É muito triste ver uma série que começou com tantas promessas terminar de forma tão deprimente e sem sentido.
- por André Lux, crítico-spam simpatizante
Não poderia ter sido mais melancólico e decepcionante o final da sexta e última temporada da série “The L Word”.
Mas não era imprevisível, visto que somente a primeira temporada é que foi realmente boa (leia minha análise neste link). A partir da segunda, a qualidade da série foi decaindo exponencialmente até chegar ao que chegou.
Até agora não consegui entender o que aconteceu com os idealizadores da série, especialmente com a criadora e principal roteirista Ilene Chaiken, que surgiu como uma lufada de ar fresco na mesmice da programação das redes de TV, trazendo para a telinha histórias fortes, picantes e realistas de um grupo de lésbicas de Los Angeles.
Tudo que era verdadeiro, emocionante e divertido na primeira temporada foi, aos poucos, se transformando no contrário. Principalmente a partir da terceira temporada, que foi onde a coisa realmente desandou. As situações começaram a ficar cada vez mais forçadas e inverossímeis.
O que era sério e realista virou dramalhão sem sentido. Saiu de cena o humor fino e entrou o puro pastelão rasteiro. É incrível também a facilidade como todo mundo na série perde um emprego e arruma outro rapidinho, sem qualquer problema e sempre ganhando mais!
Incomodou também a inserção de péssimos novos personagens, como a horrível Papi, representando todos os piores estereótipos da mulher latina, e a chatíssima transexual feminina Moira, ainda por cima interpretada por uma atriz péssima.
Isso sem falar na mudança de personalidade de algumas personagens-chave, que foram literalmente da água para o vinho – como, por exemplo, a arrogante e dominadora Helena Peabody (a belíssima Rachel Shelley) que se transformou, sem qualquer motivo, numa mulher chorona e submissa.
Mas a pior mudança mesmo, que realmente destruiu a série, foi feita na personagem Jenny Schectter (Mia Kirshner). Ela, que na primeira temporada, descobriu sua bissexualidade e foi responsável por momentos de forte emoção e verdade, transformou-se, principalmente nas três últimas temporadas, numa dondoca petulante e estúpida que, ridículo do ridículo, virou diretora de cinema depois que um livro seu, inspirado na vida dela e das amigas, virou best-seller e foi comprado por um estúdio de Hollywood!
![]() |
| Por que não mataram ela antes? |
Nem mesmo algumas sub-tramas e novos personagens realmente interessantes (como o romance entre Beth e a artista surda-muda Jodi, interpretada pela talentosa Marlee Matlin, ou o drama da soldado que, por ser lésbica, é ameaçada de expulsão pelo exército) conseguiram salvar a série, que foi afundando até chegar à última temporada que, acreditem, gira totalmente em torno de uma única questão: “quem matou Jenny Schectter”?
Por que não a mataram antes é a pergunta que realmente gostaríamos de ver respondida...
Enfim, é muito triste ver uma série que começou com tantas promessas terminar de forma tão deprimente e sem sentido.
Para vocês terem uma idéia do tamanho da besteira, o último episódio acaba com todas as personagens chegando numa delegacia de polícia para prestar depoimento sobre a morte de Jenny (que, pasmem, nem é solucionada!) e, de repente, começam a andar sorridentes e de forma posada em câmera lenta, como se estivessem numa passarela. The End!
Lamentável...
Cotação: *










































