realizador que nos brindou com obras maravilhosas como "Meu Tio" e "As Férias de Ms. Hulot".

Tati era um comediante do tipo que não existe mais, dono de um humor fino, delicado e discreto, onde as gags geralmente aconteciam em volta de seu personagem Hulot, que praticamente não tinha falas em seus filmes.

O longa de animação "O Mágico" é uma belíssima homenagem ao legado deixado por Tati, dirigido por Sylvain Chomet, o mesmo que fez o delicioso "As Bicicletas de Belleville", onde já apareciam discretas citações aos filmes de Tati.

O filme conta a história de uma mágico (ou ilusionista, conforme o título original) que vai aos poucos vendo sua arte e a de seus outros colegas de origem circense sendo ignorada em favor de novos tipos de entretenimento - aqui representados por um grupo de rock no estilo dos Beatles, chamado no filme de The Britoons.

É apenas durante uma turnê no interior Escócia que seu talento é devidamente valorizado - e aqui entra um dos temas favoritos de Tati: o conflito entre a frieza da gente cidade grande versus a delicadeza e sensibilidade das pessoas mais simples.

Tati era um crítico feroz da perda da humanidade gerada pela vida agitada e cheia de traquitanas eletrônicas da modernidade. Essa crítica pode ser encontrada em sua forma mais bem acabada em sua obra prima "Meu Tio", filme que, por sinal, aparece de forma hilariante em "O Mágico".

O desenho é muito bem feito, com traços elegantes e finos, editado de forma primorosa para construir as pequenas e discretas gags e conta com uma trilha musical delicada. Mas nem tudo é comédia, principalmente no final, que é extremamente melancólico e pode até fazer chorar.

Enfim, "O Mágico" é uma pequena jóia da sétima arte que certamente vai agradar quem procura no cinema o tipo de entretenimento que somente um gênio como Jacques Tati sabia produzir.

Cotação: * * * * *

sexta-feira, 11 de março de 2011

Filmes: "BRAVURA INDÔMITA"

OS IRMÃOS CARA DE PAU

Comédia traz as marcas registradas dos irmãos Joel e Ethan Coen, o humor seco e muito negro

- por André Lux, crítico-spam

Li várias críticas a esse "Bravura Indômita" mas nenhuma disse o óbvio sobre o filme: que se trata de uma comédia que traz as marcas registradas dos irmãos Joel e Ethan Coen, o humor seco e muito negro. Assim, essa nova obra deles lembra muito seu melhor filme, "Fargo", e também o anterior "Onde os Fracos Não Tem Vez".

Não assisti ao original com John Wayne, considerado um clássico, por isso não dá para comparar. Mas os Coen estão muito mais interessados em montar suas gags visuais e verbais do que necessariamente contar a história da menina que contrata um veterano delegado federal (feito de forma impagável por Jeff Bridges) para caçar e prender o assassino de seu pai.

Os pontos altos do filme são as disputas verbais entre o delegado e o Texas Ranger (muito bem interpretado por Matt Damon), que ficam o tempo todo discutindo quem é o mais macho e tem a melhor pontaria. "Bravura Indômita" tem duas cenas antológicas: a da chegada do homem barbudo vestindo (literalmente) uma pele de urso (com cabeça e tudo) e o concurso de tiro usando como alvo pães, depois que os dois protagonistas brigam para saber quem foi que acertou o ombro do Texas Ranger durante um tiroteio! Há também uma cena impagável dentro de uma cabana onde dois bandidos (um deles na pele de John Goodman, que esteve em "Barton Fink" dos Cohen) discutem com o delegado e termina com um deles arrancando os dedos do outro (humor mais negro, impossível).

Os irmãos Coen sabem como ninguém criar um timing perfeito para suas gags, deixando os atores livres para usarem sotaques totalmente esdrúxulos enquanto disparam suas frases absurdas e depois param estupefatos para ouvir os absurdos disparados pelos seus interlocutores. A montagem também é excelente na construção dessas piadas e deixa o tempo entre os duelos verbais correr de forma perfeita para gerar a comédia.

Eu gosto muito desse tipo de humor e, confesso, me diverti bastante durante o filme. Prefiro muito mais esse estilo de comédia do que o mais rasgado e histérico que os Coen imprimiram a filmes como "Os Matadores de Velinhas" e "O Amor Custa Caro". Estranhamente, "Bravura Indômita" fez grande sucesso nos Estados Unidos, o que não é nada comum acontecer aos filmes dos irmãos Coen, que são mesmo dois grandes caras de pau (no bom sentido)!

Cotação: * * * 1/2

terça-feira, 1 de março de 2011

Filmes: "BRUNA SURFISTINHA"

SEM HIPOCRISIA

É um bom filme, interessante, bem humorado, bem interpretado e isento de lições de moral hipócritas ou psicologismos baratos

- por André Lux, crítico-spam

É bem melhor do que eu esperava esse filme baseado no livro "O Doce Veneno do Escorpião", escrito pela garota de programa Bruna Surfistinha, codinome de Raquel Pacheco, que hoje virou celebridade e vive com ex-cliente.

O diretor estreante Marcos Baldini consegue disfarçar bem a escassez de recursos técnicos com uma boa direção de atores e ausência de moralismos baratos que seriam fatais para quem almeja contar as história de uma prostituta - tema que ainda é tratado com grande hipocrisia e falso moralismo pela maioria das pessoas, infelizmente.

A boa sacada do roteiro é não tentar "desvendar" os motivos que levaram Raquel a se prostituir, embora ele mostre sua vida anterior, com a família e na escola, mas sem didatismo ou excesso de clichês. Pelo contrário, apesar de um pouco secos e distantes, seus pais (adotivos) parecem gostar genuinamente dela, o que de cara já neutraliza aquele irritante clichê de filmes sobre prostitutas: de que são todas crianças mal amadas ou abusadas em casa. Bruna/Raquel passa pela sua cota de abusos e humilhações, mas nada que justifique tamanha guinada na vida tranquila e boa que levava com sua família.

A verdade é que muitas meninas viram mulheres de programa porque querem (por inúmeros motivos que não cabe aqui citar) e muitas delas se dão bem nessa vida - o que o filme mostra de maneira bem realista. O que torna "Bruna Surfistinha" interessante é que ela, mesmo depois que casou e ficou famosa, não renega sua origem e faz questão de mostrar que fazia tudo aquilo por que queria e que também gozava em vários de seus programas.

Deborah Secco, por incrível que pareça, surpreende numa atuação despojada e corajosa, inclusive em cenas ousadas que certamente vão chocar os puritanos (como na que faz "chuva dourada" em um de seus clientes) e muita nudez. A atriz mergulha de cabeça naquele universo e não deixa a peteca cair em nenhum momento - nem quando Bruna/Raquel fica viciada em cocaína e aí faz de sua vida um inferno.

Interessante também é que o filme serve como um ótimo estudo dos motivos que levam os homens a procurarem as profissionais do sexo e, felizmente, mostra-os como pessoas normais e não como degenerados nojentos como gostam de pintar os falsos moralistas (mostre-me um homem que nunca transou ou ao menos teve fantasias ardentes com uma prostituta e eu te mostrarei um mentiroso).

Nisso o filme é bem fiel ao livro, pois em momento algum faz julgamentos morais dos clientes de Bruna/Raquel e mostra inclusive casais liberais que procuram a garota para satisfazerem juntos as suas fantasias sexuais.

"Bruna Surfistinha" é um bom filme, interessante, bem humorado, bem interpretado, com uma boa trilha musical e, felizmente, isento de lições de moral hipócritas ou psicologismos baratos. O que, convenhamos, não é pouco nos dias de hoje!

Cotação: * * * 1/2

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Filmes: "TROPA DE ELITE 2"

CONSCIÊNCIA PESADA

De certa forma o diretor José Padilha acaba confirmando que quem acusou o primeiro "Tropa de Elite" de ser fascista estava certo

- por André Lux, crítico-spam

A impressão nítida que fica depois do final de "Tropa de Elite 2" é que o diretor José Padilha ficou com a consciência pesada por causa da mensagem fascista (involuntária) embutida no primeiro filme (que agradou a extrema direita brasileira a ponto de ganhar uma capa positiva do maior panfleto nazi-fascista do país, a revista Veja) e tentou se redimir na continuação.

De certa forma ele acaba confirmando que quem acusou "Tropa de Elite" de ser fascista estava certo (eu entre eles, clique aqui para ler minha crítica ao filme e aqui para uma análise mais profunda).

Por isso, o segundo filme é bem diferente do original. O Bope, a chamada tropa de elite, e o personagem André Matias (que era o narrador original da história e verdadeiro protagonista do primeiro filme) aparecem bem pouco e o foco fica em cima do capitão Nascimento (Wagner Moura) que, depois de uma ação violenta no presídio Bangu I que cai no gosto da população de classe média para a qual "bandido bom é bandido morto", é promovido a subsecretário de Segurança do Rio de Janeiro.

Nesse sentido, "Tropa de Elite 2" não tem qualquer sutileza devido à ânsia do cineasta em provar que não é de direita. Assim, o herói do filme é um professor de História e defensor dos direitos humanos (dizem que esse personagem foi inspirado em um político do PSOL), que acaba ganhando os holofotes da mídia e é por isso eleito deputado estadual, gerando à princípio profundo ódio no Nascimento (no início do filme ele xinga o sujeito de "intelectualzinho de esquerda que ganha a vida defendendo vagabundo").

Mas, devido a uma série de circunstâncias descritas no roteiro, o defensor dos direitos humanos e o capitão Nascimento acabam tendo que unir forças para lutar contra os bandidos (no caso, policiais e políticos corruptos que comandam as milícias nas favelas cariocas).

"Tropa de Elite 2", entretanto, segue muito mais a linha dos filmes de ação estadunidenses do que os de denúncia no estilo de Costa-Gravas e, por isso, acaba não tendo o impacto necessário para mudar consciências (o estrondoso sucesso de bilheterias confirma isso, já que filmes que fazem as pessoas pensarem não fazem muito sucesso).

O exagero no didatismo ideológico, a falta de nuances e a unidimensionalidade dos personagens "maus", o primarismo psicológico dos protagonistas (Nascimento é de uma ingenuidade incompatível com sua experiência como comandante do Bope e o ativista de esquerda parece um super-homem!) e a maneira idealizada com que encara o trabalho da mídia (jamais uma denúncia daquelas contra políticos da direita seria publicada na imprensa corporativa) tira a chance do filme atingir patamares mais elevados.

Herói é esquerdista defensor dos direitos humanos!
Todavia, no aspecto técnico o segundo filme perde feio para o primeiro. O que o "Tropa de Elite" original tinha de dinâmico, ágil e forte este tem de lento e sem graça. A fotografia, um dos pontos altos do primeiro, não tem a mesma vibração e naturalidade na continuação.

Um dos pontos mais baixos do segundo é o seu elenco de apoio, principalmente o defensor dos direitos humanos que é feito por um ator pavoroso que às vezes mal consegue pronunciar seus diálogos. Nem mesmo Wagner Moura tem muito a fazer e fica quase o filme todo com cara de coitado, embora sua narração insista em retratá-lo como se fosse alguém descolado e esperto.

Entre mortos e feridos, "Tropa de Elite 2" é bem menos nojento que o primeiro filme, porém, paradoxalmente, tem bem menos impacto e por isso mesmo gera muito menos polêmica. Mas o importante é que o diretor Padilha teve a chance de se redimir e deve agora estar dormindo mais tranquilamente.

É o primeiro caso que eu conheça de uso do cinema para expiar uma crise de consciência! A revista Veja não deve ter gostada nem um pouco.

Cotação: * * 1/2

domingo, 13 de fevereiro de 2011

DVD: "JORNADA NAS ESTRELAS - O FILME" (Versão do Diretor)

PRESENTE PARA OS FÃS

Sai em DVD a versão definitiva da primeira e mais problemática viagem da Enterprise nos cinemas

- por André Lux, crítico-spam

"Jornada Nas Estrelas - O Filme" marcou em 1979 a volta da tripulação da nave Enterprise para as telas (no caso a do cinema) após ficar quase uma década afastada com a extinção da série televisiva. Mas esse retorno decepcionou muitos fãs, que acusaram o filme de trair o espírito original da série, cujo mérito era driblar habilmente a falta de recursos técnicos e financeiros com idéias engenhosas, roteiros enxutos e muito bom humor.

Mas, ao que parece, esqueceram de tudo isso ao transpor a série para os cinemas. O maior defeito deste filme é basicamente a falta de humor. Os personagens estão secos e arredios, quase não interagindo entre si, o que impede o surgimento da boa e velha química que mantinha a série original sempre atraente. Isso deve-se, em grande parte, à direção fria e distante de Robert Wise que, embora fosse um veterano da ficção-científica ("O Dia em que a Terra Parou" e "O Enigma de Andrômeda") não era a pessoa mais indicada para dirigir ""Jornada nas Estrelas".

A história sobre uma nuvem de energia desconhecida que vai destruindo tudo em seu caminho até a Terra é bastante interessante, mas o filme acabou sendo derrubado pelas infinitas discordâncias entre o criador da série, Gene Rodenberry, e sua equipe de roteiristas. São famosas as histórias das mudanças de última hora no roteiro, realizadas às vezes antes das cenas serem gravadas. Só para se ter uma idéia da confusão, na primeira versão do roteiro Spock fora deixado de fora - isso porque o ator Leonard Nimoy recusava-se a voltar a interpretar o vulcano de orelhas pontudas.

E para piorar tudo, a empresa de efeitos especiais contratada não conseguia dar conta do recado e teve que ser substituída na última hora pela de John Dykstra (de "Star Wars") e de Douglas Trumbull (de "Contatos Imediatos de Terceiro Grau").

O filme terminou de ser montado e mixado apenas dois dias antes da sua estréia, o que resultou numa série de problemas. Várias cenas incompletas tiveram que ser eliminadas e muitas sequências com os efeitos especiais foram adicionadas do jeito que vieram, pois não havia tempo para editá-las - o que resultou nas infames seqüências onde somos obrigados a observar a Enterprise deslizando interminavelmente pelo vazio, enquanto os atores fazem cara de impressionados.

Nova cena em Vulcano, com efeito melhorado
Muitas dessas falhas foram finalmente resolvidas nessa "Versão do Diretor" lançada em DVD. O diretor Wise, com a ajuda da atual tecnologia em computação gráfica, pode melhorar algumas cenas (como as do planeta Vulcano) e acrescentar detalhes que antes não foram possíveis de serem realizados. Isso ajuda muito o filme, deixando-o mais dinâmico e humano, principalmente no último ato que ganhou em dramaticidade, com a inclusão de cenas que haviam sido cortadas na época (como Spock chorando por V'Ger) simplesmente por não haver efeitos visuais suficientes para intercalá-las.

Essas melhorias ainda não resolvem todos os problemas, mas mesmo assim "Jornada Nas Estrelas - O Filme" ainda continua sendo um belo exemplar de ficção científica da melhor qualidade (embora mantenha-se um pouco distante do universo criado pela série original). E a trilha sonora do maestro Jerry Goldsmith (de "Alien: O Oitavo Passageiro" e "Instinto Selvagem") continua sendo uma das mais impressionantes da história do cinema.

O DVD duplo traz ainda vários extras bacanas que certamente vão fazer a cabeça dos fãs da série, tais como uma faixa de comentário em áudio com o diretor Wise, os supervisores de efeitos Trumbull e Dykstra, o compositor Goldsmith e o ator Stephen Collins. Há também, no segundo disco, um ótimo documentário retrospectivo divido em três partes que analisa todos os aspectos da produção, além de 16 cenas deletadas e adicionais (oriundas das várias versões do filme), storbyboards e diversos trailers e teasers de TV. Imperdível para os fãs.

Cotação: * * * 1/2

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

"O Discurso do Rei" é acusado de ignorar antissemitismo

"
Eu avisei que o filme era superficial
O longa O Discurso do Rei, que estreou nesta sexta-feira (11/2) e lidera o número de indicações ao Oscar 2011- 12 ao todo - pode não reinar na noite do dia 27 de fevereiro devido a uma recente polêmica de bastidores da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas ligando seu protagonista, o rei George VI, ao nazismo.

Um e-mail anônimo circula entre os membros da Academia alertando para indícios de que o rei era antissemita e simpatizante das ideias de Adolf Hitler. O e-mail cita trechos de documentos oficiais e alerta para o fato de que a suposta inclinação do rei George VI ter sido ignorada no filme O Discurso do Rei.

Por tocar o antissemitismo, assunto sabidamente sensível à Academia, que tem um grande número de judeus como membros, o longa-metragem pode ser rejeitado por muitos votantes e acabar prejudicado na cerimônia do Oscar.

Em defesa do filme, os produtores alegam que o roteiro foi escrito por David Seidler, judeu que teve familiares mortos no Holocausto.

Fonte: Cineclick

Comentário: Eu já havia avisado que o filme em questão é bem superficial e mais parece ter sido feito por encomenda dos relações públicas da família real inglesa... Agora está comprovado.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Filmes: "SKYLINE - A INVASÃO"

VALE QUANTO PESA

Se gosta do gênero, não dê bola para os profissionais da opinião e mergulhe de cabeça que não vai se arrepender

- por André Lux, crítico-spam

Depois de perder meu tempo vendo vários filmes péssimos altamente recomendados pelos profissionais da opinião mundial, resolvi partir para a direção oposta. 

Assim, assisti a um filme que foi literalmente massacrado pela crítica, no caso "Skyline - A Invasão". 

E olha que acertei: o filme é bem divertido e desfrutável, nada a ver com as análises furiosas dos que vivem de tecer opiniões sobre o trabalho alheio.

Trata-se de um filme de ficção científica e terror que mostra uma invasão alienígena nas ruas de Los Angeles. No gênero, é um dos melhores que eu já vi, deixa no chinelo porcarias como "Guerra dos Mundos" que o Spielberg fez com o Tom Cruise ou "Sinais", com Mel Gibson! 

A obra também tem certa semelhança com "Cloverfield - Montro", já que mostra a invasão pelo ponto de vista de um grupo que está fechado dentro de um apartamento de luxo.

O importante é que "Skyline - A Invasão" vale o quanto pesa. Ou seja, entrega o que promete: muita ação e suspense, efeitos especiais excelentes (os monstros e as naves são bem convincentes), uma trilha musical adequada, surpresas e alguns sustos reais. Tudo na medida certa, sem mensagens pretensiosas, explicações didáticas ou exageros, nem mesmo de cenas nojentas.

Ajuda também os atores serem todos desconhecidos (e meio canastrões também), pois assim nunca sabemos qual será a próxima vítima dos ataques extremamente selvagens dos aliens. 

É muito interessante a maneira que as criaturas atraem os humanos, por meio de uma luz azul que lembra aquela que usamos para atrair as moscas para armadilhas letais.

Se você gosta do gênero, não dê bola para os profissionais da opinião e mergulhe de cabeça que não vai se arrepender (rola até uma explosão nuclear!). É diversão garantida.

Cotação: * * *

Cine-Trash: "REQUIEM PARA UM SONHO"

MAS QUE DROGA!

Boa premissa é destruída pela mão pesadíssima do diretor, que apela a todo momento para moralismos totalmente descabidos e maneirismos estéticos excessivos

- por André Lux, crítico-spam

O diretor Darren Aronofsky virou queridinho de pseudo-intelectuais depois de realizar o obscuro e pretensioso ''Pi '' (daqueles que ninguém entende e, por causa disso, ficam achando que viram algo genial). Seu próximo filme, ''Réquiem para um Sonho'', foi também louvado por muitos mesmo sendo uma grande e inegável porcaria.

Explico. O filme pretende mostrar a dura realidade de vários tipos de drogados, não se limitando somente ao universo dos usuários de entorpecentes ilegais, mas abordando também aquelas pessoas que são viciadas em outros tipo de drogas, as legais (TV, remédios, alcool, etc). Num mundo onde somente os usuários de drogas proibidas são alvo de campanhas e ataques da sociedade hipócrita, a intenção é até louvável, embora obviamente pretensiosa (a começar pelo título). Pena que ela seja destruída pela mão pesadíssima do diretor, que apela a todo momento para moralismos totalmente descabidos e maneirismos estéticos excessivos. No final, não da nem para entender direito o que Aronofsky quis dizer com seu filme, já que muda a todo momento os rumos e as características de seus personagens viciados em drogas.

O principal exemplo dessa "esquizofrenia" conceitual já é notada logo de cara no próprio protagonista (o sempre péssimo Jared Leto, de ''O Quarto do Pânico''), pintado como um jovem desajustado e bandido, que inicia o filme roubando a TV da própria mãe (Ellen Burstyn) para trocá-la por drogas. Ele e sua namoradinha (Jennifer Connelly, que tem uma rápida e gratuita cena de nudez frontal a qual a atriz hoje deve repudiar), também mostrada como sendo uma jovem despudorada e sem o menor escrúpulo, passam o filme transando em lugares proibidos e causando pequenas delinqüências, enquanto injetam drogas pesadas nas veias. Não faz o menor sentido, portanto, quando ambos têm arroubos de bom-mocismo (ele tentando mostrar para a mãe que drogas fazem mal e ela ficando toda enojada e com crises existenciais ao fazer sexo oral em um negro - ela é racista? - e participar de uma orgia para descolar drogas). Moralismo dos mais estúpidos e canhestros, diga-se de passagem, sem dizer que essas reações são incompatíveis com a personalidade que o autor imputou a eles no início.

É estranho também o rumo que Aronofsky dá à trama. No início todos vão muito bem, enquanto a dupla de amigos (completada pelo horrível Marlon Wyans, cujo curriculo inclui coisas como ''Todo Mundo em Pânico'' e ''Dungeons and Dragons'') consomem suas drogas sem parar e aproveitam para ganhar dinheiro fácil, diluindo e vendendo o que sobra (é assim que pretendem realizar os tais ''sonhos'' aos quais o título do filme se refere!). A coisa só fica ruim mesmo quando o traficante do bairro é morto e não conseguem mais comprar seus entorpecentes.

Parece que o diretor quer dizer que você só terá problemas com drogas se elas faltarem em sua casa, afinal é só a partir dai que passam a se dar mal - e sempre por causa da falta de droga, nunca pelo seu uso! E tudo fica ainda mais ridículo quando a dupla sai da sua cidade para tentar buscar a razão de seu vício em Miami, uma viagem de mais de 600 km. Só sendo muito ingênuo mesmo para acreditar que numa magalópole como Nova Iorque iam conseguir comprar drogas só de uma pessoa!

"Socorro, minha geladeira quer me pegar!"
Triste mesmo é ver uma grande atriz como Ellen Burstyn interpretar uma senhora obesa (nem isso é convincente, pois percebe-se claramente que ela é uma pessoa magra usando roupas folgadas) que passa o resto de seus dias vendo programas de TV do tipo "auto-ajuda" (encenados de maneira incrivelmente estereotipada) e que fica viciada em remédios para emagrecer (baseados em anfetaminas) depois que é convidada para participar de seu show favorito. Para se ter uma idéia da fria em que a atriz se meteu, o ponto alto de sua participação no filme é quando passa a alucinar e fugir dos ataques da sua geladeira psicopata! Sua indicação ao Oscar, portanto, deve ter sido fruto da simpatia que os membros da academia sentiram por sua coragem de submeter-se a tão humilhante experiência.

Se não bastasse toda essa bobagem, o diretor ainda cisma em prender a câmera nos atores e filmar tudo em velocidada acelerada, talvez para tentar passar a sensação de "viagem" que estão tendo. Mas o efeito é usado à exaustão e cansa. Há também, a cada dez minutos de projeção, a inserção de uma cena rápida de aplicação de droga e regozijo (com direito a efeitos sonoros do tipo "Fzzzz-Shiiiii-Ahhhh!!"), que parece ter sido extraída de algum video-clipe psicodélico, sem falar do excesso de efeitos visuais e do uso de lentes angulares que nada acrescentam à trama, exceto para deixá o filme com aquele aspecto "moderninho" a lá MTV.

E quanto mais perto da conclusão chega, mais ridículo ''Réquiem para um Sonho'' fica, ao ponto de virar fita de terror em seus momentos finais, com direito a longas sessões choques elétricos (sem que haja a menor razão ou lógica para isso), membros esquartejados e bacanais sado-masoquistas doentios. E dizem que a versão que saiu aqui no Brasil é censurada. Isso quer dizer que a sem cortes deve ser ainda mais exagerada e repulsiva. Se quiser ver um filme que trata o problemas das drogas de forma muito mais lúcida e pertinente, prefira ''Traffic'', pois esse aqui é, me perdoem o trocadilho, uma verdadeira droga.

Cotação: *

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Filmes: "O CISNE NEGRO"

TERROR PARA PIMBAS

Se você tirar fora toda a baboseira pseudo profunda que permeia a obra, vai perceber todos os cacoetes de qualquer filme de horror do mais vagabundo

- por André Lux, crítico-spam odiado por PIMBAs

Vou ser sincero: de todos os cineastas pretensiosos e metidos a besta que existem por aí não existe nenhum mais ridículo do que esse tal de Darren Aroflonsky (sim, escrevi o nome do sujeito errado. De propósito). Todos os filmes do rapaz transbordam uma necessidade sufocante de impressionar aquela turma que adora ser enganada no cinema por filmes que não tendo qualquer sentido ou significado plausível, passam a a ser adorados como obras primas da sétima arte. Assim, os filmes do Arotrontsky variam de incompreensíveis ("PI") a simplesmente grotescos ("Requiem para um Sonho"). Isso quando não são as duas coisas ("A Fonte da Vida").

Não por acaso, o sujeito é adorado por todos os PIMBAs (pseudo intelectuais metidos a besta) de plantão. É que esse pessoal adora ser enganado por charlatões como o em questão pois, incapazes de entender o significado de uma obra propositalmente sem sentido, acham que estão diantes de algo sublime e espetacular. Assim, podem dizer a todos que não gostaram da obra em questão a frase preferida deles: "Humm! Você não entendeu o filme!".

A nova empreitada do Arronofskly, "Cisne Negro", segue na mesma toada, no que é, essencialmente, um filme de terror só que feito para agradar PIMBAs, os quais invariavelmente sentem repulsa por esse gênero que consideram mundano demais para suas nobres capacidades mentais. Mas, se você tirar fora toda a baboseira pseudo profunda que permeia a obra, vai perceber todos os cacoetes de qualquer filme de horror do mais vagabundo: câmera inquieta que fica o tempo todo andando atrás dos personagens para causar tensão, profusão de cenas que lembram pesadelos (muitas delas recheadas de imagens subliminares que vão obrigar o PIMBA a assistir ao filme mais vezes na tentativa de decifrá-las), sustos (a maioria falsos), efeitos visuais e de maquiagem (tem até monstrão!) e, claro, sequências de violência sangrenta explícita com gente enfiando facas ou se auto mutilando.

"Faz três noites que eu não durmo, pois perdi o meu galinho"
Enfim, nada que George Romero ou Dario Argento não tenham feito antes de maneira muito mais honesta e divertida. Para disfarçar seu filmeco de terror psicológico, Aronofoskly obrigou a pobre da Natalie Portman a ficar o filme inteiro com cara de "faz três noites que eu não durmo, pois perdi o meu galinho", o que é um total absurdo se levarmos em conta que, segundo o roteiro, se trata de uma bailarina experiente que acaba de ganhar o papel principal numa nova montagem de "O Lago dos Cisnes", de Tchaykovsky (entenderam como é chique o negócio?). Ela só muda a expressão em uma única cena, quando incorpora o cisne negro!

O que poderia ser ao menos um estudo dos bastidores de montagens artísticas como essa acaba mesmo sendo um desfile de cenas sem sentido, devaneios, delírios, sexo gratuito entre duas mulheres e violência - tudo travestido de uma pretensa profundidade que não resiste a cinco minutos de análise mais apurada.

Se você se impressionar com esse tipo de baboseira, então vá em frente, pois o filme foi feito milimetricamente para agradá-lo. Caso contrário, não dê bola e procure coisa melhor feita por gente menos arrogante e mais honesta.

Cotação: *

domingo, 6 de fevereiro de 2011

Filmes: "COMER REZAR AMAR"

CASO OU COMPRO UMA BICICLETA - O FILME


Se conseguir sobreviver a duas horas de tortura, terá nas mãos um excelente compêndio dos dilemas que afligem a classe média

- por André Lux, crítico-spam

Olha, não vou dizer que esse "Comer Rezar Amar" é o filme mais ridículo que eu já vi porque seria uma injustiça com tantos outros ridículos que existem aos montes por aí. Mas chega perto.

E não posso nem reclamar de não ter sido avisado, afinal o livro que deu origem ao filme recebeu, de tão pertinente, as capas das famigeradas revistas Veja e Época!

O interessante de tudo, no final das contas, é que se você conseguir sobreviver às duas horas de tortura que é ver este filme, terá nas mãos um excelente compêndio de todos os dilemas e males que afligem a classe média, essa que, na luta de classes estudada por Marx, é a que mais sofre com questões fundamentais e profundas como "não sei se caso ou compro uma bicicleta".

Talvez seja porque o capitalismo permita que a classe média tenha, de vez em quando, acesso a tudo que só os ricos e famosos tem - como por exemplo, passar uma semana num hotel cinco estrelas e depois pagar as prestações da viagem o ano inteiro. Estudantes de sociologia, fiquem atentos!

O fato é que o personagem principal de "Comer Rezar Amar", interpretado pela ridícula Julia Roberts, é uma dessas representantes típicas da classe média: vazia, perdida, alienada, infeliz e angustiada que, no caso, não sabe se pede o divórcio ou compra uma bicicleta. O marido dela, por sinal, é apresentado com um verdadeiro chato porque se propôs, vejam vocês que absurdo, a conversar com ela sobre a falência do sistema de ensino público estadunidense!

Depois de muito pensar (cerca de cinco minutos na cama), ela decide que a parada é mesmo comprar uma bicicleta e sair pelo mundo em busca de "deus" (eufemismo para "um guru que me guie pela vida e me dê respostas fáceis para perguntas difíceis") depois de mais um fracassado romance com um atorzinho bobo.


Ela, coitadinha, passa então 4 meses em Roma, onde conhece um monte de italianos caricatos, depois muda-se para a Índia, onde medita num templo e conhece um monte de indianos caricatos.

Por fim vai para Bali, que é o local onde, além de um monte de balineses caricatos, encontra-se o seu guru espiritual, uma espécie de mestre Yoda dos pobres que toma decisões por ela com frases feitas do tipo: "Enxergue com o coração, não com a cabeça" (e eu aqui achando que a gente tinha que enxergar com os olhos!) ou "Para manter o equilíbrio é preciso se desequilibrar por amor".

Graças a essas frases de efeito profundas como uma poça de água ela resolve então se entregar ao novo amor de sua vida (eufemismo para "paixão de adolescente"), um galante brasileiro e dublê de príncipe encantado interpretado pelo espanhol Javier Barden (o que garante ao menos várias canções de bossa nova na trilha e algumas frases em português carregado de castelhano).

O mais impressionante de tudo é que o filme é sério pra caramba, não pense que toda essa baboseira digna dos piores livros de auto ajuda é tratada com leveza ou ironia. Nada disso, o lance é denso mesmo, pra, tipo, fazer você pensar, sabe? Uma verdadeira lição de vida, sacou? 

Tudo digno mesmo de merecer a capa da revista Veja! É ou não é?

Cotação
Como filme: Zero
Como material de pesquisa sociológico: * * * * *

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Filmes: "MINHAS MÃES E MEU PAI"

SEM SAL NEM AÇÚCAR

No final, fica a impressão de que os realizadores se perderam no meio do caminho e não souberam bem que rumo dar para a história

- por André Lux, crítico-spam

"Minhas mães e Meus Pais" é mais um delírio coletivo da crítica em geral que eleva ao status de obra prima um filme mediano. Não que seja ruim, mas é apenas assistível, não trazendo nada de muito interessante ou relevante em seu enredo.

Trata-se da história de um casal de lésbicas (tema que poderia chocar alguém nos anos 1950) cujos filhos resolvem descobrir quem foi o doador de esperma para as suas inseminações artificiais. Em suma, querem conhecer o pai biológico (Mark Ruffalo, sempre um ator fraco). Desse encontro nasce uma pequena amizade e alguns conflitos entre as duas mães lésbicas - a dominadora e fechada, interpretada por Annete Benning, e a meio hyppie e submissa feita por Juliane Moore.

Fora a boa interpretação da dupla de atrizes, pouco sobra nessa obra escrita e dirigida por Lisa Cholodenko, que fez o bem mais interessante "Laurel Canyon - A Rua das Tentações". Não espere muito da relação entre os jovens e seu pai. Também não acontecem grandes conflitos, nem mesmo quando a personagem de Juliane Moore tem uma "recaída" e começa um tórrido caso amoroso com o pai biológico de suas filhas. Apesar de algumas rusgas, tudo é resolvido numa boa, sem grandes traumas ou confrontos.

No final, fica a impressão de que os realizadores de "Minhas mães e Meus Pais" se perderam no meio do caminho e não souberam bem que rumo dar para a história, ficando assim tudo num meio termo, um pouco sem sal nem açúcar, nem drama, nem comédia e nem "filme cabeça". Você espera sempre um algo mais que nunca chega, nem mesmo na conclusão que também é bem fraca.

Cotação: * * *

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Filmes: "O DISCURSO DO REI"

"Falar ou não falar, eis a questão!"
POBRE REI GAGO

Feito sob medida para concorrer a várias estatuetas em todos os prêmios possíveis, filme só não é mais soporífero porque conta com uma estupenda atuação de Geofrey Rush

- por André Lux, crítico-spam

Entra ano e sai ano e de uma coisa você pode ter certeza: pelo menos um filme sobre a família real inglesa será produzido e fatalmente estará entre os concorrentes mais fortes nas premiações autoaduladoras da indústria cinematográfica.

Agora é a vez de "O Discurso do Rei", melodrama que tem como intenção principal mostrar que mesmo sendo ricos, poderosos e famosos, os de sangue real também são gente como a gente. Aqui conta-se a história do rei George VI que, coitado, sofria de gagueira! Imagine o quão terrível deveria ser para o soberano de um vasto império sofrer desse terrível mal...

Feito sob medida para concorrer a várias estatuetas em todos os prêmios possíveis (está concorrendo a 12 Oscars, que glória!), "O Discurso do Rei" só não é mais soporífero porque conta com uma estupenda atuação de Geofrey Rush, no papel do sujeito que tenta ajudar o pobre rei a vencer sua gagueira. Ele é o único que consegue se sobressair com muito entusiasmo e verdade em um produção cheia de pompa e circunstância, feita milimetricamente para agradar críticos profissionais esnobes e responsáveis por nomeações a prêmios.

No papel principal temos Colin Firth, mais conhecido por inúmeras encarnações de bobo alegre em filmes como "O Diário de Bridget Jones" e similares, aqui lutando para manter a dignidade enquanto torra o saco do espectador ao proferir seus diálogos recheados da gagueira do rei em questão.

O filme termina com o rei feliz da Silva por ter sido capaz de ler um discurso sem gaguejar muito - o fato do conteúdo ser uma declaração de guerra a Alemanha nazista de Hitler passa batido, afinal o importante mesmo é que o herói conseguiu vencer seus traumas de infância e repetiu tudo direitinho! E viva a família real inglesa! O que seria de nós sem eles, não?

Cotação: * *