PODREIRA COM CONTEÚDOFilme de ficção científica inusitado poderia muito bem se chamar “Alien Encontra A Mosca na Cidade de Deus”
- André Lux, crítico-spam
“Distrito 9” é um filme inusitado que se não chega a ser essa obra prima toda que a crítica vem apregoando, pelo menos traz novas idéias a um gênero que ultimamente virou refém de pouco conteúdo e muito barulho e efeitos visuais.
Trata-se de uma ficção científica que mistura efeitos especiais e de maquiagem estilo “podreira” com filme político de conteúdo mais sério. Poderia muito bem se chamar “Alien Encontra A Mosca na Cidade de Deus”! Vejam só a história: passa-se em Johanesburgo, na África do Sul, 20 anos depois da chegada de uma nave espacial avariada cheia de aliens esquisitos à beira da morte. Socorridos pelas autoridades, são então jogados num subúrbio da cidade que vira uma verdadeira favela e passam a ser hostilizados pelos humanos, inclusive pelos próprios que sofreram na pele a política racista do Apartheid.
Quando são ameaçados de despejo do Distrito 9 (que é como chamam a favela onde moram), um dos oficiais encarregados acaba contaminado por uma gosma estranha e começa a adquirir características dos aliens, sendo então perseguido pelas autoridades de seu país. A mensagem política aí é clara e até um pouco óbvia, mas sem dúvida muito oportuna: você só vai perceber o quanto o racismo é ruim quando a água bater na sua bunda.
O maior problema do filme é seu roteiro, mal costurado e com alguns furos na lógica. O pior deles é que os aliens obviamente não se sujeitariam a viver naquela situação degradante quando podiam claramente construir todas aquelas armas e veículos de defesa devastadores que tentavam vender aos humanos. Também não fica clara a relação deles com as pessoas da Terra (todo mundo entendia a língua dos aliens e vice-versa?) e o diretor falha em estabelecer de forma mais evidente o Apartheid contra os extraterrestres (o trailer do filme fazia isso de maneira muito melhor). Às vezes, cenas descambam para o nonsense puro, parecendo quase virar filme do Monty Python, quando eram para serem levadas a sério.Mas essas falhas são compensadas por um estilo de narrativa ágil e movimentada, com muita câmera na mão (imitando mesmo a fotografia de “Cidade de Deus”) e recursos de documentários (com alguns depoimentos feitos diretamente para a câmera). Os efeitos visuais também são muito bons e perfeitamente integrados na história – embora algumas cenas nojentas desnecessárias possam afugentar os mais sensíveis.
Não causa espanto que o filme tenha sido produzido por Peter Jackson, que fez a trilogia “Senhor dos Anéis”, até porque seu primeiro filme é um terror trash repleto de sangue chamado “Bad Taste” (mau gosto). Para mim, “Distrito 9” seria melhor se fosse mais irônico (a trilha musical pesada e melodramática que por vezes lembra o "Batman" do Hans Zimmer também não ajuda muito) e tivesse uma conclusão mais forte (o final é uma decepção), mas mesmo assim é uma boa pedida para quem gosta do gênero.
Cotação: * * *



















Em "Episódio 4" com 60 anos, no mínimo. "Onde você foi desencavar esse velho fóssil?", perguntava o despeitado Han Solo.
De acordo com "Episódio 3", a Estrela da Morte, inaugurada em "Episódio 4" com a destruição de Alderaan, ficou mais de 17 anos em construção! O Imperador deve ter mudado de empreiteira, pois nem 5 anos depois já estava terminando de construir a 2ª Estrela da Morte no "Episódio 6"!













