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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Trilhas Sonoras: "O Senhor dos Anéis: As Duas Torres", de Howard Shore

DUAS VEZES BRILHANTE

Com ''As Duas Torres'', Peter Jackson confirma que não poderia ter sido mais feliz na escolha do compositor para ''O Senhor dos Anéis''.

- por André Lux, crítico-spam

Com a partitura de ''O Senhor dos Anéis: A Sociedade do Anel'', Howard Shore mostrou para todos que é muito mais do que um mero compositor de música de suspense - alcunha que já estava fadado a carregar por causa de sucessivas composições para filmes como ''Seven - Os Sete Crimes Capitais'' e ''O Silêncio dos Inocentes'' (claro que quem afirmava isso nunca deve ter ouvido ''Ricardo III'', ''Nobody's Fool'' ou ''Ed Wood'').

Ele não apenas capturou com grande maestria todas as nuances do mundo criado por J.R.R. Tolkien, mas também teve criatividade e arrojo suficientes para injetar sangue novo à arte de compor música para filmes de fantasia e aventura, terreno já trilhado antes por monstros sagrados como Bernard Herrman, John Williams, Jerry Goldsmith e tantos outros. Ou seja: era fácil deixar-se levar pelas influências e trilhar o caminho mais conhecido dos clichês musicais.

Mas Shore entendia o peso da responsabilidade que carregava e não decepcionou. Não é a toa, portanto, que fisgou os prêmios mais importantes daquele ano, bem como o respeito e a admiração de praticamente todos os apreciadores da música cinematográfica. Depois do sucesso da primeira empreitada, a grande questão que pairava no ar era: será que Shore teria fôlego para criar partituras tão boas quanto a do primeiro para os outros filmes da trilogia? ''As Duas Torres'' chegou e a resposta foi um sonoro SIM! Ele não apenas compôs uma trilha à altura da primeira, como a superou em vários momentos.

Livre das necessidades mercadológicas que acabaram limitando a trilha anterior (como a inclusão da soporífera Enya, cujas canções embora não tenham atrapalhado, também nada acrescentaram), Shore pôde concentrar-se mais na experimentação e na criação de temas menos fáceis de serem digeridos à primeira leitura (como o tema dos Hobbits, cuja simplicidade acabou gerando críticas equivocadas, tais como afirmar que era plágio de ''Titanic'', só por usar instrumentos de sopro semelhantes aos daquela trilha).

A trilha de ''As Duas Torres'' está dividida em duas partes bem claras. Em uma há a recorrência aos temas principais criados para o primeiro filme. Faixas como ''Glamdring'', "The Dead Marshes'', ''Ugluk's Warriors'' e ''Wraiths on Wings'' basicamente refrescam nossa memória acerca do material anterior, mas sempre com uma nova leitura ou desenvolvimento. Já a outra parte apresenta as novidades, que começam em ''The Plains Of Rohan '' e passam a dar o tom a partir da belíssima ''Théoden King'', na qual a nobreza dos Cavaleiros de Rohan é representada no solo do violino norueguês de Dermot Crehan.

O diretor Peter Jackson explica que nesse filme somos apresentados ao ''mundo do dos Homens'' e isso se faz sentir na trilha de modo acentuado. Ficam em segundo plano, portanto, os temas etéreos e místicos (que deram o tom à primeira trilha). Prevalece agora um tom mais melódico, mais ''pé-no-chão'', fazendo eco à tradição musical européia romântica. E isso é sentido claramente nos momentos mais emocionais, principalmente em ''Gandalf, the White'', ''Where Is The Horse And The Rider?'', ''Théoden Rides Forth'' - sem dúvida algumas das melhores faixas do álbum, nas quais as performances dos metais (principalmente das trompas) e do coral de vozes impressionam.

Entretanto, a trilha de ''As Duas Torres'' é mais pesada, soturna e sombria do que a de ''A Sociedade do Anel'', seguindo obviamente o clima do segundo capítulo da saga. Shore às vezes abusa um pouco de gongos e pratos para representar a grandeza na tela, mas ainda assim há espaço para músicas reflexivas e elegantes, representadas em ''One Of The Dúnedain'' e ''Arwen's Fate''. O compositor faz novamente extenso uso de coro de vozes (ainda mais acentuadamente do que na primeira partitura) e de solistas, mas nunca de forma bombástica ou intrusiva (pecado mortal de nove entre dez trilhas que utilizam dessa técnica), ficando como destaque a retumbante ''The Last March of the Ents''. A trilha é encerrada com ''Gollum's Song'', na voz de Emilliana Torrini (sem dúvida uma canção bizarra, mas cujo valor cresce à medida que se entende seu conteúdo já que é o retrato perfeito do atormentado personagem), seguida de uma releitura dos temas principais do filme.

Com ''As Duas Torres'', Peter Jackson confirma que não poderia ter sido mais feliz na escolha do compositor para ''O Senhor dos Anéis'', cuja missão é tão importante quando à do pequeno Hobbit que tem em mãos o destino dos povos da Terra Média.

Cotação: * * * * *

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Filmes: "Os Garotos Estão de Volta"

BONITO E TOCANTE

Para quem gosta de um bom drama este filme é uma ótima pedida.

- por André Lux, crítico-spam

Scott Hicks deve ser um dos cineastas mais sensíveis em ação atualmente. Ele tem a capacidade de transformar histórias até certo ponto banais em filmes extremamente bonitos e tocantes. Foi assim em “Shine – Brilhante” e no belíssimo “Neve Sobre os Cedros”.

Em “Os Garotos Estão de Volta” ele coloca essa sua sensibilidade mais uma vez a serviço de um enredo que, nas mãos de um diretor medíocre ou com mão pesada, se transformaria em mais um daqueles dramalhões piegas e manipulativos que existem aos montes por aí.

Inspirado em fatos reais, o roteiro conta a história de um jornalista esportivo inglês que, após a trágica morte da esposa, é obrigado a cuidar do filho sozinho no interior da Austrália. Para complicar ainda mais as coisas, um outro filho dele (fruto de casamento anterior) vem da Inglaterra para passar um tempo com o pai.

Acompanhamos então as desventuras do protagonista, encurralado entre as necessidades de seu trabalho e as responsabilidades paternas, enquanto é atormentado pela morte da esposa. Os inevitáveis conflitos entre ele e seu filho adolescente também são tratados de maneira convincente, sem nuca cair em caricaturas ou reducionismos.

O grande trunfo do filme é a direção cativante de Hicks, que faz uso de enquadramentos muito bem elaboradores, de uma fotografia brilhante e de uma trilha musical belíssima, que emoldura a narrativa com contornos poéticos.

Ajuda muito também a presença de Clive Owen como o protagonista, talvez em sua melhor atuação até hoje, que conta com ótimos coadjuvantes (especialmente as crianças) para apóia-lo.

Para quem gosta de um bom drama, “Os Garotos Estão de Volta” é uma ótima pedida.

Cotação: * * * *

Vox Populi: Dilma tem 45% e Serra 23% em Pernambuco

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, alcançou em Pernambuco, na primeira quinzena deste mês, quase o dobro das intenções de voto do pré-candidato do PSDB, José Serra, informa pesquisa do instituto Vox Populi encomendada pela Rede Bandeirantes e divulgada na edição de ontem do Jornal da Noite. De acordo com o Vox Populi, Dilma obteve 45%, Serra 23%, Ciro (PSB) 9% e Marina (PV) 3%.

Os resultados apurados em Pernambuco fazem parte de uma pesquisa de âmbito nacional realizada junto a 2.000 eleitores de todas as regiões entre os dias 14 e 17 de janeiro.

No fim da semana passada, o Jornal da Band havia divulgado os resultados que o Vox Populi apurou no Rio de Janeiro sobre a disputa presidencial. Eles mostram um empate técnico entre Serra (27%) e Dilma (26%), dentro da margem de erro de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos. Ainda no Rio, terceiro maior colégio eleitoral do país, Ciro Gomes obteve 14% e Marina Silva 9%.

Dilma, que estará amanhã em Pernambuco, esteve hoje no Rio, onde iniciou seu dia com entrevista na Rádio Tupi AM. Enfatizou que a Saúde e a Educação terão espaço destacado em sua plataforma de campanha e anunciou “um PAC da creche e um PAC do ensino superior. Um tem tudo a ver com o outro. Para ter uma boa creche, é preciso ter uma universidade que forme bons professores”.

À tarde, acompanhando o presidente Lula, o governador Sérgio Cabral e o prefeito Eduardo Paes, a ministra participou da inauguração da creche Zilda Arns e da praça Nossa Senhora Aparecida, obras financiadas pelo PAC na Colônia Juliano Moreira, que está sendo urbanizada no bairro de Jacarepaguá com orçamento de R$ 142 milhões – R$ 112 milhões do governo federal e R$ 20 milhões da Prefeitura. As obras e serviços beneficiarão 6.200 famílias.

GOVERNO DE MINAS

Além de apurar as intenções de voto para a eleição presidencial, a pesquisa Vox Populi para a Rede Bandeirantes incluiu consultas sobre as disputas para os governos dos maiores estados, como Minas Gerais. Em todos os três cenários simulados lá, o atual vice-governador e candidato do governador Aécio Neves (PSDB), Antônio Augusto Anastásia, aparece em segundo lugar, na faixa de 16% a 17%, atrás de Hélio Costa (PMDB) e dos petistas Fernando Pimentel e Patrus Ananias.

Num dos cenários, sem candidato do PT, Hélio Costa soma 37%, Anastasia 16%, Vanessa Portugal (PSTU) 5% e Maria da Conceição (PSOL) 2%.

Nas outras simulações, sem a candidatura de Hélio Costa, um dos pré-candidatos do PT, Fernando Pimentel, soma 34% enquanto Anastasia fica com 17%; e o outro pré-candidato petista, o ministro Patrus Ananias, alcança 28%. Anastasia permanece com 17%.

Fonte: Brasilia Confidencial

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Filmes: "Amor Sem Escalas"

PREGAÇÃO FUNDAMENTALISTA

O que poderia se transformar num ácido retrato da frieza e desumanidade do capitalismo é destruído por mensagem moralista e piegas.

- André Lux, crítico-spam

De vez em quando os profissionais da opinião mundo afora parecem sofrer de uma alucinação coletiva e elegem um filminho bobo e sem graça como sendo algo próximo de uma obra prima da sétima arte.

Fizeram isso novamente com esse “Amor Sem Escalas” (um título nacional idiota que tenta vender o filme como se fosse uma comédia romântica).

Dirigido pelo medíocre Jason Reitman (filho do diretor de “Caça-Fantasmas”) e realizador de outra besteira chamada “Juno” (também louvado inexplicavelmente pela crítica), a única coisa que presta no filme é a presença do carismático George Clooney, à vontade no papel de um executivo especializado em demitir funcionários de empresas que não tem coragem de executar essa ingrata tarefa.

O personagem passa a maior parte de sua vida em aviões viajando de uma cidade para outra e se orgulha de ser tratado como VIP em todos os aeroportos e hotéis que vai e de passar no máximo algumas semanas por ano em sua residência fixa.

O que poderia se transformar num ácido retrato da frieza e desumanidade do sistema capitalista (que inova na crueldade terceirizando até o serviço de demissões!) é destruído por uma necessidade de impor uma mensagem moralista e piegas sobre o “valor da família” e de uma suposta incapacidade do ser humano de ser feliz sozinho.

Assim, o protagonista que, durante o primeiro ato, foi pintado como sendo uma pessoa irônica, bem resolvida, feliz e realizada com sua vida, de repente vira um pobre coitado que passa a invejar até sua irmã medíocre só porque ela vai se casar para levar uma daquelas vidinhas típicas de “Amélia”! Essa é a mensagem que os realizadores querem nos fazer acreditar: só existe felicidade dentro da tradicional estrutura familiar “papai-mamãe-titia” que é a realidade de uma parcela reacionária da sociedade.

Vejam bem, não tenho nada contra nem a favor da família tradicional. O que questiono aqui é essa necessidade de “pregar” um tipo de valor como se ele fosse a única forma de se atingir o nirvana. A partir dessa visão obtusa de mundo, alguém que, por exemplo, decide ser solteiro ou um casal que não quer ter filhos são, necessariamente, infelizes e vazios.

Nada mais ridículo do que ver gente julgando e condenando os outros a partir de seus preconceitos tidos como “verdades absolutas”. Ainda mais no cinema!

Mas o mais ridículo é ver gente idolatrando um filme idiota como esse, que não passa de pregação fundamentalista sutil como um elefante com dor de dentes. Sem comentários.

Cotação: *

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Filmes: 2019 - O Ano da Extinção (Daybreakers)

TERROR COM CONTEÚDO

Esse é um filme totalmente original que subverte os clichês do gênero e ainda traz uma crítica político-social bastante interessante.

- por André Lux, crítico-spam

"2019 - O Ano da Extinção" (Daybreakers) parece, a princípio, apenas mais um filme sobre vampiros que quer se aproveitar da atual onda de fanatismo que cerca a saga “Crepúsculo”. Mas não se engane. Esse é um filme totalmente original que subverte os clichês do gênero e ainda traz uma crítica político-social bastante interessante.

Estamos na Terra do ano 2019, dez anos após uma epidemia que transformou grande parte da humanidade em vampiros. O problema é que existem cada vez menos humanos e até animais e o precioso sangue está cada vez mais escasso. 

Assim, o que restou da raça humana é caçada e cultivada por uma mega corporação comandada por um vampiro neoliberal sem escrúpulos que lucra horrores com a alta do preço do sangue. E para piorar tudo, a falta do precioso alimento começa a transformar os vampiros mais pobres em verdadeiros monstros sem controle, os quais são perseguidos e destruídos pela polícia.

Temos aí uma ótima alegoria sobre a crueldade do sistema capitalista, que pode remeter à escassez de água que parece estar chegando, onde só os que podem ter acesso a esses “comodities” (como os defensores desse sistema desumano chamam aquilo que pode gerar lucros) poderão sobreviver, enquanto o resto é tratado como lixo e enviado para a morte. Em tempos onde favelas de São Paulo são sistemática e criminosamente incendiadas, o filme não poderia ser mais atual.

Esse subtexto político permeia toda a obra, que conta com boas atuações de um elenco liderado por Ethan Hawke (como um vampiro cientista que se recusa a beber sangue humano e tenta encontrar desesperadamente um substituto sintético para ele), Willem Dafoe (no papel de caçador de vampiros que funciona como alívio cômico) e Sam Neill.

Assistindo a “Daybreakers” podemos notar também o quanto a música é importante para o cinema. Composta pelo australiano Christopher Gordon (das minisséries para a televisão “A Hora Final” e “Moby Dick”), a partitura é simplesmente espetacular e eleva o filme a patamares maiores do que os sonhados pelos seus realizadores (os irmãos Michael e Peter Spierig, também australianos).

Tenso, bem dirigido, com diálogos inteligentes, sem finais redentores idiotas ou excesso de cenas nojentas, “Daybreakers” é um dos raros filmes que misturam terror com ficção científica que valem a pena serem assistidos atualmente. 

Não percam – e não se esqueçam de prestar atenção à música!

Cotação: * * * *

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Filmes: "Pintar ou Fazer Amor"

SEM FALSO MORALISMO

Indicado para pessoas bem resolvidas ou para quem procuram um bom drama com conteúdo erótico 

- por André Lux, crítico-spam

Filmes cuja temática aborda o sexo liberal (sexo a três, troca de casais ou fantasias mais picantes consideradas tabu pela nossa sociedade hipócrita) geralmente descambam para um falso moralismo retrógrado e caricato que quase sempre acaba em brigas, assassinatos, extorsões ou coisas tenebrosas do gênero.

Como se a intenção desses cineastas fosse mostrar que essas práticas são erradas e feitas apenas por pessoas degeneradas, embora não se furtem de usar do apelo que esse tipo de erotismo tem junto às pessoas para tentar faturar nas bilheterias.

Só mesmo os franceses poderiam fazer um filme com esses temas de maneira humana, realista e madura. Assim, “Pintar ou Fazer Amor” (“Peindre ou Faire L'amour”) mostra a rotina de um casal de meia idade (os ótimos Daniel Auteuil e Sabine Azéma) que vai morar numa casa de campo no interior do país.

Fazem amizade com outro casal que mora nas redondezas e, aos poucos e com muita naturalidade, o roteiro vai mostrando a atração e cumplicidade crescentes entre eles que culmina numa surpreendente troca de casais.

A nova experiência deixa-os perplexos e amedrontados, tanto é que na manhã seguinte fogem sem rumo e até provocam um acidente de carro. Mas, ao mesmo tempo, a novidade reacende a chama do desejo entre eles.

O contraste dessas fortes emoções e os sentimentos dúbios que elas geram nos protagonistas são explorados de maneira muito sensível pelo casal de diretores Arnaud e Jean-Marie Larrieu (também autores do roteiro), sem nunca cair para reduções simplistas ou discursos moralistas.

Esse é um filme altamente indicado para pessoas sexualmente bem resolvidas, de mente aberta ou para aqueles que simplesmente procuram um bom drama com conteúdo erótico que respeita a inteligência e a sensibilidade do espectador.

Cotação:
* * * *

sábado, 16 de janeiro de 2010

Jerry Goldsmith em "Powder": Música para arrepiar todos os pelos do corpo!

Vejam abaixo a cena final do excelente filme "Energia Pura" ("Powder"). A música do mestre Jerry Goldsmith é maravilhosa e me deixa arrepiado até o último fio de cabelo toda vez que a ouço... Ah, que saudades do mestre!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Filmes: "Lula, O Filho do Brasil"

PASMEM: LULA É UM SER HUMANO!

Embora mediano como cinema, filme merece ser visto, pois é um registro necessário da trajetória quase milagrosa desse homem que, contra tudo e contra todos, tornou-se o presidente mais popular da história do país.

- por André Lux, crítico-spam

Eu nunca tinha ouvido falar na história do cinema de uma campanha difamatória tão contundente e sistemática como a que a chamada “grande imprensa” tem feito contra o filme “Lula, O Filho do Brasil”. Nem mesmo os ataques de católicos fundamentalistas contra a “A Última Tentação de Cristo”, de Martin Scorsese, chegaram a tanto. Mas para decifrar de onde vem esse ódio todo, é preciso primeiro entender como funciona a lógica da indústria cultural criada a partir de Róliudi e exportada mundo afora.

Existem duas fórmulas para se fazer filmes com pessoas pobres que são aceitas pelos donos do poder. A primeira é a do “pobre que venceu na vida e ficou rico” e a segunda a que ensina que “os pobres, apesar de não terem dinheiro, são muito mais felizes que os ricos”. Uma serve para vender a ilusão de que o capitalismo oferece oportunidades iguais a todos e para chegar lá no topo da pirâmide social basta se esforçar muito, seguir as regras e fazer muitas horas extras (de preferência sem remuneração, tipo “vestir a camisa” do patrão). Essa aproximação pode ser vista em filmes como “À Procura da Felicidade”, com Will Smith.

Já a outra funciona perfeitamente para convencer os que vivem na base da pirâmide que os ricos, mesmo tendo rios de dinheiro e acesso a tudo que existe de bom e de melhor, no fundo são todos infelizes, solitários e amargurados, enquanto os pobres são bem mais unidos, animados e felizes. Essa ladainha torpe pode ser encontrada em qualquer uma das famigeradas novelas da rede Globo ou em filmes como “Antes de Partir”, com Jack Nicholson e Morgan Freeman.

“Lula, O Filho do Brasil” não se encaixa em nenhuma dessas fórmulas, pois mostra a trajetória de alguém que saiu da miséria, lutou muito e venceu na vida, chegando a ser presidente do Brasil, mas mantendo-se fiel aos seus princípios ideológicos e políticos e sem nunca se esquecer de onde veio ou daqueles que vivem como ele viveu. Obviamente, não é o tipo de mensagem que os donos da revista Veja gostam de verem sendo veiculadas país afora, pois dá mau exemplo à "gentalha"!

Mas a verdade é que a extrema-direita hidrófoba brasileira com essa campanha de difamação toda acaba, mais uma vez, dando um tiro no próprio pé, pois faz muito barulho por quase nada. Afinal, a polêmica toda criada em torno do filme somente vai servir para levar mais pessoas aos cinemas para ver um filme que, por méritos próprios, nem merecia tamanha atenção.

Embora esteja longe de ser o desastre anunciado pela imprensa que busca o lucro acima de tudo, “Lula, O Filho do Brasil” também não é nenhuma obra prima. Em minha opinião, a culpa maior é do diretor Fábio Barreto que filma tudo de forma burocrática e não consegue tirar o melhor do excelente elenco que teve à disposição. Falta dinamismo e naturalidade ao filme que perde feio, por exemplo, para “Dois Filhos de Francisco”, que tinha temática semelhante, mas era bem melhor realizado.

Outro problema é o roteiro, que não sabe aprofundar os personagens (principalmente os secundários, como os irmãos do protagonista, que viram quase figuração) e limita muito a narrativa à relação de Lula com sua mãe, dona Lindu (a sempre confiável Glória Pires). O filme padece também da falta de conflitos e mesmo de suspense e só se sustenta devido à história de Lula, emocionante por si mesma, e à excelente atuação de Rui Ricardo Diaz que em alguns momentos parece "encarnar" o biografado.

Obviamente, a obra tem qualidades positivas, como a trilha musical de Antonio Pinto e Jacques Morelembaum, e o figurino que recria com perfeição as roupas de época, especialmente as usadas nos anos 70.

A acusação de que o filme seria eleitoreiro é uma idiotice sem tamanho. Puro delírio de quem tem preconceito e ódio irracional contra Lula, pois ele não faz em nenhum momento panfletagem político ideológica em favor do biografado, limitando-se apenas a narrar cronologicamente os fatos da vida do atual presidente. O que deve incomodar a turma da direita, além daquilo que já apontei lá em cima, é, pasmem, que o filme mostra que Lula é afinal de contas apenas um ser humano como qualquer outro. E isso torna difícil para seus detratores satanizá-lo como sempre fizeram.

Embora mediano como cinema, “Lula, O Filho do Brasil” merece ser visto, pois é um registro necessário da trajetória quase milagrosa desse homem que, contra tudo e contra todos, tornou-se, para desespero da direita, o presidente da República mais popular da história do país.

Cotação: * * *

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Filmes: "Sherlock Holmes"

SHERLOCK COM LUTINHAS

Perto dessa porcaria barulhenta e idiota, até aquele filminho simpático que brincava de mostrar um Sherlock Holmes jovem parece ser uma obra prima.

- Por André Lux, crítico-spam

Toda vez que alguém anuncia que vai “modernizar” uma obra clássica, eu corro para um abrigo. É sinal de bomba na certa. Não poderia ser diferente com esse “Sherlock Holmes”, cujas semelhanças com o personagem imortal criado por Arthur Conan Doyle terminam no título.

Sinceramente, não há muito que dizer desse filme, cuja definição feita por minha esposa é perfeita: “Sherlock Holmes com lutinhas”. A história é risível e absurda ao extremo (mistura rituais de magia negra e seitas malucas com delírios de dominação mundial de um vilão que parece ter saído direto de algum episódio do “Jaspion”). 

A cada quinze minutos o roteiro dá uma brecada para os protagonistas saírem desferindo golpes de artes marciais em qualquer um que apareça na frente. E a maioria das sacadas dedutivas de Holmes parecem mais coisa de paranormal do que frutos de uma mente aguda!

A direção do outrora promissor Guy Ritchie (dos superestimados “Jogos, Trapaças e Dois Canos Fumegantes” e “Snatch – Porcos e Diamantes”) é banal e abusa de efeitos de montagem pseudo-espertos que só vão impressionar quem nunca assistiu a “Matrix” ou a qualquer uma de suas imitações. 

Não ajuda em nada a atuação do insuportável Robert Downey Jr., um atorzinho arrogante e metido a besta que, com sua empáfia perene, só consegue passar a impressão de estar entediado o tempo todo. A única vez que esse sujeito esteve perto de representar um ser humano foi em “Chaplin” e olhe lá.


Sherlock, o lutador
Jude Law, como Watson, e a bela Rachel McAdams não têm o que fazer, exceto servir de escada para piadas sem graça (como as insinuações homossexuais entre Holmes e Watson dignas de um quadro do grotesco "Zorra Total" da TV Globo) e também demonstrarem perícia em kung-fu. 

O que dizer então da “música” composta pelo abominável Hans Zimmer? Faltam-me adjetivos, mas acho que “ridícula” e “sutil como um rinoceronte correndo numa loja de cristais” servem bem para defini-la. Sem dizer que, como sempre, ele copia, nota por nota e sem qualquer pudor, faixas de trilhas clássicas do mestre Ennio Morricone!

Perto dessa porcaria barulhenta e idiota, até aquele filminho simpático que brincava de mostrar um Sherlock Holmes jovem (“O Enigma da Pirâmide”) parece ser uma obra prima da sétima arte. 

Pior é que o final deixa aberto a possibilidade de uma continuação. Quado ela chegar, façam como eu: fujam para o abrigo mais próximo!

Cotação: *

sábado, 26 de dezembro de 2009

Ainda sobre "Avatar"... Qual é a mensagem subliminar do filme?

- por André Lux, crítico-spam

Minha crítica ao filme “Avatar” gerou como eu esperava uma forte reação negativa de quem gostou do filme. O argumento deles é sempre o mesmo: filmes como esse devem ser unicamente avaliados como peças de entretenimento. Ponto final.

Eu não concordo. Ainda mais no caso desse filme, que traz em seu bojo uma pretensa mensagem política e ecológica. 

Para mim, quanto mais pretensioso é o filme em seus objetivos, maior deve ser a cobrança sobre ele. E quanto maior for sua pretensão, maior deve ser o cuidado do cineasta em embasar sua obra com conteúdo suficiente para que ela sobreviva a uma análise mais profunda e crítica.

Uma vez eu vi uma entrevista com o diretor John Carpenter onde ele era questionado sobre as possíveis conotações políticas do filme “Era Uma Vez Na América”, de Sergio Leone. Ao que o diretor de “Fuga de Nova York” responde: “Todo filme tem conotação política, até mesmo eu suponho ‘Plan 9 From Outer Space’”. Eu assino embaixo.

Muitas vezes um filme pode parecer que é apenas “entretenimento”, porém traz embutido nele centenas de mensagens, conceitos e valores sociais ou morais que vão manipular e moldar a mente do espectador. Algumas vezes, esses conceitos são explícitos, mas na maioria eles ficam implícitos. E em grande parte das vezes, os conceitos implícitos são diferentes dos explícitos embora, em última instância, sejam os últimos que vão formar a opinião de espectadores incautos.

“Avatar” é um desses casos. Apesar de possuir uma suposta mensagem altamente explícita contra o capitalismo e o exército e a favor da natureza e da ecologia, o que vale realmente é o que está por trás de tudo isso e que, na minha modesta opinião, vai contra ao que o autor da obra supostamente quer ensinar.

E como eu cheguei a essa "brilhante" conclusão? Bem, não é fácil explicar, mas vejamos se eu consigo.

Em primeiro lugar, filmes com mensagens pretensiosas que querem provocar a reflexão da platéia devem, como eu disse, embasar seus argumentos de maneira forte e coerente. “Avatar” para começo de conversa passa longe disso. Assim, ao invés de personagens complexos e humanos (leia-se, com problemas, dúvidas, fraquezas e conflitos), temos personagens unidimensionais (os bons, os maus, os ingênuos) e caricatos (maus são violentos ou gananciosos, bons são pacíficos, ingênuos querem o bem, mas fazem o mau por tabela, e assim por diante). 

Isso, já de cara, dilui completamente qualquer mensagem que o filme quer passar porque reduz tudo a um festival de clichês que não exige reflexão por parte da platéia e impede que nos identifiquemos com os personagens. Além disso, qualquer um é capaz de adivinhar o que vai acontecer até o final depois de 20 minutos de projeção.


Alguns podem argumentar que o protagonista, Jake Sully, seja matizado, afinal começa “vilão” (servindo aos interesses dos militares) e depois se torna “herói”, uma espécie de Che Guevara do futuro. 

Poderia até ser, porém o arco que o personagem passa é por demais primário e suas motivações nunca são expostas claramente para tornar sua “jornada” da direita para a esquerda sequer perto de algo interessante.

Compare, por exemplo, com o arco sofrido pelo personagem de Val Kilmer no filme “Coração de Trovão”. Naquele filme, Kilmer também começa à direita, fazendo o serviço sujo do governo dos EUA numa reserva indígena, para depois voltar-se para a esquerda, ajudando os nativos revolucionários que lutavam contra latifundiários que queriam explorar suas terras. 

A “jornada” do “Coração de Trovão” é extremamente complexa, pesarosa e cheia de conflitos – ele é filho de um nativo alcoólatra, rejeita sua herança e sempre se portou como um mauricinho de Washington até mergulhar de cabeça no mundo dos nativos e sujar suas mãos com o sangue de seus antepassados. 

Embora consiga desmascarar os envolvidos no esquema de morte e repressão dos nativos (inclusive dentro do próprio FBI) ele obtém uma mera vitória de Pirro e o filme termina de forma melancólica, deixando claro que as injustiças e as perseguições políticas denunciadas pelo filme continuariam ocorrendo.

Já em “Avatar”, o que ocorre é justamente o contrário. O protagonista sai da direita (representada por um comportamento desumano, frio, insensível, preconceituoso, egoísta, violento) e vai para a esquerda (o contrário de tudo aquilo) num piscar de olhos, sem passar por qualquer conflito ou drama interior. Ele começa caricato e termina caricato. 

Nem em “Star Wars” a jornada do herói é tão vazia e raza assim, pois lembremos que Luke Skywalker, além de sofrer o diabo nos três filmes da série, ainda descobre que o malvadão máximo da trilogia é ninguém menos do que seu pai! Eu vi “O Império Contra-Ataca” nos cinemas quando tinha uns 10 anos e lembro bem até hoje do impacto que essa revelação teve na gente.

Não importa se sejam comédia, drama, épico ou terror: filmes bons, que são lembrados com o tempo, são aqueles que conseguem deixar uma marca, uma idéia, uma reflexão, ou seja, algo mais do que simples imagens bonitas e maravilhosos efeitos especiais. Principalmente aqueles que tem a pretensão de nos fazerem pensar. E aí vamos chegando à conclusão do filme, que é onde tudo desanda de vez.

“Avatar”, assim como muitos outros filmes com mensagens fracassadas, erra feio justamente em sua conclusão ao apelar para o bendito final feliz e redentor. Se até então o que vimos na tela estava há mil anos luz de ser uma obra prima da dramaturgia, tudo fica ainda mais abominável quando o encerramento apela para o que há de mais pobre e batido. 

No caso, a vitória altamente improvável e esmagadora dos “heróis” contra os “vilões” e a transformação final do protagonista, que literalmente vira um dos alienígenas, jogando fora e rejeitando tudo que ela havia sido até então (aqui ainda temos uma mensagem implícita extremamente fascista para as pessoas portadoras de deficiências!).

Que tipo de reflexão isso gera nas pessoas? Será mesmo que alguém saiu do cinema pensando em se engajar politicamente para “salvar o planeta”, repensando seus conceitos em relação ao capitalismo e ao militarismo ou sobre o massacre de indígenas que ocorreu na conquista das Américas, que pareciam ser os objetivos do diretor James Cameron? 

É claro que não! O máximo de comentários que um filme desses gera é sobre seus efeitos especiais “revolucionários” e uma sensação do tipo “alguém precisa salvar a natureza” que se esvai assim que o sujeito chega ao balcão do próximo McDonald’s.

Cito aqui, a título de comparação, outro filme de fantasia e ficção que é o contrário de “Avatar” em tudo, menos na pretensão de nos fazer refletir sobre as injustiças e os absurdos de nossa sociedade capitalista opressiva. É “Brazil”, de Terry Gilliam. Repare que a jornada do protagonista é bem similar à de Jake Sully – sai da direita e vai para esquerda -, porém na obra de Gilliam não há lugar para finais felizes nem redentores. 

E é justamente quando confrontados com a duríssima realidade político-social do filme que percebemos que aquele absurdo todo visto na tela nada mais é do que um reflexo distorcido da nossa própria realidade.

E, por favor, não venham me falar que “Brazil” é filme cabeça, que só iniciados podem entender, porque eu o assisti quando tinha uns 16 anos e estava no auge da minha modalidade “papagaio da direita”, porém lembro até hoje do impacto que aquela obra – principalmente seu final terrível – teve no início da formação do meu caráter à esquerda.


Os filmes da trilogia "Matrix" também são exemplos de clichês sendo virados de ponta cabeça com o objetivo de gerar reflexão política naqueles que se incomodam de colocar seus neurônios para funcionar.

Mas, tenho certeza, algum leitor mais esperto vai me dizer: “Ora, mas o filme de James Cameron custou US$ 300 milhões! Você acha que o cara ia colocar um final triste desses aí que você gosta só pra fazer meia dúzia de chatos pensarem?”. Pois é. A pergunta que essa pessoa ia formular é justamente o que eu precisava para fechar meu texto. 

“Avatar” é um produto cultural feito para, única e exclusivamente, trazer lucros para as empresas e pessoas que nele investiram seu capital – inclusive seu super bem intencionado diretor. Não é, portanto, o mesmo objetivo da companhia “vilã” que estava explorando Pandora? Quais são então os valores que o filme realmente defende e passa em última instância e de maneira subliminar?

A resposta é simples, não? Simples até demais pro meu gosto...

Mas verdade seja dita: os executivos e acionistas do cinemão comercial estadunidense adoram ver revolucionários felizes e armados até os dentes derrotando opressores capitalistas na tela dos cinemas. Porque isso gera catarse e sensação de redenção (que são garantias de alienação e acomodação) e, acima de tudo, lucro. Já na na vida real os Jake Sullys não podem ganhar de jeito nenhum e são chamados de “terroristas” e outras aberrações do tipo. É ou não é?

E se você acha que tudo isso acontece por coincidência ou acidente, pense de novo. "Avatar" demorou 10 anos para ficar pronto e custou trocentos milhões de dólares. Não há um fotograma no filme que não tenha sido meticulosamente escrutinado e programado para passar o máximo de impacto possível. Na indústria cultural de propaganda do capitalismo não há nada que aconteça por coincidência ou acidente. 

Em tempo: há uma frase no filme que entrega totalmente o verdadeiro viés ideológico do seu realizador. É quando um dos milicos diz que lutava pela liberdade e pela democracia na Terra e completa: "Na Venezuela foi o inferno". Sim, referência explícita contra os governos bolivarianos de Hugo Chávez e seus aliados. Precisa mesmo dizer mais?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Filmes: "Avatar"

CRIMINOSO

Filme reforça o que existe de mais desprezível na sociedade e funciona como uma máquina de entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas frente à dura realidade.

- por André Lux, crítico-spam

Existem duas maneiras de se ver um filme como “Avatar”. A primeira é como pura peça de entretenimento da indústria cultural estadunidense e aí encher o texto com termos como “revolução digital” e outras tecno-baboseiras que vem junto com as suas campanhas publicitárias milionárias e são repetidas mundo afora pelos patéticos profissionais da opinião doutrinados pelo sistema. Outra é analisá-lo como o produto cultural de uma sociedade de consumo decadente e doente. 

Eu prefiro a segunda. Assim, a partir dessa visão, “Avatar” expõe e reforça tudo que existe de mais desprezível e grotesco nessa sociedade e funciona como uma verdadeira máquina de ludibriar e entorpecer mentes a fim de deixá-las conformadas e amorfas frente à dura realidade que as cerca.

O filme poderia ser resumido como “Pocahontas encontra Dança Com Lobos na Matrix” e tem uma história que não apenas é a mais batida de todos os tempos, como ainda por cima é altamente ridícula e absurda. Homem branco vai viver no meio dos “bons selvagens” e, depois de muita dificuldade e desconfiança, torna-se um deles, apaixona-se pela mocinha e luta com seus novos amigos contra seus próprios “irmãos” de raça, que querem destruir tudo em nome do lucro. 

Assim, os vilões do filme são os malvados executivos de uma corporação capitalista e, claro, os militares (que, ensina o filme, lutavam pela liberdade na Terra mas em Pandora não passam de mercenários sujos). Os primeiros querem devastar o planetinha dos bondosos aliens azuis para minerar suas terras e os segundos, bem, querem jogar prazerosamente o maior número de bombas em tudo e em todos. Clichês dos clichês!

Mas não seria essa uma mensagem ótima, especialmente para quem se diz de esquerda, ainda mais quando enfia no meio um monte de jargões ambientalistas e ecologicamente corretos que estão na moda atualmente? Poderia até ser, se os personagens não fossem incrivelmente rasos e caricatos e se tudo não fosse embalado por uma resolução catártica e redentora das mais podres que eu já vi na vida. É como se o diretor James Cameron tivesse investido 15 anos de sua vida na parafernália eletrônica que dá vida ao filme e cinco minutos na criação do roteiro. Mas, como eu disse antes, não é nem isso o que mais incomoda. 

O que é realmente repugnante é a maneira como todos esses clichês são elencados na tela até o final feliz abismal, que nos ensina que os bonzinhos sempre vencem e conseguem, inclusive, botar o terrível exército dos EUA para correr (como se eles não fossem voltar o mais rápido possível ao planeta e explodir tudo com bombas atômicas!).

E qual o sentido disso, o que está por trás desse tipo de mensagem aparentemente edificante em nível subliminar? Algo que ninguém parece perceber (ou prefere fingir não perceber): a necessidade de nublar a mente das pessoas e deixá-las acomodadas aos valores morais mais torpes e hipócritas que existem, já que podem ver realizados na tela do cinema todos os sonhos e desejos de redenção e vitória que nunca se realizariam no mundo real, deixando-as assim alienadas e entorpecidas. Ainda mais quando tudo vem reforçado com louvor a crendices sobrenaturais (que alguns chamam de “religião”), do tipo "reze bastante que um dia você será atendido"!


A serviço dessa mensagem obscena temos o que há de mais avançado em tecnologia digital disponível. E daí? Como bem disse uma amiga arquiteta, um projeto de arquitetura ruim não vai melhorar só porque foi apresentado no programa de maquetes eletrônicas mais poderoso que existe, certo? “Avatar” não passa então de um desenho animado feito em computador que vai ficar obsoleto daqui a alguns meses quando inventarem algo mais “revolucionário”.

Enquanto isso, somos ensinados por James Cameron e outros mal intencionados ou simplesmente ingênuos (de boas intenções o inferno está cheio, vide os igualmente catastróficos "Diamantes de Sangue" e "Wall-E") que não é preciso lutar contra o conformismo e as injustiças na vida real como fizeram Che Guevara, Ghandi ou Evo Morales, pois no mundo dominado pelo “american way of life” todos os seus problemas e erros serão resolvidos no cinema – de preferência embalados por uma trilha musical grotesca de James Horner (que após esse mico deveria se aposentar), centenas de efeitos visuais digitais e um óculos 3D na cara. 

Aí você pode sair do cinema de alma lavada, esquecer tudo o que viu e, de quebra, ganhar um bonequinho do filme ao comer um lanche venenoso do McDonald’s...

Criminoso.

Cotação: *

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

Música de cinema: Saiba como são compostas as trilhas dos filmes

Trabalho complexo do compositor de cinema é muitas vezes subestimado pela maioria dos espectadores e críticos profissionais, infelizmente.

- por André Lux, crítico-spam

John Williams é o autor de algumas das partituras mais famosas do cinema

O cinema é a forma de arte que abre uma janela para um mundo mágico: o mundo da imagem, do som e da música. De todos os ingredientes na fórmula para o sucesso de um filme, a música é sem dúvida o mais sutil e eficaz, afinal é ela que sugere e pontua as ações vistas na tela.

Todavia, nem sempre você pode estar ciente disso, pois qualquer coisa desde uma trombada de carros a uma batalha feroz pode estar competindo pela sua atenção. Mas é fato que sem o toque musical de um compositor hábil até mesmo o ataque furioso de um tubarão de duas toneladas pode tornar-se monótono.

Jerry Goldsmith conduz a orquestra
São nomes como de John Williams, Jerry Goldsmith, Ennio Morricone, Bernard Herrmann, John Barry, Patrick Doyle, Basil Poledouris, Nino Rota, Alfred Newman e Howard Shore, entre tantos outros, que garantem a nossa emoção no escurinho do cinema.

Apesar disso, o compositor de música para o cinema possui um trabalho quase sempre subestimado. 

Ele pode ser ouvido diariamente nos cinemas ou em vídeo por milhões de pessoas, mas continua anônimo para a grande maioria. Mesmo entre os críticos profissionais as partituras musicais raramente merecem destaque nas análises ou então são tratadas com lamentável desdém.

Veja o caso da trilogia de ''O Senhor dos Anéis'', cuja trilha sonora de Howard Shore é de longe uma das melhores já compostas nos últimos 20 anos e foi fator imprescindível para o sucesso das produções. Agora tente lembrar quantas críticas destacavam esse impressionante trabalho...

A verdade é que muitos esquecem (ou não percebem) que é graças ao trabalho desses profissionais que somos induzidos a chorar quanto ''E.T. - O Extraterrestre'' deixa nosso planeta, a morrer de rir quando um ''Gremlin'' é cozido num micro-ondas, a ter nosso sangue gelado quando ''Drácula'' ataca o pescoço de sua vítima ou a ficar sem fôlego enquanto ''Indiana Jones'' luta à beira de um abismo.

Mas a música também tem um papel importante em filmes mais complexos e profundos, que são considerados por muitos como ''cinema de arte''. 

Se não concorda com essa afirmação então é bom você rever filmes como ''Psicose'' (de Alfred Hitchcock), ''Cinema Paradiso'', ''Ed Wood'', ''Cidadão Kane'', ''Freud'', ''Henrique V'' (de Kenneth Branagh), ''Ran'' ou ''Era uma Vez na América'' e começar a prestar atenção às suas trilhas sonoras...

Ennio Morricone perdeu a conta 
de quantas trilhas já compôs
Sociedade dos Poetas... Desconhecidos

Infelizmente isso acontece porque a maioria das pessoas não tem ideia do complexo processo que é a criação de uma trilha musical de qualidade. 

Tudo começa com a discussão entre o compositor e o diretor, na qual eles vão decidir como será a composição dos temas e passagens que, via de regra, devem estar de acordo com a cena para a qual destinam-se. 

Às vezes, essa sincronia é tão perfeita que chega a acompanhar os movimentos de algo na tela. Essa técnica pode ser vista em ''Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban'', de John Williams, nas cenas em que o protagonista examina o seu mapa - repare que a música segue as pegadas que aparecem nele!

O segundo e mais complexo passo é justamente o da composição e orquestração, que consiste no arranjo da partitura para as diferentes partes da orquestra, coral e solistas. Geralmente a orquestração é feita por outro músico, colaborador de confiança do compositor, que tem a função de ajudar no processo já que o tempo para completar todo o trabalho é sempre curto.

O último passo é a gravação da trilha musical. Nessa etapa a batuta do maestro deve conduzir os músicos a uma perfeita sincronia com a imagem. Compositores experimentados como Williams, Goldsmith e Morricone habitualmente regem suas próprias composições.

Esse processo é basicamente o mesmo, até quando as trilhas serão executadas em sintetizadores ou por um pequeno grupo de músicos. Mas a ordem dele não sempre é respeitada. 

Diretores como Spielberg, Tornatore, Felini e Leone muitas vezes pediam para seus compositores gravarem alguns temas ou mesmo passagens musicais antes mesmo da produção começar, usando-as depois durante as filmagens não apenas para pontuar a ação, mas também para servir de inspiração ao elenco e à equipe técnica.

Praticamente todos os filmes de Spielberg tem música de John Williams
Alguns exemplos dessa aproximação pouco ortodoxa aconteceram em filmes como ''Era uma Vez no Oeste'', de Sergio Leone com música de Ennio Morricone, e em ''Contatos Imediatos do Terceiro Grau'', onde Spielberg deixou Williams compor a música para a seqüência final da descida da nave mãe antes de terminar o processo de edição e finalização dos efeitos visuais.

Um outro passo que pode ou não se tornar uma realidade é o lançamento da trilha sonora em CD no mercado de discos. Isso acontece quando existe interesse por parte de alguma gravadora em investir na sua comercialização.


Trilha de "Alien" demorou décadas
para ser lançada completa
Alguns selos nos EUA e na Europa são especializados em músicas de filmes, como Varese Sarabande, Intrada ou Prometheus, e procuram lançar trilhas que normalmente não encontram espaço dentro de grandes gravadoras ou disponibilizam trilhas antigas em suas formas completas.

Eternamente Jovem

A verdadeira música de cinema nunca vai deixar de ser apreciada, mesmo com o passar do tempo. A trilha composta pelo grande Miklos Rosza para ''Ben-Hur'' vai continuar emocionando os ouvintes da mesma forma que fez na época em que o filme foi lançado nos cinemas em 1959. 

A complexidade das orquestrações e a mistura de estilos com que Jerry Goldsmith executou a música para o clássico ''Planeta dos Macacos'', de 1968, nos permite uma nova interpretação e descoberta a cada nova audição. 

A magnífica partitura que Howard Shore compôs para a trilogia de ''O Senhor dos Anéis'' certamente continuará impressionando qualquer um que tenha ouvidos sensíveis, mesmo quando os efeitos visuais do filme tiverem ficado obsoletos...

Obviamente nem todas as trilhas originais mereçam o mesmo respeito de algumas das citadas acima. O mesmo valendo para certos compositores, que não possuem o talento ou conhecimento técnico necessários para a empreitada e acabam prejudicando os filmes para os quais são contratados. 

Isso sem dizer que existem muitos cineastas que, a exemplo de alguns críticos, tratam as trilhas musicais de seus filmes com incrível menosprezo.

Mesmo assim, é impossível negar o forte apelo e a influência que a música de cinema exerce mesmo fora das telas. 

Saber apreciar as obras desses verdadeiros mestres da música erudita contemporânea, além de ser um privilégio, é uma forma prazerosa, sadia e instigante de cultivar o hábito necessário para a melhor compreensão do universo artístico como um todo.

Howard Shore na gravação da música para "O Senhor dos Anéis"

Trilha Sonora: "Tróia", de James Horner

Compositor criou uma boa partitura mesmo não tendo o nível de complexidade e originalidade da composta por Gabriel Yared que foi rejeitada

- por André Lux, crítico-spam

Imagino que qualquer pessoa que acompanhe a carreira do compositor James Horner desde o seu início se pergunte de tempos em tempos por que ele parece ser incapaz de escrever uma trilha sonora totalmente original, mesmo tendo demonstrado mais de uma vez ter o talento e a habilidade necessários para isso. Desde que iniciou seu trabalho no cinema, Horner já foi capaz de criar partituras que alternam com precisão momentos vibrantes e fortes com outros mais delicados e intimistas. Que ninguém aqui negue a capacidade que ele tem para manipular as emoções da platéia e de tirar performances grandiosas de uma orquestra! Agora, quando o quesito é originalidade...

O que nos traz à sua última partitura, ''Tróia'', que para início de conversa já chega cercada de controvérsia. Horner foi chamado às pressas para substituir Gabriel Yared, cuja trilha original foi rejeitada depois de algumas reações negativas em uma exibição teste. É possível comparar as duas agora que Yared disponibilizou várias faixas do seu trabalho na internet. De cara podemos perceber que a música composta pelo autor da belíssima trilha de ''O Paciente Inglês'' é muito mais rica e complexa do que a criada por Horner.

E talvez seja exatamente isso que tenha feito os produtores de ''Tróia'' entrarem em paranóia. Como é que as platéias de hoje em dia, acostumadas a ouvir músicas de baixíssima qualidade geradas por ''compositores'' canhestros como Hans Zimmer e seus clones, serão capazes de assimilar uma partitura cheia de nuances, riquezas e orquestrações complexas como a escrita por Yared? Perguntas como essa acendem imediatamente o sinal vermelho de alerta em se tratando de uma superprodução como ''Tróia''.

Assim, ao invés de apostar na inteligência do espectador e apoiar a riquíssima trilha original, o diretor Petersen deixou-se convencer que seu filme corria risco de fracassar por causa da música (!) e resolveu despedir Yared sem nem ao menos lhe dar uma chance de ''melhorar'' seu trabalho, o qual ele vinha desenvolvendo há quase um ano. Em pânico recorreram a James Horner, que já havia trabalhado com Petersen em ''Mar em Fúria''.

Sai Yared, entra Horner. Com menos de um mês para escrever, orquestrar e gravar a nova trilha, o compositor de ''Titanic'' não teve escolha senão correr contra o tempo, escrevendo a nova partitura a toque de caixa. Com todos esses fatores contrários, o desastre era quase certo. Afinal, se Horner não foi capaz de criar trilhas originais para bons filmes como ''O Homem Bicentenário'' mesmo trabalhando com vários meses de antecedência, imagine neste caso.

Mas, quem diria, sua trilha para ''Tróia'' traz alguns temas e passagens que soam tão originais quanto seus magníficos scores para ''Krull'' ou ''Cocoon''. Confesso que até a cena do desembarque das tropas gregas nas praias de Tróia, não tinha sido capaz de identificar nenhum trabalho de ''copiar e colar'' que virou a especialidade de Horner nos últimos anos. De fato, o tema que criou para o guerreiro Aquiles é sensacional e, até que me digam o contrário, soa bastante original (mas vale lembrar que todos pensavam o mesmo sobre o tema de ''Willow'', até que se descobriu ser um plágio descarado do primeiro movimento da ''Symphony No. 3 in E flat op. 97 - Rhenish", de Robert Schumann).

É na faixa ''Achilles Leads the Myrmidons'', sem dúvida o ponto alto da trilha, que temos a rendição triunfal do ''Tema de Aquiles'', tocado com vigor pelos metais. Mas é partir daí também que a partitura começa a descambar para os mais irritantes ''horneirismos'' (os chamados autoplágios usados pelo desavergonhado compositor), a começar pelo mais óbvio: aquele bendito tema de quatro notas que ele usa desde ''Jornada nas Estrelas 2 - A Ira de Khan'' e faz questão de incluir em quase todas as suas trilhas quando há uma situação de perigo na tela. Quem duvida, é só assistir ''Willow'' (é o tema do vilão general Kael), ''Círculo de Fogo'' (atenção para as aparições do vilão nazista interpretado por Ed Harris), ''A Máscara do Zorro'' e mesmo ''Mar em Fúria''. O pior é que esse tema nem mesmo é original, já que é uma mínima variação do motif dos invasores teutônicos escrito por Sergei Prokofiev para o filme russo de Eisenstein, ''Alexander Nevsky'' (1939), e que Horner já havia usado na íntegra em ''Mercenários das Galáxias'' em 1980!

E por falar em Prokofiev, Horner volta a recorrer à trilha de ''Alexander Nevsky'' para musicar a seqüência do primeiro ataque do exército grego às muralhas de Tróia. O início da faixa ''The Greek Army And Its Defeat'' é uma cópia em carbono de ''The Battle in the Ice'' do filme de Eisenstein. O mesmo tipo de problema ocorre com o tema de amor para ''Briseis and Achilles'', que é nada mais do que uma variação do usado pelo compositor em ''Coração Valente''.

É claro que poderíamos dar um desconto ao compositor por causa do pouco tempo que teve à disposição, mas como ele lança mão desses recursos discutíveis sempre acaba ficando sem sentido desculpa-lo. Ainda mais porque ele foi capaz de, mesmo com toda a pressão, criar alguns temas muito bons e mais originais do que faz quando tem tempo de sobra nas mãos. Outro exemplo de uma boa idéia é o motif para a cidade de Tróia, que é grandioso e funciona bem junto com as imagens.

Dito isso fica impossível não perceber o quanto a trilha de Horner é inferior à de Yared, particularmente nos quesitos originalidade e complexidade (compare, por exemplo, as faixas que ambos escreveram para o duelo entre Heitor e Aquiles). Mas é preciso ressaltar que, no filme, a música de Horner funciona bem e, sem dúvida, deixa ''Tróia'' com um apelo mais popular, já que foi escrita num idioma mais próximo do que estamos acostumados a ouvir em nossa cultura ocidental, enquanto Yared compôs sua partitura baseada muito mais no idioma oriental-europeu.

A verdade é que só será justo comparar as duas trilhas quando for possível ver o filme com a trilha de Gabriel Yared. Afinal, sua música foi composta para fazer parte de ''Tróia'' e, mesmo demonstrando qualidades de sobra ao ser apreciada em separado, só poderá ser analisada quanto à sua efetividade junto com as imagens. Existem muitas trilhas por aí que são ótimas em CD, mas não funcionam nem um pouco no filme (como ''As Horas'', de Phillip Glass, por exemplo).

Levando tudo isso em conta, sou obrigado a afirmar para minha própria surpresa que James Horner foi capaz de criar para ''Tróia'' uma trilha que se mantém no mesmo nível de seus melhores trabalhos, exceto é claro pela repetição insistente e vexatória do seu infame ''Tema de Perigo'' e pela lamentável e descabida canção pop que encerra o filme, cantada por Josh Groban.

Talvez o que Horner esteja precisando para mudar os rumos de sua carreira é justamente de mais trabalhos para fazer em cima da hora...

Cotação: * * *

DVD: "Freud - Além da Alma"

O PAI DA PSICANÁLISE

Filme foi concebido quase como um conto de suspense e mistério, no qual a música de Jerry Goldsmith tem papel fundamental.

- por André Lux, crítico-spam

Finalmente é lançado em DVD “Freud – Além da Alma”, a biografia do pai da psicanálise, Sigmund Freud, transposta para o cinema pelo legendário John Huston em 1962.

Houston interessou-se em filmar a vida de Freud depois que conheceu sua obra por volta de 1948. Encomendou então um roteiro ao famoso Jean Paul Sartre que entregou ao diretor um calhamaço que daria um filme de mais de 6 horas de duração. Houston pediu que ele reduzisse o tratamento, mas a segunda versão de Sartre ainda foi considerada infilmável e o escritor recusou-se a fazer mais concessões, sobrando para o diretor, Charles Kaufman e Wolfgang Reinhardt a tarefa de reduzir o material (Sartre pediu para ter seu nome retirado dos créditos).

Dado grau de complexidade e polêmica das descobertas feitas pelo protagonista, “Freud – Além da Alma” foi filmando quase como um conto de suspense e mistério (às vezes parece mesmo filme de terror!), no qual a fotografia em preto e branco de Douglas Slocombe e a excelente música do mestre Jerry Goldsmith (em sua primeira indicação ao Oscar) tem papel fundamental (a partitura é tão sinistra e atonal que teve trechos usados em algumas cenas de “Alien – O Oitavo Passageiro”).

Montgmory Clift interpreta o papel título com grande propriedade enquanto sobra para uma muito jovem Susannah York a personagem feminina que serve como um compêndio de várias pacientes histéricas de Freud que o levaram a formular suas teorias sobre o complexo de Édipo e a sexualidade infantil.

O filme comprime bastante o que foi a longa jornada de Freud em busca de suas descobertas, resume vários eventos e deixa de fora outros importantes na vida do protagonista, mas ainda assim vale a pena ser visto por quem se interessa pelo tema e continua sendo uma boa introdução às idéias desse verdadeiro gênio, cujas idéias ainda impressionam e repercutem até hoje.

Coincidentemente, a trilha musical de Jerry Goldsmith para "Freud - Além da Alma" acaba de ser lançada em CD pela primeira vez e em sua versão completa pelo selo Varése Sarabande, especializado em música de cinema, numa edição limitada a 3 mil cópias!

Cotação: * * * *

sábado, 12 de dezembro de 2009

Trilha sonora: "Avatar", de James Horner

MAIS DO MESMO

Trilha é grandiosa e bem produzida, porém pedestre, medíocre, sem inspiração e uma colcha de retalhos dos trabalhos anteriores do compositor James Horner

- por André Lux, crítico-spam

É sempre difícil escrever sobre uma trilha sonora sem antes ter visto o filme, afinal a música foi composta para acompanhar as imagens. Todavia, as trilhas realmente boas são aquelas que mantém o interesse mesmo desconectadas das imagens. Infelizmente, esse não é o caso de “Avatar”, de James Horner, autor de centenas de trilhas, entre elas “Titanic” (pela qual ganhou o Oscar), “Aliens”, “Krull” e “Willow”. A decepção é ainda maior depois que descobrimos que ele teve quase um ano para compor a música do novo filme de James Cameron, algo que é um verdadeiro luxo na frenética realidade da indústria cultural estadunidense, onde a maioria dos compositores tem no máximo algumas semanas para finalizar o trabalho.

Também é impossível falar de James Horner sem esbarrar naquilo que é o seu defeito mais insuportável: o auto plagiarismo. Via de regra, o sujeito simplesmente coloca para tocar uma faixa ou um tema que compôs para outra trilha em sua nova obra, na maior cara de pau! Se você não acha isso estranho, então imagine se em toda trilha nova do John Williams aparecesse o tema do Darth Vader de repente, sem mais nem menos... Pois é, não estou falando aqui de estilo ou referências, mas de cópia pura e simples!

“Avatar”, assim como outras trilhas de Horner (principalmente as mais recentes), é uma verdadeira colcha de retalhos de seus trabalhos anteriores, mais especificamente “Titanic” (a melodia central é a mesma usada para acompanhar a letra “Near, far, wherever you are” da canção que compôs para Celine Dion!), o coral de “Tempo de Glória” (nas faixas “Climbing Up Iknimaya” e “Jake’s First Flight”), a flauta Sakauhachi japonesa de "Willow", as vocalizações eletrônicas de “Tróia” e as orquestrações tribais que usou em “Apocalypto”. Isso, claro, sem falar do infame “tema de quatro notas para perigo”, no qual a orquestra canta “Ta-na-na-naaaaam”, que o cidadão usa em quase todas as suas trilhas desde 1980 - era o tema do Khan em “Star Trek II”, do General Kael em “Willow” e do nazista vilão em “Círculo de Fogo”, só para citar os usos mais óbvios!

Não há um momento de brilho em “Avatar” que lembre as melhores trilhas para filmes de ficção ou fantasia de Horner (como “Krull”, "Cocoon" ou “Brainstorm”). Tudo é grandioso e bem produzido, porém pedestre, medíocre, sem inspiração. Nem mesmo as músicas de ação, como a faixa “War”, chegam a empolgar e Horner ainda piora tudo usando umas baterias eletrônicas e orquestrações pesadas que deixam tudo com jeito de cópia do abominável Hans Zimmer. Para piorar, ainda temos uma canção mela-cueca atroz, que bebe direto de “Titanic”, encerrando a trilha

Eu que acompanho a carreira de James Horner desde o começo e tenho mais de 80 trilhas dele em CD posso dizer com tranqüilidade que o compositor parece não ter mais nada a dizer. Ou perdeu a inspiração ou simplesmente cansou e agora limita-se a encher lingüiça para pegar seu cheque no final do trabalho. Só não consigo entender como um diretor como James Cameron permite que o compositor que contratou para musicar seu filme preencha as suas preciosas imagens com partituras já usadas em outros filmes.

Musicar um filme caríssimo e cheio de fantasia como “Avatar” deve ser o sonho de todo compositor de trilhas de cinema e, tenho certeza, qualquer um se esforçaria ao máximo para atingir um nível excelente de complexidade e originalidade – ouçam, por exemplo, a maravilha que Howard Shore compôs para a trilogia “O Senhor dos Anéis” ou a ótima partitura que Michael Giacchino criou para o novo "Star Trek". Já Horner foi na contramão e produziu mais do mesmo de sempre. Como eu disse antes, pode ser que a trilha de “Avatar” seja funcional junto com o filme (e duvido que vá além disso), porém como peça de música independente é uma grande e barulhenta decepção.

Cotação: * *

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Filmes:"Pandorum"

OUTRO FILHO DO “ALIEN”

É mais um exemplar de terror no espaço, que se não tem muita originalidade pelo menos é bem feito e prende a atenção.

- por André Lux, crítico-spam

“Pandorum” foi massacrado pela crítica estadunidense, mas eu não achei assim tão ruim. É apenas mais um exemplar de terror no espaço, que se não tem muita originalidade pelo menos é bem feito e prende a atenção.

A história é muito interessante. Uma nave gigantesca é enviada para tentar colonizar um planeta distante depois que a Terra foi destruída pelos abusos do homem. 

Corta para o despertar de um dos oficiais (Ben Foster, bem convincente) que estava dormindo em uma câmara criogênica, só para descobrir que a nave está sem energia e, pior, cheia de monstros esquisitos que se alimentam de carne humana.

Sobra para o coitado tentar achar o caminho até o reator principal, enquanto é ajudado por outro oficial (Dennis Quaid, sinistro) via rádio. Nem preciso dizer que, no percurso, ele vai encontrar outros sobreviventes e ser perseguido inúmeras vezes pelas criaturas que parecem uma mistura do Alien do H.R. Giger com os orcs do “Senhor dos Anéis”.



Se não prima pela originalidade, “Pandorum” tem sequências claustrofóbicas muito bem realizadas (principalmente quando o protagonista tem que se arrastar por tubos apertados cheios de cabos), alguns sustos dignos, várias cenas de ação e luta, e um desenho de produção excelente, do tipo que sabe deixar o filme com cara de produção classe A.

Além disso, reserva algumas surpresas bem boladas, um final impactante e tem uma trilha sonora atonal inventiva e enervante (no bom sentido). Outro ponto positivo: evita as explicações didáticas para os mistérios da trama, o que é sempre um sinal de respeito à inteligência do espectador.

Em suma, é mais um filme de monstros no espaço que não perde muito feio para outros filhos do primeiro “Alien”. Para quem gosta do gênero, uma boa pedida.

Cotação: * * *

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DVD: "Ed Wood"

O REI DO TRASH

Pior diretor de todos os tempos ganha um filme excelente, feito com evidente carinho por Tim Burton (que obviamente identifica-se com o protagonista).

- por André Lux, crítico-spam

Com "Ed Wood" o diretor Tim Burton finalmente fez juz ao seu duvidoso prestígio, alcançado muito mais pelo sucesso estrondoso do marketing investido em seus "Batman" e nos delirantes desenhos de produção de seus filmes do que por méritos dramáticos próprios.

Infelizmente, Burton tem a irritante mania de arruinar seus interessantes projetos injetando altas doses de bizarrice e histeria fora de hora, ao invés de simplesmente concentrar-se em contar uma boa história.

E é exatamente esse o mérito de "Ed Wood", biografia do que é considerado o pior diretor de cinema de todos os tempos. Sua vida por sí só já é tão bizarra e seus filmes tão histéricamente ridículos, que obrigaram Burton a voltar seus neurônios à construção de um bom roteiro e a uma direção de atores precisa - caso contrário acabaria com um filme tão ruim como os de Wood.

Ajuda também o fato de Burton ter contratado Howard Shore para escrever a trilha musical, ao invés do seu colaborador usual, o medíocre Danny Elfman (ex-Oingo Boingo). Shore compôs para "Ed Wood" uma trilha sonora discreta e sensível, mas sem esquecer de adicionar um tom cômico "fantástico", alusivo aos filmes de ficção de Wood, e outro melancólico e um pouco patético, associado à decadência de Bela Lugosi.

A recriação das cenas originais dos filmes de Wood são perfeitas e hilariantes, assim como a caracterização dos atores. Johnny Depp nunca esteve tão bem, mas quem rouba efetivamente a cena é Martin Landau (Oscar de Ator Coadjuvante), que literalmente "encarna" Lugosi.

Assim, "Ed Wood" é um filme excelente, feito com evidente carinho por Burton (que obviamente identifica-se com o protagonista), mas que vai agradar mais àqueles que conhecem os filmes hilariantes de Edward D. Wood Jr., como "Plan 9 From Outer Space" ou "Glen ou Glenda".

Sem dúvida o melhor filme de Tim Burton até hoje.

Cotação: * * * *

domingo, 22 de novembro de 2009

Filme: "Os Fantasmas de Scrooge"

BOBAGEM DIGITAL

Em termos de tecnologia o filme é nota 10. Já em termos de cinema mesmo, dramaticamente falando, é uma porcaria.

- por André Lux, crítico-spam

Eu gostaria de entender o que aconteceu com o diretor Robert Zemeckis. Depois de começar a carreira com filmes de aventura despretensiosos, como “Tudo por Uma Esmeralda” e a trilogia “De Volta para o Futuro”, demonstrou talento genuíno em “Contato”. Mas, de repente, parou de fazer filmes com pessoas de carne e osso e passou a produzir bobagens animadas em computador como “O Expresso Polar” e “A Lenda de Beowulf”. Parece que alguém falou pro sujeito que o cinema tradicional estava com os dias contados e o futuro pertenceria a quem fizesse tudo em digital. E ele acreditou!

Assim, apresenta agora a enésima adaptação da história clássica de Charles Dickens, só que feita toda no computador, sobre o velho ranzinza e mesquinho Scrooge, que recebe na véspera do natal a visita de três fantasmas que tem a missão de transformar o protagonista de um típico eleitor do PSDB, daqueles que acreditam que todo pobre é vagabundo e, portanto, deve ser tratado como lixo, num “cidadão de bem”. Não vou entrar no mérito dessa historinha batida e moralista que parece ter sido escrita por um burguês com consciência pesada, do tipo que acredita mesmo que a solução para todos os problemas do mundo é dar esmolas mais gordas e participar de campanhas do agasalho, pois é chover no molhado.

Mas o que espanta é a falta de capacidade do diretor em passar qualquer emoção durante a projeção (mal explica os motivos das mudanças de personalidade de Scrooge), perdendo um tempo incrível com sequências enjoativas que mostram o protagonista caindo sem parar, sendo puxado ou perseguido pelos fantasmas por entre os cenários virtuais. Não ajuda em nada o filme ter sido “estrelado” pelo insuportável Jim Carrey, que além do Scrooge faz também vários outros papéis – sendo o mais intragável o do fantasma do presente.

Agora vocês devem estar se perguntando por que diabos eu fui ver esse filme, não? Bem, a verdade é que eu e minha esposa queríamos experimentar uma sessão no Imax em 3D e, infelizmente, “Os Fantasmas de Scrooge” era a única opção. Assim, em termos de tecnologia o filme é nota 10. Já em termos de cinema mesmo, dramaticamente falando, é uma porcaria. E pior: é sombrio e até assustador demais para as crianças, com pouquíssimos momentos de humor e diversão! Mais uma bola fora do senhor Zemeckis...

Cotação: * *