VENCIDO PELO EXCESSOTerceiro filme da série do Homem-Aranha peca pelo exagero e decepciona
- por André Lux, crítico-spam
Depois de um primeiro filme fraco, o segundo da série do Homem-Aranha conseguiu atingir um quase perfeito equilíbrio entre aventura, comédia e drama, tornando-o uma das melhores adaptações de quadrinhos para as telas do cinema. Infelizmente, como quase sempre acontece em Hollywood, a receita desandou e esse terceiro capítulo é uma decepção.
Fica claro que o diretor Sam Raimi, também co-autor do roteiro, tentou pegar todos os elementos que fizeram do segundo filme um sucesso e aproveita-los ao máximo. Só que exagerou demais na dose. Então, o que antes era dramático e emocionante, agora virou piegas e o que era engraçado, ficou constrangedor. Os atores estão todos caricatos (especialmente Tobey Maguire que parece catatônico), há um excesso de personagens e vilões (nada menos do que três!) e o filme se arrasta na tentativa de unir sem sucesso todas as tramas e sub-tramas, ao ponto de parecer interminável.
As cenas de ação e perseguição também são excessivas e redundantes, quase sempre resolvidas em efeitos digitais óbvios. Chegou uma hora em que eu não agüentava mais ver tanta gente sendo lançada pro ar, caindo e batendo a cabeça em vigas e canos – e olha que ainda estávamos na metade da projeção!
O ponto mais baixo do filme é, sem dúvida, o incrível número de coincidências e situações inverossímeis contidas no roteiro. E veja que não estou falando do fato do ladrão que vira homem-areia, ou do alienígena malvado que se transfigura na roupa do herói, nem do novo Duende Verde que parece ser indestrutível. Não, estou me referindo a coisas ridículas como: Mary Jane ser sumariamente demitida do seu show na Broadway ao receber críticas negativas depois de uma única apresentação, o alienígena cair no parque bem no pé do protagonista, o mordomo que revela uma informação crucial que poderia ter evitado muitas desgraças só no último momento, o Aranha salvar a mocinha que é filha do comissário de polícia, sua colega de classe e namorada do novo fotógrafo do Clarim Diário, o qual quer roubar sua vaga no jornal e, de quebra, estava no mesmo lugar em que o protagonista lutava contra seu uniforme-vilão só para ser possuído por ele e virar o monstro Venom! Não há “suspensão de descrença” que resista a tanta besteira junta...
O único ponto positivo desse terceiro filme deve-se à saída do péssimo Danny Elfman da composição da trilha musical, sendo substituído pelo mais competente Christopher Young (de “Hellraiser”, “A Mosca 2” e “A Metade Negra”) que melhora o nível da partitura, embora infelizmente seja obrigado a recorrer toda hora ao irritante tema que Elfman compôs para o herói nos dois primeiros Homem-Aranha.Mas é só e tirando algumas piadinhas mais divertidas (a melhor é a do restaurante francês que conta com a participação de Bruce Campbell, o Ash da série "Evil Dead"), o resto do filme é cansativo e, de quebra, ainda somos obrigado a aturar aquela bendita cena em que o herói desfila em frente à tremulante bandeira dos EUA. Desse jeito não há super-herói que resista mesmo...
Cotação: * *
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Morreu ontem, dia 08 de novembro, aos 61 anos depois de perder a luta contra o câncer o compositor de músicas para o cinema Basil Poledouris.
Reproduzo abaixo a despedida final escrita por Douglas Fake, da Intrada Records, selo especializado em trihas de cinema: