"NA DÚVIDA, ENTORTEM A CÂMERA!"
Filme falha em passar qualquer tipo de emoção, mas é visualmente bonito e ao menos faz rir nas horas erradas
Por André Lux, crítico-spam
Se você achou "Eclipse Mortal" um bom filme de ficção científica, daqueles que conseguem disfarçar as limitações no orçamento com soluções criativas e personagens críveis, então nem perca seu tempo assistindo "A Batalha de Riddick", pois essa espécie de continuação é uma bobagem sem pé nem cabeça que não tem a menor relação com o conceito do original.
Parece que o diretor David Twohy (também autor do roteiro) e o quase-astro Vin Diesel realmente acreditaram que o relativo sucesso do filme anterior deveu-se à presença do personagem Riddick, que era interessante mas não passava de um assassino frio que acabava liderando a contra gosto um grupo de sobreviventes na luta contra uma horda de monstros alienígenas.
Aqui, Riddick vira uma espécie de "escolhido" (mais um...) já que é o único sobrevivente de uma raça antiga que pode fazer frente aos malvados Necromongers, espécie de nazistas-espaciais que querem dominar todas as raças do universo e entrar para um negócio esquisito chamado "subverso" (que ninguém se importa em explicar o que é). Confuso? Então espere, porque o filme fica ainda mais sem sentido e muda completamente de tom quando o protagonista vai parar num planeta-prisão para tentar resgatar um dos personagens que sobraram de "Eclipse Mortal".
Só para você ter uma idéia da besteira que os autores do roteiro criaram, neste tal planeta-prisão (chamado Crematória) a luz do dia produz temperaturas superiores a 400° C. Em uma certa altura todos saem correndo pela superfície enquanto um mar de fogo os persegue e conseguem se salvar escondendo-se... nas sombras de uma caverna!
Pior é que "A Batalha de Riddick" se leva realmente a sério e é daqueles filmes repletos de clichés do gênero, frases de efeito constrangedoras e cenas posadas. Na dúvida, o diretor entorta a câmera como se isso fosse suficiente para passar algum tipo de clima ou emoção. A montagem também é muito ruim, toda picotada e com cortes que não duram nem um segundo deixando tudo confuso e obscuro, especialmente nas cenas de luta.
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| O vilão e seu capacete. É pra rir? |
É inacreditável que tenham gasto mais de 100 milhões de dólares neste filme visualmente bonito, mas que não tem o menor sentido e, portanto, falha em passar qualquer tipo de emoção - exceto tédio e provocar risos nas horas erradas. Não é a toa que está fracassando no mundo todo. E não era para ser diferente.
"A Batalha de Riddick" é mais uma prova de que certos realizadores deveriam ser proibidos de trabalhar com orçamentos muito generosos, já que se saem muito melhor em produções classe B onde são obrigados a usarem a criatividade ao invés de apelarem para um monte de feitos especiais e pirotecnia sem controle.
Cotaçâo: *







































